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SABOR & SAÚDE

CEIA DE NATAL REGIONAL: CORDEIRO ENTRA EM CENA E SUBSTITUI O PERU

umlugar

O Oeste sob o olhar de Rui Rezende ECONOMIA & MERCADO

LIXO RECICLADO: CASAL SUPERA DISCRIMINAÇÃO E DÁ EXEMPLO DE EMPREENDEDORISMO

A F-1 QUE ME AGUARDE

Luiz Razia, piloto barreirense vice-campeão da GP2, sonha em fazer a festa dos brasileiros em uma modalidade que já deu muita alegria ao País

OUZA

R$ 9,99

ANO 2 - Nº 14 - DEZ /2012


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EDITORIAL

Ouza Editora Ltda.

, 1.111 - Sala 16 Av. Clériston Andrade (BA) - Centro - Barreiras Tel.: (77) 3611.7976

www. revist aa.ne

A cereja do bolo

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/2012 ANO 2 - Nº 14 DEZ O E DE DIRETOR DE REDAÇÃ

ARTE

2725/99) Cícero Félix (DRT-PB 6.4554 e 990 (77) 9131.2243 om sousa.cfelix@gmail.c IAL DIRETORA COMERC

Anne Stella

94 9123.3307 e 9945.09 il.com annestellax@hotma EDITOR

(77)

Anton Roos

9971.7341 m antonroos@gmail.co AÇÃO SECRETÁRIA DE RED (77)

Carol Freitas

15 8826.5620 e 8105.12 l.com freitas.caarol@gmai NICA EDITORAÇÃO ELETRÔ

(77)

Leilson Castro ILUSTRAÇÃO

Júlio César

EDIÇÃO DE ARTE

Klécio Chaves

A CONSULTORIA DE MOD

Karine Magalhães REVISÃO

Messias Rônei Rocha e Aderlan IMPRESSÃO

Gráfica Coronário Editora e TIRAGEM

4 mil exemplares

ATOS COMERCIAIS ASSINATURAS/CONT Barreiras 3 / 9123.3307 9906.4554 / 9131.224

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Barra

21

Helena: (74) 3662.36 Bom Jesus da Lapa

Gisele: (77) 9127.7401

es Luís Eduardo Magalhã41 / Rodrigo: (77) 9994.5981 1.73 85 / Anton: (77) 997 ia Vitór da a Mari a Sant 0 / 9939.1224 3483.1134 / 9118/ .112 Marco Athayde: (77) 4.6408 9161.3797 Rosa Tunes: (77) 980

Tizziana: (77) 9199.55

ua Portuguesa a Ortografia da Líng nas A r.A já obedece a Nov s conceitos emitidos pelo iliza sab pon res e não se colunas assinadas.

A

confeiteira prepara o bolo com carinho. Dedica-se a cobertura com esmero. Não perde nenhum detalhe. Do leite, ao açúcar e o chocolate. Nada passa ou é encarado com indiferença. É uma tarefa minuciosa, que exige atenção e cuidado. O bolo precisa ficar perfeito. Aflorar emoções. Sentimentos. Aguçar, tanto quem come, quanto quem apenas observa. Esta edição da r.A tem um pouco disso. É especial. Marca o aniversário de dois anos da revista. É a primeira fatia de um projeto ousado, feito com capricho para você. Revitalizamos o projeto gráfico e a identidade da r.A. Essa mudança representa o movimento natural das ideias, conexão com o mundo, com o debate em torno de design e de jornalismo para revista. Mas, não se trata de um projeto estanque. Temos muito a desenvolver e experimentar. No entanto, uma coisa é certa: a nova r.A está mais leve, mais sinuosa. Modelo provavelmente herdado inconscientemente da arquitetura de Oscar Niemeyer, que nos deixou recentemente às vésperas de completar 105 anos. Aliás, preparamos mais à frente uma singela homenagem ao mestre que, como Jorge Amado, adorava colocar a brasilidade feminina em suas obras. E Jorge Amado também é lembrado nessa edição. Ele e sua inquietação com a realidade social. Os contatos para trazermos o piloto barreirense Luiz Razia na capa começaram antes mesmo da edição de número 13, que trouxe a encantadora e divertida história da doutora, administradora e “ex-cantora” Isa Bessa. Razia sequer havia recebido o troféu de vice-campeão da GP2, muito menos começado os testes na Force India, no início de novembro. A Fórmula 1 estava distante e era encarada ainda como um “sonho”. Agora parece tudo encaminhado. O pai do piloto arriscou um “100% certo”´, mas não deu detalhes. Essa notícia seria a “cereja do bolo”. Até o fechamento desta edição não veio. Talvez agora, enquanto você passe os olhos pelas páginas dessa nova r.A, o futuro do nosso piloto na Fórmula 1 já esteja mais que definido. O que não diminui o valor da capa. O garoto merece! E tem mais! A partir desta edição o leitor vai conhecer o trabalho irretocável de Rui Rezende, baiano de Amargosa que já publicou três livros de fotografias e agora está preparando um exclusivo sobre o Oeste. Rui vai assinar a seção “Um lugar” até o lançamento do livro. É um trabalho fascinante. É dessa forma, portanto, cheio de novidades e de perspectivas para o próximo ano que encerramos o 2012. Uma ótima leitura e boas festas! Do editor


ÍNDICE 23 | A MISCELLANEA The Fevers: Garotões com 47 anos de estrada Filantropia: Atelier Interarte promove workshop e ajuda crianças carentes Desenrola a língua: por Aderlan Messias Morre Niemeyer: O “homem qualquer” O personagem: Vai uma graxa aí? Exclamação: por Karine Magalhães 36 | MODA HOMEM/ZHAGAIA 43 | ECONOMIA & MERCADO Artigo: Liderança inteligente, por Inês Coelho Empreendedorismo: Casal supera discirminação e dá exemplo 53 | SABOR & SAÚDE Ceia de Natal regional: Cordeiro entra em cena e substitui o peru Espumantes: Diferentes borbulhas 58 | ENTREVISTA: SÉRGIO MELLO “Sistema de energia mais confiável, apesar dos apagões” 62 | CAPA: LUIZ RAZIA “A F-1 que me aguarde” 69 | PERSPECTIVAS 2013 Em busca de novos rumos para o Oeste

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90 | GELO, LIMÃO E AÇÚCAR por Tizziane Oliveira

76 | UM LUGAR Rui Rezente: Gruta da Sopradeira, São Desidério

92 | SOCIETY

82 | CULT Artesanato: As exportações da Associação Caliandra, em LEM Amado, atual: A literatura de Jorge Amado para a realidade atual


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LEITOR C.FÉLIX

Canais e-mail: contato@arevistadabahia.com.br site: arevistadabahia.com.br facebook: Ouza Editora

Guardião da memória

Eu subo no palco e canto

“Adoro Dra. Isa, excelente pessoa e profissional. Capa mais do que merecida!” Betina Santrovitsch Possato “Admiro esta mulher. Filha, esposa, mãe, profissional competente e amiga!” Virgínia Figueirêdo de Andrade Castro

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“Só tenho que parabenizar ao amigo Professor Jairo Rodrigues pelo merecido título de “O legítimo Guardião e Protetor do acervo do Mestre Guarany”. Isso é inegável. Todos nós santamarienses, reconhecemos o zelo pelo qual Jairo tem demonstrado ao longo de tanto tempo pela preservação da memória e criação do futuro Museu do Mestre Guarany em nossa cidade.” Washington Antonio S. Simões

Desenrola a Língua “Gosto muito de você, Aderlan Messias, na r.A. Muito bom ter informações tão claras e divertidas.” Jussara Rocha

THE FEVERS Há quase cinco décadas na estrada, segunda banda mais antiga do Brasil faz show em Barreiras e conversa com equipe da revista

EDIÇÕES DIGITALIZADAS NO ENDEREÇO:

issuu.com/cicero_felix


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Redemoinhos, rodamoinhos, remoinhos, torvelinhos... foto/texto ANTON ROOS

De longe até parecia uma dança, um rebolado, um vai e vem. A espiral se contorcia e deixava escapar a fumaça, lá no alto. Era fogo o que ardia no chão do agronegócio, e o tempo, meio cinza, meio pá, querendo avisar, tão logo vem a chuva. Um pingo aqui outro ali e aquela pintura se desfazendo aos poucos, morrendo nas suas próprias curvas, no mesmo lugar que nasceu, cresceu e adeus.

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Outro clima foto/texto C.FÉLIX

O cinza sem graça, às vezes alarmante, toma outra matiz com a ameaça da chuva no fim da tarde na BR-242. Gaivotas bailam em bando no horizonte meio azulado, pastelado, anunciador, profetizador. Pontos delgados a borrar a cortina detrás. É um espetáculo ao ar livre, com os veículos na rodovia rasgando o background da natureza. Vem a chuva! A árvore acarvãozada pelo fogo recente se alegra. Será verde, viçosa, acolhedora. Pintura inexata às margens da BR. Traz outro clima a água, esta senhora despejadora de sonhos.

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euquero eu

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1 Linda Miami Sunset Des. Colônia 2 Fruteira em Inox 3 Kit Picardie O BOTICÁRIO (77) 3611.5467

BURITIS PRESENTES (77) 3611.8531 PROVANZA (77) 3611.1219

Feminina Manga Longa 4 Camisa Tutto Bella VALENTINE (77) 3611.0303

5 Sapato em Couro Zhagaia 6 Casinha Caverna ZHAGAIA (77) 3611.8270

PLANETA PET (77) 3628.5561

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miscellanea FOTOS: C.FÉLIX

eventos, design, tendência, moda...

FUNDADORES O guitarrista Liebert e o vocalista Luiz Cláudio são os únicos da formação original da banda

THE FEVERS

GAROTÕES COM 47 ANOS DE ESTRADA foto/texto C.FÉLIX

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nquanto a intolerância política da ditadura tentava a todo custo calar o grito de liberdade e a voz da democracia, seis jovens, na Zona Norte do Rio de Janeiro, mandavam brasa com suas guitarras eletrizantes, convocando “Vamos dançar o let kiss”. Era 1965. Nascia The Fevers, banda que daqui a três anos completa meio século de estrada. “É uma vitória muito grande continuar nos palcos durante todo esse tempo”, declarou o vocalista Luiz Cláudio antes do recente show no Bartira Fest, em Barreiras, produzido pela Nb3 Produções e Eventos. Luiz Cláudio, ao lado do contrabaixista Liebert, são os únicos da formação original. Miguel Ânglo, Rama e Otávio Henrique, completam a banda, que fez a moçada remexer as cadeiras, como diria Dorival Caymmi. Aliás, mais que cadeiras! Ombros, pernas, braços, cabeças! dez/2012

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O nome da banda foi inspirado na música “Fever”, de Elvis Presley, o Rei do Rock. The Beatles já havia estourado com “Love me do”, “All my loving”, “Help”, “Yesterday” e Rolling Stones fazia a cabeça da garotada. Definitivamente, uma tríade da música mundial que entrou para a história e influenciou toda uma geração. Assim aconteceu com The Fevers, segunda banda mais antiga do Brasil, atrás apenas de Renato e Seus Blue Caps. Veja ao lado, a conversa com Luiz Cláudio e Liebert:

Como é subir ao palco há 47 anos? Luiz Cláudio: Eu acho que a emoção é cada vez maior. Na realidade é uma vitória muito grande continuar nos palcos durante todo esse tempo. Não somente continuar nos palcos, mas conseguir emocionar as pessoas e ver novas gerações começando a se interessar pelo nosso trabalho. Famílias inteiras, pais e filhos curtindo o show com a mesma empolgação. A alegria é cada vez maior. Com tantos prêmios na mala, há algo que vocês ainda não conquistaram? Liebert: A gente está sempre conquistando, o dia a dia já é uma conquista. A gente está há 47 anos ininterruptos. Existem conjuntos que

fazem um período, param, depois voltam, e nós passamos esses 47 anos na estrada. Isso pra nós é uma motivação e estamos sempre conquistando coisas novas. É fácil fazer sucesso hoje? Luiz Cláudio: Eu acho que hoje é mais difícil. Primeiro que a indústria fonográfica praticamente faliu com a pirataria. Então você não tem mais aquele apoio de gravadora que tinha há 30 anos. Os programas musicais de televisão também praticamente terminaram. Hoje em dia, musical, às vezes, é inserção dentro de um programa. Por exemplo, o Faustão não é um programa musical, é um programa de variedades que, de repente, tem um musical. Não existem mais aqueles programas. Realmente o espaço diminuiu, está muito difícil. Há algo novo que influencia vocês? Luiz Cláudio: Dos novos é mais difícil, apesar de a gente não ser fechado aos novos. A gente gosta de muitos artistas novos. Mas a influência é aquela mesma de antes, a fonte que nós bebemos a galera está bebendo e vai continuar bebendo porque não muda nada não, continua sendo o grande caminho: o rock’n roll. Vocês já estão se preparando para a festa dos 50 anos? Liebert: A gente está pensando. Ainda temos dúvidas em algumas coisas. Mas a gente ainda tem tempo, tem esse tempo todo. Estamos decidindo...

GERAÇÕES Uma das raras bandas-baile da região se apresentou depois do The Fevers e manteve o nível da festa

EM BARREIRAS

Halloween com Live Groove e Outono’09 “O dia das bruxas” ou “Halloween”, tradicionalmente celebrado nos países anglo-saxônicos no dia 31 de outubro, chegou à Barreiras um dia depois. Mas não teve a menor importância. A festa no Lê Reve foi impecável, da decoração à escolha das bandas. O pop rock da banda brasiliense Outono ‘09 e o eletrônico “percussionado” da Live Groove, de Luís Eduardo, e os DJs Charles, Hora e Marsciano animaram a galera que, na sua maioria, trajava preto. Quem sabe a Halloween Party não vira tradição também por aqui. Certamente não vai faltar público. Mesmo com uma inesperada chuva do dia 01/11, o que acabou assustando uma galera que não teve coragem de sair de casa, o Lê Reve lotou.

DIA DAS BRUXAS Decoração e artistas fantasiadas fizeram o clima da noite ao som eletrônico e pop rock

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FOTOS: C.FÉLIX

PROMOTORES Aldo Sousa, Letto Simões, Dudu Nobre, padrinho do Sambarreiras, e o empresário Dubom, antes do show do sambista carioca no Bartira Fest

EVENTO

‘Sambarreiras’ é lançado em show de Dudu Nobre Projeto que deve reunir vários ritmos, principalmente o samba, foi lançado em Barreiras no último dia 30, durante show de Dudu Nobre no Bartira Fest. A notícia foi dada pelo empresário Dubom, que esteve no show do sambista carioca, padrinho do projeto. “Esse show é o pontapé do Sambarreiras, que deve acontecer em setembro”, contou. O evento, que tem em Barreiras os empresários Letto Simões e Aldo Sousa à frente, será realizado das 14h às 22h. O espaço será composto com vários palcos, cada um com estilo diferente. Agora é só aguardar.

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ROSA TUNES

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EM SANTA MARIA

PROJETO COM ESCOLAS PÚBLICAS RENDE LIVRO DE POESIAS Para a poetisa e arte-educadora Ana Helena Bomfim de Santa Maria da Vitória (em pé), a poesia e o hábito da leitura deveriam ser incentivadas nas escolas. É exatamente isso que ela tenta com o projeto “Livro que fiz poesia”, que acabou de formar sua segunda turma. A ideia é simples: usar a técnica de produção de fanzines e criação de poesias para envolver os estudantes das escolas públicas na produção de um livro. A primeira edição contou com 50 estudantes de escolas públicas das cidades de Santa Maria da Vitória, São Félix do Coribe e Jaborandi, no Oeste. Todas as poesias produzidas pelos alunos foram compiladas em livro. O projeto foi financiado pela FUNCEB (Fundação Cultural do Estado da Bahia) – Calendário das Artes. O sucesso da primeira edição do projeto se confirmou na segunda, finalizada no mês de dezembro. Três escolas foram contempladas. “Esse trabalho é a realização de um antigo desejo, através dele consigo contribuir com o desenvolvimento cultural de nossa região, permitindo que novas pessoas possam, de maneira autônoma, realizar a publicação de suas produções literárias. O fanzine abre esse precedente de multiplicação do saber”, explica a poetiza. O lançamento do segundo livro criado a partir do projeto ocorreu na primeira quinzena de dezembro.

FOTOS: CAROL FREITAS

EXPOSIÇÃO 8ª edição do evento contou com várias atividades, como mostras de filmes, oficinas, mesas redondas e palestras de sensibilização à causa negra

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FOTOS: MÔNICA LUIZA

EM LUÍS EDUARDO MAGALHÃES

Atelier Interarte promove workshop e ajuda crianças carentes O atelier de pintura Interarte de propriedade das artistas Léia Maria Puton e Noemia Schimitt (capa da edição nº 09 de r.a) em parceria com o pintor Silvio Duarte da Silva, mais conhecido como “Duarts” promoveu entre os dias 27 de novembro ,e 05 de dezembro a segunda edição do projeto “A arte fazendo a sua parte”. A ideia é aliar a arte à filantropia. No dia 27 de novembro uma aula destinada ao “Estudo das Rosas”deu início à programação. No dia 28 de novembro, o Hotel Solar sediou um vernissage com as obras pintadas no primeiro workshop realizado no mês de outubro. No dia 29 de novembro a mesma exposição foi aberta ao público. Ao longo de sete dias, quem compareceu à exposição e contribuiu com R$ 5, além de ajudar as crianças atendidas pela Associação dos Moradores do Aracruz (AMA) concorreu a duas telas sorteadas no dia 06 de dezembro. “Quando conhecemos a história daquelas crianças e o trabalho desenvolvido pela AMA achamos justo fazer algo do tipo, pois a associação ajuda um grupo grande de crianças carentes da cidade”, diz Léia. Uma terceira edição do projeto está prevista para o próximo mês de fevereiro.

FILANTROPIA Com o tema “A arte fazendo a sua parte”, projeto desenvolvido em parceria entre a artista Noemia Schimitt e Léia Puton (D), do Interarte, e Duarts vão ajudar crianças da Associação dos Moradores do Aracruz (AMA)

SEMANA DE CONSCIÊNCIA NEGRA

Falta de movimentos dificulta combate ao racismo na região

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m Barreiras, 70% das pessoas se declaram pardas ou pretas, mas não demonstram ligação com a cultura africana ou não desenvolvem atividades frequentes em prol da causa negra. Para disseminar mais a cultura africana, e despertar a consciência da população, aconteceu de 20 a 25 de Novembro, a 8ª Edição da Semana da Consciência Negra. O evento, realizado pela UNEB, UFBA, IFBA e Agência Desenvolvimento, contou com várias atividades como exposições, mostras de filmes, oficinas, mesas-redonda e palestras. Sandro Ferreira, um dos organizadores do evento, diz que falta apoio público e aceitação da população para acabar com os preconceitos em relação cultura negra. “A única festa que a gente ainda vê algum tipo de conhecimento da população é a festa de Iemanjá. Muitas pessoas

têm medo das referências do candomblé e acham que ir pra uma festa dessa, necessariamente, quer dizer que ela está entrando no candomblé. Isso, na verdade, não tem nada a ver. É uma manifestação cultural, bonita de se ver. É arte, é cultura, independente do aspecto religioso”, diz. Outro problema, segundo Sandro, é que não existe um movimento negro na região, o que dificulta mais ainda o processo de consciência e combate ao racismo. Apesar de não existir um movimento específico, existem militantes pela causa que estão dispostos a debater o tema, não somente em uma semana, mas cotidianamente. “A gente tá avançando nesse sentido. A cada ano que passa a gente percebe que mais pessoas vão se envolvendo na Semana da Consciência Negra e vão assumindo esse compromisso de se tornarem militantes da causa negra”, finaliza.

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miscellanea JORGE BARBOSA

SUBSEÇÕES DO OESTE

ANTON ROOS

OAB DE LEM E BARREIRAS ELEGEM NOVAS DIRETORIAS

AGRONEGÓCIO

Abapa e Aiba têm novas diretorias a partir de 2013

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ACELEM

ACELEM MANTÉM CARLINHOS PIEROZAN NA PRESIDÊNCIA

C.FÉLIX

As duas principais associações ligadas ao agronegócio na região oeste estão com novas diretorias. Tanto a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), quanto a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) começam 2013 com mudanças. Isabel da Cunha (foto) foi reeleita e se mantém na presidência da Abapa pelos próximos dois anos. “A Abapa já possui vários projetos e ações para atender aos cotonicultores da Bahia, mas pode mais e está buscando novas alternativas para atender as necessidades dos associados. Para isso também é importante que o associado participe mais ativamente dos assuntos da associação”, confia Isabel. A diretoria eleita é composta ainda por Paulo Jorge Mota, 1º vice presidente; Luiz Carlos Bergamaschi, 2º vice presidente; Celito Missio 1º secretário; Iris Ricardo Basso, 2º secretário; João Carlos Jacobsen Rodrigues, 1º tesoureiro; Celito Breda, 2º tesoureiro. Já a Aiba deve passar por mudanças mais significativas. A nova diretoria eleita terá como presidente o produtor Júlio César Busato, que será o terceiro presidente eleito da Associação, desde a sua fundação, há 22 anos. Busato sucederá Walter Horita. Completam a nova diretoria, Celestino Zanella (1º Vice-Presidente), Odacil Ranzi (2º Vice-Presidente), Marcio da Cunha (Diretor Administrativo), Franklin Akira Higaki (Vice-Diretor-Administrativo), Ildo João Rambo (Diretor Financeiro), Zirlene Luzia Dias Pinheiro (Vice-Diretor Financeiro).

Aconteceu no dia 22 de novembro , a eleição para as novas diretorias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para o triênio 2013-2015. Na subseção de Barreiras a chapa eleita foi “OAB Mais Forte Mais Atuante”, que teve como presidente a advogada Cristiana Matos Américo, vice-presidente Luiz Fernando Pedrosa e Silva. Em Luís Eduardo Magalhães, quem venceu a eleição foi o advogado Carlos César Cabrini, da chapa “Democracia e Trabalho”. Os eleitos serão empossados em janeiro de 2013. A diretoria da subseção da OAB de Barreiras ficou composta por: Cristiana Matos Américo (presidente); Luiz Fernando Pedrosa e Silva (vice-presidente); Maria Thereza Teixeira Bastos (secretário geral); Magno Gonçalves da Silva (secretário geral adjunto) e Jean Carlo Gonçalves Baldissarela (tesoureiro). Em LEM, por: Carlos Cesar Cabrini (presidente); Elvis Rigodanzo (vice-presidente); Patrícia Cardoso da Silveira (secretária); Olivério Gomes de Oliveira Neto (secretário-adjunto) e Evandro Slongo (tesoureiro).

A Associação Comercial e Empresarial de Luís Eduardo Magalhães (ACELEM) decidiu, em assembleia geral manter a atual diretoria no cargo pelos próximos dois anos. Serviu como mediador das eleições, o ex-presidente da ACELEM, Jair Francisco. Gil Arraes, diretor distrital do CDL, e Carlos Henrique, diretor do Serviço de Proteção ao Crédito, de Barreiras, prestigiaram o evento. Ficou assim composta a diretoria da entidade para o biênio 2013/2014: Carlinhos Piorezan, presidente; Francisco Pereira Neto, vice-presidente de Comércio; Uendel Hillebrand, vice-presidente de Indústria; Edivaldo Sales de Almeida, vice-presidente de Serviços; Milton de Almeida Queiroz, primeiro secretário; Alex Hermes, segundo secretário; Valter Araujo de Souza, terceiro secretário; Marcelo Piccolo, primeiro tesoureiro; Vanoli Kunts, segundo tesoureiro; José Canísio Liesenfeld, terceiro tesoureiro; Abel de Oliveira, diretor técnico; Telma de Oliveira Gomes, diretora de eventos.


Desenrola a língua

ADERLAN MESSIAS Professor Universitário. Licenciado em Letras Vernáculas (UNEB), Bacharel em Direito (FASB) e Especialista em Psicopedagogia (FASB).

decodetroia@hotmail.com decodetroia.blogspot.com

por ADERLAN MESSIAS

‘Não posso estar comparecendo’

É

chegado o final de ano e com ele amigos, colegas de trabalho, familiares se juntam para congratular os momentos felizes do ano que termina e comemorar o ano que se inicia. São as chamadas festas de fim de ano, e como de praxe não pode faltar o “amigo oculto”. Acontece que sempre tem um ou outro, sabe-se lá por qual motivo, não participa deste evento. Até aqui tudo bem, mas o pior é ouvir dele o seguinte: “Não posso estar comparecendo” porque “vou estar viajando”. Esta é de lascar, não achas, leitor? É preciso tapar os ouvidos para não sentir as agulhadas perfurando o nosso cérebro. Outro dia uma aluna do curso de Letras compartilhou no facebook uma charge que dizia o seguinte “Perco o amigo, mas não perco a correção gramatical”. Achei muito bacana esta fala. Claro que não vamos sair por aí corrigindo todo mundo. É preciso, mas antes de tudo, que seja humilde e reconheça a diversidade linguística, mas o que não dá mesmo é ver profissionais como educadores, advogados, médicos, dentre outros escorregando nesta perífrase. Não se sabe ao certo como surgiu no Brasil esta estranha forma de usar o verbo estar seguido de outro no gerúndio, já dizia professor Pasquale. O que se sabe é que ela tem se tornado cada vez mais comum, principalmente entre os profissionais de telemarketing e jogadores de futebol. Para piorar tudo de vez, o falante não se contenta com esta dupla e forma um trio ‘parada dura’ acrescentando outro verbo, como perceptível na fala que abre esta coluna “Não posso estar comparecendo”.

Tem gerundista aí que jura que fala chique. “Jesus, Maria, José!” Cuidado, este cacoete está na fala e na escrita de muitas brasileiros

Seria tão simples se o amigo apenas dissesse com dois verbos: “Não irei comparecer” ou ainda com um único verbo: “Não comparecerei”. Dessa forma, transformaria o gerundismo crônico enfadonho em uma comunicação prática e objetiva. Há quem diga que as novelas brasileiras, quando transmitidas em Portugal, foram repudiadas pelos nossos irmãos além-mar, isso porque o gerúndio [não estou falando do crônico] não é predominância na fala deles. Tom Jobim, em uma de suas canções, canta a gosto dos nossos irmãos portugueses: “É de manhã, vem o sol, mas os pingos de chuva que ontem caiu ainda estão a brilhar, estão a dançar, ao vento alegre que me traz esta canção. [...]” Os termos “estão a brilhar” e “a dançar” não é comum entre os brasileiros. Nós usamos mesmo “estão brilhando”, “estão dançando”. Espero que não me interprete mal ao citar este exemplo. Não estou aqui defendendo os portugueses, até porque nós temos uma cultura linguística que precisa ser preservada. Porém, ressalto que na linguagem padrão é necessário que se policie para não cair na arapuca do gerundismo crônico que tem deixado muitos candidatos a uma vaga de emprego fora do mercado de trabalho. Para terminar, registro ainda dois exemplos que acredito que você, leitor, tenha vivenciado. Sabe aquele caixa eletrônico de uma agência bancária em que você precisa sacar um dinheiro e antes deste procedimento você é obrigado a ler as informações? Olha só o que ele diz: “Cuidado, alguém pode estar olhando a sua senha!” Sabia que fui até a agência para falar disso? Louco, eu sou, enfim... [rs]. Disseram que corrigiriam [e não vão estar corrigindo], mas até agora, nada. É bom, assim fica como exemplo para as minhas aulas. O outro se refere a uma mensagem no celular enviada pela operadora do serviço. Você já ficou sem crédito?Pois é! Eu também! Por isso já recebi a seguinte mensagem “Para poder continuar falando, insira novos créditos.” É a cara da pobreza, mas já passou [rs]. Acredite! Tem gerundista aí que jura falar chique. Como diz a personagem Doroteia da novela “Gabriela”: “Jesus, Maria, José!” Cuidado, este cacoete não está somente na fala, mas na escrita de muitos brasileiros. Caia fora! Fuja dele! Um Feliz Natal e um Ano Novo de muita Paz. Sem gerundismo, é claro!

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miscellanea LUTO

E foi-se o ‘homem qualquer’

Nasce em 15 de dezembro, no Rio de Janeiro, filho de Oscar Niemeyer Soares e Delfina Ribeiro de Almeida.

15 de dezembro de 1907

Morre, aos 104 anos, Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro. Ele tinha obra por vários países, foi o nome mais influente na arquitetura moderna e pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado. texto REDAÇÃO

N

a semana em que o arquiteto Oscar Niemeyer nos deixou, aos 104 anos, uma carta escrita em 1987, quando completou 80 anos, pedindo a um amigo, também arquiteto, que preferia o anonimato à realização de uma festa para comemorar seu aniversário, foi novamente publicada. Nela o cara que projetou Brasília, revela a simplicidade de quem se dizia um “homem qualquer”. No texto datilografado, Niemeyer também se coloca como não merecedor das comemorações. “Primeiro, é um problema de consciência. Afinal, muitos brasileiros que por maiores feitos os mereciam, não as receberam.” “Na verdade, meu amigo, passei pela vida como outro homem qualquer. Nada de excepcional. Os mesmos problemas de trabalho e subsistência, de sonhos, tristezas e fantasias”, escreveu. “Meu desejo hoje é passar meu aniversário em completo anonimato. Data que, a meu ver, não deve entusiasmar ninguém”. Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares nasceu no Rio de Janeiro em 15 de dezembro de 1907. Formou-se em 1934 pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e foi o nome mais influente na arquitetura moderna. Pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, por esse motivo Niemeyer ganhou grande fama nacional e internacional. Seus trabalhos mais conhecidos são os edifícios públicos que projetou para a cidade de Brasília, embora possua um grande corpo de trabalho desde sua graduação pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1934. A luta política foi uma das questões que sempre marcaram a vida e obra de Oscar Niemeyer. Em 1945, já um arquiteto conhecido, conheceu Luís Carlos Prestes e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). O arquiteto emprestou a Prestes a casa que usava como escritório, para que este montasse o comitê do partido. Sempre foi um forte defensor de sua posição como stalinista. Durante alguns anos da ditadura militar do Brasil autoexilou-se na França. Niemeyer se diz ainda apaixonado pela arquitetura. “Se trabalhei muito foi por ter como ofício um trabalho que me atraiu e apaixonou pela vida afora e se o desempenhei a contento foi porque o destino para isso contribuiu”, diz em outro trecho da carta. Em mais de 70 anos de carreira, o arquiteto Oscar Niemeyer, morto às 21h55 desta quarta-feira, 05 de dezembro, teve cerca de 200 projetos realizados em diversas partes do Brasil e no exterior. Nos dias que permaneceu internado, embora centenário, Niemeyer ainda tinha tempo para pensar no trabalho e em novos projetos. Sua mente estava à frente do que seu corpo podia suportar. O gênio descansou.

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Meu nome deveria ser Oscar Ribeiro Soares ou Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, mas prevaleceu o nome estrangeiro e acabei conhecido como Oscar Niemeyer. Minhas origens são muitas, o que me agrada particularmente: Ribeiro e Soares, portugueses; Almeida, árabe; e Niemeyer, alemão. E isso sem levar em conta algum negro ou índio que, sem o sabermos, também faça parte da nossa família. Pela memória vou recordar a casa das Laranjeiras, percorrê-la outra vez, lembrar como nela vivíamos, rindo ou chorando como o destino obriga. Ali nasci, cresci e me casei com Annita. Nela nasceu minha filha Anna Maria. Era uma casa assobradada, com seis janelas na fachada, tendo no frontispício as iniciais RA, do meu avô Ribeiro de Almeida.” OSCAR NIEMEYER em seu site oficial WWW.NIEMEYER.ORG.BR


CROQUIS vs OBRAS 1947 Sede da ONU Nova Iorque (EUA)

O médico Fernando Gjorup, amigo do arquiteto, fez o anúncio oficial. “Oscar Niemeyer vinha, desde ontem, apresentando sinais nos exames laboratoriais de piora e infecção respiratória. Hoje pela manhã, apresentou insuficiência respiratória, teve que ser entubado, ventilado por aparelho, e agora à noite ele não tolerou e veio a falecer às 21h55. Ele não falava sobre morte. Nunca falou. Ele falava em viver”.

FOTOS: REPRODUÇÃO

1958 Congresso Nacional Brasília

FERNANDO GJORUP médico amigo do arquiteto, em reportagem para bom dia brasil (rede globo)

1972 Centro Cultural Le Havre (França)

1993 Museu de Arte Contemporânea Niterói (RJ)

104 anos 5 de dezembro de 2012

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miscellanea O personagem

Vai uma graxa aí? Aos 17 anos, Fábio chama atenção por onde passa. Influenciado por um francês de passagem por Luís Eduardo Magalhães, o engraxate viu sua rotina mudar da água pro vinho depois que adotou o terno e a gravata como uniforme de trabalho. Apaixonado por carros esportivos, quer ter um Maverick G7 vermelho, igual de Elvis Presley, sonha em trabalhar como operador de máquinas agrícolas, e além do inglês quer aprender o italiano: “Acho bonito como eles falam” fotos C.FÉLIX texto ANTON ROOS

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pôr do sol sempre esteve longe de ser sinônimo de fim de expediente para Fábio. No nome ele carrega ainda o Santos e o Silva. Fábio Santos da Silva. Com a caixa de engraxate nas costas faz uma parada em um dos bares de maior movimento de Luís Eduardo Magalhães. É terça-feira e logo todas as mesas estarão ocupadas. Engana-se, no entanto, quem acha que Fábio está com fome ou vontade de beber alguma coisa. Na verdade, ele procura clientes. Sabe que a noite, às vezes, pode lhe render gratas surpresas. Um homem de fala engraçada se prontifica. Enquanto se ajeita para começar a engraxar o sapato do sujeito, é bombardeado com uma série de perguntas. Tem vontade de rir, afinal, a maneira como o homem fala é diferente do que está acostumado a ouvir. Ricardo é o nome do cliente. É francês. Está de passagem pela cidade. - Você é comunicativo, tem boa desenvoltura, se andar mais arrumado sua renda vai aumentar – diz o francês, com a língua toda embolada. Fábio é um jovem sonhador. Começou a trabalhar com seis anos, tão logo chegou a Luís Eduardo Magalhães vindo de Ibotirama, distante 299 km. Quando chegou morava com uma tia no bairro Santa Cruz, o mais populoso da cidade. Foi ela quem lhe ensinou os valores e a importância do trabalho para a vida de um homem. A mãe só veio mais tarde, o pai, alcoólatra, quase não vê e diz não sentir falta. “Ele continua em Ibotirama”, diz, sem se alongar muito. A loja de roupas masculinas estava quase fechando. Faltava pouco para oito da noite. Sem hesitar, Ricardo retira da carteira o cartão de crédito e compra um terno, uma camisa, uma gravata e um sapato para Fábio. De lá os dois vão para o hotel onde o francês está hospedado. Fábio toma um banho, veste a roupa nova e sorri ao se ver no espelho.

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- Amanhã começa uma nova vida para você, Fábio – diz o homem de sotaque esquisito. Era dezembro. O ano: 2011. A mudança no visual não tarda a surtir efeito. O celular do jovem engraxate começa a tocar com frequência. Pessoas lhe param na rua, agendam horário para engraxar seus sapatos. Em menos de um mês a renda passa de R$ 150 para R$ 700. “Sou muito persistente. Se eu fosse um cara como outros da minha idade poderia ficar em casa assistindo televisão. Mas não, prefiro trabalhar, quem sabe mais ali na frente não consigo algo melhor”, revela o jovem que no último mês de outubro completou 17 anos. O novo visual chama atenção. A mudança radical o torna exemplo. Ele não é mais um simples engraxate. É reconhecido. Alguns o chamam de Michael Jackson, outros de “Black Style”, e ainda há aqueles que o confundem com um evangélico. - Paz do Senhor – dizem, para a pronta resposta de Fábio: “‘Paz do Senhor pra você também’. Procuro ser educado”, confidencia.

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Fábio é um apaixonado por tecnologia, máquinas agrícolas e carros esportivos. “Posso passar a noite toda falando sobre isso”, conta o jovem que um dia sonha em trabalhar como operador de máquina em alguma fazenda da região. “Gosto daqui, não quero ir embora, sei da importância da agricultura para a cidade, quero fazer parte disso”, justifica. Para a sua garagem, o engraxate de terno e gravata não é nenhum pouco econômico. “Meu sonho é ter um Maverick G7, vermelho. Elvis Presley tinha um desses, a diferença é que o dele era branco com listras pretas”, comenta Fábio, dono de uma pequena coleção de revistas sobre carros na casa em que mora com a mãe e o irmão, dois anos mais novo. Nas portas do guarda-roupa, outra paixão: a Ferrari. A famosa marca italiana é também inspiração na hora de escolher os idiomas que quer estudar. Embora ainda esteja cursando o 7º ano do ensino fundamental, Fábio não pensa em largar os estudos. “Ano que vem quero ver se consigo fazer inglês e italiano”, confessa. A revelação causa estranheza. Por que não o francês, idioma da pessoa que mudou sua vida quase um ano antes. Aos risos o jovem responde: “Se fosse pra falar francês eu ia rir o tempo todo. Eles falam muito engraçado”, diz as gargalhadas. Fábio quer um dia conhecer Nova Iorque, a cidade que viu em uma das sequências do filme “Velozes e Furiosos”. Antes, porém, o jovem de traços negros faz planos. Quer um futuro melhor para ele e a família, em especial a tia que o acolheu há mais de dez anos e a mãe. “Muitos jovens tem oportunidade pra trabalhar, mas não tem vontade pra conquistar alguma coisa. Eu sou diferente, procuro um objetivo maior, quero ser alguém e ganhar o meu, de maneira limpa”. Começa a chover. Fábio se apressa. Nem tanto, ainda há tempo para tentar um último cliente: - Senhor, com licença, vai uma graxa aí?

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Exclamação

KARINE MAGALHÃES é consultora de moda, trabalhou na renomada Maison Ana Paula e nas lojas Rabo de Saia, Chocolate, Mary Zide (todas em Brasília) e também em cerimoniais com Cristina Gomes.

Facebook: karine.beniciomagalhaes Twitter: @ituau_Karine

por KARINE MAGALHÃES

Inspiração na obra de Oscar Niemeyer! Pingente Catedral Metropolitana - Grifith

Vai de grunge e chinelo, réveillon na praia

FOTOS: KARINE MAGALHÃES

Danillo Portella

Natal ultra clássico! Glauria Melo - Pérola and Gold Camila Winter - Cropped Camila Winter - Pérola and Black

FOTO: LÁZARO RESENDE

DebateFashion Vamos festejar a chegada de 2013 de maneira poderosa!

REPRODUÇÃO

Oito produções para brilhar nas grandes festas com estilos diferentes!

Márcia Witer, Thaila Ayala e Camila Winte

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SO FIS TI CA DO O editorial de moda masculina da Zhagaia traduz um jeito elegante e casual de se vestir. Homens modernos precisam ter peças-chave em seus cabides. Com elas é possível ir da reunião a uma viagem de negócio ou de lazer. fotos C.FÉLIX texto KARINE MAGALHÃES

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Os blazers da estação têm formas modernas, estão mais alinhados e justos no corpo. Camisa slim cai bem com a calça social e gravata, como também com calça jeans e tênis. Calça jeans, aliás, é clássica, atemporal e pode ser usada com tudo. Propostas criadas com o espírito de aventura e liberdade sem perder a sofisticação, seguindo as tendências da moda internacional.

FICHA TÉCNICA LUÍS CÉSAR modelo// SOCORRO ZHAGAIA produção/looks// C.FÉLIX fotografia// ZHAGAIA loja// KARINE MAGALHÃES consultora de moda//

ZHAGAIA MENSWEAR Barreiras Rua Profª Guiomar Porto, 145 Pça. Castro Alves (77) 3611.8270 Shopping Center Rio de Ondas (77) 3612.3737 Luís Eduardo Magalhães Rua Clériston Andrade, Qd. 19, Lj. 16 Centro (77) 3628.5914 Vitória da Conquista Shopping Conquista Sul (77) 3083.9493 Site: zhagaia.com.br Facebook: Zhagaia Menswear Use o QRCode para ver outros ensaios e conhecer a loja

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INFORME PUBLICITÁRIO

Utrassonografia, um método de diagnóstico versátil A ultrassonografia é um método que utiliza ondas sonoras de alta frequência para formação da imagem, com aplicação diagnóstica na detecção e exibição da energia acústica refletida de interfaces dentro do corpo, não apresentando riscos ou danos ao paciente. Considerado um exame médico importante e versátil, é de fácil acesso, inclusive com baixo custo de aquisição e manutenção quando comparada aos demais métodos de diagnóstico por imagem. Contudo é necessário que haja qualificação e experiência do profissional que realizará o exame, já que é operador-dependente. As indicações deste método são inúmeras, desde exames motivados por check-up, até para controle de patologias já tratadas, podendo ser avaliadas diversas estruturas do corpo. O Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) disponibiliza estrutura, aparelhagem moderna e médicos Radiologistas habilitados para executar com acurácia as ultrassonografias dos diversos segmentos corporais, aliando bem-estar dos pacientes e dos profissionais solicitantes a melhores resultados.

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economia&mercado & &mercado CARREIRAS, CONSUMO, NEGÓCIOS, GESTÃO, ETC.

ARTIGO

Liderança inteligente texto INÊS COELHO*

“Fascinação pelo mesmo e arrogância: duas armadilhas de altíssimo risco para a liderança.”

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ritmo atual dos negócios exige a obtenção não só de resultados rápidos e consistentes, mas também inovadores. Nesse cenário, os gestores são os responsáveis diretos por alcançar metas cada vez mais arrojadas. Em um de seus cursos de liderança - A Arte de Liderar e os Valores para uma Performance Harmoniosa -, Mario Sérgio Cortella, notável palestrante, filósofo e Doutor em Educação pela PUC/SP, reforça que não basta ser uma autoridade, tem que participar! Um líder humilde que ouve seus liderados está atento às mudanças do mercado e consegue ser inspirador a ponto de elevar a sua equipe, além de direcionar seus colaboradores para tomadas de decisões mais centradas. Os resultados são uma consequência do ambiente orquestrado pelo líder. Um líder inteligente foca no ambiente organizacional e nas pessoas que o compõem, atingindo infalivelmente o conjunto de metas da empresa. Com a sua peculiar maestria, Cortella também faz considerações substanciais sobre liderança e humildade em dois capítulos do seu livro “Qual é a Tua Obra”. Entre outras valiosas observações, o autor lembra do perfil de alguns líderes que conhecemos, que se supõem sabedores, conhecedores e iluminados. Seriam estes, líderes seguros, preparados e inspiradores? Muito pelo contrário. Conforme ele, travam qualquer processo tanto para o líder quando para o liderado. Pessoas que só têm certezas são incapazes de crescer e a expressão “não sei” é sinal de absoluta inteligência. Quem acha que já sabe tudo é incapaz de aprender qualquer coisa, incapaz de renovar-se, apostando sempre no mesmo. Guardadas as devidas diferenças entre tradicional e arcaico, diante da contestação “mas está dando certo”, ficam as perguntas: Será? Comparado a quê? Até quando? Estamos vivendo em tempos dinâmicos, de rápidas transformações. Todos querem um grande presente, um grande futuro, mas muitos, por arrogância e apego às suas certezas, terão apenas “um grande passado pela frente” - frase impactante que intitula o referido capítulo. Percebe-se então, a boa liderança e a arrogância como coisas totalmente antagônicas e a humildade, por sua vez, atrelada à liderança de forma positiva e potencializadora. Cabe aqui distinguir humildade de subserviência. Uma pessoa subserviente se curva a tudo e a todos, aceitando sem questio-

namentos o que lhe é apresentado. De forma contrária, uma pessoa humilde questiona as situações de forma ampla, revê tranquilamente as próprias práticas, sabe ouvir, pedir ajuda, perguntar, analisar e percebe quando é preciso mudar ou adaptar seus projetos. Portanto, o bom líder é humilde, tem dúvidas, questiona e vai além do mesmo. Será que já nos demos conta do quanto nossas dúvidas podem nos levar para frente? Quando conseguimos perceber as dúvidas como virtudes, somos levados a descobrir novos caminhos, a planejar com cautela, a aceitar desafios, explorar, buscar conhecimentos e a aprender com a experiência do outro. Cortella conta, em uma de suas palestras, que em suas viagens pelo Brasil e mundo afora, antes de embarcar no avião, muitas vezes o piloto põe-se na entrada da aeronave dando as boas vindas aos passageiros. Ele, então, costuma perguntar ao piloto: “Você tem medo de avião?” Se o piloto responder que sim, ele segue viagem tranquilamente. No entanto, se o piloto responder “não, imagine, não teria cabimento, já faço isso há 20 anos!”, aí a viagem será de uma insegurança total. Ele explica que: quando a gente tem medo fica em alerta, estuda, avalia e reavalia nosso potencial, instrumentos e ferramentas, checa tudo minuciosamente e deixa todos os sentidos de prontidão, num nível de tensão necessário para o sucesso. Caso contrário, o excesso de confiança e a consequente falta de zelo representariam altos riscos para acidentes, muitas vezes irremediáveis. Enfim, Mario Sérgio Cortella costuma contribuir com reflexões contundentes e significativas, ampliando e aprofundando conceitos sobre liderança e inúmeros outros temas ligados ou não ao mundo corporativo. Neste recorte, pudemos aproveitar um de seus principais pensamentos sobre liderança: “Reconhecer o desconhecimento sobre certas coisas é sinal de inteligência e um passo decisivo para mudanças rumo ao sucesso.”. *INÊS COELHO é Coach Life & Executive com Certificação Internacional In Coaching-ICI -RJ / Psicopedagoga e Mestranda em Ciências da Educação no Distrito Federal (Brasília)

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ediado na cidade de Barreiras há 23 anos, Arroz Tio Mário é parceiro da Volvo de longas datas, sendo seu, o primeiro Volvo VM vendido em Barreiras em 2004. Com estrutura fabril de 15.000m², a beneficiadora de arroz e feijão e fábrica de sacaria beneficia impressionantes 600 toneladas por mês atendendo o mercado do oeste baiano e sul do Piauí. Gerando 35 empregos diretos, gera receita e riqueza para a cidade e região. Atualmente, com 7 caminhões, sendo 3 Volvo que inclui os recém-adquiridos modelos FM 370 e VM 270, o simpático empresário Mário Jaskulski, conhecido apenas por Tio Mário destaca “o conforto ao motorista e ótimo desempenho”, além do atendimento

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de pós venda “que é um diferencial” como decisivos na escolha dos produtos Volvo. Praticidade, excelente atendimento e ótima localização da concessionária são pontos destacados pelo empresário para a decisão de compra dos caminhões. “Para o ano de 2012, fizemos um grande investimento em renovação de frota” destaca o empresário e proprietário Mário Jaskulski e ainda afirma que uma das grandes características da marca Volvo que satisfazem sua área de atuação é a disponibilidade do veículo. “Sempre posso contar com os veículos Volvo, nunca param, exceto para revisões. São muito econômicos e robustos.”


economia&mercado & &mercado ABAPA

Sistema vai registrar toda negociação de algodão em pluma A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) quer que o produtor registre suas informações de compra e venda. Para tal está implantando em todo país o Sistema de Informações de Negócios com Algodão em Pluma (Sinap). O novo sistema busca ter 100% das negociações registradas, o que é importantíssimo para termos uma visão de futuro do comércio de algodão. De posse desses dados, o produtor terá parâmetros para seus negócios e também teremos números mais confiáveis para poder cobrar políticas públicas para nosso setor, confia Sérgio De Marco, presidente da Abrapa. Hoje, apenas cerca de 35% das negociações são feitas via corretores credenciados junto a BBM. O novo sistema foi apresentado para os produtores de algodão da região oeste no dia 22 de novembro em Luís Eduardo Magalhães, pelo administrador do banco de dados da Abrapa, Allan Pequeno, pelo gerente de operações de mercados físicos da BBM, Cesar Henrique Bernardes Costa e o presidente da Junta de Corretores da BBM, João Paulo Lefévre. Para o produtor de algodão que efetuar venda direta, sem corretor, a Abrapa será responsável pelo pagamento dos registros de negociação. O custo será de 0,05% sobre o valor do negócio cadastrado. A medida visa aumentar a adesão do número de registros de negociações feitas pelos produtores diretamente com os compradores no novo Sinap. Os produtores podem acessar o Sinap pela página inicial do site da Abrapa (www.abrapa.com.br). O sistema foi desenvolvido pela parceria entre a Abrapa, A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) e a BM&F Bovespa. BAHIA FARM SHOW

BFS: 80% de stands comercializados para o próximo ano Restando ainda seis meses para a próxima edição da Bahia Farm Show, maior feira de tecnologia agrícola e negócios do Norte/Nordeste, 80% da área de exposição do último evento no Complexo Bahia Farm Show já foi comercializado. O crescimento, segundo a organização, gira em torno de 15% e 20%. A Bahia Farm Show 2012 será realizada de 28 de maio a 1° de junho, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste do estado. Dentre os espaços já vendidos, estão quatro pistas de test drive, uma a mais que no ano passado. Nelas, Ford, Nissan, General Motors e Volkswagen colocarão à prova suas estrelas. As pistas são projetadas pelos engenheiros das montadoras para testar ao extremo as condições dos veículos em terrenos hostis. Para o coordenador geral da Bahia Farm Show, e diretor executivo da Aiba, Alex Rasia, o ritmo de vendas sempre acelerado comprova a importância e a consolidação da feira, uma das cinco maiores do calendário nacional de mostras do gênero. “São nove anos de aprendizado e aperfeiçoamento, e hoje a Bahia Farm Show é reconhecidamente uma das mais bem estruturadas feiras de tecnologia agrícola do Brasil”, diz Rasia, lembrando que todo o crescimento em área no Complexo vem acompanhado de benfeitorias, de modo a manter o padrão em toda a extensão do parque. Os 15% a 20% de crescimento implicam necessariamente investimento em infraestrutura de asfalto, meio-fio, eletricidade e hidráulica, além de paisagismo”, afirma o coordenador.

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economia&mercado & &mercado EMPREENDEDORISMO

Recompensa,

apesar da discriminação

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de novembro de 2012. Feriado da Proclamação da República. São 4h15 quando Zé Antônio levanta da cama. Está um breu. Ele acende a luz e coloca água no fogo. Faz um pouco de café. Logo vai voltar a fazer mais, quando o restante do pessoal acordar. Moram nove nos pequenos cômodos da casa ainda sem pintura e piso. Zé Antônio pensa na filha Claudeíse, de 20 anos. Está no quarto mês de gravidez e ontem foi hospitalizada. Valdenice Belina, sua mãe, está ao seu lado. Chegou ao hospital às 17h30 e agora espera Zé Antônio, que deve trazer outra filha para ficar com Claudeíse, que não pode ficar só. Quando Zé Antônio chega, por volta das sete da manhã, Valdenice explica que “a menina está bem. Vomitou muito, mas está bem”. Agora, os dois vão descarregar um caminhão de papelão recolhido nas ruas, residências e condomínios de Barreiras. Assim, começa mais um dia na vida do casal Zé Antônio e Valdenice Belina, que há algum tempo descobriu o valor das “coisas imprestáveis”. E como!

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Tudo começou quando Valdenice Belina decidiu sair pelas ruas de Barreiras para coletar lixo reciclável, mesmo contra a vontade do marido, Zé Antônio. Hoje, o casal vive de negociar com o que é inservível para muitos e faturam até R$ 3 mil por mês. Já construíram casa, compraram carro, caminhão e sonham em ver um filho ou neto na faculdade fotos/texto C.FÉLIX


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é Antônio decidiu dar outro rumo a sua vida, depois de conversar com a mulher. Estava cansado de Jacobina, queria ares novos nos pulmões, outras perspectivas. Vendeu a geladeira por R$ 200, ficou com R$ 50 e deu o restante para Valdenice, que foi morar com os filhos em Várzea Nova. “Era 3 de abril de 2003, dez e meia da noite”, lembra Zé Antônio do dia em que chegou a Barreiras. Sem ter para onde ir, passou a noite no terminal rodoviário, com apenas R$ 12 no bolso. Pela manhã, localizou um amigo, que lhe deu apoio. Conseguiu um emprego de motorista de caminhão, mas não se adaptou na empresa e pediu as contas no segundo mês. Foi visitar a família. Três dias depois retornou a Barreiras. Alguém havia conseguido para ele um emprego de tratorista em uma fazenda, onde não demorou muito; mas, logo arranjou outro emprego e chamou o restante da família para Barreiras. Valdenice foi à Câmara dos Vereadores de Várzea Nova pedir ajuda para viajar. Foi informada que em alguns dias ia sair dali uma carreta para a cidade de Luís Eduardo Magalhães. “Se a senhora quiser pode pegar carona”, disseram. Quando Valdenice chegou a Barreiras, com sua mãe e os filhos, encontrou Zé Antônio desempregado outra vez, o que não era novidade. Vivia em um constante entra e sai de emprego. Que era trabalhador, era, mas não parava

em emprego. Quem sabe se investissem em um negócio próprio, aproveitar aquela disposição de Zé Antônio para trabalhar em algo dele, gerido e administrado por ele?

Venderam a casa que tinham em Jacobina e montaram uma mercearia na Vila Brasil. Vendiam de tudo (estivas, cereais, frutas, verduras), e fiado, o que desmantelou o negócio. Abriram, então, um bar no Jardim Ouro Branco. De novo deram com os burros n’água. Persistentes, partiram para venda de leite em domicílio. O negócio ia bem, ganhavam em torno de R$ 90 por dia. Tinham até a sensação de que haviam acertado o tino para o comércio, para a gestão de negócios, quando o fiado, silencioso e traiçoeiro, arruinou mais uma vez o plano empreendedor do casal. O fiado é uma prática comum no comércio, principalmente no da periferia, e acontece a partir de uma relação de confiança entre consumidor e varejista. “Muitas vezes a relação negocial se confunde com a amizade e cordialidade entre esses agentes econômicos. Daí causa prejuízo e, muitas vezes, não só financeiro, abala a relação social entre as partes”, explica o consultor e mestre em economista Ernani Sabai. “É preciso ter muito cuidado!”, alerta. Cuidado que, provavelmente, Zé Antônio e Valdenice não tiveram.

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aldenice começou a coleta seletiva de lixo quando ainda vendia leite. “A gente num precisa disso, não!”, resmungava Zé Antônio, que às vezes gritava com a mulher. “Donde já se viu?! Ficar mexendo em lixo, separando esses troços! Pra quê? Pra ganhar centavos?”. “Era uma renda a mais”, pensava Valdenice, sem dar ouvidos ao marido. Uma hora ele ia mudar de opinião, ia ver a importância dos centavos. Eles não queriam comprar um lote? Construir uma casa? Sair do aluguel? Já estavam há dois anos em Barreiras e tudo dava para trás. Vai que aquela era a oportunidade que eles buscavam! Afinal, as oportunidades estão onde menos se espera. Todas as tardes, Valdenice empurrava um carrinho pelas ruas dos bairros Morada da Lua, Flamengo e Vila Nova. Inspecionava o lixo nas calçadas, separava o que era plástico, papelão, alumínio e ferro e enchia até quatro carrinhos por dia. Era desgastante. Chegava em casa exaurida e cada vez mais convencida de que era preciso muito mais que músculos para empurrar aqueles carrinhos e cutucar lixo

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COMEÇA O EXPEDIENTE Após descarregar um caminhão de papelão no depósito de um dos compradores, eles “começam a trabalhar”, como diz Zé Antônio. Para ele o batente inicia na rua, quando começam a cutucar lixos e atender os “clientes”

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diariamente. “Tem que ter muita força de vontade. A gente é muito discriminado. Mas, na frente, é recompensado”. E Valdenice tinha razão. Foi assim que o casal comprou um terreno, construiu a casa, adquiriu caminhão e carro de passeio. “Quando chegava ao final do mês, eu juntava 400, 500 reais, fora o dinheiro dela. Com esse dinheiro eu pagava o lote, comprava os blocos e ficava até dez horas da noite levantando a minha casa, com candeeiros acesos de um lado e do outro. Quando comecei a catar lixo reciclável com ela tive tempo pra construir a minha casa”. Zé Antônio descobriu e percebeu, enfim, aquilo que Valdenice já havia constatado: o que era jogado fora, considerado inservível para muitos, era servível, moeda, renda, produto valioso. Era matéria-prima de um negócio lucrativo e em expansão em vários municípios brasileiros. Nos últimos 10 anos, o número de municípios que operavam o programa de seleta de lixo passou de 192 para 766, revela pesquisa do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem). Ainda é pouco. Esse número representa apenas 14% das cidades brasileiras. A esperança é que com a Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, essa realidade mude. A questão é: quando? “Aqui no Oeste, por exemplo, apenas São Desidério protocolou no Ministério do Meio Ambiente o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos”, garantiu Adalberto Costi, vice-presidente do Instituto de Gestão e Planejamento de Estado (Igplan). O problema é que sem esse plano os municípios ficam impedidos de receber recursos da União destinados a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana, por exemplo. Enquanto isso, algumas iniciativas privadas vão dando destino ao lixo reciclável. Anderson Castro, por exemplo, administra uma empresa em Barreiras que prensa e embala papelão e pets. Por mês, ele exporta 40 toneladas de papelão e 15 toneladas de pet. Com ele, mais quatro empresários comercializam esse material. Ainda tem os que compram alumínio, ferro, cobre. Aliás, o cobre gerou o maior montante para a compra do terreno e construção da casa de Valdenice e Zé Antônio, homem em constante movimento, naturalmente inquieto, em uma busca incessante pelo o que fazer.

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HORA DE SELECIONAR Depois de despejados os “bigs bags” (grandes sacos) no quintal na frente da casa o lixo é separado e preparado para venda. Valdenice recebe ligação de um cliente mas não para. Abaixo ela mostra os sacos com roupas que são comercializadas no bazar. Com o neto, Zé Antônio mostra a máquina de datilografar que ganhou. “Está com as pernas enganchando. Mas vou consertar”

Mal mudaram para a casa ainda sem porta, ele botou na cabeça: “a gente tem que ter um carro”. Tinham uma poupança de R$ 5 mil, mas se dessem de entrada na compra de um carro ficariam sem reserva. Então, Valdenice pegou um empréstimo de R$ 5 mil no banco em nome da mãe e deram de entrada em um Fiat Uno. Com a poupança fizeram algumas melhorias na casa e guardaram o restante. Findo o empréstimo e o financiamento do carro, Zé Antônio começou a sonhar com um caminhão. Mas como? Uma coisa sabia: era preciso passar pelos primeiros degraus para chegar ao topo da escada. Resolveu comprar outro carro - e sem entrada! Futuramente, venderia os dois carros e pronto! Estava ali a entrada para comprar o caminhão. “Deus faz tudo na hora certa. Eu tinha uma ação contra a Embratel de um telefone que colocaram no meu nome. Um telefone que eu nunca tive! A gente ganhou a ação e eu fiquei com R$ 11 mil. Foi uma alegria! Paguei umas coisinhas e fiquei com dez mil. Peguei emprestado três mil com Anderson Castro e ficamos com 13 mil. Dei o Uno por 7 mil e fizemos 20 mil. Daí dei de entrada num caminhãozinho, que custou R$ 25 mil. O que faltou, nós dividimos em cinco cheques de mil reais”, explicou Zé Antônio, contente por não ter se desfeito do outro carro. Com o caminhão, o comércio do casal ganhava nova perspectiva. O volume de lixo reciclável recolhido passou a ser maior, e o trabalho e a renda também. Através do apoio de uma senhora, Valdenice começou a fazer a coleta de porta em porta, em residências, condomínios, empresas. “São os meus clientes”, diz gratificada, feliz por ter arranjado aliados, ciente da importância daquela atividade para a cidade e para o bem-estar da convivência coletiva. “Eu acho


que nós contribuímos: o pessoal que junta e liga pra gente ir buscar ou separa e coloca na calçada, o pessoal que compra. Eu acho que a população deveria ser mais consciente. Mesmo se eu não trabalhasse com isso eu não jogaria um papel no chão, não colocaria o cachorro pra fazer coco na rua. É uma visão humana”. Essa opinião de Valdenice confirma pesquisa realizada pela Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável e o governo federal, divulgado em maio deste ano, com o subtema “Mulheres e tendências atuais e futuras do consumo no Brasil. A mulher ocupa posição central e estratégica na mudança do padrão de consumo e como grande liderança para a sustentabilidade. Características femininas como cuidado com a família e com seu entorno facilitam. “O olhar sobre o todo, sem perder a percepção dos detalhes é apontado como uma vantagem feminina. A mulher, especificamente da Classe C, teria essa característica bastante apurada e, exatamente por isso, a coloca à frente em sua comunidade, no papel daquela que influencia e mobiliza”, diz o relatório, acrescentando uma ressalva: não é só do gênero feminino a responsabilidade de transformar os hábitos.

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esde 2006 que Ney Mar, catador amigo de Zé Antônio, e outros colegas, também catadores, vêm tentando fundar uma cooperativa. Agora, já está legalmente constituída. Precisam ainda de licença ambiental e alvará da prefeitura. Mas, sem sede própria, equipamentos e ajuda do poder público, a cooperativa não pode oferecer condições para integrar e fortalecer os catadores autônomos como Zé Antônio e Valdenice. Hoje, o casal fatura em média R$ 3 mil por mês. Isto porque não tem depósito, prensa e ainda vendem certos produtos abaixo do preço de mercado. O quilo de alumínio, vendido por eles recentemente a R$ 2,10, foi pago pela indústria recicladora em outubro por R$ 2,87, em média, conforme tabela da Associação Brasileira do Alumínio. Essa diferença, defendem alguns empresários, é reflexo da própria cadeia produtiva do lixo reciclado. Em Barreiras, por exemplo, ela começa no catador, passa pelo primeiro comprador na cidade, depois por compradores de Brasília e Goiânia até chegar ao comprador da indústria recicladora. Quem menos ganha, nesse processo, é o catador. “A gente levanta por volta das seis da manhã pra descarregar o caminhão e depois saímos pra trabalhar. Almoçamos meio-dia, descarregamos o carro novamente e umas três horas voltamos pra rua. Só paramos às oito, nove horas. De manhã a gente sai pelos bairros. À tarde e à noite pelo Centro. Ela sai de manhã, na frente, com o carrinho de lixo, e eu vou atrás recolhendo, no caminhão”, explica Zé Antônio Com o tempo a atividade de catar lixo gerou outros negócios para o casal. “Tem muitos meios de ganhar dinheiro, se você tiver criatividade”, diz um Zé Antônio sábio, com rosto marcado pelo tempo. Os “clientes” do casal passaram a doar roupas usadas, móveis velhos, panelas, aparelhos eletrônicos. Tiveram a ideia de montar um bazar com esses produtos em Barreirinhas, no domingo, e em Baianópolis, na sexta-feira. “A nossa renda é feita de vários trabalhos diferentes. Teve uma feira que a gente fez uma renda de R$ 1.177 só de coisas usadas”, lembra Valdenice, ressaltando que nem tudo do que eles ganham ou acham é negociável, e “tem muita gente precisando também, daí a gente doa muita coisa”. Com esse novo olhar sobre aquela modalidade de produtos recolhidos, Zé Antônio colocou em prática competências que não ima-

FACULDADE Zé Antônio e Valdenice estudaram até a 3ª série, mas sonham em um dia ver um filho ou neto na faculdade. “Nós já corremos atrás de todo jeito. Na hora de fazer o vestibular eles desistem”, conta Valdenice

ginava ter. Consertar televisão, liquidificador, aparelho de som, passou a ser quase uma rotina. Cutucava aqui, ali, mexia para um lado, para outro. Pronto! O aparelho começava a funcionar. Assim vendeu várias TVs. Aliás, a TV e o aparelho de som de sua casa um dia foram condenados ao esquecimento. Hoje, fazem a alegria da família, no centro da sala. “A gente faz sabão com óleo, consertamos fogão, fazemos água sanitária. Eu já vendi água sanitária na rua, detergente, desinfetante. Eu não tenho vergonha de vender nada na rua”. A disposição de Valdenice impressiona. Aliás, ela é a primeira a levantar da cama, e não vê a hora de comprar um lote para construir um depósito. “Quero deixar minha casa mais limpa, arrumadinha”. Enquanto o desejo dela não se realiza, as big bags se acumulam na frente da casa, cheias de lixo reciclável. A separação é feita duas vezes por semana, ali mesmo. Tudo é feito de forma muito rudimentar, sem luvas ou botas, por toda a família. E pensar que tudo isso começou em 1983, quando Zé Antônio e Valdenice se casaram, com 19 e 14 anos respectivamente. Da união nasceram Valdicléia, Edicléia, Claudenice, Claudeíse e Eleize. E como se não bastasse, adotaram o menino Roniclécio, que havia sido abandonado pela mãe. Ninguém queria a criança. As dobras das pernas e braços estavam em carne viva. Comovidos, Zé Antônio e Valdenice adotaram o menino, que hoje tem 14 anos. Do casamento de quatro filhas foram gerados cinco netos. “Nosso sonho é ter um filho (ou um neto, quem sabe!) na faculdade. Nós já corremos atrás de todo jeito. Na hora de fazer o vestibular eles desistem. Nós dois estudamos até a 3ª série, queríamos ter uma formatura. Não tivemos oportunidades. Graças a Deus descobrimos outras oportunidades na vida”, reflete Valdenice.

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epois de sete dias hospitalizada, Claudeíse retornou para casa. “Hospital é coisa ruim. A gente só fica pensando em besteira. Graças a Deus está tudo bem com ela e com a criança”, diz Zé Antônio. Agora é esperar cinco meses para celebrar o nascimento de mais um Silva.

Contatos: Zé Antônio e Valdenice 9195.5113/9815.3640/8119.3886

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sabor&saúde GASTRONOMIA, ENOLOGIA, BEM-ESTAR...

MIA RONO GAST

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d para noite nem ú a da i e r e s c A elícia os se e tod , juntos, d stuu q r ão em recia tos são co as ocasi izar e ap pra s salad n n r ate o, as Algu b . m s mais confr o a ômic tados: o l é um dos r o n o r t xa us gas ás, é dei e deg u, ali r aqui ment do. O per o a aliza r ã i n t e s o m uge ssa regi s a l e a a s u t r o s e e mig e o p onais, ma ousar. Qu aos a onal? i o c e i d d n do ta tra egi de la , apresen s, ária r ional a culin Guimarãe c n i i a l d d a a t r l t a a f i n r, e c a h a n ei re anh do c sua c a um dife comp dica a o! a a h i r l É n í fam iro! m vi co pa orde rroz bran m bo C u e e il d ea Pern ue suger q foto

PERNIL DE CORDEIRO DO VALE INGREDIENTES 3 kg - pernil de cordeiro 750 ml - vinho branco seco do vale 150 ml - azeite virgem 01 molho - Alecrim Fresco 95g - sal marinho 25g - pimenta do reino 20g - pimenta rosa 01 kg - maçã 01 kg - batata inglesa pequena 100g - queijo do reino 100g - queijo parmesão 100g - creme de leite fresco Hortelã fresca Alho Melaço Serve até oito pessoas.

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Para garantir um bom aroma ao cordeiro é preciso deixar a carne descansar numa marinada. Para prepará-la, use o sal marinho, azeite, vinho, alho, pimentas e o alecrim, esta última especiaria vai garantir o destaque dos aromas próprios do cordeiro. Deixe a carne repousar por 12 horas, depois pré-aqueça por um período de duas horas. Em seguida, quando perceber o aspecto dourado do cordeiro, pincele um pouco de melaço, o que vai garantir a finalização e manutenção da cor da peça, salpique a hortelã cortada em pequenas tiras, o ingrediente vai realçar o perfume da carne.

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Na segunda fase de preparo do prato, corte as batatas e as tempere com sal, pimenta rosa e alecrim, leve-as para assar por 45 minutos e acrescente à travessa uma mistura feita com a junção do queijo e do creme fresco.

Na terceira etapa de preparo, é preciso colocar a maçã (sem caroços) em uma assadeira e temperá-la com pimenta, sal e vinho branco; leve ao forno por 30 minutos. Para montar o prato coloque o pernil em um refratário e decore com as batatas e o creme de queijo, colocando a maçã nas pontas da travessa com uvas e ramos de alecrim. dez/2012

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ESPUMANTES

Diferentes borbulhas A história de bebidas derivadas da uva e seu cultivo no Brasil, com destaque especial para a região do Vale do São Francisco, polarizada pelas cidades Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). texto JOSÉ FIGUEIREDO*

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s festas de fim de ano estão batendo à porta e nos pedem vinhos espumantes. Largamente utilizados nas comemorações ou confraternizações, cotidianamente seus estampidos soam e, a cada segundo, cerca de 80 rolhas deixam suas gaiolas voando pelos ares no planeta. Desta forma, anualmente, aproximadamente dois bilhões e meio de garrafas de vinhos espumantes liberam suas borbulhas para deleite dos diferentes consumidores, nos quatro cantos do mundo. Seus rótulos informam os sabores em uma nomenclatura muito particular, que vale muito a pena saber: Extra Brut - literalmente seco; Brut - seco, sem doçura; Sec - ligeiramente doce; Demi Sec – adocicado e Doux - bastante doce. Esta nomenclatura francesa, adotada mundialmente, é altamente justificável, uma vez que a França é o berço dos vinhos espumantes. Conta-nos a história que, na Idade Média, a Igreja foi detentora de uma grande parte dos vinhedos europeus. Ainda em 800 d.C., no império de Carlos Magno, imperador cristão, a Igreja foi beneficiada com uma parte de toda a produção agrícola. O clero estimulou a viticultura, fornecendo ajuda técnica e concedendo privilégios celestiais em troca de resultados extraordinários nos vinhedos. O dízimo de uma colheita de feno era infinitamente inferior ao de uma colheita de uva ou de uma produção de vinhos. Todavia, esta também foi a grande colaboração para o descobrimento dos espumantes. Don Pierre Pérignon, monge beneditino que viveu de 1638 a 1715, foi nomeado, em 1668, tesoureiro da Abadia da pequena comunidade champanhês de Hautvillers. De paladar apuradíssimo, o histórico abade provocou uma revolução de qualidade nos 10 hectares de propriedade de sua abadia, assim como nos vinhedos dos leigos das aldeias vizinhas. Desta forma, seus diferenciados vinhos começaram a conquistar prestígio nos círculos elegantes. Eram potentes néctares carregados de borbulhas, levando-o, em certa ocasião, a ‘blasfemar’ enquanto degustava um de seus lotes prediletos: “Estou bebendo o céu. Estou bebendo estrelas”.

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sabor&saúde & &saúde ESPUMANTES Na Itália, coube a Carlo Gancia, em 1865, no vilarejo de Canelli, Piemonte, criar o primeiro vinho espumante, abrindo caminho para a industrialização deste vinho naquele país. Era o nascimento dos famosos Asti. Foram estes vinhos espumantes que aterrissaram no sul do Brasil na década de setenta do século passado, junto a tantos outros produtores de diferentes origens e métodos, influenciados pela forte imigração das indústrias multinacionais de bebidas. Neste mesmo período, o nordeste brasileiro descortinava suas veredas para os plantios de uvas de mesa e, tão logo, deu o passo para as uvas viníferas. Diferentes movimentos conduziram a brilhantes vinhos nordestinos, elaborados no ensolarado Vale do São Francisco, ainda nos princípios da década de 1980. Virada do milênio, agosto de 2001, as primeiras borbulhas são domadas e engarrafadas no Vale. Era o Asti, nomenclatura própria do norte da Itália, posteriormente substituída no Brasil por Vinho Espumante Moscatel. Porém, o Vale do São Francisco, não é apenas Moscatel. Há espumantes de todas as cores e sabores, entre estes, o propalado Rosé. Que as festas cheguem, porque as adegas do Vale do São Francisco, cada uma com seu estilo, estão repletas de qualidade e sofisticação engarrafadas. Prepare um balde com gelo e água. Deixe o espumante descansar enquanto busca as taças... E venham o discreto soar do sair da rolha e as tulipas se encontrando, carregadas de finas e diferentes borbulhas, em um feliz “tim tim”. * JOSÉ FIGUEIREDO Sommelier e viticultor. Autor e apresentador do vídeodocumentário “Vinhos Brasileiros de Qualidade” e autor do livro “Ensolarado Sertão, Magníficos Vinhos”

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Espumante é um vinho cujas características e métodos de fabricação vieram da França. Sua efervescência resulta de uma segunda fermentação alcoólica em garrafas ou em outros recipientes. Vejamos alguns tipos produzidos no Vale do São Francisco

TERRANOVA MOSCATEL O é produzido com uvas moscatéis do Vale do São Francisco pelo processo Asti, típico do norte da Itália e apreciado em todo mundo. É um espumante ligeiramente doce, leve e fino.

RIO SOL MOSCATEL Elaborado com uvas Moscato Canelli, é um espumante doce, leve e fino. Apresenta perlage intensa e persistente, sendo ideal para acompanhar merengues, mouses, tortas de limão e sorvete de frutas cítricas.


HÁBITOS SAUDÁVEIS

Alimentação pode ajudar a evitar câncer gastrointestinal

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dieta dos prazeres à mesa pode ser uma ameaça à saúde se a escolha do cardápio não for bem diversificada no dia a dia. O alerta é do cirurgião oncologista Samuel Aguiar Júnior, diretor do Núcleo de Tumores Colorretais do Hospital A.C. Camargo, hospital referência no tratamento de câncer, em São Paulo. De acordo com o médico, embora não se possa fazer uma associação direta de casos de câncer de intestino com o hábito alimentar, existem evidências de que os riscos de se contrair a doença aumentam nos grupos populacionais em que é exagerado o consumo de carnes, principalmente das processadas, enquanto se deixam de lado as fibras vegetais, as frutas e as verduras. O oncologista esclareceu que os experimentos com animais ainda não puderam esclarecer de maneira convincente qual o real impacto sobre a saúde a que estão sujeitas as pessoas que não abrem mão da carne em suas refeições. “[No entanto], existe evidência científica de que padrões em que há excesso de consumo de carne vermelha e excesso contrário de não consumir frutas e verduras aumentam o risco”. Perguntado se a população japonesa, que segue à risca a culinária baseada em vegetais e peixes, estaria em vantagem no quesito saúde, o médico respondeu que, entre os japoneses, há alta incidência de câncer de estôma-

FOTOS: MARCELO CAMARGO/ABR

go causada pelo consumo de alimentos armazenados em conservas e muito salgados. O ideal é a combinação de uma dieta balanceada com frutas, verduras, legumes de forma mais natural possível e até carne, aliado a exercícios físicos. O médico salienta ainda que alimentos inadequados, sedentarismo, excesso de álcool e tabagismo por um período prolongado contribuem para a pessoa vir a desenvolver a doença. A grande maioria dos casos surge em pessoas acima dos 50 anos. Apesar de mais raros, observa Samuel, há registro também entre os jovens e, sempre que isto ocorre, desconfia-se da possibilidade de ser um problema hereditário. A incidência , contudo, de fatores genéticos, herdados de pai para filho, por exemplo, responde por apenas 10% dos casos. POR MARLI MOREIRA/ABR

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entrevista

SÉRGIO MELLO

Sistema mais confiável, apesar dos apagões texto C.FÉLIX

HITANÊZ FREITAS/DIVULGAÇÃO

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Oeste da Bahia vai continuar sendo alimentado por uma única rede de transmissão por, pelo menos, três anos. É o que estima Sérgio Souto Maia Malbouisson de Mello, superintendente de engenharia da Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia), mestre em Regulação da Indústria de Energia. Os leilões para empreendimentos na região foram realizados recentemente pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Resta saber se os prazos serão cumpridos e se essa situação pode comprometer investimentos na região. Fato que Mello não acredita: “Não há motivo para receio quanto ao suprimento de energia para potenciais empreendedores”. Confira a entrevista. As medidas do governo federal para reduzir as tarifas da energia elétrica vão implicar na queda da receita das concessionárias. É possível manter a qualidade e investir no setor sem repassar a conta para o consumidor?

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A medida provisória 579 não deverá afetar diretamente as distribuidoras. Trata-se da redução de tributos e da receita das geradoras e transmissoras mais antigas com ativos já depreciados. No caso das distribuidoras, o efeito da depreciação dos ativos reduzindo as tarifas já ocorre nos processos de revisões tarifárias. A Coelba passará em abril pelo terceiro ciclo de revisão. A tarifa sempre tem uma relação direta com a capacidade de investimento das empresas e, consequentemente, com a qualidade. É preciso buscar um equilíbrio disso junto ao regulador. Por que a região Oeste da Bahia ainda é alimentada por uma única rede de transmissão? Isso não deve causar temor ao empresário que quer investir na região? Os estudos da chamada Rede Básica, que se inclui o sistema de transmissão, são realizados pela


Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Normalmente, em função do mercado de energia existente nas regiões diversas do país, as análises definem o tipo de sistema de transmissão para cada caso, podendo ter maiores ou menores flexibilidades. Na situação da região Oeste do Estado da Bahia, já houve uma preocupação de ampliar o sistema de transmissão local, buscando uma maior robustez e confiabilidade, tendo como consequência a definição de novos investimentos de porte que deverão entrar no próximo leilão de transmissão do Setor Elétrico. Dentre os empreendimentos previstos consta uma linha de transmissão, na tensão de 500 kilovolts, proveniente do sistema derivado da Usina de Belo Monte, que passará em Barreiras, onde se terá uma nova subestação de transmissão local, dotando a região de maior capacidade de oferta de energia, além dar a flexibilidade operacional ao sistema elétrico de transmissão. Com essas medidas previstas, entende-se que não há motivo para receio quanto ao suprimento de energia para potenciais empreendedores. Existe previsão para ampliação dessa rede? Como citado, os empreendimentos previstos deverão participar do próximo leilão do sistema de transmissão. Após a assinatura do contrato pela empresa vencedora do leilão, o prazo de execução, normalmente, é de dois a três anos. Se triplicássemos o consumo de energia em Barreiras e Luís Eduardo Magalhães o sistema não sofreria um colapso? No sistema elétrico de uma região, existem estudos de mercado que preveem situações de crescimento, mesmo acentuadas. Não se tem registro de situações de crescimento repentino nos patamares informados na questão. Os investimentos em obras são definidos a partir de previsões de mercado, buscando compatibilizar a infraestrutura do sistema elétrico com os potenciais empreendimentos identificados. Logo, não se acredita que haja um comprometimento do sistema, em função de um crescimento exacerbado do consumo. Por que há tanta “queda” de energia durante o período chuvoso? Durante o verão, acontecem as chuvas no Oeste da Bahia. Este período chuvoso está sempre associado a descargas atmosféricas que, quando incidem sobre a rede da Coelba, provocam desligamentos de energia. Estes desligamentos normalmente são de curta duração e o restabelecimento da energia ocorre com o religamento automático da rede ou em poucos minutos, quando efetuado de forma manual pelo Centro de Operação da Coelba ou da Chesf. Durante os 14 pri-

Durante os 14 primeiros dias de novembro caíram 52.177 raios no estado da Bahia e 13.923 (26,7%) destes ocorreram na região Oeste. Eles provocam desligamentos momentâneos de energia

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entrevista

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meiros dias de novembro caíram 52.177 raios no estado da Bahia e 13.923 (26,7%) destes ocorreram na região Oeste. A rede da Coelba, por ser um ponto elevado, sofre a incidência de alguns destes raios que, apesar de normalmente não danificarem a rede, provocam desligamentos momentâneos de energia. A Coelba desenvolveu um sistema que detecta a incidência de raios no estado da Bahia denominado Net Raios e, através dele, monitora os desligamentos de energia associados às descargas atmosféricas. Em 2011, o Brasil registrou cerca de 100 apagões, uma média de 19 apagões por região. O sistema de fornecimento de energia elétrica brasileiro é vulnerável? O sistema de fornecimento de energia está bem mais confiável do que era alguns anos atrás, basta lembrar o ano de 2001 quando houve racionamento de energia no Brasil. Daquele ano para cá, houve grandes investimentos em linhas de transmissão e distribuição de energia que interligaram as regiões do Brasil. Então, quando o período hidrológico de uma região não é favorável, transfere-se energia de uma região para a outra através destas linhas de transmissão de energia. Evita-se, assim, racionamento de energia como ocorreu no passado, porém grandes desligamentos de geração em uma região do país podem desligar momentaneamente cargas de outra região, o que não ocorria no passado, pelo fato das regiões estarem eletricamente interligadas. Isso tem a ver com o fato de dependermos de uma matriz elétrica – a hidráulica – cujo parque foi implantado entre as décadas de 1960 e 1970? A matriz elétrica do Brasil ainda é essencialmente hidráulica. Isto é muito bom porque o Brasil dispõe de bastante água, é uma energia renovável, não poluente, de baixo custo de produção e muito confiável. Outras fontes de geração de energia estão sendo estimuladas no Brasil, como a eólica, que terá forte crescimento nos próximos anos, principalmente na região Nordeste do Brasil que dispõe de ventos fortes e estáveis durante boa parte do ano. A região Nordeste sempre foi uma região importadora de energia e, com os investimentos que estão sendo efetuados principalmente em energia eólica nos estados da Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará. Espera-se que o Nordeste passe a ser exportador de energia nos próximos anos. Por que a energia eólica ainda não decolou? Já existem na Bahia vários empreendimentos de energia eólica. Existem, inclusive, parques eólicos prontos, como o de Caetité, que ainda não está fornecendo energia em função de atraso na construção da linha de transmissão que vai interligar o parque eólico ao sistema elétrico existente. A construção dessa linha está a cargo da Chesf. É importante esclarecer que a energia eólica é uma energia complementar, ou seja, não podemos ficar somente na dependência dela, pois numa eventual redução de ventos poderíamos ficar sem a geração de energia. O ideal é combinar a energia eólica com a energia hidráulica. Dessa forma, quando houvesse vento disponível a geração seria de forma preponderante de fonte eólica e a água seria acumulada em reservatórios. Quando houvesse redução de ventos, a geração hidráulica seria ampliada usando a água acumulada nos reservatórios.

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capa Que venha a Fórmula 1

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texto ANTON ROOS fotos MS2 COMUNICAÇÃO INTEGRADA

as pistas de terra do Oeste da Bahia para os grandes templos do automobilismo mundial. Em pouco mais de 10 anos, Luiz Razia saiu de Barreiras para viver o sonho de pilotar um F-1. Aos 24 anos o vice-campeão da GP2 em 2012 descarta qualquer possibilidade de um dia correr na Indy ou Nascar. Ele quer a F-1 e vai lutar até onde tiver forças para chegar lá. O telefone chama duas, três, quatro vezes. Na quinta, a pessoa do outro lado da linha, enfim, atende. - Alô, quem fala? – diz a voz que recebe a ligação. É Luiz Razia, o pai. Multicampeão de Velocidade na Terra, nos idos dos anos 70 e 80. - Alguma novidade na negociação de Razia com a F-1? – pergunto. - Ficou pra semana que vem – responde. - A chance está mais para a Catterham ou para a Force Índia? – insisto. Pausa, algum riso, e uma breve interferência no sinal. - Ah, isso não posso revelar ainda, mas é 100% - confirma. Luiz Razia, o filho, sempre foi objetivo. Quer a F-1. Durante o último grande prêmio da temporada 2012, em Interlagos, foi taxativo: “Correr mais uma temporada na GP2 está fora de cogitação”. A F-1 que lhe aguarde. É um sonho.

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Pelo rádio, o engenheiro avisa: - Agora é hora de apertar. Faltam dez voltas para o final da segunda prova do final de semana no circuito de rua de Valência, na Espanha, sexta etapa da temporada da GP2. É 24 de junho, dia de São João. Luiz Razia que largou em quinto e ainda na primeira volta caiu para oitavo, faz corrida de recuperação e ocupa a mesma posição da largada. Economizando pneus o piloto baiano ganha um segundo por volta e se aproxima dos líderes. A duas voltas do fim quase não há diferença. Com o carro mais equilibrado Razia ultrapassa numa mesma volta o quarto e terceiro colocados e entra na última volta a menos de um segundo do líder. Com primeiro e segundo colocados disputando palmo a palmo a vitória, Razia rapidamente se aproxima e numa manobra digna dos melhores momentos de Ayrton Senna na década de 1980, passa os dois por fora em uma das últimas chicanes do circuito e assume a liderança restando apenas uma reta e uma curva para o fim. Essa foi a terceira das quatro vitórias do piloto brasileiro na temporada. “Nem acreditei. Quando passei, pensei: ‘Caramba, já tô em primeiro e só faltam duas curvas’. Foi especial”, definiu o piloto que em 2012 completou quatro anos na categoria. Razia começou cedo, dirigiu o primeiro carro aos 11 e dois anos mais tarde fez sua estreia no Campeonato Baiano de Autocross. No ano seguinte foi vice campeão. Com apoio da família mudou-se para Brasília onde passou a investir pesado na carreira. Ser piloto sempre foi seu sonho. “Não consigo me imaginar em outra profissão”, diz com segurança. No kart Razia chegou ao título brasiliense e ao vice da Copa Brasil. Os bons resultados, aliados à força de vontade levaram o jovem piloto à Fórmula 3 Sul-Americana, categoria que se sagrou campeão em 2006, à época com 16 anos. A paixão pela velocidade e pelo automobilismo vem de berço. O pai, Luiz Tadeu Razia foi piloto nos anos 70 e 80 e ao lado de Ayrton Senna e Nelson Piquet é seu grande ídolo. “Eu admiro muito meu pai por tudo que conquistou na vida e o Ayrton é uma referência para qualquer piloto”, conta.

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CARREIRA CAMPEÃ 2012 Fórmula 1 Teste na Toro Rosso e na Force India

Vice-campeão da GP2 Ficha: 196 pontos, 18 corridas, 4 vitórias, 1 pole, 9 pódios e 3 voltas mais rápidas. Equipe: Arden Internacional

2009 3º na Formula 3000 Itália Ficha: 32 pontos, todas as corridas contabilizadas no Campeonato Euroseries 3000. Equipe: ELK Motorsport Bull Racing

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Do cockpit do carro, Razia analisa os resultados do primeiro dia de testes no circuito de Yas Marina em Abu Dhabi. É novembro. Ainda restam três grandes prêmios para o final da temporada de Fórmula 1 e poucas vagas no grid da principal categoria do automobilismo mundial em 2013. O sexto melhor tempo entre os 13 jovens pilotos que também participam da bateria de testes não preocupa. Aos 23 anos e com o vice-campeonato da GP2 nesta temporada, o piloto nascido em Barreiras, no Oeste baiano, sabe da forte concorrência para chegar à Fórmula 1 já na próxima temporada. O dia de folga entre o primeiro teste, na terça-feira, e o segundo, na quinta-feira, era tudo que Razia queria e precisava. A lógica é simples: se conseguisse melhorar o tempo e cumprir com o planejamento previsto pela equipe, veria aumentadas as chances de assinar com alguma equipe da F-1 para 2013. A melhora no tempo não veio. Uma forte gripe por pouco não comprometeu o desempenho de Luiz, que apesar da febre alta cumpriu as metas estabelecidas pela equipe. Ao final do treino, completou 68 voltas, com o melhor tempo de 1min45s286, pouco mais de um segundo acima do resultado obtido no primeiro dia de testes. “Foi um dia bem difícil, mas graças a Deus completei o cronograma estabelecido pela equipe”, disse Razia ao final da bateria de testes, na quinta-feira, 08 de novembro. “Esses dois dias trabalhando no carro da STR foram uma ótima experiência. Desde que cheguei, todos na equipe me fizeram sentir muito à vontade”, completou. A atuação de Razia recebeu elogios, inclusive do engenheiro-chefe da equipe italiana, Laurent Mikes. “Luiz não cometeu erros e isso permitiu que completássemos nosso programa. Nosso trabalho era grande, com o teste de vários ítens que serão úteis para a próxima temporada e nos ajudarão nas corridas finais este ano”, analisou. Mikes não foi o primeiro a elogiar Razia. Nos dias 11 e 12 de setembro, o piloto baiano participou dos testes da equipe Force India no circuito de Magny Cours na França. A atuação do piloto baiano

2007 Campeão da Fórmula 3 Sul-Americana Ficha: 16 corridas. 7 vitórias. 6 poles. 11 pódios. 7 corridas mais rápidas. Equipe: Dragon Motorsport

2004  KART Campeão Brasileiro de Kart;  Campeão da Copa Centro-Oeste de Kart;  Campeão Brasiliense de Kart;  Vice-campeão Sul-Brasileiro de Kart;  Vice-campeão da Copa  Brasil de Kart 2003 AUTOCROSS Vice-Campeão Baiano de Autocross

2002 AUTOCROSS Estréia no Campeonato Baiano de Autocross

encheu os olhos dos membros da equipe indiana. Razia que 12 dias depois se sagraria vice-campeão da GP2, cravou sua melhor volta em 1min18s535, ficando entre a Ferrari do francês Jules Bianchi, o mais veloz, e a Mercedes de Sam Bird, segundo melhor tempo. “Foi nosso primeiro trabalho com Luiz e ele nos impressionou logo de cara, mostrando estar confortável no carro e, imediatamente, nos dando um bom feedback nos níveis de aderência”, comentou o engenheiro-chefe Jakob Andreasen. Três dias depois, quem falou da atuação de Razia na temporada foi ninguém menos que Christian Horner, chefe da equipe Red Bull. Em entrevista ao site brasileiro TotalRace, o homem forte da escuderia austríaca, tricampeã mundial com Sebastian Vettel, afirmou que o piloto brasileiro é digno de ser “promovido” e ganhar uma vaga na categoria principal. “Acho que ele merece uma chance na F-1 ano que vem, pois vem fazendo um grande trabalho nesta temporada. Naturalmente, as oportunidades vão aparecer para ele. Ele está indo muito bem e merecia vencer esse campeonato. Acho que ele tem pilotado de maneira muito forte”, destaca Horner, que também é dono da Arden, equipe pela qual Razia disputou o campeonato da GP2 este ano. Os números obtidos em 2012 credenciam o piloto baiano a sonhar alto. Nas 24 provas da temporada, Razia venceu quatro, conquistou uma póle e ficou nove vezes no pódio. “Tenho orgulho da temporada que fiz este ano. Estou muito contente com as negociações feitas até agora e espero que surja algo mais pra frente”, disse o piloto, em entrevista exclusiva a r.A, no início do mês de novembro, poucos dias antes de receber a premiação pelo segundo lugar na GP2, quando ainda sonhava com um contrato na F-1 em 2013. Para alavancar esse sonho, Razia reuniu suporte financeiro, em grande parte de empresas brasileiras. Sem investimento é praticamente impossível chegar à principal categoria do automobilismo mundial. Ele sabe disso. Apesar do bom trabalho realizado nos testes de novembro em Abu Dahbi, as portas da STR estão fechadas. A equipe acertou a continuidade da dupla Vergne e Ricciardo para 2013. Com isso, as fichas se voltaram à vaga aberta na Force India, em especial depois da saída de Nico Hulkenberg para a Sauber. O problema é justamente na concorrência. Bruno Senna, após não renovar com a Williams é sério candidato à vaga. Adrian Sutil, Jules Bianchi, Jaime Alguesuari também estão de olho no cockpit indiano. “Eu quero a Fórmula 1, sempre foi meu sonho e vou lutar até quando puder para isso”, resume Razia, descartando qualquer possibilidade de mudar de categoria e correr na Indy ou na Nascar Americana algum dia.

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O jovem piloto não viu Ayrton pilotar. Em 1994, Razia tinha apenas cinco anos. Tudo que ele sabe sobre o maior piloto brasileiro de todos os tempos está nos vídeos e no que já se escreveu sobre ele. “Lembro de ver as pessoas muito tristes depois da morte do Senna, muita gente realmente abalada com o que aconteceu. Ele foi um piloto especial”, diz. A pergunta soa apropriada. Por que o Brasil não conseguiu fazer um piloto campeão e ídolo da F-1 depois do acidente que vitimou Ayrton? A resposta é sucinta e até certo ponto comedida: “Se eu soubesse te contaria”. Para Razia muita coisa mudou na F-1 nesses 18 anos e um piloto chegar a categoria e ser campeão exige muito esforço, investimento alto e a comunhão de muitos fatores. “Fé, talento, dinheiro, vontade de aprender e querer melhorar constantemente”, aparentemente são apenas alguns desses fatores. Solteiro e atualmente morando em Bicester, distante não mais que uma hora e meia de Londres, Razia diz não pensar muito na hipótese de a se tornar o campeão que o país não teve depois de Ayrton. Primeiro, é preciso se concentrar para chegar à F-1. Vencer corridas e disputar títulos será, segundo o piloto, consequência. “Já realizei muitas coisas na minha carreira, mas como competidor ainda espero atingir muito mais”, comenta, ciente do longo caminho que ainda tem pela frente até lá. Sabedor das dificuldades da prática do esporte no Brasil, Luiz sabe que para chegar ao topo o único caminho é seguir para a Europa onde estão as melhores equipes e categorias do automobilismo. Embora se considere um vencedor por tudo que conquistou nos últimos dez anos, o jovem piloto não esquece as origens, a cidade natal e tudo que teve de abdicar pra chegar aonde chegou. “Poucos sabem das dificuldades que eu e minha família passamos para que eu chegasse até onde estou hoje. Foi com muito sacrifício, suor e muita determinação que cheguei até aqui. Pra mim é uma honra servir de exemplo e incentivar as pessoas a sempre buscar superar seus limites para alcançar seus objetivos de vida”, sintetiza.

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NA ESPANHA Segunda vitória de Luiz Razia, na GP2, no autódromo de Valência. Foi uma corrida surpreendente, ele fez quatro ultrapassagens nas duas últimas voltas e garantiu o 1º lugar no pódio

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Luiz, que escuderia e que piloto você gostaria de pilotar e ter como companheiro na F-1? Razia pensa um pouco antes de responder. Sorri. “Gostaria de correr pela McLaren, companheiro de equipe...não sei...se pudesse, gostaria de uma equipe só pra mim”. Mais risos. Para finalizar, nada mais natural que saber do piloto barreirense, que mensagem ele daria para os jovens que como ele, nasceram no interior, tem talento e sonham em se tornar profissionais bem sucedidos, independente da profissão que escolherem? “Eu tenho muito que aprender como homem ainda. O que já passei na vida deixa claro que se desejarmos alguma coisa devemos lutar muito por ela. Digo isso pela minha própria experiência. Não olho para os meus recursos, mas sim para a minha força de vontade. Nosso recurso é Deus e Ele tudo pode. Se tivermos determinação, muita vontade, 100% de dedicação e humildade é natural que as coisas aconteçam nas nossas vidas”, finaliza, antes de vestir o macacão, o capacete e voltar a pisar fundo no acelerador.


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C.FÉLIX

UNIÃO Antônio Henrique, prefeito eleito de Barreiras, Humberto Santa Cruz, de LEM, (ao centro com o microfone), o deputado federal João Leão e várias autoridades de outros municípios do Oeste: parceria para atrair obras e investimentos dos governos federal e estadual

Em busca de novos rumos para o Oeste Trinta dias depois do resultado que definiu os novos gestores municipais para os próximos quatro anos, os prefeitos eleitos da região Oeste reunemse no 1º Fórum dos Prefeitos Eleitos, em Luís Eduardo Magalhães. texto ANTON ROOS

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objetivo: unir as forças políticas eleitas em prol do desenvolvimento regional. Em dois dias, 08 e 09 de novembro, 16 prefeitos, dezenas de vereadores, assessores e lideranças traçaram metas e elencaram demandas pensando na gestão que se inicia em 1º de janeiro. Uma lista com 28 reivindicações foi confeccionada para ser entregue aos governos estadual e federal. Até que ponto ela surtirá efeito e sensibilizará os responsáveis pela destinação dos recursos, só o tempo para dizer. O evento, realizado no auditório do Hotel Saint Louis, teve como anfitrião o prefeito reeleito de Luís Eduardo Magalhães, Humberto Santa Cruz. Ele e o prefeito de Barreiras, Antônio Herique, idealizaram o Fórum. Ambos são do Partido Progressista (PP) e a boa relação entre gestores dos dois maiores municípios da região é inédito. ���Queríamos mostrar à sociedade que realmente algo novo está acontecendo no Oeste. O povo escolheu pessoas com uma maneira diferente de fazer política. Tenho certeza que

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perspectivas 2013 CARTA DO OESTE INFRAESTRUTURA 1 Construção da ponte sobre o Rio São Francisco entre os municípios de Barra e Xique-Xique; 2 Ampliação da capacidade da rede elétrica regional; 3 Instalação de cabo de fibra óptica para atender à demanda regional de banda larga;

Região Oeste A região Oeste da Bahia é uma das que mais crescem economicamente em função da exploração agropecuária e agroindustrial, cuja intensificação se deu na década de 80 e vem registrando taxas acima das contabilizadas pelo país. desde o início dos anos 1990. *35 municípios; *mais de meio milhão de habitantes; *tem apenas um hospital de alta complexidade; *o acesso a internet é precário;

4 Conclusão da Ferrovia Oeste-Leste; 5 Ampliação do aeroporto do município de Barreiras; 6 Garantir a finalização das obras de infraestrutura do aeroporto do município de Luís Eduardo Magalhães;

7 Conclusão da rodovia BR 020; 8 Asfaltamento da rodovia BA 451, que liga os municípios de Santa Rita de Cássia, Mansidão, Buritirama e Barra;

9 Asfaltamento da rodovia BA, que liga a sede do município de Riachão das Neves aos distritos de Cariparé e São José;

10 Conclusão do contorno viário de Barreiras; 11 Asfaltamento da rodovia que liga os municípios de Cotegipe a Riachão das Neves até a BR 020, com a construção de uma ponte no Rio Grande no distrito de Jupaguá, em Cotegipe;

12 Asfaltamento da rodovia originada no distrito de Missão do Aricobé no município de Angical, passando pelos municípios de Cotegipe, Wanderley e Muquém do São Francisco, interligando à rodovia BA 161;

13 Asfaltamento da rodovia, que liga os municípios de Barreiras a Catolândia pelo Povoado isso vai favorecer muito a todos nós, porque agora nós estamos lidando com políticos que realmente querem fazer a diferença, querem mostrar que é possível, sim, trabalharmos para união de todos para todos”, explicou Humberto Santa Cruz. De 35 prefeitos convidados, apenas 16 compareceram. A chuva impediu a participação de autoridades, palestrantes e público. A programação do segundo dia, com palestras do secretário de Agricultura, Eduardo Sales e do senador Walter Pinheiro, foi reduzida a um breve cerimonial de encerramento ainda pela manhã. Um documento (lista ao lado) com as reivindicações dos novos gestores como prioridade na pauta de cobranças aos governos estadual e federal foi redigido ainda na noite do primeiro dia do evento. Entre os 28 itens, algumas demandas individuais e outras para a região, como a conclusão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), a ampliação da capacidade da rede elétrica de toda região, a construção de um presídio regional e a instalação dos campi da Universidade Federal do Oeste (UFOB). O dia para entrega do documento às autoridades competentes do Estado e da União não foi decidido. Portanto, é esperar para ver se a partir dessa iniciativa a região se fortaleça politicamente e consiga, de fato, obras e investimentos para promover o desenvolvimento socioeconômico do Oeste.

Bezerro;

14 Término da rodovia BA 161, que liga os municípios de Barra a Pilão Arcado; 15 Conclusão da pavimentação da rodovia que liga os municípios de Catolândia a São Desidério; 16 Implantação do sistema de abastecimento de água no distrito de Missão do Aricobé no município de Angical;

17 Pavimentação da estrada que liga a rodovia BR 242, na altura do Ponto do Queijo, ao distrito de São José no município de Riachão das Neves via Angical;

18 Asfaltamento da estrada vicinal que interliga os municípios de Formosa do Rio Preto a Santa Rita De Cássia, às margens do Rio Preto;

19 Construção da sub-estação de energia elétrica no município de Formosa do Rio Preto; 20 Asfaltamento da Rodoagro, interligando os municípios de Luís Eduardo Magalhães a Formosa do Rio Preto, passando pela Panambi até a rodovia BA 825 (Coaceral).

SAÚDE 21 Construção da central regional de descarte de resíduos hospitalares; 22 Implantar uma central regional de atendimento cardiovascular; 23 Construção de uma nova unidade hospitalar com caráter de atendimento regional; 24 Implantação do centro de oncologia no Hospital do Oeste, em Barreiras; 25 Construção de um hospital regional pediátrico em Barreiras;

MEIO AMBIENTE 26 Recuperação ambiental da Bacia do Rio Grande;

SEGURANÇA PÚBLICA 27 Construção do presídio regional;

EDUCAÇÃO 28 Instalação dos campi da UFOB (Universidade Federal do Oeste da Bahia);

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ARTIGO

Desafios para os novos gestores municipais texto CÂNDIDO HENRIQUE TRILHA*

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assada a euforia das eleições municipais, de um lado, aqueles que não se elegeram, partem para uma reformulação de seus projetos políticos e profissionais; de outro, os eleitos, depois da ressaca eleitoral, investem seu tempo nas alianças e no processo de transição. Muitos destes novos gestores ainda desconhecem os desafios que o primeiro ano de mandato irá lhes impor, especialmente àqueles na sua primeira experiência em gestão pública. Para muitos, pode parecer que o processo de transição de governo resume-se apenas na tomada de conhecimento da saúde financeira do município, saldos bancários, restos a pagar, escolha do secretariado e outros escalões de governo, etc. No entanto, muitos dos eleitos não se dão conta da importância do período que decorre entre o resultado das eleições e o início de seus mandatos. Normalmente, é neste período que as Câmaras Municipais estão analisando e aprovando o orçamento do município para o ano seguinte, ou seja, o orçamento do seu primeiro ano de mandato depende ainda dos atuais vereadores. Neste caso, é importante um acompanhamento dos trabalhos da atual bancada municipal, para que os novos gestores não encarem um primeiro ano com um orçamento rígido, sem possibilidades de remanejamento de verbas e a impossibilidade de abertura de créditos adicionais no caso de superávit orçamentário. Outro ponto importante: a Constituição Federal define, em seu artigo 165, as leis de iniciativa do Poder Executivo, que são: o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei do Orçamento Anual (LOA). Este conjunto de Leis estabelece Diretrizes, Objetivos, Metas e Prioridades da administração pública. Enquanto o PPA é elaborado para uma vigência de 04 anos, a LDO e a LOA são leis de elaboração anual, baseadas nos programas e metas fixados no PPA.

O PPA deve ser elaborado em seu primeiro ano de gestão prevendo os programas, diretrizes e metas que irão nortear as ações a partir do segundo ano de mandato

O que muitos dos novos gestores não se atentam é que o PPA deve ser elaborado em seu primeiro ano de gestão prevendo os programas, diretrizes e metas que irão nortear as ações a partir do segundo ano de mandato, sendo que este deve estar baseado em seu Plano de Governo. Isto porque o primeiro ano é executado com base no PPA de seu antecessor. Dá pra imaginar? São previsíveis as dificuldades encontradas em se executar um planejamento feito por outro gestor e com um orçamento aprovado pelos vereadores da legislatura anterior. Outra questão de destaque é a que se refere ao prazo de entrega do PPA na Casa de Leis. No caso da União, o prazo de entrega ao legislativo é de 04 meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro do mandato presidencial, ou seja, 31 de agosto do primeiro ano de governo, conforme estabelece o art. 35, § 2º, inciso I, da CF – ADTC. No entanto, para os municípios, a Lei Orgânica pode estabelecer prazo diverso para encaminhamento à Câmara Municipal, muitas vezes, já nos primeiros meses de gestão, o que ocasiona atropelos e improvisações no processo de elaboração da ferramenta mais importante da administração pública, como é o caso do PPA. Resumindo, é primordial que o gestor municipal comece seu mandato de olho na elaboração do PPA, prevendo programas, objetivos, metas e prioridades de seu governo, em consonância com as propostas do Plano de Governo que o elegeu. Finalmente, é importante salientar que Planos Plurianuais com excesso de Programas dificultam a elaboração das Leis de Diretrizes e das Leis Orçamentárias criando distorções entre aquilo que foi planejado e o que realmente será executado durante sua Gestão. Sem dúvida, estes são alguns dos desafios que merecem atenção especial a fim de se garantir uma gestão tranquila e eficaz. A todos os gestores eleitos e reeleitos, meu desejo de um excelente mandato!

*CÂNDIDO HENRIQUE TRILHA RIBEIRO é Consultor em Gestão Pública e Corporativa, especialista em Direito Imobiliário. E-mail: chtrilha@gentconsultoria.com.br

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especial Oeste

O Oeste sob o olhar de Rui Rezende “Fiquei impressionado com as planícies que iam além de onde eu podia avistar. Não conhecia nada assim. Não imaginava as maravilhas e encantos que o Oeste Baiano escondia”, declarou Rui Rezende. Autor de três livros de fotografias sobre o litoral e a região central da Bahia, agora ele trabalha no quarto título, provisoriamente chamado de “Além do Rio São Francisco”, com foco exclusivo no Oeste. Este trabalho, a partir desta edição, passa a ser compartilhado com os leitores da r.A. Rui Rezende vai assinar, até o fim de 2013, “Um Lugar” (próximas páginas), seção voltada para exposição de olhares diferentes sobre a realidade dos lugares, costumes e pessoas da região. texto ANTON ROOS

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“S

ou apaixonado pelas cachoeiras. Os rios desta região são bem diferentes dos da Chapada Diamantina. As águas caudalosas e cristalinas, sempre nos chamando para um mergulho, isso é maravilhoso! Quanto à flora, esta região é muito rica. A predominância do cerrado, este bioma cheio de vida com flores o ano todo com suas cores vibrantes... Quanto a fauna, estou montando expedições para ir à caça de imagens da maior quantidade possível dos animais desta região. Já consegui fotos de alguns pássaros”, revela. O novo livro não tem previsão para ficar pronto. Vai depender do desenrolar do trabalho ao longo do próximo ano. “É preciso ter muito cuidado, a área de abrangência é muito grande, são todos os 35 municípios que estão na margem Oeste do Rio São Francisco. O livro só pode ficar pronto depois que eu percorrer todos eles de carro, barco, de avião ou helicóptero. Não seria legítimo concluir este trabalho sem percorrer toda a região. A minha proposta é fazer fotos representativas buscando as potencialidades e peculiaridades de cada cidade”, explicou Rui. Ele estima que o trabalho de pesquisa fotográfica seja

PUBLICAÇÕES Rui Rezende já publicou três livros. São eles:

Cairu Cidade do Sol

Encantos de Tinharé

concluído ano que vem. Depois, tem todo o trabalho de seleção e impressão gráfica. O livro não tem patrocinador oficial, mas o projeto já foi aprovado pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. “Não fico esperando patrocínio”, declara. Rui já percorreu mais de 15 mil quilômetros em seu carro, e bancando todas as despesas. “Já fretei até avião”, diz. A falta de verba institucional, garante, não é obstáculo para realização do projeto. E olha que ele já está programando expedições para o Monte Roraima, Japão e Venezuela. Rui Rezende nasceu em Amargosa, no interior baiano. Trabalha com fotografia há 17 anos e desde 2003 se dedica exclusivamente à fotografia da natureza. Aprendeu a fotografar em um laboratório em Salvador. Em 1999 iniciou sua carreira como autônomo e, a partir daí, não parou mais.

Chapada Diamantina, um paraíso desconhecido CONTATOS E-mails: ruirezendefotos@gmail.com iane@decorarcomfoto.com.br Sítio: www.decorarcomfoto.com.br Tels.: (71) 8880.2299 / 9991.4428

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foto RUI REZENDE

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Gruta da Sopradeira Claustrofobia e acrofobia não combinam de forma alguma com a expedição a essa gruta, no povoado Manoel Lopes, a 18km quilômetros de São Desidério. O acesso até o local não é difícil, mas chegar à entrada da caverna requer esforço e acompanhamento de instrutor. Depois de caminhar por uma mata fechada e passar ao lado de um buraco que sopra - na verdade, trata-se de uma outra entrada da caverna -, arrasta-se uns quatro metros por uma cavidade até chegar a um ponto que necessita de técnicas de rapel para a descida de 15 metros, aproximadamente. Vale lembrar que o uso de cordas é recomendado desde a entrada da caverna que já foi berço de um rio subterrâneo. Quer conhecer? Procure Juscelino Ferreira no Bioma Ecotur, em São Desidério, nos números (77) 3623.2136 e 9912.6444. dez/2012

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om matéria-prima em abundância e um pequeno empurrãozinho, a Associação Caliandra formada por mulheres da agricultura familiar do Assentamento Rio de Ondas descobriu no capim-dourado muito mais que uma fonte de renda. Em oito anos, as peças produzidas por elas ganharam o mundo, da Bolívia ao Japão, da Inglaterra à África do Sul. fotos/texto ANTON ROOS Este ano o fogo destruiu praticamente toda produção de buriti e capim-dourado, as duas principais matérias-prima utilizadas pelas mulheres da Associação Caliandra de Artesãos do Cerrado de Agricultores Familiares (Acacer) para a produção de biojoias. “Vai ser bem escasso”, conta a coordenadora das atividades do projeto, a paranaense Rosa Maria Schwanke, que há 17 anos mora na região e desde a fundação da associação participa de suas atividades. Embora o tempo nublado indique o fim do período de seca e o risco de mais incêndios, todos os colares, bolsas, cintas, chapéus e outros acessórios produzidos tendo por base o buriti e o capim-dourado, este ano, dependerão do material estocado em anos anteriores. “Todo ano tem um pouco de perda,


esse ano que foi atípico”, conta Dona Rosa, da sede da associação, localizada na Vila IV do Assentamento Rio de Ondas, que embora geograficamente pertença ao município de Barreiras é administrada por Luís Eduardo Magalhães, distante cerca de 60 km. No Assentamento Rio de Ondas vivem hoje aproximadamente 252 famílias. Os lotes para cada família variam entre cinco e 30 hectares. Dos fundos da pequena casa que abriga a associação e em parte do caminho de volta à BR 020 é fácil identificar os locais por onde o fogo passou. Segundo a coordenadora, a vereda do assentamento tem 30 km de extensão e praticamente todo ele é rico em buriti e capim-dourado. “O capim-dourado que temos aqui é mais fino do que o encontrado na região do Jalapão no Tocantins”, explica, justificando em partes a facilidade com que o fogo consumiu a produção este ano. A perda de matéria-prima não é vista como um prejuízo. O trabalho continua e as encomendas também. A arte das “meninas” do Projeto Caliandra já rodou o Brasil e viajou para outros países do mundo. Na edição deste ano da Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária realizada no Rio de Janeiro no último mês de novembro a associação representou a região oeste. Dona Rosa conta que a exposição em feiras como esta já rendeu a associação encomendas para Inglaterra, Japão e até para Israel. “O sheik de lá se interessou, nós fizemos até um kit com nossos produtos para presenteá-lo”, lembra. A boa aceitação para com as peças produzidas pela associação traz outra vantagem. Ajuda a divulgar a cultura local e a levar o nome da cidade para fora. “É como se o artesanato atravessasse fronteiras”, explica Rosa, lembrando que o objetivo é de fato alcançar a exportação. A receita já existe: a sustentabilidade. A coordenadora do projeto diz que todo processo de criação das peças, da colheita ao produto final é feito da maneira mais natural possível. “É tudo feito visando a sustentabilidade. O que dá pra aproveitar a gente aproveita, quando precisa de madeira é reciclada, a própria seda do buriti é usada na costura. A ideia sempre foi tornar o processo 100% natural”, aponta.

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SUCESSO Desde que as artesãs da Associação Caliandra de Artesãos do Cerrado de Agricultores Familiares (Acacer) descobriram o capim dourado há oito anos, seu trabalho com as biojoias já foi exposto em várias capitais brasileiras e países como Japão, Inglaterra e Israel

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A associação é composta por 10 mulheres da comunidade, todas de origem rural. Veronice Costa da Silva, natural de São Desidério, mora no assentamento desde sua fundação há 10 anos. Em agosto, foi escolhida para presidir a associação. Tímida, ela aproveita para adiantar a confecção de um chapéu, todo ele feito com matéria-prima encontrada nas terras do assentamento. “Um chapéu como esse, faço em um dia de trabalho”, conta. A média para uma peça ficar pronta é basicamente essa, quando muito dois dias. Nice, como é conhecida, participou da criação da associação e da descoberta do capim-dourado como matéria-prima para os trabalhos do projeto. Quem conta a história é Rosa. Uma parenta dela vinda do Paraná, ao ver a abundância de buriti e capim-dourado pelas terras do assentamento, perguntou por que, afinal, todo aquele material não era utilizado. “A partir daí, começamos uma espécie de investigação e pesquisa até que chegamos a uma pessoa na região do Jalapão que veio nos capacitar. É interessante, porque sempre se trabalhou com artesanato aqui, mas não dava retorno nenhum pras artesãs”, conta. Hoje, além das biojoias a associação tem uma oficina de costura, localizada na Vila II, a 16 km de distância pela estrada de areia. Lá são confeccionadas sacolas com material reciclado para uso em supermercados. “Cada artesã tem uma especialidade e acaba puxando para um lado. Aqui no projeto a união é que faz a diferença”, resume.

SOBRE AS BIOJOIAS Também chamadas de ecojoias ou joias naturais, são todo tipo de peça confeccionada com material de natureza orgânica, como pedras, sementes, folhas, frutos, cascas, ossos e chifres de animais, etc. O que difere as biojoias das bijuterias comumente encontradas em barraquinhas de artesões e à beira de praias pelo Brasil é o design. As biojoias têm um conceito diferenciado que dão vida às criações. As sementes que compõem esse tipo de joia são encontradas em abundância na Amazônia, fazendo do Brasil um grande exportador dos materiais e matéria-prima de biojoias, e como as jóias naturais brasileiras estão fazendo sucesso no exterior, boa parte das biojoias produzidas no Brasil são vendidas para países como Espanha, Portugal, Austrália, Estados Unidos e Japão. Essas sementes e pedras recebem um tratamento especializado para que durem bastante tempo e não percam seu brilho e beleza natural, esse tratamento evita que as sementes, por exemplo descasquem. Apesar de serem confeccionadas com materiais simples, as biojoias são consideradas peças de luxo, vendido principalmente para as classes A e B, e seu preço varia, em média, de R$30 a R$200. ONDE COMPRAR Salão das Artes, anexo à Prefeitura Municipal de Luís Eduardo Magalhães, na Avenida Barreiras. dez/2012

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Amado, atual Problemas sociais abordados na literatura do escritor baiano que faria 100 anos continuam atuais, apesar de avanços em várias áreas da sociedade e das conquistas femininas. texto THIARA REGES

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televisão brasileira produziu em 2012 mais um grande sucesso de crítica. O remake de “Gabriela”, exibido pela rede Globo, faz parte das homenagens ao Centenário de Jorge Amado (1912-2001), escritor baiano. A trama conta a história da jovem Gabriela, que na tentativa de escapar da sofreguidão do sertão baiano, migra para Ilhéus, próspera cidade do estado. Em meio à disputa de poder político, a busca pela reafirmação dos grandes Coronéis, o luxuoso Bataclan e histórias de amores impossíveis, a sociedade de Ilhéus é testemunha da doce inocência de uma mulher de personalidade forte e muito decidida. A mulher descrita por Jorge Amado há mais de 50 anos, continua viva. A personagem de Gabriela perpassa as informações primárias; seu destaque vai muito além das delícias que ela prepara na cozinha ou da tamanha sensualidade que exala. As adversidades da vida sofrida no sertão, passando fome e convivendo diretamente com a miséria, fazem florescer a força para superar os desafios, sem perder a inocência de criança e o amor à liberdade. Outra mulher forte dos romances de Amado, eternizada também pelas telas da televisão e do cinema, é Tieta do Agreste. Depois de ser expulsa de casa pelo próprio pai, a jovem fogosa adolescente some sem dar notícias por 50 anos. Ao retornar para sua cidade, a pequena Santana no Agreste, Tieta, rica e muito influente, passa a lutar diretamente por sua comunidade em busca de benefícios e melhorias. Nos altos e baixos da trama, muitos acertos de conta familiares revelam segredos e pautam novos destinos para os personagens. Quando escreveu o primeiro romance, “O país do carnaval”, em 1931, o jovem Amado sabia que havia encontrado uma forma de expressar todas as emoções que sentia. O que não sabia era que suas obras seriam traduzidas para 49 idiomas, além das obras impressas em braile ou em formato audiovisual, ganharia os palcos dos teatros e as telas do cinema. E não seria diferente. A contemporaneidade das histórias e dos personagens de Amado consegue trazer à tona o debate sobre a população negra - que ainda sofre preconceitos em pleno século XXI -, as dificuldades da seca no sertão em meio à fome e miséria, o combate à intolerância religiosa, bem como os grandes desafios da vida dos meninos moradores de rua.

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Jorge


cult agenda

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LITERATURA

FOTOS: DIVULGAÇÃO

CINEMA

Primeira aventura da Terra Média Onze anos depois da primeira parte da trilogia de “O Senhor dos Anéis” estrear no cinema, o diretor Peter Jackson volta à cena com o primeiro dos três filmes da sequência de “O Hobbit”, nas telonas de todo país a partir do dia 14 de dezembro. A história é baseada no livro que deu origem a saga de Frodo Bolseiro para destruir o anel do poder e livrar a Terra

Média das garras de Sauron, mais especificamente: 50 anos antes. Nela, o mago Gandalf recruta o pacato e até então tímido Bilbo Bolseiro a embarcar na maior de suas aventuras, acompanhando 13 anões, liderados por Thorin, Escudo de Carvalho, na saga para recuperar o tesouro tomado por Smaug, o Dragão. Qualquer fã de J.R.R Tolkien sabe que “O Hobbit”, o livro, não tem a mesma profundidade de “O Senhor dos Anéis”. A princípio foi escrito para saciar a sede dos filhos do escritor. Sua origem é infantil, embora, tenha se tornado um best seller e motivação para Tolkien investir a maior parte de sua vida escrevendo sobre a Terra Média, suas origens, seus personagens, seus povos e suas diversas e encantadoras linguagens. A grande sacada e talvez, fruto de maior expectativa por parte dos fãs de “O Senhor dos Anéis” é o momento em que Bilbo encontra o Anel do Poder e num jogo de charadas com Gollum, fica com o anel e tudo que se lê e vê na sequência de “A Sociedade do Anel”, “As Duas Torres” e “O Retorno do Rei” ganha sentido. A primeira parte de “O Hobbit”, ganhou o título, no Brasil, de Uma Jornada Inesperada. A segunda parte se chamará “A Desolação de Smaug”e tem estreia marcada para 13 de dezembro de 2013. O último filme da série “Lá e de Volta Outra Vez”, chega às telas em 18 de julho de 2014, sete meses depois do segundo, encerrando a trilogia.

Antônio Oliveira lança “Eu, Cecília...” em Barreiras O jornalista, radialista e escritor Antônio Oliveira lançou o livro “Eu, Cecília e uma cadelinha de nome Mirna – o amor não tem idade e nem religião”, romance com base na vida do autor. Com 350 páginas, essa trama é entremeada com lances da carreira acadêmica e profissional; dúvidas; insegurança e questionamentos da outra personagem principal, que no livro aparece sob o pseudônimo de “Cecília”, sobre a realidade em que se encontrava; sua luta por um “lugar ao sol”; sua coragem e determinação – um exemplo de adolescência e juventude equilibradas e centradas num passado, presente e futuro de dignidade -; superação. MÚSICA

Rock in Rio 2013: atrações confirmadas e ingressos esgotados Bruce Springten e Iron Maiden são algumas das atrações já confirmadas para a edição 2013 do Rock in Rio, que novamente acontece na “Cidade do Rock”, no Rio de Janeiro. O festival já tem suas datas confirmadas: 13, 14, 15, 18, 20, 21 e 22 de setembro do próximo ano. Outros nomes que também desfilaram pelo festival são Metallica, Ben Harper, Muse e Sepultura. O Rock in Rio soma doze edições, sendo quatro no Brasil (1985, 1991, 2001 e 2011), cinco em Portugal (2004, 2006, 2008, 2010 e 2012) e três na Espanha (2008, 2010 e 2012). Mais de 6 milhões de espectadores estiveram presentes para assistir aos 968 artistas que passaram pelo evento. No total, foram mais de 979 horas de música, com transmissão para mais de 1 bilhão de telespectadores, em 200 países. O primeiro lote de ingressos também foi esgotado em tempo recorde. Em apenas 52 minutos, os 80 mil Rock in Rio Cards colocados à venda pela internet foram vendidos. Para quem ainda não garantiu seu lugar na “Cidade do Rock”, o jeito é esperar até abril, quando uma nova leva de ingressos será posta à venda.

PRIMEIRAS CONFIRMAÇÕES Metálica, Bruce Springten (detalhe), Iron Maiden, Sepultura são aglumas das atrações do evento que acontecem setembro de 2013 no Rio de Janeiro 88

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CD/LANÇAMENTOS

ZHADOK: Cruz O segundo disco da banda de rock cristão Zhadok de Luís Eduardo Magalhães será lançado em janeiro pela Conspirancy Records. A nova bolachinha vai se chamar “Getsémani” e contará com 13 músicas entre elas “Cruz” e “Posso ver” os dois singles já lançados para divulgação do álbum. Novidade no novo trabalho é a inclusão de uma faixa em inglês, “Trust Me”. “No primeiro álbum abordamos o encontro do homem com Deus. Nesse novo disco as letras falam mais das lutas que o cristão enfrenta depois que já está na caminhada com Deus”, explica Juninho Dias, guitarrista da banda. A ideia é mostrar que todo ser humano passa por momentos de instabilidade e atribulações. Uma das novas músicas, comenta o guitarrista, fala sobre o julgamento que as pessoas fazem umas das outras, muitas vezes, até dentro da igreja. “A igreja é feita de homens, a gente não quer abafar o que acontece lá dentro. Sabemos que todo mundo enfrenta atribulações, dentro e fora da igreja. Isso acontece com a gente também” finaliza Juninho, que além de guitarrista, é o principal compositor do grupo.

SE LIGA! O sábado, 15 de dezembro, promete para os amantes da música eletrônica de toda região oeste. Com três atrações confirmadas até o momento, Luís Eduardo Magalhães será sede do festival ALEM Open Air. Os ingressos variam de R$ 20 a R$ 40, antecipados na Live Produções, Huba Strike e Arte na Rua (LEM) e Paulo Tattoo Studio (Barreiras) Já o domingo, 16 de dezembro, reserva boas risadas. A partir das 18h, no Huba Strike em Luís Eduardo Magalhães tem Stand Up Comedy com Fabiano Cambota, vocalista da banda “Pedra Letícia” e show acústico com a banda Vesuvius (Samba Rock). A realização é da Marte Produções. “Adivinha doutor, quem está de volta na praça?”. É isso mesmo. Planet Hemp. A banda liderada

por Marcelo D2 que marcou época no final dos anos 90, início dos 2000, voltou para uma turnê por 10 capitais brasileiras. Em Brasília o show acontece no dia 14 de dezembro no Estacionamento do Estádio Mané Garrincha. O cantor e compositor Zeca Baleiro vem a Salvador apresentar o show de lançamento do seu 9º CD de músicas inéditas, ‘O Disco do Ano’. O repertório, além dos seus maiores sucessos traz releituras de Marina Lima e Martinho da Vila. O show é domingo, 16 de dezembro, na Concha Acústica do TCA.

A banda de rock gospel Catedral se apresenta em Barreiras no dia 22 de dezembro. O show acontece no Espaço de Eventos Bartira Fest.

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Tizziana Oliveira Gelo, Limão e Açúcar

CONECTADO e-mail: tizzib@gmail.com facebook: tizzianaoliveira twitter: @tizzioliveira

ELIZABETH CORDELLA

Jovens Médicos

Beleza turca

Camila Salomão, 19 anos, morena de olhos castanhos, nascida em Goiânia, dona de um sorriso único, pretende um dia conhecer a Turquia, pelo fato de sua “descendência turca”. Atualmente, ela quer iniciar faculdade de Jornalismo em Salvador. Para manter a forma, come muitas frutas, mas confessa não ter tempo para academia. Mila aprecia o olhar de um homem. Helena Ogrodowczyk fez o ensaio fotográfico na cachoeira do Redondo.

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revista da b ahia

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Há quase dois anos na cidade, vindos de Brasília, os médicos Fabrício Prado Monteiro, pediatra, imunologista e alergista, e Rosanna Carraretto Monteiro, especializada em pediatria preventiva, já fazem história. O casal trabalha na clínica Imunoped que está localizada na Rua Paraná, Ed. Empresarial Ana Luísa, Centro. Fabrício está concluindo uma pós em Hematologia Clínica e Laboratorial, e futuramente quer ingressar em alguma faculdade ou academia local. Fabrício e seu sócio André Portela inaugurarão em fevereiro de 2013 uma Confraria na Cidade especializada em vinhos.


WHIASLEY SALES

Doce Mulher Thierlla de Oliveira Machado, evangélica, nome forte e personalidade também. Carinha de menina, casada com Tiago Machado, tem um filho, João Victor, a qual se dedica integralmente. Seu estilo é casual, discreta e não sai de casa sem óculos. “Não vivo para moda, uso o que me sinto bem sem agredir meu estilo, ou imagem”, disse ela. Thierlla foi produzida “cabelo e maquiagem” por Karen Capeleto – Hairstyle, seu Studio está localizado junto com a Fisio Corpus.

Cheia de charme, beleza e sensualidade, Tay - como é carinhosamente chamada pelos amigos - posou para as lentes do fotógrafo Rodrigo Martini, com figurino e acessórios da loja MorenaSol, que fica localizada na rua Clériston Andrade. A pisciana, mato-grossense Taynara Vanni, 22 aninhos, está no último ano da faculdade de Direito. E seu “Projeto 2013” é se formar em advocacia.

REPRODUÇÃO

ME CAIU OS BUTIÁ DO BOLSO...

Cheia de Charme

Que sonho seria se maquiagem durasse o dia inteiro e intacta! Mas sim, é possível aumentar a durabilidade com truques infalíveis. Atualmente existem produtos com maior fixação, como a maquiagem HD (alta definição) que dura de 12 a 15 horas. Após limpar, tonificar e hidratar bem a pele recomenda-se um preparador no rosto, os tais “primers”. E para maior duração o uso do spray fixador uma vez que a maquiagem esteja pronta; garante que a make dure muitas horas. É sempre bom ter lenços de papel na bolsa, eles são ótimos para remover a oleosidade do rosto, ajudando a remover os pontos de gordura, e irão deixar a make impecável, sem borrar. Converse com sua maquiadora, e não se desespere. Você estará linda e no horário para a festa! dez/2012

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social

Ana e Linda Barbara, Nina e Jessica

Bartira e Humphrey

Pedro, Ray, Cícero, Bruno, Rafael, Mônica, Fábio e Gustavo Marcos, Dilma, Vilma e Akira Thaís e Cal

Francisco, Maria Ilma, Núbia e Nina

Júnior e Sueli

Bruna

Leo, Carol e Bié

Claudia, Hélia e Jaciara 92

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DJs Fábio Hora, Charles e Fábio


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social

Camila e Diego

Marcos e Simônica Janara e Denis

Balbino Neto e Rider Castro

Eliane, Jakeline e Carol

Júlia, Cátia, Isabela e Nicole

Plinio e Mira

Luciana e Evaldo

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Fred e Carina

Manuela Villodre, Yurika, Ana Bergamo e Isabelle Hennrichs Kaline, Cristina, Dejane e Érica

Jackeline e Rodrigo 94

Ianê, Dudu Nobre e Letto

Rômulo, Raimunda, Adailton, Gabriella, Yasmim,Glícia e Graziella


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social

Iracy Laura, Mauro e Leticia

Maxsuel Keli, Rafael e Sidnei Erycsson Sampaio

Noemia e Leia

Liliane e Adriana

Fred e Carina

Marcia Ribeiro e Marcia Winter Ieda e Patricia

Duart`s Artista Plรกstico Rafaela e Yasmim 96

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Rute e Osmar

Juliana, Thaty e Ana Paula


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Humor

caixapostal713@yahoo.com.br 98

re v ista da b ahia

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por JĂşlio CĂŠsar


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Revista A ed.14