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CO2: a nova ameaça?

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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E ENERGIAS RENOVÁVEIS

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José António Martinho da Silva EDP - Energias de Portugal

CO2: a nova ameaça? Será que paira uma nova ameaça sobre a humanidade que poderá pôr em causa a existência da vida no planeta não só do próprio homem como das restantes espécies animais? Apesar do século XXI nos ter trazido novas formas de terrorismo mais devastadoras (veja-se nos EUA o 11 de Setembro de 2001), e representarem uma séria ameaça à sobrevivência das sociedades democráticas (nomeadamente do seu padrão de vida), há apesar de tudo uma bem pior que nos desafia e se chama CO2. Mas afinal que ameaça é essa que dá pelo nome de CO2 e que nos entra quase quotidianamente pela casa através dos telejornais? Que reúne cientistas de todo o mundo, que causa preocupações aos Governantes? Não, não é um vírus nem uma nova bactéria, mas somente um gás libertado pela actividade económica do homem, por vezes sem qualquer racionalidade que não seja a do liberalismo e da competitividade desenfreada pela globalização, menosprezando as necessidades dos povos e o equilíbrio dos recursos não renováveis do Planeta.

MAS AFINAL O QUE É O CO2? O CO2 é a fórmula química do dióxido de carbono, anidrido carbónico ou gás carbónico, como é vulgarmente conhecido. Foi descoberto pelo escocês Joseph Black em 1754. É constituído por dois átomos de oxigénio e um átomo de carbono. É um gás incolor e que inalado pode provocar asfixia. No entanto, o dióxido de carbono é essencial à vida no planeta, visto ser um dos compostos essenciais para a realização da fotossíntese – processo pelo qual os organismos fotossintetizantes transformam a energia solar em energia química. Esta energia química, por sua vez é distribuída para todos os seres vivos por meio da teia alimentar. Este processo é uma das fases do ciclo do carbono e é vital

para a manutenção dos seres vivos pois é um elemento básico da sua constituição. O carbono existe em stocks consideráveis na atmosfera, nos oceanos, solos, rochas sedimentares e está presente nos combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural). Há uma interacção constante nos vários stocks de carbono, de uns para os outros, por exemplo, entre os oceanos e a atmosfera dado que os primeiros dissolvem parte do carbono existente na atmosfera, mas também o libertam à medida que as águas dos oceanos vão ficando mais quentes nos trópicos. Também as plantas absorvem, através do processo da fotossíntese, o carbono encontrado na atmosfera na forma de dióxido de carbono. O homem ao queimar grandes quantidades de combustíveis fósseis como forma de obter energia barata, está a libertar para a atmosfera grandes quantidades de dióxido de carbono que se encontrava armazenado e desta forma a interagir com o equilíbrio da natureza, que se manifesta numa alteração do clima do planeta. É aqui que começa a ameaça.

O “EFEITO ESTUFA” E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS O fenómeno designado por “efeito estufa” é um processo natural que ocorre na Terra,

sendo o mesmo responsável pelo aquecimento do planeta. Caso este “efeito estufa” não existisse a temperatura da superfície terrestre seria, em média, cerca de 18º mais fria do que é hoje. Mas no que consiste o referido “efeito estufa”? Durante o dia parte da energia solar é captada pela superfície da Terra e absorvida, enquanto que outra parte é irradiada para a atmosfera onde permanece. Os gases naturais existentes na atmosfera funcionam como uma capa protectora que impede a dispersão total desse calor para o espaço, evitando que durante o período nocturno se perca calor. Por conseguinte, o planeta permance quente. Certos gases como o dióxido de carbono (CO2), criam uma espécie de telhado, como o de uma estufa, sobre a Terra – daí o nome do fenómeno -, deixando a luz do Sol entrar mas não deixando sair o calor.


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no aprovou o PNALE II para o quinquénio 2008-2012 que se insere no período de cumprimento obrigatório do Protocolo de Quioto. No PNALE II observa-se uma redução das Licenças de Emissão atribuídas gratuitamente5, comparativamente ao PNALE I, sendo essa redução mais acentuada no sector da produção de electricidade por via termoeléctrica (cerca de 30%) como se evidencia no quadro abaixo:

Apesar do Governo Português estar fortemente empenhado no cumprimento do Protocolo de Quioto e no Acordo de Partilha de Responsabilidades no seio da União Europeia, a batalha pela redução do CO2 não está ganha e afigura-se difícil. É de realçar a atitude de algumas empresas portuguesas que fazem da sua preocupação com o ambiente o fundamento do seu negócio no futuro, apostando na sustentabilidade como factor de progresso. Destacam-se empresas como a EDP – Energias de Portugal, SA (o site www.eco.edp.pt é prova disso) que está a enveredar pela substituição gradual de combustíveis fósseis (carvão, fuel gás natural) por fontes de energia limpa e renováveis (hídrica e eólica) na produção de eletricidade, a E Value, como consultor para a economia do carbono, a Maderas Nobles de la Sierra Segura que investe na preservação de árvores nos terrenos dos clientes, vendendo-as no final do ciclo de vida e revertendo o produto da venda para o cliente, são exemplos que se podem destacar entre outros. Não é só ao Estado e às empresas que competem obrigações pela redução das emissões de CO2. O cidadão comum, que afinal somos todos nós, tem também um papel importante na redução do CO2 e mesmo nos restantes gases de efeito estufa, pela alteração de comportamentos enquanto consumidor. Apresentam-se seguidamente algumas medidas simples que poderão fazer toda a diferença: › Instalar lâmpadas de baixo consumo em vez de lâmpadas incandescentes; › Instalar painéis solares para aquecimento de águas e ambiente;

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Despacho nº 2836/2008 de 8 de Janeiro.

› Instalar interruptores com reguladores de intensidade de luz; › Desligar aparelhos do modo stand by; › Calafetar portas e janelas, montar vidros duplos e cortinados para evitarem perdas de calor; › Desligar aquecedores algum tempo antes de sair de casa; › Comprar electrodomésticos da classe A ou A+ ou que possuam a etiqueta energy star; › Utilizar de sacos de papel ou de pano em vez dos tradicionais sacos de plástico e caso utilize estes últimos poder reutilizálos várias vezes; › Utilizar o transporte público em vez do transporte particular, ou fazê-lo pelo menos uma vez por semana; › Reutilizar papel usado para rascunhos em vez de o enviar para o lixo; › Depositar papel usado em contentores próprios, visando a sua reciclagem; › Reduzir impressões e o uso das cores; › Utilizar sempre que possível materiais reciclados. › Utilizar detergentes de limpeza bio-degradáveis (evita-se a contaminação de lençóis freáticos); Estas são apenas algumas pequenas medidas que estão ao nosso alcance. Se não começarmos hoje mesmo a segui-las, dificilmente poderemos ganhar a batalha do CO2, pois esta não depende somente da vontade das Instituições e dos Governos das Nações; é a própria sustentabilidade do nosso modo de vida e civilização em geral que ficará ameaçada se não agirmos em conjunto e em força contra esse inimigo invisível e silencioso que dá pelo nome de CO2 e que conta com alguns aliados, precisamente com aqueles que viram as costas ao combate e que com essa atitude desprezam o futuro das próximas gerações em prol do seu próprio egoísmo.


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