Principais aspetos sobre manutenção para sistemas industriais
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Luís Pires lpires@inete.net INETE – Instituto de Educação Técnica
dossier sobre linhas de produção e a sua manutenção
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A globalização dos mercados, a gestão dos custos e o aumento da capacidade de resposta levam a manutenção a adotar um melhor desempenho, qualidade e serviços. Assim, o departamento de manutenção tem uma importância vital no funcionamento da empresa, do ponto de vista da conservação dos bens físicos, através de um contínuo serviço de monitorização dos bens, sabendo que sem manutenção adequada não há ganhos de produtividade.
estratégicos de manutenção. Os vários
favorecer a produção com a redução
tipos de manutenção, como a preven-
de custos. A combinação das várias
tiva, corretiva, condicionada, sistemá-
dimensões traduzir-se-á em políticas
tica, diferida, são determinantes ao
de manutenção mais adaptadas às
nível estratégico na empresa, sendo
diferentes situações. As políticas de
que os parâmetros que influenciam
zero avarias ou de funcionamento até
de uma forma direta, a manutenção
à avaria são dois exemplos a aplicar
e a produção, são o cumprimento dos
na política de manutenção. As políti-
prazos, o estado do equipamento e a
cas de zero avarias estão diretamen-
avaria total e parcial.
te relacionadas com a manutenção, com base na qualidade, sendo que a minimização dos defeitos dos equipa-
2. ESTRATÉGIA DA MANUTENÇÃO PARA SISTEMAS INDUSTRIAIS
mentos é obtido com o processo de melhoria contínua, através da análise
A manutenção deverá ser gerida,
dos parâmetros de fiabilidade e ma-
orientada e definida num plano estra-
nutibilidade. O objetivo de reduzir os
tégico, sendo que a estratégia refere-
custos, com as paragens das linhas de
-se aos planos para alcançar objetivos.
produção devido a avarias, é consegui-
Definir a estratégia é uma opção que
do através da fiabilidade, manutibili-
1. IMPORTÂNCIA DA MANUTENÇÃO
resulta num conjunto de orientações
dade e disponibilidade das peças em
práticas para as várias ações que se
serviço e em stock.
A manutenção oferece uma contri-
devem realizar.
buição indireta na adição de valor aos
O processo de manutenção é efi-
produtos e serviços que uma empresa
ciente, quando se consegue comparar
disponibiliza no mercado. O aumento
os desempenhos reais com os desem-
3. OBJETIVOS DA MANUTENÇÃO PARA SISTEMAS INDUSTRIAIS
das tecnologias emergentes nos equi-
penhos esperados. Esta estratégia
Os objetivos da manutenção de-
pamentos, eletrónica, informática e
de manutenção tem como objetivo
vem ser definidos tendo em conta a
automação levam a maiores exigências e desafios para os técnicos de manutenção. A competitividade entre as empresas tem levado a que sejam
Objetivos da Manutenção
tomadas medidas estratégicas de manutenção. A performance nos processos de manutenção contribui para
Necessidade de Produção
Novos Produtos
melhorar a segurança, interação com o ambiente, os índices de qualidade, a redução de custos operacionais e o atendimento. As atividades de gestão são fator determinante na estratégia
Tipos de Equipamento
Estratégia
Idade dos Equipamentos
Recursos Humanos
Condições dos Equipamentos
Recursos Materiais
e, consequentemente, nas responsabilidades de manutenção onde são Políticas
implementadas, através de conceitos
• Manutenção equipamentos • Subcontratação • Recursos Humanos • Formação de ativos • Investimento em manutenção • Novos projetos • Stock
rigorosos, do planeamento, auditorias, do controlo, supervisão da manutenção, dos métodos de organização. Assim como a inspeção, a manutenção de rotina, reparação, localização da falha, modificação são parâmetros
Figura 1.
Novos Equipamentos
λ = (n.º avarias)/(tempo total de funcionamento) (3)
FP = FA ∙ FB ∙ RC ∙ …..FN (5)
MTBF = 1/λ (4)
A fiabilidade do sistema em paralelo é calcula através da expressão (6).
Uma das estratégias da manutenção é garantir a substituição de componentes à medida que estes se avariam enquanto estiverem dentro do período
RP = 1 - FP (6)
dossier sobre linhas de produção e a sua manutenção
de vida útil. A fiabilidade possibilita a redução de custos de manutenção por base com a priorização das funções mais importantes do sistema, integrando
A base de um programa de fiabilida-
atividades estritamente necessárias para continuidade das mesmas e evitan-
de são as funções e padrões de de-
do o desperdício de tempo em ações de manutenção desnecessárias. A fiabi-
sempenho dos equipamentos, com
lidade pode ser direcionada por uma Failure Modes and Effect Analysis (FMEA),
a descrição das possíveis falhas, bem
dado que esta faz parte da base de trabalho onde se encontram definidas as
como das suas causas, consequências
funções, os padrões de desempenho dos equipamentos, com os seus modos
e ações que protejam ou mitiguem
de falha, determinam se as origens, as causas e consequentemente a critici-
estas ocorrências, sugerindo-se a Fai-
dade de falha nas linhas de produção, ajudando o programa de manutenção
lure Mode Effects and Criticality Analy-
mais adequado a adotar.
sis (FMECA) para reconhecimento dos
A determinação de intervalos ótimos entre as manutenções não é fácil de
modos de falha e definição da sua
definir porque deverá ser com base no histórico, taxa de avarias e custos de ma-
criticidade. Para melhor compreen-
nutenção preventiva. Na mesma linha da manutenção preventiva, a abordagem
são da fiabilidade, existem algumas
qualitativa tem sido preferida às abordagens quantitativas quando há falta de
falhas que são ocultas e múltiplas, as
dados históricos das bases de dados e de métodos estatísticos para interpretar
primeiras ocorrem quando a falha não
esses dados. Os aspetos qualitativos têm por alicerce a base de dados e expe-
é evidente para o operador, sendo que
riência profissional, procurando identificar o suporte quantitativo necessário a
o sistema permanece em funciona-
garantir fiabilidade, é fundamental que sejam desenvolvidos procedimentos que
mento até ao surgimento de uma se-
incluam abordagem prévia à estratégia de planeamento com inclusão da progra-
gunda falha em outro componente. As
mação de manutenção, considerando que este procedimento pode contribuir
falhas múltiplas ocorrem na sequência
para a redução de custos de manutenção e aumentar a disponibilidade, manuti-
de uma falha silenciosa, em que não
bilidade, eficiência de recursos e fiabilidade dos equipamentos.
se manifestam no sistema. Quando a
Um sistema mecânico é constituído por diversos componentes, os quais po-
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dem funcionar em série ou em paralelo.
ocorrência de uma falha está oculta, diminui a fiabilidade do sistema, po-
O sistema em série só falha caso um dos seus componentes eventualmente
dendo o equipamento perder a sua
avarie. A fiabilidade de um sistema com componentes em série é o produto da
funcionalidade a qualquer momento
fiabilidade de todos os componentes, conforme expressão (5), em que o bom
devido ao aparecimento de uma se-
funcionamento de todo o subsistema é fundamental para o sistema não avariar.
gunda falha. A utilização de métodos qualitativos para definição do tipo e período
Componente A
Componente B
Componente C
de manutenção mais adequado, os diagramas de decisão são utilizados na identificação em função do tipo
Figura 3.
de manutenção recomendada face RS = R A ∙ RB ∙ RC ∙ …..RN (5)
à informação recolhida através da falha, com as consequências e apli-
No sistema de componentes em paralelo a redundância é fator importante para
cabilidade das atividades de manu-
melhorar a fiabilidade de um sistema, no entanto adiciona algumas desvanta-
tenção. Através da análise de falhas
gens como o peso adicional, o espaço acrescido, o maior consumo de energia, o
pode-se determinar qual o compor-
aumento da complexidade e o custo elevado.
tamento das falhas desse equipa-
As redundâncias nos sistemas em paralelo podem-se diferenciar como re-
mento ao longo do tempo podendo
dundantes ativos e passivos. Nos ativos os componentes do sistema funcionam
assim definir o tipo de manutenção
simultaneamente entre si, podendo repartir a funcionalidade por ambos os sub-
mais adequado.
sistemas. Os redundantes passivos ou de reserva funcionam quando por qualquer motivo o sistema que está em funcionamento entra em avaria, passando o sistema a ser socorrido por outro subsistema após a falha.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁGICAS [1] Abdulrohim, S. A. et Al (2000). RCM Concepts and Application: A Case Study. Interna-
Componente A Componente B Componente C Figura 4.
tional Journal of Industrial Engineering, v. 7, n. 2: pp.123-132. [2] Dixey, M. (1993). Putting Reliability at the Center of Maintenance. Professional Engineering, Vol. 6, n.6, pp. 23-25.
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