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PARÁ QUER ATRAIR INVESTIMENTOS DO GRUPO VILA GALÉ

Nº 175 › Mensal › Maio 2017 › 2.20# (IVA incluído)

José Marques Diretor Comercial da Saint-Gobain Weber Portugal

José Alberto Pessoa Presidente da Cadimarte

Safira na vanguarda dos serviços ao cliente Victor Rodrigues, Administrador da Safira Facility Services, empresa com sede na Maia e detida a 100% pelo grupo francês Derichebourg, afirma-se no mercado português pela grande qualidade dos seus recursos humanos e pela excelência dos serviços prestados a um número crescente de clientes.

Marivaldo de Melo Presidente do Banco da Amazónia

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› HEAD

Editorial

Ficha Técnica Propriedade Economipress – Edição de Publicações e Marketing, Lda.

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Redacção › Manuel Gonçalves › Valdemar Bonacho › Jorge Alegria

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Ser o pivot no Atlântico

O

VI Encontro Triângulo Estratégico, realizado pelo IPDAL – Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas, em Lisboa, colocou com muita pertinência a questão de qual o posicionamento e o papel de Portugal no contexto das relações inter-atlânticas, ou por outras palavras, no contexto mais geral das relações entre a Europa, África e América Latina e Caraíbas. Até porque aqueles que diziam há alguns anos da inevitabilidade do deslocamento da gravidade estratégica e económica do mundo para a Ásia e o Pacífico, talvez tenham sido um pouco extemporâneos nessa análise. Efetivamente, no quadro estratégico do Atlântico, Portugal ocupa uma posição central, um autêntico pivot no cruzamento de relações entre os diversos países que se localizam em ambos os lados deste oceano, bem como nos diversos cruzamentos norte-sul e leste-oeste. Naturalmente, para que Portugal possa cumprir esse papel, e com óbvia vantagem para o nosso país, precisa de ter a dimensão oceânica (alargamento da plataforma continental), as infraestruturas e os recursos em equipamentos, tecnologias e humanos, necessários para efectivar e potenciar essa capacidade de projeção neste importante espaço estratégico mundial. Para além da necessidade de continuar os investimentos na melhoria e aumento da capacidades dos portos portugueses, bem como no aumento dos recursos em navios da marinha mercante de bandeira portuguesa, é fundamental que o país também reforce os investimentos em equipamentos de natureza militar que façam Portugal cumprir cabalmente a defesa da área estratégica sob a sua responsabilidade, como mesmo a capacidade de interdição a terceiros que eventualmente a queiram em algum momento colocar em causa. Por outro lado, no quadro da solução a encontrar para a Base das Lajes, nos Açores, em nosso entender, Portugal precisa de aprofundar o diálogo com os Estados Unidos, para revitalizar e encontrar um novo sentido estratégico e tático da base açoriana, mas sempre no quadro do relacionamento estratégico profundo com o nosso tradicional aliado norte-americano. Da mesma forma que o novo centro científico internacional a criar nos Açores, para além de ser um espaço de grande afirmação e valorização dos países de língua portuguesa, deverá também empenhar a participação de outros países geograficamente situados na bacia do Atlântico. Ali colocar outros parceiros mais longínquos, que possuem estratégias de longo prazo e que pretendem substituir no Atlântico o antigo protagonismo soviético, poderá ser muito perigoso para os interesses portugueses de longo prazo. JORGE GONÇALVES ALEGRIA

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Índice Grande Entrevista Victor Rodrigues, Administrador da Safira Facility Services, é filho de pais portugueses, mas nasceu em França. Há cerca de um ano e meio lidera a operação da empresa criada em Janeiro de 2000 por ex-quadros da Sonae, e que transformaram a empresa com sede no concelho da Maia, no segundo maior player português na área das limpezas industriais e serviços congéneres às empresas. Detida a 100% pelo grupo francês Derichebourg, a Safira apostou decisivamente no valor e na capacidade dos seus recursos humanos para prestar um serviço de alto nível aos seus clientes e constituir dessa forma um factor diferenciador no mercado português. «Queremos que os clientes nos desafiem a encontrarmos as melhores soluções para as suas necessidades», deixa o gestor como remate e desafio a todos os que se relacionam com a Safira.

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Ainda nesta edição…

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Grande Plano

Primeira empresa a instalar-se no aeroporto de Beja Continental confirma investimentos em Lousado Garvetur continua a crescer Empresários portugueses vão ao Ceará em busca de oportunidades EDP Brasil vence concurso no Brasil Portugueses gastam mais no Brasil Iguarivarius potencia as exportações portuguesas Produtos portugueses mostram-se em Dezembro no Luxemburgo O melhor do imobiliário e turismo português em Paris Porto de Setúbal cresce nos contentores Azevedos investem mais 9 milhões na indústria farmacêutica FairFruit investe em Beja

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O Presidente do grupo Vila Galé deslocou-se pela primeira vez ao Pará, o segundo maior estado brasileiro em dimensão territorial, e que é considerado a “porta de entrada da Amazónia”. O líder do segundo maior grupo hoteleiro português, que já tem sete hotéis em operação no Brasil, e está a construir o oitavo no Rio Grande do Norte, depois do que viu no Pará, admitiu à País Económico que as suas expectativas foram superadas e admite vir a investir naquele estado do Norte do Brasil. «Podemos vir a construir ali o nosso primeiro resort de floresta», referiu Jorge Rebelo de Almeida, que acabou também por divulgar os seus vinhos e azeites alentejanos na capital paraense.

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› GRANDE PLANO Jorge Rebelo de Almeida foi ao Pará ver oportunidades concretas de expansão no Brasil

A minha viagem ao Pará superou as expectativas O presidente do grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, visitou em meados de abril o estado do Pará, onde para além de ver possibilidades concretas de investimentos hoteleiros neste estado do Norte do Brasil e que é também a “porta de entrada na Amazónia”, aproveitou também para promover os vinhos e azeites da marca Casa Santa Vitória, numa conferência muito concorrida que ocorreu na Associação Comercial do Pará. No decorrer de uma visita que demorou menos de três dias, o líder do segundo maior grupo hoteleiro português – tem em operação 20 hotéis em Portugal e 7 hotéis no Brasil – reuniu com o grupo MB Capital, tendo igualmente a oportunidade de visitar a área onde este grupo empresarial do Pará pretende construir um grande resort turístico, mas viu igualmente vários edifícios históricos na própria cidade de Belém, onde poderá vir a transformar algum deles num hotel de luxo e de alta qualidade. Jorge Rebelo de Almeida aproveitou também esta viagem para projetar um discurso onde apelou à realização de transformações estratégicas no turismo brasileiro, nomeadamente alertando para a

P

importância do aumento da segurança das zonas turísticas e da própria limpeza urbana. TEXTO › JORGE ALEGRIA | FOTOGRAFIA › PAÍS ECONÓMICO

ouco depois de aterrar no Aeroporto Internacional de Belém, o presidente do grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, ainda no espaço do próprio aeroporto foi recebido pelo Secretário do Turismo do Governo do Pará, Adenauer Góes, sinalizando com este gesto a importância que o governo paraense atribuiu à visita do empresário português, visto que o turismo constitui um dos vetores mais importantes na estratégia de desenvolvimento económico e social do Pará. Contando com uma agenda muito preenchida, logo Jorge Rebelo de Almeida, acompanhado por José António Bastos, diretor de Operações da Vila Galé no Brasil, se dirigiu à sede do grupo MB Capital, onde teve a oportunidade de dialogar com os responsáveis deste grupo, representado por Emmanuel Athayde,

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vice-presidente executivo da MB Capital, que estava acompanhado por Jefferson Jacob, administrador, André Siniscalchi, vice-presidente da Divisão de Shoppings,

e por Pedro Tremura, diretor comercial. A possibilidade da concretização de uma futura parceria entre a MB Capital e a Vila Galé esteve em cima da mesa da conversa, sobretudo no âmbito da prossecução do projeto do resort de Santa Bárbara, depois do primeiro contato entre ambas as partes que decorreu no passado dia 28 de novembro, no Vila Galé em Fortaleza (Ceará) e que na altura a País Económico noticiou em exclusivo. Após um jantar que decorreu no restaurante do Mangal das Garças, onde a comitiva portuguesa teve um primeiro contato com a excelência e autenticidade da gastronomia paraense, uma das mais originais e saudáveis de todo o Brasil, Jorge Rebelo de Almeida iniciou o segundo dia com uma reunião com o Governador do Pará, Simão Jatene, que fez questão de sublinhar ao presidente do grupo Vila

Galé que o governo paraense dará todo o apoio para que o grupo português venha a investir no estado, referindo que «o Pará e a Amazónia certamente acrescentarão valor à rede que a Vila Galé já hoje possui no Brasil». Seguiu-se uma visita aérea sobre a zona histórica e ribeirinha de Belém, seguindo depois para uma viagem fluvial onde teve a possibilidade de em conjunto com os responsáveis do grupo MB Capital, do secretário do Turismo do Pará, Adenauer Góes, do Prefeito do Município de Santa Bárbara, Nilson Santos, do presidente da Câmara Portuguesa do Pará, Reginaldo Ferreira, e do presidente da Associação Comercial do Pará, Fábio Lúcio, visitar a área do futuro resort turístico e residencial a erigir pela MB Capital e seus parceiros. Olhando com toda a atenção a beleza paisagística do local, bem como os seus acessos viários e fluviais, o presidente da Vila Galé gostou do que viu, mas espera por uma conversa mais aprofundada com os responsáveis da MB Capital para tomar

uma decisão sobre a possibilidade de nascer o primeiro resort de floresta da marca Vila Galé, precisamente no estado do Pará, a “porta de entrada da Amazónia”. Apresentação do Grupo Vila Galé na quase bi-centenária Associação Comercial do Pará Antes de seguir para o evento na Associação Comercial do Pará, Jorge Rebelo de Almeida, José António Bastos e Adenauer Góes foram recebidos na sede da Prefeitura de Belém, onde o Vice-Prefeito de Belém, Orlando Reis, deu as boas-vindas à comitiva da Vila Galé, e sublinhou o «forte interesse do Município da capital do Pará em receber uma futura unidade hoteleira da marca, referindo que a Prefeitura mostrará várias áreas e edifícios da cidade, onde o grupo português terá a possibilidade de escolher um deles para investir num hotel. Jorge Rebelo de Almeida, que recebeu das mãos do Vice-Prefeito a medalha dos 400 Anos da Cidade de Belém, adiantou que o grupo está a ponderar se-

riamente a possibilidade de investir num hotel em Belém, além de admitir igualmente que venha a criar no Pará o seu primeiro resort de floresta, visto que as oito unidades que possui até ao momento são todas junto a praias em diversos estados do Brasil. Na Associação Comercial do Pará, onde esteve em peso representantes da vasta e importante comunidade luso-paraense, além de outros representantes de diversas instituições da sociedade civil de Belém e do Pará, o presidente da Vila Galé aproveitou para fazer uma circunstanciada apresentação do grupo, sublinhando o fato de ter neste momento em operação 20 hotéis em Portugal, além de 7 hotéis no Brasil, a que acrescentará o projeto imobiliário-turístico recentemente entregue do VG Sun Residence, no Cumbuco, estado do Ceará. No campo hoteleiro, além de confirmar que veio ao Pará para ver oportunidades de investimento no estado, tendo visitado a convite do grupo paraense MB Capital, a área do futuro resort de Santa Bárba-

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› GRANDE PLANO

Admito investir no Pará Saí do Pará e de Belém com que impressão do que viu?

Superou as expectativas. Belém é uma cidade muito interessante com cultura, gastronomia e gente muito afável e hospitaleira, ingredientes essenciais para o turismo. A marca Amazónia constitui uma mais-valia potencial para qualquer investimento hoteleiro na região?

A Amazónia é uma marca forte a promover e o potencial turístico de Belém é enorme.

Colocou muito o acento tónico na imperiosa necessidade do

Referiu a necessidade do Brasil assumir o turismo como um

turísticos.

desígnio estratégico do seu desenvolvimento. Quais os as-

Segurança e limpeza são dois condimentos essenciais para a valorização da oferta turística mas antes de tudo, cruciais para os habitantes locais viverem melhor.

petos que defende que o país precisa de melhorar?

Francisco Brandão, Vice-Cônsul de Portugal no Pará,, Adenauer Góes, Secretário do Turismo do Pará, Fábio Lúcio, Presidente da Associação Comercial do Pará, Jorge Rebelo de Almeida, Presidente da Vila Galé, Reginaldo Ferreira, Presidente da Câmara Portuguesa do Pará, e Olavo das Neves, Presidente da Codec.

ra, além de visitar no dia seguinte, o último desta sua primeira visita ao estado, vários edifícios e zonas da cidade de Belém, Jorge Rebelo de Almeida confirmou que a Vila Galé já está a construir cinco novos hotéis em Portugal – um segundo no Porto, outro em Braga, além das novas unidades em Sintra, em Elvas e na Serra

da Estrela – tendo começado também no passado dia 4 de fevereiro a construção do novo resort em Touros, no Rio Grande do Norte, no que será a oitava unidade hoteleira do grupo no Brasil. Por outro lado, nesta sessão na sede da Associação Comercial do Pará, que recentemente comemorou os seus 198 anos de

ção profissional (parcerias entre as empresas e os governos, Federal, Estaduais e Municipais; simplificação do licenciamento dos projetos turísticos (linha verde), sobretudo a área ambiental; incentivos financeiros e fiscais aos projetos turísticos considerados de grande relevância e para o desenvolvimento do país.

A política de turismo nacional passará por vários fatores com destaque para: estratégia para o transporte aéreo, captação de voos internacionais regulares e charter e reforço dos voos internos; criação de polos de desenvolvimento turístico onde sejam reforçadas as medidas de segurança e limpeza; forma-

país melhorar os níveis de segurança e de limpeza nos locais

Perante tudo o que viu em Belém e no Pará, admite poder investir neste estado brasileiro?

Sem dúvida. Vamos analisar as várias hipóteses de investimento que nos venham a colocar e oportunamente decidir. ‹

existência, e que é a segunda do seu género mais antiga do Brasil, o presidente do grupo Vila Galé destacou também os vinhos e azeites da Casa Santa Vitória, que o grupo produz na herdade com o mesmo nome no Alentejo, no sul de Portugal. Na Herdade com 1.600 hectares em Santa Vitória, o grupo detém 127 hectares de vi-

nha e 150 hectares de olival, produzindo alguns dos melhores produtos que saem do coração do Alentejo e que já podem ser adquiridos nos hotéis do grupo no Brasil, além de estar igualmente presente em vários supermercados em algumas cidades brasileiras. O objetivo é de alargar essa presença a Belém, ao Pará e genericamente a todo o Norte do Brasil. ‹

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› GRANDE PLANO Adenauer Góes, Secretário de Estado do Turismo do Pará

Pará acolherá de braços abertos o grupo Vila Galé Adenauer Góes, secretário de Estado do Turismo do Governo do Pará foi receber Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo português Vila Galé, ao aeroporto internacional de Belém, demonstrando com esse gesto a «grande importância que o Pará dá à visita do presidente da Vila Galé e ao forte incentivo que lhe damos para vir investir neste estado que é o “portão de entrada da Amazônia”. O Secretário do Turismo do Pará confere nesta entrevista exclusiva à País Económico as políticas seguidas pelo governo estadual para qualificar o turismo paraense e expandir as marcas Pará e Amazónia no país e no mundo. Nesse sentido, acredita o responsável pelo turismo paraense, «a cidade de Belém e o seu entorno tem tudo para agregar valor ao portfólio da Vila Galé no Brasil». TEXTO › JORGE ALEGRIA | FOTOGRAFIA › ARQUIVO Qual avaliação da visita do presidente do grupo Vila Galé ao estado do Pará?

Extremamente positiva, até porque o presidente Jorge Rebelo não conhecia o Estado do Pará e consequentemente não conhecia a Amazónia. E ao visitar a capital e, até alguns pontos fora do município de Belém, como é o caso de Santa Bárbara, ele pode constatar a diversidade daquilo que é oferecido tanto pela natureza quanto pela cultura paraense, que são sem dúvida nenhuma a melhor síntese da Amazónia. Estou convencido que este contato que teve com a cidade de Belém e o seu entorno, contribuíram muito para que o presidente possa antever a possibilidade de agregar valor ao portfólio daquilo que já é oferecido pelo grupo Vila Galé no Brasil com uma referência no Pará. O que o Governo do Estado do Pará fará para garantir que o grupo Vila Galé venha realmente a concretizar no futuro o investimento no estado do Pará?

O Pará tem uma forma muito clara um planejamento para o turismo como atividade econômica. O Estado vem investindo em infraestrutura, capacitação e marketing, no sentido de que esse desafio de dar ao estado uma compreensão na direção da econo-

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mia do turismo se fortaleça cada vez mais. Esse planejamento faz parte também do Pará 2030, que é o plano macro de desenvolvimento do Governo do Estado. A cadeia Turismo e Gastronomia receberá investimentos não apenas do governo estadual, mas também do governo municipal para agregarmos valor a essa natureza e essa cultura que fazem do Pará, a Obra-Prima da Amazónia, com o entendimento da importância que temos de podermos ter investimentos e investidores de fora do estado, participando nesse momento de crescimento do Pará. O que o Governo do Estado do Pará está a fazer para melhorar a situação geral da infraestrutura turística no estado e particularmente na capital?

Neste exato momento o Estado está prestes a inaugurar mais um produto turístico que é o Parque do Utinga. Um equipamento dentro de uma reserva ambiental, que vai dotar Belém de uma série de serviços ligados à natureza. Trilhas ecológicas, passeios de barco, pesca esportiva, turismo de aventura, contemplação de pássaros, entre outras atividades, serão oferecidas num parque ambiental de 1.600 hectares e que faz parte do município de Belém. Então, isso sem dúvida alguma, é mais um item que somará a todos aqueles que vem sendo gradativamente implementados, tornan-

do cada vez mais fortalecida a atividade turística em nossa cidade e estado. Estamos também incentivando muito, através de um programa chamado Voe Pará, o contato com as principais cidades, com os principais portões de entrada do estado dos nossos seis polos turísticos, a malha aérea regional. E também continuamos a incentivar a malha aérea nacional e internacional, tendo como meta principal a acessibilidade daqueles que nos visitam. Ainda faz-se necessário citar os dois centros de convenções que o Governo do Pará está construindo nas cidades de Marabá, no polo Araguaia Tocantins, e em Santarém, no polo Tapajós, que também são portões de entrada importantes no estado, bem como possuem boa acessibilidade aérea, assim como rede hoteleira estruturada para atender os segmentos de eventos, negócios e MICE. Importante ainda destacar a acessibilidade oferecida ao turista que pretende chegar ao Marajó com lanchas executivas e um novo ferry boat com serviços e conforto de alto padrão e qualidade.

na relação entre essas duas regiões, no caso entre o Pará e Portugal. A TAP facilitou a construção de uma verdadeira “ponte sobre o Atlântico”, o que garante a acessibilidade e a logística das pessoas. A vinda do grupo Vila Galé para se instalar no Estado do Pará com os seus equipamentos hoteleiros fortalecerá muito mais ainda esse laço de relação económica, até porque o Vila Galé tem um público fiel dos seus equipamentos em Portugal, e no Brasil isso não é diferente. Já se descortina aí uma possibilidade muito boa entre os hotéis Vila Galé que já existem no Brasil e uma extensão com uma unidade hoteleira no Pará, fazendo um roteiro sinérgico entre esses equipamentos.

Como observa a evolução da operação aérea da TAP entre Be-

Seguramente. Eu acho que o mundo dos negócios hoje não admite mais fronteiras que separem. Muito pelo contrário, são fronteiras que unem e no sentido de mão dupla. Não apenas isso propiciará uma relação entre investidores e de empresários de Portugal investindo aqui no Pará, como também os negócios paraenses se aproximarão de Portugal trazendo um resultado muito positivo para ambas as regiões. É bom lembrar que o grupo Vila Galé não possui apenas equipamentos hoteleiros, mas também possui produção própria na área dos vinhos e óleos, e o estado do Pará pode sim ser uma referência para esses dois produtos na região amazónica. ‹

lém e Lisboa? Considera que a possível vinda do investimento da Vila Galé para o Pará poderá reforçar as ligações semanais entre as duas capitais?

A evolução consolidando o percentual de ocupação dos assentos dos voos da TAP é vista por nós de uma forma muito positiva, mas que nós esperávamos que acontecesse até porque na realidade Belém é uma cidade extremamente lusitana, assim como o Pará é a melhor síntese da Amazónia Lusitana também com as suas cidades-irmãs. Então, respira-se o ar lusitano em Belém e no Pará, o que fortalece sem dúvida alguma o aspecto cultural

Se concretizar-se um investimento do Vila Galé no Pará, acredita que poderão vir atrás outros investimentos portugueses na área hoteleira para o Pará?

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› GRANDE PLANO

O Emmanuel Athayde, Vice-Presidente Executivo da MB Capital, Adenauer Góes, Secretário de Estado do Turismo do Pará, Jorge Rebelo de Almeida, Presidente da Vila Galé, Pedro Tremura, Diretor Comercial da MB Capital, Nilson Santos, Prefeito de Santa Bárbara, além de outro membro desta prefeitura.

Grupo MB Capital deu mais um passo para firmar parceria com o grupo Vila Galé

Resort de Santa Bárbara em análise

Grupo MB Capital é presentemente um dos mais dinâmicos e qualificados grupos empresariais, não apenas do estado do Pará, mas de toda a Amazónia. Liderado pelo empresário Márcio Bellesi, o grupo tem a sua sede em Belém, e desenvolve uma intensa atividade na área do real estate, com empreendimentos construídos que marcam indelevelmente a paisagem urbana e social da capital paraense, assim como de alguns outros municípios do estado, como acontece com os casos de Paragominas e Castanhal, onde desenvolve importantes projetos na área dos shoppings.

Detendo já um acervo importante na construção de unidades hoteleiras na cidade de Belém, que são geridas pela marca Tulip Inn, o grupo MB Capital pretende agora erigir o seu maior e mais arrojado projeto turístico, o resort de Santa Bárbara, localizado no município com o mesmo nome, e localizado a apenas 38 quilómetros da cidade de Belém. A País Económico foi o único órgão de comunicação social a acompanhar a visita que os responsáveis da MB Capital e da Vila Galé, acompanhados pelo Secretário do Turismo do Pará, Adenauer Góes, e do Prefeito de Santa Bárbara, Nilson Santos, fizeram

Depois de uma primeira reunião que decorreu em Fortaleza no passado dia 28 de novembro, agora foi a própria sede da MB Capital, em Belém, a receber o empresário português Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé. O líder do segundo maior grupo hoteleiro português acedeu ao convite da MB Capital para se deslocar ao Pará para conhecer a área onde o grupo liderado pelo empresário Márcio Bellesi pretende avançar com um resort turístico, localizado no vizinho município de Santa Bárbara, a apenas 38 quilómetros de Belém, a capital do Pará. A País Económico acompanhou a visita que o presidente da Vila Galé fez à área do resort de Santa Bárbara, uma área de grande beleza ambiental, mesmo em frente à Ilha do Mosqueiro. Considerando a visita muito positiva, o vice-presidente executivo da MB Capital, Emmanuel Athayde, acredita que as duas partes voltarão a sentar-se muito brevemente para avançar de forma decisiva na formatação dessa parceria, que deverá passar pela construção de um hotel Vila Galé no resort de Santa Bárbara, «embora possamos naturalmente também analisar outras possibilidades de parcerias conjuntas no Pará e no Brasil», salientou o responsável do grupo empresarial que é líder no real estate na Amazónia. TEXTO › JORGE ALEGRIA | FOTOGRAFIA › CEDIDAS PELA MB CAPITAL 12 › PAÍS €CONÓMICO | Maio 2017

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› GRANDE PLANO

Projeto Multiserviços Collection

à área de 400 hectares onde será construído esse resort, numa área preservada e de grande beleza ambiental, mesmo em frente à Ilha do Mosqueiro, o local por excelência de férias e de fim de semana dos habitantes de Belém. Com uma frente de dois quilómetros de rio e outros dois quilómetros da rodovia principal que liga Belém à Ilha do Mosqueiro, a área do futuro resort turístico possui todas as condições para ali ser construído um conjunto de equipamentos turísticos que

poderão constituir a maior referência turística de todo o Norte do Brasil, e mesmo do próprio país. Santa Bárbara – o resort do Norte do Brasil Segundo Emmanuel Athayde, vice-presidente da MB Capital, que liderou a visita à área do futuro resort, num percurso feito através de uma embarcação fluvial, « o projeto Reserva Santa Bárbara constituirá um grande complexo imobiliário e turístico, que contemplará equipamentos como um parque temático, marina, pista de pouso, equipamentos de desporto, hotel, unidades imobiliárias unifamiliares e multifamiliares, além de uma ampla oferta de serviços e lazer, com segurança e infraestrutura a condizer com o que exige a vida moderna nos dias de hoje». Este megaprojeto deverá implicar um investimento global na ordem dos 600 milhões de reais (cerca de 181 milhões de euros) e deverá criar cerca de 10 mil empregos. O projeto foi desenvolvido numa parceria com o arquiteto Fábio Mello e a IMAGIC Brasil, que constitui a maior empresa de arquitetura de conteúdo da América Latina, com sede em São Paulo, mas que também possui delegações em Lisboa e no Porto, ambos em Portugal. No entanto, segundo o vice-presidente do grupo MB Capital, «o VGV (Valor Global de Vendas) estimado para o empreendimento, apenas no tocante ao desenvolvimento imobiliário, ou seja, desconsiderando as receitas com hotel, restaurantes, clube, marina e serviços em geral, alcançará quase dois biliões de reais (cerca de 606 milhões de euros), para o desenvolvimento total em prazo estimado entre 10 a 20 anos, com início previsto já para 2018, com o lançamento da primeira fase. O licenciamento ambiental

está em fase final para emissão da Licença Prévia, tendo sido já cumpridas todas as fases que constituem a mais completa forma de aprovação ambiental no Brasil, que se dá através do processo conhecido como EIA RIMA, concedendo assim maior segurança ao seu desenvolvimento. Ainda no domínio hoteleiro, o grupo MB Capital está também a construir uma nova unidade hoteleira na cidade de Belém, em

local muito próximo da Praça da República, a principal praça da capital do Pará, onde sedia o célebre Theatro da Paz. Previsto para ser ocupado pela marca Holiday Inn – o que não é uma certeza, apurou a País Económico – a unidade poderá estar operacional dentro de um ano, e terá 132 quartos, e marcará certamente um novo point para o segmento corporate na capital paraense. No campo dos shoppings centers, além dos projetos atualmente em construção – Paricá Paragominas e Modelo Castanhal – o grupo MB Capital possui também um grande projeto para construção na própria capital do Pará, o Shopping Center Belém, que ajudará a revitalizar a área central da cidade de Belém, qualificando a sua estrutura social, comercial e de emprego. Finalmente, em parceria com a Quadra Engenharia, a MB Capital prepara para lançar agora em maio o projeto Collection, um complexo multiusos com praticamente 70 mil metros quadrados de área construída. ‹

Futuro Hotel Holiday Inn, em construção 14 › PAÍS €CONÓMICO | Maio 2017

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› GRANDE PLANO

Cidade de Belém aposta no turismo e na gastronomia

A

cidade de Belém, enquanto uma das principais portas de entrada para a Amazónia, aposta cada vez mais no turismo e na gastronomia enquanto fatores diferenciadores da oferta turística da capital paraense. Recebido na Prefeitura de Belém pelo vice-prefeito Orlando Reis, além de vários técnicos do município, o presidente do grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, ficou informado da política seguida pela entidade municipal de Belém para atrair investimentos turísticos, além de perceber a existência de um conjunto de edifícios que poderão constituir alternativa para receber um hotel da marca no Pará. A cidade de Belém conta presentemente com 87 hotéis, 6.103 apartamentos turísticos e 14.328 leitos. Apostando nas belezas naturais de uma cidade fundada pelos portugueses há 401 anos (12 de janeiro de 1616), a Prefeitura está a desenvolver um projeto de roteiro gastronómico que percorrerá várias ruas do centro histórico de Belém, e que mostrarão o melhor de uma das gastronomias brasileiras reconhecidas nacional e internacionalmente como original e autêntica. A par desse projeto, segundo Orlando Reis, «a Prefeitura de Belém aposta também na requalificação do património histórico e edificado do centro da cida-

Adnan Demachki, Secretário do Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Governo do Pará, Senador Flexa Ribeiro, e Ministro Eliseu Padilha, em reunião em Brasília

Ferrovia Paraense (Fepasa) quer revolucionar transporte de cargas no Pará e Norte do Brasil Orlando Reis, Vice-Prefeito de Belém, entrega a Jorge Rebelo de Almeida, Presidente da Vila Galé, a medalha comemorativa dos 400 Anos da Cidade de Belém.

de, e acreditamos que existem vários edifícios com potencial para poderem no futuro acolherem um hotel Vila Galé na nossa cidade, o que será muito importante para o turismo da nossa capital e para o Pará». Jorge Rebelo de Almeida, que recebeu das mãos do Vice-Prefeito a medalha dos

Belém Porto Futuro Uma das zonas ribeirinhas da cidade de Belém a precisar de urgente requalificação é uma área pertencente à Companhia das Docas do Pará. Recentemente, o Ministro da Integração Nacional do Brasil, Helder Barbalho, esteve em Belém e apresentou o projeto que ficou conhecido como Belém Porto Futuro, e que pretende revitalizar toda essa área no que «constituirá uma grande intervenção urbana e turística, que vai beneficiar a população e os visitantes de Belém». No local, o promotor pretende erigir o futuro Museu do Círio. Segundo o responsável do governo federal brasileiro, as obras ainda deverão ter início no segundo semestre do presente ano. O investimento atingirá cerca de 150 milhões de reais. ‹

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400 anos da cidade de Belém, agradeceu a receção e sublinhou o interesse potencial do grupo Vila Galé em poder no futuro instalar uma unidade hoteleira em Belém, pois acredita que a capital do Pará possui oportunidades e potencial para agregar valor ao portfólio do grupo no Brasil e a nível global. ‹

Um projeto vital para o Brasil

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igar a cidade de Santana do Araguaia, no sul do Pará, até Barcarena, onde se encontro o principal porto do estado, na distância de 1.316 quilómetros, atravessando uma área de 23 municípios, constitui o maior e mais ambicioso projeto a desenvolver pelo Governo do Pará. Liderado por Adnan Demachki, Secretário do Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do governo paraense, que preside também o Comité Gestor de Parcerias Público-Privadas do Estado do Pará, o projeto foi apresentado à sociedade paraense no passado dia 27 de março, além de que o membro do governo do Pará esteve recentemente em Brasília para discutir o projeto com os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, responsável pelo Programa de Parcerias de Investimentos. Concebido pela empresa Pavan Engenharia, a Fepasa poderá implicar um investimento na ordem dos 14 biliões de reais (cerca de 4,242 mil milhões de euros) e gerar cerca de38 mi empregos diretos e indiretos durante a execução da obra. Segundo explicou em reunião com empresários, industriais, prefeitos e dirigentes de várias entidades que se reuniram na Associação Comercial do Pará, em Belém, Adnan Demachki sublinhou que «estamos cada vez mais próximos de termos um corredor viário competitivo, que será estruturante para o Pará e para o Brasil». Na mesma ocasião, Kleber Menezes, Secretário dos Transportes do Governo do Pará, adiantou que «vimos aqui empresas do agronegócio

e da mineração declarando que querem se utilizar da ferrovia para o transporte das suas cargas. Isso é mais uma prova concreta que fomos precisos ao apostar no desenvolvimento deste projeto». Entretanto, na reunião em Brasília com os dois ministros do governo brasileiro, foi sublinhado pelo Senador Flexa Ribeiro, eleito pelo Pará, que o projeto da Fepasa é mais completo e de maior dimensão no estado do Pará do que o projeto apresentado pelo próprio Governo Federal da construção da designada Ferrovia Norte-Sul, «pois não integra todo o território paraense. Ao contrário, o projeto Fepasa liga o extremo norte do estado ao limite sul do Pará, por isso esta ferrovia será tão importante para o estado e para o próprio Brasil, haja em vista que terá capacidade de escoar os grãos da região Centro-Oeste em direção ao porto de Vila do Conde, no Pará», enfatizou o senador paraense. No final desta reunião na capital brasileira, ambas as partes consideram que talvez valha a pena discutir a possibilidade de se unirem os dois projetos – Norte-Sul e Fepasa – que se uniriam no município de Rondon do Pará, sendo estendida pelo governo estadual até o porto de Vila de Conde, em Barcarena. De referir que o projeto da Ferrovia Paraense prevê também a criação de um porto multicarga em Colares, no nordeste do estado do Pará, visto que possui condições para receber navios de grande capacidade, em virtude de possuir um calado mais profundo e um condomínio industrial portuário. ‹

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› GRANDE PLANO Marivaldo de Melo, Presidente do Banco da Amazónia

Apoiamos todos os bons investimentos na Amazónia O Banco da Amazónia é a principal entidade financeira responsável pela aplicação dos recursos nacionais canalizados para ajudar no desenvolvimento na região Norte e na Amazónia brasileira. Marivaldo Gonçalves de Melo, é o presidente do Banco da Amazónia, e nesta entrevista concedida em exclusivo à País Económico, traçou as principais linhas estratégicas em que a instituição têm apostado para concretizar o apoio ao desenvolvimento amazónico, nomeadamente no que respeita aos investimentos para aproveitar as principais potencialidades da região. O agronegócio, o minério e o turismo, constituem setores que o presidente do banco considera de importância estratégica «e para os quais o Banco da Amazónia está absolutamente preparado para responder de forma muito eficaz a todos os que pretendam investir na Amazónia, aumentando e melhorando as suas produções, com sustentabilidade e equilíbrio ambiental», até para ajudar uma região do mundo que é uma das suas principais marcas – a Amazónia. TEXTO › JORGE ALEGRIA | FOTOGRAFIA › CEDIDAS PELO BANCO DA AMAZÓNIA O ambiente económico nacional mostra um cenário macro-económico de relativa melhoria, de que possivelmente a recessão económica mais profunda dos últimos anos já passou. Na qualidade de presidente do Banco da Amazónia, sente também um melhor ambiente para os negócios e o investimento no Brasil?

Na verdade o ambiente económico nacional mostra claramente que está a melhorar, e o exemplo mais recentemente que poderemos apontar é o da diminuição da taxa de referência dos jutos para os empréstimos bancários, a designada taxa Selic, que acabou de diminuir um ponto percentual, precisamente de 12,25% para 11,25%. Naturalmente que continuam a existir dificuldades em alguns setores económicos, mas existem outros que estão claramente num ritmo de retomada na sua atividade e nos resultados conseguidos, além de que o agronegócio continua a registar performances muito boas e a mostrar claramente que o Brasil possui setores onde pode ser perfeitamente competitivo ao nível mundial. A Amazónia também vive esse clima de retomada da sua economia?

Concerteza. O desafio da Amazónia é produzir mais, mas com sustentabilidade, com equilíbrio ambiental, agregando valor ao que a região produz. O Banco da Amazónia tem realizado um trabalho profícuo no sentido para assegurar que esse princípio do aumento da capaci-

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dade produtiva da região aconteça, mas com um grau de sustentabilidade também muito mais forte. Este ano, a região amazónica já deve registar um crescimento da sua economia, ainda que ligeiro, mas que já se vai sentir, crescimento esse que deverá acelerar no próximo ano para um valor que estimamos que se possa situar entre os 2 e os 2,5%. É preciso agregar valor à produção na AmazónIa O agronegócio e o setor mineral são os motores principais da economia da Amazónia. Mas, dizem alguns analistas que esses mesmos setores, assim como outros, precisam de agregar mais valor ainda na própria região, para que as suas mais-valias fiquem na Amazónia. Como é que o banco que dirige observa essa questão?

Os setores que referiu são indiscutivelmente os dois grandes pilares atuais do desenvolvimento económico da Amazónia, e muito particularmente no estado do Pará, onde a componente mineral é muito forte e importante. Mas, é como referiu. É preciso realizar um trabalho para agregar mais valor às nossas produções e, dessa forma, consigamos ficar com rendimentos mais elevados do valor final dessas produções. Dito de outra forma, necessitamos realizar investimentos na transformação e valorização de muitas das nossas produções amazónicas, para que a riqueza gerada pela sua comercialização fora das fronteiras regionais fique em grande

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› GRANDE PLANO espaço será possível a criação do dobro desse número, e sem que hajam novas desmatações, que constituem um dos grandes desafios que estão colocados à Amazónia.

Um banco moderno e eficiente

Para além desses apoios ao agronegócio, o Banco da Amazó-

O FNO – Fundo Constitucional de Financiamento do Norte – foi criado pela Constituição em 1988, e tem sido muito importante para garantir os recursos que ajudem a promover o desenvolvimento económico e social do Norte do Brasil. Apenas a partir desse fundo temos 4,6 biliões de reais para ajudarmos os projetos de investimento na região, dos quais cerca de dois biliões apenas no Pará. São recursos disponibilizados a uma taxa de juro inferior à taxa Selic. Devo referir que até esta altura, em todos estes anos, o Banco da Amazónia, enquanto entidade financeira responsável pela canalização e aplicação desses recursos na região, foi responsável pela aplicação de cerca de 23 biliões de reais no Norte do Brasil, fato que tem atraído muitos investidores do Centro e do Sul do país, bem como de diversos investidores estrangeiros.

nia também tem apostado em apoiar projetos nas áreas das infraestruturas, como rodovias, ferrovias, portos, entre outras?

O Banco da Amazónia tem apoiado diversos projetos, nomeadamente PPP’s, nas áreas da saúde, de rodovias ou transmissão de energia, como aconteceu recentemente com investimentos que levam energia do Amapá para o Amazonas. Outro exemplo, tem sido o apoio à prossecução de rodovias e portos que possam consubstanciar a realização do designado Arco Norte, que vai de Maritituba, no Pará, até Sinop, no Mato Grosso, e que tem por objetivo trazer as produções de grãos do Centro Oeste para os portos do norte do país, particularmente aqui no Pará, pois o país considera estratégico e facilitador das nossas exportações que elas se façam aqui pelas nossas estruturas portuárias, que estão muito mais próximas dos mercados consumidores da Europa, dos Estados Unidos e da própria Ásia, do que os portos do sul do país. O turismo deverá ser uma área estratégica de desenvolvimento O setor do turismo, considerado um dos mais promissores para o desenvolvimento da economia regional, até em virtude de aproveitar essa grande marca mundial que é a marca Amazónia, também tem merecido a atenção e apoio do banco?

medida na própria Amazónia, para as suas gentes e para as suas infraestruturas. O projeto da Cevital, em Marabá, no estado do Pará, onde a empresa cuja matriz é argelina, pretende construir uma unidade industrial com um investimento de 4,5 bilhões de reais, produzindo trilhos para ferrovias, será um dos projetos emblemáticos do que afirmei acima, ou seja, precisamos de projetos que façam a transformação, no caso do minério, mas poderia ser nos setores económicos, daquilo que poderá ser produzido a partir das matérias-primas extraídas no Pará e na Amazónia. Por exemplo, esse projeto da Cevital, criará cerca de 2.600 empregos diretos e indiretos. Precisamos de mais projetos deste nível, e de outros, que mesmo com menor escala, venham agregar valor à economia regional. O Banco da Amazónia está pronto a dar todo o seu apoio e a contribuir de forma positiva para que esses investimentos se concretizem na região amazónica. Em termos concretos, como é que o Banco da Amazónia tem atuado para apoiar e facilitar a concretização de investimentos na Amazónia?

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Como lhe referi anteriormente, o banco tem uma visão estratégica assente na necessidade de garantir o aumento da produção, mas sempre com sustentabilidade e equilíbrio ambiental. Não somos dos que sempre defenderam que nada poderia ser produzido na Amazónia porque isso poderia interferir com a qualidade ecológica da região. A Amazónia possui cerca de 27 milhões de habitantes, que precisam de aumentar os seus níveis de geração de renda e de emprego. Acreditamos que isso só acontecerá com novos investimentos que possam aproveitar as grandes potencialidades económicas e sociais da região, mas, insisto, sempre com sustentabilidade e equilíbrio ambiental. O banco tem investido os seus recursos apoiando os investimentos na região, por exemplo, os pequenos produtores e agricultores, a modernizarem as suas explorações, incluindo os níveis de tecnologia empregues nessas produções, na medida em que acreditamos que será possível produzirem mais e melhor sem necessidade de efetuarem novas desmatações, apenas utilizando áreas já desmatadas. Por exemplo, na Amazónia existem cerca de 17 milhões de cabeças de gado, mas acreditamos que no mesmo

Sem dúvida nenhuma. O Banco da Amazónia tem financiado nos últimos anos vários projetos hoteleiros, incluindo muitas reformas realizadas por ocasião da Copa do Mundo de 2014, pois é preciso não esquecer que Manaus, capital do Amazonas, foi uma das sedes desse grande evento que decorreu no Brasil, mesmo em todas as capitais da região apoiámos vários projetos de novos hotéis, tendo precisamente como pano de fundo aproveitar essa grande marca turística que é a Amazónia, e assim poder criar mais riqueza, gerando emprego e renda para os nossas gentes. Quais são os setores económicos mais interessantes para os investidores aplicarem os seus capitais e know how na região?

Para além dos já referidos setores do agronegócio e da extração mineral, destacaria a área do turismo, setor que gera bastante emprego e poderá trazer bastante mais renda à região. Como bem sublinhou, a marca Amazónia é talvez no presente a mais conhecida a nível mundial, e temos de saber potenciá-la e aproveitá-la. Naturalmente com sustentabilidade e equilíbrio ambiental. O Banco da Amazónia está disponível para continuar a apoiar investimentos nesse setor, com taxas de juro a rondar os 9%, logo inferiores às da Selic, que estão como já referi nos 11,25%, e tendo maturidades que poderão se estender até 20 anos. O que pretendemos é que hajam mais projetos e sobretudo bons projetos turísticos. Os investidores da área turística e hoteleira poderão ter a certeza de que o Banco da Amazónia dispõe de todas as condições para ser um bom parceiro e ajudar na concretização desses projetos.

Em que medida o FNO tem ajudado a desenvolver a região amazónica?

Quais são as condições essenciais para os investidores poderem aceder aos recursos do FNO?

Em termos gerais, é necessário que seja uma empresa de direito brasileira e em que o seu capital seja no mínimo brasileiro, ou seja, detido por pessoas com residência no Brasil. Naturalmente que existem exceções, nomeadamente em setores considerados estratégicos, como são o petróleo e o gás, onde se podem candidatar a esses recursos empresas que sendo de direito brasileira, são completamente detidas por capital estrangeiro. O que é que a Amazónia tem para fazer com que um investidor estrangeiro queira aqui investir?

Em primeiro lugar, as pessoas que habitam na região. O brasileiro em geral é acolhedor, mas penso que as pessoas da Amazónia ainda primam por receberem todos os que nos visitam de forma mais próxima. Por exemplo, acolhemos muito bem os portugueses, e continuamos a acolhê-los com uma simpatia muito forte, com um sentimento de irmandade muito intensa. Então, essa forma de ser e de estar é o primeiro capital da Amazónia para atrair os investidores nacionais e internacionais. Entendemos e acreditamos que existem perfeitas condições na região para fazer bons investimentos e deles retirar boa rentabilidade, com critérios de sustentabilidade e equilíbrio ambiental, criando riqueza, com geração de renda e de emprego. É isso que os cerca de 27 milhões de habitantes da Amazónia querem e desejam. O Banco da Amazónia está preparado para responder a esse desafio e a essa similar responsabilidade?

Tenho absoluta certeza de que a resposta é afirmativa e positiva. Temos, aliás, realizado um forte trabalho de modernização tecnológica de todas as estruturas do Banco da Amazónia, capacitando toda a entidade para responder cabalmente aos desafios que se lhe colocam, sobretudo no apoio ao investimento e desenvolvimento de toda a Amazónia. Neste momento atingimos cerca de 94% de todos os municípios da região, mas estamos a trabalhar para que brevemente possamos estar em toda a Amazónia, sem nenhuma exceção. ‹

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› NOTICIÁRIO

› A ABRIR

Primeira empresa industrial a se instalar no aeroporto de Beja

AeroNeo promete um tempo novo A AeroNeo, empresa portuguesa detida por capitais suíços (GreenParts Holding), será a primeira empresa industrial a instalar-se na área do aeroporto de Beja, onde pretende instalar uma

unidade de desmantelamento de aviões, além de valorizar ativos aeronáuticos em Beja, pelo que investirá cerca de oito milhões de euros e criará cerca de 30 postos de trabalho. Apostando num investimento onde se pretende ser “amigo do ambiente”, a AeroNeo fará a última fase da manutenção e desmantelamento de um avião, valorização, recertificação e reintrodução no mercado de peças, de reciclagem de outros componentes, como metais preciosos, bem como de formação especializada em aeronáutica. A empresa pretende desmantelar 8 aviões no seu primeiro ano de atividade, e cerca de 18 no seu quarto ano de operação. Nessa altura, o volume de negócios da empresa em Portugal deverá atingir cerca de 32 milhões de euros anualmente. ‹

Efapel cresceu em 2016

Continental investe 150 milhões em Famalicão A Continental Mabor vai investir até ao final de 2018 um total de 150 milhões de euros em Lousado, concelho de Famalicão. Desse valor, 100 milhões de euros serão investidos na expansão da fábrica de pneus ligeiros, enquanto os restantes 50 milhões de euros serão afectados à construção, já em curso desde o ano passado, da unidade de produção de pneus agrícolas. Os dois investimentos permitirão a criação de 200 novos postos de trabalho. Segundo Pedro Carreira, presidente da Continental Mabor, sublinhou que este investimento «só é possível porque o acionista continua a depositar a confiança na equipa de Lousado, que ao longo dos anos tem sabido enfrentar com compromisso os muitos desafios e são também uma forte motivação para continuarmos com a mesma atitude nos próximos anos». ‹

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A Efapel, maior fabricante nacional de aparelhagem elétrica de baixa tensão e líder de mercado em Portugal, fechou o ano de 2016 com vendas de 30,2 milhões de euros, um aumento de 8% em relação ao anterior exercício. Mais de 30% do valor alcançado corresponderam a vendas no mercado externo, designadamente em países da Europa, Médio Oriente e América Latina. A Efapel tem prosseguido a sua estratégia de crescimento nas suas infraestruturas, tendo iniciado já em janeiro do presente ano e com conclusão prevista para novembro próximo, a construção de um novo módulo que responde às necessidades da produção e da logística. Este é o quarto módulo da fábrica de Serpins, a que acresce ainda um polo situado na Lousã. ‹

JORGE REBELO DE ALMEIDA O Presidente do grupo Vila Galé está a expandir fortemente o grupo hoteleiro que lidera, com a construção de cinco novos hotéis em Portugal, além de uma outra unidade no Brasil. Mas, o empresário não desacelera e procura mais oportunidades de crescimento, tanto em Portugal como no Brasil. Ainda em abril esteve em Belém, capital do estado brasileiro do Pará à procura de novas oportunidades. Colocar um pé na Amazónia constitui um forte desejo e ambição.‹

Reinaldo Teixeira, administrador do Grupo Enolagest quer acelerar crescimento em Portugal

«Em 2017 queremos crescer a dois dígitos»

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Grupo Enolagest, com sede em Vilamoura, no Algarve, apresentou os resultados obtidos em 2016, tendo atingido um volume de negócios na ordem dos 32 milhões de euros, uma subida de 5% relativamente ao período homólogo de 2015. A previsão para 2017, segundo adiantou em abril o administrador do grupo, Reinaldo Teixeira, será o de crescer a dois dígitos, possível de atingir «em função das alterações introduzidas na gestão e objetivos das empresas, que vão alavancar e potenciar a conjuntura económica positiva que se verifica no Turismo e no Turismo Residencial e na atividade imobiliária que lhe está associada». O Grupo Enolagest é composto por 38 empresas, no qual a principal e mais conhecida é a Garvetur. Segundo Reinaldo Teixeira, o grupo está apostado na «melhoria da qualidade dos serviços complementares prestados aos nossos clientes em diversas áreas ligadas à imobiliária, como a exploração e rentabilidade do imóvel, ou ainda a decoração interior e exterior, renovações e remodelações dos imóveis, tal como aconselhamento jurídico, além de disponibilizar soluções na certificação energética aos nossos proprietários». Ainda segundo o gestor responsável pelo grupo Enolagest, é nessa perspetiva que se enquadra a aposta em ativos estratégicos, designadamente o projeto Algarve Cluster Multiusos, aprovado como de interesse regional e em fase de desenvolvimento do Plano de Pormenor de Desenvolvimento Económico., um investimento de 300 milhões de euros e que prevê vir a criar 2000 postos de trabalho diretos e indiretos, localizado no nó da Via do Infante que dá acesso a Loulé, Vilamoura e Quarteira. Reinaldo Teixeira referiu num encontro com a imprensa que «estão já em curso negociações com promotores internacionais de parques temáticos, designadamente em França». ‹

ARMANDO ABREU O Presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal no Ceará acreditou que será possível levar mais empresas portuguesas para o Ceará, e vai concretizar em meados de junho, em parceria com a CCIP, uma missão empresarial portuguesa àquele estado do Nordeste brasileiro, um dos estados com maiores oportunidades de investimento e de negócios no Brasil. ‹

JOÃO LEÃO O Vice-Governador da Bahia acreditou na viabilidade técnica e financeira da construção da futura ponte SalvadorItaparica, que arquitetonicamente se inspirou na portuguesa Ponte Vasco da Gama, e já conseguiu convencer empresas chinesas a avançarem. Falta agora convencer o governo federal a investir, o que está quase. Pode ser que alguma empresa portuguesa possa se associar ao projeto. ‹

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› GRANDE ENTREVISTA Victor Rodrigues, Administrador da Safira Facility Services

«Diferenciamo-nos pela qualidade das nossas Pessoas e Serviços» A SAFIRA Facility Services iniciou a sua atividade em Janeiro de 2000, tem a sua sede em Milheirós, Maia e em 2015 foi adquirida a cem por cento pelo prestigiado Grupo Francês Derichebourg. O Grupo é um operador internacional de dimensão à escala mundial, reconhecido pelo seu profissionalismo, competência e experiência e que na globalidade movimenta negócios que rondam os 2000 milhões de euros por ano. Em entrevista concedida à PAÍS €CONÓMICO, Victor Rodrigues, Administrador da Safira diz que o grande pilar de sustentabilidade da sua empresa é a aposta consciente e continuada nos seus recursos humanos e a prestação de serviços de suporte de grande qualidade. «A importância que damos ao valor humano é o grande factor de sucesso da nossa empresa», sublinhou Victor Rodrigues, luso-descendente e homem de confiança do Grupo Dericheboug que quer ver a Safira cada vez mais forte numa área onde em Portugal já é o segundo maior operador.

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TEXTO › VALDEMAR BONACHO

| FOTOGRAFIA › CEDIDAS PELA SAFIRA

SAFIRA iniciou a sua atividade em Janeiro de 2000, e desde então consolidou a sua presença no competitivo mercado dos Facility Services. É neste momento o segundo maior operador a atuar nesta área em Portugal. Abriríamos esta entrevista a Victor Rodrigues, Administrador da Safira, perguntando-se quais têm sido os pilares fundamentais que têm contribuído para a sustentabilidade e consolidação deste importante projeto. O jovem gestor nascido em Meudon, arredores de Paris há 44 anos, filho de pais portugueses, não hesitou na resposta. «A atividade principal da Safira é a prestação de serviços. Sendo assim, a qualidade do seu serviço está sempre associada à qualidade dos seus recursos humanos, dos seus “braços humanos”. Direi que o grande pilar da Safira tem sido a grande aposta que vem fazendo nos seus recursos humanos, nas suas Pessoas. E direi também que o grande factor de sucesso da nossa empresa assenta na importância que damos ao valor humano», destacou Victor Rodrigues que, ainda a este propósito disse que a Safira está atenta às evoluções deste sector, quer seja ao nível do serviço prestado pelos seus colaboradores, quer ao nível dos produtos químicos, equipamentos, tecnologias e processos. A atuação da Safira «Estamos nos vários setores de atividade do nosso País, temos uma presença muito forte na Indústria, no Setor Hospitalar, Hote-

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leiro e de Lazer, em Centros Comerciais, Super e Hipermercados, pela reconhecida qualidade e profissionalismo dos nossos serviços. Somos um parceiro de confiança que se adapta às necessidades e particularidades de cada cliente.» Questionado sobre o facto da Safira atuar com muita frequência em Centros Comerciais e Hipermercados respondeu: «os clientes desta área têm vários desafios e necessitam de uma empresa como a Safira que reaja rapidamente às suas necessidades. Precisam de um parceiro com capacidade de adaptação, flexibilidade e rapidez para prestarem eles próprios também um bom serviço aos seus Clientes. É pelo reconhecimento da nossa qualidade nestas características que continuamos a aumentar a nossa carteira de clientes neste e nos restantes sectores. São Clientes que chegam até nós de uma forma natural, por verem que têm na Safira um parceiro de negócios com quem podem contar», disse o Administrador da Safira. «Pretendemos estar sempre um passo à frente para servir melhor os nossos Clientes», deixou bem sublinhado o Administrador da Safira, salientando que ao longo do seu percurso de 17 anos esta empresa de Milheirós, Maia, tem também demonstrado uma grande capacidade para se adaptar na perfeição às constantes mudanças no sector. «Vivemos num mundo em constante mutação, mas se uma empresa tiver (como é o caso da Safira) bons recursos humanos, bons colaboradores, essa adaptação à mudança torna-se muito mais fá-

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› GRANDE ENTREVISTA cil», reforçou Victor Rodrigues, para dizer ainda que «o respeito pelo valor humano está sempre presente nas nossas preocupações». A 31 de Agosto de 2015 a Safira foi adquirida na totalidade pelo grupo francês Derichebourg que até então já era detentor de 49% do capital social da Safira. Em 2015, a Safira registou um volume de negócios de 35 milhões de euros, em 2016 subiu a sua faturação para os 37 milhões de euros e em 2017 (tudo leva a crer) que manterá este valor. Procurar ter recursos humanos motivados Com esta aquisição, o que é que mudou na Safira em termos de estratégia? Victor Rodrigues não se esquivou à pergunta. «Como referiu, o grupo Derichebourg já detinha 49% do capital social da Safira e, como tal, já era um parceiro estratégico e económico da Safira. Por esta razão não foi necessário realizar profundas mudanças. Aquilo que posso evidenciar é a vontade conjunta de dar uma nova vida à Safira, um novo impulso para crescer. Esta aquisição permitiu acima de tudo uma oportunidade para aproveitarmos as sinergias de grupo Derichebourg, a sua experiência nos 14 países onde atua e tornar a Safira cada vez mais profissional e mais “bonita”…», evidenciou Victor Rodrigues.

Uma empresa como a Safira que procura diferenciar-se no mercado pela elevada qualidade dos seus serviços, naturalmente que tem de reunir à sua volta um conjunto de recursos humanos à altura dessas exigências. Safira é uma grande Família Procurando situar-se nesta importante questão, o Administrador da Safira diz que para responder a essas exigências a sua empresa aposta todos os dias no valor humano e na qualidade das pessoas que «trabalham nesta grande Família». «Damos lugar a quem tenha a cabeça organizada, “bem-feita” e não a quem tenha a cabeça “bem cheia”. Aqueles que têm a cabeça “bem feita” e motivada terão sempre lugar e oportunidades para crescer na nossa empresa. Por outro lado, as novas tecnologias dão-nos a possibilidade de criar várias ferramentas que nos permitem tornar as nossas atividades mais eficientes e melhorar o nosso serviço quer ao nível da qualidade, da relação com os nossos clientes e da formação dos nossos colaboradores», frisou

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Victor Rodrigues, aproveitando para sublinhar também que «os nossos embaixadores (vou chamá-los assim) são aqueles nossos 5000 colaboradores que se levantam diariamente e que vestem a camisola da Safira. Se um dia destes, esses nossos colaboradores não se levantassem e não enfrentassem as suas tarefas com entusiasmo, profissionalismo e com vontade de defenderem o significado que tem hoje no mercado a marca Safira, o sucesso que beneficiamos hoje era de todo impossível», realçou o Administrador da Safira, afirmando ainda que respeita e admira todas as pessoas que trabalham na Safira. «Tenho um respeito e uma admiração muito especial pelos trabalhadores de limpeza…». Fortes investimentos na Formação Uma empresa como a Safira que agrega cerca de 5000 colaboradores tem, seguramente, de investir bastante na formação e qualificação dos seus recursos humanos. E isso acontece. «A Safira investe anualmente em planos de formação muito ambiciosos. Direi que cerca de 4% desse investimento é em formação

para a estrutura indireta, sendo os restantes 96% da formação que ministramos destinada aos nossos trabalhadores e encarregados de limpeza», esclareceu Victor Rodrigues, lembrando que a Safira é uma empresa certificada em Formação e que dispõe de recursos humanos que internamente se dedicam a ministrar formação aos seus operacionais nos locais onde prestam serviço. «Optámos por este modelo por vários motivos, pretendendo acima de tudo que todos os nossos colaboradores beneficiem dessa formação. E devo dizer que a formação ministrada no local de trabalho tem-se verificado mais eficiente, quer ao nível da prestação do serviço, quer ao nível da segurança de cada um dos colaboradores», deixou claro Victor Rodrigues. A forma e dinâmica do grupo Derichebourg O facto da Safira ter com parceiro estratégico de negócios o prestigiado grupo francês Derichebourg, operador internacional de reconhecida dimensão nos mais diversos sectores de atividade, incluindo a prestação de serviços de higiene e limpeza não só

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› GRANDE ENTREVISTA

em França como em vários países da Europa (França, Portugal, Espanha, Inglaterra e Alemanha), América (EUA, México e Canadá) e África (Marrocos), entre outros, e ser um grupo fortíssimo à escala mundial, reconhecido pelo seu profissionalismo, competência, dinamismo e elevado know-how, com negócios globais que rondam os 2000 milhões de euros por ano e empregando cerca de 38 mil pessoas, facilita de certo modo a implementação da Safira? Victor Rodrigues ouve-nos com muita atenção, lembrando que a Safira é de origem portuguesa e que sempre tem estado implementada em Portugal.

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«Mas a grande experiência que tem o grupo Derichebourg permite-nos o know-how em tarefas que nos possibilitam responder aos nossos Clientes no que respeita, por exemplo, a serviços que a Safira não tinha no seu portefólio aqui em Portugal», salienta o Administrador da Safira, para acrescentar. «Aproveitamos esta sinergia para assim podermos melhorar a nossa parceria com os nossos Clientes, uma vez que deste modo poderemos contribuir para ajudá-los em problemas que surjam em outras áreas não contratadas à Safira, sem intenção comercial, mas apenas (e só) embuídos num espírito de equipa», sublinhou Victor Rodrigues.

Filho de portugueses, Victor Rodrigues, questionado sobre a sua adaptação à atual realidade portuguesa, começou desde logo por nos dizer que já conhecia Portugal e os seus costumes. «Só que agora a realidade económica portuguesa é diferente. Portugal é um país cheio de potencialidades, que oferece muitas oportunidades e onde há muito por descobrir e inventar. O mundo mudou, e Portugal também se tornou mais atrativo em variadíssimos aspetos, tanto ao nível do Turismo onde o desenvolvimento é bem visível, como ao nível do tecido empresarial», observou o nosso entrevistado, para a este propósito dizer ainda que também se nota que em termos culturais existe uma mudança cada vez mais acentuada, nomeadamente e de forma mais vincada ao nível das novas gerações. «E noto com muito agrado o aumento (que existe) na importância do capital humano», reforçou Victor Rodrigues, negando que com a aquisição da Safira na sua totalidade pelo grupo Derichebourg tenha originado para esta empresa da Maia algumas perdas de clientes. «Muito pelo contrário. A Safira já fazia parte do grupo Derichebourg, que já era um parceiro conhecido e integrado na estratégia da Safira, pelo que esta aquisição não sofreu os conflitos que estamos habituados a ver nas aquisições por empresas totalmente diferentes. Foi, no fundo, uma extensão da parceria já existente…», conclui Victor Rodrigues que, para além de competente gestor, é também um desportista nato, amante das corridas de automóvel e dos

combates de boxe. «Não sou profissional, pratico estes desportos de forma amadora, mas quando o faço gosto de representar a Safira e o Grupo Derichebourg. É uma satisfação enorme ter a oportunidade de os representar, e quando o faço (acreditem) faço-o empenhadamente e com gosto enorme», esclareceu o Administrador da Safira, adepto da Seleção Nacional Portuguesa, por quem vibrou entusiasticamente no decorrer no último Europeu de Futebol realizado em França e que acabou por ser ganho por Portugal num confronto emocionante com a seleção Francesa. «Naquele dia vibrei imenso com a vitória de Portugal. Até porque Portugal foi um justo vencedor…», reconheceu Victor Rodrigues, que a fechar esta entrevista à PAÍS €CONÓMICO deixa a seguinte mensagem aos seus clientes… «A marca Safira representa S de Serviço, S de Soluções, S de Segurança, S de Simplicidade, S de Sabedoria. Temos uma vontade diária de acompanhar todos os nossos Clientes, de fazer crescer as nossas parcerias, de inovar na relação com o Cliente deixando de ser uma relação apenas comercial mas antes ser uma parceria a todos os níveis. Queremos que os nossos Clientes contem connosco para colmatar as suas necessidades mas também resolver questões noutras áreas que a Safira possa não ter em Portugal mas que, com a ajuda do Grupo, poderemos ajudar a resolver.» «Desafiem-nos! Tentaremos dar sempre resposta a todas as solicitações. As necessidades e os problemas dos nossos Clientes são nossos também, não pouparemos esforços para ajudar». ‹

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› LUSOFONIA › Brasil Missão Empresarial Portuguesa ao Ceará de 18 a 22 de junho

Ceará é uma terra de oportunidades

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uma parceria conjunta entre a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) e a Câmara de Comércio Brasil-Portugal no Ceará, decorrerá entre os dias 18 e 22 de junho, uma missão de empresários ao estado brasileiro do Ceará. Segundo afirmou recentemente à País Económico Armando Abreu, presidente da CCBP-CE, «o objetivo será o de fomentar a atividade empresarial dos setores de energia, construção civil, imobiliário e turismo, agronegócio e alimentos e bebidas, educação e tecnologia e mobiliário». Ainda segundo os responsáveis da CCIP e da CCBP-CE, o Brasil e o Ceará em particular assistem a uma nova fase de recuperação económica, ainda que ligeira, «depois de dois anos de forte contração do PIB brasileiro», salienta Armando Abreu, pelo que as potencialidades e oportunidades são inúmeras e «que devem também ser aproveitadas pelos empresários portugueses, aliás como já aconteceu há pouco mais de dez anos quando o Ceará foi o segundo maior destino dos investimentos portugueses no Brasil, após o estado de São Paulo». ‹

Empresário cearense compra Vimeca Francisco Feitosa, conhecido empresário brasileiro do Ceará, comprou a Vimeca, empresa de transportes que opera na região da Grande Lisboa. Proprietário do Grupo Veja, que atua nos transportes públicos de Fortaleza, onde possui 320 veículos, avançou agora para a aquisição de uma empresa que em Portugal possui uma frota de 232 viatura e transporta diariamente 173 mil pessoas nos concelhos de Cascais, Oeiras, Sintra, Lisboa e Amadora. ‹

Banco do Brasil apoia investimento no Ceará O Banco do Brasil (BB) anunciou a disponibilização de 6.6 biliões de reais (cerca de dois mil milhões de euros) em crédito pré-aprovado para o financiamento de projetos de empresas cearenses clientes do BB. O pacote faz parte do acordo firmado entre o banco brasileiro e o governo do estado do Ceará, no Nordeste brasileiro. O Banco do Brasil, nos termos do acordo técnico firmado, atuará como agente financeiro preferencial para empreendimentos amparados por incentivos da Secretaria de Desenvolvimento Económico (SDE). Segundo Castro Júnior, superintendente do Banco do Brasil no Ceará, «foram feitas reuniões com o Governo do Estado para o alinhamento de estratégias entre ambos. Todos os projetos de interesse do Estado também terão relevância para o Banco do Brasil». Entre esses projetos estão a construção de galpões para empresas do setor do calçado e os polos industriais no Estado. O Governo do Estado e a FIEC prometeram divulgar as vantagens do acordo e os benefícios para as empresas em apresentarem os seus projetos de investimento no Ceará por esta via. ‹

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Banco do Nordeste quer financiar de aeroporto de Fortaleza O Banco do Nordeste (BNB) está interessado em financiar os investimentos da Fraport no Aeroporto do Fortaleza, anunciou Marcos Holanda, presidente do BNB, num evento do banco regional com sede em Fortaleza, no Ceará, onde anunciou o lançamento do programa FNE Infraestrutura, que prevê recursos da ordem dos 11,4 biliões de reais (cerca de 3.454 mil milhões de euros) para projetos estruturantes. Segundo o responsável máximo do BNB, «nós temos todo o interesse em financiar as concessões dos aeroportos de Salvador e Fortaleza. Estamos em conversas com a Vinci e a Fraport», adiantando ainda que o banco poderá ficar responsável pelo financiamento de 40% do montante que for investido em cada um dos aeroportos mencionados. Aliás, os responsáveis do BNB mostraram-se interessados em financiar a concretização (ou expansão) de outros projetos no Ceará, destacando-se a Companhia Siderúrgica do Pecém, o próprio Porto do Pecém, além de investidores chineses na área do cimento. «Estamos abertos a quaisquer tipos de áreas», sublinhou Marcos Holanda. ‹

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› LUSOFONIA › Brasil

África

Energias do Brasil cresce na distribuição

VistaWater reforça em Angola

A EDP – Energias do Brasil, detida a 51% pela EDP Portugal, comunicou que “obteve quatro lotes de concessão para construção e operação de linhas de transporte de eletricidade com uma extensão total de 1.184 quilómetros, incluindo três sub-estações”. As concessões localizam-se nos estados brasileiros do Maranhão (dois lotes), São Paulo/Minas Gerais e Santa Catarina/Rio Grande do Sul. O investimento da empresa ascenderá a 3.000 mil milhões de reais (cerca de 887,3 milhões de euros), dos quais 95% a executar no período de 2019 a 2021. Entretanto, em declarações ao jornal Estado de São Paulo, o presidente da EDP Portugal, António Mexia, elogiou o potencial do mercado brasileiro, referindo que o Brasil representa entre 15% e 20% dos resultados globais da empresa, além de que «o Brasil constitui, depois dos Estados Unidos, a nossa maior plataforma de crescimento», pelo que a empresa está «moderadamente otimista com a evolução do mercado e da nossa posição nesse mesmo mercado», onde a EDP investe anualmente cerca de mil milhões de reais. ‹

A VistaWater, empresa angolana detida pela portuguesa Indáqua em 45%, venceu o concurso para a exploração e gestão do sistema de abastecimento de água no Sumbe, cidade do sul de Angola, pelo período de um ano, no valor de 3,5 milhões de euros. A VistaWater está em Angola desde 2009 e apresenta várias valências na gestão de sistemas associados ao setor da água e saneamento. Segundo Enrique Castiblanques, CEO da Indáqua, «estamos muito satisfeitos com o reforço da nossa operação em Angola, uma vez que se trata de um mercado estratégico para o desenvolvimento internacional da Indáqua». ‹

Portugueses gastam mais no Brasil

CentroOeste recebe investimentos

Os portugueses que viajaram ao Brasil no ano passado gastaram mais 22,8% do que no ano anterior, ou seja, gastaram mais 4,23 milhões de euros do que em 2015. Entre os 13 destinos com dados publicados pelo Banco de Portugal, apenas a Bélgica, Luxemburgo e Holanda, registaram valores percentuais mais elevados do que o Brasil relativamente ao aumento dos gastos dos portugueses no estrangeiro. Por outro lado, os brasileiros corresponderam com um crescimento de 38,8% nos dois primeiros meses de 2017, superando os crescimentos registados com a demanda de italianos (22,1%), americanos e irlandeses (20,3%) e franceses (14,9%). Aliás, o crescimento turístico em Portugal foi sublinhado pelo destaque de que o número de hóspedes na hotelaria portuguesa ter ultrapassado em fevereiro, um mês de época baixa, a fasquia de um milhão. ‹

O Ministério da Integração Nacional, por intermédio do ministro Helder Barbalho, anunciou que os investimentos do governo federal na região do Centro-Oeste, deverá atingir este ano cerca de 10 biliões de reais (cerca de 3,3 mil milhões de euros), tendo por objetivo ampliar oportunidades de investimento e estimular o desenvolvimento das atividades económicas na região. O ministro brasileiro acentuou na sua intervenção que decorreu em Goiânia, capital do estado de Goiás, uma atenção muito especial para o apoio a projetos que beneficiem a agricultura familiar, além de projetos que estimulem os investimentos das grandes empresas na região. Na repartição de recursos, o Distrito Federal (onde se localiza Brasília) poderá receber 1,93 biliões de reais, Goiás cerca de 2,94 biliões de reais, Mato Grosso também 2,94 biliões de reais, e finalmente Mato Grosso do Sul cerca de 2,33 biliões de reais. ‹

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› LUSOFONIA

It peers reforça no Brasil A It peers, empresa portuguesa na área das Tecnologias da Informação, está presente no mercado da América Latina desde 2013, mas recentemente estabeleceu uma parceria comercial com a Kal TI, empresa de São Paulo, reforçando por essa via a sua presença no Brasil. A parceria foi estabelecida através da oferta do Multipeers, uma ferramenta inovadora de colaboração que aumenta o rendimento e a eficácia de qualquer negócio, pois permite ter toda a informação empresarial no desktop ou mobile e a definição de alertas. ‹

Cosec apoia empresas portuguesas em Angola O governo angolano aprovou a inserção de três contratos públicos com empresas portuguesas, no valor de mais de 155 milhões de euros, na linha de crédito e seguro à exportação portuguesa Cosec, visando dessa forma garantir a continuidade dos projetos. Um desses contratos envolve a construção pela Conduril da ponte sobre o rio Mbridge, na província do Zaire, inserida na autoestrada Nzeto/Soyo, no valor de 103 milhões de euros, um segundo com a construtora Telhabel, para a reabilitação de 86 quilómetros da Estrada Nacional 230, no valor de 27,1 milhões de euros, e finalmente o terceiro contrato, igualmente com a Telhabel, para a reabilitação de 93 quilómetros da Estrada Nacional 103, no valor de 24,9 milhões de euros. ‹

Sumol+Compal investe na Costa do Marfim A Sumol+Compal investiu meio milhão de euros na adaptação de uma unidade industrial na Costa do Marfim, que abriu no passado mês de novembro naquele país africano. Segundo José Jordão, administrador da empresa, «pensamos em Angola, Moçambique, África do Sul, onde já entrámos, e agora na Costa do Marfim, onde começámos a produzir Sumol». O responsável admitiu ainda estar a olhar para o potencial dos mercados dos Camarões e da Etiópia. ‹

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› EMPRESARIADO José Alberto Pessoa, Presidente da Cadimarte – Construções

«Somos uma empresa inovadora e de grande dinamica empresarial» A CADIMARTE – Construções tem a sua sede em Cadima, freguesia do concelho de Cantanhede, e foi fundada em 1989. Pelas mãos de José Alberto Pessoa e bem apoiada por um staff bem qualificado em termos técnicos e profissionais, esta empresa com atividade direccionada para a construção, intervindo em empreitadas para os sectores público e privado e no sector imobiliário, cedo se guindou a um patamar de referência, sendo hoje uma empresa de grande cunho inovador, com uma identidade e cultura próprias, que tem vindo a consolidar o seu espaço a nível nacional e já iniciou o seu processo de internacionalização com Cabo Verde onde está presente com a Cadimarte Cabo Verde, tendo na mira outros mercados como Cuba e Brasil que poderão vir eventualmente a arrancar a médio prazo. Em entrevista que concedeu à PAÍS €CONÓMICO, José Alberto Pessoa, CEO e Presidente da Cadimarte – Construções congratulou-se com o crescimento sustentado que a sua empresa tem vindo a registar ano após ano, e não disfarçou a sua grande satisfação perante os resultados que está a prever para este ano. «A nossa previsão é que em 2017 a nossa faturação atinja os 10 milhões de euros, ou seja, que venhamos a ter um crescimento de 100 por cento em relação ao ano anterior», sublinhou José Alberto Pessoa, que atribui grande parte deste sucesso à dedicação, empenho, lealdade, transparência e responsabilidade dos mais de

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100 colaboradores diretos que todos os dias vestem a camisola da Cadimarte. TEXTO › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › CEDIDAS PELA CADIMARTE

osé Alberto Pessoa nasceu há 57 anos em Cadima, concelho de Canhanhede e é filho de agricultores abastados desta região, que na altura não viam com bons olhos a inclinação do filho para a área da construção. «Da família, só eu enveredei por esta área e hoje não estou arrependido pelo passo que decidi dar em seguir o ramo da construção civil e fundar a Cadimarte com 29 anos de idade», recordou. Uma etapa decisiva da vida de José Alberto Pessoa foi ter estado três anos em França, nos arredores de Paris a trabalhar na construção civil. «Estava eu em França e recebi da parte do Instituto do Emprego e Formação Profissional de Coimbra um convite para dar em Portugal, mais concretamente na Quinta do Carmo – Conraria – Ceira em Coimbra, cursos práticos e teóricos na área da construção civil, nomeadamente de pedreiro. Estávamos em 1987. Resolvi aceitar esse convite, até por ser uma pessoa reconhecidamente habilitada

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para ministrar esse tipo de formação, e dois anos depois, decidi-me pela criação da Cadimarte, trazendo comigo cerca de uma dezena de pessoas a quem dera formação na área da construção e que acabariam por fazer o estágio na empresa que criei e posteriormente permanecer nela. Com o nascimento da Cadimarte em Dezembro de 1989, começava uma nova etapa da minha vida…», relata José Alberto Pessoa. No arranque da Cadimarte, a empresa requereu o alvará de Obras Públicas e Particulares. «Enquanto o alvará não chegava executei algumas pequena obras públicas até 25.000 contos sem alvará, hoje tenho alvará classe 7 que me permite executar em simultâneo várias obras até 10 milhões de euros», realça este empresário de Cadima cuja empresa se norteia por uma estrita observância da ética empresarial e por uma política de proximidade com os seus clientes, parceiros e colaboradores.

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› EMPRESARIADO «Ao longo da minha vida como empresário e fundador da Cadimarte sempre tentei incutir um rumo que privilegiasse uma relação leal e intensa com os nossos clientes, procurando do mesmo modo privilegiar as parcerias que construímos e a relação com todos os nossos colaboradores, quem consideramos uma Família», sublinhou José Alberto Pessoa, que na Cadimarte tem na sua filha, Regina Marise Pessoa, licenciada em Gestão, o seu braço direito. Um vastíssimo portefólio de obras A Cadimarte possui um vastíssimo portefólio de obras executadas para os sectores público e privado, muitas delas para entidades de grande prestígio como são os casos da Infraestruturas de Portugal (antiga Refer), Instituto Social das Forças Armadas, Administração Regional de Saúde do Centro, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Autoridade Nacional de Proteção Civil, Águas de Coimbra, autarquias de Lisboa e Figueira da Foz, entre muitas outras. «A Cadimarte dispõe de um alvará muito completo das 45 só lhe falta 3 ou 4 sub categorias, e essa ferramenta permite-nos participar nas obras mais diversas no ramo da construção, incluindo trabalhar para o Ministério da Defesa e Ministério da Administração Interna, Monumentos Nacionais, e também já construímos mais de 50 Intermarchés de Norte a Sul do país e continuamos a ser chamados para os construir, o que para nós é o melhor reconhecimento do trabalho que levamos a cabo nesta e em outras áreas da construção civil», salientou o CEO e presidente da Cadimarte, que ainda a este propósito sublinharia: «Chegámos a ter em simultâneo três Intermarchés em construção, o que revela bem a nossa capacidade de execução, e em Lagoa, Algarve, construímos um Intermarché com 3000 metros quadrados de superfície e sempre cumprimos com rigor os prazos de execução, que, aliás, é uma das nossas bandeiras», frisou. Alargar a presença no mercado A Cadimarte tem tido uma intervenção muito significativa em diversas obras em Portugal Continental, mas também já deixou

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a sua marca em obras levadas a cabo nos Açores, chegando também a participar em algumas obras em França para um grande empreiteiro francês. «Embora as nossas atenções estejam muito concentradas em obras em Portugal, nunca deixámos de pensar na internacionalização da empresa. Estamos presentemente em Cabo Verde com a Cadimarte Cabo Verde, e estamos a estudar a hipótese de a médio prazo entrarmos também nos mercados do Brasil e Cuba, mas a acontecer não será tão cedo. A internacionalização é um processo demorado e dispendioso, que requer muitas cautelas e onde não se pode avançar de ânimo leve. Mas estes são dois mercados que estão na nossa mira e onde gostaríamos de intervir», realçou José Alberto Pessoa. 2017 será um ano de grande crescimento José Alberto Pessoa está muito otimista em relação ao crescimento que a Cadimarte tem tido ao longo dos anos. «Temos uma presença de quase três décadas no mercado e em todos os anos a empresa tem crescido sustentadamente, apoiada em pilares fundamentais como o Rigor, a Transparência, o Respeito para com os nossos Clientes e para com as nossas parcerias, sempre com a ajuda e disponibilidade das Pessoas que trabalham na empresa. E em 2017 a Cadimarte deverá ter o maior crescimento da sua história, já que estamos a prever atingir um volume de faturação na ordem dos 10 milhões de euros, o que na prática significará um crescimento de 100 por cento em relação a 2016 onde o nosso volume de negócios ficou-se pelos 5 milhões de euros. E este crescimento deve-se às muitas obras que temos neste momento em carteira», sublinhou o CEO e presidente da Cadimarte. A Cadimarte é uma empresa que durante o seu percurso sempre desejou ser uma referência na área da construção civil a nível nacional e, para isso, tudo tem feito para conquistar esse estatuto. «Este desejo constante de sermos uma empresa competitiva e com índices elevados de qualidade, fez com que estivessemos sempre atentos a pormenores que contribuíssem para a obtenção

Regina Marise Pessoa (filha), Maria Regina Pessoa (esposa) e José Alberto Pessoa (presidente da Cadimarte).

desse estatuto», chamou a atenção José Alberto Pessoa, salientando que em 2001 a Cadimarte certificou-se com a ISO 9001:2008 e que por várias vezes lhe foram atribuídas distinções que muito lhe orgulham. «Por exemplo, em 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009 a Cadimarte foi distinguida pela Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército com o prémio “Empreiteiro do Ano” – Menção Honrosa, em 2006 obteve a certificação Ecolub como empresa aderente ao Sistema Integrado de Óleos Usados. Isto para além de ter sido reconhecida em várias anos “PME Excelência” e “PME Líder”», distinguiu José Alberto Pessoa que, a propósito da distinção de “Empreiteiro do Ano” pela Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército, teceu algumas considerações., «É um atribuição muito honrosa para nós, já que traduz o reconhecimento do Exército Português pelo trabalho que desde há muito tempo vimos realizando para este organismo. E esta atribuição tem ainda mais significado, porque estamos a falar de um parceiro extremamente exigente e muito rigoroso», destacou o fundador da Cadimarte, empresa que atualmente conta com 100 colaboradores efetivos (pedreiros, serventes e pessoas técnico e

administrativo) e outros tantos indiretos. «Uma boa parte destas pessoas são licenciadas e continuamos muito empenhados em sermos uma empresa amiga da formação dos nossos colaboradores, como forma de os qualificar e valorizar», reforçou ainda José Alberto Pessoa. Nova sede em 2019 Esta entrevista ao CEO e Presidente do Conselho de Administração da Cadimarte estava a chegar ao fim, mas ainda com tempo para sabermos que esta empresa de Cadima, concelho de Cantanhede está a trabalhar afincadamente na construção da nova sede da empresa, que ficará localizada em Cadima e concluida em 2019, significando um investimento de 1,5 milhões de euros. «Também como prioridade, queremos continuar a potenciar o nosso pessoal técnico, apostar fortemente na formação dos nossos colaboradores e continuarmos a implementar novas tecnologias de comunicação e informação. Só deste modo poderemos ser uma empresa ainda mais competiva, mais dinâmica e também respeitadora do meio ambiente», finalizou José Alberto Pessoa. ‹

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› EMPRESARIADO José Marques, Diretor Comercial da Saint-Gobain Weber Portugal, SA

«Somos líderes mundiais na colagem e betumação de cerâmica» De origem francesa, a Saint-Gobain é uma empresa multinacional fundada em 1665 pelo político francês Jean-Baptiste Colbert para se dedicar ao fabrico de vidros planos com o nome de La Compagnie des Glaces, tendo sido ela que produziu os famosos espelhos do Palácio de Versalhes. Hoje está presente em 66 países, incluindo Portugal, o seu volume de negócios ascende a 40 mil milhões de euros, está entre os 100 maiores e mais inovadores grupos industriais do mundo e conta com mais de 170 mil colaboradores. Em entrevista à PAÍS €CONÓMICO, José Marques, Diretor Comercial da Saint-Gobain Weber Portugal, SA, uma das empresas representantes da Saint- Gobain em Portugal não tem dúvida de que a sua empresa tem um futuro muito promissor à sua frente. «A nossa empresa está bem estruturada em função com a dimensão do mercado, e o nosso grande foco está na área da colagem e betumação de cerâmica, que representa 54% das nossas vendas e onde a Weber é líder mundial. Mas há outras áreas onde nos distinguímos, como são os casos do revestimento e remodelação de fachadas e nas argamassas técnicas onde estamos também a ter resultados muito animadores», sublinhou José Marques para, a propósito, dizer ainda que a Weber Portugal é uma

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referência na atividade e nos negócios da Saint-Gobain no mercado nacional. TEXTO › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › CEDIDAS PELA WEBER – SAINT-GOBAIN

desenvolvimento industrial da Saint-Gobain iniciou-se na Alemanha e na Bélgica, tendo chegado a Portugal em 1962. Neste momento são em grande número (cerca de 900) os centros de produção distribuídos pelos países onde a Saint-Gobain está presente em todo o mundo. Na conversa que manteve com a P€, José Marques, Diretor Comercial da Saint-Gobain Weber Portugal, empresa presente no nosso país desde 1990, esclareceu que são vários os centros de produção que a Saint-Gobain tem distribuídos em Portugal, e que se apresentam no mercado todos eles distinguidos por marcas, certamente a melhor forma de irem ao encontro das necessidades de cada setor, como são os exemplos da ISOVER, PLACO, GLASS e a própria WEBER. «Somos uma Família com irmãos diferentes», caracterizou José Marques ao referir-se à função que cada um destes centros de produção desempenha, sempre embuídos no espírito da Saint-Go-

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bain, multinacional que também é líder mundial para o Habital Sustentável, projetando, fabricando e distribuindo materiais de construção e alta performance, e fornecendo igualmente soluções inovadoras que respondem aos desafios de crescimento, eficiência energética e proteção ambiental. A Weber existe desde 1900 Mas José Marques aproveitaria o ensejo para explicar um pouco a história da formação da Weber, empresa que existe oficialmente desde 1900. «Em 1956 a Weber entra no mercado das fundações integrada no grupo financeiro Poliet, gradualmente destinado a servir os seus clientes em toda a França, que dentro dos seus principais ativos tinha a Weber, mas o seu principal ativo era a carteira de distribuição de materiais de construção. Mas depois quando entra a Saint-Gobain, esta entra para comprar o grupo Poliet» recorda

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› EMPRESARIADO

José Marques, diretor comercial da Saint-Gobain Weber Portugal, que passaria de imediato para uma descrição daquilo que considera as fases mais importantes da história da Weber. Segundo ele, a Weber e a Broutin fundiram-se em França em 1927, devendo-se a sua fundação a George Weber e Jean-Baptiste Broutin, pessoas que trabalhavam essencialmente no mercado francês. Produziam revestimentos de fachadas à base de gesso e cal nas suas fábricas de Paris. Mais tarde, Edgar de Vigan adquiriu e fundiu as duas empresas, criando assim a Weber & Broutin. Com a 2ª Guerra Mundial, estas duas empresas que então se tinham juntado antes desse período da formação da Europa, decidiram-se pelo negócio da reabilitação e remodelação. Antes de ter começado a 2ª Guerra Mundial o principal mercado da Weber & Broutin era os Estados Unidos da América que comprava muito material de cal e produtos à base de cal, que naquele mercado não havia tanto, sendo esse desenvolvimento feito através desta empresa. Em 1982 a Weber & Broutin virou as sua atenções para os mercados da Europa, expandindo-se neste continente ao longo dos anos 90. E em 1996 a Weber juntou-se ao Grupo Saint-Gobain, passando a chamar-se Saint-Gobain Weber. Saint-Gobain: 350 anos de história José Marques sublinharia nesta entrevista à P€ que era importante realçar a mudança daquilo que é o grupo Weber e a da Weber Portugal, e depois aquilo que foi a integração do grupo Weber dentro da estrutura da Saint-Gobain e o próprio desenvolvimento da Saint-Gobain

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«A própria Saint-Gobain também se tem vindo a alterar muito durante os últimos anos. O ano passado completou 350 anos de história, uma data que é digna de registo, até porque não existirão tantas empresas no mundo com a idade da Saint-Gobain. Foi fundada no reinado de Louis XIV, em França, para se dedicar à produção de espelhos para o Palácio de Versalhes, mas de há 40 ou 50 anos a esta parte fez uma opção estratégica extremamente relevante ao sair do mercado da produção de vidros onde era líder ou tinha uma posição de topo e de relevância em todos os países onde está presente em todo o mundo, passando para os produtos derivados. Isto é a Saint-Gobain! Era a Saint-Gobain!», sublinha com ênfase José Marques. A força do mercado do Habitat Querendo reforçar ainda mais esta opção estratégica da Saint-Gobain, José Marques lembrou que nesse período, provavelmente 60 a 70 por cento do volume de negócios da Saint-Gobain derivava exclusivamente do vidro. «Com a opção estratégica tomada, a Saint-Gobain está diferente querendo ser conhecida como o principal fornecedor de soluções sustentáveis para o Habitat. E o vidro continua a ser mais um elemento na aplicação desta estrutura…», resumiu José Marques para, a este propósito, dizer ainda que esta é uma opção económica que tem a ver com a dependência dos recursos energéticos (o vidro é um grande consumidor de recursos energéticos), e portanto não está dependente dessas exportações energéticas e, por conseguinte, as ações também são inconsequentes em relação a esses custos energéticos», destacou o diretor comercial da Saint-

-Gobain Weber Portugal, empresa que em Portugal possui três Centros: o Centro Premix, em Aveiro; o Centro Exclay – em Avelar; e o Centro Premix no Carregado. A propósito do mercado das soluções sustentáveis para o Habitat, José Marques referir-se-ia a ele do seguinte modo: «O Habitat é uma área onde o mercado está bastante fragmentado e onde não existe um líder global capaz de fornecer localmente toda esta oferta. Então, a Saint-Gobain tem-se transformado neste desejo de ser líder no mercado do Habitat. Esta estratégia está a ser implementada, e a sua implantação vem interferir na forma como a nossa organização está a ser gerida. E qual é o nosso contributo

para tudo nisto?! «Oitenta por cento das nossas vendas são provenientes de mercados do Habitat. A construção e a reabilitação têm produtos destinados ao Habitat e a nossa participação neste aspeto é muito importante», salientou José Marques, que aproveitaria também para salientar a força da Saint-Gobain nos seus diversos domínios. Mais de 40 mil milhões de euros de vendas «A Saint-Gobain registou em 2015 um volume de vendas que rondou os 40 mil milhões de euros nos 66 países onde a empresa está presente em todo o mundo, e o que é relevante é que mais de 80

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› EMPRESARIADO

por cento dessas vendas proveem do mercado do habitat: construção, renovação, infraestruturas e engenharia civil», salientou José Marques, para prosseguir na sua explicação. «A Saint-Gobain é uma empresa centenária, representa um dos maiores e mais inovadores 100 grupos industriais do mundo com aproximadamente 950 centros de produção, tem mais de 170 mil colaboradores representando 98 nacionalidades e mais de 4000 postos de venda», completou o diretor comercial da Saint-Gobain Weber Portugal, que chamaria igualmente a atenção para um facto interessante: «Um em cada 4 produtos vendidos hoje pela Saint-Gobain não existiam há 5 anos atrás, o que revela bem a mentalidade inovadora desta empresa». No final desta entrevista José Marques debruçaria a sua atenção para o peso e significado que as pessoas têm no universo Weber, afirmando que essas pessoas constituem a pedra angular da Weber. No entender da Saint-Gobain Weber Portugal as pessoas são o factor-chave no sucesso da organização. A cada dia, as pessoas Weber demonstram o seu envolvimento e empenho, permitindo a excelência em cada ação, evoluindo e contribuindo para o desenvolvimento e afirmação da empresa. ‹

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› INTERNACIONALIZAÇÃO Mário Lino, Presidente da Iguarivarius, uma das mais importantes exportadoras em Portugal

Ajudamos a aumentar as exportações portuguesas Em 2010 foi criada a Iguarivarius, empresa especializada na exportação de produtos alimentares. Aproveitando a experiência do seu fundador e acionista – Alexandre Cavalleri – a Iguarivarius foi crescendo e aumento a sua capacidade de exportar produtos alimentares, mas alguns anos depois passou também a exportar produtos noutras áreas, sejam industriais, sejam na área das tecnologias de informação. Mário Lino é o presidente da Iguarivarius, e em entrevista à PAÍS €CONÓMICO salienta a importância da diversificação que o Grupovarius tem empreendido, tanto ao nível do portfólio de produtos que exporta, bem como dos mercados internacionais para onde exporta. Entretanto, o gestor que lidera a Iguarivarius, empresa que detém o controle acionista das outras oito empresas do Grupovarius, sublinha que as empresas portuguesas estão a produzir cada vez melhor «em muitas áreas da nossa economia, com grande qualidade e com preços competitivos para os mercados internacionais. O nosso grupo realiza contratos com muitas empresas portuguesas, que confiam nas empresas do Grupovarius para exportarem cada vez mais e contribuírem dessa forma para o reforço das suas

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empresas e da economia nacional», finaliza Mário Lino. TEXTO › JORGE ALEGRIA | FOTOGRAFIA › CEDIDAS PELA IGUARIVARIUS

ecorria o início de 2010 e fruto da experiência e visão do empresário Alexandre Cavalleri, foi fundada a Iguarivarius, dedicada sobretudo à exportação de alimentos para vários mercados internacionais. A empresa foi crescendo e constituiu inicialmente departamentos de negócios que se situavam noutras áreas de actividade, embora todas debaixo do chapéu da empresa Iguarivarius. Até que em 2015, foi decidido autonomizar definitivamente cada uma dessas áreas em empresas com nome próprio, embora tivessem como denominador comum a posse da maioria do seu capital pela Iguarivarius. Já em 2016, foi decidido criar o Grupovarius, que congrega as atuais 9 empresas deste grupo com sede em Lisboa. Mário Lino, antigo ministro das Obras Públicas do governo liderado por José Sócrates, é o presidente da Iguarivarius, e recebeu a PAÍS €CONÓMICO para salientar que o grupo atravessa uma fase de consolidação e crescimento, assente aliás nos números alcançados, tanto no que respeita ao capital social, bem como quanto ao volume de negócios registado. Por exemplo, ao nível da evolução do capital social, «temos praticamente duplicado em cada ano o capital da empresa. Por exemplo, em 2011, o nosso capital social era de apenas 180 mil euros.

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No ano seguinte, subiu para 500 mil euros e em 2013 passou para 1,1 milhões de euros. Em 2015 voltámos a mais do que duplicar o nosso capital social ao aumentá-lo para 2,5 milhões de euros, e em 2016 ele cresceu para 5,5 milhões de euros. Estes aumentos aconteceram em virtude da decisão estratégica da empresa em reinvestir na própria empresa os lucros obtidos em cada um desses anos», salientou Mário Lino, adiantando que «numa área como a que atuamos como é a exportação, consideramos como fator crucial a solidez financeira da empresa. É evidente que também recorremos pontualmente à banca para financiar algumas operações, mas não dependemos da banca para funcionar e operarmos com eficiência e sucesso. Isso deve-se sobretudo à solidez financeira das empresas do Grupovarius e teve por base a referida decisão de reinvestir os lucros alcançados nestes anos na própria empresa», enfatizou o líder da Iguarivarius. Queremos crescer para mais mercados No ano passado, as empresas do Grupovarius exportaram para 17 países, mas ao longo da sua história o grupo já exportou para mais de 30 países. Apesar de trabalharem para o mercado global, atualmente, os principais mercados de exportação são a Venezuela, Is-

rael, Alemanha, Polónia e Hong Kong. A reação da Rússia às sanções europeias relativamente à ocupação da Ucrânia, levou a que as exportações de vários produtos alimentares, entre os quais os produtos de carne, tivessem deixado de acontecer, «naturalmente prejudicou fortemente as nossas expetativas de diversificação das nossas exportações, mas estamos a tentar outros mercados, sobretudo na Ásia, para assim continuarmos a crescer e a solidificar as empresas do grupo», sublinha Mário Lino. O Grupovarius possui presentemente um conjunto de nove empresas – Iguarivarius, Agrovarius, Industrivarius, Metalovarius, Sitvarius, Racingvarius, Naturivarius, Segurivarius e Madeinvarius – as últimas três já fundadas no ano passado. «Devo referir, que no ano passado, todas as empresas que estiveram em plano funcionamento, já apresentaram resultados positivos, precisamente porque desenvolveram um bom trabalho, porque têm à sua frente pessoas com forte formação e experiência técnica para o desenvolvimento com eficácia do negócio, e também pelo grande empenho de todos os que trabalham no grupo relativamente ao seu sucesso. As 70 pessoas que hoje trabalham nas empresas do Grupovarius constituem uma das principais chaves do sucesso

do próprio grupo, pois estão permanentemente à procura de novas oportunidades de negócio e de novos mercados», salienta o responsável da Iguarivarius. Aliás, a evolução do volume de negócios consolidados do grupo indica e pontifica as palavras do gestor. Em 2013, o volume de negócios atingiu os 19,5 milhões de euros, enquanto em 2015 subiram para os 59 milhões de euros. Todavia, em 2016, o volume de negócios do conjunto das empresas do grupo atingiu os 86,7 milhões de euros. Relativamente ao presente ano, «ainda é cedo para colocarmos uma fasquia, mas esperamos naturalmente continuar a crescer, talvez não aos níveis dos que atingimos nos anos anteriores, mas, ainda assim, a crescer. Estamos muito empenhados em procurar novos mercados, em consolidarmos os mercados onde já atuamos, e assim ajudarmos as empresas portuguesas que connosco se relacionam para ajudarmos a consolidar o crescimento não apenas dessas mesmas empresas, mas igualmente da própria economia nacional, pois Portugal precisa de exportar cada vez mais, e felizmente que estamos a dar um inequívoco contributo para que isso aconteça», finalizou Mário Lino. ‹

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› INTERNACIONALIZAÇÃO

› INTERNACIONALIZAÇÃO

Apartamentos do Vila Galé Sintra à venda

PortugalEXPO vai ter segunda edição em Dezembro

O melhor de Portugal mostra-se no Luxemburgo

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ntre 1 e 3 de Dezembro do presente ano decorrerá a segunda edição da PortugalEXPO, o certamente que pretende mostrar o melhor produzido em Portugal para o público luxemburguês, «um dos países com maior poder aquisitivo do mundo», como sublinha Francis da Silva, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso Luxemburguesa (CCILL), na apresentação do evento recentemente em Lisboa. A primeira edição decorreu no final do ano passado e constituiu um sucesso assinalável, tendo estado presentes 34 expositores e conseguido a visita de mais de 10 mil visitantes. Segundo Francis da Silva, 85% dos expositores mostraram a sua satisfação pela participação e resultados obtidos nessa primeira edição. Para a segunda edição da PortugalEXPO, o líder da CCILL sublinhou que neste momento – meados de Abril – já tem garantida a ocupação de metade do espaço disponível para expositores, sugerindo aos potenciais interessados rapidez na confirmação de presenças para os espaços ainda disponíveis, embora o prazo limite para as inscrições decorra até ao final de Setembro. A PortugalEXPO é uma feira multissectorial com quatro salões temáticos,

Francis da Silva, Presidente da CCILL.

respectivamente, imobiliário, turismo e serviços; casa & construção (materiais de construção e mobiliário); Alimentar & Bebidas (agroalimentar, vinhos e gastronomia); e lifestyle (moda, têxteis e calçado). Francis da Silva defendeu a aposta da CCILL na realização da PortugalEXPO, voltando a enfatizar o enorme potencial aquisitivo dos consumidores luxembur-

gueses, destacando o aumento que tem ocorrido nos últimos anos em termos das exportações de bens portugueses para o Luxemburgo, além de sublinhar o forte crescimento dos investimentos luxemburgueses em Portugal, além do aumento do número de turistas daquele país em Portugal, pedindo, no entanto, um maior esforço de promoção turística de Portugal no Luxemburgo. ‹

á cerca de três meses iniciou-se as obras do futuro Hotel Vila Galé Sintra, que segundo o grupo será inaugurado a 25 de abril do próximo ano. Paralelamente, iniciaram-se também as obras de construção e agora a comercialização de 48 apartamentos das tipologias T2 e T3 integrados no Vila Galé Sintra – Resort Hotel, Conference & Revival Spa, empreendimento turístico e imobiliário com um conceito inovador na área da saúde e wellness vocacionado para famílias. Já em construção na Várzea de Sintra, além de um hotel apartamento com 77 quartos duplos, este projeto contempla 44 apartamentos T0 e 15 apartamentos T1 para alojamento turístico. E ainda 36 unidades T2 e 12 T3 para venda direta, com preços desde os 360 mil euros, cujos proprietários poderão usufruir da unidade hoteleira bem como das valências de saúde e bem-estar.

6º Salão do Imobiliário e Turismo Português em Paris Vai decorrer entre os dias 12 e 14 de Maio, mais uma edição da Feira do Imobiliário Português em Paris, uma iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria Franco Portuguesa (CCIFP), entidade liderada por Carlos Vinhas Pereira. O evento decorrerá no Parque de Exposições Porte de Versailles, local onde se realizam alguns dos maiores eventos mundiais na capital francesa. Depois dos sucessos que marcaram as edições anteriores, a Câmara Franca Portuguesa espera ultrapassar neste sexto salão os resultados obtidos nas edições passadas, pois o interesse dos franceses e luso-franceses pela aquisição de imobiliário em Portugal regista um forte crescimento. Aliás, ainda recentemente, em Paris, Carlos Vinhas Pereira referia à País Económico que «os promotores portugueses esgotaram a capacidade do espaço da feira, o que é revelador do forte interesse que em Portugal se manifesta pelos cidadãos franceses que querem investir em Portugal». ‹

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Contemplando um investimento de 25 milhões de euros e a criação de 60 empregos diretos, o Vila Galé Sintra – Resort Hotel, Conference & Revival Spa será «um projeto único e inovador pela oferta que terá ao nível da alimentação equilibrada, mas gourmet, dos programas estéticos e médicos e da diversidade de serviços para todas as idades», referiu Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé. O Vila Galé Sintra destaca-se para localização privilegiada em extensas zonas verdes, pela vista para o Palácio da Pena e pela proximidade do centro da Vila de Sintra, classificada como património mundial pela UNESCO, bem como da Praia da Adaga, das Azenhas do Mar, da Praia das Maçãs, da Praia Grande, do Cabo da Roca e do Magoito. ‹

Voo ligará Lisboa e Hangzhou A partir de 26 de julho será estabelecida uma ligação aérea direta entre Lisboa e a cidade chinesa de Hanzhou, na costa leste do país, tendo antes uma paragem em Pequim, a capital chinesa. O voo direto entre os dois países será feita pela companhia aérea Beijing Capital Airlines, e terá inicialmente três frequências semanais. Recentemente, a secretária de Estado portuguesa do Turismo, Ana Mendes Godinho, referiu na capital chinesa que «se olharmos para o investimento turístico que foi feito no mercado

da China em 2015 foi de 190 mil euros. Este ano estamos a investir 1,7 milhões de euros na promoção na China porque estamos a diversificar os nossos mercados, e estamos a fazer uma aposta enorme no voo direto». Além disso, acrescentou Ana Mendes Godinho, «estamos a fazer um roadshow com empresas turísticas na China, lançámos um programa “Welcome China” para preparar e capacitar a nossa oferta turística, e estamos a trabalhar junto da comunidade chinesa em Portugal». ‹

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› A FECHAR

Porto de Setúbal servido pela Neptune Lines O Terminal Ro-Ro do Porto de Setúbal passou a receber os navios da Linha Regular “Iberia+Med+Aegean & Black Sea” da Neptune Lines Shipping and Managing Entreprises. O serviço é agenciado pela Navigomes, tem escalas trimensais, acrescentando Setúbal à rota entre o Atlântico e o Mar Negro do operador. Este novo serviço, que irá beneficiar dos novos fluxos da Volkswagen de Setúbal para Civitavecchia, oferece oportunidades de ligações diretas entre Setúbal, Marrocos, Itália, Grécia, Turquia

Grupo Azevedos investe 9 milhões O grupo Azevedos vai inaugurar um investimento de nove milhões de euros numa das suas unidades de produção de medicamentos em Agualva-Cacém. A Sofarimex é a empresa do grupo recetora desse investimento e que se traduz na instalação de uma nova linha de produção de medicamentos estéreis liofilizados, como antibióticos, bactérias, soros, vacinas e medicamentos para diagnóstico. O investimento permitirá a criação de 30 novos postos de trabalho e aumentar a capacidade de produção em 12 milhões de unidades por ano. ‹

50 › PAÍS €CONÓMICO | Maio 2017

e Roménia, além de assegurar tempos de trânsito mais rápidos para Israel, Egito e Líbano através do hub Neptune Lines no porto grego de Piréu. Entretanto, o Porto de Setúbal anunciou que bateu o recorde de carga contentorizada no primeiro trimestre de 2017, com mais 9% em relação ao período homólogo de 2016 e um aumento de 3% em TEU. Também a carga ro-ro registou um crescimento de 45% de toneladas movimentadas no Porto de Setúbal. ‹

FIAM em Manaus A FIAM – 9ª Feira Internacional da Amazónia, a maior feira de negócios da Amazónia, vai realizar-se entre os dias 22 a 25 de novembro deste ano, na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, no Norte do Brasil. O evento reunirá fornecedores, clientes e investidores com o objetivo de identificar potenciais parcerias e oportunidades de negócios nas mais diversas áreas. O tema deste ano da FIAM será o 50º aniversário da criação da Zona Franca de Manaus, que constitui uma importante alavanca na promoção do desenvolvimento da região da Amazónia brasileira. ‹

FairFruit investe em Beja A FairFruit Portugal anunciou que vai investir 10 milhões de euros no concelho de Beja, com a construção de uma unidade agroindustrial de transformação de fruta (desidratação, congelação e corte) e outra de embalamento de fruta de primeira categoria para o mercado fresco. No âmbito deste projeto, a Câmara de Beja cedeu um espaço de 10.400 metros quadrados na zona de acolhimento empresarial da Horta de São Miguel, onde a empresa criará cerca de 35 postos de trabalho, além de 150 outros com caráter sazonal. A casa-mãe tem a sede na Suíça, mas a FairFruit Portugal está instalada em Serpa, onde a empresa já produz frutos de caroço biológicos. Em Beja arrancou em 2014 com a plantação de 74 hectares de frutas convencionais, que terá a primeira colheita em 2018. ‹

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País económico edição de maio 2017  
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