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artigos científicos

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Ortopedia

Tratamento de fratura bilateral de diáfise femoral em um cão utilizando pinos intramedulares e cerclagem – relato de caso

36

Surgical treatment of bilateral fracture of the femoral diaphysis in a dog using intramedullary pins and cerclage – case Tratamiento de una fractura bilateral de diáfisis femoral con clavos intramedulares y cerclaje en perro – relato de caso

46

Cardiologia

Estudo retrospectivo da prevalência de cardiopatias em cães Retrospective study of the prevalence of heart diseases in dogs Estudio retrospectivo de la prevalencia de las cardiopatías en perros

56

Clínica

Valores hematológicos de filhotes de papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) apreendidos do tráfico

46

Hematologic values of blue-fronted Amazon parrot (Amazona aestiva) nestlings seized from illegal trade Valores hematológicos de crías de amazonas de frente azul (Amazona aestiva) incautadas en el comercio ilegal

56

64

Cirurgia Ureterocele ortotópica em cadela (Canis familiaris) – relato de caso

Orthotopic ureterocele in bitch (Canis familiaris) – a case report Ureterocele ortotópico en perra (Canis familiaris) – relato de caso

74

Clínica Bronquite crônica canina – revisão Canine chronic bronchitis – a review Bronquitis crónica canina – revisión

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74 Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017

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18

Especialidades

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• Simpósio Internacional de Emergências Cardiovasculares • Especialista em oncologia veterinária • Reativação da Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Veterinária – OTV • A inter-relação entre nutrição e doença • Medicina veterinária do coletivo • Tratamento da leishmaniose

Medicina veterinária do coletivo 24 • Manejo populacional humanitário e sustentável de cães e gatos: caminhos para o Paraná • Além da castração e da redução do número de cães

Medicina veterinária legal

22

82

• Novo código de ética do médico veterinário

Gestão, marketing & estratégia

84

• Human friendly, pense nisso! • Pet friendly na construção

23 86

Pet food • Alimentos para raças. Quais os benefícios

88

Lançamentos • Antiparasitário de tripla ação para cães • Anestésico para pets e equinos

Vet Agenda

28 90

• www.vetagenda.com.br

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Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017

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CURSOS EM

MEDICINA VETERINÁRIA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO

CURSOS INTENSIVOS

XII CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ACUPUNTURA VETERINÁRIA

XV CURSO DE OZONIOTERAPIA EM MEDICINA VETERINÁRIA

500 horas, 24 módulos Início: Agosto de 2017 Aulas teóricas e práticas Abordagem a pequenos e grandes animais Presença de palestrante internacional

Dias 22 e 23 de Julho de 2017, em Botucatu/SP Palestrantes: Dr. Jean G F Joaquim Dr. Wilfredo Irrazabal Urruchi Dra. Iolanda Bittencourt

CURSO EXTENSIVO

I CURSO DE AROMATERAPIA NA PRÁTICA CLÍNICA DE CÃES

XI CURSO DE EXTENSÃO EM

Dias 22 e 23 de Julho de 2017, em Botucatu/SP Palestrante: Dr. Guilherme Santos

FITOTERAPIA CHINESA VETERINÁRIA Início: Julho de 2017 Término: Junho de 2018 60 horas de duração

VI CURSO DE DIETOTERAPIA CHINESA PARA PEQUENOS ANIMAIS

– Food Therapy Dias 14, 15 e 16 de Julho de 2017 Curso ministrado na Bélgica, Espanha e Austrália · Princípios básicos da alimentação caseira · Princípios básicos da dietoterapia segundo a Medicina Tradicional Chinesa · Dietoterapia para tratamento das principais desordens de cães e gatos Palestrantes: Profas. Carolina Haddad e Celina Okamoto Okubo “Que seu alimento seja o seu remédio” Hipócrates Rua Vicente Giacobino, 45 Jardim Santa Mônica Botucatu - SP - 18605-545 www.bioethicus.com.br secretaria@bioethicus.com.br (14) 3814 6898 ou (14) 3813 3898

+ 55 14 9 8208 0302 Instituto Bioethicus @bioethicus


C

ada vez mais crescem a necessidade e o interesse no desenvolvimento de políticas públicas que envolvam o bem-estar e a saúde dos animais. Consequentemente, de toda a comunidade. Os trabalhos desenvolvidos pelo deputado estadual Noraldino Junior, presidente da comissão extraordinária de proteção animal da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), assim como da médica veterinária e vereadora Carla Sassi, de Conselheiro Lafaiete, MG, são exemplos do envolvimento e do empoderamento da comunidade com temas como, por exemplo, a apresentação, no dia 29 de junho, na ALMG, do plano de ação de Conselheiro Lafaiete para lidar com o avanço dos casos de esporotricose. Carla Sassi compartilhou a importância da zoonose ser considerada de notificação compulsória no Estado de MG, para médicos e veterinários. Envolvidos com essa temática, estamos compartilhando, nesta edição, experiências acumuladas de ações envolvendo as contribuições da modelagem matemática para os estudos de dinâmica populacional de cães domiciliados e cães de rua e também do manejo populacional humanitário e sustentável de cães e gatos. Além do controle populacional de cães e gatos, o seu atendimento clínico e cirúrgico, tanto para abrigos quanto para a comunidade de baixo poder aquisitivo, é outra demanda constantemente necessária. Por isso, além do conteúdo de medicina veterária do coletivo citado acima, o artigo de ortopedia presente nesta edição, “Tratamento de fratura bilateral de diáfise femoral em um cão utilizando pinos intramedulares e cerclagem – relato de caso”, também se mostra útil para compartilhar uma técnica que não é inovadora. Pelo contrário. Porém, é de baixo custo, e quando comparada a outras técnicas, como as hastes intramedulares bloqueadas, placas e parafusos, que necessitam experiência em ortopedia e materiais especiais para sua utilização, os pinos intramedulares associados com cerclagem são considerados uma técnica fácil e versátil. Por isso, a descrição do relato,

devidamente documentado com radiografias pré e póscirúrgicas e com registros das etapas cirúrgicas, torna-se útil para estudantes e veterinários que estão longe de grandes centros, com poucos recursos e, muitas vezes, com essa técnica como a única solução disponível. Por outro lado, também destacamos nesta edição a reativação da Associação Brasileira de Ortopedia Veterinária (OTV), que vem trazendo e compartilhando conhecimento avançado em ortopedia veterinária para os casos nos quais se dispõe de recursos para assistir o paciente com problemas ortopédicos. Outro conteúdo relevante nesta edição é o artigo “Valores hematológicos de filhotes de papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) apreendidos do tráfico”. A quantidade de papagaios rea n cém-nascidos apreens, Fau do ca SOS i f didos no segundo sera la s t pe aio dos g mestre sempre é granti pa pa assis e d e de – e, ao mesmo tes os ho ndid l i F re tempo, pequena perto ap da quantidade traficada. Vale destacar também o crescimento dos casos de leishmaniose visceral em várias regiões. Há meses temos divulgado o Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina, promovido pelo Brasileish, que acontece nos dias 4 e 5 de novembro, em Belo Horizonte, MG. São emergentes e necessárias as políticas públicas para o controle populacional e de zoonoses, o combate ao tráfico de animais e aos maus-tratos. “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” (Artigo n. 225, da Constituição Federal). “A persistência é o caminho do êxito” (Charles Chaplin).

Arthur de Vasconcelos Paes Barretto CRMV-MG 10.684

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Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017


EXPEDIENTE

Consultores científicos EDITORES / PUBLISHERS Arthur de Vasconcelos Paes Barretto editor@editoraguara.com.br

Adriano B. Carregaro

Ana Claudia Balda

Benedicto W. De Martin

FZEA/USP-Pirassununga

FMU, Hovet Pompéia

FMVZ/USP; IVI

CRMV-MG 10.684 - www.crmvmg.org.br

Álan Gomes Pöppl

Ananda Müller Pereira

Berenice A. Rodrigues

FV/UFRGS

Universidad Austral de Chile

Médica veterinária autônoma

Alberto Omar Fiordelisi

Ana P. F. L. Bracarense

Camila I. Vannucchi

FCV/UBA

DCV/CCA/UEL

FMVZ/USP-São Paulo

CRMV-SP 10.159 - www.crmvsp.gov.br

Alceu Gaspar Raiser

André Luis Selmi

Carla Batista Lorigados

DCPA/CCR/UFSM

Anhembi/Morumbi e Unifran

FMU

PUBLICIDADE / ADVERTISING

Alejandro Paludi

Angela Bacic de A. e Silva

Carla Holms

midia@editoraguara.com.br

FCV/UBA

FMU

Anclivepa-SP

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA / DESKTOP PUBLISHING

Alessandra M. Vargas

Antonio M. Guimarães

Carlos Alexandre Pessoa

Endocrinovet

DMV/UFLA

www.animalexotico.com.br

Alexandre Krause

Aparecido A. Camacho

Carlos E. Ambrosio

Editora Guará Ltda.

FMV/UFSM

FCAV/Unesp-Jaboticabal

FZEA/USP-Pirassununga

CAPA / COVER:

Alexandre G. T. Daniel

A. Nancy B. Mariana

Carlos E. S. Goulart

Universidade Metodista

FMVZ/USP-São Paulo

EMATER-DF

Alexandre L. Andrade

Arlei Marcili

Carlos Roberto Daleck

CMV/Unesp-Aracatuba

FMVZ/USP-São Paulo

FCAV/Unesp-Jaboticabal

Alexander W. Biondo

Aulus C. Carciofi

Carlos Mucha

UFPR, UI/EUA

FCAV/Unesp-Jaboticabal

IVAC-Argentina

Aline Machado Zoppa

Aury Nunes de Moraes

Cassio R. A. Ferrigno

FMU/Cruzeiro do Sul

UESC

FMVZ/USP-São Paulo

Aline Souza

Ayne Murata Hayashi

Ceres Faraco

UFF

FMVZ/USP-São Paulo

FACCAT/RS

Aloysio M. F. Cerqueira

Beatriz Martiarena

César A. D. Pereira

UFF

FCV/UBA

UAM, UNG, UNISA

Maria Angela Sanches Fessel cvredacao@editoraguara.com.br

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Filhote sendo carregado dentro da mochila. Fotografia de Elena Rostunova (Shutterstock) Clínica Veterinária é uma revista técnicocientífica bimestral, dirigida aos clínicos veterinários de pequenos animais, estudantes e professores de medicina veterinária, publicada pela Editora Guará Ltda. As opiniões em artigos assinados não são necessariamente compartilhadas pelos editores. Os conteúdos dos anúncios veiculados são de total responsabilidade dos anunciantes. Não é permitida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta publicação sem a prévia autorização da editora. A responsabilidade de qualquer terapêutica prescrita é de quem a prescreve. A perícia e a experiência profissional de cada um são fatores determinantes para a condução dos possíveis tratamentos para cada caso. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo da revista Clínica Veterinária.

10

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Contato Editora Guará Ltda. Dr. José Elias 222 - Alto da Lapa 05083-030 São Paulo - SP, Brasil Central de assinaturas: Whats App +55 (11) 98250-0016 Telefone/fax: (11) 3835-4555 / 3641-6845 cvassinaturas@editoraguara.com.br

Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017


Christina Joselevitch

Franz Naoki Yoshitoshi

Juliana Werner

Mary Marcondes

Ricardo G. D’O. C. Vilani

FMVZ/USP-São Paulo

Provet

Lab. Werner e Werner

CMV/Unesp-Araçatuba

UFPR

Cibele F. Carvalho

Gabriela Pidal

Julio C. C. Veado

Masao Iwasaki

Ricardo S. Vasconcellos

UNICSUL

FCV/UBA

FMVZ/UFMG

FMVZ/USP-São Paulo

CAV/UDESC

Clair Motos de Oliveira

Gabrielle Coelho Freitas

Julio Cesar de Freitas

Mauro J. Lahm Cardoso

Rita de Cassia Garcia

UFFS-Realeza

UEL

FALM/UENP

FMV/UFPR

Geovanni D. Cassali

Karin Werther

Mauro Lantzman

Rita de Cassia Meneses

ICB/UFMG

FCAV/Unesp-Jaboticabal

Psicologia PUC-SP

IV/UFRRJ

Geraldo M. da Costa

Leonardo Pinto Brandão

Michele A.F.A. Venturini

Rita Leal Paixão

DMV/UFLA

Ceva Saúde Animal

ODONTOVET

FMV/UFF

Gerson Barreto Mourão

Leucio Alves

Michiko Sakate

Robson F. Giglio

ESALQ/USP

FMV/UFRPE

FMVZ/Unesp-Botucatu

Hosp. Cães e Gatos; Unicsul

Hannelore Fuchs

Luciana Torres

Miriam Siliane Batista

Rodrigo Gonzalez

Instituto PetSmile

FMVZ/USP-São Paulo

FMV/UEL

FMV/Anhembi-Morumbi

Hector Daniel Herrera

Lucy M. R. de Muniz

Moacir S. de Lacerda

Rodrigo Mannarino

FCV/UBA

FMVZ/Unesp-Botucatu

UNIUBE

FMVZ/Unesp-Botucatu

Hector Mario Gomez

Luiz Carlos Vulcano

Monica Vicky Bahr Arias

Rodrigo Teixeira

EMV/FERN/UAB

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMV/UEL

Zoo de Sorocaba

Hélio Autran de Moraes

Luiz Henrique Machado

Nadia Almosny

Ronaldo C. da Costa

Dep. Clin. Sci./Oregon S. U.

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMV/UFF

CVM/Ohio State University

Hélio Langoni

Marcello Otake Sato

Nayro X. Alencar

Ronaldo G. Morato

FMVZ/UNESP-Botucatu

FM/UFTO

FMV/UFF

CENAP/ICMBio

Heloisa J. M. de Souza

Marcelo A.B.V. Guimarães Nei Moreira

Rosângela de O. Alves

FMV/UFRRJ

FMVZ/USP-São Paulo

CMV/UFPR

EV/UFG

Herbert Lima Corrêa

Marcelo Bahia Labruna

Nelida Gomez

Rute C. A. de Souza

ODONTOVET

FMVZ/USP-São Paulo

FCV/UBA

UFRPE/UAG

Iara Levino dos Santos

Marcelo de C. Pereira

Nilson R. Benites

Ruthnéa A. L. Muzzi

Koala H. A. e Inst. Dog Bakery

FMVZ/USP-São Paulo

FMVZ/USP-São Paulo

DMV/UFLA

Iaskara Saldanha

Marcelo Faustino

Nobuko Kasai

Sady Alexis C. Valdes

Lab. Badiglian

FMVZ/USP-São Paulo

FMVZ/USP-São Paulo

Unipam-Patos de Minas

Idael C. A. Santa Rosa

Marcelo S. Gomes

Noeme Sousa Rocha

Sheila Canavese Rahal

UFLA

Zoo SBC,SP

FMV/Unesp-Botucatu

FMVZ/Unesp-Botucatu

Ismar Moraes

Marcia Kahvegian

Norma V. Labarthe

Silvia E. Crusco

FMV/UFF

FMVZ/USP-São Paulo

FMV/UFFe FioCruz

UNIP/SP

Jairo Barreras

Márcia Marques Jericó

Patricia C. B. B. Braga

Silvia Neri Godoy

FioCruz

UAM e UNISA

FMVZ/USP-Leste

ICMBio/Cenap

James N. B. M. Andrade Marcia M. Kogika

Patrícia Mendes Pereira

Silvia R. G. Cortopassi

FMV/UTP

FMVZ/USP-São Paulo

DCV/CCA/UEL

FMVZ/USP-São Paulo

Jane Megid

Marcio B. Castro

Paulo Anselmo

Silvia R. R. Lucas

FMVZ/Unesp-Botucatu

UNB

Zoo de Campinas

FMVZ/USP-São Paulo

Janis R. M. Gonzalez

Marcio Brunetto

Paulo César Maiorka

Silvio A. Vasconcellos

FMV/UEL

FMVZ/USP-Pirassununga

FMVZ/USP-São Paulo

FMVZ/USP-São Paulo

Jean Carlos R. Silva

Marcio Dentello Lustoza

Paulo Iamaguti

Silvio Luis P. de Souza

UFRPE, IBMC-Triade

Biogénesis-Bagó Saúde Animal

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMVZ/USP, UAM

João G. Padilha Filho

Márcio Garcia Ribeiro

Paulo S. Salzo

Simone Gonçalves

FCAV/Unesp-Jaboticabal

FMVZ/Unesp-Botucatu

UNIMES, UNIBAN

Hemovet/Unisa

João Luiz H. Faccini

Marco Antonio Gioso

Paulo Sérgio M. Barros

Stelio Pacca L. Luna

UFRRJ

FMVZ/USP-São Paulo

FMVZ/USP-São Paulo

FMVZ/Unesp-Botucatu

João Pedro A. Neto

Marconi R. de Farias

Pedro Germano

Tiago A. de Oliveira

UAM

PUC-PR

FSP/USP

UEPB

Jonathan Ferreira

Maria Cecilia R. Luvizotto Pedro Luiz Camargo

Tilde R. Froes Paiva

Odontovet

CMV/Unesp-Aracatuba

FMV/UFPR

Jorge Guerrero

M. Cristina F. N. S. Hage Rafael Almeida Fighera

Valéria Ruoppolo

Universidade da Pennsylvania

FMV/UFV

FMV/UFSM

Int. Fund for Animal Welfare

José de Alvarenga

Maria Cristina Nobre

Rafael Costa Jorge

Vamilton Santarém

FMVZ/USP

FMV/UFF

Hovet Pompéia

Unoeste

Jose Fernando Ibañez

M. de Lourdes E. Faria

Regina H.R. Ramadinha

Vania M. de V. Machado

FALM/UENP

VCA/SEPAH

FMV/UFRRJ

FMVZ/Unesp-Botucatu

José Luiz Laus

Maria Isabel M. Martins

Renata A. Sermarini

Victor Castillo

FCAV/Unesp-Jaboticabal

DCV/CCA/UEL

ESALQ/USP

FCV/UBA

José Ricardo Pachaly

M. Jaqueline Mamprim

Renata Afonso Sobral

Vitor Marcio Ribeiro

UNIPAR

FMVZ/Unesp-Botucatu

Onco Cane Veterinária

PUC-MG

José Roberto Kfoury Jr.

Maria Lúcia Z. Dagli

Renata Navarro Cassu

Viviani de Marco

FMVZ/USP

FMVZ/USP-São Paulo

Unoeste-Pres. Prudente

UNISA e NAYA Especialidades

Juan Carlos Troiano

Marion B. de Koivisto

Renée Laufer Amorim

Wagner S. Ushikoshi

FCV/UBA

CMV/Unesp-Araçatuba

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMV/UNISA e FMV/CREUPI

Juliana Brondani

Marta Brito

Ricardo Duarte

Zalmir S. Cubas

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMVZ/USP-São Paulo

All Care Vet / FMU

Itaipu Binacional

FMVZ/USP-São Paulo

Clarissa Niciporciukas ANCLIVEPA-SP

Cleber Oliveira Soares EMBRAPA

Cristina Massoco Salles Gomes C. Empresarial

Daisy Pontes Netto FMV/UEL

Daniel C. de M. Müller UFSM/URNERGS

Daniel G. Ferro ODONTOVET

Daniel Macieira FMV/UFF

Denise T. Fantoni FMVZ/USP-São Paulo

Dominguita L. Graça FMV/UFSM

Edgar L. Sommer PROVET

Edison L. P. Farias UFPR

Eduardo A. Tudury DMV/UFRPE

Elba Lemos FioCruz-RJ

Eliana R. Matushima FMVZ/USP-São Paulo

Elisangela de Freitas FMVZ/Unesp-Botucatu

Estela Molina FCV/UBA

Fabian Minovich UJAM-Mendoza

Fabiano Montiani-Ferreira FMV/UFPR

Fabiano Séllos Costa DMV/UFRPE

Fabio Otero Ascol IB/UFF

Fabricio Lorenzini FAMi

Fernando C. Maiorino FEJAL/CESMAC/FCBS

Fernando de Biasi DCV/CCA/UEL

Fernando Ferreira FMVZ/USP-São Paulo

Filipe Dantas-Torres CPAM

Flávia R. R. Mazzo Provet

Flavia Toledo Univ. Estácio de Sá

Flavio Massone FMVZ/Unesp-Botucatu

Francisco E. S. Vilardo Criadouro Ilha dos Porcos

Francisco J. Teixeira N. FMVZ/Unesp-Botucatu

F. Marlon C. Feijo UFERSA

DCV/CCA/UEL

Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017

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INSTRUÇÕES AOS AUTORES

A

Clínica Veterinária publica artigos científicos inéditos, de três tipos: trabalhos de pesquisa, relatos de caso e revisões de literatura. Embora todos tenham sua importância, nos trabalhos de pesquisa, o ineditismo encontra maior campo de expressão, e como ele é um fator decisivo no âmbito científico, estes trabalhos são geralmente mais valorizados. Todos os artigos enviados à redação são primeiro avaliados pela equipe editorial e, após essa avaliação inicial, encaminhados aos consultores científicos. Nessas duas instâncias, decide-se a conveniência ou não da publicação, de forma integral ou parcial, e encaminham-se ao autores sugestões e eventuais correções. Trabalhos de pesquisa são utilizados para apresentar resultados, discussões e conclusões de pesquisadores que exploram fenômenos ainda não completamente conhecidos ou estudados. Nesses trabalhos, o bem-estar animal deve sempre receber atenção especial. Relatos de casos são utilizados para a apresentação de casos de interesse, quer seja pela raridade, evolução inusitada ou técnicas especiais. Devem incluir uma pesquisa bibliográfica profunda sobre o assunto (no mínimo 30 referências) e conter uma discussão detalhada dos achados e conclusões do relato à luz dessa pesquisa. A pesquisa bibliográfica deve apresentar no máximo 15% de seu conteúdo provenientes de livros, e no máximo 20% de artigos com mais de cinco anos de publicação. Revisões são utilizadas para o estudo aprofundado de informações atuais referentes a um determinado assunto, a partir da análise criteriosa dos trabalhos de pesquisadores de todo o meio científico, publicados em periódicos de qualidade reconhecida. As revisões deverão apresentar pesquisa de, no mínimo, 60 referências provadamente consultadas. Uma revisão deve apresentar no máximo 15% de seu conteúdo provenientes de livros, e no máximo 20% de artigos com mais de cinco anos de publicação.

Critérios editoriais Para a primeira avaliação, os autores devem enviar através do site da revista um arquivo texto (.doc) com o trabalho, acompanhado de imagens digitalizadas em formato .jpg - http://revistaclinicaveterinaria.com.br/blog/envio-de-artigos-cientificos/. As imagens digitalizadas devem ter, no mínimo, resolução de 300 dpi na largura de 9 cm. Se os autores não possuírem imagens digitalizadas, devem encaminhar pelo correio ao nosso departamento de redação cópias das imagens originais (fotos, slides ou ilustrações – acompanhadas de identificação de propriedade e autor). Devem ser enviadas também a identificação de todos os autores do trabalho (nome completo por extenso, RG, CPF, endereço residencial com cep, telefones e e-mail). Além dos nomes completos, devem ser informadas as instituições às quais os autores estejam vinculados, bem como seus títulos no momento em que o trabalho foi escrito. Os autores devem ser relacionados na seguinte ordem: primeiro, o autor principal, seguido do orientador e, por fim, os colaboradores, em sequência decrescente de participação. Sugere-se como máximo seis autores. O primeiro autor deve necessariamente ter diploma de graduação em medicina veterinária. Todos os artigos, independentemente da sua categoria, devem ser redigidos em língua portuguesa e acompanhados de versões em língua inglesa e espanhola de: título, resumo (de 700 a 800 caracteres) e unitermos (3 a 6). Os títulos devem ser claros e grafados em letras minúsculas – somente a primeira letra da primeira palavra deve ser grafada em letra maiúscula. Os resumos devem ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões, de forma concisa, dos pontos relevantes do trabalho apresentado. Os unitermos não devem constar do título. Devem ser dispostos do mais abrangente para o mais específico (eg, “cães, cirurgias, abcessos, próstata). Verificar se os unitermos escolhidos constam dos “Descritores em Ciências de Saúde” da Bireme (http://decs.bvs.br/). Revisões de literatura não devem apresentar o subtítulo “Conclusões”. Sugere-se “Considerações finais”. Não há especificação para a quantidade de páginas, dependendo esta do conteúdo explorado. Os assuntos devem ser abordados com objetividade e clareza, visando o público leitor – o clínico veterinário de pequenos animais. Utilizar fonte arial tamanho 10, espaço simples e uma única coluna. As margens superior, inferior e laterais devem apresentar até 3 cm. Não deixar linhas em branco ao longo do texto, entre títulos, após subtítulos e entre as referências.

No caso de todo o material ser remetido pelo correio, devem necessariamente ser enviados, além de uma apresentação impressa, uma cópia em CD-rom. Imagens como fotos, tabelas, gráficos e ilustrações não podem ser cópias da literatura, mesmo que seja indicada a fonte. Devem ser utilizadas imagens originais dos próprios autores. Imagens fotográficas devem possuir indicação do fotógrafo e proprietário; e quando cedidas por terceiros, deverão ser obrigatoriamente acompanhadas de autorização para publicação e cessão de direitos para a Editora Guará (fornecida pela Editora Guará). Quadros, tabelas, fotos, desenhos, gráficos deverão ser denominados figuras e numerados por ordem de aparecimento das respectivas chamadas no texto. Imagens de microscopia devem ser sempre acompanhadas de barra de tamanho e nas legendas devem constar as objetivas utilizadas. As legendas devem fazer parte do arquivo de texto e cada imagem deve ser nomeada com o número da respectiva figura. As legendas devem ser autoexplicativas. Não citar comentários que constem das introduções de trabalhos de pesquisa para não incorrer em apuds. Sempre buscar pelas referências originais. O texto do autor original deve ser respeitado, utilizando-se exclusivamente os resultados e, principalmente, as conclusões dos trabalhos. Quando uma informação tiver sido localizada em diversas fontes, deve-se citar apenas o autor mais antigo como referência para essa informação, evitando a desproporção entre o conteúdo e o número de referências por frases. As referências serão indicadas ao longo do texto apenas por números sobrescritos ao texto, que corresponderão à listagem ao final do artigo – autores e datas não devem ser citados no texto. Esses números sobrescritos devem ser dispostos em ordem crescente, seguindo a ordem de aparecimento no texto, e separados apenas por vírgulas (sem espaços). Quando houver mais de dois números em sequência, utilizar apenas hífen (-) entre o primeiro e o último dessa sequência, por exemplo cão 1,3,6-10,13. A apresentação das referências ao final do artigo deve seguir as normas atuais da ABNT 2002 (NBR 10520). Utilizar o formato v. para volume, n. para número e p. para página. Não utilizar “et al” – todos os autores devem ser relacionados. Não abreviar títulos de periódicos. Sempre utilizar as edições atuais de livros – edições anteriores não devem ser utilizadas. Todos os livros devem apresentar informações do capítulo consultado, que são: nome dos autores, nome do capítulo e páginas do capítulo. Quando mais de um capítulo for utilizado, cada capítulo deverá ser considerado uma referência específica. Não serão aceitos apuds nem revisões de literatura (Citação direta ou indireta de um autor a cuja obra não se teve acesso direto. É a citação de “segunda mão”. Utiliza-se a expressão apud, que significa “citado por”. Deve ser empregada apenas quando o acesso à obra original for impossível, pois esse tipo de citação compromete a credibilidade do trabalho). A exceção será somente para literatura não localizada e obras antigas de difícil acesso, anteriores a 1960. As citações de obras da internet devem seguir o mesmo procedimento das citações em papel, apenas com o acréscimo das seguintes informações: “Disponível em: <http://www.xxxxxxxxx>. Acesso em: dia de mês de ano.” Somente utilizar o local de publicação de periódicos para títulos com incidência em locais distintos, como, por exemplo: Revista de Saúde Pública, São Paulo e Revista de Saúde Pública, Rio de Janeiro. De modo geral, não são aceitas como fontes de referência periódicos ou sites não indexados. Ocasionalmente, o conselho científico editorial poderá solicitar cópias de trabalhos consultados que obrigatoriamente deverão ser enviadas. Será dado um peso específico à avaliação das citações, tanto pelo volume total de autores citados, quanto pela diversidade. A concentração excessiva das citações em apenas um ou poucos autores poderá determinar a rejeição do trabaho. Não utilizar SID, BID e outros. Escrever por extenso “a cada 12 horas”, “a cada 6 horas” etc. Com relação aos princípios éticos da experimentação animal, os autores deverão considerar as normas do SBCAL (Sociedade Brasileira de Ciência de Animais de Laboratório). Informações referentes a produtos utilizados no trabalho devem serlistados, com chamada no texto com letra sobrescrita ao princípio ativo ou produto. Para todos os itens listados é necessario citar, nome comercial, fabricante, cidade e estado. Para produtos importados, informar também o país de origem, o nome do importador/distribuidor, cidade e estado.

Revista Clínica Veterinária / Redação Rua dr. José Elias 222 CEP 05083-030 São Paulo - SP cvredacao@editoraguara.com.br

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Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017


ESPECIALIDADES

Simpósio Internacional de Emergências Cardiovasculares

A

Shuterstock

nova gestão da Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária (SBCV), que assumiu para o triênio 2017-2020, tem realizado uma série de eventos em diferentes capitais brasileiras e também pelo interior. No mês de junho, realizou em Belo Horizonte, MG, o Encontro Mineiro de Cardiopatias Congênitas; em Santos, SP, a palestra Atualidades no Tratamento da Insuficiência Cardíaca Congestiva; e em Porto Alegre, RS, a palestra Eletrocardiograma, Ecocardiograma e Holter: Quando Solicitar e como Interpretar os Resultados. Em julho, foi a da vez da capital carioca, com o Fórum Internacional de Dirofilariose, com a presença do dr. Clarke Atkins, da Universidade da Carolina do Norte, EUA. No início do mês de setembro está programado o evento Desmistificando a Cardiologia Veterinária, que será no

interior de São Paulo, em Presidente Prudente. Bastante completo, abordará fisiologia, semiologia, farmacologia, exames complementares e as principais afecções cardíacas. Outro grande destaque do primeiro ano da nova gestão da SBCV será o Simpósio Internacional de Emergências Cardiovasculares, que ocorrerá nos dias 2 e 3 de novembro, em São Paulo, SP. Outros eventos para o segundo semestre ainda serão compartilhados com a classe por meio de divulgação na página da SBCV na internet – http://sbcv.org.br . Fique atento, participe e torne-se um associado! Além dos descontos nos eventos da SBCV, você terá acesso às areas restritas do site (Biblioteca Virtual e Lista de Discussão).

O

Título de Especialização em Oncologia Veterinária (Teoncov), de responsabilidade da Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (Abrovet), é concedido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). A primeira prova, realizada em abril de 2017, permitiu que os profissionais formados se tornassem especialistas em clínica oncológica, cirurgia oncológica e patologia oncológica. Os primeiros especialistas em oncologia veterinária são: Juliana Vieira Cirillo, Karen Batschinski e Rodrigo Ubukata.

Karen Batschinski, Juliana Cirillo e Rodrigo Ubukata ao receberem os certificados emitidos pela ABROVET que lhes deram o Título de Especialização em Oncologia Veterinária

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Divulgação

Especialista em oncologia veterinária


ESPECIALIDADES

Reativação da Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Veterinária – OTV

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Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Veterinária (OTV) foi reativada no dia 27 de maio de 2017, através de uma assembleia geral extraordinária de associados realizada durante o V Curso Internacional de Ortopedia e Traumatologia de Pequenos Animais, organizado pela Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Extensão (Funep) na cidade de Jaboticabal, na Unesp/FCAV, Participantes da assembleia geral que reativou a OTV (maio de 2017) que contou com a participação do palestrante internacional Mark Glyde (Diplomate ECVS, Murdoch University, Austrália). A assembleia teve a participação dos ex-presidentes Luiz Renato Verissimo de Souza e Rodrigo Luis Silva, além de alguns membros-fundadores e seus 66 novos associados. Dentre os assuntos levantados, discutiram-se os moConfira a programação tivos da reativação e os novos rumos que essa associação deverá trilhar nos próximos anos. Sua nova diretoria foi eleita por unanimidade para um mandato de dois anos. Confira a nova diretoria da OTV: Segundo o novo presidente, Denis Prata, a OTV vai buscar parcerias com outras associações de classe, univer- Denis Rodrigues Prata (presidente); sidades, empresas e órgãos públicos para fomentar a espe- Bruno Watanabe Minto (vice-presidente); Ivana de Mello Queiroz (1a secretária); cialidade da ortopedia e estimular a educação continuada. Entre as próximas atividades destaca-se o Simpósio de Vanessa Couto de Magalhães Ferraz (2a secretária); Ortopedia da OTV, que acontecerá nos dias 17 e 18 de ou- Vinicius Soriano Coelho (tesoureiro); tubro, junto ao 15º Congresso Paulista de Veterinários de Paulo Vinícius Tertuliano Marinho (2º tesoureiro); Pequenos Animais (Conpavepa), em São Paulo, SP, que Richard da Rocha Filgueiras (diretor científico); abordará afecções dos joelhos e osteossínteses complexas. Márcio Poletto Ferreira (2º diretor científico); Para maiores informações, acompanhe a página da Milton Mikio Morishin Filho (diretor social). Todos juntos em prol do fortalecimento da ortopedia OTV no Facebook – http://fb.com/otvbrasil ou envie veterinária no Brasil! um e-mail para: otvbrasil@gmail.com.

A inter-relação entre nutrição e doença

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http://funep.org.br 22

e 2 a 7 de outubro de 2017, em Jaboticabal, SP, na Unesp/FCAV, ocorrerá o VII Simpósio sobre Nutrição Clínica de Cães e Gatos, voltado para médicos veterinários, clínicos de pequenos animais ou ligados a pós-graduação, instituições de pesquisa, profissionais da área de nutrição animal ligados a empresas privadas, além de alunos de graduação do curso de medicina veterinária. O simpósio acontece a cada dois anos e é dividido em: • módulo teórico (2 e 3/10): tem como objetivo fundamentar conceitos de nutrição clínica e apresentar avanços científicos em nutrição clínica e suporte nutricional para animais com doenças específicas; • módulo prático (4 a 7/10): tem foco na capacitação do médico veterinário para reconhecer as alterações endocrinometabólicas decorrentes de processos patológicos, auxiliando na prática de atendimento nutricional. Serão realizadas discussões de casos clínicos, anamnese alimentar e exame de competência nutricional, formulação de dietas parenteral e enteral, e colocação de sondas de alimentação enteral, entre outras práticas. Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017


Medicina veterinária do coletivo

Tratamento da leishmaniose

Universidade Federal do Paraná (UFPR) encontrase na vanguarda da medicina veterinária do coletivo. No dia 31 de agosto de 2017 realizará o Simpósio de Manejo Populacional de Cães e Gatos do Paraná, que será no auditório didático do Setor de Ciências Agrárias da UFPR, Curitiba, rua dos Funcionários 1540, das 9h às 16h. As inscrições devem ser feitas no endereço: http://goo.gl/forms/vK4SRf90s0ezMtCe2 Outra atividade prevista para ocorrer em Curitiba, entre os dias 12 e 15 de setembro será o Curso de Formação de Oficiais de Controle Animal (Curso FOCA) – http://youtu.be/eXntjOSsG28. Confira nesta edição, a seguir, a matéria “Manejo populacional humanitário”. Outra fonte de informação de várias ações pelo Brasil são os anais da Conferência Internacional de Medicina Veterinária do Coletivo, realizada em abril de 2017, em Porto Alegre, RS, na UniRitter: http://goo.gl/w9iVdB.

os dia 4 e 5 de novembro, em Belo Horizonte, MG, ocorre o XVIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina. O evento conta com a presença do palestrante internacional Luis Cardoso, de Portugal, membro do Leishvet. Toda a programação é muito interessante e importante, mas há duas palestras que estão no foco do interesse dos clínicos veterinários: • ações de diagnóstico, estadiamento e tratamento da leishmaniose visceral humana e canina em Portugal e na Europa; • estadiamento e tratamento da leishmaniose visceral canina no Brasil – medicamentos disponíveis. Confira a programação completa e participe!

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MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO

Manejo populacional humanitário e sustentável de cães e gatos: caminhos para o Paraná

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anejar humanitária e sustentavelmente as populações de cães e gatos continua sendo um grande desafio para os governos municipais, uma vez que o seu número e a sua distribuição são influenciados tanto pelo crescimento como pelo comportamento da população humana 1. Fatores culturais, características individuais dos tutores e as “qualidades” atribuídas aos animais estão diretamente relacionados com as atitudes humanas para com os cães e gatos 2. No Paraná, desde 2012 há dispositivo legal proibindo a eliminação de cães e gatos para fins de controle dessas populações, ao mesmo tempo em que institui o controle ético da população desses animais, contemplando o registro e a identificação, o controle reprodutivo, a adoção, o controle de criadouros e a educação sobre a guarda responsável 3. Para melhor compreensão da situação das políticas públicas municipais e das proposituras para o enfrentamento da presença de cães e gatos errantes nas áreas urbanas do Paraná, em 2015 realizou-se um inquérito para estabelecer um diagnóstico inicial, que incluiu as ações realizadas pelos municípios, a estrutura física e os recursos humanos existentes para as atividades. Dos 33 munícipios respondentes, 48,5% (n = 16) tinham menos de 20 mil habitantes; 21,2% (n = 7), entre 20 e 80 mil habitantes; e 27,3% (n = 9), mais de 80 mil habitantes. A maioria dos municípios não executavam nenhuma ação para o manejo populacional de cães e gatos (MPCG). Dentre os municípios que desenvolviam alguma atividade, 64% (n = 21) monitoravam animais com relevância epideAtividades realizadas para o MPCG

%

Monitoramento de animais com relevância epidemiológica Ações educativas Fiscalização de maus-tratos Estimativa ou censo populacional canino e felino Fiscalização em guarda responsável Controle do comércio de animais Legislação pertinente Eutanásia de animais em sofrimento Controle reprodutivo Programa cão comunitário Programa de adoção Registro e identificação Estratégias para abordagem de acumuladores de animais Eutanásia de animais agressivos Recolhimento seletivo (animais em risco) Recolhimento de animais agressivos Atendimento clínico público

64 57,6 54,5 42,4 42,4 36,7 36,4 33,3 30,3 30,3 27,8 27,3 24,2 24,2 21,2 21,2 18,2

Figura 1 – Atividades realizadas para o MPCG nos municípios participantes do inquérito 24

miológica, e 57,6% (n = 19) realizavam ações educativas. Apenas 42,4% (n = 14) relataram estimativa ou censo populacional de cães e gatos (Figura 1). Dentre as secretarias municipais de Meio Ambiente, 18,2% (n = 6) eram as responsáveis pelas ações de MPCG. Quanto à estrutura física, 60,6% (n = 20) dos municípios não possuíam nenhuma infraestrutura para a manutenção dos animais; 12,1% (n = 4) possuíam consultórios para atendimento, e 9% (n = 3), centro cirúrgico para castração. Com relação aos recursos humanos, 57,6% (n = 19) tinham médico veterinário (um ou dois profissionais); 12,1% (n = 4), fiscais para atendimento de denúncias de maus-tratos; e apenas 9% (n = 3) tinham oficiais de controle animal. PONTOS IMPORTANTES PARA O MPCG Controle reprodutivo As campanhas de esterilização de cães e gatos devem ser sustentáveis ao longo do tempo para que sejam eficientes. Devem se realizar parcerias entre organizações do terceiro setor, instituições públicas e privadas, inclusive com as universidades, visando também a capacitação dos veterinários do município para cirurgias minimamente invasivas, realizadas em postos públicos fixos de castração distribuídos pela cidade. É fundamental a avaliação do impacto dessas ações por meio da estimativa populacional canina e felina, determinando indicadores a serem monitorados de preferência antes do início das ações. Outros métodos de contracepção, como o uso racional de anticoncepcional seguido de castração ou a castração química de machos, também são relevantes. Uma possibilidade para a realização de pósoperatório de animais de rua, isolamento de cadelas no cio ou manutenção de ninhadas abandonadas são os “lares temporários”, parte do programa municipal com cadastro de famílias e de protetores de animais visando a sua manutenção temporária. Educação e capacitação No trabalho educacional do público em geral, é essencial empoderar sobre o tema os multiplicadores de informação como os líderes comunitários e os agentes comunitários de saúde (ACs). Nesse sentido, é fundamental a inclusão do médico veterinário no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), atuando diretamente com os demais profissionais da saúde e com a comunidade, e auxiliando na capacitação dos ACs e no diagnóstico nas comunidades. Nas escolas, que o tema sobre a guarda responsável seja ofertado como parte do currículo nas áreas de ciência, biologia e meio ambiente, criando um trabalho intersetorial

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entre as secretarias de Educação, Saúde e Meio Ambiente. A participação em eventos em geral e a realização de oficinas com a comunidade são outras opções para o empoderamento das famílias e comunidades. Também é importante capacitar os profissionais de Saúde e Meio Ambiente em cursos específicos, como o Curso de Formação de Oficiais de Controle Animal (Curso Foca), além de aulas sobre educação humanitária como as oferecidas pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA). Parcerias (ONGs, empresas privadas, instituições de ensino) Considerando que as ONGs e os protetores independentes possuem poucos recursos financeiros, encontram-se sobrecarregados e exercem papel social fundamental na sua comunidade, propôs-se que o setor público estimule a criação de uma rede municipal de protetores independentes para apoiarem a adoção responsável, monitorando os animais adotados, oferecendo e cadastrando famílias que possam servir como “lares temporários” para animais resgatados de situação de risco, realizando palestras nas suas comunidades e auxiliando a cadastrar animais para a castração. A parceria do setor público com instituições de ensino é importante para a realização de mutirões de castração e estimativas populacionais, o atendimento veterinário a animais vulneráveis e trabalhos educativos destinados à comunidade na forma de projetos de extensão. Incentivar a participação de empresas privadas em projetos sociais com animais é uma importante forma de arrecadar recursos. As clínicas veterinárias da cidade devem ser incluídas nas parcerias para o MPCG, tanto sob a forma de prestação de serviços de castração como de microchipagem, atendimento de animais em risco, etc. Nos contratos que

envolvam a castração, são fundamentais as especificações quanto à anestesia a ser utilizada, ao controle da dor no período pós-cirúrgico e à utilização de método minimamente invasivo para a realização das cirurgias, pois infelizmente, no caso da anestesia, muitos veterinários ainda utilizam apenas cetamina com xilazina para a castração, o que não é cientificamente admissível há mais de 20 anos. Recolhimento seletivo, manutenção e destinação Recolhimento É preciso criar um protocolo de triagem para o recolhimento de: animais agressivos sem identificação de responsável – para isso é necessário que a equipe de campo tenha conhecimento a respeito de comportamento; animais suspeitos de portarem zoonose de relevância epidemiológica; animais em sofrimento ou vítimas de maus-tratos (após tramites educativos e legais não terem surtido efeito); animais em período fértil (cadelas em cio); fêmeas com filhotes apresentando comportamento de defesa. Após essa triagem, faz-se necessária uma avaliação clínica e, se for preciso, um atendimento realizado pela mesma equipe (no mínimo um médico veterinário) do executivo municipal ao animal em seu local de permanência. Essa avaliação precisa incluir a investigação do vínculo do animal com a comunidade local, localizando seus responsáveis e/ou cuidadores, além de essa equipe ser tecnicamente preparada para avaliar clinicamente a situação. Para exercer a atividade de recolher, manter e cuidar de animais de rua, é preciso que o município disponibilize uma farmácia básica com ecto e endoparasiticidas; pomadas antibióticas, cicatrizantes e repelentes; antibióticos injetáveis de longa duração; analgésicos injetáveis e de uso oral;

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MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO antibióticos de uso oral, equipamentos médico-veterinários e insumos (estetoscópio, termômetro, seringas, agulhas, etc.); e fazer convênio com clínicas veterinárias e instituições de ensino de medicina veterinária para a realização de atendimentos de média e alta complexidade aos animais acidentados e vítimas de maus-tratos. Manutenção Quando a comunidade pode auxiliar a cuidar do animal e ele permanece fixo em um determinado local, pois já criou vínculo com essa comunidade, a manutenção será feita em seu local de origem (para a realização de curativos e/ou administração de medicamentos, cuidados de manutenção de fêmeas com filhotes e cuidados pós-operatórios de castração). A equipe de campo deve prever o retorno e identificar na comunidade um observador/cuidador para o animal até sua recuperação, sempre realizando a sua identificação prévia por meio de microchipagem, por exemplo. Caso o animal permaneça em uma instituição pública ou privada, pode-se pensar em uma maneira de certificar essas instituições, como forma de parabenizá-las pela atitude tomada. As protetoras independentes/ONGs podem ser contatadas para oferecer lar temporário a animais acidentados e com doenças não transmissíveis que precisem de recolhimento. Em contrapartida, o município deve prover o fornecimento de medicamentos e outros insumos necessários para a manutenção dos animais no local. Com relação aos animais agressivos de alta periculosidade e de relevância epidemiológica, o setor público precisa prover espaço e equipe capacitada para avaliá-los e oferecer-lhes atividades de modulação comportamental. É necessário que os procedimentos operacionais relativos aos locais de manutenção de animais sejam padronizados, definindo etapas de triagem, cuidados médico-veterinários, cirurgias de esterilização, identificação, avaliação comportamental e prontuário com descrição dos procedimentos realizados e compor banco de dados. Dessa forma garantimos o encaminhamento de animais saudáveis e socializados para adoção. É fundamental uma casa de passagem no município, pública ou privada, para o resgate, a recuperação e a reintrodução dos animais na sociedade por meio da adoção. Destinação Primeiramente, a busca pela adoção responsável com documento próprio de responsabilização (termo de adoção) e microchipagem (registro e identificação), após a conclusão das etapas definidas em protocolos de manutenção e realizar acompanhamento pós-adoção para averiguar as condições de adaptação e a saúde dos animais. Recomenda-se a devolução de animais que tenham vínculo com a comunidade (cães comunitários) ao local de origem, após cadastrar os seus mantenedores. Os acompanhamentos a esses animais podem ser realizados por meio de 26

ações anuais de cuidado à saúde. A eutanásia também foi lembrada como uma possibilidade de destinação, porém somente para animais em sofrimento intenso, sem possibilidade de recuperação, cujo registro se faça em prontuário assinado, se possível por mais de um profissional médico veterinário que assuma a responsabilidade do procedimento, como é exigido pelo CFMV. Estimativa, monitoramento e avaliação das estratégias e registro e identificação Qualquer atividade de MPCG deve iniciar-se com o diagnóstico da situação, conhecendo pelo menos a dinâmica das populações animais. A estimativa populacional é a mais viável. É necessário o apoio de um estatístico para a definição da amostra, bem como a capacitação das pessoas que trabalharão na coleta de dados casa a casa. A identificação do animal no município é essencial para coibir o abandono ao associá-lo a um responsável, no caso do microchip. Também no manejo de gatos comunitários, a identificação por meio do corte da ponta da orelha direita para as fêmeas e da esquerda para os machos castrados é importante para que se conheça a situação reprodutiva e se evite nova captura desses animais. Bancos de dados municipais e estaduais são fundamentais para que o registro e a identificação sejam eficazes. Referências 1-INTERNATIONAL COMPANION ANIMAL MANAGEMENT COALITION. Humane dog population management guidance. ICAM, 2007. 24 p. Acessado em dezembro 2016. Disponível em < h t t p : / / w w w . i c a m coalition.org/downloads/Humane_Dog_Population_Management_ Guidance_English.pdf>. 2-FAO, WSPA. Expert meeting on dog population management. Banna, Italy: FAO/WSPA, 2011. 3-ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ. Lei 17422 de 18 de Dezembro de 2012: Dispõe sobre o controle ético da população de cães e gatos no Estado do Paraná. Diário Oficial nº. 8862 de 19 de Dezembro de 2012. Disponível em: <http://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/listarAtosAno.do?acti on=exibirImpressao&codAto=83618>. Ana Beatriz Botto de Barros da Cruz Favaro MV. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal na Universidade Estadual Paulista (UNESP) Araçatuba. ana_beatriz_botto@yahoo.com.br Paula Cristina Linder Silva - MV. Centro de informações estratégicas e ações de vigilância em saúde (CIEVS) da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (SESA/PR). paulalinder@hotmail.com Rita de Cassia Maria Garcia - MV, MSc, PhD Medicina Veterinária do Coletivo e Medicina Veterinária Legal, Departamento de Medicina Veterinária – Universidade Federal do Paraná. ritamaria@ufpr.br

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Além da castração e da redução do número de cães Contribuições da modelagem matemática para os estudos de dinâmica populacional de cães domiciliados e cães de rua

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redução ou equilíbrio da quantidade de cães de rua é condizente com a saúde pública, o bem-estar animal e a proteção do meio ambiente (saúde única). Para alcançá-la, é preciso entender o que determina essa quantidade e qual seria o efeito potencial das possíveis intervenções. A dinâmica populacional refere-se às mudanças no tamanho das populações e aos determinantes dessas mudanças 1, enquanto o manejo populacional refere-se ao conjunto de estratégias, que, ajustadas à realidade sociocultural e sanitária do local que se pretende atingir, modificam ou mantêm estável a dinâmica populacional 2. O ideal seria modificar todos os determinantes que se opõem aos objetivos de um programa de manejo populacional, fazendo com que a mudança atingisse toda a população. No entanto, os recursos necessários para alcançar esse objetivo normalmente excedem os recursos disponíveis, e essas intervenções de base populacional dificilmente têm uma cobertura integral 2. Frente à limitação de recursos, deveriam ser priorizadas as intervenções mais efetivas, ou, em outras palavras, as que modificam os determinantes mais influentes da dinâmica populacional. Embora exista um grande número de determinantes demográficos, socioeconômicos, culturais e ambientais, todos modificam a dinâmica populacional pelo efeito que exercem em outros quatro determinantes principais: natalidade, mortalidade, imigração e emigração (por exemplo, a esterilização reduz a natalidade). Com o surgimento de modelos matemáticos, tem sido possível representar a dinâmica populacional de cães para entender melhor o efeito e a relação entre determinantes, visando à identificação das intervenções mais efetivas. Modelos matemáticos podem fornecer informações que auxiliem a estimar os efeitos das estratégias de controle, como esterilização e eutanásia. O objetivo principal tem sido a construção de um modelo mais simples que responda às questões de interesse, tendo como ponto de partida habitual um modelo com poucos componentes, ao qual se acrescentam componentes adicionais, conforme a necessidade. Os modelos compartimentais são modelos matemáticos nos quais os compartimentos são subpopulações, e a relação entre as mesmas é representada por flechas indicando fluxos entre os compartimentos. Os compartimentos das populações de cães domiciliados e de cães de rua – com os fluxos referentes ao abandono e à adoção de cães, a contribuição da esterilização, das taxas vitais (natalidade e mortalidade) e de fontes externas de recrutamento, como 28

Modelos matemáticos podem fornecer informações que auxiliem a estimar os efeitos das estratégias de controle, como esterilização e eutanásia

canis comerciais e cães vindos de outros locais – podem ser representados de maneira esquemática. Modelos encontrados na literatura não são exatamente iguais a essa representação, mas seguem o mesmo raciocínio, e representam os compartimentos e flechas em sistemas de equações. Em relação às taxas vitais (natalidade e mortalidade), há modelos que as limitam considerando a capacidade de suporte 3,4,5. Recursos como o alimento, a água e o abrigo são limitados e impedem que as populações cresçam indefinidamente. Define-se como capacidade de suporte o número máximo de animais em um ambiente específico, determinado principalmente pelos recursos disponíveis 5. Conforme a quantidade de animais se aproxima da capacidade de suporte, a natalidade diminui ou a mortalidade aumenta, ou ambas ocorrem, mantendo, desse modo, o equilíbrio populacional. Nas populações de cães domiciliados, tem-se considerado que a capacidade de suporte reduz a natalidade e é determinada pela quantidade de cães com que as pessoas optam por conviver 3,4, ou seja, a capacidade de suporte seria determinada pela razão entre cães e habitantes de uma determinada localidade. Nas populações não domiciliadas, tem-se considerado que esse efeito de dependência do

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A importância de caracterizar a demografia das populações caninas, simular cenários de intervenção usando modelos matemáticos e estatísticos baseados nas próprias características da população-alvo e monitorar as intervenções implementadas

tamanho populacional aumenta a mortalidade e é determinado pela disponibilidade de recursos presentes no ambiente 4,6. Mesmo se os efeitos da capacidade de suporte forem mais complexos, as considerações mencionadas são simplificações que limitam o crescimento populacional e, ao mesmo tempo, facilitam a modelagem. Os modelos que consideram processos migratórios têm-se concentrado na imigração, entendida como recrutamento de cães de fontes externas tais como populações

de outros locais ou populações destinadas ao comércio 3,4. Nesses estudos, a emigração não tem sido incluída explicitamente, o que seria equivalente à ausência de emigração ou à consideração implícita da emigração absoluta, ou seja, depois de descontar a imigração. Nesse cenário, o abandono seria um processo de emigração na população domiciliada e de imigração na população não domiciliada; a adoção seria o processo inverso.

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Cães recolhidos pela “carrocinha” na região metropolitana de Curitiba, em 2004, sem impacto no controle populacional. A diferença entre a carrocinha e a castração tem sido que esta última mantém o animal no ambiente, equilibrando sua capacidade suporte 1. A capacidade de suporte é o maior determinante da dinâmica populacional em cães domiciliados, mas sua diminuição implicaria numa redução da coexistência entre seres humanos e cães, o que poderia ser questionável devido aos atuais benefícios dessa relação. 2. A capacidade de suporte é o maior determinante da dinâmica populacional em cães de rua, mas sua diminuição (fontes de alimento, água e abrigo) deveria ser acompanhada da redução do abandono e do aumento da adoção, para evitar que a diminuição no tamanho populacional seja por mortalidade de cães por privação de recursos. 3. O percentual de cães castrados, e não o total de cães, parece ser o melhor indicador do efeito populacional da castração. Conclusões importantes, tendo por base o estudo no município de Votorantim, SP 4

A modelagem tem mostrado o modo pelo qual a imigração dilui o efeito de intervenções de manejo populacional, especialmente no caso do abandono, quando o tamanho da população de cães de rua equivale a uma pequena fração da população domiciliada. Nessa situação, os efeitos das taxas de adoção e esterilização de 1% na população de cães de rua chegam a ser revertidos por uma taxa de abandono de 1%, pois, em termos absolutos, o número de cães que entram é maior do que o que sai 4. Se somarmos a isso o pressuposto de que a população de cães de rua tende à extinção, porque a mortalidade induzida pelas condições de rua não é compensada pela natalidade, o abandono, além de 30

Esquema de compartimentos das populações de cães domiciliados e cães de rua, com os fluxos referentes ao abandono de cães domiciliados, à adoção de cães abandonados, à esterilização de cães, às taxas de natalidade e mortalidade e à contribuição de fontes externas, como canis comerciais e cães vindos de outras localidades

ser problemático pelo seu efeito diluente, é o fator determinante que sustenta a existência de cães de rua. Voltando à necessidade de priorizar intervenções, quais são os parâmetros mais influentes? Em um modelo proposto recentemente 4, incluíram-se outros parâmetros além das taxas vitais e da migração, em uma população com estrutura de sexos na qual as taxas vitais e de esterilização eram diferentes para as fêmeas e os machos. A esse modelo se aplicou uma análise de sensibilidade para quantificar o efeito que perturbações no valor dos parâmetros produzem na dinâmica populacional, obtendo-se, assim, uma medida da influência de cada parâmetro. Ao usar esse modelo para simular taxas estimadas nos municípios de Votorantim/SP 4 e Campinas/SP 7, apesar do resultado não ter sido igual nos dois municípios, em ambos os casos a capacidade de suporte foi o parâmetro mais influente. Embora a capacidade de suporte seja o maior determinante da dinâmica populacional, a priorização de intervenções para diminuição da população domiciliada implicaria numa redução da coexistência entre humanos e cães. Isso não só pode ser difícil de conseguir como também é questionável, devido aos benefícios mútuos derivados dessa coexistência 8. Pelo contrário, a priorização da redução da capacidade de suporte (fontes de alimento a abrigo) pode ser conveniente na população não domiciliada, mas associada à redução do abandono e ao aumento da adoção, para

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MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO evitar que a mortalidade por falta de recursos seja a causa da diminuição do tamanho populacional. Além da influência da imigração e, em especial, do abandono, os estudos realizados em Votorantim e Campinas mostram que a esterilização é um parâmetro influente cujos efeitos são mais notáveis quando avaliados na dinâmica dos animais esterilizados. Isso levanta duas questões que não devem ser ignoradas. Em primeiro lugar, se os efeitos da esterilização forem avaliados apenas pelas mudanças no tamanho do total da população, o efeito dessa intervenção será subestimado. Em segundo lugar, o efeito esperado da esterilização deve ser, principalmente, o aumento da fração populacional estéril, não o decréscimo da população domiciliada, pois a quantidade de cães nos domicílios está determinada pelas pessoas que optaram em conviver com eles. Assim, quando essa opção se mantém inalterada, a redução populacional causada pela esterilização tende a ser compensada por outros mecanismos, como a aquisição de fontes externas. O estudo de Campinas mostrou ainda que, apesar do potencial da esterilização, seus efeitos são diluídos no tempo quando ela é aplicada uma única vez. Mesmo em uma população de cães domiciliados em que não haja a aquisição de animais de fontes externas, os efeitos de campanhas de esterilização podem não ser observados de imediato, demorando para serem notados 3. Concluindo, quando a população de cães de rua equivale a uma pequena fração da população domiciliada, os modelos matemáticos citados sugerem que intervenções voltadas aos cães domiciliados são as mais eficientes para diminuir a quantidade de cães nas ruas, e as intervenções concentradas nos próprios cães de rua são complementares. Nessa população de cães de rua, o principal alvo da intervenção deve ser a redução da capacidade de suporte, mas sempre acompanhada da prevenção do abandono e da promoção da adoção. Quanto à esterilização de cães domiciliados, o efeito deve ser mensurado em termos da proporção de cães férteis. Contudo, tais conclusões não são necessariamente aplicáveis em todas as situações, pois se sabe que a realidade não é homogênea, e a estratégia mais adequada pode variar de local para local e até em um mesmo local ao longo do tempo. Daí a importância de caracterizar a demografia das populações caninas alvo de intervenção, de simular cenários de intervenção usando modelos matemáticos e estatísticos baseados nas próprias características da populaçãoalvo e de monitorar as intervenções implementadas 2,9. Referências 1-SKALSKI, J. R. ; RYDING, K. E. ; MILLSPAUGH, J. J. Wildlife demography: analysis of sex, age, and count data. 1. ed. San Diego: Elsevier Academic Press, 2005. 656 p. ISBN: 978-0120887736. Retrieved from http://books.google.com.br/books/about/Wildlife_Demography.ht ml?id=Jp_FzZkKKB4C&pgis=1. 2-BAQUERO, O. S. Manejo populacional de cães e gatos: métodos

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quantitativos para caracterizar populações, identificar prioridades e estabelecer indicadores. 2015. 87 f. Tese (Doutorado em Ciências) – Faculade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. 3-AMAKU, M. ; DIAS, R. A. ; FERREIRA, F. Dinâmica populacional canina: potenciais efeitos de campanhas de esterilização. Revista Panamericana de Salud Pública, v. 25, n. 4,(4), p. 300-304, 2009. doi: 10.1590/S1020-49892009000400003. 4-BAQUERO, O. S. ; AKAMINE, L. A. ; AMAKU, M. ; FERREIRA, F. Defining priorities for dog population management through mathematical modeling. Preventive Veterinary Medicine, v. 123, n. 1, p. 121-127, 2016. doi: http://doi.org/10.1016/j.prevetmed.2015.11.009. 5-GOTELLI, N. J. A primer of ecology. 4. ed. Sunderland: Sinauer Associates, 2008. 290 p. ISBN: 978-0878933181. 6-AMAKU, M. ; DIAS, R. A. ; FERREIRA, F. Dynamics and control of stray dog populations. Mathematical Population Studies, v. 17, n. 2, p. 69-78, 2010. doi: http://doi.org/10.1080/08898481003689452. 7-DIAS, R. A. ; BAQUERO, O. S. ; GUILLOUX, A. G. A. ; MORETTI, C. F. ; DE LUCCA, T. ; RODRIGUES, R. C. A. ; CASTAGNA, C. L. ; PRESOTTO, D. ; KRONITZKY, Y. C. ; GRISI-FILHO, J. H. H. ; FERREIRA, F. ; AMAKU, M. Dog and cat management through sterilization: Implications for population dynamics and veterinary public policies. Preventive Veterinary Medicine, v. 122, n. 1-2, p. 154-163, 2015. doi: http://doi.org/10.1016/j.prevetmed.2015.10.004. 8-PODBERSCEK, A. L. Positive and negative aspects of our relationship with companion animals. Veterinary Research Communications, v. 30, n. 1, p. 21-27, 2006. doi: http://doi.org/10.1007/s11259-006-0005-0. 9-GARCIA, R. C. M. ; CALDERÓN, N. ; FERREIRA, F. Consolidação de diretrizes internacionais de manejo de populações caninas em áreas urbanas e proposta de indicadores para seu gerenciamento. Revista Panamericana de Salud Pública, v. 32, n. 2, p. 140-144, 2012. Retrieved from http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v32n2/v32n2a08.pdf

Oswaldo Santos Baquero - MV, PhD. Laboratório de Epidemiologia e Bioestatística, Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo. baquero@usp.br

Marcos Amaku - físico, MSc, PhD. Laboratório de Epidemiologia e Bioestatística, Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo. amaku@vps.fmvz.usp.br

Alexander Welker Biondo - MV, MSc, PhD Professor de Zoonoses e Medicina Veterinária do Coletivo do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Paraná. abiondo@ufpr.br

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Ortopedia Tratamento de fratura bilateral de diáfise femoral em um cão utilizando pinos intramedulares e cerclagem – relato de caso Surgical treatment of bilateral fracture of the femoral diaphysis in a dog using intramedullary pins and cerclage – case report Tratamiento de una fractura bilateral de diáfisis femoral con clavos intramedulares y cerclaje en perro – relato de caso Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, p. 36-44, 2017

Sayonara da Luz Ferro Médica Veterinária Hospital Veterinário Florianópolis Sayonara_lf@hotmail.com

Ewerton Cardoso MV, Msc., prof. Centro Universitário Unibave Hospital Veterinário Florianópolis binhomv@bol.com.br

Fernanda Jönck MV, dra. Hospital Veterinário Florianópolis fejonck@gmail.com

Marta Cristina Thomas Heckler MV, dra. Hospital Veterinário Florianópolis m_cth@yahoo.com.br

Bruna Warmling Médica veterinária Hospital Veterinário Florianópolis bruna.warmling@gmail.com

Resumo: A fratura é definida como a interrupção da continuidade óssea, sendo uma afecção bastante comum na clínica de pequenos animais. Suas causas são muito variadas e o diagnóstico é geralmente obtido no exame clínico e pelas radiografias, as quais trazem informações fundamentais em relação ao tipo e complexidade da fratura. De modo geral, para o tratamento da fratura de ossos longos, são indicadas a redução aberta e a fixação interna, podendo-se associá-las com outros métodos secundários quando houver instabilidade. No presente trabalho relata-se o caso de um cão macho, sem raça definida, de cinco meses de idade, atendido em uma clínica veterinária particular do município de Criciúma, SC, com fratura bilateral de diáfise femoral decorrente de um trauma automobilístico. Devido às características desse tipo de fratura, o paciente em questão foi submetido à cirurgia de osteossíntese femoral usando-se pinos intramedulares múltiplos, associados com cerclagem, como método de estabilização. A técnica mostrou-se eficiente para estabilizar a fratura, sem apresentar complicações pós-operatórias no paciente. Unitermos: cirurgia, ortopedia, osteossíntese femoral Abstract: Fractures are interruptions in bone continuity of frequent occurrence in small animal clinics. Causes vary widely and diagnosis is usually obtained during clinical examination and by means of radiography, which provide fundamental information regarding the type and complexity of the fracture. Long bone fractures are generally treated by open reduction and internal fixation; secondary methods may be associated in case of instability. The present study reports the case of a 5-month-old male mongrel dog with bilateral fracture of the femoral diaphysis caused by a car accident. The animal was attended at a private veterinary clinic in the city of Criciúma, SC, where it underwent surgery. Femoral osteosynthesis was obtained by means of multiple intramedullary pins associated with cerclage as a stabilization method, which was needed due to the characteristics of the fracture. The technique proved efficient to stabilize the fracture, without postoperative complications. Keywords: surgery, orthopedics, femoral osteosynthesis Resumen: Enfermedad bastante frecuente en pequeños animales, las fracturas se definen como una interrupción en la continuidad ósea. Sus causas son muy variadas y generalmente el diagnostico se obtiene por examen clínico y radiografías, que aportan datos fundamentales en cuanto al tipo y complejidad de la fractura. En términos generales, la indicación para fracturas de huesos largos es la reducción abierta y fijación interna, pudiendo estar asociadas con otros métodos secundarios en casos de inestabilidad. En este trabajo se relata el caso de un perro mestizo de cinco meses que fue atendido en una clínica particular del municipio de Criciúma – estado de Santa Catarina, Brasil – que presentó una fractura bilateral de diáfisis femoral como consecuencia de un accidente automovilístico. Dadas las características de la fractura, la osteosíntesis femoral se realizó con clavos intramedulares múltiples y cerclaje a fin de estabilizar el foco de fractura. La técnica se mostró eficiente, sin complicaciones postoperatorias. Palabras clave: cirugía, ortopedia, osteosíntesis femoral

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Introdução A fratura consiste essencialmente na perda da continuidade óssea, com ou sem deslocamento dos fragmentos fraturados 1-3. Além da perda da continuidade óssea, podem ocorrer diversos danos, conforme a origem do trauma e o tipo e o local da fratura, como trauma de tecidos moles, rompimento de vasos, lesão muscular, lesão neurológica, entre outros 1,3,4. De modo geral, na rotina da clínica cirúrgica de pequenos animais, as afecções ortopédicas correspondem a aproximadamente 33% dos atendimentos, com destaque para as fraturas de ossos longos (45% de todos os tipos de fraturas). Dentre os ossos longos, as fraturas de fêmur representam 20 a 26%, sendo a região diafisária a mais comumente afetada 2,5-10. Embora sua etiologia seja ampla, os acidentes automobilísticos correspondem a aproximadamente 80% dos casos em pequenos animais 2,8,10-12. De modo geral, a faixa etária mais acometida por fraturas são os animais imaturos com menos de seis meses. Esse fator é justificado pelo comportamento agitado dos animais jovens e pelo fato de os ossos imaturos terem uma elasticidade limitada, serem menos rígidos e possuírem

uma resistência menor, em comparação aos ossos de um animal adulto 11. Os exames radiográficos com, no mínimo, duas projeções radiográficas são amplamente utilizados para o diagnóstico, pois trazem informações fundamentais com relação à presença, à localização, ao tipo e à complexidade das fraturas, além de fornecerem informações para planejar sua redução e estabilização. Além disso também permitem avaliar posteriormente a consolidação óssea 2,4,13,14. De modo geral, o reparo das fraturas se divide em três categorias: a técnica fechada com apoio externo, técnica por fixação interna e técnica de fixação interna com apoio externo secundário 2,6,11,15. A escolha do método de fixação a ser utilizado baseia-se em certos fatores, como tipo e localização da fratura, idade e temperamento do animal, experiência do cirurgião e condições econômicas do proprietário 6,16-18. A técnica de redução e estabilização da fratura deve ter como finalidade o reposicionamento anatômico dos fragmentos ósseos e a restauração do alinhamento ósseo, além de proporcionar o retorno da função normal do membro 2,5,6.

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Cardiologia Estudo retrospectivo da prevalência de cardiopatias em cães Retrospective study of the prevalence of heart diseases in dogs Estudio retrospectivo de la prevalencia de las cardiopatías en perros Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, p. 46-54, 2017 Antenor de Araújo Bueno Neto

Resumo: O presente estudo retrospectivo teve como objetivo analisar a frequência das principais cardiopatias em cães atendidos na região de Bauru. Foi avaliada mediante exame ecocardiográfico uma população de 466 cães encaminhados para um centro de derivação, composta por 285 fêmeas e 181 machos, durante o período de 1 de janeiro de 2014 a 31 de julho de 2015. Foram considerados fatores como raça, idade e sexo. A doença valvar foi a cardiopatia de maior prevalência, seguida de hipertensão pulmonar. O aumento de meios de diagnóstico complementares na prática da clínica médica tem permitido maiores possibilidades de diagnóstico de cardiopatias na medicina veterinária. Unitermos: ecocardiograma, hipertensão pulmonar, valva mitral

Médico veterinário Faculdades Integradas de Ourinhos antenorbuenoneto@hotmail.com

Yan Augusto Gomes Silva Aluno de graduação CMV/FIO yanmedvetfio@gmail.com

Jacqueline Satomi Tho

Abstract: This work aimed to analyze the frequency of the main cardiopathies in dogs treated in the region of Bauru, SP, Brazil. A population of 466 dogs (285 females and 181 males) referred to a veterinary cardiology center from January 1st, 2014 to July 31st, 2015 was evaluated by echocardiographic examination. Factors such as race, age and sex were considered. Valvular disease was the most prevalent heart condition, followed by pulmonary hypertension. The increase in complementary diagnostic methods in the clinical practice has increased the possibility of diagnosis of cardiopathies in veterinary medicine. Keywords: echocardiogram, pulmonary hypertension, mitral valve

aluna de graduação CMV/FIO jacquelinestho@gmail.com

Camila Gasparotto Fernandes Aluna de graduação CMV/FIO gasparottocamila52@gmail.com

Felipe Gazza Romão MV, mestre, prof. Faculdades Integradas de Ourinhos fgazza_vet@hotmail.com

Beatriz Perez Floriano MV, mestre, dra., profa. Faculdades Integradas de Ourinhos biapflor@gmail.com

Luciene Maria Martinello Romão

Resumen: Este trabajo retrospectivo tuvo como objetivo analizar la frecuencia de las principales cardiopatías en perros atendidos en la región de Bauru, SP, Brasil. Fueron analizados un total de 466 perros (285 hembras y 181 machos) derivados a un centro de atención cardiológica veterinaria mediante examen ecocardiográfico entre el 1 de enero de 2014 y el 31 de julio de 2015. Se tuvieron en cuenta ciertos factores como raza, edad y sexo. La enfermedad valvular fue la cardiopatía con mayor prevalencia, seguida de la hipertensión pulmonar. La llegada de nuevos métodos de diagnóstico ha permitido un aumento en la detección de ciertas cardiopatías en medicina veterinaria. Palabras clave: ecocardiograma, hipertensión pulmonar, valva mitral

Medica veterinária HV Roque Quagliato - FIO lucienemartinello@hotmail.com

Introdução O aumento da disponibilidade de meios de diagnóstico complementares na prática da clínica médica torna cada vez mais importante o diagnóstico de cardiopatias na medicina veterinária. As enfermidades cardíacas adquiridas são mais prevalentes em relação às cardiopatias congênitas, que em geral ocorrem em menor número nos cães 1. A insuficiência da valva mitral é a mais comumente diagnosticada nos caninos, com uma prevalência de 75% a 80% dos casos, em relação ao restante das doenças. As alterações cardíacas podem ser diagnosticadas e categorizadas por meio de uma correta anamnese, de exame clínico minucioso ou com o auxílio de alguns exames 46

complementares, como: eletrocardiograma, radiografia torácica, pressão arterial por métodos invasivos e não invasivos, Holter, análise sanguínea (alterações dos valores de marcadores cardíacos de creatina-quinase [CKMB] e troponinas cardíacas) e, principalmente, ecocardiografia. A idade interfere diretamente na prevalência e na gravidade da degeneração valvar nos cães. O passar dos anos pode levar a alterações das fibras de colágeno, com possibilidade de redução da capacidade da valva de resistir às forças mecânicas durante a sístole, o que pode levar a alterações na sua abertura e no seu fechamento. Além disso, o traumatismo contínuo nas válvulas pode alterar as fibras de colágeno e resultar em uma lesão degenerativa 2.

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Em um estudo realizado em cães pastores-alemães, foi comprovado que a degeneração valvular acomete a valva mitral isoladamente em 62% dos casos, podendo ocorrer ao mesmo tempo nela e na valva tricúspide em 33% deles 3. Nesse estudo relata-se maior frequência nos machos, sendo as raças de pequeno porte e miniaturas mais acometidas. A doença mixomatosa da valva mitral (DMVM) tem sido apontada como um fator predisponente para o desenvolvimento da hipertensão pulmonar em cães, uma vez que é uma das doenças cardíacas mais frequentes nesses animais; o regurgitamento da valva mitral leva ao aumento da pressão arterial, sendo essa uma das causas de hipertensão pulmonar 4. A hipertensão pulmonar pode ser primária (idiopática) ou secundária a anormalidades pulmonares ou do sistema cardiovascular 5. As alterações congênitas representam a principal causa de morbidade e mortalidade por alteração cardíaca nos filhotes e em animais jovens 6. Diversas doenças de origem oncológica podem atingir o coração, dentre elas: carcinoma, linfoma, hemangiossarcoma, fibrossarcoma, rabdomiossarcoma, melanoma, mastocitoma, feocromocitoma e histiocitose maligna disseminada. As efusões pericárdicas podem estar associadas

a processos inflamatórios agudos secundários a um derrame pericárdico idiopático, presença de corpo estranho, neoplasia ou algum agente infeccioso 2. As alterações cardíacas podem ser classificadas de acordo com as estruturas anatômicas envolvidas, sinais clínicos e tempo de evolução em doenças pericárdicas, neoplasias cardíacas, doenças valvares, miocardiopatias e vasculopatias 7. Dentre os vários métodos de diagnóstico das cardiopatias, o exame que tem sido mais utilizado na clínica médica de pequenos animais, por ser um método dinâmico e não invasivo de avaliação, é a ecocardiografia. Essa técnica proporciona uma visualização direta das câmaras cardíacas, permitindo uma avaliação da relação espacial entre as estruturas e caracterizar os fluxos sanguíneos e movimentos cardíacos 8. É de fundamental importância para o clínico de pequenos animais o conhecimento da prevalência das afecções cardíacas em cães, já que facilita o estabelecimento de um plano terapêutico correto e auxilia no diagnóstico diferencial 9. Assim, por meio de estudo retrospectivo, o objetivo deste trabalho foi expor a frequência das principais cardiopatias diagnosticadas com o auxílio do ecocardiograma em cães atendidos na região de Bauru, estado de São Paulo.

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Clínica Valores hematológicos de filhotes de papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) apreendidos do tráfico Hematologic values of blue-fronted Amazon parrot (Amazona aestiva) nestlings seized from illegal trade Valores hematológicos de crías de amazonas de frente azul (Amazona aestiva) incautadas en el comercio ilegal Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, p. 56-62, 2017

Frederico Fontanelli Vaz MV, aluno de doutorado Depto. Patologia, FMVZ/USP fredfontanelli@yahoo.com.br

Nara Teodoro Pontes Bióloga, fiscal ambiental, coordenadora CRAS/IMASUL/MS narapontes@uol.com.br

Claudia Regina M. Coutinho Netto MV, fiscal ambiental CRAS/IMASUL/MS ccoutinhonetto@gmail.com

Lucas Bezerra da Silva Azuaga Médico veterinário CRAS/IMASUL/MS lucasazuaga@gmail.com

Gláucia Helena Fernandes Seixas Zootecnista, coordenadora Projeto Papagaio-verdadeiro, Fundação Neotrópica do Brasil glaucia@fundacaoneotropica.org.br

Tânia de Freitas Raso MV, dra., profa. Depto. Patologia, FMVZ/USP tfraso@usp.br

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Resumo: O papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) é a espécie de psitacídeo que mais sofre com o comércio ilegal de animais silvestres no Brasil, sendo submetido a intenso estresse durante esse processo. Neste estudo, foram determinados valores hematológicos para avaliar a condição geral de saúde de 27 filhotes de A. aestiva oriundos do tráfico e encaminhados ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Campo Grande, MS. Foram utilizadas técnicas convencionais para as análises hematológicas, sendo observadas as seguintes médias: contagem de eritrócitos, 2,3 x 10 6/µL; contagem de leucócitos, 11,1 x 10 3/µL; heterófilos, 6,6 x 10 3/µL; linfócitos, 4,3 x 10 3/µL; eosinófilos, 0; basófilos, 0,1 x 10 3/µL; monócitos, 0,1 x 10 3/µL, e relação heterófilo/linfócito, 1,6. Os valores encontrados dão suporte a futuras avaliações clínicas em filhotes de A. aestiva mantidos como animais de estimação ou mesmo em condições de vida livre. Unitermos: psitacídeos, hematologia, hemograma Abstract: The blue-fronted Amazon parrot (Amazona aestiva) is a psittacine species that suffers greatly from the illegal wildlife trade in Brazil, being subjected to severe stress during this process. In this study, hematologic values were determined to evaluate the general health condition of 27 A. aestiva nestlings seized from illegal trade and sent to the wildlife rehabilitation center of Campo Grande. Conventional techniques were performed for hematological analysis, and the following means were observed: red blood cell count, 2.3 x 106/µL; white blood cell count, 11.1 x 103/µL; heterophils, 6.6 x 103/µL; lymphocytes, 4.3 x 103/µL; eosinophils, 0; basophils, 0.1 x 103/µL; and monocytes, 0.1 x 103/µL. Heterophil:lymphocyte ratio was 1.6. These values support future clinical assesments on A. aestiva nestlings kept as pets or even in free-living conditions. Keywords: psittacine birds, hematology, blood cell count Resumen: El loro (Amazona aestiva) es el psitácido más comercializado en el tráfico ilegal de animales silvestres en Brasil, proceso en el que sufre un severo stress. En este trabajo se determinaron los valores hematológicos a fin de establecer la condición general de 27 pichones de A. aestiva que habían sido capturados del tráfico, y que fueron derivados al Centro de Rehabilitación de Animales Silvestres de Campo Grande, MS, Brasil. Se utilizaron técnicas convencionales de hematología, siendo observados los siguientes valores medios: eritrocitos 2,3 x 106/µL; leucocitos 11,1 x 103/µL; heterófilos 6,6 x 103/µL; linfocitos 4,3 x 103/µL; eosinófilos 0; basófilos 0,1 x 103/µL; monocitos 0,1 x 103/µL, y relación heterófilo/linfocito 1,6. Los valores permiten establecer una base para futuras evaluaciones clínicas en pichones de A. aestiva, tanto aquellos considerados como animales de compañía, como las aves de vida libre. Palabras clave: psitácidos, hematología, hemograma

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Introdução O Brasil é o país com a terceira maior diversidade de aves do mundo, tendo 1.919 espécies reconhecidas pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos 1. Infelizmente, está na primeira posição quando se trata de espécies ameaçadas (n = 169), sendo a família dos psitacídeos a que apresenta o maior número de espécies nessa lista 2. A perda e a fragmentação dos ambientes, associadas à retirada de filhotes da natureza para abastecer o comércio ilegal, são as principais ameaças às aves brasileiras 3. O tráfico de animais silvestres é considerado crime ambiental no Brasil, e os infratores são punidos com detenção e multa, conforme definições nas Leis n. 5.197/67 e 9.605/98 e no Decreto n. 6.514/08, que necessitam de aperfeiçoamento para contribuírem ainda mais com a conservação da fauna nativa 4. O papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) é uma espécie que sofre forte pressão do tráfico de animais silvestres, devido principalmente ao seu padrão de cor exuberante, a sua sociabilidade e à habilidade de reproduzir a voz humana. Além dessa ameaça, seu habitat natural tem sido intensamente alterado em decorrência da expansão urbana e de atividades econômicas na área rural 5-7. Sua ampla distribuição natural inclui parte das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, além de leste da Bolívia, sul do Paraguai e norte da Argentina 6. O Amazona aestiva está incluído no apêndice II da Convenção Internacional para o Comércio da Fauna e Flora e não se encontra ameaçado de extinção 7. Contudo, no estado do Mato Grosso do Sul (MS), desde 1988 mais de 9 mil filhotes dessa espécie foram capturados para abastecer o comércio ilegal, dentro e fora do Brasil, sendo encaminhados ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), vinculado ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), em Campo Grande, MS (Nara Pontes, 2016, comunicação pessoal). Esse número de

papagaios, no entanto, representa apenas uma pequena porção do total retirado da natureza. Devido à intensa captura de animais, aliada à falta de informações sobre a espécie, em 1997 alguns especialistas criaram o Projeto Papagaio-verdadeiro, inicialmente executado pelo Cras/Imasul/MS até 2004, e, desde então, pela ONG ambientalista do MS, Fundação Neotrópica do Brasil. O projeto tem por objetivo conhecer a biologia e a ecologia da espécie e a interação com os ambientes onde vive, além de propor ações para conservar a espécie e seu ambiente e coibir a exploração ilegal 8,9. O papagaio-verdadeiro passou a ser considerado “espécie-bandeira” para proteção dos papagaios e de seus ambientes, não só no Mato Grosso do Sul, mas em todo o Brasil. As ações de pesquisa têm destaque na atuação do projeto, que aborda a biologia reprodutiva do papagaio (Figura 1), o uso da radiotelemetria para monitorar filhotes, a flutuação das populações em dormitórios coletivos, a dieta e a abundância da espécie em diferentes ambientes (Figura 2). Também se destacam as atividades ligadas à educação para a conservação, os subsídios para políticas públicas e o fomento para proteção de ambientes 7,8,10. Em decorrência das sucessivas apreensões de papagaios-verdadeiros e da destinação aos centros de triagem (Cetas) e reabilitação (Cras) de todo o Brasil, a espécie tem sido muito frequente nesse tipo de instituição 11. Quando submetidos ao intenso estresse que a captura, o transporte e o comércio ilegal promovem, sua suscetibilidade às infecções aumenta 12, e a avaliação do seu status sanitário se torna imprescindível. Para isso, uma das técnicas mais simples e menos invasivas que pode ser utilizada é o hemograma 13. A mensuração de valores hematológicos para filhotes de papagaio-verdadeiro ainda não foi reportada na literatura, e pode contribuir com o atendimento clínico-veterinário. Desse modo, o objetivo deste Jaire Marinho /Projeto papagaio-verdadeiro/FNB

Jaire Marinho /Projeto papagaio-verdadeiro/FNB

Figura 1 – Papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) adultos na entrada de ninho natural, Pantanal, MS

Figura 2 – Monitoramento da dieta de papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) em vida livre no Pantanal, MS

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Cirurgia Ureterocele ortotópica em cadela (Canis familiaris) – relato de caso Orthotopic ureterocele in bitch (Canis familiaris) – a case report Ureterocele ortotópico en perra (Canis familiaris) – relato de caso Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, p. 64-72, 2017

Iara Oliveira Valério dos Santos MV, aluna de mestrado UFRRJ iara.ovs@gmail.com

Heloisa Justen Moreira de Souza MV, dra., profa., adj. Depo. Clínica Cirúrgica Vet. - UFRRJ heloisajusten@yahoo.com.br

Ricardo Siqueira da Silva MV, dr., prof. adj. Depo. Clínica Cirúrgica Vet. - UFRRJ ricardinho.vet@hotmail.com

Resumo: A ureterocele é uma dilatação da porção final do ureter decorrente de falha embriológica sem causa ainda definida. Foi atendida uma cadela da raça poodle de três meses de idade com queixa de incontinência urinária. Os exames de imagem foram os responsáveis pelo fechamento do diagnóstico, sendo visualizada uma dilatação cística intravesical. A técnica cirúrgica utilizada foi a ressecção da ureterocele com marsupialização das bordas, obtendo-se remissão completa dos sinais clínicos dois meses após a cirurgia. Aos dois anos de idade, a cadela permanece continente. Unitermos: anomalia congênita, sistema urinário, incontinência urinária, ureter, dilatação Abstract: Ureterocele is a dilation of the final portion of the ureter, which results from an embryological failure of unknown cause. This article describes the case of a three-month-old female poodle with complaints of urinary incontinence. Imaging exams helped establish the diagnosis by disclosing an orthotopic cystic dilation. The surgical technique employed to treat the condition was resection of the ureterocele with marsupialization of the edges. Complete remission of clinical signs was achieved two months post-surgery; the dog remains continent two years after the procedure. Keywords: congenital anomaly, urinary system, urinary incontinence, ureter, dilation Resumen: El ureterocele es una dilatación de la porción final del uréter provocado por una falla en su desarrollo embriológico, cuya causa aún no ha sido definida. Se atendió una perra Caniche de tres meses con cuadro de incontinencia urinaria. Los exámenes de imagen, a través de los cuales se pudo llegar al diagnóstico de la enfermedad, permitieron comprobar la presencia de una dilatación quística en el lumen vesical. En la cirugía se realizó la resección del ureterocele y marsupialización de los bordes; dos meses después de realizada la cirugía, el paciente no presentaba cuadros de incontinencia. A los dos años de edad, la perra permanece sin síntomas. Palabras clave: anomalía congénita, sistema urinario, incontinencia urinaria, uréter, dilatación

Introdução A ureterocele é definida como uma anomalia congênita do ureter que provoca a dilatação do segmento submucoso da porção distal 1. Também é chamada de dilatação cística da extremidade inferior do ureter, por conta do seu aspecto macroscópico 2,3. A dilatação intravesical do ureter está coberta externamente pela mucosa vesical e internamente pela mucosa ureteral 1,4. A prevalência da dilatação é maior em fêmeas 1. Em machos há menor incidência e diagnóstico tardio 5. Poucos 64

casos de ureterocele canina foram relatadas para determinar predisposições de raça e grau de hereditariedade 6. A presença dessa enfermidade eventualmente está associada ao ureter ectópico, sendo descrita em cães das raças terranova, poodle, labrador retriever, huskie siberiano e principalmente animais sem raça definida 1,6. A má-formação ureteral pode ser intravesical ou ocorrer em uma posição anormal, associada ao ureter ectópico 1,3. Tal afecção pode ser classificada como ureterocele ortotópica intravesical caso o ureter esteja implantado em

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sua posição anatômica normal, ou ectópica se o ureter tem desembocadura em um local qualquer, à exceção do trígono vesical 1. A etiologia da ureterocele ainda é desconhecida 5. Diversos mecanismos foram propostos, dentre eles: 1) a fusão retardada entre o canal metanéfrico e o sínus urogenital 1; 2) parada durante a mitose do ureter distal no momento da embriogênese; 3) anomalia congênita dos tecidos conjuntivos ureterais 5; 4) dilatação ureteral secundária à obstrução causada por estenose do orifício ureteral; 5) migração ureteral tardia, resultando na falta de musculatura superficial do ureter 6. A teoria mais aceita tem por base a reabsorção incompleta da membrana de Chwalla, estrutura essa que fecha o ureter até que se inicie a secreção renal 2,6,10,11,12. As ureteroceles são classificadas de acordo com a localização, conformação e associação a outras anormalidades anatômicas 6. Podem ter uma terminação cega ou aberturas estenóticas no lúmen da bexiga 6. Outras se estendem para o colo da bexiga ou se prolongam para além do esfíncter uretral, desembocando na uretra 4,10. O ureter tam-

bém pode desembocar na vagina, no colo do útero ou no útero; a razão desse tipo de ocorrência é menos clara, já que essas estruturas são originárias do ducto de Müller 1,5. Há predomínio no lado esquerdo, sendo incomum a ocorrência de forma bilateral 2. Os sinais clínicos dependem da localização, do tamanho e da progressão da ureterocele 6. Os animais podem apresentar incontinência urinária intermitente noturna ou permanente, infecções urinárias crônicas, disúria, estrangúria, hematúria e obstrução urinária, sendo alguns casos assintomáticos 1,6,8,13. As enfermidades congênitas dos ureteres são mais frequentes em fêmeas 14. A observação de dermatites e eritemas perineais são frequentes no exame físico 15. A incompetência congênita do esfíncter da uretra e o ureter ectópico são anomalias congênitas que podem estar associadas e são capazes de causar incontinência urinária 1,7. Apresentam um amplo leque de variações anatômicas, podendo ocorrer isoladamente ou em conjunto com outras anormalidades, justificando uma avaliação pré-operatória minuciosa 5 (Figura 1).

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Clínica Bronquite crônica canina – revisão Canine chronic bronchitis – a review Bronquitis crónica canina – revisión Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, p. 74-80, 2017

Paulo Eduardo Ferian MV, prof. adj. Depto. Clín. Méd. Peq. Animais – Udesc pauloeduferian@yahoo.com.br

Marília Gabriela Luciani MV, residente Udesc marilia_luciani@hotmail.com

Resumo: A bronquite crônica canina (BCC) é considerada uma das doenças respiratórias mais comuns em cães. Ela é caracterizada por tosse crônica e progressiva, com comprometimento da qualidade de vida do paciente. A enfermidade é causada por um processo inflamatório de origem desconhecida, sendo mais comumente observada em cães adultos a idosos de raças de pequeno porte. Casos graves da enfermidade são caracterizados por importantes alterações estruturais das vias aéreas e podem evoluir para insuficiência respiratória e óbito. A despeito disso, as informações disponíveis na literatura sobre a moléstia são extremamente limitadas, e o tratamento preconizado, baseado em poucas evidências científicas consistentes. O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão da literatura sobre o tema, abordando os aspectos de etiopatogenia, sinais clínicos, exames subsidiários e tratamento da BCC. Unitermos: cão, tosse, inflamação, brônquios Abstract: Canine Chronic Bronchitis (CCB) is considered to be one of the most common chronic respiratory diseases of dogs. The hallmark of CCB is chronic and progressive cough that leads to poor life quality of the dog. Severe cases may progress to respiratory insufficiency and death. The cause is an inflammatory process of unknown origin. The disease is most common in adult and older dogs of small animal breeds. In severe cases, this chronic inflammatory process progresses to irreversible structural changes in the airways, resulting in respiratory failure. Despite this, information about the disease is extremely limited in the literature, and the recommended treatment is based on poor scientific evidence. Thus, the aim of this study is to review the subject and describe the etiology, pathophysiology, clinical features, complementary diagnosis and treatment of CCB. Keywords: dog, cough, inflammation, bronchi Resumen: La Bronquitis Crónica Canina (BCC) es considerada una de las enfermedades respiratorias más comunes en perros. Se caracteriza por la presencia de tos crónica y progresiva y afecta la calidad de vida del paciente. La enfermedad es provocada por un proceso inflamatorio de origen desconocido, y se la observa más en perros de edad media/avanzada de razas pequeñas. Los casos graves se caracterizan por alteraciones importantes en la estructura de las vías aéreas, que pueden progresar hasta la insuficiencia respiratoria y muerte. La información disponible en la literatura es limitada y el tratamiento se fundamenta en pocas evidencias científicas consistentes. El objetivo del presente trabajo fue realizar una revisión de la literatura sobre el asunto, abordando la etiopatogenia, los signos clínicos, los exámenes complementarios y el tratamiento de la BCC. Palabras clave: perros, tos, inflamación, bronquios

Introdução De causa desconhecida, a bronquite crônica canina (BCC) é uma enfermidade caracterizada por inflamação crônica e progressiva dos brônquios, traduzindo-se clinicamente em tosse persistente e podendo progredir para insuficiência respiratória 1,2. A primeira descrição da doença foi feita em um estudo de 1974 3, no qual foram relatadas as alterações clínicas e patológicas em uma série 74

de 26 cães com BCC. Embora seja considerada uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns em cães, as informações disponíveis na literatura são bastante limitadas 1. O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão de literatura sobre a enfermidade, avaliando aspectos da etiopatogenia, características clínicas, exames subsidiários e terapêutica dessa importante enfermidade respiratória.

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Etiopatogenia e patologia Embora sejam conhecidas várias causas de inflamação bronquial em cães, como parasitas e vírus, a BCC é considerada um processo inflamatório crônico de causa desconhecida 4. A etiologia alérgica é a mais provável, e um estudo recente demonstrou que esses pacientes parecem apresentar uma predisposição atópica, baseada em um aumento da relação sérica de células positivas para receptor de quimiocina CC4 e células CD4 (CCR4/CD4) 5. Contudo, não há uma conclusão definitiva sobre o fator incitante do processo inflamatório 1,2. Na maioria dos casos, a inflamação é caracterizada pelo predomínio de neutrófilos, com aumento variável de outros tipos celulares, como os eosinófilos 2,6-8. Essas células liberam uma série de substâncias no tecido pulmonar, como elastases, proteases e radicais livres de oxigênio, que contribuem para o aumento de permeabilidade vascular, recrutamento de novas células inflamatórias, injúria celular e aumento da produção de muco, ocasionando frequentemente dano tecidual permanente 6. Devido à perda do epitélio ciliado, ocorre inabilidade do sistema mucociliar em remover debris do trato respiratório 1,6. As mudanças patológicas que ocorrem na doença são irreversíveis e progressivas, resultando em remodelamento do tecido pulmonar. Na histopatologia, observa-se infiltrado inflamatório e edema na mucosa, perda do epitélio ciliado, espessamento da musculatura lisa, fibrose, metaplasia escamosa, hiperplasia das células caliciformes, hipertrofia de glândulas mucosas e bronquiectasia 6,8. As consequências de todo esse processo incluem a obstrução das vias respiratórias, a diminuição da complacência pulmonar, o comprometimento da depuração de secreções e

a alteração do equilíbrio entre ventilação e perfusão, podendo culminar em insuficiência respiratória 2,3,8. Aspectos clínicos A BCC pode ocorrer em cães de qualquer porte e raça, embora seja observada comumente nos de pequeno porte. A maioria dos casos ocorre em cães adultos a idosos, com mais de oito anos de idade, embora haja relatos de casos esporádicos em animais mais jovens 1,9-11. O sinal clínico mais importante da BCC é a tosse crônica, produtiva ou não, presente por um período variável, de meses a anos no momento do diagnóstico inicial. A intensidade da tosse varia de discreta a grave, havendo em geral no último caso comprometimento da qualidade de vida e possível evolução para insuficiência respiratória 1,2,4. É possível que o cliente relate o primeiro episódio como agudo, sem a percepção de tosse em períodos anteriores 2. Nas fases menos avançadas da enfermidade, o paciente em geral apresenta-se saudável. No exame físico é possível auscultar crepitações, devido à presença excessiva de muco nas vias respiratórias, ou sibilos, em função da obstrução de pequenas vias aéreas. Contudo, alguns animais podem não demonstrar alteração evidente na ausculta pulmonar 2. Conforme a moléstia se agrava, é possível observar uma dispneia tipicamente expiratória. Nas fases finais, podem-se observar sinais de insuficiência, como grave distrição respiratória e cianose 1,2,4,6,9. A síncope, embora rara, pode ocorrer em decorrência de tosse, provavelmente em função do aumento do tônus vagal (síncope tussígena) ou devido ao desenvolvimento de hipertensão pulmonar 2.

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MEDICINA VETERINÁRIA LEGAL

Novo código de ética do médico veterinário

A

partir de 9 de setembro de 2017 entrará em vigor a Resolução n. 1.138, de 16 de dezembro de 2016, que nada mais é do que o novo código de ética do médico veterinário. Na medicina, quando os médicos se referem ao seu código (especialmente quando fazem alusão a ele em processos éticos e/ou judiciais), eles o chamam de CEM, o que seria obviamente a abreviação de código de ética médica. Sugerimos então que, no nosso caso, a referência seja Novo CEMV. Vivemos tempos de “fragilidade ética” em que tanto as relações pessoais da sociedade como um todo estão sensíveis, quanto também, e principalmente, os relacionamentos entre profissionais de uma mesma classe profissional carecem de sintonia e harmonia. Certamente isso é muito preocupante, acima de tudo na medicina veterinária, em que o número de faculdades e cursos é expressivo, fora da realidade e da necessidade, o que acarreta uma enxurrada de profissionais que semestralmente tentam se inserir num mercado de trabalho comprovada e nitidamente saturado. E é evidente que esse conjunto de fatores atingirá o cerne da atuação profissional que é a ética. Segundo a médica veterinária Sandra Thomé, conselheira do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV/RJ), “pode-se dizer que ter ética corresponde a agir dentro dos valores estabelecidos pela sociedade em que se vive, enquanto as profissões são criadas para atender às necessidades dessa mesma sociedade. Desse modo, fica claro que todas as profissões devem ter um código de conduta que respeite os preceitos éticos da sociedade em que estão inseridas”. O respeitado e renomado médico veterinário Moyses Fonseca Serpa, presidente da Comissão de Ética do CRMV/RJ em gestões anteriores, endossa essa alegação afirmando que “as profissões regulamentadas em lei têm alguns direitos e competência privativos. Logo, nada mais justo que obedeçam a um código de deontologia e ética profissional próprio”. O Novo CEMV mudou pouco em relação ao código de ética anterior, isto é, seu conteúdo literário teve pequenas alterações. No entanto, isso não justifica que, no que diz respeito a comportamentos, direitos e deveres profissionais, a atenção a este – que pode ser considerado a maior resolução da medicina veterinária – continue sendo negligenciada na prática. E essa premissa é comprovada pela escalada de processos éticos e judiciais que os médicos veterinários vêm sofrendo ano após ano, justamente por 82

ignorarem diversos artigos e incisos do código supremo da profissão. Diante desse cenário alarmante, surge a obra médicaveterinária intitulada Novo Código de Ética Médica Veterinária – Comentários sob a ótica pericial (junho/2017), que não só aparece num momento oportuno, o da mudança do código, como vem para orientar e auxiliar na interpretação de várias linhas e alíneas que compõem a recente resolução. A colega Mary’Anne Rodrigues de Souza, secretáriageral do CRMV de Sergipe nas gestões 2010/2013 e 2013/2016, chama a atenção para a necessária modernização do novo texto: “A atualização do código de ética era uma necessidade de toda a comunidade médico-veterinária, visto que a redação anterior não contemplava possíveis realidades do mundo moderno, fruto da velocidade com a qual as coisas se transformam”. Escrito e revisado pelos autores Clifton Davis da Cruz Conceição e Elan Cardozo Paes de Almeida, peritos judiciais do estado do Rio de Janeiro, e Fábio de Medeiros Marcon, fiscal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Santa Catarina, o livro esmiúça artigo por artigo, na intenção de colaborar para que a classe médicoveterinária se ampare, se fortaleça e, sobretudo, entenda de fato que é preciso ler, reler e compreender o teor de uma associação de regras que visa salvaguardar os profissionais atuantes ou não. Clifton Davis da Cruz Conceição MV, Perito Judicial

Elan Cardozo Paes de Almeida MV, Perita Judicial, Diretora da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Legal

Fábio Márcon MV, Fiscal do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV-SC)

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GESTÃO, MARKETING & ESTRATÉGIA

Human friendly, pense nisso!

Cães pequenos têm área exclusiva e limitada para eles no carrinho de compras

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mento veterinário. Nossas clínicas são voltadas, obviamente, para o atendimento dos animais. Mas quem os leva até lá? Quem se preocupa com eles, investe e espera, muitas vezes com preocupação e agonia?

Loja de material de construção em São Paulo, SP, investe no vínculo dos clientes com pets e oferecem transporte para eles no interior da loja: um carrinho customizado para pets grandes e pequenos. A iniciativa gera empatia e, para o lojista, evita demanda do serviço de limpeza.

Dorottya Mathe/Shutterstock

Pet friendly na construção

Qual o grau de conforto que proporcionamos aos nossos clientes? Podemos melhorar?

Ivonne Wierink/Shutterstock

A

tender bem os animais nos consultórios, clínicas e hospitais não é diferencial. É obrigação dos médicos veterinários e de suas equipes. De olho num mercado que não para de crescer, a qualidade do atendimento e o conforto das instalações resultam em clientes satisfeitos e retorno garantido. Vemos no mundo o crescimento dos locais chamados pet friendly. São estabelecimentos – lojas, restaurantes e hotéis – que ganham cada vez mais adeptos entre quem faz do seu bichinho de estimação um membro da família. Grande sacada de marketing e de inclusão e com um aspecto sentimental muito grande. Os cases pet friendly devem servir de modelo para quem atua na medicina veterinária. Como? É preciso criar o que estou chamando de conceito human friendly nas salas de espera e demais instalações de um empreendi-

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Cães grandes também são bem-vindos e contam com carrinho totalmente exclusivo


Começando pelo básico, o proprietário ou tutor precisa ir até o local e sentir-se bem enquanto espera o seu animal ser atendido ou enquanto aguarda uma cirurgia, por exemplo. Oferecer acesso à rede Wi-Fi é elementar. Mas de que adianta oferecer o sinal se a senha tem 20 dígitos, entre maiúsculas, minúsculas, números e símbolos? É preciso facilitar a vida do cliente. As salas de espera da clínica têm, em geral, cadeiras retas, de plástico. Mas trabalhar com poltronas confortáveis não é algo financeiramente inviável. Os proprietários que têm filhos pequenos também podem se sentir mais acolhidos se o local tiver um pequeno espaço destinado a crianças. Um tapete com alguns brinquedos, joguinhos e livrinhos já podem fazer toda a diferença. É preciso lembrar que crianças inquietas e sem uma distração podem contribuir para deixar os animais mais agitados e tornar o atendimento mais complexo. Esse pequeno espaço infantil pode contar também com uma revistinha com animais para colorir, bonecos de pelúcia e estetoscópios de brinquedo para eles imitarem o

veterinário enquanto ele atende. Isso pode facilitar a consulta, à medida que acalma a criança e o dono do animal, por saber que o filho está tranquilo. No conceito human friendly é preciso pensar também nas pessoas que levam os animais à clínica logo cedo, antes de irem para o trabalho, e que os buscam no final da tarde. Nesses dois horários, geralmente as pessoas podem querer se alimentar ou mesmo tomar um cafezinho. Oferecer a bebida ou um suco e um petisco como bolo ou pão de queijo faz toda a diferença. Atualmente, esse tratamento diferenciado pode ser o fator preponderante na escolha do cliente entre o seu estabelecimento ou o do concorrente. Human friendly, pense nisso!

Por Rodrigo Lorenzoni MV, presidente do CRMV-RS crmvrs@crmvrs.gov.br

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PET FOOD

Alimentos para raças. Quais os benefícios?

O

s benefícios de oferecer um alimento completo e balanceado ao gato e ao cão são inúmeros e se refletem diretamente na qualidade de vida, na longevidade, no bem-estar e na saúde do animal. Essa atitude fará com que todos os sistemas e todo o metabolismo funcionem da melhor maneira possível, atendendo a todas as necessidades do organismo segundo o tamanho, idade, raça, nível de atividade e estilo de vida. De acordo com inúmeros estudos desenvolvidos ao longo dos últimos anos, até o momento sabemos que as exigências nutricionais se baseiam primeiramente na espécie. Uma vez definido se o produto será destinado ao cão ou ao gato, a segunda questão deve ser se esse animal pertence a uma raça específica ou não. Caso a resposta seja positiva, avalia-se então se a raça referida requer um alimento específico e se esse produto está disponível no mercado. A necessidade nutricional de cada raça é um tema em ascensão, baseado nas características morfofisiológicas que definem o padrão racial. De acordo com a publicação 1 em 2006 já se mencionava que cães da raça labrador, por exemplo, têm necessidade energética diária de manutenção (NEM) diferente da de cães de outras raças. Vale ressaltar que o ponto de partida para o desenvolvimento de um alimento industrializado para uma raça de cão ou gato provém da particularidade racial específica e respaldada pela literatura. Ademais, a contribuição por meio da escuta ativa de criadores renomados reforça a ideia de se buscar uma formulação mais adequada e que atenda às sensibilidades inerentes a cada raça. Assim, pode-se observar que há diferenças já reconhecidas na literatura em níveis de energia requeridos por uma determinada raça para a manutenção de seu peso e saúde de uma forma geral. Além de necessidades energéticas divergentes, os cães e gatos também apresentam diferenças pertinentes do ponto de vista anatômico, como a morfologia do crânio. Os variados formatos de cabeça, mandíbula e maxila determinam a necessidade de croquetes adaptados a essa especificidade, a fim de facilitar a preensão e possibilitar a mastigação mais adequada do alimento (Figura 1). Diante das variações, identificou-se que cães braquicefálicos, por possuírem um crânio largo e curto, requerem como alimento um croquete de formato adaptado e diferente do produzido para cães mesocefálicos, que têm um crânio de comprimento e largura medianos. Facilitar a preensão do alimento implica

Figura 1 – Tipos de conformações cranianas em cães 86

aumentar a palatabilidade, além de tornar a velocidade de preensão e mastigação adequadas, bem como favorecer o bemestar do animal. Confira as características da raça bulldoguefrancês: • mandíbula braquicefálica – em função de sua morfologia maxilofacial braquicefálica, a preensão dos croquetes pode ser difícil para essa raça; • predisposição às dermatopatias – dermatite atópica 2, piodermite bacteriana 3, alopecia sazonal dos flancos cíclica 4; • predisposição às gastroenteropatias – problemas de mastigação, hipersalivação, deglutição repetida, ingestão anormalmente frequente de grama/capim, vômito em jatos na presença de fator estressante, regurgitação 5, esofagite por refluxo 6, gastrite, duodenite linfoplasmocitária 7 e colite ulcerativa histiocítica 8, capacidade enzimática limitada 9, esvaziamento gástrico em intervalos mais curtos 10 e acentuada permeabilidade do intestino delgado 11; • predisposição a problemas osteoarticulares – hemivértebra 12, osteocondrodisplasia, angulação da coluna vertebral (cifose, lordose ou escoliose), estreitamento do canal medular, deslocamento ou fratura das vértebras após traumatismo e síndrome de má-formação occiptal caudal 13,14. Benefícios do alimento para o cão bulldogue-francês Algumas das manifestações decorrentes dessas afecções podem ser mitigadas com um alimento específico para a raça predisposta. O fornecimento de um croquete adaptado à mandíbula braquicefálica do bulldogue-francês facilita a preensão e estimula a mastigação. As sensibilidades cutânea, gastrintestinal e articular são minimizadas com um alimento composto por proteína de altíssima digestibilidade (> 90% de assimilação), EPA e DHA (ácidos graxos de cadeia longa ômega 3), prebiótico, polpa de beterraba e sulfato de condroitina e glicosamina, entre outros nutrientes que podem auxiliar na redução das manifestações clínicas. Gatos No caso de gatos, as particularidades morfológicas, sensibilidade e outras especificidades também são beneficiadas pela nutrição precisa. Os gatos da raça persa são braquicefálicos, fazem a preensão do croquete com a porção inferior da língua e têm sensibilidade de pele e gastrintestinal, além de tendência à formação de bolas de pelo. Os siameses são felinos esguios, muito ativos e com predisposição à regurgitação, uma vez que a velocidade de ingestão alimentar é elevada. Gatos da raça maine coon têm mandíbulas grandes e predisposição à cardiomiopatia hipertrófica e a enfermidades articulares, como displasia coxofemoral 15-16. Cada um deles tem um perfil nutricional específico. Os benefícios dos alimentos específicos para cães e gatos de raça são diversos e pontuais. O perfil nutricional, o formato, o tamanho e a textura dos croquetes e outras características de tais produtos atendem de forma precisa às necessidades raciais cientificamente reconhecidas por médicos veterinários e criadores, e visam favorecer a qualidade de vida e o bem-estar dos animais.

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Msc MV Luciana Peruca Coordenadora de comunicação científica Royal Canin Brasil

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LANÇAMENTOS

ANTIPARASITÁRIO DE TRIPLA AÇÃO PARA CÃES

F

rontline Tri-Act® é o mais novo integrante da família Frontline, que, além de tratar e prevenir as infestações por pulgas e carrapatos, também se destaca pelas ações: repelente contra flebótomos transmissores da leishmaniose visceral; repelente e inseticida contra os vetores transmissores da dirofilariose; repelente e inseticida contra os vetores da dengue, zika e chicungunha aos seres humanos. “Estamos trazendo ao Brasil mais um produto de uma marca líder mundial, de alta Frontline Tri-Act® é encontrado qualidade e eficáem cinco apresentações para cia já comprovada cães: de 2 a 5 kg (0,5 mL), de 5 a em outros países. 10 kg (1 mL), de 10 a 20 kg (2 Frontline Tri-Act® mL), de 20 a 40 kg (4 mL) e de 40 chega para oferecer a 60 kg (6 mL) maior proteção aos cães como uma solução rápida e completa contra os principais parasitas em um único produto”, afirma Carolina Galli, diretora da Unidade de Negócios de Animais de Companhia da Boehringer Ingelheim Saúde Animal. “Frontline Tri-Act® é inovador porque apresenta uma fórmula única de uma associação de fipronil e permetrina. A permetrina tem ação repelente, com excelentes resultados no combate a carrapatos, mosquitos, moscas e flebótomos. Sua ação também é responsável pela queda das pulgas cinco minutos após o contato da pulga com o cão

tratado, e o produto se mantém ativo por um período de 30 dias”, explica Jaimes Dias, gerente-técnico de Animais de Companhia da Boehringer Ingelheim Saúde Animal. Frontline Tri-Act® demonstrou eficácia inseticida superior a 85% contra as pulgas em apenas duas horas. No combate aos carrapatos, o produto também se destacou apresentando efeito acaricida superior a 90% em apenas seis horas. Além de trazer conforto aos animais, contribui de forma efetiva para a redução da transmissão da doença do carrapato. Mecanismo de ação: o Fipronil é um inseticida e acaricida altamente efetivo, pertencente à família dos fenilpirazóis. Seu mecanismo de ação baseia-se no bloqueio pré e pós-sináptico da passagem dos íons cloro pelos neurotransmissores GABA, matando os artrópodes parasitas por hiperexcitação. Fipronil apresenta afinidade com a gordura presente na superfície da pele e nos folículos pilosos, sendo constantemente reexcretado junto à secreção sebácea sobre a pele e o pelo dos animais, o que resulta em seu longo período de efeito residual. A permetrina é um piretroide que atua como repelente, acaricida e inseticida. Ela atua nos canais de sódio voltagem-dependente na membrana das células nervosas, prolongando a ativação desses canais mantendo-os abertos. Isso provoca hiperatividade, tremores e paralisia do inseto, carrapato ou piolho. A atividade repelente da permetrina impede que esses artrópodes suguem o sangue do cão, reduzindo o risco de transmissão de doenças por esses vetores, ela também auxilia na prevenção da dermatite por picada de moscas. A permetrina é muito menos tóxica para os mamíferos do que para os insetos.

ANESTÉSICO PARA PETS E EQUINOS

Ketalex, anestésico dissociativo à base de cetamina (10%) 88

A Venco Saúde Animal amplia seu portfólio e lança mais um medicamento indicado para pets e equinos: o anestésico Ketalex. Segundo Luis Eduardo Ferraz, gerente de marketing da área de Pets e Equinos da Venco, trata-se de um anestésico dissociativo à base de cloridrato de cetamina (10%), um dos mais utilizados na medicina veterinária. O fármaco é recomendado para cães, gatos e cavalos para medicação préanestésica, contenção química, indução e manutenção da anestesia geral, em associação a outros produtos como benzodiazepínicos, alfa-2 agonistas, opioides, fenotiazinas, propofol, anestésicos inalatórios e outros. Esse tipo de anestésico dissociativo, explica Luis Eduardo, promove uma anestesia capaz de dissociar o animal do ambiente, com interrupção da neurotransmissão no nível talâmico, embora a atividade do córtex cerebral seja mantida. Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017


ACUPUNTURA 22 e 23 de julho Botucatu - SP XV Curso teórico-prático de ozonioterapia em pequenos e grandes animais na medicina veterinária http://bioethicus.com.br Agosto de 2017 Botucatu - SP XII Curso de especialização em acupuntura veterinária http://bioethicus.com.br

ANESTESIOLOGIA Julho São Paulo - SP I Curso de imersão em anestesia peridural em cães e gatos (11) 5074-1010 26 e 27 de julho Bauru - SP Curso de atualização em anestesiologia veterinária keztreinamentos@outlook.com 20 a 22 de outubro São Paulo - SP I Curso de atualização em dor em pequenos animais cursosfisioanimal@gmail.com 2018 São Paulo - SP Anestesia regional em medicina veterinária (18 meses) (11) 5074-1010

ANIMAIS SELVAGENS 29 e 30 de julho São Paulo - SP Curso de manejo, anestesia e odontologia de primatas neotropicais cursos@rumomarketing.com.br 18 e 20 de agosto Brasília - DF IV Jornada Acadêmica do GEAS Brasil (Grupo de Estudos de Animais Selvagens) geasbrasiloficial@gmail.com

3 a 6 de outubro Curitiba - PR XX Congresso ABRAVAS - Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens http://www.abravas.org.br

CARDIOLOGIA

26 e 27 de agosto Botucatu - SP Curso de neoplasias mamárias em cadelas. Abordagem clínica, diagnóstica e condutas terapêuticas http://bioethicus.com.br

14 a 16 de julho São Paulo - SP Curso de eletrocardiograma http://ivi.vet.br (11) 3016-0200

1 a 3 de setembro Presidente Prudente - SP Desmistificando a cardiologia veterinária http://www.sbcv.org.br

29 de julho (início) São Paulo - SP Especialização em cirurgia cardiotorácica http://www.cetacvet.com.br

15 e 16 de setembro São Paulo - SP Cirurgias da cabeça e pescoço http://www.cipo.vet.br

9 de agosto São José do Rio Preto - SP Insuficiência cardíaca congestiva (GEPA - Unirp) http://unirp.edu.br/eventos.aspx

30 de setembro (início) São Paulo - SP Especialização em Videocirurgia Veterinária http://www.cetacvet.com.br

CLÍNICA

15 e 16 de setembro Ourinhos - SP Insuficiência cardíaca congestiva geaccursos@gmail.com

25 e 26 de agosto Rio de Janeiro - RJ Infecto InRio secretaria@inrio.vet.br

2 e 3 de novembro São Paulo - SP Simpósio Internacional de Emergências Cardiovasculares http://www.sbcv.org.br

26 e 27 de agosto Botucatu - SP Curso de neoplasias mamárias em cadelas. Abordagem clínica, diagnóstica e condutas terapêuticas http://bioethicus.com.br

CIRURGIA 21 e 22 de julho São Paulo - SP Miscelâneas cirúrgicas tóracoabdominais (11) 3819-0594

30 de agosto Jundiai - SP Desvendando o hemograma http://www.amvejur.org.br (11) 99568-3224

21 a 23 de julho Porto Alegre - RS Vídeo endoscopia veterinária comercial@ultramedic.com.br

4 de setembro a 30 de outubro São Paulo - SP Curso de patologia clínica – interpretação e diagnóstico http://ivi.vet.br

25 a 28 de julho São Paulo - SP Tecnologia 3D aplicada ao planejamento cirúrgico e confecção de próteses em medicina veterinária cursos@rumomarketing.com.br

COMPORTAMENTO 5 de agosto São José do Rio Preto - SP Comportamento e bem-estar animal http://unirp.edu.br/eventos.aspx

DERMATOLOGIA 27 de agosto São Paulo - SP Avanços na compreensão das dermatopatias alérgicas http://sbdv.com.br Outubro (data a confirmar) São Paulo - SP Microbioma no paciente humano com dermatite atópica http://sbdv.com.br

ENDOCRINOLOGIA 15 a 17 de novembro Guarujá - SP 3º Congresso Internacional da ABEV http://abev.org.br

GESTÃO & MARKETING 9 de agosto Rio de Janeiro - RJ Marketing para especialidades sergiorslvet@hotmail.com 4 de setembro Rio de Janeiro - RJ Workshop jurídico sergiorslvet@hotmail.com

HOMEOPATIA 23 a 26 de novembro Londrina - PR 8º Congresso Brasileiro de Homeopatia Veterinária http://www.amvhb.org.br

IMAGENOLOGIA 15 e 16 de julho São Paulo - SP Curso de ultrassonografia intervencionista: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario 31 de julho a 1º de setembro São Paulo - SP Ultrassonografia abdominal http://ivi.vet.br 3 a 5 de agosto São Paulo - SP Ultrassonografia de pescoço http://naus.vet.br/calendario

http://www.cipo.vet.br

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IMAGENOLOGIA 16 a 19 de agosto São Paulo - SP Curso de ultrassonografia abdominal avançado: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario Setembro (início) São Paulo - SP Ultrassonografia gestacional em cadelas (13 horas) (11) 5074-1010 1º de setembro (início) São Paulo - SP Ultrassonografia abdominal http://ivi.vet.br 11 a 15 de setembro São Paulo - SP Ultrassonografia doppler http://naus.vet.br/calendario 4 a 7 de outubro São Paulo - SP Curso de ultrassonografia transcraniana: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario

6 a 14 de novembro São Paulo - SP Curso de ultrassonografia abdominal básico: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario 6 a 9 de dezembro São Paulo - SP Curso de ultrassonografia abdominal avançado: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario

INTENSIVISMO 29 e 30 de julho Belo Horizonte - MG Curso internacional de hemodinâmica secretaria@anclivepaminas.com.br 26 e 27 de agosto Belo Horizonte - MG Curso de intensivismo com ênfase em hemogasometria e distúrbios eletrolíticos - monitorização do paciente crítico secretaria@anclivepaminas.com.br

1º de setembro (início) São Paulo - SP Pós-graduação em medicina intensiva (coordenação: Nuno Paixão) http://equalis.com.br 30 de setembro e 1º de outubro Belo Horizonte - MG Curso internacional de intensivismo secretaria@anclivepaminas.com.br 28 e 29 de outubro Belo Horizonte - MG Curso teórico-prático de procedimentos cirúrgicos no paciente crítico secretaria@anclivepaminas.com.br 2 e 3 de dezembro Belo Horizonte - MG Curso de intensivismo internacional com ênfase em doenças gastrointestinais e hepáticas secretaria@anclivepaminas.com.br

MEDICINA FELINA 17 a 19 de outubro São Paulo - SP

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Cat in Rio http://vetexpo.com.br 3 e 4 de novembro Natal - RN Cat in Rio secretaria@inrio.vet.br 9 e 10 de março de 2018 Rio de Janeiro - RJ Cat in Rio secretaria@inrio.vet.br http://inrio.vet.br

MEDICINA VETERINÁRIA LEGAL 26 e 27 de julho Curitiba - PR CONVEL - Congresso Internacional de Medicina Veterinária Legal http://www.abmvl.org.br 29 de julho Botucatu - SP Perícia Forense Animal http://animalexpertise.com csifauna@gmail.com (14) 99827-7318

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MEDICINA VETERINÁRIA LEGAL 6 a 7 de outubro Sorocaba - SP Simpósio de Medicina Veterinária Legal simposiomvl@gmail.com

MTC 14 a 16 de julho Botucatu - SP Food Therapy - dietoterapia para animais de pequeno porte http://bioethicus.com.br (14) 3814-6898 29 de julho (início) Botucatu - SP XI Curso de extensão em fitoterapia chinesa veterinária http://www.bioethicus.com.br Agosto de 2017 (início) Botucatu - SP XII Curso de especialização em acupuntura veterinária http://bioethicus.com.br

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NEUROLOGIA 22 de julho (início) Jaboticabal - SP Curso teórico-prático de neurologia e neurocirurgia de cães e gatos http://www.funep.org.br 11 a 13 de agosto Belo Horizonte - MG Simpósios internacionais ABNV • Simpósio de neurologia clínica • Simpósio internacional de doenças neuromusculares http://simposios.abnv.com.br 26 de setembro Belo Horizonte - MG VETScience Seminários: Neurologia. O papel do líquor na investigação das doenças infecciosas. http://tecsa.com.br 13 e 14 de outubro Rio de Janeiro - RJ OrtoNeuro in Rio secretaria@inrio.vet.br

11 e 12 de novembro Curitiba - PR Simpósio de neurologia

21 a 24 de novembro Brasília - DF IX Congresso Latinoamericano de Oftalmologistas Veterinários (CLOVE) http://clove2017.com.br

http://anclivepapr.com.br

26 e 27 de agosto Botucatu - SP Curso de neoplasias mamárias em cadelas. Abordagem clínica, diagnóstica e condutas terapêuticas http://bioethicus.com.br

ODONTOLOGIA 1 a 3 de setembro São Paulo - SP Curso de introdução à odontologia de cães e gatos cursos@rumomarketing.com.br

OFTALMOLOGIA 23 e 24 de setembro São Paulo - SP Curso teórico-prático de oftalmologia em pequenos animais (11) 3082-3532 28 e 29 de outubro Ribeirão Preto - SP Curso básico de oftalmologia fabricio@oftalmovetrp.com.br

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ONCOLOGIA

16 e 17 de setembro São Paulo - SP II Simpósio de Oncologia Veterinária http://goo.gl/uuPhOQ

ORTOPEDIA 12 e 13 de agosto São Paulo- SP Curso teórico-prático de TPLO cursosstrix@gmail.com www.clinicastrix.com.br


ORTOPEDIA 24 a 26 de agosto São Paulo- SP Curso Intensivo Prático de Ortopedia (CIPO) - módulo básico http://www.cipo.vet.br 13 e 14 de outubro Rio de Janeiro - RJ OrtoNeuro in Rio secretaria@inrio.vet.br 19 a 21 de outubro São Paulo- SP Curso Intensivo Prático de Ortopedia (CIPO) - módulo avançado http://www.cipo.vet.br (11) 3819-0594

PATOLOGIA 17 a 20 de julho Brasília - DF • IV Congresso Brasileiro de Patologia Veterinária (CBPV). XVIII Encontro Nacional de Patologia Veterinária (ENAPAVE) http://www.cbpv2017.com.br

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4 de setembro a 30 de outubro São Paulo - SP Curso de patologia clínica http://www.ivi.vet.br

REABILITAÇÃO 29 e 30 de julho São Paulo - SP Curso de eletroterapia e foto em reabilitação animal stellafisiovet@gmail.com 4 a 6 de agosto Florianópolis - SC Curso Intensivo em Fisioterapia Veterinária http://fisiocarepet.com.br/cursos 12 e 13 de agosto São Paulo - SP Curso de magnetoterapia http://www.msmcursosvet.com.br 22 e 23 de setembro; 21 e 22 de outubro São Paulo - SP XI Curso Intensivo em Fisioterapia Veterinária

http://fisiocarepet.com.br/cursos 20 a 22 de outubro São Paulo - SP I Curso de atualização em dor em pequenos animais cursosfisioanimal@gmail.com 9 a 12 de novembro São Paulo - SP I Curso de atualização em dor em pequenos animais cursosfisioanimal@gmail.com

REPRODUÇÃO 4 a 6 de agosto Botucatu - SP Biotécnicas da reprodução em cães e gatos kitvet@gmail.com 22 de agosto Belo Horizonte - MG VETScience Seminários: reprodução e fertilidade. Ciclo estral e distúrbios endócrinos da reprodução em cadelas. http://tecsa.com.br

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SAÚDE PÚBLICA 31 de agosto Curitiba - PR Simpósio de Manejo Populacional de Cães e Gatos http://goo.gl/forms/vK4SRf90s0ez MtCe2 12 a 15 de setembro Curitiba - PR Curso de Formação de Oficiais de Controle Animal (FOCA) itecbr@gmail.com http://youtu.be/eXntjOSsG28 4 e 5 de novembro Belo Horizonte - MG XVIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina – BRASILEISH bruno@camposdeminas.com.br (31) 98813-1004


SEMANAS ACADÊMICAS 22 a 24 de agosto Campinas - SP SEMEVUC XV – Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da Unip de Campinas http://www.fb.com/semevuc 22 a 26 de agosto Viçosa - MG XIX SAMEV – Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Viçosa http://www.samev.org 12 a 14 de setembro São José do Rio Preto - SP Semana Acadêmica da UNIRP http://unirp.edu.br/eventos.aspx 13 a 16 de setembro Indaiatuba - SP VETMax - Ciclo de Estudos do Curso de Medicina Veterinária da Faculdade Max Planck organizacao.vetmax@gmail.com

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http://organizacaovetmax.wixsite.com/vetmax http://facebook.com/vetmax2017 25 a 30 de setembro São Paulo - SP XVIII JOVET - Jornada Acadêmica da Medicina Veterinária FMU http://www.fb.com/jovetoficial 6 a 11 de outubro Sorocaba - SP Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da Uniso http://www.uniso.br

CONGRESSOS 17 a 20 de julho Brasília - DF • IV Congresso Brasileiro de Patologia Veterinária (CBPV). XVIII Encontro Nacional de Patologia Veterinária (ENAPAVE) http://www.cbpv2017.com.br 26 e 27 de julho Curitiba - PR

II CONVEL - Congresso Internacional de Medicina Veterinária Legal http://www.abmvl.org.br 30 de agosto a 3 de setembro Campos do Jordão - SP • VegFest 2017 • VI Congresso Vegetariano Brasileiro http://vegfest.com.br 7 a 9 de setembro Belo Horizonte - MG • Expovet • Congrevet http://www.expovet.com.br 17 a 19 de outubro São Paulo - SP • 15º CONPAVEPA • Vet Expo http://vetexpo.com.br 3 a 5 de novembro Goiânia - GO 12º Concevepa http://www.anclivepago.com.br

Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 129, julho/agosto, 2017

13 a 15 de novembro Guarujá - SP 3º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV) http://abev.org.br 15 a 17 de novembro Salvador - BA VII SINDIV - Simpósio Internacional de Diagnóstico por Imagem Veterinário http://abrv.org.br 23 a 25 de novembro Rio de Janeiro - RJ VI Congresso Estadual da Anclivepa Rio (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais - Regional Rio de Janeiro) http://congressoanclivepario.com.br

3 a 5 de abril de 2018 Campinas - SP • Feira Super Pet • Conferência ECC Science • Conferência NOR Science http://www.feirasuperpet.com.br


AGENDA Internacional 30 de julho a 4 de agosto Estoril - Portugal Behaviour 2017: 35th International Ethological Conference http://icatcare.org/isfm-congress 7 a 10 de agosto Aarhus, Dinamarca ISAE 2017: animal behaviour http://isae2017.com 27 a 31 de agosto Incheon - Coreia do Sul 33th World Veterinary Congress http://worldvet.org 6 a 9 de setembro León - México Congresso Veterinário de León http://cvdl.com.mx 4 a 8 de setembro Kuala Lumpur, Malásia WAAVP 2017 (World Association for the Advancement of Veterinary Parasitology) http://waavp2017kl.org 7 a 9 de setembro Lausanne - Suíça ESVD-ECVD Annual Congress http://esvd-ecvdcongress.com 13 a 17 de setembro Nashville, Tennessee - EUA IVECCS 2017 (International Veterinary Emergency & Critical Care Symposium) http://veccs.org

14 a 17 de setembro Nashville, Tennessee - EUA Veterinary Dental Forum http://veterinarydentalforum.org 20 a 23 de setembro Medellín - Colômbia VI Congresso Internacional Neurolatinvet http://congresoneurolatinvet.ces. edu.co 25 a 28 de setembro Copenhaguen - Dinamarca World Small Animal Veterinary Association Congress and FECAVA Eurocongress http://wsava2017.com 28 de setembro a 1 de outubro Berlim - Alemanha 11th International conference on behaviour, physiology and genetics of wildlife http://goo.gl/QqXW9Y 2 a 4 de outubro Vancouver, Canadá 8th Animal Health & Veterinary Medicine Congress http://animalhealth.conferenceseries.com 5 e 6 de outubro Buenos Aires - Argentina XVII Congreso Nacional de AVEACA - Asociacion de Veterinarios Especializados en Animales de Compañía de Argentina http://www.aveaca.org.ar

19 a 22 de outubro Denver, Colorado - EUA 2017 AAFP Conference Feline Infectious Diseases and Pediatrics http://www.catvets.com/education/conference 26 a 28 de outubro Portland, Oregon - EUA Veterinary Cancer Society Conference http://vetcancersociety.org 1º a 3 de novembro Medellín, Antioquia - Colômbia VI Congreso Latinoamericano de Enfermedades Rickettsiales & I Encuentro de ecologia y control de ectoparásitos http://enicip.co/congreso/ 9 a 11 de novembro Barcelona - Espanha SEVC 2017 (Southern European Veterinary Conference) Congreso Nacional AVEPA (Asociación de Veterinarios Españoles Especialistas en Pequeños Animales) http://sevc.info 23 a 25 de novembro Montevideo - Uruguai • XIV Congresso Iberoamericano FIAVAC - Federação Iberoamericana de Associações Veterinárias de Animais de Companhia • XI Congresso Nacional SUVEPA http://suvepa.org.uy

29 e 30 de novembro Bethesda, Maryland - EUA Pain in Animals Workshop 2017 http://paw2017.com 2018 3 a 7 de fevereiro de 2018 Orlando, Flórida - EUA VMX 2018 - Veterinary Meeting & Expo http://navc.com Abril de 2018 Lima - Peru LAVC 2018 http://www.tlavc-peru.org 6 a 8 de junho de 2018 Rio de Janeiro - RJ • XV Congresso Internacional FIAVAC - Federação Iberoamericana de Associações Veterinárias de Animais de Companhia • 39º Congresso Brasileiro da Anclivepa (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais) http://www.anclivepa2018.com.br Setembro Singapura - Malásia World Small Animal Veterinary Association Congress (WSAVA 2018) http://wsava.org 2020 Japão World Veterinary Cancer Congress - WVCC 2020 http://www.vetcancersociety.org

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Clinica Veterinaria 129  

Bronquite crônica canina; Estudo retrospectivo da prevalência de cardiopatias em cães; Valores hematológicos de filhotes de papagaio-verdade...

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