ENTREVISTA
revista técnico-profissional
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o electricista Helena Paulino
ABB, S.A.
{“QUERO TORNAR A ABB PORTUGAL CADA VEZ MAIS VISÍVEL”}
Com 40 anos, o Eng. João Gomes já passou mais tempo dentro da ABB do que fora. Há oito meses surgiu o convite para liderar a ABB Portugal, não recusou e está desde Março em terras lusas como administrador-delegado, acreditando e apostando no futuro. Não tem medo da crise e quer reforçar o lado social da ABB em Portugal. Uma empresa que está a crescer anualmente na casa dos dois dígitos. Quem é o engenheiro João Gomes, administrador-delegado da ABB, e o que o trouxe a Portugal? Comecei bastante novo a minha carreira. Estou há 22 anos na ABB e passei por vários cargos dentro da ABB Brasil. Comecei na área do planeamento, passei pela produção e antes de vir para Portugal era director da Divisão de Sistemas de Energia. No final do ano passado surgiu um convite para vir para Portugal, e aceitei. Já tinha tido algumas oportunidades de trabalho no exterior, tinha passado alguns meses na Suíça e em Inglaterra, mas nunca numa actividade que envolvesse uma função de direcção fora da ABB Brasil. Veio substituir uma pessoa com um grande peso na ABB, o Eng. José-Ramón Repáraz. Sente a responsabilidade da substituição? Sem dúvida que sinto uma enorme responsabilidade, até porque o Eng. José-Ramón tem características marcantes. Ele veio para Portugal com a missão de reorganizar a empresa, de alinhar a ABB Portugal de acordo com as novas orientações e a nova estrutura global do Grupo, e fez muito bem esse trabalho. Eu venho agora com um desafio um pouco diferente, que é fazer com que a ABB Portugal cresça de uma forma mais susten-
tável e consolide a sua posição no país como um dos líderes de mercado nos segmentos em que actua. Pretende essencialmente dar continuidade a projectos já em desenvolvimento, ou traz também ideias diferentes e uma visão nova para a ABB Portugal? A estratégia da ABB é muito clara: o crescimento com foco nas suas actividades principais de Energia e Automação através das suas cinco divisões, que estão hoje representadas na ABB Portugal. São estas a Divisão de Produtos de Energia, onde se encontram os transformadores e equipamentos de alta e média tensão, a de Sistemas de Energia que realiza fornecimentos em modalidade “chave-na-mão” de subestações, de sistemas de protecção e controlo, bem como de sistemas de instrumentação para produção de energia, a Divisão de Robótica, que fornece robôs e sistemas automatizados para linhas de produção dos mais diversos segmentos industriais, a de Produtos de Automação, especialista em produtos de baixa tensão de aplicação residencial ou industrial, drives e motores, e a Divisão de Automação de Processos, dedicada a sistemas de automação e electrificação para as indústrias, principalmente de pasta e papel, cimento,
mineira, petroquímica, gás e petróleo. Temos ainda a nossa unidade de Service, que tem como objectivo satisfazer a procura de serviços dos nossos clientes em Portugal, desde a simples reparação de um produto em garantia a complexos contratos de manutenção de toda uma unidade industrial ou de uma subestação, vinculados ao desempenho. A ABB acredita que o seu potencial de crescimento está suportado pela crescente procura de infra-estruturas, bem como pela necessidade de se produzir energia de modo mais eficiente, com qualidade e diminuindo o impacto ambiental. O meu papel aqui é adequar a estratégia do grupo às necessidades do mercado português, e habilitar a ABB para um crescimento local sempre pautado pelos mais altos padrões éticos e pelo código de conduta do Grupo. É conhecido o objectivo da administração anterior de fazer crescer a ABB Portugal no mercado de distribuição de material eléctrico. Já há algum desenvolvimento visível nessa área, ou esse plano está ainda em fase de projecto? A administração anterior fez um trabalho muito sólido nesta área, e este ano verificamos um crescimento à volta de 30% em relação a 2007. A ABB Portugal como um