O sector elétrico e a crise

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LUZES

o sector eléctrico e a crise

Falar da crise começa a ser uma obsessão, pois não há dia em que o assunto não esteja presente nas notícias que nos são apresentadas. Contudo, o assunto pode ser abordado de uma forma positiva, relativizando a situação e traçando estratégias realistas para se tentar sair da situação. Creio que o assunto não pode ser ignorado, mas não poderemos ficar eternamente em estado de choque, sem capacidade de reação, apenas constatando o facto. Importa urgentemente recuperar a capacidade de análise objectiva e traçar os caminhos da recuperação. O sector eléctrico, tal como qualquer outro sector da economia, ressentiu-se da situação económica e financeira que se tem vivido nos últimos anos. Com o rebentar da crise financeira internacional, numa primeira fase, foi o mercado da exportação que mais se ressentiu. Por isso, no ano de 2008 as exportações do sector eléctrico nacional sofreram uma queda de cerca de 5% relativamente ao volume verificado no ano anterior e, no ano seguinte, 2009, a queda foi de cerca de 37% relativamente ao ano anterior. Combinando estes dois números resulta uma queda total de cerca de 44% nos dois anos que se seguiram a 2007 relativamente ao volume de exportações desse ano. Contudo, dada a rápida recuperação económica e financeira de alguns dos países com maior peso nas exportações do sector, no presente ano verificou-se já alguma recuperação. Relativamente aos números de 2009, no primeiro trimestre deste ano verificou-se um acréscimo de exportações superior a 40% e, embora não se possa esperar que este crescimento se tenha verificado durante o resto do ano, não será exagerado esperar que o aumento global das exportações do sector verificado em 2010 não seja inferior a 10%. Assim, embora a situação não seja brilhante, pois existiu uma redução acumulada de 44% em dois anos, também não será dramática se a tendência de crescimento se mantiver. No horizonte permanece a dúvida relativamente à sustentabilidade da retoma económica dos países com maior peso nas exportações do sector, sobretudo no que se refere à velocidade dessa retoma, que poderá condicionar o crescimento do volume de transações com esses países e retardar o momento em que sejam atingidos de novo os números que se verificaram no ano de 2007.

Custódio Pais Dias Director

Dado que a economia nacional possui alguma inércia relativamente ao que se verifica nos países mais desenvolvidos, nos últimos anos, em que a exportação do sector sofreu uma redução importante, o mercado interno foi-se aguentando. Contudo, quando os países de maior peso para as exportações do sector começam a retoma, em 2010 o mercado interno começa a retrair-se e, dada a situação económica e financeira do país, prevê-se que esta tendência se mantenha nos próximos anos. Dado que a situação global do sector depende tanto das exportações como do mercado interno, embora com pesos diferentes, o futuro próximo apresenta-se algo incerto. Apesar do estado atual do sector não ser florescente e das incertezas do futuro, há subsectores que mostraram uma maior resistência à crise e prevê-se que nos próximos anos o seu volume de negócios continue a aumentar bem acima da média do sector, o que significa que seus mercados estão acima da turbulência verificada nas economias. Convirá, por isso, que as empresas dos subsectores mais vulneráveis estejam atentas a esses mercados e às suas necessidades, pois poderão constituir excelentes oportunidades de negócio. Chegados que estamos ao fim de mais um ano, que se revelou economicamente difícil e tempestuoso, creio que o sector poderá olhar o futuro com esperança fundada nos resultados que estão a ser obtidos e acreditar que será possível continuar a recuperar. A equipa da revista o electricista espera poder contribuir positivamente para essa recuperação dentro da sua esfera de atuação, podendo as empresas, as instituições e os profissionais do sector contar com a revista para divulgar e promover as suas atividades e produtos. Finalmente, porque chegamos a mais uma quadra festiva de Natal e Ano Novo, toda a equipa da revista formula votos de Boas Festas e de que o ano de 2011 se revele um ano próspero e feliz para todos.


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