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O ESCÂNDALO PORTUGUÊS E A ENTREVISTA QUE NUNCA ACONTECEU

A IMPORTÂNCIA DE SOCIALIZAR PARA EVOLUIR NO POKER

GRAMADO OPEN NOVA PARADA OBRIGATÓRIA COMO IDENTIFICAR A HORA CERTA DE DAR FOLD

A MAIS ALTA PREMIAÇÃO DO

ESPORTE MUNDIAL


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“Já fiz várias apostas nessa vida. Mas quer saber, parceiro, em minha humilde opinião, eu não sou um apostador qualquer. Nunca saio em busca de um trouxa. Eu procuro um vencedor, e faço dele um trouxa...” Amarillo Slim

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EXPEDIENTE Diretor Executivo Renato Lins Editor Bruno Nóbrega de Sousa Tradução Rodolfo Moraes Farias Projeto Gráfico e Diagramação Diego Bittencourt Lud Fernandes Webmaster Bernardo Benevides Conteúdo Web Karen Dias Jornalista Marcelo Souza Fotógrafo Bruno Mooca Colunistas Nacionais André “Dexx”, Christian Kruel, Diógenes Malaquias, Felipe Mojave, Pedro Nogueira Colunistas Internacionais Alan Schoonmaker, David Apostolico, Dusty Schmidt, Ed Miller, Jeff Hwang, John Vorhaus Suporte / SAC Heliana de Souza Rosilene Soares Endereço Raise Editora Ltda Rua Pirapetinga, 176, Serra CEP 30220-150 - Belo Horizonte - MG Tel.: (31) 32252123 Impressão Gráfica Belo Horizonte Distribuição Dinap

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O ABISMO DO ABSURDO

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esde os tempos em que CK e Raul começaram a desbravar os caminhos ainda inóspitos dos poker online, alheio à Black Friday, o poker brasileiro jamais tinha vivido fase parecida. Posso dizer com orgulho que presenciei o início de tudo. Primeiro como curioso, depois como praticante, e agora como jornalista. Nem mesmo os mais otimistas imaginariam que, em tão pouco tempo, teríamos por essas bandas torneios rivalizando com a WSOP, o EPT e o WPT – se ainda não em premiações, pelo menos em estrutura e organização. Circuitos como o BSOP, o LAPT e o recém-criado BPT não �icam devendo em nada às séries internacionais mais famosas. Mas não é só nos feltros que notamos esta evolução. Fora dele, a Confederação Brasileira de Texas Hold’em realiza um trabalho fundamental na regulamentação do nosso esporte mental. Até mesmo o canal de televisão mais in�luente do país rendeu-se a esse fato, com uma matéria sobre o título de André Akkari em Las Vegas. E não haveria de ser diferente, levando em conta que o mais tradicional canal de esportes do mundo sempre tratou o poker dessa forma. Quem, em sã consciência, haveria de dizer o contrário? Sim, amigos, o poker cresceu. Nunca o Brasil se deu tão bem na WSOP. Nunca tivemos, em um mesmo ano, tantos torneios com jogadores de qualidade. Nunca vimos nossas mídias de massa falar tanto sobre o poker. Sim, amigos, o poker brasileiro é uma realidade. Não beira o absurdo que as autoridades simplesmente não enxerguem – ou não queiram enxergar – isso? Marcelo Souza – Jornalista Responsável @marcelo_cardplr


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Sumário Especiais

Conteúdo

16. Gramado open Parada obrigatória

8. Carta ao Leitor

66. BSOP - FOZ DO IGUAÇU

63. Página Rosa Mulheres no Poker

Ficha no pano na terra das cataratas

12. PEDRO NOGUEIRA

26. Felipe MOJAVE

32. MATT LESSINGER

A Entrevista Que Nunca Aconteceu Pedro Nogueira conta suas tentativas de conversar com o jogador português José “Girah” Macedo antes da revelação do escândalo de trapaças no poker online.

Abort Mission Felipe Mojave apresenta nesta edição o conceito de “shut down” e explica que o bom jogador sabe a hora de pisar no freio e dar fold, minimizando as suas perdas.

Escolhendo Sua Posição Nesta edição, Matt Lessinger fala sobre a importância da escolha da posição à mesa, ensinando como otimizar essa decisão para gerar melhores resultados.

56. DIÓGENES MALAQUIAS

60. ANDRÉ “DEXX”

Como Jogar No Turn Em Bordos Com Muitos Draws Estratégias mais lucrativas no turn para bordos com muitos draws e a importância da agressividade na sua linha de ação nessas situações.

Socializar Para Evoluir No artigo deste mês, Dexx mostra que uma das melhoras formas de evoluir é através da socialização, buscando o contato com outros jogadores para desenvolver seu poker.

40. November nine 2011 Conheça os finalistas

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74. Rio poker tour 4ª edição


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COLUNA

pedro Nogueira @pedronogueira87

A ENTREVISTA QUE

NUNCA ACONTECEU Minhas conversas com Zé “Girah” Macedo antes de ele se envolver num escândalo de trapaças no poker online

Pedro Nogueira é jornalista, já disputou torneios internacionais de poker, como a WSOP Europe, e é blogueiro da revista Alfa, da Editora Abril.

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o começo de 2011, um português de 18 anos pintou como a grande revelação do poker online. Corria a história de que, em dois anos, ele transformara um depósito de € 30 em US$ 2 milhões jogando cartas na internet. Tudo indicava que um novo titã – do tamanho de Tom “durrrr” Dwan ou Viktor “Isildur1” Blom – estava nascendo. Ainda mais quando ele, até então um desconhecido, anunciou no Twitter que desejava enfrentar Dwan e Blom em seus respectivos desafios. Zé “Girah” Macedo realmente está sendo o grande nome das mesas virtuais neste ano. Mas não porque limpou seus adversários – e, sim, devido ao escândalo de trapaças no qual se envolveu. O golpe de Macedo era relativamente simples. Ele sugeria a colegas de um grupo de discussão que enfrentas-

sem um suposto “agro fish” de nome “sauron89”. O combinado era que o português acompanharia o jogo contra o “fazendeiro pato”, com acesso às cartas do “amigo”, para que as mãos fossem discutidas depois. O único detalhe que Macedo esqueceu-se de avisar era que, durante a partida, ele passava as cartas a “sauron89” – na verdade um cúmplice do português. Um desses jogadores, chamado “MossBoss”, achou estranho perder rapidamente US$ 21 mil para o “aggro fish” de Macedo. “Senti que havia algo de errado”, escreveu ele no fórum 2+2. “Aquilo não parecia com nenhuma partida de heads-up que eu já tinha jogado antes.” Ele decidiu, então, conversar com colegas e descobriu que seu caso não fora uma exceção: “sauron89” estava derrotando sistematicamente os jogadores do grupo.


Por coincidência, com Macedo assistindo aos jogos. “Sou jovem, cometi um erro e espero que eu não fique marcado por isso”, declarou Macedo no fórum, admitindo a trapaça. “As pessoas dirão que não há desculpa para fazer o que fiz. Concordo. Mesmo assim, quero dizer a todos que sinto muito”. No texto, o português ainda prometeu ressarcir os envolvidos e pagar uma compensação extra de US$ 30 mil. Não sou jogador de poker profissional, muito menos de high stakes. Mas tive algum contato, de interesse jornalístico, com Macedo nos últimos meses. Minha vontade era entrevistá-lo para a Alfa. Assim como aconteceu com “MossBoss”, desde o começo senti que havia algo de errado – mesmo sem saber exatamente o quê. Nosso primeiro contato foi por email, em abril, quando fiz o convite a Macedo. Como ele não res-

pondeu, deixei para lá. Até que, um mês depois, chega a seguinte mensagem: “Olá. Sim, estaria interessado! Adiciona-me no Skype em xxxxx para falarmos melhor. Abraço.” Foi exatamente o que fiz. Tentei repetidamente falar com ele pelo Skype – sem resposta nenhuma. Até que, um mês depois, Macedo vem conversar comigo. “Olá. Ainda estou interessado naquela entrevista.” O sujeito estava sempre sumindo e, quando aparecia, falava como um mordomo de literatura. Afinal, ele queria ou não fazer o diabo da entrevista? Combinamos uma data. Só que – surpresa – ele desapareceu novamente. Elaborei, então, 12 perguntas e mandei para o seu email. Há um detalhe da carreira de Macedo que ainda não citei: ele nunca revelou seus pseudônimos do poker online. “Girah” só era usado no site Lock Poker, o patrocinador que arrumou depois da suposta forra milionária. Sua ascensão de € 30 para US$ 2 milhões, logo, não fora provada publicamente. Mandei a ele meia dúzia de perguntas leves @cardplayerbr

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COLUNA

para aquecer – e outras tantas para arrancar as informações valiosas. Mixei questões triviais como “O que significa “Girah”?” com coisas mais sérias. “Por que você não revela os apelidos que usa para jogar? Você fica preocupado que, como começou no poker online antes dos 18 anos, seu dinheiro seja confiscado?” Esta era uma delas. Bom, seria quase redundante dizer que não tive resposta alguma. Ainda o adicionei no Facebook e no Twitter para lembrá-lo da entrevista. Silêncio do português. Eis que, poucos dias depois, vem a bomba: sua fraude fora desmascarada por “MossBoss”. Tentei mais uma vez entrar em contato com Macedo – por Facebook, Twitter e Skype– oferecendo uma chance de ele contar a

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sua versão dos fatos. O Facebook fora apagado, o Skype nunca mais apareceu online e o Twitter está inativo desde o post de “MossBoss”. É evidente que fiquei surpreso com a história da trapaça. Mas, depois, reli as mensagens que trocamos. “Olá. Sim, estaria interessado! Adiciona-me no Skype em xxxxx para falarmos melhor. Abraço.” Com esse tom hediondo (de mordomo de literatura) e seus sumiços constantes, ele estava praticamente confessando um crime, pensei. Afinal, apenas um culpado para escrever assim. Era como se ele tentasse compensar a falha no caráter com um português impecável. Fosse eu um Hercule Poirot, teria avisado a polícia na hora. Só faltou tato. ♠


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Se você estiver em busca de um passeio em uma região charmosa, com ares europeus e boa culinária, Gramado é o lugar perfeito. Como se isso já não fosse o bastante, a pequena cidade da Serra Gaúcha começa a se tornar parada obrigatória de uma série que promete dar o que falar.

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Apoio:

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ma das características mais importantes dos eventos de poker de sucesso é a presença de patrocinadores de fora do meio. E nisso, o Gramado Open também brilhou, a começar pelo local de realização do evento, o Hotel Laghetto Siena, bastante conhecido na região. Um patrocinador que fez grande sucesso entre os jogadores foi o pub Harley Motor Show, licenciado da famosa marca de motocicletas, que concedeu cortesias para todos os inscritos. Outras empresas que acreditaram no Gramado Open foram a Brocker Turismo, responsável pelo transporte dos jogadores entre o aeroporto e a cidade do evento; o espaço “Super Carros”, onde os jogadores podiam ver de perto máquinas como Ferraris e Porsches; a famosa Vinícola Miolo, junto com os licores Aurich, muito apreciados pelos turistas que visitam a Serra Gaúcha e a Lugano, conhecida produtora de chocolates da região. Em outras palavras, o apoio dessas empresas a um evento de poker representa bem o espírito do povo do Rio Grande do Sul,

sempre na vanguarda do pensamento e dos costumes em nosso país. Assim como outros circuitos emergentes, a estreia do Gramado Open de Poker 200K foi um sucesso. A premiação garantida de 200 mil reais foi superada com folga, e o field contou a com a presença de feras como Felipe Mojave e Rodrigo Garrido. Junto com eles, jogadores de todos os cantos do país trouxeram pais, filhos, esposas e namoradas para curtir os últimos dias de inverno do Rio Grande do Sul. No Dia 1A, 108 jogadores se inscreveram. Graças às reentradas, aos add-ons e à estrutura inicial lenta, 68 deles conseguiram avançar para o Dia 2. O chip leader era Luís Schneider. O Dia 1B superou as expectativas e atingiu a marca de 161 participantes. O detalhe é que, em razão das multi-entradas, parte dos jogadores que já tinham entrado em campo no dia anterior pôde voltar e jogar também no Dia 1B, somando os stacks. Por esse critério, o líder geral era Marcelo Ferrari. Levando-se em conta apenas este dia, o chip leader era Paulo Radim, 11º no geral.


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O Dia 2 começou com 103 jogadores, e a ação seguiria por muitas horas até que bolha estourasse. Restando 32 sobreviventes, Cláudio Sitya tinha tentado de todas as maneiras segurar seu stack, até que lhe restou apenas um ante. Sem opção, ele se viu obrigado a colocar sua última ficha na mesa com 6♣9♠. Mas um adversário tinha um par de reis que se manteve à frente até a última carta ser virada, fazendo com que Cláudio recebesse o ingrato título de “bubble-man”. Depois disso, um festival de all-ins tomou conta do salão. O encerramento do dia veio quando Rafael, que tinha poucas fichas, foi all-in com um rei e um sete. Luiz “Anzol” pagou com A♦9♥ e acertou seu ás. Estava formada a mesa final. Com o chip leader pilotando um stack de apenas 25 big blinds, o dia final prometia muita ação.


Entenda o formato do torneio Multi-entrada – o jogador tinha a opção de jogar o Dia 1A e o Dia 1B. Caso conseguisse se classificar em ambos, os stacks dos dois dias eram somados para o Dia 2. Double-Chance (Reentrada) – em caso da perda total do stack até o final de determinado nível, o jogador poderia fazer o buy-in novamente e voltar ao jogo com o stack inicial. Add-on – quando se encerrava o período da Double Chance, o jogador, caso não tivesse feito a reentrada, poderia adicionar 25 mil fichas ao seu stack, pagando o valor do buy-in.

Ficha Técnica Gramado Open 200K (Multi-Entrada e Double Chance) Local: Hotel Laghetto Siena (Gramado – RS) Data: 01 a 04 de setembro Buy-in: R$ 750 Inscrições: 269 Reentradas: 30 Addons: 135 Prize Pool: R$ 263.400 @CardPlayerbr

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9º Hélio Aquino

R$ 6.200 Quase sem fichas, Hélio empurra all-in com 4♠5♦ e toma call de Ério Arend, que tem K♣Q♦. O bordo mantém a vantagem de Arend e decreta o fim da linha para Hélio.

8º Ério Arend

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7º Júlio Kley

R$ 9.100 Com menos de cinco big blinds, Júlio vai all-in do button com J♣8♣. Ricardo de Antoni paga no big blind com K♠7♠, acerta um straight no river e Júlio dá adeus ao sonho do título.

R$ 13.200 Muito short, Sandro empurra all-in com 6♦7♦. Luiz “Anzol” paga com 9♥9♣, e o bordo mantém a vantagem do jogador do Steal Team. Sandro, um dos responsáveis pela Overtbet Eventos, começou a mesa final na liderança, mas acabou caindo em quinto lugar.

6º Ricardo de Antoni 4º Daniel Seolino

R$ 7.500

R$ 10.800

Depois de perder um pote grande, Ério fica em all-in automático no big blind. Ricardo de Antoni entra de limp do meio da mesa, e Daniel Seolino completa do small blind com K♣8♣. Daniel acerta um trinca de oitos, e Ério se despede do torneio.

Com K♦J♦ no big blind, Ricardo pede mesa depois de Daniel Seolino completar do small blind. O flop vem 6♠5♥J♥, e os dois colocam todas as fichas no centro da mesa. Daniel apresenta J♠6♥, acerta dois pares e elimina Ricardo na sexta colocação.

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5º Sandro Soccas

R$ 17.000 Marcos Sonda vai all-in do UTG e toma call de Daniel, que está muito short e tem A♥2♠ no big blind. Marcos apresenta J♥J♠, e como nenhum ás aparece no bordo, o “bolha do troféu”é Daniel.


1º Marcos Sonda 3º Kauê “Bruxo” Luiz “Anzol” aumenta, Kauê dá all-in com Q♠T♣ e se vê dominado pelo A♥T♥ do oponente. Como as ladies não deram o ar da graça no bordo, Kauê se deu mal, e o heads-up foi definido.

R$ 24.000

Quando a mesa final foi formada, Marcos Sonda tinha o quarto menor stack, com apenas seis big blinds. Mas aquele era seu dia. Sem perder um único all-in na final table, ele chegou ao heads-up com 3,8 milhões de fichas contra 5,4 milhões de Luiz “Anzol”. Ironicamente, foi o shark do Steal Team quem acabou sendo fisgado: aproveitando a boa maré, Marcos venceu os quatro all-ins que disputou com Luiz “Anzol”. Na mão que decidiu o torneio, depois que o flop foi virado, Marcos tinha apenas 6% de chances de vitória, que se transformaram em 100% após turn e river lhe darem o straight vencedor.

2º Luiz Felipe Luiz empurra all-in com A♥4♠, e Marcos Sonda paga com T♠8♠. Um ás aparece no flop, mas turn e river acabam dando um straight runner-runner – e o título – a Marcos.

R$ 37.000

R$ 63.000

Stefano Gilio do BrPokerClube e o vencedor Marcos Sonda

@CardPlayerbr Renato Lins, Felipe Mojave e “Tio Max”23


CBTH NEWS

A Associação Brasileira de Esportes Intelectuais é fundada e Brasil se torna candidato a sediar os

ABRESPI

Jogos Mundiais em 2016

Associação Brasileira de Esportes Intelectuais

O

IMSA / Brasil

s esportes intelectuais ganharam sua representação nacional no Brasil. Foi fundada a Associação Brasileira de Esportes Intelectuais (Abrespi), que tem como filiadas as Confederações Brasileiras de Xadrez, Damas e Bridge, da Associação Brasileira de GO e a Confederação Brasileira de Texas Hold’em, com o poker. A criação da Abrespi, presidida pelo Grande Mestre Internacional de Xadrez, Darcy Gustavo Machado Vieira Lima, marca ainda o lançamento da candidatura do Brasil à sede dos Jogos Mundiais, que serão disputados em 2016. A Abrespi é filiada a IMSA (International Mind Sports Association) que é alinhada ao Movimento Olímpico, COI e Sport Accord, e trabalha com ONU e UNESCO para o desenvolvimento integral da pessoa humana que os esportes intelectuais também sirvam de instrumento de promoção da paz. O Brasil será o epicentro do esporte mundial nos próximos anos e a IMSA (International Mind Sports Association) estabeleceu como prioridade a fundação da Abrespi para garantir o reconhecimento, desenvolvimento e promoção dos esportes intelectuais no Brasil, além de promover as Federações Internacionais de cada modalidade no país. “A Abrespi tem como finalidade fazer com que as Confederações filiadas aumentem seu espaço no cenário esportivo e educacional brasileiro. Queremos ser agentes de educação e inclusão social e, para isso, a criação da Associação é fundamental, assim como a filiação ao órgão internacional que rege os esportes intelectuais, a IMSA”, destacou Darcy Lima. “Foi um ótimo encontro para o poker brasileiro e para a CBTH, que pôde mostrar a força

de nossa modalidade na conjuntura atual dos esportes da mente pelo mundo. Certamente, iremos ajudar muito a Abrespi e a IMSA localmente e pelo mundo. Todos saíram muito contentes”, declarou Igor “Federal” Trafane, representante do poker – e da CBTH - na reunião, após o término do evento. A primeira edição dos Jogos Mundiais de Esportes Intelectuais foi organizada pela IMSA em 2008, na cidade de Pequim, China, em concordância com o Comitê Olímpico Internacional, tendo o presidente do COI, Jaques Rogge, no Comitê de Honra. Disputaram os Jogos equipes de 140 países, reunindo um total de 2.736 atletas, durante duas semanas A cidade sede da segunda edição dos Jogos Mundiais de Esportes Intelectuais, realizados de 11 a 24 de agosto de 2012, será anunciada em Londres, em 17 de novembro. Os Jogos Intelectuais desenvolvem habilidades como concentração, reflexos rápidos, ginástica mental, disciplina, fair play, competitividade, treino e inteligência emocional. Seus benefícios podem ser atestados na área dos esportes, educação e saúde. As diversas modalidades funcionam como ferramentas utilizadas por escolas para estimular comportamento, memória, estruturação do pensamento lógico, além de técnicas de cálculo e probabilidades. Os jogos intelectuais são ensinados não só em colégios ao redor do mundo, como também fazem parte da grade de várias universidades de ponta. Se a atividade física é uma necessidade fundamental para os seres humanos, o mesmo pode ser dito sobre a atividade mental, que é um complemento indispensável ao bem estar. Os esportes intelectuais são uma excelente ginástica mental para homens e mulheres de todas as idades e, segundo um estudo preliminar feito por pesquisadores da UC Berkeley, melhoram o sistema imunológico.


G.BR

OR WWW.CBTH.

Ê C O V e u q a r p o d n a h l a b a Tr R E K O P e u q i prat E D A D I L I U com TRANQ


COLUNA

Felipe mojave @Felipemojave

abort missioN é preciso saber a Hora de dar fold

Felipe mojave é um dos principais jogadores brasileiros da atualidade. Faz parte do time de profissionais do Full Tilt.

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ocê já ouviu falar em “shut down”? Esse conceito é bastante difundido entre os profissionais e afirma que, ainda que o plano seja agredir, ao notar-se grande força de resistência por parte do adversário, o mais indicado é abortar a missão e desistir da jogada. Como se pode ver, essa é uma medida que visa a minimizar perdas. Muitas vezes, porém, quem a aplica

não está blefando. O jogador pode realmente acreditar que a sua mão está perdendo ou que o adversário vai apostar forte no turn ou no river, criando uma situação desconfortável e forçando seu fold. Recentemente, tive experiências em que precisei desligar o botão de blefe. Algumas delas eu apresento agora.


eXemplo 1 Durante o Dia 2 do BSOP São Paulo, em uma mesa relativamente tranquila, eu vinha jogando muitas mãos e encontrando bastante resistência, principalmente pré-flop e no flop. Assim, por que não adotar o “shut down” quando houvesse uma resistência maior, ou seja, além do flop? Este exemplo é bastante conceitual e explica bem como aplicar a técnica. Ele mostra que meu índice de shut down para o turn e o river nessa mesa tem que ser alto, já que meus adversários só continuarão na mão quando estiverem muito bem, de modo que o risco de ser pago é muito maior do que de costume.

eXemplo 2 Outro exemplo, mais prático, aconteceu também no BSOP São Paulo. Eu tinha cerca de 220 mil fichas, acima da média nos blinds /antes 2.000-4.000/500. Aumentei para 9 mil fichas do UTG+1 com AJs. O big blind defendeu. O flop veio 8-9-9, meu oponente deu check e eu apostei 14 mil. Ele rapidamente deu call, e no turn bateu um rei. Após ele dar check outra vez, eu

acreditava que essa era uma carta excelente para continuar blefando, já que ele defenderia muitos pares e ficaria complicado continuar nessa linha com a provável overcard no turn. Apostei 23 mil fichas e, para minha surpresa, ele deu call bem rápido novamente. O que isso queria


COLUNA

dizer? Bem, quando um jogador tende a defender as apostas de modo rápido e em sucessivas streets, indica que ele planeja fazer isso também no river, na maioria das vezes. Com isso em mente, vimos a quinta carta, que foi um 3. Resolvi dar check-behind e abrir mão do pote, já que as chances de tomar mais um call eram realmente grandes. Minha decisão me poupou cerca de 35 mil fichas, possível tamanho da minha aposta. Vale observar também que ele poderia ter uma mão muito forte, como um full house, e não necessariamente fosse para o check-call com uma mão como par de dez, por exemplo. Ele poderia dar check no river por saber que eu não tinha nada e a única maneira de extrair mais fichas seria essa. A dica aqui é a seguinte: não blefe por blefar. Analise com cuidado as mãos que você está representando e o range do seu

oponente, então calcule as chances de ele dar fold, comparando os stacks (isso é importantíssimo). É aqui que entra o conceito de shut down, quando você acredita que o índice de sucesso do blefe é realmente pequeno. “Mas isso não se confunde com a fold equity?”, alguém poderia perguntar. A resposta é não, pois em situações de grande fold equity, seu oponente ainda pode dar a entender que talvez desista no river só para fazer você apostar mais uma vez.

eXemplo 3

WSOP 2011, evento de US$1.500. Justamente por acreditar que havia uma grande taxa de fold equity, resolvi não aplicar o shut down e acabei sendo eliminado do tor-


No final das contas aprendi mais uma grande lição: é preciso ficar atento para não tomar decisões erradas baseadas em informações corretas, porém mal-interpretadas. neio. Eu tinha mais ou menos 17 mil fichas, e os blinds estavam em 150300. Subi para 650 com 67s do cutoff e o big blind voltou 2.000 fichas. Dei call e o flop veio Q-8-4 de naipes diferentes. Ele apostou 3.200 e, apesar de ter uma queda na broca, eu dei float, o famoso “call sem nada”. No turn bateu um 7, me dando um parzinho. Antes que eu me esqueça, nossos stacks eram idênticos. Ele pediu mesa e eu disparei 4.400, ficando com cerca de 8 mil restantes. Ele deu call, e o river trouxe outro 8, deixando o bordo com Q-8-4-7-8. Ele pediu mesa e, na minha leitura, eu tinha certeza de que o range dele era bem curto.

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Na minha cabeça, só poderiam ser três mãos: J-J, T-T ou 9-9. Eu acreditava que o ideal seria ir all-in no river, pois grande parte das vezes ele largaria um par de valetes ali. Pensei apenas na fold equity e acabei me esquecendo de que, se ele deu call do turn achando que estava à frente, por que daria fold no river? Era a hora certa de utilizar o shut down. Eu perderia 10.000 fichas naquela mão depois de uma jogada bem tramada, mas que deu errado. Mesmo sendo difícil, eu ainda ficaria com 8.000 nos blinds de 150-300 e a vida seguiria. Muitas vezes, a tendência do adversário é não desistir. Por mais

que a situação pareça ser realmente boa para blefar, a melhor opção é mesmo desistir. Ponto. Acabei errando e tomando call justamente de um par de valetes, uma das mãos que eu não queria ver pela frente. O call dele foi bom? Sim. Eu joguei mal? Sim. Essa era a hora certa de desistir da mão, mas outros fatores acabaram me influenciando e não me deixaram dar fold. No final das contas aprendi mais uma grande lição: é preciso ficar atento para não tomar decisões erradas baseadas em informações corretas, porém mal-interpretadas. Da próxima vez, nem precisa perguntar: darei fold. ♠


Iniciar a carreira no Poker e se tornar um expert não é fácil!

A. C. G.

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Estratégia

matt lessinger @mlessinger

ESCOLHENDO SUA

matt lessinger é autor de o livro dos blefes, disponível em português pela raise editora.

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POSIÇÃO

om as recentes mudanças causadas pela Black Friday, muitos jogadores estão migrando do poker online para a arena live. Pensando nisto, escrevi um artigo voltado especialmente para aqueles que estão começando a se aventurar nos cash games ao vivo. Aqui, vou presumir que você, leitor, tem noção da importância da escolha do lugar à mesa de poker. Diante disso, vamos às considerações sobre como otimizar essa decisão:

Conhecimento das tendências dos seus oponentes.

Em geral, vale a pena ter os jogadores mais agressivos e imprevisíveis à sua direita, e os mais passivos e previsíveis à sua esquerda. Se você normalmente jogava em determi32

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nado limite e fazia boas anotações sobre seus oponentes, provavelmente reconhecia vários deles quando se sentava para jogar, e já tinha uma boa ideia dos estilos de jogo deles.

Os stacks.

É preferível ter os stacks maiores à sua direita e os menores à sua esquerda. É importante saber quais ações os maiores stacks vão executar antes de tomar uma decisão sobre a sua mão. Obviamente, isso se aplica especificamente ao no-limit hold’em.


No jogo ao vivo, especificamente, é preciso observar constantemente os oponentes. Para jogar seu “A-Game” você deve:

• Ver os rostos deles, especialmente os olhos • Observar a postura deles • Ouvir a respiração deles • Medir o nível de tensão deles • Observar as reações deles (tanto as sutis quanto as mais óbvias) diante de bets, raises, flops, turns e rivers • Perceber como eles seguram suas cartas • Observar como eles manuseiam com suas fichas • Buscar quaisquer tells adicionais que lhe deem informações


Estratégia

Se você tem o hábito de jogar online em várias mesas simultânea, claramente tem a capacidade de observar várias coisas ao mesmo tempo. Agora é apenas uma questão de mudar seu foco. Você ainda precisa utilizar seus poderes de observação, mas deve concentrá-los todos eles na mesa, e precisa tomar nota sobre seus oponentes de maneiras que não eram possíveis na internet. Vamos trazer isso para a questão da escolha de posição. Você quer o lugar mais vantajoso para observar os oponentes. E, mais importante, quer ser capaz de vê-los antes de agir, de modo que eles lhe deem uma ideia de o que pretendem fazer quando chegar a vez deles. Com isso em mente, há uma posição que é notoriamente melhor do que as demais, a nº 1. A chave é ser capaz de ver os oponentes à sua esquerda. Na teoria, é possível fazer isso de qualquer posição, mas a questão é que você não quer deixar claro que está observando seus adversários. Você quer que eles permaneçam relaxados e despreocupados, de modo que continuem a lhe dar o máximo de tells possível. Na posição nº 1, os oponentes à sua esquerda estão todos dentro do seu campo de visão: basta que você olhe para a frente. A posição nº 2 é um pouco à esquerda, mas ainda na sua visão periférica. As posições 3, 4 e 5 estão todas à sua frente. Se algum deles telegrafar as intenções, você está no melhor lugar para observar isso.

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Em geral, vale a pena ter os jogadores mais agressivos e imprevisíveis à sua direita, e os mais passivos e previsíveis à sua esquerda.

POSIÇÃO 2 BIG BLIND

POSIÇÃO 1 SMALL BLIND

POSIÇÃO 9 BUTTON


Compare isso com a posição nº 4, por exemplo. Você consegue ver o oponente na posição 5, mas para ver as posições 6 ou 7, teria que virar o pescoço para trás do jogador à sua esquerda. Além do fato de ser difícil fazer isso, você deixa bastante claro que está tentando observar os oponentes. Isso os deixará mais preocupados com as próprias ações, o que faz com que eles fiquem menos propensos a dar tells óbvias. Outra vantagem em sentar-se na posição 1 é conseguir ver bem os jogadores à sua esquerda, mas os que estão à sua direita não conseguem lhe enxergar direito. Assim, você tem o melhor de dois mundos. Por mais que tentemos evi-

tar, todos nós telegrafamos nossas intenções às vezes. Talvez sua mão se mova prematuramente em direção às fichas quando você estiver pronto para dar raise, talvez ela vá em direção às cartas quando você estiver se preparando para dar fold.

POSIÇÃO 3 UNDER THE GUN

POSIÇÃO 4

POSIÇÃO INTERMEDIÁRIA

POSIÇÃO 5

POSIÇÃO INTERMEDIÁRIA

POSIÇÃO 5 POSIÇÃO INTERMEDIÁRIA

POSIÇÃO 8 CUT-OFF

POSIÇÃO 7 HIJACK

POSIÇÃO 6 POSIÇÃO INTERMEDIÁRIA

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Estratégia

De qualquer forma, sentar-se na posição 1 permite que você evite dar tells. O jogador na posição 10 definitivamente não consegue lhe ver, pois o dealer está na frente dele. O da posição 9 precisa se esforçar para lhe ver, especialmente se o dealer for meio gordinho, ou se ele mantiver as mãos na frente enquanto embaralha e distribui as cartas. Ambos esses jogadores estão em desvantagem. Como a maioria de nós acaba dando, involuntariamente, algumas dicas sobre nossos planos de dar call, raise ou fold, é melhor que façamos isso na posição em que esse fato nos prejudique menos. Seguindo essa linha de raciocínio, é bastante óbvio que a pior posição que se pode escolher é a nº 10, ou qualquer uma imediatamente à direita do dealer. Você não consegue ver os jogadores à sua esquerda, a não ser que se incline de maneira óbvia. Por outro lado, quem estiver à sua direita não terá problema em lhe ver. É o pior cenário.

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Isso torna o meu plano simples. Se eu for chamado para um nova mesa, garanto logo a posição 1. Se eu for entrar em uma que já está rolando, sento em qualquer lugar disponível, mas procuro mudar para o nº 1. Se o único lugar disponível for o nº 10, eu me sento, mas depois mudo para qualquer outro que ficar disponível. Alguns jogadores preferem continuar escolhendo suas posições com base em seus oponentes, e não há nada de errado nisso. Se você quiser se sentar à esquerda do jogador mais agressivo, ou à esquerda do maior stack, isso é válido. Particularmente, se houver um jogador que se desta-

que, eu geralmente escolho minha posição em relação à dele. Além desse caso específico, eu atribuo mais valor a ser capaz de observar meus oponentes e não me preocupar com eles me observando. Se você só joga online, observar seus oponentes é um dos ajustes mais importantes que você terá de fazer. E escolher a posição correta tornará isso bem mais fácil. ♠

é bastante óbvio que a pior posição que se pode escolher é a nº 10, ou qualquer uma imediatamente à direita do dealer. Você não consegue ver os jogadores à sua esquerda, a não ser que se incline de maneira óbvia.


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A MAIS ALTA PREMIACÃO DO ESPORTE MUNDIAL Vencedor Da Wsop 2011 Receberá mais De 14 Milhões De Reais

World Series of Poker 2011 foi a mais bem sucedida da história. Foram 68.000 jogadores vindos de mais de 80 países, e 127 milhões de dólares em prêmios ao longo de 58 eventos. Apenas no Main Event, 6.865 jogadores pagaram o buy-in de 10 mil dólares, gerando uma prize pool de US$64 milhões. O primeiro colocado levará, sozinho, quase 9 milhões de dólares. Em meio à vertigem das cifras, algo fica claro: o Main Event da WSOP 2011 concederá a mais alta premiação esportiva individual do mundo este ano. Isso já seria o bastante para que todos os holofotes se voltassem para a disputa do mais cobiçado dos braceletes. Mas acima de todos os números está o elemento humano, traduzido em nove jogadores, sobreviventes a oito dias de disputa intensa, uma guerra técnica, psicológica e de alguma sorte. Conheça um pouco melhor os jogadores que voltarão ao feltro da World Series nos dias 05, 06 e 07 de novembro, para decidir quem será o grande campeão deste Main Event. Eis o November Nine 2011.

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Contagem de Fichas do November Nine:

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Prize Pool

Assento 1

Matt Giannetti

24.750.000

E.U.A.

US$8.711.956

Assento 2

Badih Bounahra

19.700.000

Belize

US$5.430.928

Assento 3

Eoghan O’Dea

33.925.000

Irlanda

US$4.019.635

Assento 4

Phil Collins

23.875.000

E.U.A.

US$3.011.661

Assento 5

Anton Makiievskyi

13.825.000

Ucrânia

US$2.268.909

Assento 6

Samuel Holden

12.375.000

Reino Unido

US$1.720.396

Assento 7

Pius Heinz

16.425.000

Alemanha

US$1.313.851

Assento 8

Ben Lamb

20.875.000

E.U.A.

US$1.009.910

Assento 9

Martin Staszko

40.175.000

República Tcheca

US$782.115

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“chegar ao noveMber nine é uM sonho. tenho Medo de dorMir e tudo isso desaparecer. todos na Mesa final são difíceis – obviaMente, eles erraraM Muito pouco para conseguir chegar a esse ponto – então será uMa verdadeira batalha. fora isso, eu realMente acho que tenho chances”.

MATT GIANNETTI Matt Giannetti é um profissional de 26 anos nascido em Nova York. Ele estudou na Universidade do Texas, em Austin, antes de começar a jogar em tempo integral em Las Vegas. Jogou cash games high stakes online durante anos com o nick “hazards21”, e agora frequenta as mesas mais caras de pot-limit Omaha da Flórida.

Fichas: 24.750.000

Antes de chegar ao November Nine, Giannetti tinha duas mesas finais da WSOP e 550.000 dólares ganhos na carreira. Após passar boa parte do tempo da bolha como short stack, ele conseguiu uma grande recuperação e agora entra no November Nine como terceiro em fichas.

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Fichas: 24.750.000

“Jogo poker há uns cinco ou seis anos. Poder lutar pelo título do Main Event da WSOP é simplesmente incrível, ainda mais levando em conta minha experiência limitada. Na mesa final, continuarei jogando com paciência e esperando por boas oportunidades. Todos os meus oponentes são complicados, mas não tenho medo de ninguém”.

BADIH BOUNAHRA Com 49 anos, Badih Bounahra é o jogador mais velho em uma mesa final cheia de jovens profissionais. Bounahra nasceu no Líbano, mas atualmente mora em Belize. Embora não seja um profissional, Bounahra tem experiência no poker, tendo chegado a mesas finais em eventos preliminares do Bellagio e ficando ITM três vezes no Aruba Poker Classic. Ele tem quase US$60.000 ganhos em torneios e está em sexto lugar em fichas.

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Fichas: 19.700.000


Fichas: 33.925.000

“É absolutamente maravilhoso chegar ao November Nine e seguir os passos do meu pai. Sem falar que estou representando a nação irlandesa, o que é uma grande honra. Infelizmente, não posso mudar minha posição à mesa, com Phil Collins à minha esquerda, seguido de alguns short stacks. Vamos ver o que acontece.”

Eoghan O’Dea entrará na mesa final como um dos favoritos, graças a sua experiência em torneios, seu stack que o coloca como segundo em fichas e o legado de seu pai, um dos melhores jogadores da Irlanda. O pai de Eoghan, Donnacha O’Dea, chegou à mesa final da WSOP duas vezes, ficando em sexto lugar em 1983 e nono em 1991. Eles formam a única dupla de pai e filho a chegar à final table. O jogador de 26 anos de idade já ganhou US$739.634 em torneios, mas já garantiu pelo menos dobrar essa quantia. Quando não está participando de torneios, O’Dea é jogador regular de cash games de pot-limit Omaha, grindando live ou online nas mesas $10-$20 e $25-$50.

EOGHAN O’DEA @cardplayerbr

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“Não tenho feito nada a não ser jogar nos últimos dois meses, então esse intervalo vai ser bom. Tenho certeza de que jogarei outros eventos, mas o plano por enquanto é descansar. À medida que o evento se aproximar, vou pesquisar um pouco sobre os outros jogadores e trabalhar com alguns amigos para me assegurar de estar bem preparado para o November Nine”.

PHIL COLLINS

Fichas: 23.875.000

É provável que o jogador de 26 anos Phil Collins tenha os torcedores mais barulhentos desta mesa final. Durante a bolha, seus amigos trouxeram um aparelho de som para a arquibancada, tocando e cantando sem parar os hits do xará famoso. Collins tem um histórico impressionante no poker online. Na internet, ele é conhecido como “USCphildo” e tem quase US$1,7 milhões ganhos em torneios. Collins entra na mesa final como quarto lugar em fichas.

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“No final de junho consegui o visto para viajar aos E.U.A. e jogar na WSOP. Chegar à mesa final na minha primeira tentativa é incrível. Eu me sinto animado, mas sinceramente ainda não sei direito o que pode acontecer. Minha história no poker é jogando sit ‘n go’s, então acho que estarei pronto para a batalha de novembro”. Fichas: 13.825.000

ANTON MAKIIEVSKYI

Anton Makiievskyi é um profissional de Dnipropetrovsk, Ucrânia. O jogador de 21 anos está disputando sua primeira WSOP em um ano no qual quatro conterrâneos seus conquistaram braceletes. Esta será a primeira vez que Makiievskyi receberá uma premiação no poker. Caso ele consiga ficar em primeiro lugar, desbancará Joe Cada como o jogador mais jovem a vencer um Main Event.

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Quando a bolha da mesa final começou Sam Holden tinha uma sólida posição, com um stack ligeiramente acima da média. Porém, após várias dobradas dos short stacks, o jogador de 22 anos agora possui menor número de fichas da mesa. O profissional de Sussex tem uma única premiação em seu currículo, um 12° lugar em um evento do UKIPT. Ele certamente ficará feliz com os US$782.115 que já garantiu, mas com algumas rodadas de blinds ainda em seu stack, ele certamente tentará buscar mais do que isso.

Fichas: 12.375.000

“Aprendi a jogar quando estava na universidade. Fiquei bom o suficiente para não precisar mais de um emprego de meio período, e depois de me formar eu me tornei profissional. Realmente não há pressão em novembro – sei que sou o short stack. Todo mundo espera que eu seja o primeiro a cair, então qualquer coisa que eu fizer além disso é um bônus”.

SAM HOLDEN 48

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Fichas: 16.425.000

“Comecei a jogar seis anos atrás, depois ver na televisão. Fui dos home games para o online e me dei bem rápido. Agora cheguei à mesa final do Main Event, mas a ficha ainda não caiu. Vou desenvolver uma estratégia que me ajude em novembro. Ben Lamb está à minha esquerda, sei que ele vai dificultar as coisas para mim, mas se eu dobrar cedo vou engrossar o jogo também”.

O representante da Alemanha na mesa final é Pius Heinz, que divide o tempo entre os estudos e o poker. Essa é a primeira participação do jogador de 22 anos na WSOP, mas sua exibição ao vivo do Main Event mostrou que ele não tinha medo de mixar seu jogo e arriscar quando achava necessário. O morador de Colônia se torna o primeiro mesafinalista alemão, e terá um longo caminho pela frente, pois é o sétimo em fichas. Heinz chegou também à mesa final de um evento de no-limit hold’em de $1.500. Até hoje, ele ganhou US$83.286 na carreira.

PIUS HEINZ @cardplayerbr

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Embora tenha tropeçado um pouco durante a bolha da mesa final, Ben Lamb é indubitavelmente um dos favoritos. O jogador de Tulsa, Oklahoma, está tendo um dos melhores desempenhos da história da WSOP. E o resultado disso é que ele está em primeiro na corrida pelo título de Jogador do

BEN LAMB

“Essa foi uma World Series simplesmente inacreditável para mim. Se eu tivesse caído no Dia 1 do Main Event, ainda teria sido sensacional, mas completar tudo com uma vaga no November Nine é impensável. Sinto que estou jogando meu melhor. Durante este evento eu não fui allin nenhuma vez, nem paguei nenhum um all-in. Isso é um bom indicativo do meu estilo de jogo”. 50

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Fichas: 20.875.000

Ano da WSOP. Ele não só cravou seu primeiro bracelete, como também conseguiu um 2º, 8º e 12° lugares antes do Main Event, incluindo a mesa final do $50.000 Players Championship. No geral, Lamb já levou $2 milhões só nesta World Series, elevando seus ganhos para mais de $3,4 milhões de dólares.


WSOP em 2005 e 2006 BSOP em 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 CPH em 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 LAPT em 2010 e 2011 Full Tilt 750K em 2010 PCA Bahamas em 2011 Tower Torneos em 2011 ARSOP em 2011 BPT em 2011 Nem o Brasil chegou em tantas finais de campeonato assim.

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De maneira bastante discreta, o tcheco Martin Staszko entrou na mesa final como chip leader. Staszko jamais perdeu o foco durante a bolha da mesa final, e o resultado é que ele foi capaz de acumular fichas de forma segura sem muitos showdowns. Staszko é o segundo mais velho da mesa final, com 35 anos. Ele tem US$83.001 ganhos na carreira, e é o único jogador da República Tcheca a chegar a uma mesa final da WSOP. ♠

Fichas: 40.175.000

“coMecei a Jogar poker há quatro anos, Mas tenho uMa boa experiência online e no european poker tour. Meu histórico de Jogo era no xadrez, Mas o poker Já está Me trazendo Melhores resultados. estou torcendo para conseguir ganhar Mais experiência no Jogo live nesses Meses que antecedeM a Mesa final”.

MARTIN STASZKO


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ESTRATÉGIA

Diógenes Malaquias @diogenes1608

COMO JOGAR NO TURN

EM BORDOS COM MUITOS DRAWS

Diógenes Malaquias é fundador do site de treinamento universodopoker.com, onde dá aulas de cash game online.

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No início da minha carreira, eu ouvia muitas pessoas falarem sobre controlar o tamanho do pote com mãos fracas e tentava aplicar isso ao meu jogo. Depois descobri que essa ideia é apenas especulação de quem não consegue colocar seu adversário em um range adequado e jogar de acordo com isso. Quer um conceito realmente útil e lucrativo? Então trate de aprender como jogar no turn em bordos com draws. Vamos lá. $2/$4 nl hold’em, 5 players Button: $179 Small Blind: $400 Big Blind: $984,60 UTG: $508 Você (cutoff): $521,25 Pré-flop: Utg dá fold, você aumenta para $12 com T♠J♥, dois jogadores dão fold e o big blind dá call de $8.

Do cutoff, eu dou um raise padrão pré-�lop com valete-dez de naipes diferentes. Esse raise é ok porque tenho pela frente apenas três adversários. O button é um oponente fraco e passivo. Digo isso porque, do contrário, eu teria di�iculdade em jogar fora de posição contra ele e provavelmente não abriria raise com J-T. O small blind é um tight-aggressive padrão que joga poucas mãos, sempre agressivamente. Já o big blind é um jogador fraco que torna meu raise ainda mais lucrativo, pois, contra um oponente assim, ter posição com qualquer mão jogável signi�ica lucro quase certo. Flop: 2♥ Q♥ J♠ ($26 no pote), bb check, você dispara $18, bb paga.


$179

$400

BUTTON

SMALL BLIND

$984.60

BIG BLIND

$508

J

UNDER THE GUN

6

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Q

6

Q

2

2

10

J

CUTOFF 10

O �lop vem com draws para �lush e straight, e eu ainda acerto um segundo par. Aposto pelo valor, de modo que ele dê call com várias mãos piores que a minha – nesse caso, os draws. Turn: 6♣ ($62 no pote), bb check, você aposta $45, bb dá fold. Meu adversário paga, e no turn vem uma carta que não muda em nada a situação. Nessas circunstâncias, muitas pessoas defendem dar check se o adversário também tiver feito isso (check-behind), argumentando que tenho apenas segundo par e estaria perdendo para qualquer dama dele. Com certeza não é a melhor forma de jogar essa mão. O certo seria colocar nosso adversário em um range e então analisar quando perderemos e quando ganharemos.

J

$521.25

HERO

Nosso adversário raramente teria J-J, Q-Q, K-K, A-A, A-K ou AQ. Com essas cartas altas, ele daria 3-bet pré-�lop ou raise no �lop; com Q-J ou 2-2, ele aumentaria no �lop. Por que ele faria isso? Porque todas essas mãos são muito fortes pré-�lop ou no �lop, por estarem ganhando do meu range ou pelo fato de o �lop ter trazido várias possibilidades de draws, praticamente obrigando o jogador com essas cartas a dar raise no �lop para se proteger contra essas possíveis mãos incompletas.

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ESTRATÉGIA

Dessa forma, na maioria das vezes, o check-call dele no �lop representa algo como um draw, J-X ou Q-X com kicker baixo. A chance de o adversário ter Q-J também é pequena, pois já temos um valete diminuindo as combinações possíveis de dama-valete, sem falar que grande parte dos Q-J que ele tivesse também seriam jogados com raise no �lop para extrair valor de mãos mais fracas e se proteger dos draws. Raramente veremos um adversário que não tenha nada ou que esteja segurando apenas pares baixos. Se dermos check nesse turn, quase sempre nos depararemos com uma aposta do adversário. Ele apostará com todos os blefes que tiver, e com todas as damas e �lushes que baterem. Talvez ele não aposte com J-X por não haver tantas mãos piores que paguem a aposta. O que fazer diante de uma aposta dessas no river

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é uma decisão di�ícil. Algumas vezes eu largarei, outras, darei call. Isso vai depender de outras características do adversário e de como está minha imagem no jogo. Para descomplicar, eu sempre apostarei no turn quando tiver mãos com valor de showdown, como o segundo par – às vezes, até mesmo com somente uma carta mais alta – e quando o bordo estiver cheio de draws. O fundamento dessa linha de ação é extrair valor de draws, que compõem uma parte considerável do range do adversário. Além disso, ele várias vezes largará mãos como Q-8 ou Q-9, que estão ganhando de mim, mas não conseguem resistir a tanta agressividade. Aqui, uma ressalva: existem muitos jogadores fracos ou bastante fortes que pagariam três apostas com Q-8. Identi�ique-os, principalmente os fracos, e não blefe contra eles em outras situações.

Mesmo diante dessa possibilidade de tomar call em três apostas, ainda é lucrativo ser agressivo nesse tipo de situação, pois você evita a apertada decisão entre pagar ou não a aposta do adversário no river, além de balancear bem o seu range para os adversários não terem uma leitura fácil sua quando você apostar com suas mãos fortes. Trocando tudo isso em miúdos, procure sempre apostar no turn quando você tiver mãos com valor de showdown e o bordo apresentar draws. Suas decisões �icarão mais fáceis, e seu bolso, mais cheio. ♠


abra sua conta

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andré dexx @dexx_rj andredexx.com

SOCIALIZAR PARA

andré “dexx” é instrutor do site tvpokerpro.com e um dos mais respeitados jogadores de cash games online do país.

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T

EVOLUIR

odo mundo já sabe que estudar é o melhor caminho para se ter sucesso no poker. Como fazer isso de forma eficiente é o que muita gente quer saber. Aqui, veremos uma das principais formas de estudo, a socialização, e de que modo um amigo pode lhe ajudar a desenvolver seu jogo. Também vamos conversar sobre como o ego pode lhe colocar em grande desvantagem nesse desenvolvimento. Quando começamos no poker, nós nos deparamos com um jogo de infinitas possibilidades. Se formos espertos, rapidamente vamos perceber que não sabemos nada sobre ele e que jamais seremos jogadores perfeitos. Diante de um jogo tão complexo, é no mínimo razoável crer que não vamos pensar em todos os

recursos de uma só vez, já que temos uma percepção limitada, principalmente no início, quando tudo é novo e não fechamos nenhuma parte do quebra-cabeça. É nesse instante que tomaremos a inteligente decisão de socializar, afinal, duas ou mais cabeças pensam melhor do que uma. Talvez você comece em um home game, quem sabe um clube de poker ou mesmo online – não importa onde esteja, veja quem tem o mesmo interesse pelo jogo e junte-se a ele. Na maioria das vezes, você não só ganhará um amigo nessa longa jornada, mas também um professor, já que


ele poderá lhe ensinar sobre o jogo. Instiguem o máximo de questionamentos para que vocês possam buscar soluções, procurem mais pessoas interessadas sobre a modalidade que estão estudando. Quanto mais percepções, mais vocês conseguirão pensar e fazer associações no jogo. Dentre todas as formas de estudo em grupo, a que mais se destaca são os fóruns. Sem dúvida. Lá existe uma grande quantidade de pessoas interessadas pelo mesmo assunto. Elas estão dispostas a discutir dúvidas sobre mãos, legislação e até dar dicas, por exemplo, sobre os melhores sites para se jogar tal modalidade em tal nível. Sem contar que é uma fonte de informação da melhor qualidade a respeito de tudo o que rola no mundo do poker, com a facilidade de se encontrar os assuntos divididos em tópicos de fácil acesso. Quem não está inserido nesse tipo de comunidade já sai em desvantagem. Outra dica importante é tomar cuidado com o ego, o pior inimigo do jogador de poker. Mantenha sempre a humildade e trabalhe para não ficar aborrecido se um jogador criticar sua jogada. Na verdade ele está lhe fazendo um grande favor em dar a opinião dele, sinta-se feliz

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com isso, e não o contrário. Como eu disse, você poderá ter muito mais sucesso discutindo – de maneira saudável, é claro – do que se fechando e alimentando sentimentos negativos. Estou cansado de escutar casos de pessoas que se deram muito bem durante o período em que tinham certo tipo de comportamento, e mais tarde se encontraram em situação crítica em seus jogos por achar que não tirariam proveito das discussões. Esse foi o grande erro deles. Portanto, tenha cuidado com o ego na vida toda, em tudo o que for

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fazer. Caso contrário, ele pode lhe dar uma rasteira difícil de levantar. Espero que vocês tenham gostado das dicas. Eu dedico este artigo a todas as pessoas com quem tive oportunidade de conversar ao longo desses anos como jogador de poker. Todos vocês foram meus professores. ♠


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FICHA NO PANO NA TERRA DAS CATARATAS Parada obrigatória para turistas vindos dos quatro cantos do mundo, Foz do Iguaçu é famosa pelo espetáculo natural das cataratas. Agora, a cidade aproveita todo seu potencial turístico para abrigar também uma etapa do BSOP.

A expectativa era grande. Não só pela estreia da cidade no circuito, mas também porque era nessa etapa que aconteceria uma cena que, de tão absurda, poderia se tornar antológica. Para quem não se lembra, na etapa anterior, em São Paulo, aconteceu o chamado “Duelo do Ano”. Foi uma disputa entre dois times de três de jogadores, na qual os membros da equipe perdedora jogariam o torneio de Foz fantasiados de caixa eletrônico. Pois bem, o time formado por Sketch, Will Arruda e Caio Brites venceu o de Eduardo Sequela, Marco Chacal e Paul César “PC”. Pena que o cumprimento da aposta acabou não acontecendo, e a pitoresca cena acabou sendo adiada por tempo indeterminado. No Dia 1A, dentre os 175 jogadores incritos, apenas Marco “Chacal” Cheida entrou em campo. Vestindo sua tradicional camisa do “Poker de Rua”, ele foi um dos 41 jogadores que conseguiu avançar para o Dia 2. A essa altura, o líder com 100 big blinds era Fernando Grow, que acabaria chegando a mesa final. Superada a decepção pela ausência dos “caixas eletrônicos” no field, o Dia 1B teve 193 participantes. Depois de 13 níveis jogados, apenas 49 jogadores continuavam na

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briga. Entre os sobreviventes, Eduardo Sequela. Quem puxava a fila era Diego Antunes, com 265.000 fichas. Dentre os 82 jogadores que avançaram para o Dia 2, 36 deles receberiam pelo menos 4 mil reais. O grande campeão da etapa embolsaria R$ 128.000. A partir daí, as horas correram frouxas até que a bolha do torneio estourasse. Short-stacked, o jogador de Florianopólis, Wilson Darella, colocou todas as fichas no centro da mesa com par de dez. Dois adversários pagaram, e quando o flop trouxe K♠J♠8♦, Varella sabia que estaria em uma situação complicada. O showdown serviu apenas para confirmar a eliminação do catarinense: um dos adversários tinha J♥Q♣ e acabou puxando o pote. Com o estouro da bolha, o jogo tornou-se muito mais agressivo, é claro. A mesa final foi formada depois que Nelson Alfonso tentou passar um blefe em Luciano “Ligeiro”, que tinha top pair. E não é que um suposto “caixa eletrônico” estava entre os finalistas? Eduardo Sequela, mesmo sem fantasia, acabou chegando à mesa final.


8º - R$ 13.000

Eduardo Maltese

Com menos de três big blinds e segurando K♥9♣, o paraguaio Roberto “Tito” vai para o tudo ou nada contra Luciano “Ligeiro”, que tem Q♣Q♦. O flop traz um nove para Tito, mas turn e river mantêm a vantagem de Luciano. Fim de jogo para o paraguaio.

7º - R$ 17.800

3º - R$ 58.500

André Destak

André Destak empurra all-in depois do raise de Fernando Grow. Segurando J♠Q♥, André se encontra em uma situação ruim perante o A♠J♣ de Grow. O bordo não melhora a situação para André, e Grow avança para o heads-up decisivo.

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Renan Ribas

Após perder para dois outs de Fernando Grow, Renan Ribas fica muito short. Depois de um raise de Carlos Mavca, ele vai all-in com do big blind com 8♦T♠. Mavca dá call com A♦K♥, acerta dois pares e elimina Ribas.


6º - R$ 23.200

Carlos Mavca

Mavca, agora short-stacked, vai all-in com A♣7♣. Rafael Caiaffa paga com A♦9♠, e o bordo traz quatro cartas de ouros, dando o nuts para o mineiro, que faz sua segunda vítima na mesa final.

2º - R$ 81.600

Fernando Grow Caiaffa aumenta com J♥8♥. Short-stacked, Grow vai all-in com A♦9♦, mas vê o adversário acertar dois pares. Grow termina como vice-campeão do torneio.

5º - R$ 34.400

Luciano “Ligeiro” Com menos de 10 big blinds, Luciano coloca todas as suas fichas no centro da mesa com Q♦9♦. Diego Antunes paga com par de setes e acerta sua trinca logo no flop, eliminando o paulista em 5º lugar.

5º - R$ 46.500

Diego Antunes Rafael Caiaffa aumenta do small blind, e Diego Antunes responde com um reraise forte. Com mais fichas, Caiaffa vai all-in e toma call. O mineiro apresenta T♥T♣, e Diego, A♠K♥. A carta mais alta do bordo é um J♦, e Diego Antunes acaba saindo do torneio.

9º - R$ 9.300

Eduardo Sequela Rafael Caiaffa aumenta do UTG, Sequela paga do big blind e os dois veem o flop de A♠Q♥9♥. Sequela pede mesa, Caiaffa aposta. Sequela volta all-in, toma call. O mineiro apresenta A♥Q♠ contra A♦9♦ de Sequela. O river é irrelevante, e Eduardo Sequela é o primeiro jogador a deixar a mesa final.

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1º - R$ 128.000

Rafael Caiaffa

Quando a mesa final foi formada, Rafael Caiaffa tinha o segundo menor stack, e precisava correr atrás dos líderes Luciano “Ligeiro” e Renan Ribas. Mas o mineiro conseguiu reverter a situação e acabou eliminando três adversários até chegar ao heads-up com uma vantagem de 2-1 contra Fernando Grow. Se, em São Paulo, Felipe Nunes e Yuri Martins mostraram a força da nova geração do poker, em Foz do Iguaçu, Rafael Caiaffa mostrou que a velha guarda ainda tem muita lenha para queimar, e conquistou de maneira brilhante a 6ª Etapa do BSOP.

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Pot Limit Omaha 1.Ricardo Voltolini 2.Felipe Mojave 3.Chicão

Pot Limit Omaha 1.Ricardo Voltolini 2.Felipe Mojave 3.Chicão

Second Chance 1.Francisco Silva 2.Jean Double 3.Pedro Aldave

High Roller 1.Marcelo Tim 2.Carlos Stüpp 3.Romeu Marujo

Ficha Técnica 6ª Etapa do Brazilian Series of Poker Local: Recanto Park Hotel (Foz do Iguaçu) Data: 15 a 19 de setembro Buy-in: R$ 1.800 Inscritos: 368 jogadores Prize Pool: R$ 559.360 @CardPlayerbr 71


RPT RIO POKER TOUR 4 ETAPA por Marcelo Souza

E

u sei, já está ficando repetitivo. Mas o que dizer de um torneio que, pela terceira vez consecutiva, quebra os próprios recordes de público e premiação, atrai mais de 200 jogadores e conta com as presenças ilustres de Akkari, Petkovic e Fábio Luciano? Lembrar que o RPT é um grande sucesso é chover no molhado. Depois da experiência em Las Vegas com o Best Poker Team Brasil, resolvi dar continuidade ao meu momento “jornalista jogador”. Impressionado com a estrutura do evento que presenciei como repórter há duas etapas, decidi participar da 4ª Etapa do Rio Poker Tour. Independentemente do meu resultado (que foi

até bom, se você for daqueles que sempre enxerga o lado positivo das coisas), eu me arrisco a dizer que esse é o torneio com melhor custo-benefício que já disputei no Brasil. A estrutura de blinds permite um jogo extremamente técnico, e leva muitas horas e muitos potes perdidos até que você se encontre em situação delicada. Decidi engatar na sexta-feira, Dia 1A, e peguei uma mesa dura. Dos jogadores mais conhecidos estavam o ex-craque do Flamengo, Vasco e Fluminense Petkovic, Léo Bello e Bob Fraga. Quem andasse pelo salão, entre os 129 inscritos do dia, encontraria ainda Christian Kruel, André Doblas e André Akkari, que terminou o dia como chip leader – sem surpresa.


Fรกbio Luciano

Petkovic

Marcos Sketch

Akkari

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André Doblas

Graças à excelente estrutura, pude acumular um stack confortável nos primeiros níveis, mas, infelizmente, depois de atravessar a madrugada jogando, paguei pelo preço de não ter descansado direito no dia anterior (aqui, aliás, um conselho: se decidir jogar o Dia 1A descanse bastante na véspera ou na própria sexta, para que o cansaço não lhe pegue de surpresa depois). Para não arruinar horas de torneio em questão de minutos, decidi tirar o pé do acelerador quando faltava pouco mais de um nível de blinds para o encerramento do dia. A madrugada já se entregava aos primeiros raios de sol, assim como eu ameaçava entregar meu stack por causa do sono. Acabei avançando com quase 30 big blinds, e junto comigo, outros 41 jogadores. O Dia 1B, jogado no sábado, trouxe aos feltros mais 100 jogadores, confirmando um novo recorde de participantes, 229, e de premiação, R$ 160.300. Dentre os que entraram em campo estavam Marcos Sketch, Márcio “Kamikaze” e o ex-capitão do Flamengo Fábio Luciano. E esses dois últimos acabaram marcando presença entre os 31 sobreviventes.

Vini Marques

eu me arrisco a dizer que esse é o torneio com melhor custo-benefício que já disputei no Brasil. 76

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A estrutura de blinds permite um jogo extremamente técnico, e leva muitas horas e muitos potes perdidos até que você se encontre em situação delicada. Edu “Sequela”

No Dia 2, 73 jogadores continuavam em busca do primeiro prêmio de R$ 42 mil. Eu estava entre eles e tive o prazer de jogar por algum tempo com Fábio Luciano. Humilde e atencioso, o “Eterno Capitão” me disse que faria de tudo para comparecer no maior número de etapas possíveis, assim como Petkovic, que já virou figurinha carimbada no RPT. Pena que nada deu certo para mim naquele domingo. Permaneci na faixa das 50 mil fichas durante horas. Quando restavam 40 jogadores eu era o short stack e profetizei a alguns amigos que o bolha do torneio seria eu. “Nunca ouvi profecia tão macabra”, brincou Heber Nogueira, um dos responsáveis pelo evento. Enquanto isso meu stack continuava ali, imutável, e os jogadores iam sendo eliminados. A bolha estava cada vez mais perto, e meu destino no torneio talvez tivesse sido diferente se o A-K de Carlos Mavca não tivesse quebrado o par de reis do adversário, ou se o 3-3 de outro short stack não tivesse se mantido firme contra o KQ do chip leader. O problema é que “se” não entra em campo...

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mesafinalistas 1. André Perlingeiro (RJ)

R$ 42.000

2. Alexandre Rivero (RJ)

R$ 25.000

3. Igor Souto (RJ

R$ 16.000

4. Iata Anderson (MG)

R$ 11.000

5. Victor Natan (RJ)

R$ 8.300

6. Leonardo Oliveira (RJ)

R$ 7.100

7. Alexandre França (RJ)

R$ 6.100

8. Marcelo Mesquieu (RJ)

R$ 5.100

Restavam 24 jogadores e eu tinha cerca de oito big blinds quando veio a mão fatídica. Faltando dois minutos para o break, recebi par de setes em posição intermediária e não pensei muito antes de colocar todas as fichas no centro da mesa. A ação rodou em fold até o big blind, Marcelo Mesquieu, que anunciou call ao olhar apenas uma carta, um ás. Mostrei meu parzinho e, antes que ele abrisse sua outra carta, comecei a torcer para que fosse um sete ou algo menor. Infelizmente, quis o destino que a carta de cima fosse igual à de baixo. O bordo não me ajudou, e acabei saindo de mãos vazias em meu primeiro grande torneio nacional. Os 23 jogadores restantes, que não tinham nada a ver com minha “falta de sorte”, já receberiam pelo menos R$ 1.700. A batalha continuaria até que restas-

Vinícius “vinifenômeno” Telles

Main Event

sem os nove finalistas, que foram conhecidos quando Renato Miranda e Frank Guerra caíram ao mesmo tempo. Por terem exatamente o mesmo número de fichas, ambos ficaram com a 9ª colocação. Na segunda-feira, muitas reviravoltas marcaram a mesa final, que se prolongou por quase oito horas. Um dos destaques foi Iata Anderson. Único não-carioca entre os finalistas, o mineiro ganhou o apelido de “Inquebrável” por ressurgir das cinzas diversas vezes durante a final table. Ele ficaria com uma honrosa 4ª colocação. Ao final, o grande campeão foi o jogador que tinha entrado com o segundo menor stack da mesa final. André Perlingeiro cravou a 4ª etapa do RPT ao vencer Alexandre Rivero no heads-up decisivo, apresentando um desempenho surpreendente e, claro, vitorioso. ♠


Torneio de Heads-Up

Torneio de Heads-Up Homenageia Christian Kruel A grande novidade na 4ª Etapa do RPT foi o primeiro “Torneio de Heads-Up Christian Kruel”, que premiaria o campeão com um belíssimo troféu em homenagem a um dos grandes especialistas da modalidade no Brasil. O evento teve buy-in de R$ 1.000 (sem rake) atraiu 16 jogadores e teve a presença de Marcos Sketch, Stetson Fraiha, André Akkari, Vini Marques e, obviamente, o homenageado Christian Kruel. A queda de CK e Akkari logo no primeiro duelo mostrou que o field estava duríssimo. Marcos Cerqueira, que eliminara Akkari e Sketch, surgia como fortíssimo candidato ao título. Mas Vinícius “vinifenômeno” Telles colocou freios no ímpeto do carioca, eliminando-o nas semifinais e vencendo Rodrigo Giostri por 2x1 na grande final. ♠

Last Chance

Second Chance

SECOND CHANCE Field – 50 jogadores 1º - DENNIS BENZECRY - RJ 2º - FÁBIO ISSA - MG 3º - LEONARDO CANÇADO - MG

LAST CHANCE Field – 96 jogadores 1º - THALES SOUZA - RJ 2º - RODRIGO SEMEGHINI - RJ 3º - RENATO RIBEIRO - MG

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Torneio de Heads-Up

Torneio de Heads-Up Homenageia Christian Kruel A grande novidade na 4ª Etapa do RPT foi o primeiro “Torneio de Heads-Up Christian Kruel”, que premiaria o campeão com um belíssimo troféu em homenagem a um dos grandes especialistas da modalidade no Brasil. O evento teve buy-in de R$ 1.000 (sem rake) atraiu 16 jogadores e teve a presença de Marcos Sketch, Stetson Fraiha, André Akkari, Vini Marques e, obviamente, o homenageado Christian Kruel. A queda de CK e Akkari logo no primeiro duelo mostrou que o field estava duríssimo. Marcos Cerqueira, que eliminara Akkari e Sketch, surgia como fortíssimo candidato ao título. Mas Vinícius “vinifenômeno” Telles colocou freios no ímpeto do carioca, eliminando-o nas semifinais e vencendo Rodrigo Giostri por 2x1 na grande final. ♠

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