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Como s達o lindas as andorinhas!

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A presente publicação foi realizada pela DG Ambiente. É editada em todas as línguas oficiais da União Europeia.

Encontra-se igualmente disponível no sítio Internet dedicado aos jovens e ao ambiente da DG Ambiente: http://europa.eu.int/comm/environment/youth/index_pt.html

Texto: Benoît Coppée Illustrações: Nicolas Viot Realização técnica: Qwentes KANTOR

Europe Direct é um serviço que o/a ajuda a encontrar respostas às suas perguntas sobre a União Europeia Um novo número verde único:

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Encontram-se disponíveis numerosas outras informações sobre a União Europeia na rede Internet, via servidor Europa (http://europa.eu.int) Uma ficha bibliográfica figura no fim desta publicação Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, 2004 ISBN 92-894-6887-4 © Comunidades Europeias, 2004 Reprodução autorizada mediante indicação da fonte

Printed in Belgium IMPRESSO EM PAPEL RECICLADO


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No cĂŠu azul, sobre um grande deserto dourado, voa um bando de andorinhas, as asitas num dar a dar apressado. Sob as suas penas escondemse pequenos grĂŁos de areia das dunas.

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Que lindas as andorinhas a voar, a voar. Nos pequenos gritos que soltam, parecem dizer umas para as outras: - Depressa! Estamos atrasadas! As nossas amigas estão quase a chegar! Depressa! Porque é assim que viajam as andorinhas. Voam dos verdes campos para os desertos. Dos desertos para os verdes campos. Os homens chamam a estas viagens "migrações". Mas as andorinhas pensam simplesmente: "Adoro viajar! Viver no sítio que mais me agrada! Na altura que mais me convém!"

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Nesse preciso momento, uma brisa suave percorre as ruas da Cidade Merlim. Chegou a Primavera. Todos parecem felizes, mas Toninho, esse, sente-se inquieto. Há vários dias que observa o céu. Espera o regresso das andorinhas. Mas o céu nada diz. Nem o mais pequeno som de uma andorinha. Nada. Silêncio. O silêncio inquietante de um céu sem passarinhos. De repente, Toninho vê uma estranha bola vermelha e amarela sobre o fundo azul do céu. - Esta agora! Um balão!

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Suavemente, o vento empurra o balão para a Cidade Merlim. Lila, a raposa, levanta o focinho entre os arbustos para espreitar. Nunca vira uma coisa assim no céu. Olha desconfiada. Oh! Vai pousar no prado verde. Toninho larga a correr na direcção do balão. Um homem desce da barquinha. Parece muito cansado. E também muito nervoso. - É uma catástrofe! grita. Uma verdadeira catástrofe! Toninho aproxima-se do homem. - Aconteceu alguma coisa?

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O homem tira da barquinha um cesto de verga. Ansioso, Toninho quer ver. Oh! No cestinho estão quatro andorinhas, tão bonitas. Mas parecem exaustas. Esfomeadas. - Estão doentes? pergunta Toninho. - Não, responde o homem. Estão muito, muito cansadas. Mortas de fome. Encontrei-as lá em cima, no céu. Davam voltas e mais voltas, desorientadas. Estavam perdidas. Procuravam água. Procuravam comida. Não sabiam aonde ir! Acabaram por pousar na barquinha do meu balão!

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Entretanto, da mata onde se escondera, a raposa Lila avista o seu amigo Toninho. Devagarinho, atravessa o prado e dirige-se para o balão vermelho e amarelo. - Cuidado! grita o homem. Cuidado! Vem aí uma raposa! Temos de proteger as andorinhas! Cuidado! - Não há perigo! diz Toninho. É a Lila, a minha melhor amiga! - Ah sim?...- diz o homem... E como te chamas tu? - Toninho. Lila aproxima-se de Toninho e olha para as quatro andorinhas.

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A milhares de quilómetros dali, mil andorinhas do grande deserto dourado atravessaram o mar, voam na imensidão do céu. Passam sobre campos e campos e grandes cidades. E vão falando umas com as outras. Nos pequenos guinchos que soltam, transmitem às outras as mil preocupações que as afligem. Os seus chilreios são gritos de alarme. São gritos que dizem: - Já não há insectos nos campos! Não temos nada para comer! - Por que é que já não há insectos? pergunta um gritinho. - Não sabemos! respondem os gritos de todas. Mas... Oh! Olhem! Olhem para ali! Os tractores estão a espalhar produtos nos campos! O que é que se passa?

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Nesse mesmo instante, o homem do balão pega numa das andorinhas, que parece ainda mais pequenina na sua enorme mão. E, fixando o olhar nos olhos de Toninho, diz: - Este animalzinho tem fome, Toninho. Os homens querem ter belos campos sem insectos... E, para matarem os insectos, põem produtos nos campos. É uma boa solução. Mas, depois, os passarinhos ficam sem nada para comer. Ou... quase nada. É uma catástrofe.

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Toninho volta-se para Lila. - Lila! Depressa! Vai buscar insectos para as nossas quatro andorinhas! No bosque grande há insectos! Vai, Lila! Vai, amiguinha! Lila compreende. Desaparece em direcção ao bosque. O homem tem ainda o olhar fixo em Toninho. - Infelizmente não é só isto, Toninho. Há outro problema... - Outro problema? pergunta Toninho inquieto.

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Nesse momento, a milhares de quilómetros dali, as mil andorinhas dirigem-se para um lugar conhecido da mais velha delas todas. O seu grito diz: - Conheço um lugar óptimo onde há água! Um enorme pântano! Todos os anos passo por lá! Venham! Confiem em mim! Há lá insectos e água, muita água! Estaremos salvas! 10


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E voando, voando, para lá se dirigem as andorinhas. Vão confiantes. No seu coraçãozinho, a mais velha deseja por tudo que o pântano ainda lá esteja. Está cheia de medo. Mas não o diz a ninguém. 11


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No prado verde onde cheira a Primavera, o homem agarra Toninho pelo ombro. A sua mão treme ligeiramente. - Que se passa? pergunta Toninho. Qual é o outro problema de que me queria falar? O homem olha para o céu, para as árvores, para as quatro andorinhas e, por fim, para os olhos de Toninho. E diz: - Há cada vez menos água no percurso das andorinhas. Cada vez menos sítios onde beber. Porque, nos pântanos, os homens preferem construir casas, ou auto-estradas, ou campos de jogos... - Os pântanos? Oh! Eu adoro os pântanos! diz Toninho. Têm cabeçudos, rãs, alfaiates... Adoro caminhar no lodo dos pântanos!

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O homem passa a mão pelos cabelos de Toninho: - Eh, eh... Davas um bom explorador, Toninho! Além de serem tudo isso que tu dizes, os pântanos dão de beber e de comer a muitas aves! Quando regressam das suas migrações, as andorinhas voam de pântano em pântano... Mas... O homem olha para as quatro andorinhas exaustas e acrescenta: - Se já não houver pântanos... Onde vão elas encontrar de beber, as pobrezitas?

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Nesse momento, a raposa Lila regressa do bosque. EstĂĄ completamente encharcada. Como se tivesse acabado de atravessar um rio. Aproxima-se com cuidado das quatro andorinhas. O homem assusta-se. Toninho diz: - NĂŁo tenha medo. A Lila vai tratar muito bem as andorinhas.

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Lila pára em frente das quatro andorinhas. Abre bem as mandíbulas. O homem esboça um gesto de pânico. Pousando-lhe a mão no braço, Toninho indica-lhe mais uma vez que nada há a recear. Então, Lila põe de fora a sua grande língua rosada onde se podem ver uns vinte insectos. As quatro andorinhas vêem os insectos. Devagarinho, a primeira apoia o biquito na língua de Lila. E... pic!, lá vai um. Depois é a vez da segunda andorinha: encosta o biquito à língua de Lila, e... pic! lá vai outro. Os olhos do homem do balão humedecem-se de lágrimas. Porque é bonito o que se está a passar. As quatro andorinhas depressa devoram os vinte insectos. Depois, Lila deita-se no chão. No seu pêlo brilham ainda cem mil gotinhas de água do rio. As andorinhas percebem. Uma a uma, aproximam-se dos pêlos da raposa. E bebem, bebem sem parar aquelas gotitas. Toninho sorri. - Eu não lhe disse que não havia perigo? A Lila tem um coração de ouro.

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Nesse preciso momento, a milhares de quilómetros dali, as mil andorinhas, guiadas pela mais velha, chegam ao grande pantanal. Os seus chilreios soltamse como mil faúlhas. E dizem: - Viva! Estamos salvas! Um pântano, finalmente! Água! E insectos! Viva! Em alegre chilreada, aquele milhar de andorinhas começa a descer em voo picado em direcção ao pântano. Depois abrandam, voando baixinho, à superfície da água. Até que enfim, comida! Água! Na margem, a andorinha mais velha diz para outras, em segredo: - Desta vez, estamos salvas. Mas de ano para ano as nossas rotas tornam-se cada vez mais difíceis. E se o pântano já não existisse...? Se, em vez dele, tivéssemos encontrado vinte e cinco casas novas... Que seria de nós?

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As andorinhas que ouviram esta confidência olham para a mais velha. Uma delas diz: - Somos frágeis. Precisamos que o bom senso dos homens nos ajude. Outra diz: - Ora, não passamos de umas simples avezitas... Talvez não tenhamos grande utilidade na Terra... As outras, zangadas, respondem: - Não temos utilidade?! Se as aves deixarem de existir... "Quem" encherá os céus com doces melodias? "Quem" dará cabo dos pequenos insectos que destroem as hortas? Hã, "Quem"?... "Quem"?

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Entretanto, no verde prado da Cidade Merlim, o homem diz: - Acabámos de salvar quatro andorinhas, Toninho. Mas vão certamente chegar milhares de outras, cheias de fome e de sede. Vem, vou levar-te no meu balão. Vamos esperá-las, lá em cima. Para lhes explicar o caminho mais curto para o pequeno pântano que existe na floresta. Toninho volta-se para Lila: - Lila, minha fiel amiga, vai até ao pântano da floresta. Espera pelas andorinhas. Elas não tardam a chegar. Recebe-as bem. Mostra-lhes o caminho. Ajuda-as. Eu vou lá para cima, para o céu. Vou indicar-lhes o caminho.

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O grande balão começa então a subir, a subir, em direcção ao céu. A bordo, o homem. Ao pé do homem, Toninho. Ao pé de Toninho, quatro andorinhas vindas de muito, muito longe. No céu, daqui a pouco, estas quatro andorinhas irão prevenir os milhares de outras andorinhas que hão-de vir. Daqui a pouco, as quatro andorinhas dirão às suas amigas: - Não tenham medo! Podem seguir com toda a confiança o grande balão vermelho e amarelo! Lá em baixo, um pouco mais longe, terão comida e bebida! Estarão salvas!

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No céu, o homem olha para Toninho e diz: - As aves são muito mais que nossas amigas. São a nossa vida, Toninho. Toninho responde: - Sim. As aves são a nossa vida. Oh! Olhe! Olhe além! Além ao longe! Lá vêm elas! Que lindas as andorinhas, a voar, a voar. Chegou a Primavera. Está à nossa porta. Entra-nos pelos olhos. Que lindas as andorinhas, a voar, a voar.

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Comissão Europeia COMO SÃO LINDAS AS ANDORINHAS! Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias 2004 — 20 p. — 16,2 x 22,9 cm ISBN 92-894-6887-4

A presente publicação encontra-se disponível a título gratuito, até esgotamento das existências, no seguinte endereço: Comissão Europeia Direcção-Geral Ambiente Centro de Informação (BU9 – 0/11) B-1049 Bruxelas Fax: 32-2 299 61 98 E-mail: env-pubs@cec.eu.int


Como são belas as andorinhas!