Issuu on Google+

O Modernismo no Brasil Segunda fase – Prosa [1930-1945]

PORTINARI, Candido. Criança morta. 1944. Óleo sobre tela.


Passada a primeira fase combativa do Modernismo, novas tendĂŞncias se delineiam. Na prosa surgem basicamente trĂŞs vertentes: 1Âş Vertente:


2ª Vertente:

3ª Vertente:


Uma época conturbada As décadas de 1930 e 1940 foram particularmente tumultuadas no Brasil e no mundo, do ponto de vista sociopolítico. Essa época de agudos conflitos ideológicos viu explodi a enorme tragédia que foi a Segunda Guerra Mundial, com profundos efeitos no destino de milhões de pessoas. 1930 – Em outubro, deflagra-se no Rio Grande do Sul a revolução liderada por Getúlio Vargas. O presidente Washington Luís é deposto e Getúlio toma posse como chefe do governo provisório. Um decreto dissolve o Congresso Nacional. Tem início a chamada Segunda República. 1931 – Em janeiro, os trabalhadores tentam realizar a “marcha da fome”, mas são impedidos pela polícia. Ao longo desse ano, muitas manifestações operárias serão duramente reprimidas. No dia 12 de outubro, é inaugurado um dos símbolos do Brasil: a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.


1932 – No dia 09 de julho, em São Paulo, explode a revolução Constitucionalista, cujo objetivo é estabelecer uma Assembleia Constituinte, pois os paulistas acham que o governo de Getúlio caminha para a ditadura. Sozinho contra o resto do país, o estado é invadido em diversos pontos e não consegue suportar o avanço das tropas getulistas. Morrem centenas de pessoas, e a rendição ocorre no começo de outubro. Um interventor federal é enviado à capital paulista. 1934 – Em julho, é promulgada nova Constituição, que legitima Getulio Vargas no poder. 1935 – É lançada oficialmente em março, no Rio de Janeiro, a Aliança Nacional Libertadora (ANL), que congrega diferentes tendências da esquerda, principalmente comunistas e socialistas. Luis Carlos Prestes é um de seus líderes. Seu objetivo é opor-se ao avanço da direita fascista. Em julho, um decreto torna legal a ANL, cujas sedes são fechadas.


1936 – Em janeiro, Luis Carlos Prestes é preso. A polícia de Getúlio começa a “caçar” pessoas acusadas de comunismo, mesmo que não tenham participado de manifestações testemunho desse período está no livro MEMÓRIA DO CÁRCERE. 1937 – Em novembro, Getúlio Vargas ordena o fechamento do Congresso nacional e dá um golpe político, instaurando o Estado Novo e suspendendo os direitos constitucionais. No dia 10 desse mesmo mês, impõe nova Constituição, autoritária e centralista, que extingue os partidos políticos. 1939 – Hitler invade a Polônia em setembro, desencadeando a Segunda Guerra Mundial. Em dezembro, Getúlio cria o Departamento de imprensa e Propaganda (DIP) para se autopromover e, ao mesmo tempo, censurar os meios de comunicação, que começam a exercer grande influência sobre a opinião pública.


1940 – Entra em vigor, em maio, o salário mínimo. A legislação trabalhista que garante os direitos básicos do trabalhador faz de Getúlio uma figura muito querida pelo povo.

1942 – Em agosto, o Brasil declara guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). 1945 – No mês de abril, cedendo a pressões da sociedade civil, Getúlio concede anistia aos presos políticos. Em maio, a Alemanha se rende: é o fim da guerra na Europa. Em agosto, depois de sofrer bombardeio atômico, o Japão pede a paz. Termina a Segunda Guerra Mundial. No Brasil, em outubro, Vargas é deposto. Em dezembro, o general Eurico Gaspar Dutra é eleito presidente do país.


RAQUEL DE QUEIROZ Romances: O Quinze (1930), João Miguel (1932), Caminho de pedras (1937), As três Marias (1939), Dôra, Doralina (1975) e Memorial de Maria Moura (1992)

O QUINZE

Projetou nacionalmente Rachel de Queiroz

Problemas sociais e humanos causados pela seca.

Estilo despojado e narrativa enxuta.


O QUINZE: a triste realidade da seca A marcha penosa e trágica de Chico Bento e sua família pelo sertão nordestino constitui o núcleo dramático da obra. Abandonados pelas autoridades, os retirantes vão caminhando em busca de comida ou proteção. Às vezes, são agrupados em acampamentos, mas com pouquíssimos recursos, os quais não impedem a morte de muitos deles por doenças ou inanição. As crianças são as principais vítimas dessa calamidade. Paralelamente ao drama da seca, desenvolve-se o da impossibilidade de comunicação efetiva em Vicente e Conceição – ele, um proprietário rural obstinado pela vida da fazenda; ela, uma moça da cidade que se sente atraída pela figura livre e franca de Vicente, mas não consegue penetrar em seu mundo rude, quase selvagem.


Ficção ou realidade O título do romance O QUINZE refere-se a seca de 1915, uma das mais terríveis sofridas pela população do Nordeste. O historiador Marco Antonio Villa comenta, citando notícias da época:

[...] De alagoas chegava mais uma noticia de saque: “A situação é ainda agravada pela emigração de bandos de famintos em busca das margens do São Francisco, os quais têm assaltado vários armazéns e fazendas”. No Piauí, “uma família de sertanejos [...] durante a penosa viagem de travessia para o litoral, a fim de não morrer de fome, foi obrigada a vender um filho por quatro rapaduras”, enquanto outra família de emigrantes abandonara um filho de cinco anos amarrando-lhe às costas um outro ainda de peito, com o fim de expô-los à caridade dos transeuntes, para que não morressem de fome”.

VILLA, Marcos Antonio, vida e morte no sertão: história das secas no Nordeste nos séculos XIX e XX. São Paulo: Ática, 2001. p. 110. (Fragmentos).


JORGE AMADO

Primeira fase

Cacau (1933), Jubiabá (1935), Mar morto (1936), Capitães da areia (1937) e Terras do sem-fim (1943).

Denuncias sociais e intensa participação política do autor.

Segunda fase

Gabriela, cravo e canela (1958), Os pastores da noite (1964), Dona Flor e seus dois maridos (1967), Tenda dos milagres (1970), Teresa Batista cansada de guerra (1972) e Tieta do Agreste (1976)

Predominam a sátira e a crítica de costumes.


TERRAS DO SEM FIM: Paixão e violência no sertão da Bahia Considerado um dos melhores romances de Jorge Amado, Terras do sem-fim trata da fixação das fazendas de cacau em São Jorge dos Ilhéus (atual Ilhéus), na Bahia. A cobiça e o desejo de enriquecimento levam dois fazendeiros ao confronto: o coronel Horácio da Silveira e Juca Badaró; este último, membro da família mais rica da região. Ambos disputam as terras incultas de modo violento, principalmente Horácio, para quem as armas são a única lei.

Paralelamente, desenvolve-se o drama de Ester, esposa de Horácio. Educada em outro meio, ela não se acostuma com a vida solitária e cercada de perigos que leva na fazenda. Quando conhece Virgílio, um advogado que passa a frequentar sua casa, vê nele a figura de seus sonhos de adolescente, perdidos com o casamento, e acaba por tornar-se sua amante. O romance mantém um clima de suspense entre a sequencia dos fatos que envolvem as lutas dos dois fazendeiros e seus capangas e o drama intimo de Ester.


Graciliano Ramos Considerado o mais importante prosador da segunda fase do Modernismo. Principais obras:

Romances – São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vidas Secas (1938) Contos – Insônia (1947) Memórias – Infância (1945), Memórias do cárcere (1953) Literatura infantil – História de Alexandre (1944) São Bernardo O social e o psicológico se fundem para criar uma obraprima de análise das relações humanas .

Vidas Secas Narrativa estruturada numa sucessão de cenas que focalizam diferentes momentos na vida de uma família de retirantes.


VIDAS SECAS: o drama dos retirantes Essa narrativa é estruturada numa sucessão de cenas que focalizam diferentes momentos na vida de uma família de retirantes – Fabiano, sinhá Vitória, seus dois filhos e a cachorra Baleia. Em suas andanças pelo sertão, fugindo da seca, a família se instala numa fazenda abandonada. Com a chegada das chuvas, o dono da propriedade volta e Fabiano submete-se às suas ordens, permanecendo nela como vaqueiro.

A incapacidade de usar adequadamente a linguagem isola Fabiano das outras pessoas. Ele é explorado em seu trabalho, sente-se enganado, mas nada pode fazer.” [...] sempre que os homens sabidos lhe diziam palavras difíceis, ele saía logrado”. Por essas experiências negativas, vai associando a linguagem ao mundo dos “homens sabidos” e passa a temer a ambos. As palavras parecem dotadas de um poder mágico, e ele admira e teme os que conseguem falar com facilidade. Quando volta o período da seca, a família abandona a fazenda e recomeça sua trajetória pelo sertão. Fabiano e sinhá Vitória, de olhos no futuro, mantêm ainda uma remota esperança de que as coisas melhorem e seus filhos não precisem passar pelo que eles estão passando.


O modernismo no brasil 2º fase