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o electricista António Gomes, Roque Brandão, Sérgio Ramos Departamento de Engenharia Electrotécnica Instituto Superior de Engenharia do Porto
os novos armários ITED
O presente artigo visa expôr os novos armários de telecomunicações ITED decorrentes da recente alteração legislativa, verificada neste sector em Portugal.
1› INTRODUÇÃO A satisfação das necessidades e a defesa dos interesses dos consumidores de comunicações electrónicas passa por infra-estruturas de telecomunicações modernas, fiáveis e adaptadas aos serviços disponibilizados pelos operadores de telecomunicações. A Resolução do Conselho de Ministros N.º 120/2008, de 30 de Julho, definiu como prioridade estratégica para o País no sector das comunicações electrónicas a promoção do investimento em redes de nova geração. O Decreto-Lei N.º 123/2009 de 21 de Maio e, posteriormente o Decreto-Lei N.º 258/2009 de 25 de Setembro de 2009, veio dar execução à definição do enquadramento aplicável ao desenvolvimento e investimento por parte de investidores ou operadores de comunicações electrónicas em redes de nova geração, mas também para o funcionamento de um mercado que se quer concorrencial. A 2.ª edição do Manual de Infra-estruturas de Telecomunicações em Edifícios (ITED) veio dar suporte técnico legal aos cumprimentos dos objectivos anteriormente mencionados, sendo significativamente inovador tanto em conceitos de infra-estrutura como em materiais, equipamentos e respectivas especificações, quando comparado com a 1.ª Edição. Nesta nova edição do Manual verifica-se a clara e presente preocupação de dotar os edifícios de infra-estruturas de telecomunicações capazes de suportar os novos serviços disponibilizados pelos operadores de telecomunicações (Redes de Nova Geração), bem como a adopção e cumprimentos das Novas Normas Europeias. Assim, assiste-se a um incremento das soluções a adoptar nas instalações, relativamente a três tecnologias obrigatórias:
› Par de Cobre São admitidos apenas cabos de categoria 6 ou 7; › Cabo Coaxial São admitidos cabos da categoria TCD-C-H, frequência máxima de 3000 MHz; › Fibra Óptica São admitidos cabos de fibra óptica do tipo monomodo. Assim, os armários ITED: Armário de Telecomunicações Individual (ATI), Armário de Telecomunicações de Edifício (ATE) e a Caixa de Entrada de Moradia Unifamiliar (CEMU) terão de ser projectados e concebidos de forma a suportar todos os equipamentos adaptados e necessários às três diferentes tecnologias, e que assegurem concomitantemente os requisitos funcionais de cada uma delas. O presente artigo visa expôr os novos armários de telecomunicações ITED decorrentes da recente alteração legislativa, verificada neste sector em Portugal.
2› ARMÁRIO DE TELECOMUNICAÇÕES INDIVIDUAL – ATI Nas redes individuais de cabos é obrigatória a instalação de cabos de par de cobre, cabo coaxial e fibra óptica (no caso de fracções residenciais). O Armário de Telecomunicações Individual (ATI) que faz fronteira entre a rede colectiva e a rede individual é constituído por três Repartidores de Cliente, designadamente: › Repartidor de Cliente Par de Cobre – RC-PC; › Repartidor de Cliente Cabo Coaxial – RC-CC; › Repartidor de Cliente Fibra Óptica – RC-FO.
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A 2.ª Edição do Manual ITED prevê que nos edifícios com 2 ou mais fogos deverá existir dois RG-CC, estando um normalmente localizado no ATE superior com distribuição descendente (associado a MATV ou SMATV), e outro no ATE inferior com distribuição em estrela (associado a CATV). A Figura 11 ilustra um possível exemplo de um RG-CC (de CATV) com disponibilidade para 16 saídas e entrada de dois operadores distintos.
Figura 12 . Caixas próprias para o RG-FO [Cortesia Corning].
Figura 11 . Exemplo do RG-CC a colocar no ATE-Inferior [Cortesia Televes].
› Repartidor Geral de Cabos de FO (RG-FO) A 2.ª Edição do Manual ITED prevê a obrigatoriedade de dotar as instalações com fibra óptica.
Figura 13 . Exemplo de caixas tipo para o RG-FO e respectivas interligações [Cor-
Com efeito, para cada fogo dever-se-á prever 2 fibras ópticas, pelo que o RG-FO deve ser projectado (ao nível do secundário) com uma estrutura de acopladores de fibra óptica para ligar cada fracção autónoma.
Determina, ainda, que quer o ATE inferior quer o ATE superior deverão disponibilizar circuitos de energia 230 V AC, 50 Hz, para fazer face às necessidades de alimentação eléctrica, devendo ser disponibilizados um circuito com 4 tomadas com terra, do tipo schuko. Os circuitos de tomadas deverão estar protegidos por um aparelho de corte automático, sensível à corrente diferencial residual, de elevada sensibilidade e imunizado (de forma a evitar disparos intempestivos), localizado no quadro eléctrico de origem do circuito.
A topologia da cablagem em fibra óptica de uma rede colectiva de cabos, e á semelhança da rede colectiva de cabos de par de cobre e coaxial (CATV) deverá ser em estrela, caso seja projectado um cabo “drop”. No entanto o projectista poderá prever a instalação de uma coluna “riser” com ou sem pré-conectorização ou, ainda, um cabo de coluna sem pré-conecterização em que será executada a fusão das fibras a “pigtail” ou a sua ligação mecânica. Por questões expressamente de segurança o acesso ao RG-FO, tanto primário (operadores) como secundário deverá ser condicionado. Dada a especificidade e fragilidade dos componentes associados à tecnologia da fibra óptica, os operadores podem optar por se instalar no RG-FO com uma caixa própria fechada que assegure a sua componente do primário do RG-FO e se interligue aos acopladores de FO do Secundário do RG-FO por cordões de interligação ópticos.
tesia Corning].
Um outro aspecto importante, referenciado na 2ª Edição do Manual ITED, relativo aos aspectos construtivos dos ATE, diz respeito à necessidade de previsão de condições de arrefecimento destes espaços, preferencialmente por convecção, imposta pela existência nestes espaços de equipamentos activos, que libertam calor durante o seu funcionamento.
4› CONCLUSÕES
As Figuras 12 e 13 ilustram possíveis soluções a adoptar para a instalação de repartidores gerais de fibra óptica.
Com a elaboração do presente artigo pretendeu-se contribuir, embora de uma forma sucinta, para o enriquecimento do conhecimento e das competências no âmbito dos armários ITED, à luz do novo enquadramento criado pela 2.ª Edição do Manual de Infra-estruturas de Telecomunicações em Edifícios, não dispensado, naturalmente, uma consulta detalhada e rigorosa do documento integral.
A 2.ª Edição do Manual ITED especifica que o ATE deverá conter, obrigatoriamente, um barramento de terras, onde se vão ligar as terras de protecção das infra-estruturas de telecomunicações. Este barramento (barramento geral de terras das ITED - BGT) será por sua vez interligado ao barramento geral de terras do edifício.
Foi, realizada uma abordagem técnica, regulamentar e tecnológica sobre os Armários de Telecomunicações Individual e Armários de Telecomunicações de Edifício, salientados os aspectos principais de projecto determinados pela 2.ª Edição do Manual de Infra-estruturas de Telecomunicações em Edifícios (ITED).