ABB, S.A.: gosto de trabalhar próximo das pessoas

Page 1

ENTREVISTA

revista técnico-profissional

54

o electricista Helena Paulino

ABB, S.A.

{“GOSTO DE TRABALHAR PRÓXIMO DAS PESSOAS”}

© Luís Brandão, ABB

Antonio González é o novo administrador da ABB em Portugal, tendo iniciado estas funções no nosso país no Verão de 2010, após ter desempenhado outras, bastante diferentes, dentro do Grupo ABB. Antonio González pretende dar continuidade a um novo modelo de gestão, iniciado pelos seus antecessores mais recentes: fazer com que os colaboradores da ABB sintam que pertencem à empresa e que o seu trabalho é devidamente valorizado. Para tanto, propõe-se motivar a criatividade, a responsabilidade e o espírito inovador. A crise não o assusta porque, apesar dos riscos inerentes à conjuntura económica, vê nela boas oportunidades de negócio.

Revista “o electricista” (oe): Como decorreu todo o seu percurso na ABB até chegar a administrador-geral da ABB Portugal? Antonio González (AG): Estou na ABB há cerca de 20 anos. Comecei a trabalhar em 1989 como estagiário e um ano depois já tinha o meu primeiro contrato. Até chegar a administrador-geral da ABB em Portugal passei por muitas outras posições, recebendo formação específica para cada área e para as suas diferentes responsabilidades. Na década de 1980 foram introduzidos nas empresas os primeiros computadores, e havia pessoas com muita experiência no negócio e com um grande conhecimento dos produtos, mas que não estavam à vontade com as novas tecnologias informáticas. Por essa razão foram buscar às universidades jovens formados com capacidade para trabalhar com computadores, e assim começou a minha vida na ABB. A minha actividade teve início no departamento técnico, depois fui colocado no departamento de Informática, e posterior-

mente no departamento de gestão e contabilidade. Mais tarde fui para o departamento de produção e daí para a direcção de uma fábrica no Brasil, a que se seguiu a direcção de uma outra fábrica em Espanha, onde fui responsável pela área dos transformadores – uma área muito grande, que engloba três fábricas naquele país e a exportação de uma grande quantidade de soluções para toda a Europa, África e América. Esta responsabilidade terminou no Verão de 2010, quando me foi oferecida pelo Grupo a possibilidade de assumir funções muito diferentes, como administrador-delegado da ABB em Portugal. oe: Como é que este percurso transversal e igualmente vertical, porque já ocupou vários postos na ABB, pode ser uma mais-valia pessoal e profissional para o desempenho das suas novas funções? AG: Acredito que todos nós somos a nossa experiência, que todo o nosso conhecimento resulta da mistura das nossas vivências e das experiências que adquirimos, e que com elas construimos o nosso presente e

o nosso futuro. Gosto de trabalhar perto das pessoas, e conseguir que elas dêem o melhor de si. Se colocarmos directamente a responsabilidade nas pessoas, elas concluem que têm de trabalhar da melhor forma, e tomam livremente um determinado caminho para atingirem os seus objectivos dentro das opções que têm à sua disposição. Não vou perseguir as pessoas que gerem equipas e dizer-lhes o que devem fazer. Dou bastante liberdade, mas obviamente espero que cumpram os objectivos que lhes foram delineados. Para mim a missão do chefe é definir claramente quais os pontos que orientam o trajecto da empresa, ficando à responsabilidade de cada um a escolha do caminho concreto a seguir. Defendo que cada pessoa deve ter um determinado nível de autonomia e de capacidade de decisão, aceitando eu, naturalmente, que as pessoas podem errar. No entanto, este é um risco que vale a pena correr. oe: É um risco que gosta de correr porque pensa que as pessoas motivadas e responsabilizadas desta forma têm pos-


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.