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Ordenamento da iluminação pública: 2.ª parte - critérios para a IP

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ARTIGO TÉCNICO

revista técnico-profissional

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o electricista Catarina Silva, Custódio Dias Dep. de Engenharia Electrotécnica (DEE) do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP)

ordenamento da iluminação pública {2.ª PARTE - CRITÉRIOS PARA A IP}

Os sistemas de iluminação pública podem ser mais ou menos complexos e ser constituídos por equipamentos com melhores ou piores características. A decisão sobre as opções a adoptar terá de basear-se em critérios técnicos objectivos.

1› INTRODUÇÃO No primeiro trabalho dedicado à temática do ordenamento da iluminação pública (IP), publicado no número anterior da revista, foi identificado um conjunto de parâmetros que nos permitem caracterizar objectivamente as vias a iluminar e, a partir dessa caracterização, foram definidos os níveis de exigência relativos à IP de cada tipo de via. Cumprida a etapa relativa à definição objectiva da qualidade da IP, relacionando-a com as características das vias, é agora necessário estabelecer critérios que permitam, também objectivamente, definir como serão concretizados os sistemas de IP. Sabe-se que existe uma grande variedade de opções, tanto no que se refere a técnicas de iluminação exterior como no que se refere às características dos equipamentos utilizados nos circuitos de IP. A escolha poderá não ser fácil e, se não se basear em critérios objectivos, poderá conduzir a soluções de iluminação não adequadas. A inadequação tanto poderá ser na vertente luminotécnica, como na vertente estética, como na vertente energética, como, ainda, na vertente económica. A inadequação tanto pode verificar-se por defeito, como por excesso, conduzindo em qualquer

dos casos a insatisfação, na medida em que, ou o objectivo da IP não é cumprido, ou a IP provoca desperdício de recursos (financeiros, energéticos, etc.), ou ambos. Dado que para se ter uma base de escolha objectiva é necessário estabelecer critérios e dado que no primeiro trabalho se fez uma caracterização objectiva das vias públicas e da correspondente exigência em IP, neste trabalho são apresentados alguns critérios objectivos que relacionam características de estabelecimento da IP e dos seus equipamentos com a caracterização das vias.

2› INTERLIGAÇÃO DE VIAS DE DIFERENTES CARACTERÍSTICAS São áreas onde diversos fluxos de veículos se intersectam ou se dirigem para zonas frequentadas por peões, ciclistas, ou outro tipo de utilizadores das estradas, e também que ligam estradas com características diferentes (estradas com diversas faixas/larguras interligando com estradas de menor dimensão). A existência destas diferentes geometrias e características aumenta o potencial risco de colisão entre veículos, ou entre veículos e peões, ou ciclistas, ou mesmo entre veí-

culos e objectos fixos. Como tal, os níveis de iluminação usados nestas áreas devem ser objecto de estudo cuidado. São consideradas nesta classe de estudo rotundas, cruzamentos ou entroncamentos e ligação de vias de carácter urbano com vias de carácter rural. Os pontos de confluência de várias vias (entroncamentos, cruzamentos e rotundas) com classificações diferentes devem ter um tratamento especial. Deverá considerar-se como referência o nível de iluminação correspondente à via com classe mais alta. Nas outras vias confluentes, o cálculo dos dois últimos pontos de luz será feito considerando o nível de iluminação de referência definido anteriormente.

3› ESCOLHA DAS LUMINÁRIAS As luminárias para IP são compostas por um conjunto de componentes base, cujas características podem variar consideravelmente, tentando-se, assim, adaptar as características da luminária a um grande conjunto de diferentes situações de utilização. Não admira, por isso, que as luminárias apresentem


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Em casos especiais, quando justificado, podem ser utilizadas fontes luminosas com potências de 400W.

8› SISTEMAS DE CONTROLO

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O controlo básico dos circuitos de iluminação pública pode ser feito com recurso a interruptores horários (F1) ou células fotossensíveis (F2). Em determinadas vias, dadas as suas características e para economizar o consumo energético, é desejável fazerse uma redução do fluxo em determinados períodos, sem que disso resulte um grande prejuízo para os utilizadores. Assim, os circuitos de iluminação dessas vias, para além do controlo básico (F1 e F2), deverão possuir um sistema de controlo de fluxo adicional, tais como, por exemplo, controlo de ligação e corte de 50% do fluxo (F4) e reguladores ou controladores de fluxo (F5). O quadro 7 apresenta, para cada tipo de via, o controlo

de fluxo luminoso a utilizar, atendendo às características da via, à segurança dos utilizadores e à economia.

Tipo de Via

Tipo de controlo de fluxo

C1e C2

Sem alteração do fluxo (utilização intensiva)

C3 a C8

Diminuição do fluxo nas horas "mortas" (da 01h00 às 05h00) (F5)

C9

Diminuição do fluxo nas horas "mortas" (da 01h00 às 05h00) (F3 ou F4)

C10

Sem alteração do fluxo (segurança)

C11

Diminuição do fluxo nas horas "mortas" (da 01h00 às 05h00) (F4)

Zonas especiais

Sem alteração do fluxo (utilização específica)

Quadro 7 . Tipos de controlo de fluxo.

9› CONCLUSÕES A IP é uma competência do poder local, mas em muitos casos as autoridades locais não têm técnicos especialistas nesta área e, consequentemente, é difícil garantir a optimização destes sistemas. Frequentemente faltam bases objectivas que permitam avaliar quais as soluções de iluminação mais adequadas a cada via. O recurso a parâmetros físicos característicos das vias a iluminar permite agrupá-las em classes e, a partir daí, é possível estabelecer critérios que ajudam a encontrar as soluções de iluminação mais eficientes, tanto em termos luminotécnicos, como em termos energéticos. Neste trabalho estabeleceramse critérios objectivos que permitem decidir sobre as diferentes vertentes do projecto de um sistema de IP, ou seja, sobre as luminárias, os apoio, a sua colocação na via e o controlo do encandeamento.


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