ENTREVISTA
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o electricista Helena Paulino
AMB3E
{METAS ULTRAPASSADAS EM PROL DO AMBIENTE}
Durante três anos a Amb3E consolidou-se no mercado, recolhendo cada vez mais toneladas de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos ultrapassando as metas impostas. Mas ainda não satisfeitos já preparam uma rede de locais de recepção para o dobro dos resíduos. meçarmos a trabalhar em Abril de 2006, só começámos a recolher e valorizar os resíduos no final do ano de 2006, exactamente a 20 de Novembro de 2006. Mesmo assim conseguimos recolher 3.700 toneladas, o que é muito positivo para mês e meio. 2007 era o nosso primeiro ano completo de actividade e a nossa preocupação fulcral foi aumentar o mais depressa possível a rede de locais de recepção, e fazer mais contratos com entidades logísticas e entidades de valorização, e por isso, houve uma grande evolução no desenvolvimento da rede. Apesar de tudo, em 2007 ainda não atingimos os objectivos dos 4 kg por habitante por ano em relação à nossa quota de mercado.
Qual o percurso da Amb3E durante estes três anos? Houve uma directiva europeia em 2004, que só foi transposta para o regime jurídico português em 2005, e foi isso que originou que uma série de empresas que colocam resíduos no mercado decidissem actuar, porque a legislação obriga-as a gerirem os resíduos que os produtos que colocam no mercado provocam, ao chegarem ao seu final de vida. E por isso, 58 empresas decidiram constituir uma entidade gestora para responder e cumprir a legislação de uma forma mais económica. Assim surgiu a Amb3E. Comecei a trabalhar no projecto em Junho de 2005, apresentando uma proposta ao Estado para que a Amb3E se constituísse como entidade gestora de REE’s, e em Abril de 2006 foi-nos concedida a licença.
ENTIDADE GESTORA COM MAIOR QUOTA DE MERCADO NACIONAL
Quase um ano depois? Sim, e só a partir daí pudemos começar a estabelecer contratos com as empresas fundadoras e assumir responsabilidades de trocar o pagamento dos ecovalores que eles iriam receber dos consumidores quando estes comprassem os produtos. Por outro lado, fizemos contratos com outras empresas para a recolha, a logística e o tratamento desses resíduos. Montar esta rede não é fácil até porque tudo é negociado e novo, e as pessoas têm algum receio.. Mas apesar de co-
Qual a quota de mercado que está estabelecida para a Amb3E? Desde o início prevíamos que andasse à volta dos 70%, e por isso competia-nos 70% da meta nacional – 4 kg por habitante e por ano - e por isso, tínhamos de recolher menos de 3 kg por habitante e por ano. Em 2007 recolhemos cerca de 22 mil toneladas, o que representou uma grande subida em relação ao ano anterior mas ainda não chegava. Também não ficámos muito preocupados porque o que tínhamos planeado para 2007 era
criar uma base sustentável que depois nos permitisse actuar. No ano seguinte, tendo já uma rede razoável, podíamos enveredar por outro dos nossos objectivos: a comunicação. Tínhamos consciência de que não podíamos fazer comunicação sem ter antes uma boa rede de recepção, porque não fazia sentido incentivar os consumidores a entregarem o electrodoméstico velho se não houvesse um local para o fazer. Como no início de 2008 já tínhamos uma rede bastante completa e boas condições de recepção e recolha, para além da reciclagem e valorização, decidimos apostar na sensibilização e comunicação em grande escala. E foi nesse momento que as recolhas subiram em larga escala? Em 2008 ultrapassámos as metas anuais que nos estavam definidas: a nossa obrigação anual situava-se nas 27 mil toneladas de resíduos e em 2008 recolhemos quase 33 mil toneladas. Por isso, 2008 foi um ano muito positivo porque ultrapassámos as nossas obrigações e objectivos definidos na licença, aumentámos a rede para números importantes, e ainda desenvolvemos campanhas de sensibilização dirigidas aos consumidores. Mas a comunicação também tem um preço? Ultrapassámos os 5 milhões de euros em
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Onde estará a Amb3E daqui a outros três anos? Até 2014 temos de atingir as metas e, por isso, vamos continuar a crescer. Em termos de sensibilização e comunicação não vamos parar. Temos sentido uma enorme necessidade de sensibilização das empresas retalhistas, com obrigações legais de recolher o velho quando vendem o novo, e neste momento temos tido muitas queixas de muitas não estarem a cumprir a lei. A nossa preocupação vai no sentido de sensibilizar não só os consumidores mas também as empresas retalhistas, explicando-lhes que não é um custo adicional mas sim uma necessidade, até em termos de competitividade face aos seus concorrentes. Também temos de sensibilizar as autarquias porque há muitas que não estão minimamente sensibilizadas para os riscos de ter aterros com produtos químicos altamente nocivos, a serem enterrados em vez de serem reciclados
e valorizados. Há algumas autarquias que já se aperceberam da sua missão de defender a saúde pública dos seus munícipes, mas há muitas entidades da administração local que ainda não entenderam isso. Em termos de investigação e desenvolvimento, outra das nossas obrigações, já investimos tudo o que era o total das verbas que teríamos de investir até ao final da nossa licença actual, 2011, porque achamos que assim tiramos benefícios. O que queremos quando investimos na investigação e no desenvolvimento é que aquilo que for estudado seja útil, a nós e ao país, e por isso quanto mais cedo investirmos mais cedo teremos os benefícios.
Ponto Electrão foi claramente uma boa iniciativa e vai continuar, e que, inclusivamente foi inédita no mundo inteiro e está agora a ser aproveitada por alguns colegas nossos da Europa. Era para ser uma ferramenta de comunicação e interacção, e passou a ferramenta de recolha. Criámos, desenvolvemos, e inventámos um novo Ponto Electrão para lâmpadas que vai ser espalhado pelo país durante 2009. A Escola Electrão também teve uma resposta que nos surpreendeu porque de uma acção de sensibilização transformou-se numa acção de recolha, com escolas a recolherem numa semana 17 toneladas de resíduos, o que equivale a 8 camiões TIR.
Que actividades diferentes prevêem para este ano? Não há grandes actividades porque achamos que durante 2008 inventámos quase tudo, e pretendemos consolidar este ano. O
Para mais informações AMB3E Linha Verde: 800 262 333 www.amb3e.pt