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Amancio, Carina Serra. Estรกcio UniSEB


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Requalificação Urbana: Arquitetura como Política Social.


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Carina Serra Amancio Caderno de projeto, parte integrante do Trabalho Final de Graduação (TFG) apresentado à Universidade Estácio UniSEB, como parte dos requisitos obrigatórios para a conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo, orientado pela Prof. Dr. Vera Lucia Blat Migliorini. Ribeirão Preto

SP


Agradecimentos Por toda a vida passamos por intercâmbios de emoções, conhecimentos e felicidade. As afeições vão seguindo, aumentando algumas vezes, outras diminuindo. Mas muitas vezes a gratidão permanece para sempre. Esse momento de agradecimento eterno é agora, onde cabe não só a formação de um profissional, mas o início do caminhar de aprendizados, sucessos e muitas vezes fracasso. Mas sempre com muita resiliência. Por essas e outras que se torna indispensável a memória constatada de amigos de profissão e da vida, que souberam com muita beleza cultivar toda minha amizade, respeito e tornaram essa conclusão possível. Gratidão por todos os momentos, Guilherme Restini, Julia Saba, Rebecca Lazzarini, Eloisa Cotrim, Natana Char, Loris Astolphe, Rayene Nicolucci, Thais Buttros e Carol Bueno. Assim como, ao decorrer de toda essa caminhada escolhemos, ou até então, somos escolhidos por mestres especiais, que dedicam o tempo e prospecção de seu talento a quem esteja disposto a ouvir e aprender. A admiração, consequentemente, não se esbarra apenas na graduação, e sim se estende pro resto da vida, delimitando nossas escolhas profissionais e pessoais. Deste modo, é imprescindível agradecer aos meus mestres Carlos Stechhanh e Vera Migliorini, que me emocionaram profundamente pela sua paixão à profissão e ética. Por falar em escolhas profissionais e sua execução, a confiança externa de um bom trabalho muitas vezes não vem junto, apenas, de comprovações, mas reconhecer no amigo seu comprometimento e dedicação. Devido a isso, as amigas e hoje clientes, Marina Xavier e Fernanda Abissamra, das quais me incentivaram desde já a prática profissional. Assim como, ser grata eternamente pelos meus alunos, dos quais me honraram por fazer de mim uma professora. Por último e o mais imprescindível agradecimento, à minha amada família. Seus ensinamentos pessoais, internos e éticos, sempre foram fruto de todo o amor e comprometimento com a bondade. A família que não escolhi mas que escolheria sem pensar duas vezes. Em especial à minha mãe, a mulher mais forte e admirável que já conheci.

Com grande carinho,

Carina S. A.

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Apresentação Este Trabalho Final de Graduação (TFG) trata de espaços intraurbanos onde há ocorrência de assentamentos informais em conjunto com áreas ambientalmente frágeis, que podem ser indicadores da presença simultânea de áreas deterioradas e de problemas sociais. Nesse sentido, busca intervir no meio físico de modo a qualicar o espaço tanto do ponto de vista social como ambiental, tendo em base não a utopia ou perfeição impossível da organização e qualicação urbana, mas sim um compromisso ético de um espaço cívico garantidor de vida (A QUALIDADE DE VIDA E SEUS INDICADORES, Selene C. Herculano). Os indicadores das áreas ambientalmente frágeis e da vulnerabilidade social exemplicam a relação entre o desenvolvimento de favelas com a consolidação das mesmas em áreas de preservação permanente (APPs). Sendo o primeiro, indicadores objetivos, dos quais avaliam riscos de erosão e alagamento, importância ecológica, impacto ambiental e leis de proteção. Já a vulnerabilidade social, aborda tanto premissas objetivas quanto subjetivas, que debate questões do novo conceito sobre exclusão social (contrastes econômicos, religiosos, morais, étnicos e culturais) e necessidades subjetivas do ser (sentimentos e crescimento interior e intelectual). É importante frisar a grande segregação social no Brasil e entender que sua espacialidade é diretamente proporcional à qualicação de cada área e competência financeira dos habitantes. Ou seja, os locais pouco qualicados acabam sendo apropriados pelos menos favorecidos, inclusive os inapropriados por lei, como várzeas de diferentes cursos d’água. A segregação social e espacial desqualica o cenário urbano em geral, não apenas no país, mas em diversas cidades, como Ribeirão Preto, a escolhida para este estudo. A cidade do interior de São Paulo é caracterizada pela concentração de renda, assim como também constitui um forte exemplo desta divisão entre classes em um mesmo espaço territorial. Ribeirão Preto, pela presença conjunta de inúmeros cursos d’agua e extrema divisão social, acaba reforçando ainda mais a questão da permanência de comunidades independentes nas margens dos rios. A área de estudo localiza-se na cidade de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, às margens do ribeirão Preto, a aproximadamente 4 km do centro da cidade, entre as avenidas: Av. dos Andradas, Av. Luzitana e parte da Av. Celso Ferreira Leite. Determinado local foi escolhido devido a suas características sociais e fragilidades do ponto de vista ambiental.

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Resumo capítulo 01

Cidade Segregação

capítulo 02

O capítulo 01 inicia o estudo da macrorregião de intervenção, da qual é possível analisar diretamente os levantamentos do uso do solo, equipamentos existentes, fluxo de tráfego, declividade e ressalvas econômicas do local de forma abrangente.

Conhecer para resolver. O capítulo dois refaz um estudo mais singular sobre uma menor área, podendo, então, intensificar as intervenções, analisando na escala de pedestre possível potencialidades e problemáticas.

capítulo 03 Pensar a cidade, transformar o futuro. O terceiro capítulo reproduz o estudo macro e micro da região, produzindo uma concepção final do que o local necessita e o que essa mesma região apresenta como qualidade. A partir disso é feito diretrizes projetuais, demonstrando um zoneamento do que será feito para a solução dessas carências e intensificar suas potencialidades.


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capítulo 04

Urbanismo como política social. O capítulo 04 demonstra em implantação, ampliações, cortes e elevações, todo o projeto desenvolvido para a área de intervenção, tendo em vista todo o conceito elaborado consequente dos levantamentos realizados.

capítulo 05 Equipamento Radar. O quinto capítulo retrata exclusivamente do equipamento principal da área, detalhando mais a fundo a relação edifício X ambiente.


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Sumário

capítulo 01

capítulo 02 Conhecer para resolver.

1. 1

Cidade Segregação

1. 1

Área de estudo.

2. 1

Estudo Cronológico

2. 2

Favela dos Andrada

2. 3

Favela da Lagoa

3. 1

Área de estudo

3. 2

Assentamentos informais

3. 3

Favelização: reconhecer e respeitar

4. 1

Hortas de Caramoniña

Áreas de preservação permanente.

1.2

Suporte ambiental da cidade.

1.3 1.4

Cidade Legal X Cidade Ilegal.

Determinantes de uma cidade ilegal.

2. 2.

2 O vale do ribeirão Preto

3.

1 Reconhecer a Área e sua problemáticas

3.

1. 1 2. 1

Diretrizes para requalificação ambiental e social Efeito Radar

3. 1 Sustentabilidade Urbana e Social 3. 2 Instituto Mexicano para Desenvolvimento Comunitário 3. 3

Quinta Monroy

2 Equipamentos

3.

capítulo 03 Pensar a cidade, transformar o futuro.

1 Localização

3.

3 Uso do Sol

4 Estudo Viário


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capítulo 04

Urbanismo como política social.

1. 1 Apresentação 1.2 Implantação 2.

capítulo 05 Equipamento Radar.

1 Ampliações

1. 1 3.

Conceito

1 Solução Habitacional

2. 1 3. 1 3. 2 3. 3 3. 4

Programa

Implantação

Planta Pavimento 01 3. 2 Layout Planta Pavimento 02

Elevação e Materialidade

3. 5

Cortes


cidade segregação

“esqueceu-se da cidade dos pobres, que depois do boom imobiliário se expandiu mais ainda. Esquecemos das políticas públicas de saneamento e habitação. Construíram casas sem olhar onde é local de habitação. Não cabe na cabeça dos economistas que a localização é uma variável econômica. Se você constrói fora da cidade, depois tem que levar a cidade para lá. Isso é caríssimo. Custa caro o deslocamento diário das pessoas, até as fontes de trabalho e de emprego.” (Maricato, Erminia. 2016)


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Áreas de preservação permanente. As áreas de preservação permanente são espaços demarcados geograficamente para a proteção ciliar em meios urbanos. O objetivo principal de uma APP é a conservação de processos naturais e da biodiversidade, através da orientação, do desenvolvimento e da adequação das várias atividades humanas às características ambientais da área (O eco, 2015). A característica de uma APP da se pela presença das singularidades ambientais que fragilizam a própria localidade e seu entorno. Mangues, hidrografias, morros, vales e outras áreas de impacto são denominados de frágeis por todo o cuidado necessário de seu convívio e preservação, ou seja, essas localidades necessitam de uma atenção a mais de conservação visto que o mau uso das mesmas desencadeiam grandes problemáticas na fauna, flora e na própria convivência cívica. Outro fato importante é o delicado uso, onde a construção civil ou qualquer assentamento irregular pode desestruturar não apenas o meio ambiente, mas como a própria construção em si. NASCENTES APP que ocupa sempre um raio mínimo de 50 metros ao redor de nascentes

O que diz a Lei.

(Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012)

Zona protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar a água, paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o solo e assegurar o bem-estar das pessoas. Pode ocorrer em área rural ou urbana.

RESTINGAS APP que cobre áreas fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues.

Topos de morros, montes, montanhas e serras.

ENCOSTAS APP em regiões com declividade superior a 45 º.

MATA CILIAR O tamanho desta APP depende da largura do curso d’agua: - De 30 metros para cursos d’agua com menos de 10 metros de largura. - De 50 metros para cursos d’agua que tenham de 10 a 50 metros de largura. - De 100 metros para cursos d’agua que tenham de 50 a 200 metros de largura. - De 200 metros para cursos d’agua que tenham de 200 a 600 metros de largura. - De 500 metros para cursos d’agua que tenham largura superior a 600 metros. AO REDOR DE LAGOAS, LAGOS OU RESERVATÓRIOS D’AGUA NATURAIS OU ARTIFICIAIS.


Suporte ambiental da cidade. A desestruturação ambiental urbana é algo inerente das cidades brasileiras, das quais não foram projetadas conforme as considerações sustentáveis e sociais (visto que ambas estão interligadas). É natural que essas degradações sejam mais intensas nas metrópoles (sendo 12 o total existente no Brasil), onde há maior intensidade de poluição do ar, enchentes, erosões, descarte de lixos em locais ambientalmente frágeis, etc. Contudo, é notável essa irresponsabilidade ambiental em cidades de diversos tamanhos, seja pelo comprometimento hídrico através de esgotos domésticos ou industriais, priorização de transporte individual, construção de vias nas margens dos vales de córregos e rios, assentamentos em mangues, etc. A gestão urbana, seja ela municipal, governamental ou estadual, pode intervir de maneira positiva nestas problemáticas, prevenindo ou solucionando. Assim como Helena Comin Vargas discorre em seu artigo “Qualidade Ambiental Urbana: Ensaio de Uma Definição”, a importância da estruturação dos instrumentos tradicionais de gestão ambiental urbana resulta em uma melhor organização e, consequentemente, facilitando essas prevenções e soluções. Esses instrumentos são separados em quatro setores, sendo eles: os normativos,que inclui

legislações de uso e ocupação do solo, a padronização e regulamentação dos poluentes nestes ambientes frágeis; a fiscalização, os preventivos, onde delimita quais áreas devem ser protegidas e zeladas e os corretivos, onde há ação direta na manutenção de saneamento, plantio de árvores, serviços de coleta de resíduos, etc. Essa gestão, muitas vezes não é efetivada com sucesso, ou pelo desconhecimento dos moradores do local, ou inclusive por motivos sociais, econômicos ou até culturais. Consequentemente, é inegável o valor do entendimento de uma área ambientalmente frágil, seja seu conceito ou seu valor perante a vida urbana e ambiental. A inclusão da educação, marketing, comunicação e a negociação ambiental têm como finalidade aumentar a eficiência da gestão e cuidados da área. A preocupação específica deste ambiente dentro do mundo urbano é relacionada também com a qualidade de vida dos habitantes, do qual pode ser analisado muitas vezes como um termo subjetivo. É inegável, então, a relação entre a qualidade de vida e o ecossistema urbano. Ambas são definições complexas e que se alteram de acordo com pragmáticas sociais, econômicas, físicas e culturais.

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14 O estudioso Brugmann (1992, apud Maricato, 2001) caracteriza o ecossistema urbano pela presença da atividade humana transformando o ambiente natural (abordagem feita, também por Helena Comin Vargas). Essa intervenção na natureza ocorre desde antes das formações das cidades modernas, portanto seria utópico e pouco eficaz negar a existência da mesma, dessa forma ele propõe uma nova forma de gestão, onde a transformação destes produtos não intervisse de forma tão negativa ao meio ambiental, preocupando se, então, com uma produção sustentável. Já em relação ao conceito de qualidade de vida, é abordado através de conceitos de Cutter (1935, apud Maricato, 2001), da qual propõe o uso de indicadores de três ordens: sociais, ambientais e perceptivos. É inegável a concepção subjetiva da qualidade de vida, visto que envolve diversas faces individuais e territoriais. Contudo, a autora pretende abordar através destas premissas as condições objetivas da sociedade perante os conceitos de qualidade. Desta forma, acredita se que as avaliações devem iniciar pela caracterização do meio ambiente, a história,

equipamentos de apoio (alimentos)

equipamentos de saúde

trabalho

o quadro socioeconômico e cultural da população, seus aspectos físicos, recursos disponíveis, etc Já Marlow (1954. apud Maricado. 2001), para definir o mesmo conceito, aborda questões de sobrevivência básica, como fome, sono, estabilidade, ordem, necessidades de amor e pertinência, estima, etc. Acredita que quando as necessidades básicas são supridas, o indivíduo tende a ser mais realizado e outras começam a aparecer. Onde entra a questão e abordagem do desejo, uma abordagem subjetiva. Para Wilheim e Deák (1970, apud Maricato, 2001) o conceito está ligado a satisfação no emprego, qualidade de moradia e renda. Portanto, pode se concluir que esse pretexto é complexo e pertence a diversas vertentes, não podendo negar e nem excluir qualquer definição já feita. O ambiente urbano deve, então, oferecer um nível satisfatório aos indivíduos de qualificação, reunindo tópicos importantes para cada caso. É delimitado de acordo com a urgência específica do local, visto que as necessidades básicas mudam de acordo com os aspectos já citados.

qualidade ambiental

esporte

transporte público e de diversidade


É imprescindível que esses componentes de qualidade de vida estão ligados a qualidade ambiental, onde o morador se satisfará se estas áreas ambientalmente frágeis não estiverem deterioradas, visto que terão impactos extremamente negativos em sua volta, realidades já existentes das cidades brasileiras. Assim como o contrário, onde a satisfação populacional afetara positivamente as áreas ambientais. O conhecimento básico sobre a malha urbana e como a mesma funciona está englobado na educação básica do individuo, da qual também está inserida na qualidade de vida básica. Essa irresponsabilidade comportamental e organizacional é muito relacionada ao meio

ambiental, contudo é necessário compreender 15 que o mesmo é produzido e direcionado por definições sociais, onde as mesmas restringem de forma diferenciada a moradia, o transporte e toda a qualificação da existência. A importância desse suporte urbano em conjunto com o ambiental pode ser analisado através de uma pesquisa feita pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-HABITAT), elaborado pelo Banco Mundial conjuntamento à Aliança de Cidades em Berlim, do qual aponta a suscetibilidade dos programa de urbanização em favelas, sendo 3 processos analisados; o morador da favela se torna cidadão, o barraco se torna uma casa e a favela se torna um bairro.

econômico

urbano

qualidade cívica

social

ambiental


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Cidade Legal X Cidade Ilegal.

“Por entenderem que seu conhecimento é instrumento de centralização e reforço do poder instituído, através das relações formais do trabalho profissional, é que arquitetos, médicos, advogados e outros profissionais buscaram ligação com os movimentos reivindicatórios urbanos, movimentos que se fortalecem a partir da última década nas grandes cidades brasileiras.” (Maricato, 1980, pág. 02).

É inegável a relação do arquiteto e urbanista com a população, seja com a classe dos trabalhadores ou grupos com maior poder aquisitivo. Visto esse envolvimento social, a profissão desencadeou grandes movimentos sociais relacionados à moradia e o direito a cidade. Essa repercussão da se pela importância da profissão relacionada com questões socioeconômicas, visto que a cidade é feita de ramificações de classes, fruto de todo o sistema capitalista, assim como essa característica age em confronto com a questão física da local. A luta diária da classe menos favorecida por direitos justos, onde a necessidade básica é exigida [a teoria de qualidade de vida de Marlow (1954, apud Maricato 2001) entra no mesmo diálogo], está diretamente relacionado a cidade ilegal.

A denominação “cidade ilegal” (ou cidade informal) é uma caracterização de locais sem qualquer legislação fundiária validada e que, consequentemente, não pagam impostos. Já a “cidade legal” (ou, ainda, cidade formal) são locais reconhecidos oficialmente e que pagam impostos e taxas. A ilegalidade urbanística está correlacionada com a ilegalidade de conflitos; não há leis, não há julgamentos; não há Estado. A falta de acesso à nfraestrutura urbana (seja equipamentos de saúde, educação, lazer ou até um saneamento básico, exposição a enchentes, falta de transporte) entra em convívio a marginalização, preconceito territorial e racial, assim como o escasso acesso a justiça oficial. É visto, portanto, um grande nível de exclusão de forma abrangente, tanto social, territorial, jurídica, econômica e cultural. Esse tipo de segregação é caracterizado pelo direcionamento público na cidade, onde os lobbies conjugam a relação mobiliária, restrição econômica e legislativa (MARICATO, 1996). São em áreas desinteressadas pelo mercado imobiliário, ambientalmente frágil, que o governo veta ocupações públicas. A ocupação vira, então, uma regra e não exceção. Visto que a falta de alternativas é eminente a desestruturação financeira das cidades.


No início do século 70, menos de 1% da população paulistana vivia em favelas, a evolução rápida para esse tipo de moradia foi já percebido nos anos 90, que apresentou uma porcentagem de 20% de moradores. A ressalva entre a distinção de lotes ilegais e favelas é imensamente importante, visto que no primeiro caso é feito um loteamento clandestino e o mesmo é comprado pelo indivíduo sem qualquer comprovante fiscal e oficial. Já a segunda denominação é caracterizada pela total extinção de regularização, trata-se de áreas invadidas. Um dos fatores determinantes para a invasão de terras é a especulação imobiliária, como dita antes. O crescimento das favelas entra em comum acordo com o crescimento da cidade. O mercado imobiliário, então, cria uma especulação da demanda, restringindo a quantidade de lotes adquiríveis, o que eleva artificialmente o seu valor e encarece a habitação. Assim como o alto valor acaba agregando uma demanda que consiga pagar o valor do mercado, desta maneira um ciclo se mantém, dando continuidade a exclusão territorial da demanda que não consegue pagar (BOLAFFI, 1982).

o t i e dir

! e d a d i c à

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Determinantes de uma cidade ilegal. Dizer que o Estado deve disponibilizar habitações para a população carente é algo consequente da visão superficial e redundante desta problemática. É necessário analisar as causas da situação, o que ocasionou, o que mantém e o que deriva. Impulsionar a remoção dos habitantes dos assentamentos informais é algo, primeiramente, extremamente caro e não seria viável estabelecer tal medida para todo tipo de comunidade. Outra questão é a vontade própria dos moradores, dos quais possuem grande raiz territorial, fácil acesso ao trabalho (se o mesmo estiver perto de sua moradia, como ocorre em sua maioria das vezes) ou até pela questão financeira, visto que mesmo sendo ganho o imóvel os indivíduos não suportariam sustenta-lo. A ressalva das questões socioeconômicas está diretamente ligada com o custo do mercado imobiliário, como dito anteriormente. Contudo, grande parte da fixação de favelas em locais ambientalmente frágeis se da pela falta de urbanização da cidade, onde é feito estudo de vias, locomoção

(tanto em escala de automóveis quanto pedestre), distribuição de equipamentos (para extinguir a exclusão territorial), estudo da legislação para essas áreas ambientais, integração da comunidade com o valor do território (satisfação cívica). A satisfação cívica pode ser analisada como uma consequência de um projeto urbano bem feito, do qual disponibiliza as necessidades básicas para a comunidade, que consequentemente estaria mais satisfeita, resultando então, na melhoria de sua própria residência, mais segurança (visto que o projeto luminotécnico e social entram na problemática de violência urbana), limpeza, etc. Desta forma, é inevitável um estudo para cada comunidade, onde devem ser analisadas suas principais urgências, problemáticas (visto que dificuldades se diferem entre favelas, como drogas e violência), prognóstico ambiental, condições da intervenção governamental e escala de impacto na cidade, para então organizar diretrizes que possam qualificar, de fato, o local, não só em curto prazo, como longo.

CONH RESO ECER PA RA LVER !


Localização

19

A análise de uma determinada área deve ser feita de maneira crescente, no sentido físico. Ou seja, é necessário analisar o local por um formato macro territorial primeiramente para então estudar a área de intervenção. Neste Caso, o Trabalho envolverá a cidade de Ribeirão Preto, localizada no estado de São Paulo. Sua população estimada 2016 (1), é de 674.405 habitantes.

Ribeirão Preto

O vale do ribeirão Preto legenda 1 3

1

Av. Bandeirantes

2

Av. Caramuru

3

Av. Nove de Julho

4

Av. Presidente Vargas

5

Rodovia SP 322

2

4

5


20 A área está entre um extenso trecho ro ribeirão Preto, está situada em uma das entradas da cidade e um importante adensamento de vegetação, graças ao horto florestal. Outro ponto importante é o impacto do centro da cidade no local, visto sua proximidade e vias que interligam ambas áreas. A partir do mapa abaixo é possível notar a localização das favelas, visto sua proximidade, assim como a ligação com o centro, horto florestal e várzea do ribeirão Preto. Alto índice de segregação territorial em decorrência da fragilidade ambiental.

legenda 1 ribeirão Preto

3

Favela da Lagoa

2 Horto Florestal

4

Favela dos Andrada

4 3

2

1


Reconhecer a área e suas problemáticas

21

Assim como citado anteriormente, a história tem um importante papel de análise para uma boa intervenção. A cidade de Ribeirão Preto por sua vez, contém um histórico comum com o restante do país; o crescimento acelerado devido ao exôdo rural devido a algum singular investimento. Nesse caso o fator responsável pelo investimento foi o grande crescimento da indústria cafeeira, da qual atingiu um impacto não apenas regional como federal. Portanto, desde a formação da cidade a estrutura social constituiu em uma segregação financeira, onde o senhor de engenho multiplicava sua fortuna através do trabalho de escravos ou trabalhadores mal remunerados. Toda essa característica de qualidade de vida era afetada, já que as questões de sobrevivência básicas não eram atendidas (moradia, saúde, fome, etc).

Grande quantidade financeira acumulada em uma parcela pequena da população

Desestruturação social, fome, analfabetismo, problemáticas urbanas, insalubridade.


Equipamentos

22 Hospital Escola

Escala da Região

Alimentos (mercados e supermercados CLUBE A. PORTUGUESA DE ESPORTES ATLÉTICOS

Correio Parque

Escala da Cidade

Escala da bairro

HOSPITAL STA TEREZA

RIBEIRÃO SHOPPING

ONG Shopping

Órgão público

UNIP

Escala da vizinhança


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O levantamento anterior da macrorregião indica uma intensidade maior de equipamentos na escala da região e cidade em áreas de valor financeiro e social acima da média. Já nos bairros menos favorecidos é comum identificar maior número de pequenos comércios alimentícios, creches e igrejas. Tal fato é derivado do pouco investimento privado e estatal nessas áreas, outra repercussão da segregação territorial. A carência de importantes equipamentos (como os de saúde e educação) engrandece as problemáticas sociais, visto que a mobilidade não é muito investida e os equipamentos citados não são presentes na região. Outro ponto importante é a análise da escala, a segregação dos equipamentos de macro escala é consequência do valor territorial e seu impacto. Enquanto bairros de baixa renda apresentam pequenos atendimentos, como citado anteriormente, os de alta renda se manifestam justamente o contrário. As grandes empresas inclinam a investir nesses locais devido ao alto valor investido em conjunto com o grande retorno monetário. Onde há mais concentração de renda há mais vendas e movimentação financeira. Enquanto os bairros segregados oferecem pouca movimentação. Contudo essas inclinações acabam gerando um ciclo “vicioso”; onde não há investimento, não há oferta e, consequentemente, não haverá crescimento (tanto no âmbito social como monetário).


Uso do Solo

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Legenda Residencial

CLUBE A. PORTUGUESA DE ESPORTES ATLÉTICOS

Assentamento informal Vegetação

Loteamento Ilegal Comércio HOSPITAL STA TEREZA

Institucional RIBEIRÃO SHOPPING

Prestação de Serviço UNIP

Vazio


25

Através do estudo de predominância sobre o uso do solo de cada quadra, é possível identificar o grande número de residências na área. Contudo, é importante entender que na singular situação, o local apresenta um satisfatório número de comércios e prestações de serviços, porém não o suficiente para qualificar com predominância o quadrante em ambas características. Normalmente, são existentes pequenos negócios, em escala da vizinhança. Outra característica singular é a consequência da alta divergência social e econômica de cada bairro. No Alto da Boa Vista, bairro de classe média alta, é possível notar maior número de grandes serviços, decorrência do alto valor por metro quadrado, assim como citado anteriormente. Já no Jardim Progresso (bairro de característica ilegal) e na Vila Virginia, ambos financeiramente desfavorecidos, o número predominante de residências em cada quadra aumenta. Nota: Jd. Progresso histórico: O bairro apresenta quadras de caráter ilegal pela sua característica histórica. Inicialmente quando bairro Parque Ribeirão foi projetado, a intenção primária era compor moradores com o alto poder aquisitivo, contudo com a construção de uma cadeia feminina, o valor local regrediu drasticamente, forçando o preço por metro quadrado do lote diminuir e o tamanho do mesmo reduzir pela metade. Ao lado do bairro, alguns lotes ainda não oficializados legalmente fora ocupado pelo grupo MST, dos quais fizeram um projeto urbanístico nesse mesmo local (delimitaram não apenas lotes, mas praças e lotes institucionais). O cenário político em conjunto com projeto urbano, favoreceu a permanência desses ocupantes ilegais; a reeleição do prefeito Palocci, do qual argumentou uma possível legalização da área. Apesar do não cumprimento, a permanência dos moradores é contínua até hoje.


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Estudo Viário - Intensidade de Tráfego

Aumento de intensidade

CLUBE A. PORTUGUESA DE ESPORTES ATLÉTICOS

HOSPITAL STA TEREZA

RIBEIRÃO SHOPPING

UNIP


Declividade

27

CLUBE A. PORTUGUESA DE ESPORTES ATLÉTICOS

legenda

HOSPITAL STA TEREZA

de 0 a 1% RIBEIRÃO SHOPPING

de 2% a 3% de 4% a 5%

UNIP

de 6% a 7% de 8% ou mais


conhecer para resolver

“Pare, olhe e pensa. Esse conjunto de casas, prédios e vias de tráfego, povoado por milhares, às vezes milhões de pessoas, são como você sabe - uma cidade.” (Rolnik, Raquel. 1988)


Ă rea de estudo.

30

2

Legenda 1

Favela da Lagoa

2

Favela dos Andrada

1

Pontos de maior risco de enchentes 100

RibeirĂŁo Preto

50

200


Escala Cronológica

31

A escala cronológica, demonstradas através de fotos aéreas, é um grande instrumento de estudo, do qual exemplifica o impacto social e ambiental em toda a área.

Faveça dos Andrada

2010

2012

2014

Foto aérea retirada do Google Earth Pro.

100 50

200

2016


32

2010

2012

2014

2016


33

2010

2012

2014

2016


34

2010

2012

2014

2016


35

Através dos estudos cronológicos do entorno da Favela dos Andrada, é possível analisar o preenchimento vegetal em 2012 que decaiu consideravelmente até os dias de hoje. Outra alteração intensa é a substituição de uma antiga chácara por um conjunto de edifícios de até 5 pavimentos do programa de moradia Minha Casa Minha Vida. A intensificação de edificações ilegais, também, é um grande normativo dessa análise cronológica. O paradigma entre a construção do conjunto habitacional e o crescimento dos assentamentos informais da se pela desestruturação governamental no aspecto social, desde uma pesquisa interna (moradias e equipamentos públicos) a um acompanhamento após a relocação das famílias, conferindo taxas de empregos, permanência nos locais e índice de mortalidade e nascimento.


36

Faveรงa da Lagoa

2010

2012

2014

2016

100 50

200


37

2010

2012

2014

2016


38

2010

2012

2014

2016


39

2010

2012

2014

2016


40

O estudo cronológico do entorno da favela da Lagoa, inserida na área de estudo, demonstra a crescente mancha de ocupação do local, ainda que desocupada em 2012, visto que foi realizado um programa de relocação dos moradores da favela para habitações sociais perto do local de intervenção e, também, em locais afastados. Em contrapartida, as manchas de vegetações diminuíram gradativamente.


Área de estudo.

41

Legenda ZUP Zona de Urbanização Preferencial: composta por áreas dotadas de infra-estrutura e condições geomorfológicas propícias para urbanização, onde são permitidas densidades demográficas médias e altas; incluindo as áreas internas ao Anel Viário, exceto aquelas localizadas nas áreas de afloramento do arenito Botucatu-Pirambóia, as quais fazem parte da Zona de Urbanização Restrita (Assessoria Técnico Legislativa)

ZPM Zona de Proteção Máxima: composta pelas planícies aluvionares (várzeas); margens de rios, córregos, lagoas, reservatórios artificiais e nascentes, nas larguras mínimas previstas pelo Código Florestal (Lei Federal Nº 4771) e pelo Código do Meio Ambiente do Município (Assessoria Técnico Legislativa)

100 50

200


42

Assentamentos Informais

Faveça dos Andrada

Área (m²): 52.700 Número de unidade: 46 População estipulada: 170 Fonte: Levantamento 2010 Propriedade: Municipal Destinação da área: área verde 100 50

200


43

1

2 3

1

Ilustrações: Jéssica Correa

2

3


44

Faveça da Lagoa

Área (m²): 36.049 Número de unidade: 54 População estipulada: 216 Fonte: Levantamento 2010 em conjunto com o da Autora Propriedade: Municipal Destinação da área: área verde

100 50

200


45 A favela apresenta um grande número de construções de alvenaria, visto que a contagem de unidades registrada no trabalho foi feita apenas considerando os barracos, ou seja, moradias feitas de sacos, telhas ou qualquer objeto que não condiz com uma qualidade de vida suficiente e segura. O local apresenta um alto nível de risco para algumas famílias da comunidade, onde as mesmas permanecem no vale do rio, possibilitando desabamento e enchente. Assim como as imagens ao lado demonstram um razoável assentamento das vias e moradias, a área constitui espaços de casas estáveis, porém não livres completamente das enchentes. Os moradores, por sua vez, não são proprietários desses lotes informais, contudo são obrigados a pagarem uma taxa a indivíduos que delimitaram tais locais como de poder próprio, independente de qualquer relação legal. A grande problemática social da área e a relação dos moradores com drogas, seja com o tráfico ou o próprio uso. É comum visualizar crianças e adolescentes no intercambio desse comércio ilícito.


46 Soberp - Vida Nova

ONG estabelecida na comunidade, contendo grande impacto no local, da qual disponibiliza educação infantil, fundamental e colegial, além de conciliar empregos disponíveis para moradores.

Pensar a cidade, transformar o futuro.

1

2

Terreno Vazio

2

1

3

Área de alto risco

3


47

Favelização: Reconhecer e Respeitar.

Visã

o da

auto ra

A caracterização segregatória do urbanismo brasileiro dá se pelo grande paradigma de sua própria execução; delimitar uso do solo, zoneamento, paginação de equipamentos, etc (Rolnik, 2002) Os elementos do planejamento podem ser distinguidos em três campos, o mobiliário, o legislativo e o da gestão. O primeiro, prioriza os interesses lucrativos, de venda por metro quadrado, do qual limita a cidade a uma classe social mínima. O segundo elemento acaba por identificar a formalidade do urbanismo através das leis que não atendem a toda uma comunidade, um bom exemplo prático das leis que não atendem a toda uma comunidade, um bom exemplo prático é o reconhecimento dos lotes em assentamentos informais; de três a quatro famílias por loteamento enquanto no zoneamento e uso do solos cada lote pertence a identidade unifamiliar. Já o último e terceiro, se alimenta da grande massa para produzir uma grande campanha política; enquanto existir classes desfavorecidas em ambientes ilegais, a facilidade de arrecadação de votos nessas comunidades aumenta diretamente (grandes promessas em troca de baixo investimento). Em decorrência desse reconhecimento, a execução de uma gestão urbanística democrática se torna cada vez mais impactante a todo o modelo socioeconômico da cidade e não apenas uma posição política. Alguns projetos modernos conseguem exemplificar este novo modo de projetar e pensar no modelo urbano, assim como foi executado em Santiado de Compostela - Santiago, o projeto Hortas

Caramoniña.

de


48

Hortas de Caramoniña

Arquitetos: Abalo Alonso arquitectos Área: 2 650 m²

Ano do projeto: 2015


49 O projeto recupera o patrimônio histórico, antes em ruínas, com a ajuda dos visitantes e moradores, visto que foi projetado hortas nos terrenos, reestruturando um projeto sustentável e unificador.

atividade social + economia

A preocupação com a utilidade e inclusão dos indivíduos se manifestou, também, na manutenção; foi criado um sistema de recuperação de água da chuva. Sendo construído cursos d’água com finalização nos banheiros, dos quais são utilizados pelo público trabalhadores

Cu r s o horta D’agua horta horta horta horta

horta


50

Pesquisa Direta da Área de Intervenção Uso do Solo + Gabarito O estudo direto da área necessita de um agrupamento de fatores para poder executar boas diretrizes. Dessa forma, para essa área em menor escala o Uso do Solo e Gabarito foram elaborados com análise de lote a lote e sob o mesmo mapa, o primeiro utilizando a distinção de cores e o segundo a elevação de cada lote na maquete eletrônica.

legenda Residencial Prestação de Serviço Comércio Institucional Vazio Assentamento Informal Loteamento Ilegal

100 50

200


51


52

Ambiente Degradado

A presença de lixos na área é algo iminente, a falta de educação ambiental é um dos grandes responsáveis por tal situação. No interior da Favela da Lagoa, em 2010 foi iniciado um projeto de construção de um pequeno balcão de reciclagem, contudo as obras foram canceladas sem qualquer justificativa.


53


3


Pensar a cidade, transformar o futuro.

Urbanize-se. Pense diferente. Pense verde. Pense democracia. Conceitos novos, resultados novos.


Diretrizes para requalificação ambiental e social

56

Legenda 1 Remanejar

1

moradias

3

2

2

Requalificar ambientalmente

2

Ac essibilidad e para a escala do pedestre e remanejamento viário.

3

1 2 100 50

200

Legenda 1 Conjunto Habitacional

1

2 Praça Esportiva 3 Praça convívio

2

3 4

5

Canteiros de arte urbana e

6

5 Equipamento Radar

7

11

9

6 Teatro Aberto

8

10

4 calçadão

7 Compostagem 8 Apiário

12

9 Galpão de Reciclagem 100 50

200

10 Praça suporte Habitação

11 Praça Artística 12 Requalificação Mata Ciliar

Após os levantamentos em conjunto com o embasamento teórico, foi possível delimitar conceitos projetuais que englobassem tanto as necessidades urbanísticas, portanto físicas e objetivas, quanto as sociais, subjetivas (qualidade de vida). A qualificação urbana do local, visa então, o auxílio a moradia, direito do habitante ao espaço público e oportunidade de trabalho. Deste modo, a análise da fragilidade ambiental na várzea do ribeirão Preto entra em comum acordo com a existência dos assentamentos informais no local. A remoção é necessária, mas deve ser respeitada e inserida no meio em que os moradores precisam. A construção de conjuntos habitacionais acaba sendo inserida na favela dos Andrada, em escala vertical e horizontal, para aproveitar o máximo de moradia por metro quadrado. Já o apoio ao trabalho e, portanto, uma política pública de continuidade de habitação, é encaminhado nos equipamentos projetados, escolas e galpão de reciclagem solucionando a grande problemática ambiental do local. Em continuidade a fragilidade ambiental, os cuidados das áreas verdes se desdobra na construção de um parque linear ao redor do ribeirão Preto, onde será agregado, também, o direito do habitante ao espaço público e seu espaço de lazer. Por fim, a mobilidade pública terá como prioridade o pedestre, alargando calçadas e remanejando vazios a favor da escala do morador e visitante. Todo o pensamento urbano será direcionado ao equipamento principal; chamado de equipamento radar, do qual insere a lógica radio concêntrica, onde o edifício permite inserção de inúmeros lados, priorizando o pedestre.


Efeito Radar

57 O projeto em formato radar, tem todo o conceito social em sua forma e disposição. O efeito radioconcêntrico parte da premissa de permeabilidade do pedestre, assim como seu formato de reação urbanística, ou seja, a forma “radar” pretende demarcar o principal equipamento da área e, ao mesmo tempo, estender o conceito social de integração.

Urbanismo e Arquitetura “Doppler”: a partir da analogia da pedra em contato com a água e seu efeito de propagação, surge o desenho radioconcêntrico, que alcança toda a extensão da área e dissemina o conceito de integração social. Urbanismo e Arquitetura “permeável”: conceito de acessibilidade a todos, que repercute o direito a moradia, tanto em seu sentido subjetivo quanto físico; facilidade de acesso e possibilidade de uso.

d

ão

tura e t i u Arq

clus e in

d

Urb

anis mo p

olít

100 50

200

ico


58

Sustentabilidade Urbana e Social

O projeto inicia-se pela lógica sustentável, desde seu projeto, materialidade, mão de obra e seu impacto urbano e manutenção. Primeiramente, um grande indicador desse projeto é uma materialidade local, que remeta a cul-

tura brasileira e seja economicamente viável.

Dessa forma, é inevitável deixar incluso dos estu-

dos o Bambu. Esses indicadores são claramente identificados no projeto do centro comunitário em Guadalajara, o projeto Instituto Mexicano para o Desenvolvimento Comunitário (IMDEC).

Instituto Mexicano para o Desenvolvimento Comunitário (IMDEC) O objetivo principal do projeto é a integração da comunidade desde a construção do edifício. Dessa forma, foi elaborado um sistema construtivo sustentável e que fosse de fácil aprendizado e aplicação para os voluntários. O complexo de alojamentos não estruturou apenas as moradias em si, mas oficinas de aprendizado do modo de construção, entorno educativo, e desenvolveu uma gestão econômica com seu orçamento limitado. grande delimitador do envolvimento da

comunidade e a arquitetura. Em sua estrutura, o projeto se desenvolve entre plataformas e pilares de concreto que interceptam a topografia, procurando o acesso livre em qualquer ponto de encontro. Entre os pilares, são dispostas molduras modulares de madeira, em seu núcleo os muros de adobe, com portas e janelas feitas com folhas de palmeira. No perímetro e servindo como proteção contra o vento e perda de calor, uma trama de junco foi composta ao edifício.


59


60

Quinta Monroy / ELEMENTAL Arquitetos: Elemental - Alejandro Aravena, Alfonso Montero, Tomás Cortese, Emilio de la Cerda Localização: Sold Pedro Prado, Iquique, Tarapacá, Chile Área: 5000.0 m² Ano do projeto: 2003 O projeto teve como objetivo oferecer moradias a mais de 100 famílias que habitavam em assentamentos informais, sendo que o custo dos mesmos valiam três vezes mais que o suporte médio de uma habitação social. Para solucionar o problema, o arquiteto Alejandro Aravena projetou um edifico modulas, onde as construções iniciais possibilitam anexos posteriores, ocasionando numa moradia de extensão. Outro ponto importante foi a escolha de materiais baratos, viabilizando ainda mais o projeto.


61


Urbanismo como polĂ­tica social.

Urbanize-se. Pense diferente. Pense verde. Pense democracia. Conceitos novos, resultados novos.


64

Apresentação esquemática Legenda 1

Avenida Luzitana

2

2

Acessos

Avenida dos Andrada 1

Estudo Solar

4 3

3 ribeirão Preto

4 Ciclovia


Anexo - Implantação

65


Anexo Implantação - 1:2000 maior elevação topográfica

Anexo - Implantação 1:2000

J

RUA

AMP 18

AZEV

EDO

555.8

AV EN

O

AMP 17 O

C-07

LOU

C-09

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J.

AND 8,3 40

AMP 02

=

OS

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RUA

J

8,3 79

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J

EST AÇÃ O ELEV ATÓR IA DE ESGO TO VILA GUIO MAR

J RUA

C-1 3

J Chão de Giz Corte Radar 01

Corte Radar 01

Elev. 01

E-

F.

ATO

Corte Radar 02

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RUA

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O RU MA A CH BA AD SÍL O IO NE T

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O

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B

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AMP 06

RUA

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RUA

AMP 09

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J C-0 3

C-0 6

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O

RU

AMP 11

A

3

RU

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RUA

2

CÓR

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A

1

A A

RU

RU

AMP 12

RU

A

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4

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A

J

AMP 08

AV

menor elevação topográfica

PE

I RD

ZZ

A

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AD

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MO

AMP 07

GSEducationalVersion

01

DOS

RUA

PRO

CA

O

A

NA

SCO

ET

RU

8,1 71

7,8 93

Corte Radar 02

LIO EMÍ

ITA

NCI

PH

8,1 32

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2%

PR

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AMP 05

ão aç lin Inc

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8,3 03

8,1 80

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AMP 14

O

AMP 03

JOS

AMP 05

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RA

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SPO

RUA

RA

RU A

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3,6 16 11, 131

3,8 00

8,7 14

1,8 70

NIL

A.

02 e-

AMP 13

DA

DOM

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I

J

RUA

AVENI

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AS

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A RU

AMP 01

1,500

0 -1 C

C-07

8

x

0,188

=

1,500

8

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0,188

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1,500

A

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O

0,188

E AMP 16

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J

RD

AMP 15 x

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A DU

AN

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J

DE CA RV AL HO

VIE


66

Ampliação Vista a

01

Canteiro 1

Primeiramente, o conceito radioconcêntrico do desenho foi delimitado como base de todo o projeto do canteiro central. Em seguida foi analisado a medida das avenidas, que originalmente mantinham um padrão de 8,20m a 9,50m de cada lado. A partir disto, a extensão da calçada foi feita variando de acordo com cada quadra e extensão da rua inicial - padronizando um tamanho de 7,20m na avenida e sendo retirado a faixa de estacionamento de veículo. Outro aspecto importe, foi a criação de faixas de pedestre elevadas, devido a necessária acessibilidade de toda área. O objetivo do espaço central é incentivar a arte urbana - estendendo em toda a Av. Luzitana muros de 1,50m de altura para a utilização artística dos moradores e visitantes. Essa diretrizes acabam, também, qualificando toda a visão da avenida e sua localização. Legenda Vegetação rasteira trapoeraba roxa

Ciclovia mão única

ophiopogon japonicus

1 0 3 2 5 4 6 8 7 09 11 1 12 3 1 4 15 1

Implantaçao

esmeralda capim palmeira

15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0

a Maior elevação

Menor elevação


Ampliação

01

67

Canteiro 1

As vegetações rasteiras foram dispostas, além do pretexto sensível, de acordo com a locação dos muros e vegetação alta - onde há o mobiliário para pintura foi preferível escolher a grama esmeralda, da qual suporta mais transito sem prejudica-la. Já a trapoeraba roxa, permaneceu, em sua maioria das vezes, onde há árvores, para causar um contraste mais intenso de cores. Por fim, a ophiopogon japonicus, conhecida como grama preta, se dispôs em lugares onde não haveria tanta intensidade de trânsito e que causasse um maior contraste com a grama esmeralda. Já as árvores, foram escolhidas para atender tanto o conforto térmico - grandes copas, para qualificar a sombra, quanto o áspecto visual - diversidade de altura e aparência. Piso Intertravado Ecológico: Segue o mesmo padrão em todos os canteiros.

1:200

cro qu

i

legenda

ipê amarelo

Bauhinia variegata

Ciclovia mão única

Samambaia Felicia

Washingtonia robusta 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0


68

Ampliação

02

Canteiro 2

Vista a + arte

+ acessibilidade

Vista b + mobilidade

+ arborização

O padrão da implantação se mantém em todo o projeto, seja de vegetação ou pavimentação. Menor elevação

Maior elevação

Ciclovia mão única

Implantaçao

b a

15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0


Ampliação

03

Na quadra antecedente ao parque linear, a disposição das árvores nas calçadas foram alteradas, sendo escolhido a espécia manacá - anão, das quais apresentam flores brancas e roxas, delimitando ainda mais um caminhar intuitivo para o local.

69

Canteiro 3

mancha de vegetação intuitíva

cro qu

4,00 1,00

4,00 ra Cidade pa todos

Ao redor dos núcleos de passagem foi disposto acentos por todos os canteiros, dando suporte as atividades artísticas. O formato do mobiliário foi inspirado na figura ao lado, diferenciando pelas cores, sendo a referencia em preto e o do projeto em vermelho. Maior elevação

Menor elevação

Implantaçao

i


70

Ampliação

Canteiro 4

04

circulação de pedestre e ciclovia estipulada pelo projeto

Legenda Vegetação rasteira

ophiopogon japonicus

trapoeraba roxa

Implantaçao

Menor elevação

15

14

13

12

11

10

9

8

7

6

5

4

3

2

1

0

capim palmeira

esmeralda

O canteiros centrais existentes em rotatórias, por permanecerem entre a visão de automóveis, impossibilita a presença de vegetações de médio e grande porte. Desta maneira, foi escolhido as quatro vegetações rasteiras utilizadas anteriormente.

Vista a a

Maior elevação


Ampliação

05

71

Canteiro 5

2

1

Legenda

1 2 3

Equipamento Radar - Complexo de ONGS

Bicicletário

Hortas

3

4

3

Ciclovia

Detalh

es no seguin anexo te. Pag. 7 2

3

3

3

4

esquema Radar

Representação Humanizada

circulação

Representação do conceito Radar


72

Anexo - Radar + Hortas


Anexo - Radar + Hortas Equipamento Radar Detalhamentos Cap. 5 hortas

A

Ciclovia mão única

C

B

Impantação Humanizada

Escala 1:1000

D

Vista B

Vista A

Vista C

Vista D Rede Dinamica - Feita de tecido plástico (construído com garrafas pet, no galpão de reciclagem do parque). 3,00m

Ciclovia mão dupla

Deck inclinado para pescas e lazer

0,00m 0,00m 1,,00m 2,00m 2,00m 0,00m

N

Escala 1:1000

Impantação Técnica -4,00m Maior elevação

Menor elevação

N

As curvas de nível do local não apresentam tanta discrepância de elevação devido sua grande extenção da área. Portanto os caminhos projetados acompanharam suavemente as mesmas. Por fim, é necessário acrescentar que os decks dispostos após a ciclovia acompanham drasticamente sua topografia, sendo então usado apenas paras atividades de pescas ou diversão.

Demonstração topográfica da área

legenda

Processo de criação Legenda

ipê amarelo

trapoeraba roxa

projeto eclético - vegetação simétrica e idêntica, contudo apresenta “barreiras” na escala do pedestre e monotonia

projeto moderno - vegetação diversa e com linha das árvores principais dinâmicas.

evolução

projeto moderno - vegetação com mais diversidade, contudo apresentando ainda barreiras verdes (árvores na mesma linha)

Bauhinia variegata

Samambaia Felicia

ophiopogon japonicus

Piso Intertravado Ecológico

Deck reciclado

capim palmeira

Washingtonia robusta

esmeralda

pau ferro


73


74

Ampliação

06

Praça Reação

Foi desenvolvido um desenho complementar ao radar e hortas, desta forma o nome “Praça Reação”, tem como intuito delimitar sua própria função e uso; convívio, passagem e descanso para os trabalhadores e estudantes do terreno a frente. O talude presente no espaço acabou gerando uma qualificação paisagística na área. Outro tópico importante é a disposição das árvores, das quais respeitaram uma numeração lógica (1, 2 3, 5, 8), referência da sequência de Fibonacci. O mobiliário inserido na praça tem como intuito acompanhar todo o desenho da pavimentação e, também, ser utilizado não apenas como descanso, mas como suporte de diversão (skate, correr em cima, etc).

Demonstração da disposição das árvores.

+6,00

+6,00

Implantaçao Técnica

+4,00

Escala 1: 500

+3,80 Maior elevação

Menor elevação


Ampliação

Vista a

06

75

Praça Reação

Vista b

O padrão da implantação se mantém em todo o projeto, seja de vegetação ou pavimentação.

a Implantaçao Humanizada Escala 1: 500

b


76

Ampliação

07

Reciclagem

Av. dos Andrada

1

2

Implantação Humanizada Escala 1: 1000 A área destinada ao galpão de reciclagem, tem o intuito de reaproveitar o lugar destinado ao antigo galpão, do qual embora não finalizado, permanece em uma área próxima as residências e em frente a uma via de amplo acesso (Av. dos Andrada). O equipamento de trabalho, além de atender as carências sociais da área, reconstitui a área que atualmente se encontra degradada pelo acúmulo de lixo. Além disto, servirá como apoio de construção do elaborado com materiais exclusivamente sustentáveis.

equipamento radar,

Legenda

1

Galpão de Reciclagem

2

Deck para Pesca


Ampliação

07

Reciclagem

Planta Tecnica Escala 1:100

Estudo Topográfico Plato para construção do Galpão

+11,00 66, 00

GS Ed uc ati on alV ers ion

77

+10,00

+9,00

+8,00

+8,00

+8,00 60, 00

a b

+7,00 +5,00 +3,00

Muro de arrimo de Concreto

+4,00 Maior elevação

Menor elevação

Deck que acompanha a topografia, deixando de ser uma pavimentação de passagem e tornando-se um mobiliário para sentar e praticar pesca.

N

Vista a

Vista b


Ampliação

78

Implantação Humanizada Escala 1: 1000

08

Praça “Feira”

Legenda

1

Local exclusivo para pedestre ou bicicleta.

2

Rede Flexível

3

Pátio exclusivo para feirantes

4

Convívio

4 2 1 3

A

A

A

Lotes remanejados pela população do local, sem qualquer regularização. Devido a isso, as residências serão mantidas e legalizadas.

O local é envolto de inúmeras residências, desse modo, foi projetado uma área de permanência apenas para pedestres e bicicletas, priorizando a escala do pedestre. A praça serve de apoio às hortas projetadas ao lado, sendo assim foi reservado um pátio de feirantes. Essa solução, consequentemente, remanejou trabalho aos moradores e aumentou a facilidade de acesso a equipamentos alimentícios necessários.


Ampliação

08

Praça “Feira”

79

Corte 01 - 1:500 Planta Técnica Escala 1: 1000 Maior elevação

Acessos

Cor

a

1 te 0 GS Ed uc ati on alV ers ion

GSEducationalVersion

Menor elevação

Vista a


80

Ampliação

09

Praça Chão de Giz

1

2

Legenda

b a

1 2

Pista de Skate

Pavimento Piso Inter travado Amarelo.

Implantação Humanizada Escala 1: 1000

Vista a

Vista b

Pra

ça

Art íst

ica


Ampliação

09

81

Praça Chão de Giz

Maior elevação

Menor elevação

Cort e 02

Caminho demarcado até a praça pelo Ipê Amarelo e desenho no pavimento pelo piso intertravado aparelo.

Planta Técnica N

Escala 1: 1000

Corte 02 - 1:200


82

Ampliação

10

Praça Feira 02

Implantação Humanizada Escala 1: 500 Menor elevação

Maior elevação

A praça foi projetada para auxiliar os feirantes autônomos que permanecem atualmente no canteiro central da avenida em frente. Assim como qualificar todo o ambiente em sua volta e dar apoio alimentício e de convívio aos trabalhadores da compostagem ao seu lado.

con vívi o + apo io


Ampliação

83

Compostagem

11

Implantação Humanizada

Maior elevação

cORTE 03 1:200

5,00

cORTE 03

Escala 1: 500

Menor elevação

Vista a

Para evitar transtornos com os odores da compostagem, foi dispota uma vegetação frutífera em seu entorno e, também, uma grande quantidade de árvores Manacá, das quais emitem um cheiro agradável.

a


84

Ampliação

Implantação Técnica 1: 500

12

Caminho de mel

Maior elevação

Menor elevação

Ampliação

18

Caminho de mel

Implantação Humanizada 1: 500 Para desenvolver a requalificação da mata ciliar, foi estipulado, também uma construção de um apiário, onde haverá um caminho de visita para estudo e trabalho na área. A estimulação de árvores frutíferas é extremamente importante para qualquer desenvolvimento ambiental, qualificando mais ainda o local. Deste modo a criação de abelhas ajuda ainda mais esse quesito. Outro tópico importante é o crescimento consequente de pássaros.

O formato do caminho foi baseado na atanomia da Abelha.


Ampliação

13

Teatro Aberto

85

Implantação Humanizada Escala 1: 1000

a Folha 86

Vista a

Bancos que acompanham a paginação do piso da calçada.

Corte 04


86

Ampliação

Teatro Aberto

13

Planta Técnica

Vista a

Escala 1: 1000 Maior elevação

a

Legenda Acesso

1

Acesso Rápido

-3,00

-3,00

0,00 1

Palco

1

N

1,00

Menor elevação

O teatro aberto tem como intuito auxiliar as apresentações do equipamento Radar e incentivar a arte. A partir disto, o mesmo foi projetado com o conceito radioconcêntrico em conjunto com o formato das curvas de nível do local. Cada curva tem 1 metro de desnível, deste modo foi necessário a inserção de degraus intermediários, medindo 0,25m cada. Como forma de destacar os degraus intermediários dos principais, foi intercalado sua pavimentação, o primeiro com o piso de madeira ecológico claro e o segundo com o escuro. Entre os dois palcos, foi colocado uma escada de rápido acesso para facilitar a locomoção.

0,181

-3,00

Corte 04 1: 250


Ampliação

14

87

Praça Estimação

Vista b

Vista a

Implantação Humanizada 1: 700

a b


88

Ampliação

14

Praça Estimação

Implantação Humanizada 1: 700

Maior elevação

+2,00 -2,00

0,00

Inclinaç ão 2%

-4,00

Menor elevação

Elevação 01 1: 150

Vegeta ção D iversa mas , c de pr om intuito oteção /fech amento Cerca “Onda”, envolvendo toda a praça


89

Praça Skate

15

1

cORTE 05

Ampliação

Legenda

1

Pista de Skate

Implantação Humanizada 1: 500

33,858

1,604

1,150

1,211

Corte 05 1: 250


90

Ampliação

Implantação Humanizada 1: 500

16

Espaço Três Marias

O espaço “Três Marias”, relaciona o poder da juventude com a sociedade, compreendendo que as necessidades subjetivas (sentimentos), também são essenciais. Com isso, no local é possível analisar três espaços interligados mas com funções diferentes, o menor disponibiliza brincadeiras em bancos de subir e descer, ou se equilibrar, trabalhando a criatividade da criança. O local mediano, já explora capacidade de mira e força, já que o brinquedo é de arremesso. O ultimo contém inúmeras atividades, desde escorregadores co laterais para desenhos urbanos, quanto “trepa-trepas”, túneis e moinhos. Esses brinquedos devem-se a necessidade de exercício da criança, assim como o contato com a natureza


c

cOR TE 03

Vista a

8 x 0,188 = 1,500

8 x 0,188 = 1,500

8 x 0,188 = 1,500

16

GSEducationalVersion

Elevação 02 1: 300

Ampliação

Espaço Três Marias 91

Planta Técnica 1: 500

Vista b

Vista c

b

a


91

Ampliação

Praça Esportiva

17

5,00

Corte 07 1: 500

Legenda Implantação Humanizada 1: 500

b 1

a

cORTE 07

2

1

Quadra Poliesportiva

2

Pátio Convívio


Ampliação

17

92

Praça Esportiva

Vista a

Vista b

Praça Estimação + Praça Skate + Espaço Três Marias + Praça Esportiva

= 0,188 x 8

1,500 = 0,188 x 8

1,500 = 0,188 x 8

Espaço desapropriado por permanecer em Área Preservada, realocando para os conjuntos habitacionais sugeridos. Dessa forma, o mesmo foi reservado para permanência exclusiva de feirantes, vendendo, também, produtos da horta do projeto e mel.

1,500

A proximidade territorial dos quatro espaços foi integrada através de um acesso exclusivo para pedestres e bicicletas, assim como na Praça Reação. Nesse novo caso, há um novo objetivo além dos já deferidos; proteção para os usuários (crianças em sua maioria e cachorros), visto que ambos necessitam de uma preocupação maior quanto a segurança e estabilidade.


93

Solução Habitacional Como apoio à moradia existente no lugar - visto que o projeto desocupará duas favelas, uma em estado de risco e outro em péssimo estado. Desta maneira foi selecionado lotes existentes que são usados para comércio e que apresentam uma qualidade satisfatória de construção, dos quais serão legalizados. O restante da quadra será destinado a um conjunto habitacional modular - exercendo o conceito de Alejandro Aravena, que possibilita extensões futuras e economia monetária.

Construções que serão mantidas

Sistema de edificação convencional pouco aproveitamento do terreno.

Sistema Modular retirado da leitura projetual Quinta Monroy, do escritório ELEMENTAL.


94


5


Equipamento Radar

Efeito Doppler


97

Conceito Todo o projeto urbanístico atendeu as necessidades objetivas e subjetivas; qualidade ambiental, incentivo ao trabalho, mobilidade para pedestre, lazer, equipamentos de esporte e espaços para convívio. Toda essa estrutura urbana de nada vale se um equipamento de formação escolar (seja infantil ou técnico) não for pensado. Após os levantamentos de dados, a falta desse apoio foi muito notada. Apesar da existência de uma ONG no local, a mesma atende apenas crianças, não oferecendo continuidade ou retorno direto para a comunidade. Desse modo, o Equipamento Radar foi o “coração projetual” da área, do qual iniciou todo o restante do desenvolvimento urbanístico. O mesmo tem o intuito de agregar diversas ONGs, tanto no setor infantil, quanto médio ou de caráter técnico para adultos e/ ou jovens adultos. Foi elaborado, então, conceitos práticos; oferecer estudo, formar pensadores, artistas e, também, trabalhadores na própria área de intervenção.


Programa

98

O projeto do equipamento radar, tem todo o conceito social em sua forma e disposição, como mencionado anteriormente. As hortas de apoio do complexo ONGs também competem com o formato radar. As lacunas de ambos desenhos representam um projeto permeável, onde os visitantes, trabalhadores e estudantes podem caminhar, entrar ou sair dos edifícios e hortas com facilidade. O complexo de ongs trabalha com quatro tipos distintos de atendimento; infantil, médio, ensino técnico e cursos extensivos. O primeiro tem como objetivo integrar a criança com o ambiente, onde o mesmo possui programas orgânicos e alas de aprendizagem desconstruídas, ou seja, o professor e o aluno compartilham do mesmo espaço, sem separação. O segundo se mantém com o mesmo conceito aprendizagem/arquitetura, destinando para alunos de ensino médio. O ensino técnico, tem como objetivo inserir os moradores maiores de idade na comunidade e oferecer empregos, tanto no ante projeto (montagem do próprio equipamento), como dar continuidade ao serviço prestado (hortas, feiras e apiário). Por fim, os cursos extensivos se dedicam a inclusão da criança, jovem e adulto no meio social, proporcionando satisfação no quesito subjetivo do ser - lazer, superação e felicidade. Desta forma, foi disposto salas de música e dança, que obtém como suporte o teatro aberto para apresentações e grandes ensaios.

Escala 1:1000

legenda

ensino infantil

ensino técnico

ensino médio

extensivo


98

Implantação

Anexo - Radar


Implantação

Anexo - Radar pág. 101

Corte 02

Implantação 1: 500

Corte 01 Elev. 01

Permeabilidade do Edifício


100


Planta Pavimento 01

101 Planta Baixa Pav. 01 1: 1000

1

Zoneamento 1: 1000

Legenda

2

3

1

Layout 01

2

Layout 02

3

Layout 03

Legenda Ensino Extensivo Ensino Infantil Ensino Médio Ensino Técnico Sanitários Apoio - Área para professores


Programa Interior

Layout 1 + Layout 2 + Layout 3

7

5

6

Planta Baixa 1 : 100 4

3

9

2

16 10

1

15 14

11

13

12

Layout 1 - Aula de Música

8

1

Planta Baixa 1 : 100 GSEducationalVersion

2

Layout 2 Aula para ensino infantil, médio e técnico

102


Programa Interior

103

Layout 1 + Layout 2 + Layout 3

Planta Baixa 1 : 100 3

Layout 3 Aulas de Danรงa


Planta Pavimento 02

104

9

Planta Baixa Pav. 02 1: 500

8

10

11 7

12

6

13

5

14

9

3

16 2

1

15

4 8

10

11 7

12

6

13

5

14

9

8

11 6

5

14

9

3

16 2

1

15

4 8

10

11 7

12

6

13

5

14

9

8

11 6

5

14

3

16 2

1

15

4

Passarela de ACM reciclado vermellho

3

16 2

1

15

4

10

7

12

13

3

16 2

1

15

4

10

7

12

13


Elevação + Materialidade

105

Janelas e Portas feitas de folha de Palmeira

Elevação 01 1 : 100

Janelas e Portas de Folha de Palmeira

Concreto

2,80

Brise de Bambu Brise de Bambu

Guarda-corpo de madeira reciclada Adobe

6,00

Guarda - corpo de madeira reciclada

Adobe

2,80

2,80

6,00

2,80

Concreto

Piso intertravado

Piso Intertravado

Os módulos do brise permanecem os mesmos por todo o projeto

Perspectivas


Corte 02 1 : 300

Corte 01 1 : 300

Cortes 106


Bibliografia MARICATO, E. O futuro das Metropoles, caos e exclusão social?2006 MARICATO, E. Metrópoles desgovernadas. 2011. MARICATO E. a Luta pelo direito de morar, 1992. MARICATO, E. Metrópoles na Periferia do capitalismo. 1996. DENALDI, R. Assentamentos Precários: identificação, caracterização e tipos de intervenção. 2009. DENALDI, R. Estado, política habitacional e favelas no Brasil. 2004. ROLNIK, R. Para Além da Lei: Legislação Urbanística e Cidadania, 2008. ROLNIK, R. O que é cidade? 2009. ROLNIK, R. Moradia Adequada é um direito! O Estado de S. Paulo, 2009. ROLNIK, R. É possível política urbana contra a exclusão?. Serviço Social e Sociedade, São Paulo - Editora Cortez, v. 72., p. 53-61, 2002. SAHD, L UNDO ESTRANHO, 2014. ROLNIK, R. Regulação urbanística no Brasil. Conquistas e desafios de um modelo em contrução. Anais do Seminário Internacional: Gestão da Terra Urbana e Habitação de Interesse Social, PUCCAMP, 2000. VARGAS, H. Fundamentos de Projeto: Arquitetura e Urbanismo. EdUsp 2014. HOBSBAW, E. Revolucionários, Paz e Terra quinta, 2015. HERCULANO, S. Qualidade de Vida e Riscos Ambientais. Edu, 2000. IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios -PNAD. Síntese de Indicadores 1993. Rio de Janeiro, UBGE, 1996. IBGE. Cidades, São Paulo 2010. HERCULANO, S.C. “Do Desenvolvimento (In)suportável à sociedade feliz”. Ecologia, Ciência e Política, Goldenberg, M. (coord). Rio de Janeiro, Revan. 1992. ARCHDAILY. Voluntários que constroem centro comunitário com barro e junco em Guadalajara, México, 2015. Sevá, O. (1988) No limite do risco e da dominação; a politização dos investimentos industriais de grande porte. Tese de Livre Docência, Instituto de Geociências, UNICAMP.



Requalificação Urbana: Arquitetura como política social