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Market Report 53

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MARKET REPORT

Em destaque

DESAFIOS REAIS PARA UM SECTOR QUE NÃO

PODE PARAR

EDIÇÃO 53

TRIMESTRAL MARÇO 2026

nesta edição

25 Líderes revelam o destino da Indústria Automóvel em 2030

Desafios reais para um sector que não pode parar

CEFAMOL na CES 2026: Inovação Global e Novas Oportunidades para a Indústria Portuguesa de Moldes

Indústria de Moldes explora novas oportunidades de negócio no World Defense Show 2026

Como a Tecnologia Automóvel está a transformar os Tratores

Evolução dos mercados de exportação

FICHA TÉCNICA

PROPRIEDADE: CEFAMOL - Associação Nacional da Indústria de Moldes

REDAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO: Centro Empresarial da Marinha Grande Rua de Portugal, Lote 18, Fração A - 2430-028 MARINHA GRANDE

TELEFONE: 244 575 150

WWW.CEFAMOL.PT

25 LÍDERES REVELAM O DESTINO DA INDÚSTRIA AUTOMÓVEL EM 2030

fonte: all-about-industries.com

Por ocasião do 70.º aniversário da prestigiada publicação “Automobil Industrie”, 25 líderes do sector — entre CEOs de fabricantes (OEMs), fornecedores e consultores — revelam as suas previsões para a próxima década. O consenso aponta para uma transformação radical: o carro mecânico dá lugar a um “computador sobre rodas”, enquanto o centro de gravidade da produção se desloca para fora da Alemanha.

O futuro da indústria automóvel alemã em 2030 será definido por uma divisão: o triun -

fo do software e da engenharia de ponta versus a perda de relevância da Alemanha como local de fabrico físico. No âmbito das celebrações do seu aniversário, a revista

Automobil Industrie questionou as figuras de proa do sector sobre o papel que a maior economia da Europa desempenhará no final da década.

As conclusões revelam um sector que, embora confiante na sua capacidade de inovação, enfrenta a ameaça sem precedentes da concorrência chinesa e custos de produção internos asfixiantes.

Estratégia e Liderança

Thomas Schäfer (Volkswagen)

Reafirma que a Alemanha continuará a ser um local competitivo para o fabrico de veículos. A estratégia “Volkswagen Boost 2030” é o pilar para manter a marca como o fabricante de volume tecnologicamente líder, definindo padrões globais.

Milan Nedeljkovic (BMW)

Sublinha a competência única e a “profunda paixão” pela cultura automóvel na Alemanha. Para o sucesso a longo prazo, exige um foco total em áreas de futuro sem os impedimentos de regulações restritivas.

Geoffrey Bouquot (Audi)

Antecipa que a Alemanha será o “benchmark” global para excelência técnica e sustentabilidade, com as inovações em IA e mobilidade definida por software a influenciarem tanto o mercado ocidental como o oriental.

Florian Hüttl (Opel)

Reconhece os desafios pesados: eletrificação, custos energéticos e novos rivais chineses. Contudo, confia no espírito pioneiro dos intervenientes alemães para encontrar soluções rápidas.

O Salto Tecnológico

Markus Heyn (Bosch)

A mobilidade entrou na era do software. O veículo transforma-se num assistente pessoal que aprende via IA. Heyn compara esta mudança à evolução do rádio para a playlist personalizada: o condutor já não aceita especificações rígidas, quer preferências individuais.

Markus Wambach (MHP)

O carro é agora um “computador rolante” continuamente atualizável. Wambach alerta para a velocidade extrema das empresas chinesas e dos atores de Silicon Valley, instando a Alemanha a ter coragem para parcerias fora das fronteiras tradicionais.

Jörg Ohlsen (Cognizant Mobility)

Prevê uma mudança radical nas cadeias de valor. Espera que os fabricantes alemães se unam em torno de arquiteturas E/E (elétri -

cas/eletrónicas) sólidas e serviços digitais sem falhas.

Robert Morgner (ASAP)

Identifica o “Software-Defined Vehicle” e a automação como os únicos trunfos para manter a vantagem tecnológica de forma eficiente.

Flexibilidade e Resiliência

Mario Metzger (Arnold Umformtechnik)

A indústria não vai desaparecer, vai reinventar-se. A perfeição mecânica dá lugar a conceitos de mobilidade holísticos que unem ecologia e tecnologia. O sucesso dependerá de redes de produção flexíveis e processos digitais para dominar mercados voláteis e riscos geopolíticos.

Matthias Zink (Schaeffler)

Afirma que, após o ponto mais baixo, o sector está no caminho certo. Contudo, avisa que virtudes como “diligência” e “foco no cliente” são cruciais para enfrentar a competição sem precedentes da China.

Arnd Franz (Mahle)

A eletrificação e a digitalização são os motores da mudança. A Mahle foca-se em tecnologias de propulsão sustentável para manter a indústria alemã como o motor da transformação mundial.

Mathias Miedreich (ZF)

Com 140 anos de história, a indústria automóvel alemã provou ser mestre na autoinvenção e continuará a ser o tema central da cobertura jornalística nos próximos anos.

Desindustrialização e Política

Bernd Welzel (European High-Tech Pavilion)

Apresenta a visão mais dura — a indústria terá cada vez menos presença física na Alemanha. Além dos custos energéticos e laborais, Welzel aponta a falta de motivação laboral interna e o “emaranhado regulatório” europeu como travões. Sugere que as marcas se foquem mais no cliente global e menos na política europeia.

Jan Dannenberg (Berylls)

Embora a indústria mantenha importância económica interna, o seu peso global diminuirá. “A era dos fabricantes asiático-chineses começou.”

Holger Schwab (Valeo)

Otimista, acredita na sobrevivência de “excelentes carros alemães”, mas exige uma política “Pró-Europa”, com menos burocracia e processos de aprovação mais céleres.

Stefan Krug (Brose)

Propõe uma mudança de mentalidade: ser mais audaz nas decisões e parcerias. Para competir com os OEMs chineses, defende uma política de financiamento neutra em termos tecnológicos.

Consultoria e Engenharia

Peter Fintl (Capgemini Engineering)

O sucesso virá de colaborações inteligentes com gigantes de chips, fornecedores de cloud e startups. A transformação é a “maior oportunidade desde a invenção do automóvel”.

Harald Keller (EDAG)

A inovação não tem fronteiras. Se a Alemanha mantiver a abertura para plataformas partilhadas e colaboração transfronteiriça, continuará a marcar o ritmo.

Rainer Kurek (AMC)

A era da “multimobilidade” em cidades verdes tornará o crescimento local difícil. A força da indústria em 2030 dependerá exclusivamente do seu poder de inovação estratégica.

Tino Glatzel (Akkodis)

Prevê ciclos de desenvolvimento muito mais curtos, onde a força alemã residirá na fusão da engenharia clássica com soluções digitais.

A Dimensão Humana e Industrial Hildegard Müller (VDA)

Recorda que a indústria é o garante da prosperidade alemã, com 727 mil empregos di-

retos. O objetivo para 2030 é manter o estatuto de “sector mais importante do país”, apoiado pela confiança de 87% dos cidadãos.

Matthias Kratzsch (Hirschvogel)

Apela à união de esforços entre fabricantes, fornecedores e políticos para navegar na transformação estrutural sem atrasos.

Andreas Fink (Bertrandt)

Garante que o sector automóvel está no DNA da engenharia mundial e que novas tecnologias serão integradas de forma fluida nos processos.

Arndt Kirchhoff (Kirchhoff Automotive)

A manutenção da liderança, especialmente no segmento Premium, está garantida — desde que o ritmo de investimento em I&D não abrande.

Philipp von Hirschheydt (Aumovio)

Reitera que a substância industrial da Alemanha dá todas as hipóteses de liderar na mobilidade autónoma.

Craig Piersma (Gentex)

Deixa um aviso final — as marcas devem focar-se em tecnologias que melhorem a experiência real de quem conduz, e não apenas no cumprimento de requisitos legais.

Charlie Cai (Preh)

Com mais de 100 anos de história, a Preh e a indústria alemã provaram ser resilientes. O foco agora deve estar na aceleração de processos de inovação em HMI (Interface Homem-Máquina).

Desindustrialização e Política

Para a Audi, BMW e ZF, a transição elétrica alemã assenta em dois pilares: tradição e uma rede de fornecedores sem paralelo. Mas há um aviso comum à classe política: a Alemanha só conseguirá travar o domínio de Pequim e Silicon Valley se libertar a indústria do peso da burocracia e adotar uma estratégia de inovação sem restrições tecnológicas.

DESAFIOS REAIS PARA UM SECTOR QUE NÃO PODE PARAR

Encerrámos 2025 e entrámos em 2026. Se a Mariah Carey continua, ano após ano, a ecoar nos nossos ouvidos, é porque existem coisas intemporais e a música - algumas músicas –são-no, efetivamente.

No entanto, o mudo gira. E, não pára. Nem parará de girar.

Os desafios que se colocam a todos os sectores – e o sector de moldes não é, nem será, exceção – são complexos e globais. Ter um entendimento “familiar”, local ou nacional do negócio deixou de ser uma opção, num mundo onde (quase) todas as barreiras ao comércio internacional se esbateram e onde tudo parece estar à distância de um clique.

Tenho um gosto enorme em escrever um artigo trimestral para a Revista Molde e em colaborar com a CEFAMOL. No entanto, estou aqui para dizer “as verdades” (leia-se: “o que penso e da forma como penso”).

O mundo gira apenas pela(s) necessidade(s). Enquanto curioso e eterno aprendiz da Cadeia

de Abastecimento, é esta a premissa-base de todo o meu pensamento nesta área, porque: Sem necessidade não há procura; sem procura não existem aquisições e, sem aquisições, as rodas param. E, quando as rodas param, o mundo inteiro fica — ou ficará — suspenso. “2026 não será muito diferente de 2025”, dizem – e, talvez, já o estejamos a comprovar. Vivemos num contexto cada vez mais frágil, ansioso, não linear e incompreensível: um verdadeiro BANI World.

As empresas, em si, não precisam de nada. Precisam as pessoas. Porque são as pessoas que fazem as empresas.

A consciencialização permanente da importância da capacitação técnica e relacional das equipas; o claro compromisso com o desenvolvimento do chamado “salário emocional”; o empoderamento para fazer — fazer sem medo, sem receio e sem fiscalização punitiva — e, sobretudo, a promoção da autonomia com responsabilidade e mérito, devem ser pilares permanentes da ação quotidiana.

E na minha área — a minha “dama”, isto é, a Cadeia de Abastecimento e o Procurement — quais são, então, os desafios que 2026 nos coloca? Lamento dizê-lo, mas nenhum será propriamente novidade:

• Inteligência Artificial: sejamos francos — sei que ainda não entrou em muitas organizações, mas que tal iniciar, na sua, 2026? Quando começa também na sua? Promova conhecimento sólido a dois ou três membros da sua equipa e vá além do simples uso do “Chat GPT”;

• Avaliação de Risco de Fornecedores (Supply Risk Assessment): não entregue as chaves da sua casa a quem apenas diz “eu tenho o que precisa”. Avaliar terceiros a 360º é fundamental para cadeias de abastecimento (um pouco mais) controláveis;

• Compliances “não negociáveis”: quando compra no exterior, os fornecedores apresentam regras e procedimentos dos quais não abdi -

|| Miguel Nuno Silva Consultor Internacional em Supply Chain, Procurement & Logística

cam. Então, do que está à espera para estabelecer os seus próprios compliances internos?

• ESG & Sustentabilidade: surgem, em cada sector, nichos de mercado com margens mais atrativas. Questiona, de forma recorrente, as suas práticas internas? Prefere seguir a reboque ou liderar?

• Varrer o “Excel”: não tenho nada contra o Excel — é um software fantástico! Contudo, a integração organizacional interna, combinada com a integração transversal dos principais elos da cadeia de abastecimento, não se compadece com informação fora do ERP;

• Source-to-Pay Inteligente: inteligência em procurement está diretamente relacionada com tempo para pensar. A sua equipa tem esse tempo ou vive permanentemente refém de “urgências”?

• Gestão por Categorias 2.0: o category management é/foi o primeiro passo. O segundo é integrá-lo com a IA e permitir que os insights relacionais sejam analisados, em primeiro lugar, por esta — com velocidade e profundidade;

• Experiência dos Fornecedores: fala-se muito da experiência do cliente. Mas por que razão os clientes devem ser mais importantes do que

os fornecedores? Peça aos seus top 20 clientes que lhe digam o que pensam de si… mas, depois, não faça ouvidos moucos;

• Reconversão Técnica: os colaboradores querem mais — e não, não é apenas salário. Querem ser mais, fazer mais e, sobretudo, ser ouvidos. Tem feito isso?

• “Procurement na Batuta”: com todo o respeito pelos CEO’s e Diretores Executivos, quem deve liderar a cadeia de abastecimento é o Procurement. Respeito quem pense o contrário, mas procure compreender porque é que tantas grandes organizações de CPG/FMCG acreditam e praticam este modelo.

É fácil? Não!

Mas se fosse fácil, onde estaria o valor do Procurement e dos profissionais de Procurement — talvez os players mais decisivos de toda a organização?

Já longe do Natal, mas ainda no espírito de renovação que marca o início do ano, desejo a todos um excelente 2026! Que seja um ano de aprendizagem contínua, de exigência saudável — connosco e com o que nos rodeia — e, sobretudo, de coragem para fazer diferente onde realmente importa!

CEFAMOL NA CES 2026: INOVAÇÃO

GLOBAL E NOVAS OPORTUNIDADES PARA A INDÚSTRIA PORTUGUESA DE MOLDES

Na primeira semana de 2026, a CEFAMOL levou um grupo de empresas portuguesas — Coat-it, Erofio, Maxiplás, Moldit e Socem — ao coração da inovação global, numa Missão Empresarial aos Estados Unidos que incluiu a visita à Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas. Reconhecida como a maior feira mundial de tecnologia e lançamento de novos produtos, a CES afirmou-se, uma vez mais, como um verdadeiro radar das tendências que estão a transformar profundamente os sectores industriais à escala global.

Entre 6 e 9 de janeiro, a CES 2026 reuniu mais de quatro mil expositores, incluindo cerca de 1.200 startups, e atraiu aproximadamente 148 mil visi-

tantes de todo o mundo. Empresas líderes, centros de investigação, decisores e investidores convergiram num único espaço, confirmando o evento como um ponto de encontro estratégico onde se antecipam mercados, se constroem parcerias e se desenham oportunidades de negócio.

A mobilidade inteligente destacou-se como um dos grandes temas da edição de 2026. Veículos definidos por software, condução autónoma, eletrificação e inteligência artificial aplicada ao automóvel mostraram que o futuro da mobilidade será cada vez mais conectado, personalizado e tecnologicamente exigente. Sensores, módulos eletrónicos,

plataformas digitais e soluções avançadas para interiores inteligentes evidenciaram a crescente necessidade de componentes físicos de elevada precisão, um território onde a indústria de moldes tem um papel determinante a desempenhar.

A inteligência artificial e a robótica assumiram igualmente um lugar central, com a consolidação da chamada Physical AI. Robôs humanoides, sistemas industriais e equipamentos de logística demonstraram que a inovação já não se limita ao digital, materializando-se em soluções concretas que exigem engenharia, fiabilidade e capacidade de industrialização. Em paralelo, a digitalização industrial, a simulação avançada e os digital twins reforçaram a convergência entre tecnologia digital e produção física.

A CES 2026 permitiu ainda compreender a atual geografia da inovação. A forte presença de empresas da China, Coreia do Sul e Japão destacou-se pela maturidade tecnológica e capacidade de transformar inovação em produto industrial. Em contraste, a presença europeia revelou-se mais discreta, sublinhando a importância de uma atuação mais proativa das indústrias europeias nos grandes ecossistemas globais de inovação.

É neste contexto que a indústria portuguesa de moldes encontra uma oportunidade estratégica clara: afirmar-se como parceiro de elevado valor acrescentado na transformação de ideias inovadoras em produtos industriais de elevada qualidade. A proximidade a startups, centros de desenvolvimento tecnológico e grandes fabricantes, desde as fases iniciais de conceção do produto, será cada vez mais determinante para garantir relevância, visibilidade e competitividade num mercado global exigente e em rápida evolução.

A participação da CEFAMOL e das empresas associadas na CES 2026 demonstra, assim, o valor de uma presença ativa em certames internacionais de referência. Acompanhar estas iniciativas permite reforçar a vigilância tecnológica e de mercado, antecipar tendências, estabelecer contactos estratégicos e abrir portas a novas oportunidades de negócio. Um caminho que se revela essencial para preparar o futuro do sector e que continuará a ser promovido pela CEFAMOL, convidando cada vez mais empresas a integrar estas experiências e a posicionar-se na linha da frente da inovação global.

INDÚSTRIA DE MOLDES EXPLORA

NOVAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO NO WORLD DEFENSE SHOW 2026

A indústria portuguesa de moldes reforçou a sua presença no Médio Oriente com uma missão empresarial à Arábia Saudita. A iniciativa, organizada pela CEFAMOL — Associação Nacional da Indústria de Moldes, incluiu uma visita ao World Defense Show 2026, um dos eventos mais prestigiados a nível mundial dedicado aos sectores da Defesa e Segurança.

Esta missão permitiu o contacto direto com as mais recentes tendências tecnológicas e o reforço de laços institucionais num mercado caracterizado pelo forte investimento. As empresas participantes nesta missão foram: MD Group; Neckmolde; Grupo SOCEM; TECNIFREZA, SA; TJ Moldes.

A participação no World Defense Show 2026 foi complementada por uma agenda de reuniões institucionais e empresariais nas regiões de Riade e Jeddah.

Esta iniciativa permitiu às empresas portuguesas estabelecer contactos diretos com entidades sauditas e conhecer de perto as oportunidades emergentes nos sectores da defesa e segurança, bem como os planos de desenvolvimento locais nas áreas automóvel e de embalagem.

Plataforma Global de Defesa e Segurança

Consolidado como uma das principais plataformas globais de Defesa e Segurança, o World Defense Show reuniu, ao longo de cinco dias, 1.486 expositores provenientes de 89 países. O evento acolheu 137.000 visitantes e contou com a presença de 513 delegações oficiais de 121 nações.

Além da dimensão expositiva, o certame destacou-se pela forte presença institucional, pela realização de conferências técnicas e pela celebração de múltiplos

acordos de cooperação industrial. A aposta saudita na localização da produção, na transferência de tecnologia e no desenvolvimento de uma base industrial de defesa autónoma esteve no centro das mensagens institucionais.

Para a indústria de moldes, este enquadramento é particularmente relevante. A crescente exigência de conteúdo local e a criação de cadeias de fornecimento no território saudita abrem espaço a novos fornecedores especializados.

Transformação Industrial Impulsionada pela Vision 2030

As reuniões realizadas em Riade e Jeddah confirmaram uma profunda transformação industrial em curso, impulsionada pela estratégia Vision 2030, que visa diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.

Entre os projetos estruturantes destaca-se o desenvolvimento de uma indústria automóvel nacional, suportada por investimentos de grande dimensão e pela criação de clusters industriais dedicados.

A instalação e expansão da Lucid Motors em King Abdullah Economic City, com ambição de atingir elevadas capacidades produtivas de veículos elétricos, constitui um dos exemplos mais visíveis desta estratégia.

A criação da Ceer, primeira marca automóvel elétrica saudita, apoiada pelo fundo soberano do país e por parceiros tecnológicos internacionais, reforça o objetivo de desenvolver competências locais em design, engenharia e produção. A joint venture com a Hyundai para produção local de veículos confirma igualmente a confiança de grandes OEM internacionais no potencial industrial e logístico da Arábia Saudita.

Associado a estes investimentos encontra-se o desenvolvimento de grandes zonas industriais destinadas a acolher toda a cadeia de fornecimento, desde componentes metálicos e plásticos até sistemas eletrónicos, baterias, ferramentas ou logística.

A previsão de abertura de novas unidades fabris para suportar a indústria automóvel e outros sectores estratégicos, como a construção e as infraestruturas, evidencia uma forte aposta no crescimento da produção local e na criação de emprego qualificado.

Mercado Exigente com Potencial

As principais conclusões da missão apontam para um mercado em rápida evolução, caracterizado por investimentos públicos robustos, visão estratégica de longo prazo e políticas ativas de atração de parceiros industriais.

Trata-se de um ambiente exigente, onde a competitividade técnica, a capacidade de inovação e a disponibilidade para estabelecer parcerias locais serão fatores críticos de sucesso. Ao mesmo tempo, a dimensão dos projetos em curso e a necessidade de desenvolver rapidamente cadeias de fornecimento criam oportunidades concretas para empresas com experiência consolidada, como é o caso da indústria portuguesa de moldes.

Para a indústria nacional, esta realidade reforça a im-

portância de uma estratégia clara de diversificação, quer geográfica, quer sectorial. A consolidação nos mercados tradicionais continua a ser essencial, mas o acompanhamento de novas geografias, como o Médio Oriente, revela-se determinante para garantir crescimento sustentado e reduzir riscos associados à concentração de mercados.

Paralelamente, a expansão para novas áreas industriais, como a defesa, segurança ou mobilidade elétrica, permite valorizar competências técnicas já existentes e abrir novas frentes de negócio.

Diversificação e Internacionalização

Sustentada

Neste contexto, o papel da CEFAMOL assume particular relevância. A organização de missões empresariais, a criação de plataformas de contacto com entidades institucionais e empresariais, o acompanhamento estratégico das tendências internacionais e o apoio direto às empresas na prospecção de mercados constituem instrumentos fundamentais para reforçar a competitividade da indústria.

A Missão à Arábia Saudita é um exemplo claro desta atuação. Ao proporcionar um enquadramento estruturado, uma agenda qualificada de contactos e uma leitura estratégica do mercado, a Associação contribuiu para reduzir barreiras à entrada e potenciar oportunidades para as empresas participantes.

Mais do que uma ação pontual, esta iniciativa integra-se numa visão mais ampla de internacionalização sustentada da indústria portuguesa de moldes. Num contexto global marcado por profundas transformações tecnológicas, geopolíticas e industriais, a proximidade aos grandes polos de investimento e a capacidade de antecipar tendências são fatores decisivos.

A presença na Arábia Saudita confirmou tratar-se de um mercado com ambição, recursos e projetos de grande escala, onde a engenharia e o know-how portugueses podem encontrar espaço de afirmação.

Apesar dos desafios e constrangimentos recentes que o sector enfrenta, esta iniciativa sublinha a capacidade de adaptação, resiliência e a determinação das empresas portuguesas. São estes momentos que reforçam a importância da internacionalização e da diversificação de mercados como eixos vitais para o crescimento sustentável da indústria.

COMO A TECNOLOGIA AUTOMÓVEL ESTÁ A TRANSFORMAR OS TRATORES

A feira Agritechnica serviu de palco para demonstrar que as fronteiras entre a indústria automóvel e a engenharia agrícola estão cada vez mais interligadas. Diversas empresas que operam em ambos os sectores exibiram soluções que adaptam tecnologias de estrada para o campo, destacando-se a Horse Powertrain, a Arnold NextG e a Schaeffler.

A  Horse Powertrain, que une a experiência da Renault e da Geely ao investimento da Aramco, apresentou o seu primeiro motor para um veículo agrícola, com produção prevista para a primavera de 2026. Trata-se de um bloco a gasolina de três cilindros (~60 kW) destinado a um veículo utilitário (UTV) da espanhola Corvus.

Segundo Alejandro Ruiz Luque, Business Development Manager da Horse, as exigências fundamentais são semelhantes, mas o foco agrícola reside na:

• Eficiência e Durabilidade: As máquinas agrícolas são ferramentas de trabalho puro.

• Ciclo de Trabalho: O tempo em “ralenti” (ponto morto) é muito mais relevante num trator do que num ligeiro.

• Escalabilidade: A empresa aposta no downsizing, utilizando um motor de combustão potente para substituir múltiplos motores menores, reduzindo custos através de calibrações personalizadas.

A  Arnold NextG tem implementado a sua unidade de controlo central “NX Next Motion” em diversos sectores, desde camiões a máquinas de construção e tratores. Embora a arquitetura

digital dos automóveis seja mais complexa devido à assistência de direção elétrica e requisitos dinâmicos a alta velocidade, o sector agrícola está a recuperar o atraso.

A empresa nota que os fabricantes de automóveis estão hoje mais focados em software, enquanto a maquinaria agrícola mantém uma abordagem de engenharia mais tradicional. No entanto, a Arnold NextG já recebeu pedidos sérios para os primeiros projetos de pequena série de tratores com tecnologia drive-by-wire.

A  Schaeffler já é uma veterana na integração de tecnologias automóveis no campo, equipando máquinas agrícolas híbridas e elétricas com motores de tração derivados de aplicações para ligeiros. Outros exemplos de transferência tecnológica incluem:

• Ajuste Hidráulico de Válvulas: Utilizado em motores diesel para reduzir emissões.

• Componentes Clássicos: Rolamentos de rodas de automóveis adaptados para grades de discos.

• Resistência Extrema: No sector agrícola, as componentes enfrentam condições mais duras de temperatura, poeira, água e forças de carga. Para o futuro, a Schaeffler prevê uma tendência crescente para o smart farming através de sensores inteligentes e maior conforto para o operador. À semelhança do sector automóvel, espera-se que os tratores adotem, a médio prazo, arquiteturas elétricas/eletrónicas (E/E) e se tornem “veículos definidos por software”.

fonte: all-about-industries.com

Evolução dos Mercados de Exportação 2025

TOTAL DO PERÍODO

MERCADOS TRADICIONAIS

PESO DOS MERCADOS TRADICIONAIS NAS EXPORTAÇÕES NACIONAIS

EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES PARA PAÍSES EUROPEUS

MERCADOS AMERICANOS OUTROS MERCADOS

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