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A CULTURA DA GARE


O IMPÉRIO NAPOLEÓNICO


A EUROPA APÓS O CONGRESSO DE VIENA

• 1815 - Batalha de Waterloo; - Fim do Império napoleónico; - Exílio para a Ilha de Santa Helena onde morre em 1821. • 1815- No Congresso de Viena: os países vencedores ( Prússia, Rússia e Inglaterra , estabeleceram um nova mapa político da Europa. • A França foi obrigada a voltar às antigas fronteiras e a ceder os territórios conquistados; • Potências como a Inglaterra ficaram com alguns domínios coloniais franceses nas Antilhas, na África do Sul em Ceilão e Malaca.


A EUROPA apresentava-se deste modo APÓS O CONGRESSO DE VIENA


• A Prússia , a Áustria e a Rússia constituíram a Santa Aliança (organização militar que lhes garantia o mútuo apoio , no caso de se registar nos seus países alguma tentativa revolucionária).

Consequências da nova ordem Europeia • O território francês diminuiu consideravelmente; • Em termos políticos assistiu-se em França a uma certa conflitualidade e mudança de regimes políticos . - a restauração da monarquia dos Bourbon (1815-1830); - a Monarquia Constitucional de Luís Filipe (1830-1848); - a proclamação da Segunda República( 1848-1851); - o Segundo Império ( 1851-1870); - a Terceira República (1871-1940, decorrente do colapso de Napoleão III na Guerra Franco Alemã, em 1870-71.


• Os países vencedores alargaram as respectivas fronteiras, dentro da Europa;

Países mais pequenos, viram-se subjugados por estados com os quais não tinham qualquer afinidade, ou viram-se desmembrados em várias unidades políticas;

• Como resposta a estas situações surgiram movimentos revolucionários de independência nacional, que lutaram contra os impérios que os dominavam como: - a Grécia rebelou-se contra o Império Otomano em 1830; - deu-se a Revolução Belga ; - a Polónia opôs-se ao domínio Russo e acabou por ser dividida entre a Rússia, a Prússia e a Áustria;


• a Alemanha constituiu-se como um país, depois de o seu território ter feito parte de Prússia e da Áustria ;

• Deu-se a unificação da Itália após a luta contra o domínio austríaco. • Bismarck na Alemanha e Vittorio Emmanuel em Itália , foram os homens fortes desta política de unificação. • Portugal também se pode incluir neste processo revolucionário, quando em 1820 se deu a Revolução Liberal Portuguesa. • Este processo não se ficou pela Europa, mas alargou-se à América Latina, onde entre 1811 e 1828, alguns países conseguiram a autonomia em relação aos países colonizadores. Foi o caso do Brasil, do Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Argentina (…).


NO SÉCULO XIX DÁ-SE TAMBÉM A SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL • A primeira revolução industrial surgiu em Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII. ( página 110 do manual)

Foi consequência de um processo que envolveu três revoluções: a agrícola, a demográfica e a industrial.

• A Inglaterra para além de possuir um conjunto de condições favoráveis ao arranque da revolução industrial; •

generalizou a aplicação a máquina a vapor aos sistemas de produção que conduziram a uma acelerada transformação da economia e da sociedade do mundo moderno.


• Como consequência da aplicação da máquina a vapor, registou-se ainda uma alteração significativa nos modos de produção ; •

nas formas de organização do trabalho e da sociedade.

• a população deslocou-se maioritariamente para as cidades, provocando a desertificação do campo; • nas cidades cresceu um proletariado urbano em conflito com os capitalistas. Se durante o século XVIII, o principal país industrializado era Inglaterra, durante o século XIX, deu-se a expansão da Revolução Industrial a outros países da Europa como: - a França; a Bélgica; a Alemanha; a Itália; a Rússia ; - e a países de outros continentes como os EUA e o Japão.


AS GRANDES POTÊNCIAS INDUSTRIAIS


A REVOLUÇÃO NOS TRANSPORTES • A revolução dos transportes iniciou-se na Inglaterra, pela aplicação da máquina a vapor tanto nos transportes marítimos como terrestres. • Surgiu assim uma das grandes invenções do século - o comboio. • O primeiro troço de via iniciou-se no percurso Manchester-Liverpool, em Inglaterra, mas rapidamente se estendeu a todo o país e progressivamente chegou à Europa Ocidental, aos EUA e aos restantes continentes. • A construção de pontes, túneis e viadutos, permitiu equipar a Europa com milhares de quilómetros de rede ferroviária.


• Linhas de longo curso foram construídas e passaram a ligar as principais cidades europeias. • Nos EUA, em 1862, o transcontinental ligava a costa atlântica à costa do Pacífico; • Na Ásia, o transiberiano ligava Moscovo a Vladivostoque.


• Nos transportes marítimos e fluviais, houve também uma grande evolução. Os clippers ( barcos à vela) foram substituídos gradualmente pelos steamers.( navegação a vapor) • Na segunda metade do século XIX, construíram-se grandes navios de casco de ferro, para o transporte de mercadorias.

• O desenvolvimento dos transportes marítimos originou ao abertura de canais que ligavam mares e oceanos, como, o Canal do Suez(1869- ligava o Mediterrâneo ao Mar Vermelho-) e o Canal do Panamá(1914).


CANAL DO SUEZ


VANTAGENS DO CANAL DO SUEZ


CANAL DO PANAMÁ


• Nos finais do século XIX, a substituição do vapor pelas novas energias ( electricidade e petróleo ), possibilitou o desenvolvimento das vias de comunicação. • O telégrafo , o telefone e a telegrafia sem fios, aproximou os homens. • A descoberta da luz eléctrica e do gerador permitiu a iluminação das cidades e o trabalho por turnos. • A descoberta do petróleo e dos seus derivados e a invenção do motor de explosão estiveram na base de uma nova revolução dos transportes: - automóveis; veículos de tracção eléctrica; metropolitano.


Autom贸vel modelo T

1潞 Carro produzido pela Ford


• O desenvolvimento das redes rodoviárias está directamente ligado aos novos meios de locomoção. • Com a descoberta do cilindro de Mac Adam, foi possível construir em toda a Europa uma ampla rede de estradas( revestidas de pedra moída , amassadas com pedra e areia e comprimidas com o cilindro) macadamizadas. • Porém, apesar do desenvolvimento de todos os meios de transporte, o que mais revolucionou o século XIX, pelo grande impacto que teve no quotidiano das pessoas ,foi o comboio.


CONSEQUÊNCIAS DO DESEVOLVIMENTO DOS CAMINHOS DE FERRO • Permitiu a deslocação mais rápida , a menor custo e para maiores distâncias, de pessoas e mercadorias; • O comércio desenvolveu-se, permitindo abastecer com maior facilidade as zonas do interior, e permitiu que estas mais facilmente escoassem os seus produtos .

• As antigas cidades aumentaram de tamanho e foram criadas novas directamente ligadas ao processo da revolução industrial; •

A comunicação entre as pessoas tornou-se mais fácil, e o intercâmbio de ideias, modas, experiências foi muito facilitado.

A noção do tempo e do espaço alterou-se;


GARE SAINT LAZARE


William Powell Frith (1819-1909) The Railway Station óleo s/ cartão 38 x 80 cm colecção particular


A estação de caminho de ferro, a gare, surgiu como um dos pólos de dinamização urbana, onde se cruzavam pessoas, ideias, culturas. ( página 112 do manual)

A gare era o símbolo dos novos tempos: da velocidade , do desenvolvimento da tecnologia, da modernidade, da abertura ao mundo.

Tornou-se um símbolo da vida urbana, lugar de confluência de viajantes e aventureiros, homens de negócios e industriais, de gente à procura de melhores condições de vida.

Na gare estavam também representados a capacidade inventiva dos homens e o exemplo do uso dos novos materiais construtivos: o ferro e o vidro, produzidos industrialmente.

Representa também a proeminência de uma classe de técnicos, os engenheiros que se destacam dos arquitectos pela sua formação nas Escolas Politécnicas.


A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: consequências económicas e sociais • A revolução industrial só foi possível graças à existência de capital, mão de obra e uma economia mais liberta do controlo do Estado, ou seja baseada no liberalismo económico. • Segundo esta teoria devia de haver liberdade de produção, de circulação de produtos , de preços e salários.

• A concorrência tornou-se desenfreada a partir do momento em que muitos países estavam a desenvolver a sua industrialização. • Precisavam de matérias primas e mercados para colocar os seus produtos. • Assim deu-se a corrida a África e respectiva partilha entre as potências europeias.


• Afirmou-se o capitalismo industrial e foram criadas as grandes empresas monopolistas cujas necessidades de expansão obrigavam : - a um aumento constante do capital, de forma a reduzir os custos de produção e o preço do produto; - e a dominar fatias cada vez maiores do mercado com vista a garantir o escoamento da produção; - as empresas recorriam cada vez com maior frequência à banca;

• Neste período afirmou-se igualmente o capitalismo financeiro, resultado da junção dos interesses bancários aos industriais;


• Para que as companhias monopolistas pudessem manter a competitividade apostou-se na racionalização do trabalho através da produção em cadeia e em série; • O grande objectivo era produzir muito para vender muito, reduzindo os gastos. •

No decorrer do século XIX, a revolução industrial e o desenvolvimento do capitalismo deram à burguesia um papel preponderante.

• Como manifestação do poder crescente dos países industrializados no Mundo, o século XIX conheceu também um conjunto de exposições de carácter mundial realizadas nas principais cidades europeias.


AS EXPOSIÇÕES UNIVERSAIS Uma época de exposições

1851- Exposição Universal de Londres; 1853- Exposição Universal de Nova Iorque; 1855- Exposição Universal de Paris; ( e em 1867; 1878;1889) 1862- Exposição Universal de Londres; 1893- Exposição Universal de Chicago;

1900- Exposição Universal de Paris


• Estas exposições, pretendiam, de uma forma geral, mostrar os avanços tecnológicos e a sua contribuição para o progresso e bem estar da humanidade. • Pretendia-se demonstrar igualmente a audácia dos “ novos criadores” – os engenheiros, pela forma como aplicavam os novos materiais: ferro e vidro. • Para as exposições construíam-se amplos pavilhões cobertos de ferro e vidro convertendo-se estes, nas “catedrais “da sociedade industrial. • Os elementos construtivos que os compunham eram pré-fabricados e estandardizados, que permitiam maior rapidez na construção e economia de meios. • A 1ª exposição universal em Londres, realizou-se no Hyde Park e inaugurou uma nova era : a arquitectura do ferro. ( página 117 do manual)


PALテ,IO DE CRISTAL, Joseph Paxton


INTERIOR DO PALテ,IO DE CRISTAL


CONTRASTES E ANTAGONISMOS SOCIAIS NO MUNDO INDUSTRIALIZADO • Durante o século XIX , verificou-se um acentuado crescimento populacional devido principalmente : - ao aumento da produção agrícola; - ao avanço da medicina; - à melhoria dos hábitos de higiene. • Um acentuado crescimento demográfico, principalmente no continente Europeu; • Um grande crescimento urbano, devido ao êxodo rural das populações que procuravam na cidade melhores condições de vida; • E uma vaga de emigração europeia para outros continentes, especialmente para a América. ( emigraram neste século 70 milhões de pessoas, a maior parte para a América do Norte, Sibéria, América Latina e Austrália.


A Grã-Bretanha foi o país com maior número de emigrantes, seguida de outros países como a Itália e a Alemanha


Italian Family in ferryboat leaving Ellis Island, fotografia de Lewis Hine, 1905 ( pรกgina 175 manual)


• As cidades foram-se tornado, cada vez mais, um mundo de contrastes. - dum lado as zonas ricas e ordenadas do centro e dos bairros residenciais ; - do outro as zonas degradadas, poluídas e periféricas dos bairros operários.

• Ao mesmo tempo acentuavam-se as clivagens entre classes sociais. - entre a alta burguesia que detinha o poder económico e o poder político; - a média e pequena burguesia que constituía a classe média (situando-se entre a alta burguesia e o proletariado), e que foi ao longo do tempo ganhando importância política;


- e o proletariado, que dispunha unicamente da sua força de trabalho e da da sua família, e que se defrontava com condições de vida e de trabalho extremamente duras. •

As condições de vida deste grupo social tinham-se progressivamente degradado devido: - à mão-de-obra excedentária, resultante da afluência da população rural aos meios urbanos; - à diminuição dos salários ; - à falta de assistência em caso de doença, velhice ou invalidez.


O SOCIALISMO E O MOVIMENTO OPERÁRIO • As condições de vida do operariado fez surgir por parte dos intelectuais um forte sentimento de solidariedade que se traduziu no estudo e na elaboração de soluções para este problema social. • Os intelectuais criticavam o sistema do liberalismo económico a as injustiças sociais causadas por este sistema, propondo como alternativa o Socialismo. • As novas doutrinas procuraram legitimar doutrinariamente esta desigualdade económica e social entre o operariado e a burguesia e dividiram-se em dois grupos: O Socialismo utópico e o Socialismo Científico.


O SOCIALISMO UTÓPICO • Também chamado “socialismo romântico”; •

Toma como referência os ideais iluministas;

• Critica a sociedade industrial e capitalista e propõe uma nova sociedade idealizada, sem conflitos e sem injustiças. • Teve como principais representantes: ( página 115 do manual) - Saint – Simon( 1760-1825), considerado o fundador do socialismo; - Charles Fourrier ( 1772-1837); - Robert Owen ( 1771-1858 );


• Apesar da maior parte das propostas apresentadas por estes homens não serem concretizáveis , é inquestionável o seu contributo para a tomada de consciência do que se estava a passar no mundo operário. • As suas ideias abriram caminho a outros teóricos socialistas como Pierre Proudhon (1809-1865), que ao nível artístico influenciou a temática realista, ao defender uma arte comprometida com a causa humana atribuindo ao artista um papel interventivo, de denúncia das injustiças e desigualdades da sociedade. • E a outros pensadores como Marx e Engels, fundadores do socialismo científico ou marxista. • Nas suas obras o “Manifesto Comunista”e a “ Condição da Classe Operária em Londres”, defenderam que o fim da exploração operária só poderia ser conseguido através de uma revolução


pela qual os trabalhadores tomariam o poder político. Depois de tomado o poder , proceder-se-ia à colectivização dos meios de produção. •

O capitalismo daria lugar ao socialismo e depois ao comunismo, ou seja a uma sociedade sem classes.


OS MOVIMENTOS CULTURAIS E ARTÍSTICOS DO SÉCULO XIX • Durante o século XIX assistiu-se também a uma profunda renovação artística e cultural. • Assim a primeira metade do século assistiu ao triunfo do Romantismo. ( página 114 do manual ) - os românticos rejeitavam as convenções e proclamavam a liberdade de criação artística;

- não reconheciam a razão como suprema faculdade humana; - consideravam o sonho, na fantasia, nos sentimentos emoções como dimensões fundamentais do espírito.

e as

- faziam prevalecer nas suas obras e atitudes um grande desejo de evasão da realidade.


• Esse desejo traduziu-se nas seguintes características: - gosto pelas paisagens e sociedades exóticas; - refúgio na vida interior e na entrega às paixões e sentimentos; - interesse pelas épocas passadas, em particular pela Idade Média; - atracção pela natureza, inspiradora das mais diversas emoções.

Exemplos ilustrativos destas tendências temos a titulo de exemplo: - na música, Beethoven ( Alemanha), Chopin (França), na pintura Turner ( Inglaterra), Delacroix (França), na literatura Goethe ( Alemanha), Walter Scott ( Escócia) e Victor Hugo ( França). Em Portugal , Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco.


TURNER


• O Realismo surge por volta de 1830 , por oposição:

- aos excessos do romantismo ; - ao seu alheamento relativamente às grandes transformações sociais provocadas pela revolução industrial; •

Influenciados pelas doutrinas socialistas, os defensores do realismo procuram: - descrever a realidade tal como ela se lhes apresentava; - criticar os costumes das classes privilegiadas; - demonstrar as misérias e injustiças sociais.


MILLET


• O pintor ou o romancista devia participar activamente nas denúncias e injustiças sociais do seu tempo.

Exemplos ilustrativos desta tendência temos entre outros: - Na literatura, Émile Zola, Balzac,( França), Dostoievsky e Tolstoi ( Rússia) Charles Dickens ( Inglaterra), Eça de Queirós ( Portugal). - Na pintura , Courbet, Millet, Daumier ( França), Columbano e Silva Porto , e na escultura Soares dos Reis e Teixeira Lopes, ( Portugal ).


• O desenvolvimento das cidades e as preocupações urbanísticas, levantaram alguns problemas que exigiam respostas eficazes como: - cobertura de grandes superfícies; - alojamento de muitas pessoas em pequenos espaços;

- traçado de caminho de ferro para encurtar distâncias; • A Arquitectura do Ferro respondeu eficazmente a estas solicitações. • Gustave Eiffel e a construção da Torre Eiffel, é o exemplo mais representativo deste tipo de arquitectura.


• Na segunda metade do século XX, outras expressões artísticas surgiram entrando em ruptura com as anteriores. • Foram elas o : Impressionismo e o Pós- Impressionismo.

Alguns dos seus representantes máximos foram para o Impressionismo: - Édouard Manet, Claude Monet, Edgar Degas e Auguste Renoir (França), Henrique Pousão e José Malhoa ( Portugal). - Cézanne, Van Gogh e Gauguin ( França), inicialmente adeptos do impressionismo, iniciaram uma nova corrente artística , anunciando já a transição para a arte moderna.

a cultura da gare  

contextualização politica,economica,social

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