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CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, de 2016 • Cidades • 1

Brasília, quarta-feira, 30 de novembro de 2016

1973 Reprodução Twitter

Océueraolimite LEONARDO CAVALCANTI

Uma tragédia deixa marcas para sempre. Por segundos, minutos, horas, é capaz de arrancar a alma daqueles que ficam. É a dor muda da perplexidade. A queda do avião com a delegação da Chapecoense abre um vazio sem marcações de espaço e tempo, pois é eterno. Vai além das fronteiras da Arena Condá, o estádio de futebol do clube, e absorve corações e mentes. É a morte amplificada dos meninos de uma cidade, Chapecó, que escapa para o mundo. O dia 29 de novembro de 2016 nunca mais será esquecido. Ontem, ainda nas primeiras horas da manhã, a aeronave caiu próximo a Medellín, a cidade colombiana do Atlético Nacional, o clube que enfrentaria a Chapecoense no primeiro jogo da decisão da Copa Sul-americana. O time da Colômbia foi capaz de fazer uma das maiores homenagens ao

adversário, ao pedir à Conmebol que desse o título à equipe brasileira. Outros clubes recomendaram à CBF que mantenha a Chapecoense por três anos na elite — e prometeram emprestar jogadores para a equipe. Setenta e uma pessoas morreram no acidente, incluindo 19 atletas do time catarinense. Seis escaparam — o goleiro Jackson Follmann, o zagueiro Neto e o lateral Alan Ruchel, além de um jornalista e dois tripulantes. O goleiro Danilo chegou a ser resgatado com vida, mas não resistiu. Danilo foi o herói do último jogo da Chapecoense na Sul-Americana, na semana passada, contra o San Lorenzo. Na narração de Deva Pascovicci — que morreu no acidente —, o goleiro salva uma bola, aos 49 minutos do segundo tempo. “Está viva a história da Chapecoense”, gritou Deva. Sim, a Chapecoense está mais viva do que nunca. Para sempre.


#somostodosCHAPE 2 • Brasília, quarta-feira, 30 de novembro de 2016 • CORREIO BRAZILIENSE

Aeronave caiu a menosde30kmdoaeroportoematou19jogadores.ChapecoensetinhatudoprontoparadecisãodaCopaSul-Americana

O maior acidente da história BRAITNER MOREIRA

Raul Arboleda/AFP

últimos adversários da Seleção pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, Argentina e Bolívia.

P

or volta das 2h de ontem, horário de Brasília, surgiu a primeira notícia anormal: a Chapecoense ainda não havia aterrissado no José María Córdova, principal aeroporto de Medellín. O reconhecimento do gramado do Estádio Atanasio Girardot estava marcado para o início da tarde. O elenco deveria desembarcar na cidade colombiana e tentar dormir um pouco antes do almoço. Toda a logística para as finais da Copa Sul-Americana, torneio que poderia consagrar a mais especial trama recente do futebol brasileiro, havia ficado pronta no domingo. Quis o destino, no entanto, transformar a semana de glória da Chape na vigília da maior tragédia da história do esporte na América Latina. O voo LMI-2933 caiu perto da 1h15, a menos de 30km do aeroporto de chegada. O horário exato do acidente será definido após o exame das caixas-pretas. A queda do Avro Regional Jet 85 no lamaçal colombiano matou 71 pessoas, segundo balanço final da Aeronáutica Civil da Colômbia. Sete foram resgatadas com vida, das quais seis sobreviveram, em estado grave, até o fechamento desta edição (leia mais na página 3). O goleiro Danilo, maior herói da equipe na Copa Sul-Americana, não resistiu enquanto estava na ambulância, a caminho do hospital. O reserva dele, Jackson Follmann, teve uma perna amputada. Morreram 19 jogadores da Chapecoense. O mais experiente, Cleber Santana, buscava seu primeiro título internacional

Comoção pública

Prejudicado pelo lamaçal, resgate levou quase duas horas para alcançar o Cerro El Gordo: impacto partiu o avião e deixou poucos sobreviventes após uma carreira consagrada em passagens por Sport, Santos e Atlético de Madri. O mais jovem, Matheus Biteco, jogou em todas as categorias de base da Seleção Brasileira. Nunca um acidente de avião pôs fim à carreira de tantos jogadores de futebol de uma só vez. Num sopro, todo o time titular se

foi. Além deles, morreram seis diretores, o presidente, o treinador, 16 integrantes da comissão técnica do clube e sete tripulantes. Também é a maior ocorrência fatal da história do jornalismo no Brasil (leia mais na página 7): 21 profissionais perderam a vida. A última decolagem da Chapecoense deixou Santa Cruz de la

Sierra depois de uma entrevista curta ao canal Gigavisión, da Bolívia, dentro da aeronave. A viagem durou cinco horas até uma pane elétrica, na região do Cerro El Gordo. O mapa do site Flightradar24 mostra que o avião descreveu ao menos dois círculos antes de cair. As causas do acidente ainda estão sendo apura-

das (leia mais na página 5). Investigadores britânicos devem chegar hoje à Colômbia. O voo fretado da companhia boliviana Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación (LaMia) era acostumado a transportar equipes esportivas — exatamente na mesma aeronave, a empresa havia trazido ao Brasil os dois

primeiro jogador nascido no Rio Grande do Norte a se tornar campeão da Copa Sul-Americana. O volante, constantemente na lista dos melhores do Campeonato Brasileiro, interessava ao Vasco.

LUCAS GOMES

Antes de o Sol de ontem nascer, a partir das primeiras confirmações de morte, às 4h10, estava delineado o roteiro da comoção pública. As redes sociais, desde cedo, serviram para amplificar as ações de solidariedade — em todos os idiomas, a Chapecoense sempre esteve entre os assuntos mais comentados do Twitter. Por meio da internet, o Atlético Nacional propôs entregar o título da Copa Sul-Americana às vítimas (leia mais na página 6). O paraguaio Libertad colocou o elenco à disposição dos catarinenses. O Atlético-MG pediu o cancelamento da última rodada da Série A. O Palmeiras inaugurou a ideia de entrar em campo com a camisa da Chapecoense. Torcedores promoveram luto e fizeram campanha para compra de material esportivo oficial e de associação ao programa de sócios do clube. O momento de união num ambiente habituado ao confronto persistente entre torcedores rivais é o enésimo milagre da Chapecoense, o time que levou o nome de uma cidade de apenas 99 anos e menos de 200 mil habitantes à final de uma competição continental, menos de uma década depois de beirar a falência. No que depender do Atlético Nacional, adversário da decisão, não há motivo para dúvidas: que a história da Chape em 2016 se encerre com a Conmebol entregando ao clube o título de campeã continental.

Elenco destroçado: todas as vítimas no grupo da Chapecoense BRUNO RANGEL

DANILO

AILTON CANELA

. Atacante . 34 anos . Campos dos Goytacazes (RJ) »Ocentroavante fez história junto do time que ele ajudou a classificar para a final inédita da Copa SulAmericana. Bruno Rangel morreu como maior artilheiro da história Chapecoense, com 77 gols, e sem realizar o sonho de jogar num dos grandes clubes do Brasil. Revelado pelo Goytacaz, o camisa 9 passou por 10 times, sem nunca conseguir tanto brilho, antes de chegar à equipe do Oeste catarinense.

. Goleiro . 31 anos . Cianorte (PR) »Maior destaque da Chapecoense neste ano, Danilo pegou quatro pênaltis nas oitavas de final da Copa Sul-Americana e protagonizou uma defesa salvadora no último lance de perigo da semifinal contra o San Lorenzo, aos 49 minutos do segundo tempo. Foi resgatado com vida do acidente aéreo, mas morreu a caminho do hospital. Danilo quase fechou com o Corinthians em 2014, mas preferiu ficar no Sul.

. Atacante . 22 anos . Matão (SP) »O garoto protagonizou momento de descontração, em Guarulhos, antes de o time embarcar para a Colômbia: fez um truque de mágica com um baralho para o restante do elenco.

CLEBER SANTANA . Meia . 35 anos . Abreu e Lima (PE) » O capitão da Chapecoense iniciou a carreira no Sport-PE. A Chape foi a 12ª equipe de uma carreira de glórias. Cleber ganhou quatro títulos pelo time pernambucano e também comemorou títulos por Vitória, Santos e Avaí. No auge da carreira, foi à Espanha e assinou com o Atlético de Madri um contrato de 6 milhões de euros. Deixa dois filhos, de 11 e 14 anos.

SERGIO MANOEL . Volante . 27 anos . Xique-Xique (BA) » O auge da carreira do volante foi pelo Coritiba, entre 2012 e 2014, quando atuou em 36 jogos e sagrou-se campeão paranaense. Chegou à Chapecoense em maio, vindo do Água Santa-SP.

ANANIAS . Meia . 27 anos . São Luís (MA) »Fez o primeiro gol do Allianz Parque, estádio do Palmeiras. Destacou-se na Portuguesa, em 2012, quando ganhou apelido de Ananiesta em homenagem ao espanhol Andrés Iniesta, craque do Barcelona.

ARTHUR MAIA . Meia . 24 anos . Maceió (AL) »O meia pertencia ao Vitória e estava na Chapecoense, na qual era reserva, por contrato de empréstimo. No ano passado, marcou dois gols em 22 jogos pelo Flamengo. Também passou pelo Kawasaki Frontale, do Japão.

DENER ASSUNÇÃO . Lateralesquerdo . 25 anos . Bagé (RS) »O lateral passou por clubes como Grêmio, Veranópolis e Vitória. Chegou à Chapecoense no ano passado. São Paulo e Cruzeiro demonstravam interesse em contratá-lo para 2017.

FILIPE MACHADO . Zagueiro . 32 anos . Gravataí (RS) »Passou por seis países na carreira: Espanha, Bulgária, Itália, Azerbaijão, Emirados Árabes e Irã. Dentro do avião que deixou o Brasil, publicou um vídeo descontraído no Snapchat.

GIL . Volante . 29 anos . Santo Antônio (RN) »O vice-capitão da Chapecoense poderia ter se tornado o

GIMENEZ . Lateral-direito . 21 anos . Ribeirão Preto (SP) »Antes da Chapecoense, o lateral polivalente passou por Goiás e pelos dois times de Ribeirão Preto, cidade onde nasceu: Comercial e Botafogo. Deixa a esposa e a filha de 2 anos.

KEMPES . Atacante . 34 anos . Carpina (PE) »Era um dos destaques da Chapecoense em 2016. O atacante, conhecido pela velocidade, teve passagens por Portuguesa, Vitória, Ceará e pelo futebol asiático. Foi artilheiro da segundona japonesa há três anos.

JOSIMAR . Volante . 30 anos . Pelotas (RS) »Revelado pelo Inter, o volante gaúcho atuou em 67 jogos pelo clube colorado antes de passar por Ponte Preta e Palmeiras. Chegou à Chapecoense no início do ano e, a partir da chegada do técnico Caio Júnior, se tornou titular absoluto.

. Atacante . 26 anos . Bragança (PA) » Passou por quatro times do Pará antes de se mostrar para o Brasil. Estava emprestado à Chape pelo Fluminense. No Brasileirão deste ano, marcou um golaço na vitória sobre o Coritiba.

MATEUS CARAMELO . Lateral-direito . 22 anos . Araçatuba (SP) »Foi revelado no Paulistão de 2013 pelo Mogi Mirim. O apelido, Caramelo, veio por causa da música Camaro Amarelo, da dupla Munhoz e Mariano. Estava emprestado pelo São Paulo.

MATHEUS BITECO . Volante . 21 anos . Porto Alegre (RS) » É irmão mais novo de Guilherme Biteco, meia de 23 anos do Ceará. Matheus começou no Grêmio, assim como o irmão, e jogou em todas as categorias de base da Seleção Brasileira.

MARCELO . Zagueiro . 25 anos . Juiz de Fora (MG) »Chegou a trabalhar como marceneiro

quando se desiludiu com promessas de dirigentes. Por insistência do pai, deu uma nova chance ao sonho. Jogou por Volta Redonda e Flamengo.

TIAGUINHO . Atacante . 22 anos . Trajano de Moraes (RJ) »Revelado pelo Volta Redonda, chamou a atenção do técnico Abel Braga, então no Fluminense. Ganhou a Série C de 2013 com o Santa Cruz. Na semana passada, descobriu que esperava o primeiro filho.

WILLIAM THIEGO . Zagueiro . 30 anos . Aracaju (SE) » Atuou pelo Bahia, Ceará e Figueirense e passou por Azerbaijão e Japão antes de atuar pela Chape, na qual vivia seu melhor momento. Havia assinado com o Santos para 2017.

CAIO JÚNIOR . Técnico . 51 anos . Cascavel (PR) » O exatacante teve passagens por grandes do país e foi campeão gaúcho por Inter e Grêmio. Começou a carreira de técnico em 2000. Entre outras equipes, comandou o Gama, em 2005, e treinou em três países do exterior. A Chape era seu 19º clube. Ganhou só um título no Brasil: o Campeonato Baiano, pelo Vitória.


#somostodosCHAPE CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quarta-feira, 30 de novembro de 2016 • 3

Correio acompanha a viagem de ônibus mais triste da vida de dois fanáticos pela Chapecoense. Morte da avó no dia da tragédia na Colômbia abalam a rotina da filha de ex-conselheiro do clube Fotos: Breno Fortes/CB/D.A Press

O vereador Valdenei Ferrarini (D) e o assessor dele Jucimar de Mello: luto total na viagem

Nos planos de Bruna Gallon, a viagem era para ser até Curitiba, palco da final: “Perdemos uma família”

Um baú cheio de memórias MARCOS PAULO LIMA ENVIADO ESPECIAL

Chapecó (SC) – Plataforma A do Terminal Rodoviário Rita Maria, em Florianópolis. No despacho de bagagens em clima de luto antes da viagem de nove horas da capital catarinense até Chapecó, dois passageiros se destacam pelo amor à camisa do clube, abalado, ontem, pela maior tragédia de seus 43 anos de história: o acidente com o voo que transportava o time até Medellin, na Colômbia, para o primeiro duelo da final da Copa Sul-Americana. Valdenei Ferrarini, 41, vestido com o tradicional manto verde e o número 10 nas costas, e Bruna Gallon, 30, uniformizada com um modelo rosa da Chape, disseram

Apenas seis escaparam da morte Das 77 pessoas que embarcaram no trágico voo da Chapecoense, apenas seis sobreviveram e foram levadas a três hospitais. Entre eles, estão o goleiro Jackson Follmann, que teve uma perna amputada; o lateral-direito Alan Ruschel, com uma lesão na coluna; e o zagueiro Neto, com hematoma no craniano, no abdômen e no tórax). Também escaparam da morte o jornalista Rafael Henzel, narrador da Rádio Oeste Capital, de Chapecó (SC), a comissária de bordo Jimena Suárez e o técnico da aeronave Erwin Tumiri. O médico Guillermo Molina, do Hospital San Juan de Dios, foi quem confirmou que o goleiro Jackson Follmann teve uma perna amputada. Ele foi um dos primeiros a serem resgatado, ainda no início da madrugada na Colômbia. O goleiro titular Danilo também chegou a ser levado a um hospital de Medellín com vida, mas não resistiu aos ferimentos.

a mesma frase em entrevistas separadas, em momentos distintos: “É a pior viagem da minha vida”. Moradora de Florianópolis, mas nascida em Chapecó, a corretora de seguros Bruna Gallon foi acordada duas vezes durante a madrugada passada. “Na primeira vez, comecei a receber fotos da enchente em Chapecó. Choveu muito, inundou a loja de uma amiga”, mostrou no celular. Às 6h, um amigo enviou a notícia da queda do avião da Chapecoense. Sete horas depois, ela recebeu a informação mais dolorosa: “A minha avó (Dona Palmira, 88 anos) morreu”. Bruna corria contra o tempo. “O velório começou. Estou indo para o sepultamento, sem data para voltar”, contou ao Correio,

“Não tinha shopping, não tinha cinema, o lazer da nossa cidade era ver a Chapecoense jogar. Perdemos mais que um time, uma família” Valdenei Ferrarini, torcedor da Chapecoense

Raul Arboleda/AFP

sentada na poltrona do ônibus. “O acidente com o voo da Chapecoense é uma tragédia que me deixa sem palavras. Perdemos uma família. Quanto à minha vó, machuca muito porque comemoramos nosso último aniversário juntas”, lembra, emocionada. A corretora de seguros não tinha planos de ir a Chapecó tão cedo. O sonho era viajar para a final da Copa Sul-Americana. Ia até o Couto Pereira, em Curitiba, torcer pela Chapecoense na partida de volta da decisão. A relação de Bruna com o clube vem do berço. “Meu pai (Ivano Gallon, 60) foi um dos conselheiros. Também ajudou muito com os consulados”, conta, referindose aos pontos espalhados pela Chapecoense em outras cidades ção por Pagura. Ele disse ser cedo para fazer qualquer tipo de previsão sobre quando os sobreviventes poderão vir para o Brasil. “As informações ainda são um pouco desencontradas, só com a verificação in loco para checar mesmo. Pode ter lesão pulmonar, queimadura, cortes... Mas o mais preocupante é lesão em órgãos vitais. Pode-se dizer que esses sobreviventes são sobreviventes com bastante gravidade, precisa ser otimista, mas muito parcimonioso”, ressaltou.

Simplicidade Passageiro do primeira poltrona no andar superior do ônibus, Valdenei Ferrarini, vereador de Planalto Alegre, município vizinho a Chapecó, embarcou cedo de avião para Florianópolis com a missão de participar de um congresso de vereadores. Antes de sair de casa, tinha a informação de que o acidente com o voo da Chapecoense era leve. Quando pousou no Aeroporto Hercílio Luz, soube que o evento na capital estava cancelado devido à gravidade da tragédia na Colômbia. “Eu só voltaria na sexta-feira. Decidi retornar antes. A minha es-

posa disse que Chapecó, hoje, é um silêncio, um luto total.” Valdenei conta que não perdia um jogo da Chapecoense. Com os olhos marejados, exibe fotos e vídeos das partidas que acompanhou in loco. Na memória do celular está uma coleção de imagens com jogadores do clube. Um dos mais queridos, Bruno Rangel. “Não era um time mascarado. A gente encontrava com os jogadores no bar, eles ficavam em pé, tiravam foto com os torcedores. Não era o time de uma cidade, era a cidade de um time”, conta o assessor de Valdenei, Jucimar de Mello, 39. “Nasci no ano do primeiro título catarinense da Chapecoense, em 1977, mas acompanho tudo sobre o clube desde 1992”, orgulha-se.

Nelson Almeida/AFP

Fora do voo O zagueiro Neto só foi resgatado mais de 6 horas depois: estado grave O zagueiro Neto só foi resgatado mais de 6 horas depois da queda do avião, com um grande corte na cabeça. Como chovia muito e fazia frio no local do acidente, ele estava com hipotermia e, segundo um socorrista, apenas mexia os olhos. Jorge Roberto Pagura, presidente da Comissão Nacional de Médicos de Futebol (CNMF) da CBF, afirmou, pouco antes de tentar embarcar rumo a Medellín, que a entidade tem o objetivo de ajudar a agilizar a remoção ao Brasil dos sobreviventes.

Pagura comentou sobre a preocupação com Neto. “É quem está em estado mais grave, chegou em choque, com pressão arterial baixa, o que agrava (o quadro). Mas são situações graves, não dá para considerar nenhum fora de gravidade extrema”, afirmou o presidente da CNMF, para depois manifestar preocupação também com os outros jogadores. “Para dizer que se está livre de perigo em um acidente como esse, é preciso mais tempo”, alertou. A magnitude do acidente aéreo também foi vista com preocupa-

Incluídos na lista de passageiros divulgada inicialmente pelas autoridades colombianas, o presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense, Plínio David De Nes Filho; o deputado estadual Gelson Merisio (PSD-SC), presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina; o jornalista Ivan Carlos Aguinoletto; e o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, não estavam no avião. “Nós estávamos previstos para estar nesse voo. Inicialmente, a gente iria num voo fretado, mas a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) não liberou e nós optamos por ir em voo regular hoje de tarde (ontem). Mas voltaríamos nesse voo (que caiu)””, contou Buligon à Rede Globo.

Presidente Michel Temer decreta luto de três dias O presidente Michel Temer decretou luto oficial de três dias pelas vítimas do acidente aéreo com a delegação da Chapecoense. O Palácio do Planalto já havia emitido nota oficial em solidariedade aos familiares e amigos da equipe de futebol.“Nesta hora triste que a tragédia se abate sobre dezenas de famílias brasileiras, expresso minha solidariedade”, disse.

para ajudar no crescimento do número de torcedores.

“Estamos colocando todos os meios para auxiliar familiares e dar toda a assistência possível”, completou Temer, informando ainda que “o governo fará todo o possível para aliviar a dor dos amigos e familiares do esporte e do jornalismo nacional”. O porta-voz do Planalto, Alexandre Parola, afirmou que o presidente “está acompanhando pes-

soalmente as providências” tomadas pelo Brasil para prestar auxílio às vítimas e que “instruiu seus ministros a organizarem os esforços necessários para o apoio aos familiares e aos brasileiros hospitalizados na Colômbia”. Ontem, Temer conversou por telefone com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que transmitiu a todos o seu pesar.

“Em gesto de grande amizade, o presidente Santos ofereceu ao Brasil o apoio pleno do governo colombiano em todas as providências que se fizerem necessárias”, comentou o porta-voz, acrescentando que “o governo da Colômbia deslocou para Medellín uma equipe de especialistas para ajudar na identificação dos corpos”.

A catedral de Chapecó ficou lotada para a missa e muita gente ficou fora

Orações e homenagens Depois de uma noite chuvosa que acabou em pesadelo, Chapecó amanheceu de luto, na medida em que as esperanças de encontrar mais sobreviventes esvaneciam. A mesma cidade que há uma semana celebrava a classificação heroica à final da Copa SulAmericana está ontem afundada na tristeza. Desde que a tragédia foi confirmada, nas primeiras horas da madrugada, a Arena Condá virou o ponto de peregrinação de torcedores. Perto da estátua do índio Condá, que dá seu nome ao estádio, operários que trabalham na obra de um edifício em construção instalarem uma grande faixa preta, enquanto um guindaste colocava a bandeira do clube a meio-mastro. Uma das vítimas da tragédia foi o herói de toda uma cidade, o goleiro Danilo, que morreu a caminho do hospital. Uma das avenidas de Chapecó ainda ostenta um grande cartaz com foto do goleiro, que garantiu a classificação histó-

rica à decisão da Sul-Americana fazendo defesa milagrosa com o pé no último minuto da semifinal contra o San Lorenzo. Embaixo da foto de Danilo, uma mensagem: “Torcedor, obrigado por lutar conosco em 2016. Que venha 2017!” À noite, grande parte da torcida, habitantes de Chapecó, parentes de vítimas, entre outras pessoas mobilizadas com a tragédia, participaram de uma missa na catedral da cidade. Após a cerimônia religiosa, os torcedores se dirigiram à Arena Condá, gritando o nome dos jogadores e do técnico Caio Júnior. No estádio, as homenagens continuaram. Quando todos os lugares estavam ocupados e os familiares e amigos das vítimas chegaram ao gramado, foi realizada uma oração geral. A torcida foi convidada a retornar à Condá hoje, no horário em que seria realizado o primeiro duelo da inédita decisão internacional para a Chape, diante do Atlético Nacional de Medellín.


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Chapecoense foi vítima de um script digno de Hollywood. Dirigentes do time falaram com o Correio na segunda

Roteiro que merecia um final feliz RENATO ALVES

Nelson Almeida/AFP - 28/9/16

O

pequeno que mostrou ser capaz de vencer os grandes. Atletas renegados que deram a volta por cima. Jovens talentosos e humildes, comprometidos com o trabalho. Uma cidade pouco badalada, orgulhosa desse time. Não fosse o desfecho trágico da madrugada de ontem, com a queda do avião que levava a sua delegação, a história da Chapecoense renderia um roteiro típico dos filmes hollywoodianos. Há sete anos, quase falida, a equipe de Santa Catarina disputava a Série D do Campeonato Brasileiro. Com um desempenho regular na Série A desde 2014, hoje à noite disputaria a primeira final de um torneio internacional. Para chegar à final da Copa SulAmericana, a Chapecoense superou times tradicionais do continente, como o colombiano Júnior Barranquila e os argentinos Independiente (maior vencedor da Libertadores das Américas) e San Lorenzo. Nas finais, enfrentaria o Atlético Nacional (Colômbia), campeão da Libertadores de 2016. O segundo jogo seria em uma semana, em Curitiba — o estádio de Chapecó, de tão acanhado, não suportava um jogo desse tamanho. Mesmo com orçamento modesto em comparação com os grandes clubes brasileiros, em seus três anos de Série A, o alviverde catarinense sempre terminou na frente de ao menos um entre os 12 clubes considerados mais tradicionais no país. E, ano após ano, o time melhorava de posição ao fim dos torneios. Agora, por exemplo, é o nono colocado. A Associação Chapecoense de Futebol surgiu em 1973, da junção de dois antigos clubes do município, o Atlético Chapecó e o Independente. A intenção era criar uma expressividade do futebol regional em Santa Catarina. Chapecó fica no oeste do estado e tem pouco mais de 210 mil habitantes, a quinta maior população de Santa Catarina. Demorou sete anos para a Chape, como é carinhosamente chamada, conquistar o primeiro título. Em 1977, bateu o Avaí na final do catarinense. O bicampeonato só viria em 1996, após uma grande polêmica. Na noite anterior à final, alguns torcedores da Chapecoense

Torcedor comemora a vitória da Chape diante do tradicional Independiente, da Argentina: o pequeno time do interior de Santa Catarina vinha surpreendendo o continente soltaram fogos em frente ao hotel em que o adversário, o Joinville, estava hospedado. O presidente do Joinville decidiu não ir a campo, e o árbitro declarou a Chape campeã por W.O. O time derrotado recorreu e conseguiu marcar outro jogo, em 18 de dezembro (inicialmente, agendado para 13 de julho). Mesmo assim, a equipe alviverde levou o confronto para a prorrogação e garantiu o seu segundo título na história.

Fundo do poço Após essa conquista, a Chape entrou em declínio, vivendo seu pior momento em 2001. Com o último lugar no catarinense, teve de disputar a segunda divisão local no ano seguinte para retornar à elite regional. Em 2003, a fim de

Planejamento: o segredo em Chapecó VICTOR GAMMARO* Como todo time médio do interior do Brasil, a Chapecoense tinha receita modesta. A principal fonte de renda era a televisão. Ela recebeu R$ 28,5 milhões em 2016, pouco mais de 14% em relação ao Flamengo, clube que mais ganha dinheiro de direitos televisivos no país. A principal patrocinadora da Chape é a Caixa. O clube alviverde recebe, por ano, R$ 4 milhões da estatal, o mesmo valor do Figueirense — já rebaixado para a Sér ie B em 2017. É a menor quantia que a instituição paga a clubes da elite brasileira. A marca do banco começou a temporada estampada na camisa de 10 clubes da Série A. O Corinthians é o que mais ganha: R$ 30 milhões. A Chape tinha ainda o patrocínio de uma empresa produtora de alimentos do Brasil, que rende em torno de R$ 2,5 milhões por ano. Outra fonte importante é o número de sócios: cerca de 9,3 mil, o que gera mais de R$ 7,5 milhões anualmente aos cofres alviverdes — nas redes sociais, grupos de amigos se reúnem para se associar ao clubes depois do acidente na

madrugada de ontem. A Arena Condá, estádio no qual a Chape manda as partidas, pertence à prefeitura municipal. No entanto, o clube é o responsável pelas despesas do local. Por isso, fez uma série de investimentos, como novos banheiros, vestiários e cabines de imprensa. De acordo com dados da diretoria, o Verdão do Oeste fatura cerca de R$ 4 milhões anuais com a renda dos jogos em casa. A folha salarial da Chapecoense também é modesta: R$ 2 milhões mensais, contando os 32 atletas mais 10 integrantes da comissão técnica. Outro detalhe é que a Chape paga os vencimentos dos funcionários em duas vezes: 60% no dia 5 e 40% no dia 20. Na segunda-feira, o diretor financeiro da Chapecoense, Décio Burtet, deu entrevista ao Correio. Ele foi uma das 71 vítimas do acidente de ontem. “Trabalhamos com um modelo de gestão de orçamento profissionalizado. O orçamento é por setor, definido no início do ano para o ano seguinte”, explicou. O presidente da Chape, Sandro Pallaoro, também morreu no desastre aéreo e falou com a reportagem na segunda. Para ele, o segredo do clube era a

Contabilidade em dia Fontes fixas de renda da Chapecoense Televisão Sócios Bilheteria Caixa (patrocinador) Aurora (patrocinadora) Total

R$ 28,5 milhões/ano R$ 7,5 milhões/ano R$ 4 milhões/ano R$ 4 milhões/ano R$ 2,5 milhões R$ 46,5 milhões

Fonte: Departamento Financeiro da Chapecoense

se livrar de grandes dívidas, mudou o nome oficial para Associação Chapecoense Kindermann/Mastervet, substituindo a personalidade jurídica e se aproveitando de uma brecha na legislação brasileira. Mas a maior mudança ocorreu em 2005, quando

um grupo de empresários da região assumiu a direção do clube. O primeiro resultado positivo desse novo modelo de gestão veio em 2007, com a conquista do tricampeonato estadual e a consequente classificação para a Copa do Brasil de 2008, na qual

foi eliminada na segunda fase. Já em 2009, mesmo desacreditada, a Chape conquistou o vicecampeonato estadual e disputou a Série D do Campeonato Brasileiro, conseguindo o acesso à Série C de 2010. Dois anos depois, conquistou o acesso à Série B, divisão na qual ficou apenas um ano, com o acesso para a Série A de 2014. Desde então, foram três anos seguidos disputando a principal divisão do país e fazendo boas campanhas, com significativas vitórias sobre alguns dos maiores times do Brasil. Em 2014, a Chapecoense goleou o Internacional por 5 x 0 e terminou em 15º lugar, à frente de Palmeiras e Botafogo. Em 2015, foi a vez de o Palmeiras levar cinco gols do Índio Condá, como também é conhecida a

equipe, que manda os seus jogos na Arena Condá. O time catarinense ficou à frente de grandes times, entre outros, do rebaixado Vasco da Gama. Já na atual edição do Brasileirão terminar com campanha melhor que São Paulo, Fluminense, Cruzeiro e Internacional. A ascensão da Chapecoense, aliada ao carisma do elenco e aos grandes desafios superados, fez o time cair nas graças dos torcedores de todo o país. Apelidos divertidos, como Chapeterror e Chapelemanha, fazem parte do folclore do futebol brasileiro. Se já era difícil encontrar algum torcedor que tinha algo contra a equipe de Chapecó, a missão se tornará impossível após o triste fim desta história da vida real, que merecia um final feliz.

Nelson Almeida/AFP

Na Arena Condá, que rende R$ 4 milhões por ano em ingressos, fãs se reuniram ontem para chorar e prestar homenagens aos mortos no acidente responsabilidade.“Tem de ter planejamento em cima da verba que possuímos”, ressaltou. A Chapecoense ainda conta

com um modelo de gestão diferente do da maioria dos clubes brasileiros. Um grupo de empresários locais administra a insti-

tuição como uma empresa. “Tomamos as decisões juntos, organizamos juntos, criamos as áreas com pessoas experientes em cada

setor”, explicou o presidente. *Estagiário sob supervisão de Renato Alves


#somostodosCHAPE CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quarta-feira, 30 de novembro de 2016 • 5

Especialistas consideram que um conjunto de fatores deve ter causado o acidente e não descartam falta de gasolina

Múltiplas causas para a queda RODOLFO COSTA RENATO SOUZA

ESPECIAL PARA O CORREIO

MARTHA CORRÊA

ESPECIAL PARA O CORREIO

P

ane elétrica? Falha humana? Falta de combustível? Para especialistas em aviação civil, normalmente, a queda de uma aerovave é resultado de um conjunto de fatores e, no caso do acidente do avião da Lamia Corporation, que transportava os jogadores e a equipe técnica da Chapecoense, além de jornalistas e convidados, não é diferente. Para o comandante Alessandro Rocha, instrutor da Ultrapilot (escola de formação de pilotos), vários problemas podem ter contribuído para essa tragédia. “Pelo que acompanhei, estava chovendo na hora do acidente. Pode ter sido um conjunto de falhas. Uma falha isolada não derruba um avião”, afirmou. O professor do curso de Aviação Civil do Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa (Icesp), Jorge Carmo, lembra que a “região de Medellín tem relevo considerado arriscado para aeronaves” e disse que a Força Aérea Brasileira deve colaborar com as investigações sobre as causas do acidente. A possibilidade de falta de combustível também não deve ser descartada, segundo DouglasVerrine Machado, ex-chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).“Sabemos que o avião voou muito e, por isso, devia estar com pouco combustível. Era noite e isso traz dificuldades naturais para os pilotos”, ponderou, sem descartar uma possível pane elétrica. “Quando isso ocorre, o radar de bordo para e dificulta os sobrevoos em terrenos montanhosos”, acrescentou. Pelas imagens divulgadas até o momento, Machado acredita que o avião chegou ao solo nivelado, com “nariz alto”, mas, por causa da irregularidade do terreno, bateu e se estraçalhou. “Observei que tem uma parte com 10 janelas intactas e os flaps estavam baixos. Isso demonstra que a velocidade não estava alta. Ele tentou pousar, mas,porsernoiteeoterrenomontanhoso, o acidente foi pior”, disse.

Anac Mas por que a aeronave fretada não saiu de São Paulo para Medellín? O fato é que o Código Brasileiro de Aeronáutica (CBAer) e a Convenção de Chicago, que trata de acordos de serviços aéreos entre países, não permitem que uma aeronave de uma terceira nação, no caso a Bolívia, seja fretada para viagem entre dois países distintos — Brasil e Colômbia. Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou o pedido da Lamia para o voo entre a capital paulista e Medellín a fim de transportar o time da Chapecoense. Explicou que o voo só poderia ser realizado por companhias aéreas brasileiras ou colombianas e por isso o pedido foi negado.

Raul Arboleda/AFP

Pouso forçado O diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Nilson Leal, disse que “tudo indica que houve um pouso forçado”. E, pelas condições apresentadas até o momento — pane elétrica, região de serra, tempo ruim, noite —, na opinião dele, eram poucas as chances de sucesso. As investigações serão realizadas na Colômbia, e o Brasil vai atuar como apoio. O próximo passo será decodificar a caixa-preta e fazer o levantamento histórico da aeronave.

Região montanhosa pode ter dificultado a realização de um pouso forçado. Janelas preservadas indicam que velocidade na hora da queda estava baixa

Artigo

por Ivan Bitar Fiuza de Mello

Prudência antes de acusações

A

ntes de apontar as causas para um acidente aéreo, devemos, primeiramente, esperar a conclusão das investigações realizadas pelas autoridades aeronáuticas e especialistas.Vale ter prudência antes de apontar culpados pelo acidente com o voo da Lamia, apesar da dor de familiares, amigos, e de todos nós, brasileiros. Neste momento, podemos somente apresentar suposições e hipóteses sobre o que possa ter acontecido. Temos de ter como premissa que todo acidente acontece por uma sequência de fatores.Vejamos as possibilidades que devem ser levadas em conta nas investigações: 1. O fator meteorológico condiz com as condições no momento do acidente. A presença de tempestades, rajadas de vento, nevoeiro seguido de visibilidade restrita, formação de gelo e turbulência são alguns dos indícios a serem analisados durante a investigação de um acidente aéreo. 2. O fator geográfico está em acordo com as características do local do acidente. Se ocorreu em uma área de topografia acidentada (montanhosas com aclives e declives), de vegetação fechada (florestas e matas), de vegetação mais baixa e rasteira (cerrado e campos), desérticas ou em oceanos, mares, lagos ou rios. 3. O fator material condiz sobre possíveis panes ou falhas que a aeronave possa ter sofrido em voo, em descida ou durante a decolagem. Panes elétricas, hidráulicas e mecânicas são alguns exemplos. 4. O fator humano está em conformidade com as condições psicológicas e as capacidades do piloto. Se o piloto e a aeronave eram habilitados para um determinado tipo de voo, se os pilotos estavam descansados e, ainda, se estavam sob algum tipo de pressão ou não. Avaliando as condições meteorológicas do acidente do voo da Chapecoense,havia uma pequena célula de tempestade isolada e não muito intensa nas proximidades, camadas baixas de nuvens, predisposição para nevoeiro, vento calmo e chuvisco leve. Nada que ocasionasse um acidente de grandes proporções em uma aeronave homologada para pouso por instrumentos em um aeroporto equipado. Avaliando o fator geográfico, o local do acidente possuía a característica de ser uma região montanhosa, com aclives e declives e de mata fechada, o que, em um voo noturno, não facilita, mas também não é fator culminante em um acidente. Avaliando o fator material, precisa-se verificar se realmente houve uma falha elétrica e o porquê dela ocorrer. Falta de combustível e pane em algum sistema ou instrumento da aeronave são quesitos a serem considerados. Na parte humana acredita-se que os pilotos eram habilitados para esse tipo de voo, assim como a aeronave e o aeroporto de destino eram homologadas para voo por instrumento. * Meteorologista, mestre em meteorologia e piloto privado de avião.


#somostodosCHAPE 6 • Brasília, quarta-feira, 30 de novembro de 2016 • CORREIO BRAZILIENSE

Técnico do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda defende que título vá para a Chapecoense

Deu no ...

“Esses meninos são heróis”

CNN:

MARCOS PAULO LIMA

Raul Arboleda/AFP - 25/7/16

O

relógio marcava 13h01 nesta terça-feira triste. Atencioso como sempre foi comigo desde que nos conhecemos em uma entrevista para o Correio, o técnico do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda, atende no segundo toque. Mal deu tempo de dizer alô. “Olá, Marcos! Como estão você e o povo de seu país? Estamos arrasados aqui na Colômbia”, antecipa-se o treinador colombiano campeão da Copa Libertadores da América neste ano e que decidiria a Copa Sul-Americana a partir desta quarta contra a Chapecoense. Reinaldo Rueda conta que estava dormindo. O fuso-horário de Medellin em relação a Brasília é de menos três horas. O técnico soube do acidente com o avião que levava a Chapecoense à Colômbia por uma mensagem de celular enviada por um diretor de seu clube. O texto comunicava a tragédia e anunciava que a finalíssima da Copa Sul-Americana, com início nesta quarta, no Estádio Atanasio Girardot, estava cancelada. “É muito cruel o que aconteceu com esses meninos, muito cruel. Estou abalado. É incrível o que eles fizeram nesta temporada. Estudamos muito a Chapecoense, estávamos preparados para uma final muito dura. É difícil aceitar que isso tenha acontecido. São duas notícias muito tristes

“A ascensão de conto de fadas da Chapecoense — de pequeno clube de futebol para heróis nacionais — foi encurtada, deixando o país de luto pela perda de um de seus times mais cativantes.”

The Guardian

Brasil declara três dias de luto “Presidente anunciou luto nacional depois de acidente do avião da equipe de futebol Chapecoense que matou 75 pessoas.” BBC

Time desaparece em desastre Rueda: “É muito cruel o que aconteceu com esses meninos, muito cruel. Estou abalado. O que eles fizeram na história precisa ecoar na eternidade” em pouco tempo. Primeiro, a morte de Carlos Alberto (Torres), um ícone do futebol mundial que conheci pessoalmente na Copa de 2014. Agora, esse acidente com a delegação de um time de futebol”, lamentou Reinaldo Rueda.

O trinador conta que ontem, antes de dormir, estudava a biografia do técnico Caio Júnior. “Não o conheci pessoalmente, mas estava empenhado em desvendar sua trajetória, a filosofia tática, seus pensamentos sobre

futebol. Como disse, seria um time difícil de ser batido”, reforçou. Antes de se despedir, Reinaldo Rueda deu uma demonstração imensa de solidariedade e grandeza. “Sugeri à diretoria e aos jogadores que a Chapecoen-

se seja proclamada campeã da Copa Sul-Americana. Não precisamos dividir o título. Esses meninos são heróis. O que eles fizeram na história do futebol brasileiro, sul-americano, mundial, precisa ecoar na eternidade”.

O dia em que o planeta bola chorou Comovido, o mundo do futebol lamentou ontem o acidente do avião que transportava a Chapecoense rumo a Medellín, onde a equipe catarinense disputaria a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional. Federações, seleções, equipes, jogadores, atletas de várias disciplinas e figuras de todos os cantos do planeta expressaram suas condolências e solidariedade. As grandes equipes da Espanha, Real Madrid e Barcelona, respeitaram um minuto de silêncio antes das respectivas sessões de treino. Na Inglaterra, o Liverpool, time onde joga Philipe Coutinho, também homenageou os jogadores brasileiros antes do jogo contra o Leeds United. Na Itália, o Torino, que passou pelo mesmo drama em 1949, fez um minuto de silêncio antes da partida pela Copa da Itália.

Chapecoense, conto de fadas vira tragédia

Paul Ellis/AFP

“Corpo da aviação civil da Colômbia diz que apenas 6 sobreviveram ao acidente, atribuído a uma falha técnica.” La Gazzetta dello Sport

Chapecoense, fábula de final trágico “Nunca um conto de fadas teve um final tão trágico. Nas últimas semanas, a Chapecoense tinha sido a estrela de várias festas. Entre os salvos, estava Matheus Saroli, filho do técnico do clube, que deveria ter embarcado no voo, mas ficou em São Paulo porque esqueceu o passaporte.” El País

Acidente deixa ao menos 75 mortos

Um dos mais tradicionais times da Inglaterra, o Liverpool fez um minuto de silêncio antes do jogo das quartas de final da Copa da Liga Inglesa

A tragédia da Chape nas redes “Issoéumatragédia.Mandominhas condolênciasàsfamíliasdosfalecidos. Descansemempaz”

“Meus mais sentidos pêsames para todas as famílias, amigos e torcedores do elenco da #Chapecoense. #FuerzaChape”

Pelé, ex-jogador da Seleção Brasileira

Lionel Messi, atacante argentino do Barcelona

“É um dia muito, muito triste para o futebol. Neste momento difícil, nossos pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e amigos. Gianni Infantino, presidente da Fifa

“Meu apoio e meu carinho para os familiares do acidente aéreo na Colômbia. Terrível notícia. Em especial a todos os torcedores da ChapecoenseReal” Luis Suárez, atacante uruguaio do Barcelona

L’Équipe

“Todo meu carinho e força para os familiares e amigos das vítimas do acidente aéreo da ChapecoenseReal na Colômbia #FuerzaChapecoense” Ivan Rakitic, meia do Barcelona

“Minhas condolências pelo acidente de avião no qual viajava a ChapecoenseReal. Momento difícil para o futebol. Muito ânimo e força”

“Lamentavelmente esses garotos, que vinham traçando seus caminhos graças à força do futebol, pegaram o avião errado. A partir de hoje eu sou torcedor da Chapecoense...”

“Minhas orações e solidariedade aos sobreviventes, famílias e amigos da ChapecoenseReal neste momento tão difícil”

Diego Maradona, ex-jogador argentino

Radamel Falcao, atacante colombiano do Monaco

“Minhas sinceras condolências aos familiares das vítimas do acidente ocorrido na Colômbia. Nós, que vivemos de futebol, sentimos muita dor e uma tristeza profunda por vermos companheiros de profissão, no exercício de seu trabalho, ter seus sonhos interrompidos por essa tragédia”

“NossospensamentoscomaChapecoenseReal, todososafetadospelatragédiaesuasfamílias. Nãohápalavras.Muitaforça” “Meus mais sinceros pêsames para toda a família da ChapecoenseReal, dia muito triste”

Consternado com essa tragédia. Minha solidariedade aos amigos e familiares dos atletas, jornalistas, equipe técnica e tripulação #forçachape

Tite, técnico da Seleção Brasileira

Diego Simeone, técnico do Atlético de Madri

Romário, ex-jogador da Seleção Brasileira

Sergio Ramos, zagueiro do Real Madrid

“O acidente aéreo aconteceu nas intermediações da montanha El Gordo, em Antioquia, perto do aeroporto de Medellín José Maria Córdova, localizado no município vizinho de Rionegro. O ponto exato do acidente só é acessível a pé, segundo confirmaram as equipes de resgate.”

Chapecoense, do sonho ao pesadelo “A equipe da Chapecoense, ofuscada pelo acidente aéreo na terça-feira, foi para a Colômbia para jogar a final da Copa Sul-Americana. O triste epílogo de um verdadeiro conto de fadas esportivo para este modesto clube brasileiro.”

Iker Casillas, goleiro espanhol do Porto

“Comovido e triste com esta tragédia da ChapecoenseReal. Minhas condolências e apoio ao clube, às famílias e aos amigos #FuerzaChape” Sergio ’Kun’ Agüero, atacante do Manchester City

La Nácion

Quem são os três sobreviventes “Jackson Follmann, Alan Ruschel e Hélio Zampier foram os únicos integrantes do plantel brasileiro que saíram com vida da queda. Também se salvaram um jornalista e dois tripulantes.”


#SOMOSTODOSCHAPE CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quarta-feira, 30 de novembro de 2016 • 7

Acidente aéreo provocou a morte de 20 profissionais da imprensa. Fox Sports teve mais baixas, com seis vítimas

Tragédia no jornalismo nacional Breno Fortes/CB/D.A Press - 18/4/07

RENATO ALVES

C

om 71 mortos, queda do avião que levava a delegação da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana é a maior tragédia do futebol e do jornalismo mundial. A aeronave, que caiu em Cerro Gordo, entre as cidades de La Union e La Ceja Del Tambo (a 40km de Medellín), levava atletas, integrantes da comissão técnica, convidados do time e 21 jornalistas brasileiros que participariam da cobertura da partida contra o Atlético Nacional. Dos profissionais de imprensa, apenas um sobreviveu: Rafael Henzel, da Rádio Oeste Capital, de Chapecó. Entre os mortos, 22 integravam a delegação da Chapecoense, sendo 19 atletas — o maior número de perdas em um acidente envolvendo equipes de futebol. Da lista de profissionais de comunicação que não sobreviveram, seis são do canal Fox Sports, três da TV Globo, quatro da RBS, um do Globoesporte.com e sete de rádios de Chapecó. Os nomes mais conhecidos são o repórter Victorino Chermont, o narrador Deva Pascovicci e os comentaristas Paulo Julio Clement e Mário Sérgio (ex-jogador e ex-técnico de futebol), todos da Fox, que detém os direitos de transmissão televisiva da Copa Sul-Americana.

Opositor da CBF morre A CBF confirmou que Delfim Peixoto — vice-presidente da entidade para a Região Sul — estava no avião que caiu nas proximidades de Medellín. O dirigente, opositor ao presidente da confederação, Marco Polo del Nero, pleiteou assumir o cargo máximo quando o rival foi afastado em 2015. O presidente da Federação Catarinense de Futebol, então com 74 anos, era o vice-presidente mais velho e deveria ficar com a função. Mas Del Nero conseguiu tornar vice o Coronel Nunes, do Pará, então com 77, que depois assumiu a presidência.

Adeus ao rebelde e talentoso Mário Sérgio O ex-jogador, ex-técnico e comentarista Mário Sérgio Pontes de Paiva, que trabalhava no canal Fox Sports, está entre as vítimas da queda do avião que levava a equipe da Chapecoense além de jornalistas e dirigentes a Medellín. A informação foi confirmada pela própria emissora. Antes de se tornar comentarista de tevê, carreira que iniciou em 2012, Mário Sérgio foi um dos atletas mais talentosos de sua geração, reconhecido pela habilidade e criatividade. É citado no livro Os 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos, dos jornalistas Paulo Vinicius Coelho e André Kfouri. Cabeludo e com ar rebelde, Mário atuava com as meias arriadas. Sempre vestindo a camisa 11, desempenhava a função de falso ponteiro-esquerdo, meia e até armador. Ao longo de 18 anos como jogador, colheu elogios na mesma proporção que recebeu críticas. É considerado um dos melhores jogadores da história doVitória (BA), onde iniciou a carreira, na década de 1970. Começou a jogar pelo clube em 1971, mas o desta-

que ocorreu no ano seguinte, com a conquista do Campeonato Baiano. Foi contratado pelo Fluminense em 1975 para fazer parte da primeira versão da “Máquina Tricolor”, com Rivelino, Paulo César, Gil, Manfrini e Edinho. Mesmo com o título carioca de 1975, um desentendimento entre o então presidente do Fluminense, Francisco Horta, e o jogador acabou com sua passagem pelas Laranjeiras. No Internacional, fez parte do time que conquistou o Brasileirão de 1979 de forma invicta. No São Paulo, clube pelo qual atuou em 1979, tornou-se conhecido por uma de suas jogadas características. Costumava dar um passe em que olhava para um lado e tocava para o outro, confundindo a marcação adversária. Por isso, foi chamado de “Vesgo”. Entre os clubes que passou, Mário colecionou a fama de indisciplinado, o que fatalmente o afastava da Seleção Brasileira, mesmo com o enorme talento. Apesar de ter feito parte de toda a preparação da equipe para a disputa da Copa de 1982, foi cortado na última convocação.

CBF adia Brasileirão e final da Copa do Brasil A CBF anunciou o adiamento da última rodada do Campeonato Brasileiro. A decisão faz parte do luto pelas vítimas do acidente do avião com a Chapecoense. Em respeito à tragédia, a entidade decidiu adiar a última rodada de domingo, dia 4, para o dia 11. A fase derradeira da competição servirá para decidir classificados para Libertadores e Sul-Americana, além dos rebaixados. Também foi confirmada pela CBF a nova data da segunda partida da decisão da Copa do Brasil. Grêmio e Atlético-MG se enfrentariam hoje, em Porto Alegre. O duelo agora ocorrerá no dia 7. Já o Palmeiras, campeão brasileiro com antecedência, pedirá à CBF para jogar com a camisa da Chapecoense na última rodada do Brasileirão, contra o Vitória. O

clube já tem o aval de Crefisa e FAM, seus patrocinadores, e também solicitará a liberação da Adidas. A Chapecoense é patrocinada pela Caixa e usa material esportivo da Umbro. O clube paulista foi um dos que mais sentiram a tragédia com a Chapecoense, rival no domingo passado, no jogo que confirmou o seu nono título brasileiro. Próximo rival da Chapecoense pelo Brasileirão, o Atlético-MG emitiu nota oficial para avisar que é contra a realização da partida. Um eventual cancelamento do duelo não faria grande diferença na tabela. O time mineiro será quarto colocado do Brasileirão de qualquer forma. A Chapecoense, em nono, ainda briga para ficar em oitavo ou pode ser ultrapassada pela Ponte Preta.

Ex-jogador e ex-técnico, Mário Sérgio era comentarista da Fox Sports

Fotos: Twitter/Reprodução

PROFISSIONAIS DE IMPRENSA A BORDO O sobrevivente

» Rafael Henzel (Rádio Oeste Capital) Narrador, Rafael tem 43 anos, é casado e tem um filho de 9 anos. Começou a carreira aos 17 anos, na Rádio Oeste Capital, de Chapecó. Chegou a se mudar de Chapecó. Trabalhou no Rio de Janeiro e em Volta Redonda. Voltou para a cidade catarinense há seis anos. Tem um programa diário, chamado Som e Café News. Acompanha a Chapecoense em todas as viagens pelo Brasil e exterior.

Os mortos

Reprodução

» Deva Pascovicci (Fox Sports) Narrador, 51 anos. Começou em emissoras do interior até chegar à extinta TV Manchete, no início dos anos 1990. Em 1995, foi para o SporTV e ficou até 2004. No ano seguinte, foi para a CBN, e estava desde o início de 2016 na Fox.

» Paulo Julio Clement (Fox Sports) Repórter, 51 anos. Trabalhou no Sistema Globo de Rádio e nos principais jornais do Rio de Janeiro.

» Mário Sérgio (Fox Sports) Comentarista, 66 anos. Ex-jogador e ex-treinador, defendeu a Seleção Brasileira, Flamengo, Vitória, Fluminense, Botafogo, Internacional, São Paulo, Palmeiras, Grêmio, entre outros.

» Lilacio Pereira Jr. (Fox Sports) Coordenador de transmissões externas, 48 anos. » Rodrigo Santana Gonçalves (Fox Sports) Repórter cinematográfico, 35 anos. » Guilherme Marques (TV Globo) Repórter, 28 anos. Foi estagiário do GloboEsporte.com e passou pela TV Brasil antes de voltar à Globo em 2013 para trabalhar como repórter esportivo. » Guilherme Van der Laars (TV Globo) Produtor do programa Esporte Espetacular, 43 anos. Trabalhou no diário Lance! e no Jornal Extra.

» Ari de Araújo Jr. (TV Globo) Repórter cinematográfico, 46 anos. Começou como porteiro na TV Serra Dourada, afiliada do SBT em Goiânia. Tornou-se repórter cinematográfico na TV Anhanguera, afiliada goiana da Globo. Após passar pela Globo São Paulo, estava na Globo Rio desde 2012. » Laion Espíndola (GloboEsporte.com) Repórter, 29 anos. Trabalhou nos jornais O Sul e Correio do Povo. Também passou pelo Grupo RBS, todos em Porto Alegre. Era setorista da Chapecoense havia dois anos. » Giovane Klein Victória (RBS) Repórter da RBS TV, 28 anos. Trabalhou também na TV Pampa, em Porto Alegre.

Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 23/11/16

A decisão do título da Copa do Brasil, que ocorreria hoje, será no dia 7

“Trata-se de gesto mínimo de solidariedade que se encontra ao nosso alcance neste momento, mas dotado do mais sincero objetivo de reconstrução desta instituição e de parte do futebol brasileiro que fora perdida hoje (ontem)” Trecho da nota dos times

» Victorino Chermont (Fox Sports) Repórter, 43 anos. Trabalhou na Rádio Globo e no canal SporTV.

» André Podiacki (RBS) Repórter do jornal Diário Catarinense desde 2011. Tinha 26 anos e atuava como setorista da Chapecoense. » Bruno Mauri da Silva (RBS) Técnico de externas, estava na emissora desde 2012. Atuou ainda como operador técnico. Tinha 25 anos. » Djalma Araújo Neto (RBS) Repórter cinematográfico da RBS TV, 35 anos. Tinha 13 anos de empresa. » Renan Agnolin (Rádio Oeste Capital) Aos 27 anos, Renan atuava como repórter da rádio apenas em jogos da Chapecoense. Também trabalhava para a Ric TV, afilhada da TV Record em Chapecó e ancorava o programa Jornal do Meio-Dia.

» Gelson Galiotto (Rádio Super Condá) Narrador da emissora. » Edson Luiz Ebeliny (Rádio Super Condá) Repórter da emissora. » Fernando Schardong (Rádio Chapecó) Narrador da emissora. » Douglas Dorneles (Rádio Chapecó) Comentarista da emissora. » Jacir Biavatti (RIC TV e Rádio Vang FM) Comentarista esportivo da TV havia quatro meses. Viajou para fazer a cobertura da partida para a rádio.

A solidariedade dos clubes Os clubes brasileiros divulgaram um comunicado conjunto ontem para prestar solidariedade à Chapecoense após o acidente trágico de avião. A intenção é reforçar o elenco do time catarinense e garantir que não seja rebaixado pelos próximos três anos. A ideia surgiu em conversas entre as agremiações e compartilhamdelaPalmeiras,Corinthians, Santos e São Paulo, entre outros. O pedido é para que a CBF não permita o rebaixamento da Chapecoense pelos próximos três anos e sugere que, caso o time fique na zona de descenso, o 16º colocado vá para a segundona. “Mesmo cientes dos prejuízos irreparáveis provocados por esse terrível acontecimento, os clubes entendem que o momento é de união, apoio e auxílio à Chapecoense. Nesse sentido, os clubes anunciam Medidas Solidárias à Chapecoense, que consistirão, entre outras, em: empréstimo

gratuito de atletas para a temporada de 2017, e solicitação formal à CBF para que a Chapecoense não fique sujeita ao rebaixamento à Série B do Brasileiro pelas próximas três temporadas. Caso a Chapecoense termine o campeonato entre os quatro últimos, o 16º colocado seria rebaixado”, informaram os clubes. O texto continuou: “Trata-se de gesto mínimo de solidariedade que se encontra ao nosso alcance neste momento, mas dotado do mais sincero objetivo de reconstrução desta instituição e de parte do futebol brasileiro que fora perdida hoje (ontem)”, concluíram. O Atlético-MG, porém, rejeitou apoiar essas medidas. “(O Atlético) apoia a união de clubes e federações no sentido de atenuar as consequências desportivas dessa tragédia. Contudo, considera que as formas de auxílio devem ser discutidas em momento oportuno”, afirma a nota do Galo.


#SOMOSTODOSCHAPE 8 • Brasília, quarta-feira, 30 de novembro de 2016 • CORREIO BRAZILIENSE

As imagens da tristeza

Nelson Almeida/AFP

A LISTA DE 71 MORTOS Jogadores (19) Ananias Eloi Castro Monteiro Arthur Brasiliano Maia Bruno Rangel Domingues Aílton Cesar Junior Alves da Silva (Canela) Cleber Santana Loureiro Marcos Danilo Padilha (Danilo) Dener Assunção Braz Filipe José Machado José Paiva (Gil) Guilherme Gimenez de Souza Everton Kempes dos Santos Gonçalves Lucas Gomes da Silva Matheus Bitencourt da Silva (Matheus Biteco) Sérgio Manoel Barbosa Santos William Thiego de Jesus Tiago da Rocha (Tiaguinho) Josimar Rosado da Silva Tavares Marcelo Augusto Mathias da Silva Mateus Lucena dos Santos (Mateus Caramelo)

Comissão técnica (13) A desolação do pequeno torcedor, descalço e solitário na arquibancada da Arena Condá, reflete a dor que se espalhou por todo o mundo Nelson Almeida/AFP

Nelson Almeida/AFP

Luiz Carlos Saroli (Caio Júnior) Eduardo de Castro Filho Sérgio Luis Ferreira de Jesus Adriano Wulff Bitencourt Cleberson Fernando da Silva Anderson Roberto Martins Luiz Cezar Martins Cunha Marcio Bestene Koury Anderson Rodrigues Paixão Araújo Luiz Felipe Grohs Rafael Correa Gobbato Anderson Donizette Gilberto Pace Thomas

Dirigentes, assessores e convidados (12)

Nas redes do ídolo Danilo, a homenagem singela da população de Chapecó

Igreja lotada, no fim da tarde, para orar pelos mortos no acidente Nelson Almeida/AFP

Raul Arboleda/AFP

Sandro Luiz Pallaoro Mauro Luiz Stumpf Nilson Folle Junior Eduardo Luiz Preuss Decio Sebastião Burtet Filho Emersson Fabio Di Domenico Jandir Bordignon Mauro Dal Bello Edir Félix De Marco Ricardo Philippi Porto Daví Barela Dávi Delfim Pádua Peixoto Filho

Jornalistas (20)

Helicóptero das Forças Armadas Colombianas recolhe os corpos no local da queda Norberto Duarte/AFP

Também no estádio da Chape, fãs se reuniram durante todo o dia para se confortarem Nelson Almeida/AFP

Guilherme Marques Ari Ferreira de Araújo Júnior Guilherme Laars Giovane Klein Victória Bruno Mauri da Silva Djalma Araújo Neto André Luís Goulart Podiacki Laion Machado Espíndola Victorino Chermont Rodrigo Santana Gonçalves Devair Paschoalon (Deva Pascovicci) Lilacio Pereira Jr. Paulo Julio Moraes Clement Mário Sérgio Renan Carlos Agnolin Fernando Schardong Edson Luiz Ebeliny Gelson Galiotto Douglas Dorneles Jacir Biavatti

Tripulação (7)

Na sede da Conmebol, em Assunção, bandeiras a meio mastro como homenagem

Palmas para os heróis eternos: uma cidade inteira se uniu para chorar pelas vítimas

Miguel Quiroga Ovar Goytia Sisy Arias Romel Vacaflores Alex Quispe Gustavo Encina Angel Lugo

Diretora de Redação: Ana Dubeux (anadubeux.df@dabr.com.br); Editores executivos: Plácido Fernandes (placidofernandes.df@dabr.com.br) e Vicente Nunes (vicentenunes.df@dabr.com.br); Editor de Esportes: Leonardo Meireles (leonardomeireles.df@dabr.com.br); Editor de Fotografia: Luís Tajes (luistajes.df@dabr.com.br); Edição: Cida Barbosa, Braitner Moreira, Maíra Nunes, Rozane Oliveira e Paulo de Tarso Lyra; Diagramação: Enir Mendes, Eliezer Santos, Glauco Gonçalves Dias e Marcelo Ramos; Arte: Itamar Balduíno e Thiago Fagundes; Revisão: Fábio Marques Rezende e Rubens Leal


Nelson Almeida/AFP

Campeão da Copa Sul-americana 2016

Em pé: Danilo, Dener Assunção, Cleber Santana, William Thiego, Neto e Josimar Agachados: Kempes, Gil, Thiaguinho, Ananias e Caramelo Técnico: Caio Júnior

#SomosTodosChape


Chapecoense: o céu era o limite