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Relatório do Conselho Geral para o XXI Capítulo Geral - Janeiro 2009

índice

Diretor: Ir. AMEstaún

INTRODUÇÃO

p. 2

Comissão de Publicações: Irmãos Emili Turú, AMEstaún, Onorino Rota e Luiz Da Rosa.

1. Nossa caminhada enquanto comunidade do Conselho geral

p. 6

Coordenação dos tradutores: Irmão Josep Roura Bahí

2. A nossa visão do Instituto do ponto de vista dos cinco apelos do XX Capítulo geral

Tradutores: Espanhol: Irmão Carlos Martín Hinojar Francês: Irmão Gilles Beauregard Irmão Joannès Fontanay Irmão Aimé Maillet Irmão Josep Roura Bahí Irmão Jean Rousson Inglês: Irmão John Allen Irmão Edward Clisby Irmão James McKnight Português: Irmão Virgilio Balestro Irmão Aloisio Kuhn Padre Eduardo Campagnagni-Ferreira Fotografia: AMEstaún, Arquivos da Vicepostuladuría da Espanha em Santa María de Bellpuig de Les Avellanes, José Sedano Gutiérrez Diagrama e fotolitos: TIPOCROM, s.r.l. Via A. Meucci 28, 00012 Guidonia, Roma (Italia) Redação e Administração: Piazzale Marcellino Champagnat, 2 C.P. 10250 - 00144 ROMA Tel. (39) 06 54 51 71 Fax (39) 06 54 517 217 E-mail: publica@fms.it Web: www.champagnat.org Edita: Instituto dos Irmãos Maristas Casa geral - Roma Imprime: C.S.C. GRAFICA, s.r.l. Via A. Meucci 28, 00012 Guidonia, Roma (Italia) Janeiro 2009

p. 22

– 2.1 Centrados em Jesus Cristo: “Na fonte de água viva”

p. 24

– 2.2 Em comunidades renovadas: Como é bom viver unidos!

p. 36

– 2.3 Com os leigos: Alargar o espaço da tenda

p. 46

– 2.4 Missão e solidariedade: Um fogo que abrasa e consome

p. 56

– 2.5 Serviço de animação e governo: “Lavem os pés uns aos outros”

p. 68

3. Conclusão Corações novos para um mundo novo ANEXO DO PESSOAL

p. 90 p. 103


introdução

Ir. Séan Sammon

Ir. Luis Garcia Sobrado

Ir. Maurice Berquet

Ir. Pedro Herreros

6 de janeiro de 2009 Festa da Epifania

Queridos Irmãos

É

com prazer que apresentamos ao Instituto este Relatório sobre a vida e trabalho do Conselho Geral nos últimos sete anos e meio. Tivemos o privilégio de prestar-lhes esse serviço durante um tempo de grandes desafios para a vida religiosa como um todo, e também para nós Irmãozinhos de Maria fundados por Marcelino. Como vão perceber na leitura do texto, a nossa vida em comunidade, com o seu espírito de fraternidade e ritmo de oração, plantou os fundamentos, sobre os quais construímos o nosso governo e desenvolvemos a nossa tarefa de animação.

Sem dúvida, o mandato que nos foi conferido pelos delegados do XX Capítulo geral foi bastante grande. Sua visão sobre o nosso futuro como Instituto foi ampla, incluindo muitos aspetos essenciais para o nosso estilo de vida e missão. Para cumprir as diretrizes e recomendações que nos deixaram, vimos a necessidade de contar com outros que nos auxiliassem. Eles foram generosos na aceitação do nosso convite, habilidosos e competentes no trabalho que lhes confiamos, além de sempre dispostos a partilhar conosco o seu bom espírito. Cada um dos membros do nosso Conselho e o Instituto como um todo foram enormemente beneficiados por sua inestimável dedicação. No fim do Relatório, encontra-se a lista completa de todos aqueles que, de um modo ou de outro, contribuíram no trabalho desta Administração.

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Ir. Théoneste Kalisa

Ir. Antonio Ramalho

Ir. Peter Rodney

Ir. Emili Turú

O relatório que lhes oferecemos brotou num contexto que incluía os três momentos de oração comunitária, parte da vida cotidiana do Conselho geral: a eucaristia da manhã, a oração marial no começo da tarde e a revisão da jornada no final do dia. Enquanto o trabalho progredia, o conteúdo do documento se tornou, muitas vezes, o foco do nosso tempo com Deus em comunidade; asseguramos que não fomos tímidos em pedir luzes. Simplesmente e quanto possível, queríamos certificar-nos do seguinte: o Relatório que iríamos apresentar, imitando aqueles relatórios de muitos Conselhos do passado, contribuiria para apoiar o processo de discernimento a ser realizado pelos Irmãos capitulares, e não para distrair.

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Empenhamo-nos em apresentar um quadro equilibrado dos nossos esforços, incluindo no texto tanto as áreas onde o Instituto tem feito progressos, quanto as áreas que reclamam cuidados. Como grupo, tínhamos de decidir que questões mereceriam mais a nossa atenção. Feita esta opção, seríamos propensos a cuidar menos de outros aspectos. Cremos que é algo inevitável em qualquer governo, quando certos objetivos querem ser alcançados. O Relatório se divide em três partes: a secção inicial descreve o nosso percurso como comunidade; a segunda secção comenta a nossa resposta a cada um dos cinco apelos do nosso XX Capítulo geral; a secção final, dentro de largo contexto, descreve a nossa visão do Instituto e o seu futuro. A razão que nos levou a optar por esse esquema foi que os cinco apelos constituem o fundamento dos mandatos e recomendações que recebemos dos capitulares. A leitura atenta da secção segunda do texto, por isso, será particularmente valiosa para aqueles que estão à espera de uma avaliação detalhada de nossa gestão.

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O Conselho elaborou também um apêndice. Ele contém a relação daqueles vários serviços, cumpridos em Departamentos e Secretariados da Administração geral, bem como os efetuados por algumas Comissões. Cópia deste apêndice vai ser entregue a todos os capitulares, antes que comece o próximo Capítulo. Quando vocês lerem a conclusão, poderão perceber que a gratidão é a reação que comumente experimentamos, quando se consideram os anos do nosso mandato: gratidão pela oportunidade de servir ao Instituto; gratidão para com os nossos Irmãos e Leigos maristas que foram nossos fieis companheiros de caminho; gratidão pelo carisma concedido à nossa Igreja, por mediação de Marcelino Champagnat. Que imensa graça para todos e cada um de nós!

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1. NOSSA CAMINHADA ENQUANTO COMUNIDADE DO CONSELHO GERAL

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Nesta primeira parte apresentaremos um aspecto importante da vida e do trabalho do Conselho geral: nossa vivência como comunidade. Esta partilha pretende ser uma contribuição para o discernimento do Capítulo geral. Queremos também expressar nossa solidariedade para com todos os irmãos, em sua vida comunitária quotidiana, em seu testemunho religioso no seio da Igreja e da sociedade e no seu compromisso apostólico. Assim, através de vocês, irmãos capitulares, dirigimo-nos a todo o Instituto.


1.1 NOSSA

VIDA COMUNITÁRIA COMO CONSELHO GERAL

N

ossa comunidade como Conselho geral se construiu ao longo do tempo, através das experiências e dos acontecimentos vividos juntos. No começo, percebemos rapidamente que o tempo que passamos juntos, como grupo, seria muito limitado. Nós estaríamos todos juntos em Roma somente uma centena de dias por ano, ou seja, durante o tempo das duas sessões plenárias, alguns dias de repouso juntos e o período do retiro comunitário. Ficou nitidamente claro que a natureza da nossa missão e as estruturas adotadas para que ela se efetivasse seriam determinantes para dar forma à nossa comunidade. Isso implicava num grande desafio para nós. Nas reflexões que seguem, faremos referências principalmente à nossa experiência comunitária, durante o período das sessões plenárias.

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nossa caminhada enquanto comunidade do conselho geral

Seguindo os apelos do Capítulo geral, nós nos empenhamos em dar testemunho de comunhão, tanto no seio de nossa comunidade como no Instituto1. O caráter particular de nossa comunidade exige o compromisso pessoal de criar comunhão. Precisávamos crescer nessa dimensão como grupo, se de verdade, queríamos que transparecesse esse testemunho de comunhão. A experiência nos mostrou que a interpelação permanente que fazíamos em favor da vida fraterna, durante as visitas às Províncias, também nos ajudou a construir nossa comunidade. Igualmente contribuía nosso esforço para superar a barreira das distâncias e as dificuldades de comunicação. As inúmeras viagens que os membros de nossa comunidade tiveram 1 Atas do que realizar nos situam diante da diversidade existente no seio do Insti20° Capítulo geral, tuto. Nossa própria vivência como comunidade do Conselho geral levou III 3.2.B.1 a propor-nos, entre outros objetivos, o de trabalhar em vista de uma maior comunhão entre as comunidades do Instituto. Estávamos convencidos também de que, para conseguir este objetivo, era preciso realizar ações concretas. Este trabalho deveria ser feito com os provinciais e os superiores de Distrito, com os quais procuramos estar frequentemente em contato. Propusemo-nos também favorecer a comunhão e a relação entre o Conselho geral e os irmãos. Os retiros que animamos em todas as Províncias foram meios privilegiados para darmos uma resposta a este desafio. Este contato era para nós, enquanto comunidade, uma ocasião de partilharmos a vida e a fé com um grande número de irmãos e de servirmos de fator de unidade espiritual no âmbito do Instituto. Por outro lado, vivemos os Conselhos gerais ampliados como oportunidade para partilhar e testemunhar a realidade de nossa comunidade, como fator de comunhão. Nossos encontros com os grupos regionais de jovens foram também uma experiência realizada comunitariamente, tratando de unificar a pastoral juvenil e a pastoral vocacional, o que, aliás, se pede a todas as comunidades do Instituto.

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1.2 NOSSO

INÍCIO

A

comunidade começou em outubro de 2001. Ela era formada por 10 irmãos, dos quais dois, o Secretário geral e o Ecônomo geral, não eram membros do Conselho geral. Na nova comunidade, quatro membros tinham pertencido à comunidade do Conselho precedente. Os membros de nossa comunidade provinham de nove países e tinham nove nacionalidades. Conforme a tradição, o lugar físico da comunidade se situou em Roma, na Casa geral.

A conclusão do Capítulo geral e o retorno dos capitulares às suas Províncias nos fizeram tomar rapidamente consciência da envergadura da tarefa que nos tinha sido confiada. Era preciso começar o trabalho, mas precisávamos antes decidir por onde começar. A distribuição lingüística dos irmãos no Instituto nos conduziu a considerarmos o espanhol e o inglês como as duas línguas de trabalho do Conselho geral. Foi preciso identificar rapidamente algumas escolas que pudessem proporcionar um bom conhecimento do espanhol ou do inglês, segundo as necessidades pessoais, com algumas semanas de trabalho intensivo. Uma vez adquirido o instrumento lingüístico de trabalho, voltamos a Roma para organizar as atividades de governo e de animação. Ariccia, nas colinas ao sudeste de Roma, foi escolhido como o local ideal para o primeiro trabalho de nossa equipe. Desde o começo, contemplávamos a realidade de nossa comunidade, como um aspecto importante de nosso trabalho de animação e de governo do Instituto. Nela vivemos os apelos do XX Capítulo geral. O projeto de vida comunitária foi o nosso primeiro trabalho realizado em conjunto. Nós o elaboramos como um instrumento de integração para pessoas provenientes de horizontes diferentes, chamadas a testemunhar os valores maristas e a trabalhar em conjunto. Considerando essa realidade, procuramos fazer a experiência de uma equipe centrada em Jesus, testemunha de uma fraternidade internacional na qual se reflete e acolhe a diversidade cultural. Isso nos deu força para levar adiante o mandato recebido do Capítulo geral. Foi neste contexto comunitário que os membros do Conselho geral desenvolveram a imaginação e a criatividade, para realizar as tarefas que vêm descritas na segunda parte deste relatório.

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nossa caminhada enquanto comunidade do conselho geral

1.3 NOSSA CAMINHADA NA FÉ ESPÍRITO DE DISCERNIMENTO 1.3.1 Escuta de Deus a) Partilhar a vida e a fé Respondendo ao apelo do Conselho geral, fizemos da partilha de vida e da fé um ponto importante e um exercício regular de edificação da nossa comunidade. Adquirimos o hábito de apresentar na oração de cada dia os acontecimentos mais marcantes do momento, principalmente aqueles de nossas respectivas famílias, que, para a maioria de nós, encontravam-se distantes. A partilha diária das Escrituras nos abriu à vida interior de uns e de outros, e foi assim um precioso exercício de edificação comunitária. Estes dois modos de partilha da vida e da fé nos ajudaram a integrar nossa vida na oração e, pouco a pouco, também a oração em nossa vida. As celebrações dos aniversários, as refeições e as recreações em conjunto foram sempre objeto de grande atenção. Elas nos ajudaram a nos conhecermos e a nos respeitarmos. Experimentamos o importante papel que estes pequenos gestos realizados na simplicidade e no amor fraterno podem ter na edificação de uma comunidade viva. A cada retorno a Roma, cada um de nós tinha a ocasião de partilhar a vivência da ação de Deus, experimentada em nossos corações, durante o período passado nas visitas das províncias e outras atividades de animação. Os aspectos que tinham sido observados por cada um de nós esclareciam os demais a respeito da imagem que o Instituto apresentava naquela parte do mundo que ele tinha visitado. Foram momentos de grande enriquecimento mútuo e de crescimento na escuta de Deus através dos outros. Nessas ocasiões nós nos encorajávamos, para que melhorássemos nossas comunicações durante o tempo em que estávamos dispersos fora de Roma. Efetivamente, o volume de trabalho e, às vezes, os meios de comunicação limitados, nos colocaram diante da dificuldade de permanecermos regularmente em contato com os demais.

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b) Uma comunidade orante Pela sua própria natureza, a tarefa de animação e de governo do Instituto está além dos simples meios humanos. É um trabalho de Deus. Um encontro regular com o Senhor é assim necessário para discernir a sua vontade e para realizar, de acordo com o seu coração, a tarefa que ele nos confia. Nós procuramos este contato na Palavra de Deus, nas diversas outras formas de nossa oração e na escuta dos outros. Desde os primeiros dias, apresentamos as bases de uma vida comunitária que favorecesse a relação com Jesus. Fizemos a opção de ritmar a nossa jornada através de dois tempos de oração, de manhã e à tarde, com um momento mariano intermediário, no início da tarde. Quisemos que estes três encontros comunitários fossem sóbrios, com tempos de silêncio que favorecessem uma interiorização, permitindo também que fosse apresentada a vida da comunidade e do Instituto em nossa oração quotidiana. As orações da manhã e da tarde, particularmente, se desenvolviam em torno de uma partilha da Palavra de Deus, baseando-se nos textos litúrgicos do dia. Nossa oração comunitária evoluiu com o tempo, à medida que foram feitas avaliações e ajustamentos de nosso projeto de vida comunitária, e também a partir das intenções mais variadas, pelas quais nós rezávamos. Durante o período das sessões plenárias, a oração comunitária era um momento de integração de nosso trabalho de animação. Os apelos do mundo e da Igreja, os acontecimentos ligados à vida do Instituto, e particularmente dos irmãos, estavam constantemente presentes. Cada dia, lembrávamos as atividades de animação que eram realizadas pela animação do Instituto. Pedíamos a todas as comunidades do Instituto para que rezassem nessa intenção; na nossa fazíamos, espontaneamente, a mesma coisa. No começo das sessões plenárias, a oração era dominada pela ação de graças, pela alegria de nos reencontrarmos e pelo trabalho realizado durante os meses de visita às Províncias. Pouco a pouco ela se tornava a maneira quotidiana de apresentar a Deus os projetos e dossiês nos quais estávamos trabalhando naquele momento. No período final, rezávamos ainda pela próxima missão no exterior e pelas pessoas que iríamos encontrar.

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nossa caminhada enquanto comunidade do conselho geral

c) Uma comunidade que procura viver no espírito do uso evangélico dos bens Em várias ocasiões tentamos refletir sobre a melhor maneira de vivermos em um espírito de vida simples, de solidariedade com os mais pobres e no espírito do uso evangélico dos bens. Estudamos em comunidade nossas despesas e estabelecemos um novo formulário de prestação de contas, para maior transparência. Percebemos que não é fácil chegar a um consenso sobre esse ponto. Nossa maneira de viver estes valores, fundamentais para a vida religiosa e para todas as comunidades maristas, consistiu, antes de tudo, no fato de encorajar, em todos os lugares, a partilha generosa com os mais pobres e de lembrar que eles devem estar no coração de todo projeto marista. Enquanto comunidade, nós nos encorajamos mutuamente a levar um modo de vida simples e a nos aproximarmos dos pobres, quando a ocasião se apresenta. Este foi, por exemplo, o caso da acolhida de um imigrante e de assumirmos o tratamento, em Roma, de uma criança equatoriana doente.

d) Retiro anual Fiéis à tradição marista, decidimos fazer o nosso retiro anual juntos, em comunidade. Com o recuo do tempo, hoje podemos dizer que o fato de termos sido fiéis a este compromisso mostra a importância que lhe atribuímos. Todos fomos beneficiados através dele.

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Procuramos em conjunto o modelo de retiro que nos ajudaria mais a reconhecermos a presença de Jesus em nossas vidas e a integrarmos o encontro com Ele, em nossa vida comunitária e em nossa missão. Finalmente, decidimos que era preferível pensá-lo cada vez que íamos a um retiro. Em todo caso, qualquer que fosse o modelo escolhido, dois eixos espirituais deveriam ser assegurados. Em primeiro lugar, exigimos de nós mesmos o compromisso de termos quotidianamente um tempo suficiente para a oração pessoal, para a reflexão e a leitura. Em seguida, nos engajamos em preservar tempo suficiente para partilhar e dialogar com tranqüilidade, em torno do que Deus nos inspirava, no dia a dia do retiro. Ficou evidente em nossas partilhas que o retiro era, para todos, uma ocasião para aprofundar a vida interior. Mas, também, muitas vezes seria um tempo para lançarmos um olhar sobre a missão do Conselho geral, após mais um ano de atividades. Em suma, podemos dizer que nossos retiros anuais foram momentos fortes de discernimento pessoal, de aprofundamento espiritual e de descanso comunitário no Senhor.

1.3.2 Escuta dos outros a) Acolhida O número de visitantes maristas, em Roma, aumentou nestes últimos anos. A maioria dessas pessoas quer visitar a Casa geral e saudar o Irmão Superior geral. A comunidade da Casa geral se distinguiu por seu excelente espírito de acolhida para todas as categorias de visitantes. Nós lhes expressamos nosso agradecimento e os encorajamos fraternalmente a continuarem assim. Quando estávamos presentes em Roma, nossa comunidade também quis dar uma atenção particular à acolhida e à disponibilidade. Toda a comunidade era convidada a contribuir para que cada visitante, ou grupo de visitantes, se sentisse em casa, de maneira a favorecer uma partilha franca e fraterna. Procurávamos oferecer um testemunho de caridade e ser um sinal da presença de Jesus em nosso meio, para todos aqueles que nos visitavam.

b) Sessões plenárias Nossas sessões plenárias evoluíram bastante. Houve grandes esforços para torná-las mais produtivas, melhor orientadas na direção dos objetivos e menos cansativas. Como lugar de discernimento, de confronto de idéias, elas também manifestaram nossos limites. Foi durante as sessões plenárias que experimentamos, enquanto grupo, nossa tendência a ignorar os conflitos entre nós, ao invés de tentar resolvê-los. Foi também o momento em que experimentamos a nossa dificuldade de nos reservarmos um tempo suficientemente longo para aprofundar a reflexão

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nossa caminhada enquanto comunidade do conselho geral

sobre um tema determinado. Tivemos sempre bastantes assuntos, talvez demais, em pauta. É bem possível que isso seja um sinal do temperamento coletivo de um grupo preocupado em fazer o máximo possível. Passamos muitos e longos momentos nos trabalhos das comissões ou todos juntos, buscando refletir, discutir, partilhar, etc. Éramos todos animados pelo interesse em conhecer e seguir o movimento do Espírito. Apesar da diferença de pontos de vista, muitas vezes fortemente manifestados, prevaleceram a abertura mútua e a busca da vontade de Deus. A quantidade de trabalho e os limites de cada um nunca prejudicaram a simplicidade e a fraternidade que tínhamos a felicidade de partilhar.

c) Escuta de outras famílias religiosas Conscientes de que este mundo complexo e variado é o lugar onde Deus nos fala, alargamos nossos horizontes, escutando as experiências de algumas famílias religiosas e outras pessoas competentes, externas ao Instituto. Escutamos bastante a grande família marista, desenvolvendo entre todos nós a amizade e a colaboração. Decidimos manter encontros anuais, reunindo os Conselhos gerais dos quatro ramos maristas. Nessas reuniões partilhávamos sobre os planos de animação e de governo, bem como sobre os desafios que encontrávamos. Foram criadas quatro comissões, em vista de um trabalho mais amplo e mais concreto. Essas comis-

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sões criadas pelos Conselhos gerais ampliaram nossa visão sobre o carisma marista. Nós nos apoiamos mutuamente e, juntos, buscamos tornar mais efetiva a contribuição específica marista à Igreja. Os encontros com os Conselhos gerais dos Irmãos das Escolas Cristãs e dos Marianistas também nos enriqueceram. Nós nos informamos uns aos outros sobre nossas diferentes estruturas e métodos de animação e de governo. Conhecemos como estas duas congregações, muito semelhantes à nossa, identificam e enfrentam os desafios do tempo atual. Escutamos igualmente alguns especialistas, quando julgamos necessário. A Irmã Christine Anderson FCJ, consultora do Instituto Craighead, de Glasgow, e Bruce Irvine, do Instituto Grubb, de Londres, dois especialistas em organização do trabalho, nos ajudaram, cada um a seu tempo, a revermos nossa maneira de trabalhar. Acreditamos que suas opiniões nos permitiram compreender melhor nossas estruturas de funcionamento e a adaptá-las à nossa missão específica.

d) Escuta do pessoal da casa Durante as sessões plenárias semestrais, enriquecemos nosso discernimento escutando os diferentes responsáveis pelos serviços da Administração geral. Estes momentos de escuta e de partilha nos permitiram ter uma visão de conjunto e de nos situarmos como grupo de líderes. Com o tempo, foi organizada uma sessão de informação e de diálogo, destinada a todo o pessoal da Administração geral, ao final das sessões plenárias. Os encontros com essas pessoas colocaram em evidência o número crescente de leigos atuando nos serviços da Administração geral e o impacto de suas contribuições no discernimento da missão comum. Isso nos interpelou para que nos perguntássemos sobre qual o esforço feito da nossa parte para partilhar o nosso carisma com nossos colaboradores mais diretos. A maioria do pessoal da Administração geral é constituída pela comunidade dos irmãos. A visita anual feita por Conselheiros gerais foi um meio importante de escuta e de animação dos membros desta comunidade, da parte do Conselho.

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e) As visitas às Províncias As visitas às Províncias foram uma excelente escola de fraternidade e de missão marista, e uma peça importante em nosso processo de discernimento. Os elementos recolhidos ao longo dessas visitas freqüentemente orientaram as ações concretas de nosso trabalho de animação. O compromisso apostólico dos irmãos e dos leigos no vasto campo do Instituto se concretiza em experiências das mais variadas, como a escola formal, a integração das crianças intelectualmente menos dotadas, o zelo pelos jovens em situação de risco, as obras sociais, etc. Mas, reconhecemos em todos os lugares a marca dos valores maristas tradicionais nos costumes locais dos irmãos e nos jovens que nos são confiados. A acolhida, o diálogo e a partilha nos conduziram constantemente aos valores maristas das origens, tais como o amor e a evangelização das crianças e dos jovens, a simplicidade, o espírito mariano e o amor ao trabalho. Hoje, a vida quotidiana dos irmãos e seus apostolados em diferentes âmbitos do Instituto são um elemento dos mais importantes em nossa visão e no discernimento da missão. Sublinhemos, no entanto, que foi também ao longo das visitas das províncias que mais fortemente fizemos a experiência dos nossos limites,

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tanto pessoais como de grupo. Durante e primeira visita, vários dentre nós trabalharam em meio a línguas que eles tinham apenas começado a aprender. Os irmãos demonstraram uma grande abertura, procurando dar atenção mais à mensagem transmitida do que aos limites dos visitantes. Vivemos esta experiência com uma profunda gratidão aos irmãos. Finalmente, as visitas das Províncias lançaram uma nova luz sobre a nossa vivência enquanto comunidade do Conselho geral. Ao mesmo tempo, elas nos instruíram, desafiaram, interpelaram e confirmaram quanto ao papel do educador marista (irmão ou leigo), em seu apostolado de hoje. No educador marista, vimos uma pessoa em meio aos jovens e que se preocupa com eles. Vimos uma pessoa com realizações extraordinárias em favor das crianças e dos jovens, mas também com grandes desafios. O marista de hoje nos apareceu como uma pessoa que tem uma grande visão, mas que é também vítima de desânimos. Vimos o marista como pessoa de grande zelo, mas também, com dúvidas diante da indiferença religiosa, diante do número cada vez mais reduzido de irmãos e, em alguns casos, de um excesso de leis a presidir a relação com os jovens! É uma pessoa que tem numerosas razões para vacilar, mas é capaz de viver com muita garra. Essas oposições e contradições são muitas vezes sinais de um espírito em processo de um verdadeiro discernimento. Que essas tensões possam sempre ser vividas na paz, na serenidade e na busca de Deus!

1.4 ALGUNS

ACONTECIMENTOS QUE MARCARAM NOSSA CAMINHADA COMO COMUNIDADE

A

cabamos de apresentar várias realidades e experiências de nossa caminhada enquanto comunidade do Conselho geral. Gostaríamos, no entanto, de mencionar alguns acontecimentos que nos marcaram de modo especial.

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nossa caminhada enquanto comunidade do conselho geral

1.4.1 A Conferência geral de 2005 A Conferência geral de 2005 foi, antes de tudo, uma experiência de fraternidade entre a comunidade do Conselho geral e os provinciais. A alegria de se encontrar pôde expressar-se de forma ampla e profunda. A escolha da Ásia como lugar da conferência foi o resultado de um discernimento do Conselho geral. Este continente é a nova terra privilegiada para a missão ‘ad gentes’ da Igreja. A realização da Conferência geral em Negombo, no Sri Lanka, foi como uma resposta ao apelo lançado pelo Papa João Paulo II para a evangelização da Ásia. Esta grande assembléia foi um momento chave de avaliação e o ponto de partida de uma nova visão. Os provinciais reunidos com o superior geral se manifestaram sobre o trabalho de animação e de governo da Administração geral em atividade então há quatro anos, e puderam participar da visão e dos projetos para a segunda metade do mandato. Sugeriram retificações em alguns pontos e demonstraram seu apoio a várias iniciativas novas.

1.4.2 Beatificações A beatificação de 47 irmãos maristas, mártires na Espanha, foi um dos acontecimentos mais marcantes de nosso mandato. Estes bem-aventurados irmãos nos são próximos no tempo. Vários irmãos ainda vivos hoje os conheceram pessoalmente. Tivemos o sentimento de que a história que eles viveram poderia ter sido a nossa. Mas, reconhecemos que o martírio é um dom. E agradecemos a Deus pela graça da identificação com o Cristo que estes irmãos receberam. No dia 28 de outubro de 2007, o dom do martírio, generosamente dispensado a estes 47 irmãos, resplandeceu em toda a Igreja como um tempo de graça. Para a família marista, particularmente para os discípulos de Champagnat, este foi um grande momento de alegre vivência de nossa identidade. Apesar de nossa preparação, e o sentido da importância do que ia acontecer, a força do Espírito que se manifestou neste acontecimento ultrapassou todas as nossas expectativas. A intensidade da experiência nos surpreendeu. Familiares dos mártires, leigos e irmãos maristas, reunidos em comunhão para proclamar que Deus nos visitou, e para dar graças por sua presença entre nós. Esse reconhecimento da Igreja nos fortaleceu na fé e nos valores do Reino que testemunhamos pela nossa consagração. O deslocamento de alunos, ex-alunos, famílias, ami-

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gos, leigos e irmãos maristas de várias partes do mundo para a celebração em Roma, nos fez sentir a força de irradiação do testemunho quotidiano de um irmão realmente comprometido com o Senhor. De fato, o que sensibilizou a maioria dos presentes foi o martírio ter sido o prolongamento normal da vida destes irmãos. Eles morreram tal como viveram, testemunhando a caridade e a acolhida, mesmo em meio à maior violência. Diante dos numerosos desafios que põem à prova nossa fé, sentimos que através das beatificações o Senhor se manifestou ao Instituto, confortando-nos e dando-nos um novo ânimo.

1.4.3 Assembleia da missão De 3 a 12 de setembro de 2007, foi realizada a fase final da Assembléia internacional da missão marista, em Mendes, Brasil. Representantes dos cinco continentes, leigos e irmãos, nós nos encontramos ao final de processo que durou quase dois anos, para abordarmos juntos os grandes temas relacionados com a missão marista. Foi uma experiência histórica para a nossa comunidade do Conselho o fato de participarmos deste encontro, onde pela primeira vez irmãos e leigos de todos os continentes e de todas as Unidades administrativas se reuniram para debater questões de interesse comum e em nível de igualdade. Já durante nossas visitas, todos nós tínhamos feito a experiência da vitalidade da missão marista, mas o número de pessoas presentes na Assembléia, o entusiasmo que reinava no transcorrer das sessões, as novas idéias e a vontade de sonhar o futuro, a radicalidade do compromisso e a força das formulações nos encheram de ânimo. Tudo isso era uma clara manifestação de que nos encontrávamos numa encruzilhada decisiva de nosso caminho.

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nossa caminhada enquanto comunidade do conselho geral

1.4.4 Água da rocha A publicação do documento “Água da rocha”, sobre a nossa espiritualidade, foi realmente um marco na vida do Instituto. O documento foi muito esperado. Os irmãos aspiravam ver por escrito a experiência espiritual que os faz viver e que os sustenta em seu apostolado. O mandato que o Capítulo geral confiou ao Conselho geral exprimia este desejo dos irmãos. Enquanto comunidade, tivemos a alegria de ver evoluir este documento. Tivemos o privilégio de participar de sua elaboração, manifestando nossos pontos de vista sobre os diferentes aspectos, oferecendo sugestões, e tudo isso o fizemos juntos, em comunidade. Houve em muitos uma grande satisfação ao ler esse texto, por reconhecer-se nele. O documento não é um tratado de espiritualidade. Mais do que o resultado de uma boa reflexão, ele é o fruto de uma boa observação. Ele apresenta aos irmãos e leigos o melhor deles mesmos, aquilo a que aspiram, o caminho que Champagnat lhes indica para irem ao encontro de Jesus, uma formulação simples da via marista em direção à santidade. O trabalho de análise e discussão no seio do Conselho geral, que nos conduziu à aprovação deste documento, foi um momento forte de partilha de nossas convicções mais profundas de fé e espiritualidade. Ver publicado o texto de “Água da rocha” foi um acontecimento para nossa comunidade. Ele suscitou muito entusiasmo. Nossa oração comunitária passou a se inspirar em suas páginas quase quotidianamente.

1.5 EM

QUE PONTO ESTAMOS?

A o final deste mandato de oito anos, nós nos sentimos felizes pelo caminho percorrido juntos como comunidade. Agradecemos ao Senhor por tudo o que ele realizou em cada um de nós. ■ Em síntese, nos sentimos como qualquer comunidade, com seus pontos altos e baixos. Depois de oito anos, verificamos melhor nossa dificuldade em partilhar nossas vulnerabilidades.

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■ Algumas vezes tivemos o sentimento de que as responsabilidades nos impulsionavam a ir além de nossos limites, para dar o melhor de nós mesmos. ■ Em nosso trabalho, nos beneficiamos da acolhida e da confiança dos irmãos e dos leigos nas províncias, em todos os lugares onde nossa missão nos conduziu. Expressamos a todos nosso agradecimento pela sua fraternidade.

■ Ficamos impressionados pela qualidade de tantas pessoas que conhecemos ao longo desses oito anos. ■ Os encontros com os jovens das diferentes regiões nos enriqueceram e encorajaram. Ficamos também impressionados pelo seu entusiasmo e por seu espírito marista. ■ Pedimos perdão por nossos erros e omissões. É possível que tenhamos feito sofrer a alguém. Creiam que nunca foi intencionalmente. Na segunda parte deste relatório, a maior delas, o Conselho geral apresentará a vocês, detalhadamente, seu trabalho ao longo do mandato. Desejamos que sua leitura seja frutífera.

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os cinco apelos

2. A NOSSA VISÃO DO INSTITUTO DO PONTO DE VISTA DOS CINCO APELOS DO XX CAPÍTULO GERAL

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2.1 Centrados em Jesus Cristo: “Na fonte de água viva”

2.2 Em comunidades renovadas: Como é bom viver unidos!

2.3 Com os leigos: Alargar o espaço da tenda

2.4 Missão e solidariedade: Um fogo que abrasa e consome

2.5 Serviço de animação e governo: “Lavem os pés uns aos outros”

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2.1

CENTRADOS EM JESUS CRISTO: “NA FONTE DE ÁGUA VIVA” CENTRAR APAIXONADAMENTE NOSSAS VIDAS E NOSSAS COMUNIDADES EM JESUS CRISTO, COMO MARIA. E, PARA ISSO, EFETIVAR PROCESSOS DE CRESCIMENTO HUMANO E DE CONVERSÃO.

2.1.1 Nossa compreensão deste apelo

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Escolhamos a vida, documento oficial do XX Capítulo Geral. A partir daqui, cada vez que citemos este documento, incluiremos apenas o número de referência no interior do texto.

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Nesse primeiro apelo, declara o Capítulo com clareza, simplicidade e sem equívoco, que o Irmão marista deve estar centrado em Jesus. Em outras palavras, vivemos uma vida consagrada, fundamentada no compromisso com a pessoa de Jesus. Essa é a nossa resposta, opção feita diante do convite que nos foi formulado, convite de relacionamento pessoal com Jesus, experiência marcada pelo seu amor incondicional.

O nosso Conselho tem a consciência de que este apelo nos convoca a afirmar claramente o valor da vocação do Irmão marista. Pede que tudo façamos para robustecer a espiritualidade que sustenta esta vocação e lhe dá sentido e orientação. Pede que nós, em sintonia com os provinciais, proporcionemos a todos e a cada um dos Irmãos os meios necessários para trilhar o próprio caminho de conversão à pessoa e ao evangelho de Jesus. Descrevendo as nossas comunidades como escolas de fé2, o Capítulo lembra-nos que a nossa vida de comunidade tem o indispensável papel de fortificar a nossa vocação, impulsionar nosso apostolado e desenvolver nossa espiritualidade.

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Além disso, o Capítulo nos pediu, não para nos fecharmos em nós mesmos, mas para ocupar o nosso lugar na Igreja, como Maria fez e como entenderam os Fundadores maristas. Cremos que há um papel único para o Irmão na Igreja. Situando-nos fora da estrutura hierárquica e dentro da estrutura carismática podemos, pelo testemunho das nossas vidas, ser a consciência da Igreja e memória daqueles valores tão fortemente evidenciados pelos primeiros cristãos, a ponto de outros não duvidarem de juntar-se a eles, mesmo com risco de perseguição. Antes de detalharmos como tratamos de pôr em prática este chamado, queremos evitar equívocos. Este apelo focaliza com clareza a nossa vocação de Irmão consagrado. Essa compreensão em nada diminui a vocação do Leigo marista, nem diminui nosso compromisso de apoiar o florescimento dessa vocação. Afirmamos ambos, a vocação do Irmão marista e do Leigo marista. Vemos duas vocações, uma e outra com as suas próprias características distintivas e função na Igreja e no Instituto. Simultaneamente, elementos dessas vocações são partilhados em comum, como o apostolado e a espiritualidade. Deste modo, são vocações complementares e mutuamente se reforçam.

2.1.2 Como colocamos em prática este apelo Como Conselho, cremos que, para produzir-se uma renovação autêntica, é necessária uma verdadeira mudança de coração por parte de todos. Fa-

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2.1 zer com que Jesus seja o centro e a paixão das nossas vidas não constitui algum ideal remoto pelo qual nos cumpre lutar, mas antes, o necessário ponto de partida para realizar o trabalho de transformação.

a) Fortalecer a vocação e a vida consagrada do Irmão Marista Esta tem sido uma prioridade clara para o Conselho geral (47.2). As três Circulares do Irmão Séan focalizaram diretamente os elementos chave da vida dos Pequenos Irmãos de Maria fundados por Marcelino: espiritualidade, comunidade e apostolado. As cartas do Superior geral, dirigidas aos Irmãos conforme as idades, foram escritas para encorajá-los na sua vida religiosa marista, especialmente em face dos desafios característicos das etapas da vida. Para 2009, há o plano de uma última circular, em que se visa articular e afirmar a identidade do Irmão. 3

No corpo deste Relatório, mencionamos apenas as pessoas atuais em serviço na Administração geral. Os nomes de todos os que trabalharam conosco nos oito anos do nosso mandato, como expressão do nosso reconhecimento para com eles, fazemo-los constar no anexo final.

Organizando-nos para o cumprimento dos mandatos recebidos, estabelecemos uma Comissão para a vida religiosa. Em consequência da reorganização das nossas estruturas em 2006, esta Comissão ficou responsável pelas áreas de Espiritualidade, Formação Inicial e Permanente, e Vida Comunitária. Na luz da experiência, essas responsabilidades provaram ser por demais ambiciosas para uma simples comissão. Agradecemos o excelente trabalho e a dedicação do Irmão Teófilo Minga3, seu secretário. Ele proveu a comissão de valiosa assistência, mantendo contato com os responsáveis nas Províncias pelos diversos aspectos da vida religiosa. Em muitas Províncias ele dirigiu encontros e retiros muito proveitosos para a formação espiritual dos Irmãos e Leigos maristas. Ao começar o nosso mandato constituímos uma Comissão das vocações, cujo trabalho foi continuado pelo Secretariado das vocações. O Irmão Ernesto Sánchez demonstrou entusiasmo como diretor deste Secretariado. Graças à sua ajuda e ao trabalho realizado com energia, clareza, convicção pessoal e carisma, pôde auxiliar muitas Províncias a recuperarem a confiança na pastoral das vocações. Embora o próprio título da comissão e secretariado pudesse induzir a certa confusão, o seu mandato era a promoção da vocação de Irmão marista. Evento significativo nesse processo de promoção foi o Ano das vocações: de setembro de 2004 a agosto de 2005. Os frutos daquele Ano continuam até hoje. O dinamismo do dito Ano fomentou reflexão, oração, testemunho e ação, em relação a todas as vocações na Igreja, de modo peculiar

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aquela do Irmão marista. Tomado seriamente, tal processo leva alguns de nós a encarar questões algo polêmicas, como as seguintes: A vocação do Irmão continua tendo relevância, valor e sentido na Igreja e na sociedade em que eu vivo? No contexto e na época em que vivemos, continua Deus a convidar jovens à santidade, por meio da vocação de Irmão marista? Ao meu redor, continuam existindo hoje outros JeanBaptiste Montagne? Deus continua convidando pessoas a atender a essas necessidades através da vocação de Irmão marista? São perguntas formuladas em nível pessoal, comunitário e provincial e têm lugar numa reflexão mais ampla, em torno a questões como a natureza de uma vocação na Igreja, as orientações da missão marista no século atual, a vocação do leigo marista, etc. O Secretariado das Vocações está a desafiar-nos todos para a criação de uma ‘cultura das vocações’, em que o termo vocação realmente tenha significado. Todos e cada um dos maristas têm um papel a desempenhar na criação dessa ‘cultura’ (42.5). Na Igreja há toda uma variedade de vocações; parte essencial da nossa pastoral com os jovens consiste em acompanhá-los na busca de sua vocação. Nossa comunidade do Conselho geral, assumindo o próprio compromisso com o Ano das vocações, realizou encontros com grupos de jovens em cada região do Instituto. Valemo-nos desses encontros como meio concreto para escutar a juventude e conhecer sua experiência de vida e de Igreja, sua relação com nossos diversos apostolados e sua percepção da vida religiosa marista. Alguns Conselhos provinciais seguiram um processo semelhante: diálogo em equipe com os jovens. Houve muitas atividades, visitas e encontros para benefício tanto das Províncias como das Regiões. Foi de especial significação o encontro em Les Avellanes, em abril de 2008. Nesta ocasião reuniram-se pessoas comprometidas com a pastoral vocacional em países secularizados ou a caminho de sê-lo. Nessas situações, o ministério da promoção vocacional, em particular para a vida religiosa, é particularmente desafiador. A honesta partilha de experiências, percepções e planos deu nova energia à pastoral vocacional de muitas Províncias.

b) A Espiritualidade que nutre a vida religiosa marista A Vida religiosa marista não tem sentido, se não for centrada em Jesus. Seu valor para a Igreja e para o mundo está no seu caráter religioso e marista que evangeliza. Sem uma espiritualidade própria que a sustente e nutra, nossa vida se converte em sal que perdeu o sabor4. Desde o começo do nosso mandato, estávamos determinados a enfatizar a centralidade da espiritualidade (48.1). Com a assistência de outros Irmãos, o Conselho dirigiu retiros em cada Província do Instituto. Pusemos em marcha o processo que levou à publicação do texto “Água da Rocha” - Espi-

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Cf. Mt 5, 13

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2.1 ritualidade marista que flui da tradição de Marcelino Champagnat. Esse texto colocou em palavras a espiritualidade que herdamos de São Marcelino e dos primeiros Irmãos, e que continuamos a viver hoje. Organizamos no Instituto um Ano de espiritualidade: de outubro de 2007 a outubro de 2008, para insistir no primeiro apelo do Capítulo, e preparar o terreno para que o novo documento de espiritualidade pudesse frutificar. Cremos que a resposta das Províncias e os frutos que dele nasceram testemunham tanto da sede de espiritualidade quanto da conveniência de termos um texto como ponto de referência para a formação espiritual. O documento, combinado com a experiência que tivemos em todas as partes do Instituto, serviram-nos de pauta para a revisão do capítulo IV das Constituições, que estamos apresentando ao Capítulo geral (48.4). Como Conselho, demoramos algum tempo para encontrar, com clareza, a melhor forma de levar a bom termo o mandato em relação à animação regional de espiritualidade (48.2). Parecia-nos valioso dispor de estruturas regionais de espiritualidade, mas concluímos que o esquema de quatro redes, baseadas no critério lingüístico, não era a resposta mais apropriada às necessidades reais do Instituto. A experiência nossa e do Conselho geral anterior era a seguinte: por causa da grande variedade de situações do Instituto, as redes tinham diferentes orientações e diferentes modos de responder às necessidades do seu contexto cultural. Se alguma rede, com base na língua, estava lutando para encontrar o seu caminho, era devido à imensa diversidade de culturas, recursos, necessidades etc., que existia dentro de seu universo. Eis por que tomamos a decisão de reformar a estrutura com fulcro nas Regiões, de preferência a fazê-lo por língua. A nossa visão foi difundida no Boletim aos Provinciais nº6 (maio 2004). Desde esse tempo, estivemos trabalhando com os provinciais para estabelecer estruturas nas regiões ou para consolidar as existentes. Em certos lugares, a rede de espiritualidade que já funcionava vai continuar a evoluir. Em outras regiões, esperamos que comissões regionais de espiritualidade sejam estabelecidas, atraindo membros das comissões provinciais de espiritualidade ou similares. No início, fomos um pouco lentos em acompanhar regularmente as redes existentes. Com a reorganização das estruturas do Conselho geral, como consequência da Conferência geral de 2005, procuramos ter maior presença nos encontros. Reconhecemos que as redes regionais de espiritualidade não receberam de nós o apoio e o encorajamento que elas almejavam. Essa participação propende a convencer-nos de que, se a nossa herança espiritual é para ser inculturada efetivamente nos diversos contextos do nosso Instituto internacional, então vai ser a vivência dos maristas imersos

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nessas culturas que vai possibilitar que ela ocorra. As estruturas regionais são inestimáveis para enriquecer e desenvolver a nossa espiritualidade por meio das tradições religiosas em que vem expressa, e por meio da vivência cotidiana em situações de desafio, como as seguintes: injustiça institucionalizada, pobreza opressiva, famílias destruídas pela AIDS, corrupção e consumismo, etc. O XX Capítulo geral encorajou os Maristas a participar do diálogo inter-religioso (43.5). Considerando que a urgência de tal diálogo varia nas diversas partes do Instituto, cremos que uma estrutura regional de espiritualidade é o espaço mais apropriado para facilitá-lo. Trabalhamos com os provinciais, comunicando-lhes qual era a nossa idéia a respeito das estruturas regionais de espiritualidade, encorajando-os a alocar recursos nessas estruturas, cujo funcionamento contribui para reforçar os programas provinciais de formação espiritual. Assim como o livro “Água da Rocha” foi proeminente instrumento para tornar a expressar o nosso patrimônio espiritual, no meio das realidades hodiernas, essa mesma tarefa é o mandato permanente, seja do Postulador geral das nossas causas, seja da nossa Comissão internacional do patrimônio. Acima, neste mesmo relatório, falávamos da experiência que significou para nós, como comunidade do Conselho, a Beatificação de 47 dos nossos Irmãos mártires na Espanha. Este evento, com as liturgias e as celebrações que o acompanharam, constitui a coroação do trabalho tenaz e consciencioso do Irmão Giovanni Maria Bigotto, com os seus vice-postuladores, e do Irmão Gabriele Andreucci, que o precedeu como Postulador geral. Para esses homens foi trabalho de amor, visto que o testemunho dos nossos mártires merece ser proclamado. Cada um de nós foi tocado de diferente maneira. A morte não os colheu de surpresa. Aqueles tempos eram evidentemente de perigo e de provação. O inabalável comprometimento deles quanto à sua opção pela vocação de Irmão marista e sua fidelidade no serviço de crianças e jovens encorajam-nos a renovarmos nosso compromisso pessoal de

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consagrados. O mandato do Postulador geral é próprio para nos levar a extrair as riquezas espirituais de nossas próprias reservas, de maneira que os que pertencemos às gerações atuais apreciemos cada vez mais o espírito e os valores maristas, que continuam vigentes. O trabalho da Comissão internacional do patrimônio tem objetivos similares. O seu trabalho é indispensável para que saibamos quem somos. Como a nossa espiritualidade continua na sua evolução, esta Comissão nos ajuda para que esse desenvolvimento siga por caminhos autênticos e seja fiel à nossa herança. Para o Instituto, tal Comissão exerce tanto um papel de erudição e pesquisa quanto de grupo de reflexão. Sem novas gerações preparadas para esses papéis, o nosso desenvolvimento como Instituto ficará paralisado. Daí a importância do trabalho do CEPAM na América Latina e na Espanha, e a formação através de cursos como o do Programa do patrimônio, realizado em Roma de fevereiro a junho de 2008.

c) Elementos chave da renovação da vida religiosa marista A Comissão do patrimônio internacional é agente da renovação da Vida religiosa marista. A tarefa conta com outros agentes. Um bem importante em si mesmo, é a formação inicial. Cada formador e equipe de formação devem retornar constantemente às duas perguntas fundamentais: Qual é o mundo marista para o qual o jovem candidato está sendo preparado? Qual é a melhor maneira de preparálo, mediante o plano de formação, para o que vem depois? Uma equipe do Conselho geral visitou todos os noviciados e escolasticados e a maioria dos postulados do Instituto, formulando essas mesmas perguntas e dialogando com os formadores sobre as respostas dadas. O fruto do con-

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tato em primeira mão com a realidade do Instituto resultou no “Texto de Reflexão”, apresentado aos provinciais e superiores de Distrito, na Conferência geral de 2005. O documento identifica sete significativos desafios. Cremos que o desafio chave, que se reporta à formação inicial, é que os programas deem prioridade à espiritualidade, consagração e evangelização. Em termos simples, o papel das nossas comunidades de formação é preparar jovens Irmãos, no amor a Jesus, e com grande entusiasmo para proclamar a Boa-nova. Tal resultado é impossível sem uma equipe cuja responsabilidade principal seja a formação. Na preparação dos jovens apóstolos, queremos consolidar sua identidade religiosa e marista. Na conclusão da formação Inicial, os dois aspectos da identidade necessitam estar profundamente desenvolvidos. Agente chave neste processo é a própria comunidade de formação. Cremos que, para ser efetiva, a comunidade precisa ser composta de um bom grupo de jovens, não apenas um, que estejam sendo formados e, ao mesmo tempo, formem uns aos outros. Em muitos lugares do Instituto, a vida religiosa marista se vive em realidades culturais e religiosas marcadamente diferentes daquelas que existiam, faz quinze anos, quando o “Guia de Formação” foi preparado. Agora há maior diversidade cultural no Instituto. Precisamos ter certeza de que estamos preparando jovens para tais realidades e diríamos até para aquelas que podemos prever. Um significativo avanço é que as comunidades de formação sejam preferencialmente internacionais e interculturais, como sucede, cada vez mais, em algumas comunidades em diversas Províncias. Ter uma visão internacional da vida marista, superando os limites de uma só Província, é aspecto essencial da identidade do irmão marista, em nosso tempo. Após a Conferência geral de 2005, o “Texto de Reflexão” foi enviado a todas as equipes de formação, para encorajar a própria avaliação e ação. A localização das comunidades de formação foi de novo tomada para tema de reflexão (48.7). Sempre que possível para nós, fizemos uso dos encontros regionais de formadores para continuar essa reflexão. O encontro de formadores da África, em julho de 2007, foi significativo exemplo disso. Em fevereiro do mesmo ano, o Conselho havia reunido em Roma os representantes de todos os escolasticados, para uma reflexão conjunta sobre o caráter do jovem formando de hoje e unificar a nossa visão em relação aos conteúdos e processos essenciais para a sua formação no seu estágio inicial. Na visão do Conselho, este estágio de formação tem importância crítica na consolidação da identidade religiosa e marista do jovem Irmão e no assentamento da necessária integração pessoal para a vida do Irmão (47.1). Muito nos preocupamos com as Províncias que, segundo a nossa

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2.1 opinião, tomaram decisões que enfraqueceram os programas do escolasticado. Em nosso contato com os jovens Irmãos, numa variedade de contextos, causou-nos preocupação ver a superficialidade de alguns em relação à sua identidade, e a leviandade na compreensão do valor do compromisso e dos votos, em particular o da castidade. Para ser efetiva, a formação inicial necessita de formadores suficientes que, usando o processo e a linguagem de hoje, possam acompanhar os jovens para encontrarem a sua vocação, entenderem sua riqueza e profundidade, e viverem a vida apostólica marista com generosidade e entusiasmo. Continuamos a desafiar os Provinciais a que perseverem na preparação de mais formadores. Esta necessidade continua urgente. Oferecemos uma oportunidade nesse sentido por meio do curso destinado a formadores maristas, em Nairóbi, de agosto de 2005 a junho de 2006. Na área da formação inicial, como em outras, a experiência adquirida durante nosso mandato ensinou-nos bastante. Olhando para trás, constatamos que, talvez, não fomos bastante proativos ou atentos no exercício da liderança nessa área. Percebemos agora que, para o futuro do Instituto, deveríamos ter sido mais atentos em avaliar as limitações de alguns programas da formação inicial. Para muitos Irmãos os programas da Formação permanente providos pelo Instituto, no Escorial e Manziana, representam momentos chave de renovação pessoal. Os programas são regularmente avaliados pelas equipes de formadores e membros do Conselho geral, durante as visitas aos centros de espiritualidade. Com base nesta recapitulação, cremos que os cursos de formação permanente são verdadeiros tempos de graça, possibilitando que os Irmãos redescubram a sua vocação religiosa, fortifiquem a sua identidade marista; assim, eles voltam às suas casas, comprometidos em atender aspectos tão essenciais como a oração pessoal, a vida de comunidade e a missão (47.1). Desejamos expressar a nossa gratidão aos seguintes Irmãos, membros das equipes de renovação, por seu inestimável serviço ao Instituto: Irmãos Javier Espinosa, Afonso Levis, Inocêncio Martinez, Diamantino M. Duque, Barry Burns e Antoine Kazindu. Durante o nosso mandato, apoiamos esses programas com a nossa presença no próprio desenrolar deles e no acompanhamento das equipes. Nos primeiros anos do nosso mandato, o nosso acompanhamento foi insuficiente. Nos últimos anos, empenhamo-nos em fazer mais. Significativo momento foi o processo que empreendemos em começos de 2006, na avaliação dos programas então em execução. Uma parte do processo foi a avaliação dos programas intercongregacionais que conduzimos com os Marianistas. A nossa motivação para tal revisão era assegurar que os

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nossos programas provessem os conteúdos e processos mais adequados, seja para os Irmãos, seja para o Instituto (47.1). Renovação efetiva e duradoura de cada Irmão constitui meio eficaz de renovar a vida religiosa de todo o Instituto. A revisão identificou dois grupos de Irmãos, por faixa de idade, cujas necessidades não eram bem atendidas. Atualmente, estão sendo realizados cursos para os Irmãos que enfrentam significativos questionamentos depois da profissão perpétua (Programa Horizontes) e, em outra quadra temporal, para os Irmãos que estão procurando viver o seu compromisso vocacional mediante um apostolado mais adequado à etapa de sua vida (Programa Umbrais).

2.1.3 Orientações para o futuro a) Visão renovada e comprometida da vida religiosa marista A vitalidade da nossa vocação e missão, em muitos lugares do Instituto, requer de nós uma visão renovada e comprometida da vida religiosa marista para o século XXI. Esse é o desafio subjacente quando falamos da necessidade de esclarecer a identidade do irmão marista. Enquanto isso não ocorre, corremos o risco de viver o nosso compromisso com hesitação e minamos a nossa própria pastoral vocacional. Além disso, vamos percebendo uma abordagem “à la carte” da espiritualidade. Esta seria seletiva e individualista, sem espaço para participar na comunhão marista e eclesial. Em outras situações, percebemos o enfraquecimento da fé, o qual diminui o sentido de consagração e seriamente debilita o conceito de vida religiosa. Em muitos lugares, o laicato marista está tomando o seu devido lugar na espiritualidade e missão do carisma de Marcelino. Na proporção em que a identidade dos leigos maristas se desenvolve, os Irmãos estão a perguntar-se: Qual é então a identidade do Irmão Marista?

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2.1 b) Vivência autêntica dos valores profundos da vida religiosa É preciso aprofundar a vivência autêntica dos valores profundos da vida religiosa, como santidade, consagração, comunidade, missão, votos, de acordo com uma inovadora fidelidade ao nosso carisma. Os processos necessitariam incluir uma decisiva reeducação de nós próprios acerca do que entendemos quando falamos de vocação e apelo, das vocações que existem na Igreja, seus elementos distintivos e complementares. Cremos que o processo melhoraria se acompanhado de um adequado estudo da vocação, nas dimensões religiosa e apostólica. Tal processo fortificaria a ‘cultura da vocação’ que cremos muito necessária para a vitalidade do Instituto.

c) Os programas de formação espiritual Embora os nossos esforços na renovação espiritual do Instituto tenham produzido fruto, vemos que há muito mais por fazer. O texto Água da Rocha visou a prover Irmãos e Leigos com um ponto de referência para a compreensão e vivência da nossa espiritualidade. O Ano da Espiritualidade foi como um contexto para tais atividades formativas, mas cremos que os programas de formação espiritual carecem de desenvolvimento. Antes de tudo, eles precisam existir; depois devem tocar as vidas dos participantes, devem conduzir a um crescimento pessoal e é preciso renová-los periodicamente. Reiteramos que as estruturas regionais de espiritualidade têm significativa função por exercer. Para os Irmãos, notamos que, em diversos lugares, há muito que fazer para haver verdadeira espiritualidade, com formas de oração realmente apostólicas. O nosso itinerário espiritual consiste num contínuo aprofundamento das nossas relações com Jesus e Maria. Só nos resta encorajar a todos os maristas neste seu compromisso.

d) Formação inicial O Conselho geral está em privilegiada posição para conhecer a realidade do Instituto na sua variedade de Províncias, culturas e circunstâncias existentes entre nós. Ademais, o Conselho tem singular responsabilidade pela vitalidade do Instituto, pela renovação de nossa vida e missão. O meio melhor de assegurar tal vitalidade reclama um programa efetivo e coordenado de formação inicial em cada Província e Região. Na consecução desta nossa vitalidade, recomendamos que o Superior geral e o Conselho exerçam uma liderança e função proativas, quer dizer, de antecipação, no assegurar a coordenação e efetividade da formação inicial.

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Como se disse acima, já se passaram quinze anos desde que se publicou o Guia de Formação. O texto foi o produto de extensos processos de consulta, reflexão e síntese da experiência. Cremos que está na hora de reiterar este processo, isto é, proceder a uma profunda avaliação da formação inicial em todo o Instituto. Ao passo que a natureza humana permanece constante, os contextos mudaram significativamente. Conteúdo, estruturas e processos da nossa formação inicial estão contemplando adequadamente o potencial e o desafio dessas novas realidades? Além disso, convém perguntar-nos se novas abordagens de formação foram desenvolvidos, desde a edição do Guia.

e) Formação permanente Estimulamos os responsáveis pelos planos de formação permanente a que continuem realizando uma avaliação periódica e adequada dos programas. Estes servem para dois objetivos: a renovação pessoal do Irmão e, mais generalizadamente, à do Instituto. Programas intercongregacionais, especialmente de congregações de Irmãos, são valiosos para reforçar nossa estima da vocação de Irmão. O próximo Capítulo geral, por certo, orientará as equipes de formadores, segundo as prioridades do Instituto. Isso servirá como ponto de referência para a atualização dos programas de renovação. O próximo Conselho geral vai ter igualmente um papel significativo na hora de estabelecer as diretrizes desses programas, dentro de sua missão de animar o Instituto, na conformidade com a visão do Capítulo geral. Para que os nossos programas continuem sendo a melhor experiência de renovação que se pode oferecer, recomendamos que ocorra uma cuidadosa avaliação dos planos de formação permanente, organizada pelo Conselho Geral. Temos em mente que tal avaliação precisa ser conduzida por uma equipe externa de especialistas.

f) Coordenação de esforços Em nível de Administração geral, processos de reflexão mais inclusivos e com melhor coordenação de esforços apoiarão a formação espiritual em todo o Instituto. De modo especial, temos em mente que, na nova Administração geral, os responsáveis pela Vida religiosa, Espiritualidade, Formação, Patrimônio e Postulação deverão refletir e planejar seus trabalhos de modo conjunto, harmonizando a animação de todo o Instituto. Finalmente, recomendamos que o próximo Conselho geral monte estruturas apropriadas para que nossa espiritualidade se desenvolva e seja animada continuamente, dada a importância que isso representa para a vitalidade do Instituto.

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2.2

EM COMUNIDADES RENOVADAS: COMO É BOM VIVER UNIDOS! REVITALIZAR NOSSAS COMUNIDADES PARA QUE SEJAM ESPAÇOS DE FRATERNIDADE, DE SIMPLICIDADE E DE VIDA EVANGÉLICA A SERVIÇO DA MISSÃO.

2.2.1 Nossa compreensão deste apelo

A experiência da vida comunitária que os membros do Capítulo geral de 2001 trouxeram de suas Províncias foi confirmada e completada pelas reflexões e debates das sessões capitulares. O sentimento de que nossas comunidades tinham necessidade de uma profunda renovação, para serem fiéis à sua identidade e para poder responder à sua missão, era forte e amplamente partilhado (22). A revitalização de nossas comunidades se impôs como um elemento essencial da visão expressa na mensagem “Escolhamos a vida”.

A comunidade viva, este valor essencial em nós, se afirma hoje no mundo como uma fonte de renovação das sociedades e como um dos melhores meios para enfrentar as incertezas do futuro. Esta afirmação é também válida para o nosso Instituto enquanto grupo, amplo, internacional e implantado em várias culturas. No entanto, nosso tipo de comunidade se distingue de vários outros; ela não é fruto de uma vontade humana. Ela não é o resultado de um desenvolvimento social. Ela é chamada e reunida por Jesus e construída sobre a sua pessoa. Desta maneira, a comunidade religiosa marista é um sinal

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da presença de Jesus em todos os lugares onde ela está implantada. Champagnat conferiu a ela a missão específica de irradiar o amor de Jesus entre os jovens, principalmente os mais desfavorecidos. Nós acreditamos, e esta é a nossa força, quando Jesus é o centro de nossa comunidade, somos pessoas e grupos sempre novos. Jesus nos guia como comunidade, na direção de um futuro a ser transformado pela força do seu evangelho. O Capítulo geral recomenda aos irmãos provinciais e a seus conselhos para que promovam comunidades que permitam o fortalecimento da vocação dos jovens irmãos, a acolhida dos jovens e dos leigos e o acompanhamento daqueles que estão em busca de sua vocação (44.5). O apelo a dar mais vitalidade às nossas comunidades é, portanto, um convite a renová-las, de maneira que possam construir-se novamente sobre seus verdadeiros fundamentos. Assim, não apenas serão elas fortificadas a partir do interior, para se tornarem lugar de crescimento e de desenvolvimento para os irmãos, mas também se tornarão um sinal, uma presença e um testemunho profético no seio da sociedade. Estamos convencidos de que a maneira concreta de revitalizar a comunidade é, antes de tudo, torná-la simples e viável, cultivando nela os valores humanos que manifestam a confiança mútua existente entre os irmãos. Um clima novo, assim criado, revela a presença de Jesus e favorece a adesão a uma visão da comunidade como sendo um valor essencial para a vitalidade do Instituto..

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2.2

2.2.2 Como colocamos em prática este apelo Nos diferentes níveis do Instituto, todos nós fomos convidados a contribuir para esta transformação a serviço da missão evangelizadora. A resposta reflete a imagem do Instituto: variada, complexa, exigente e comprometedora. A diferença de culturas, para citar apenas isso, traz certamente uma variedade de elementos e de acentos que é preciso aceitar e valorizar para enriquecer a resposta comum. Estas diferenças são observadas quando refletimos sobre a vida comunitária em geral e durante o trabalho de animação nas diversas Províncias e Regiões do Instituto. Uma diversidade aceita e consolidada reforça ao mesmo tempo os fundamentos da fidelidade à tradição marista de nossa vida comunitária. Nosso modo de colocar em prática a compreensão do apelo a revitalizar as comunidades se enriqueceu ao longo de nossas visitas às Províncias. Procuramos descrevê-la em oito pontos, a começar pelos três aspectos sugeridos pelo próprio apelo do Capítulo.

a) Espaço de fraternidade Em nossas visitas, constatamos que através de todo o Instituto a comunidade é afirmada como um lar, um espaço acolhedor e fraterno (23). Muitos irmãos falam de seu amor à comunidade. Eles confessam que aquilo que os ajuda mais a se aproximarem de Jesus e a serem fiéis, é a partilha da vida e da fé na comunidade. Constantemente encorajamos os Irmãos a guardar em seu coração essas experiências que fizeram ao sentirem-se entre “companheiros maravilhosos”, para que sirvam de referência durante os momentos difíceis. No entanto, é importante salientar que o profundo sentimento de fraternidade expresso pelos irmãos não é idílico. Os irmãos partilharam também suas inquietudes a respeito do individualismo, que invade as comunidades e ameaça constantemente seus valores, principalmente aquele da fraternidade. Aliás, um bom número de irmãos que pediram para deixar o Instituto coloca em questão a qualidade da vida comunitária. É o caso de nos interrogarmos a respeito disso. Com o segundo apelo, o Espírito nos interpelou para que revitalizássemos o grande amor fraterno que caracteriza a experiência de vida de muitos irmãos, como um sinal forte da vitalidade de uma comunidade marista. Hoje, oito anos mais tarde, constatamos que há um despertar, mas, ao mesmo tempo, o desafio continua sendo de grande atualidade.

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Em comunidades renovadas: Como é bom viver unidos!

b) A simplicidade A simplicidade sempre se impôs como um traço essencial da comunidade marista, segundo Champagnat. Aqueles que nos conhecem, porque estiveram ao nosso lado por longo tempo, nos dizem que é a dimensão que chama a atenção. Outros dizem que é a característica que realmente nos distingue. A simplicidade evoca o despojamento, mas, é ela que em nós dá o sentimento de plenitude e de orientação. Nos momentos de incerteza, diante das encruzilhadas dos caminhos, consideramos a simplicidade como um elemento essencial da direção que tomamos e da vida que escolhemos. O Capítulo geral a indicou como uma característica das comunidades revitalizadas. Nosso trabalho de animação nos conduziu freqüentemente a falar da simplicidade de atitudes e do estilo de vida dos irmãos. Em uma comunidade, ela é antes de tudo a confiança mútua nas relações entre os irmãos. Quando alguém aceita seus limites e sua vulnerabilidade, a comunicação fraterna torna-se possível e agradável em comunidade. Cria-se, então, um clima que favorece a maturidade de cada um e a vitalidade da comunidade. Nossas visitas às províncias foram quase sempre para nós uma verdadeira escola de simplicidade, particularmente no que se refere ao uso dos bens materiais. Freqüentemente, nós fomos testemunhas do contraste entre, de um lado, a complexidade, a sofisticação e mesmo a opulência de ambientes e obras em que trabalham os irmãos, e de outro lado, a vontade de muitos deles de levar vida simples, nesses ambientes. A falta de simplicidade na vida material ou no relacionamento entre os irmãos suscita rapidamente apelos espontâneos e vigorosos à fidelidade aos valores maristas. Ao mesmo tempo, é preciso admitir que em vários lugares a luta é permanente e o êxito é cada vez mais incerto. A pressão do consumismo é tão grande que se torna constante a tentação de adquirir tudo aquilo que agrada aos sentidos ou de não se recusar nada. Neste particular, para que nos conservemos testemunhas dos valores do Reino é preciso que estejamos vigilantes e ativos. Diante da crescente complexidade da sociedade, os irmãos e os jovens que lhes são confiados têm necessidade de comunidades onde se vive a simplicidade marista. Eles têm necessidade desses espaços de liberdade e de serenidade, onde são ouvidos e podem encontrar Jesus. A formação de comunidades vivas, acolhedoras e purificadas pela simplicidade é um aspecto crucial de nossa missão hoje.

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2.2 c) Locais de vida evangélica a serviço da missão Nossa missão exige o crescimento e a maturidade espirituais dos irmãos e das comunidades; um crescimento qualitativo que venha do interior. Certo número de experiências comunitárias no Instituto mostram que uma caminhada desse gênero se exprime, por um lado, através da vida simples e da atenção aos demais; por outro, em viver e partilhar os valores evangélicos em comunidade e com aqueles que os circundam. Essas atitudes e gestos de compromisso cristão são o alicerce e a fonte da revitalização da nossa missão na sociedade. Portanto, há necessidade de um movimento permanente entre os dois pólos – comunidade e missão – para que, de um lado, a motivação e a renovação, e de outro, o trabalho de evangelização, sejam mantidos. Colocar em prática o apelo do Capítulo em nossa missão é também animar as Províncias para que enfrentem a invasão dos meios de comunicação e do secularismo, fenômenos que prejudicam nossa vida em comunidade. Para isso, ao longo de nossas visitas, procuramos discernir com as Províncias como criar e oferecer locais físicos onde a vida evangélica seja tangível. Constantemente ouve-se dizer que o homem de hoje quer a experiência e o testemunho. Em nossos diversos encontros com os jovens, no decorrer de nossas visitas, constatamos que os jovens – destinatários de nossa missão – querem ver uma vida evangélica palpável, animada pela fé na realidade de cada dia, para alimentar a própria fé e sustentar seu compromisso. A comunidade marista é chamada a ser vanguarda na criação desses espaços privilegiados, onde os jovens podem fazer e viver essa experiência.

d) Como se percebe a comunidade Observamos que os irmãos têm uma visão diferenciada da comunidade. Segundo sua idade, sua formação, os tipos de apostolado, etc., os irmãos tendem a desenvolver uma visão particular da comunidade. Por exemplo, as novas gerações vivem a liberdade individual como um traço essencial de sua vida religiosa e comunitária, enquanto os irmãos mais idosos dão mais valor às estruturas e à disciplina religiosa. Essas duas visões são complementares em seus conteúdos evangélicos, desde que as diferenças levem a criar núcleos animados pela escuta mútua e pelo diálogo entre as gerações (24). A mentalidade individualista e independente, característica da sociedade atual, faz estragos nas comunidades. Por outro lado, também se alastra a tendência de considerar a comunidade como um simples fenômeno social. A dimensão profética, essencial à própria existência da vida comunitária, enfraquece e às vezes tende a desaparecer. Nesse caso, parece que o aceito como correto seria reduzir a vida de comunidade a uma simples questão de organização eficaz e de cortesia recíproca.

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Diante dessa tergiversação perniciosa, de raízes tão profundas e invasoras, nem sempre se dá uma resposta enérgica. As ações realizadas não estão à altura das necessidades. Muitas vezes, as boas reações suscitadas pela tomada de alguma iniciativa têm uma repercussão transitória.

Os contatos com as Províncias nos revelaram a importância das dificuldades devidas às percepções diferentes do que deve ser uma comunidade. Mas, notamos também a amplitude do trabalho realizado pelos Provinciais e seus conselhos, a fim de dar uma resposta a este desafio. Dentre os resultados deste esforço, atualmente não poucos irmãos manifestam sua admiração pelas virtudes próprias a uma geração diferente da sua, mais jovem ou mais idosa. Outros admiram o espírito de diálogo que, pouco a pouco, se instala nas comunidades. Frequentemente, afirmamos que a resposta a essa situação poderia encontrar-se na formação inicial. Mas, temos também necessidade de animadores de comunidade bem preparados para administrar essas diferenças de visão que se amplificam, à medida que a sociedade se transforma e se torna mais complexa.

e) Formação dos superiores Em um mundo cada vez mais sofisticado, com mudanças rápidas na sociedade e diversidade crescente nas experiências de um irmão a outro, o animador de uma comunidade marista precisa completar seus dons naturais e

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2.2 necessários com uma boa preparação à sua missão, mantida depois por uma contínua atualização (44.3). Somos conscientes do grande trabalho que fizeram as Províncias neste campo da formação dos animadores de comunidade. Várias Províncias criaram uma estrutura permanente que permita aos superiores locais de se encontrar regularmente, para fazer uma troca de experiências e para refletirem juntos sobre os temas e questões comuns. Algumas Províncias elaboraram planos de formação, com a duração de vários anos (44.2-3). Outras fizeram o mesmo unindo-se ou buscando o âmbito regional. Existem irmãos que algumas vezes manifestaram sua decepção em relação aos resultados concretos na vida das comunidades, depois de tantos esforços realizados. Efetivamente, a formação dos animadores de comunidade continua a ser um grande desafio em várias Províncias. Mas, existem também alguns resultados encorajadores. Por exemplo, os animadores de comunidade se sentem mais apoiados em seu papel e, de modo geral, se desenvolveu um clima de distensão que favorece a liberdade e o diálogo. Por outro lado, existe atualmente um consenso sobre a necessidade de formar adequadamente os animadores de comunidade. Nossa preocupação em torno do apelo a revitalizar as comunidades cresceu, à medida que entramos em contato com as Províncias e os irmãos. Constatamos que há muita inquietação em torno dessa questão. Estamos convencidos que a situação é crucial e é preciso permanecer atentos, abertos e criativos. Mas, felizmente, observamos também a determinação de vários irmãos, superiores provinciais e outros, em prosseguir o aprofundamento espiritual e a ação, para criar comunidades que estejam verdadeiramente a serviço da evangelização.

f) Visita às províncias Em nossas visitas às Províncias, procuramos dar uma atenção particular às necessidades de animação das comunidades (44.2-5). No decorrer da primeira visita, de modo particular, a atenção foi colocada sobre a comunidade enquanto estrutura de base do Instituto. Passamos alguns dias em todas as comunidades. As reuniões comunitárias foram grandes momentos de partilha. Os irmãos tiveram ocasião de partilhar a respeito dos acontecimentos de suas vidas e de seu itinerário na fé (42.2). Tivemos também uma entrevista pessoal com cada irmão. Nossos encontros com os Provinciais e seus Conselhos foram uma ocasião para partilharmos a respeito da vitalidade das comunidades e de oferecermos o nosso encorajamento. Nossas entrevistas eram essencialmente consagradas à reflexão e à busca de possíveis respostas às diversas questões que se apresentavam.

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Em várias províncias encontramos comunidades plenas de vitalidade. Essas comunidades, apesar de suas diferenças notórias, apresentavam, no entanto, traços comuns. Elas tinham, por exemplo, uma fidelidade notável aos momentos comunitários, como os tempos de oração, de refeição e de lazer que passavam juntos, etc. (43.6) 5. Segundo a experiência partilhada, estes momentos regulares de encontro contribuíram para desenvolver a escuta recíproca e a disponibilidade nas comunidades (43.3). Encontramos também algumas comunidades que, inspirando-se no apelo do Capítulo geral, introduziram explicitamente a opção “centrados em Jesus Cristo”, em seus projetos de vida comunitária. A constante referência a um projeto desse gênero ajudava os irmãos a irem diretamente à fonte, ao essencial. Admiramos e também apoiamos a criatividade das comunidades que acolhem de maneira habitual os jovens e que fazem uma partilha de vida e de fé (43.1). Geralmente os encontros compreendem um momento de oração, uma refeição e um tempo de recreação. Tudo isso se passa sem formalismos e os jovens podem se expressar livremente. Na medida em que essas experiências bem sucedidas eram isoladas e pouco comuns, nós encorajamos os provinciais e os irmãos dessas comunidades a identificar bem as razões de sua vitalidade, para poder aprofundá-las e partilhá-las com os outros, da maneira mais ampla possível.

5

Seán Sammon, Maravilhosos Companheiros. A Vida comunitária dos Irmãozinhos de Maria, pág. 68-70.

Os relatórios da visita às Províncias reservaram sempre um lugar importante à vitalidade das comunidades (22). As comunidades são apresentadas neles como células de base e, por isso, o espaço onde se mede a vitalidade do Instituto. Os irmãos são convidados, juntos e individualmente, a serem criativos na animação e na renovação de suas comunidades (43.1 e 6). Procuramos sensibilizar a todos sobre o papel essencial da comunidade para o equilíbrio pessoal e a vitalidade da Província e do Instituto.

g) Cursos organizados pela Administração geral para animadores de comunidade Em 2005, a comissão da vida religiosa do Conselho geral organizou e ofereceu um curso de formação de dois meses para os animadores de comunidade (44.3). Todas as províncias do Instituto foram convidadas a enviar seus representantes e a participar. Finalmente, duas sessões em língua espanhola foram organizadas no Escorial, Espanha, e uma sessão em língua inglesa foi organizada em Nemi, Roma. Os participantes dos cursos deviam comprometer-se a contribuir ao programa de animação das comunidades em suas Províncias e estender a formação recebida a outros animadores de comunidade de sua região. Em 2007, a Comissão da vida religiosa do Conselho geral estabeleceu um contato com os irmãos que participaram desses cursos, para verificar a sua contribuição em suas Províncias e Regiões de origem. Em torno de 45% dos participantes deram

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2.2 uma resposta ao questionário enviado. As informações recebidas mostravam algumas notáveis diferenças. Certo número desses animadores formados participa ativamente da elaboração e da realização dos programas provinciais e regionais que procuram estimular a liderança nas comunidades. Outros, no entanto, estão engajados em apostolados pouco ligados à animação das comunidades e não têm a possibilidade de partilhar as aquisições de sua formação.

h) «Maravilhosos companheiros» A ação mais ampla, no que se refere ao apelo a revitalizar as comunidades, foi sem dúvida a Circular “Maravilhosos companheiros”6. No decorrer de nossas visitas, algumas vezes os provinciais nos solicitaram para fazer um trabalho de animação sobre a vida comunitária. “Maravilhosos companheiros” tornou-se, nessas ocasiões, um instrumento precioso. Neste tempo de confusão sobre os diversos aspectos da comunidade, esta Circular ofereceu aos irmãos muita clareza e serenidade. Ao proporcionar referências comuns, a Circular contribuiu ao diálogo sobre a comunidade.

6

Seán Sammon, Maravilhosos companheiros. A Vida comunitária dos Irmãozinhos de Maria, Roma 2005.

A comunidade apareceu bem como uma construção, onde cada membro do grupo contribui com uma parte significativa. As perguntas que acompanham o texto ajudam os irmãos a se interrogarem sobre a leitura da realidade e sua participação em comunidade. A Circular forneceu boas bases para aqueles que querem refletir sobre o assunto. Uma das dificuldades que vemos freqüentemente nas comunidades é a polarização. De um lado estão aqueles que se sentem seguros nas estruturas conhecidas e rejeitam as mudanças, de outro lado estão aqueles que querem uma liberdade sem limites e declaram a espiritualidade como um assunto individual. Nos dois casos, a comunidade tende a se tornar irreal. “Maravilhosos companheiros” fez a comunidade sair de seu isolamento, estabelecendo solidamente suas ligações profundas com a identidade, com a missão e com a diversidade de culturas. Os irmãos são incentivados a viver uma vida comunitária situada em um mundo real e vivo, submetido a mudanças, que é preciso acolher e às quais é necessário adaptar-se. Os jovens, alvo privilegiado de nossa missão, representam esse mundo. Eles fazem parte dele. Finalmente, a Circular interpela os irmãos a res-

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Em comunidades renovadas: Como é bom viver unidos!

peito da infeliz tendência de reduzir a comunidade a um puro fenômeno social. Ela nos apresenta a comunidade como um ato de fé que escapa às definições enganosamente tranquilizadoras. Assim, o desafio da comunidade é restituído ao seu verdadeiro contexto, isto é, no seio da relação com Deus.

2.2.3 Orientações para o futuro a) Encorajar a reflexão e a animação Acreditamos que a vitalidade das comunidades continuará a ser um grande desafio do Instituto no decorrer dos próximos anos. Para responder-lhe de maneira efetiva e durável, as iniciativas a serem empreendidas deverão ser bem estudadas. Uma maneira de fazê-lo seria a de encorajar a reflexão e a animação das comunidades, tanto por parte da Administração geral quanto no âmbito das regiões e das províncias, e que essas três instâncias harmonizem seus trabalhos. Esta reflexão poderia basear-se em três pontos: ■ Um aprofundamento e um esclarecimento teológicos da vida comunitária. ■ Afirmação da ligação essencial entre a nossa vida comunitária, nossa identidade marista e nossa missão e sua expressão nas estruturas da comunidade. ■ A valorização e a revitalização do papel do superior de comunidade e o esclarecimento da missão ligada a esta função.

b) Cursos de formação Cursos de formação, como o do Escorial e Nemi em 2005, tiveram um resultado positivo em várias Províncias, principalmente quando havia um mecanismo de acompanhamento. Iniciativas semelhantes poderiam continuar úteis.

c) Reestruturação de comunidades Caberia pensar em uma reestruturação de comunidades? As comunidades distantes, muito pequenas e assoberbadas de trabalho têm a tendência a desenvolver uma visão contrária ao convite feito no segundo apelo do Capítulo geral de 2001.

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2.3

COM

OS LEIGOS: ALARGAR O ESPAÇO DA TENDA SENTIMO-NOS CHAMADOS A APROFUNDAR NOSSA IDENTIDADE ESPECÍFICA DE IRMÃOS E DE LEIGOS, NA PARTILHA DE VIDA: ESPIRITUALIDADE, MISSÃO, FORMAÇÃO...

2.3.1 Nossa compreensão deste apelo

O Papa João Paulo II exortou a Igreja universal para que, neste milênio apenas iniciado, o laicato tivesse um protagonismo especial: “Novas situações, tanto eclesiais como sociais, econômicas, políticas e culturais, reclamam, hoje, com força muito particular, a ação dos fiéis leigos”. E convida-os a aceitar o chamado do Senhor “para tomar parte ativa, consciente e responsável na missão da Igreja, nesta magnífica e dramática hora da história”.7

Como sugeria o Papa, o Instituto, ao longo dos últimos anos, sentiu-se comprometido na tarefa de “suscitar e alimentar uma tomada de consciência mais decidida do dom e da responsabilidade que todos os fiéis leigos – e cada um deles em particular – têm na comunhão e na missão da Igreja”.8 Ao falarmos concretamente do apelo que vem do Capítulo geral, parecenos que por trás dele se encontra mais a experiência dos capitulares, em suas próprias unidades administrativas, do que uma reflexão teóri8 Christifideles laici, 2 ca. Fala-se, na verdade, de uma rica experiência de partilhar irmãos e 7

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Christifideles laici, 3

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leigos (um dos verbos mais usados nesta parte) e se afirma uma profunda convicção: “Estamos convencidos de que o Espírito de vida nos conduz por este caminho comum” (29). O Instituto viveu nestes últimos anos um caminho desafiador, percorrido em comum por irmãos e leigos. Entretanto, o título que o documento capitular dá a este chamado cremos que expressa bem o convite de fundo, dirigido sobretudo aos irmãos: “Com os leigos: alargar o espaço da tenda”. Um convite claro, pois, para que cada irmão, cada comunidade marista, abra suas portas e seu coração, acolha sem preconceitos e se enriqueça na partilha. Encontramo-nos ante um fenômeno novo para o Instituto e, à medida que avançamos, é normal, que encontremos novas interrogações às quais será preciso responder conjuntamente. Destacamos, de maneira particular, uma grande preocupação pela identidade: recomenda-se, de fato, ao Conselho geral, que encoraje os irmãos e leigos a “explicitarem sua identidade marista: o que é comum, o que é específico, o que é complementar em nossas vocações e a esclarecerem as diferentes formas de ser leigo marista” (47.2). Em nossas visitas, escutamos frequentemente a pergunta: “O que é um leigo marista?” – na busca de mais compreensão e clareza. Parece, no entanto, que frequentemente essa pergunta esconde outra correlação: “O que é um irmão marista?” O Capítulo registrava, com efeito, como preocupação, o fato de que “com a perda das funções tradicionais, diversos irmãos se interrogam a res-

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2.3 peito do sentido da própria vocação e até colocam em questão a opção que fizeram” (11.3). Parece-nos também que o XX Capítulo geral, ao colocar juntas, neste apelo, a identidade dos leigos e a dos irmãos, queria sublinhar a complementaridade carismática de ambas vocações e a necessidade de interagir, certos de que “uma semelhante dinâmica eclesial redundará em benefício da própria renovação e da identidade da vida consagrada”.9

2.3.2 Como colocamos em prática este apelo a) O laicato marista, uma prioridade: avanços e reticências

9

Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica: Partir de Cristo, 31; cfr. Vita Consecrata, 55.

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Desde o início de nosso mandato, para sublinhar a importância que dávamos ao tema, foi constituída, primeiramente, a Comissão do Laicato Marista e, em seguida, após a Conferência geral de 2005, um Secretariado. Por circunstâncias diversas, não houve continuidade entre os irmãos nomeados como Secretários da Comissão até 2005, o que não favoreceu uma afirmação do serviço. A vinda, em abril de 2006, do Ir. Pau Fornells como Diretor do novo Secretariado dos Leigos significou um importante impulso, tanto para a Administração geral quanto para a relação com as distintas regiões do Instituto. Nosso agradecimento ao Ir. Pau por seu evidente entusiasmo e por sua grande capacidade de trabalho que já dão frutos.

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Com os leigos: Alargar o espaço da tenda

Conscientes de que o convite a “alargar a tenda” é dirigido, sobretudo aos irmãos, nossa impressão é de que, em geral, foram feitos notáveis progressos no Instituto, na abertura aos leigos; na corresponsabilidade em nossas obras educativas e numa maior tomada de consciência da vocação laical marista.

10

Ir. Seán Sammon, Circular “Tornar Jesus Cristo conhecido e amado”, pág. 5. 11

Entretanto, “há alguns irmãos que aceitam o movimento do laicato marista com reticências. Veem-no como sinal de enfraquecimento interno e apenas o consideram necessário devido à redução do número de irmãos”.10 Essa posição gera neles uma atitude de desconfiança e, em alguns casos, manifesta-se também em opções tomadas por alguns Superiores de Unidades administrativas e seu Conselhos, especialmente quando na tomada de decisões ou em sua aplicação se contradizem, de fato, os grandes princípios aos quais dizemos aderir.

b) Clarificando nossa identidade marista

Ir. Seán Sammon, Circular de Convocação para o XXI Capítulo geral, pág. 35 12

Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica: ‘Partir de Cristo’, 31.

No fim de nosso mandato, cremos que o convite a “explicitar a identidade marista” continua sendo um desafio para o Instituto: “A vocação de um irmão e a de uma leiga ou leigo marista são chamados distintos, mas necessários, para a plenitude da vida da Igreja. Precisamos esclarecer certa confusão a respeito da identidade de cada uma, descrevendo os elementos que as vocações dos irmãos e dos leigos e leigas maristas apresentam em comum, bem como aquelas características que tornam cada uma singular.” 11 Neste esforço de definição e de esclarecimento teremos que aprofundar nossa própria experiência em diálogo com os progressos da teologia do laicato e da vida religiosa. Será igualmente útil o diálogo franco e fraterno com as experiências de outras instituições. Outro aspecto que será preciso aprofundar é o das relações mútuas dessas identidades e de que maneira nos ajudamos e necessitamos, posto que “a comunhão e a reciprocidade na Igreja não são nunca de sentido único. Neste novo clima de comunhão eclesial, os sacerdotes, os religiosos e os leigos, longe e de se ignorarem mutuamente ou de se organizarem apenas em vista de atividades comuns, podem encontrar a justa relação de comunhão e uma nova experiência de fraternidade evangélica e de mútua emulação carismática, em complementaridade sempre respeitosa da diversidade.” 12 Esperamos que uma boa contribuição, nesta linha, seja a próxima publicação do documento “A vocação do leigo marista”, depois de um longo processo de estudos e consultas. O documento, confiado a uma Comissão internacional de leigos e irmãos que iniciou seu trabalho em 2006, não preten-

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2.3 de ser um tratado nem dizer a última palavra sobre a questão, mas quer responder ao objetivo de explicar melhor a vocação marista laical, baseando-se, sobretudo, em testemunhos de vida de leigos maristas.

c) Processos de formação conjunta e vitalidade carismática O XX Capítulo geral convidou os provinciais e seus Conselhos a implantarem ou a continuarem os programas de formação conjunta de irmãos e leigos (29 e 44.6). Ao Conselho geral, por sua vez, foi pedido apoio às Unidades administrativas com mais dificuldades para desenvolver esses programas (47.4). Poderíamos colocar neste parágrafo o apelo a promover em cada Unidade administrativa “experiências que favoreçam a partilha da missão, da espiritualidade e da vida com os leigos” (44.8), bem como facilitar o intercâmbio dessas experiências, em nível internacional, através dos meios de comunicação existentes no Instituto (47.6). Em 2004, foi enviado um Questionário sobre vários aspectos relacionados com o laicato marista. Quanto aos programas de formação existentes, percebemos que a maioria das unidades administrativas dispunham de programas para leigos, mas que poucas respondiam ao desejo do Capítulo, que solicitava programas para irmãos e leigos. Querendo apoiar essa linha de ação, em maio de 2007, houve em Les Avellanes (Espanha) um encontro internacional, com a participação de 22 Unidades administrativas do Instituto, sobre “Processos de formação conjunta de leigos e irmãos”. Acreditamos que o encontro de Les Avellanes foi muito significativo para dar uma nova orientação aos programas formativos conjuntos, tal como se concluiu de uma série de “elementos fundamentais” surgidos nessa reunião, e aplicados em dois encontros que lhe dão continuidade. Em Quito, Equador, em julho de 2008, para a área lingüística hispano-portuguesa e em Saint Paul-Trois-Châteaux, França, em abril e maio de 2009, para a área anglo-francesa. Já o nome dado a esses encontros (“Experiência sobre programas de formação conjunta e vitalidade carismática”) indica alguns aspectos de seu conteúdo, como por exemplo: a importância da experiência comunitária ou a união inseparável entre a vivência do carisma, espiritualidade e missão.

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Com os leigos: Alargar o espaço da tenda

d) Associação, corresponsabilidade, participação Queremos assinalar - como acontecimento muito significativo do caminhar conjunto de irmãos e leigos - a celebração da Assembleia da Missão Marista. O processo desenvolvido implicou numa estreita colaboração e interação, em cada uma das fases da Assembléia e em todos os níveis do Instituto, refletindo uma rica diversidade nos modos de participar na missão marista e na adesão ao carisma. Por outra parte, no documento final foi destacada, com um parágrafo próprio, a importância do tema: “Maristas de Champagnat na missão partilhada”. As convicções e contribuições expressas nesse documento, tanto em nível de vocação como de missão, constituem um reflexo de quanto aflorou nas Unidades administrativas, durante o processo da Assembleia e de quanto pensamos e sentimos, irmãos e leigos, em todo o Instituto.

A respeito da associação dos leigos e de sua participação na vida do Instituto, o Capítulo convida as Unidades administrativas a “implantar as estruturas necessárias para tornar efetiva a corresponsabilidade entre irmãos e leigos, no planejamento, na animação e na gestão das obras” (44.7). O Conselho geral terá uma responsabilidade semelhante de fazer com que “os leigos participem de modo apropriado, em algumas instâncias de governo do Instituto” (47.5). É convidado também a “estudar as distintas formas de pertença ao Instituto e que, de acordo com os provinciais e seus conselhos, permita aos leigos de viverem (ad experimentum) variadas formas de compromisso marista. A partir dessas experiências, o Conselho geral esclarecerá os tipos de vinculação jurídica que, eventualmente, possibilitem tomar uma decisão no XXI Capítulo geral” (47.3).

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2.3 Fomos testemunhas, durante esses anos de nosso mandato, das tentativas levadas a efeito em muitas Unidades administrativas e na própria Administração geral, para encontrar e implantar estruturas que facilitem o exercício da corresponsabilidade solicitada pelo Capítulo. Nesse sentido, precisamos reconhecer que há Unidades administrativas que deram grandes passos, enquanto outras estão apenas iniciando. Como opção concreta para facilitar a participação dos leigos na Administração geral, particularmente nesta área que os afeta diretamente, foi criado no seio do Secretariado dos Leigos um “Secretariado ampliado”, de caráter consultivo, formado por três leigos/as e dois irmãos. O Movimento Champagnat da Família Marista conta, atualmente, com umas 300 Fraternidades, nas quais participam em torno de 3.600 pessoas. Quase 95% dessas Fraternidades são da América e Europa; as demais estão na África e na Ásia. Na Oceania não temos nenhuma. Durante nosso mandato tentamos promover e/ou apoiar a coordenação e a partilha, em nível regional, especialmente na América e na Europa. Com efeito, neste último continente funciona, desde 2007, um Conselho de delegados do Movimento Champagnat. Acreditamos, como afirmou o XIX Capítulo geral, que “o Projeto de vida do Movimento Champagnat oferece aos leigos um caminho válido de viver a espiritualidade marista”, e estamos conscientes de que para muitas pessoas esse foi um lugar muito adequado para seu crescimento pessoal e para seu compromisso cristão. Em nossos contatos com as Fraternidades do MChFM percebemos um alto nível de adesão institucional, entusiasmo e vontade sincera de viver o carisma marista em comunidade. Entretanto, constatamos, na maioria das UA, a preocupação com a futura geração, visto que por motivos vários, o Movimento Champagnat não logrou atrair as novas gerações que vão surgindo da pastoral juvenil marista. Lembremos que o Capítulo convidou todas as comunidades do Instituto a promover a constituição de Fraternidades do Movimento Champagnat ou outras possíveis formas de associação (43.10). O estudo das “distintas formas de pertença ao Instituto” que o XX Capítulo geral pedia estará incluído no Documento sobre “A vocação do leigo marista”, mas consideramos que neste campo se avançou muito

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Com os leigos: Alargar o espaço da tenda

pouco. Em poucas Unidades administrativas há experiências de novas maneiras de Associação, mas em estado ainda embrionário. As poucas experiências realizadas no Instituto parecem-nos insuficientes para tirar conclusões, no momento atual, e para fazer propostas para o futuro. Mais da metade das Unidades administrativas do Instituto têm alguma comunidade que, de maneira intencional, conta com a presença de leigos, tal como recomendava o Capítulo (30 e 44.8). O estilo e os modos concretos de organizar-se e de realizar a experiência são muito diferentes de um lugar para outro, tendo em conta as circunstâncias de cada UA, os fatores culturais ou outros; podemos, em todo caso, considerar três variantes: as experiências criadas para favorecer o voluntariado; aquelas de discernimento vocacional; e as que nasceram com a finalidade de partilhar vida e missão. Uma comunidade especialmente significativa, devido à sua visibilidade para o Instituto, será aquela da acolhida, no prédio reformado de l’Hermitage. Internacional desde sua origem, foi criada pelo Conselho geral e pela Província de l’Hermitage. Embora não inicie oficialmente antes de fevereiro de 2010, seus futuros membros já começaram a preparar-se e a planejar juntos. Segundo eles, veem-se como “uma comunidade marista de irmãos e leigos, comprometidos em viver com fervor o carisma e a espiritualidade herdados de São Marcelino. Inspirados na atitude de escuta de Maria, nossa Boa Mãe, queremos fazer dos ‘lugares maristas’ um centro de espiritualidade aberto a todo o Instituto marista e à Igreja local. Por isso, desejamos dedicar nossas forças a que nossa comunidade viva de tal modo que os ‘lugares maristas’ sejam um espaço onde todos se sintam acolhidos com o calor do carisma marista, encontrem incentivo e oportunidade para fortalecer processos de crescimento espiritual e aprofundem sua experiência e conhecimento do carisma marista”.

2.3.3 Orientações para o futuro a) A vocação do leigo marista Consideramos que a publicação do documento “A vocação do leigo marista” poderá ser uma boa oportunidade para tomar consciência dessa vocação específica, e de sua relação com a vocação do irmão, e isso da parte de leigos como de irmãos. Muito dependerá de como se trabalhe e aprofunde esse estudo, em cada uma das Unidades administrativas.

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2.3 Um desafio peculiar será o equilíbrio entre uma especial atenção aos leigos maristas vocacionados e - sem deixar de ser inclusivos - a oportunidade oferecida a outras pessoas, com outro tipo de adesão ao carisma, de modo a sentirem que há lugar para elas.

b) Processos de formação conjunta e vitalidade carismática Além de dar continuidade aos programas de formação existentes em diversos níveis, cremos que convém aprofundar os processos iniciados com as “Experiências sobre processos de formação conjunta e vitalidade carismática”. Parece-nos, pois, que deveriam continuar até concretizá-los em cada uma das UA.

c) Novas formas de vinculação ao carisma marista Pensando nas “diversas formas de pertença ao Instituto”, parece-nos que a Assembléia da Missão Marista sinalizou uma mudança de orientação importante, visto que fala de “suscitar novas formas de vinculação ao carisma marista”, mais do que vinculação ao Instituto. Parece-nos que este caminho, sugerido por leigos e irmãos, deveria ser explorado no futuro.

d) Uma nova pastoral vocacional marista Tendo em conta a complementaridade das vocações de irmão e de leigo maristas, recolhemos o desafio, lançado pela Assembléia da Missão Marista, de “promover uma nova pastoral vocacional marista”, já lembrado pelo XX Capítulo geral que convidava cada irmão a “promover a vocação marista de irmãos e de leigos” (42.5).

e) Processos formativos e acompanhamento pessoal Para os leigos que querem viver sua vida cristã como maristas, pensamos que será preciso preparar processos formativos adequados às suas necessidades, bem como um acompanhamento pessoal de qualidade, em nível humano e espiritual. Muitas vezes nas UA se prioriza o acompanhamento grupal, mas muitos leigos falaram dessa necessidade que, em muitos casos, permanece no desejo.

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Com os leigos: Alargar o espaço da tenda

f) Maior articulação do laicato marista É vital uma maior articulação do laicato marista, em nível provincial, regional e internacional. Os leigos mais identificados com o carisma marista e com capacidade de reflexão e de liderança deveriam poder reunir-se para aprofundar as respostas que o Espírito lhe pede.

g) O elemento comunitário Consideramos que o elemento comunitário, fundamental no carisma que herdamos de Marcelino Champagnat, deve continuar a desenvolver-se através de suas distintas expressões: fraternidades do Movimento Champagnat e outros grupos; comunidades formadas por irmãos e leigos, etc. Em 2010, celebraremos o 25º aniversário da implantação do Movimento Champagnat: não seria esse um bom momento para avaliar o Movimento e programar seu futuro?

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2.4

MISSÃO E

SOLIDARIEDADE: UM FOGO QUE ABRASA E CONSOME AVANÇAR JUNTOS, IRMÃOS E LEIGOS, DE MANEIRA RESOLUTA E MANIFESTA, APROXIMANDO-NOS MAIS DAS CRIANÇAS E DOS JOVENS MAIS POBRES E EXCLUÍDOS, MEDIANTE NOVOS CAMINHOS DE EDUCAÇÃO, DE EVANGELIZAÇÃO E DE SOLIDARIEDADE.

2.4.1 Nossa compreensão deste apelo

Entendemos que o XX Capítulo geral se fez eco, em primeiro lugar, ao chamado de unir “missão” e “solidariedade” sob um mesmo título, constituindo para ele uma só Comissão, a tratar ambos os temas, diferentemente dos capitulares do XIX Capítulo geral. Temos a impressão de reconhecer nisso um convite ao Instituto inteiro para viver, na unidade de corações e de ação, esse apelo tão forte, e para superar tensões de grupos entre nós.

Mas, parece-nos, o apelo não oferece muito espaço para interpretações e que é absolutamente claro em seu objetivo: “avançar… aproximandonos mais das crianças e dos jovens mais pobres e excluídos” (31). Os capitulares - mesmo reconhecendo o trabalho feito em nossas instituições educativas - expressam um sentido de urgência, pois “ainda falta muito caminho a percorrer” (32): “avançar...de maneira resoluta e manifesta” (31); “aspiramos intensamente a que nossas instituições sejam mais evangelizadoras e promotoras da justiça” (33); “procuramos novas presenças que expressem nossa opção preferencial pelos pobres” (34 e 48.7).

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O Capítulo nos oferece ainda dois grandes eixos como critérios avaliadores de nossas obras educativas: “a evangelização e a opção preferencial pelos pobres e excluídos” (45.2).

2.4.2 Como colocamos em prática este apelo a) “Missão e solidariedade: um fogo que abrasa e consome” O apelo dirigido ao Instituto é muito claro, mas percebemos que, de fato, há entre os irmãos “profundas diferenças de opinião” sobre o tema13. Como cumprir um mandato tão claro como o de “encorajar o deslocamento e novas presenças de irmãos, comunidades e obras em direção aos pobres” (48.7) e ao mesmo tempo contribuir na superação dessas diferenças de opinião que criaram barreiras invisíveis entre nós? Ao longo desses anos, em nosso trabalho tentamos ser claros sobre o que o Capítulo pedia ao Instituto (a Circular “Tornar Jesus Cristo conhecido e amado” pode ser um bom exemplo disso) e assim o expressamos em nossas visitas às unidades administrativas do Instituto, especialmente nos relatórios finais. No entanto, transmitimos, pari-passu, nossa convicção profunda de que este é um chamado para unir e

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Ir. Seán Sammon, Circular “Tornar Jesus Cristo conhecido e amado”. Pág. 63 e ss.

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2.4 não para dividir; mais para economizar forças do que perdê-las em discussões estéreis: todos nós somos chamados a “avançar... aproximando-nos mais das crianças e dos jovens mais pobres e excluídos (31), ainda que nem todos sejamos chamados a fazê-lo do mesmo modo, como já o reconhecia o XIX Capítulo geral.14 Através do trabalho da Comissão da Missão (na qual teve um papel importante o Ir. Juan Miguel Anaya, a quem agradecemos o excelente trabalho como Secretário executivo), optou-se, conscientemente, por atender e apoiar, do melhor modo possível, os diferentes campos da missão marista (exemplo disso poderiam ser os encontros internacionais promovidos: gestão de obras educativas, pastoral juvenil marista, universidades maristas, obras sociais maristas...). Acreditamos que foi uma maneira prática de sublinhar, no espírito da “Missão Educativa Marista”, que há apenas uma missão, expressa através de rostos e formas diferentes. Esta, em vez de ser uma limitação, é justamente sua riqueza. Temos a impressão que, embora ainda persistam entre nós “profundas diferenças de opinião”, vinculadas mais a fatores emotivos, essas são vividas com atitudes mais serenas e pacíficas do que no passado. Quanto ao avanço “na aproximação das crianças e jovens mais pobres e excluídos”, cremos que houve avanços significativos no Instituto, em primeiro lugar através de uma crescente identificação de irmãos e leigos 14 Atas do com este apelo, independentemente do lugar em que desenvolvem sua XIX Capítulo geral, missão marista. Mas também se avançou graças à implantação de novas Solidariedade, 19. presenças diretamente a serviço desses jovens e crianças, como também

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através do trabalho realizado dentro de nossas atuais instituições: educação para a solidariedade, tanto teórica como prática; maior abertura na admissão aos centros, dando preferência aos mais necessitados; atenção especial a alunos com necessidades educativas especiais; etc. Entretanto, a partir das impressões de nossas visitas, cremos que um bom número de Unidades administrativas não deu passos significativos, nestes últimos anos, para cumprir o mandato do Capítulo de criar “novas presenças entre os pobres... que favoreçam um novo estilo de vida religiosa marista, vivendo com e como o povo simples e pobre, e em número tal que faça reconhecer que nossa opção preferencial por eles é efetiva” (48.7). Por nossa parte - enquanto Conselho geral - reconhecemos que, ao optar por um tipo de animação da missão que compreende múltiplos aspectos, não promovemos uma animação explícita e suficiente de alguns mandatos do Capítulo geral, nesta linha; assim quando se pede que o Conselho “encoraje o deslocamento e novas presenças de irmãos, comunidades e obras em direção aos pobres” (48.7) ou se pede aos responsáveis das UA “que as obras apostólicas sejam avaliadas e, se necessário, que sejam reorientadas de tal forma que elas se situem na linha da evangelização e da opção preferencial pelos pobres e excluídos” (45.2).

b) Evangelizar, nossa razão de ser Conscientes de que “tornar Jesus Cristo conhecido e amado” é o coração de nossa missão, esforçamo-nos, em nossas visitas às Unidades administrativas, para valorizar os esforços feitos neste campo da evangelização e para animar a perseverança neste caminho. Parece-nos que, em boa parte do Instituto, foram feitos esforços notáveis para qualificar nossas obras educativas como centros de evangelização para as crianças e jovens: destinação de pessoas e de meios em nível provincial; organização de equipe de pastoral nos centros; elaboração de material próprio para a formação religiosa, as celebrações, os retiros; avaliação dos centros segundo critérios de evangelização previamente estabelecidos; promoção da pastoral juvenil e outros. Lamentavelmente, ainda há alguns lugares onde é difícil imaginar que a evangelização seja a prioridade e o centro de nossas obras educativas. Em mais da metade das Unidades administrativas do Instituto, a Pastoral Juvenil Marista (PJM) existe de modo organizado e sistemático e, muitas vezes, com uma longa experiência. A experiência nos diz que a PJM é um lugar privilegiado para a evangelização dos jovens, que trata de promover seu crescimento integral, bem como de acompanhá-los em seu caminho para chegarem a ser discípulos comprometidos de Jesus.

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2.4 Com o objetivo de registrar a experiência do Instituto na PJM, constituímos uma Comissão internacional que elabora um Documento de referência, de modo a promover sua consolidação onde já existe, e sua implantação nas UA em que não é conhecida.

c) Fondazione Marista per la Solidarietà Internazionale (FMSI) Desde sua fundação, em 1995, o BIS (Secretariado Internacional de Solidariedade) atuou de modo muito positivo em várias áreas: animação da solidariedade; financiamento de microprojetos; apoio à organização de projetos e procura de financiamento externo; trabalho em rede com outras organizações. Considerando apenas o apoio financeiro à missão do Instituto, podemos dizer que na área de microprojetos (mantidos com fundos do Instituto até o montante de 5.000 USD por projeto) no período compreendido entre 2001-2008, foi investido em torno de um milhão de dólares. Nesse mesmo período, o BIS procurou financiamento para 138 projetos, num valor superior a cinco milhões de dólares. É oportuno destacar a extraordinária resposta do Instituto, face a situações de emergência nas quais se pediu a colaboração econômica, como, por exemplo, no caso de Goma e Bobandana, ou depois do tsunami no sudeste asiático (1.700.217 USD no total). Em janeiro de 2004, o Conselho geral, como fez com outros organismos da Administração geral, promoveu uma avaliação do BIS por uma equipe internacional, a qual deu suas recomendações em junho do mesmo ano. Baseado sobretudo nessa avaliação, um Plano estratégico para o BIS (2005-2009) foi aprovado pelo Conselho, em janeiro de 2005. Um dos frutos mais evidentes desse tempo de reflexão foi o acento colocado na defesa dos direitos da criança, em nome do Instituto, como tarefa primordial para o BIS. Com essa finalidade foi nomeado, em 2005, o Ir. César Henríquez como “Delegado da promoção e defesa dos direitos da criança”, junto ao organismo correspondente das Nações Unidas, com sede em Genebra, seguindo uma recomendação do XX Capítulo geral, que sugeria “a representação junto a organis-

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mos internacionais de educação e de solidariedade” (48.6). Em setembro de 2006 foi morar nessa cidade, integrando uma comunidade da Província de l’Hermitage, à qual agradecemos o apoio dado para essa acolhida fraternal. Os três anos de trabalho do Ir. César nesse campo, novo para o Instituto marista, foram úteis para estabelecer a base de futuros desenvolvimentos: muito obrigado! Agradecemos também a disponibilidade e a generosidade do Ir. James Jolley, novo Delegado em Genebra, que dará continuidade a esse importante trabalho, nos próximos anos. Para que o Instituto possa continuar essa missão de defesa dos direitos da criança, junto às Nações Unidas, foi preciso criar uma ONG com caráter internacional, em outubro de 2007, recebendo o nome de “Fondazione Marista per la Solidarietà Internazionale” (FMSI). Em abril de 2008, foi oficialmente inscrita no Registro de Pessoas Jurídicas do Governo italiano. Uns meses antes, recebera o reconhecimento de “ONLUS” (entidade não-lucrativa e de utilidade social). Com o reconhecimento da personalidade jurídica da FMSI, foi começado o processo para conseguir o reconhecimento do estatuto de ONG, junto ao ECOSOC (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas), o qual deverá estar concluído em 2010. A criação da FMSI e seu reconhecimento como “ONLUS”, por outra parte, confere ao Instituto a possibilidade de receber fundos que possam ajudar o financiamento de nossa missão entre as crianças e os jovens mais pobres e excluídos. Essa criação torna necessária a reorganização do BIS. A FMSI será gestionada pelo pessoal do BIS. Será preciso separar cuidadosamente os projetos a serem ajudados pela FMSI e os que continuarão a receber a ajuda do BIS. Toda a equipe do BIS (Roma e Genebra) trabalhou com idealismo e entusiasmo para que a FMSI fosse criada e reconhecida e, atualmente, estão apoiando com criatividade os primeiros passos dessa nova ONG marista que representa todo o Instituto. Agradecemos sinceramente ao Ir. Dominick Pujia e às secretárias Sara Panciroli e Ângela Petenzi a delicadeza, o entusiasmo e a grande dose de paciência com que dão um precioso apoio à missão do Instituto. Desde agora, damos cordiais boas-

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2.4 vindas ao Ir. Richard Carey que vai substituir o Ir. Dominick, a partir de 1º de novembro de 2009.

d) Nossa internacionalidade a serviço da missão “Fomos um Instituto internacional durante mais de um século, mas nem sempre atuamos como tal”9. Por isso, o Conselho geral se interessou em afirmar o sentido de pertença a um Instituto internacional e de aproveitar as possibilidades que essa realidade nos oferece. A Comissão da Missão, com a convicção de que a internacionalidade é uma riqueza que deve ser aproveitada, favoreceu o trabalho em rede, em nível continental, constituindo as equipes continentais da Missão, onde estas ainda não existiam; responsabilizando-se por elas, quando as circunstâncias o requeriam; ou ainda apoiando-as, quando haviam sido criadas pela união de várias Unidades administrativas, como foi o caso da Oceania. Na América, Europa e África foram criadas novas equipes, em comum acordo com os provinciais da área correspondente. Em todos os casos, sempre de acordo com as possibilidades da região, as equipes foram muito ativas e facilitaram a partilha nas diferentes áreas da Missão marista. A tardia reestruturação da Ásia não facilitou a cria15 Ir. Seán Sammon, ção de uma equipe para esse Continente. Carta convocatória da Conferência geral de 2005, pág. 12.

Outros exemplos do trabalho em rede, nessa área da Missão, superando os limites geográficos de nossas Unidades administrativas, poderiam ser a consolidação de uma Rede internacional de Instituições maristas que trabalham na Educação Superior, assim como a produção de um documento sobre sua identidade e missão; a oferta conjunta de uma Pós-graduação em Missão e Espiritualidade Maristas; a constituição de uma Equipe internacional para redigir um documento orientador da Pastoral Juvenil Marista para todo o Instituto. Em algum momento de nosso mandato chegamos a falar sobre a possibilidade de oferecer um serviço de Voluntariado internacional pa-

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ra todo o Instituto; mas finalmente decidimos que se houvesse pedidos nesse sentido, seriam encaminhados às organizações maristas já existentes. Assim mesmo, é nosso parecer que um serviço que a Administração geral poderia oferecer a pessoas voluntárias (irmãos e leigos) seria o de promover ações coordenadas, ante situações de emergência. Uma das atividades mais significativas promovidas durante nosso mandato, na linha dos apelos do XX Capítulo geral, foi a celebração da “Assembleia internacional da missão marista”. Durante quase dois anos, mais de 20.000 pessoas implicadas na Missão marista participaram num processo de reflexão, diálogo e celebração. As diversas etapas (local, provincial, regional e final) supuseram um aprofundamento das grandes linhas marcadas pelo XX Capítulo geral. O documento elaborado na fase final da Assembleia, em Mendes (setembro de 2007), recolhe três urgências diretamente vinculadas à Missão marista e ao mesmo tempo oferece sugestões para sua aplicação: a evangelização; os novos desafios da educação marista; a defesa e promoção dos direitos das crianças e dos jovens.

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2.4 e) Missão ‘ad gentes’ Os irmãos capitulares reconheceram que “o fogo de Pentecostes nos impulsiona a avançar para a missão ‘ad gentes’ com toda a Igreja” (36 e 46). Em resposta a este apelo, o Conselho lançou, depois da Conferência geral de 2005, o chamado projeto missão ‘ad gentes’ voltado, sobretudo, para a Ásia. Por trás do projeto está a convicção de que este “é um dos elementos que estão no coração de nossa identidade como Pequenos Irmãos de Marcelino” e de que “este chamado a uma nova missão ‘ad gentes’ na Ásia vem do Espírito”16.

16

Ir. Seán Sammon, Circular “Tornar Jesus Cristo conhecido e amado”, pág. 93 e 106.

Uma carta pessoal do Ir. Superior geral a todos os irmãos do Instituto (2 de janeiro de 2006) explicando o projeto e convidando aqueles que sentissem o apelo interior a se oferecerem como voluntários, significou uma reviravolta para muitos irmãos. Assim expressaram-no os 186 que deram sua resposta pessoal à carta do Ir. Seán. Um bom número observou que a decisão de oferecer-se para o projeto significou um renovado entusiasmo e um volver às fontes da sua vocação religiosa. De modo geral, cremos que o projeto contribuiu para criar uma “nova cultura missionária” entre nós, ajudando-nos a superar as fronteiras de nossas Unidades administrativas ou de nossos países, e a cultivar a disponibilidade de um coração missionário, independentemente do país em que estejamos. O projeto significou um aumento considerável de trabalho para a Administração geral, mas graças à boa organização dos Irmãos Michel Flanigan e Ivan Buenfil, em Roma, assim como o paciente trabalho de acompanhamento e preparação da Equipe formadora de Davao (Irs. Tim Lee, Alfredo Herrera e Roy Dita) tudo se desenvolveu da melhor maneira possível. Destacamos a paciente tarefa do Ir. Michael Flanigan, que abriu caminho às novas presenças missionárias, encontrando os Bispos e pesquisando possibilidades em oito países. A todos, o nosso mais sincera agradecimento! Muito obrigado também aos Irmãos Michel de Waas e Jude Pieterse (respectivamente, Superior e Ecônomo do Setor), os quais, com suas qualidades de

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Missão e solidariedade: Um fogo que abrasa e consome

liderança e de administração, garantem o acompanhamento concreto aos nossos Irmãos no dia-a-dia. Precisamos igualmente agradecer a generosa contribuição de algumas Províncias para o financiamento do projeto, somada a outras, provenientes de agências e doadores externos. Em julho de 2008, o Setor ad Gentes da Ásia enviara em missão, para 6 países (Bangladesh, Camboja, Índia, Tailândia e outros dois), 41 Irmãos de 21 nacionalidades. Possivelmente, quando iniciar o XXI Capítulo geral, outros 10 irmãos começarão sua integração no Setor. Não esqueçamos que 15 irmãos que se ofereceram para o projeto, foram orientados para comunidades de outros continentes (3 no Haiti, 3 na Argélia, 5 no Canadá, 2 em Cuba, um em Gana e um em Angola). Houve também aqueles que, por diversas razões, iniciaram sua formação em Davao, mas decidiram retornar às suas Províncias de origem. Considerando que 26 irmãos se ofereceram para integrar o projeto depois de 2009, pensamos que, finalmente, quando o programa atingir seu fim, em torno de uma centena de irmãos terão deixado seus lugares de origem para integrar o Setor ‘ad gentes’ da Ásia, ou para trabalhar em outros continentes. Embora inicialmente se tenha pensado em incorporar leigos nesse projeto, em forma de voluntariado, a partir de 2008, o Conselho geral considerou ser melhor esperar até que as comunidades estejam mais consolidadas.

2.4.3 Orientações para o futuro a) O apelo do Capítulo geral Acreditamos que o apelo do Capítulo geral continua tendo toda sua atualidade e que deveria continuar como ponto de referência para a missão marista: “Avançar juntos, irmãos e leigos, de maneira resoluta e manifesta, aproximando-nos mais das crianças e dos jovens mais pobres e excluídos, mediante novos caminhos de educação, de evangelização e de solidariedade”. Todas as nossas Unidades administrativas deveriam ser reconhecíveis por seu compromisso efetivo com as crianças e os jovens mais pobres e excluídos, seja pela abertura e pelas prioridades de nossas instituições atuais, seja pelos recursos colocados diretamente a seu serviço, bem como pelo número de pessoas dedicadas a eles.

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2.4 b) A defesa e a promoção dos direitos das crianças e dos jovens Entendemos que a defesa e a promoção dos direitos das crianças e dos jovens é um modo concreto de colocar-se a serviço dos excluídos, como reconhecia a Assembleia internacional da missão marista. A consolidação de nosso escritório em Genebra bem como seu conhecimento progressivo por todo o Instituto será um modo excelente de fortalecer esse novo apostolado.

c) A captação de recursos Ante a crescente dificuldade de apoiar economicamente muitas de nossas presenças apostólicas, consideramos que a FMSI deverá aumentar, nos próximos anos, a captação de recursos, públicos e privados.

d) A internacionalidade do Instituto Apesar da resistência de algumas Unidades administrativas em comprometer-se de maneira ativa no trabalho e na colaboração em nível supraprovincial, parece-nos ser este um caminho a ser fortalecido no futuro, aprofundando o que significa, de verdade, a internacionalidade do Instituto. Trata-se da disponibilidade para participar de equipes ou encon-

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Missão e solidariedade: Um fogo que abrasa e consome

tros internacionais, mas, sobretudo, da consciência de que os irmãos professaram para o Instituto e não apenas para uma Unidade administrativa ou área geográfica. Sugerimos que se fortaleça a Pastoral Juvenil Marista (PJM) em todo o Instituto, a partir das orientações contidas no futuro documento sobre a PJM, e que a ela se destinem os meios adequados, nos vários níveis: local, provincial, regional, administração geral. Parece-nos que o processo vivido em consequência da Assembleia internacional da missão marista é válido para o futuro e que, por isso, seria bom promover algo similar, nos próximos anos. A Assembleia Internacional da Missão Marista registra, em seu documento final, a importância de ajudar a garantir o direito à educação das crianças e dos jovens, e traz alguns desafios atuais: “educação evangelizadora; educação comprometida com a solidariedade e a transformação social; atenta às culturas e ao respeito do meio-ambiente; uma educação sem discriminação e que cria espaços para aqueles que dela carecem”. Pensamos que indica todo um plano de ação para o Instituto, nos próximos anos. Cremos que a missão ‘ad gentes’, através das comunidades internacionais, tal como as promoveu o atual projeto, responde perfeitamente à identidade de nosso Instituto e percebemo-la como uma excelente fonte de vitalidade. Esta linha de ação parece-nos dever continuar de alguma maneira, no futuro, mantendo a prioridade pela Ásia. Igualmente pensamos que seria bom continuar com a dedicação exclusiva de um Irmão da Administração geral ao projeto. Com o objetivo de garantir um trabalho educativo em situações de emergência para crianças e jovens com alto risco (campos de refugiados; zonas de imigração; etc.), recomendamos o desenvolvimento de um serviço de voluntariado marista internacional (para irmãos e leigos), em nível de Instituto, que permita atuações rápidas e coordenadas.

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2.5

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO E GOVERNO: “LAVEM OS PÉS

UNS AOS OUTROS”

CRIAR, EM TODOS OS NÍVEIS, ESTRUTURAS DE ANIMAÇÃO E DE GOVERNO QUE IMPULSIONEM A VITALIDADE DO INSTITUTO.

2.5.1 Nossa compreensão deste apelo

17

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3, p. 54-57. 18

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.A.2, p. 54 19

Constituições, 130-137 20

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.1.5, p. 54 21

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Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.1.4

O ponto de partida é a visão do XX Capítulo geral, expresso globalmente no Documento oficial “Escolhamos a Vida”, n. 38-40 e, mais especificamente, nas Atas do 20º Capítulo Geral 17. O objetivo principal está claramente estabelecido: fomentar a vitalidade do Instituto. Para tal meta, o Conselho geral tem duas funções: governo e animação18.

A função de governo é traçada pelas nossas Constituições19 e diz respeito a decisões como: indicar os Provinciais; aprovar as normas da Província; aprovar a venda de terreno, construção etc. Significativamente, o Conselho leva recomendações ao Superior geral em matérias tais como pedidos de deixar o Instituto, exclaustração etc. O XX Capítulo geral solicitou que o Conselho seja pastoral no exercício de tal incumbência20. A responsabilidade pela animação do Instituto é menos predeterminada pelas nossas Constituições. Cada Conselho geral começa o seu termo com os mandatos conferidos pelo Capítulo geral que o elege. Além disso, com o passar do tempo e na medida em que o Conselho adquire conhecimento mais claro da realidade de todo o Instituto, o Conselho vai percebendo a necessidade de iniciativas adicionais, para assegurar a vitalidade do Instituto, tarefa de sua responsabilidade. O XX Capítulo geral solicitou que o Conselho seja criativo no exercício desta função21.

• Relatório do Conselho Geral


A visão apresentada pelo Capítulo geral tem no seu âmago certo número de princípios orientadores interligados: ■ Em todas as coisas, ter em vista a vitalidade da nossa vida e missão; montar planos e tomar decisões que vão intensificar a vida. Como Conselheiros, cumpre estar “a serviço da vida” (38). Isto significa buscar os sinais de vida que existem entre nós; se hoje parecem apenas centelhas, importa transformá-las em “fogo” de decisão e ação. ■ Favorecer a comunhão (38). Sabemos que a globalização é força irresistível. Mas nos perguntamos: Onde está Deus aqui? Como podem os aspectos positivos da globalização ser orientados à realização e cumprimento do Reino de Deus? Como podem os valores do Evangelho ser vividos para melhorar seus aspectos negativos? Para um Instituto internacional, a globalização constitui tanto bênção como desafio. Éramos solicitados a respeitar a rica diversidade que existe numa congregação internacional e, ademais, fomentar a unidade, de modo que os nossos profundos valores maristas sejam proclamados com clareza22. Cumpria-nos ser dinâmicos no encorajamento da cooperação regional e internacional (39). ■ Respeitar a corresponsabilidade e subsidiariedade (38). A nossa compreensão desses princípios deve atingir todos os níveis de liderança do Instituto; de fato cada Irmão e leigo Marista são corresponsáveis pela vitalidade da nossa missão. Na animação e no governo, aqueles que estão na liderança respeitem as funções condizentes das

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Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.B.3

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2.5 lideranças dos demais. O Capítulo nos pedia para favorecer processos de colaboração com os Provinciais23. Por certo, para ser levado à prática, isso exige consulta regular, diálogo e planejamento conjunto. ■ Acompanhar os Provinciais foi-nos indicado como uma prioridade chave24. ■ Adotar uma atitude de flexibilidade (39). Há diversidade no Instituto, pelo que as nossas abordagens devem variar de acordo com as diferentes necessidades dos diferentes lugares. Os contextos locais precisam ser levados em conta. ■ O estilo flexível torna-se vital na busca do último princípio, não menos importante, isto é: a vitalidade de cada Unidade administrativa há de ser preocupação de todos nós (39). Os desafios que as Unidades administrativas enfrentam variam consideravelmente, em face dos fatores da geografia, dos recursos, da cultura, da história e outros.

2.5.2 Como colocamos em prática este apelo 23

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.G.1

24

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.F.1

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Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.C.4 e III. 3.2.E.3

O Capítulo geral tanto nos proveu de princípios orientadores como nos ofereceu sugestões específicas de estruturas de animação e governo25. Por outro lado, na medida em que ganhamos experiência no conhecimento de nossa realidade, tomamos tempo para refletir sobre a melhor forma de responder às necessidades que víamos surgir no Instituto. No começo do nosso mandato, e novamente por ocasião da Conferência geral de 2005, tomamos decisões acerca das estruturas mais efetivas para cumprir as nossas responsabilidades.

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Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.C.5

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Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.F.1

a) Favorecer a comunhão Este princípio guiou a nossa decisão de montar a estrutura dos Conselheiros de ligação para as regiões e Províncias26. O nosso desejo foi manter contínuo contato entre os Conselhos provinciais e o Conselho geral. Esta estrutura ofereceu ao Provincial um ponto regular de contato com alguém do Conselho, familiarizado com a realidade da Província. Da nossa parte, valemo-nos dessa conexão como meio de acompanhar e apoiar os Provinciais na sua função27. Além disso, Conselheiros de ligação foram designados para comunidades como o MIC, o MAPAC, o Colégio internacional e a Casa geral. Cada Equipe dos nossos cursos de renovação tinha também o seu Conselheiro de ligação. Segundo a nossa perspectiva, a função do Conselheiro de ligação é muito valiosa, mas necessita maior desenvolvimento para ganhar em eficácia. Sua função primordial é acompanhar e

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Serviço de animação e governo: “Lavem os pés uns aos outros”

apoiar as Províncias e seus responsáveis. Qual é a melhor maneira de alcançar esse objetivo, dada a grande diversidade de situações existentes entre nós? Que significa suficiente contato, suficiente presença nas Unidades administrativas? Algumas Províncias têm uma cultura de colaboração com o Conselho geral, são muito receptivas a esse tipo de acompanhamento. Oferecer uma presença suficiente é desafiador, dadas algumas situações caracterizadas por áreas imensas, meios deficientes de comunicação e grande distância de Roma, o que torna os deslocamentos não só dispendiosos, mas também exigentes quanto ao tempo necessário. O nosso calendário de visitas e as constantes viagens, eis outro fator significativo a limitar a nossa presença. Concordamos em que ter dois Conselheiros de ligação destinados a uma mesma região constituiu importante vantagem para um melhor conhecimento das coisas. Não estamos tão seguros se é melhor que um Conselheiro seja designado à sua própria região ou não. Por certo ele conhece a língua e a cultura da região; possivelmente é mais prontamente aceito como alguém conhecedor da realidade; além disso, pode desafiar uma Província a responder a necessidades regionais mais amplas. Em contraposição, há o risco da subjetividade e da falta de uma visão nova e diferente, face a desafios demasiado familiares. As duas visitas oficiais a cada Província foram o meio pelo qual o Conselho geral logrou estar em contato com a realidade da vida e da missão de cada Província, conhecer as pessoas que exercem responsabilidades, dialogar, trocar idéias e encorajar a todos. A primeira visita foi mais extensa, uma vez que era o começo do nosso mandato. Todas as comunidades foram visitadas e todos os Irmãos tiveram a oportunidade de entrevista pessoal. A maioria dos campos apostólicos das Províncias foram visitados. A segunda visita foi mais específica. Durou menos e o seu escopo era rever o caminho andado pela província desde a visita anterior, especialmente naquelas áreas destacadas no relatório enviado após o seu término. O foco da segunda visita não foi bem compreendido por todos e deu margem a diferentes expectativas. Essa conexão foi renovada, de tempo em tempo, por meios adicionais. Foram organizados programas de orientação para novos

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2.5 Provinciais, aqui em Roma. Houve encontros chamados de Conselho geral ampliado (CGA), na conclusão de cada período das duas visitas. O CGA constituiu um meio pelo qual o Conselho geral pleno pôde conhecer a realidade da região, travar conhecimento pessoal com os Irmãos responsáveis pela liderança provincial, exercer a corresponsabilidade pela vitalidade do Instituto e, simultaneamente, testemunhar a comunhão, item não menor dentro do próprio Conselho geral. Ademais, consideramos tais encontros como meio de formar futuros líderes. Sempre que possível, os Conselheiros gerais assistiam aos Capítulos provinciais. Uma vez mais, visava-se a conhecer melhor a Província, fomentar a comunhão e oferecer apoio aos provinciais e a seus Conselhos.

Dois momentos significativos no cultivo da comunhão foram as Conferências gerais: uma no Sri Lanka em 2005, e a de 2007 em Roma. A primeira, na metade do nosso mandato, foi muito importante pela reflexão feita com os provinciais e superiores de Distrito acerca da implementação da visão do Capítulo geral para o nosso Instituto. Ademais, analisamos juntos a proposta de alguns planos de longo alcance, como por exemplo: a Missão ‘ad gentes’, a pastoral de defesa dos direitos da criança e a renovação de l’Hermitage. Ao mesmo tempo, a localização desta Conferência geral contribuiu para centrar a atenção do Instituto na Ásia. A segunda Conferência geral, como reunião dos líderes do Instituto, focalizou a procura conjunta de novas formas de vivenciar a animação e o governo, o que se tornou necessário com as mudanças ocorridas no Instituto, em face da reestruturação e da maior regionalização. A Conferência geral de 2005 estimulou no Conselho geral uma revisão das nossas estruturas de animação. Nós começamos o nosso mandato

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Serviço de animação e governo: “Lavem os pés uns aos outros”

com seis Comissões de Conselho: Missão, Vida religiosa, Laicato, Governo, Uso evangélico dos bens e Promoção vocacional. Estas foram reduzidas a três: Missão, Vida religiosa, Uso evangélico dos bens. Cada uma com um secretário permanente. O Capítulo geral nos tinha encorajado a ampliar o número de pessoas para auxiliar-nos28. Para tal fim três Secretariados foram estabelecidos: Vocações, Uso evangélico dos bens e Leigos. Por causa da generosidade das Províncias, pudemos contar com excelentes homens para secretários das Comissões: Irs. Juan Miguel Anaya, Teófilo Minga e Guy Palandre. Como diretores dos Secretariados tivemos: Irs. Ernesto Sanchez, Pedro Ost e Pau Fornells.

28

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.C.3

29

Por muitos anos, os Conselhos gerais se serviram de Comissões internacionais para assisti-los nas suas responsabilidades. Este Conselho fez considerável uso de tal estrutura. Algumas dessas comissões funcionam permanentemente: Comissão internacional de assuntos econômicos, Comissão do patrimônio. Outras foram criadas para um fim específico; uma vez realizado o seu objetivo, a comissão desaparecia. Por exemplo, a Comissão Marista de Espiritualidade (Água da Rocha), Vocação do Leigo Marista, Ministério da Juventude Marista, Lugares Maristas (renovação de l’Hermitage e formação de uma comunidade e programas), Manual dos Secretários Provinciais, revisão do Capítulo IV das Constituições etc. Com esses meios, o Conselho, com base na experiência da grande variedade de culturas e contextos existentes entre nós, estava apto a refletir sobre isso, levantando uma síntese e oferecendoa a todo o Instituto. Ocasionalmente, o Conselho também se valeu de equipes ad hoc externas, compostas precipuamente de Irmãos, para levantar uma avaliação de alguma área pela qual o Conselho geral tinha responsabilidade: Serviços administrativos da Administração geral, administração de propriedades do Governo geral, BIS, serviços técnicos, arquivos. Em algumas ocasiões o próprio Conselho utilizou facilitadores externos para melhorar no exercício de suas responsabilidades. Ficamos muito agradecidos a todos aqueles que formaram essas comissões e equipes. Em virtude de seus conhecimentos, habilidades e trabalho ingente, o Conselho geral pôde levar a bom termo os seus mandatos, ao tempo em que conseguiu atender a sua agenda de visitas às Províncias.

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.3.2.G.1

Ao passo que quase todas as comissões e equipes mencionadas se encontraram em Roma, havia outros grupos, cuja existência de igual modo fomentava a comunhão. De modo especial, temos em mente as redes regionais de missão e espiritualidade, que o Conselho geral encorajou com o apoio dos Provinciais da região29.

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2.5 Todos esses encontros foram apenas mais um exemplo de como se constrói comunhão, quando maristas de um mesmo ministério apostólico encontram maristas de outros países com o mesmo compromisso e, não raro, enfrentando desafios similares. Essas reuniões constituem um meio tanto de encorajamento quanto de desenvolvimento da capacidade dos participantes para melhor empenhar-se na missão do Instituto. Nem todo o mundo pode assistir a encontros internacionais e reunir-se com outros maristas. Para a grande maioria, o Mundo marista chega até eles, ou pelo menos ao seu computador, mediante a página web do Instituto: www.champagnat.org. Pelo talento do Irmão Antonio Martínez Estaún, ela tornou-se preciosa para o Instituto, seja como fonte de recursos, seja como estuário de notícias provindas do mundo inteiro. Se você necessita conhecer alguma coisa, costumeiramente o logra por meio da página web. Com o fluir dos anos, o uso da página web se amplia significativamente, como a estatística o demonstra. A qualidade cotidiana da página e o seu desenvolvimento se devem à habilidade e criatividade do perito em web Luiz da Rosa. O Departamento de Comunicações, o qual compreende também o Irmão Onorino Rota, se responsabiliza pelas publicações impressas, que alcança todas as comunidades e obras apostólicas. A qualidade dessas publicações é muito boa. Tentamos cuidar para que não sejam numerosas demais. Depois de consultas, foi reduzido o número de publicações, integrando algumas no semanário ‘Notícias Maristas’. O fator mais significativo a limitar este meio de comunhão é a disparidade no Instituto do acesso à tecnologia da informação, bem como o custo do transporte do material impresso para as diversas partes do mundo. A atualização do Vade-mécum não deve ter afetado a vida de muitos Irmãos; porém constitui meio indispensável na promoção da comunhão e da unidade no Instituto. Nesta mesma linha, mas com maior significado, houve a iniciativa do Irmão Jean Ronzon, Secretário geral, de preparar um Manual para o trabalho dos Secretários Provinciais, acompanhado de uma série de encontros regionais, onde o documento foi apresentado e se partilharam as boas experiências em torno deste trabalho, em diversos lugares do Instituto. Também foram proveitosos os encontros em que se ofereceu às Províncias o software Archivum, destinado à organização dos Arquivos provinciais e com o potencial de interligar eletronicamente os Arquivos da Administração geral com aqueles das Províncias. Essas iniciativas ampliaram significativamente as responsabilidades já consideráveis do Secretário geral. Expressamos a nossa gratidão ao Irmão Jean pelo serviço que presta tanto a nós quanto ao Instituto, com a sua humilde dedicação, trabalho intenso e bom humor. Somos muito agradecidos, de igual modo, à Província de l’Hermitage pelo apoio financeiro e técnico no atinente ao software Archivum. Com isso visamos a consolidar os Arquivos do Instituto. Pudemos avançar graças ao trabalho considerável do Irmão Juan Moral, Emanuela Lisciarelli, Lucia Distefano e Dorotea Cinanni, desempenhado

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com grande qualidade profissional. Agradecemos também o apoio profissional prestado ao Secretário geral pelos seus dois assistentes: Irmão George Fontana e Gabriela Scanavino. O Capítulo Geral confiou-nos a responsabilidade de prosseguir no acompanhamento do processo de reestruturação, como também de promo-

ver a cooperação interprovincial e regional em todo o Instituto30. Durante o nosso mandato, uma paciente ponderação nos levou a considerar estas duas estruturas como separadas, cada uma delas com seu próprio potencial e suas limitações. 30

No começo do nosso mandato, havia duas Províncias recém-estruturadas: Europa Centro-Oeste e África Austral. Estava planejado o início de outras treze: África Centro-Leste, L’Hermitage, Mediterrânea, Compostela, Ibérica, Canadá, Norandina, Santa Maria dos Andes, Cruzeiro do Sul, Brasil Centro-Norte, Rio Grande do Sul, Brasil Centro-Sul e Estados Unidos. Um Distrito seria criado, o da Amazônia. Outros dois Distritos iam ser reestruturados: África do Oeste e Melanésia. Fora decidido que três Províncias permaneceriam sem mudanças: Nigéria, Madagáscar, América Central. Em outras onze Províncias e Distritos, prosseguiria o exame de reestruturação: México Central, México Ocidental, China, Filipinas, Sri Lanka, Coréia, Nova Zelândia, Fidji, Samoa, Melbourne e Sydney. Sem nenhuma dúvida, esta foi a mais significativa reorganização estrutural da história do nosso Instituto. A diversidade de situações, acima descritas, exigia de nós diferentes meios de acompanhamento. Reiteradas vezes retornamos ao desafio do Capítulo: “Já criamos novas Províncias. Aproveitemos a oportunidade para criar Províncias ‘novas’” (37).

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.4; III.3.2.G

No caso das duas Províncias reestruturadas já existentes, víamos a nossa incumbência de acompanhar o processo de consolidação da unidade

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2.5

dentro delas. Simultaneamente, sentimos a importância de partilhar com o resto do Instituto as lições que estavam sendo extraídas dessas Províncias de reestruturação pioneira. Queríamos atuar como observadores externos, para avaliar se a pretendida vitalidade era levada a bom termo e se as estruturas de animação e governo funcionavam de modo efetivo e com sentido de fraternidade. No caso das Províncias da África Austral e da África Centro-Leste, os Irmãos e nós próprios chegamos à constatação de que elas, por estarem geograficamente dispersas e com parcos meios de comunicação, eram por demais distanciadas, para que se tornasse possível um acompanhamento pastoral efetivo. Simultaneamente, os Irmãos de Madagáscar se deram conta de que a permanência no isolamento do continente africano não interessava à vitalidade da vida marista nem à própria missão de Madagáscar. Assim, começaram todos os Irmãos da África e de Madagáscar a refletir sobre como poderiam responder melhor a tais realidades. Tal processo de reflexão prosseguiu e não está previsto que se conclua antes do próximo Capítulo geral. Durante o nosso mandato, muito refletimos sobre a reestruturação. Pareceu-nos essencial que houvesse claro entendimento do significado exato da expressão “processo de reestruturação”. Para nós, constitui convite para que a Província proceda a um profundo e honesto processo de avaliação da vitalidade e viabilidade da vida marista e missão, pensando no futuro. O horizonte é a solidariedade entre as Províncias, sem reduzir a visão às próprias necessidades de cada uma. Na luz de tal reflexão, a reconfiguração geográfica das Províncias pode surgir como indispensável para assegurar a almejada vitalidade e viabilidade. A nossa função era de facilitar dito “processo de reestruturação”. Em 2007, o processo de reestruturação das Províncias e Distritos foi concluído com a criação de duas novas Pro-

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víncias. Na Província Ásia do Sul ficaria incluído o Setor da Índia. Este, anteriormente, estava sob a responsabilidade canônica da Província de Melbourne. Como em outras partes, o desafio de criar a unidade e a identidade destas Províncias comporta que se administrem bem as tensões internacionais, étnicas e religiosas e a própria violência da região. Além disso, com a perda de vidas humanas e do sentido de comunidade, de confiança e bem comum das nações envolvidas, ditas tensões internacionais facilmente extravasam em questões práticas, como viagens, vistos e permissão de trabalho, tornando o deslocamento dos Irmãos especialmente desafiador. O processo de reestruturação no Pacífico levou a um firme comprometimento de criar as estruturas necessárias, em vista da vitalidade e viabilidade da vida marista e missão. A liderança na região encara o desenvolvimento de estruturas regionais como próximo passo nesse processo. Esses avanços podem levar a uma reconfiguração geográfica como evidente e natural evolução. No caso das duas Províncias do México, o processo de reestruturação conduzido pelo Conselho geral anterior desembocou na decisão de maior cooperação interprovincial. No começo do nosso mandato, pedimos que as duas Províncias refletissem sobre o anteprojeto de 2001, solicitando que o processo de reflexão sobre a reestruturação prosseguisse. De momento, o processo está ocorrendo. O Conselho geral, havendo consultado os Irmãos de ambas as Províncias, estima que em sua maioria eles estão abertos a uma reconfiguração geográfica no âmbito da Região Arco Norte. Simultaneamente, a Província do México Ocidental tornou-se internacional com a incorporação nela das comunidades e obras apostólicas do Haiti. A Província da América Central tornou-se ainda mais internacional ao incorporar as comunidades de Cuba. No nosso acompanhamento do processo de reestruturação, empenhamonos em respeitar a direção do Capítulo geral, no sentido de haver flexibilidade na nossa abordagem, além do respeito pela diversidade do Instituto e pelos contextos locais variáveis; assim, estamos em boa posição para oferecer algumas reflexões gerais: ■ O processo de reestruturação e as reconfigurações geográficas ocorridas foram positivas. Nas novas Províncias que surgiram, a vasta maioria dos Irmãos não almeja retornar ao estado anterior; ao mesmo tempo, membros da Província, tanto Irmãos como leigos, apresentam críticas àquilo que falta realizar na nova Província. ■ O Conselho Geral muito aprecia o trabalho significativo e evidente boa vontade demonstrada pelos Provinciais e seus Conselhos em dar direção, valores e identidade às novas Províncias.

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2.5 ■ Ao mesmo tempo, estamos preocupados com o bem-estar dos nossos provinciais. Cremos que muitos exercem o cargo suscitando expectativas que não são justas nem realistas, especialmente quanto à sua presença nos diversos lugares. Pensamos que muito do trabalho deve incumbir apropriadamente ao superior da comunidade ou pode passar a outros ombros. ■ Apoiamos os esforços das Províncias em criar novas estruturas de animação e governo, para liberar o provincial para a sua função específica, com um padrão de liderança baseado na consulta e colaboração, e conferindo ao laicato marista funções e responsabilidades que lhe correspondem. ■ Cumpre haver melhor compreensão da função do Vigário provincial. Nas Províncias que o adotaram, l’Hermitage e Santa Maria dos Andes, como previsto pelo último Capítulo geral25, ele foi bem-vindo, tanto pela sua efetividade como pelo apoio do provincial26. Por que o seu papel não foi adotado em larga escala pelo Instituto? Que lições se podem tirar desta experiência? Cremos que muitas Províncias não foram bastante inovadoras em montar estruturas apropriadas às novas realidades implicadas na reconfiguração geográfica. Assim, deve prosseguir a reflexão sobre estruturas de animação e governo. A regionalização existe de longa data no Instituto. Estruturas regionais permitem profunda reflexão sobre uma região e seus desafios, e um pla31 Constituições, 123.1 nejamento de meios efetivos para levar a bom termo prioridades comuns, mediante coordenação e partilha dos recursos do lugar: pessoal, 32 Em 2008, a Província de programas etc. Ademais, as Conferências regionais podem ser valiosas Santa Maria dos Andes na formação de Provinciais. decidiu não continuar com a figura do Vigário Provincial.

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Em outra parte deste mesmo relatório informamos sobre diversas iniciativas tomadas por nós nas áreas de missão, solidariedade e espiritualidade. Além disso, cremos que a regionalização ainda não alcançou o seu pleno potencial. A nossa experiência, em geral, é de que o Instituto opera como uma federação de Províncias, em vez de ser um corpo internacional. Com freqüência temos visto a necessidade de estruturas regionais de compromisso e interação entre as Províncias, e estabelecemos mecanismos para que tal ocorra. Perguntamo-nos se isso terá continuidade sem um envolvimento ativo do Conselho geral. Estamos convencidos do valor da regio-

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nalização. Devemos no entanto permanecer atentos quanto à diversidade das situações globais do Instituto e entre uma região e outra. Necessidades e recursos variam muito. Nós, como Conselho, visamos estabelecer efetiva coordenação primordialmente na nossa própria Casa. E isso não significa uma reflexão negativa sobre os Irmãos e Leigos (as) maristas que aqui atuam. Os Irmãos da Comunidade da Casa geral trabalharam com dedicação para estabelecer comunhão, algo difícil de lograr em uma comunidade internacional. Os visitantes, com frequência, fazem notar o real senso de acolhida e fraternidade que experimentam e o espírito de oração reinante na Casa. Para tanto, como Conselho, estamos em dívida com os Irmãos da comunidade e com o Irmão Onorino Rota, que a lidera com bom humor, atenção pastoral, animação espiritual e criatividade. Esta Administração geral tem visto o crescimento do número de secretariados, comissões e serviços. A habilidade de bem planejar com antecipação um calendário de quatro anos auxiliou os executivos dos diferentes departamentos e setores a desenvolver os seus próprios planos e calendários. Este calendário estava muito bem sintonizado com cada sessão plenária, com a participação de cada membro do Conselho geral, que consultavam os diferentes executivos dos secretariados e departamentos junto aos quais atuavam como elos de ligação com a Administração geral. Para prover adequada resposta às crescentes demandas dos serviços de secretaria, procedemos a uma avaliação de sua organização. Em conseqüência, o Secretário geral ficou encarregado da coordenação desses serviços; foi editado o “Manual do pessoal” para o uso da Administração geral. Ao mesmo tempo, o Vigário geral foi solicitado a apoiar e a acompanhar o Departamento do Secretário geral. Este modelo de coordenação dos serviços de secretaria funcionou com bastante eficiência. Durante o nosso mandato, contamos com a sorte de ter a assistência de muitas pessoas, como secretários de língua e tradutores. Todos eles foram generosos ao oferecer seu tempo e habilidades. Valemo-nos desta oportunidade para agradecer a cada um deles seu inestimável serviço. Sem eles, um Instituto internacional como o nosso - que opera em diversas línguas e requer tanto tradução oral como escrita - não poderia funcionar.

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2.5 Pelo aumento do número de computadores e equipamento moderno, uma avaliação do departamento dos serviços técnicos foi igualmente realizada. Em conseqüência, a descrição do trabalho do técnico está agora atualizada, com ajudas externas quando necessárias. O nosso téc-

nico Stefano Angelucci está oferecendo bom apoio profissional a um crescente número de pessoas da Administração geral. No nível da Administração geral em seu conjunto, incluído o Conselho geral, consideramos que houve insuficiente comunicação e coordenação para priorizar atividades, evitar duplicação de esforço, como também para partilhar perícia e experiência. A nossa falha de coordenação entre nós mesmos teve impacto negativo nos que exercem responsabilidades provinciais, que recebiam um contínuo fluxo de comunicações, informações de atividades já planejadas, geralmente com pouca consulta, pedidos de informação de todo tipo, e convites a tantos encontros internacionais. Reconhecemos que aumentamos a carga deles, tornando mais difícil seus planejamentos, tomadas de decisão e orçamentos. A colaboração e a comunicação entre o Superior geral e o Vigário geral têm apresentado aspecto muito positivo nesta Administração. Podemos dizer que o Vigário geral tem sido realmente “o mais próximo colaborador do Irmão Superior geral”.33 O excelente serviço do Secretário do Superior geral, Irmão Dom Neary, tem contribuído grandemente para o efetivo funcionamento do escritório do Superior geral e do seu Vigário. 33

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Constituições, 132.

Agradecemos a Dom Neary o seu trabalho fraterno e eficaz.

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Ainda assim, as exigências constitucionais do Superior geral são de tal monta, que reclamariam ainda mais auxílio quanto aos serviços de secretaria. Isso implicaria maior número de pessoas no seu escritório. Por um período de dois anos, o Vigário geral teve ajuda em tempo parcial do Irmão Iván Buenfil. Se a colaboração do Vigário com o Superior geral nas tarefas de animação e governo deve ser ainda mais efetiva, será preciso prever algum pessoal para o seu escritório.

b) Vitalidade e sustentabilidade econômica das Unidades administrativas Esta preocupação radica no nosso espírito de família e na solidariedade mútua que este espírito requer para ser real. A solidariedade toma muitas formas no Instituto; a solidariedade financeira não é de somenos importância, tanto entre as Províncias e o Governo geral, como das Províncias entre si. Profundamente ligado a isso é o uso evangélico dos bens e a administração responsável dos recursos que temos. O Ecônomo geral tem crucial função no uso evangélico dos nossos bens, do qual um dos aspetos é a solidariedade financeira dentro do Instituto. Sem a contribuição econômica das Províncias e sem a cuidadosa administração dos investimentos, a Administração geral e algumas Províncias dela dependentes não poderiam funcionar. O Irmão Antonio Martínez Fernández, assistido pelo Irmão Guy Palandre, proveu o Conselho geral com orientação segura e transparente sobre como assegurar a sustentabilidade econômica da Administração geral e do Instituto. Eles próprios foram assistidos com competência pelo Conselho internacional de assuntos econômicos. O Irmão Antonio teve encontros regionais com os ecônomos provinciais, em vista de maior comunhão interna no Instituto e para coordenar melhor o planejamento econômico. 34

Um ano antes do XX Capítulo geral, o Irmão Benito Arbués expressou a sua preocupação quanto ao uso evangélico dos nossos bens. “O uso e administração dos nossos bens repercutem em nossa vida marista. O voto de pobreza não diz respeito somente aos indivíduos, mas possui também uma dimensão coletiva e institucional. É difícil separarmos a pobreza da economia e vice-versa. Na missão de evangelizar os jovens, de preferência aos pobres, a administração dos bens tem uma relação estreita com a vida de pobreza evangélica. E ambos, indivíduos e instituições, devem viver e testemunhar a pobreza que brota das mesmas fontes”. 34

Ir. Benito Arbués, Circular “A propósito de nossos bens”, pág. 129.

O XX Capítulo geral fez disso a sua própria preocupação e pediu que o Conselho geral elaborasse um Plano de discernimento sobre o uso evangélico dos bens e acompanhasse a sua aplicação nas Unidades ad-

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2.5 ministrativas (48.5). Em 2002, o Conselho geral criou uma Comissão para assumir esta incumbência e transferiu-lhe o desafio de “como fazer avançar, em todo o Instituto, tal uso evangélico dos bens, de modo a chegar a uma visão e convicção comum quanto ao tema”. O Conselho geral aprovou em 2004 o Plano sobre uso evangélico dos bens, que fora preparado pela citada Comissão, em um processo altamente participativo. Hoje podemos dizer que a maioria das Unidades administrativas desenvolveu algum processo ou atividade em relação a dito plano, embora poucas tenham executado o processo na sua inteireza. No fim de 2005, o Superior geral criou um Secretariado para o uso evangélico dos bens. Como o Plano, em muitas Unidades administrativas, era considerado como mera visão econômica, foi dada prioridade a que fosse ampliada tal visão, com o seguinte objetivo: “desenvolver uma cultura do uso evangélico dos bens, particularmente os valores de solidariedade e simplicidade de vida”. Todos conhecem o entusiasmo do Irmão Pedro Ost que, com o seu dinamismo e convicção, levou essa preocupação do Conselho geral às mais remotas regiões do mundo marista. Ficamos muito reconhecidos a ele. Na tarefa de assegurar a vitalidade de cada Unidade administrativa, a FMS International, juntamente com o Secretariado internacional de solidariedade (BIS), têm papel chave na justa e efetiva distribuição dos fundos de solidariedade, seja aqueles das contribuições das Províncias maristas, seja aqueles provenientes de agências de fundos externos.

35

Em nível de Instituto, estamos enfrentando consideráveis desafios. Os recursos financeiros do Instituto concentram-se naquelas partes do Instituto em que não estão crescendo numericamente os membros. Pelo contrário, aquelas Províncias e Distritos onde há crescimento conAtas do XX Capítulo Geral, tam com poucos recursos econômicos e financeiramente não têm perscap. III.6.4.3 pectivas seguras de sustentabilidade no presente. A determinação do Capítulo geral, que se tornou conhecida como Fundo do XX Capítulo geral, constituiu uma tentativa para compensar este desequilíbrio35. Até esta data, um terço do objetivo estabelecido pelo Capítulo geral foi realizado. Outro desafio que permanece é a necessidade de unificar e melhor coordenar as estruturas financeiras nas Províncias. Sem isso, a capacidade do provincial e do Conselho em tomar decisões prudentes e responsáveis para o bem de toda a Província fica significativamente limitada. O Fundo de formação do Instituto, estabelecido por particular generosidade da Província do Canadá, está agora em vigor e funciona efetivamente. Isso remove de muitas Províncias a carga financeira para a formação de bom número de Irmãos. Estamos trabalhando, como Conselho, para assegurar que as Províncias necessitadas de apoio econômico, sobremodo em algumas partes da

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África, possam contar com algum fundo, e o fazemos em consulta com os Provinciais e seus Conselhos. A despeito da assistência financeira de muitos anos, a desejada situação ainda está por resolver. Um instrumento de nossa tradição é o estabelecimento de escolas, cuja operação pode produzir superávits, podendo assim auxiliar outras atividades apostólicas e a própria Província. O Secretariado do Uso evangélico dos bens está desempenhando um papel chave na execução de planos para alcançar a sustentabilidade econômica de todas as Províncias. Um desafio semelhante diz respeito à sustentabilidade econômica da própria Administração geral. O XX Capítulo geral determinou que prosseguíssemos no esforço por diminuir os custos da Administração geral36. Vontade não faltou, mas os meios para obtê-lo são 36 Atas do complicados. Descontando aspectos como o movimento dos secretaria- XX Capítulo Geral, dos, encontros de comissões internacionais, projetos especiais como a cap. III.5 e III.6.4.2 Missão ‘ad gentes’ e a reforma de l’Hermitage, as despesas ordinárias da Administração geral se mantiveram praticamente sem aumento durante o nosso mandato. Ficamos muito reconhecidos pela atenção cuidadosa e gerenciamento responsável da parte do administrador da Casa geral, gratos igualmente ao ecônomo da Comunidade, respectivamente os Irmãos Antoni Salat e Javier Ocaranza. Foram as Comissões, Secretariados e Projetos, postos em marcha na realização da nossa visão para a animação do Instituto, que causaram o aumento dos nossos custos anuais. Durante o nosso mandato, aprendemos a ser mais precavidos em termos do orçamento das nossas iniciativas e em procurar fontes externas de financiamento, sempre que possível. Pusemos em marcha estruturas consolidadas de apoio de doações para diversos programas por nós estabelecidos. Mesmo assim, admitimos que muito mais precisa ser feito para assegurar que o planejamento de iniciativas de animação tenha orçamento cuidadoso e fundos adequados. O orçamento responsável começa com o senso de prioridades. Não há limite para boas iniciativas, mas nem tudo pode levar-se a termo. Outro desafio com que lutamos consiste em pôr em marcha um mecanismo de financiamento para as operações da Administração geral, que seja de longo prazo e não mude em poucos anos, seja responsável e justo com aqueles que provêem os fundos da Administração geral, isto é, as Províncias. Os meios tradicionais do per capita são cada vez mais insustentáveis, em face da mudança demográfica e econômica no Instituto, já mencionada antes. Constituímos uma comissão pré-capitular para estudar esta questão do financiamento de longo prazo, tanto do Instituto quanto da Administração geral, para oferecer recomendações ao Capítulo.

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2.5 Cada ano, quando solicitamos das Províncias contribuições financeiras para as despesas ordinárias da Administração geral, assim como para os fundos de solidariedade, é nossa obrigação ser responsáveis e transparentes em nossas operações financeiras. Na procura de fundos externos, essa transparência é ainda mais essencial. Sabemos também que os governos de muitos países estão sendo cada vez mais exigentes na prestação de contas por parte das entidades religiosas. Para este fim, procuramos dar cumprimento ao mandato do Capitulo geral, utilizando a assessoria de uma auditoria externa37. Houve progressos. Tivemos de fazer face a alguns desafios não pequenos: encontrar auditores experientes na complexidade financeira de organização religiosa internacional, que tomassem padrões internacionalmente reconhecidos de auditoria e os soubessem adaptar à nossa situação, estabelecendo métodos de contabilidade interna próprios para satisfazerem as exigências dos auditores. Depois de considerável trabalho, mais especialmente do Irmão Guy, pudemos editar um Manual de procedimentos, para reestruturar as nossas contas segundo as exigências dos nossos auditores. Estamos agora preparando o nosso relatório anual, pautando-o por esses critérios. A execução desta nossa visão do Instituto e a nossa determinação de ver cada Unidade administrativa vital e viável, ao menos financeiramente, não teria sido possível sem o generoso apoio financeiro das Províncias. Muitas vezes, batemos às suas portas solicitando sua ajuda e recebemos generosa resposta, embora algumas com ressalvas. Apreciamos as críticas que recebemos, pedindo mais informação sobre a nossa visão e planos. De igual modo, reconhecemos com gratidão a generosidade daquelas Províncias que, com Distritos delas dependentes, souberam apoiar planos em favor do futuro de tais Distritos.

2.5.3 Orientações para o futuro 37

Atas do XX Capítulo Geral, cap. III.6.4.1

Antes de pormenorizar umas poucas linhas específicas de ação, parecenos importante relacionar certos elementos contextuais chave. ■ O Conselho geral é responsável pela animação e governo do Instituto. ■ Esta responsabilidade se exerce de modo corresponsável com os Provinciais, cujo acompanhamento é prioridade essencial do Conselho geral. A responsabilidade de cada nível de liderança é respeitada de acordo com o princípio de subsidiariedade. ■ O objetivo fundamental é a vitalidade da nossa vida e missão. ■ Os meios empregados pelo Conselho geral devem conter o abaixo especificado:

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✧ basear-se no profundo conhecimento de cada Unidade administrativa e região, ✧ refletir prioridades claras, cujo número e conteúdo sejam factíveis e de realista possibilidade de execução, ✧ desenvolver a comunhão, ✧ fomentar mútua cooperação em nível de Instituto e de Região, ✧ caracterizar-se pelo diálogo, planejamento conjunto e coordenação, ✧ incluir planejamento financeiro que seja evangélico, responsável, sustentável e tenha em conta o impacto financeiro nas Províncias e Distritos, ✧ respeitar a diversidade das realidades locais. ■ As estruturas estabelecidas devem cumprir quatro responsabilidades constitucionais: ✧ o Conselho geral forma comunidade com o Superior geral38, ✧ o Vigário geral é o “mais próximo colaborador do Superior geral”39, ✧ o Superior geral, ou seu delegado, visita cada Unidade administrativa duas vezes, pelo menos, durante o seu mandato40, ✧ deve haver quorum do Conselho assegurado para a sua sessão mensal ordinária, a fim de cumprir as suas obrigações de governo. Com isso em mente, estamos propondo algumas linhas de ação. Em primeiro lugar, desejamos começar a reflexão, oferecendo alguns modelos de Governo geral, cuja proposta vem surgindo através do Instituto. Em prosseguimento da reflexão, outros modelos vão surgir. Para tal fim, planejamos constituir uma comissão pré-capitular para estudar a área de Animação e governo do Instituto. Em particular, estamos pedindo a esta comissão que estude o relacionamento entre Governo e liderança provincial, especialmente na área de animação. Ademais, vamos pedir a esta comissão que ofereça modelos de desenvolvimento de regionalização.

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Constituições, 136

39

Constituições, 132

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Constituições, 130.1

A. Modelo atual I - Há um Conselho geral: Superior geral, Vigário geral e seis Conselheiros gerais; todos baseados em Roma. II - Os Conselheiros gerais têm funções como Conselheiros de ligação com uma região e com Províncias específicas: dois Conselheiros por cada região. Janeiro de 2009

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2.5 III - Cada Conselheiro tem responsabilidade por uma área de animação: ex. Missão, Vida religiosa, etc. IV - Os Conselheiros gerais são delegados do Superior geral para visitar cada Unidade administrativa duas vezes no período do seu mandato. Cremos que, com maior reflexão, este modelo pode ser melhorado e mais bem exercido.

B. Modelo Regional I - O Superior geral, o Vigário geral e três Conselheiros gerais ficam baseados em Roma. II - Cinco Conselheiros gerais ficam baseados nas Regiões do Instituto. III - Haveria sessões plenárias durante o ano, nas quais o Conselho geral todo estaria presente. IV - Os Conselheiros com base em Roma formariam comunidade com o Superior geral e dariam quorum para as sessões ordinárias do Conselho. Poderiam estar disponíveis aos Conselheiros regionais, como membros de equipes que visitam as Províncias, etc. V

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- Cinco Conselheiros estariam baseados nas Regiões do Instituto. O seu papel necessitaria de definição e poderia incluir elementos tais como estes: coordenação das visitas canônicas obrigatórias, ser ligação contínua com os Provinciais e Conselhos respectivos,

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Serviço de animação e governo: “Lavem os pés uns aos outros”

assumir o papel de coordenador regional em áreas determinadas pelo Conselho geral e os Provinciais da Região.

C. Modelo atual com um Secretário executivo regional I - Há um Conselho geral, com todos os membros baseados em Roma. II - Os Conselheiros gerais têm funções de ligação com os Conselheiros de uma Região ou de Províncias especificadas. III - Os Conselheiros gerais têm funções de coordenação de diferentes áreas de animação. IV - Um Secretário executivo é designado para cada uma das regiões pelo Superior geral em consulta com a Conferência regional dos provinciais, para coordenar projetos e atividades interprovinciais e assegurar efetiva e continuada comunicação e coordenação com a Administração geral. Esses modelos e mesmo outros podem ser montados, até com maiores detalhes. Recomendamos que se leve em consideração o seguinte: a) Instamos com o novo Conselho geral para que tome como matéria prioritária a reflexão sobre as Províncias reestruturadas, em busca de efetivas estruturas de animação e governo. Tais estruturas devem liberar o Provincial a dar prioridade ao acompanhamento dos Irmãos e comunidades, com especial foco nos jovens Irmãos. b) A prática tradicional é que o novo Superior geral eleito e seu Conselho assumam as suas funções de responsabilidade imediatamente depois do Capítulo geral. A experiência nos está dizendo que o Superior geral e a maioria dos Conselheiros gerais precisam de um mínimo de três ou quatro meses para pôr termo às suas funções e responsabilidades anteriores e para facilitar a sua substituição pelas novas pessoas eleitas ou designadas nas respectivas Províncias e Regiões. Além disso, a maioria dos novos Conselheiros gerais necessita, normalmente, de dois ou três meses para aprender outra língua das quatro oficiais do Instituto, em situação de imersão. Assim, a Administração geral não vai estar em funcionamento efetivo senão seis meses depois da eleição do novo Superior geral e do seu Conselho.

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2.5 Propomos que o Superior geral e Conselheiros que encerram o mandato estudem, junto com o novo Superior geral e Conselho, o modo mais efetivo de facilitar uma transição ordenada, concertando-se em montar plano e calendário para tal escopo. c) Para exercer as suas responsabilidades de animação de modo corresponsável e efetivo, o Conselho Geral desenvolve um plano de três ou quatro anos de duração. O plano seria estabelecido depois de suficiente ponderação por parte do Conselho acerca dos mandatos conferidos pelo Capítulo geral, e depois de consultar os Provinciais e Superiores de Distrito. (As estruturas das Conferências regionais dos provinciais seriam de grande utilidade na realização de tal processo de consulta. Seria mutuamente vantajoso, se o Conselho geral pudesse encontrar-se com todos os provinciais e superiores de Distrito com mais frequência do que a prevista na celebração da Conferência geral). Tal plano traria benefícios e capacitaria tanto o Conselho geral quanto os Conselhos provinciais a planejarem juntos e em tempo adequado, harmonizando as suas respectivas prioridades e projetos. Haveria um calendário para uns e outros. Simultaneamente, tal planejamento implicaria uma correspondente previsão financeira. d) Na Administração geral, incluindo o Conselho geral, seriam necessárias estruturas claras, utilizadas regularmente, o que facilitaria a coordenação dos serviços de todos aqueles envolvidos no papel de

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• Relatório do Conselho Geral


Serviço de animação e governo: “Lavem os pés uns aos outros”

animação em favor da Administração geral. Importante parte desta harmonização compreenderia o uso mais efetivo dos recursos da Administração geral, como no caso das traduções. e) Evidentemente, em tais processos de coordenação e de efetiva operação da Administração geral e da Casa generalícia, o Conselho geral tem a sua responsabilidade. Sugeriríamos que, se o Conselho geral conferisse tal função a um membro do Conselho, seria necessário recordar que tal papel executivo vai exigir que o Conselheiro esteja presente em Roma quase em permanência. f) Parece-nos que as Unidades administrativas devem continuar dando importância ao “uso evangélico dos bens”, de modo que, valendo-se dos abundantes meios postos à sua disposição para o apropriado discernimento e envolvimento de todos, haja um real efeito em cada um dos diferentes níveis: pessoal, local e provincial. Voltamos a insistir que, por ser plano de discernimento, é preciso desenvolver uma espiritualidade para tal processo. Como para a Administração geral, sugerimos que a continuação desta animação fique ligada diretamente ao Departamento do Ecônomo geral. g) Além disso, percebemos como prioridades chave para o Ecônomo geral o acompanhamento dos Ecônomos provinciais e ampliação do quadro de membros do Conselho internacional de assuntos econômicos. h) O relacionamento já estabelecido entre o Secretário geral e as redes regionais dos Secretários provinciais seja mantido e até desenvolvido. Vemos como importante objetivo deste relacionamento a coordenação dos procedimentos e o desenvolvimento dos recursos comuns (por exemplo, Archivum). i) Propomos que as comunicações do Instituto devem continuar sendo promovidas e adaptadas às nossas necessidades, aproveitando as possibilidades cada vez maiores oferecidas pelas novas tecnologias. No entanto, será preciso analisar a área das publicações impressas, dado o alto custo que supõe seu envio da Itália para as Unidades administrativas.

Ao refletir sobre a animação e governo do Instituto, acreditamos que o próximo Capítulo geral não deve ser tão específico nas suas decisões. De preferência, uma vez que o Capítulo tenha determinado a sua visão do Instituto para os próximos oito anos e fixado as prioridades para alcançar tal visão, ele pode deixar ao Conselho que elegeu a fixação das estruturas mais efetivas para pôr em marcha o que o Capítulo deseja para o Instituto. Ainda assim, o Capítulo pode refletir na conveniência de que se assegurem algumas estruturas permanentes, com que se dê continuidade à animação da vida e missão do nosso Instituto.

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3.

CORAÇÕES

conclusão

NOVOS PARA UM MUNDO NOVO

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Até aqui partilhamos, bastante detalhadamente, nossa visão do Instituto com relação aos cinco apelos que o XX Capítulo geral nos dirigiu. Nesta última parte queremos retomar essa visão, mas de maneira mais global, situando-a num contexto amplo. Fazemo-lo para partilhar com vocês nossa esperança e animar-nos a sonhar juntos um futuro inspirado no sonho de São Marcelino: continuar a “tornar Jesus Cristo conhecido e amado pelas crianças e pelos jovens pobres”.


Serve-nos de inspiração o lema do XXI Capítulo geral: “Corações novos para um mundo novo”. Sentimos ser urgente deixar transformar nossos corações para viver evangelicamente em meio a um mundo novo que está nascendo e ao qual queremos trazer o melhor de nós mesmos, para que esse mundo “novo” seja “diferente”: mais humano, mais fraterno, mais harmonioso. Este mundo novo em que estamos inseridos e com o qual interagimos, é o contexto em que vivemos e a partir do qual intuímos algumas linhas de futuro para o Instituto.

3.1 Um mundo novo está nascendo 3.1.1 Uma nova civilização Faz anos, os observadores e estudiosos da realidade social nos dizem que estamos assistindo ao nascimento de uma nova civilização8. Trata-se de uma metamorfose da sociedade que afeta todos os aspectos da vida pessoal e coletiva, as relações dos seres humanos com o espaço e o tempo, a fecundidade e a demografia, as relações sociais no

41

Brunsvick, Yves e Danzin, André, Nacimiento de una civilización. El choque de la mundialización. Ediciones UNESCO, Paris 1999.

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trabalho e o tempo livre, a condição da mulher, os costumes, os valores e as relações de poder. Uma das novidades do momento atual é que esta mudança na visão do mundo, esta modificação das culturas e dos costumes está afetando a humanidade inteira, em busca de novos equilíbrios.

3.1.2 Metamorfose das religiões 42

Henri de Lubac, Meditación sobre la Iglesia, Ediciones Encuentro, Madrid 1988, pág. 133.

A Igreja, enquanto instituição humana, “não é uma entidade vaporosa”42 e, portanto, se percebe profundamente influenciada por tudo quanto ocorre nas sociedades em que vive. Também hoje, como em outros momentos da história da humanidade, em que houve fenômenos semelhantes de profundas mudanças, as religiões sofrem importantes crises internas, motivadas pela adaptação (e pelas resistências) às novas realidades. Ao contemplar a história das religiões, damo-nos conta de que a vivência da dimensão espiritual do ser humano no encontro com o sagrado tem sofrido uma evolução constante, mas apenas algumas das muitas etapas de transformação que foram registradas poderiam ser denominadas como verdadeiras “metamorfoses” do religioso na história do ser humano. Emerge cada vez mais forte, entre os estudiosos da religião e entre os teólogos/as, a hipótese de que estamos entrando num desses momentos de profunda metamorfose, do qual a religião vai sair tão transformada que talvez seja pouco reconhecível. Por outra parte, em meio à crise da religião a que nos referimos, se dá toda uma efervescência religiosa que pode ser a manifestação, o início e o aprofundamento de uma nova etapa.

3.1.3 A caminho de uma nova Vida Consagrada As Ordens ou Institutos religiosos, como parte da Igreja universal, refletem, em pequena escala, o que ocorre na totalidade do corpo que é a Igreja. Esta enfrenta uma profunda crise e está tratando de encontrar novos caminhos de evangelização mais adaptados aos homens e mulheres de hoje.

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Para a vida consagrada também é um momento de crise, e se avança às apalpadelas, tratando de encontrar qual é o tipo de vida consagrada que melhor responda às necessidades dos homens e mulheres de hoje. São momentos de busca, de desorientação, e as famílias religiosas sofrem: “Em algumas regiões do mundo, as mudanças sociais e a diminuição do número de vocações vão marcando a vida consagrada. As obras apostólicas de muitos Institutos e mesmo sua presença em certas Igrejas locais estão em jogo. Como já ocorreu outras vezes na história, há Institutos que correm até o risco de desaparecer”. 43 A história da vida consagrada nos ensina que essas situações são passageiras e que, de fato, conduziram ao nascimento de novas famílias religiosas ou à profunda renovação daquelas existentes, embora também ao desaparecimento de outras. 43

Como não poderia deixar de ser, nosso Instituto se viu imerso em todos esses fenômenos. Uns mais, outros menos, todos fomos testemunhas das grandes mudanças que ocorreram no seio do Instituto. Algumas delas fizeram sentir-nos mais identificados com o apelo do Evangelho; outras, ao contrário, nos contristam porque sentimos que algo de valioso foi perdido no caminho.

Vita Consecrata, 63.

44

Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica: ‘Partir de Cristo’, 2.

3.2 Necessitamos de corações novos Neste contexto do mundo novo que sentimos nascer, perguntamo-nos, como Conselho, quais seriam os pontos que poderíamos considerar de vital importância não apenas para o presente, mas para o futuro de nosso querido Instituto. Em nosso discernimento experimentamos a mesma perplexidade registrada na Instrução do Vaticano “A partir de Cristo”: como decifrar no espelho da história e da atualidade as pegadas e os sinais do Espírito e as sementes do Verbo, presentes, hoje como sempre, na vida e na cultura humana? Como interpretar os sinais dos tempos numa realidade como a nossa, em que sobram os lugares de sombra e de mistério? Mas, valendo-nos da mesma imagem desse belo documento, sentimos próxima a presença do Senhor: “Acontece que o Senhor mesmo – como no caminho de Emaús – se faz nosso companheiro de viagem e nos dá o seu Espírito. Somente Ele, presente entre nós, pode fazer-nos compreender plenamente sua Palavra e atualizá-la, pode iluminar as mentes e acender os corações”44.

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Com simplicidade e de modo fraternal, ousamos compartilhar o que, em nosso caminho de discernimento, nos fez arder os corações”. Oxalá, pudéssemos transmitir-lhes não apenas nossas palavras, mas também nosso entusiasmo, nossa paixão, nossa esperança. Podemos dizer-lhes que sentimos um forte convite para mudar o coração. Sim, necessitamos de corações novos. Sentimos que não bastam mudanças cosméticas para enfrentar os formidáveis desafios do momento histórico que temos o privilégio de viver. Enche-nos de esperança saber que o Senhor nos precede no caminho para a Galileia de nossa vida cotidiana onde, segundo sua promessa, ele nos precede (Mc 16,7).

3.2.1 A mundialização: desafio e oportunidade Entendemos por “mundialização”, seguindo a UNESCO45, o incremento, em escala mundial, das interações que unem entre si todas as atividades humanas. Um fenômeno originado, mais do que por pressão da economia liberal, pelo movimento da ciência e da técnica, e pelo prodigioso progresso dos meios de comunicação. Uma manifestação, entre muitas, de uma transformação da sociedade, cuja rapidez e profundidade somente podem compreender-se como uma ruptura. Uma mundialização que começa a ser vista como uma nova etapa da Terra e da Humanidade. Os últimos séculos da história da humanidade se caracterizaram por um acento, às vezes exacerbado, nos Estados-nações. Emerge agora uma nova consciência, a de nos encontrarmos todos 45 Cfr. Brunsvick, num mundo do qual somos globalmente responsáveis: a Terra como nosYves e Danzin, André, sa casa comum. Já em 1933, escrevia profeticamente Teilhard de Charo.c. pág. 8 din: “A idade das nações passou. Se não quisermos morrer, é hora de sa-

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cudir os velhos preconceitos e construir a Terra. A Terra não tomará consciência de si mesma por nenhum outro meio que não seja uma crise de conversão e de transformação.”46 Imersos nessa inevitável realidade, que nos aparece como ambivalente, com seus espetaculares sucessos e suas sangrentas desigualdades, perguntamo-nos pelo sentido do que estamos vivendo e a que nos chama o Espírito de Deus. ■ Com os dados na mão, tomamos consciência de que o rosto do Instituto está mudando: hoje é muito mais internacional e multicultural do que no passado.

46

Teilhard de Chardin, Pierre. Las direcciones del porvenir. Taurus, Madrid 1974, pág. 13.

■ Algumas realidades nos indicam que essa multiculturalidade se dá também em nível provincial e local: as novas províncias reestruturadas são, em sua maioria, internacionais e, em alguns casos, também as comunidades (como a futura comunidade de l’Hermitage ou, no caso do projeto ‘ad gentes’, todas as comunidades). ■ Percebemos este caminho do Instituto como um sinal profético, ao promover uma “mundialização” na qual cada pessoa humana, independentemente de sua raça, religião, cultura, etc, é nosso irmão ou irmã, e nela os mais fracos têm a prioridade. ■ Ainda há, entre nós, mentalidades um tanto ‘tribais’, que se manifestam, em nível de província, na resistência em partilhar recursos com todo o Instituto, como se fossem propriedade exclusiva da Província; também na dificuldade em ceder irmãos para missões que vão além dos confins da própria Unidade administrativa. Mesmo em nível pessoal, nos parece haver mais uma visão “local” do que internacional; de fato, não fizemos nossa profissão religiosa para uma Província em concreto, mas no seio de um Instituto internacional, abrangendo os cinco continentes. ■ Cremos, portanto, que precisamos de uma nova mentalidade, de uma nova visão do que significa ser membros de um Instituto internacional, e de suas conseqüências para o desenvolvimento de nossa missão nos tempos atuais. Em nossas relações pessoais, nas relações entre as Unidades administrativas e com a Administração geral, talvez devamos fortalecer a interação e a interdependência como atitudes básicas.

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3.2.2 As vítimas da mundialização Dissemos anteriormente que o fenômeno da mundialização é ambivalente. Depois de ter mostrado seu rosto amável, precisamos também dizer que, para algumas pessoas, a globalização é, sobretudo, o processo mundial de homogeinização do modo de produção capitalista, de mundialização dos mercados e das transações financeiras, de conjugação das redes de comunicação e do controle mundial das imagens e das informações. “As consequências das distorções de sistemas injustos, mais cedo ou mais tarde, fazem-se sentir sobre todos. Deste modo, só a insensatez pode induzir a construir um palácio dourado, tendo porém ao seu redor o deserto e o degrado. Por si só, a globalização não consegue construir a paz; antes, em muitos casos, cria divisões e conflitos. A mesma põe a descoberto sobretudo uma urgência: a de ser orientada para um objetivo de profunda solidariedade que aponte para o bem de cada um e de todos. Neste sentido, a globalização há de ser vista como uma ocasião propícia para realizar algo de importante na luta contra a pobreza e colocar à disposição da justiça e da paz recursos até agora impensáveis”.47 A lógica que preside esse sistema estruturalmente injusto, em que as sociedades com fortes estruturas econômicas exploram as mais fracas, é a da competição de todos contra todos. Entre suas vítimas se encontra quase a metade da humanidade, condenada à exclusão cruel e desprovida de qualquer possibilidade de sustentar-se. E, entre essas vítimas, as primeiras e mais frágeis são as crianças, como nos recordam repetidas vezes as estatísticas dos organismos internacionais. Enquanto preparávamos este Relatório, o Papa quis lembrar essas vítimas inocentes, em sua homilia da missa natalina de meia-noite:

47

Bento XVI, Mensagem para a celebração do Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro de 2009, nº 14.

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“Aproximemo-nos, nesta noite, ao Menino de Belém, a esse Deus que quis fazer-se criança por nós. ✧ Em cada criança há um reflexo da criança de Belém. ✧ Cada criança tem direito ao nosso amor. ✧ Pensemos, portanto, nesta noite, de modo particular naquelas crianças às quais é negado o amor dos pais; ✧ Nas crianças de rua que não têm a alegria de um abrigo doméstico; ✧ Nas crianças que são usadas brutalmente como soldados e transformadas em instrumentos de violência, em vez de serem portadoras de reconciliação e de paz; ✧ Nas crianças feridas no fundo da alma, pela indústria da pornografia e de todas as abomináveis formas de abuso. O Menino de Belém é um novo apelo que nos é dirigido para fazer todo o possível para terminar com a tribulação dessas crianças; para fazer todo o possível para que a luz de Belém toque o coração dos homens” 48.

■ Quando contemplamos o conjunto do Instituto, a partir do ponto de vista da missão que nos foi confiada, cremos poder falar de vitalidade: não somente chegamos a muito mais crianças e jovens do que no passado, e com muito mais pessoas implicadas em nossa missão, mas cremos também que cresce o esforço para oferecer uma educação de qualidade, conforme nosso carisma.

48

Bento XVI Homilia durante a missa de Natal de 2008, na basílica de São Pedro do Vaticano.

■ Destacando os avanços feitos tanto em favor da evangelização dos jovens quanto por uma educação solidária, pensamos que ambos os aspectos, essenciais em nossa missão, são desafios permanentes que deveriam ser vividos como prioritários, em todas as nossas obras. ■ A Assembléia da Missão Marista foi uma bela expressão do compromisso dos “Maristas de Champagnat”, leigos e irmãos, em favor das crianças e jovens, especialmente os mais necessitados. Este caminho de “missão partilhada”, parte integrante de qualquer projeto marista, precisa ser reforçado face ao futuro, com criatividade e liberdade de espírito.

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■ Na vivência de nossa missão há uma série de tensões que, temos a impressão, nem sempre são resolvidas entre nós de modo satisfatório. Entre elas destacamos: – Como aumentar o número de nossas obras educativas sem que se transformem num peso insuportável para as gerações futuras; – Como implantar obras educativas que gerem fundos econômicos para nossa missão, sem se tornarem elitistas; – Como ser bons profissionais sem ser devorados por um ativismo desenfreado; – Como ser fiéis e agradecidos aos que nos acolheram num determinado lugar, sem perder a liberdade de ir a outros lugares, mais necessitados de nossa presença; – Como promover a vitalidade em nossas instituições e ter a mobilidade suficiente para ir “onde os jovens estão”, dando resposta às novas necessidades que emergem, tais como os fenômenos migratórios ou a atenção aos refugiados; – Como aprofundar nossa identidade e promover um diálogo ecumênico e inter-religioso; – Como ser voz crítica e profética, no seio da comunidade eclesial, e permanecer disponíveis ao diálogo e à colaboração; – Como ser respeitosos com a liberdade e a diversidade, e fazer um anúncio explícito do Evangelho.

49

Seán Sammon, Circular Convocatória do XX Capítulo geral, pág. 33.

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■ Em algumas partes do Instituto, talvez devido ao envelhecimento de seus membros e devido ao peso crescente da gestão de nossas obras, os irmãos se afastam dos jovens. Cremos que todos somos convidados a inverter essa tendência até “nos convertermos em especialistas da Igreja no que se refere à evangelização das crianças e dos jovens pobres, onde quer que se encontrem.”49

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3.2.3 Sede de espiritualidade “Nossa época se caracteriza pela sede de espiritualidade.”50 Estudos recentes, feitos em países tradicionalmente “cristãos”, mostram que dois em cada três adultos têm uma espiritualidade pessoal, enquanto menos de um em cada dez se preocupa em ir à igreja regularmente.”51 Este período da história, em que temos o privilégio de viver, manifesta uma forte credulidade e sede de Mistério. A fé cristã encontra aqui a lembrança de algo fundamental e um estímulo para levá-lo a cabo. Hoje se pede experiência, não basta a palavra sobre Deus. Atualmente há uma necessidade de aproximar-se de Deus, de oferecer experiência de Deus. A questão se dirige ao evangelizador e pede que ele fale do que experimentou. Necessita-se de “mestres espirituais” que acompanhem a caminhada e orientem o peregrinar. Falamos do cultivo da oração, da meditação, do silêncio, de implantar entre a maioria dos crentes não apenas práticas devocionais, mas algo mais maduro e profundo: sabedoria, contemplação, mística ou conversão do coração.

50

Água da Rocha, 42

51

■ Com o conhecimento que temos do Instituto, podemos dizer que encontramos irmãos verdadeiramente comprometidos com seu crescimento espiritual; outros que “cumprem” suas obrigações, mas não vão muito além disso; outros, finalmente, que vivem sufocados por um ativismo frenético. No conjunto, temos a impressão de que não levamos a sério a tarefa de converter-nos em “mestres espirituais” que possam testemunhar de sua própria experiência de Deus.

Hay, D; Hunt, K. Understanding the spirituality of people who don’t go to church: a report on the findings of the adults’ spirituality project. Nottingham: University of Nottingham; 2000.

■ Algo parecido poderíamos dizer de nossas comunidades atuais. É verdade que, em geral, procurou-se melhorar as condições da oração comunitária, mas parece que estamos ainda longe de uma oração comunitária mais comprometida com a vida e com nossa missão. Não nos parece que a maioria de nossas comunidades possam ser reconhecidas como “escolas de espiritualidade” por tantas pessoas sedentas de Deus e à procura de um sentido para suas vidas.

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■ Estamos conscientes de que alguns dos problemas que nos atingem dependem de fatores externos, mas o compromisso com nosso crescimento espiritual, tanto em nível pessoal quanto comunitário, depende basicamente de cada um de nós. Por que nos custa tanto avançar neste campo?

52

Vita Consecrata, 109 53

Seán Sammon, Circular Convocatória do XX Capítulo geral, pág. 34.

■ Cremos que o futuro do Instituto está estreitamente vinculado à nossa capacidade de comprometer-nos, de modo sério e profundo, a viver nossa espiritualidade. Precisamos não só oferecer respostas a futuras vocações para sua sede de Deus, mas também ajudar-nos reciprocamente a afirmar-nos em nossa vocação. Parece-nos muito atual o chamado de ‘Vita Consecrata’: “Sabeis em quem pusestes a vossa confiança (cf. 2 Tm 1, 12): dai-Lhe tudo! Os jovens não se deixam enganar – quando vêm ter convosco, querem ver aquilo que não veem em parte alguma”.52 ■ Nesta mesma perspectiva, nos parece, devemos manter uma atitude de avaliação permanente de nossa formação, para que responda às novas necessidades de hoje, tanto das pessoas como do Instituto. Em primeiro lugar, a formação inicial: “É legítimo que nos perguntemos: nossos jovens saem do noviciado verdadeiramente enamorados de Jesus Cristo, retratos vivos de Marcelino Champagnat”?53 O mesmo vale para a formação permanente. Devemos continuar sendo criativos, de modo que os processos que implantamos favoreçam realmente o compromisso com o próprio crescimento pessoal e proporcionemos os meios necessários para que assim aconteça.

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3.3 A caminho como Maria, junto com Champagnat Como é fácil de imaginar, a preparação deste Relatório exigiu um bom número de horas de trabalho coletivo. Fizemo-lo com satisfação porque nos parecia ser nosso dever oferecer ao Instituto um relato sincero de como executamos as orientações e mandatos do XX Capítulo geral, e qual nossa visão do Instituto no final do nosso mandato. Com mais ou menos acerto, é o que nos propusemos oferecer nas páginas que aqui estão. Ao terminar, vieram-nos à mente duas imagens que queremos partilhar com vocês. Em primeiro lugar, o ícone de Maria da Visitação. É uma imagem que descreve muito bem o que nos ocupou na maior parte do tempo, no Conselho geral: “visitar”. Significou para nós sacrifício e capacidade de adaptação, mas nos sentimos muito privilegiados e agradecidos, porque nos permitiu um conhecimento bastante profundo e detalhado do Instituto, que poucas pessoas podem ter. Nas palavras do Ir. Basílio Rueda, nosso serviço nos “introduziu no coração do Instituto”. Com alegria, podemos dizer que nos encontramos com um coração feito de fraternidade. Sentimos o palpitar de um coração vivo e entusiasta, ao conhecer o extraordinário serviço que o Instituto oferece a crianças e jovens dos cinco continentes, nas situações e nos contextos os mais diversos. Fomos testemunhas da qualidade e inclusive da santidade de tantos irmãos e leigos, mulheres e homens, com quem nos encontramos. Notamos que tudo isso nos fez crescer enquanto pessoas e nos fez amar ainda mais o Instituto. Maria nos empresta as palavras de seu Magnificat para agradecer ao Senhor. Ele quis servir-se de nós, apesar de nossas limitações e erros, e provamos a sua misericórdia. Pudemos comprovar que os mais humildes e vulneráveis “se enchem de bens”, cada vez que o Instituto aceita ser instrumento da ternura de Deus. Magnificat! O outro ícone com o qual nos identificamos é o de São Marcelino Champagnat construindo l’Hermitage. Impressiona-nos profundamente a imagem desse homem de Deus que se lança a construir uma casa para acolher o projeto que lhe ardia no peito, mesmo se muitos o apelidavam de louco e aventureiro. Entendemos o novo projeto para l’Hermitage e a reestruturação de seus espaços físicos como um valioso símbolo do trabalho interno de renova-

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ção que está sendo realizado no Instituto. Num momento de crise generalizada que nos afetou profundamente, o Instituto vai encontrando energia para prosseguir com sua missão, não sem sofrimento, e às vezes pagando alto preço, especialmente em pessoas. L’Hermitage nos recorda Champagnat, preocupado em formar do melhor modo possível a seus irmãos, e convidando-nos também hoje a aproximar-nos da fonte da “água da rocha” de nossa espiritualidade; e lembranos também o fundador apaixonado que não põe limites a seu ardor apostólico (“todas as dioceses do mundo entram em nossos planos”) e que lança o Instituto do século XXI para novas presenças na Ásia. Finalmente, sentimos que tanto a construção quanto o novo projeto de l’Hermitage significam um ato de fé no futuro. Champagnat acreditava em seu projeto porque tinha a convicção interior de que era a obra de Maria. Nós também queremos afirmar nossa profunda convicção de que nossa missão é mais atual do que nunca e que o Instituto tem futuro. Muitos sinais de vitalidade confirmam nossa esperança e nos ajudam a crer que, como Instituto, o Senhor nos conduz por um período de purificação e de crescimento interior. Igualmente, o grito das crianças e dos jovens de hoje, especialmente os mais vulneráveis, nos convence da urgência e da atualidade de nossa vocação. Há um futuro para o Instituto marista, embora às vezes alguns sinais nos desencorajem. Provavelmente, o futuro, que o Senhor nos prepara, não coincidirá com nossas expectativas, muitas vezes mais vinculadas a situações do passado do que à novidade do futuro. Nossa abertura de coração à criatividade do Espírito permitir-nos-á viver com alegria sua presença sempre atuante entre nós.

Maria, nossa boa e terna Mãe, em tuas mãos depositamos todos e cada um dos membros do Instituto marista. Esta é a tua obra. Abençoa-nos e acompanha-nos. Estimula nossa fé, nossa esperança, nosso compromisso.

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ANEXO DO PESSOAL

Registramos nosso agradecimento cordial a todas as pessoas relacionadas a seguir. Sua contribuição foi preciosa para nossa tarefa de animação e de governo do Instituto, ao longo de nosso mandato. Janeiro de 2009 •

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A. ADMINISTRAÇÃO GERAL: ■ Secretário geral: Ir. Richard Dunleavy (até 2003), Ir. Jean Ronzon (2003-2009)

■ Ecônomo geral: Ir. Yvon Bédard (até 2002), Ir. Antonio Martínez F. (2003-2008), Ir. Víctor Preciado (2009…)

■ Superior da comunidade: Ir. José Contreras (até 2002), Ir. Roque Ari Salet (2002), Ir. Mariano Medina (2002-2003), Ir. Onorino Rota (2003-2009).

■ Diretor da Casa geral: Ir. José María Rius (até 2002), Ir. Juan Arconada (2002-2008), Ir. Antoni Salat (2008…).

■ Ecônomos: Ir. Réal Fournier (até 2002), Ir. Gaudencio González (2002-2008), Ir. Javier Ocaranza (2008…)

■ Secretário geral adjunto: Ir. Henri Réocreux (até 2004), Ir. George Fontana (2007…)

■ Ecônomo geral adjunto: Ir. Mariano Medina (até 2003), Ir. Guy Palandre (2003-2009)

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■ Secretário pessoal do Superior geral: Ir. Roberto Clark (2001-2003), Ir. Don Neary (2003-2009)

■ Procurador geral: Ir. Pietro Sto (até 2002), Ir. Juan Miguel Anaya (2002…)

■ Postulador geral: Ir. Giovanni Maria Bigotto (2001-2010)

■ Estatísticas: Ir. Jesús Sainz de Vicuña (até 2002), Sra. Erika Gamberale (2003-2006), Sra. Gabriela Scanavino (2006-2008), Sra. Emanuela Lisciarelli (2009…)

■ Serviços gerais: Ir. Joseph Frassy (até 2003), Ir. Joseph de Meyer (2003-2007)

■ Recepção: Sra. Iolanda Gallo, Sr. Antonio García, Sr. Claudio de Francesco.

■ Publicações/Comunicações: ■

Responsável:

Ir. Lluís Serra (até 2004), Ir. Onorino Rota (2004-2005), Ir. Antonio Martínez Estaún (2005…)

Colaboradores: Sr. Luiz da Rosa (Webmaster, 2003…), Ir. Onorino Rota (2005...)

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■ Serviço informática: ■

Responsável:

Ir. Henri Réocreux (até 2003), Sr. Stefano Angelucci (2004…)

Colaborador:

Sr. Stefano Angelucci (até 2003)

■ Tradutores: ■

Inglês:

Ir. Gerry Brereton (até 2004), Ir. Ross Murrin (até 2007), Ir. Edward Clisby (2009…)

Francês:

Ir. Aimé Maillet (até 2002), Ir. Lucien Labelle (2002-2003), Ir. Gilles Beauregard (2003-2006), Ir. Fabricio Galiana (2006-2007), Ir. Josep Roura (2008…)

Português:

Ir. João Fagherazzi (até 2004), Ir. Manoel Soares (2004-2006), Ir. Aloísio Kuhn (2007...)

Espanhol:

Ir. Francisco Castellanos (até 2002), Ir. Miguel Angel Sancha (2002-2005), Ir. Carlos Martín Ir. (2005-2008), Sra. Marcela Quesada (2008), Sra. Gabriela Scanavino (2009…)

■ Arquivos:

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• Relatório do Conselho Geral

Responsável:

Ir. Jean-Pierre Cotnoir (até 2005), Sr. Massimiliano Grandi (2005), Ir. Juan Moral (2006…).

Colaboradores:

Ir. Jean-Paul Salvas (até 2002), Sra. Luigia Romani (2004-2005), Sra. Emanuela Lisciarelli (2004-2008), Sra. Annamaria Ruggiero (2004), Sr. Emanuel Quintas (2004), Sra. Gabriela Scanavino (2004-2006), Sra. Lucia Distefano (2006…), Sra. Dorotea Cinanni (2009).


■ BIS: ■

Responsável:

Ir. Allen Sherry (até 2003), Ir. Dominick Pujia (2003-2009), Ir. Rick Carey (2009…)

Colaboradores:

Sr. Stefano Oltolini (até 2004), Sra. Letizia Quintas (até 2004), Sra. Marcela Ossandon (2004-2005), Sr. Riccardo Ducci (2005), Sra. Sara Panciroli (2005…), Sra. Angela Petenzi (2006…).

Delegado em Genebra:

Ir. César Henríquez (2005-2008), Ir. Jim Jolley (2009…).

■ Comissões e Secretariados: ■

Comissão Vida religiosa e Comissão Vocações: Ir. Ernesto Sánchez B. (2002-2005)

Comissão Vida religiosa:

Ir. Teófilo Minga (2006…)

Secretariado de vocações:

Ir. Ernesto Sánchez B. (2006-2008)

Comissão da Missão e Secretariado dos Leigos: Ir. Paulo Celso Ferrarezi (2003-2004)

Comissão da Missão:

Ir. Juan Miguel Anaya (2004…)

Comissão de Leigos:

Ir. Michael Flanigan (2004-2005)

Secretariado de Leigos:

Ir. Pau Fornells (Diretor, 2006…)

Comissão de Governo:

Ir. Juan Miguel Anaya (2002-2005)

Comissão p/Uso evangélico dos bens: Ir. Guy Palandre (2002-2006)

Secretariado p/uso evangélico dos bens:

Ir. Pedro Ost (Diretor 2006…)

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■ Projeto Missão ad Gentes: ■

Colaboradores:

Conselho assessor: Ir. Luis García Sobrado (2006-2009), Hna. Helen Mendonça fmm (2007-2009), P. Joseph Nguyen Cong Doan sj (2006-2008), Ir. Peter Rodney (2006-2009), Ir. Michael Flanigan (2006-2009), Ir. Tom Chin (2006-2007), Ir. Barry Burns (2007), Ir. Michael de Waas (2007-2009), Ir. Sunanda Alwis (2008-2009), Ir. Manny de Leon (2008-2009).

Coordenador em Chicago:

• Relatório do Conselho Geral

Ir. Michael Flanigan (2005…)

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Delegado Superior geral:

Responsável p/Setor Ásia:

Ir. René Reyes (2006), Ir. Iván Buenfil (2006-2008).

Ir. José Contreras

Ir. Barry Burns (2007), Ir. Michael de Waas (2007-2010).

Ecônomo do Sector:

Ir. Jude Pieterse (2007-2009)

Curso em Davao: (2006-2009)

Ir. Timothy Leen, Ir. Alfredo Herrera, Ir. Roy Deita


■ Capelães: ■

da Comunidade da Administração geral:

P. Juan G. Díaz (até 2002) P. Libardo Garcés (até 2002), P. Néstor Iván Mejía (2002-2005), P. Jorge Correa (2005-2008), P. John Jairo Franco (2008…)

do Colégio internacional: P. Tarcisio Vieira (até 2002), + P. Carlos Rogério Groh (2003-2006)

do Conselho Geral:

P. Vicente Hernández (até 2003), P. Roberto Madrigal (2003-2005), P. Ignacio Vargas (2005-2007), P. Jesús Castillo (2007), P. José de León Chávez (2008…)

■ Collegio Internazionale: ■

Diretor:

Ir. Wency Calimpon (2001-2005), Ir. Iván Buenfil (2005-2006).

Subdiretor:

Ir. Giovanni Maria Bigotto (2001-2002), Ir. Roberto Clark (2003-2004), Ir. Giovanni Maria Bigotto (2005-2006).

■ Curso de renovação em El Escorial ES/PT: ■

Diretor:

Ir. Santiago Cisneros (até 2003), Ir. Javier Espinosa (2003-2009),

Subdiretor:

Ir. Félix Rodríguez (até 2002), Ir. Teófilo Minga (2003-2006), Ir. Afonso Levis (2006-2009),

Ecônomo:

Ir. Jesús Luengo (até 2004), Ir. Elías Peña (2004), Ir. Alfredo Villanueva (2004).

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■ Curso de renovação em Manziana EN: ■

Diretor:

Ir. Desmond Howard (2001-2007), Ir. Barry Burns (2008…),

Subdiretor:

Ir. Sunanda Alwis (2001-2004), Ir. Antoine Kazindu (2008…),

Ecônomo:

Ir. George Fontana (2001-2007), Ir. Réal Fournier (2007), Ir. José Martín Descarga (2007…)

■ Curso de renovação FR em Manziana (2005): ■

Diretor:

Ir. Gaston Robert (2005),

Subdiretor:

Ir. Antoine Kazindu (2005),

Ecônomo:

Ir. George Fontana (2005).

■ Curso de renovação FR em Manziana (2007): ■

Diretor:

Ir. Antoine Kazindu,

Subdiretor:

Ir. Antonio Rieu,

Ecônomo:

Ir. George Fontana

■ Curso para terceira idade ES/PT em Manziana:

110

• Relatório do Conselho Geral

Diretor:

Ir. José María Ferre (até 2002), Ir. David Aranda (2003-2006), Ir. Inocencio Martínez (2006…)

Subdiretor:

Ir. Amabile Gentile Biazus (até 2003), Ir. Diamantino Duque (2004-2005; 2007-2008), Ir. Carlos Wielganszuk (2006).

Ecônomo:

Ir. George Fontana (até 2006), Ir. Réal Fournier (2007), Ir. José Martín Descarga (2008…)


■ Curso para terceira idade FR Manziana (2005), Roma (2007): ■

Diretor:

Ir. Gaston Robert,

Subdiretor:

Ir. Maurice Goutagny

■ Curso de Formadores Nairobi (2005-2006): ■

Diretor:

Ir. Enrique Escobar,

Subdiretores:

Ir. Barry Burns, Ir. Antoine Kazindu.

■ Curso de Animadores EN, Nemi (2005): ■

Diretor:

Ir. Desmond Howard,

Subdiretor:

Ir. Barry Burns.

■ Curso de Animadores ES/PT, El Escorial (2005): ■

Diretor:

Ir. Javier Espinosa,

Subdiretor:

Ir. José F. Calleja

■ Curso de patrimonio EN, Roma (2008): ■

Superior:

Ir. Michael Green,

Diretor:

Ir. Aureliano Brambila

Capelão:

P. Willie Weemaes sm

Janeiro de 2009

111


B. EQUIPES E COMISSÕES NOMEADAS PELO CONSELHO GERAL

1. Conselho Internacional de Assuntos Econômicos: Ir. Darío Bortolini (Brasil Centro-Sul, 2003-2008), Ir. Joël Capon (L’Hermitage, 2003-2008), Ir. Alberto Oribe (Ibérica, 2003-2008), Ir. Carlos Huidobro (Cruz del Sur, 2003-2005), Ir. Víctor M. Preciado (México Occidental, 2006-2008).

2. Equipe de avaliação da Administração geral: (2002) Ir. Clemente Ivo Juliatto (São Paulo), Ir. John Klein (Esopus), Ir. Antonio Martínez Fernández (Norte).

3. Encontro consultivo sobre propostas vocacionais: (Dezembro de 2002) Ir. Bernard Beaudin (Canadá), Ir. Joaquim Sperandio (Brasil Centro-Sul), Ir. Peter Ernst (Sydney), Ir. Rémy Mbolipasiko (Congo), Ir. Valerià Simon (L’Hermitage).

4. Equipe de avaliação da Gestão da Casa geral: (Junho de 2003) Ir. Clemente Ivo Juliatto (Brasil Centro-Sul), Ir. Alberto Oribe (Norte), Ir. Ronald McEwan (Europe Centre-Ouest).

112

• Relatório do Conselho Geral


5. Encontro consultivo colaboradores do Patrimônio: (Dezembro de 2003) Ir. Manuel Mesonero (Ibérica), Ir. Dionisio Rodrigues (Rio Grande do Sul), Ir. Aureliano Brambila (México Ocidental), Ir. André Lanfrey (L’Hermitage), Ir. Alain Delorme (L’Hermitage), Ir. Edward Clisby (Nova Zelândia), Ir. Genuino Benini (Rio Grande do Sul), Ir. Ivo Strobino (Brasil Centro-Sul), Ir. Jaume Parés (L’Hermitage), Ir. Juan Moral (L’Hermitage), Ir. Jean-Pierre Cotnoir (Arquivos Roma), Ir. Michael Flanigan (Estados Unidos), Ir. Michael Green (Sydney), Ir. Paul Sester (L’Hermitage).

6. Comissão Internacional do Patrimônio: (2004-2009) Ir. André Lanfrey (L’Hermitage, Coordenador), Ir. Aureliano Brambila (México Occidental), Ir. Ivo Strobino (Brasil Centro-Sul), Ir. Jaume Parés (L’Hermitage), Ir. Michael Green (Sydney), Ir. Paul Sester (L’Hermitage, até 2007), Ir. Robert Teoh (Ásia, Sul desde 2008), Ir. Henri Réocreux (L’Hermitage, Secretário desde 2005).

7. Encontro consultivo sobre a Espiritualidade Marista: (Junho de 2003) Ir. André Lanfrey (Beaucamps Saint Genis), Ir. Antonio Peralta (Santa María de los Andes), Ir. Carlos Martínez Lavín (Cuba), Ir. John McDonnell (Esopus), Ir. John Thompson (Sydney), Ir. Juan Carlos Fuertes (Levante), Ir. Lawrence Ndawala (África Austral), Ir. Michael de Waas (Sri Lanka), Ir. Raúl Figuera (León), Ir. Vanderlei Soela (Rio de Janeiro).

Janeiro de 2009

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8. Documento de Espiritualidade “Água da Rocha”: (2003-2006) Ir. Peter Rodney, (Conselheiro geral, Coordenador), Ir. Benito Arbués (L’Hermitage), Ir. Bernard Beaudin (Canadá), Ir. Nicholas Fernando (Sri Lanka), Hna. Vivienne Goldstein sm, Ir. Maurice Goutagny (L’Hermitage), Ir. Lawrence Ndawala (África Austral), Ir. Spiridion Ndanga (África Centro-Leste), Ir. Graham Neist (Sydney), Sra. Bernice Reintjens (Europa Centro-Oeste), Sra. Agnes Reyes (Filipinas), Ir. Vanderlei Soela (Brasil Centro-Norte), Ir. Miguel Angel Santos (México Ocidental), Ir. Luis García Sobrado (Vigário Geral).

9. Comitê de comunicação do texto “Água da Rocha” (2005-2007) Ir. Antonio Martínez Estaún (Administração geral), Ir. Federico Andrés Carpintero (Compostela), Ir. Jean-Pierre Destombes (L’Hermitage), Ir. Joadir Foresti (Rio Grande do Sul).

114

• Relatório do Conselho Geral


10. Equipe de avaliação do BIS: (2004) Ir. Chris Wills (Sydney), Hna. Caroline Price AGS, Sr. Pablo Villalba (SED Espanha).

11. Equipe consultiva sobre a função dos Secretários provinciais (2004) Ir. Jean Ronzon, Coordenador Sra. Nellie Beleen (Europe Centre-Ouest) Ir. Roque Brugnara (Brasil Centro Sul) Ir. Gregory McCrystal (Melbourne) Ir. José M. Ferre (Distrito de Afrique de l’ Ouest) Ir. Josep M. Soteras (L’Hermitage) Ir. Peter Rodney (Conselheiro geral)

12. Equipe para a animação e a formação dos Secretários provinciais (2006) Ir. Jean Ronzon, Coordenador Ir. Fernand Dostie (Africa Austral) Ir. José M. Rius (Mediterránea) Ir. Isaac Revilla (Norandina) Ir. Anthony Robinson (Sydney) Ir. Ivo Strobino (Brasil Centro-Sul) Ir. Luis G. Sobrado (Vigário geral) Ir. Juan Miguel Anaya (Procurador geral)

13. Comissão dos Lugares Maristas: (2004-2005) ■

Nomeados pelo Conselho geral: Ir. Onorino Rota (Coordenador), Ir. Javier Espinosa, Ir. Albert André, Ir. George Fontana, Ir. José Pérez.

Nomeados pela Província de L’Hermitage: Ir. Josep M. Soteras (Coordenador), Ir. Michel Morel, Ir. Maurice Goutagny, Ir. Jean-Pierre Destombes, Ir. Alain Delorme. Janeiro de 2009

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14. Comissão Central do projeto Hermitage: (2006-2009) ■

Administração geral: Ir. Luis García Sobrado (Coordenador), Ir. Antonio Martínez Fernández, Ir. Onorino Rota, Ir. Michael Flanigan.

Província de l’Hermitage: Ir. Josep M. Soteras (Coordenador), Ir. André Deculty, Ir. Jean-Pierre Destombes, Ir. Heribert Pujolàs, Ir. Michel Morel.

15. Comissão Preparatória Assembleia Internacional da Missão Marista: (2004-2007) Ir. Emili Turú (Conselheiro geral, Coordenador), Sra. Dilma Alves Rodrigues (Brasil Centro Norte), Sra. Erica Pegorer (Melbourne), Ir. Alphonse Balombe (África Centro-Leste), Ir. John Y Tan (Filipinas), Sr. José María Pérez Soba (Ibérica), Ir. Juan Miguel Anaya (Comissão Missão), Ir. Michael Flanigan (Comissão dos Leigos, 2004-2005), Ir. Pau Fornells (2006-2007) (Secretariado dos Leigos), Ir. Pedro Herreros (Conselheiro geral), Sr. Colin Quine (Facilitador).

16. Grupo consultivo de leigos: (Maio de 2005) Sr. Achi Godwin Chibueze (Nigéria), Sra. Adrienne Egbers (África Austral), Sr. Andrés Magallanes (Filipinas), Sra. Anne Dooley (Melbourne), Sra. Claudia Rojas C. (Norandina), Sr. Edison Oliveira (Rio Grande do Sul), Sra. Encarna García (Mediterrânea), Sr. Frank Aumeier (Europa Centro-Oeste), Sr. Joe Reganato (Estados Unidos), Sra. Marta Portas (L’Hermitage).

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• Relatório do Conselho Geral


17. Secretariado dos leigos ampliado: (2007-2010) Sra. Ana Sarrate (Ibérica), Sra. Linda Corbeil (Canadá), Sr. Tony Clarke (Sydney), Ir. Afonso Murad (Brasil Centro-Norte).

18. Equipe de avaliação do Collegio Internazionale: (2004) Ir. Antonio Ramalho (Conselheiro geral), Ir. Javier Espinosa (El Escorial), Ir. Wency Calimpon (Diretor Collegio Internazionale), Ir. Christian Gisamonyo (Afrique Centre-Est).

19. Documento “A vocação do leigo marista”: (2006-2009) Ir. Pau Fornells (Secretariado dos leigos, Coordenador), Sra. Anne Dooley (Melbourne), Sra. Annie Girka (L’Hermitage), Sra. Bernadette Ropa (Melanésia), Sr. Carlos Navajas (América Central), Sr. José María Pérez Soba (Ibérica), + Sr. Noel Dabrera (Sri Lanka), Sr. Sérgio Schons (Rio Grande do Sul), Ir. Rémy Mbolipasiko (África Centro-Leste), Ir. Afonso T. Murad (Brasil Centro-Norte).

20. Documento “Pastoral Juvenil Marista”: (2006-2009) Ir. Emili Turú (Conselheiro geral, Coordenador), Ir. Raúl Goitea (Cruz del Sur), Sr. Fabiano Incerti (Brasil Centro-Sul), Sr. Paul Salmon (Melbourne), Ir. Ramon Rúbies (L’Hermitage), Ir. Ifeanyi Mbaegbu (Nigeria), Ir. Rommell Ocasiones (Ásia Leste), Ir. Michael Schmalzl (Europa Centro-Oeste), Ir. Juan Miguel Anaya (Administração geral).

Janeiro de 2009

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21. Comissão Preparatória do XXI Capítulo Geral: (2007-2009) Ir. Maurice Berquet (Conselheiro geral, Coordenador), Ir. Albert Nzabonaliba (África Centro-Leste), Ir. Carlos Vélez (América Central), Ir. Graham Neist (Sydney), Ir. João Carlos do Prado (Brasil Centro-Sul), Ir. Josep Maria Soteras (L’Hermitage), Ir. Lindley Sionosa (Ásia Leste), Ir. Luis García Sobrado (Vigário Geral), Ir. Seán Sammon (Superior Geral), Ir. Teodoro Grageda (Secretário).

22. Equipe de avaliação da Postulação: (2008) Ir. Michael Flanigan, responsável, Ir. Onorino Rota, Ir. Afonso Levis.

23. Revisão do Capítulo IV das Constituições: (2008) Ir. Antonio Ramalho (Conselheiro Geral, Coordenador), Ir. Antoine Kazindu (África Centro-Leste), Ir. Tony Clark (Melbourne), Ir. Pere Ferré (L’Hermitage), Ir. Maurice Goutagny (L’Hermitage), Ir. Pedro Herreros (Conselheiro Geral).

24. Comissão para a formação universitária, em nível internacional, sobre espiritualidade e missão marista (2007-2008) Ir. Emili Turú (Conselheiro Geral, Coordenador), Ir. Evilázio Teixeira (PUCRS, Rio Grande do Sul), Sr. Jaime Nieto (Red universidades do México), Ir. Juan Ramón Alegre (Escola de Alcalá de Henares, Espanha), Sr. Ricardo Tescarolo (PUCPR, Brasil Centro-Sul), Ir. Juan Miguel Anaya (Comissão da Missão).

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• Relatório do Conselho Geral


25. Comissão preparatória do 2º Encontro de gestão de obras educativas: (2008-2009) Ir. Juan Miguel Anaya (Comissão da Missão, Coordenador), Ir. Carlos Huidobro (Cruz del Sur), Ir. Juan Ignacio Poyatos (Mediterrânea), Ir. Luis Carlos Gutiérrez (América Central), Ir. Michael Green (Sydney), Ir. Wellington Medeiros (Brasil Centro-Norte).

26. Comunidade de acolhida de N.D. de l’Hermitage: (2009-2011) ■

Nomeados pelo Conselho geral: Ir. Neville Solomon (Sydney), Ir. Diogène Musine (África Centro-Leste), Ir. Miro Reckziegel (Rio Grande do Sul), Ir. Allan de Castro (East Asia), Sr. Ernesto y Sra. Norma Spagnoli (Cruz del Sur), Sra. Elida Quiñones (México Ocidental).

Nomeados pela Província de L’Hermitage: Ir. Jean-Pierre Destombes (Superior), Ir. Benito Arbués, Ir. George Palandre, Sra. Annie Girka.

Janeiro de 2009

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A PRESENÇA Províncias da AMÉRICA do Sul ■ BRASIL CENTRO – NORTE Brasil ■ BRASIL CENTRO – SUL Brasil ■ CRUZ DEL SUR Argentina, Uruguai ■ NORANDINA Colômbia, Equador, Venezuela ■ RIO GRANDE DO SUL Brasil ■ SANTA MARÍA DE LOS ANDES Bolivia, Chile, Peru

Provincias da ÁFRICA ■ ÁFRICA AUSTRAL Angola, Malaui, Moçambique, África do Sul, Zâmbia, Zimbábue

■ PARAGUAY (DISTRITO) Paraguai ■ AMAZONIA (DISTRITO) Brasil

■ EAST CENTRAL AFRICA República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Quênia, Ruanda, Tanzânia ■ MADAGASCAR Madagascar ■ NIGERIA Nigéria ■ WEST AFRICA (DISTRICT) Camarões, Chade, Costa do Marfim, Gana, Guiné Equatorial, Libéria

Provincias da AMÉRICA do NORTE e CENTRAL ■ AMÉRICA CENTRAL Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Nicarágua, Porto Rico, Cuba ■ CANADA Canadá ■ UNITED STATES OF AMERICA Japão e Estados Unidos ■ MÉXICO CENTRAL México ■ MÉXICO OCCIDENTAL México, Haití

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• Relatório do Conselho Geral


MARISTA NO MUNDO Províncias da ÁSIA ■ EAST ASIA Filipinas, Coréia, Hong Kong, Malásia, Cingapura ■ SOUTH ASIA Paquistão, Sri Lanka, Índia ■ MISSÃO AD GENTES (SETOR) Bangladesh, Camboja, China, India, Tailândia, Vietnam

Províncias da EUROPA ■ COMPOSTELA Espanha, Honduras, Portugal ■ WEST CENTRAL EUROPE Bélgica, Alemanha, Irlanda, Holanda, Reino Unido ■ IBÉRICA Espanha ■ L’HERMITAGE Argélia, Espanha, França, Grécia, Hungria, Suiça ■ MEDITERRÁNEA Espanha, Itália, Líbano, Síria

2009 Províncias da OCEANIA ■ MELBOURNE Austrália, Timor Oriental ■ NEW ZEALAND Fiji, Quiribáti, Nova Zelândia, Samoa ■ SYDNEY Austrália, Camboja ■ MELANESIA (DISTRITO) Nova Caledônia, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Vanuatu


Informe do Conselho Geral ao 21 Capítulo Geral  

Superior geral e seu conselho ao 21 Capítulo dos Irmãos Maristas