Page 1


PILARES da Tradição


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Bibliotecária Cristiane Dias CRB 10/1029) M539p Mendonça, Renato Pilares da Tradição. / Renato Mendonça. – Porto Alegre : Edição Independente, 2011. 200 p. 1. Biografias – Rio Grande do Sul 2. Música Tradicionalista – Rio Grande do Sul 3. Tradicionalismo – Rio Grande do Sul I. Bertussi, Adelar II. Cortes, J. C. Paixão, 1927 - III. Fagundes, Antônio Augusto, 1934 IV. Freitas, Telmo de Lima V. Título CDU 398 (816.5) (092)

Textos: Renato Mendonça Ensaios fotográficos: Emílio Pedroso Projeto gráfico e diagramação: Carolina Porto Ruwer Coordenação do projeto: Liga Produção Cultural Impressão: Gráfica Pallotti Novembro de 2011


Sumário Pilares de quê?............................................................................................... 5

O martelão................................................................................................... 11 A centelha de Paixão................................................................................... 23 Índice Onomástico...................................................................................... 51

A arte do sonho........................................................................................... 55 Pajé do mundo............................................................................................. 67 Índice Onomástico....................................................................................103

Um homem do povo..................................................................................107 Os Porongos da Criúva..............................................................................117 Índice Onomástico....................................................................................147

Buenas noches, Lee...................................................................................149 Com alma gaúcha......................................................................................159 Índice Onomástico....................................................................................197


Pilares de quê? Posso situar exatamente quando e onde o livro “Pilares da Tradição” nasceu. Foi no final de tarde do dia 26 de maio de 2007, na cozinha da casa do agricultor Carlos Alberto Cardoso da Silva, em Mostardas. Eu e o fotógrafo Emílio Pedroso estávamos lá a serviço do jornal Zero Hora, acompanhando os passos do folclorista Paixão Côrtes, homenageado da Festa do Divino Espírito Santo. Para Paixão, a visita era mais uma etapa de uma jornada ao passado: em 1970, foi em Mostardas que ele registrou pioneiramente as Promessas de Ensaio à Nossa Senhora do Rosário, valendo-se de respeito, atenção, filmadora e máquina fotográfica. Minha disposição era diferente. Guri urbano, criado no centro de Porto Alegre, costumo dizer que nasci em um pequeno e singular país chamado “Rua Marechal Floriano”. Como cada país é do tamanho da nossa imaginação e da nossa memória, as fronteiras da “Rua Marechal Floriano” comportavam personagens como o “Martha Rocha”, um rapaz deficiente mental jocosamente comparado à Miss Brasil de 1954, que teria perdido o título de Miss Universo por ter duas polegadas a mais nos quadris... Garanto que, sentado à mesa de Carlos Alberto e sua família, minha preocupação não era as duas polegadas de Martha Rocha, mas a sensação de que estava participando de uma aventura antropológica. Paixão Côrtes descia de seu patamar de lenda viva e conversava descontraidamente sobre os ingredientes do pão, sobre os tipos de copos, sobre tipos de linguiça, modelos de carreta de boi, sem


esconder sua ignorância nem sua curiosidade, garimpando História e histórias. Tive um insight: era aquilo que eu tentava fazer como jornalista. Ouvir, registrar, valorizar, contextualizar, ter na mente e no coração que o futuro só se faz se tiver por base o passado. Se tiver os seus pilares no passsado. Se tiver por pilares a tradição. Com o estímulo de Emílio Pedroso, montamos o projeto “Pilares da Tradição”, que acabou por se concretizar anos depois de meu afastamento da imprensa diária. A escolha de nossos quatro pilares foi a mais natural: lamentando a morte prematura de Barbosa Lessa e de Apparicio Silva Rillo, definimos Paixão Côrtes, Antonio Augusto Fagundes, Adelar Bertussi e Telmo de Lima Freitas. Confesso que a escolha foi feita com prazer. De antemão, eu sabia que iria expandir minhas fronteiras ao conhecer mais de perto o múltiplo Nico, poeta, músico, ator, dramaturgo, jornalista, compositor, com Bagre Fagundes, do hino “Canto Alegretense” (Nico e Bagre também têm um pequeno país singular batizado de Alegrete). Adelar Bertussi significaria certamente a redescoberta de um dos maiores mitos da música popular gaúcha - os Irmãos Bertussi. Algumas perguntas já estavam prontas: de onde veio a ideia de formar o primeiro conjunto de baile de música popular gaúcha, de incorporar a bateria ao acompanhamento, de brincar com as teclas do acordeão para fazer o ronco do bugio ser ouvido nacionalmente?

8


Telmo de Lima Freitas sempre teve para mim a imagem de um severo e talentoso guardião dos costumes e da arte campeiras. Sempre soube que sua música e sua poesia buscavam substância no que ele viveu praticamente, na perfeita tradição vida/arte, no perfeito personagem que une campo e cidade, manipulando com igual mestria o “martelo” e a gaita ponto. De onde vinha a inspiração do criador de “Prece ao Minuano” e “Esquilador”? O que movia e move o nosso herói das Califórnias? Havia muitas perguntas a serem respondidas no livro, e certamente eu e Emílio Pedroso não temos a pretensão de responder a todas. O livro “Pilares da Tradição” contenta-se em expor justamente os pilares, as origens, as marcas iniciais que moldaram a vida e a obra de Telmo, Adelar, Nico e Paixão. Não é por acaso que boa parte das conversas derivou para a infância, para o tempo em que, às vezes inconscientemente, cada um deles (e de nós) definiu seu mapa na vida. Como repórter, percebi que isso fica claro ao constatar o número de nomes de amigos de infância e de juventude que nossos Pilares evocam, como a reafirmar que a arte é feita da vivência simples, do que se alimenta do cotidiano, longe das grandes produções. A História se faz de pequenas histórias, nos pequenos países como Inhanduí, Para-boi, São Jorge da Mulada, Santana do Livramento e Rua Marechal Floriano. Confesso que me aproximei dos Pilares na nostalgia de uma querência - ou bem querência, como descreve Paixão Côrtes. Encontrei o que queria especialmente na

9


amizade, ainda que limitada pelo trato profissional, que estabeleci com cada um deles. À minha maneira, e com a inspiração da pluralidade dos Pilares, expandi as fronteiras do meu país singular. E é assim que posso definir a ambiciosa pretensão deste livro: não um recorrido histórico, extensivo e detalhado, mas um mapeamento de onde moram as emoções que impulsionam no espaço e no tempo aqueles que criam sua arte e sua vida tendo por base o seu pago. Pilares de quê? Para quê? Tradição é a resposta, e quem ler as grandes entrevistas que se seguem vai concordar que não existe nos depoimentos de cada um dos Pilares nenhuma laivo de xenofobia - eles, para ser o mais claro possível, escolheram tão-somente não renegar a vida que receberam de seus antepassados, atribuindo-se ainda a tarefa de cultuá-la e preservá-la. Ao longo dos depoimentos, percebe-se às vezes um lamento condoído pelas coisas que passaram, mas nunca a negação (ao menos incondicional) do que virá. Pilares para quê? Para mim, para aprender a aprender, novamente e novamente. Ouvir a história dos outros e confrontar com a minha. Valorizar os momentos comuns, grávidos do que poderá mudar uma vida. Ouvir Paixão, Telmo, Adelar e Nico para identificar onde estão os pilares da minha própria tradição. É o que desejo a todos que começam aqui a jornada através da história de quatro dos maiores nomes da tradição gaúcha.

10


Por fim, cabe registrar que esse livro só foi possível graças aos benefícios da Lei Rouanet e ainda elogiar a disposição da Unifertil de se juntar a nós nesta expedição. Somos todos passageiros privilegiados de uma viagem cujo destino final é o autodescobrimento.

11


12


O martelão Final dos anos 1940, Paixão Côrtes entra pisando firme no principal bar de Vacaria, junto à praça principal da cidade. Não é só o passo que chama a atenção: o santanense está pilchado a rigor, causando surpresa entre os pacatos frequentadores do bolicho. “Buenas, o que temos pra beber?”. O dono do bar, sestroso, tenta o forasteiro “Martelo ou martelão de cachaça?”. “Martelão”, diz convicto nosso Pilar, com o corpo oitavado no banco, no melhor figurino da Fronteira. O que normalmente acontecia depois dessa ingênua bravata era os paesanos do lugar se afeiçoarem pelo fronteiriço e apresentarem a ele os velhos da região, que ainda preservavam a tradição. Era essa a receita de Paixão Côrtes para iniciar a exploração folclórica em algum lugar: uma boa dose de cachaça, uma dose maior ainda de simpatia altaneira, e um talagaço de prosa com a gente simples preserva a tradição sem nem saber por quê. Pulo no tempo e espaço, e agora é 2007, na localidade de Olhos D’Água, município de Tavares. Paixão está com 80 anos de idade, é folclorista reconhecido, imortalizado em bronze na estátua O Laçador. E onde ele está encostado? No balcão de um bolicho de beira de estrada, provando cachaça de butiá e assuntando com clientes sobre o que se planta na região, como se planta, por onde anda a tradição. Provavelmente rejeitou o martelão e se contentou com um golinho de branquinha, mas a receita e o bigode continuam quase os mesmos aos lá de Vacaria. As duas histórias, separadas por 60 anos, nos garantem uma conclusão: o folclorista Paixão Côrtes, que ao lado de Barbosa Lessa e de Glaucus Saraiva foi um dos titãs pelea-


dores pela ressurreição da tradição gaúcha, que ainda hoje esperneia atrás de danças, versos e vestuários esquecidos nos vãos do passado, que percorreu o Rio Grande no encalço de fragmentos do que é ser gaúcho, esse Paixão Côrtes é alguém que ignora o tempo. Converse com ele, ouça as suas histórias, ria de suas piadas - para este Paixão apaixonado pela tradição, o tempo não passa, embora deixe marcas: os joelhos já não são os mesmos, e ele agora é obrigado a sapatear sentado quando está registrando as coreografias que recolheu em suas andanças. Em meados de novembro de 2011, encontrei Paixão para complementar detalhes de nossa entrevista, e nosso Pilar estava mais faceiro que guri de calça nova. Os motivos eram dois. Primeiro, Paixão tinha emprestado sua voz grave para narrar um dos poemas de “Sapo Amarelo”, de Mario Quintana (1906-1994), que recebeu uma versão em livro, CD e Braille dentro da Coleção Braille Quintana. Era um reencontro de Paixão com o poeta alegretense, que tinha apoiado os jovens folcloristas, lá no final dos anos 40, na condição de jornalista do Correio do Povo. - Imagina, eu, índio grosso, colocando a voz nas poesias de Mario Quintana. Que espetáculo! O outro motivo de contentamento era o convite já aceito para palestrar em um CTG sediado no estado americano da Flórida. - Veja bem, Mendonça. Lá em 1947, nos mobilizamos con-

14


tra os americanos e a favor de nossa tradição porque eles estavam nos invadindo culturalmente, era só best-seller, boy e OK pra cá, OK pra lá. Agora, em 2012, o Paixão Côrtes vai palestrar nos Estados Unidos. É como se fosse uma invasão ao contrário. O invasor gaúcho tem a seu favor uma modéstia imbatível. Como ele mesmo explica: - Há 60 anos, venho falando, não porque saiba falar, mas porque foi necessário. Há 60 anos, venho dançando, porque era importante dançar. Há 60 anos, venho cantando, porque era preciso. Também atuei no teatro e no cinema, porque era uma missão a ser cumprida. E não sou um escritor, sou apenas um escrevinhador, a arte é do povo. Calhou de precisar alguém para essas tarefas, e de eu estar ali, naquela hora. Sorte da tradição gaúcha.

15


Paixão Côrtes (D), Vieira Simch (E) e Silva Neto (C) conduzindo a Chama

Paixão encontra o Capelão Pedro Cantor, em Livramento, década de 60

16


Paixão Côrtes levou a tradição gaúcha à Itália

17


O taura PaixĂŁo CĂ´rtes mostrando sua habilidade fechando um palheiro

PaixĂŁo viajou a Belo Horizonte para ensinar folclore a padres e freiras, em 1959

18


Legenda únicQ Legenda únicQ Legenda únicQ Legenda únicQ

Anselmo Duarte, Francisco di Franco e Paixão, no set de “Um Certo Capitão Rodrigo”

19


Pesquisa sobre a dança Faca Maruja

Paixão ensina como é que se manda uma boa chula

20


Paixão Côrtes exercitou o seu talento multimídia na França

21


Foto de Gilson Oliveira

Paixão e Barbosa Lessa em 2001, no lançamento do CD da Coleção Palavra 2

22


Acima, em 1981, Antônio Caringi e Paixão Côrtes. Abaixo, Em 1999, Paixão é agraciado por FHC como Comendador da Ordem da Cultura Nacional

23


A centelha de Paixão

J

oão Carlos D’Ávila Paixão Côrtes é um homem da Fronteira - afirmação indiscutível, posto que nasceu a 12 de julho de 1927 em Santana do Livramento, divisa do Brasil com o Uruguai. Mas Paixão Côrtes é também um homem de fronteira. Esta segunda afirmação é mais sutil, e sua diferença não reside na letra maiúscula ou minúscula: nosso Pilar é de fronteira porque desde sempre conviveu com dois ou mais mundos, enfrentando este desafio com a naturalidade de quem está sempre atento ao mundo, resoluto em seus princípios e crenças mas nunca refratário ao novo, desde que este não o violente. O espírito fronteiriço forjou-se já de guri, ainda nos campos do Cerro Chato, pago de sua família em Livramento. João Carlos era mais um fruto de uma ascendência altiva que tinha, do lado materno, dona Maria Fátima D’Ávila, do ramo paterno, Júlio Paixão Côrtes. Júlio vinha de Bagé, mas não trazia apenas a vivência taura do Pampa - era engenheiro agrônomo, sintonizado com revoluções técnicas e sociais que aconteciam no mundo fora do Cerro Chato. Nosso Pilar infante, por isso, já cresceu percebendo o atrito entre tradição e modernidade, entre conservadorismo e revolução. Talvez o elemento mais importante quando se começa a contar a história de Paixão Côrtes seja identificar de onde vem a gana de registrar, analisar e popularizar a tradição que o tem movido desde sempre, de Livramento para Porto Alegre, de Porto Alegre, para o centro do país, do Brasil para o estrangeiro, de dentro dele para seu povo gaúcho. Quando eu era guri, não existia tradição, existia vivência. Tradição é um culto, um símbolo, uma determinação, um objetivo, uma preservação. Vivência, por sua vez, é o cotidiano, o dia a dia. Eu tenho vivência, são naturais os elementos que herdei. Tanto meus ramos materno quanto paterno estão ligados ao campo. Meu pai tinha um sítio na beira da cidade, mas meu avô materno tinha duas


Paixão Côrtes ou três estâncias no Cerro Chato. Naquele tempo, a vida na cidade era rural - urbana só por ser cidade, mas rural de fato. Na estância do meu avô, chegavam a cavalo, boleavam a perna e iam conversar com ele. Era o natural das coisas. A figura do seu Júlio, mesmo tendo morrido quando Paixão Côrtes tinha só 16 anos, foi marcante na formação da personalidade do filho. Engenheiro agrônomo de formação, Júlio exercia função de veterinário também, monitorando a saúde dos rebanhos da região de Livramento. Meu pai visitava todas as estâncias em missões de combate à sarna, verminose e mal do casco (aftosa). Eu sempre ia junto com ele, no Ford 29 ou a cavalo. Ele me ensinava “Não entra por aqui. Se entrar, o animal vai te dar coice. Não sobe aqui. Não atravessa o banheiro aqui que tu resvala e cais lá embaixo e o animal te pega.” Todos esses aspectos, como quando tu vês animal de guampa grande, cuidado para levantar os estribos senão ele te arranca, te pega na perna. Isso fez com que eu tivesse vivência, não apenas culto pela tradição. Meu pai depois foi transferido para a Estação Experimental em Uruguaiana. Ficamos três anos lá. Eu ficava durante a semana na cidade, e, nos sábados e domingos, na estância. Meu pai, como era engenheiro, administrador e tinha estado nos Estados Unidos, tinha uma visão ampla. Santana fica quase a meio caminho entre Porto Alegre e Montevidéu, e essa condição era determinante na psiquê dos santanenses. Por um lado, o isolamento em relação ao Brasil fazia com que na Fronteira praticamente não se ouvissem estações de rádio brasileiras, que eram o principal motor de transmissão de cultura e comportamento de então.

26

PILARES DA TRADIÇÃO


Paixão Côrtes A Fronteira gaúcha, naquele tempo, estava voltada para Buenos Aires e Montevidéu. Antes de se conhecer a capital do Rio Grande do Sul, se conhecia as capitais da Argentina e do Uruguai. O comércio todo era para lá, porque o custo de transporte era menor. Os negócios de Santana eram com Rivera (cidade-irmã, do outro lado da fronteira). As duas cidades se confundiam. Costumo brincar que, se tu fores de Santana e não fores contrabandista, não podes ser de Santana (risos). Era um modus vivendi necessário. As famílias se interligavam, falavam Português e Espanhol ao mesmo tempo. Isso não significava que as nacionalidades se apagavam - pelo contrário. Paixão explica que, mesmo não existindo ainda consagrada no imaginário a figura do gaúcho, tarefa a que ele e outros companheiros se dedicaram a partir dos anos 1940, mesmo assim existiam vivência e Pátria, o que determinava a coexistência nem sempre pacífica de dois países lado a lado. Os uruguaios passavam para o lado de cá, a gente passava para o lado de lá. Mas, quando havia disputa de futebol, por exemplo, a gente parava na linha imaginária que divide os países. Se eles passassem pra cá, a gente babava eles a pau, e o inverso também. Depois que terminava, todos se abraçavam. Eu sei o que significam os limites da minha pátria graças a Santana. Lá, aprendi o que é Pátria. Na pátria musical de quem crescia em Santana do Livramento nos anos 1930 o repertório incluía democraticamente tango, milonga e valsa, e nem sinal do hoje tão popularizado chamamé. O Carnaval santanense era sui generis, pondo os foliões para pularem ao som de tango e milonga. Esse caldeirão resultou em um famoso conjunto da região, apesar de seu nome suspeito.

PILARES DA TRADIÇÃO

27

Livro Pilares da Tradição  

Textos: Renato Mendonça Ensaios fotográficos: Emílio Pedroso Projeto gráfico e diagramação: Carolina Ruwer Coordenação do projeto: Liga Prod...

Livro Pilares da Tradição  

Textos: Renato Mendonça Ensaios fotográficos: Emílio Pedroso Projeto gráfico e diagramação: Carolina Ruwer Coordenação do projeto: Liga Prod...

Advertisement