Entrevista
Instituto Português de Qualidade Organismo nacional de normalização por Helena Paulino
A entrada em vigor da Diretiva 2014/33/
Revista “ELEVARE” (RE): Que implicações
EU de 26 de fevereiro e as novas
para o setor traz a entrada em vigor da
Normas sobre ascensores criaram um
“Diretiva 2014/33/UE, relativa à harmoni-
novo paradigma para a atividade. A
zação da legislação dos Estados-Membros
revista ELEVARE conversou com Maria
respeitante a ascensores e componentes
João Graça, Diretora do Departamento
de segurança para ascensores” e das novas
de Normalização do IPQ, no sentido de
normas EN 81-20 e EN 81-50?
saber alguns dos impactos que podem
Maria João Graça (MJG): A Diretiva 2014/33/
advir para o setor.
UE resulta da necessidade de proceder à atualização da Diretiva 95/16/CE, sobre
lhora a consistência dos procedimentos de
ascensores, publicada há já 20 anos, refor-
avaliação da conformidade.
mulando-a e introduzindo agora alterações substanciais, na medida em que harmoniza
Para os operadores económicos, os impac-
conceitos, introduz melhorias ao nível da
tos são sobretudo ao nível da necessidade
avaliação, monitorização e coordenação
de (re)criar e implementar sistemas de ras-
dos Organismos Notificados, do reforço da
treabilidade de ascensores e componentes
vigilância do mercado na UE, criando con-
de segurança; fazer a monitorização das
dições para uma maior credibilização da
reclamações e não conformidades, avalian-
marcação CE. Finalmente, clarifica as obri-
do-as e propondo ações corretivas. Consi-
gações dos operadores económicos e me-
derando que a interoperabilidade entre os inúmeros sistemas de rastreabilidade das empresas é complicada, o ideal seria a criação de um repositório de dados nacional, eventualmente coordenado pela entidade de fiscalização/vigilância. Quanto às Normas EN 81-20 e EN 81-50, a sua revisão decorre da necessidade de consolidar centenas de novas interpretações e de integrar as várias emendas, entretanto elaboradas, resultantes dos contributos de organismos europeus representativos do setor e da própria Comissão Europeia, tendo em vista a necessária harmonização dos trabalhos a nível internacional e europeu. Em traços muito gerais, as novas normas dão resposta às novas tecnologias procedendo à atualização do estado da arte e, nesta medida, consubstanciando uma evolução relativamente às versões anteriores,
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Entrevista a Comissão Técnica - CT 63 - “Elevadores,
Organismos Europeus de Normalização
O IPQ, enquanto ONN, está consciente das
escadas mecânicas e tapetes rolantes”, e
(CEN, CENELEC e ETSI) no âmbito de man-
suas obrigações, na promoção e na divul-
que vem acompanhando todo o trabalho
datos da Comissão Europeia e contam com
gação da atividade de normalização em
normativo europeu e internacional produzi-
a participação das entidades representa-
Portugal, e acionará os mecanismos ne-
do neste âmbito, nomeadamente a revisão
tivas dos agentes económicos e dos con-
cessários e todos os canais para que, de
destas normas.
sumidores dos Estados-Membros, através
forma atempada, os operadores económi-
dos ONN.
cos e as entidades responsáveis, em geral, tenham conhecimento das versões nacio-
O estatuto de norma harmonizada resulta,
nais das normas com a maior celeridade.
finalmente, da respetiva publicitação no Jornal Oficial da União Europeia (JOUE). No
RE: Sendo uma transição legal e normativa,
caso em apreço, as Normas EN 81-20 e EN
existem fatores de risco para as empresas
81-50 foram publicitadas no JOUE de 12 de
do setor de elevadores e ascensores?
dezembro de 2014, no âmbito da Diretiva
MJG: Qualquer mudança pode trazer riscos
dos ascensores.
se não forem tomadas as medidas adequadas de antecipação e que, de alguma
RE: Quais são os próximos passos quer
forma, previnem e evitem esses mesmos
da Diretiva 2014/33/UE, quer das Normas
riscos. Contudo, convém recordar que es-
EN 81-20 e EN 81-50?
tamos perante um procedimento já rotina-
MJG: Os Estados-Membros são responsá-
do e generalizado a outros âmbitos, pelo
veis pela transposição correta e atempada
que não constituirá novidade para os ope-
de diretivas adotadas pelas competentes
radores económicos, porquanto traduz as
instituições da UE. Neste caso, sendo a
regras e os mecanismos de funcionamen-
Direção-Geral de Energia e Geologia a enti-
to da União Europeia.
dade que tutela o setor, deverá assegurar a respetiva transposição para a ordem jurídi-
Assim sendo, continua a ser necessário que
RE: Sendo uma Diretiva aplicada à Comuni-
ca interna e contribuir para uma boa aplica-
as empresas estejam atentas e se prepa-
dade Europeia, Portugal é obrigado a adotar
ção do direito da UE.
rem para a mudança tendo em conta que, apesar da obrigatoriedade das Normas a
as Normas Europeias de uma forma rígida? Ou há alguma flexibilidade na aplicação das
A Diretiva 2014/33/UE entrará em vigor a 20
partir de 31 de agosto de 2017, as mesmas
Normas em Portugal?
de abril de 2016, pelo que até lá a sua trans-
são aplicáveis a instalações já muito tempo
MJG: Ao proceder à transposição de uma
posição terá de ser efetuada. Entretanto, os
antes contratadas (variável com a nature-
diretiva - um ato jurídico previsto no Tra-
Estados-Membros não podem impedir a co-
za e dimensão dos projetos). Este é o risco
tado da União Europeia - para o direito na-
locação em serviço de ascensores ou a dis-
maior, para o qual há que estar preveni-
cional, nos prazos estabelecidos, o Estado
ponibilização no mercado de componentes
do. A leitura da Diretiva 2014/33/UE e das
Português obriga-se ao seu cumprimento
de segurança para ascensores abrangidos
EN 81-20 e EN 81-50 e a sua implementa-
integral, bem como os restantes Estados-
pela Diretiva 95/16/CE que estejam em con-
ção rápida e adequada são, naturalmente,
Membros.
formidade com essa Diretiva e que tenham
indispensáveis.
sido colocados no mercado antes de 20 de Se é verdade que no processo da transpo-
abril de 2016. A transposição da Diretiva, vai
Face à eventual complexidade e às inúme-
sição de diretivas europeias é conferido aos
permitir o reconhecimento dos Organismos
ras alterações introduzidas, sobretudo nas
Estados-Membros a possibilidade de efetu-
Notificados e a definição da estrutura de vi-
Normas, aconselha-se, sempre que neces-
arem adaptações tendo em vista a imple-
gilância de mercado, sem os quais não será
sário, o esclarecimento junto das respeti-
mentação da legislação ao nível nacional,
possível a implementação da Diretiva.
vas Associações e a participação em seminários e workshops, que um pouco por
o mesmo já não sucede com as normas
todo o país vêm sendo realizados.
europeias harmonizadas, porquanto são in-
Quanto às Normas EN 81-20 e EN 81-50,
dispensáveis à presunção da conformidade
elas foram elaboradas pelo Comité Eu-
dos produtos com os requisitos essenciais
ropeu de Normalização (CEN) e adotadas
Consciente da importância do tema, e pro-
de segurança ou saúde de uma determina-
como Normas nacionais, existindo de mo-
curando chamar a atenção dos operado-
da diretiva e condição para o seu reconhe-
mento apenas na versão francesa, inglesa
res económicos nacionais com sentido de
cimento pelos mercados, pelas entidades
e alemã, línguas oficiais do CEN. No entanto,
oportunidade, o IPQ realizou recentemente
fiscalizadoras e, finalmente, pelos consu-
a CT 63 já incluiu no seu plano de ativida-
- no passado dia 15 de junho - um seminário
midores no Espaço Económico Europeu.
des para este ano a elaboração da versão
sobre o tema, com um balanço final fran-
portuguesa destas duas Normas que, como
camente positivo e está disponível para
Deve ter-se em conta que as normas euro-
é consensual, são de extrema importância
retomar o tema com novas iniciativas no
peias harmonizadas são elaboradas pelos
para o setor.
futuro.
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