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artigos científicos

38

38

Cardiologia Hipotensão arterial em cães e gatos – revisão Arterial hypotension in dogs and cats – a review Hipotensión arterial en perros y gatos – revisión

52

Clínica

Hiperaldosteronismo primário em felinos – revisão

52

Primary hyperaldosteronism in cats – a review Hiperaldosteronismo primario en gatos – revisión

64

64

Cardiologia

Tetralogia de Fallot em cão – relato de caso Tetralogy of Fallot in a dog – case report Tetralogía de Fallot en perro – relato de caso

72

Animais selvagens Dermatófitos isolados do pelame de animais selvagens

Dermatophytes isolated from the haircoat of wild animals Aislamiento de dermatofitos del pelo de animales salvajes

72

82

Animais selvagens Isolamento de Chrysosporium spp em dermatite em Iguana iguana – primeiro relato na Argentina Chrysosporium spp isolation from Iguana iguana dermatitis. First report in Argentina

Aislamento de Chrysosporium spp en dermatitis de Iguana iguana. Primer reporte en Argentina

Medicina veterinária legal

86

Análise retrospectiva de denúncias de maus-tratos contra animais em Pinhais, Paraná, Brasil Retrospective analysis of complaints of animal abuse against animals in Pinhais, Paraná, Brazil Estudio retrospectivo de denuncias de maltrato de animales en Pinhais, Paraná, Brasil

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Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017

82

86


CURSOS EM

MEDICINA VETERINÁRIA CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO

CURSOS INTENSIVOS

VIII CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ONCOLOGIA VETERINÁRA

XIII CURSO TEÓRICO-PRÁTICO DE

Início: Março de 2017 Aulas teóricas e práticas Curso pioneiro no Brasil

OZONIOTERAPIA EM PEQUENOS ANIMAIS NA MEDICINA VETERINÁRIA Dias 04 e 05 de Março de 2017 Palestrantes: Dr. Jean G F Joaquim Dr. Wilfredo Urruchi Dra. Iolanda Bittencourt

X CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM

FISIATRIA, FISIOTERAPIA E REABILITAÇÃO VETERINÁRIA Curso em novo formato! 21 módulos, 100 horas de prática! Início: Maio de 2017 Abordagem a pequenos animais e equinos Presença de palestrante internacional

XII CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ACUPUNTURA VETERINÁRIA

I CURSO DE ABORDAGEM DOS TRANSTORNOS DE COMPORTAMENTO PELA MEDICINA VETERINÁRIA TRADICIONAL CHINESA

500 horas, 24 módulos Início: Agosto de 2017 Aulas teóricas e práticas Abordagem a pequenos e grandes animais Presença de palestrante internacional

III

Dias 18 e 19 de Março de 2017 Palestrante: Prof. Dr. Jair Guilherme dos Santos Junior Visão ocidental e oriental dos transtornos de comportamento em pequenos animais.

Simpósio Internacional de

Acupuntura Veterinária

Data: Dias 6 e 7 de Maio de 2017 Local: Botucatu/SP Palestrante internacional: Dra. Linda Boggie (EUA, residente na Holanda) Inscrições com desconto até dia 05/04/2017 Rua Vicente Giacobino, 45 Jardim Santa Mônica Botucatu - SP - 18605-545 www.bioethicus.com.br secretaria@bioethicus.com.br (14) 3814 6898 ou (14) 3813 3898

+ 55 14 9 8208 0302 Instituto Bioethicus @bioethicus


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Notícias • Programe-se para o CBA em Pernambuco

16

Especialidades

• Fundador do Instituto de Etologia de Cambridge ministrará seminário no Brasil • Oportunidades de atualização científica em oncologia veterinária • Neurologia canina e felina – guia prático

14

20

Educação

18

• Mini-hospital veterinário associa universidade a educação básica

Medicina veterinária do coletivo

20

24

• CRMV-SP lança campanha de guarda responsável

26

Saúde pública • Tratamento da leishmaniose visceral canina

28

Pesquisa • Pesquisa analisa dispersão de parasitas por aves nas Américas

24

30

Bem-estar animal • Entre a vida e o vidro

Medicina veterinária legal

94

• O médico veterinário como agente de transformação social: atuação em casos de violência

94 30

100

Pet food

• Dermatites alérgicas: a nutrição como coadjuvante ao tratamento

Gestão, marketing & estratégia 102 • Mas afinal, para que servem os CRMVs?

104

Lançamentos • Novidades do mercado veterinário e pet

Vet Agenda

104

106

• www.vetagenda.com.br

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Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017


N

esta edição, na seção de medicina veterinária do coletivo, estamos compartilhando o lançamento da campanha criada pelo CRMV-SP contra o abandono de cães, que tem como objetivo alertar a população sobre a importância da guarda responsável. Essa responsabilidade é um aspecto fundamental, que deve ser valorizado em conjunto com a adoção. Infelizmente, a realidade é que muitas das adoções não são encaradas com a devida seriedade e acabam resultando, depois de algum tempo, no abandono do animal . Também estamos divulgando a realização da próxima Conferência Internacional de Medicina Veterinária do Coletivo: Resgatando Saberes, Construindo Conhecimentos e Fortalecendo Ações. Ela acontece nos dias 19 e 20 de maio, em Porto Alegre, RS, no Campus FAPA da UniRitter. Ações inovadoras e voltadas para a promoção do bem comum são muito positivas e podem ser

incorporadas a diversas atividades. Uma campanha lançada recentemente pela rede Habib's de fast-food aliou a temática do personagem Snoopy ao incentivo para a adoção de cães abandonados, sob o slogan “Todo cão merece uma casa”. Campanhas semelhantes são normalmente promovidas por empresas do segmento pet, como as de alimentos ou fármacos, mas esse exemplo de uma empresa de fast-food pode ser seguido também por empresas de vários outros setores, envolvendo os mais diversos segmentos de publicidade e mídias de informação. Quando mais ações como essa tornarem-se populares, nossa sociedade estará seguindo um caminho em prol do bem comum, pois, quando focamos no bem-estar dos animais, toda a comunidade compartilha as consequências e se fortalece. “A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana”, Charles Darwin.

http://www.kitOs kits infantis ganharam a roupagem da casinha e trazem cards com fotos de alguns dos cães prontos para adoção, além de mensagens que estimulam as pessoas a visitarem o site da campanha: http://www.kithabibs.com.br

Arthur de Vasconcelos Paes Barretto CRMV-MG 10.684

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Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017


Consultores científicos

EDITORES / PUBLISHERS

Adriano B. Carregaro

Ana Claudia Balda

Benedicto W. De Martin

FZEA/USP-Pirassununga

FMU, Hovet Pompéia

FMVZ/USP; IVI

CRMV-MG 10.684 - www.crmvmg.org.br

Álan Gomes Pöppl

Ananda Müller Pereira

Berenice A. Rodrigues

Maria Angela Sanches Fessel cvredacao@editoraguara.com.br

FV/UFRGS

Universidad Austral de Chile

Médica veterinária autônoma

Alberto Omar Fiordelisi

Ana P. F. L. Bracarense

Camila I. Vannucchi

FCV/UBA

DCV/CCA/UEL

FMVZ/USP-São Paulo

Alceu Gaspar Raiser

André Luis Selmi

Carla Batista Lorigados

DCPA/CCR/UFSM

Anhembi/Morumbi e Unifran

FMU

Alejandro Paludi

Angela Bacic de A. e Silva

Carla Holms

FCV/UBA

FMU

Anclivepa-SP

Alessandra M. Vargas

Antonio M. Guimarães

Carlos Alexandre Pessoa

Endocrinovet

DMV/UFLA

www.animalexotico.com.br

Alexandre Krause

Aparecido A. Camacho

Carlos E. Ambrosio

FMV/UFSM

FCAV/Unesp-Jaboticabal

FZEA/USP-Pirassununga

Alexandre G. T. Daniel

A. Nancy B. Mariana

Carlos E. S. Goulart

Universidade Metodista

FMVZ/USP-São Paulo

EMATER-DF

Alexandre L. Andrade

Arlei Marcili

Carlos Roberto Daleck

CMV/Unesp-Aracatuba

FMVZ/USP-São Paulo

FCAV/Unesp-Jaboticabal

Alexander W. Biondo

Aulus C. Carciofi

Carlos Mucha

UFPR, UI/EUA

FCAV/Unesp-Jaboticabal

IVAC-Argentina

Aline Machado Zoppa

Aury Nunes de Moraes

Cassio R. A. Ferrigno

FMU/Cruzeiro do Sul

UESC

FMVZ/USP-São Paulo

Aline Souza

Ayne Murata Hayashi

Ceres Faraco

UFF

FMVZ/USP-São Paulo

FACCAT/RS

Aloysio M. F. Cerqueira

Beatriz Martiarena

César A. D. Pereira

UFF

FCV/UBA

UAM, UNG, UNISA

Arthur de Vasconcelos Paes Barretto editor@editoraguara.com.br

CRMV-SP 10.159 - www.crmvsp.gov.br

PUBLICIDADE / ADVERTISING midia@editoraguara.com.br

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA / DESKTOP PUBLISHING Editora Guará Ltda.

CAPA / COVER:

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Cocker spaniel inglês fotografado por Rebeccaa Shworth (Shutterstock) Clínica Veterinária é uma revista técnicocientífica bimestral, dirigida aos clínicos veterinários de pequenos animais, estudantes e professores de medicina veterinária, publicada pela Editora Guará Ltda. As opiniões em artigos assinados não são necessariamente compartilhadas pelos editores. Os conteúdos dos anúncios veiculados são de total responsabilidade dos anunciantes. Não é permitida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta publicação sem a prévia autorização da editora. A responsabilidade de qualquer terapêutica prescrita é de quem a prescreve. A perícia e a experiência profissional de cada um são fatores determinantes para a condução dos possíveis tratamentos para cada caso. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo da revista Clínica Veterinária.

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Contato Editora Guará Ltda. Dr. José Elias 222 - Alto da Lapa 05083-030 São Paulo - SP, Brasil Central de assinaturas: 0800 887.1668 | Whats App: (11) 98250-0016 Telefone/fax: (11) 3835-4555 / 3641-6845 cvassinaturas@editoraguara.com.br

Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017


Christina Joselevitch FMVZ/USP-São Paulo

Cibele F. Carvalho UNICSUL

Clair Motos de Oliveira FMVZ/USP-São Paulo

Clarissa Niciporciukas ANCLIVEPA-SP

Cleber Oliveira Soares EMBRAPA

Cristina Massoco Salles Gomes C. Empresarial

Daisy Pontes Netto FMV/UEL

Daniel C. de M. Müller UFSM/URNERGS

Daniel G. Ferro ODONTOVET

Daniel Macieira FMV/UFF

Denise T. Fantoni FMVZ/USP-São Paulo

Dominguita L. Graça FMV/UFSM

Edgar L. Sommer PROVET

Edison L. P. Farias UFPR

Eduardo A. Tudury DMV/UFRPE

Elba Lemos FioCruz-RJ

Eliana R. Matushima FMVZ/USP-São Paulo

Elisangela de Freitas FMVZ/Unesp-Botucatu

Franz Naoki Yoshitoshi

Juliana Werner

Mary Marcondes

Provet

Lab. Werner e Werner

CMV/Unesp-Araçatuba

Gabriela Pidal

Julio C. C. Veado

Masao Iwasaki

FCV/UBA

FMVZ/UFMG

FMVZ/USP-São Paulo

Gabrielle Coelho Freitas

Julio Cesar de Freitas

Mauro J. Lahm Cardoso

UFFS-Realeza

UEL

FALM/UENP

Geovanni D. Cassali

Karin Werther

Mauro Lantzman

ICB/UFMG

FCAV/Unesp-Jaboticabal

Psicologia PUC-SP

Geraldo M. da Costa

Leonardo Pinto Brandão

Michele A.F.A. Venturini

DMV/UFLA

Ceva Saúde Animal

ODONTOVET

Gerson Barreto Mourão

Leucio Alves

Michiko Sakate

ESALQ/USP

FMV/UFRPE

FMVZ/Unesp-Botucatu

Hannelore Fuchs

Luciana Torres

Miriam Siliane Batista

Instituto PetSmile

FMVZ/USP-São Paulo

FMV/UEL

Hector Daniel Herrera

Lucy M. R. de Muniz

Moacir S. de Lacerda

FCV/UBA

FMVZ/Unesp-Botucatu

UNIUBE

Hector Mario Gomez

Luiz Carlos Vulcano

Monica Vicky Bahr Arias

EMV/FERN/UAB

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMV/UEL

Hélio Autran de Moraes

Luiz Henrique Machado

Nadia Almosny

Dep. Clin. Sci./Oregon S. U.

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMV/UFF

Hélio Langoni

Marcello Otake Sato

Nayro X. Alencar

FMVZ/UNESP-Botucatu

FM/UFTO

FMV/UFF

Heloisa J. M. de Souza

Marcelo A.B.V. Guimarães Nei Moreira

FMV/UFRRJ

FMVZ/USP-São Paulo

CMV/UFPR

Herbert Lima Corrêa

Marcelo Bahia Labruna

Nelida Gomez

ODONTOVET

FMVZ/USP-São Paulo

FCV/UBA

Iara Levino dos Santos

Marcelo de C. Pereira

Nilson R. Benites

Koala H. A. e Inst. Dog Bakery

FMVZ/USP-São Paulo

FMVZ/USP-São Paulo

Iaskara Saldanha

Marcelo Faustino

Nobuko Kasai

Lab. Badiglian

FMVZ/USP-São Paulo

FMVZ/USP-São Paulo

Idael C. A. Santa Rosa

Marcelo S. Gomes

Noeme Sousa Rocha

UFLA

Zoo SBC,SP

FMV/Unesp-Botucatu

Ismar Moraes

Marcia Kahvegian

Norma V. Labarthe

FMV/UFF

FMVZ/USP-São Paulo

FMV/UFFe FioCruz

Jairo Barreras

Márcia Marques Jericó

Patricia C. B. B. Braga

FioCruz

UAM e UNISA

FMVZ/USP-Leste

James N. B. M. Andrade Marcia M. Kogika

Patrícia Mendes Pereira

FMV/UTP

FMVZ/USP-São Paulo

DCV/CCA/UEL

Jane Megid

Marcio B. Castro

Paulo Anselmo

FMVZ/Unesp-Botucatu

UNB

Zoo de Campinas

Janis R. M. Gonzalez

Marcio Brunetto

Paulo César Maiorka

FMV/UEL

FMVZ/USP-Pirassununga

FMVZ/USP-São Paulo

Jean Carlos R. Silva

Marcio Dentello Lustoza

Paulo Iamaguti

UFRPE, IBMC-Triade

Biogénesis-Bagó Saúde Animal

FMVZ/Unesp-Botucatu

João G. Padilha Filho

Márcio Garcia Ribeiro

Paulo S. Salzo

FCAV/Unesp-Jaboticabal

FMVZ/Unesp-Botucatu

UNIMES, UNIBAN

João Luiz H. Faccini

Marco Antonio Gioso

Paulo Sérgio M. Barros

UFRRJ

FMVZ/USP-São Paulo

FMVZ/USP-São Paulo

João Pedro A. Neto

Marconi R. de Farias

Pedro Germano

UAM

PUC-PR

FSP/USP

Jonathan Ferreira

Maria Cecilia R. Luvizotto Pedro Luiz Camargo

Odontovet

CMV/Unesp-Aracatuba

Jorge Guerrero

M. Cristina F. N. S. Hage Rafael Almeida Fighera

FMVZ/USP-São Paulo

Universidade da Pennsylvania

FMV/UFV

FMV/UFSM

Filipe Dantas-Torres

José de Alvarenga

Maria Cristina Nobre

Rafael Costa Jorge

CPAM

FMVZ/USP

FMV/UFF

Hovet Pompéia

Flávia R. R. Mazzo

Jose Fernando Ibañez

M. de Lourdes E. Faria

Regina H.R. Ramadinha

Provet

FALM/UENP

VCA/SEPAH

FMV/UFRRJ

Flavia Toledo

José Luiz Laus

Maria Isabel M. Martins

Renata A. Sermarini

Univ. Estácio de Sá

FCAV/Unesp-Jaboticabal

DCV/CCA/UEL

ESALQ/USP

Flavio Massone

José Ricardo Pachaly

M. Jaqueline Mamprim

Renata Afonso Sobral

FMVZ/Unesp-Botucatu

UNIPAR

FMVZ/Unesp-Botucatu

Onco Cane Veterinária

Francisco E. S. Vilardo

José Roberto Kfoury Jr.

Maria Lúcia Z. Dagli

Renata Navarro Cassu

Criadouro Ilha dos Porcos

FMVZ/USP

FMVZ/USP-São Paulo

Unoeste-Pres. Prudente

Francisco J. Teixeira N.

Juan Carlos Troiano

Marion B. de Koivisto

Renée Laufer Amorim

FMVZ/Unesp-Botucatu

FCV/UBA

CMV/Unesp-Araçatuba

FMVZ/Unesp-Botucatu

F. Marlon C. Feijo

Juliana Brondani

Marta Brito

Ricardo Duarte

UFERSA

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMVZ/USP-São Paulo

All Care Vet / FMU

Estela Molina FCV/UBA

Fabian Minovich UJAM-Mendoza

Fabiano Montiani-Ferreira FMV/UFPR

Fabiano Séllos Costa DMV/UFRPE

Fabio Otero Ascol IB/UFF

Fabricio Lorenzini FAMi

Fernando C. Maiorino FEJAL/CESMAC/FCBS

Fernando de Biasi DCV/CCA/UEL

Fernando Ferreira

DCV/CCA/UEL

Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017

Ricardo G. D’O. C. Vilani UFPR

Ricardo S. Vasconcellos CAV/UDESC

Rita de Cassia Garcia FMV/UFPR

Rita de Cassia Meneses IV/UFRRJ

Rita Leal Paixão FMV/UFF

Robson F. Giglio Hosp. Cães e Gatos; Unicsul

Rodrigo Gonzalez FMV/Anhembi-Morumbi

Rodrigo Mannarino FMVZ/Unesp-Botucatu

Rodrigo Teixeira Zoo de Sorocaba

Ronaldo C. da Costa CVM/Ohio State University

Ronaldo G. Morato CENAP/ICMBio

Rosângela de O. Alves EV/UFG

Rute C. A. de Souza UFRPE/UAG

Ruthnéa A. L. Muzzi DMV/UFLA

Sady Alexis C. Valdes Unipam-Patos de Minas

Sheila Canavese Rahal FMVZ/Unesp-Botucatu

Silvia E. Crusco UNIP/SP

Silvia Neri Godoy ICMBio/Cenap

Silvia R. G. Cortopassi FMVZ/USP-São Paulo

Silvia R. R. Lucas FMVZ/USP-São Paulo

Silvio A. Vasconcellos FMVZ/USP-São Paulo

Silvio Luis P. de Souza FMVZ/USP, UAM

Simone Gonçalves Hemovet/Unisa

Stelio Pacca L. Luna FMVZ/Unesp-Botucatu

Tiago A. de Oliveira UEPB

Tilde R. Froes Paiva FMV/UFPR

Valéria Ruoppolo Int. Fund for Animal Welfare

Vamilton Santarém Unoeste

Vania M. de V. Machado FMVZ/Unesp-Botucatu

Victor Castillo FCV/UBA

Vitor Marcio Ribeiro PUC-MG

Viviani de Marco UNISA e NAYA Especialidades

Wagner S. Ushikoshi FMV/UNISA e FMV/CREUPI

Zalmir S. Cubas Itaipu Binacional

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INSTRUÇÕES AOS AUTORES

A

Clínica Veterinária publica artigos científicos inéditos, de três tipos: trabalhos de pesquisa, relatos de caso e revisões de literatura. Embora todos tenham sua importância, nos trabalhos de pesquisa, o ineditismo encontra maior campo de expressão, e como ele é um fator decisivo no âmbito científico, estes trabalhos são geralmente mais valorizados. Todos os artigos enviados à redação são primeiro avaliados pela equipe editorial e, após essa avaliação inicial, encaminhados aos consultores científicos. Nessas duas instâncias, decide-se a conveniência ou não da publicação, de forma integral ou parcial, e encaminham-se ao autores sugestões e eventuais correções. Trabalhos de pesquisa são utilizados para apresentar resultados, discussões e conclusões de pesquisadores que exploram fenômenos ainda não completamente conhecidos ou estudados. Nesses trabalhos, o bem-estar animal deve sempre receber atenção especial. Relatos de casos são utilizados para a apresentação de casos de interesse, quer seja pela raridade, evolução inusitada ou técnicas especiais. Devem incluir uma pesquisa bibliográfica profunda sobre o assunto (no mínimo 30 referências) e conter uma discussão detalhada dos achados e conclusões do relato à luz dessa pesquisa. A pesquisa bibliográfica deve apresentar no máximo 15% de seu conteúdo provenientes de livros, e no máximo 20% de artigos com mais de cinco anos de publicação. Revisões são utilizadas para o estudo aprofundado de informações atuais referentes a um determinado assunto, a partir da análise criteriosa dos trabalhos de pesquisadores de todo o meio científico, publicados em periódicos de qualidade reconhecida. As revisões deverão apresentar pesquisa de, no mínimo, 60 referências provadamente consultadas. Uma revisão deve apresentar no máximo 15% de seu conteúdo provenientes de livros, e no máximo 20% de artigos com mais de cinco anos de publicação.

Critérios editoriais Para a primeira avaliação, os autores devem enviar através do site da revista um arquivo texto (.doc) com o trabalho, acompanhado de imagens digitalizadas em formato .jpg - http://revistaclinicaveterinaria.com.br/blog/envio-de-artigos-cientificos/. As imagens digitalizadas devem ter, no mínimo, resolução de 300 dpi na largura de 9 cm. Se os autores não possuírem imagens digitalizadas, devem encaminhar pelo correio ao nosso departamento de redação cópias das imagens originais (fotos, slides ou ilustrações – acompanhadas de identificação de propriedade e autor). Devem ser enviadas também a identificação de todos os autores do trabalho (nome completo por extenso, RG, CPF, endereço residencial com cep, telefones e e-mail). Além dos nomes completos, devem ser informadas as instituições às quais os autores estejam vinculados, bem como seus títulos no momento em que o trabalho foi escrito. Os autores devem ser relacionados na seguinte ordem: primeiro, o autor principal, seguido do orientador e, por fim, os colaboradores, em sequência decrescente de participação. Sugere-se como máximo seis autores. O primeiro autor deve necessariamente ter diploma de graduação em medicina veterinária. Todos os artigos, independentemente da sua categoria, devem ser redigidos em língua portuguesa e acompanhados de versões em língua inglesa e espanhola de: título, resumo (de 700 a 800 caracteres) e unitermos (3 a 6). Os títulos devem ser claros e grafados em letras minúsculas – somente a primeira letra da primeira palavra deve ser grafada em letra maiúscula. Os resumos devem ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões, de forma concisa, dos pontos relevantes do trabalho apresentado. Os unitermos não devem constar do título. Devem ser dispostos do mais abrangente para o mais específico (eg, “cães, cirurgias, abcessos, próstata). Verificar se os unitermos escolhidos constam dos “Descritores em Ciências de Saúde” da Bireme (http://decs.bvs.br/). Revisões de literatura não devem apresentar o subtítulo “Conclusões”. Sugere-se “Considerações finais”. Não há especificação para a quantidade de páginas, dependendo esta do conteúdo explorado. Os assuntos devem ser abordados com objetividade e clareza, visando o público leitor – o clínico veterinário de pequenos animais. Utilizar fonte arial tamanho 10, espaço simples e uma única coluna. As margens superior, inferior e laterais devem apresentar até 3 cm. Não deixar linhas em branco ao longo do texto, entre títulos, após subtítulos e entre as referências.

No caso de todo o material ser remetido pelo correio, devem necessariamente ser enviados, além de uma apresentação impressa, uma cópia em CD-rom. Imagens como fotos, tabelas, gráficos e ilustrações não podem ser cópias da literatura, mesmo que seja indicada a fonte. Devem ser utilizadas imagens originais dos próprios autores. Imagens fotográficas devem possuir indicação do fotógrafo e proprietário; e quando cedidas por terceiros, deverão ser obrigatoriamente acompanhadas de autorização para publicação e cessão de direitos para a Editora Guará (fornecida pela Editora Guará). Quadros, tabelas, fotos, desenhos, gráficos deverão ser denominados figuras e numerados por ordem de aparecimento das respectivas chamadas no texto. Imagens de microscopia devem ser sempre acompanhadas de barra de tamanho e nas legendas devem constar as objetivas utilizadas. As legendas devem fazer parte do arquivo de texto e cada imagem deve ser nomeada com o número da respectiva figura. As legendas devem ser autoexplicativas. Não citar comentários que constem das introduções de trabalhos de pesquisa para não incorrer em apuds. Sempre buscar pelas referências originais. O texto do autor original deve ser respeitado, utilizando-se exclusivamente os resultados e, principalmente, as conclusões dos trabalhos. Quando uma informação tiver sido localizada em diversas fontes, deve-se citar apenas o autor mais antigo como referência para essa informação, evitando a desproporção entre o conteúdo e o número de referências por frases. As referências serão indicadas ao longo do texto apenas por números sobrescritos ao texto, que corresponderão à listagem ao final do artigo – autores e datas não devem ser citados no texto. Esses números sobrescritos devem ser dispostos em ordem crescente, seguindo a ordem de aparecimento no texto, e separados apenas por vírgulas (sem espaços). Quando houver mais de dois números em sequência, utilizar apenas hífen (-) entre o primeiro e o último dessa sequência, por exemplo cão 1,3,6-10,13. A apresentação das referências ao final do artigo deve seguir as normas atuais da ABNT 2002 (NBR 10520). Utilizar o formato v. para volume, n. para número e p. para página. Não utilizar “et al” – todos os autores devem ser relacionados. Não abreviar títulos de periódicos. Sempre utilizar as edições atuais de livros – edições anteriores não devem ser utilizadas. Todos os livros devem apresentar informações do capítulo consultado, que são: nome dos autores, nome do capítulo e páginas do capítulo. Quando mais de um capítulo for utilizado, cada capítulo deverá ser considerado uma referência específica. Não serão aceitos apuds nem revisões de literatura (Citação direta ou indireta de um autor a cuja obra não se teve acesso direto. É a citação de “segunda mão”. Utiliza-se a expressão apud, que significa “citado por”. Deve ser empregada apenas quando o acesso à obra original for impossível, pois esse tipo de citação compromete a credibilidade do trabalho). A exceção será somente para literatura não localizada e obras antigas de difícil acesso, anteriores a 1960. As citações de obras da internet devem seguir o mesmo procedimento das citações em papel, apenas com o acréscimo das seguintes informações: “Disponível em: <http://www.xxxxxxxxx>. Acesso em: dia de mês de ano.” Somente utilizar o local de publicação de periódicos para títulos com incidência em locais distintos, como, por exemplo: Revista de Saúde Pública, São Paulo e Revista de Saúde Pública, Rio de Janeiro. De modo geral, não são aceitas como fontes de referência periódicos ou sites não indexados. Ocasionalmente, o conselho científico editorial poderá solicitar cópias de trabalhos consultados que obrigatoriamente deverão ser enviadas. Será dado um peso específico à avaliação das citações, tanto pelo volume total de autores citados, quanto pela diversidade. A concentração excessiva das citações em apenas um ou poucos autores poderá determinar a rejeição do trabaho. Não utilizar SID, BID e outros. Escrever por extenso “a cada 12 horas”, “a cada 6 horas” etc. Com relação aos princípios éticos da experimentação animal, os autores deverão considerar as normas do SBCAL (Sociedade Brasileira de Ciência de Animais de Laboratório). Informações referentes a produtos utilizados no trabalho devem ser apresentadas em rodapé, com chamada no texto com letra sobrescrita ao princípio ativo ou produto. No rodapé devem constar o nome comercial, fabricante, cidade e estado. Para produtos importados, informar também o país de origem, o nome do importador/distribuidor, cidade e estado.

Revista Clínica Veterinária / Redação Rua dr. José Elias 222 CEP 05083-030 São Paulo - SP cvredacao@editoraguara.com.br

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Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017


NOTÍCIAS

Programe-se para o CBA em Pernambuco

A

programação científica do 38º Congresso Brasileiro da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais, que acontece de 3 a 5 de maio de 2017, no estado de Pernambuco, está repleta de palestrantes de renome. Quem se inscreveu também já deve ter conferido a programação científica. Porém, e a programação turística? É melhor programar os passeios com antecedência... Um lugar que tradicionalmente recebia grande visitação é o Centro de Mamíferos Aquáticos. Na rota dos visitantes, há belas praias (Coroa do Avião) para chegar ao centro e ver de perto os peixes-bois em reabilitação. Porém, desde o início de 2017, o centro encontra-se

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fechado. Segundo notícias recentes, a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco está em busca de uma parceria público-privada para reabrir o local. Enquanto isso, a verba de R$ 1 milhão de reais é direcionada para a APA Costa dos Corais, que também abriga ações do projeto de preservação do peixe-boi marinho. No litoral sul do estado de Pernambuco está Porto de Galinhas, e, mais ao sul, a praia dos Carneiros, que desponta em vários rankings das praias mais bonitas. Em Recife, não se deve deixar de fora do roteiro turístico o bairro do Recife Antigo. Há várias opções de mobilidade, como por exemplo, bicicletas públicas, entre outras: http://www.portoleve.org/ .

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O Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA), Centro Especializado do ICMBio (Portaria nº 78 de 3/9/2009), na ilha de Itamaracá, era muito frequentado. Porém, desde o início de 2017, ele está fechado para visitação. Outro ponto turístico da ilha e vizinho ao CMA é o Sítio Histórico Forte Orange. Porém, devido à reforma, os turistas podem ir apenas até o mirante, de onde se pode ver a praia Coroa do Avião. Por isso, consulte e planeje seu itinerário durante sua estada em Pernambuco 14

Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017


As ladeiras de Olinda Caminhar pelas ladeiras de Olinda – tombada como Patrimônio Cultural Mundial – é um passeio obrigatório tanto de dia quanto de noite. Olinda tem belas construções, mirantes e galerias de arte que encantam seus visitantes, juntamente com o pôr do sol inesquecível que se vê do Alto da Sé. Até hoje suas ladeiras são preservadas e exibem as heranças coloniais deixadas pelos portugueses e holandeses. Outro detalhe é que ela está apenas a 10 minutos do Centro de Convenções de Pernambuco (3,7km de distância).

Reserve tempo e um calçado confortável para caminhar pelas ladeiras de Olinda

http://www.medcom.net.br

Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017

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ESPECIALIDADES

Fundador do Instituto de Etologia de Cambridge ministrará seminário no Brasil

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etólogo Roger Abrantes, bém artigos científicos. fundador do Instituto de Além do mais, ensina etoloEtologia de Cambridge e gia, aprendizagem animal e um dos maiores especialistas em epistemologia (teoria do cocomportamento animal, estará nhecimento), além de seu presente no Brasil nos dias 21 e trabalho prático com os cães, 22 de abril para ministrar o semicavalos, gatos, cobaias e nário teórico-prático “Animal ratos. Training – My Way”. Destinado a adestradores, Roger Abrantes, PhD em bioetólogos, comportamentalisDemonstração de Roger Abrantes em Madri: logia evolutiva e etologia e tas e todos os interessados na http://youtu.be/AxWIYpqyJxE bacharel em filosofia, nasceu em ciência que envolve o comPortugal, mas atualmente reside portamento canino, o semina Tailândia. É instrutor na CNCA (EUA), conselheiro nário ocorrerá nos dias 21 e 22 de abril, em Bragança especial da GNR (Portugal) e membro do Conselho Paulista, SP, no Hotel Fazenda Tio Nicola. Consultivo Científico do DHVE (Alemanha). Nesse seminário teórico-prático, realizado com os cães Detém a autoria de 27 livros em inglês, com traduções dos próprios participantes, Roger Abrantes mostrará os 20 para o alemão, espanhol, dinamarquês, sueco, norueguês, princípios mais relevantes no treino animal, um por um, italiano e tcheco, e de numerosos artigos sobre comporta- exemplificando-os em demonstrações práticas com os mento. É provavelmente um dos etólogos mais versáteis cães. Também vai definir cada termo de forma precisa, do mundo. Seu trabalho varia entre palestras no Instituto explicando-os cuidadosamente e destacando a importânde Etologia de Cambridge e em universidades de diversas cia da relação entre o treinador e o animal, que enfatiza a partes do mundo, além de palestras populares, treinamen- motivação e o reforço mais significativo. Roger Abrantes to de policiais, equipes de procura e resgate (search and usa poucas palavras (sons) quando treina animais, e se rescue – SAR) e treinamento de ratos para detectar minas comunica com eles utilizando a linguagem corporal e terrestres na Tanzânia. Ele escreveu não só livros popula- movimentos precisos. res com bons conselhos aos tutores de animais, mas tam- Informações: aevcursos@gmail.com

http://www.petgames.com.br

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Oportunidades de atualização científica em oncologia veterinária

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m maio de 2016, o Brasil sediou pela primeira vez o Congresso Mundial de Oncologia Veterinária (World Veterinary Cancer Congress – WVCC), uma oportunidade para encontrar e conhecer especialistas de diferentes países. O congresso contou com a presença do dr. Lluis Mir, pesquisador do Institut Gustave Roussy, na França, e inventor da técnica de eletroquimioterapia. Ainda em 2016, em novembro, em Ribeirão Preto, SP, realizaram-se o I Workshop sobre Eletroquimioterapia e o I Simpósio Internacional de Oncologia de Pequenos Animais. O evento contou com a presença de três renomados palestrantes internacionais: dr. Enrico P. Spugnini (Itália), referência mundial em eletroquimioterapia; dr. Michael O. Childress, do College of Veterinary Medicine da Purdue University (EUA), que destacou os principais desafios do tratamento dos carcinomas de células transicionais em cães; e o dr. Cristian Torres Mendoza, da Facultad de Ciencias

Veterinarias y Pecuarias da Universidad de Chile, que mostrou as pesquisas mais recentes sobre os benefícios do tratamento das neoplasias mamárias em gatas e cadelas. Prestigiada por profissionais de diferentes regiões do Brasil, da Argentina e do Chile, essa conferência foi uma oportunidade para a troca de experiências entre os profissionais e a atualização técnico-científica. O evento foi organizado pela profa. dra. Sabryna G. Calazans (Universidade de Franca) e pelo dr. Carlos Eduardo Fonseca Alves (Unesp-Botucatu). Agora, de 28 de abril a 1º de maio de 2017, será realizado o IX Oncovet, o congresso oficial da Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (Abrovet). A programação científica do congresso deste ano tem foco na qualidade de vida do paciente oncológico e contará com a presença de palestrantes internacionais de renome, como a dra. Alice Villalobos e a dra. Felisbina Queiroga. Participe: http://www.abrovet.org.br .

http://vetsoft.com.br/rev Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017

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ESPECIALIDADES

NEUROLOGIA CANINA E FELINA – guia prático

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partir de abril estará disponível na Livraria ProBem a obra Neurologia canina e felina – guia prático, recentemente traduzida do original Practical Guide to Canine and Feline Neurology. Um título essencial para ser adicionado à biblioteca de todos os interessados em estudar o diagnóstico e o tratamento de cães e gatos com distúrbios neurológicos.

Durante o Congresso Brasileiro da Anclivepa, o prof. dr. Ronaldo Casimiro da Costa estará autografando a obra recém-lançada em português

Compre on line: http://probem.info 18

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O prof. dr. Ronaldo Casimiro da Costa ministrará palestras durante o Congresso da Anclivepa e também autografará a obra, no estande da revista Clínica Veterinária, onde o livro também estará à venda: A seguir, confira os 23 capítulos que compõem a obra: 1-Identificação e histórico: as primeiras considerações; 2-Realizando o exame neurológico; 3-Localização da lesão: neuroanatomia funcional e não funcional; 4-Diagnóstico diferencial; 5-Neurodiagnóstico; 6-Princípios e aplicações da ressonância magnética (RM): A) Ressonância magnética (RM) do encéfalo; B) Ressonância magnética (RM) da coluna vertebral; 7-Encefalopatias: distúrbios do encéfalo; 8-Traumatismo craniencefálico; 9-Epilepsia, crises epilépticas e narcolepsia;

10-Movimentos involuntários e distúrbios paroxísticos; 11-Distúrbios do equilíbrio e da audição: o nervo vestibulococlear (NC VIII) e as estruturas associadas; 12-Doenças do cerebelo e síndromes de tremor; 13-Mielopatias: doenças da medula espinhal; 14-Distúrbios da cauda equina; 15-Traumatismo da coluna vertebral e/ou medula espinhal; 16-Neurologia e neurofarmacologia da micção normal e anormal; 17-Distúrbios do sistema nervoso periférico: mono e polineuropatias; 18-Miopatias: distúrbios dos músculos esqueléticos; 19-Juncionopatias: distúrbios da junção neuromuscular 20-Cuidados de enfermagem e reabilitação em pacientes com doença neurológica; 21-Manejo farmacológico da dor em pacientes com doença neurológica; 22-Terapia complementar e alternativa em pacientes com doença; 23-Síndromes neurotoxicológicas.

http://www.focusdiagnostico.com

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EDUCAÇÃO

Mini-hospital veterinário associa universidade a educação básica Em sintonia com as diretrizes da Capes para 2017, projeto de extensão e pesquisa ensina os conceitos de guarda responsável, bem-estar animal e zoonoses às crianças da rede fundamental de ensino

S

Curitiba e na região metropolitana egundo Diretriz da CAPES, em (PR), em escolas públicas e particuladocumento de área da medicina res, com crianças de 4 a 8 anos. Conta veterinária de 2016 1, a pós-gracom a colaboração de graduandos, duação e a educação básica são conpós-graduandos e professores de comitante e reciprocamente “consumimedicina veterinária da UFPR. doras da produção de conhecimento”, Nos anos de 2015 2 e 2016, foram bem como da formação de pessoal tais como futuros educadores, pesquisadofeitas 51 apresentações. O projeto res, extensionistas e, sobretudo, cidaalcançou 2.259 crianças, sendo dez dãos. O acesso a uma formação básica delas com necessidades especiais, que de qualidade, segundo a CAPES, Figura 1 - Participação das crianças já estavam inseridas nas escolas. Em poderá potencializar suas habilidades na atividade do cão com leptospiro- cada ação participam, em média, de em pesquisa, portanto, temas de edu- se. As crianças recebem a informa- 40 a 45 crianças, separadas em grupos ção de que o cão está doente. No cação básica enquanto objeto de pes- detalhe, a coleta de sangue do cão de cinco ou mais, de acordo com o núquisa podem conduzir ao avanço tanto para a análise laboratorial (existe um mero total. do conhecimento científico quanto das frasco com líquido vermelho no inteAs atividades são realizadas em respectivas tecnologias educacionais. mó dulos que simulam ambientes inrior do boneco, conectado a um disAinda nesse documento, a múlti e a positivo em seu braço, de forma que ternos de um hospital veterinário, interdisciplinaridade, a participação de é possível a coleta “real” com uma como o setor de isolamento de doenalunos de graduação, a inserção de seringa sem agulha) ças infectocontagiosas, de cirurgia, de pós-graduandos na educação básica e clínica médica e um laboratório para a o detalhamento dos projetos de inserção social serão regis- realização de exames. Os pacientes das atividades são trados, avaliados e valorizados. O aprimoramento do siste- bichos de pelúcia adaptados, confeccionados pelos intema de avaliação de programas de pós-graduação poderia grantes do projeto de extensão, e também brinquedos divertambém ser realizado de maneira a incrementar as métricas sos que simulam os transmissores de doenças, como morcegos e ratos de borracha. Durante a atividade, os instrue atribuir pontuação à inserção deles na educação básica. Desse modo, a atribuição de maior peso aos livros didá- tores colocam as crianças para partilicar da resolução do ticos e demais materiais (impressos e digitais) destinados às caso clínico e estimulam que elas sejam minimédicos-veteredes de educação básica poderia inclusive servir para ava- rinários por um dia, fazendo com que atuem diretamente na liar a inserção do respectivo programa, não apenas sob o execução das tarefas e no desenvolvimento da atividade. aspecto quantitativo. Em resumo, o Comitê de Área da Durante a simulação, os instrutores passam às crianças inMedicina Veterinária recomenda o maior engajamento dos formações sobre o paciente, explicam a doença em questão programas de pós-graduação em atividades de educação e o que deveria ser feito caso um animal se encontrasse em (graduação e educação básica), como necessidade de refor- situação semelhante. Todas as crianças passam por 11 ativiçar o vínculo da pós-graduação com a graduação. dades, e o trajeto total leva aproximadamente 80 minutos. Mas como fazer isso? Bem, em outros países isso já é As zoonoses abordadas são leptospirose, raiva, bichofeito há algum tempo, com o nome de open house, quando geográfico e sarna sarcóptica. No módulo da leptospirose, o hospital-escola veterinário abre as portas para a comuni- por exemplo, uma criança "coleta sangue" (com seringa dade e as escolas, e de outreach ou extension, com progra- sem agulha) do cão internado com suspeita dessa zoonose. mas da universidade nas escolas do ensino fundamental e As crianças seguem para o laboratório, onde examinam a médio. amostra de sangue em uma lâmina com uma técnica que O projeto de extensão Mini-hospital Veterinário, vincu- simula o teste de aglutinação microscópica (MAT), e diaglado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), está em nosticam a doença. Depois seguem para uma investigação funcionamento desde o ano de 2014. Foi criado com o no ambiente em que o cão vive e descobrem um rato (de objetivo de repassar de forma lúdica conceitos sobre zoo- brinquedo). Em seguida, discute-se o meio de transmissão noses, guarda responsável, bem-estar animal e preservação da doença, como preveni-la e como cuidar do animal doenda fauna exótica. O projeto é executado no município de te (Figura 1). 20

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No “setor de cirurgia” as crianças participam de duas atividades. Para se sentirem como cirurgiões veterinários, são disponibilizadas vestimentas semelhantes a aventais cirúrgicos, toucas, máscaras e luvas de procedimento. Na primeira atividade, as crianças ajudam a retirar pequenos brinquedos do estômago de um cão e aprendem que não devem deixar brinquedos espalhados pela casa, e também que o cão precisa de uma alimentação adequada (Figura 2). Na segunda cirurgia, ajudam uma tartaruga que ingeriu acidentalmente lixo no mar e são conscientizadas sobre os perigos que o nosso lixo representa para o meio ambiente e para a fauna ali presente (Figura 3). Outro módulo que aborda a interferência do ser humano no meio ambiente onde vivem os animais silvestres é o “ligue da fauna”, que fala sobre os animais em extinção, expõe os males gerados pelo contrabando e também desperta uma percepção sobre o habitat natural de cada espécie (Figura 4). Os conceitos de bem-estar animal e posse responsável de animais são exposto nas demais atividades que simulam a rotina clínica do médico veterinário. Em um desses módulos, as crianças auxiliam no atendimento de um cão que saiu de casa sozinho e acabou sendo atropelado. Nessa ativida-

Figura 2 - Atividade da cirurgia do cão em que as crianças são previamente paramentadas para a cirurgia e realizam o procedimento de retirada de corpo estranho do estômago do paciente

de são discutidos conceitos de guarda responsável, e os alunos ajudam a diagnósticar e cuidar do animal (Figura 5). Durante a realização das ações, percebe-se facilmente a diversão e a curiosidade das crianças nas atividades, cuja grande maioria interage com o grupo e com os monitores de forma satisfatória. Além da diversão, as brincadeiras funcionam como instrumento de auxílio de desenvolvimento infantil e promovem socialização e descobrimento do mundo 3. As crianças entendem a problemática apresentada, buscam soluções e associam o que vivem nas brincadeiras com o que acontece com seus animais em casa. Esse público foi escolhido para a aplicação das atividades por ter o maior interesse no aprendizado e também grande potencial de disseminar informações na sociedade 4. Para as crianças, as brincadeiras são uma maneira de assimilar e interpretar o mundo 5. Elas também proporcionam a assimilação de valores e a incorporação de conhecimentos 6. No caso do projeto, a educação aliada à promoção da saúde contribui para o fortalecimento social e pode produzir resultados positivos na melhora de qualidade de vida, tanto de seres humanos quanto de animais 7. Dentre os resultados almejados com as atividades do projeto em curto prazo, espera-se que os conhecimentos sejam difundidos na comunidade, e, em longo prazo, que sejam reduzidos os casos de maus-tratos e abandono de animais, com adultos mais instruídos. Devido à faixa etária atendida, a forma mais acessível de avaliação das ações por parte das crianças é a realização de desenhos ilustrando o que mais gostaram ou o que aprenderam nas atividades. Sendo assim, após as ações, as professoras são estimuladas a promover uma atividade de desenho com as crianças em sala, para depois encaminhar o resultado para as coordenadoras do projeto. Os desenhos fornecem uma representação gráfica do conhecimento aprendido, estão intimamente ligados à obtenção de novos processos criativos 8. Percebeu-se que as ações realizadas foram importante estratégia de ensino e aprendizagem dos conceitos transmitidos. Outra forma de avaliação do projeto

Figura 3 - Crianças na atividade da cirurgia da tartaruga. À esquerda: é contada a história da tartaruga que ingeriu acidentalmente plásticos por confundi-los com seu alimento. Nesse momento elas aprendem que a poluição dos mares pode ser danosa também aos animais. À direita: após a conscientização, auxiliam na cirurgia do paciente Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017

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EDUCAÇÃO

UFPR, pelas bolsas concedidas ao projeto e também às empresas Nikko Distribuidora e Farmina Pet Foods, pelo apoio. Referências

Figura 4 - Atividade do “ligue da fauna”. Nela as crianças são convidadas a conhecer melhor alguns animais silvestres da fauna brasileira. Os monitores descrevem as características físicas dos animais e pedem que descubram a qual animal as informações se referem. São abordados também durante a brincadeira conceitos sobre contrabando de animais, extinção e o habitat de cada espécie

Figura 5 - Participação das crianças na atividade do cão de pata quebrada. As crianças atendem um cão que fugiu de casa e foi atropelado, e realizam exames e tratamento

é realizada junto às professoras, com o uso de questionários que avaliam a montagem e a execução do projeto. Todas consideraram o projeto útil para o aprendizado e adequado para a faixa etária de seus alunos. Além das ações nas escolas o projeto também esetá na rede social Facebook – http://fb.com/minihospitalveterinarioUFPR. A página divulga o projeto à comunidade e apresenta conteúdos sobre as ações. Além disso, foram divulgados na página os links para as publicações do projeto no site Recursos Educacionais Abertos (REA), um acervo digital da UFPR. Essas publicações descrevem a montagem e a execução de todos os módulos do Mini-hospital Veterinário, e têm como objetivo disponibilizar o conteúdo para que outras universidades tenham a possibilidade de criar projetos semelhantes. Agradecimentos Às escolas que receberam o projeto de braços abertos, para que fosse possível a concretização das atividades; à PróReitoria de Extensão da UFPR e à Fundação Araucária e 22

01-FUNDAÇÃO CAPES. Medicina veterinária. Documento de Área (Avaliação Quadrienal) Ministério da Educação: Fundação CAPES, 2016. Acesso em 14/03/2017. http://capes.gov.br/component/content/article/44-avaliacao/4640-medicina-veterinaria 02-ISHIKURA, J. I. ; CORDEIRO, C. T. ; SILVA, E. C. Mini-Hospital Veterinário: guarda responsável, bem estar animal, zoonoses e proteção a fauna exótica. Revista Brasileira de Extensão Universitária, v. 8, n. 1, 2017. 03-MALUF, A. C. M. A Iimportância das brincadeiras na evolução dos processos de desenvolvimento humano. Revista Psicopedagogia, 2003. 04-OLIVEIRA, M. A. F. C. ; BUENO, S. M. V. Comunicação educativa do enfermeiro na promoção da saúde sexual do escolar. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 5, n. 3, p. 71-81, 1997. 05-WAJSKOP, G. O brincar na educação infantil. Cadernos de Pesquisa, n. 92, p. 62-69, 1995. 06-PINTO, C. L. ; TAVARES, H. M. O lúdico na aprendizagem: apreender e aprender. Revista da Católica, v. 2, n. 3, p. 226-235, 2010. Disponível em <http://www.catolicaonline.com.br/revistadacatolica2/artigosv2n3/15-pedagogia.pdf>. 07-COSTA, F. S. ; SILVA, J. L. L. ; DINIZ, M. I. G. A importância da interface educação/saúde no ambiente escolar como prática de promoção da saúde. Informe-se em promoção da Sáude, v. 4, n. 2, p. 30-33, 2008. 08-MORENO, M. O desenho: um processo de ensino, aprendizagem e desenvolvimento do processo criativo. Revista Pedagógica, v. 10, n. 21, p. 121-141, 2008. doi: 10.22196/rp.v10i21.319. Carolina Trochmann Cordeiro - MV Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal do Paraná caroltrochmann@gmail.com Juliana Ikeda Ishikura Graduanda em medicina veterinária, Universidade Federal do Paraná julianaishikura@gmail.com Evelyn Cristine da Silva Graduanda em medicina veterinária, Universidade Federal do Paraná ev.cristine@hotmail.com Alexander Welker Biondo - MV, MSc, PhD Professor de Zoonoses e Medicina Veterinária do Coletivo do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Paraná abiondo@ufpr.br Simone Tostes de O. Stedile - MV, MSc, PhD Professora de Semiologia Veterinária do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Paraná tostesimone@gmail.com

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MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO

CRMV-SP lança campanha de guarda responsável

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esde o final de janeiro, milhares de pessoas come- merece a atenção de toda a sociedade. É preciso mais çaram a ser impactadas pela campanha “Quando a comprometimento de todos com a saúde e o bem-estar dos gente gosta, é claro que a gente cuida”, lançada animais, assim como com a saúde humana e ambiental”, pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do afirma o dr. Mário E. Pulga, presidente do CRMV-SP. Para a médica-veterinária dra. Vânia de Fátima Plaza Estado de São Paulo (CRMV-SP), com o objetivo de alerNunes, presidente da comistar as pessoas sobre a guarsão de médicos-veterinários da responsável de animais de ONGs do CRMV-SP, um domésticos. No dia 13 de futuro tutor deve avaliar crifevereiro, teve início uma teriosamente a decisão de segunda etapa da campanha, adotar um animal doméstico. com o lançamento de um “A relação entre o vídeo de dois minutos nas homem e os animais domésredes sociais. ticos é muito forte, e vai O curta conta os dramas além do fator físico-biológivividos por um cachorro co. Os cães, por exemplo, abandonado nas ruas por têm necessidade de conviver sua tutora. O vídeo é emba- "Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida!" com as pessoas. E quando há lado pela música “Sozinho”, Diga não ao abandono. Campanha contra o abandoum rompimento, um abando compositor Peninha. O no promovida pelo CRMV-SP: dono, o sofrimento psicolóartista e a Peermusic do http://youtu.be/sD1FNDLeaho gico acaba sendo o principal Brasil Edições Musicais autorizaram o uso da canção para a campanha gra- problema. Por isso, é essencial considerar a compra ou tuitamente, por serem solidários com a causa de abando- adoção de um animal doméstico com muita calma”, avalia a dra. Vânia. no de animais.

Estima-se que no Brasil existam mais de 30 milhões de cães e gatos em situação de abandono

A música deu base a toda a campanha, que pretende sensibilizar as pessoas sobre um tema que não pode ser deixado de lado. Afinal de contas, estima-se que existam mais de 30 milhões de cães e gatos em situação de abandono no Brasil e mais de 200 milhões em todo o mundo, de acordo com números da Organização Mundial de Saúde (OMS). Apenas na cidade de São Paulo, as instituições de acolhimento e os abrigos recolhem mais de 500 animais por mês. “O abandono de animais é um problema global que 24

Confira detalhes do abandono de animais e da campanha lançada pelo CRMV-SP: http://youtu.be/_DMnXl8YoJo

Além do vídeo, a campanha foi literalmente para as ruas de São Paulo com peças de comunicação veiculadas no metrô, nos ônibus da capital e nos principais terminais rodoviários, além de ações em colaboração com ONGs de amparo animal, escolas e formadores de opinião. “A intenção dessa campanha é, de uma maneira lúdica, conseguir conscientizar e educar a população sobre a importância da guarda responsável de animais”, esclarece o presidente do Conselho.

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http://www.fb.com/conpavepaevetexpo

http://www.conpavepa.com.br


SAÚDE PÚBLICA

Tratamento da leishmaniose visceral canina

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m setembro de 2016, foi publicada nota técnica interministerial que liberou o Milteforan® para o tratamento canino no Brasil: http://goo.gl/e4Mw8a. Desde que isso aconteceu, a legalidade do tratamento foi consolidada e a Virbac, empresa responsável pela sua importação e distribuição, passou a realizar eventos técnicos por todo o Brasil para compartilhar com os médicos veterinários os protocolos que envolvem a prescrição e o acompanhamento do tratamento da leishmaniose visceral canina (LVC). Os profissionais que pretendem tratar cães com LVC devem estar preparados para diagnosticar corretamente e para monitorar o paciente em tratamento. Havendo dúvidas, o melhor procedimento é encaminhar para profissionais experientes. Além disso, é importante que, mesmo não acreditando no tratamento, desmerecê-lo ou omiti-lo pode gerar denúncias por imperícia, pois é fato concreto: ele existe! Diagnostique e prescreva!

http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE

XVIII SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA | 4 e 5 de novembro | Belo Horizonte | MG Programação preliminar • Saúde única – leishmaniose visceral humana e animal • Aspectos do diagnóstico e tratamento da leishmaniose visceral humana • Situação atual da leishmaniose visceral canina no Brasil – diagnóstico, ações de controle, desafios e inovações • Ações de controle da leishmaniose visceral centradas na população canina – o abate, inseticidas, vacinação e outras ações • Regulamentação e ações de controle da leishmaniose visceral em Portugal e na Europa • Vetores de Leishmania infantum – especulações de novos vetores e controle de flebotomíneos • Regulamentação do uso de produtos para o tratamento da leishmaniose visceral canina • A pesquisa do uso do milteforan no tratamento da leishmaniose visceral canina • Ações de diagnóstico, estadiamento e tratamento da leishmaniose visceral humana e canina em Portugal e na Europa • Diagnóstico da leishmaniose visceral canina e a avaliação da carga parasitária no Brasil • Estadiamento e tratamento da leishmaniose visceral canina no Brasil – medicamentos disponíveis. • Centros de Controle de Zoonoses e a medicina do coletivo frente à leishmaniose visceral canina

“Participar de noite de lançamento do Milteforan® significa noite de mostrar que podemos exercer a medicina veterinária plenamente, que não precisamos ser clandestinos...”, dra. Romeika Reis Lima, da Canis & Catus Especialidades – http://youtu.be/nMDdzmXdnRE

http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE http://youtu.be/nMDdzmXdnRE O dr. Drauzio Varella entrevista o dr. Vitor Márcio Ribeiro, compartilhando importantes esclarecimentos que envolvem a leishmaniose visceral canina – http://youtu.be/nMDdzmXdnRE 26

Equipe da Virbac e os drs. Fábio Nogueira e Vitor Márcio Ribeiro durante o lançamento do Milteforan ® em Ara ça tuba, SP. Um ponto vital compartilhado nesses eventos é o Virbac Club Pet, que é um banco de dados onde se faz o cadastramento dos animais em tratamento e dos respectivos lotes de Milteforan® utilizados, visando a rastreabilidade

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PESQUISA

Pesquisa analisa dispersão de parasitas por aves nas Américas* Monitorar e entender a dispersão de microrganismos com potencial patológico é uma preocupação constante das autoridades sanitárias e epidemiológicas em todo o mundo. Os riscos envolvidos são evidentes, devido à possibilidade da eclosão de surtos de doenças emergentes em seres humanos ou em animais domésticos e de criação

A

transferência de agentes patológicos por fronteiras pode ocorrer por meio da mobilidade humana, mas também pelo trânsito de animais silvestres. Um dos principais suspeitos a serem monitorados são as aves migratórias, que transportam parasitas por longas distâncias. Mas pouco se sabe sobre a transferência desses parasitas para as populações de aves residentes nos locais de invernagem ou de procriação das aves migratórias. Um estudo internacional pioneiro feito a partir da análise de parasitas da malária nas amostras de sangue coletadas em mais de 24 mil aves migratórias e residentes de 23 países dos dois hemisférios americanos foi publicado no Journal of Biogeography, no final de 2016. “Trata-se do maior estudo já feito sobre a parasitologia de aves migratórias das Américas”, disse a bióloga Maria Svensson-Coelho, pesquisadora do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nascida na Suécia, Svensson-Coelho foi a responsável pelo processamento de parte das amostras e conta com o apoio da Fapesp por meio de um Auxílio à Pesquisa – Jovem Pesquisador, no âmbito do Programa Biota. 28

“A cada ano, centenas de espécies de aves deixam as suas áreas de invernagem tropicais ou subtropicais para passar o verão nas áreas de acasalamento em altas latitudes, retornando às baixas latitudes no final da estação de acasalamento. Essas espécies estão expostas a diferentes parasitas nas suas áreas de acasalamento boreais ou temperadas e nas áreas de invernagem tropicais ou subtropicais. Potencialmente, podem espalhar parasitas nessas regiões”, destacou. Conhecer como as populações de patógenos se distribuem em vastas áreas geográficas é essencial para o entendimento da epidemiologia dos parasitas, de seus padrões locais de virulência e da evolução da resistência nos portadores. Em 2007, foi feito um levantamento entre 259 linhagens de parasitas em aves distribuídas entre a Europa e a África. Descobriu-se que 31 linhagens que infectam aves migratórias podem ser transmitidas a aves residentes locais. “O objetivo do nosso trabalho é fazer o mesmo tipo de levantamento entre as aves do Novo Mundo”, disse Svensson-Coelho. No Brasil, a coleta de amostras de sangue das aves migratórias e residentes foi realizada na Estação Ecológica de Águas Emendadas, em Brasília e no Parque Estadual do Cantão e no Parque Estadual do Lajeado, no Tocantins. Alan Fecchio, da Universidade Federal da Bahia, foi o responsável pelas coletas no Cerrado. Ainda na América do Sul foi investigado material da Amazônia equatoriana e do semiárido da Venezuela. Na América Central, investigou-se material do Panamá, e na América do Norte, do México. O trabalho também foi realizado em nove estados do

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leste dos Estados Unidos (Alabama, Connecticut, Illinois, Indiana, Louisiana, Michigan, Missouri, Pensilvânia e Tennessee) e em todas as Antilhas, à exceção de Cuba (Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Granada, Guadalupe, ilhas Cayman, ilhas Virgens, Jamaica, Martinica, Montserrat, Porto Rico, República Dominicana, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago). Não foram estudadas as aves cujas rotas migratórias seguem ao longo da costa do Pacífico, na vertente ocidental dos Andes. Os pardais (Passer domesticus, Passerella iliaca e Melospiza melodia), sabiás (Turdus fumigatus) e outros tordos (Hylocichla mustelina, Turdus grayi, T. lherminieri, T. migratorius, T. nudigenis e T. plumbeus), os corrupiõeslaranja (Icterus galbula), as mães-de-taoca-avermelhada (Phlegopsis erythroptera), as choquinhas-de-cauda-ruiva (Epinecrophylla erythrura), as mariquitas-de-mascarilha (Geothlypis trichas), as cambacicas ou mariquitasazuis-da-garganta-preta (Coereba flaveola e Setophaga caerulescens), os juncos (Junco hyemalis), as juruviaras (Vireo olivaceus), três espécies da subfamília dos bem-tevis e as toutinegras (Helmitheros vermivorus e Mniotilta varia) estaão entre as espécies de aves das quais foram extraídas amostras de sangue. Todas as amostras foram vasculhadas à procura de DNA de parasitas da malária por meio da tecnologia de reação em cadeia da polimerase (PCR). Dentre as 24 mil amostras de sangue pesquisadas, foram identificadas cerca de 4,7 mil com infecções, representando 79 parasitas da malária pertencentes às linhagens de malária aviana do gênero Plasmodium spp. (42 linhagens em 1.982 indivíduos hospedeiros) e também do parasita Haemoproteus spp. (37 linhagens em 2.022 indivíduos hospedeiros), um gênero de protozoários que parasita aves. “Normalmente, a prevalência é baixa. Na localidade que estudamos no Equador, era de 21,6% (ou 539 em 2.488 pássaros infectados), e uma localidade com muitas amostras nos Estados Unidos apresentou 37% de prevalência (ou 271 em 726 pássaros infectados)”, disse Svensson-Coelho. Segundo a cientista, é preciso coletar muitas aves para obter uma amostra de tamanho considerável de parasitas uma vez que, em geral, eles só infectam uma fração da população de aves. “A prevalência pode variar muito não só entre as localidades, mas entre as espécies dessas localidades. Por exemplo, no Equador, apenas seis de 107 indivíduos (5,6%) de Pipra filicauda (Pipridae) tinham malária, enquanto 31 de 34 indivíduos (ou 91,2%) de Formicarius colma (Formicariidae) estavam infectados. Esses dados

estão no artigo publicado em 2013 na revista Ornithological Monographs”, disse. Os parasitas que causam malária aviana (Plasmodium spp.) são responsáveis por sua transmissão em todos os continentes, menos no Antártico. Cerca de 60 espécies da linhagem já foram descritas, de um total estimado de mais de 500. Nas Américas, o sistema migratório difere do que ocorre entre a Europa e a África, no sentido de que as rotas migratórias são mais curtas, especialmente nas Antilhas e na América Central. As aves migratórias também são mais propensas a encontrar espécies residentes relacionadas a elas nas áreas de acasalamento e de invernagem do Novo Mundo, diferentemente do que ocorre entre a Europa e a África. “A afinidade de famílias ou mesmo de gêneros entre as aves migratórias e residentes americanas provavelmente aumenta a probabilidade de transmissão entre portadores migrantes e residentes”, disse Svensson-Coelho. Doenças emergentes Uma das diferenças mais notáveis entre o levantamento feito em 2007 e esse último foi que apenas duas linhagens (entre 250 de três gêneros de parasitas) foram encontradas em aves hospedeiras da Europa e da África, comparadas às 13 entre 79 linhagens de Plasmodium e Haemoproteus detectadas nas aves residentes americanas. “O papel das aves migratórias na dispersão dessas linhagens de parasitas entre as regiões temperadas e tropicais parece ser maximizado nas Américas. Talvez isso se deva às rotas migratórias relativamente curtas de várias espécies que passam o inverno na América Central e no Caribe, ou pela afinidade taxonômica de uma grande parte das aves americanas de regiões temperadas e tropicais”, disse Svensson-Coelho. As linhagens de malária aviana não são transmissíveis a seres humanos, mas as aves migratórias transportam muitos outros microrganismos. Entre os patógenos que infectam os seres humanos, as aves migratórias foram responsáveis, por exemplo, pela rápida expansão na América do Norte de uma doença emergente como a febre do oeste do Nilo, originária da África. Outro exemplo é o vírus da gripe, que é endêmico e inofensivo nas aves aquáticas, em sua grande maioria migratórias (patos, gansos, marrecos e cisnes). São elas as responsáveis pela disseminação das novas linhagens do vírus influenza pelo planeta. O artigo (doi: 10.1111/jbi.12928), de Robert E. Ricklefs, Maria Svensson-Coelho e outros, publicado no Journal of Biogeography, pode ser lido em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jbi.12928/abstract.

* Fonte: Agência Fapesp – http://agencia.fapesp.br/pesquisa_analisa_dispersao_de_parasitas_por_aves_nas_americas/24707/

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Entre a vida e o vidro A morte de aves por colisões em janelas e outras estruturas de vidro. Elucidação do problema urbano e sugestões de estratégias simples de prevenção Ilustração: Fernando Gonsales, médico veterinário e cartunista, criador do personagem Níquel Náusea – http://goo.gl/aI5aqg

Um pouco sobre a história do vidro Dois tipos de vidro de ocorrência natural já eram empregados pelo homem nos tempos pré-históricos: a obsidiana (a rocha ígnea extrusiva constituída quase integralmente por um tipo de vidro vulcânico, com 70% ou mais de sílica) e o fulgurito (vidro formado após uma descarga elétrica de origem atmosférica incidir em determinados tipos de rocha e areia). Ambos os tipos basicamente eram usados para a confecção de armas. Quando o vidro sintético começou a ser produzido por volta do ano 3.000 a.C., tornou-se rapidamente um material de luxo, sendo empregado em decorações, joias, vasos e louças 1. Apesar das incertezas históricas quanto aos responsáveis pelo vidro sintético, sendo citados como possíveis criadores os povos egípcios, fenícios e sumérios, muitos historiadores creem que o vidro se originou como subproduto da metalurgia ou durante o desenvolvimento de materiais para cerâmica 2. Os romanos também passaram a ser excelentes produtores de vidro, e foram responsáveis pela introdução das técnicas de produção na Grã-Bretanha, então por eles ocupada 3. No entanto, as habilidades e a tecnologia necessárias para fazer vidro foram cuidadosamente guardadas pelos romanos, e foi somente com a desintegração do Império Romano que os segredos da fabricação de vidro começaram a se espalhar por toda a Europa e Oriente Médio. Com os venezianos, em particular, a confecção de vidro ganhou grande habilidade técnica e capacidade artística. Muitos artesãos da cidade ganharam tamanha reputação local que saíram da Itália para montar vidraças em toda a Europa,enriquecendo com isso 4. Um dos objetos mais fascinantes e reconhecíveis do artesanato italiano ainda nos dias de hoje é, sem dúvida, o vidro de Murano, uma cidade próxima a Veneza. Os objetos de vidro da cidade impressionam porque mantêm a tradição de fabricação dos antigos mestres do vidro, perpetuando-se em peças únicas e coloridas como joias, jarras, copos, taças e lampadários. 30

O vidro na construção civil e benefícios para a saúde No início o vidro não era exatamente transparente, na verdade era translúcido, permitindo apenas a passagem de luz, enquanto o vidro transparente moderno não só permite a passagem de luz, mas também a formação da imagem nítida através dele. A evolução da translucidez até chegar à transparência do vidro aconteceu devido à migração gradual da produção desse material para a França e a Alemanha, no fim da Idade Média 5. Já nos séculos XIX e XX, a busca por transparência, bem como por efeitos artísticos de reflexão e opacidade, juntamente com as melhorias na fabricação dos vidros, evoluiu com o emprego do vidro na construção civil 5. Com o passar dos anos, o vidro passou a ser uma estrutura resistente que podia delimitar espaços e controlar a iluminação natural ou artificial dentro de ambientes construídos 6. Consequentemente, o vidro também podia regular a temperatura dos lugares 6. O desenvolvimento tecnológico da produção desse material contribuiu para que ele pudesse ser usado como um complemento estrutural. Aquele material curioso que um dia foi oneroso, frágil (não resistindo sequer a esbarrões), não permitia a produção em tamanhos grandes ou em quantidade, passou a ser fabricado em larga escala, ganhando resistência a fortes intempéries, preço competitivo, tornando-se elemento de utilização imprescindível na construção civil 5. Não há dúvida de que o vidro traz características de beleza, modernidade arquitetônica e até mesmo requinte para as construções nas quais é empregado. A quantidade de vidro continua a aumentar nas moradias recém-construídas, reformadas ou remodeladas.

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Atualmente, ele vem sendo fabricado com transparência sem precedentes 7,8. É inegável que o vidro empregado nas construções na forma de janelas ou elementos divisores certamente tem trazido uma melhoria estética das construções das cidades, interna ou externamente, e tem contribuído não só para a aparência das edificações, mas também para a saúde e o bem-estar dos seres humanos por pelo menos dezesseis séculos 9,10, uma vez que ambientes com boa iluminação trazem benefícios psicológicos e metabólicos comprovados 11. A morte como consequência do emprego do vidro nas edificações

possível, estima-se que somente nos EUA entre uma a dez aves são mortas por choque em vidros por edifício por ano, gerando uma taxa de mortalidade total de 97,6 a 975,6 milhões de aves por ano naquele país 8,9. Em todo lugar em que o vidro e as aves de vida livre coexistem, há risco de ocorrência de acidentes, mas, ao que tudo indica, algumas características específicas propiciam uma maior ocorrência desse tipo de acidente: 1) Quando grandes painéis de vidro transparente são empregados, fazendo com que uma parte do céu ou mesmo árvores possam ser vistas do outro lado (ex. o painel de vidro é empregado em grandes fachadas ou muros como na Figura 1; 2) Quando há outra janela ou parede de vidro posicionada no lado oposto de um cômodo ou sala, criando uma impressão de espaço contínuo (Figura 2 A); 3) Quando paredes, portas ou janelas de vidro se encontram nos cantos, também criando uma impressão de espaço contínuo (Figura 2 B). Muito embora os acidentes ocorram comumente nas casas e arranha-céus, os edifícios parecem representar uma ameaça um pouco maior, sendo que a maioria dos acidentes ocorre nas janelas dos três a cinco andares inferiores, de dia, com machos e indivíduos mais jovens 8,10,13,14. Há indícios de que aves migratórias sofrem mais acidentes do que as residentes 11. Não é raro encontrar verdadeiras impressões desenhadas pela descamação natural encontrada nas penas do corpo das aves após o choque nos vidros (Figura 3). Um trabalho considerado pioneiro nessa área é o de Snyder, que pesquisou os registros do Royal Ontario Museum desde o início dos anos 1940, para saber quais espécies de aves foram mais comumente envolvidas em acidentes com janelas de vidro 15. Ele observou que as espécies mais representadas eram aquelas adaptadas no habitat natural a voar entre pequenos espaços em bosques densos, espécies também denominadas "voadores de túnel". Esse hábito natural torna tais aves mais suscetíveis a se acidentar em vidros. Atualmente, o prof. Daniel Klem Jr. (Figura 4), que leciona ornitologia no Muhlenberg College, na Pensilvânia, é considerado a maior autoridade sobre colisões de aves nos vidros. Ele vem pesquisando o tema desde 1974, e foi o primeiro a informar

Vidros transparentes A presença do vidro como obstáculo artificial foi muito recentemente introduzida pelo homem no meio ambiente. Os animais domésticos dentro de casa levam um tempo relativamente grande para aprender a lidar com essa estrutura e reconhecer o vidro como obstáculo físico. Mesmo os seres humanos muitas vezes não identificam vitrines e portas de vidro e sofrem acidentes, que geralmente não são fatais. Toda a evolução das aves obviamente ocorreu sem a presença de quaisquer tipos de painéis de vidro artificial presentes no seu meio. Portanto, o vidro, seja ele claro, matizado ou reflexivo, não é uma parte reconhecível do mundo natural para as aves de vida livre, que simplesmente não o reconhecem como barreira física. Quando a fachada de um edifício é feita de vidro transparente ou quando as vidraças das edificações são muito amplas, as aves realmente não enxergam e não reconhecem o obstáculo para seus voos. Por não entender a presença desse elemento na natureza, as aves se comportam como se o vidro transparente fosse contínuo ao meio, sendo praticamente invisível para elas enquanto trafegam pelo ar 7,8,10,12. Mais do que enxergar ou não, o problema é reconhecer e entender a presença daquele material, ou seja, tratase de um problema cognitivo, uma vez que as aves na verdade enxergam muito bem, inclusive em espectros luminosos que são invisíveis aos seres humanos e outros animais. Os choques de aves contra vidros e vidraças de edifícios, casas, muros e mesmo veículos são comuns no mundo inteiro, sendo na verdade muito mais comuns do que imaginaFigura 1 – Exemplo do atual estilo arquitetônico que emprega o vidro transmos. Acredita-se que milhões de aves parente como material principal de muros externos. Este tipo específico de sejam mortas anualmente por colisões muro, caso nenhuma providência seja tomada, pode propiciar maior ocorna grande maioria dos países ocidenrência de choques de aves tais. Em caráter menos especulativo Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017

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que quase um bilhão de aves morrem anualmente nos Estados Unidos. Na opinião dos autores, esse dado é no mínimo estarrecedor.

A

B

Vidros espelhados, um reflexo da morte Os vidros transparentes muito reflexivos ou espelhados também são problemáticos para as aves, pois as imagens refletidas (plantas, árvores ou do próprio céu) nesse tipo de vidro podem causar confusão, fazendo com Figura 2 – Características do posicionamento de janelas nas edificações que que as aves reconheçam a superfície podem propiciar maior ocorrência de choques de aves nos vidros. A) Quando há outra janela de vidro posicionada no lado oposto de um cômodo ou sala, do vidro como um “prolongamento cria-se uma impressão de espaço contínuo ou “túnel”; B) Quando duas portas do céu” (Figura 5) e acabem também de vidro transparente formam cantos (flechas), uma impressão de espaço se chocando 8,10,11. Outro problema contínuo é reconhecida pela ave, que pode se chocar contra o vidro relacionado, que geralmente não é letal, mas causador de grande estresse, ocorre quando as aves atacam as superfícies espelhadas de edificações e automóveis. Geralmente, esse tipo de problema é mais comum na primavera e com machos, tratando-se de uma tentativa de defesa de territórios de reprodução. Nesse período, a própria imagem refletida do indivíduo é compreendida como a presença de outro macho intruso, não entendendo que se trata apenas de seu próprio reflexo (Figura 5). Essa reação territorial chega a ser tão intensa que a ave pode ficar esgotada em virtude do estresse gerado. A consequente imunodepressão leva a ave a adoecer em seguida por causas infecciosas 8. As principais lesões provocadas pelos acidentes de aves em janelas As lesões encontradas nas aves após sofrerem choque com vidro em pleno voo variam de nenhum dano visível (Figura 6), pequenas escoriações até ossos fraturados, hemorragias teciduais superficiais ou profundas como a ruptura do inglúvio, que ocorre especialmente em impactos frontais quando a ave está com o divertículo repleto de alimento. De modo contrário ao que a maioria dos médicos veterinários possa supor, as fraturas ósseas são raras. Quando as fraturas ocorrem, geralmente são encontradas nos ossos do crânio, maxila e mandíbula. Na maioria dos casos em que há fatalidade observa-se trauma crânio-encefálico, com consequentes lesões no parênquima cerebral e hemorragias intracranianas. As aves que sobrevivem aos acidentes também podem apresentar hemorragias intracranianas extensas, e em muitos casos podem permanecer com paresias ou mesmo paralisias 7. Controle e prevenção Inúmeras pesquisas para diminuir e controlar esse tipo de acidente vêm sendo desenvolvidas em todo o mundo. 32

Figura 3 – Os choques de aves contra vidros e vidraças de edifícios, casas, muros e mesmo em veículos são comuns no mundo inteiro, sendo na verdade muito mais frequentes do que imaginamos. Na foto pode se observar a impressão de uma pomba (Zenaida auriculata) deixada após o choque em ampla janela de vidro transparente. A ave morreu imediatamente após o choque

Várias técnicas com resultados aceitáveis já foram propostas e vem sendo empregadas. Apesar disso, nenhuma técnica para proteger as aves do vidro é 100% eficaz e universalmente aceita. Todas as técnicas direta ou indiretamente tem o objetivo de fazer com que as aves reconheçam a barreira espacial delimitada pelo vidro, fornecendo sinais cognitivos (pistas) para isso, dando tempo para que a rota do voo seja desviada. Uma forma pouco onerosa é a utilização de adesivos na porção externa dos vidros. Os formatos mais populares são de aves de rapina. Todavia, esses decalques com formas de

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aves de rapina, quando usados isolaatrás dos vidros, dando preferência a damente, mostraram ser ineficazes vidros escuros (fumês) 7,8,10; na redução de colisões de aves com • Instalar comedouros e bebedouros vidro em Viena, Áustria 16. Realmenpara aves longe das janelas e outras te, outros pesquisadores também estruturas de vidro 7,8,10; acreditam que a forma do adesivo • Adesivos opacos (escuros, Figura não é importante. A eficiência em 7), ou transparentes (que reflitam a fazer com que a ave entenda que o luz UV) (Figura 8) com diferentes vidro transparente não é apenas um formas espalhados pela janela espaço vazio é o mais importante. (quanto mais, melhor). A dimensão Assim, o tamanho e o espaçamento ideal sugerida para o adesivo é de dos adesivos são mais importantes 15 cm no seu maior diâmetro, com do que o formato dos mesmos. espaçamento de 40 cm entre um e Portanto, a utilização dos adesivos outro 19,20; • Fitas adesivas coloridas e opacas de qualquer formato (ex. estrela, ou translúcidas instaladas na superfolha ou ave de rapina, Figura 7) fície externa do vidro, dispostas vercom tamanhos e espaçamentos adeticalmente, como se imitasse o quados pode ser eficaz na prevenção Figura 4 – O Professor Daniel Klem Jr., padrão de persianas, com cerca de de acidentes 17. Outra solução engeque leciona ornitologia no Muhlenberg nhosa que utiliza conceitos de oftal10 cm de espaçamento 21; College, na Pensilvânia, é considerado mologia veterinária seria aplicar • Películas escuras, adesivos “jateaa maior autoridade sobre colisões de adesivos no vidro que refletissem dos” ou pinturas externas para conaves nos vidros. Em suas próprias luz ultravioleta (UV-A) em compritrole de luz solar. Há certos tipos de palavras: “Tenho estudado e escrito mentos de onda variando de 300películas que criam uma aparência sobre acidentes de aves em vidros há 400 nanômetros. Trata-se de um sólida na superfície de vidro a partir mais 43 anos. Entretanto, na minha espectro de luz que as aves enxerdo exterior, mas permitem visão humilde visão, infelizmente o progresso gam, mas os seres humanos não muito nítida a partir do interior das no que tange à prevenção desse tipo de mortalidade tem sido apenas (Figura 8). Ao que tudo indica, praedificações. Os filmes ainda podem modesto” ticamente todas as aves de hábito propocionar controle térmico no 17,18,19,20 . diurno enxergam a luz UV interior do imóvel 22; Outra vantagem da utilização desses • Emprego de redes ou cordas wind adesivos seria também de cunho estético, uma vez que são curtains coloridas de náilon (não transparentes) do lado de quase transparentes e, portanto, pouco comprometeria a fora, posicionadas 8 a 10 cm na frente da superfície do fachada da edificação. vidro 23. Em linhas gerais, podem-se destacar várias técnicas para Atualmente, arquitetos e engenheiros começaram a proa prevenção ou redução de acidentes: jetar as construções tentando evitar as colisões das aves • Sempre que possível instalar e fechar cortinas e persianas nos vidros (Bird-friendly building design) 24.

A

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Figura 5 – Exemplo de vidro transparente muito reflexivo formando imagens das árvores. Este pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros) reconheceu a superfície do vidro como um “prolongamento do céu”. Note a imagem das árvores refletidas no vidro. (A). Por pouco este animal não se chocou. Na sequência, permaneceu por vários minutos bicando a própria imagem refletida no vidro (B), provavelmente interpretando a própria imagem refletida como a presença de ave intrusa Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, março/abril, 2017

Figura 6 – Exemplar de tucano-debico-verde (Ramphastos dicolorus) jovem que sobreviveu após choque contra um painel de vidro transparente 33


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Considerações finais Além da caça, principalmente destinada ao comércio ilícito da avifauna, da destruição do habitat natural, tornase evidente que o vidro empregado nas construções é uma das principais causas de morte de aves relacionadas ao homem. Segundo levantamentos atuais, a única outra causa de morte de aves que supera as causadas por colisões com vidro é a predação por gatos domésticos com acesso à rua 25. O uso do vidro como material de construção nas casas e edifícios, bem como a evolução das suas técnicas de fabri-

cação, deu a esse material grande apelo estético, sendo relativamente barato e muito resistente. Porém, por não haver qualquer tipo de controle ou recomendações para sua utilização por parte das agências de conservação governamentais, o vidro se tornou extremamente letal para as aves. Pouco se discute sobre esse problema nos cursos de medicina veterinária do nosso país, e não há estimativas locais confiáveis sobre o número de aves mortas anualmente. Apesar de algumas iniciativas regionais louváveis, pouco ainda se faz para evitar ou, ao menos, controlar o problema em nosso país. Algo que preocupa é o atual modismo arquitetônico que emprega o vidro transparente em muros (Figura 1). Contudo, sabeA B mos que muitos arquitetos e proprietários dessas edificações simplesmente desconhecem o problema e não têm noção das mortes de aves que tais estruturas podem estar causando. Portanto, os autores não querem promover qualquer tipo de reação da população contra os mesmos. Do mesmo modo, em nenhum momento os autores defendem a remoção de janelas, paredes ou o abandono de quaisquer estruturas de vidro empregadas na construção civil. Acreditamos, sobretudo, Figura 7 – Exemplos de adesivos opacos confeccionados empregando que com ações educativas simples (a comeduas formas diferentes, uma de ave de rapina (A) e outra de estrela çar por este texto) e esforços de conscienti(B), em vidro transparente (A) e em vidro escuro “fumê” em (B). A zação seja possível proteger as aves e ainda dimensão mínima sugerida para o adesivo é de 15 cm no seu maior diâmetro, com espaçamento mínimo de 40 cm entre um e outro conservar as vantagens estéticas e funcionais da utilização do vidro nas edificações, para que os seres humanos continuem desfrutando desse material de maneira mais responsável, sem entrar no dilema de escolher “entre a vida e o vidro”.

Figura 8 – (A) Exemplo de um adesivo transparente, no formato de folha de plátano, com capacidade de refletir luz ultravioleta (UV). As aves enxergam as cores deste adesivo de maneira completamente diferente que a nossa, pois têm a capacidade de enxergar comprimentos de onda UV variando de 300 até 400 nanômetros. Tratase de um espectro de luz praticamente invisível para os seres humanos, que enxergam apenas entre 390 até 400 nm. (B) Para simular como as aves enxergariam o mesmo adesivo, empregou-se iluminação UV fornecida por uma lâmpada de Wood que emite luz ultravioleta (UV-A) de 320-450 nm. Note que o mesmo se torna fluorescente no início do espectro visível para os olhos humanos (entre 390-400 nm), e o formato de folha de plátano fica ainda mais nítido 34

Sites com informações adicionais sobre o tema Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell http://www.birds.cornell.edu/AllAboutBirds/attracting/cha llenges/window_collisions Site da Associação Americana de Conservação de Aves https://abcbirds.org/program/glass-collisions/ Organização Santuário das Aves http://www.avianhaven.org/window_strikes.html Guia Para Construção de Edificações “Bird-Friendly” https://abcbirds.org/wp-content/uploads/2015/05/Birdfriendly-Building-Guide_LINKS.pdf Referências 01-MARIACHER, G. O vidro: os estilos na arte. São Paulo: Martins Fontes, 1992. 156 p. ISBN: 85-336-0074-7. 02-LAMBERT, J. B. The 2004 Edelstein award address – the deep history of chemistry. Bulletin for the History of Chemistry, v. 30, n. 1, p. 1-9, 2005. 03-ALLEN, D. Roman glass from selected British sites. 1983. 64 p.

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Fabiano Montiani Ferreira - MV, MSc, PhD Disciplinas de Clínica de Pequenos Animais e Oftalmologia do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Paraná montiani@ufpr.br

Gabrielle Fornazari - MV, MSc Doutoranda do Programa de pós-graduação em Ciências Veterinárias da Universidade Federal do Paraná gfornazari@msn.com

Rogério Ribas Lange - MV, MSc, PhD Clínica de Animais Selvagens, Universidade Federal do Paraná rrlange@ufpr.br

Elizabeth Santin - MV, MSc, PhD Ornitopatologia, Universidade Federal do Paraná santin@ufpr.br

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Alexander Welker Biondo - MV, MSc, PhD Professor de Zoonoses e Medicina Veterinária do Coletivo do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Paraná abiondo@ufpr.br

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Cardiologia Hipotensão arterial em cães e gatos – revisão Arterial hypotension in dogs and cats – a review Hipotensión arterial en perros y gatos – revisión Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, p. 38-50, 2017

Eduardo Butturini de Carvalho MV, aluno de mestrado IBCCF/UFRJ eduardobutturini@hotmail.com

Ronald Paiva Moreno Gonçalves MV autônomo, mestre, dr. vetpaiva@gmail.com

Resumo: A hipotensão arterial é intercorrência frequente na rotina clínica e cirúrgica de pequenos animais, provocando graves consequências, como injúria renal aguda ou mesmo disfunção de múltiplos órgãos. Entender a fisiopatologia e conhecer as opções diagnósticas e terapêuticas dessa intercorrência são condições fundamentais para uma correta abordagem nesses casos. O objetivo deste estudo foi revisar a fisiopatologia da hipotensão arterial, mas principalmente descrever os principais métodos de diagnóstico e as recentes diretrizes de seu tratamento. A atual terapia guiada por metas direciona o profissional para o entendimento da necessidade de uma ação terapêutica precoce a partir do diagnóstico da hipotensão. Dessa forma, por meio de um rápido restabelecimento da pressão arterial, espera-se reduzir ou mesmo prevenir sequelas dessa síndrome clínica potencialmente fatal. Unitermos: choque, hipovolemia, pressão arterial, fluidoterapia, cristaloides, coloides Abstract: Hypotension is an usual event in small animals clinics, which can impact severely the clinical outcome of patients by causing acute kidney injury or multiple organ failure. It is fundamental to understand the physiopathology of this condition and to know the main diagnosis and therapeutic options to deal correctly with such cases. Therefore, the aim of this study was to briefly review the physiopathology of hypotension and to describe the main diagnostic methods, as well as the most recent treatment guidelines. The current goal-based therapy helps the professional to understand the need for an early therapeutic action as soon hypotension is diagnosed. Thus, one expects to decrease or even prevent major sequelae through a rapid return to normal blood pressure in this potentially fatal clinical syndrome. Keywords: shock, hypovolemia, arterial pressure, fluid therapy, crystalloids, colloids Resumen: La hipotensión es una complicación frecuente en la clínica y cirugía de pequeños animales que tiene consecuencias graves como la insuficiencia renal aguda o la falla de múltiples órganos. La comprensión de la fisiopatología y el reconocimiento de las opciones diagnósticas y terapéuticas de esta complicación son fundamentales para el correcto manejo de estos casos. El objetivo de este trabajo fue revisar la literatura relacionada con la fisiopatología de la hipotensión arterial, describiendo, principalmente, los métodos más importantes para su diagnóstico, y las directrices recientes en cuanto al tratamiento. La terapéutica actual a través de metas guía al profesional en la comprensión de la necesidad de una acción terapéutica precoz a partir del diagnóstico de la hipotensión. De esa forma, a través de una recuperación rápida de la presión arterial, se espera reducir o prevenir las posibles secuelas de este síndrome clínico potencialmente fatal. Palabras clave: shock, hipovolemia, presión arterial, fluidoterapia, cristaloides, coloides

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Introdução A avaliação rotineira da pressão arterial (PA) na medicina veterinária tem caráter recente, apesar de representar um sinal vital fundamental e uma parte crítica da monitorização de pacientes hospitalizados e em período perioperatório 1-3. O estudo intitulado Poise, sigla para Perioperative Ischemia Evaluation Trial (ou Ensaio para avaliação de isquemia perioperatória) demonstrou que a hipotensão transoperatória, por exemplo, foi a maior responsável pelo surgimento de comorbidades como a injúria renal aguda e pela elevação da taxa de mortalidade pós-operatória em seres humanos submetidos a cirurgias não cardíacas 4. Em 2002, a Sociedade Veterinária de Pressão Arterial (Veterinary Blood Pressure Society) foi criada com a missão de promover, em caráter mundial, a aquisição e a transferência de conhecimento a respeito da importância da monitorização da PA, seus métodos de aferição, a avaliação das desordens decorrentes de suas alterações em animais de companhia e a divulgação das principais diretrizes terapêuticas relacionadas ao tema 5. Uma pesquisa

realizada em 2014 com 151 médicos veterinários vinculados ao American College of Veterinary Anesthesia and Analgesia e ao European College of Veterinary Anaesthesia and Analgesia reforça essa preocupação, pois, apesar da correta definição de hipotensão arterial pela maioria, 87,4% dos profissionais relataram não ter protocolos recomendados para o tratamento da hipotensão em seu local de trabalho 6. Assim sendo, a despeito da inquestionável importância da avaliação desse sinal vital em pequenos animais, esse procedimento semiológico ainda não parece ter sido incorporado completamente à rotina de pacientes submetidos aos atendimentos clínicos, à internação ou mesmo aos procedimentos de sedação, anestesia e cirurgia. A presente revisão tem como objetivo descrever os recentes avanços no diagnóstico e no tratamento da hipotensão arterial em cães e gatos. Conceitos de hemodinâmica A PA é uma consequência da relação entre o volume sanguíneo ejetado pelo coração e a capacidade do leito

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Clínica Hiperaldosteronismo primário em felinos – revisão Primary hyperaldosteronism in cats – a review Hiperaldosteronismo primario en gatos – revisión Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, p. 52-62, 2017

Bruna Rodrigues Padin MV, aluna de mestrado Depto. Clínica Médica – FMVZ/USP bruna.padin@usp.br

Pedro Villela Pedroso Horta MV, mestre, prof. de pós-graduação Equalis, Anclivepa e Unisa Vetmasters e PetCare pedrohorta@mac.com

Resumo: O hiperaldosteronismo primário é resultante de tumores ou hiperplasias que acometem a zona glomerulosa da glândula adrenal e induzem hipersecreção de aldosterona. Os efeitos são compatíveis com as ações da aldosterona no organismo: aumento da retenção de sódio, maior volume sanguíneo e aumento da excreção de potássio. Os achados clínicos são hipertensão sistêmica e polimiopatia hipocalêmica, com fraqueza muscular generalizada, ventroflexão cervical, podendo chegar a casos de paresia. Os achados em exames bioquímicos mais comuns são: hipocalemia, elevação da concentração de ureia e creatinina, hipomagnesemia, hipocloremia e hipofosfatemia. Os exames de imagem são importantes para estabelecer se o acometimento das glândulas adrenais é unilateral ou bilateral e assim guiar o tratamento. O tratamento medicamentoso é de suporte, com suplementação de potássio, uso da espironolactona e de bloqueadores do canal de cálcio. A adrenalectomia unilateral é o tratamento de escolha, pois é curativa e relacionada a prognóstico bom. Unitermos: glândula adrenal, aldosterona, hipertensão Abstract: Primary hyperaldosteronism is a disease in which tumors or hyperplasias in the zona glomerulosa of the adrenal gland induce hypersecretion of aldosterone. Effects are thus consistent with the actions of aldosterone in the body: increased sodium retention, increase of blood volume and increased renal excretion of potassium. Clinical signs are systemic hypertension and hypokalemic myopathy with generalized muscle weakness and even paresis. The most common biochemical findings are hypokalemia, elevated urea and creatinine concentration, hypomagnesemia, hypochloremia, and hypophosphatemia. Image of adrenals establishes the unilateral or bilateral involvement and the appropriate treatment for each patient. Medical treatment is symptomatic and consists of potassium supplementation, use of spironolactone and calcium channel blockers. Unilateral adrenalectomy is the treatment of choice, because it is curative and offers good prognosis. Keywords: adrenal gland, aldosterone, hypertension Resumen: El hiperaldosteronismo primario se produce como resultado de tumores o hiperplasia en la zona glomerular de la glándula adrenal, provocando hipersecreción de aldosterona. Los efectos son similares a la acción de la aldosterona: aumento de retención de sodio, mayor volumen sanguíneo y aumento de la excreción de potasio. Los signos clínicos son la hipertensión sistémica y la polimiopatía hipokalémica, la debilidad muscular generalizada y la ventroflexión cervical; en algunos casos puede presentarse paresia. Las alteraciones en los exámenes bioquímicos son: hipokalemia, aumento en la concentración de urea y creatinina, hipomagnesemia, hipocloremia e hipofosfatemia. Los exámenes de imagen son importantes para determinar si la lesión en glándulas adrenales es uni o bilateral, lo que permite dirigir el tratamiento. El tratamiento con medicamentos es de soporte, a través de la suplementación con potasio, el uso de espironolactona y de bloqueadores de canales de calcio. El tratamiento de elección es la adrenalectomía unilateral, ya que permite curar la enfermedad y está relacionada con un buen pronóstico. Palabras clave: glándula suprarrenal, aldosterona, hipertensión

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Introdução Hiperaldosteronismo primário (HAP) ou síndrome de Conn é uma desordem adrenocortical caracterizada pelo excesso de produção e pela secreção autônoma do mineralocorticoide aldosterona, devido a neoplasia ou hiperplasia nessa glândula. Em seres humanos também existe a forma familiar decorrente de alterações genéticas, porém essa modalidade ainda não foi reconhecida em felinos. O excesso de aldosterona resulta em hipertensão arterial, hipocalemia, desordens eletrolíticas e alcalose metabólica 1-4. O hiperaldosteronismo foi descrito em seres humanos em 1965 como importante causa de hipertensão arterial 5. O primeiro caso descrito em felinos foi em 1983 6, e atualmente, apesar de pouco conhecido, é considerado a enfermidade adrenocortical mais frequente na espécie, com aumento dos casos diagnosticados nos últimos anos, e também importante causa de hipertensão nos gatos 7,8. Em cães a condição é rara, com apenas dois casos relatados 9,10. Em felinos, a doença é considerada subdiagnosticada devido à associação dos sinais clínicos de hipertensão e hipocalemia com doença renal crônica (DRC), também comum

em gatos idosos, além da falta de familiaridade dos médicos veterinários com essa enfermidade. Entretanto, a DRC é a enfermidade concomitante mais frequentemente associada ao HAP, e vários estudos apoiam a hipótese de que HAP é na verdade um mediador de DRC em felinos 4,11. Em um estudo em que 14 gatos foram diagnosticados com doença renal crônica, constatou-se posteriormente que seis desses animais poderiam ter hiperaldosteronismo primário associado; porém, devido ao número limitado de gatos examinados, é necessário obter maiores dados para determinar a verdadeira prevalência de HAP em gatos com DCR 12. Os objetivos desta revisão foram descrever a fisiopatologia do hiperaldosteronismo, bem como discutir as manifestações clínicas, os métodos diagnósticos e as alternativas terapêuticas. Etiologia e fisiopatogenia A aldosterona é um hormônio esteroide com forte atividade mineralocorticoide, produzido primordialmente pela zona glomerulosa do córtex adrenal, com duas funções primárias: controlar a hipercalemia e a hipotensão. É regulada

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Cardiologia Tetralogia de Fallot em cão – relato de caso Tetralogy of Fallot in a dog – case report Tetralogía de Fallot en perro – relato de caso Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, p. 64-70, 2017

Raimy Costa Martins

Resumo: A tetralogia de Fallot é uma rara doença congênita, definida por estenose da valva pulmonar, hipertrofia ventricular direita, defeito do septo interventricular e dextroposição da aorta. Suas consequências fisiopatológicas, assim como a apresentação clínica, dependem principalmente do grau de obstrução da artéria pulmonar. Clinicamente, os animais apresentam cianose, intolerância ao exercício, dispneia e síncopes. O diagnóstico definitivo e o prognóstico são obtidos por meio da ecodopplercardiografia. A cirurgia é o único método efetivo para o tratamento; no entanto, em casos brandos, a terapia medicamentosa pode ser indicada como forma paliativa. O presente trabalho relata o caso de um cão de onze meses de idade, sem raça definida, diagnosticado com tetralogia de Fallot, enfatizando a ecodopplercardiografia como método diagnóstico definitivo da doença. Unitermos: canino, má-formação, cardiopatia, cianose

MV, aluno de mestrado PPGCA/Unipampa raimymartins@gmail.com

Marília Ávila Valandro MV, mestre mavalandro@gmail.com

Karen Guzmán Beltrán MV, aluna de mestrado PPGCA/Unipampa kagube2016@gmail.com

João Paulo da Exaltação Pascon MV, dr., prof. Depto. de Cardiologia – Unipampa jpep23@gmail.com

Abstract: Tetralogy of Fallot is a rare congenital disease consisting of pulmonary valve stenosis, right ventricular hypertrophy, ventricular septal defect and aortic dextroposition. Pathophysiological consequences and clinical presentation depend mainly on the degree of pulmonary artery obstruction. Symptoms include cyanosis, exercise intolerance, dyspnea, and syncope. Definitive diagnosis and prognosis are obtained by Doppler echocardiography. Surgery is the only effective method of treatment, however, pharmacotherapy may be indicated as palliative treatment in mild cases of the disease. This work reports on the case of an eleven-month-old mongrel, diagnosed with tetralogy of Fallot and highlights the importance of Doppler echocardiography as the definitive diagnostic tool for this disease. Keywords: canine, malformation, heart disease, cyanosis Resumen: La tetralogía de Fallot es una enfermedad congénita rara, caracterizada por estenosis de la válvula pulmonar, hipertrofia ventricular derecha, comunicación interventricular y dextroposición de la arteria aorta. La fisiopatología y las características clínicas con que se presenta dependen principalmente del grado de obstrucción de la arteria pulmonar. Desde el punto de vista clínico, los animales presentan cianosis, resistencia al ejercicio, disnea y síncopes. El diagnóstico definitivo y el pronóstico se obtienen mediante ecocardiografía (Doppler). Si bien la cirugía es el único método efectivo de tratamiento, en casos menos graves, existen medicamentos que actúan de manera paliativa. Este trabajo relata el caso de un perro mestizo de once meses con diagnóstico de tetralogía de Fallot, haciendo énfasis en la ecocardiografía (Doppler) como método de diagnóstico definitivo. Palabras clave: canino, malformación, cardiopatía, cianosis

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Introdução Doenças cardíacas congênitas são consideradas raras na clínica de pequenos animais; no entanto, quando presentes, são responsáveis por grande parte dos óbitos em cães com menos de um ano de idade 1. Nesse contexto, a tetralogia de Fallot, responsável por 4% das cardiopatias congênitas 2, consiste em um complexo defeito cardíaco congênito representado por estenose da valva pulmonar, hipertrofia ventricular direita, defeito do septo interventricular e dextroposição da aorta 1,3. A afecção tem predisposição racial comprovada em cães da raça keeshond; no entanto, as raças poodle, schnauzer miniatura, beagle, buldogue inglês, collie e demais raças terrier também apresentam alta prevalência 4,5. Dentre as cardiopatias comunicantes, a doença é a causa mais comum de cianose em cães, e suas consequências fisiopatológicas dependem principalmente do grau de obstrução do trato de saída do ventrículo direito associado à comunicação interventricular e dextroposição da artéria aorta 5. Em graus elevados de obstrução, a resistência à passagem de sangue através da artéria pulmonar será

maior que a resistência vascular sistêmica, promovendo assim o desvio do fluxo sanguíneo do ventrículo direito para o esquerdo (fluxo ou shunt reverso). O desvio de fluxo acarretará menor quantidade de sangue para a artéria pulmonar, o que diminuirá o retorno venoso de sangue oxigenado ao ventrículo esquerdo e, consequentemente, à circulação sistêmica. Associado a isso, parte do sangue do ventrículo direito, ainda não oxigenado, que é desviado pelo defeito do septo interventricular para o ventrículo esquerdo, é difundida na circulação sistêmica, agravando o quadro clínico do animal 6. Os principais sinais clínicos são decorrentes do quadro de hipoxemia imposto pela doença, no qual se verificam cianose, retardo do crescimento, intolerância ao exercício, letargia, dispneia e síncopes 7. Crises convulsivas decorrentes da policitemia, em resposta à hipoxemia 7,8, também podem estar associadas. A auscultação cardíaca pode revelar sopro holossistólico em bordo esternal direito, compatível com defeito do septo interventricular, ou sopro sistólico em base esquerda, compatível com estenose pulmonar. No entanto, alguns

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Animais selvagens Dermatófitos isolados do pelame de animais selvagens Dermatophytes isolated from the haircoat of wild animals Aislamiento de dermatofitos del pelo de animales salvajes Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, p. 72-80, 2017

Juan Justino de Araújo Neves MV, mestre Lab. Biologia Molecular e Celular – UNIP juan_jjan@hotmail.com

Sândara Pimentel Sguario Médica veterinária ExotiCare Clínica Veterinária Lab. Pat. Comp. An. Selv. – FMVZ/USP sansps@hotmail.com

Claudia Filoni MV, dra. Lab. Diag. Mol. – IB/Unesp-Botucatu claudiafiloni@gmail.com

Marina Galvão Bueno MV, dra. Fundação Oswaldo Cruz Tríade - Inst. Bras. Med. Conservação buenomg@gmail.com

Henri Donnarumma Levy Bentubo MV, dr. Lab. Biologia Molecular e Celular – UNIP Unicsul hbentubo@yahoo.com.br

Maria Anete Lallo MV, dra. Lab. Biologia Molecular e Celular – UNIP Centro Universitário São Camilo anetelallo@hotmail.com

Selene Dall’Acqua Coutinho MV, dra. Lab. Biologia Molecular e Celular – UNIP selene@uol.com.br

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Resumo: Dermatófitos são fungos filamentosos queratinofílicos e agentes de zoonoses; entretanto, o papel que os animais selvagens representam na transmissão das dermatofitoses ainda precisa ser determinado. O objetivo deste trabalho foi pesquisar dermatófitos no pelame de animais da fauna brasileira. Trinta e dois mamíferos selvagens sadios de vários táxons foram estudados, 17 de cativeiro e 15 de vida livre. As amostras foram obtidas por fricção de carpetes estéreis no pelame dos animais. As amostras foram semeadas em ágar Mycobiotic e incubadas a 25 °C, identificando-se as colônias por suas características macro e microscópicas. Isolaram-se dermatófitos de 9,5% dos animais pesquisados: Microsporum gypseum de um lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), Microsporum cookie de um quati (Nasua nasua) e Trichophyton ajelloi de um cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus). Esses animais representam fontes de infecção para homens e outros animais, sendo importantes para a saúde pública. Unitermos: fungos, dermatofitoses, tinha, Microsporum, Trichophyton Abstract: Dermatophytes are keratinophilic fungi that can cause zoonosis. However, the role wild animals play in the transmission of these infections is yet to be determined. The aim of this study was to determine the presence of dermatophytes on the haircoat of Brazilian wild mammals. Thirty-two healthy wild mammals from several taxa were studied: 17 were captive and 15 were free-living individuals. Samples were obtained by rubbing the haircoat with sterile carpets. Samples were cultured on Mycobiotic agar, and the plates were incubated at 25 °C. Identification of the isolates was carried out on the basis of macro-and micromorphology. Dermatophytes were isolated from 9.5% of the animals: Microsporum gypseum from one maned wolf (Chrysocyon brachyurus), Microsporum cookie from one coati (Nasua nasua), and Trichophyton ajelloi from one bush dog (Speothos venaticus). These animals represent therefore sources of infection for both humans and other animals and are important for public health policies. Keywords: fungi, dermatophytosis, tinea, Microsporum, Trichophyton Resumen: Los dermatofitos son hongos filamentosos queratinofílicos, que pueden actuar como agentes zoonóticos; no obstante, aún se debe determinar el papel que cumplen los animales salvajes en la transmisión de las dermatofitosis. El objetivo de este trabajo fue estudiar la presencia de dermatofitos en los pelos de animales de la fauna brasileña. Fueron analizados treinta y dos mamíferos salvajes sanos – de varios taxones – de los cuales 17 se hallaban en cautiverio y 15 en vida libre. Las muestras se obtuvieron por fricción con trozos de alfombras estériles que, una vez pasados por el pelo de los animales, fueron sembrados en agar Mycobiotic e incubados a 25 °C. Las colonias se identificaron de acuerdo a sus características macro y microscópicas. Se aislaron dermatofitos del 9,5% de los animales estudiados: Microsporum gypseum de un aguará guazú (Chrysocyon brachyurus), Microsporum cookie de un coatí (Nasua nasua) y Trichophyton ajelloi de un perro del monte (Speothos venaticus). En relación a la salud pública, estos animales representan una posible fuente de infección para el hombre y otros animales. Palabras clave: hongos, dermatofitosis, tiña, Microsporum, Trichophyton

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Introdução Dermatófitos são fungos filamentosos capazes de parasitar as estruturas queratinizadas do extrato córneo do ser humano e de outros animais, como a pele, os pelos, as penas, as unhas, os cascos e os chifres, causando doenças denominadas dermatofitoses 1,2. Originalmente eram fungos sapróbios, mas, por meio da evolução, adquiriram a capacidade de parasitar diferentes hospedeiros 3,4. A infecção se dá por contato direto ou indireto com esporos e hifas de qualquer representante dos três gêneros, Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton 3, sendo os dois primeiros de importância em medicina veterinária 1,2. Quanto ao habitat, os dermatófitos são classificados em geofílicos, zoofílicos e antropofílicos 2,3. Os geofílicos são aqueles que habitam o solo e vivem em vida livre, utilizando matéria orgânica do ambiente como fonte nutricional 2. Os zoofílicos vivem primariamente nos animais, em parasitismo; entretanto, são capazes de sobreviver e se multiplicar fora dos tecidos do hospedeiro, desde que exista queratina 2. Os antropofílicos parasitam o homem e raramente causam dermatofitoses em animais 2. Esses fungos têm capacidade de degradar a queratina pela ação de queratinases, que são consideradas seu principal fator de virulência 1-3. As lesões clássicas são superficiais, arredondadas, descamativas, alopécicas e com bordos eritematosos 1,2. No laboratório clínico, a identificação dos dermatófitos pode ser realizada por meio de suas características

morfológicas, verificadas em testes de microcultivo em lâmina e de perfuração de pelos 5. A relação dos dermatófitos com o hospedeiro não é bem conhecida, sabendo-se que a suscetibilidade depende, em grande parte, do estado de saúde do animal 1-3. Fatores predisponentes, principalmente aqueles que interferem com a resposta imune, provocando imunodepressão, concorrem para que o hospedeiro apresente essas infecções 1,2. Animais com ausência de sinais clínicos, mas albergando dermatófitos em seu pelame, são reconhecidos como portadores sãos ou assintomáticos, uma vez que esses microrganismos não são parte do microbioma cutâneo 1,2,6,7. Nessa situação, esses fungos vivem em equilíbrio dinâmico com o sistema imune e outros fatores do hospedeiro 2,3. Deve-se ressaltar que as dermatofitoses têm implicação em saúde pública, pois essas doenças constituem zoonoses, e tanto os animais com doença clínica como os portadores assintomáticos representam fontes de infecção para outros animais e para o homem 1,2,4,7. Existem relatos de dermatofitoses em diferentes táxons de animais selvagens 7-12, embora a doença seja menos estudada do que nos animais de companhia 1. Em relação à presença de dermatófitos em animais sadios, verificam-se levantamentos em mamíferos de cativeiro e de vida livre, a saber: marmota-alpina (Marmota marmota) 13, ratão-dobanhado (Myocastor coypus) 14, rato-marrom (Rattus norvegicus) 14, coelho-da-Flórida (Sylvilagus floridanus) 15, lebre-marrom (Lepus europaeus) 16, javali (Sus scrofa) 6 e canguru 17. No Brasil, a literatura disponível sobre o assunto é

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Animais selvagens Isolamento de Chrysosporium spp em dermatite em Iguana iguana – primeiro relato na Argentina Chrysosporium spp isolation from Iguana iguana dermatitis. First report in Argentina Aislamento de Chrysosporium spp en dermatitis de Iguana iguana. Primer reporte en Argentina Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, p. 82-85, 2017

Armando Ruben Delgado MV, professor adjunto Facultad de Ciencias Veterinarias – UNL adelgado@fcv.unl.edu.ar

Juan Alberto Lorente MV, professor adjunto Facultad de Ciencias Veterinarias – UNL jlorente018@outlook.com

Juan Carlos Troiano MV, professor Facultad de Ciencias Veterinarias – UBA juancarlostroiano@hotmail.com

Paula Karina Rejf MV, professora Facultad de Ciencias Veterinarias – UNL prejf@fcv.unl.edu.ar

Resumo: O presente trabalho descreve o primeiro isolamento na Argentina de uma espécie de Chrysosporium em uma iguana-verde (Iguana iguana) jovem. O animal apresentava uma lesão no terço distal da cauda e não havia respondido a vários tratamentos, razão pela qual se decidiu amputar a zona afetada. Obtiveram-se amostras estéreis do tecido, semeadas em ágar Sabouraud glicosado com inibidores ágar sangue ovino 8% e ágar McConkey (AMc) incubadas a 37 °C; as colônias obtidas eram brancas e opacas, e no reverso, marrom-claras. Na microscopia foram identificadas hifas hialinas tabicadas típicas do gênero Chrysosporium, que se apresentavam retas, ramificadas de forma irregular e com presença de conídios globosos e de superfície lisa. Na histologia se observou perda de solução de continuidade do epitélio, com infiltrado de células granulosas e presença do microrganismo saprófito. Na derme foram observados granulomas com escassa reação fibroblástica e angioblástica. Unitermos: micose, pele, répteis Abstract: This article reports for the first time the isolation of a Chrysosporium species from a juvenile green iguana (Iguana iguana) in Argentina. Since the animal presented a lesion in the distal third of the tail and had been refractory to different treatments, caudal amputation was the elected approach. Sterile tissue samples were seeded in Sabouraud agar with glucose and inhibitors, 8% ovine blood agar and McConkey agar (AMc), and incubated at 37 °C. Under these conditions, white opaque fungal colonies with light brown pigmentation on the underside developed. Microscopically, the genus Chrysosporium was identified by the observation of septate, straight, irregularly branched hyphae with smooth surface and globose conidia. Histological findings included loss of epithelial continuity with infiltration of granulocytes and the presence of the saprophytic organism. In the dermis, granulomatous lesions with scarce fibroblastic and angioblastic reactions were observed. Keywords: mycosis, skin, reptiles Resumen: Este reporte describe el primer aislamiento en Argentina de una especie de Chrysosporium en un ejemplar juvenil de iguana verde (Iguana iguana). El animal presentaba una lesión en el tercio distal de la cola, refractario a diversos tratamientos y se decidió la amputación de la zona afectada. Se tomaron muestras estériles sembradas en agar Sabouraud glucosado con inhibidores, agar sangre ovino al 8% y agar McConkey (AMc) incubadas a 37 °C, obteniéndose colonias blanco opacas y en su reverso un color marrón claro. Microscópicamente se identificó el género Chrysosporium por las hifas hialinas tabicadas, rectas, ramificadas irregularmente con presencia de conidios globosos y de superficie lisa. Histológicamente se observó pérdida de solución de continuidad del epitelio con infiltrado de células granulocíticas y presencia del microorganismo saprofito. En la dermis, granulomas con escasa reacción fibroblástica y angioblástica Palabras clave: micosis, piel, reptiles

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Relato de caso Uma fêmea de Iguana iguana (Sauria – Iguanidae) jovem, de 60 cm de comprimento, era mantida em cativeiro em aquário de vidro, com substrato de lascas de madeira, e alimentada regularmente com frutas e verduras picadas. A temperatura do ambiente ficava ao redor dos 30 °C e era mantida estável por meio de uma pedra quen-

te e tubo de luz UV. No exame físico, a paciente se apresentava alerta e ativa. No terço médio e distal da zona caudal havia perda de tecido cutâneo com exposição da derme, escamas retidas e acúmulo de um material de cor parda a negra, que avançava em direção caudocranial (Figura 1). Durante um mês foram realizados vários tratamentos locais, sem êxito. O primeiro tratamento local foi realizado com aplicação de iodo-povidine puro nas lesões, uma vez ao dia, durante quinze dias, sem resultados positivos. Tentou-se também o uso de creme de miconazol 2% durante quinze dias, igualmente sem êxito. Devido ao avanço da doença e à ausência de resposta aos tratamentos, decidiu-se amputar a parte afetada da cauda, a fim de limitar o processo infeccioso. Foram realizadas a limpeza da região adjacente ao corte com clorexidina, a infiltração com anestésico local (xilocaína 2% com epinefrina), com agulha de 1 cc (agulha de insulina), a amputação do terço distal da cauda e, finalmente, a sutura dos músculos e da pele. Antes da cirurgia, foram colhidas amostras em condições de esterilidade para cultivo. Foram realizadas semeaduras em ágar Sabouraud glicosado com inibidores (ASG) e ágar sangue ovino 8% (ASO), que foram incubadas a 25 °C e 37 °C, respectivamente. Também foram semeadas amostras em ágar McConkey (AMc), incubadas a 37 °C. As amostras de tecidos obtidas na cirurgia foram cortadas e fixadas em formol (buffer) 10% e enviadas para estudo histológico, desidratadas em álcool de graduação crescente, clareadas com xilol, fixadas em parafina e cortadas com micrótomo rotativo (4 micrômetros de espessura). Foram coradas com hematoxilina eosina e PAS + hematoxilina para contraste nuclear, e a observação foi realizada com microscopia óptica.

Juan Carlos Troiano

Introdução As doenças dermatológicas nos répteis podem ser provocadas por vários tipos de agentes etiológicos, como bactérias, vírus, fungos filamentares e leveduras. Na pele dos répteis normalmente pode ser encontrada uma grande variedade de fungos que, para alguns autores, deveria ser denominada micobiota. As pesquisas em relação à microbiota cutânea e gastrintestinal dos répteis indicam que ela é formada por vários tipos de microrganismos 1. O Chrysosporium foi identificado como um agente infeccioso emergente, e foi isolado pela primeira vez em répteis no Canadá, em 1995. Em pesquisa com 127 espécies diferentes de répteis, foram identificados 50 gêneros de fungos, e encontradas de 1 a 15 espécies diferentes em um mesmo animal. Penicillium e Aspergillus foram isolados em 78 e 69% dos casos, respectivamente; os outros gêneros isolados foram Paecilomyces lilacinus, Chrysosporium spp, Zygomycetes, Scopulariopsis spp, Cladosporium spp e Fusarium 1. As micoses de pele cursam como doenças oportunistas provocadas por agentes saprófitos que habitam a pele e invadem os tecidos vivos sob condições predisponentes, que incluem más condições de cativeiro, dieta inadequada e temperaturas subótimas para as diferentes espécies. Os fungos patógenos mais citados nesse tipo de infecções incluem os gêneros Microsporum, Trichophyton, Epidermophyton, Chlamydosauromyces, Mucor, Paecilomyces, Fusarium e Chrysosporium. Esse último gênero inclui um grupo de espécies que habitam no solo e provocam infecções oportunistas da pele nos seres humanos e em outros vertebrados, dentre os quais se encontram os répteis 2. Recentes estudos moleculares têm demonstrado que os quatro gêneros anamórficos tradicionais da família Arthrodermataceae (Onygenales) são o Trichophyton, o Microsporum, o Epidermophyton e o Chrysosporium 2. São espécies anamórficas, ascomicetos teleomórficos da ordem Onygenales. O Chrysosporium tem sido descrito como agente etiológico em lesões infecciosas cutâneas de serpentes, camaleões, crocodilídeos de água doce e salgada e lagartos de diferentes gêneros. Provoca lesões recalcitrantes (lesões resistentes aos tratamentos) e ceratolíticas que podem causar infecções sistêmicas e morte por complicações bacterianas 2. O presente trabalho descreve o isolamento de uma espécie de Chrysosporium em uma iguana-verde (Iguana iguana) jovem.

Figura 1 – Extremidade da cauda de uma iguana (Iguana iguana) jovem de 60 cm de comprimento, mantida em cativeiro. Observar perda de tecido cutâneo e exposição da derme, escamas retidas e acúmulo de material de cor parda a negra

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Medicina veterinária legal Análise retrospectiva de denúncias de maus-tratos contra animais em Pinhais, Paraná, Brasil Retrospective analysis of complaints of animal abuse against animals in Pinhais, Paraná, Brazil Estudio retrospectivo de denuncias de maltrato de animales en Pinhais, Paraná, Brasil Clínica Veterinária, Ano XXII, n. 127, p. 86-92, 2017

Solange Aparecida Marconcin MV, mestre Seção de Defesa e Proteção Animal da Sec. Mun. de Meio Ambiente de Pinhais solange.marconcin@pinhais.pr.gov.br

Karyn Aparecida Rossa MV, aluna de mestrado UFPR karynrossa.veterinaria@gmail.com

Isabela Solá Chagas Lima Scalco MV, residente UFPR isabela_scl@yahoo.com.br

Luana Oliveira Leite MV, aluna de mestrado UFPR luanaoliv.vet@gmail.com

Rita de Cassia Maria Garcia MV, dra., profa. Depto. Med. Vet. Legal e Med. Vet. do Coletivo da UFPR ritamaria@ufpr.br

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Resumo: O relacionamento entre seres humanos e seus animais de companhia tem se tornado mais próximo e intenso ao longo dos séculos. Atualmente, cães e gatos são considerados integrantes da família, e em muitos lares participam ativamente da rotina de seus tutores. Todavia, apesar do estreitamento desses laços, relatos de maus-tratos aos animais ocorrem regularmente. O objetivo deste estudo foi relatar as características de denúncias de maus-tratos contra animais domésticos em Pinhais, PR. Do total de 583 denúncias, 85,24% envolveram cães. Da totalidade de acusações recebidas, a maioria se referia a abandono (26,41%), restrição de espaço (20,92%) e alimentação inadequada (15,09%). Os resultados obtidos indicam que a população tem se tornado mais sensível à problemática dos maus-tratos aos animais, revelando assim a importância da atuação dos órgãos de proteção animal em conjunto com programas de conscientização. Unitermos: animais de companhia, abandono, bem-estar animal Abstract: The relationship between humans and their pets has become closer and more intense over the centuries. Currently, dogs and cats are considered family members in many households, participating actively in the routine of their tutors. However, despite the narrowing of laces, accounts of ill-treatment of animals are frequent. The aim of this study was to describe the characteristics of such complaints in Pinhais, PR, Brazil. 85.24% of the total number of 583 reports involved dogs. Most reports referred to abandonment (26.41%), lack of space (20.92%) and inadequate nutrition (15.09%). The results indicate that the population has become more sensitive to animal welfare, thus revealing the importance of joint action between animal protection agencies and public awareness programs. Keywords: companion animals, abandonment, animal welfare Resumen: La relación entre los seres humanos y sus animales de compañía se ha hecho más cercana e intensa a lo largo de los siglos. Los perros y los gatos, actualmente, son considerados integrantes de la familia y en muchos hogares participan activamente de la actividad diaria de sus tutores. No obstante, a pesar de esta proximidad, regularmente se registran relatos de maltrato. El objetivo de este estudio fue relatar las características de las denuncias de maltrato contra animales domésticos en la ciudad de Pinhais, estado de Paraná, Brasil. Del total de las 583 denuncias, un 85,24% involucraban a perros. De todas las denuncias recibidas, la mayoría refería abandono (26,41%), espacios restringidos (20,92%) y alimentación inadecuada (15,09%). Los resultados obtenidos indican que la población se ha vuelto más sensible a la problemática del maltrato a animales, mostrando así la importancia de la participación de las instituciones de protección animal junto a los programas de concientización. Palabras clave: animales de compañía, abandono, bienestar animal

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O médico veterinário como agente de transformação social: atuação em casos de violência O ser humano e a violência A violência é um fato humano e social. Os registros de atos violentos de humanos contra humanos e de humanos contra animais são muito antigos. Há vários exemplos de violência, desde pinturas em cavernas, com disputa entre animais e humanos por espaço, até as lutas travadas nas grandes arenas romanas entre escravos e animais, como tigres, leões e ursos, e ainda os relatos de conspirações, guerras e assassinatos presentes em um dos livros mais conhecidos pela humanidade, a Bíblia: como quando Caim mata seu irmão Abel, mulheres são apedrejadas publicamente e Jesus Cristo morre crucificado. A humanidade descobriu novas tecnologias, a cura de várias doenças, vacinas, antibióticos, a internet, a telefonia móvel e maneiras de estar mais perto e de conhecer o outro e o mundo, mas ainda não houve sucesso em acabar com a violência, que dia após dia, ao redor do mundo, atinge vítimas de todas as espécies, raças, cores, credos, condições econômicas, gêneros e idades. A violência se perpetua como uma ilusória forma de resolução de conflitos, obtenção de sucesso, demonstração de poder e dominação. Todos os que habitam o planeta Terra são vulneráveis a ela. Embora a violência esteja tão presente, não devemos aceitar que seja inevitável. Há maneiras de prevenir e interromper seu ciclo e o médico veterinário pode ser um agente social determinante nesse processo. Conceitos de violência e suas tipificações A violência é atualmente um problema mundial de saúde pública e de violação dos direitos humanos, que gera perdas econômicas de bilhões de dólares com saúde, faltas no trabalho, entre outros, sem contar as perdas humanas, os problemas comportamentais decorrentes, o estresse pós-traumático, depressão, suicídio etc. Entretanto, ainda há questionamentos a respeito do que pode ser considerado violência. Quanto à suspeita ou confirmação da violência, a Organização Mundial da Saúde afirma: “Considera-se como violência o uso intencional de força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência ou privação de desenvolvimento”. A Organização Mundial da Saúde estabelece uma tipologia de três grandes grupos segundo quem comete o ato 94

violento: • Violência contra si mesmo (autoprovocada): - Comportamentos suicidas: são os comportamentos que levam a pensamentos suicidas, a tentativas de suicídio, também denominadas de "parassuicídio" ou "autolesão deliberada" em alguns países, e, por fim, ao suicídio completado. - Autoabuso: automutilação e atos relacionados. • Violência interpessoal (doméstica e comunitária) É dividida em duas categorias: - Violência do parceiro íntimo e da família: ocorre na maioria das vezes entre os membros da família e o parceiro íntimo, geralmente dentro de casa, mas não exclusivamente. Aqui estão enquadrados o abuso infantil, o abuso contra os idosos e a violência praticada por parceiro íntimo. - Violência comunitária: ocorre entre pessoas sem graus de parentesco, que podem se conhecer ou não, geralmente fora de casa. Entram nesta categoria atos aleatórios de violência, estupro ou ataque sexual por estranho, violência contra os jovens, violências em grupos institucionais como escolas, asilos, prisões, locais de trabalho, hospitais etc • Violência coletiva É a violência cometida pelo Estado ou por um grupo grande de pessoas Divide-se em: - Violência social: crimes de ódio, violências de multidões e atos terroristas. - Violência política: violência de Estado, guerras e conflitos pertinentes cometidos por grupos maiores. - Violência econômica: grupos grandes que cometem ataques com o objetivo de ter ganhos econômicos por meio da negação de acesso a serviços essenciais, criando segmentações e fragmentações econômicas e interrompendo atividades econômicas. Os tipos de violência podem ser caracterizados como: • Violência física (maus-tratos físicos ou abuso físico): - Uso de força física de forma intencional, não acidental, com o objetivo de ferir, lesar, provocar dor e sofrimento ou destruir a outra pessoa, deixando marcas evidentes. Pode se manifestar por tapas, beliscões, chutes, empurrões,

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estrangulamentos, queimaduras, perfurações, mutilações e outras formas, incluindo as situações de bala perdida. • Violência psicológica: - É toda forma de rejeição, depreciação, discriminação, desrespeito, cobrança exagerada, punições humilhantes e utilização da pessoa para atender às necessidades psíquicas de outrem. É toda ação que coloque em risco ou cause dano à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. • Violência psicológica também pode ser chamada de violência moral - No assédio moral, a violência ocorre no ambiente do trabalho a partir de relações de poder entre padrão e empregado, ou entre empregados. É conduta abusiva aquela exercida por meio de gestos, atitudes ou outras manifestações, repetidas e sistemáticas, destinadas a caluniar, difamar ou injuriar a honra da pessoa. • Violência sexual: – É qualquer ação na qual a pessoa, em posição de poder e mediante força física, coerção, intimidação ou influência psicológica, com uso ou não de armas ou drogas, obriga outra pessoa a ter, presenciar ou participar de alguma maneira de interações sexuais ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade com fins de lucro, vingança ou outra intenção. Inclui estupro, assédio sexual, sexo forçado no casamento, jogos sexuais e práticas eróticas não consentidas, pornografia infantil, pedofilia, voyeurismo; manuseio, penetração oral, anal ou genital, com pênis ou objetos, de forma forçada. Exposição coercitiva/constrangedora a atos libidinosos, exibicionismo, masturbação, linguagem erótica, interações sexuais de qualquer tipo e material pornográfico. – Atos que, mediante coerção, chantagem, suborno impeçam o uso de qualquer método contraceptivo ou forcem ao matrimônio, à gravidez, ao aborto, à prostituição. • Negligência/abandono: - É a omissão no atendimento às necessidades e cuidados básicos para o desenvolvimento físico, emocional e social da pessoa que exige cuidado, assim como em relação às condições de higiene, nutrição, educação etc. O abandono é uma forma extrema de negligência. Os animais, apesar de não estarem incluídos na definição da Organização Mundial da Saúde como vítimas da violência e de não constarem da maioria das definições encontradas, sofrem todos os dias e de diferentes maneiras todos os tipos de violência supracitados, como: violência física (agressão e morte), violência psicológica com privação de comportamento natural da espécie e

abuso por meio de gritos e gestos violentos, violência sexual como a zoofilia, e até a tortura deliberada, como vemos em touradas, rodeios e vaquejadas, apenas para fins de divertimento e prazer de quem a pratica e assiste. A Teoria do Link e o animal como membro da família A violência e a crueldade sempre foram objeto de estudo e análise, a fim de descobrir a origem de certos comportamentos. Estudos iniciados na década de 60 mostram que algumas características comportamentais presentes em crianças de forma enfática são sinalizadores de distúrbios sociais e sinais de psicopatia, o que indica que essas crianças se tornarão adultos violentos, capazes de cometer crimes contra a vida. Essas características formam a Tríade Comportamental. A Tríade Comportamental, também chamada de Tríade do Psicopata, consiste em comportamentos como atos incendiários, enurese persistente (xixi nas roupas, na cama) e crueldade com animais. Estudos realizados com presidiários adultos que cometeram crimes violentos contra a vida revelaram que na infância essas pessoas apresentavam a Tríade Comportamental. Outros presidiários que cometeram crimes considerados não violentos também afirmaram possuir a tríade, às vezes em sua forma parcial. Esses estudos chamaram a atenção para aspectos importantes, como o ambiente onde essas crianças foram criadas, o que presenciaram na infância, como era a vida familiar, entre outros. E as descobertas foram impressionantes: crianças e adultos que cometiam crueldade com animais vinham de lares conflituosos e violentos, onde sofriam punições brutais, algum tipo de abuso e rejeição, com pais violentos que usavam ou não entorpecentes e bebidas, além de terem presenciado violência doméstica e contra animais. Os inúmeros estudos relacionados ao tema chegaram à conclusão que atitudes violentas e criminosas estão ligadas a situações de abuso familiar e crueldade contra animais na infância. Nos estudos, muitos foram os motivos citados pelos presidiários para justificar a crueldade contra os animais, mas alguns deles chamam a atenção: - Controlar o animal, usando da violência, para fazer com que o mesmo tivesse comportamentos considerados aceitáveis pelos agressores; - Melhorar a própria agressividade a fim de aprimorar suas técnicas e para impressionar pessoas; - Promover retaliação contra outra pessoa, usando esse recurso como vingança; - Deslocar a hostilidade e violência de uma pessoa para um animal. A conclusão dessas pesquisas e estudos foi que os animais são vítimas dos mesmos agressores que agridem crianças, idosos e mulheres, sendo este um claro sinal de

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violência familiar. A partir dessa conclusão, foi estabelecida a Teoria do Link. A Teoria do Link aponta que há uma relação entre a crueldade animal e a violência interpessoal, evidenciando que onde há violência contra os animais pode haver violência doméstica e vice-versa. Quando um membro da família sofre abuso, todos os outros membros estão em perigo. A Teoria do Link vem sendo difundida mundialmente, permitindo que vários setores relacionados aos animais e aos seres-humanos tomem conhecimento da ligação entre a violência sofrida por ambos. A situação do animal dentro do contexto familiar encontra dois modelos claros, que se contrapõem: - O animal visto como coisa, que pode ser comprado e vendido, abandonado, trocado, sacrificado, morto para alimentação, entre outros, e que perde seu valor como vida que merece ser respeitada e protegida, sendo visto como simples bem e propriedade de quem o possui, acreditando este que pode definir a seu bel-prazer o que fará com a sua propriedade; ou - O animal visto como membro da família, com valor inestimável e com laços emocionais fortes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há mais animais nas famílias brasileiras do que crianças – aproximadamente 52 milhões de cães para 45 milhões de crianças. Esse número indica que o animal é agente atuante e pertencente ao modelo familiar, sendo de extrema importância para quem o vê como ente querido. Em ambas as situações os animais encontram-se extremamente vulneráveis às ações humanas violentas, tanto por serem considerados objetos que podem ser usados, como por serem considerados entes queridos e importantes, aos quais se pode recorrer para controlar, gerar medo e obediência por parte de quem os ama quando estes se sentem ameaçados por algum agressor. Essa violência que ocorre dentro do lar chama-se violência doméstica. A violência doméstica pode ter cunho físico, psicológico, emocional, sexual, moral ou patrimonial. Ela é caracterizada como qualquer tipo de violência que ocorre entre os membros que habitam o ambiente familiar em comum, onde um deles tem por objetivo manter poder ou controle sobre o(s) outro(s). Essa violência ocorre por meio de ações ou omissões e pode acontecer entre pessoas com laços de sangue (pais e filhos), unidas de forma civil (marido e esposa/ genro e sogra) ou que tenham algum outro tipo de vínculo intimo afetivo. O animal, uma vez parte integrante do convívio familiar, é também vítima dos diversos tipos de violência doméstica, e essa violência é a ponta do iceberg para mostrar que há algo errado na família. Rede Lar em Paz No Brasil, em 2013, na Universidade de São Paulo, durante o Seminário Internacional “O Elo entre a violên96

cia humana e o abuso animal”, ministrado por Phil Arkow, foi criada a Rede Lar em Paz, com o objetivo de constituir um grupo interdisciplinar e intersetorial, formado por instituições públicas, privadas e pelo terceiro setor, pesquisadores, estudantes e sociedade civil, com o principal objetivo de interligar instituições e indivíduos que trabalham com a violência familiar, violência contra idosos, crianças, adolescentes, mulheres e animais, bem como instituições que objetivam a segurança e a saúde pública, com vistas a promover a integração desses diferentes setores, de forma a facilitar a troca de informações e a elaboração de propostas de novas estratégias conjuntas de prevenção, educação e atuação. A Rede Lar em Paz consta como referência para discussões sobre o tema no site da National Coalition, coligação internacional no combate à violência Figura 1 – Logo da contra pessoas e animais Rede Lar em Paz (Figura 1) – http://nationallinkcoalition.org . A Medicina Veterinária do Coletivo e a responsabilidade social A Medicina Veterinária do Coletivo consiste na interface entre saúde humana, animal e ambiental, tendo como pilares a saúde pública, a medicina de abrigos e a medicina veterinária legal. A Universidade Federal do Paraná é a única universidade a oferecer residência nessa área, sendo pioneira no Brasil. Como parte das atividades, há convênios com prefeituras da região metropolitana de Curitiba, entre elas a Prefeitura de Pinhais, a fim de promover a interação Universidade-Comunidade. Por meio da Seção de Defesa e Proteção Animal (SEDEA) da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) de Pinhais, os residentes em medicina veterinária do coletivo, juntamente com as médicas veterinárias da Prefeitura, realizam a fiscalização de denúncias de maus-tratos aos animais. Em janeiro de 2016 foi recebida uma denúncia de maus-tratos referente a um cão, macho, filhote, sem raça definida, de quatro meses de idade, que segundo a denúncia era espancado, agredido a chutes e arremessado contra a parede por um individuo do sexo masculino, em sua residência (Figura 2). Os médicos veterinários solicitaram auxilio da guarda municipal e atenderam a ocorrência imediatamente. O agressor não se encontrava no local, o animal havia sido levado para a residência de vizinhos para sua proteção e, a pedido da equipe veterinária, foi trazido pelos familiares para avaliação clínica. Pela emergência constatada, o cão foi levado imediatamente para a UTI do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná, vindo a óbito poucas horas depois (Figura 3).

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Setor de Imagem do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná

SEDEA – Seção de Defesa e Proteção Animal de Pinhais

Figura 2 – Cão macho, sem raça definida, quatro meses, vítima de violência, no momento do atendimento clínico pelos médicos veterinários no local da denúncia

SEDEA – Seção de Defesa e Proteção Animal de Pinhais

Figura 4 – Imagem radiológica mostrando opacificação alveolar difusa, com identificação de broncogramas aéreos, sugestiva de hemorragia pulmonar em cão vítima de violência Setor de Imagem do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná

Figura 3 – Cão vítima de violência em atendimento emergencial na UTI do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná Os exames radiológicos realizados foram sugestivos de contusão – hemorragia pulmonar (Figuras 4 e 5). Na necropsia, foram observados múltiplos focos de hemorragia ao longo do parênquima pulmonar. Os achados macroscópicos e histopatológicos corroboraram com um processo inflamatório generalizado, de curso agudo a subagudo, que gerou um quadro de sepse. A sepse é uma reação inflamatória sistêmica secundária a um processo infeccioso, sendo os pneumopatas, cardiopatas, pacientes imunossuprimidos e animais com traumatismo craniencefálico os mais suscetíveis a essa condição. Durante a fiscalização, foram observados comportamentos da família que levantaram suspeita de violência doméstica. A esposa do agressor relatou que toda família sofria violência física, psicológica, emocional, moral e patrimonial e que ela era também vítima de abuso sexual. Relatou que o agressor havia sido denunciado e acusado outras vezes, por diversos crimes, respondendo em liberdade sob pagamento de

Figura 5 – Imagem radiológica mostrando opacificação alveolar difusa, com identificação de broncogramas aéreos, sugestiva de hemorragia pulmonar em cão vítima de violência fiança em todas elas e retornando cada vez mais agressivo. Os médicos veterinários orientaram a cônjuge quanto à possibilidade de apresentar denúncia sobre as violências sofridas e encaminhar a família para a assistência social e outros órgãos competentes para auxílio e proteção, momento em que a mesma relatou sofrer tortura e aceitou depor. Na Delegacia do Município, juntamente com o depoimento da vitima a respeito das violências sofridas e da tortura, os médicos veterinários depuseram sobre os maustratos ao animal em questão e aos outros animais que

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O médico veterinário salvando vidas: o papel da transformação social Ao reconhecer que quando um animal é maltratado as pessoas ao seu redor também podem estar em situação de abuso, é fundamental que o medico veterinário leve em consideração as implicações da Teoria do Link e todas as consequências sociais envolvidas, para que possa atuar nessa relação. Denunciar atos de crueldade contra os animais não é apenas uma questão de proteção animal, mas de segurança e saúde publica, assim como de saúde coletiva. Em situações como essa, pode-se observar a relevância da atuação do médico veterinário como profissional de grande importância para a saúde da família, já que muitas vezes é o primeiro a chegar em situações de violência e pode estabelecer uma relação de confiança com as vítimas (Figura 6). Portanto, o médico veterinário com postura técnica aliada à ética, ao se defrontar com um caso de violência animal, pode prevenir e quem sabe ajudar a resolver situações de violência doméstica. Agradecimentos Ao Phil Arkow, por elucidar a comunidade veterinária sobre a Teoria do Link, à Seção de Defesa e Proteção Animal do Munícipio de Pinhais e a todas as equipes da prefeitura de Pinhais envolvidas pelo excelente trabalho, ao Setor de Imagem e ao Setor de Patologia da Universidade Federal pela colaboração de grande importância. Ao cãozinho do caso, a quem dei o nome de Marley, agradeço por ter fortalecido dentro de mim o senso de justiça, a vontade de lutar pelos que não sabem se defender sozinhos e o amor que tenho pelos animais. Marley, você salvou a sua família, e as suas crianças agora estão bem. Na sua missão de anjo, você não falhou. Obrigada por fazer de mim um ser humano melhor. Você jamais será esquecido. Referências sugeridas 01-ARKOW, P. A link across the lifespan: animal abuse as a marker for traumatic experiences in child abuse, domestic violence and elder abuse. Shakopee: Academy on Violence and Abuse, 2015. 15 p. 02-ARKOW, P. Form of emotional blackmail: animal abuse as a risk factor for domestic violence. Domestic Violence Report, v. 19, n. 4, p. 49-60, 2014. 03-ARKOW, P. ; ASCIONE, F. Child abuse, domestic violence, and animal abuse: linking the circles of compasion for prevention

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Figura 6 – Interação dos médicos veterinários com a família do agressor e a ação policial frente à denuncia and intervention. West Lafayette: Purdue University Press, 1999. 380 p. ISBN: 978-1557531438. 04-FLYNN, C. P. Understanding animal abuse: a sociological analysis. New York: Lantern Books, 2012. ISBN: 9781590563397. 05-PADILHA, M. J. S. Crueldade com animais X violência doméstica contra mulheres: uma conexão real. Recife: FASA, 2011. 61 p. 06-NASSARO, M. R. F. Maus-tratos aos animais e violência contra as pessoas – a aplicação da Teoria do Link nas ocorrências da Polícia Militar paulista. São Paulo: Edição do autor, 2013. 96 p. ISBN: 978-8591584604. 07-OMS – OPAS. Prevenção da violência sexual e da violência pelo parceiro íntimo contra a mulher: ação e produção de evidência. Washington: OMS, 2012. 94 p. ISBN: 978-92-75-71635-9. 08-ONU MULHERES Vamos conversar ? – Cartilha de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres. 1. ed. 2016.

Loren D´Aprile Médica veterinária residente em Medicina Veterinária do Coletivo pela UFPR loren_daprile@hotmail.com

Janaina Hammerschmidt Médica veterinária jahna@hotmail.com

Solange Marconcin Médica veterinária solange.marconcin@pinhais.pr.gov.br

Rita de Cássia Maria Garcia Médica veterinária, docente em Medicina Veterinária Legal e Medicina Veterinária do Coletivo da UFPR ritamaria@ufpr.br

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SEDEA – Seção de Defesa e Proteção Animal de Pinhais

estavam na casa. O conselho tutelar foi acionado e determinou que os menores de idade presentes na família prestassem depoimento acerca das violências sofridas. Com a elucidação sobre a Teoria do Link e as suas consequências, as autoridades policiais agiram de imediato para a prisão em flagrante do agressor, sem a possibilidade do pagamento de fiança. Durante os trâmites, os responsáveis encaminharam o caso para a assistência social, a fim de que a família obtivesse todo o apoio e respaldo necessários.


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PET FOOD

Dermatites alérgicas: a nutrição como coadjuvante ao tratamento

A

pele, maior órgão do corpo dos mamíferos, possui uma intensa renovação celular e, por isso, necessita receber quantidades adequadas de nutrientes para que sua estrutura íntegra e funções sejam mantidas 1. Uma barreira cutânea deficiente pode dar origem a disfunções, tais como desidratação da pele, aumento na penetração de alérgenos e outros irritantes, inflamação e infecção bacteriana, seborreias e dermatite atópica 1. Muitos estudos identificaram e comprovaram o importante papel de nutrientes na manutenção da saúde da pele, nos processos de reepitelização, cicatrização e estimulação do sistema imune. Sendo assim, a ingestão de proteínas e outros nutrientes como lipídeos, carboidratos, vitaminas e minerais em teores adaptados é vital para atender a demanda originada pela multiplicação celular e saúde da pelagem, migração de células imunes e modulação da inflamação, síntese de ceramidas, produção da matriz e dos tecidos conjuntivo, endotelial e epitelial, conforme descrito na figura 1. As dermatopatias representam aproximadamente 20% do total das consultas veterinárias1 e as mais comuns em cães e gatos são causadas por ectoparasitas, agentes infecciosos e alérgenos. As dermatites alérgicas representam 821% das dermatopatias em cães e 25-35% em gatos 8,9,10. A atopia é uma dermatite alérgica de origem genética caracterizada pela alta produção de anticorpos IgE contra alérgenos externos e se manifesta, principalmente, por um intenso prurido na pele, geralmente acompanhado por lesões prioculares e periorais, lesões interdigital, otite externa, eritema, alopecia e hiperpigmentação. Sua patogênese ainda não foi totalmente elucidada, mas se sabe que envolve anormalidades do sistema imune e da barreira cutânea. Outra dermatite alérgica muito conhecida do médicoveterinário é a reação adversa ao alimento, descrita como uma reação cutânea pruriginosa não sazonal, que cessa após o uso de uma dieta de eliminação e retorna novamente após a reintrodução do alimento original. Dados revelam que um em cada cinco cães com dermatite alérgica sofre de reação adversa ao alimento 11. A nutrição possui um papel importante no suporte aos tratamentos dermatológicos em cães e gatos com dermatites alérgicas. O tratamento coadjuvante com dietas especialmente adaptadas em casos de atopia traz diversos benefícios para a minimização ou remissão dos sintomas, contribuindo para a renovação celular e recuperação da pele lesionada, melhorando o estado da barreira cutânea, aju100

NUTRIENTE

Proteínas de alta digestibilidade e seus aminoácidos Ácidos graxos ômega 3 (*EPA e **DHA) Ácidos graxos ômega 6 (***GLA) Vitaminas do complexo B + aminoácido Zinco e ácido linoleico

FUNÇÃO

Multiplicação celular e de pelos2 Modulação da inflamação3, 4, 5 Modulação da inflamação e redução da perda de água pela pele3, 4, 6 Síntese de ceramidas e redução da perda de água pela pele7 Redução de água pela pele e reforço da ba rreira cutânea6

Figura 1 – Nutrientes envolvidos na manutenção da saúde da pele *EPA (ácido eicosapentaenoico) ** DHA (ácido docosahexaenoico) ***GLA (ácido gama-linolênico)

dando no controle dos processos inflamatórios, além de favorecer o crescimento e manutenção de uma pelagem forte e saudável. Para animais com reações adversas ao alimento (intolerância e alergia alimentar), o tratamento coadjuvante com dietas que apresentam fontes proteicas selecionadas e alternativas ou fontes proteicas de baixo potencial alergênico (baixo peso molecular), além de ingredientes altamente digestíveis, favorece o reforço da barreira cutânea e minimiza a probabilidade de manifestações alérgicas. A manutenção da saúde e bem-estar dos animais é essencial, e oferecer um alimento adequado às suas necessidades irá ajudar a superar diferentes situações nas quais os animais de companhia apresentem desconforto, prurido e problemas de pele. Referências sugeridas 01-SCOTT, D. W. ; MILLER, W. H. Jr. ; GRIFFIN, C. E. Muller & Kirk. Dermatologia de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Interlivros, 1996. 1130 p. ISBN: 978-8585891152. 02-MUNDT, H. C. ; STAFFORST, C. Production and composition of dog hair. In: EDNEY, A. T. B. Nutrition, malnutrition and dietetics in the dog and cat. London: British Veterinary Association, 1987. p. 62-65. 03-MILLER, C. C. ; TANG, W. ; ZIBOH, V. A. ; FLETCHER, M. P.

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Dietary supplementation with ethyl ester concentrates of fish oil (n3) and borage oil (n-6) polyunsaturated fatty acids induces epidermal generation of local putative anti-inflammatory metabolites. The Journal of Investigative Dermatology, v. 96, n. 1, p. 98-103, 1991. doi: 10.1111/1523-1747.ep12515911. 04-SAEVIK, B. K. ; BERGVALL, K. ; HOLM, B. R. ; SAIJONMAAKOULUMIES, L. E. ; HEDHAMMAR, A. ; LARSEN, S. ; KRISTENSEN, F. A randomized, controlled study to evaluate the steroid sparing effect of essential fatty acid supplementation in the treatment of canine atopic dermatitis. Veterinary Dermatology, v. 15, n. 3, p. 137-145, 2004. doi: 10.1111/j.1365-3164.2004.00378.x. 05-LeBLANC, C. J. ; HOROHOV, D. W. ; BAUER, J. E. ; HOSGOOD, G. ; MAULDIN, G. E. Effects of dietary supplementation with fish oil on in vivo production of inflammatory mediators in clinically normal dogs. American Journal of Veterinary Research, v. 69, n. 4, p. 486-493, 2008. doi: 10.2460/AJVR. 69.4.486. 06-MARSH, K. A. ; RUEDISUELI, F. L. ; COE, S. L. WATSON, T. G. D. Effects of zinc and linoleic acid supplementation on the skin and coat quality of dogs receiving a complete and balanced diet. Veterinary Dermatology, v. 11, n. 4, p. 277-284, 2000. doi: 10.1046/j.1365-3164.2000.00202.x. 07-WATSON, A. L. ; FRAY, T. R. ; BAILEY, J. ; BAKER, C. B. ; BEYER, S. A. ; MARKWELL, P. J. Dietary constituents are able to play a beneficial role in canine epidermal barrier function. Experimental Dermatology, v. 15, n. 1, p. 74-81, 2006. doi: 10.1111/j.0906-6705.2005.00385.x.

08-HILLIER, A. ; GRIFFIN, C. E. The ACVD task force taskforce on canine atopic dermatitis (I): incidence and prevalence. Veterinary Immunology and Immunopathology, v. 81, n. 3-4, p. 147-151, 2001. doi: 10.1016/S0165-2427(01)00296-3. 09-HOBI, S. ; LINEK, M. ; MARIGNAC, G. ; OLIVRY, T. ; BECO, L. ; NETT, C. ; FONTAINE, J. ; ROOSJE, P. ; BERGVALL, K. ; BELOVA, S. ; KOEBRICH, S. ; PIN, D. ; KOVALIC, M . MEURY, S. ; WILHELM, S. ; FAVROT, C. Clinical characteristics and causes of pruritus in cats: a multicentre study on feline hypersensititvityassociated dermatoses. Veterinary Dermatology, v. 22, n, 5, p. 406413, 2011. doi: 10.1111/j.1365-3164.2011.00962.x. 10-SCOTT, D. W. ; MILLER, W. H. ; ERB, H. N. Feline dermatology at Cornell University: 1407 cases (1988-2003). Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 15, n. 4, p. 307-316, 2012. doi: 10.1177/1098612X12468922. 11-SCOTT, D. W. ; MILLER Jr., W. H. ; GRIFFIN, C. E. Diagnostic methods. In:___. Muller and Kirk’s small animal dermatology. 6. ed. Philadelphia: W.B. Saunders, 2001. p. 71-206.

MV Eduardo Zaneli Coordenador de Comunicação Científica Royal Canin Brasil

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GESTÃO, MARKETING & ESTRATÉGIA

Mas afinal, para que servem os CRMVs?

O

ano de 2017 começou animado para os médicos veterinários, ao menos nas redes sociais. O novo Código de Ética do Veterinário (resolução CFMV nº 1138/16), o uso do EAD (ensino a distância) e a diferença entre os impostos do médico veterinário e dos advogados, quando estão no Simples Nacional, foram alguns dos temas que despertaram grande interesse dos colegas. É com grande satisfação que acompanho a participação cada vez maior dos veterinários em temas que fogem do estritamente técnico. É um sinal de amadurecimento da classe profissional que começa a perceber a grande influência que o mercado pode ter no negócio de cada um. Toda vez que esses assuntos surgem é comum a busca por culpados e, quase sempre o sistema CFMV/CRMV é responsabilizado por muitas das mazelas da nossa profissão. Por isso, acho oportuno esclarecer algumas coisas sobre esses órgãos: 1-O CRMV não é um clube ou associação. Trata-se na verdade de uma autarquia: serviço autônomo criado para executar atividades típicas da administração pública, submetendo-se às regras do direito administrativo. Diferente de uma pessoa ou empresa privada, que pode fazer tudo o que não for proibido por lei, os CFMV/CRMV só podem fazer o que a lei determina, nada além disso. 2-Fiz um vídeo recentemente onde explico a diferença entre a maior parte dos Conselhos Regionais e a OAB, visto que a última tem na sua constituição a função de fiscalizar e defender os advogados, enquanto o CRMV tem somente a função de fiscalizar: Lei n. 8.906/1994-“Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade: (...) II – promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil.” Lei 5.517/1968-“Art 8º O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) tem por finalidade, além da fiscalização do exercício profissional, orientar, supervisionar e disciplinar as atividades relativas à profissão de médico-veterinário em todo o território nacional, diretamente ou através dos Conselhos Regionais de Medicina Veterinária (CRMV).” 3-A participação de veterinários no CRMV (acontece o mesmo com outras profissões) ocorre para garantir que os colegas sejam avaliados por seus pares, afinal são eles que compreendem a profissão em profundidade. Por isso, somente veterinários registrados podem participar do corpo diretivo e consultivo do órgão. 4-Sendo tipicamente um órgão de fiscalização e controle, 102

destaco as seguintes atribuições do CRMV (Art 18 da Lei 5.517/1968): “b) inscrever os profissionais registrados residentes em sua jurisdição e expedir as respectivas carteiras profissionais;” “d) solicitar ao CFMV as medidas necessárias ao melhor rendimento das tarefas sob sua alçada e sugerirlhe que proponha à autoridade competente as alterações desta Lei, que julgar convenientes, principalmente as que visem a melhorar a regulamentação do exercício da profissão de médico-veterinário;” “e) fiscalizar o exercício da profissão, punindo os seus infratores, bem como representando às autoridades competentes acêrca de fatos que apurar e cuja solução não seja de sua alçada;” É por este motivo que o CRMV não pode fazer nada contra falsos veterinários além de denunciá-los à polícia pelo crime de exercício ilegal de profissão regulamentada. “f) funcionar como Tribunal de Honra dos profissionais, zelando pelo prestígio e bom nome da profissão;” Este julgamento ocorre conforme o Código de ética (resolução nº 722/2002). “g) aplicar as sanções disciplinares, estabelecidas nesta Lei;” “j) eleger delegado-eleitor, para a reunião a que se refere o artigo 13.” 5-Vale conhecer um pouco o artigo 13, que explica o sistema de eleição do corpo diretivo do CFMV: “O CFMV compor-se-á de: um presidente, um vicepresidente, um secretário-geral, um tesoureiro e mais seis conselheiros, eleitos em reunião dos delegados dos Conselhos Regionais por escrutínio secreto e maioria absoluta de votos, realizando-se tantos escrutínios quantos necessários à obtenção desse "quórum".” Como podemos ver, trata-se de uma lei com quase cinquenta anos de vida, feita durante um período particular da nossa história e, talvez, já não muito adequada aos dias atuais. Porém, como se diz no direito: Dura lex sed lex (A lei é dura, mas é a lei). A valorização da classe veterinária passa, necessariamente, por estudarmos, respeitarmos e nos organizarmos para alterar as leis quando for preciso. Pense nisso! Renato Brescia Miracca renato.miracca@pontualsoftware.com

Médico veterinário, bacharel em direito, MBA Pontual Software Solutions www.pontual.pt

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LANÇAMENTOS

OXÍMETRO DE PULSO INTERATIVO Siso Tecnologia – http://www.sisotec.com.br/ –, A empresa que atua tanto na área humana quanto na veterinária, lançou um prático equipamento muito útil

para o monitoramento de pacientes, o oxímetro de pulso OXISO. O equipamento tem display gráfico de 3,2” com visualizações de curva pletismográfica, barra de sinal com números grandes, nas posições vertical e horizontal. Ele fornece medidas da saturação funcional (SpO2) de 30%-100%, frequência de pulso de 30-300 pulsos por minuto, tendência de 72 horas, relógio em tempo real e variação tonal conforme o valor da SpO2. Também tem central de alarmes configuráveis de SpO2 e frequência de pulso, com tonalidades distintas e sinalização visual em cores, para identificação do evento em alarme e sua respectiva prioridade. Favorecendo a mobilidade, o equipamento tem bateria interna com autonomia de 12 horas de monitoração. Além disso, também tem porta de comunicação Serial/USB para central e/ou download dos valores da tendência, e é possível configurá-lo para leitura em três idiomas: português, inglês ou espanhol. Além das características do equipamento, é importante poder contar com a garantia de 2 anos contra eventos de fabricação, oferecida pela Siso Tecnologia.

Oxímetro de pulso OXISO, com display gráfico tanto na vertical quanto na horizontal e alarmes configuráveis por tonalidades e/ou cores

NOVOS ALIMENTOS ÚMIDOS PARA CÃES E GATOS Total Alimentos, através da família Max de alimentos A premium especial, acaba de entrar em um novo segmento de produtos, o de alimentos úmidos para cães e

Os alimentos para gatos são: Adultos, sabor Carne e Vegetais; Adultos, sabor Salmão; e Adultos, sabor Carne e Frango. Todos os produtos para gatos possuem taurina, um gatos. Max Patê e Max Cat Patê são alimentos 100% comple- aminoácido indispensável na nutrição dos felinos, pois auxilia na formação tos e balanceados, mas de sais biliares, nediferentes de vários cessários para uma produtos existentes no boa digestão de gormercado, pois não conduras no intestino têm corantes, conserdelgado. Contrariavantes, transgênicos ou mente a outras espéglúten em sua compocies, o gato não pode sição. Levam basicausar outro aminoácimente carnes seleciodo além da taurina nadas e vegetais, aos Max Patê e Max Cat Patê, alimentos úmidos para cães e gatos para essa função. quais são adicionados “Os alimentos úmicolágeno natural, tripodos Max Patê e Max lifosfato de sódio, que reduz a formação de cálculo dental, e zeolita, que auxilia Cat Patê podem ser oferecidos como fonte única de alimentação, pois contêm todos os nutrientes necessários na redução do odor das fezes. O lançamento conta com sete produtos, sendo quatro para os cães e gatos. Eles também podem ser usados como snacks misturados aos alimentos secos, como Max para cães e três para gatos. Os novos alimentos para cães são: Filhotes, sabor Cor- Professional Line, que também é um alimento livre de deiro e Frango; Adultos, sabor Atum e Sardinha; Adultos, corantes”, explica Diógenes Silva, gerente de produtos da sabor Cordeiro e Frango; e Adultos, sabor Carne e Frango. Max. 104

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BISCOITOS PARA CÃES empresa Perigot, que oferece cosméticos e acessórios A para o mercado pet, acaba de entrar em um novo segmento desse mercado, o alimentício. Para fazer a diferen-

ça, desenvolveu um produto inovador: o PetBiscuit, que são biscoitos para cães (filhotes e adultos) 100% veganos e fabricados com o mesmo cuidado dos produtos para seres humanos. Outro grande diferencial do PetBiscuit fica por conta da LysCell®, levedura autolisada obtida perante um processo que estimula a quebra das células por enzimas endógenas, conduzindo a uma maior disponibilidade de peptídeos, dipeptídeos e polipeptídeos de cadeia curta. LysCell® apresenta melhor palatabilidade e maior digestibilidade que as leveduras íntegras, sendo importante para dietas hipoalergênicas. Sem nenhum derivado animal, o PetBiscuit também não tem conservantes nem adição de açúcar, mas traz ômega 3 na sua composição. Os biscoitos são encontrados nos formatos palito e ossinho, e em 3 sabores: Banana e Aveia, Vegetais e Tradicional.

O PetBiscuit, snack 100% vegano, além de estar disponível em pet shops, também pode ser encontrado na loja virtual da Perigot: http://perigotstore.com.br/

BIOPROTETOR PARA PETS E RESIDÊNCIAS Aya Tech, empresa brasileira de alta tecnologia focada no desenA volvimento de produtos inovadores para as áreas de saúde e bemestar, lançou o Protec e o Protec Pet, bioprotetores desenvolvidos a par-

tir de nanopartículas dispersas em água, ecologicamente corretos, porque não contêm solventes orgânicos. O Protec Pet tem como diferencial a fácil aplicação, seca e segura, uma vez que está disponível em aerossol de 150 mL, composto por gás nobre utilizado em cosmética DME (dimetil-éter). Não é vaporizado no ar, o que evita possíveis danos respiratórios. Protec Pet não faz mal nem para os pets e nem para os seres humanos – mas repele insetos como o Aedes aegypti e o pernilongo Culex pipiens. Protec Pet está disponível em frasco aerossol de 150 mL, devendo ser aplicado na casinha, no colchão, na roupinha ou na coleira do pet, oferecendo proteção por 60 dias ou 20 lavagens do tecido. Porém, a lavagem a seco, os alvejantes, peróxidos e lavagens quentes (acima de 40 °C) facilitam a remoção de uma quantidade maior de Protec aplicado, podendo diminuir a quantidade de lavagens em que o tratamento permanecerá nos tecidos. A quantidade de princípio ativo presente no aerossol é a recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), regulamentada em países que têm normas para tratamento de tecidos, como Japão, Austrália e Estados Unidos. A Aya Tech dispõe de avançada infraestrutura, com unidade fabril em São Paulo e rede de canais em nível nacional, facilitando a disponibilidade do Protec Pet em petshops. Além disso, o Protec Pet também está disponível na loja online da Aya Tech: http://www.aya-tech.com.br .

Protec Pet - aerossol de 150 mL

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Protec - aerossol de 150 mL 105


ACUPUNTURA 6 e 7 de maio de 2017 Botucatu - SP III Simpósio Internacional de Acupuntura Veterinária http://bioethicus.com.br Agosto de 2017 Botucatu - SP XII Curso de especializacão em acupuntura veterinária http://bioethicus.com.br

ANESTESIOLOGIA 24 de março a 7 de abril (início) Curso A, B, C da anestesia e controle da dor http://equalis.com.br 7 a 21 de abril Curso intensivo de bloqueios: anestesia e analgesia http://equalis.com.br 10 a 12 de abril São Paulo - SP Curso teórico de anestesiologia veterinária http://sacavet.com.br 13 de abril São Paulo - SP Curso prático de anestesiologia veterinária http://sacavet.com.br 22 e 23 de abril Campinas - SPS III Curso de anestesia em cães e gatos http://mellovet.com.br

• Curso prático de Necropsia de Animais Selvagens http://sacavet.com.br 29 de abril a 1º maio São Paulo - SP Curso de Introdução à Clínica Médica de Animais Silvestres e Exóticos http://govetscursos.com/exoticos

BEM-ESTAR ANIMAL 18 a 20 de abril Porto Alegre - RS IV Congresso Brasileiro de Bioética e Bem-estar Animal http://cfmv.gov.br

CARDIOLOGIA

6 a 7 de maio Campinas - SP Curso Prático de Cirurgia do Abdome e Tórax em Pequenos Animais http://institutoiman.com.br 13 de maio (início) São Paulo - SP Especialização em Cirurgias Reconstrutivas http://cetacvet.com.br

10 a 13 de abril São Paulo - SP Curso teórico de Clínica Médica de pequenos animais http://sacavet.com.br 23 de abril Rio de Janeiro - RJ Centro de Estudos do Icict - Seminário: zoonoses e animais negligenciados http://www.icict.fiocruz.br 4 de setembro a 30 de outubro São Paulo - SP Curso de patologia clínica – interpretação e diagnóstico http://ivi.vet.br

COMPORTAMENTO

8 de abril Rio de Janeiro - RJ Encontro Regional de Arritmias Cardíacas http://sbcv.org.br

18 a 20 de maio São Paulo - SP Módulo Cirurgias da Coluna Vertebral http://cipo.vet.br

21 e 22 de abril Bragança Paulista, SP Seminário Internacional de Adestramento http://bit.ly/RogerAbrantesBrasil

10 e 11 de abril São Paulo - SP Curso teórico de cardiologia http://sacavet.com.br

27 de maio (início) São Paulo - SP Especialização em Cirurgias Abdominais e Pélvicas www.cetacvet.com.br

14 e 15 de maio Bragança Paulista, SP II Seminário Em Busca do Day Care Ideal http://dogsolution.com.br

14 a 16 de julho São Paulo - SP Curso de eletrocardiograma http://ivi.vet.br 29 de julho (início) São Paulo - SP Especialização em cirurgia cardiotorácica http://www.cetacvet.com.br

CIRURGIA

27 e 28 de maio São Paulo - SP IV Simpósio GEAS - Interferência do homem no meio marinho https://goo.gl/Yh2Tpa

10 a 12 de abril São Paulo - SP Curso teórico de cirurgia de pequenos animais http://sacavet.com.br

ANIMAIS SELVAGENS

13 de abril São Paulo - SP Curso prático de cirurgia de pequenos animais http://sacavet.com.br

10 a 13 de abril São Paulo - SP • Curso teórico de Medicina Veterinária de Animais Selvagens

21 a 23 de abril Jaboticabal - SP IV Curso e II Simpósio Internacional de Cirurgia Reconstrutiva em Cães e Gatos http://funep.org.br

21 de julho e 22 de julho São Paulo - SP Miscelâneas cirúrgicas tóracoabdominais (11) 3819-0594 30 de setembro (início) São Paulo - SP Especialização em Videocirurgia Veterinária http://www.cetacvet.com.br

CLÍNICA 1 a 2 de abril São Paulo - SP • Curso prático de Interpretação de Exames Laboratoriais • Curso teórico-prático de Introdução à Clínica Médica • Curso teórico de Neonatologia e Geriatria de pequenos animais http://sacavet.com.br

DERMATOLOGIA 22 e 23 de março Niterói - RJ Piodermite recorrente um desafio na dermatologia veterinária http://www.sbdv.com.br 24 de março a 7 de abril (início) Quick View em Dermatologia Clínica - Medicina Veterinária http://equalis.com.br 28 a 29 de abril Atualização em Citologia Dermatológica http://sacavet.com.br Maio (data a confirmar) São Paulo - SP Imersão em dermatoses autoimunes http://sbdv.com.br

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DERMATOLOGIA 3 a 5 de maio Olinda - PE Jornada do Conhecimento http://anclivepa2017.com.br Junho (data a confirmar) São Paulo - SP Infecções tegumentares não usuais http://sbdv.com.br 21 de Junho Botafogo - RJ Minha experiência com o paciente endocrinopata atópico http://sbdv.com.br 24 de Junho Dermatopatias pruriginosas dos felinos http://sbdv.com.br 27 de agosto São Paulo - SP Avanços na compreensão das dermatopatias alérgicas http://sbdv.com.br

30 de agosto Vassouras - RJ Leishmaniose, podemos tratar? http://.sbdv.com.br Outubro (data a confirmar) São Paulo - SP Microbioma no paciente humano com dermatite atópica http://sbdv.com.br 18 de novembro Leishmaniose http://sbdv.com.br/ 29 de novembro Botafogo - RJ Toxidermia medicamentosa http://sbdv.com.br

ECOLOGIA 10 a 12 de abril São Paulo - SP Curso teórico de conservação da biodiversidade: novas vertentes http://sacavet.com.br

27 e 28 de maio São Paulo - SP IV Simpósio GEAS - Interferência do homem no meio marinho http://geasusp.wixsite.com/geasusp

ENDOCRINOLOGIA 10 a 13 de abril São Paulo - SP Curso teórico de Endocrinologia http://sacavet.com.br 21 a 22 de abril Recife - PE Endocrinologia na medida! http://equalis.com.br 15 a 17 de novembro Guarujá - SP 3º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária http://abev.org.br

FISIOTERAPIA 20 e 21 de maio (início) Botucatu - SP

X Curso de pós-graduação lato sensu em fisiatria, fisioterapia e reabilitação veterinária http://bioethicus.com.br

GESTÃO 29 de março a 1º de abril São Paulo - SP Curso de gestão e marketing http://gioso.com.br 21 e 22 de abril Nova Iguaçu - RJ Curso Gestão & Marketing https://goo.gl/vBhlTU 3 a 5 de maio Olinda - PE Workshop de Responsabilidade Técnica https://anclivepa2017.com.br

HOMEOPATIA 25 de março (ínicio) Ribeirão Preto - SP Curso de homeopatia para médicos veterinários http://lamasson.com.br

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IMAGENOLOGIA 22 a 24 de março São Paulo - SP Ultrassonografia Ocular: teórico e prático http://www.naus.vet.br/ 3 a 5 de abril Rio de Janeiro - RJ 3º Curso Interativo de Radiologia Digital - Módulo Básico http://crvimagem.com.br 3 a 5 de abril São Paulo - SP Curso de ultrassonografia ortopédica: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario 7 a 9 de abril Rio de Janeiro - RJ Radiologia Digital - avançado http://crvimagem.com.br 28 de abril (início) São Paulo - SP Especialização em radiologia (11) 2933-0999

30 de abril São Paulo - SP NAUS International Meeting (Núcleo de Aperfeiçoamento em Ultrassonografia Veterinária) http://naus.vet.br/calendario 6 de maio a 8 de outubro São Paulo - SP Curso de radiologia: silvestres http://ivi.vet.br 16 de maio a 29 de junho São Paulo - SP Curso de aprimoramento em radiologia (11) 2933-0999 17 a 20 de maio; 16 a 19 de agosto; 6 a 9 de dezembro São Paulo - SP Curso de ultrassonografia abdominal avançado: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario 5 a 9 de junho; 11 a 15 de setembro São Paulo - SP

Curso de ultrassonografia doppler: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario 22 a 24 de junho São Paulo - SP Curso de ultrassonografia gestacional: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario 4 de julho a 14 de dezembro São Paulo - SP Curso de especialização em radiologia http://www.ivi.vet.br 15 e 16 de julho São Paulo - SP Curso de ultrassonografia intervencionista: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario contato@naus.vet.br 31 de julho a 1º de setembro São Paulo - SP Curso de ultrassonografia abdominal http://ivi.vet.br

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3 a 5 de agosto São Paulo - SP Curso de ultrassonografia de pescoço: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario contato@naus.vet.br 1º de setembro (início) São Paulo - SP Curso de ultrassonografia abdominal de fim de semana http://ivi.vet.br (11) 3016-0200 4 a 7 de outubro São Paulo - SP Curso de ultrassonografia transcraniana: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario contato@naus.vet.br 6 a 14 de novembro São Paulo - SP Curso de ultrassonografia abdominal básico: teórico e prático http://naus.vet.br/calendario contato@naus.vet.br


INTENSIVISMO 10 a 13 de abril São Paulo - SP Curso teórico de emergência e terapia intensiva em pequenos animais http://sacavet.com.br 20 de maio Campinas - SP V Simpósio de SEPSE http://mellovet.com.br 13 e 14 de maio Rio de Janeiro - RJ A arte de receber e estabilizar urgências: salvando rápido e bem! sergiorslvet@hotmail.com

MEDICINA FELINA 25 e 26 de março Goiânia - GO 2º Simpósio Goiano de Felinos http://anclivepago.com.br/ 31 de março e 1º de abril Rio de Janeiro - RJ

Cat In Rio http://catinrio.com.br 8 e 9 de abril São Paulo - SP Curso teórico de medicina felina http://sacavet.com.br

MEDICINA VETERINÁRIA LEGAL 7 de abril São Paulo - SP Workshop para Polícia de Proteção Animal http://mpsp.mp.br 6 de maio Curitiba - PR O elo entre a violência humana e os maus-tratos aos animais" https://goo.gl/Ml7d73

NEFROLOGIA 7 e 8 de abril São Paulo - SP Update em nefrologia e urologia https://equalis.com.br

8 e 9 de abril Campinas - SP Atualização em nefrologia veterinária http://www.petheart.com.br 3 a 5 de maio Olinda - PE Encontro CBNUV no 38ª Congresso da Anclivepa http://anclivepa2017.com.br

NEUROLOGIA 22 de julho (início) Jaboticabal - SP Curso Teórico-Prático de Neurologia e Neurocirurgia de Cães e Gatos http://www.funep.org.br/

NUTRIÇÃO 8 e 9 de abril São Paulo - SP Curso teórico de nutrição clínica de cães e gatos http://sacavet.com.br sacavet2017@gmail.com

http://www.famesp.com.br http://www.famesp.com.br http://www.famesp.com.br

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10 e 11 de maio Campinas - SP XVI Congresso CBNA PET Colégio Brasileiro de Nutrição Animal http://cbna.com.br

ODONTOLOGIA 10 a 13 de abril São Paulo - SP Curso teórico-prático de odontologia veterinária http://sacavet.com.br 3 a 5 de maio Olinda - PE XI COBOV - Congresso Brasileiro de Odontologia Veterinária http://www.abov.org.br/cobov

OFTALMOLOGIA 26 a 28 de maio São Paulo - SP Simpósio de Diagnóstico por Imagem em Oftalmologia Veterinária (11) 3082-3532


OFTALMOLOGIA 21 a 24 de novembro Brasília - DF IX Congresso Latinoamericano de Oftalmologistas Veterinários (CLOVE) http://clove2017.com.br

16 e 17 de setembro São Paulo - SP II Simpósio de Oncologia Veterinária da Universidade Cruzeiro do Sul http://goo.gl/uuPhOQ

ORTOPEDIA

10 a 13 de abril São Paulo - SP Curso teórico de oncologia veterinária http://sacavet.com.br

6 a 8 de abril São Paulo- SP Curso Intensivo Prático de Ortopedia (CIPO) - módulo avançado http://www.cipo.vet.br (11) 3819-0594

28 de abril a 1º de maio São Paulo - SP IX ONCOVET – Associação Brasileira de Oncologia Veterinária http://abrovet.org.br

18 a 20 de maio São Paulo- SP Curso de cirurgia de coluna http://www.cipo.vet.br

ONCOLOGIA

5 a 7 de maio Araçatuba - SP III Workshop de Especialidades: Oncologia http://fb.com/geapa.aracatuba

26 a 28 de maio Jaboticabal - SP V Curso Internacional de Ortopedia e Traumatologia (16) 3209-1300 http://www.funep.org.br

PATOLOGIA CLÍNICA 1 a 2 de abril São Paulo - SP Curso prático de Interpretação de exames laboratoriais http://sacavet.com.br 4 de setembro a 30 de outubro São Paulo - SP Curso de patologia clínica – interpretação e diagnóstico http://www.ivi.vet.br

REPRODUÇÃO 10 a 13 de abril São Paulo - SP Curso teórico de reprodução e obstetrícia em cães e gatos http://sacavet.com.br

SAÚDE PÚBLICA Abril (data a confirmar) Curitiba - PR Curso de Formação de Oficiais de Controle Animal (FOCA). cursos@itecbr.org http://www.itecbr.org

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23 de abril Rio de Janeiro - RJ Seminário: zoonoses e animais negligenciados http://www.icict.fiocruz.br 6 de maio Curitiba - PR O elo entre a violência humana e os maus-tratos aos animais" https://goo.gl/Ml7d73 19 e 20 de maio Porto Alegre - RS VIII Conferência Internacional de Medicina Veterinária do Coletivo. Resgatando saberes, construindo conhecimentos e fortalecendo ações http://itecbr.org cursos@itecbr.org 4 e 5 de novembro Belo Horizonte - MG XVIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina – BRASILEISH http://brasileish.com.br

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SEMANAS ACADÊMICAS 8 a 13 de abril São Paulo - SP XXVII SACAVET – Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da FMVZ/USP http://sacavet.com.br 22 a 24 de agosto Campinas - SP SEMEVUC XV – Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da Unip de Campinas http://www.fb.com/semevuc/ 23 a 26 de agosto Viçosa - MG XIX SAMEV – Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Viçosa http://www.samev.org http://www.fb.com/XIXsamev 13 a 16 de setembro Indaiatuba - SP Ciclo de Estudos do Curso de

Medicina Veterinária/VETMax 2017 http://organizacaovetmax.wixsite.com/vetmax http://facebook.com/vetmax2017

10 a 11 de maio Campinas - SP XVI Congresso CBNA Pet - Colégio Brasileiro de Nutrição Animal http://cbna.com.br

25 a 30 de setembro São Paulo - SP XVIII JOVET Jornada Veterinária http://www.fb.com/jovetoficial

20 a 22 de maio Novo Hamburgo - RS Feipet – 5ª Feira de Negócios para Animais de estimação http://www.feitpet.com.br

FEIRAS & CONGRESSOS 3 a 5 de maio Recife - PE 38º Congresso Brasileiro da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais – Anclivepa http://www.anclivepa2017.com.br

1º a 3 de Julho São Paulo - SP • 7º Congresso Paulista das Especialidades • 1º Congresso Internacional de Medicina Interna • 68ª Conferência Anual da SPMV http://spmv.org.br 30 de Agosto a 3 de Setembro Campos do Jordão - SP • VegFest 2017 • VI Congresso Vegetariano Brasileiro http://vegfest.com.br

17 a 19 de outubro São Paulo - SP • 15º CONPAVEPA • Vet Expo • Pet Shop Expo http://vetexpo.com.br 3 a 5 de novembro Goiânia - GO 12º Concevepa - Congresso do Centro Oeste de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais http://www.anclivepago.com.br 13 a 15 de novembro Guarujá - SP 3º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV) http://abev.org.br 15 a 17 de novembro Salvador - BA VII SINDIV - Simpósio Internacional de Diagnóstico por Imagem Veterinário http://abrv.org.br http://goo.gl/GRndGG

http://www.itecbr.org

http://revistaclinicaveterinaria.com.br

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AGENDA Internacional 4 a 7 de abril Lima - Peru Latin American Veterinary Conference (LAVC) http://tlavc-peru.org 6 a 9 de abril Lahaina, Havaí - EUA VECCS 2017 Spring Symposium http://veccs.org 10 a 12 de abril Washington, DC - EUA World Veterinary Vaccine Conference 2017 goo.gl/7W0Hca 10 a 12 de abril Pretória - África do Sul InVeST 2017 Conference (International Veterinary Simulation in Teaching) http://investconf2017.com 19 a 21 de abril Den Haag, Reino dos Países Baixos European Veterinary Conference Voorjaarsdagen http://voorjaarsdagen.eu 25 a 28 de abril Toronto - Canadá WADEM Congress on disaster an emergency medicine 2017 http://wadem.org/congress/toronto-2017

26 a 29 de abril Lake Buena Vista, Flórida - EUA North American Veterinary Dermatology Forum http://navdf.org

30 de julho a 4 de agosto Estoril - Portugal Behaviour 2017: 35th International Ethological Conference http://icatcare.org/isfm-congress

8 a 11 de maio Nürnberg - Alemanha InterZoo 2018 https://nterzoo.com/en

7 a 10 de agosto Aarhus, Dinamarca ISAE 2017: undestanding animal behaviour http://isae2017.com

11 a 13 de maio Santiago - Chile IV Congresso Internacional VECME http://udla.cl/11-de-mayo-1 16 a 20 de maio Toledo - Espanha 6th WorldLeish -World Congress on Leishmaniasis http://worldleish2017.org 24 a 27 de maio Berlin - Germany The Zoo and Wildlife Health Conference 2017 http://goo.gl/tsIjeK 28 de junho a 2 de julho Brighton - Inglaterra ISFM World Feline Congress 2017 (International Society of Feline Medicine) http://icatcare.org/isfm-congress 28 de junho a 15 de julho Port Elizabeth - África do Sul Programa Vets Go Wild http://cwtour.com.br/lp/vets-gowild-2017

27 a 31 de agosto Incheon - Coreia do Sul 33th World Veterinary Congress http://worldvet.org 6 a 9 de setembro León - México Congreso Veterinario de León http://cvdl.com.mx 4 a 8 de setembro Kuala Lumpur, Malásia WAAVP 2017 (World Association for the Advancement of Veterinary Parasitology) http://waavp2017kl.org 7 a 9 de setembro Lausanne - Suíça ESVD-ECVD Annual Congress (European Society of Veterinary Dermatology - European College of Veterinary Dermatology) http://esvd-ecvdcongress.com 13 a 17 de setembro Nashville, Tennessee - EUA IVECCS 2017 (International Veterinary Emergency & Critical

Care Symposium) http://veccs.org 20 a 23 de setembro Medellín - Colômbia VI Congreso Internacional Neurolatinvet http://congresoneurolatinvet.ces. edu.co 25 a 28 de setembro Copenhaguen - Dinamarca World Small Animal Veterinary Association Congress and FECAVA Eurocongress http://wsava2017.com 28 de setembro a 1 de outubro Berlim - Alemanha 11th International conference on behaviour, physiology and genetics of wildlife http://goo.gl/QqXW9Y 2 a 4 de outubro Vancouver, Canadá 8th Animal Health & Veterinary Medicine Congress http://animalhealth.conferenceseries.com 26 a 28 de outubro Portland, Oregon - EUA Veterinary Cancer Society Conference http://vetcancersociety.org 1º a 3 de novembro Medellín, Antioquia - Colômbia VI Congreso Latinoamericano de Enfermedades Rickettsiales & I Encuentro de ecologia y control de ectoparásitos http://enicip.co/congreso/ 9 a 11 de novembro Barcelona - Espanha SEVC 2017 (Southern European Veterinary Conference) Congreso Nacional AVEPA (Asociación de Veterinarios Españoles Especialistas en Pequeños Animales) http://sevc.info

Lima, Peru. Circuito Mágico das Águas, no Parque de La Reserva: uma incrível experiência em cada uma das 13 fontes. http://goo.gl/Lp9DSC 114

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23 a 25 de novembro Montevideo - Uruguai XIV Congresso Iberoamericano FIAVAC (Federação Iberoamericana de Associações Veterinárias de Animais de Companhia) XI Congresso Nacional SUVEPA (Sociedad Uruguaya de Veterinarios Especialistas en Pequeños Animales) http://suvepa.org.uy http://fb.com/SuvepaFiavac2017


http://www.labyes.com/labyderm


Clínica Veterinária n. 127  

Hipotensão arterial em cães e gatos; Hiperaldosteronismo primário em felinos; Tetralogia de Fallot em cão; Dermatófitos isolados do pelame d...

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Hipotensão arterial em cães e gatos; Hiperaldosteronismo primário em felinos; Tetralogia de Fallot em cão; Dermatófitos isolados do pelame d...