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A rede de frio e calor do parque das nações

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ARTIGO TÉCNICO

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o electricista João Castanheira Director Geral da Climaespaço

a rede de frio e calor do Parque das Nações Os edifícios de habitação e serviços consomem praticamente dois terços da electricidade utilizada no nosso país, sendo cada vez maior a parcela destinada ao conforto térmico. Neste contexto, as redes urbanas de frio e calor assumem um papel cada vez mais relevante, sendo crescente o número de cidades que apostam neste tipo de infra-estruturas. Em Portugal, o primeiro e ainda único sistema deste tipo surgiu em 1998, no âmbito do projecto da EXPO’98. Num quadro de forte competitividade como aquele em que vivemos, a afirmação das cidades passa cada vez mais pela definição de uma estratégia de desenvolvimento sustentável, centrado na preservação do ambiente e na valorização do património. É certo que, em matéria de eficiência energética, Portugal tem dado passos significativos no domínio legislativo, merecendo especial destaque a melhoria da regulamentação aplicável aos imóveis e a implementação do sistema de certificação energética de edifícios.

Porém, a verdade é que as exigências de conforto térmico são cada vez maiores, pelo que o recurso a sistemas de aquecimento e climatização se tornou uma necessidade básica. Em consequência, o consumo de energia associado à climatização cresceu exponencialmente ao longo das últimas décadas.

Por outro lado, as fachadas e as coberturas dos edifícios foram literalmente invadidas por aparelhos de ar-condicionado. Nem mesmo edifícios classificados e zonas históricas são poupados à profusão de condensadores, torres de arrefecimento, chaminés e outros equipamentos de climatização, que descaracterizam e empobrecem as nossas cidades.

Os edifícios de habitação e serviços consomem praticamente dois terços da electricidade utilizada no nosso país, sendo crescente a parcela destinada ao conforto térmico. E apesar do relevante investimento em energias renováveis, a maior parte da electricidade que consumimos continua a resultar da queima de combustíveis fósseis, sobretudo carvão e gás.

Neste contexto, as redes urbanas de frio e calor assumem um papel cada vez mais relevante, sendo crescente o número de cidades que apostam neste tipo de infra-estruturas.

Os edifícios são, por isso mesmo, responsáveis por uma parcela muito importante das emissões de CO2, contribuindo decisivamente para aquele que é o maior problema ambiental do nosso tempo, as alterações climáticas. Na cidade de Lisboa, por exemplo, os edifícios estão na origem de quase 60% das emissões totais de CO2, ultrapassando largamente o sector dos transportes.


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A Rede de Frio e Calor do Parque das Nações serve actualmente mais de 150 edifícios – quase 1.500.000 m2 de área de construção – entre os quais se incluem o Centro Comercial Vasco da Gama, o Oceanário de Lisboa, o Casino Lisboa, a sede da Vodafone ou o Hospital CUF Descobertas, para citar apenas alguns dos maiores utilizadores.

panóplia de equipamentos de climatização é substituída por uma pequena sala com 20 a 30 m2, onde se instalam os permutadores de calor e a instrumentação.

Fruto de uma ampla combinação de tecnologias, a rede do Parque das Nações tem características que a tornam única, muito embora o conceito de distribuição centralizada de energia térmica exista há mais de um século.

Devem ainda ser mencionadas as vantagens ao nível da segurança dos utilizadores, uma vez que deixam de ser necessários equipamentos de combustão, como esquentadores ou caldeiras a gás, sendo também eliminadas as torres de arrefecimento, potenciais focos de surgimento da doença do legionário.

Em comparação com os sistemas convencionais de climatização, a rede oferece vantagens a todos os níveis, sendo de destacar o seu contributo para a redução da dependência energética do país e para a preservação do ambiente, através de uma substancial diminuição do consumo de energia primária e das emissões poluentes. A redução das emissões de dióxido de carbono é da ordem dos 40% e as emissões de outros poluentes são praticamente eliminadas. Importa salientar que a central de trigeração do Parque das Nações tem um rendimento muito superior ao das centrais termoeléctricas convencionais, uma vez que os gases de escape resultantes da produção de electricidade são aproveitados. E a energia térmica recuperada é distribuída – sob a forma de água gelada e água quente – através de uma rede de 70 quilómetros de tubagens, cujos principais troços estão instalados em galerias técnicas.

É também de destacar a valorização da arquitectura e da paisagem urbana, uma vez que são eliminadas as unidades de climatização do tipo split, chillers, torres de arrefecimento, chaminés e outros elementos que cada vez mais descaracterizam as nossas cidades. Toda a habitual

Mais que o contributo directo deste projecto, importa que o exemplo do Parque das Nações seja aplicado noutras áreas urbanas, multiplicando, assim, os seus benefícios e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país. Para tal, é necessário que Portugal remova alguns obstáculos que continuam a ser fortes entraves ao investimento neste sector e que, lamentavelmente, têm deixado o nosso país para trás no domínio da distribuição de frio e calor. É disso exemplo a taxa de IVA aplicada ao aquecimento urbano, que é actualmente de 23%, enquanto a electricidade e o gás natural beneficiam de uma taxa reduzida de 6%. Esta distorção fiscal contraria, de forma flagrante, os objectivos da política energética e ambiental. Somos actualmente um caso único no panorama europeu: um consumidor português que opte por uma energia amiga do ambiente é fortemente penalizado fiscalmente, sendo este o mais errado dos sinais que se pode dar aos cidadãos e aos agentes económicos. Um erro que urge corrigir.


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