A luz "corrente" a que temos direito

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FICHA FORMATIVA DE ILUMINAÇÃO

revista técnico-profissional

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o electricista Vítor Vajão Presidente da Direcção do CPI – Centro Português de Iluminação

a luz “corrente” a que temos direito

Num recente artigo na revista oficial da ELDA (European Lighting Designer’s Association), intitulado “The dark side of the white City”, Kai Becker expressava o seu desalento, perante a modificação da paisagem diurna e nocturna duma das principais cidades do país.

cas ultrapassadas e impensáveis, não tendo implícitas as mínimas noções da importância da luminotecnia na criação de ambiências humanizadas.

de mercúrio tradicionais, com baixíssimas eficácias de 46 a 50 lm/W, quando no articulado do Contrato (Artº 29º, alínea 3) há a preocupação de referir a utilização de “lâmpadas de adequado rendimento”. No texto do Contrato, colocam-se sempre imposições quanto à mais elevada eficácia das lâmpadas, não se tendo em conta:

Dizia o articulista: “durante o dia toda a cidade irradia luz branca e quente, por reflexão no calcário dos pavimentos e das fachadas dos edifícios. Quando chega a iluminação pública, toda a maravilhosa atmosfera da cidade desaparece. A uniforme luz viária pinta tudo de amarelo, sejam locais históricos ou elementos arquitectónicos marcantes da cidade.” Esta visão de alguém ligado à luminotecnia europeia, condiz com o que os especialistas nacionais vêm afirmando à longo tempo. Se é assim, porque não se modificam as estratégias na iluminação dos centros urbanos?

Desse Contrato faz parte o chamado “ANEXO I – Definição dos tipos “correntes” de focos luminosos a utilizar no município”, impondo a utilização das lâmpadas de sódio de alta pressão (ditas lâmpadas “correntes”), seja em arruamentos, jardins ou núcleos antigos!

Simplesmente porque a EDP vem propondo (ou impondo?) às Câmaras, um Contrato de Concessão da rede eléctrica que, no que respeita à iluminação pública, impõe práti-

Esta terminologia de “correntes”, faz lembrar usos já perdidos, em artigos de mercearia… Também se citam as ineficientes e praticamente banidas lâmpadas de vapor

› a qualidade da luz emitida, nomeadamente expressa pelo respectivo índice de reprodução cromática e tonalidade da luz › que o determinante, em termos de optimização energética, não é a eficácia da lâmpada, mas sim do conjunto lâmpada + sistema óptico da luminária › que as lâmpadas de sódio foram lançadas há cerca de 35 anos! Então, neste intervalo de tempo, não apareceram lâmpadas e sistemas ópticos mais vantajosos, eficientes e amigos do homem? Será que uma lâmpada que apresenta fidelidade cromática de apenas 25 e uma tonalidade excessivamente quente (2000 K) é o que de melhor há para iluminar locais nobres e pessoas? › que apesar de no ponto 4 do Artº 29º do


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