Breve introdução à metrologia - 1.ª parte

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Breve introdução à metrologia

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Manuel dos Santos Pais

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1.ÂŞ Parte

NOTAS SOBRE ESTE TEXTO 1. NĂŁo ĂŠ intenção do autor apresentar nesta Introdução um trabalho sistematizado, ou organizado de modo estritamente didĂĄctico. Todavia, o autor deseja ajudar o leitor a interrogar-se e a buscar um aprofundamento dos seus conhecimentos e competĂŞncia na compreensĂŁo da Metrologia; 2. Esta Introdução nĂŁo estĂĄ centrada, nem dĂĄ relevo Ă Tecnologia MetrolĂłgica, ou vertente instrumental e metodolĂłgica da Metrologia, apesar da importância desta vertente; 3. Por motivo da formação do autor, mas sem perda de generalidade, os exemplos e as referĂŞncias apresentados nesta Introdução sĂŁo frequentemente do âmbito da Metrologia GeomĂŠtrica, ou Metrologia Dimensional; 4. Os termos ou expressĂľes assinalados com asterisco ( medição*, por exemplo) estĂŁo deďŹ nidos no VIM (VocabulĂĄrio Internacional de Metrologia)[1]; contudo, sĂł alguns termos (do VIM), e sĂł nas primeiras citaçþes, serĂŁo assinalados com asterisco. Quando ĂŠ uma expressĂŁo que o autor quer assinalar com asterisco, a mesma expressĂŁo ĂŠ sublinhada (unidade de medida*, por exemplo); 5. Os termos (metrolĂłgicos) rasurados (precisĂŁo, por exemplo) nĂŁo devem ser usados por serem desaconselhados, ou nĂŁo constarem no VIM [1], ainda que alguns sejam tradicionais, expressivos e correntes; 6. Alguns termos, por serem expressivos, comuns e correntes, mas ambĂ­guos, serĂŁo apresentados a itĂĄlico (qualidade, por exemplo); algumas expressĂľes e termos, para destaque, serĂŁo tambĂŠm apresentados a itĂĄlico (Com que cuidados?, por exemplo); 7. O sĂ­mbolo “/â€? tanto poderĂĄ representar o sinal de divisĂŁo aritmĂŠtica, como signiďŹ car alternativa (distância/deslocamento, por exemplo) 8. As propostas de pesquisa, reexĂŁo, ou leitura, no ďŹ m de cada secção, destinam-se a proporcionar ao leitor a oportunidade de aprofundar e tornar mais rigorosos os seus pensamento e informação metrolĂłgicos: ter dĂşvidas ĂŠ saber; 9. Apesar do cuidado do autor, poderĂĄ ocorrer, nesta Introdução, um ou outro erro, gralha, ou incoerĂŞncia; 10. O autor (ainda) nĂŁo escreve segundo o Novo Acordo OrtogrĂĄďŹ co.

1. PREĂ‚MBULO Medir ĂŠ um processo com propĂłsito, nĂŁo ĂŠ desinteressado – a pesagem, no mercado, entre outros objectivos, destina-se a determinar a quantia que o cliente deverĂĄ desembolsar. Medir tem custos, nĂŁo ĂŠ gratuito – um funcionĂĄrio medidor (em muitos casos, metrologista ĂŠ termo exagerado) consome parte do seu tempo a medir e usa um instrumento adquirido para fazer mediçþes. Medir tem consequĂŞncias, nĂŁo ĂŠ irrelevante – a medição da alcoolemia de um condutor poderĂĄ levar Ă sua detenção. Medir dĂĄ um resultado inambĂ­guo, igual em toda a parte, nĂŁo ĂŠ equĂ­voco – mediçþes bem feitas conduzem a resultados dentro

de um intervalo incontroverso. Medir ĂŠ um processo frequentemente banalizado, mas nĂŁo ĂŠ banal – a leitura, ou indicação* dada por um instrumento poderĂĄ nĂŁo ser correcta, ou ter de ser analisada/criticada, processada e composta, ou integrada com outras leituras, ou indicaçþes. Nas mediçþes, sĂŁo pertinentes e frequentemente necessĂĄrias as respostas Ă s seguintes perguntas, entre outras: medir: O quĂŞ? Num objecto hĂĄ geralmente um nĂşmero indeďŹ nido de grandezas mensurĂĄveis; Por quĂŞ? Pode evitar-se a medição e os respectivos custos? Para quĂŞ? Qual ĂŠ o objectivo, ou propĂłsito de cada uma das mediçþes? Com quĂŞ? HĂĄ, frequentemente, vĂĄrios instrumentos, ou sistemas de medição, disponĂ­veis para uma medição. Que instrumento usar? Medir o comprimento de ďŹ bras que integram um material compĂłsito ĂŠ diferente de medir tecidos para a confecção de vestuĂĄrio. Num grande nĂşmero de casos, em que nĂŁo hĂĄ critĂŠrios, ou imposiçþes explĂ­citos e especĂ­ďŹ cos para a medição, mede-se com os intrumentos de medição que estiverem disponĂ­veis e com os quais o medidor estĂĄ mais familiarizado; Como? De que modo se deve apresentar o objecto ao instrumento? Com que procedimentos? Por quem? Um especialista em pesagem de batatas estarĂĄ habilitado para a pesagem de ouro? Quando? Uma peça metĂĄlica acabada de sair da moldação onde solidiďŹ cou – acima da temperatura ambiente – poderia ser medida para efeito de controlo? Quantas vezes? O diâmetro de um cilindro deve ser medido em cima, em baixo, ou a meio? Ou nas trĂŞs secçþes do cilindro?! A que intervalos (de tempo)? A que intervalo se deve medir a glicemia de um paciente? Em que condiçþes? Num laboratĂłrio de Metrologia Dimensional, as mediçþes deverĂŁo ser feitas a 20 ÂşC. Com que custo? No custeio de um produto, qual ĂŠ o valor imputĂĄvel Ă s mediçþes? Com que exactidĂŁo, ou rigor? Exige-se mais rigor no LaboratĂłrio de FĂ­sica do que no mercado dos gĂŠneros alimentĂ­cios. Com que cuidados? É necessĂĄrio, por exemplo, nivelar uma mĂĄquina-ferramenta antes de iniciarmos o seu controlo geomĂŠtrico/metrolĂłgico. Com que formação (do medidor, ou do metrologista)? Um agrimensor estarĂĄ habilitado para medir a rugosidade de uma superfĂ­cie metĂĄlica? PoderĂ­amos fazer ainda mais perguntas pertinentes e relevantes sobre cada processo de medição, contudo, as perguntas acima terĂŁo mostrado ao leitor a especiďŹ cidade e complexidade do processo de medição. Todavia, sĂł para algumas pessoas com necessidades especĂ­ďŹ cas de medir ĂŠ que algumas destas perguntas fazem sentido, ou tĂŞm signiďŹ cado e relevância. [Proposta de reexĂŁo: Quantas, quais e com que propĂłsito fez mediçþes, hoje?]


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