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   em Turbinas a Vapor – um caso de estudo

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Beatriz Graça1, Jorge Seabra2, Pinto Sousa3 INEGI – Instituto Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, Porto, Portugal, bmg@fe.up.pt 2 FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal 3 Portucel, Aveiro, Portugal 1

COLUNA DE TRIBOLOGIA

(1.ÂŞ Parte) RESUMO

pois permite investigar a causa do pro-

        -

Para a monitorização do estado de

blema e implementar açþes corretivas

pectroscopia de Infravermelhos.

condição de um turbo-gerador a vapor,

antes da progressĂŁo da avaria que po-

instalado numa fåbrica de produção de

   

       

 !'       tĂŠcnicas de anĂĄlise aplicadas incluem

1. INTRODUĂ‡ĂƒO

de óleo do Grupo II em açþes de refres-

uma sĂŠrie de testes normalizados que

O bom funcionamento de um turbo-ge-

camento e de atesto ao nĂ­vel recomen-

permitem a monitorização das princi-

rador depende fortemente do desem-

      

pais caraterĂ­sticas fĂ­sicas e quĂ­micas do

!"     #$% &  

'5     

        -

Mark Okazaki, cientista sĂŠnior da Chev-

presentes assim como a avaliação do

tĂŁo continuamente sujeitos ao contacto

ron, referia que â€œâ€Ścertain Group I addi-

desgaste gerado em alguns dos com-

com o oxigÊnio e à presença de calor,

tives don’t work well with Group II base

ponentes crĂ­ticos da turbina.

resultando em produtos de reação que

oils because of the lower solvency‌�

degradam o Ăłleo e, com o tempo, ge-

(certos aditivos de Ăłleos base do Grupo

Enquanto uma grande parte dos resul-

ram depĂłsitos nas superfĂ­cies do siste-

I nĂŁo funcionam bem com Ăłleos base

tados evidenciavam o estado de condi-

ma em forma de lamas e vernizes.

do Grupo II, devido a uma menor solvência‌).

ção do óleo como normal, algumas das

14

O Ăłleo a operar nesta turbina ainda ĂŠ um Ăłleo do Grupo I. Contudo, foram

pasta de papel, foram realizadas anĂĄ-

tĂŠcnicas apontavam para a ocorrĂŞncia

A presença de elevados níveis de ågua,

de algumas alteraçþes no óleo da tur-

a compressão adiabåtica e a formação

Os Ăłleos do Grupo I possuem tipica-

    

de espuma sĂŁo fatores que contribuem

mente uma maior concentração de

a presença anormal de pequenas par-

fortemente para a formação de verni-

aromĂĄticos (derivados da benzina) que

tĂ­culas polares, os cĂłdigos de limpeza

zes e degradação do óleo. Assim, a sua

tendem a oxidar rapidamente. Dada

ISO ultrapassaram os limites recomen-

monitorização revela-se fundamental

a sua pureza, os Ăłleos do Grupo II sĂŁo

dados e a demulsibilidade do Ăłleo di-

para o aumento, quer da vida Ăştil do

inerentemente muito mais estĂĄveis,

minuiu.

'   * !

     

da turbina. No entanto, nas Ăşltimas dĂŠ-

solvĂŞncia [2].

Uma vez que a degradação tÊrmica de

cadas, tem-se assistido a importantes

'         -

alteraçþes no mercado em relação Ă

Os Ăłleos do grupo II combinados com

cilmente controlåvel e, a presença de

     !  -

aditivos

      

binas. Os Ăłleos modernos sĂŁo agora

atingem elevados resultados no teste

  " ! 5   

formulados distintamente, começando

de estabilidade (TOST) (ASTM D943) e

do Ăłleo da turbina foi tambĂŠm analisa-

pela transição de óleos base do Grupo I

no teste de oxidação em vaso rotativo

do utilizando um microscĂłpio Ăłtico. A

para o Grupo II com a incorporação de

pressurizado (RVPOT) (ASTM D2272).

  !  ! 

agentes quĂ­micos antioxidantes mais

Consequentemente, a nova geração de

    

!+  / 0 5 

Ăłleos de turbinas degradam-se de um

resultante de descargas eletroestĂĄticas,

testes tradicionalmente usados para

modo diferente dos Ăłleos formulados

atravÊs da presença de micro-crateras

a obtenção de sinais de aviso sobre a

tradicionalmente. Embora possuam

na superfĂ­cie metĂĄlica.

degradação gradual do óleo deixam

uma estabilidade à oxidação melhora-

agora de ser efetivos na avaliação do

da, os agentes quĂ­micos adicionados

estado de condição real do óleo.

como antioxidantes produzem eleva-

    

antioxidantes

melhorados

dos nĂ­veis de insolĂşveis quando degra-

   /       !   

Neste caso de estudo, um turbo-gera-

dados, que juntamente com a baixa

turbinas, relacionados com a geração

dor de uma indĂşstria celulĂłsica foi moni-

solvĂŞncia do Ăłleo base do Grupo II,

de vernizes e lamas. Este tipo de diag-

torizado atravĂŠs de diferentes mĂŠtodos

contribui para a formação de lamas e

nĂłstico ĂŠ fundamental na indĂşstria,

normalizados. Simultaneamente, foram

vernizes.

Análise de lubrificantes: em turbinas a vapor - um caso de estudo (1.ª parte)  

Autor: Beatriz Graça, Jorge Seabra, Pinto Sousa; Revista: Manutenção nº116

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