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César Romero faz da sua pintura um campo obsessivo de apreensão arquivamento e transfiguração da vida e cultura baianas. E o faz de maneira íntegra e verdadeira, consciente e empenhado em dar dimensão histórica e profundidade de relato aos seus trabalhos / depoimento. Distante do adocicado, fácil e insidioso caminho do pitoresco e folclórico, o artista se empenha na articulação de roteiros inusitados, contemporâneos e universais, responsáveis pela amplitude e força de sua linguagem plástica. E assim vai, afetuosamente envolvido como mestre,como historiador e Em vida arquivista, poeta e pintor, coletando e transfigurando usos e costumes, festas passada César e cultos, sonhos e utopias, magias e segredos da sua instigante Bahia. Romero já Celma Alvim Muitos especialistas, com a preocupação de alicerçar suas foi um Condor. ABCA – AICA pesquisas, optam por buscar para obras em análise similitudes e Só assim se pode explicar como ele analogias, que lhes facilitem o posicionamento crítico. A própria obra “enxerga” no espaço de César Romero tem sido às vezes enfocada a partir deste expediente. Sem as rotas invisíveis dúvida, há muitos artistas cuja obra só se revela em seu mais lato significado, se do vento e nelas solta submetida a confrontos desta natureza. A meu ver, entretanto, este não é o caso para o suas fitas voluteantes, ou notável pintor baiano à nossa mira: sua produção artística não carece deste recurso, mesmo quando um melhor; solta suas fitas que ou outro aspecto de alguma pintura sua tange a similitude, pois esta jamais chega a ser parâmetro; nem há que se o vento voluteia à vontade. falar em coincidência, pois outros são os recursos plásticos e os objetivos da expressão artística. A este propósito, Fitas recobertas de emblemas, muito bem situou-se Jacob Klintowitz quando, mesmo evocando Klee e Volpi, esclarece: “Devido ao discurso registros, signos. Influências locais extremamente peculiar, individual, único, a invenção da própria sintaxe, César Romero... é um inventor”. e ancestrais. Imagino César riscando e concebendo um quadro: A mão liberta César Romero é sempre ele mesmo e só se parece com César Romero. da obediência ao consciente, diretamente ligada ao comando da sua memória ancestral Pierre Santos de Condor, sentindo as correntes aéreas que a ABCA – AICA vão conduzindo nas elegantes curvas ascendentes e descendentes, até o pouso no vale ou nos píncaros. Então o olhar de César recobra a consciência do tempo presente. Sua mão agora o obedece de forma amena e êle vai corrigindo aqui e ali as elegâncias da navegação aérea. Seu sentido estético entra em cena, recobrindo a fita com os signos que a alma do quadro pede e com as cores que o estado de espírito do artista coordena. E eis a obra pronta! Guiomar Lobato Museóloga, Historiadora, Crítica de Arte ABCA


César Romero é um dos mais O conceituados artistas contemporâneos simbolismo da Bahia. A inspiração de Romero vem do popular, como é típico no Nordeste. Ele está registra as feiras de artesanato, as festas de rua representado e outras manifestações. O artista oferece uma fonte pelo conteúdo das inesgotável de pesquisa, que explode nas telas em cores suas faixas pictóricas, exuberantes e nos desenhos recheados de símbolos e signos abrangendo figuras religiosos e festivos da cultura afro-brasileira. retiradas da religiosidade afro-brasileira, tão presentes na nossa cultura, mas, sobretudo Morgan da Motta ABCA - AICA naquela de origem do artista. Com notável habilidade no manejo do claroescuro das cores, ele cria na superfície plana do suporte a perspectiva de tiras que nos dão a sensação de tridimensionalidade tão concreta que há espectadores tocando a tela, como se precisassem da ratificação tátil do que vêem. É a superação da dificuldade dessa execução que faz dos artistas, pessoas especiais e, em vários casos Na obra de César Romero existem perguntas, mas também daquilo que produzem, arte. César Romero consegue esse efeito através da existem diversas respostas que ele nos convida a descobrir, a aplicação da tinta acrílica, criando nuances que se espera somente da interpretar e a considerar. Escrevo sobre César Romero porque aquarela. sua obra me enriquece por ter fragmentos do Brasil e da cultura popular. Escrevo sobre César Romero porque seu trabalho me encoraja Carlos Perktold Psicanalista – crítico ABCA ao demonstrar-me que ainda existe salvação para a linguagem, porque no universo cultural em que prevalece a mediocridade, ele manifesta com sua arte que ainda é possível e necessário a originalidade. Em César Romero a pintura está viva, e o modismo está morto. A cor para César Romero é um desafio poético. Magno Fernandes dos Reis ABCA - AICA



Catálogo César Romero