Não sejas apanhado pelo touro!

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ARTIGO TÉCNICO

revista técnico-profissional

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o electricista Luís Peixoto Televes

não sejas apanhado pelo touro!

Sou do tempo em que a RTP sempre que abria um novo emissor regional, anunciava o facto publicitando-o em horário nobre, normalmente imediatamente a seguir ao telejornal. Nessas alturas apesar dos meios técnicos serem comparativamente mais limitados dos que os actuais, e sobretudo, da capacidade de produção de conteúdos ser mais lenta, a RTP não se furtava a informar os telespectadores de que um novo emissor havia entrado em serviço: “Informamos que entrou em serviço o retransmissor de RTP1 e RTP2 de Leiria. Este emissor nos canais 33 e 36 irá servir as localidades de Leiria, Marinha Grande e Fátima. Os telespectadores desta zona deverão reorientar as antenas de UHF para uma melhor recepção do sinal de televisão”. A RTP fomentava e divulgava a recepção da televisão analógica em todo o território nacional. A televisão chegava via hertziana aos locais mais remotos levando informação, cultura e divertimento. O hábito da televisão implantou-se na população, e ver televisão passou a fazer parte do dia-a-dia do português.

O processo de implantação de TDT, Televisão Digital Terrestre, não merece o mesmo destaque junto da população. A entidade responsável pela respectiva divulgação desta nova tecnologia nem de perto nem de longe, atingiu a população com o mesmo vigor e eficácia revelados pela RTP na altura do lançamento das emissões analógicas. A Portugal Telecom, entidade responsável por esta

divulgação e implantação da TDT em Portugal, exceptuando a criação de um Fórum na Internet, patrocinado pelo MEO, nada mais fez com visibilidade junto da população em geral, afim de promover a divulgação da TDT. A PT esqueceu-se mais uma vez da população do interior e sobretudo dos mais idosos. Esta franja da população – franja para os que estão em Lisboa sentados nos gabinetes – não sabe o que se passa no panorama das emissões terrestres de televisão, a in-

formação deste importante acontecimento não é convenientemente canalizada aos mais interessados. É pertinente questionar se interessará à PT que esta informação passe, sobretudo porque este operador tem interesses económicos mais elevados no cobre, na fibra e no satélite, todos eles associados à marca MEO. Interesses que são antagónicos ao desenvolvimento e divulgação da TDT. Mais interessante será para a PT ter os portugueses agarrados à Fibra, ao Cobre ou ao Receptor de Satélite, pois sempre cobrará milhares de euros em assinaturas e em mensalidades nos receptores. Ao contrário, se os portugueses tiverem conveniente acesso ao sinal TDT, seja livre ou de assinatura, a PT deixa de ter os portugueses na mão. Em toda a Europa comunitária existe TDT livre e de assinatura e no caso da TDT por assinatura o consumidor, dentro da normal lógica da concorrência, selecciona o operador que lhe interessa e deslocando-se à grande superfície mais próxima adquire o modulo de acesso condicional correspondente que depois de introduzido no ecrã plano lhe garante o visionamento das emissões terrestres pagas.


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