EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E ENERGIAS RENOVÁVEIS
o electricista
revista técnico-profissional
36
Carlos Gaspar Director Técnico, CMFG – Energia e Ambiente, Lda.
eficiência energética na indústria {2.ª PARTE - ANÁLISE DE FACTURAS DE ENERGIA ELÉCTRICA}
INTRODUÇÃO Actualmente, com o mercado livre da energia eléctrica, qualquer instalação (indústria, serviços ou doméstico) pode escolher o seu fornecedor de energia eléctrica, contudo e independentemente dos comercializadores que subsistem no mercado, existe sempre um Comercializador de Último Recurso – a EDP Serviço Universal. As tarifas dos comercializadores que actuam no mercado livre, e tal como o nome indica, são livres, independentes do regulador (ERSE - Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos), no entanto existem alguns parâmetros que este comercializadores mantêm iguais ao serviço regulado, como é exemplo a energia reactiva. O Comercializador de Último Recurso é obrigado a manter os preços regulados pela ERSE ao longo do ano, ou seja, mantém o preço definido pelo regulador, normalmente, no final do ano anterior. Neste texto iremos abordar a constituição dos preços e as várias opções do comercializador do mercado regulado, já que os preços dos diversos comercializadores do mercado livre diferem de comercializador para co-
mercializador e muitas vezes de contrato para contrato. Assim, de forma reduzida e não exaustiva, concluiremos algumas constatações que poderão fazer se com base na análise das facturas de energia eléctrica, tendo em vista a economia de energia e/ou redução desta factura. Preferivelmente estas constatações deverão ser conjugadas com a análise de outros dados disponíveis, quando os houver (diagramas de carga, medições de consumos de sectores produtivos e evolução da produção ao longo do período coberto pelas facturas). A análise das facturas eléctricas serve essencialmente para: verificar se a opção tarifária da empresa é a melhor; analisar a distribuição dos consumos pelos diferentes horários; se existe pagamento de energia reactiva ou não; e a evolução da Potência em Horas de Ponta e da Potência Contratada.
ESTRUTURA DAS TARIFAS As tarifas de Venda a Clientes Finais são diferenciadas por nível de tensão e tipo de fornecimento, sendo constituídas por várias opções tarifárias. Cada tarifa inclui o pagamento dos custos nas diversas actividades do sector eléctrico utilizadas pelos consumi-
dores a quem se aplica. Assim, as opções são repartidas em três níveis de tensão de alimentação, que correspondem a intervalos de tensão conforme o tipo de cliente final: BT
Baixa tensão: tensão entre fases cujo valor é igual ou inferior a 1 kV (normalmente para clientes domésticos, serviços ou pequena indústria); A BT pode ainda dividir-se em Baixa Tensão Normal (potência contratada igual ou inferior a 41.4 kW) e em Baixa Tensão Especial (com potência contratada superior a 41.4 kW; MT Média Tensão: tensão entre fases cujo valor eficaz é superior a 1 kV e igual ou inferior a 45 kV (grandes edifícios de serviços e indústria); AT Alta Tensão: tensão entre fases cujo valor eficaz é superior a 45 kV e igual ou inferior a 110 kV (grande indústria); MAT Muito Alta Tensão: tensão entre fases superior a 110 kV (muito grande indústria). Dentro de cada um destes níveis de tensão existem diferentes opções tarifárias e diferentes horários de entrega de energia eléctrica.
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E ENERGIAS RENOVÁVEIS
revista técnico-profissional
o electricista
42
vidualmente. Um relé varimétrico, sensível às variações de energia reactiva, comanda automaticamente a ligação dos condensadores necessários à obtenção do cos q desejado. Obtém-se deste modo uma adaptação imediata da compensação às variações de carga, evitando-se o envio de energia reactiva para a rede de distribuição. Podemos concluir que compensar o factor de potência diminui a factura de electricidade, reduz as perdas internas na rede, aumenta o tempo de vida útil dos equipamentos e melhora a estabilidade da rede interna. A compensação da potência reactiva através da utilização de baterias de condensadores é rentável para o utilizador, apresentando o equipamento de compensação um período de recuperação do investimento efectuado relativamente curto.
CASO PRÁTICO De modo a analisar se o actual tarifário é o mais indicado face às necessidades da empresa, apresenta se uma perspectiva futura relativa aos custos para médias e longas utilizações. Salienta-se que para a realização desta análise foram considerados os consumos totais apresentados nas facturas de energia eléctrica de 2009, pelo que o cenário futuro poderá apresentar algumas diferenças se os consumos variarem. De acordo com o quadro anterior verifica-se que, relativamente ao valor pago em 2009, 628 676.83 €, se a empresa passar para o Sistema Eléctrico Público em Longas Utilizações terá no final de 2010 um aumento de aproximadamente 4.19%, isto é, pagará mais 26 369.49 €. Por outro lado, se a empresa optar pelo tarifário de Médias Utilizações o aumento em 2010 será superior em cerca de 6.78%, ou seja a empresa pagará mais 42 623.37 € face a igual período de 2009. Colocada esta questão pode concluir-se que o actual contrato é o mais adequado para a empresa analisada.
CONCLUSÕES Apenas pela análise de facturas de energia eléctrica podem atingir-se reduções significativas dos custos com a energia eléctrica. Para tal devem ter-se em atenção algumas premissas: › Escolher o fornecedor de energia eléctrica; › Adequar a opção tarifária às condições do consumidor; › Manter a potência contratada no valor mínimo possível; › Deslastrar consumos em Horas de Ponta; › Compensar o Factor de Potência; › Manter a bateria de condensadores em boas condições