Skip to main content

grupo Knauf promove conferência com Carrilho da Graça

Page 1

reportagem

ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

grupo Knauf promove conferência com Carrilho da Graça Construir, demolir, reciclar para construir de novo. O conceito de economia circular promove a valorização económica do que até aqui era ‘lixo’ da construção. ‘Desconstrução’ é agora a palavra que lidera o léxico da sustentabilidade. Uma conferência em Lisboa debateu o tema. texto e fotos por Carlos Alberto Costa

62

O Grupo Knauf promoveu em Lisboa uma conferência dedicada a temas de arquitetura sustentável. O evento realizado no dia 23 de fevereiro no Museu Fundação Oriente, tinha como orador principal o arquiteto João Luís Carrilho da Graça, autor, entre outros projetos de grande visibilidade, do novo terminal de cruzeiros de Santa Apolónia, na zona portuária da capital. “Lisboa, a arquitetura e a sua envolvente” foi o tema da intervenção de Carrilho da Graça, que começou por descrever as diferentes densidades geomorfológicas da cidade e as diferentes fases de ocupação urbana, e apresentou depois alguns dos projetos da sua autoria, incluindo o já emblemático terminal de Cruzeiros que, apesar de ainda não estar em funcionamento, é já descrito como um dos mais funcionais da Europa e o mais seguro do mundo. Carrilho da Graça explicou que o conceito inicial do projeto a concurso era criar um parque urbano verde público em redor de um edifício que correspondesse a altos padrões de eficácia funcional. O arquiteto juntou a essa determinante funcional “uma forte ligação ao uso público” e a aspetos que demonstrassem afinidade com a cidade. Inspirando-se em Pardal Monteiro, o arquiteto que concebeu alguns dos mais conhecidos edifícios lisboetas, como o Instituto Superior Técnico, o Hotel Ritz, ou as gares marítimas de Alcântara e Rocha Conde de Óbidos, Carrilho

da Graça idealizou o acesso público à cobertura, bem como possibilidades de uso para o espaço que não meramente a circulação de passageiros que desembarcam ou embarcam nos navios de cruzeiro. “Certo dia quando descia do Castelo de São Jorge e parei no miradouro das Portas do Sol, pensei que esta sensação que a cidade nos dá de uma espécie de anfiteatro virado para o rio, podia ter como contraponto um edifício que fosse também um pequeno anfiteatro. Este foi para mim o ponto de partida”, contou Carrilho da Graça. O terminal de dimensão não intrusiva incorpora um miradouro de onde a vista alcança a cidade para um lado, e o amplo espelho de água que é o Mar da Palha, para o outro. Uma extensa passerelle suspensa por pilares acompanha toda a parte central virada para o rio, oferecendo harmonia ao conjunto arquitetónico.


PUB.

O arquiteto descreveu detalhes das escavações e da obra e falou ainda de um outro projeto em que esteve envolvido, este em Genebra, na edificação de uma escola de música e auditórios. “Este era o edifício de menor dimensão entre todos os que foram a concurso, mas com isso obtivemos a redução das necessidades de climatização, reduzindo muito o consumo energético, e propusemos como contraponto geotérmico a água de um tanque de marés entretanto incorporado no projeto”, explicou o arquiteto. Um dos aspetos técnicos mais interessantes da obra foi a utilização de um betão inovador, incorporando pó de cortiça para o tornar mais leve e corantes para conseguir a aproximação cromática ao betão convencional. Carrilho da Graça foi também o autor da renovação do Campo das Cebolas, igualmente na zona ribeirinha da cidade, próximo do Terreiro do Paço. No decorrer da sua intervenção na conferência, o arquiteto descreveu detalhes das escavações e da obra e falou ainda de um outro projeto em que esteve envolvido, este em Genebra, na edificação de uma escola de música e auditórios. Para além da vida útil A conferência contou igualmente com intervenções de Carmen Lima, Aline Guerreiro, João Marcelino, Paulo Moreira, Pablo Maroto e Oscar del Rio. Carmen Lima, coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, abriu o evento com uma intervenção sobre a importância da gestão de resíduos, salientando a importância de conceber e construir os edifícios a pensar no futuro, antecipando impactos que ultrapassam a sua vida útil. “Temos aprendido ao longo dos anos que não podemos olhar para os resíduos como lixo, mas devemos vê-los como uma oportunidade. O conceito de desenvolvimento sustentável foi sendo substituído por um outro, que é o conceito de economia circular, que nos convida a olhar para os resíduos como um recurso valorizável, ou seja, a substituir um processo linear por um processo circular”, referiu a oradora. “A escolha de materiais é muito importante, pois temos que nos preocupar com os impactos para os utilizadores. A substituição de tais materiais numa renovação, por exemplo, deve ser uma oportunidade de gestão. Numa demolição convencional acabava tudo misturado no vazadouro, agora há que cumprir critérios e obrigatoriedades de recolha seletiva de resíduos em obra, de os encaminhar para operações de reciclagem e de valorização. Temos uma meta comunitária de 70% de reutilização ou de reciclagem para atingir até 2020. Depois, existem outras metas que já estão em vigor no caso das empreitadas públicas, como o facto de ser obrigatório recuperar em obra pelo menos 5% de materiais reutilizáveis ou recicláveis”, explicou Carmen Lima. “Nos últimos 20 anos temos vivido os impactos ambientais da má gestão de resíduos e estas perspetivas de reutilização e seleção criteriosa são recentes, mas é um desafio que além de procurar soluções sustentáveis procura também soluções passíveis de reutilização dos materiais”, concluiu a responsável da Quercus. A importância da desconstrução Aline Guerreiro, Coordenadora do Portal da Construção Sustentável (PCS), falou sobre a “Economia Circular na Arquitetura” e em particular de desconstrução, o processo construtivo de desmontagem


reportagem ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – GRUPO KNAUF PROMOVE CONFERÊNCIA COM CARRILHO DA GRAÇA

Knauf em alta no mercado nacional “A presença da Knauf em Portugal desde 1993 tem crescido de forma sustentada, temos atualmente uma estrutura com dois delegados, no Porto e em Lisboa, e o objetivo é basicamente ir crescendo com um produto de qualidade, não por preço. O valor acrescentado dos nossos produtos é um compromisso com uma arquitetura sustentável”, explica à ‘renováveis magazine’ Pablo Maroto, Diretor de Marketing da Knauf. Falando sobre as tendências de mercado em Portugal e Espanha, Pablo Maroto considera que “a crise recente afetou os dois países mas o que estamos vendo agora é que Espanha está a crescer moderadamente e Portugal está a crescer de forma intensa.” “Diria que em Espanha estamos a falar de um crescimento de 6 a 7% e em Portugal de 15% a 16%, ou seja, mais do dobro. Por outro lado vamos introduzindo novos materiais que se vão diferenciando da concorrência. Temos produtos de qualidade com uma forte componente de inovação e com um forte valor acrescentado. Já não é apenas a placa básica, mas produtos de grande capacidade em termos de isolamento acústico ou outros que acompanham as necessidades de uma arquitetura mais global, mas sobretudo sustentável”, refere o Diretor de Marketing da Knauf, admitindo que os negócios no mercado português possam ultrapassar, este ano, as expectativas mais otimistas. A Knauf é uma referência mundial no fabrico de placas de gesso laminado e produtos para a construção em seco. A empresa dispõe atualmente de mais de 150 filiais nos 5 continentes, contando com cerca de 26 mil trabalhadores.

do edificado que tem como objetivo principal recuperar ao máximo os materiais de forma a ser possível reutilizá-los ou reciclá-los para uma posterior utilização. “A maior fatia da origem dos resíduos está associada à construção nova, a remodelações ou ampliações. A taxa de reciclagem desses resíduos na Dinamarca, Alemanha, Irlanda e Holanda está acima dos 90%, na Bélgica e Áustria entre os 60% e os 70%. Em Portugal não ultrapassa os 40%, por isso ainda há muito caminho a fazer nesta área”, lamentou Aline Guerreiro. Aline Guerreiro considera que “a desconstrução deve começar a fazer parte do vocabulário dos arquitetos, deve ser encarada como uma forma de criar valor, promovendo uma construção sustentável e gerando benefícios económicos por via de um mercado dinâmico para os materiais usados”. “Os desafios que se colocam nesta área estão muito dependentes das orientações governamentais, nomeadamente por via legislativa, desencorajando o uso de materiais não recicláveis, criando apoios financeiros para a desconstrução e aumentando a consciência pública sobre os seus benefícios”, referiu a Coordenadora do PCS. Casas eficientes João Marcelino, Presidente da Passivhaus Portugal, a associação criada para a implementação e desenvolvimento do conceito ‘Passive House’ em Portugal, explicou as linhas gerais de aplicação e certificação de um conceito construtivo que define um padrão de elevado desempenho 64

e eficiência energética (com reduções anunciadas de 75% face a edifícios convencionais), saudável, confortável, economicamente acessível e sustentável. “Falta de ventilação adequada, excesso de humidade ou deficiente desempenho térmico” foram algumas das caraterísticas negativas salientadas pelo orador no parque habitacional em Portugal, paradoxalmente num país com um dos climas mais amenos da Europa. O código construtivo Passive House implica parâmetros específicos para o isolamento da envolvente do edifício, janelas e portas, sistema de ventilação com recuperação de calor e elevada estanquidade ao ar da envolvente do edifício. Há, atualmente, mais de 60 mil edifícios com certificação Passive House em todo o mundo e as duas primeiras unidades em Portugal estão situadas em Ílhavo. Indústria circular A intervenção de Paulo Moreira, um dos responsáveis comerciais da Knauf em Portugal elencou algumas das soluções sustentáveis da empresa que apresenta um portefólio que “vai muito além dos materiais de construção.” A gama é diversificada, desde as placas de gessos laminado, em fibra, cimento ou lã, isolamentos, perfis e fixações, massas, gessos e pastas. A Knauf está também presente na área das embalagens para as indústrias alimentar, automóvel e eletrónica. “Temos um grande compromisso com a sustentabilidade e o nosso negócio baseia-se, também,

num ciclo de produto que começa com a extração da matéria-prima e a preocupação que temos em minimizar a pegada ambiental nesses locais, nomeadamente reflorestando as minas. Na fábrica temos uma gestão eficiente, uma logística integrada, tentamos que os nossos materiais tenham o mínimo possível de materiais de embalagem, na instalação em obra damos formação para evitar os desperdícios, preocupamo-nos com a desinstalação, tentamos que os nossos produtos sejam recicláveis quase a 100% e estamos a trabalhar para que, num futuro próximo, haja possibilidade de reintroduzir esses desperdícios no processo de produção”, explicou Paulo Moreira. A Knauf foi o primeiro fabricante de placas de gesso a obter o cer tificado de ecodesign (Norma ISO14006) que certifica que a empresa adotou um sistema de gestão para identificar, controlar e melhorar os aspetos ambientais relacionados com os seus produtos. Oscar del Rio, Diretor-Geral da Knauf Insulation Iberia, uma empresa do Grupo para o segmento de coberturas, revestimentos e isolamentos térmicos e acústicos, falou de isolamento sustentável e coberturas verdes.

“O nosso objetivo é fornecer soluções sustentáveis de qualidade para estar, cada vez mais, perto das pessoas”, referiu o gestor. Um dos produtos estrela da Knauf Insulation é o sistema de cobertura ajardinada “Urbanscape”, concebido especialmente para os telhados verdes em áreas urbanas residenciais, não-residenciais e industriais. Leve, fácil de instalar, com elevada capacidade de retenção de água, este sistema constituído por uma membrana anti-raízes, drenagem com ou sem reservatório de água, um substrato de lã mineral de rocha original patenteada e uma camada de vegetação – tapete de relva, é aplicável para a construção nova e reabilitação de edifícios.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
grupo Knauf promove conferência com Carrilho da Graça by cie - Issuu