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Jornal do Inpa Manaus, Abril 2013 - Ano V - Ed.31- ISSN 2175-0866

www.inpa.gov.br

Inpa e Universidade de Kyoto mapearão genoma de peixe-boi pela primeira vez “Após o mapeamento será possível realizar pesquisas com mais precisão e rapidez, diagnosticando doenças com mais facilidade, além de obter informações sobre a dieta desses animais no seu habitat natural”, explicou a pesquisadora do LMA/Inpa, Vera Silva Pág. 06

Foto: Anselmo D´Fonseca

Foto: Daniel Jordano

Foto: Tabajara Moreno

Foto: Eduardo Gomes

Bosque da Ciência do Inpa terá R$ 1,8 milhão para ampliação da estrutura visando a Copa

Projeto do Inpa já catalogou mais de 1,4 mil espécies de árvores no Amazonas

Curso promovido por Inpa e Axonal esclarece fundamentos para o uso de patentes

Além da ampliação, está prevista a construção do viveiro das ariranhas e a total acessibilidade para pessoas com deficiência

O trabalho é desenvolvido pelo Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais há 33 anos. Os pesquisadores usam técnicas que permitem “ver” a floresta em 3D

O curso, que busca esclarecer quais fundamentos e ações estratégicas são eficazes para o uso de patentes no setor farmacêutico, foi ministrado pelo sócio diretor da Axonal Consultoria

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Boa Leitura Boa Leitura Entomologia Cubiu: aspectos médica: agronômicos e doenças nutricionais transmitidas reúne por insetos na informações Amazônia nutricionais do fruto Pág. Pág.02 02

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Edição especial do Circuito da Ciência comemora 18 anos do Bosque da Ciência Pág. 02

Inpa e parceiros, por meio de concurso, dão nome a filhote de Gavião-real Pág. 02

Inpa realiza I Encontro Internacional sobre Vespas

Inpa lamenta o falecimento da pesquisadora Lúcia Yuyama

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Página 02 - Abril 2013 Fale com a redação

Expediente Assessor de Comunicação: Daniel Jordano (SRTE - 518/AM) - Editora Chefe: Fernanda Farias - Repórteres: Daniel Jordano, Josiane Santos e Raiza Lucena Editoração Eletrônica: Denys Serrão - Revisão: Fernanda Farias - Fotos: Eduardo Gomes, Daniel Jordano, Anselmo D´Fonseca e Tabajara Moreno Tiragem: 1000 - Edição 31 - Abril - ISSN 2175-0866. Produção: Assessoria de Comunicação do Inpa/MCTI.

+55 92 3643-3100 / 3104 digital.inpa@gmail.com ascom_inpa Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA/MCTI

Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação

Tome Ciência Foto: Eduardo Gomes

Foto: Divulgação banner

Foto: Acervo pesquisador

Edição especial do Circuito da Ciência comemora 18 anos do Bosque da Ciência

Inpa realiza I Encontro Internacional sobre Vespas

Inpa e parceiros, por meio de concurso, dão nome a filhote de Gavião-real

Um dos instrumentos de aproximação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) com a sociedade, o Bosque da Ciência recebeu dia 6, em comemoração aos 18 anos de existência, a primeira edição deste ano do projeto Circuito da Ciência. Segundo o coordenador do Bosque da Ciência e do projeto Circuito da Ciência, Jorge Lobato, aproximadamente 1,5 milhão de pessoas já visitaram o local nesses 18 anos. Recentemente, o espaço passou por reformas estruturais com o objetivo de atender pessoas com necessidades especiais. Por isso, o coordenador, disse que o instituto busca novos investimentos para atender a todo o público já visando a Copa do Mundo de 2014, já que está inserido com um dos 10 pontos turísticos.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), por meio da Coordenação de Biodiversidade (CBio) realiza, pela primeira vez no Brasil, um encontro internacional com o intuito de verificar o estágio atual de conhecimento sobre vespas, além de despertar vocações em estudantes e promover maior intercâmbio entre as instituições locais com outras do país e exterior. De acordo com o coordenador do evento no Inpa, o pesquisador Marcio Oliveira, as expectativas para a realização da primeira edição são boas. “Esperamos ser capazes de avaliar em que nível estão os estudos com vespas em solo brasileiro e também estimular os estudantes locais a se interessarem em estudar esse insetos”.

Os organizadores do concurso “Dê um nome ao gavião-real filhote fêmea do Ninho São José, Linha 9, Cacoal – RO”, promovido pelo Programa de Conservação do Gavião-real (PCGR) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), divulgou em Cacoal (RO) o nome escohido. O vencedor foi o estudante do sétimo ano do ensino fundamental da Escola Estadual Izidoro de Souza Meirelles, Jeriel Suruí. O nome sugerido por ele foi “Walet abikãr”, que na linguagem Tupi-Mondé significa “mulher que busca melhor qualidade de vida”. Além do Inpa, o Instituto Federal de Rondônia (IFRO), Secretaria Municipal de Educação de Cacoal (SEMED), Coordenação Regional de Educação, e outras instituições.

Entomologia médica: doenças transmitidas por insetos na Amazônia Trazendo informações valiosas ao que diz respeito às doenças transmitidas por insetos na Amazônia, a cartilha de entomologia médica, da Editora Inpa, procura esclarecer dúvidas importantes de maneira bem simples sobre os insetos e seus estágios, seus parasitas e da doença agindo no corpo, com fotos ilustrativas e textos dinâmicos. O autor, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Eloy Guillermo Castellón, que estuda insetos há 41 anos, abordou sobre várias doenças, entre elas: a doença de chagas, leishmaniose, miíases, vírus oropouche, dengue, malária, febre de tifo, entre outras, além de explicar seus causadores. A obra informa, ainda, sobre cuidados básicos que se deve ter para a não-contaminação, como, por exemplo, não deixar água parada em alguns locais, lavar bem as frutas e ter um cuidado especial com a higiene pessoal. O livro é destinado aos estudantes do ensino fundamental e médio, e toda população interessada. Quem quiser adquirir é só entrar em contato com a Editora Inpa, através do número 3643-3223 ou pelo e-mail: editora@inpa.gov.br.


Divulga Ciência

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Bosque da Ciência do Inpa terá R$ 1,8 milhão para ampliação da estrutura visando a Copa de 2014 Além da ampliação, está prevista a construção do viveiro das ariranhas e a total acessibilidade para pessoas com deficiência Foto: Daniel Jordano

|Daniel Jordano Da equipe do Divulga Ciência

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com o ministro Marco Antônio Raupp para tratar desse apoio já que o Bosque da Ciência foi eleito um dos dez melhores locais para se visitar em Manaus dentro do contexto turístico e científico. Foi um esforço institucional que envolveu o diretor do Inpa, Adalberto

Nós fizemos toda uma articulação via senado onde a senadora solicitou uma audiência com o ministro

Bosque da Ciência O Bosque da Ciência do Inpa foi criado em 1995 com o objetivo de aproximar a sociedade das pesquisas para a socialização do conhecimento. No Bosque podem ser encontrados: trilhas educativas, tanques de peixes-boi da Amazônia e viveiro das ariranhas (no Parque Robin C. Best, dentro do Bosque), Casa da Ciência, Ilha da Tanimbuca, condomínio das abelhas, Paiol da Cultura, viveiro dos jacarés, entre outros. O horário de funcionamento do Bosque da Ciência é de terçafeira a sexta-feira, das 9h às 12h e 14h às 17h; e sábados, domingos e feriados das 9h às 16h. Na segunda-feira o Bosque é fechado para manutenção. A compra de ingresso pode ser feita pela manhã nos horários de 9h as 11h30 e tarde de 14h as 16h. O valor do ingresso é R$ 5, crianças de até 12 anos e idosos a partir de 65 anos não pagam. Visitas de grupos escolares terão entrada franca, porém é necessário realizar uma solicitação por meio de ofício pelos telefones (92) 3643-3192/ 3643-3312 / 3643-3293.

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O Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) deverá contar com R$ 1,8 milhão para ampliar a estrutura física visando a Copa do mundo de 2014. Os recursos serão utilizados para a melhoria dos espaços já existes e a construção da cobertura dos tanques dos peixes-bois, do viveiro das ariranhas e revitalização do lago amazônico. Do total de recursos R$ 1,5 milhão é do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e os outros R$ 300 mil são provenientes de uma emenda parlamentar da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM). Os investimentos no Bosque da Ciência foram anunciados na quinta-feira (25) pelo coordenador, Jorge Lobato, após uma reunião em Brasília que ocorreu na de quarta-feira (24). De acordo com Lobato, os recursos são fruto de um esforço institucional com o objetivo de garantir as melhorias necessárias para atender as demandas durante a Copa. Ainda de acordo com ele, os recursos deverão estar disponíveis em 60 dias. “Nós fizemos toda uma articulação via senado onde a senadora solicitou uma audiência

Val, o ministro e o parlamento”, disse. Além da ampliação das estruturas já existentes, afirma Lobato, o Bosque da Ciência será totalmente acessível a pessoas com deficiências. O coordenador de extensão do Inpa, Carlos Bueno, afirma que as obras previstas irão permitir um novo espaço de visitação. “Vamos ter a revitalização do lago amazônico, com ambientes lúdicos. Haverá também um passeio no entorno do Bosque como um todo criando outro circuito para levar as pessoas com deficiência, ou seja, a área de visitação será ampliada”, destacou.


Divulga Ciência

Página 04 - Abril 2013

Inpa lamenta o falecimento da pesquisadora Lúcia Yuyama

Cartilha reúne estudos sobre doenças transmitidas por insetos na Amazônia

A pesquisadora atuava no Inpa há 26 anos na área de ciência dos alimentos e nutrição

A cartilha “Entomologia médica: doenças transmitidas por insetos na Amazônia” traz informações sobre doenças como dengue e malária

Foto: Tabajara Moreno

|Da redação da Ascom Da equipe do Divulga Ciência

A pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Lucia Kiyoko Ozaki Yuyama, faleceu no dia 24, na cidade de Barretos (SP) em decorrência de um câncer. De acordo com a família, o enterro ocorreu no dia 25, em Guaíra, município no interior de São Paulo. Lúcia Yuyama trabalhou no Instituto desde 1987, avaliando o potencial nutricional e funcional dos recursos alimentares oriundos da biodiversidade Amazônica, principalmente as frutas da nossa região, como meio de promover a segurança alimentar e nutricional com o intuito de contribuir com as políticas públicas de promoção da alimentação saudável e melhoria da qualidade de vida. A pesquisadora colaborou ainda na Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (Secis) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); com o Ministério da Saúde (MS); e com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS). Em 2012, o Inpa homenageou a pesquisadora com a Menção Honrosa Rio Negro pelo reconhecimento do trabalho e dedicação à ciência e

desenvolvimento da Amazônia. Além deste, recebeu 16 prêmios e homenagens. A pesquisadora publicou 66 artigos em periódicos especializados, 221 trabalhos em anais de eventos e 17 em revistas de divulgação além de possuir 19 capítulos de livros e 1 livro publicado. Ela participou também do desenvolvimento de 13 produtos tecnológicos e 93 eventos no Brasil. Lucia Yuyama orientou 2 teses de Doutorado, 17 dissertações de Mestrado, 47 trabalhos de Iniciação Científica e 17 trabalhos de Iniciação Científica Jr. Lucia Yuyama foi Coordenadora Geral de Pesquisas do Inpa de 2006 a 2011. O diretor do Inpa, Adalberto Val, afirmou que Lucia Yuyama deixa um legado para a ciência na Amazônia. “A ausência de Lucia, profissional exemplar, dedicada às causas da Amazônia, abre uma lacuna significativa nos quadros de pesquisadores da região e do Brasil. Ela era uma liderança muito respeitada no Inpa. Como colega e amiga, sua ida é irreparável. Contudo, tenho absoluta certeza que seu legado técnico e fraterno a manterá entre nós", afirmou o diretor.

| Raiza Lucena Da equipe do Divulga Ciência

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Eloy Guillermo Castellón, reuniu com pesquisadores colaboradores do Instituto, do Instituto Lêonidas e Maria Deanne da Fiocruz/Manaus, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Fundação de Medicina Tropical de Manaus (FMT), uma cartilha com as principais doenças transmitidas por insetos na Amazônia. A cartilha “Entomologia médica: doenças transmitidas por insetos na Amazônia”, de acordo com Castellón, foi escrita com uma linguagem simples e também apresenta fotos ilustrativas dos insetos e seus estágios, seus parasitas e da doença agindo no corpo, tudo para despertar o interesse do leitor. Destinada aos estudantes do ensino fundamental e médio, e à população interessada, o pesquisador notou, em viagens para o Alto Rio Negro no Amazonas (AM), a falta de informação sobre o contágio das doenças: “A população geralmente tem o conhecimento das doenças, mas não sabem como elas são causadas. Vendo essa falta de informação, pensei em produzir uma cartilha no intuito de os professores passarem a informação aos estudantes e eles repassarem essa informação em casa”, afirmou o pesquisador. O autor, que estuda insetos há 41 anos, aborda sobre a doença de chagas, leishmaniose, miíases, vírus oropouche, dengue, malária, febre de tifo, entre outros, além de seus causadores. Ele Informa, ainda, sobre cuidados básicos que se deve ter para a nãocontaminação, como, por exemplo não deixar água parada em alguns locais, lavar bem as frutas e ter um cuidado especial com a higiene pessoal. A cartilha, disponibilizada também por meio eletrônico, foi editada pelo Projeto Fronteira e financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI).


Educação e Sociedade

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Curso promovido por Inpa e Axonal esclarece fundamentos para o uso de patentes O curso, que busca esclarecer quais fundamentos e ações estratégicas são eficazes para o uso de patentes no setor farmacêutico, foi ministrado pelo sócio diretor da Axonal Consultoria Tecnológica Ltda, Henry Suzuki, no Auditório da Ciência no Inpa Foto: Eduardo Gomes

| Josiane Santos Da equipe do Divulga Ciência

te e de como utilizá-la de forma estratégica. Dos participantes do curso, têm os que já trabalham com esse tipo de informação, como aqueles que vem para se capacitar. Nós temos essa missão e desafio de sempre disponibilizar esses cursos justamente para socializar a informação, capacitar recursos humanos e ter essa cultura

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O que faz um país ser inovador é como aquilo tem retorno financeiro e social para o país

não só dentro da instituição, mas com toda a sociedade”, ressaltou. Na opinião de Suzuki, o Brasil deveria estimular as pessoas a depositarem melhores patentes e não somente pensar em número de patentes, pois isso não significa que o país é inovador. “O que faz um país ser inovador é como aquilo tem retorno financeiro e social para o país. Eu posso ter um

país que não tem patente nenhuma, mas que exporta para o mundo todo. Essa história de número de patentes, embora seja utilizada no mundo todo como indicador, é só estatística, não é sinônimo de inovação”, explicou. “Em geral, o que acontece muito no Brasil e em outros países – mesmo países desenvolvidos – é que as pessoas usam ainda pouca informação patentária no seu negócio. As pessoas conhecem muito bem literatura científica, mas não dá muito valor das informações que são depositadas em patentes. E no mundo comercial, as empresas não fazem produção científica, elas procuram se proteger depositando patentes. Os pesquisadores ainda não enxergam o mundo paralelo que é o ‘mundo das patentes’. À medida que enxergarem isso e acoplarem à todo conhecimento técnico, a chance de conseguir fazer inovações realmente relevantes com potencial comercial aumenta”, ressaltou.

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Conceitos, uso estratégico, ferramentas e técnicas de busca e análises de patentes foram assuntos abordados no dia 25, no curso “Busca, análise e uso estratégico de patentes com foco no setor farmacêutico”, promovido pela Coordenação de Extensão Tecnológica e Inovação (CETI) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônica (Inpa/MCTI). Henry Suzuki apresentou, conceitos básicos de patentes – o que é ou não patenteável -; uso estratégico de patentes e informações patentárias; ferramentas e técnicas de busca e análise de informações patentárias; fontes de informações, sistemas de busca e análise comerciais e gratuitos; e estudo de caso hipotético. De acordo com a coordenadora da CETI, Rosângela Bentes, a proposta é sempre realizar esse tipo de evento introduzindo informações básicas desde o que é uma patente até informações mais estratégicas. “Esse curso especialmente vai fornecer ao público uma visão do que é uma paten-


Pesquisa

Página 06 -Abril 2013

Inpa e Universidade de Kyoto mapearão genoma de peixe-boi pela primeira vez “Após o mapeamento será possível realizar pesquisas com mais precisão e rapidez, diagnosticando doenças com mais facilidade, além de obter informações sobre a dieta desses animais no seu habitat natural”, explicou a pesquisadora do LMA/Inpa, Vera Silva Foto: Anselmo D´Fonseca

| Fernanda Farias Da equipe do Divulga Ciência

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no laboratório temático de genética, e extraíram o DNA que vai ser utilizado para sequenciar o genoma do peixeboi, isto é, toda a sequência do código genético ou da informação hereditária de um organismo codificada em seu DNA, que forma o animal”. Segundo a pesquisadora, o equipa-

Depois do mapeamento do genoma vamos conseguir ampliar ainda mais o nível de pesquisas

car com mais facilidade doenças”, explanou. Parceria A parceria entre o Inpa e a Universidade de Kyoto foi concretizada em 2012, quando o diretor do Inpa, Adalberto Val, selou formalmente os convênios com a instituição japonesa. Ainda em 2012 aconteceu no Inpa o “1st International Workshop on Tropical Biodiversity Conservation in Brazil (The JSPS Core to Core Program)”. “O workshop foi uma atividade do projeto dessa cooperação internacional que o Japão fez entre Brasil, Índia e Malásia, com foco voltado para o estudo de animais de grande porte, onde tivemos uma grande troca de informação com os pesquisadores desses países”, lembrou Silva. Com base nessa cooperação, o pesquisador/colaborador da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), Diogo Souza, juntamente com o biólogo Thiago Pires, participaram do intercâmbio, em outubro de 2012, entre o WRC e o LMA, que também recebeu alunos japoneses neste período.

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Por meio de um acordo de cooperação entre o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Centro de Pesquisa de Vida Selvagem (WRC – sigla em inglês), da Universidade de Kyoto (Japão), será realizado, pela primeira vez, o mapeamento do genoma do peixe-boi da Amazônia. A ideia do projeto, pioneiro com mamíferos aquáticos no Brasil, é sequenciar o genoma do peixe-boi utilizando um equipamento de sequenciamento de DNA de nova geração da Universidade de Kyoto, que permitirá aos pesquisadores obterem mais informações e ampliarem o conhecimento sobre a espécie. A pesquisadora da Coordenação de Biodiversidade (CBio/Inpa) e do LMA, Vera Silva, explica os procedimentos da coleta: “O sangue de dois peixes-bois machos vivos do plantel (Lote de animais) do Inpa foi coletado pelo veterinário do LMA e os pesquisadores japoneses vieram ao Inpa,

mento de sequenciamento tem o potencial de acelerar as pesquisas biológicas e biomédicas permitindo uma completa análise do genoma. O equipamento funciona como se fosse uma triagem do próprio peixe-boi. “Depois do mapeamento do genoma vamos conseguir ampliar ainda mais o nível de pesquisas e conhecimento sobre a biologia e ecologia do animal no seu ambiente natural, como identifi-


Meio Ambiente

Abril 2013 - Página 07

Projeto do Inpa já catalogou mais de 1,4 mil espécies de árvores no Amazonas O trabalho é desenvolvido pelo Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais há 33 anos. Os pesquisadores usam técnicas que permitem “ver” a floresta em 3D Foto: Tabajara Moreno

| Daniel Jordano Da equipe do Divulga Ciência

Ainda de acordo com o pesquisador o recenseamento das árvores é feito a cada cinco anos e envolve, além das árvores grandes, o monitoramento de árvores menores (arvoretas). Ao todo 178 mil arvoretas são monitoradas. ”Acompanhando o monitoramento, conseguimos saber a dinâmica da floresta. Os dados são importantes para saber qual é a velocidade de reposição de árvores na floresta,

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Acompanhando o monitoramento, conseguimos saber a dinâmica da floresta

De acordo com Camargo, uma das técnicas usadas pelo aluno de doutorado e biólogo brasileiro Karl Mokross, que atua no projeto, consiste em combinar GPS para definir a área que bandos mistos de pássaros ocupam na floresta com imagens produzidas por uma técnica chamada pelos cientistas de LIDAR (Light Detection and Ranging) que possibilita visualizar a estrutura florestal em três dimensões.

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Um dos projetos mais antigos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em convênio com o Instituto Smithsonian (nos Estados Unidos), o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF) já conseguiu catalogar até agora mais de 1.400 espécies de árvores nas florestas de terra-firme ao Norte de Manaus. Os estudos, que já duram mais de 30 anos, têm a finalidade de determinar as consequências ecológicas do desmatamento e da fragmentação florestal sobre a fauna e flora na Amazônia. De acordo com o coordenador científico do projeto, José Luís Camargo, a área estudada é de 94 hectares distribuídos em uma rede de parcelas permanentes. Aproximadamente 45 mil árvores são monitoradas na área. “Não há outra ação de monitoramento em longo prazo como fazemos. Monitoramos pensando na consequência da fragmentação florestal, mas nas áreas contínuas fazemos o mesmo monitoramento para saber o que está mudando nessas florestas”.

qual a taxa de mortalidade e de crescimento”, afirmou. Monitoramento 3D Além das árvores há o monitoramento de aves, que segundo o pesquisador, ajuda a entender a dinâmica da fauna em relação à fragmentação da floresta.

Os resultados Camargo destacou o papel dos estudos para a região e disse que a partir do acúmulo de informações ao longo dos 33 anos de atuação é possível identificar padrões da dinâmica florestal que não seria possível obter em curto prazo. Dentre os resultados já obtidos o pesquisador afirmou que nas áreas degradadas é possível identificar a perda de espécies de aves e a morte lenta de árvores principalmente nas bordas da floresta. “Uma das primeiras evidências é que grandes árvores tendem a morrer”, destacou.


Tecnologia e Inovação

Página 08 -Abril 2013

Inpa participa de discussão sobre pesquisas e tecnologias que possam ser aplicadas no setor primário do AM Com o tema “Reunião de trabalho sobre o setor primário nas zonas periurbanas e rural no município de Manaus” o segundo encontro visa ter mais elementos para construir planos de ação e parcerias para elaborar políticas públicas de desenvolvimento do setor Foto: Eduardo Gomes

| Da redação da Ascom Da equipe do Divulga Ciência

Ao final desta reunião a Secretaria Municipal de Empreendedorismo e Abastecimento de Manaus (Sempad) irá propor a formulação de uma carta com as contribuições de todas as instituições para o setor produtivo.

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Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (SENAR/FAEA), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) sediou no dia 5, no Auditório da Ciência, o 2º encontro com órgãos do setor primário com o objetivo de apresentar pesquisas desenvolvidas pelos institutos e centros de pesquisas e universidades que possam ser aplicadas no setor primário, tornando-o autossuficiente no Estado do Amazonas. De acordo com a coordenadora de Tecnologia Social (COTS) do Inpa, Denise Guitierrez, o primeiro encontro teve um resultado positivo em conhecer a área que cada Instituto desenvolve. “O primeiro encontro teve uma reação bem produtiva no sentido das pessoas conhecerem o potencial do Instituto, e ficaram estimuladas com o que o Inpa poderia desenvolver. Ao mesmo tempo identificamos várias convergências com parceiros e propostas de juntar forças”, destacou. No primeiro encontro, ocorrido no dia 22 de março, a pesquisadora do Inpa Elizabeth Gusmão apresentou as tecnologias desenvolvidas pelo Instituto na área industrial, empresarial e social.

O primeiro encontro teve uma reação bem produtiva no sentido das pessoas conhecerem o potencial do Instituto

Instituições envolvidas Treze instituições de pesquisa e ensino, além do Inpa, participam do encontro: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), Secretaria do Estado de Produção Rural (Sepror) e Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Secretaria de Estado do Meio

COTS/Inpa Entre as ações da Coordenação de Tecnologia Social do Inpa esta: promover tecnologia social desenvolvidas no Inpa, visando proporcionar inclusão social; contribuir com políticas públicas que promovam a inclusão social; divulgar e promover as técnicas e processos desenvolvidos no Inpa, entre outros.

Divulga Ciência - Abril/2013  

Jornal de divulgação científica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA

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