Page 1

o i r รก n e t n e c r a m g n i n a m g r e b

c e n t e n รก r i o i n g m a r b e r g m a n

1


2


o i r รก n e t n e c r a m g n i n a m g r e b

c e n t e n รก r i o i n g m a r b e r g m a n

27 de junho a 3 de julho de 2018 CineSesc

1


2


sumário

Arte e devir Danilo Santos de Miranda

Um legado sueco para o mundo Per-Arne Hjelmborn

TEXTOS

Tempo, dor, morte, amor. Silêncio. Sérgio Rizzo

Uma brasileira na ilha de bergman Helen Beltrame-Linné

5 Sesc São Paulo

7 Per-Arne Hjelmborn

8

13 Sérgio Rizzo

21 Helen Beltrame-Linné

LINHA DO TEMPO

28

FILMES

36

3


arte e devir

A

complexidade da existência humana pode ser expressa nas mais sutis relações cotidianas. Baseada em uma extensa e subjacente teia de significações, construída social e culturalmente, ela tem sido matéria-prima

para distintas formas de manifestação artística, ensejando criações que colocam em pauta o sentido da vida e as angústias pessoais. No processo constituinte de uma obra, o potencial disruptivo da arte se apresenta pelas escolhas realizadas por seus autores, seja pela forma adotada ou por seu conteúdo, como é o caso da representação dramática. Esse gênero permite que o espectador se conecte com as emoções mais profundas dos indivíduos, que se deparam com sentimentos aos quais também estão suscetíveis. Nesse registro, Ingmar Bergman, diretor e dramaturgo reconhecido e aclamado pela crítica internacional, tratou em suas obras teatrais e cinematográficas de questões morais, temas existenciais e intimistas com maestria e talento. Referência para o cinema mundial, tendo influenciado diversos cineastas ao longo de décadas, o diretor sueco é considerado um ícone da sétima arte. A Mostra Centenário Ingmar Bergman, realizada com o apoio da Embaixada da Suécia e do Swedish Institute, exibe filmes de diferentes épocas de sua carreira, com produções clássicas em que estão presentes os questionamentos e dramas experienciados por seus personagens e que marcaram sua trajetória. Importante forma de expressão das inquietações anímicas, a arte pode evidenciar as fissuras intrínsecas aos indivíduos, permitindo, através de sua fruição, o reconhecimento do outro como semelhante. Para o Sesc, essa aproximação entre públicos diversos, mediada pelas artes, é fundamental para a constituição da cidadania e na formação de sujeitos perceptivos a outras realidades, ensejando, assim, a construção de uma sociedade mais solidária.

Danilo Santos de Miranda Diretor do Sesc São Paulo


um legado sueco para o mundo

E

m 2018 comemoramos o centenário de Ingmar Bergman, inquestionavelmente um dos suecos mais conhecidos no Brasil e no resto do mundo. Bergman é um gigante da cultura sueca e o maior cineasta da Escandinávia. Con-

siderado uma das figuras mais importantes da história da arte cinematográfica, ele foi um dos grandes artistas que ajudaram a reinventar o cinema. Bergman pertence a um grupo pequeno e exclusivo de cineastas, como Fellini, Antonioni e Tarkovski, que somente precisam ser mencionados pelo sobrenome porque suas obras os tornaram lendárias. Não é fácil resumir os feitos de Bergman em poucas palavras. Ele teve a habilidade de usar o cinema como uma forma pessoal de expressão, para retratar problemas existenciais e psicológicos, mas também o mundo tangível e concreto. Suas obras icônicas, que refletem quase sempre o seu estarrecimento frente a temas universais como Deus, angústia, culpa, morte e amor, trouxeram uma nova profundidade e intimidade para todas as disciplinas das artes performáticas. Seus filmes, com sua linguagem profunda, cenas de intocada beleza natural e mulheres loiras e liberais, foram personificando um certo exotismo sueco: poucas pessoas influenciaram a percepção do mundo sobre a Suécia mais do que Bergman. O cineasta teve uma extensa e prolífica carreira e, apesar de ser conhecido mundialmente principalmente pelo seu trabalho como diretor de cinema, ele foi um homem do teatro, além de exímio escritor. Seus trabalhos compreendem 300 textos em diversos formatos, 170 peças, pouco mais de 60 filmes para televisão e cinema, fora os documentários. Ainda hoje, as suas obras são as mais exibidas na Escandinávia, de modo que o Centenário de Bergman é a celebração de um artista com um legado vivo. Agradeço aos curadores e ao Sesc pela homenagem a esse grande cineasta em comemoração ao Centenário de Bergman 2018. Espero que essa mostra possa atrair uma nova geração de brasileiros para o mundo de Bergman e que esse interesse se estenda ao cinema sueco moderno.

Per-Arne Hjelmborn Embaixador da Suécia no Brasil


sotxet


textos


.roma ,etrom ,rod ,opmet .oicnĂŞlis

11


12


tempo, dor, morte, amor. silêncio. Sérgio Rizzo

N

o livro Imagens (1990), em que revisita 26 de seus próprios longas-metragens de ficção, incluindo todos os dez presentes na mostra Centenário Ingmar Bergman, o diretor sueco relembra uma crítica a Sonata de Outono (1978) feita por um jornalista francês. Era elogiosa, e dizia — “com acuidade”, segundo ele — que “Bergman fez um filme à Bergman”. Um trabalho “bergmaniano”, muitos diriam, no mesmo sentido em que os termos “felliniano” e “buñuelesco”, por exemplo, foram aplicados, a partir dos anos 1960, a elementos narrativos e estéticos que seriam típicos dos filmes realizados pelo italiano Federico Fellini e pelo espanhol Luís Buñuel. Pode-se encarar esse tipo de juízo como algo positivo, aplicado exclusivamente a criadores de universos muito particulares e facilmente reconhecíveis pelo espectador. Mas pode-se também considerá-lo de modo pejorativo: se alguém passa a explorar apenas território que já foi explorado por ele mesmo, talvez esteja submetido a alguma forma de esterilidade. Bergman, sempre rigoroso com seus processos criativos e com os filmes que resultavam deles, preferiu enxergar, no elogio do crítico francês, um alerta: se o que fazia era visto como “à Bergman”, ou ele se reinventava, ou corria o risco de se tornar um pastiche de si mesmo. A aposentadoria do cinema já no filme seguinte, Fanny e Alexander (1982), sugere que o suposto elogio ecoou muito do que já o incomodava ao avaliar seus fil13


mes dos anos 1970 — a dificuldade em atingir, no resultado final entregue ao público, aquilo que imaginara fazer inicialmente. As anotações preliminares em seus diários, durante o nascedouro dos projetos, começaram a lhe parecer mais interessantes do que os filmes desenvolvidos a partir delas. Em Imagens, traduziu de forma irônica e implacável a cobrança que se impunha: “É, portanto, tempo de me olhar no espelho e perguntar: como é que é? Bergman só fez filmes à Bergman?”. Entende-se por que decidiu, no início dos anos 1980, com pouco mais de 60 anos, que talvez fosse a hora de parar. Os dez filmes reunidos na mostra Centenário Ingmar Bergman incluem a quintessência do conjunto de obra responsável pela construção, gostasse ou não o diretor, do campo “bergmaniano”. Nas três décadas que separam Mônica e o Desejo (1953) — que, lançado pouco depois de Juventude (1951), confirmou o surgimento de um cineasta a ser acompanhado atentamente — de Fanny e Alexander, houve a ascensão e a consagração (e, também, o natural questionamento da consagração) de Bergman como um ícone do cinema de autor europeu do pós-II Guerra Mundial. Alguém que veio do teatro e que, em seu período de aprendizado como diretor de cinema no Svensk Filmindustri, o estúdio sueco que viria a abrigá-lo em quase toda a carreira, trabalhou no espaço de convergência entre o neorrealismo italiano e o melodrama. Em seguida, ele foi se aproximando do domínio do cinema moderno, como um realizador de dramas psicológicos e intimistas, erguidos em torno de angústias e questionamentos que pareceram originais e provocantes para um nicho do público adulto ocidental então disposto a ver no cinema uma oportunidade não só de prazer, mas também de reflexão. A plataforma que lhe possibilitou condições relativamente estáveis de trabalho na Suécia — graças à repercussão no exterior, ilustrando o raciocínio de que santo de casa só é visto como alguém capaz de fazer milagres quando as pessoas de fora o reconhecem como milagreiro — está representada na mostra Centenário Ingmar Bergman por três filmes realizados na década de 1950. Estrelado por Harriet Andersson, então com cerca de 20 anos e em sua primeira aparição no cinema do diretor, Mô14


nica e o Desejo corresponde a um pequeno escândalo para o padrão bem comportado de dramas a que os espectadores da época estavam habituados. “Desejo”, por sinal, é uma palavra sugestiva que alguns distribuidores internacionais usaram para apimentar a expectativa do público. No original em sueco, o título é mais neutro (Sommaren med Monika, verão com Mônica) e adota a perspectiva do rapaz (Lars Ekborg) que vive, com a personagem de Harriet (a “vagabunda da quitanda”, como diz alguém), um idílio em meio à natureza, no arquipélago de Estocolmo, espécie de amargo rito de passagem para a vida adulta. Ambos lançados em 1957 na Suécia, um em fevereiro e o outro em dezembro, O Sétimo Selo e Morangos Silvestres contribuíram decisivamente para fazer de Bergman uma grife do cinema de autor. Juventude e Mônica e o Desejo trataram de dificuldades nos relacionamentos entre jovens, um dos temas recorrentes na primeira fase de sua carreira, enquanto o drama Noites de Circo (1953) e a comédia Sorrisos de uma Noite de Amor (1955) apresentavam um diretor de estilo próprio e também versátil. Mas, na dupla de clássicos de 1957, desvelou-se um modo de tratar a inevitabilidade da morte, o significado de Deus e os labirintos da memória que viria a se espraiar pela obra de Bergman, tanto em recriações de época (caso de O Sétimo Selo) como em histórias contemporâneas (à semelhança de Morangos Silvestres). O jogo de xadrez travado entre um cavaleiro (Max von Sydow) e a Morte (Bengt Ekerot), no primeiro filme, e o pesadelo em que um velho professor (Victor Sjostrom) vê a passagem de um carro funerário com seu próprio corpo, no segundo, estão entre as imagens “bergmanianas” mais lembradas, homenageadas e satirizadas. Estabelecida essa plataforma, os filmes dos anos 1960 acentuam a percepção de uma obra enraizada na metafísica e articulada em torno de um certo mal-estar da sociedade europeia no período em que, paralelamente à ascensão da sociedade de consumo, pairam no ar a ameaça da hecatombe nuclear e a emergência de um vazio existencial que o bem-estar material, sobretudo nos países escandinavos, não conseguiu atenuar (ou serviu para reforçar). Através de um Espelho (1961), Luz de Inverno (1963) e O Silêncio (1963) formam o que se consagrou chamar de a trilogia do 15


silêncio (de Deus) ou a trilogia da fé. O volume único com o roteiro dos três filmes, publicado em 1963, trouxe uma “nota explicativa” do diretor. “Esses três filmes são uma redução do processo narrativo”, dizia ele. “Através de um Espelho é um conhecimento conquistado. Luz de Inverno, um conhecimento revelado. O Silêncio, o silêncio de Deus, a impressão negativa. E é desse modo que esses três filmes formam uma trilogia.” Mais tarde, Bergman negou a ideia de que foram realizados de maneira interligada. “Hoje, vejo esse tipo de análise como uma racionalização a posteriori”, escreveu em Imagens. “Sou cético quanto à ideia de uma trilogia. (...) Essas palavras [da “nota explicativa”] foram escritas em maio de 1963. Hoje me parece que essa ideia de ‘trilogia’ não tem pé nem cabeça.” O título de Através de um Espelho vem de uma citação bíblica (Primeira Epístola aos Coríntios 13, versículo 12): “Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.” Intimista como uma peça de Tchekhóv (Bergman havia pouco antes dirigido no teatro uma montagem de A Gaivota), essa dança psicológica em forma de quarteto — com Harriet Andersson, no papel de uma jovem atormentada por aspectos psíquicos e religiosos, e que faz o pivô entre o pai (Gunnar Björnstrand), o marido (Max von Sydow) e o irmão (Lars Passgård) — exemplifica outro elemento “bergmaniano”, os “tempos concentrados”, extraindo significado de eventos que reúnem os personagens por apenas um ou dois dias. O procedimento minimalista repete-se em Luz de Inverno, com um pastor em crise de fé (Björnstrand) no centro da trama, e em O Silêncio, com duas irmãs (Ingrid Thulin e Gunnel Lindblom) em outro formato dramático recorrente no cinema de Bergman, aquele proporcionado pela ideia de duplo. Através de um Espelho foi notável também por ter levado o diretor a filmar pela primeira vez na ilha de Fårö, com sua paisagem que parecia aguardar a oportunidade de ambientar um universo dramático “à Bergman”. Ali, o diretor viria a estabelecer seu refúgio pessoal e rodaria outros quatro filmes de ficção, entre eles Persona (1966) — que, em seu lan16


çamento nos cinemas do Brasil, recebeu um título incrível, Quando Duas Mulheres Pecam. De fato, há duas personagens em cena (interpretadas por Liv Ullmann, em seu primeiro trabalho com o diretor, e Bibi Andersson), na mais emblemática da explorações de duplos em toda a obra de Bergman. O menino de O Silêncio ( Jörgen Lindström) retorna no prólogo, lendo o romance O Herói do Nosso Tempo, do russo Mikhail Liérmontov — mais uma vez, ele encarna a ideia um tanto angustiada de “criança do nosso tempo”. Esse início vertiginoso de Persona, flertando com o espírito de vanguarda da montagem no cinema moderno, convida o espectador a entrar na mecânica simbólica e onírica que pauta a aproximação entre uma atriz e sua enfermeira, e que, em outra chave estética, caracterizaria também Gritos e Sussurros (1972). Aqui, o uso intenso do vermelho acompanha mais uma dança a quatro, colocando três irmãs (Andersson, Thulin, Ulmann) no velho casarão da família onde vive também uma criada (Kari Sylwan). Tempo, dor, morte, amor. Silêncio. Assim como O Sétimo Selo e Morangos Silvestres responderam juntos por um determinado entendimento entre o público e a crítica do que seria “bergmaniano” àquela altura de sua carreira, Persona e Gritos e Sussurros são os principais responsáveis por expandir o conceito, alargar o território, tornar mais complexa e misteriosa a sua interpretação. Sonata de Outono reitera muitas das coordenadas desse campo, ao mesmo tempo em que sua estrutura lembra uma tradição sempre muito cara ao trabalho do diretor, a do teatro de Strindberg e de Íbsen, além das peças de câmara de Tchekóv. Mãe (Ingrid Bergman, em sua única parceria com o diretor) e filha (Ullmann) reencontram-se brevemente, mas por tempo o bastante para que encenem um traumático acerto de contas, com direito a uma das sequências mais extraordinárias de todo o cinema de Bergman, em torno de um piano e do Prelúdio número 2 de Chopin. Decidida a aposentadoria do cinema (que seria ligeiramente desrespeitada, nos anos seguintes, pela escrita de roteiros filmados por terceiros e pela direção de telefilmes, alguns dos quais viriam a ser lançados nos cinemas), é natural que a despedida tenha sido em outro andamento, mais esfuziante, alegre, esperançoso, quase operístico. Fanny e Alexander é o êxtase de inspiração autobiográfica de um artista que, tendo espalhado elementos 17


de sua trajetória por inúmeros personagens e situações, assumiu claramente que se voltar para os ecos da própria infância era a melhor maneira de dizer adeus.

Sérgio Rizzo, jornalista, professor, crítico e curador de cinema, mestre e doutor pela ECA-USP. Participou da Bergmanweckan (a “semana Bergman”, evento realizado anualmente pelo Bergmancenter na ilha de Fårö) em 2016, como jornalista, e em 2017, como membro da equipe de apoio à programação. No momento, escreve um livro sobre os 20 filmes abordados por ele em dois cursos recentes sobre o diretor sueco, ministrados no Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo.

18


an arielisarb amu namgreb ed ahli

19


20


uma brasileira na ilha de bergman Helen Beltrame-Linné

E

m 16 de setembro de 2014, fiz uma apresentação diante do conselho de administração da Fundação Bergmancenter. Num sueco ainda primário, expus minha visão para o centro, formada depois de alguns encontros com a equipe na ilha de Fårö. Depois de falar por 10 minutos, saí da sala e logo me chamaram de volta: estava contratada para ser a nova diretora da fundação. Essa história seria incrível se contada por qualquer brasileiro que consegue seu primeiro emprego num país estrangeiro. Mas, em sendo eu a protagonista, o relato ganha um sabor especial.

Minha história com Ingmar Bergman começa em São Paulo, em 1998, quando assisti, aos 17 anos, um de seus filmes pela primeira vez: Morangos Silvestres. O encantamento foi tamanho que passei a ver tudo que estava ao alcance (leia-se: nos cinemas de arte e videolocadoras da cidade). No final de 2001, li no jornal que Bergman encerraria sua carreira no Teatro Real Sueco com Fantasmas, de Ibsen. Comprei os bilhetes, sem dar qualquer atenção a um detalhe: não falava uma palavra de sueco. Meses depois, desembarquei no país do meu gigante e comecei a viagem pelo seu território: Fårö. 21


Quem gosta de Bergman se habitua a fantasiar sobre sua mítica ilha. Lá onde ele, aos 41 anos, encontrou seu lar: “Se você quiser ser solene, você pode dizer que eu encontrei minha paisagem, minha verdadeira casa. Se você quiser ser espirituoso, pode falar em amor à primeira vista”. Lá onde o diretor, quatro anos depois da primeira visita, construiria sua casa, imbuído de amor por sua musa Liv Ullmann. Lá onde rodou filmes como Através de um espelho e Persona e escreveu tantos outros, como Gritos e Sussurros e Fanny e Alexander. O mesmo lugar onde uma garota brasileira – extremamente mal vestida para o inverno sueco do mês de fevereiro – lutaria de bicicleta contra o vento e a chuva procurando a casa do ídolo. A ilha mítica para onde eu, agora aos 33, me mudaria, para fazer nada menos do que gerir a fundação do grande Ingmar Bergman. Fårö é uma ilha do tamanho de duas Manhattans com apenas 500 residentes permanentes. Não tem banco, escola, hospital nem correio; somente um pequeno mercadinho e uma igreja. Todo o resto requer carona do ferry, que sai de meia em meia hora. Esse cenário de isolamento muda durante os dois meses de verão, quando chegam os turistas e com eles serviços como restaurantes, pousadas, locadoras de bicicletas, uma padaria. Mas a realidade da ilha de Fårö é o resto do ano, quando tudo hiberna e vive-se numa pequena comunidade composta principalmente de trabalhadores braçais e aposentados. A Fundação Bergmancenter surge em 2009, mas pode-se dizer que sua origem remonta à primeira edição da Bergman Week, cinco anos antes. Criada como um pequeno evento para entusiastas, a Semana Bergman nasce sob a benção cética de um Bergman já recluso. Naquele primeiro ano, de 2004, abre-se com uma apresentação musical na igreja (que se tornaria tradição nas edições posteriores), seguida de conversas com um ou outro especialista no diretor e um tour pelas locações de filmagem na 22


ilha (batizado com a desastrada alcunha de Bergman safari). Atiçado pela curiosidade, o diretor vai com seu jipe até um dos eventos – aparição pontual que se tornará constante nos anos seguintes. Em 2005 ele ainda colabora com a programação, selecionando cinco filmes (de terceiros, obviamente). Ao lado do clássico Rashomon (1950), títulos como Moça com Brinco de Pérola (2003) e o sueco Day and Night (2004) revelaram o inabalado apetite do diretor de quase 86 anos pela produção da época. Em 2006, os participantes da Semana testemunham uma cena inusitada: a atriz-musa Harriet Andersson é entrevistada sobre suas colaborações com Bergman, até que uma voz do público a interrompe, corrigindo uma informação. É o próprio diretor, que havia entrado discretamente e se acomodado entre os ouvintes. Aquele seria o último ano de aparições surpresa. Em 2007, já muito debilitado, Bergman ficaria recluso em sua casa e acabaria falecendo menos de um mês depois do encerramento da Semana daquele ano. O festival anual continua e, dois anos depois do enterro do cineasta, surge a Fundação Bergmancenter, uma instituição permanente, com sede na antiga escola de Fårö. Porém, ainda que a Semana use o espaço do centro para eventos e se submeta ao conselho de administração da Fundação, os dois atores seguem em paralelo, com equipes distintas e orçamentos separados. Bem no início, o Bergmancenter se resumia a uma pequena coleção de livros e uma exposição sobre a relação entre Bergman e Fårö, feita juntamente com os moradores locais. Somente em 2012 é concluída a reforma que deu ao prédio sua forma atual, com cinema, restaurante, biblioteca, ateliê de artes, lojinha e as salas de exposição que conhecemos hoje. 23


O papel da Fundação Bergmancenter deve ser visto no contexto da tríade que sustenta a herança de Bergman na Suécia: de um lado a Fundação Ingmar Bergman, sediada em Estocolmo, que gere a propriedade intelectual do diretor; de outro a Fundação Bergman Estate, com sede Oslo, que gere as casas que Bergman mantinha em Fårö (são cinco, todas adquiridas por um milionário norueguês num leilão em 2009). Sempre vi o Bergmancenter como a face pública do legado do artista: é a única fundação à qual o público geral tem acesso. Seus cadernos são guardados em Estocolmo, acessíveis somente a pesquisadores, os filmes pertencem ao Instituto de Cinema Sueco ou outros distribuidores e suas casas de acesso restrito a residentes artísticos. Assim, aos meus olhos, a meta de divulgar a figura de Ingmar Bergman por seus filmes e exposições sobre seu trabalho deveria ser combinada com outras duas: encontrar formas de exibir o acervo guardado a sete chaves na capital e compartilhar com o público geral as suas casas na ilha (ou, ao menos, o que se produzia nelas). Naquela fatídica tarde de setembro de 2014, eu havia sido contratada como diretora do Bergmancenter, mas o destino trouxe uma oportunidade. Passado um mês, a criadora da Semana Bergman se desentendeu com o conselho de forma irreparável. Assumi, então, sua função, passando a acumular os dois cargos: diretora do Bergmancenter e da Semana. A combinação, inédita na história das instituições, não podia ser mais natural aos meus olhos. Incorporei a Semana Bergman ao Bergmancenter, fazendo dela o maior evento anual da Fundação. Dessa forma, pude concentrar naqueles sete dias o imenso esforço requerido para realizar uma programação de peso em torno de Bergman numa ilha isolada sem fornecedores ou mão-de-obra qualificada. As edições da Semana que assinei como curadora e diretora (2015, 2016 e 2017) revelaram uma nova vocação para o evento, além de homenagear Bergman: dar espaço a artistas que nele se inspiraram ou que, assim como ele, buscaram expressar seu mundo interior por uma voz própria. 24


Nesse novo espírito, puderam participar do festival de Fårö, lado a lado, antigos colaboradores de Bergman e novos diretores com projetos rodados (ou não) na ilha. Se num dia o palco do Bergmancenter era ocupado por uma trupe de dançarinos amadores da região, no outro a praia de Persona recebia um monólogo ao ar livre com duas atrizes do Teatro Real Sueco (uma delas calada, como no filme). Pude, assim, concentrar o foco do Bergmancenter, durante o resto do ano, na criação de exposições de qualidade explorando a obra do próprio Bergman. Entre 2016 e 2017 foram cinco as novas mostras produzidas, dentre as quais três me são especialmente queridas. Sven Nykvist: seeing the invisible [olhando o invisível] marcou os dez anos de falecimento do diretor de fotografia que representou uma das parcerias mais bem sucedidas da carreira de Bergman. Sven fotografou vinte e cinco de seus filmes, incluindo Através de um Espelho, Luz de Inverno, O Silêncio, Persona, Gritos e Sussurros e Sonata de Outono – para ficar somente em títulos que serão exibidos no Centenário Ingmar Bergman. 50 years of Persona colocou uma lupa sobre o filme que revolucionou a obra de Bergman, desde as anotações iniciais feitas pelo diretor numa internação hospitalar, até a decodificação das numerosas referências – pessoais, teatrais e até políticas. Uma aproximação com a família do fotógrafo de still viabilizou a exibição de fotografias de bastidor inéditas, revelando que, por trás do sombrio e icônico filme preto e branco, a equipe se divertia em muitas cores. Uma realização pessoal adicional foi ter trazido a exposição para São Paulo, com o apoio e esforço hercúleo da Mostra Internacional de Cinema e do Itaú Cultural. Death and the Knight [a morte e o cavaleiro] levou o visitante num mergulho no universo de O Sétimo Selo. Foi uma experiência de criação coletiva, com a colaboração de grandes artistas (do audiovisual, escultores, inclusive modeladores no formato digital em 3D) que conseguiram transpor para a sala de exposição as figuras multifacetadas das peças de xadrez usadas no filme e os ritmos hipnotizantes de suas cenas e cantos medievais. 25


Agora em junho de 2018, enquanto finalizam-se os preparativos para a comemoração do centenário de Bergman no Brasil, termino minha mais recente colaboração artística para o Bergmancenter: uma instalação que permitirá fazer uma visita guiada, em realidade virtual, a Hammars, a residência principal do diretor em Fårö. A abertura dessa exposição na Semana Bergman 2018 não será apenas a realização do sonho antigo de mostrar a belíssima casa de Bergman ao público. Esse projeto representa a consolidação da visão que apresentei para o conselho da Fundação em 2014: o Bergmancenter como face pública do legado de Bergman, que permite a todos terem acesso amplo à sua herança, mesmo aquela enclausurada no acervo de fundações privadas. Os filmes, esses sim, se multiplicam em cópias pelo mundo, e muito me alegra fazer parte desta iniciativa de comemoração em São Paulo, num cinema da Rua Augusta, onde conheci Ingmar Bergman em 1998. Para além da narrativa anedótica de como fui parar na chefia da Fundação de Bergman em Fårö, o que fica para mim é a sensação de dever cumprido. E o desejo de que todos possam apreciar a obra magnífica desse gênio, neste primeiro centenário e em outros que virão.

Helen Beltrame-Linné, graduada em direito pela USP e em cinema pela Sorbonne-Nouvelle (Paris 3), foi diretora da Fundação Bergmancenter e da Bergman Week entre 2014 e 2017. Trabalhou com a Sutil Cia de Teatro e com a Zazen Produções, além de ter sido Editora-adjunta da Ilustríssima, na Folha de São Paulo.

26


27


opmet od ahnil ara p semlif 06 ed acrec iulcni amgreB ramgnI ed oãçud orp asnetxe A . s o t i r c s e 0 0 3 e t n e m a d a m i x o r p a e s i a r t a e t s e õ ç u d o r p 2 7 1 ,V T e a m e n i c

namgreb ramgni

28


linha do tempo A extensa produção de Ingmar Bergman inclui cerca de 60 filmes para cinema e TV, 172 produções teatrais e aproximadamente 300 escritos.

ingmar bergman

29


30


31


32


33


34


35


semlif

36


filmes

37


monika o

e

e

desejo

akinom

ojesed

o

O jovem Henrik se apaixona perdidamente por Monika, a moça da quitanda. Após Henrik ser despedido do emprego, o casal decide se isolar de todos, fazendo uma idílica viagem de barco pelas ilhas de Estocolmo durante as férias de verão. Monika engravida e a viagem termina. Será que o amor dos jovens resistirá às dificuldades do cotidiano?

SUÉCIA 1953

Duração 96 min Fogelström

Direção Ingmar Bergman

Roteiro Ingmar Bergman e Per Anders

Direção de Fotografia Gunnar Fischer

Elenco Harriet Andersson, Lars

Ekborg, Dagmar Ebbesen, Åke Fridell, Naemi Briese, Åke Grönberg, Sigge Fürst, John Harryson

38


39


o sétimo

omités o

selo

oles De volta das Cruzadas, o cavaleiro Antonius (Max Von Sydow) tem dúvidas sobre a existência de Deus. Ao seu redor, encontra apenas sofrimento e destruição. A inquisição e a peste negra devastam sua terra. Em suas andanças, Antonius encontra a Morte, que o desafia para uma partida de xadrez.

SUÉCIA 1957

Duração 96 min

Direção Ingmar Bergman

sua peça Trämålning (Pintura em madeira)

Roteiro Ingmar Bergman, baseado em Direção de Fotografia Gunnar Fischer

Elenco Max Von Sydow, Gunnar Björnstrand, Nils Poppe, Bibi Andersson, Bengt Ekerot, Åke Fridell, Inga Gill, Erik Strandmark, Bertil Anderberg, Gunnel Lindblom. Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes

40


41


morangos

sognarom

silvestres

sertsevlis No caminho da Universidade de Lund, onde receberá um prêmio pelos 50 anos de carreira, o professor de medicina Isak Borg (Victor Sjöstrom) relembra os principais momentos de sua vida, temendo a morte que se aproxima. Acompanhado de sua nora Marianne (Ingrid Thulin) ele evoca memórias de sua família e de sua ex-namorada. Quanto mais Borg recorda as decepções e desilusões que viveu, mais se sente frio e cheio de culpa - sentimentos que se afloram quando ele encontra seu filho.

SUÉCIA 1957 Duração 91 min Fischer

Direção e Roteiro Ingmar Bergman

Direção de Fotografia Gunnar

Elenco Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Gunnar Björnstrand, Julian

Kindahl, Gunnar Sjöberg, Gunnel Broström, Naima Wifstrand, Gunnel Lindblom, Gertrud Fridh, Max Von Sydow. Urso de Ouro no Festival de Berlim Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro 42


43


através de um

ed sévarta

espelho

ohlepse Karin (Harriet Andersson), afetada por crises de loucura, entra em conflito com seus familiares, durante as férias de verão numa ilha distante. As relações com seu irmão (Lars Passgård), o marido (Max von Sydow) e o pai (Gunnar Björnstrand) se deterioram rapidamente quando a instabilidade de Karin ganha força. Um drama psicológico intenso em que Bergman disseca o processo de degradação de uma família. Primeiro filme de Bergman na ilha de Fåro.

SUÉCIA 1961

Duração 89 min

Direção e Roteiro Ingmar Bergman

Direção de Fotografia Sven Nykvist Elenco Harriet Andersson, Gunnar Björnstrand, Max Von Sydow, Lars Passgård Oscar de melhor filme estrangeiro 44

mu


45


luz

de

ed

inverno

zul

onrevni Após ler nos jornais que a China possui a bomba atômica e pretende usá-la, o pescador Jonas Persson (Max Von Sydow) vai à igreja, buscando palavras de conforto e consolo do pastor. Este, porém, não consegue ajudá-lo porque está passando por uma crise de fé, temendo também o apocalipse nuclear. Nem mesmo o amor da professora Märta Lundberg (Ingrid Thulin) consegue livrá-lo desse tormento.

SUÉCIA 1963

Duração 81 min

Direção e Roteiro Ingmar Bergman

Direção de Fotografia Sven Nykvist

Elenco Ingrid Thulin, Max Von Sydow,

Gunnar Björnstrand, Gunnel Lindblom, Allan Edwall, Kolbjörd Knudsen, Olof Thunberg

46


47


o silêncio

oicnêlis o Duas irmãs com dificuldades de relacionamento, Esther (Ingrid Thulin) e Anna (Gunnel Lindblom), e o filho desta, viajam para a Suécia. Porém, no meio da jornada, são obrigadas a parar num país estrangeiro, onde se hospedam num hotel quase deserto. Neste local, elas se defrontam com o vazio existencial de suas vidas. O fato de não falarem a língua do lugar aumenta ainda mais a sensação de isolamento. Ao som de Bach, Bergman originalmente pensou em fazer um filme que obedecesse as leis da música, e não as dramatúrgicas. O Silêncio é o desfecho da Trilogia do Silêncio. A Trilogia do Silêncio de Bergman, iniciada com Através de Um Espelho e continuada em Luz de Inverno, encontra em O Silêncio o seu desfecho. Não se trata de uma trilogia convencional. Os filmes não são continuação um do outro. O que os une é a temática comum: relações familiares, questões religiosas e poucos diálogos SUÉCIA 1963

Duração 95 min

Direção e Roteiro Ingmar Bergman

Direção de Fotografia Sven Nykvist

Elenco Ingrid Thulin, Gunnel Lindblom, Birger Malmsten, Håkan Jahnberg, Jörgen Lindström, Eduardinis Eduardo Gutierrez, Lissi Alandh, Leif Forstenberg 48


49


persona

anosrep Uma atriz teatral de sucesso, Elisabeth Vogler (Liv Ullmann), sofre uma crise emocional e emudece. Após 3 meses sem se recuperar, sua psiquiatra decide que ela deva ser mandada para uma isolada casa de praia, sob os cuidados da enfermeira Alma (Bibi Andersson), que a admira e tenta compreender a razão de seu silêncio. Isoladas, as duas mulheres desenvolvem uma relação de forte intensidade emocional. Persona tem atuações viscerais de Bibi Andersson e Liv Ullman.

SUÉCIA 1966

Duração 85 min

Direção e Roteiro Ingmar Bergman

Direção de Fotografia Sven Nykvist

Elenco Bibi Andersson, Liv Ullmann, Margaretha Krook, Gunnar Björnstrand, Jörgen Lindström

50


51


gritos

sotirg

e

e

sussurros

sorrussus Numa casa de campo, no final do século 19, Karin (Ingrid Thulin) e Maria (Liv Ulman) cuidam de sua irmã Agnes (Harriet Andersson), que está morrendo de câncer. Neste ambiente claustrofóbico as vidas das três irmãs são contadas em flashback, revelando seus dramas, mentiras, traições, ressentimentos e paixões. Agnes procura conforto junto à Anna (Kari Sylwan), uma empregada que já perdeu um filho e lida melhor com o sofrimento. SUÉCIA 1972

Duração 91 min

Direção e roteiro Ingmar Bergman

Elenco Harriet Andersson,

Kari Sylwan, Ingrid Thullin, Liv Ullmann, Anders Ek, Ingá Gill, Erland Josephson, Henning Moritzen, Georg Arlin, Linn Ullmann Oscar de melhor fotografia 52


53


de

sonata

atanos

outono

onotuo

ed

Uma pianista visita a filha, no interior da Noruega. Enquanto a mãe é um artista de renome internacional, a filha é uma artista tímida e deprimida. Esse encontro tenso, marcado por lembranças do passado, revela uma relação repleta de rancor, ressentimentos e cobranças. Ao som de Chopin, Bach Haendel e Schumann, Bergman tece uma amarga reflexão sobre as relações familiares. SUÉCIA 1978

Duração 93 min

Direção e roteiro Ingmar Bergman

Direção de Fotografia Sven Nykvist

Elenco Ingrid Bergman, Liv Ullmann, Lena Lyman, Halvar Björk, Marianne Aminoff, Erland Josephson, Arne Bang-Hansen, Gunnar Björnstrand Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro

54


55


fanny

e

e

ynnaf

rednaxela

alexander Suécia, início do século XX. Fanny e Alexander, duas crianças de uma família burguesa, têm suas vidas alteradas radicalmente quando o pai morre e, pouco tempo depois, a mãe se casa com o bispo da cidade, um homem rigoroso e cruel.

SUÉCIA 1982

Duração 188 min

Direção e roteiro Ingmar Bergman

Elenco Pernilla Allwin, Bertil Guve, Börje Ahlstedt, Harriet Andersson, Mats Bergman, Gunnar Björnstrand, Allan Edwall, stina Ekblad, Ewa Fröling, Erland Josephson Oscar de melhor filme estrangeiro, fotografia, direção de arte e figurino

56


57


58


59


60


61


62


63


64


65


66


67


68


69


70


pgs. 58 e 59: Victor Sjöstrom em cena de Morangos Silvestres pgs. 60 e 61: Liv Ullmann e Bibi Andersson em cena de Persona pg. 62: Ingmar Bergman nos bastidores de O Sétimo Selo pg. 63: Ingmar Bergman nos bastidores de Morangos Silvestres pgs. 64 e 65: Harriet Andersson e Lars Ekborg em cena de Monika e o Desejo pgs. 66 e 67: Ingrid Thulin, Kari Sylwan e Liv Ullmann em cena de Gritos e Sussurros pg. 68: Ingrid Bergman em cena de Sonata de Outono pgs. 70 e 71: Bertil Guve e Pernilla Allwin em cena de Fanny e Alexander Capa e contracapa: Bengt Ekerot e Ingmar Bergman nos bastidores de O Sétimo Selo copyright: AB Svensk Filmindustri

71


SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO Administração Regional no Estado de São Paulo PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL Abram Szajman DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL Danilo Santos de Miranda SUPERINTENDÊNCIAS Técnico-Social Joel Naimayer Padula Comunicação Social Ivan Giannini Administração Luiz Deoclécio Massaro Galina Assessoria Técnica e de Planejamento Sérgio José Battistelli GERÊNTES Ação Cultural Rosana Paulo da Cunha Estudos e Desenvolvimento Marta Colabone Assessoria de Relações Internacionais Áurea Leszczynski Vieira Gonçalves Artes Gráficas Hélcio Magalhães CineSesc Gilson Packer CENTENÁRIO INGMAR BERGMAN Equipe Sesc Simone Yunes, Cecília Nichile, Gabriella Rocha, Graziela Marcheti, Heloisa Pisani, Rodrigo Gerace, Talita Rebizzi, Ubiratan Nunes Rezende e Wendell Vieira Coordenação editorial Giscard Luccas Textos Sergio Rizzo, Helen Beltrame-Linné Produção de cópias FJ Cines Sinopses Giscard Luccas Projeto gráfico e diagramação Renan Marcondes Agradecimentos Francisco Luccas, Gioreley Rios, Kajsa Hedström, Swedish Film Institute, Gaumont 72


73


CineSesc Rua Augusta, 2075 CEP 01413-000 São Paulo - SP Tel.: 11 3087 0500 X P Y /cinesescsp

sescsp.org.br/cinesesc

PRODUÇÃO

74

APOIO

REALIZAÇÃO

Centenário Ingmar Bergman  

Catálogo da mostra Centenário Ingmar Bergman realizada em 2018 no CineSesc, com textos de Danilo Santos de Miranda, Per-Arne Hjelmborn, Sérg...

Centenário Ingmar Bergman  

Catálogo da mostra Centenário Ingmar Bergman realizada em 2018 no CineSesc, com textos de Danilo Santos de Miranda, Per-Arne Hjelmborn, Sérg...

Advertisement