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G uarรก

ISSN 1413-571X

Ano XV, n. 85, marรงo/abril, 2010 - R$ 15,00

E D i TO R A

Indexada no ISI Web of Knowledge - Zoological Record, Latindex e no CAB Abstracts

www.revistaclinicaveterinaria.com.br


Indexada no ISI Web of Knowledge - Zoological Record, Latindex e CAB Abstracts Revista de educação continuada do clínico veterinário de pequenos animais

Índice

Flávia de Rezende Eugênio

Oncologia - 30 Patrícia Sayuri Murakami

Vacina de DNA: uma nova alternativa para o tratamento do melanoma canino - revisão de literatura DNA vaccine: a new alternative for canine melanoma therapy - review Vacuna de DNA: una nueva alternativa para el tratamiento del melanoma canino - revisión de literatura

Zoonoses - 38 Tuberculose em mamíferos silvestres

Tuberculosis in wild mammals Tuberculosis en mamíferos salvajes

Melanoma canino

Anestesiologia - 48 Fluidoterapia e sua influência sobre a resposta inflamatória Fluids and their influence in the inflammatory response Fluidoterapia y su influencia en la respuesta inflamatoria

Abscessos pulmonares multifocais e enfisema pulmonar em quati (Nasua nasua), compatíveis com o quadro respiratório de tuberculose

Animais selvagens - 66 Manuela G. F. Geronymo Sgai

Daniela Pedrassani

Enriquecimento ambiental e condicionamento operante com reforço positivo no retorno da ciclicidade ovariana de uma fêmea de chimpanzé (Pan troglodytes) - relato de caso The influence of environmental enrichment and operant conditioning with positive reinforcement on the return of ovarian cyclicity of a female chimpanzee (Pan troglodytes) - case report El enriquecimiento ambiental y el condicionamiento operante con refuerzo positivo en el retorno de la ciclicidad ovárica en una hembra de chimpancé (Pan troglodytes) - reporte de caso

Clínica médica - 74 Diagnóstico ultrassonográfico de infecção intensa por Dioctophyme renale em rim esquerdo de cão - relato de caso

Ultrasound diagnosis of intense infection by Dioctophyme renale in the left kidney of dog - case report Diagnóstico ultrasonográfico de infección severa por Dioctophyme renale en riñón izquierdo de perro - reporte de caso

Jorge da Silva Pereira

Rim esquerdo de animal parasitado pelo D. renale. Grande quantidade de parasitas mortos, fragmentados e ingurgitados de sangue

Condicionamento operante com reforço positivo

Kelly Cristine de Sousa Pontes

Oftalmologia - 82 Manifestações oculares da Dirofilaria canina: relato de dois casos Ocular manifestions of canine Dirofilaria: two case reports Manifestación ocular de la Dirofilaria canina: relato de dos casos

Oftalmologia - 88

Fotografia da córnea durante a ceratectomia e enxerto com múltiplas camadas de membrana amniótica bovina preservada em glicerina a 99% a temperatura ambiente

Membrana amniótica bovina, preservada em glicerina, no tratamento de úlcera de córnea em um cão e de sequestro corneal em dois felinos relato de casos

Dirofilaria (Dirofilaria) immitis, fêmea, adulta, matura, de 9,5cm, na câmara vítrea do bulbo ocular de cão

Bovine amniotic membrane preserved in glycerin in the treatment of corneal ulcer in a dog and corneal sequestrum in two cats - report of a case series Membrana amniótica bovina, conservada en glicerina, para tratamiento de úlcera de córnea en un perro y de secuestro corneal en dos gatos - relato de casos

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010

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Seções Editorial - 10 Cartas - 12 Notícias - 16 • Oportunidades para aprender com especialistas 16 • Tecsa em destaque 20 • Nova unidade da Pet Center Marginal 20 • Nova loja Ortovet 20 • Utilização de medicamentos veterinários genéricos aprovada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária 22 • Programa Estadual de Identificação e Controle da População de Cães e Gatos 22 • Curso de Especialização em Medicina Veterinária de Animais Selvagens e Manejo e Conservação de Fauna Silvestre 24

Instruções aos autores Artigos científicos inéditos, revisões de literatura e relatos de caso enviados à redação são avaliados pela equipe editorial. Em face do parecer inicial, o material é encaminhado aos consultores científicos. A equipe decidirá sobre a conveniência da publicação, de forma integral ou parcial, encaminhando ao autor sugestões e possíveis correções. Para esta primeira avaliação, devem ser enviados pela internet (cvredacao@editoraguara. com.br) um arquivo texto (.doc ) com o trabalho e imagens digitalizadas em formato .jpg . No caso dos autores não possuirem imagens digitalizadas, cópias das imagens originais (fotos, slides ou ilustrações acompanhadas de identificação de propriedade e autor) devem ser encaminhadas pelo correio ao nosso depar-

Livros - 106

Saúde pública - 26 • Curso de medicina do comportamento canino

• Plantas contra tuberculose

26 28

Bem-estar animal - 98 • PROBEM cadastra parceiros

• Pela criação da 1ª Promotoria de Defesa Animal no país

98 99

Ecologia - 100

106 107

Pet food - 108

Dieta vegetariana para cães e gatos

Lançamentos - 110 Negócios e oportunidades - 111

Agenda - 120

Gestão - 102

• A síndrome do avestruz no mercado pet

• Tem planta que virou bicho

Serviços e especialidades - 111

Belo Monte: Pandora é aqui? • É preciso ser mega?

• Como não fazer um artigo científico

102 104

tamento de redação. Os autores devem enviar tambem a identificação de todos os autores do trabalho (endereço, telefone e e-mail). Os artigos de todas as categorias devem ser acompanhados de versões em língua inglesa e espanhola de: título, resumo (de 700 a 800 caracteres) e unitermos (3 a 6). Os unitermos não devem constar do título. Devem ser dispostos do mais abrangente para o mais específico (eg, cães, cirurgias, abcessos, próstata). Verificar se os unitermos escolhidos constam dos “Descritores em Ciências de Saúde” da Bireme (http://decs.bvs.br/). No caso do material ser totalmente enviado por correio, devem necessariamente ser enviados, além de uma apresentação impressa, uma cópia em CD-ROM. Imagens como tabelas, gráficos e ilustrações não podem ser provenientes de literatura, mesmo que seja indicada a fonte.

Imagens fotográficas devem possuir indicação do fotógrafo e proprietário; e quando cedidas por terceiros, deverão ser obrigatoriamente acompanhadas de autorização para publicação. As referências bibliográficas serão indicadas ao longo do texto apenas por números, que corresponderão à listagem ao final do artigo, evitando citações de autores e datas. A apresentação das referências ao final do artigo deve seguir as normas atuais da ABNT e elas devem ser numeradas pela ordem de aparecimento no texto. Com relação aos princípios éticos da experimentação animal, os autores deverão considerar as normas do COBEA (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal). Revista Clínica Veterinária / Redação Caixa Postal 66002 CEP 05311-970 São Paulo - SP e-mail: cvredacao@editoraguara.com.br


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Edições publicadas - complete sua coleçãouará Consulte pela internet a lista de artigos/resumos (11) 3835-4555 - cvassinaturas@editoraguara.com.br - www.revistaclinicaveterinaria.com.br Nº 84, janeiro/fevereiro, 2010 Clínica médica Dermatologia Nutrição Odontologia Animais selvagens Nº 83, novembro/dezembro, 2009 Oftalmologia Oncologia Cirurgia Clínica médica Diagnóstico por imagem Nº 82, setembro/outubro, 2009 Ortopedia Cirurgia Oncologia Clínica médica Diagnóstico por imagens Dermatologia Cardiologia Animais silvestres Nº 81, julho/agosto, 2009 Neurologia Oncologia Nutrição Animais silvestres Dermatologia Nº 80, maio/junho, 2009 Edição especial diagnóstico por imagem

Nº 79, março/abril, 2009 Emergência e cuidados intensivos Ortopedia Oncologia Odontologia Clínica médica Nº 78, janeiro/fevereiro, 2009 Emergência e cuidados intensivos Anestesiologia Diagnóstico por imagem

Nº 74, maio/junho, 2008 Neurologia Cirurgia Ortopedia Oncologia Clínica médica Saúde pública Animais silvestres Nº 73, março/abril, 2008 Dermatologia Clínica médica Diagnóstico por imagem Cirurgia Nº 72, janeiro/fevereiro, 2008 Clínica médica Diagnóstico por imagem Dermatologia Oncologia Cirurgia Nº 71, novembro/dezembro, 2007 Edição especial de saúde pública leishmaniose

Nº 70, setembro/outubro, 2007 Reprodução Dermatologia Animais silvestres Cirurgia Oncologia Anestesiologia Diagnóstico por imagem Nº 69, julho/agosto, 2007 Edição especial de dermatologia

Nº 64, setembro/outubro, 2006 Anestesiologia Cardiologia Clínica médica 3 Oftalmologia Oncologia Nº 63, julho/agosto, 2006 Diagnóstico por imagem 2 Ortopedia Clínica médica Oncologia Dermatogia Animais silvestres

Nº 54, janeiro/fevereiro, 2005 Clínica de aves Ortopedia Diagnóstico por imagem Oftalmologia Animais silvestres Zoonose Nº 53, novembro/dezembro, 2004 Clínica médica 3 Animais silvestres Diagnóstico por imagem

Nº 62, maio/junho, 2006 Saúde pública Oftalmologia Clínica médica 2 Oncologia 2

Nº 52, setembro/outubro, 2004 Dermtaologia Oncologia Cirurgia Odontologia Oftalmologia

Nº 61, março/abril, 2006 Saúde pública 2 Oftalmologia Oncologia Clínica médica

Nº 51, julho/agosto, 2004 Dermtaologia Clínica médica 2 Diagnóstico por imagem Animais silvestres Ecologia

Nº 60, janeiro/fevereiro, 2006 Diagnóstico por imagem Clínica médica 2 Epidemiologia Cirurgia Dermatologia Nº 59, novembro/dezembro, 2005 Anestesiologia Cirurgia Neurologia Ortopedia Dermatologia Neurologia Oncologia Saúde pública

Nº 50, maio/junho, 2004 Cirurgia Anestesiologia Reprodução Doenças infecciosas Nº 49, março/abril, 2004 Anestesiologia Cirurgia Ortopedia Clínica médica Homeopatia Nº 48, janeiro/fevereiro, 2004 Clínica médica 3 Ortopedia Saúde pública

Nº 68, maio/junho, 2007 Clínica médica Neurologia Animais silvestres Cirurgia

Nº 77, novembro/dezembro, 2008 Cirurgia Oftalmologia Parasitologia Anestesiologia Oncologia Animais selvagens

Nº 58, setembro/outubro, 2005 Clínica médica Saúde pública Clínica médica Dermatologia Anestesiologia Oncologia

Nº 67, marco/abril, 2007 Bem-estar animal Clínica médica Comportamento Toxicologia Cirurgia

Nº 76, setembro/outubro, 2008 Saúde pública Ortopedia Oncologia Clínica médica Nutrição Dermatologia Animais silvestres

Nº 57, julho/agosto, 2005 Clínica neonatal Doenças infecciosas Clínica médica 2 Toxicologia Dermatologia Homeopatia

Nº 66, janeiro/fevereiro, 2007 Odontologia Diagnóstico por imagem Clínica médica Oftalmologia Oncologia Cirurgia

Nº 56, maio/junho, 2005 Clínica médica 2 Cirurgia Dermatologia Diagnóstico por imagem

Nº 45, julho/agosto, 2003 Clínica médica 4 Dermatologia Cirurgia

Nº 75, julho/agosto, 2008 Oftalmologia Oncologia Clínica médica

Nº 65, novembro/dezembro, 2006 Clínica médica 4 Saúde pública Oncologia

Nº 55, março/abril, 2005 Animais selvagens Oftalmologia Diagnóstico por imagem Clínica médica 2 Dermatologia

Nº 44, maio/junho, 2003 Reprodução Dermatologia Diagnóstico por imagem Clínica médica Homepatia

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010

Nº 47, novembro, dezembro, 2003 Ultrassonografia Clínica médica 2 Ortopedia Homeopatia Nº 46, setembro/outubro, 2003 Ortopedia Zoonoses 2 Reprodução Cardiologia

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Edições publicadas - complete sua coleção Consulte pela internet a lista de artigos/resumos (11) 3835-4555 - cvassinaturas@editoraguara.com.br - www.revistaclinicaveterinaria.com.br Nº 43, março/abril, 2003 Reprodução Dermatologia Doenças infecciosas Parasitologia

Nº 32, maio/junho, 2001 Cirurgia Oncologia 2 Cardiologia

Nº 20, maio/junho, 1999 Ortopedia Cirurgia Clínica Cirúrgica Homeopatia Ecologia

Nº 9, julho/agosto, 1997 Animais selvagens Reprodução Patologia Ultrassonografia

Nº 42, janeiro/fevereiro, 2003 Parasitologia Anestesiologia Cardiologia Clínica médica

Nº 31, março/abril, 2001 Anestesiologia Zoonose 2

Nº 18, janeiro/fevereiro, 1999 Nutrição Patologia clínica Clínica médica

Nº 8, maio/junho, 1997 Radiologia Animais silvestres Imunologia Nutrição Ultrassonografia

Nº 41, novembro/dezembro, 2002 Radiologia Reprodução Clínica médica 2 Homeopatia

Nº 30, janeiro/fevereiro, 2001 Parasitologia Zoonose Odontologia Ecologia

Nº 17, novembro/dezembro, 1998 Clínica cirúrgica Zoonose Clínica médica

Nº 7, março/abril, 1997 Anestesiologia Ultrassonografia Ecologia Patologia clínica

Nº 40, setembro/outubro, 2002 Odontologia Clínica médica Reprodução Ortopedia

Nº 29, novembro/dezembro, 2000 Zoonose Cirurgia 2 Homeopatia

Nº 16, setembro/outubro, 1998 Cirurgia Patologia Dermatologia Clínica médica

Nº 6, janeiro/fevereiro, 1997 Saúde Pública UItrassonografia Zoonose Patologia cirúrgica Reprodução

Nº 39, julho/agosto 2002 Oftalmologia Cardiologia Doenças infecciosas Anestesiologia Homeopatia

Nº 28, setembro/outubro, 2000 Anestesiologia Clínica médica Oncologia

Nº 15, julho/agosto, 1998 Ortopedia Reprodução Cirurgia Zoonose

Nº 38, maio/junho, 2002 Cirurgia Oncologia Cirurgia Saúde Pública

Nº 27, julho/agosto, 2000 Cardiologia Reprodução Clínica médica

Nº 14, maio/junho, 1998 Endoscopia Ultrassonografia Reprodução Clínica médica

Nº 5, novembro/dezembro, 1996 Odontologia Dermatologia Ultrassonografia Radiologia Ecologia Oncologia Anestesiologia

Nº 37, março/abril, 2002 Epidemiologia Ortopedia Clínica médica Ecologia

Nº 26, maio/junho, 2000 Radiologia 2 Zoonose

Nº 13, março/abril, 1998 Reprodução Odontologia Dermatologia Cirurgia

Nº 36, janeiro/fevereiro, 2002 Clínica médica Clínica médica Oncologia Ortopedia

Nº 25, março/abril, 2000 Dermatologia Neurologia Reprodução

Nº 12, janeiro/fevereiro, 1998 Doenças infecciosas Saúde Pública Animais selvagens Diagnóstico por imagem Oftalmologia

Nº 35, novembro/dezembro, 2001 Ultra-sonografia Radiologia 2

Nº 24, janeiro/fevereiro, 2000 Cirurgia Dermatologia

Nº 34, setembro/outubro, 2001 Ortopedia 2 Clínica médica Parasitologia Ecologia

Nº 23, novembro/dezembro Doença infecciosa Oncologia Neurologia

Nº 33, julho/agosto, 2001 Cirurgia 2 Radiologia Nefrologia Interação homem-animal Cinofilia

Nº 22, setembro/outubro, 1999 Ortopedia 2 Cirurgia

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Nº 11, novembro/dezembro, 1997 Clínica Médica Ortopedia Ultrassonografia Saúde Pública Anestesiologia Patologia cirúrgica Odontologia Nº 10, setembro/outubro, 1997 Parasitologia Anestesiologia Patologia cirúrgica Medicina nuclear Semiologia Ecologia

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010

Nº 4, setembro/outubro, 1996 Nutrição Oncologia Medicina nuclear Odontologia Nº 1, março/abril, 1996 Oftalmologia Fisioterapia Informática

Assinatura da revista Clínica Veterinária (1 ano/6 edições)

Médicos veterinários R$ 86,00 Estudantes de veterinária - R$ 77,00 Exemplares avulsos da revista Clínica Veterinária:

R$ 15,00 (preço de capa da edição atual)


Indexada no ISI Web of Knowledge - Zoological Record, Latindex e no CAB Abstracts CONSULTORES CIENTÍFICOS/SCIENTIFIC COUNCIL

Revista de educação continuada do clínico veterinário de pequenos animais

EDITORES / PUBLISHERS

Arthur de Vasconcelos Paes Barretto editor@editoraguara.com.br CRMV-MG 10.684

Maria Angela Sanches Fessel cvredacao@editoraguara.com.br CRMV-SP 10159

PUBLICIDADE / ADVERTISING midia@editoraguara.com.br

JORNALISTA / JOURNALIST Aristides Castelo Hanssen MTb-16.679

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA / DESKTOP PUBLISHING Editora Guará Ltda.

CAPA / COVER Sol, cadela SRD, fotografada por Jorge Silva Gomes Llaguno

IMPRESSÃO / PRINT Copypress

www.copypress.com.br

TIRAGEM / CIRCULATION 13.000 exemplares

CORRESPONDÊNCIA E ASSINATURAS LETTERS AND SUBSCRIPTION Editora Guará Ltda. Depto. de Assinaturas Caixa Postal 66002 - 05311-970 São Paulo - SP BRASIL cvassinaturas@editoraguara.com.br Telefone/fax: (11) 3835-4555

é uma revista técnico-científica bimestral, dirigida aos clínicos veterinários de pequenos animais, estudantes e professores de medicina veterinária, publicada pela Editora Guará Ltda. As opiniões em artigos assinados não são necessariamente compartilhadas pelos editores. Os conteúdos dos anúncios veiculados são de total responsabilidade dos anunciantes. Não é permitida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta publicação sem a prévia autorização da editora.

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Adriano B. Carregaro DCPA/UFSM carregaro@smail.ufsm.br Alceu Gaspar Raiser DCPA/CCR/UFSM raisermv@smail.ufsm.br Alessandra Martins Vargas Endocrinovet alessandra@endocrinovet.com.br Alexandre Lima Andrade CMV/UNESP-Aracatuba landrade@fmva.unesp.br Alexander Welker Biondo UFPR, UI/EUA abiondo@uiuc.edu Ana Paula F. L. Bracarense DCV/CCA/UEL anapaula@uel.br André Luis Selmi Anhembi/Morumbi e Unifran andre_selmi@yahoo.com.br Antonio Marcos Guimarães DMV/UFLA amg@ufla.br Aparecido A. Camacho FCAV/Unesp/Jaboticabal camacho@fcav.unesp.br A. Nancy B. Mariana FMVZ/USP anbmaria@usp.br Arlei Marcili ICB/USP amarcili@usp.br Aulus C. Carciofi FCAV/Unesp/Jaboticabal aulus@fcav.unesp.br Aury Nunes de Moraes UESC a2anm@cav.udesc.br Ayne Murata Hayashi FMVZ/USP aynemurata@ig.com.br Benedicto W. De Martin FMVZ/USP; IVI ivi@ivi.vet.br Berenice Avila Rodrigues FAVET/UFRGS berenice@portoweb.com.br Carlos Alexandre Pessoa Médico veterinário autônomo animalexotico@terra.com.br Carlos Eduardo S. Goulart FTB carlosedgoulart@hotmail.com Carlos Roberto Daleck FCAV/Unesp/Jaboticabal daleck@fcav.unesp.br Cassio R. Auada Ferrigno FMVZ/USP cassioaf@usp.br César Augusto D. Pereira UAM, UNG, UNISA dinolaca@hotmail.com Christina Joselevitch IP/USP christina.joselevitch@gmail.com Cibele F. Carvalho UNICSUL cibelefcarvalho@terra.com.br Cleber Oliveira Soares EMBRAPA cleber@cnpgc.embrapa.br Cristina Massoco Salles Gomes Con.. Empresaria cmassoco@gmail.com Daisy Pontes Netto FMV/UEL rnetto@uel.br Daniel Macieira FMV/UFF macieiradb@gmail.com Denise T. Fantoni FMVZ/USP dfantoni@usp.br Dominguita L. Graça FMV/UFSM dlgraca@smail.ufsm.br Edgar L. Sommer PROVET edgarsommer@sti.com.br

Edison Farias UFPR elpf@uol.com.br Eduardo A. Tudury DMV/UFRPE eat@dmv.ufrpe.br Elba Lemos FioCruz-RJ elemos@ioc.fiocruz.br Fabiano Montiani-Ferreira FMV/UFPR fabiomontiani@hotmail.com Fernando C. Maiorino FEJAL/CESMAC/FCBS fcmaiorino@uol.com.br Fernando de Biasi DCV/CCA/UEL biasif@yahoo.com Fernando Ferreira FMVZ/USP fernando@vps.fmvz.usp.br Flavia Toledo Univ. Estácio de Sá toledo-f@ig.com.br Flavio Massone FMVZ/UNESP/Botucatu btflama@uol.com.br Francisco J. Teixeira Neto FMVZ/UNESP/Botucatu fteixeira@fmvz.unesp.br Francisco Marlon C. Feijo UFERSA marlonfeijo@yahoo.com.br Franklin A. Stermann FMVZ/USP fsterman@usp.br Franz Naoki Yoshitoshi Provet franz.naoki@terra.com.br Geovanni Dantas Cassali ICB/UFMG cassalig@icb.ufmg.br Geraldo Márcio da Costa DMV/UFLA gmcosta@ufla.br Gerson Barreto Mourão ESALQ/USP gbmourao@esalq.usp.br Hannelore Fuchs Instituto PetSmile afuchs@amcham.com.br Hector Daniel Herrera Univ. de Buenos Aires hdh@fvet.uba.ar Hector Mario Gomez EMV/FERN/UAB hectgz@netscape.net Hélio Autran de Moraes Dep. Clin. Sci./Oregon S. U. demorais@svm.vetmed.wisc.edu Hélio Langoni FMVZ/UNESP-Botucatu hlangoni@fmvz.unesp.br Heloisa J. M. de Souza FMV/UFRRJ justen@centroin.com.br Herbert Lima Corrêa ODONTOVET odontovet@odontovet.com Iara Levino dos Santos UFLA iaralevino@yahoo.com.br Idael C. A. Santa Rosa UFLA starosa@ufla.br Ismar Moraes FMV/UFF fisiovet@vm.uff.br James N. B. M. Andrade FMV/UTP jamescardio@hotmail.com Jane Megid FMVZ/UNESP-Botucatu jane@fmvz.unesp.br Janis R. M. Gonzalez FMV/UEL janis@uel.br Jairo Barreras FioCruz jairo@ioc.fiocruz.br

Jean Carlos Ramos Silva UFRPE, IBMC-Triade jean@triade.org.br João G. Padilha Filho FCAV-UNESP/Jaboticabal padilha@fcav.unesp.br João Pedro A. Neto UAM joaopedrovet@hotmail.com José Alberto P. da Silva FMVZ/USP e UNIBAN jsilva@uniban.br José de Alvarenga FMVZ/USP alangarve@terra.com.br Jose Fernando Ibañez FALM/UENP ibanez@uenp.edu.br José Luiz Laus FCAV/Unesp/Jaboticabal jllaus@fcav.unesp.br José Ricardo Pachaly UNIPAR pachaly@uol.com.br José Roberto Kfoury Júnior FMVZ/USP robertok@fmvz.usp.br Juliana Brondani FMVZ/UNESP/Botucatu jtbrondani@yahoo.com Julio C. Cambraia Veado FMVZ/UFMG cambraia@vet.ufmg.br Karin Werther FCAV/Unesp/Jaboticabal werther@fcav.unesp.br Leonardo Pinto Brandão Merial Saúde Animal leobrandao@yahoo.com Leucio Alves FMV/UFRPE leucioalves@gmail.com Luciana Torres FMVZ/USP lu.torres@terra.com.br Lucy M . R. de Muniz FMVZ/UNESP-Botucatu lucy_marie@uol.com.br Luiz Carlos Vulcano FMVZ/UNESP-Botucatu vulcano@fmvz.unesp.br Luiz Henrique Machado FMVZ/UNESP-Botucatu henrique@fmvz.unesp.br Marcello Otake Sato FMV/UFTO otake@uft.edu.br Marcelo Bahia Labruna FMVZ/USP labruna@usp.br Marcelo de C. Pereira FMVZ/USP marcelcp@usp.br Marcia Kahvegian FMVZ/USP makahve@hotmail.com Márcia Marques Jericó UAM e UNISA marciajerico@hotmail.com Marcia M. Kogika FMVZ/USP mmkogika@usp.br Marcio B. Castro UNB mbcastro2005@yahoo.com.br Marcio Dentello Lustoza Biogénesis-Bagó Saúde Animal mdlustoza@uol.com.br Márcio Garcia Ribeiro FMVZ/UNESP-Botucatu mgribeiro@fmvz.unesp.br Marco Antonio Gioso FMVZ/USP maggioso@usp.br Marconi R. de Farias PUC-PR marconi.farias@pucpr.br Maria Cecilia Rui Luvizotto CMV/UNESP-Aracatuba ruimcl@fmva.unesp.br

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010

Maria Cristina F. N. S. Hage FMV/UFV crishage@ufv.br Maria Cristina Nobre FMV/UFF mcnobre@predialnet.com.br Maria de Lourdes E. Faria VCA/SEPAH Maria Jaqueline Mamprim FMVZ/UNESP-Botucatu jaquelinem@fmvz.unesp.br Maria Lúcia Zaidan Dagli FMVZ/USP malu021@yahoo.com Maria Rosalina R. Gomes Médica veterinária sanitarista rosa-gomes@ig.com.br Marion B. de Koivisto CMV/Unesp-Araçatuba koivisto@fmva.unesp.br Marta Brito FMVZ/USP mbrito@usp.br Mary Marcondes CMV/Unesp-Araçatuba marcondes@fmva.unesp.br Masao Iwasaki FMVZ/USP miwasaki@usp.br Mauro J. Lahm Cardoso FALM/UENP maurolahm@ffalm.br Michele A. F. A. Venturini ODONTOVET michele@odontovet.com Michiko Sakate FMVZ/UNESP-Botucatu michikos@fmvz.unesp.br Miriam Siliane Batista FMV/UEL msiliane@uel.br Moacir S. de Lacerda UNIUBE moacir.lacerda@uniube.br Monica Vicky Bahr Arias FMV/UEL vicky@uel.br Nadia Almosny FMV/UFF mcvalny@vm.uff.br Nayro X. Alencar FMV/UFF nayro@vm.uff.br Nei Moreira CMV/UFPR neimoreira@ufpr.br Nilson R. Benites FMVZ/USP benites@usp.br Nobuko Kasai FMVZ/USP nkasai@usp.br Noeme Sousa Rocha FMV/UNESP-Botucatu rochanoeme@fmvz.unesp.br Norma V. Labarthe FMV/UFFe FioCruz labarthe@centroin.com.br Patrícia Mendes Pereira DCV/CCA/UEL pmendes@uel.br Paulo César Maiorka USP pmaiorka@yahoo.com Paulo Iamaguti FMVZ/UNESP-Botucatu pauloiamaguti@ig.com.br Paulo S. Salzo UNIMES, UNIBAN pssalzo@ig.com.br Paulo Sérgio M. Barros FMVZ/USP pauloeye@usp.br Pedro Germano FSP/USP pmlgerma@usp.br Pedro Luiz Camargo DCV/CCA/UEL p.camargo@uel.br

Rafael Almeida Fighera FMV/UFSM anemiaveterinaria@yahoo.com.br Rafael Costa Jorge Clínica Veterinária Pompéia rc-jorge@uol.com.br Regina H. R. Ramadinha FMV/UFRRJ regina@vetskin.com.br Renata Navarro Cassu Unoeste-Pres. Prudente renavarro@uol.com.br Renée Laufer Amorim FMVZ/UNESP-Botucatu renee@fmvz.unesp.br Ricardo Duarte Hovet-Pompéia netuno2000@hotmail.com Rita de Cassia Garcia FMV/USP rita@vps.fmvz.usp.br Rita de Cassia Meneses IV/UFRRJ cassia@ufrrj.br Rita Leal Paixão FMV/UFF rita_paixao@uol.com.br Rodrigo Gonzalez FMV/Anhembi-Morumbi rgonzalez@globo.com Rodrigo Mannarino FMVZ/UNESP-Botucatu r.mannarino@uol.com.br Ronaldo Casimiro da Costa CVM/Ohio State University dacosta.6@osu.edu Ronaldo G. Morato CENAP/ICMBio ronaldo.morato@icmbio.gov.br Rosângela de O. Alves EV/UFG rosecardio@yahoo.com.br Rute Chamie A. de Souza UFRPE/UAG rutecardio@yahoo.com.br Ruthnéa A. L. Muzzi DMV/UFLA ralmuzzi@ufla.br Sady Alexis C. Valdes ICBIM/UFU sadyzola@usp.br Sheila Canavese Rahal FMVZ/UNESP/Botucatu sheilacr@fmvz.unesp.br Silvia E. Crusco FMVA/UNESP/Araçatuba silviacrusco@terra.com.br Silvia R. G. Cortopassi FMVZ/USP silcorto@usp.br Silvio Arruda Vasconcellos FMVZ/USP savasco@usp.br Silvio Luis P. de Souza FMVZ/USP, UAM slpsouza@usp.br Stelio Pacca L. Luna FMVZ/UNESP/Botucatu stelio@fmvz.unesp.br Suely Beloni DCV/CCA/UEL beloni@uel.br Tilde Rodrigues Froes Paiva FMV/UFPR tilde9@hotmail.com Valéria Ruoppolo Internat.Fund for Animal Welfare vruoppolo@uol.com.br Vamilton Santarém Unoeste vsantarem@itelefonica.com.br Viviani de Marco UNG, H. V. Pompéia vivianidemarco@terra.com.br Wagner S. Ushikoshi FMV/UNISA e FMV/CREUPI wushikoshi@yahoo.com.br Zalmir S. Cubas Itaipu Binacional cubas@foznet.com.br


Editorial

A

evolução da espécie humana tem sido fatal para o planeta. O que alguns chamam de progresso e avanço econômico, na verdade, são ocupações desordenadas de áreas naturais e exploração predatória dos recursos que a natureza ainda oferece. Um exemplo real é a “Farra do Boi na Amazônia”, título da investigação de três anos do Greenpeace que revela como a parceria perversa entre a indústria do gado e o governo brasileiro estão resultando em mais desmatamento, trabalho escravo e invasão de terras indígenas (http://www.greenpeace.org/brasil/ amazonia/gado). As consequências das ações humanas já estão sendo sentidas e cada vez mais a biodiversidade fica comprometida. Para chamar a atenção para o problema, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. De acordo com levantamentos da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD), órgão da http://www.cbd.int/2010 ONU que trata do problema, a taxa de perda de espécies chega a cem vezes a da extinção natural e vem crescendo exponencialmente. Para conseguirmos, de fato, preservar a biodiversidade, precisamos aprender a preservar primeiro o meio ambiente mais próximo. Se já é difícil, por exemplo, preservar um parque urbano, como iremos conseguir preservar uma floresta? Ações de conscientização para a preservação do meio ambiente precisam começar pela preservação do ambiente que está ao redor de nós. Difícil tarefa na questão ambiental, é lidarmos com a questão do lixo e o que pode ser considerado objeto sem aproveitamento. Nesse contexto, a escolha de produtos com embalagens que possam ser recicladas faz com que o cidadão se torne um consumidor consciente. Seguindo o raciocínio por este caminho da consciência ambiental, o consumidor também não deve pensar em ter um animal de estimação sem antes avaliar todas as obrigações que isto trará, caso contrário, facilmente ele também poderá sobrecarregar o meio ambiente com um animal abandonado. Porém, se após uma decisão consciente define-se ter um animal de estimação, o próximo passo é refletir sobre os milhares de animais que estão em abrigos à espera de adoção. Atualmente, é possível, pela internet, pré-selecionar o animal que se pretende adotar. O sítio Olhar Animal (www.olharanimal.net), por exemplo, tem feito excelente trabalho divulgando eventos de adoção de animais por todo o Brasil. Os clínicos veterinários de pequenos animais podem ajudar bastante para desenvolver essa consciência ambiental na população. O discurso sobre a guarda responsável de animais precisa ser permanente. Assim como o incentivo à adoção: “Amigo não se compra. Adote um amigo”. Obviamente, não basta a colaboração dos clínicos. É urgente que os órgãos do governo enxerguem o potencial da classe veterinária para desenvolver projetos e programas, tanto para a preservação ambiental quanto para a saúde da população. Tarefa difícil, mas que não deve ser abandonada. O que devemos é abandonar os políticos que desejam apenas o “progresso” e valorizar, apoiar e tentar alianças com os que se dedicam ao desenvolvimento sustentável. Afinal, “O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas sim por aquelas que permitem a maldade” (Albert Einstein).

Arthur de Vasconcelos Paes Barretto

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Cartas para esta seção devem ser enviadas para cvredacao@editoraguara.com.br, editor@editoraguara.com.br ou pelo correio para a Editora Guará Ltda., Seção de Cartas, Caixa Postal 66002, 05311-970, São Paulo - SP. Perguntas, dúvidas, esclarecimentos, comunicados, orientações etc. serão respondidas conforme a ordem de chegada. Os editores poderão resumir o conteúdo da carta, conforme a necessidade

Leishmaniose visceral - considerações do MS

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m resposta à matéria publicada na revista Clínica Veterinária, nº 83, novembro/dezembro de 2009, intitulada: Saúde Pública Veterinária: futuro e retrospectiva 2009, o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, presta os seguintes esclarecimentos: 1. A Organização Mundial da Saúde classifica a leishmaniose visceral (LV) como uma doença negligenciada, principalmente por atingir populações pobres e pelo pouco interesse das indústrias em investir em novos fármacos e tecnologias. Nas Américas a doença encontra-se em expansão, atingindo principalmente os países do Cone Sul, com destaque para Brasil, Argentina e Paraguai; 2. A LV é uma doença sistêmica, que, se não tratada, pode levar a óbito até 90% das pessoas doentes. No Brasil, os casos estão distribuídos nas cinco regiões, atingindo 21 Unidades Federadas. A faixa etária mais acometida são as crianças menores de dez anos de idade, com aproximadamente 53,6% dos casos (1.956 registros dentre 3.650 notificações) e letalidade de 5,7% (208 casos, dos 3.650 confirmados), podendo alcançar índices acima de 20% quando atinge pacientes imunodeprimidos. Em 2008 foram registradas, no Sistema Único de Saúde (SUS), 2.995 internações por LV, com taxa média de permanência de 15 dias; 3. O ciclo de transmissão da LV é estabelecido pela presença do agente etiológico (Leishmania chagasi), do vetor (Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi), do hospedeiro suscetível, dos reservatórios silvestres (raposas e marsupiais) e, principalmente, pelo cão (Canis familiaris), maior responsável pela manutenção e persistência da doença em áreas urbanas; 4. As ações de vigilância e controle normatizadas estão centradas no diagnóstico precoce e no tratamento adequado dos casos humanos, vigilância e monitoramento canino, com eutanásia de cães com diagnóstico sorológico ou parasitológico positivo, vigilância entomológica, saneamento ambiental e controle químico com inseticida de efeito residual, e medidas preventivas direcionadas ao homem, ao vetor e ao cão; 5. A política adotada pelo Brasil, para as ações de vigilância e controle da LV, baseia-se nas evidências científicas, bem como nas recomendações estabelecidas pela OPAS/OMS, 12

conforme os seguintes relatórios: Consulta de expertos OPS/OMS sobre Leishmaniasis Visceral en las Américas, obtido no endereço eletrônico http://www. panaftosa.org.br/Comp/Zoonoses/Leishma/ doc/Inf_final_leish_2005.pdf; e Encuentro sobre vigilancia, prevención y control de leishmaniasis visceral (LV) en el Cono Sur de Sudamérica, obtido no endereço eletrônico http://www.panaftosa.org.br/Comp/ Zoonoses/Leishma/doc/EncuentroLeishman iasisVisceralConoSurSudamerica.pdf; 6. A partir de 2003, quando da reformulação das estratégias de vigilância da LV no País, as ações de controle passaram a ser realizadas de forma diferenciada, conforme a estratificação de risco, executadas de forma integrada e avaliadas a cada ano, para o alcance dos objetivos propostos, principalmente o de reduzir a morbidade e a letalidade. A descontinuidade dessas ações, tanto as relacionadas ao reservatório doméstico como ao vetor, é um fator que favorece a manutenção da transmissão; 7. Os fatores que têm favorecido a expansão da LV estão relacionados principalmente aos aspectos ambientais, climáticos, sociais e econômicos, que têm influenciado diretamente no ciclo de transmissão da doença. Apesar da expansão da LV, quando se avalia a série histórica de casos humanos, verifica-se que, a partir de 2004, há uma tendência na estabilização no número de casos e uma redução de 31% no número de municípios com transmissão intensa e moderada, passando de 314 municípios em 2003, para 217 em 2009. Vale destacar que, para essas áreas, que representam 3,9% dos municípios brasileiros, as ações de controle químico e a eutanásia de cães infectados vêm sendo realizadas; 8. Ressalte-se também que existem estudos que avaliam as estratégias de controle da doença e evidenciam a sua efetividade, principalmente quando elas estão focalizadas nas áreas de maior risco. O fundamento científico que embasa o efeito protetor da eutanásia de cães infectados é o fato de que a remoção desses animais reduz o pool de fontes de infecção para os insetos transmissores da doença, limitando sua capacidade de transmitir o parasito para humanos e outros cães; 9. No que se refere ao II Fórum de discussão sobre o tratamento da leishmaniose visceral canina (LVC), é oportuno esclarecer que o

evento teve como objetivo avaliar os artigos publicados sobre o tema na literatura nacional e internacional, a partir de 2007. Para tanto foram considerados a metodologia, o mérito científico e os riscos que o tratamento da LVC pode trazer para a Saúde Pública. Esta nova revisão e avaliação de artigos científicos sobre o tema já estava prevista, como consta do Relatório Final do I Fórum sobre a Leishmaniose Visceral Canina, que diz: “A luz de novas evidências, as recomendações contidas neste documento deverão ser revisadas”; 10. É importante ressaltar que o Ministério da Saúde não define normas técnicas com base em argumentos pessoais, interesses individuais ou privados, e sim a partir de evidências científicas, com vistas a garantir o interesse coletivo. Portanto, não é razoável questionar a participação de um número maior de médicos veterinários, pois as conclusões do Fórum refletem o que a literatura científica evidencia; 11. Vale destacar que muitos dos nomes citados na referida matéria também participaram do I Fórum e não apresentaram, na ocasião, evidências científicas que comprovassem os benefícios do tratamento da LVC e o nãorisco desta conduta para a Saúde Pública; 12. Outro fato importante a ser mencionado é que, como regulamentado pela Portaria nº 140, de 20 de agosto de 2009, para integrar as reuniões e discussões do Ministério da Saúde que gerem decisões normativas é necessário que o participante declare não possuir conflito de interesse com o assunto a ser debatido, o que inviabiliza a participação de profissionais proprietários, ou que possuem vínculos, ou que prestam serviços a laboratórios, ou a outras instituições privadas ligadas ao tema; 13. A respeito do tratamento da LVC, é importante destacar que pesquisadores da Europa alertam para a indução de cepas de parasitos resistentes às poucas drogas disponíveis para o tratamento da LV humana, devido ao tratamento indiscriminado de cães com leishmaniose visceral, que vem sendo realizado naquele continente (Dujardin, 2008). Como refere o trecho traduzido a seguir: “...cães tratados não são curados parasitologicamente, e a longa meia-vida da droga e a falta de uma política por parte dos países europeus poderão contribuir para o aparecimento

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de parasitas resistentes à miltefosina. Essa resistência pode ser um problema na Europa para pacientes humanos, pois a miltefosina está sendo utilizada para terapia em pacientes com co-infecção Leishmania-HIV e que não respondem às terapias com anfotericina B ou antimoniato pentavalente. Além disso, se os cães infectados com cepas resistentes à miltefosina migrarem para a América Latina, onde vários países têm registrado a droga para uso humano (atualmente, Colômbia, Guatemala, Argentina, Venezuela, Paraguai, Equador e Honduras), o impacto poderá ser muito maior.” 14. O tratamento da LVC vem sendo insistentemente discutido e é alvo de preocupação da OPAS/OMS, como consta no relatório final do Encuentro sobre vigilância, prevención y control de leishmaniasis visceral (LV) em Cono Sur de Sudamérica, realizado em 23 de setembro de 2009, em Foz de Iguaçu/PR, que reforça ser necessário proibir o tratamento da LVC com princípios ativos (drogas) de uso humano. É o que recomenda a Portaria Interministerial nº 1.426, de 11 de julho de 2008. Segue trecho do relatório da OPAS/OMS: “…Hay evidencias acumuladas de que los tratamientos farmacológicos de perros afectados de LV no son eficaces para revertir la condición de infectivo del perro (aún cuando eventualmente puedan asociarse a mejoras transitorias en el cuadro clínico o a reducción de la carga parasitaria), y aumentan el riesgo de generación de cepas resistentes a los medicamentos de uso humano. Es necesario prohibir los tratamientos de LV canina con drogas de uso humano y establecer medidas especiales para evitar la importación de perros desde países en los que esta práctica sea aplicada…” 15. Por fim, este Ministério vem fomentando e financiando pesquisas para o aprimoramento das ações de vigilância e controle da LV no Brasil. No entanto, é necessário que haja um comprometimento de todos os setores, envolvendo a sociedade civil, as organizações não-governamentais, as entidades de classes, os profissionais de saúde, além de outras áreas do governo, tais como: infraestrutura, educação e meio-ambiente. Vale ressaltar que não é possível controlar uma doença complexa, como a LV, sem que se estabeleçam parcerias.

C l í n i c a Ve t e r i n á r i a - r e s p o s t a Prezada Vanessa Pinheiro Borges, É com muita satisfação que recebemos e publicamos a carta proveniente do Ministério da Saúde. As considerações prestadas serão de grande valia e poderão dar sequência a diálogos permanentes com os clínicos veterinários de pequenos animais. A prevenção da leishmaniose visceral, assim como de outras zoonoses, depende da ação conjunta que leve informação à população. Por Convívio com animais: isso, todas as uma relação que precisa campanhas de de segurança e de infor- prevenção devem mação contar com a participação do profissional que possui contato direto com as famílias que possuem animais: o clínico veterinário de pequenos animais, Zoonotic diseases: a guide to establishing collaboration between animal and human health sectors at the country level, publicação de 2008 da Organização Mundial da Saúde, destaca a importância da participação de todos os atores sociais para que haja sinergismo www.wpro.who.int/NR/rdonlyres/ nas ações de 5419C622-412A-45E5-8006prevenção 143B26EA253C/0/Zoonoses02.pdf

Folheto divulgado pela Associação VIDA (Valorização e Integração dos Animais) para proteção das famílias e dos seus estimados companheiros, os cães

que, na sua essência, é um agente de promoção e vigilância em saúde. Recentemente, matérias divulgadas em mídias de grande circulação enfatizaram a relação das famílias com os animais. Inclusive, destacaram que os animais são considerados membros da família. Consequentemente, um programa de saúde para as famílias que não tenha informações básicas sobre como desfrutar do convívio saudável com os animais, dificilmente terá sucesso. Com o advento da internet a informação está globalizada. Hoje, os proprietários de

Atenciosamente, Vanessa Pinheiro Borges

Coordenadora do Núcleo de Comunicação Secretaria de Vigilância em Saúde Ministério da Saúde

Nossa família animal, matéria especial que concebeu a capa da Veja de julho de 2009 destaca a importância do convívio das famílias com os animais: http://veja.abril.com.br/220709/ nossa-familia-animal-p-084.shtml

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Rede Globo também destacou importância do convívio das famílias com os animais: “Eles são tratados como filhos em milhares de lares brasileiros” http://g1.globo.com/jornalhoje/ 0,,MUL1252948-16022,00SETOR+DE+ANIMAIS+ESTA+EM+ EXPANSAO+NO+BRASIL.html


Animais na família - uma realidade carente de atenção

No Portal da Saúde, na seção destinada a orientar o cidadão e promover a prevenção de enfermidades, não há nenhum destaque para a preservação da saúde e a presença de animais na família. O cidadão pode até encontrar a palavra PET no portal. Porém, PET para o Ministério da Saúde (MS) significa Programa de Educação pelo Trabalho

Portal da Saúde: www.saude. gov.br

Leishmaniose no YouTube: fonte de informação para a população, principalmente, para as famílias que incluem o cão como integrante e que não admitem sua simples eliminação. Em função disso, as políticas fundamentadas em ações polêmicas e sem resultados científicos comprovados, são fadadas ao insucesso

O sítio Scalibor (www.scalibor.com.br) oferece informações detalhadas para a prevenção da leishmaniose visceral canina

animais tem conhecimento da conduta praticada nos países desenvolvidos. Há mais de dois anos on line no sítio You Tube (www.youtube.com/watch?v=cSH4Hue9j xE&feature=fvst) o clip Leishmaniose(não sacrifique) trate do seu animal já teve mais de 25.000 acessos. Informações científicas sobre o assunto também estão disponíveis no sítio www.sciencedirect.com, como, por exemplo, os artigos Directions for the diagnosis, clinical staging, treatment and prevention of canine leishmaniosis, recém publicado na Veterinary Parasitology 165 (2009) 1–18 (An international scientific journal and the Official Organ of the American Association of Veterinary Parasitologists, the European Veterinary Parasitology College and the World Association for the Advancement of Veterinary Parasitology) e Control of Visceral Leishmaniasis in Latin America—A Systematic Review, disponível on line em www.plosntds.org/article/info%3Adoi%2 F10.1371%2Fjournal.pntd.0000584 . As empresas que fornecem produtos para a prevenção da leishmaniose visceral canina

também investem na informação à população fornecendo esclarecimentos para a correta promoção da proteção das famílias. Uma forma de produzir sinergismo nessas ações de prevenção das zoonoses seria a inclusão da medicina veterinária no NASF (Núcleos de Apoio à Saúde da Família). Há anos a Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária (CNPSV) do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) vem destacando a importância do médico veterinário integrar as equipes multiprofissionais do NASF. Análises e planejamento de ações nos territórios circunscritos das famílias, devem levar em consideração a existência e o grau de interação que elas posRevista CFMV, n. 48, Ano suem com os ani15/2009 – NASF sem o mais. RecenteMédico Veterinário: uma mente, a revista assistência a saúde da CFMV dedicou o família incompleta

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Bayer Pet: muita informação e excelente interatividade

Além de fornecer informações para o controle de zoonoses, o sítio Bayer Pet (www.bayerpet. com.br) também se dedica a ações de responsabilidade social, como, por exemplo, o Projeto Cão-Guia, e também promove a adoção de animais

tema à capa de sua revista: NASF sem o Médico Veterinário: uma assistência a saúde da família incompleta. Certamente, muitas parcerias serão necessárias para a prevenção da leishmaniose, de todas as outras zoonoses e, inclusive, do controle de população de cães e gatos. Portanto, é essencial a parceria com o clínico veterinário de pequenos animais e ela nunca deve ser descartada.

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Ecologia Guia de aves Mata Atlântica Paulista

Guia de aves Mata Atlántica Paulista – 132 páginas Versão em PDF (gratuita): http://verd.in/k7v Compra da versão impressa: (11) 2997-5000

O Guia de aves Mata Atlântica Paulista, produzido pelo WWFBrasil e pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo com o apoio do HSBC, tem como objetivo incentivar a prática da observação de aves (birdwatching). Este guia se refere às aves que vivem em ambientes serranos como florestas de encostas, topos de morros e campos de altitude; eventualmente podem ocorrer em cotas mais baixas. As unidades que protegem esses tipos de ambientes estão localizadas nas Serras do Mar e de Paranapiacaba, bem como em outras áreas serranas do Estado de São Paulo, como a Serra da Cantareira e o Maciço da Juréia. A Mata Atlântica é uma das regiões com maior biodiversidade do mundo e também é muito rica em aves. Sua avifauna inclui mais de 600 espécies, das quais cerca de 160 são endêmicas, isto é, não existem em nenhum outro tipo de ambiente no mundo.

Avistar 2011: a grande festa das aves brasileiras

5º Concurso Avistar de Fotografia de Aves. Inscrições a partir do dia 25 de janeiro de 2011: www.avistarbrasil. com.br/concurso/2011/

O 6º Encontro Brasileiro de Observação de Aves – AVISTAR 2011, acontecerá em maio, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, e oferecerá palestras, mini-cursos, oficinas e observação de aves para inciantes. O foco do evento é o incentivo à conservação, ao turismo,

ao lazer e ao conhecimento. Paralelamente, também ocorrerão o 5º Concurso Avistar de Fotografia de Aves e a feira AVISTAR. A feira será aberta ao público, de acesso gratuito e contará com a participação de diversos setores:

• hotéis e pousadas; • fotografia; • binóculos e aparelhos de som; • livros, CDs e DVDs; • parques e reservas • Secretarias de Turismo; • entidades de preservação.

Aplicativo para celular mostra aves da Mata Atlântica e ajuda a financiar projetos da WWF-Brasil

O aplicativo Aves do Brasil – Mata Atlântica é compatível com os seguintes aparelhos: iPhone, iPod Touch e iPad.

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Aves do Brasil – Mata Atlântica é um aplicativo do Planeta Sustentável (www. planetasustentavel.abril.com.br) que funciona como um verdadeiro guia de campo para identificação de espécies. Produzido pela área de Conteúdo Digital do Guia Quatro Rodas em parceria com a Editora Avis Brasilis, traz 345 pássaros com ilustrações e textos de Tomas Sigrist, o mais respeitado autor de guias de campo para observação de aves (birdwatching) no país. A versão completa custa US$ 6,99 e pode ser adquirida na iTunes Store. Há também uma versão grátis, com 30 aves, para quem quer testar as funcionalidades.

Clínica Veterinária, Ano XVI, n. 90, janeiro/fevereiro, 2011


Saúde pública Plantas contra tuberculose*

Pesquisadores estudam substância extraída do óleo da copaíba como base de fitomedicamento para o tratamento doença

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tuberculose figura no rol das chamadas doenças negligenciadas, ainda que um terço da população mundial esteja infectada pelo bacilo de Koch, seu agente causador, e que a doença mate quase 2 milhões de pessoas anualmente. Após mais de 50 anos sem o surgimento de novas drogas contra a tuberculose, uma substância extraída do óleo da copaíba (Copaifera sp), planta originária da Amazônia, poderá vir a ser a base de um fitomedicamento a ser usado no tratamento da doença. O princípio ativo, identificado e isolado, mostrou ser eficaz e apresentou atividade antibacteriana em testes in vitro – feitos em macrófagos (células que fagocitam elementos estranhos ao corpo) infectados – e in vivo, em camundongos. O estudo, conduzido pela equipe de Maria das Graças Henriques, do Laboratório de Farmacologia Aplicada do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz, encontra-se na etapa chamada de toxicologia aguda. O trabalho é feito em parceria com pesquisadores do Departamento de Farmácia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto. Reconhecida como planta medicinal, a copaíba começou a ser pesquisada por sua ação anti-inflamatória. “Isolamos um dos princípios presentes e vimos que ele tinha atividade contra a tuberculose. Fizemos

isso por curiosidade, uma vez que estávamos pensando no processo inflamatório da tuberculose”, contou a pesquisadora. A partir daí, o grupo passou a investigar se a substância mataria a bactéria causadora da doença. “Vimos que sim”, contou Maria das Graças. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores administraram doses por via oral da substância em camundongos e coletaram o material do pulmão dos animais para então fazer um teste bacteriológico. A equipe pretende, até o fim de 2010, finalizar o dossiê pré-clinico e, então, pedir autorização para começar os testes em humanos, divididos em fase 1 (em torno de 20 voluntários sadios), fase 2 (pacientes geralmente adultos jovens) e fase 3 (testes em centros médicos). O problema é a resistência existente em relação a fitoterápicos no tratamento da tuberculose. “Tem de haver um controle rígido da matéria-prima. Pode haver mudança na quantidade de matéria-prima presente em cada planta. Muitas vezes, a quantidade da substância que encontramos em uma planta de uma determinada região não é a mesma que encontramos em outra região. As condições climáticas e do ambiente influem e por isso nem se pensa em fitoterápicos para tratamento da tuberculose”, explicou a pesquisadora. Ela lembra que medicamentos para a tuberculose têm que ser baratos, já que a

doença atinge principalmente a população de baixa renda. No Brasil, o controle é feito pelo governo federal, que distribui medicamentos gratuitamente pela rede pública. A saída para driblar os obstáculos e tornar o medicamento economicamente viável seria encontrar uma maneira de isolar a substância ativa ou de sintetizá-la. “Fitomedicamentos são usados para o câncer, por exemplo, mas são caros. Para a tuberculose, a situação tem que ser diferente, mesmo porque até os testes clínicos são mais difíceis de serem feitos no caso dessa doença, já que temos que rastrear o paciente por meses”, disse Maria das Graças. “Financiar a parte clínica exige alto investimento, infraestrutura e grande conhecimento técnico”, ressaltou. Por estar um pouco mais adiantada em termos de viabilidade, uma outra substância vem sendo pesquisada por sua equipe, também visando ao tratamento da tuberculose: a chalmugra. Utilizada na primeira metade do século 20 contra a hanseníase – doença provocada por bactérias da mesma família do bacilo de Koch – a chalmugra, planta da Mata Atlântica, apresentou atividade antibacteriana promissora nos testes realizados. “Começamos a trabalhar com a chalmugra (Carpotroche brasiliensis) em um resgate histórico e confirmamos sua ação antibacteriana”, disse a bióloga Fátima Vergara, integrante da equipe responsável pelos estudos.

* Fonte: Agência FAPESP (Por Washington Castilhos) - http://www.agencia.fapesp.br/materia/11585/especiais/plantas-contra-tuberculose.htm

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Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010


Vacina de DNA: uma nova alternativa para o tratamento do melanoma canino revisão de literatura

Cristiana de Melo Trinconi MV, pesquisadora colaboradora Lab. Leishmanioses - Depto. Parasitologia ICB2/USP

cristrinconi@hotmail.com

Flávia de Rezende Eugênio MV, Msc., dra., profa. adj. Depto. Clínica, Cirurgia e Reprodução Animal CMV/FO/Unesp-Araçatuba

eugeniof@fmva.unesp.br

DNA vaccine: a new alternative for canine melanoma therapy - review

Ênio José Bassi Farmacêutico-bioquímico, Msc., pesquisador NUCEL/USP

eniobassi@gmail.com

Vacuna de DNA: una nueva alternativa para el tratamiento del melanoma canino revisión de literatura Resumo: O melanoma é considerado um dos tumores cutâneos de maior importância em cães devido ao seu caráter agressivo, à capacidade de produzir metástases em estágios precoces e à baixa resposta aos tratamentos não cirúrgicos. Recentemente, as vacinas de DNA apresentam-se promissoras na terapêutica do melanoma canino. O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão bibliográfica sobre o assunto. As vacinas de DNA são baseadas em plasmídeos que contêm o gene codificante para o antígeno alvo, expressando-o na célula do hospedeiro e apresentando, assim, vantagens em relação às vacinas tradicionais, como: facilidade de produção, estabilidade térmica, baixo custo e estimulação da resposta imune celular (linfócitos T CD8+). Devido ao sucesso limitado das terapias padrões, o estabelecimento de uma vacina de DNA efetiva aumenta a possibilidade de uma terapia promissora para o melanoma canino, podendo trazer novas expectativas aos animais portadores dessa neoplasia. Unitermos: imunoterapia, biologia molecular, neoplasias cutâneas, cães

vida. As variáveis histológicas utilizadas como potenciais determinantes de sobrevivência para neoplasia melanocítica da cavidade bucal foram: metástase, índice apoptótico, atipia nuclear, aumento do tamanho/volume, presença de inflamação acentuada e/ou necrose intralesional. Dos critérios analisados, a avaliação da atipia nuclear em tumores bucais representou uma previsão mais acurada do prognóstico da doença. 5 A avaliação histológica do tumor primário é o meio de diagnóstico mais utilizado, sendo a citologia frequentemente necessária para avaliação metastática 7. O diagnóstico de melanoma em animais domésticos tipicamente apresenta um prognóstico grave, sendo geralmente detectado em estágios avançados, quando a excisão cirúrgica é raramente curativa e a metástase já está presente. Essa neoplasia é relativamente comum em cães, representando 3% de todas as neoplasias e mais de 7% de todos os tumores malignos. Os locais mais comumente afetados são: mucosa bucal (56%), lábios (23%), pele (11%), dígitos (8%) e olhos (2%) 7,8. O melanoma cutâneo (Figura 1) ocorre comumente em cães com mais

Abstract: The melanoma is considered one of the most important skin tumors in dogs due to its aggressive character, to the ability to produce metastasis at early stages and to the small response to non-surgical treatments. DNA vaccines were recently found to be promising in canine melanoma. The aim of this work is to review the literature on this subject. DNA vaccines are simple plasmids containing the gene that codes for the target antigen and a promoter/terminator to express the gene in a mammalian cell. DNA vaccines present some advantages when compared with regular vaccines, such as: simple production, thermal stability, low cost and the stimulation of cellular immune response (T CD8+ lymphocytes). Due to the limited success of the standard therapies, establishment of an effective DNA vaccine raises the possibility of a promising therapy for canine melanomas, which could bring new expectations to the animals bearing these neoplasms. Keywords: immunotherapy, molecular biology, skin neoplasms, dogs Resumen: El melanoma es considerado el tumor cutáneo más importante en perros por su carácter agresivo, su capacidad de producir metástasis en estadios precoces y por generar baja respuesta a tratamientos no quirúrgicos. Recientemente, las vacunas de DNA son bastante prometedoras en la terapia del melanoma canino. El objetivo de este trabajo es presentar una revisión bibliográfica sobre el tema. Las vacunas de DNA son basadas en plásmidos que contienen el gen codificante para el antígeno blanco, expresándolo en las células huésped, presentando, así, ventajas en relación a las vacunas tradicionales, como facilidad de producción, estabilidad térmica, bajo costo y estimulación de la respuesta inmune celular (linfocitos T CD8+). En virtud al poco éxito de las terapias tradicionales, la aplicación de una vacuna de DNA efectiva aumenta la posibilidad de una terapia eficaz para el melanoma canino, pudiendo traer nuevas expectativas a los animales portadores de esta neoplasia. Palabras clave: inmunoterapia, biología molecular, neoplasias cutáneas, perros

Introdução O melanoma é um tumor maligno com alto grau de invasão e alta propensão metastática, observado nos animais e no homem. Embora a etiologia do melanoma canino (MC) seja pouco conhecida, nos seres humanos, a maioria dos melanomas cutâneos (65%) se deve a mutações secundárias às radiações UVA e UVB 1. Esta conclusão baseia-se na relação epidemiológica entre o melanoma e a exposição solar por latitude e tipo de pele. A ocorrência em animais domésticos de mesma linhagem sugere uma possível suscetibilidade genética 2,3. O MC possui um comportamento biológico 30

extremamente diverso, dependendo de uma variedade de fatores: sítio, tamanho, forma e parâmetros histológicos. Um vasto conhecimento desses fatores ajuda o clínico a delinear apropriadamente o avanço dos estágios, o prognóstico e o tratamento do paciente 4-6. Em 2006, foi publicada uma revisão de achados histológicos de neoplasias melanocíticas caninas 5, em que tumores provenientes de 384 cães com melanomas e melanocitomas foram examinados histologicamente e avaliados estatisticamente para associação do comportamento maligno (reincidência e/ou metástase) e do tempo médio de sobre-

Flávia de Rezende Eugênio

Clínica Veterinária, n. 85, p. 30-36, 2010

Figura 1 - Melanoma canino

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010


Patrícia Sayuri Murakami

Tuberculose em mamíferos silvestres

MV, mestre

patimurakami@yahoo.com.br

Renata Benício Neves Fuverki

Graduanda em medicina veterinária UFPR

Tuberculosis in wild mammals

renatafuverki@inbox.com

Ivan Roque de Barros Filho

Tuberculosis en mamíferos salvajes

MV, MSc, dr., prof. adj. Depto. Medicina Veterinária - UFPR

ivanbarf@ufpr.br

Alexander Welker Biondo

Resumo: Casos de tuberculose têm sido relatados em animais silvestres de várias partes do mundo. Muitos mamíferos silvestres são suscetíveis a essa infecção e apesar da grande diversidade dessas espécies no Brasil, as informações sobre a doença nessas populações ainda são escassas e incompletas. A manutenção do patógeno em populações silvestres de vida livre representa risco de transmissão do microrganismo para animais de produção. Em cativeiro – como zoológicos –, a presença do Mycobacterium também representa risco para outros animais e seres humanos, como tratadores e visitantes. A ocorrência da infecção foi registrada no Brasil em antas de zoológico e em quatis no Centro de Triagem de Animais Silvestres. A dificuldade do diagnóstico e a falta de vacinas eficazes comprometem os programas de controle e a erradicação da doença nos animais silvestres. A crescente interação entre seres humanos, animais domésticos e silvestres aumenta a necessidade de se compreender como atua a tuberculose em mamíferos silvestres, em virtude dos riscos que essa doença oferece à saúde pública. Unitermos: zoonose, Mycobacterium, diagnóstico

MV, MSc, Phd, prof. adj. Depto. Medicina Veterinária - UFPR

abiondo@uiuc.edu

Abstract: Cases of tuberculosis have been described in wild animals around the world. Several wild mammals are susceptible to infection and even though there is great diversity of these species in Brazil, information about this disease in these populations is still scarce and incomplete. The pathogen's maintenance in free range wildlife populations represents a transmission risk to production animals. In captivity, as in zoos, the presence of Mycobacterium also represents a risk to other animals and humans, such as caretakers and visitors. The occurrence of infection was reported in Brazil in tapirs of a zoo and coatis in the Wildlife Screening Center. The lack of efficient diagnosis and vaccines compromises the programs of disease control and disease eradication in wildlife animals. The increasing interaction between humans, domestic and wild animals increases the requirement of understanding tuberculosis in wild mammals, due to the risks that this disease poses to public health. Keywords: zoonosis, Mycobacterium, diagnosis Resumen: Casos de tuberculosis en animales silvestres han sido reportados en várias partes del mundo. Muchos mamíferos silvestres son susceptibles a la infección, y a pesar de la gran diversidad de estos animales en Brasil, la información respecto a la enfermedad en esas poblaciones todavía es escasa. La presencia del patógeno en poblaciones silvestres de vida libre representa riesgo de transmisión a animales de producción. En cautiverio, como zoos, la presencia del Mycobacterium representa también un riesgo para otros animales y para humanos, como guarda animales y visitantes. La ocurrencia de infección fue registrada en Brasil en tapires de zoo y en coatís, en el Centro de Tría de Animales Silvestres. La dificultad de diagnostico y la falta de vacunas eficaces compromete los programas de control y erradicación de la enfermedad en animales salvajes. La creciente interacción entre el hombre, animales domésticos y salvajes aumenta la necesidad de comprender como actua la tuberculosis en mamíferos silvestres, en virtud de los riesgos para la salud pública. Palabras clave: zoonosis, Mycobacterium, diagnostico

Clínica Veterinária, n. 85, p. 38-46, 2010

Introdução O Brasil abriga a maior diversidade de mamíferos do mundo, com mais de 530 espécies descritas e muitas espécies novas a serem descobertas e catalogadas 1. No entanto, existem poucos estudos sobre as enfermidades que afetam os mamíferos selvagens. Doenças como a tuberculose possuem alto impacto em medicina de animais silvestres, devido às manifestações clínicas debilitantes, com tendência a evolução crônica, e suas sequelas em populações silvestres, além do risco de transmissão para humanos 2,3. Além disso, a ocorrência da doença em coleções de animais que vivem em cativeiro gera grande preocupação, em virtude da dificuldade de reposição de espécimes raros ou em risco de extinção, além do risco para a sobrevivên38

cia das espécies ameaçadas em vida livre 4. O Mycobacterium tuberculosis (M. tuberculosis) e o Mycobacterium bovis (M. bovis) são bactérias pertencentes ao complexo M. tuberculosis, consideradas os principais agentes etiológicos da tuberculose em mamíferos 5. A infecção por M. bovis afeta animais domésticos, particularmente bovinos, e tem sido documentada em uma ampla variedade de populações silvestres tanto de vida livre como de cativeiro 6,7. Em contraste, o M. tuberculosis é primariamente um patógeno causador de doença nos seres humanos, tendo sido descrito apenas em espécies domésticas ou silvestres que vivem em contato estreito com pessoas 8-10. Devido à escassez de informações a respeito da tuberculose em animais

silvestres no Brasil, o presente estudo revisou a tuberculose em mamíferos silvestres, com ênfase nas vias de transmissão, nos fatores de risco, nos achados clínicos, no diagnóstico, no controle e nas implicações da doença na saúde pública. Epidemiologia No mundo Todos os mamíferos apresentam potencial risco de adquirir a infecção, desde que entrem em contato com hospedeiros infectados ou com suas secreções e excreções 11. Existem relatos de casos de tuberculose em diversas espécies de animais silvestres no mundo inteiro, tanto de vida livre como de cativeiro 10,12,13. Nas Américas (Figura 1), existem descrições da doença nos EUA, causada por M. tuberculosis em elefantes (Elephas sp) e rinocerontes (Diceros bicornis) de fazendas e zoológicos 5,14. Já a tuberculose por M. bovis foi descrita nos EUA em cervos (Odocoileus virginianus), coiotes (Canis latrans), guaxinins (Procyon lotor), raposas-vermelhas (Vulpes vulpes), ursos-negros (Ursus americanus) e linces-vermelhos (Lynx rufus) de vida livre 15,16,17.

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010


Fluidoterapia e sua influência sobre a resposta inflamatória

Márcia Kahvegian MV, doutora

makahve@hotmail.com

Denise Tabacchi Fantoni MV, professora livre-docente Depto. Cirurgia - FMVZ/USP

dfantoni@usp.br

Fluids and their influence in the inflammatory response Fluidoterapia y su influencia en la respuesta inflamatoria Resumo: A estratégia de reposição volêmica e os diferentes fluidos podem apresentar impacto divergente na resposta imune, na ativação neutrofílica e na lesão tecidual. Os neutrófilos ativados parecem ser os principais mediadores do dano tecidual e da microcirculação. A ativação acentuada do sistema inflamatório desempenha papel fundamental na complicação do quadro e no óbito do paciente gravemente enfermo. Estudos prévios demonstraram que os coloides artificiais podem apresentar efeito pró-inflamatório e anti-inflamatório, além da expansão plasmática. A literatura recente indica que a ressuscitação volêmica com cristaloides e coloides aumenta a ativação neutrofílica, enquanto a solução hipertônica parece não influenciar a função dos neutrófilos. Nesse sentido, o objetivo desta revisão de literatura é esclarecer a influência da fluidoterapia na resposta inflamatória. Unitermos: reposição volêmica, resposta inflamatória, citocinas Abstract: Volume replacement and the different fluids chosen for this strategy can have divergent impact on the immune response, neutrophil activation and tissue injury. Activated neutrophils seem to be the main mediators of tissue injury and damage to the microcirculatory system. Aberrant activation of the inflammatory system plays a key role in causing many of the deaths and complications in critically ill patients. Previous studies showed that some artificial colloids can have pro-inflammatory and anti-inflammatory functions in addition to providing volume expansion. Recent studies have demonstrated that fluid resuscitation with crystalloids and colloids cause increased neutrophil activation, while no significant neutrophil activation was reported following hypertonic saline resuscitation. The aim of this work is therefore to elucidate the influence of fluids in the inflammatory response. Keywords: volume replacement, inflammatory response, cytokines Resumen: La estrategia de reposición volémica y los diferentes fluidos pueden presentar impacto distinto en la respuesta inmune, en la activación de neutrófilos y en la lesión de tejidos. Los neutrófilos activados parecen ser los principales mediadores del daño a los tejidos y a la microcirculación. La activación acentuada del sistema inflamatorio cumple una función notable en la complicación del cuadro y en el óbito de pacientes gravemente enfermos. Estudios previos demostraron que soluciones coloides artificiales pueden presentar efecto pro- y anti-inflamatorios, además de la expansión del plasma. La literatura reciente sugiere que la resucitación volémica usando cristaloides y coloides aumenta la activación neutrofílica, mientras que las soluciones hipertónicas parecen no afectar la función de los neutrófilos. El objetivo de este estudio fue aclarar la influencia de los fluidos en la respuesta inflamatoria. Palabras clave: reposición volémica, respuesta inflamatoria, citocinas

Clínica Veterinária, n. 85, p. 48-64, 2010

Introdução Não há consenso na literatura a respeito de qual seja a melhor estratégia para reposição volêmica. As dúvidas a respeito da fluidoterapia ideal não incluem apenas o debate entre a administração de cristaloides ou coloides, mas também, dentre esses dois grupos, qual das soluções disponíveis de cristaloides ou de coloides é a mais indicada para determinada situação. Todos os substitutos do plasma utilizados com o intuito de corrigir a hipovolemia promovem benefícios, como o aumento do retorno venoso, do débito cardíaco e, consequentemente da perfusão tecidual 1. Entretanto, eles podem ocasionar efeitos negativos, interferindo, por exemplo, na função renal e no sistema de 48

coagulação. Assim sendo, o substituto “ideal” do plasma deve ser mais que uma solução de reposição de volume. Atualmente, a principal argumentação em favor de determinada solução se voltou para as pesquisas que envolvem a inflamação. Esse enfoque é devido ao fato de se haver demonstrado que os fluidos podem aumentar ou diminuir a produção de substâncias pró-inflamatórias, dependendo do grau de estimulação celular promovido pelo insulto. A atividade dos neutrófilos e, por conseguinte, a sua capacidade de produção de espécies reativas de oxigênio (ERO), também parece ser influenciada pelo tipo de fluido empregado 2. A infecção, o trauma, a hemorragia, as cirurgias de grande porte e as doenças

sistêmicas graves são capazes de iniciar uma reposta inflamatória no hospedeiro, com importantes repercussões sistêmicas. A magnitude dessa resposta está muitas vezes ligada à evolução do paciente, podendo alterar o prognóstico da doença de forma bastante drástica 2. A microcirculação parece ser o principal local onde a resposta inflamatória é mais intensa, havendo evidências de sua participação na modulação da inflamação, no controle do tônus vascular, do fluxo sanguíneo local e do extravasamento de plasma, bem como do acúmulo e do extravasamento de leucócitos nos tecidos. A lesão endotelial parece ser o ponto final de uma série complexa de eventos fisiopatológicos que podem resultar em falência múltipla de órgãos. As células polimorfonucleares são muito importantes nesse processo, uma vez que, quando ativadas, são as principais responsáveis pela produção das substâncias pró-inflamatórias. Essa resposta inflamatória é denominada síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e sua progressão irá gerar os quadros de sepse, sepse grave e choque séptico. Várias medidas terapêuticas são empregadas para o controle da SIRS, como a antibioticoterapia, a administração de de oxigênio, a ventilação mecânica e o emprego de fármacos vasoativos. Entretanto, a fluidoterapia, aliada à administração precoce de antibióticos, é a terapêutica mais importante nesse contexto, pois restabelece o retorno venoso e o débito cardíaco, melhorando consequentemente a perfusão tecidual. As evidências atuais sugerem que os diferentes fluidos empregados rotineiramente podem ter um impacto muito diferente na inflamação, modulando a resposta do hospedeiro de forma favorável

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010


Enriquecimento ambiental e condicionamento operante com reforço positivo no retorno da ciclicidade ovariana de uma fêmea de chimpanzé (Pan troglodytes) - relato de caso

Cristiane Schilbach Pizzutto MV, mestre, dra., pós-doutoranda Depto. Reprodução Animal - FMVZ/USP

crissp@usp.br

Manuela G. F. Geronymo Sgai MV, mestre, doutoranda Depto. Reprodução Animal - FMVZ/USP

manufraga@usp.br

Sandra Helena Ramiro Corrêa MV, dra. autônoma

shrcorrea@uol.com.br

Ana Maria Beresca Bióloga Fundação Parque Zoológico de São Paulo

aberesca@sp.gov.br

The influence of environmental enrichment and operant conditioning with positive reinforcement on the return of ovarian cyclicity of a female chimpanzee (Pan troglodytes) - case report

Priscila Viau Furtado Médica veterinária, dra. Depto. Reprodução Animal, FMVZ/USP

priviau@usp.br

Cláudio Alvarenga de Oliveira MV, prof. dr., livre docente Depto. Reprodução Animal - FMVZ/USP

El enriquecimiento ambiental y el condicionamiento operante con refuerzo positivo en el retorno de la ciclicidad ovárica en una hembra de chimpancé (Pan troglodytes) reporte de caso

cadolive@usp.br

Marcílio Nichi Médico veterinário, mestre, dr. Depto. Reprodução Animal, FMVZ/USP

mnichi@usp.br

Marcelo A. Barros Vaz Guimarães MV, prof. dr., livre docente Depto. Reprodução Animal - FMVZ/USP

Resumo: Técnicas de enriquecimento foram aplicadas em um exemplar adulto de chimpanzé (Pan troglodytes) fêmea, que passou a apresentar sinais externos de supressão da atividade ovariana a partir da morte do companheiro. Na primeira etapa foram coletadas amostras fecais para a análise das concentrações de metabólitos de cortisol e estradiol. Na segunda etapa, o animal foi submetido a enriquecimento ambiental e sessões de condicionamento, sendo colhidas amostras fecais e registrados os diferentes graus de intumescimento perineal. Os resultados mostraram retorno da ciclicidade ovariana. Os metabólitos de cortisol apresentaram aumento imediato, seguido de marcada redução a níveis inferiores aos da primeira fase. Os resultados sugerem que as técnicas utilizadas promoveram o retorno da ciclicidade ovariana, bem como reduziram a intensidade do estresse. Unitermos: bem-estar, cativeiro, estresse, reprodução, primata Abstract: Social enrichment techniques were applied to an adult female chimpanzee (Pan troglodytes) that had started presenting external signs of ovarian suppression since the death of her partner. In the first phase of the study, fecal samples were collected for the analysis of cortisol and estradiol metabolites. In the second phase, the female was submitted to environmental enrichment and operant conditioning with positive reinforcement. Fecal samples were collected and different levels of perineal swelling registered. The results showed the return of ovarian cyclicity. Cortisol metabolites levels presented dramatic and immediate increase at first, followed by a decrease to levels lower than those found in the first phase. The results suggested that these non-invasive techniques promoted the return of ovarian cyclicity and simultaneously reduced stress levels. Keywords: well being, captivity, stress, reproduction, primate Resumen: Técnicas de enriquecimiento social fueron aplicadas en una hembra adulta de Chimpancé (Pan troglodytes), la cual comenzó a presentar señales externas de pérdida de ciclicidad ovárica a partir de la muerte de su compañero. En la primera etapa, muestras de heces fueron recolectadas para mediciones de los niveles de metabolitos de cortisol y estradiol. En la segunda etapa, el animal fue sometido a enriquecimiento ambiental y sesiones de condicionamiento, donde fueron recolectadas muestras fecales y registrados los diferentes grados de tumefacción perineal. Los resultados muestran el retorno de la ciclicidad ovárica. Los metabolitos de cortisol presentaron un aumento inmediato, seguido por una marcada reducción a niveles inferiores a los de la primera fase. Los resultados apuntan que las técnicas utilizadas causaron el retorno de la ciclicidad ovárica, además de reducir la intensidad del estrés. Palabras clave: bienestar, cautiverio, estrés, reproducción, primatas

Clínica Veterinária, n. 85, p. 66-72, 2010

Introdução Atualmente, as instituições que mantêm e reproduzem animais silvestres cativos vêm priorizando pesquisas ligadas aos aspectos relacionados com o 66

bem-estar psicológico. Distúrbios endócrinos causados por estresse psicológico agudo ou crônico em mulheres são os grandes responsáveis pelo comprometimento da função

mabvg@usp.br

reprodutiva 1. O eixo hipotálamo-hipófise-gônadas pode ser modulado por vários componentes do eixo hipotálamohipófise-adrenal, responsável pelas respostas ao estresse 2. Esse comprometimento reprodutivo pode variar desde uma discreta até uma drástica supressão da secreção de hormônios reprodutivos e acarretar a inibição completa da fertilidade e de comportamentos reprodutivos 3. A função cíclica ovariana pode ser facilmente perturbada por estressores físicos ou emocionais que atuam no hipotálamo, alterando a secreção de fatores liberadores ou inibidores de hormônios hipofisários. Nessas situações, a liberação do hormônio responsável pela emissão de corticotrofina (CRH) promove aumento da produção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e a ativação do sistema simpático, com a

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010


Daniela Pedrassani

Diagnóstico ultrassonográfico de infecção intensa por Dioctophyme renale em rim esquerdo de cão relato de caso

MV, MSc., dra., profa. tit. CMV/UnC

daniela@cni.unc.br

Célso Pilati

MV, dr., prof. efet. CCA/UDESC a2cp@cav.udesc.br

Simone Ballão Taques Wendt

MV, MSc, prof. tit. CMV/UnC

wsimone@cni.unc.br

Ultrasound diagnosis of intense infection by Dioctophyme renale in the left kidney of dog case report

Rosangela Zacarias Machado

MV, dra., profa. tit. FCAV/Unesp-Jaboticabal zacarias@fcav.unesp.br

Adjair Antonio do Nascimento

Diagnóstico ultrasonográfico de infección severa por Dioctophyme renale en riñón izquierdo de perro - reporte de caso

MV, dr., prof. ass. FCAV/Unesp-Jaboticabal adjair@fcav.unesp.br

Resumo: Dioctophyme renale (GOEZE, 1782) ou verme gigante dos rins é um nematódeo parasita dos rins de carnívoros, particularmente dos mustelídeos e canídeos. Um cão da raça boxer de aproximadamente seis anos de idade foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade do Contestado (UnC), localizada em Canoinhas, Santa Catarina, apresentando sinais de uremia. O exame ultrassonográfico sugeriu o parasitismo por D. renale pela movimentação observada no interior do rim esquerdo; entretanto, o exame urinário para pesquisa de ovos foi negativo. O animal foi a óbito durante o período de internamento e na necropsia foram encontrados oito exemplares do parasita no interior da cápsula renal esquerda, além de intensa hemorragia. O exame ultrassonográfico é um método não invasivo e rápido, que pode ser rotineiramente utilizado para auxiliar no diagnóstico de parasitismo renal em cães. Unitermos: nematódeo, diagnóstico por imagem, dioctofimatose, doença renal Abstract: Dioctophyme renale (GOEZE, 1782), or giant kidney worm, is a parasitic nematode found in the kidney of carnivores, particularly mustelids and canids. A six-year-old Boxer with signs of uremia was received at the Veterinary Hospital of the University of Contestado, Canoinhas, Santa Catarina. Ultrasound examination suggested parasitism by D. renale based upon movement observed in the interior of the left kidney. However, no eggs were found at the urine exam. The animal came to die at the hospital. During the necropsy, eight units of the parasite were found in the capsule of the left kidney, as well as intense hemorrhage. Ultrasonography is a fast non-invasive exam that can be routinely used to assist in the diagnosis of renal parasitism in dogs. Keywords: nematode, diagnostic imaging, dioctophymatosis, kidney disease Resumen: Dioctophyme renale (GOEZE, 1782), o lombriz gigante del riñón, es un nematodo parásito de riñones de carnívoros, sobre todo mustélidos y cánidos. Un perro de seis años de edad fue recibido en el Hospital Veterinario de la Universidad del Contestado (UnC), ubicada en Canoinhas, Santa Catarina, presentando signos de uremia. El examen ultrasonográfico sugirió parasitismo por D. renale por los movimientos observados en el interior del riñón izquierdo, sin embargo el examen urinario de busca de huevos fue negativo. El animal murió durante el periodo de internación y en la necropsia fueron encontrados ocho ejemplares del parásito en el interior de la capsula renal izquerda además de intensa hemorragia. El examen ultrasonográfico es un método no invasivo y rápido y que puede ser rutinariamente utilizado para auxiliar en el diagnóstico de parasitismo renal en perros. Palabras clave: nematodo, diagnóstico por imagen, dioctofimatosis, transtornos del riñon

Clínica Veterinária, n. 85, p. 74-80, 2010

Introdução Dioctophyme renale (GOEZE, 1782) (Enoplida: Dioctophymatoidea) 1, comumente denominado verme gigante dos rins dos carnívoros, é o maior nematódeo parasita conhecido, podendo chegar a 100cm de comprimento por 1,2cm de largura 2. Possui coloração avermelhada, as extremidades levemente afiladas e a boca pequena, simples e contornada por seis papilas dispostas 74

em círculo. O macho apresenta na extremidade posterior uma bolsa de natureza muscular em forma de campânula. No centro da bolsa abre-se o orifício cloacal, de onde emerge o único espículo, com 5 a 6mm de comprimento 3. A fêmea apresenta a extremidade caudal obtusa, o ânus terminal e a vulva distando de 5 a 7cm da extremidade anterior 3. Os ovos são de coloração castanha, formato elíptico e possuem uma casca

espessa, ondulada e com um tipo de tampão bipolar 4. A dioctofimatose ocorre mais frequentemente em países de clima temperado ou temperado frio 1. No Brasil, o D. renale está amplamente distribuído, havendo registros de parasitismo em cães nos estados das regiões Sul, Sudeste, Centro-oeste, Nordeste e Norte 5-11. O D. renale é descrito como um parasita de carnívoros domésticos e selvagens; no entanto, raramente é encontrado em cães 12. Os cães de vida errante são mais comumente acometidos, possivelmente em virtude de seus hábitos alimentares menos seletivos 13,14. Excepcionalmente acomete felinos 15, bovinos, equinos, suínos 9,16 e o ser humano, onde foi encontrado na pele, formando granuloma, e nos rins, ocasionando cólicas e hematúria 17.

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010


Fernanda Guimarães Jannuzzi

Manifestações oculares da Dirofilaria canina: relato de dois casos

Médica veterinária

fernandajannuzzi@gmail.com

Ana Lúcia Braga Martins MV, MsC CLOVE, CBOV

analbm@yahoo.com

Ocular manifestions of canine Dirofilaria: two case reports

Andrea Kuner

MV, MSc CLOVE

akuner@ig.com.br

Manifestación ocular de la Dirofilaria canina: relato de dos casos

Jorge da Silva Pereira MV, MSc CLOVE, CBOV

pereirajspereira@gmail.com

Monique Oliveira Machado

Resumo: Descrição de dois casos clínicos, ambos cães, machos, um srd e um pastor alemão, inteiros, fase adulta, sem sinais clínicos de doença sistêmica, regularmente vacinados, que faziam prevenção contra endoparasitos intestinais, mas não contra ectoparasitos e Dirofilaria sp. Ambos viviam em casa, no Estado do Rio de Janeiro. O primeiro caso apresentava nódulo inflamatório granulomatoso na conjuntiva palpebral inferior do olho direito, para o qual se indicou cirurgia exploratória. O segundo caso apresentava um parasito cilíndrico e branco na câmara anterior do olho esquerdo, para o qual se indicou remoção cirúrgica, mas o proprietário não acatou a conduta de imediato. Após dois meses, o animal retornou com panuveíte neste olho, não sendo possível avaliar as estruturas internas, sendo indicada enucleação. Em ambos os casos foi realizado procedimento cirúrgico indicado, conservação do material em formalina 10% e encaminhamento para análise parasitológica. Além de outros achados, foi encontrada fêmea adulta de Dirofilaria (Dirofilaria) immitis em ambos os casos. Unitermos: cão, parasito, dirofilariose, olho

Médica veterinária

alfavile@mma.microlink.com.br

Rodrigo Short Soares

Médico veterinário

rodrigo_shot@hotmail.com

Tatiana Rodrigues Dutra MV, MSc

Abstract: This article reports two clinical cases that occurred in two intact adult male dogs: a mongrel dog and a German Shepherd. Both animals had been vaccinated and frequently dewormed, showing no clinical signs of systemic diseases. There had been, however, no prophylaxis against ectoparasites or Dirofilaria sp. In both cases, the patients were household dogs that lived in the state of Rio de Janeiro. The first presented an inflamed granulomatous nodule on the inferior palpebral conjunctiva of the right eye, to which an exploratory surgery was indicated. The second presented a small white round parasite in the anterior chamber of the left eye. A surgical removal was proposed, but it was refused by the owner. Two months later, the animal returned presenting panuveitis and it was not possible to examine the internal structures of the affected eye, so an enucleation was indicated. In both cases, surgery was eventually performed, samples were conserved in a formalin 10% solution and taken to pathological and parasitological analyses. Among other findings, an adult female of Dirofilaria (Dirofilaria) immitis was identified in both cases. Keywords: dog, worms, dirofilariasis, eye Resumen: En el presente trabajo se describen dos casos clínicos, ambos perros, machos, uno de ellos mestizo y otro pastor alemán, no castrados, adultos, sin signos clínicos sistémicos de enfermedades, vacunados anualmente, con tratamiento preventivo de endoparásitos intestinales, pero no para ectoparásitos y Dirofilaria sp. Ambos animales viven en casa, en el Estado de Rio de Janeiro. El primer caso presentaba nódulo inflamatorio granulomatoso en la conjuntiva palpebral inferior del ojo derecho, para el que se indicó cirugía exploratória. En el segundo caso se presentaba un gran parásito blanco en la cámara anterior del ojo izquierdo. Fue Indicada la remoción quirúrgica del parásito, pero el dueño del perro no acató realizar el procedimiento. Después de dos meses, el animal retornó a la clínica con pan uveítis, no siendo posible la visualización de las estructuras internas del ojo, siendo indicada enucleación. Este procedimiento quirúrgico fue realizado en ambos los casos, conservando el tejido en formol al 10% y posteriormente enviado a evaluación patológica. El informe histopatológico de ambos los casos dio como resultado la presencia de hembra adulta de Dirofilaria (Dirofilaria) immitis. Palabras clave: perro, parásito, dirofilariosis, ojo

Clínica Veterinária, n. 85, p. 82-86, 2010

Introdução A dirofilariose, infecção parasitária que cursa de maneira crônica, é mais comumente causada pelos parasitos Dirofilaria (Dirofilaria) immitis e Dirofilaria (Nochtiella) repens. A infecção se dá pela inoculação transdérmica do parasito por vetor biológico – mosquito. Seu hospedeiro definitivo é preferencialmente o cão, mas ocasionalmente pode infectar gatos e seres humanos – transmissão zoonótica. A dirofilariose canina é caracterizada pelo desenvolvimento de sintomatologia cardíaca e pulmonar. O envolvimento ocular pela Dirofilaria sp raramente é 82

mencionado, tanto em seres humanos quanto em animais. Assim sendo, o objetivo deste trabalho é relatar dois casos de dirofilariose ocular em diferentes cães, estabelecer uma comparação entre esses casos e as citações de literatura e alertar os médicos veterinários sobre essa possibilidade diagnóstica. Revisão de literatura A dirofilariose canina é uma doença parasitária, zoonótica e cosmopolita 1-10. Tem como hospedeiros preferenciais cães 1,2,4,6,9-12, mas pode infectar gatos 1,4,6,7,9-13 e, ocasionalmente, seres humanos 1,2,4,6,9-14. Nos cães, não há predileção por raça ou

tatdutra@ig.com.br

idade, porém foi observado que as raças de grande porte são mais acometidas por serem criadas ao ar livre, ficando assim mais expostas às picadas dos mosquitos. Existe predileção sexual, não elucidada, segundo a qual os cães machos parecem ser duas a quatro vezes mais acometidos do que as fêmeas 11 diferentemente de uma estatística européia com seres humanos, de acordo com a qual as mulheres são mais infectadas do que os homens, e em ambos os sexos 2,8 a maioria dos casos ocorreu em pessoas acima de quarenta anos de idade 2,8,10. Os agentes etiológicos da dirofilariose canina são os metazoários 15 Dirofilaria (Dirofilaria) immitis 1,2,4,10,16-19, parasitos de canídeos 1,11 e Dirofilaria (Nochtiella) repens 2-4,8,12,14,19-22, parasitos de cães e gatos 8,12,19,23,24. Descritos na literatura também encontramos D. tenuis 4,6,10, D. ursi 4, D. conjunctivae 6,7,25, D. subdermata 7 e D. dipetalonema 26. Alguns autores consideram a D. repens como sendo a mesma espécie da D. conjunctivae 8,19. Os agentes transmissores mais descritos

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010


Membrana amniótica bovina, preservada em glicerina, no tratamento de úlcera de córnea em um cão e de sequestro corneal em dois felinos - relato de casos

Kelly Cristine de Sousa Pontes MV, MSc., doutoranda - UFV

kellycpontes@yahoo.com.br

Tatiana Schmitz Duarte MV, MSc., Cirurgia de Pequenos Animais - UFV tatianaduarte@ufv.br

Daniel Portela Dias Machado pós-graduando - UFV

portela.daniel@hotmail.com

Rodrigo Viana Sepúlveda graduando - UFV

rodrigo.sepulveda@ufv.br

Bovine amniotic membrane preserved in glycerin in the treatment of corneal ulcer in a dog and corneal sequestrum in two cats - report of a case series

Denise Regina Ramos graduanda - Universidade Metodista de São Paulo

deni_ramos19@hotmail.com

Andrea Pacheco Batista Borges MV, dra., profa. ass. II. - UFV

Membrana amniótica bovina, conservada en glicerina, para tratamiento de úlcera de córnea en un perro y de secuestro corneal en dos gatos relato de casos

andrea@ufv.br

Resumo: A membrana amniótica, por apresentar propriedades favoráveis à reparação de lesões na córnea, foi empregada como enxerto após ceratectomia em dois casos de sequestro corneal felino e em um caso de úlcera não responsiva ao tratamento clínico em um cão. A membrana utilizada era da espécie bovina, preservada em glicerina a 99% a temperatura ambiente. Um caso de sequestro corneal felino apresentou recidiva e necessitou de novo procedimento com aplicação de múltiplas camadas da membrana. Os resultados foram satisfatórios e as córneas, aos sessenta dias de pós-operatório, recuperaram aproximadamente 90% da transparência. Sugere-se este tratamento como mais uma opção terapêutica nos casos de sequestro corneal felino e nas úlceras não responsivas à terapia clínica, pois a membrana amniótica bovina é de fácil aquisição e manipulação, e a glicerina a 99% a temperatura ambiente é eficiente como meio de preservação, além de apresentar baixo custo. Unitermos: oftalmologia, cirurgia, membranas biológicas

vêm sendo estudados em procedimentos cirúrgicos oftálmicos reconstrutivos. Já foram pesquisados implantes de membranas autógenas, alógenas e xenógenas na tentativa de reconstituição das superfícies oculares após traumas ou excisões cirúrgicas, com resultados satisfatórios. Dentre os diversos tipos de membranas biológicas, a amniótica tem proporcionado excelentes resultados. 3-6 A membrana amniótica atua como membrana basal, suportando o crescimento do epitélio e da membrana basal corneal e facilitando a migração das células epiteliais. A membrana basal da membrana amniótica possui colágeno tipo IV, laminina-1, laminina-5 e fibronectina, que desempenham papel importante na adesão das células epiteliais da córnea, promovem diferenciação e previnem a apoptose epitelial. O estroma da membrana amniótica possui vários fatores de crescimento, proteínas antiangiogênicas e anti-inflamatórias, além de inibidores naturais para várias proteases. Estes fatores propiciam um microambiente livre de inflamação e desempenham funções importantes na comunicação entre o epitélio do limbo e o estroma 7. Foram identificados potentes inibidores da inflamação nas células amnióticas epiteliais e mesenquimais 8. Alguns

Abstract: Due to its healing properties in corneal lesions, the amniotic membrane was used as a graft after keratectomy in two cases of feline corneal sequestrum and in the case of a dog with a corneal ulcer that was unresponsive to clinical treatment. The membrane used was of bovine origin and kept preserved in 99% glycerin at room temperature. One of the cases of feline corneal sequestrum relapsed and needed another surgery with a multilayer amniotic membrane graft. Results were satisfactory and the corneas recovered almost 90% of transparency 60 days post-surgery. We suggest this treatment as a therapeutic option for feline corneal sequestrum and non-healing corneal ulcers, since the bovine amniotic membrane is easy to obtain and handle, and 99% glycerin at room temperature is inexpensive and effective as a preservation medium. Keywords: ophthalmology, surgery, biological membrane Resumen: La membrana amniótica, por tener propiedades favorables para la reparación de lesiones en la córnea, fue utilizada como injerto después de queratectomía en dos casos de secuestro corneal felino y en un caso de úlcera no responsiva a tratamiento clínico en un perro. La membrana utilizada fue de la especie bovina y conservada en glicerina 99% a temperatura ambiente. Un caso de secuestro corneal felino presentó recidiva y requirió un nuevo procedimiento con aplicación de múltiples capas de la membrana. Los resultados fueron satisfactorios y las córneas, a los 60 días del postoperatorio, recuperaron aproximadamente el 90% de la transparencia. Se sugiere este tratamiento en los casos de secuestro corneal felino y úlceras corneales no responsivas a tratamiento clínico, puesto que la membrana amniótica bovina es de fácil obtención y manipulación, y la glicerina 99% a temperatura ambiente es eficaz como medio de preservación, además de presentar bajo costo. Palabras clave: oftalmología, cirugía, membranas biológicas

Clínica Veterinária, n. 85, p. 88-96, 2010

Introdução A ceratite ulcerativa é uma afecção ocular muito comum em cães e gatos. Torna-se complicada quando o mecanismo de reparação é inibido ou desequilibrado, o agente causal não foi eliminado ou a lesão foi contaminada. Nesses casos, existe o risco de evoluir para uma endoftalmite 1. 88

As ceratites ulcerativas persistentes, não responsivas ao tratamento clínico, devem ser reparadas por meio de terapia cirúrgica. Os objetivos do tratamento cirúrgico são: reparar a córnea e prevenir a progressão da úlcera, proteger a superfície da córnea durante a fase de reparação e evitar a degeneração do estroma 2. Muitos tipos de membranas biológicas

Clínica Veterinária, Ano XV, n. 85, março/abril, 2010


Bem-estar animal

A

Pela criação da 1ª Promotoria de Defesa Animal no país

importância do Ministério Público é fundamental e inegável. É uma instituição oficial, independente e autônoma, que age na defesa da ordem jurídica, do regime democrático, na defesa dos direitos sociais, como os relacionados à educação, à saúde, ao meio ambiente, aos idosos, às crianças e adolescentes, às pessoas portadoras de deficiência, bem como pela fiel observância das leis e da Constituição. Uma instituição com esta relevância social e poder não pode ficar alheia às atrocidades diárias cometidas contra os animais não-humanos e à impunidade que prevalece

em relação aos crimes perpetrados contra estes seres sensíveis. Lançamos aqui a campanha pela

criação da primeira Promotoria de Defesa Animal do país, na capital paulista, certos de que esta iniciativa pioneira suscitará demanda pela criação de muitas outras promotorias dedicadas à defesa animal em todo o país. Participe! Assine a petição para que o MP apresente projeto de lei para a criação da Promotoria de Defesa Animal, e para que os senhores deputados estaduais o aprovem. Ela encontra-se disponível on line no endereço www.sentiens.net.

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Por Marco Antonio Gioso

A síndrome do avestruz no mercado pet

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á disse o guru do coaching, o americano Marshall Goldsmith: “o que o trouxe até aqui não o levará adiante” (em inglês: what got you here won´t get you there), que é título de seu livro de 2007, e ainda não publicado no Brasil. Vale conferir. Mas o que tem isto a ver com o mercado pet? Tudo! Você se formou numa ótima faculdade, talvez o melhor curso de medicina veterinária do Brasil. O que o trouxe até aqui foi excelente, o melhor curso. E daqui para diante? Ainda não há pesquisas sobre o assunto para termos diante de nós dados estatísticos que comprovam a tese que defenderei abaixo, embora a análise do dia a dia de quem faz consultorias em clínicas veterinárias e pet shops comprovem isto. A Fundação Getúlio Vargas, por meio de pesquisas do GVlaw, indicou que muitos advogados mostram comportamentos contraditórios quanto a sua carreira. Isto é, os advogados sabem que qualidades como liderança, marketing, networking, negociação são fatores essenciais para um advogado, mas na hora de escolher um curso para aperfeiçoamento, eles optam em 80% dos casos por curso técnicos. A analogia feita para a área do setor pet é bastante razoável. Existe certo preconceito dos profissionais quanto a estes assuntos de comportamento e liderança. Tanto, que existe o termo pejorativo criado para denegrir a imagem de quem trabalha na área: marqueteiro. Muitos ainda pensam que marketing é propaganda, fazer folder e anúncios. O profissional acaba agindo como avestruz, com a cabeça enfiada no seu mundinho onde apenas conhece as técnicas de diagnóstico e tratamento. Acima do buraco, há todo o restante, um mundo a ser descoberto e que poderá mudar a sua vida. No mundo onde ele vive, enxerga o que aprendeu na escola, cujos professores, na grande e massacrante maioria nem tocam no assunto do que existe acima do buraco onde sua cabeça está enfiada. As escolas também estão com a cabeça dentro do mesmo buraco. No mundo fora do buraco existe qualidade de vida, saúde financeira e luz no fim do túnel! Frequentemente, ouço colegas reclamando da vida, da profissão, do colega desonesto e anti-ético. Eles não percebem que não é a profissão que é ruim, mas suas atitudes perante a vida! Eles também seriam mal sucedidos se tivessem escolhido outra profissão. Stuart Wilde dizia: “caráter, personalidade,

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seu pensamento e as suas crenças são os fatores que determinam o seu grau de sucesso”. Formar-se na melhor escola, ter o melhor aproveitamento nas matérias, ser a nota mais alta, isto tem a ver com sucesso profissional? Não necessariamente. O avestruz enfiará a cabeça para baixo, e ficará restrito à visão do que o cercou até aquele momento. Afinal, como é este mundo ao se retirar a cabeça do buraco? Neste mudo fora do buraco existem empresários que sofrem por alguns preconceitos vis. Muitos ainda crêem que sendo bom na técnica o restante acontece naturalmente e dinheiro será consequência. Foi-se este tempo. Hoje o profissional deve aprender as outras duas grandes áreas: gestão e atendimento a clientes. Qual seu nível de conhecimento nestas duas áreas? Quanto de preparo você teve? Cursos? Palestras? Auto-didatismo? Provavelmente pouco, ou nada, pelas pesquisas que fazemos durante as palestras deste assunto. Quando você tiver consciência de que as três áreas devem estar equilibradas, e buscar muita informação, preparo e ajuda para aumentar as outras duas, sua vida começará a melhorar. Na verdade, não é questão apenas de melhorar, creio que seja questão de continuar existindo! Não espere que em um ano tudo esteja lindo, perfeito e você nadando no oceano azul. Sair do buraco requer autoconsciência, muita dedicação e esforço contínuo. E mais, requer que após você estar convencido de que quer mudar, e seu sócio? E o que fazer com seus funcionários? Como convencê-los que de você quer mudar a cultura do negócio, implementar inovações, como fazer com que eles retirem a cabeça do buraco? Se me permitem uma dica, contrate um consultor, coaching, aconselhador, empresa especializada. Será o maior investimento que você fará, com maior resultado financeiro de médio a longo prazo. Gestão / Administração Constantemente vejo profissionais, comerciantes, empresários de micro e pequenas empresas reclamando da desorganização de seu negócio. Não sabem exatamente por onde “vaza o lucro”, “porque este mês deu prejuízo”, “porque não tenho previsões financeiras”, “porque meu contador não é eficiente”. Mal sabem quanto entra e quanto sai ao final da semana, dia ou mês. Isto é de fato o dia a dia de muitos profissionais, pois ficam quase que inteiramente enfurnados no

Docente do Depto. de Cirurgia da FMVZ-USP (www.fmvz.usp.br)

www.gioso.com.br

atendimento. Não é preciso ser administrador para gerenciar uma clínica, mas ter noções desta matéria ajuda e muito. Fazer faculdade não precisa, mas um curso intensivo, porque não? No quesito gestão, ao menos criar alguns protocolos de gerenciamento interno seria fundamental. Ter anotações do financeiro, controle do caixa e das compras de fornecedores. Ao menos, ter um software (chamado ERP) para organizar isto tudo. A maioria dos estabelecimentos ainda não tem um sistema assim! Usam no máximo uma planilha. O tipo de produto usado não faz tanta diferença se existir algum controle. Mas há que se gerenciar o mínimo. E para crescer, há que se gerenciar o todo! Planejar. Planejamento só se consegue tendo uma fotografia da realidade atual. Como está a foto do seu negócio? Se você concorda comigo, e sabe da importância do tema, mas pensa: eu não gosto de fazer isto. Ou eu acho isto tudo chato, o que curto é atender mesmo. Bem, o que fazer? Delegar. Ter um braço direito no seu negócio que o faça. Sempre haverá alguém que gosta. Ele ou ela deve ser treinado. Invista em ter um braço direito no gerenciamento. Isto leva de 2 a 3 anos, por vezes. Ou comece a fazê-lo você, se afastando aos poucos da clínica ou atendimento no balcão, quando isto não lhe dá mais prazer, ou quando você sente que é preciso tomar conta da gestão com mais afinco. Quando você puder direcionar seus esforços para liderar as pessoas, começará a ganhar mais dinheiro. Deixará de ser essencial ao atendimento clínico ou do balcão, e passará a gerir seu ganha pão. Se não curte, que outro assuma esta parte. Alguns acreditam que delegar tarefas ou trabalho seja sinal de derrota e perda de poder. Mas como diz Stephan Kenitz: “em vez de encarar a delegação como diminuição de status, encare-a como uma forma de se concentrar naquele nicho em que você realmente é mais competente, o que no fundo lhe trará mais poder. O segredo é fazer menos e melhor, algo que ainda não aprendemos”. Percebo que os profissionais da área de saúde têm muita dificuldade de gerenciar, pois não tiverem nenhum preparo neste quesito. Na verdade gerenciar para alguns incomoda tanto que causa ojeriza. Para outros é o oposto, ele curte administrar, e não quer mais clinicar. O ideal seriam dois sócios com estes gostos em sintonia!

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COMO NÃO FAZER UM ARTIGO CIENTÍFICO*

s fundamentos da redação científica tiveram importantes transformações nos últimos anos, mas essas mudanças ainda não foram integralmente assimiladas por grande parte dos pesquisadores, que reproduzem – e muitas vezes ensinam – equívocos teóricos e conceituais que podem até mesmo retardar o avanço da ciência. Essa é a opinião de Livros de Volpato mostram como deve ser a redação científica Gilson Volpato, professor do Departamento de Fisiologia do Instida redação cientifica. “A ideia foi abortuto de Biociências de Botucatu da Unidar os erros mais gritantes. O resultado versidade Estadual Paulista (Unesp), foi essa coleção de ‘pérolas’ da cultura que em seu novo livro, Pérolas da nacional de publicação”, disse. redação científica, analisa criticamente Na obra, o autor analisa os equívo101 equívocos comuns – ou “pérolas”. cos, faz conjecturas sobre suas origens, Volpato vem apresentando pelo país discute suas consequências na prática e cursos sobre redação científica e publioferece correções com base nos padrões cou outros cinco livros sobre o assunto, internacionais de produção científica. sendo o mais recente desses Bases teóriSegundo ele, os conceitos de comunicas da redação científica ... por que seu cação no setor sofreram grandes mudanartigo foi negado, lançado em 2007. ças a partir da década de 1990, que se “Apresento quase um curso por seacentuou ainda mais nos últimos dez mana sobre o tema, procurando ajudar anos, em parte por causa do advento da pesquisadores a conseguir publicações internet. “Muitos pesquisadores comeem revistas internacionais de alto nível. tem equívocos e alegam que estão apeMas também há muitos que, de forma nas seguindo os procedimentos adotainvoluntária, têm feito o serviço contrádos por seus orientadores há 30 anos. rio. Desenvolveu-se, no Brasil, uma culMas as coisas mudaram e a comunicatura de publicação equivocada. Boa ção científica evoluiu. Os leitores vão se parte dos artigos nacionais, mesmo com surpreender, pois muitas das pérolas tradução correta, será recusada em redescritas no livro irão corresponder exavistas importantes, por terem equívocos tamente ao que eles continuam ouvindo conceituais”, disse à Agência FAPESP. de seus orientadores”, afirmou. Com a experiência acumulada nos A internet, segundo Volpato, subvercursos e em seu convívio com o meio teu a lógica das revistas científicas, cauacadêmico, Volpato decidiu produzir sando impacto nas necessidades e objeum inventário dos principais equívocos tivos dos artigos. “Antes o veículo era o

foco. O assinante recebia uma determinada revista científica e ali entrava em contato com diversos artigos. Hoje ocorre o inverso. A pessoa faz uma busca por palavras-chave na internet e chega ao artigo diretamente. Eventualmente, o cientista fica conhecendo a revista por meio do artigo e não o contrário”, disse. Se antes da internet o leitor precisava ir em busca dos autores, hoje os autores procuram chegar aos leitores. “Antigamente o leitor precisava ir heroicamente atrás dos poucos artigos disponíveis. Mas agora ele precisa fazer uma triagem dos milhares de artigos a que tem acesso. Com isso, a necessidade de se fazer uma comunicação eficiente é muito mais importante – e esse fato está mudando a estrutura dos artigos”, declarou. Nessa nova lógica, os velhos hábitos de redação científica se transformam em “pérolas” recorrentes, segundo Volpato. Um dos equívocos, por exemplo, é acreditar que o número de referências bibliográficas implica qualidade científica. Outro, consiste em achar que todos os dados coletados no projeto devem fazer parte do texto. “Vemos equívocos de todos os níveis. Um exemplo é achar que estudos quantitativos são mais robustos que os qualitativos. Outro é acreditar que a redação cientifica exige regras rígidas de estilo, como a voz passiva ser característica do inglês científico. Ou ainda achar que o título deve conter, necessariamente, o nome da espécie de estudo. Há também pérolas que são fruto do conservadorismo, como sustentar que introdução e justificativa são itens separados. Ou achar que revistas eletrônicas têm menos prestígio que as impressas”, destacou o autor.

Fonte: Agência Fapesp (por Fábio Castro) - www.agencia.fapesp.br/materia/11599/especiais/como-nao-fazer-um-artigo.htm

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TEM PLANTA QUE VIROU BICHO

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imentão vira beija-flor, repolho se transforma em leitão roxo e uma pacífica carambola ressurge como uma assustadora serpente. O livro Tem planta que virou bicho! é a fusão do trabalho da publicitária Alda de Miranda, com o olhar atento do fotógrafo Cacio Murilo, que deu vida a vegetais, frutas e legumes, esculpindo-os em divertidos animais. O livro, recheado de poesia, fala sobre os alimentos e os animais de um jeito divertido e totalmente diferente. Entre rimas e imagens criativas, esta história conta sobre o dia em que os habitantes de um lugar distante resolveram brincar de faz de conta e os animais e as plantas decidiram trocar de lugar. Surgem, então, seres estranhos como o inhame-tubarão, o melãocanário, o chuchu-sapo, a maçã-coruja, a banana-boto, a uva-formiga, um curioso alho-pato. Depois de uma tarde inteira de brincadeiras, tudo volta ao normal...

Embora dirigido aos pequenos leitores, Tem planta que virou bicho! também encanta adultos pela leveza e ritmo de seus textos e pela criatividade das imagens, convidando os leitores a um alegre passeio pelo mundo da imaginação, onde a magia do faz de conta é a energia transformadora que dá mais vida às coisas. Sobre a autora Alda de Miranda é publicitária e entusiasta de causas ambientais. Em seu trabalho como especialista em marketing, foi uma das pioneiras no Brasil no desenvolvimento de ações para o lançamento de alimentos orgânicos processados. Atualmente, Alda mora

em Campinas, onde dirige sua própria agência de publicidade e eventos, a Noua-Criativa. Blog: http://templantaqueviroubicho. blogspot.com

Tem planta que virou bicho! apresenta 13 transformações de vegetais em bichos, incentiva hábitos saudáveis de vida e fala das coisas da natureza enquanto passeia pelo universo lúdico, onde o que vale de verdade é a vontade de acreditar. Nos rodapés, informações nutricionais sobre os alimentos e formas divertidas de consumi-los

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Sobre o fotógrafo Filho de fotógrafos e biólogo, Cacio Murilo uniu a arte da fotografia com o talento para esculturas, dedicando-se a criar novas figuras e cenários de vida marinha e silvestre utilizando vegetais. Seu talento, aliado a um profundo conhecimento técnico, fizeram dele um respeitado profissional, que atua nas áreas da fotografia artística, publicitária, arquitetura, moda, entre outras. Sítio: www.caciomurilo. com.br

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alimento balanceado: fundamental para garantir a saúde desta relação

Dieta vegetariana para cães e gatos Yves Miceli de Carvalho ymvet.consulting@yahoo.com.br

YMVet Consulting - Consultoria em Medicina Veterinária e Nutrição Animal

Muitas dietas vegetarianas ou veganas estão disponíveis no mercado internacional. No Brasil, este mercado ainda é incipiente, mas sua expansão vem acontecendo gradativamente. Atualmente, faltam ofertas do gênero no mercado nacional

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vegetarianismo e o veganismo estão cada vez mais populares entre os humanos. Consequentemente, é natural que os proprietários de animais que sigam esta tendência procurem alimentos que se enquadrem dentro dessa filosofia de vida e que sejam capazes de suprir as necessidades de seus animais. Popularmente, chama-se de alimento vegetariano aquele que não possui nenhum tipo de carne, mas que pode ter, por exemplo, ovos e/ou derivados do leite. O alimento que não possui nada de origem animal recebe a classificação de vegano. Os cães e os gatos vivem na companhia dos humanos há milênios, competindo e comendo todos os tipos de alimentos que lhes são comuns. Portanto, não é estranho nem antinatural que comam vegetais. Proprietários de cães e gatos que são vegetarianos muitas vezes transferem ou tentam transferir seus hábitos para seus animais e ao invés de beneficiá-los acabam prejudicando sua saúde, por não respeitarem as necessidades intrínsecas a cada espécie em particular. Na natureza os cães e gatos eram predadores, portanto, tinham o hábito de caçar e ingerir outros animais: pequenos herbívoros, roedores e pássaros. Suas presas eram totalmente mastigadas e engolidas e quando maiores, como os pequenos ruminantes, cães e gatos agiam como fazem até hoje os grandes carnívoros em seus habitats naturais, abrindo a cavidade torácica e a abdominal das presas, onde encontram no conteúdo do aparelho digestório, vegetais ainda não digeridos ou parcialmente digeridos, tais como grãos e folhas e após se alimentarem desse conteúdo, comem as vísceras, 108

• Mestre em nutrição animal (FMVZ/USP) • Membro da comissão científica do CBNA (www.cbna.org.br) e da Anclivepa-SP (www.anclivepa-sp.org.br) • Membro do comitê técnico e do conselho técnico da ANFAL Pet (www.anfalpet.org.br)

a gordura e alguns ossos. A dieta dos seres vivos deve ser adequada às suas necessidades: em primeiro lugar para a manutenção de uma vida saudável e, depois, para atender à exigência do crescimento, da reprodução e da produção. Por natureza, cães e gatos não são veganos. Os cães trazem em sua herança uma essência carnívora e, por motivos evolutivos, podem ser classificados como onívoros; e os gatos são carnívoros. Ambos podem receber uma dieta vegetariana, desde que essa lhes supra as necessidades de energia e nutrientes para um bom equílibrio do organismo. Quanto à classificação das espécies, realizada há 250 anos pelo naturalista sueco Carlos Lineu (1707-1778), inicialmente houve uma valorização das características morfológicas e do comportamento alimentar de indivíduos semelhantes. De acordo com a evolução e do conhecimento humano e para dar mais precisão à classificação, semelhanças bioquímicas e genéticas vêm determinando mudanças nos critérios de classificação. Assim como as demais espécies animais, o cão e o gato têm exigências específicas de nutrientes e não de ingredientes específicos. Por isso, o proprietário de um animal, ao decidir dar-lhe uma dieta vegetariana ou vegana, tem que ter atenção à alimentação. Quando falamos em particular sobre os gatos, é necessário estabelecer dietas especiais, pois estes precisam de um aminoácido chamado taurina, encontrado nos músculos de animais. Não são capazes de sintetizá-lo em quantidades suficientes, ao contrário dos humanos e dos cães. Já se desenvolveu a taurina sintética, usada em alimentos comerciais para gatos, sejam eles vegetarianos ou não. Os

animais que não comem carne devem receber este ou outro nutriente de modo suplementar, pois a deficiência da taurina em particular pode causar cegueira, doença cardíaca e até mesmo a morte do animal. Os gatos precisam ainda de vitamina A pré-formada, ácido araquidônico e um nível energético superior em comparação ao cão e ao homem para completar sua dieta. A dieta Estudos comprovam que alimentos industrializados a base de proteínas de origem vegetal podem substituir as fontes de origem animal desde que essas proteínas sejam obtidas através de processos de extração que melhorem sua digestão e, por consequência, facilitem sua absorção e a de outros nutrientes, sem competir com os demais nutrientes importantes. O primeiro passo é identificar se a determinada fonte tem em sua composição os aminoácidos necessários ou “essenciais” para a espécie. Caso isso não aconteça, haverá necessidade de incorporá-los à fórmula, ou suplementá-los à parte. É necessário que a dieta atenda a algumas exigências: ser formulada e produzida de forma a satisfazer os requisitos mínimos nutricionais, estar acondicionada adequadamente, ser palatável, digestível e facilmente identificada como alimento para os animais, e finalmente, que atenda aos requisitos de segurança alimentar, importantíssimos para a saúde e bem estar. Alimentar cães e gatos com uma dieta de base vegetariana por vezes tem ainda a vantagem de evitar alergias e outros problemas de saúde.

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Lançamentos

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TRATAMENTO DE OTITES AGUDAS E CRÔNICAS

Divulgação

Virbac acaba de lançar o primeiro anestésico inalatório veterinário: o Vetflurano. À base de isoflurano, Vetflurano produz anestesia geral de excelente qualidade, com efeitos controláveis e recuperação muito rápida. IndicaVetflurano é o do para cães, gatos e único anestésico equinos, o produto ofeinalatório devidarece como principais bemente licenciado para uso em nefícios: pronta indução, animais ritmo cardíaco estável, relaxamento muscular adequado, recuperação rápida e suave. “Vetflurano é bastante versátil porque pode ser associado a diversos fármacos pré-anestésicos e analgésicos. Além disso, permite rápidas mudanças no aprofundamento do estado anestésico do paciente”, esclarece Ana Lúcia Rivera, gerente de produtos da Virbac do Brasil. Virbac: 0800 136533

A

Ouro Fino Bem Estar Animal coloca à disposição do mercado veterinário um novo produto para o tratamento de otites agudas e crônicas, causadas por fungos e/ou bactérias: o Auritop, que foi desenvolvido a base de

Divulgação

ANESTESIA

O Auritop é indicado para cães e gatos e possui formulação única no segmento

ciprofloxacina, cetoconazol, fluocinolona e lidocaína, ativos considerados mundialmente como mais seguros, modernos e eficazes. Estudos revelam que até 20% da população canina é acometida por otites. Em países tropicais, como o Brasil, a prevalência de casos da doença nas clínicas veterinárias chega a mais de 20% dos atendimentos. Além disso, a falta de sucesso no tratamento das otites é responsável pela alta incidência da doença em sua forma crônica, representando 76% e 50% dos casos de otopatias em cães e gatos, respectivamente. Produtos otológicos são bastante significativos no portfólio da Ouro Fino, e o Auritop foi lançado para ampliar ainda mais essa linha da empresa. Comercializada em frasco plástico de 30g, a solução é eficaz nas síndromes otológicas externas, eliminando o prurido, a dor e o edema. Ouro Fino Bem Estar Animal: www.ourofino.com

TRATANDO O ESTRESSE DOS GATOS

Divulgação

Gatos sofrem de estresse quando se sentem inseguros, ameaçados, entediados e até mesmo doentes. As razões para isso são muitas. Gatos não gostam de ver ou sentir a presença de outro animal próximo ao seu território; não gostam de mudanças em casa, como reforma ou aquisição de móveis novos; são arredios a donos hostis e demoram a se acostumar com pessoas estranhas dentro de casa. Quando um ou mais Feliway está disponível em duas apresentações: desses fatores são vivenciados spray para aplicação direta e difusor elétrico pelos gatos, a situação pode provocar desconforto no aniruto da correria do dia a dia, o mal e alteração em seu comportamento. A CEVA Saúde Animal, multinacional estresse atinge não somente os seres humanos. Assim como seus donos, os francesa dedicada exclusivamente à pesgatos que vivem hoje em casas e aparta- quisa, desenvolvimento, industrialização mentos sofrem os efeitos da vida moder- e comercialização de produtos vetena. Tendo liberdade restrita de circulação rinários, trouxe para o Brasil um produto e muitas vezes forçados a compartilhar o inovador no que se refere à forma de lidar mesmo espaço com outros animais e pes- com estresse nos gatos. Trata-se do soas, os felinos domésticos acabam Feliway®, um produto que reproduz prodesenvolvendo fortes sinais de estresse, priedades pacificadoras dos feromônios como, por exemplo, a demarcação faciais dos gatos, capazes de ajudar os urinária em ambientes, arranhaduras em animais a se sentirem calmos, mesmo em móveis e outros utensílios, apatia, falta de situações tensas. Feromônios são substâncias amplainteresse pela comida, miado incessante mente espalhadas por qualquer animal e ou tudo isso ao mesmo tempo. ®

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utilizadas no processo de comunicação entre os animais da mesma espécie. A liberação de feromônios faciais pelos felinos acontece, normalmente, quando os gatos friccionam a cabeça de encontro à mobília, nos cantos das paredes, atrás das cortinas ou ainda quando se esfregam pelas nossas pernas e braços. Os feromônios emitem uma mensagem de bem-estar, calma e ausência de estresse. Produzido há mais de 10 anos pela CEVA na Europa, Feliway® já é consagrado no mercado pet internacional e utilizado pelos maiores especialistas do mundo em comportamento animal. A fórmula exclusiva e as diversas vantagens comprovadas fizeram de Feliway® o produto de maior faturamento da empresa ao longo dos anos. Disponível em duas apresentações, Feliway® chegou ao mercado pet brasileiro na forma de spray, para aplicações diretas em locais proeminentes, e em difusor elétrico, que pode permanecer ligado durante 30 dias ininterruptos. Uma outra característica do produto é que ele não possui cheiro, sendo imperceptível ao olfato dos humanos. Ceva: www.cevabrasil.com.br.

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