Banir (já) a luz incandescente?: não, obrigado!

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FICHA FORMATIVA DE ILUMINAÇÃO

revista técnico-profissional

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o electricista Vitor Vajão Presidente do CPI – Centro Português de Iluminação

banir ( já) a luz incandescente?

{NÃO, OBRIGADO!}

As preocupações ambientais com a correspondente sensibilização para as alterações climatéricas no planeta, incentivam ao recurso por equipamentos, sistemas e técnicas amigas da natureza. É de louvar esse sentimento que a todos deve envolver. Sendo a iluminação um factor de peso na factura energética, naturalmente assiste-se a campanhas visando a substituição das lâmpadas incandescentes, pelas fluorescentes compactas (ditas economizadoras), na generalidade das habitações. Só que, infelizmente, a ideia de banir pura e simplesmente as tradicionais lâmpadas incandescentes, assenta num conjunto de oportunismos, interesses políticos e fiscais e de meias verdades que, um pouco por todo o lado, vêm sendo desmascaradas por profissionais, associações e publicações luminotécnicas, desde a Europa aos EUA. Aquelas campanhas, algumas envolvendo personagens públicas que nada sabem do assunto, mas que se fazem entendidas, em acções de porta a porta suportadas pelos poderosos média, patenteiam um misto de ignorância, desinformação e populismo, como convém aos fins nem sempre aparentes de alguns interessados. A verdade é que a deficiente informação veiculada, vai conduzir a que os consumidores, após experimentarem indiscriminadamente a “maravilha” das lâmpadas economizadoras, na maior parte das vezes se sintam enganados, por constatarem que as virtudes associadas não se concretizam, não justificando pagar-se mais por esse produto. Consequentemente, tenderão a rejeitar essa opção em futuras aquisições, mesmo naqueles casos em que muito beneficiariam recorrendo às lâmpadas economizadoras. Esse será, certamente, o negativo resultado da campanha ser conduzida pela nova casta de especialistas de geração espontânea: a dos políticos luminotécnicos e afins!

DA VERDADE À MENTIRA CONVENIENTE É absolutamente certo, que a utilização de lâmpadas economizadoras pode proporcionar significativas reduções energéticas, compensando

facilmente o investimento nessas lâmpadas, de custo muito mais elevado do que o das vulgares lâmpadas incandescentes. Mas, para isso, é essencial que sejam utilizadas adequadamente, onde as suas potencialidades se harmonizem com as necessidades de funcionamento num dado local. E nisso reside o busílis da questão, que faz toda a diferença e ficará mais perceptível se se conhecerem as principais características técnicas das lâmpadas economizadoras: 1. Funcionamento É idêntico ao de qualquer lâmpada fluorescente, e, por ser de descarga em vapor de mercúrio, necessita de um balastro para criar o impulso de tensão indispensável ao arranque (durante o qual o consumo é mais elevado) e, após este, para ir regulando a tensão à lâmpada até lhe conferir estabilidade térmica. Nas lâmpadas economizadoras, o balastro está alojado no interior do casquilho. A manutenção da pressão do vapor de mercúrio dentro da lâmpada é essencial para o seu bom funcionamento, estando dependente de factores como a temperatura na envolvente da lâmpada, a frequência das acções de ligar/desligar e até à posição da própria lâmpada. 2. Tempo de Arranque Enquanto o arranque de uma lâmpada incandescente é instantâneo, o de uma economizadora, até à máxima emissão de luz e estabilidade térmica, é bastante significativo: atinge 80% do fluxo entre 23 segundos (valor de laboratório) e 2 minutos, sendo alcançada a plenitude da emissão ao fim de 20 a 23 minutos.


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