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da Meia-Noite

Mateus 25.6

www.chamada.com.br

ABRIL DE 2008 • Ano 39 • Nº 4 • R$ 3,50


Chamada da Meia-Noite Publicação mensal Administração e Impressão: Rua Erechim, 978 • Bairro Nonoai 90830-000 • Porto Alegre/RS • Brasil Fone: (51) 3241-5050 Fax: (51) 3249-7385 E-mail: mail@chamada.com.br www.chamada.com.br Endereço Postal: Caixa Postal, 1688 90001-970 • PORTO ALEGRE/RS • Brasil Preços (em R$): Assinatura anual ................................... 31,50 - semestral ............................ 19,00 Exemplar Avulso ..................................... 3,50 Exterior - Assin. anual (Via Aérea) US$ 35.00

Índice Prezados Amigos

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Manipulando os Cristãos Através das Dinâmicas de Grupo (1ª parte)

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Atraídos Para o Céu

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Do Nosso Campo Visual

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Fundador: Dr. Wim Malgo (1922-1992) Conselho Diretor: Dieter Steiger, Ingo Haake, Markus Steiger, Reinoldo Federolf Editor e Diretor Responsável: Ingo Haake Diagramação & Arte: Émerson Hoffmann INPI nº 040614 Registro nº 50 do Cartório Especial Edições Internacionais A revista “Chamada da Meia-Noite” é publicada também em espanhol, inglês, alemão, italiano, holandês, francês, coreano, húngaro e cingalês. As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos autores. “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí ao seu encontro” (Mt 25.6).

• A Bússola de Ouro - adivinhação e demônios para crianças? - 15 • A decisão mais importante da vida - 18

A “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” é uma missão sem fins lucrativos, com o objetivo de anunciar a Bíblia inteira como infalível e eterna Palavra de Deus escrita, inspirada pelo Espírito Santo, sendo o guia seguro para a fé e conduta do cristão. A finalidade da “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” é: 1. chamar pessoas a Cristo em todos os lugares; 2. proclamar a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo; 3. preparar cristãos para Sua segunda vinda; 4. manter a fé e advertir a respeito de falsas doutrinas Todas as atividades da “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” são mantidas através de ofertas voluntárias dos que desejam ter parte neste ministério.

Aconselhamento Bíblico www.Chamada.com.br

• A incumbência de Balaão e a resistência de Deus

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Como reagimos ao sermos defrontados com publicações científicas que falam de uma evolução biológica e que apresentam suas teses de forma convincente usando termos que desconhecemos? Um exemplo recente foi a declaração do holandês Frans de Waal à revista VEJA de 22 de agosto de 2007. Segundo esse semanário, ele “é a maior autoridade mundial no estudo dos primatas – a ordem do reino animal à qual pertencem o homem e os macacos”. Na entrevista, de Waal declarou: “Podemos rastrear sua origem [da moralidade do homem] até um ancestral em comum com chimpanzés e bonobos, seis milhões de anos atrás”. Essa afirmação é oposta ao que a Bíblia nos informa sobre a origem, tanto do homem como dos animais. Deus, como o Criador do Universo, ordenou expressamente a Adão: “enchei a terra e sujeitai-a...” (Gn 1.28). Deus fez distinção entre o homem e a natureza, que ele deveria sujeitar. Como representante de Deus, o homem deve dominar a terra, mas ao pecar, perdeu a capacidade de fazê-lo corretamente. Hoje vemos claramente as conseqüências da queda do homem em pecado, seu afastamento de Deus, e essas conseqüências obviamente não se detêm diante da Ciência. Pelo contrário, vivenciamos uma poderosa ascensão do ateísmo, justamente entre os cientistas. Quando essas setas inflamadas nos acertam e nos machucam, quando perguntas e dúvidas assaltam nosso coração, então devemos usar o escudo da fé para apagá-las: “embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef 6.16). Como em muitas situações de nossa vida, também neste caso, buscar as respostas na Palavra de Deus ainda é a melhor atitude a ser tomada. Somos literalmente bombardeados com informações como esta: “De Waal demonstra que a distância entre o ser humano e os animais é infinitamente menor... o que reafirma as idéias do inglês Charles Darwin sobre a evolução”. Muitas vezes esse tipo de declaração soa de forma convincente, científica e aparentemente verdadeira, mesmo não combinando de forma alguma com o que a Bíblia diz. Aos coríntios, conhecidos por estarem muito impressionados e influenciados pela sabedoria de sua época, o apóstolo Paulo escreveu: “onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século?... Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria...” (1 Co 1.20-21). Paulo demonstra que a sabedoria do mundo, que os coríntios tanto

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valorizavam, é a própria antítese da sabedoria de Deus. Também nos lembramos de 1 Coríntios 2.14: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. Como é possível vermos cientistas capacitados e internacionalmente renomados, com grandes realizações em suas áreas de pesquisa, porém completamente cegos e ignorantes em relação a Deus e ao Evangelho? A causa de rejeitarem a Deus não reside em sua inteligência incomum, mas em seus corações. O apóstolo Paulo chama a atenção dos cristãos em Roma para este fato: “...se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem do homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis (Rm 1.21-23). A Palavra de Deus realmente nos ajuda a colocar as informações em seus devidos lugares e a resistir ao engano! Dentro desse contexto, mais um aspecto merece consideração. Infelizmente, as pessoas não ouvem o clamor da Criação: “Pois a criação está sujeita à vaidade... na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.20-22). A Criação aguarda gemendo, juntamente conosco, que chegue a liberdade da glória dos filhos de Deus. Por isso, só podemos orar e clamar: Venha logo, Senhor Jesus! Unidos na espera pelo Senhor que está voltando,

Dieter Steiger


Desde o nascimento da Igreja, os cristãos têm tido que combater erros doutrinários, movimentos centrados no homem e várias heresias. De um lado, a igreja primitiva tinha que lutar contra o gnosticismo (conhecimento secreto obtido através de experiência mística), e do outro tinha que enfrentar o judaísmo (legalismo). Apesar disso, a Bíblia afirma que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja verdadeira (Mt 16.18). Mas, embora tenhamos essa certeza confortadora, a Bíblia também adverte acerca do engano que pode desviar um crente do caminho reto e construir uma forma falsa de Cristianismo (Mt 24). De que modo as pessoas são arrastadas para um falso Cristianismo? Muitas vezes começa nas rela-

ções interpessoais normais, quando algumas pessoas tentam convencer outras a adotar um certo ponto de vista ou a participar de um determinado grupo. Pode ser através de convites, cumprimentos, incentivo, ligações telefônicas, relacionamentos ou outras formas de interação humana. Porém, a partir do momento que uma pessoa é levada para dentro de um grupo, a dinâmica do grupo começa a atuar. Ao longo dos anos, temos visto o surgimento de movimentos de grupo que usam vários meios de manipulação para atrair, persuadir, intimidar e prender. Portanto, os cristãos precisam saber da existência dessas técnicas de relacionamento interpessoal que podem ser armadilhas para atraí-los para falsas doutrinas.

Vulneráveis à sedução Responda às perguntas a seguir para ver se você está vulnerável ao apelo desses grupos: Você quer sentir a presença de Deus de uma forma mais profunda? Você deseja conhecê-lO melhor? Você quer andar mais perto de Deus? Você quer se livrar de tudo que o impede de agradar e servir melhor a Deus? Você quer poder para ministrar a graça de Deus a outras pessoas? Você precisa do toque curador de Deus em sua vida? Os cristãos que respondem “sim” às perguntas acima estão no caminho certo para o verdadeiro crescimento espiritual. Porém, também estão vulneráveis às falsificações, que fazem promessas carnais e demoníacas, e propõem métodos

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A sedução é tão atraente quanto aquela primeira que ocorreu no Jardim, quando a serpente prometeu a Eva que, se comesse o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, ela seria como Deus, conhecedora do bem e do mal.

humanos para ajudar os crentes a alcançarem esses objetivos. Suas promessas são sedutoras e podem até parecer bíblicas, mas eles usam métodos e meios carnais para promover seus sistemas. A primeira parte da salvação acontece num lapso de tempo, quando a pessoa é transladada do reino das trevas para o reino da luz – regenerada pelo Espírito de Deus. Entretanto, a segunda parte da salvação é um lento processo que envolve despir-se da velha natureza (o antigo modo de agir da carne), revestir-se da nova vida em Cristo, e aprender a andar de acordo com essa nova vida (segundo o Espírito). Esse processo de transformação em que os cristãos vão assumindo a imagem de Cristo leva a vida inteira, e exige que, a cada momento, seja tomada a decisão de negar-se a si mesmo (a antiga natureza, que segue a inclinação da carne) e andar segundo o Espírito. Veja as palavras de Jesus: “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disselhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho

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salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Mc 8.34-37). A carne não gosta de ser contrariada. Ela quer resultados rápidos. Isso fica bem claro em toda a Bíblia, no que se refere às atividades religiosas das nações vizinhas de Israel. O povo de Israel aderia à idolatria das nações vizinhas quando o verdadeiro Deus vivo não lhe dava o que queria, na hora em que queria. É só lembrar que Saul preferiu procurar a feiticeira de En-Dor do que buscar o conselho do Deus vivo. Quando o pragmatismo e a experiência são colocados em primeiro lugar, é bom tomar cuidado para não ser vítima do engano espiritual. Quem está com pressa fica vulnerável a cair na tentação carnal de ir atrás desses aventureiros espirituais que afirmam ter encontrado um meio melhor, mais rápido e mais prático de alcançar a plenitude espiritual. São feitos todos os tipos de promessas, tanto explícita quanto implicitamente. Os testemunhos entusiásticos de enlevo, cura e experiências profundas surgem aos montes. A sedução é tão atraente quanto aquela primeira que ocorreu

no Jardim, quando a serpente prometeu a Eva que, se comesse o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, ela seria como Deus, conhecedora do bem e do mal. Assim como ocorreu no Jardim, atualmente a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida estão agindo em toda parte para que os cristãos vulneráveis sejam atraídos por essas promessas: a concupiscência de ver Jesus antes do tempo, através de experiências emocionais e técnicas de visualização; a concupiscência carnal de ter um rápido progresso espiritual, de ter poder espiritual e experiências profundas com Deus; e a soberba da vida, o desejo de ser admirado, de ser superespiritual e espiritualmente poderoso. Com seu canto de sereia, esses encantadores atraem os cristãos para o naufrágio nas sutilezas de Satanás. Assim como faziam os primeiros cristãos gnósticos, esses feiticeiros da alma afirmam ter um conhecimento espiritual superior que desejam compartilhar com todos os seus seguidores. Entretanto, como o Flautista de Hamelin e sua flauta encantada, eles são protagonistas da aplicação de métodos falsos e carnais. Embora muitos cristãos estejam prevenidos quanto a alguns abusos espirituais, eles podem ser atraídos para esses desvios pelo uso das técnicas que descreveremos adiante. À primeira vista, muitas dessas técnicas parecem inofensivas e até benéficas, mas elas podem ser apenas os primeiros passos que conduzirão o crente a ciladas e experiências contrárias à Bíblia, algumas delas oriundas do ocultismo.

O movimento dos grupos Pouco depois do surgimento do movimento dos grupos, as igrejas


começaram a desenvolver ministérios com pequenos grupos, seguindo modelos semelhantes. Segundo as pesquisas, “um décimo da população adulta dos EUA faz parte de uma turma de escola dominical e/ou grupo doméstico”. De fato, um autor que promove esse tipo de grupo declarou: “No que se refere ao crescimento da igreja americana nos dias de hoje – e que continuará ocorrendo por muitas décadas – o fenômeno mais importante é a explosão dos pequenos grupos que se reúnem tanto nas turmas da escola dominical quanto durante a semana, fora da igreja”.1 Desde o dia de Pentecostes, os cristãos se reúnem em grupos pequenos ou grandes, para estudar a Palavra, orar, ter comunhão e cuidar uns dos outros. Deus criou os seres humanos para se ligarem uns aos outros e viverem em grupos. Ele criou famílias e estabeleceu nações. Cada igreja é um grupo que têm crenças, práticas e alvos em comum. Muitas igrejas também têm pequenos grupos dentro do contexto mais amplo, para que os membros possam se conhecer e ministrar uns aos outros de uma maneira mais eficaz. Quando os grupos são baseados na Bíblia e centrados em Cristo, os membros podem crescer em santificação e dedicação à obra, enquanto ministram uns aos outros e trabalham juntos no serviço do Senhor. Entretanto, tem ocorrido uma verdadeira explosão de grupos dentro da comunidade cristã que utilizam atividades individuais e em grupo para promover doutrinas antibíblicas. Os cristãos precisam ter discernimento, porque esses grupos podem usar a Bíblia e parecer até muito bíblicos. Todos nós conhecemos e aplicamos vários métodos dinâmicos de interação com indivíduos e grupos,

com o objetivo de persuadir os outros. Esses métodos não requerem treinamento especial e podem ser bem inocentes, como convidar um amigo para fazer parte de um grupo ou participar de alguma atividade conosco. Mas existem outros mais enganadores, como usar meios tortuosos para induzir alguém a entrar para um grupo ou seita e induzi-lo a aceitar um determinado sistema religioso.

Apelando para as emoções Uma das mais eficazes dinâmicas de grupo é a que apela para as emoções. Se uma pessoa puder ser induzida a participar de um evento que envolva as emoções, ela poderá passar facilmente de um sistema de fé para outro. Por exemplo, uma pessoa é convidada a participar de uma reunião onde acontecem experiências emocionais. Ela fica cheia

de dúvidas, mas acaba indo porque foi um amigo que convidou. Durante a reunião, ela ouve apelos emocionais e vê outras pessoas participando de várias atividades. No meio de toda aquela excitação, a pessoa acaba se deixando envolver emocionalmente e participando daquela experiência. Assim que a pessoa ultrapassa a fronteira entre a hesitação e a participação, ela fica enredada nas emoções e experiências. Acabam-se as dúvidas, acaba a hesitação. Em geral, essa pessoa se torna participante e apologista. Se houver outras reuniões depois da primeira, a nova crença irá se firmando cada vez mais, principalmente se essas reuniões forem centradas nas emoções e no emocionalismo. A pessoa conseguiria se afastar se parasse um pouco, seguisse a admoestação bíblica de ser “sóbria”, eliminasse o apelo facilitador/grupal, e perguntasse: Quando foi que

Uma das mais eficazes dinâmicas de grupo é a que apela para as emoções. Se uma pessoa puder ser induzida a participar de um evento que envolva as emoções, ela poderá passar facilmente de um sistema de fé para outro.

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Jesus ou os apóstolos usaram essas técnicas para acender e inflamar esse tipo de envolvimento emocional? Mas, uma vez lá dentro, é difícil não ser afetado pelos acontecimentos, principalmente se a pessoa tem participação neles, ainda que reduzida. Quando as pessoas se envolvem em experiências, seu sistema de crenças com certeza é alterado para se ajustar a elas. Em outras palavras, ações pessoais moldam a teologia. O Dr. Leon Festinger explicou os motivos que levam pessoas que têm uma determinada crença a ajustarem ou até modificarem essa crença radicalmente de acordo com suas próprias ações. Em termos simples, sua teoria da dissonância cognitiva diz que, como as pessoas não podem viver num estado de conflito (dissonância) entre uma crença (uma idéia cognitiva) e um comportamento ou experiência emocional, um dos dois lados tem que ceder. E o que geralmente cede é a crença.2 A mente precisa manter a consistência do comportamento, e

geralmente faz isso ajustando suas crenças ao comportamento ou às experiências emocionais.

O apelo do grupo As principais formas de atrair os cristãos para participarem de grupos são os convites pessoais contendo testemunhos de crescimento espiritual, curas e aumento da percepção do poder e da presença de Deus. Isso é uma forma comum de incentivar a participação em qualquer atividade de grupo, inclusive na igreja e em qualquer outra organização. Portanto, esse método pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal. O desejo de pertencer a um grupo muitas vezes é estimulado através de testemunhos espetaculares. Deve-se tomar cuidado é com o conteúdo desses testemunhos. Existe alguma promessa de se tornar especial – ter mais do que outros cristãos têm ou ser mais do que eles são? Existe algum apelo ao desejo de pertencer a um grupo de elite? O

Quase todos os grupos influenciam seus membros, começando pela família, passando pelos grupos informais de amigos e chegando até grupos mais estruturados.

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grupo é aberto a qualquer um ou seleciona alguns poucos que estejam buscando algo além da “experiência espiritual comum”? Preste atenção ao quanto a pessoa fala sobre o grupo e sobre sua própria experiência decorrente do fato de fazer parte dele.

A influência do grupo Quase todos os grupos influenciam seus membros, começando pela família, passando pelos grupos informais de amigos e chegando até grupos mais estruturados. Ao discutirem como os grupos funcionam e como influenciam socialmente seus membros, autores que estudam a “teoria da influência social” dizem o seguinte: Praticamente todos os grupos de que fazemos parte, desde a nossa família até a sociedade como um todo, têm um conjunto implícito ou explícito de crenças, atitudes e comportamentos considerados “corretos”. Qualquer membro do grupo que se afaste dessas normas corre o risco de sofrer isolamento e desaprovação social. Portanto, os grupos controlam seus membros através do uso de recompensas e castigos sociais. Um fato ainda mais importante é que os grupos nos fornecem um sistema de referência, uma interpretação pronta para eventos e questões sociais. Eles fornecem as lentes através das quais vemos o mundo. Qualquer grupo que exerça um desses dois tipos de influência – regulação ou interpretação – constitui-se num dos nossos grupos de referência. Nós recorremos a esses grupos para avaliar e decidir a respeito de nossas crenças, atitudes e comportamentos; se procuramos ser como os membros desses grupos, dizse que nos “identificamos com eles”.3 Os cristãos se reúnem para aprender a sólida doutrina bíblica e


Muitos grupos que se chamam de “cristãos” não estão ensinando a sã doutrina e incentivando seus membros a andarem segundo o Espírito, glorificando o Senhor através de sua fé e prática.

para encorajar uns aos outros na fé. O próprio Jesus os coloca como membros do Corpo de Cristo quando são nascidos de Seu Espírito. Jesus estabelece líderes como dádivas para a Igreja e como mestres e pastores para orientar a Igreja na sã doutrina e na prática. Entretanto, muitos grupos que se chamam de “cristãos” não estão ensinando a sã doutrina e incentivando seus membros a andarem segundo o Espírito, glorificando o Senhor através de sua fé e prática. Muitos grupos acrescentaram técnicas mundanas que usam as emoções e seduzem a carne. Portanto, os cristãos precisam ficar atentos aos grupos que não são firmados na Palavra de Deus e que atraem e tentam doutrinar através do uso de dinâmicas de grupo baseadas na psicologia e em promessas que agradam à carne. Algumas técnicas são apenas meios que as pessoas empregam para influenciar umas às outras, tais como usar todo tipo de manifestação de carinho e amor para atrair os membros para o grupo. Desse mo-

do, elas apelam para o desejo que as pessoas têm de serem amadas e aceitas pelos outros. Mas, juntamente com essas expressões de amor, existe a pressão do grupo e a conformidade ao grupo. Primeiro, vêm o amor e o carinho; depois vem a pressão para ser e fazer o que o grupo quer. A mais eficiente pressão de grupo é aquela que não é percebida. Uma das metas do líder/facilitador do grupo é influenciar o modo como os membros do grupo explicam para si mesmos o que estão fazendo ali. Em outras palavras, se um membro do grupo pensa que está participando de uma determinada atividade ou se comportando de certa maneira por sua própria escolha, segundo sua inclinação pessoal, a probabilidade de que ele se ajuste ao grupo aumenta. O efeito pode ser reforçado atribuindo-se qualidades às pessoas de acordo com a mudança que se deseja produzir nelas. Por exemplo, se o líder/facilitador do grupo comenta que o grupo tem um coração de servo, o indivíduo membro do grupo pode começar a

atribuir essa característica a si mesmo e passar a servir com maior freqüência. Então, quando isso acontece, o líder pode dizer: “Vejo que você tem realmente um coração de servo”. Essa confirmação do que a pessoa agora acredita a respeito de si mesma (i.e., “Sou o tipo de pessoa que tem um coração voltado para o serviço”) a encorajará a servir ainda mais. O líder também pode dizer: “Estou muito feliz de ver como os membros deste grupo são abertos e sinceros”. Isso leva os membros a atribuírem essas características a si mesmos e a agirem de acordo com elas. Além de ajudar os membros a imputarem a si próprios as características do grupo a fim de promover a unidade de fé e propósito, o líder pode ressaltar a atitude, a atividade ou a fidelidade de um determinado membro para incentivar os outros a serem como ele. Isso é feito usando a comparação como mecanismo motivacional, com a idéia de que, se outros estão fazendo, eu também posso fazer. Como compromisso e conformidade são considerados atributos positivos tanto dentro como fora do grupo, essas qualidades serão enfatizadas e imputadas aos membros do grupo enquanto permanecerem nele. Assim, os membros não irão só querer ver a si mesmos como pessoas comprometidas e conformes; elas realmente se verão dessa forma e agirão de acordo. Quanto mais a pessoa atribui a si mesma as características, atitudes e ações do grupo, mais ela se sentirá motivada a acatar sugestões e pedidos. De início, os pedidos podem ser modestos e fáceis de atender, mas quanto mais a pessoa reagir positivamente, mais comprometida se tornará, chegando ao ponto de assinar acordos, dedicar tempo e/ou dinheiro, assumir mais com-

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Como compromisso e conformidade são considerados atributos positivos tanto dentro como fora do grupo, essas qualidades serão enfatizadas e imputadas aos membros do grupo enquanto permanecerem nele.

promissos e servir aos objetivos do grupo. Uma técnica de atração particularmente eficiente e bastante utilizada em retiros de fim-de-semana é tratar o novato como um convidado muito especial, cobrindo-o de gentilezas, como demonstrações de afeto e bilhetinhos pessoais. O mecanismo psicológico usado aqui é chamado de “reciprocidade”, cujo princípio é: “quando alguém lhe dá alguma coisa, você deve retribuir”.4 Os grupos que usam essa técnica geralmente convidam o receptor a participar como doador no próximo evento, e depois em eventos subseqüentes. Essa mesma técnica de dar para receber é usada na captação de recursos. O que mais levaria uma organização a enviar brindes junto com seus pedidos de doação?

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Outra forma de persuasão de grupo tem a ver com a autoridade do líder do grupo ou do líder geral do movimento de grupo. Se uma determinada pessoa é considerada uma autoridade, muitas vezes os outros acreditam no que ela diz sem questionar. De fato, as pessoas freqüentemente dão apoio ao líder quando qualquer elemento de fora questiona seus ensinamentos ou sua liderança, principalmente se a admiração que o grupo tem pelo líder é combinada com envolvimento ou compromisso pessoal.

Indução e identificação Embora cada grupo tenha seus procedimentos próprios, há sempre um processo de indução. Porém, a menos que esse processo seja uma intensa maratona de fim-de-semana, ele pode não ser percebido imediatamente. Entretanto, geralmente existe um apelo ao desejo de ser querido, de ser aceito e amado. Alguns grupos apelam para outros desejos e objetivos pessoais, como abandonar certos hábitos, obter cura emocional, ser transformado ou ter propósito e importância na vida. Outros grupos correm atrás de uma causa comum, como resolver o problema da pobreza mundial. Quando nos juntamos ou pensamos em nos juntar a um novo grupo, estamos abertos a nos identificar tanto com o grupo quanto com suas crenças,

ideais, aspirações e alvos. Quanto mais nos identificamos com um grupo, mais propensos nos tornamos a participar de suas atividades e incorporar suas crenças. Grupos que demonstram aceitação e amor fazem a pessoa se sentir bem-vinda. Isso é comum a todos os grupos que desejam expandir seu número de membros, desde as igrejas até as organizações seculares. No entanto, quando um grupo pratica a “transparência”, seus membros partilham certos “segredos” pessoais. Isso faz com que os novos participantes se sintam aceitos – como amigos íntimos. Um certo grau de confiança se estabelece à medida que diferentes membros do grupo se abrem. Assim, além de fazer com que os recém-chegados e os convidados se sintam à vontade, transmite-se a eles a sensação de que sua aceitação chega ao ponto de uma ligação íntima. A transparência gera sensação de intimidade, principalmente quando os depoimentos se concentram em lutas pessoais contra tentações e comportamentos que a Bíblia classificaria como pecado. Essa exposição pode ser muito atraente, por colocar o ego em foco. É como uma grande sessão de histórias sobre mim, eu e eu mesmo, e todas as pessoas envolvidas comigo. As experiências e a troca de histórias pessoais formam a base do envolvimento emocional no grupo. E, em alguns grupos, o pecado de cada um é seu crachá de membro. Contar suas lutas, mágoas e sofrimentos a outras pessoas e ser ainda mais aceito por fazer isso torna a ligação com o grupo muito pessoal e une o grupo com base nos segredos compartilhados. A coesão do grupo se baseia na experiência comum de “transparência”, com as emoções que a acompanham. Além disso, à medida que os segredos das


pessoas vão sendo expostos, os membros desenvolvem entre si um tipo de laço que dificulta a saída de algum deles, por medo de que esses segredos sejam revelados fora do grupo.

Mudando crenças O sistema de crenças (seja o ecumenismo amplo ou o sectarismo estrito, ou algo entre os dois extremos) que acompanha a ligação emocional interpessoal muitas vezes é transmitido gradualmente à medida que o facilitador e os membros veteranos falam dessas crenças e as relacionam com seus depoimentos pessoais. Então, a pessoa que já está emocionalmente ligada ao grupo pode aceitar facilmente crenças e práticas contrárias àquilo em que anteriormente acreditava e passar a fazer coisas que nunca teria feito antes. Em alguns grupos, as pessoas são levadas a participar de atividades de cura interior e libertação de demônios que têm mais a ver com a psicologia freudiana e junguiana e com o ocultismo do que com a verdade bíblica. Embora todos os membros que seguem as regras explícitas e implícitas do grupo sejam aceitos, alguns são mais aceitos que outros. Isso serve como uma motivação extra para ser como aqueles que se adaptam melhor às crenças, atividades e alvos do grupo. As recompensas e punições podem consistir de ações e reações muito sutis por parte dos membros do grupo. E isso funciona muito bem, já que a pesquisa demonstrou que um senso de livre arbítrio ou o emprego de uma pressão muito leve gera o maior grau de conformidade. Baseado em seu amplo conhecimento sobre as formas de controle da mente, o Dr. Philip Zimbardo escreveu:

“A verdadeira força de controle mental eficiente reside nas necessidades básicas que as pessoas têm de serem amadas, respeitadas, reconhecidas e necessárias”.

Entre as maiores descobertas da psicologia social moderna está o princípio simples de que, sob dadas condições, um mínimo de pressão social pode produzir uma grande mudança de atitude. As mais profundas e duradouras mudanças de atitude são geradas quando duas condições são satisfeitas: primeiramente, a pessoa sente que tem liberdade de optar por um comportamento que contraria as normas ou o seu próprio sistema de valores, crenças ou motivações; e, em segundo lugar, a pressão aplicada para provocar essa ação discrepante é a mínima necessária para realizar a tarefa.5

Zimbardo argumenta que “a verdadeira força de controle mental eficiente reside nas necessidades básicas que as pessoas têm de serem amadas, respeitadas, reconhecidas e necessárias”.6 Assim, a batalha inicial do cristão é não se tornar um membro aceito nesse tipo de grupo, porque o tapete de boas-vindas está recheado de suporte emocional e aprovação. Sua luta inicial é a de permanecer totalmente alerta e consciente das técnicas de dinâmica de grupo que atuarão sobre suas emoções e sobre seu desejo de “ser

amado, respeitado, reconhecido e necessário”. A teoria da influência social procura explicar várias fases da mudança do sistema de crenças através do envolvimento em grupos. Primeiro vem a identificação com o grupo; depois vem uma fase de transição, quando o indivíduo sai de um grupo para outro, em que pode haver conflitos entre os grupos antigos (por exemplo, família ou igreja) e o novo grupo (por exemplo, escola, emprego, grupo de apoio). Durante a fase de transição, o novo grupo tem mais poder e capacidade de ligação se o grupo antigo está distante ou é menosprezado. Por exemplo, pode haver uma insinuação de que a igreja não atendia às necessidades emocionais da pessoa ou de que sua família é muito rigorosa ou antiquada. Membros estabilizados do grupo contam como suas próprias igrejas e/ou famílias os desapontaram. Isso motiva o novato a pensar o mesmo em relação à sua igreja e à sua família. A transição se inicia quando o novo membro procura o grupo para a sa-

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participação no grupo, do mecanismo de identificação com o grupo e da possibilidade de cair em armadilhas, os cristãos precisam estar alertas em relação ao que está ocorrendo. Na segunda parte deste artigo, examinaremos os vários movimentos de grupo e discutiremos as formas de se defender contra seus enganos. (PsychoHeresy Awareness Letter) (continua) Martin Bobgan é bacharel e mestre pela Universidade de Minnesota e tem doutorado em Psicologia Educacional pela Universidade do Colorado. Deidre Bobgan é bacharel pela Universidade de Minnesota e mestre pela Universidade da Califórnia. Eles têm falado sobre psicologia e fé cristã em numerosas conferências, em igrejas, no rádio e na TV. O casal Bobgan escreveu dezessete livros sobre o assunto e edita a PsychoHeresy Awareness Letter.

Notas: 1. Bill Easum, “The Exponential Church... Learning from America’s Largest and Fastest-Growing Congregations”, http://www.icmworld.org/aticles–view.asp?articleid=12904&columnid=1361. 2. Leon Festinger. A Theory of Cognitive Dissonance. Stanford, CA: Stanford University Press, 1957. 3. Ernest R. Hilgard, Rita L. Atkinson, Richard C. Atkinson. Introduction to Psychology, Seventh Edition. New York: Harcourt Brace Janovich, Inc., 1979, p. 529. 4. Robert Cialdini. Influence: Science and Practice, 2nd Ed. Glenview, IL: Scott, Foresman & Company, 1980; http://www1.chapman.edu/comm/comm/faculty/thobbs/com401/clarccs.html. 5. Philip Zimbardo, “Mind Control: Political Fiction and Psychological Reality”. On Nineteen Eighty-Four, Peter Stansky, ed. Stanford, CA: Stanford Alumni Association, 1983, p. 207. 6. Ibid., p. 208.

Pedidos: 0300 789.5152 www.Chamada.com.br

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Recomendamos: LIVRO

Durante o primeiro estágio, o da identificação, algumas pessoas podem experimentar um grupo durante algum tempo e descobrir que ele não é adequado para elas, ou que não satisfaz suas necessidades como achavam que satisfaria. Talvez elas tenham dúvidas incômodas sobre vários aspectos das crenças e práticas do grupo. Algumas vão embora por razões doutrinárias; outras, por razões pessoais. Ou sua identificação com o grupo teve vida curta (não se enraizou em sua alma) ou foi substituída por outra coisa. Algumas pessoas descobrem conflitos entre esse grupo e um outro ao qual pertencem, como a família ou a igreja, e assim não conseguem vencer a fase de transição e decidem sair. Por outro lado, muitos ficam e se tornam membros leais e ativos por muitos anos. Eles podem se identificar tanto com o grupo, que internalizam suas crenças e valores, sentem satisfação pessoal contínua e desejo de permanecer no grupo. Muitas dessas pessoas avançam no grupo e se tornam líderes encarregados da expansão do movimento. Outros permanecem porque o grupo se tornou seu principal “sistema de apoio”. Eles continuam presos ao grupo por causa do senso de comunhão e de realização. Contudo, existem outros que gostariam de sair, mas têm medo de

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Preso numa armadilha, ou livre para sair à vontade

fazer isso porque foram convencidos de que precisam do grupo para sua própria sobrevivência, ou temem se sentir perdidos sem ele. Os Alcoólicos Anônimos (A.A.) fazem as pessoas acreditarem que, se pararem de assistir às reuniões dos A.A., voltarão para o vício. Membros que gostariam de sair de certos grupos acabam ficando porque já revelaram muita coisa sobre sua vida pessoal e têm medo das conseqüências da recriminação e de não serem mais aceitos por aqueles que conhecem seus segredos mais ocultos e seus piores pecados. Ao revelarem informações particulares, eles não perceberam que os líderes muitas vezes selecionam muito bem o que vão contar a respeito de si mesmos, a fim de parecerem transparentes sem pôr em risco sua própria reputação. Os elementos comuns da dinâmica de grupo mostram como as pessoas podem ser enganadas e levadas a concordar com a opinião da maioria dos membros de um grupo e a participar de ações grupais que podem ser muito diferentes de suas idéias e ações originais. Diante das atividades centradas nas emoções, da criação de oportunidades para surgimento de dissonância cognitiva, da exploração de vulnerabilidades à sedução do grupo, do apelo à necessidade de fazer parte de uma comunidade, das técnicas de influência de grupo, da indução à

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tisfação desses anseios sociais. Depois que a transição tiver sido feita com sucesso, de modo que o novo grupo seja agora o grupo principal, a etapa final é a internalização das crenças do grupo. Agora, as crenças do grupo passam a ser as do novo membro.


Não existe alguém que já nasça crente em Cristo. A pessoa só passa a ser crente em Jesus a partir do novo nascimento. Ninguém é crente em Cristo por linhagem genealógica, hereditariedade ou grau de parentesco. Pessoas se tornam crentes quando constatam que são pecadores perdidos, admitem que não possuem meios de se livrar dos seus pecados, crêem que Jesus voluntariamente recebeu na cruz a punição que elas mereciam e entregam sua vida aos ternos cuidados do Senhor. Contudo, para que se tenha conhecimento de Jesus – quem Ele é, o que Ele fez e como Ele venceu o pecado e a morte – em geral é necessário um evangelista, alguém que proclame a mensagem do Evangelho em alto e bom som, nos montes e nos vales, a todo aquele que queira (e, ocasionalmente, até ao que não queira) ouvir. Dwight Lyman Moody era um homem assim. Alguns o consideram como o maior evangelista que já existiu, ao pregar para enormes multidões e constatar o modo pelo qual Deus converteu milhares de pessoas a Cristo. Antes de sua morte aos 62 anos de idade no ano de 1899, Moody, entre outras coisas, fundou a Moody Church [i.e., “Igreja Moody”] e a instituição que hoje se conhece pelo nome de Moody Bible Institute [i.e., Instituto

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Bíblico Moody] em Chicago, Illinois, EUA. Um de seus amigos mais chegados, o evangelista R. A. Torrey [i.e., Reuben Archer Torrey] (1856 – 1928), a quem Moody chamou para dirigir o instituto bíblico, foi convidado em 1923 para pregar num culto de gratidão a Deus pela vida de Moody e o tema era: “Por Que Deus Usou D. L. Moody?”. Em sua pregação, Torrey expôs muitas razões esclarecedoras, inclusive o fato de que Moody tinha um “ardente desejo” de ver pessoas salvas, e mencionou o seguinte exemplo: Certa feita em Chicago, o senhor Moody viu uma menininha parada na rua com um balde na mão. Ele se dirigiu a ela e a convidou para participar da Escola Dominical em sua igreja, dizendo-lhe que era um lugar muito legal. Ela lhe prometeu que iria à Igreja dele no domingo seguinte, mas não foi. Durante semanas, o senhor Moody procurou por ela até que um dia a viu de novo na rua à certa distância. Ele se encaminhou na direção dela, mas ela também o viu e começou a correr para não encontrá-lo. O senhor Moody a seguiu. Finalmente Moody a encontrou e pôde conduzi-la à fé em Cristo. Ele descobriu que a mãe dela era uma viúva que antes tinha uma boa condição de vida e que empobrecera a ponto de ir morar no andar de cima de um bar. Aquela mulher tinha muitos filhos, de modo que o senhor Moody conduziu a mãe

e toda a família à fé em Jesus Cristo. Vários filhos dela se tornaram notáveis membros da igreja até se mudarem para outras localidades, onde, mais tarde, passaram a ser membros proeminentes de outras igrejas.

Torrey disse que na época em que ele era pastor da Igreja Moody, aquela menininha com o balde na mão se tornara a esposa de um dos mais destacados líderes da igreja. E prosseguiu: Há dois ou três anos atrás, quando saía de um ponto de venda de passagens em Memphis, Tennessee, um rapaz bem aparentado me seguiu e perguntou: ‘O senhor não é o Dr. Torrey?’. Eu respondi: ‘Sim, sou eu’. Então ele começou a me dizer quem era ele. Tratava-se de um dos filhos daquela viúva, o qual, a essa altura, viajava como representante comercial e atuava como um dos líderes da igreja na cidade em que morava. Quando o senhor Moody conduziu aquela criancinha à fé em Jesus Cristo, ele atraiu uma família inteira para o Reino de Deus. E, como disse o Dr. Torrey: “Só a eternidade revelará quantas gerações subseqüentes foram arrancadas das trevas e atraídas para o Reino do glorioso Filho de Deus”. (Israel My Glory)

Dwight L. Moody.


A Bússola de Ouro – adivinhação e demônios para crianças? A adaptação para o cinema da controvertida trilogia de um autor ateu causa alvoroço ecumênico; mas será que “matar Deus” é o verdadeiro perigo? Para os que ainda não conhecem esse filme e todo o evento de mídia relacionado a ele, um comunicado distribuído à imprensa esclarece: “Baseado no best seller de Philip Pullman, A Bússola de Ouro conta a primeira história de sua trilogia Fronteiras do Universo (FDU). Esta excitante aventura de fantasia se passa num mundo alternativo povoado por ursos falantes vestidos com armaduras, feiticeiras, gípcios e dimons. No centro da história está Lyra, uma garota de 12 anos que começa tentando salvar um amigo e termina numa busca épica para tentar salvar não só o seu próprio mundo, mas o nosso também”. Parece familiar? Crianças iluminadas (desprezadas ou excluídas pela família ou pela sociedade) tropeçam num segredo por acaso, e são escolhidas para salvar o mundo usando quaisquer meios permitidos por sua imaginação e sendo auxiliadas por alguma forma de poder ancestral ou sobrenatural ou entidade espiritual. Essa idéia está tão disseminada, que muitos a chamam de “mito universal”. Entretanto, não importa qual seja a época ou o local, o tema do jovem herói continua a fascinar o público e a vender

mais produtos que qualquer outra trama jamais concebida. Então, por que Baseado no best seller de Philip Pullman, A Bússola de Ouro tanto alvoroço por conta a primeira história da trilogia Fronteiras do Universo. causa desse filme? Bem, para começo de conversa, como a página oficial na internet informa, “no mundo da Bússo- de Pullman como genuíno naturalismo la de Ouro, a alma de uma pessoa vi- humanista. Embora afirme que “esta ve fora do corpo, sob a forma de um vida é tudo o que temos”, ele criou um dimon, um espírito animal que acom- “universo paralelo” pseudocientífico, panha a pessoa por toda a vida”. Em- baseado na teoria quântica e na metabora espíritos-guias na forma de ani- física. Esses princípios idênticos formais sejam tão universais e antigos mam a base do “conhecimento secrequanto o próprio xamanismo, os livros to” das religiões esotéricas, refletidas de Pullman são talvez os primeiros a em outras histórias pós-modernas, copopularizarem uma criatura como mo a trilogia Matrix e O Show de Truuma manifestação do espírito pessoal man, onde a “verdadeira realidade” é de alguém, e não como uma entidade encontrada através de um processo de “auxiliadora” independente (como rebelião contra a “autoridade”, renasuma fada, um elfo, um anjo ou um cimento e autodescoberta. “mestre iluminado”). Também é notáO extremo desprezo que Pullman vel o atrevimento de chamar esses es- tem pelo Catolicismo não é nem dispíritos de “dimons”* (que é exatamen- farçado: a hierarquia do mal estabelete o que eles são, de acordo com o en- cida pela “Autoridade” da trilogia tendimento bíblico a respeito do nosso FDU (o eufemismo que a trilogia usa mundo real). Fica claro que esse “dis- para se referir a Deus) não é outra sepositivo literário” cheira a ocultismo. não o “Magistério”. Não admira que Por essas e muitas outras razões, a perversão do Evangelho bíblico perfica difícil engolir o alegado ateísmo petrada por Roma e sua perseguição

1. No original inglês, “daemons”, outra grafia para “demons”, demônios. (N. da T.)

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Um dos principais instrumentos usados por Lyra, a heroína da trilogia, é o “Aletiômetro” (a “Bússola de Ouro”). Da mesma forma que um rabdoscópio – ou varinha mágica – ou uma tábua Ouija, o mecanismo usa símbolos, indicadores e a “força do pensamento” para adivinhar a verdade (em grego, Alethéia) sobre uma determinada questão. Na foto: Lyra tentando ler o “Aletiômetro”.

aos verdadeiros crentes tenham destruído a fé de muitos ao longo dos séculos – inclusive, aparentemente, a esperança de Pullman de obter a redenção. Os evangélicos bem informados conhecem muito bem todo o mal perpetrado pelo Catolicismo em nome de Deus. Além disso, a perspectiva de Pullman também foi distorcida pelas torturas e assassinatos cometidos em nome do Calvinismo. Por essa razão, não admira que ele não consiga distinguir o Cristianismo bíblico das formas falsificadas que o mundo vem adotando há muito tempo. É esse preconceito que forma o alicerce da FDU, no que talvez seja o mais poderoso ataque para arrasar a percepção da próxima geração a respeito do Cristianismo. Sem dúvida, as crianças ficarão encantadas com o filme e suas engenhocas fascinantes, e assim serão atraídas para os romances de Pullman, exatamente como aconteceu com as crianças do Flautista de Hammelin. Um dos principais instrumentos usados

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por Lyra, a heroína da trilogia, é o “Aletiômetro” (a “Bússola de Ouro”). Da mesma forma que um rabdoscópio – ou varinha mágica – ou uma tábua Ouija, o mecanismo usa símbolos, indicadores e a “força do pensamento” para adivinhar a verdade (em grego, Alethéia) sobre uma determinada questão. Uma extraordinária versão digital desse instrumento diverte os visitantes que acessam a página oficial do filme na internet. Lá também existe um perfil de personalidade composto de 20 perguntas que, depois de preenchido, anuncia dramaticamente: “Seu dimon foi encontrado”. As crianças e outros visi-

A editora de Pullman é a Scholastic, um vasto império da mídia que se descreve como “o maior publicador e divulgador de livros infantis do mundo”. Na foto: o prédio da Scholastic.

tantes são convidados a se inscreverem numa comunidade online especial de onde podem baixar ícones (avatares) representando seu dimon pessoal. Parece que Pullman fez um grande esforço para inverter a Palavra de Deus, torcendo paralelos bíblicos até transformá-los na verdadeira antítese do relato bíblico. Como comenta um crítico: “A Luneta Âmbar (último livro da trilogia FDU) reformula o relato da Tentação e do Pecado Original, mostrando-os como o início da verdadeira liberdade humana”. Mais uma vez, isso é xamanismo revivido; muitas religiões ainda reverenciam a Serpente como o ser que “traz a luz”, como fazem as seitas e sociedades esotéricas modernas. A editora de Pullman é a Scholastic, um vasto império da mídia que se descreve como “o maior publicador e divulgador de livros infantis do mundo, incluindo o estrondoso sucesso Harry Potter®, Animorphs®, Goose-


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bumps® e Clifford, o Gigante Cão Vermelho® [...]. A Scholastic alcança 32 milhões de crianças, 45 milhões de pais, e praticamente todas as escolas dos Estados Unidos. A Scholastic é uma empresa de multimídia, com um capital de 2 bilhões de dólares e 10.000 empregados, que opera globalmente nos segmentos de educação, entretenimento e publicidade [...] vendendo para crianças, pais e professores”. Isso é um autêntico exército das trevas. É compreensível que muitos cristãos estejam alarmados com o modo como Pullman caracteriza Deus: um ser finito, débil, frágil, assustado e impostor (muito parecido com o homem por trás da cortina em O Mágico de Oz). Contudo, muitos desses mesmos crentes dão apoio a uma espiritualidade ecumênica, mística e baseada no ocultismo em suas próprias igrejas – incluindo ioga, oração centrante e outras “disciplinas espirituais” enganosas. É o Cavalo de Tróia de Satanás dentro

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Philip Pullman autografando seu livro.

da igreja, perseguindo o mesmo que estou fazendo é completamente objetivo que Fronteiras do Uni- diferente. Tolkien teria odiado”. Emboverso procura alcançar no mun- ra os evangélicos estejam divididos a do: questionar a autoridade e a respeito dos méritos de As Crônicas de suficiência da Palavra de Deus, Nárnia, a ira de muitos deles se acenao mesmo tempo em que olha de ainda mais diante do franco despara dentro, em busca do Eu. prezo que Pullman tem por C. S. LePullman revelou um pouco do wis, a quem ele agride juntamente que está em seu coração quando com todos os cristãos: “Estou tentando um repórter perguntou qual seria minar as bases da fé cristã. – diz Pullo seu dimon pessoal, se ele tives- man – O senhor Lewis diria que estou se um: “Provavelmente, seria fazendo o trabalho do Diabo”. (Mark uma gralha ou outra ave da fa- Dinsmore, The Berean Call) mília dos corvos, porque esses são os pássaros que normalmente se interessam por coisinhas brilhantes e vão pegá-las. Eles realmente não sabem distinguir entre um anel de diamante e um pedaço de papel dourado, desses de embrulhar bombons” (Pv A espiritualidade ecumênica, mística e baseada no ocultismo – incluindo ioga, 16.16). oração centrante e outras “disciplinas Infelizmente, Pullman se traiu espirituais” enganosas, é o Cavalo de ao reconhecer sua incapacidade Tróia de Satanás dentro da igreja, perseguindo o mesmo objetivo que Fronteide distinguir entre a inestimável saberas do Universo procura: questionar a doria da Escritura e o “ouro de tolo” autoridade e a suficiência da Palavra de (1 Co 2.14). Sua abordagem “FranDeus, ao mesmo tempo em que olha pakenstein” da espiritualidade (costuranra dentro, em busca do Eu. do partes mortas da religião com outras da “falsa ciência”) deu o sopro de vida a um Demônio de proporções infernais. Ao criar um Deus magro e exaurido, que sofre uma “misericordiosa” eutanásia em seu romance, Pullman mudou “a verdade de Deus em mentira” (Rm 1.25) e mudou “a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, Recomendamos: quadrúpedes e répteis” (Rm 1.23). Rejeitando comparações com a trilogia épica de J. R. R. Tolkien, PullPedidos: 0300 789.5152 man insiste em www.Chamada.com.br afirmar: “O

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A decisão mais importante da vida Você sabia que uma pessoa toma até 100.000 decisões por dia? Algumas são conscientes, outras intuitivas.

Girar a maçaneta da porta, escolher o par de sapatos ou para onde ir – tudo isso precisa ser decidido, às vezes em apenas poucos segundos. Também há decisões mais importantes, por exemplo: o casamento ou a escolha da profissão, construir uma casa, qual o melhor investimento, onde morar, etc. Mas há uma decisão acima de todas as outras; é a mais importante que devemos tomar na vida: a decisão a favor de Cristo.

A seguir, citamos alguns trechos de “Trendstory” (nº 9/2006):

A quantidade de opções disponíveis nunca foi tão grande quanto hoje em dia, nunca houve tanta pressão por uma escolha: a cada semana, chegam centenas de produtos novos aos supermercados, a cada mês há lançamentos de moda nos magazines, a cada ano são oferecidas soluções inovadoras da indústria tecnológica, prometendo produtos Algumas decisões podem ser adiadas, outras são mais rápidos e com incontornáveis e ainda outras não podem ser desfeiGirar a maçaneta da porta, escolher o par de maior capacidade tas. Há decisões certas e erradas, boas e ruins. Com sapatos ou para onde ir – tudo isso precisa ser algumas, ficamos felizes, com outras, tristes, decidido, às vezes em apenas poucos de processamento. desesperados ou irritados. segundos. Atualmente, uma pessoa precisa tomar até 100.000 decisões por dia, de importantes opções de con- forma de lidar com as milhares de sumo a manobras de ultrapas- possibilidades: trata-se de encontrar sagem na hora de dirigir, pas- respostas simples para perguntas comsando pelo ato de girar a ma- plexas. O processo decisório é simplificado çaneta das portas. Feliz daquele que não perde na medida em que deixa de considea tranqüilidade nessa situação e rar toda e qualquer eventualidade simplesmente escolhe a primeira possível, concluindo-o no momento em opção que aparece. O psicólo- que a solução parece boa o suficiente go e autor americano Barry para o momento. Mais tarde dá para Schwartz chama essas de pes- escolher outra atualização para o nosoas de contentadiças – ao con- vo programa de computador, ou um trário das maximizadoras, que gabinete adicional para a cozinha ou, tentam constantemente tirar pro- então, uma alternativa completamente veito de todas as possibilidades. diferente. Mas o problema com a simplificaMas o princípio da simplicidade abre caminho para uma nova ção das decisões é: como saber que

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De todas as opções, há uma que é fundamental não só para o presente, mas também para a eternidade: seguir a Jesus!

está na hora de chegar a uma conclusão nesse torturante processo? Pesquisadores do assunto falam de regras ou heurísticas de encerramento, para indicar que já há informações suficientes para chegar a uma solução. O psicólogo alemão Gerd Gigerenzer, por exemplo, recomenda nesse contexto o sistema “Take the Best” (Escolha o Melhor): uma decisão deve ser tomada no momento em que se tiver encontrado o primeiro motivo realmente bom. Já o pesquisador sueco Henry Montgomery indica a “regra de dominância”: a decisão é tomada quando uma alternativa se mostra dominante

em relação às outras. A “regra do custo-benefício”, referida pelo economista George Stiegler, diz que uma decisão deve ser tomada quando a continuação do processo de avaliação passa a trazer mais custos que benefícios. E, de acordo com a psicóloga social americana Shelly Chaiken, tomamos uma decisão definitiva quando nosso sentimento atual atinge um determinado nível de segurança – nos testes, isto aconteceu em média no momento em que os interessados tinham lido 2,7 relatórios a respeito da situação a ser avaliada.

A maioria das decisões que tomamos é secundária e não tem praticamente nenhuma conseqüência digna de menção. Outras são mais importantes e influenciam a continuidade de nossa vida. E há decisões que são literalmente uma questão de vida ou morte. Algumas decisões podem ser adiadas, outras são incontornáveis e ainda outras não podem ser desfeitas. Há decisões certas e erradas, boas e ruins. Com algumas, ficamos felizes, com outras, tristes, desesperados ou irritados. Mas de todas as opções, há uma que é fundamental não só para o presente, mas também para

a eternidade. É a maior e mais importante decisão que um ser humano pode tomar, e ela tem as conseqüências mais influentes na vida e até depois da morte. Nenhuma decisão é tão importante quanto esta; ela sobrepuja todas as outras. É mais importante que a escolha do cônjuge, mais significativa que qualquer investimento financeiro, tem mais peso que a escolha da profissão ou do local de moradia na velhice. Essa decisão envolve o lugar onde passaremos a eternidade; por isso ela tem conseqüências infinitas. A Bíblia diz: “...escolhei, hoje, a quem sirvais...” (Js 24.15). Quando Jesus convocou Seus discípulos a se decidirem: “Quereis também vós outros retirar-vos?”, Pedro respondeu de forma muito decidida: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.67-68). A decisão de Pilatos de condenar Jesus com base na vontade do povo teve conseqüências indescritíveis para Israel: a destruição de Jerusalém e a dispersão dos judeus entre todas as nações. Lemos a respeito dessa decisão tão grave: “Então, Pilatos decidiu atender-lhes o pedido. Soltou aquele que estava encarcerado por causa da sedição e do homicídio, a quem eles pediam; e, quanto a Jesus, entregou-o à vontade deles” (Lc 23.24-25).

Jesus, a primeira e melhor escolha Lemos no artigo citado: “Feliz daquele que... simplesmente escolhe a primeira opção...”. Jesus é o Primeiro e Jesus é o Melhor, o PRIMEIRO E MELHOR. Feliz da-

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Do Nosso Campo Visual javam assassiná-lo durante uma festa. Um de seus amigos, que ficou sabendo desse plano, enviou um mensageiro com uma carta urgente para ele. Quando o mensageiro foi levado à presença de Arquias, entregou-lhe a carta com as palavras: “O senhor que lhe manda esta carta o insta a que a leia imediatamente, pois contém informações muito sérias”. Arquias, que estava pronto para ir à festa, respondeu com um sorriso: “Coisas sérias ficam para amanhã”. Ele colocou a carta de lado e foi à festa. Naquela noite o plano foi executado, e ele foi assassinado. Na manhã seguinte, quando a advertência foi lida, só restava um corpo Junto com Jesus, o ser humano escolhe perdão, esperança, confiança e a vida eterna. mutilado, que refletia um exemplo muito sério a respeito das conseqüências do adiamento de uma decisão. quele que se decide por Ele, escolhendo, assim, o Melhor que jamais encontrará. Junto com Jesus, o ser humano escolhe perdão, esperança, confiança e a vida eterna. Toda pessoa toma cerca de 100.000 decisões por dia, mas pode nunca chegar a essa decisão definitiva. Cem mil decisões por dia contra uma única decisão fundamental, uma só vez na vida inteira: isso não parece um prejuízo e tanto? Conta-se que alguns dos inimigos de Arquias, um alto funcionário público grego, haviam planejado um complô contra ele. Plane-

Jesus, a única resposta para todas as perguntas O artigo citado também diz que nas milhares de decisões que tomamos diariamente o que importa é encontrar respostas simples para per-

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Há muito motivos sólidos para decidir-se por Cristo: por exemplo, Ele é a Palavra da Vida e a Vida Eterna em pessoa. Ele saiu da eternidade para o nosso mundo, morreu por nós e ressuscitou. Ele traz alegria completa.

guntas complexas. A questão do sentido da vida é explicada por meio de Jesus: Ele é a resposta para as perguntas: “de onde?”, “por quê?” e “para onde?”. As respostas dadas por religiões, pelas filosofias ou a pela ciência sempre deixam alguma dúvida em aberto. Para onde quer que nos voltemos, ficam desconforto e insatisfação. Um psiquiatra disse certa vez que um terço de sua clientela sofria de uma única neurose: “vazio e falta de sentido na vida”. Ele continuou definindo essa falta de sentido como a neurose da modernidade, “na qual as pessoas são torturadas por perguntas para as quais nem a filosofia, nem a religião têm respostas”. Isso não é de espantar, pois nenhum dos seus proponentes


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“de onde?” “por quê?” “para onde?” A questão do sentido da vida é explicada por meio de Jesus: Ele é a resposta para as perguntas: “de onde?”, “por quê?” e “para onde?”.

conhece a eternidade; todos são apenas pessoas limitadas. Com Jesus, é diferente: “Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas” (Ef 4.10). Será que a resposta para a pergunta da nossa vida não está nAquele que desceu do céu para a terra, morreu por nós, ressuscitou dos mortos, retornou aos céus e preencheuos totalmente?

Jesus, o maior motivo para decidir-se No artigo citado lemos que a decisão deveria ser tomada quando houver informações suficientes. Portanto, a decisão deveria acontecer no momento em que o primeiro motivo real tiver sido encontrado. Ela deve ser tomada

vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa” (1 Jo 1.1-4). Há muito motivos sólidos para decidir-se por Cristo: por exemplo, Ele é a Palavra da Vida e a Vida Eterna em pessoa. Ele saiu da eternidade para o nosso mundo, morreu por nós e ressuscitou. Ele traz alegria completa. Não há ninguém que possa ser equiparado a Jesus. Suas palavras são inigualáveis e Sua vida, plena. Ninguém faz o que Ele fez por nós. Seu amor é insondável, Sua sabedoria, inalcançável. Com total ausência de violência e com amor dedicado Ele conseguiu muito mais que todos os exércitos da História humana juntos. Um cálculo frio do custo-benefício deixa muito claro: com Jesus Cristo, você só tem a ganhar, sem Ele, você perde tudo. Qualquer adiamento dessa decisão traz mais custos que benefícios. Decida-se hoje! (Norbert Lieth)

quando qualquer outro adiamento trouxer mais custos que benefícios. Na Bíblia temos informações suficientes a respeito de Jesus Cristo, reunidas por aqueles que conviveram com Ele. O apóstolo João, por exemplo, conta: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, Recomendamos: com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testePedidos: 0300 789.5152 munho, e vo-la www.Chamada.com.br anunciamos, a

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A incumbência de Balaão e a resistência de Deus Pergunta: “Em Números 22.20ss., Deus exorta Balaão a ir com os moabitas, apesar destes estarem exigindo que ele amaldiçoe Israel. Mas então o anjo do Senhor se interpôs no caminho de Balaão para matá-lo. Por que o Senhor agiu assim?”

Resposta: Se tomarmos conhecimento de algumas informações que fazem parte dos bastidores da história de Balaão, reconheceremos que de forma alguma existe uma contradição e muito menos injustiça da parte de Deus para com ele. 1. Balaão era um adivinho que praticava uma espécie de magia branca, misturando o nome de Deus em suas adivinhações (Nm 22.7-8; Nm 24.1; Js 13.22). Por isso, ele não era sincero mas estava enredado em mentiras que procediam de seu coração. 2. Josué esclarece que Balaão disse a Balaque que somente poderia fazer o que o Senhor lhe ordenara (Nm 22.18), mas em seu coração ele preferia amaldiçoar Israel: “Porém eu (Deus) não quis ouvir Balaão; e ele teve de vos abençoar; e, assim, vos livrei da sua mão” (Js 24.10; veja Ne 13.2). Muito reveladora é a frase: “mas eu não quis ouvir Balaão”. Portanto, Balaão não estava querendo abençoar a Israel, mas foi forçado a fazê-lo porque o Senhor o obrigou (Nm 23.26). 3. O Apocalipse menciona igualmente que Balaão não foi sincero: “Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a

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doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição” (Ap 2.14). O que havia acontecido? Mesmo que Balaão teve de abençoar Israel por três vezes por mandado divino, ele usou de astúcia diabólica para que os israelitas, logo depois, fossem seduzidos pelas mulheres dos moabitas (Nm 25.1ss.). O conselho para essa sedução fora dado por Balaão ao rei moabita Balaque (Nm 31.16). Portanto, mesmo sabendo da bênção do Senhor para o povo de Deus, ele armou uma cilada para os filhos de Israel. Por meio da miscigenação com os moabitas o povo teria sido arruinado se Deus não o tivesse impedido. 4. O apóstolo Pedro relata o mesmo episódio: “abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça” (2 Pe 2.15). Balaão, portanto, deixou o caminho reto do Senhor para enveredar por caminhos tortuosos. Ele sabia qual era a vontade de Deus, uma vez que ele próprio, como porta-voz de Deus, teve de abençoar Israel. Mas, mesmo assim, queria aniquilá-lo. 5. Judas esclarece ainda que Balaão buscava o proveito material. Balaque lhe havia prometido muito dinheiro e honra (Nm 22.7,17), e Balaão prendeu seu coração a esses valores. Ele amou o prêmio da injustiça (2 Pe 2.15). É o que diz Judas 11: eles, “movidos pela ganância, se precipitaram no erro de Balaão.” Olhando para esse pano de fundo, a contradição se dissipa: Ba-

laão, a mando do Senhor, de fato foi com os moabitas, mas Deus, que conhece as profundezas do coração, sabia o que Balaão realmente tinha em mente. Por isso, se interpôs em seu caminho e disse: “...eis que eu saí como teu adversário, porque o teu caminho é perverso diante de mim” (Nm 22.32). Exteriormente Balaão seguia pelo caminho que o Senhor lhe ordenara, mas interiormente seu caminho era tortuoso. Ele não seguiu pelo caminho com sinceridade, mas com o desejo interior de amaldiçoar Israel, mesmo devendo abençoá-lo. Josué nos relata a perdição de Balaão: “Também os filhos de Israel mataram à espada Balaão, filho de Beor, o adivinho, com outros mais que mataram” (Js 13.22). Balaão experimentou exatamente aquilo que Deus prometera a Abraão: “...amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (Gn 12.3). A contradição aparente é solucionada quando concluímos: Deus mandou Balaão pôr-se a caminho para abençoar a Israel. Por enxergar o coração de Balaão e saber que ele queria amaldiçoar Israel, colocou-se em seu caminho para adverti-lo pessoalmente. Para nós esses acontecimentos servem de exortação, mostrando como é perigosa uma obediência hipócrita, só de aparências. É perigoso quando, no fim das contas, o que queremos mesmo é fazer a própria vontade, e assim desobedecemos e pecamos. O Senhor conhece nossos corações e nos alerta para sermos sinceros e leais, sem fingir uma falsa obediência. (Norbert Lieth)


Chamada da Meia-Noite - Ano 39 - Nº 4