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POKER

ESPORTE e e

A trajet贸ria do Best Poker Team Brasil em Las Vegas

DEalers: a profiss茫o que dita o ritmo nas mesas de poker

Daniel

Negreanu E O FIM DE UM TABU


SUMÁRIO 12. FELIPE MOJAVE

OITO DICAS PARA POT LIMIT OMAHA EIGHT-OR-BETTER Mojave dá dicas importantes para quem quer se dar bem em uma das modalidades mais complexas do poker.

ESPECIAIS 22. OS DONOS DO JOGO

Dealers: a profissão que movimentas as mesas de poker por todo o mundo.

32. DIÓGENES MALAQUIAS

13 DICAS PARA A MESA FINAL Veja o que Diógenes Malaquias tem a dizer sobre uma das fases mais importantes de um torneio de poker: a mesa final.

38. O QUE ACONTECE EM VEGAS, NÃO FICA EM VEGAS A trajetória do Best Poker Team Brasil em Las Vegas.

62. DANIEL NEGREANU E O FIM DE UM TABU

56. DEVANIR CAMPOS

PERGUNTE AO DIRETOR Principal Diretor de Torneios do Brasil, “DC” tira as dúvidas dos leitores da Card Player Brasil.

Depois de quatro anos, o embaixador do poker mundial voltar a conquistar um título.

82. OS QUATRO ASES DO FULL TILT POKER

Carlos Mavca, Larissa Metran, Leonardo Toddasso e Rafael Caiaffa são os novos embaixadores do Full Tilt.

76. FÁBIO EIJI

CHEGOU O MOMENTO DE DESCER? Fábio Eiji dá dicas importantes para que os jogadores não cometam erros no momento de subir ou descer de limites.

96. THIAGO DECANO

VALOR OU BLEFE? - PARTE II Decano conclui seu artigo sobre dois dos conceitos mais subvalorizados pelos jogadores de poker.

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OITO DICAS PARA POT-LIMIT OMAHA

EIGHT-OR-BETTER por Felipe Mojave

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esta edição, vou escrever sobre uma modalidade que muitos de vocês já devem ter ouvido falar, uma variante ainda mais complexa do Pot-Limit Omaha, o Hi-Lo. A sigla para essa variante é PLO8, já que o jogo também é chamado de Pot-Limit Omaha eight-or-better. A explicação é simples, em uma mão de PLO8, o pote é dividido entre a melhor mão (high) e a pior mão (low), sendo que para uma mão ser considerada low, nenhuma das cinco cartas que formam o jogo pode ser maior do que Oito. O PLO8 é um jogo fantástico e muito dinâmico – e, com certeza, é uma das minhas modalidades favoritas. Por favor, entendam a diferença conceitual entre o Fixed-Limit e o Pot-Limit. Apesar de o jogo ser o mesmo, devido à mudança na

estrutura de apostas, existe uma distinção extremamente aguda entre os dois. O PLO8 é o jogo em que vejo as pessoas cometerem mais erros e é um dos mais difíceis de ser dominado, pois envolve cálculos mais complexos e leituras de ranges mais apuradas.

DICA 1 – SELEÇÃO DE MÃOS Normalmente, os jogadores acreditam que basta investir as fichas em uma boa mão, com capacidade para ganhar o high e o low, levar pelo menos metade do pote e pronto, tudo está ótimo. Mas não é tão simples. Neste jogo é muito fácil perder o foco, e, em algum momento, você começa a jogar praticamente quaisquer quatro cartas ou algo que tenha A-2.

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seus objetivos em PLO8 são: ganhar a metade ou dois terços de um grande pote (com vários jogadores) e, com certeza, o maior deles é tentar levar o pote inteiro Mãos com apenas A-2, sem naipes ou nenhum outro acompanhamento interessante, não são muitas boas para tentar o scoop – ou seja, ganhar todo o pote, tanto o high quanto o low. Lembre-se que seus objetivos em PLO8 são: ganhar a metade ou dois terços de um grande pote (com vários jogadores) e, com certeza, o maior deles é tentar levar o pote inteiro (scoop). Outro fator importante: tenha cuidado com as mãos jogadas apenas para o high. O flop, muitas vezes, será favorável para esse tipo de mãos, e você também deve jogá-las em certas ocasiões, mas terá que forçar o encerramento da mão no flop ou jogar o turn e o river com muita cautela.

DICA 2 – MIGRAÇÃO E CONFUSÃO DE RANGE Talvez, esta seja a dica mais importante do artigo. Pelo fato do jogo ser pot-limit e a exigibilidade para jogar uma mão de Omaha H/L ser bem menor do que em outros jogos, procure “migrar” seu range e confundir seu oponente. Por exemplo, aposte em flops baixos com mãos high e em flops altos com mãos low. Se fizer isso, seus adversários podem cometer grandes erros.

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DICA 3 – OLHO NO LOW Não espere ter uma high-hand forte para contestar o pote. Muitos novatos cometem esse erro frequentemente. Quando você tiver uma boa defesa para o low, o jogo high pode ser apenas um bom complemento – principalmente quando há boas razões para acreditar que o seu adversário não tem chances para fazer o low. Lembre-se, ao completar o seu low, você já terá, pelo menos, metade do pote garantido. Mas tenha cuidado. Se for para ficar apenas com a metade do pote, não invista muitas fichas no low.

DICA 4 – ATENÇÃO AOS RUNDOWNS Os rundowns (as quatro cartas em sequência) do PLO perdem muito valor em PLO8, portanto, tome cuidado com as mãos do tipo 6-7-8-9 (mesmo as com duas combinações de naipe, double-suited). Normalmente, elas geram risco, pelo fato de formarem uma low-hand ruim e por encontrarem problemas para puxarem o jogo high. Mãos como A-3-K-Q, mesmo que off-suited, são muito mais eficientes.


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DICA 5 – CONTROLE AS APOSTAS PÓS-FLOP Um erro pós-flop extremamente comum é encarecer o pote, por apostar o valor do mesmo, com uma mão que só tem capacidade para ganhar o low. Muitos jogadores vão argumentar sobre backdoors (chance para acertar o seu jogo na última carta) de flushes e straights para agredir no flop. Fique atento. Essas mãos podem representar grandes perdas.

DICA 6 – USE O FLOAT Como em qualquer tipo de poker, você precisa ter uma boa noção do range do seu oponente. Uma vez que você tenha essa capacidade, tente utilizar o float (dar call no flop sem uma mão pronta, esperando que seu adversário peça mesa no turn e você possa levar o pote blefando). Essa é uma grande ferramenta do PLO8.

DICA 8 – ANALISE O POTENCIAL DA SUA MÃO Analise as suas condições antes de se meter em um pote gigantesco. É bem comum ver jogadores investirem uma quantia absurda de big blinds quando têm uma mão forte com potencial para scoop. Isso é um grande erro, principalmente em torneios. Você sabe calcular o seu potencial de scoop? Realmente vale a pena ir all-in, no flop, por mais de 100 big blinds, quando a sua chance de scoop é apenas um pouco maior do que a do adversário? E se a possibilidade de completar o seu low for baixa? E se a sua high-hand não for tão forte assim? Esse, com certeza, é um dos maiores erros entre os jogadores de torneios. Espero que vocês tenham curtido essa seleção de dicas para esse jogo fantástico. Pratiquem mais a modalidade. Além da diversão garantida e de ser um jogo que exige muito do seu condicionamento mental, existem muitas oportunidades para lucrar. ♠

DICA 7 – CUIDADO COM OS BLEFES Não tente blefar oponentes que não gostam de dar fold. O PLO8 é um jogo de inúmeras possibilidades, e muitos adversários se negarão a dar fold em low-hands ruins. O inverso é verdadeiro. Os jogadores o colocarão num range de low com frequência, e darão o call para o high com mãos bastante fracas, como top-pair.

Felipe Mojave @FelipeMojave felipemojave.com

Felipe Mojave é um dos principais jogadores brasileiros da atualidade, especialista em mixed games e profissional do Lock Poker.

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CARLOS CAMARGO DESBANCA MAIS DE 270 CONCORRENTES E CRAVA A 7ª ETAPA DO SPF

Teve início no Dia 2 de outubro, em São Paulo, a 7ª etapa da temporada 2013 do São Paulo Poker Fest, o SPF, organizado pela Odds Brasil.

tana (220.300), Salim Darhug (206.000) e Carlos Khoury (194.000). Pedro Pereira, Maverick e Rodrigo Cunha foram outros nomes que avançaram.

Com ranking anual, o torneio é o único do estado de SP que dá ao campeão da temporada um pacote completo para a WSOP 2014. Cada etapa tem premiação garantida de R$ 120 mil e buy-in de apenas R$ 550, no sistema four entry e com mixed blinds.

Emerson Baroni, Betodalu e “Robigol”, nomes conhecidos do poker paulistano, foram alguns dos 70 jogadores que se inscreveram no Dia 1D do torneio, o último classificatório. Ao final do Dia, Augusto Cano assumiu a liderança geral do torneio ao ensacar 281.100, liderando os 19 jogadores que se classificaram para o Dia 2.

O Dia 1A reuniu 55 jogadores. Ao término das atividades, 14 jogadores haviam garantido suas vagas para o Dia 2, liderados por Carlos Camargo, que chegou a ter apenas oito big blinds durante a disputa, mas ensacou 236.800 fichas. Gabriel Fagundes, Luciano Helipa e Cris Coelho também se classificaram. A quinta-feira, dia 3, sediou o Dia 1B do torneio, que contou com 78. Quando a organização anunciou o fim do Dia, 22 jogadores seguiam vivos, liderados por Marcio Covello e suas 221.800 fichas. R.R. Cabral (186.900), marcos Mendonça (173.000) e Valmir Aquino (94.000) também passaram para o Dia 2. O Dia 1C reuniu 70 jogadores nos feltros do Vegas, e 19 deles sobreviveram aos 11 níveis disputados. Osmar Marques, que após ser o vice-campeão da 5ª etapa entrou na briga pelo título da temporada, encerrou o dia com 267.500 fichas. Ele foi seguido por Helder Fon-

Para o segundo Dia de torneio, 76 jogadores retornaram. Eles disputavam uma fatia dos R$ 123.800 da prize pool, que seria distribuída entre os 27 melhores colocados. Como de costume, R$ 30 mil estavam destinados ao campeão da etapa. Quando restavam apenas 29 jogadores, dois pares de Damas, em duas jogadas simultâneas, provocaram duas eliminações e, consequentemente, o estouro da bolha. Osmar Marques, Carlos Khouri, Erika Santana foram alguns nomes que deixaram a disputa já ITM. Outra dupla eliminação também decretou o final do Dia 2. O par de Noves de Luciano Helipa “segurou” contra o Q-8 de Covello, eliminado na 11ª posição, e contra o K-Q de Sergio Augusto, que caiu em 10º.


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ERT

ORI

AL

Mesa Final: Col.

Jogador

Stack

Adriano “Monster”

1.556.000

Carlos Camargo

1.350.000

Luciano Helipa

1.099.000

Luiz Mello

1.035.000

Marcos Mendonça

1.018.000

Maverick

981.000

Douglas Pereira

504.000

JMarcel

374.000

Emília

252.000

Na segunda-feira, 7 de outubro, os salões do Vegas receberam os nove finalistas do torneio. As primeiras eliminações da FT ocorram logo no primeiro nível de blinds. “Monster”, com uma trinca de Setes, eliminou JMarcel (9º) e Emília (8ª). Pouco depois, após o flop 3-5-9, Douglas anunciou seu all-in segurando 9-7, mas se deparou com o K-K de Maverick e deixou a disputa em sétimo. Maverick foi o próximo eliminado, após perder um pote enorme para Monster. Monster também foi do céu ao inferno. Depois do seu ótimo início na FT, ele foi eliminado em 5º lugar. Primeiro o baralho castigou-o quando seu K-K perdeu para o A-8 de Luiz Mello. Na sequência, de novo contra Luiz, ele viu seu A-7 perder para o Q-Q do adversário. Luiz também foi o responsável pela eliminação do 4º colocado, Luciano Helipa. Após o flop K-4-A, Helipa e Mello se envolveram em um all-in. O primeiro tinha A-K, o segundo, K-K. Os dois outs de Helipa não apareceram nem no turn e nem river, selando seu destino na competição. Short, com o jogo em 3-handed, Carlos começou a se destacar. Primeiro ele dobrou suas fichas contra Marcos Mendonça, para em seguida, com um flush, eliminá-lo. Quando o heads-up teve início, Luiz Mello tinha grande vantagem em fichas, mas rapidamente o cenário mudou, depois de Carlos conseguir duas dobras consecutivas. Na mão final, Luiz apostou todas as suas fichas segurando 9-8, mas encontrou Carlos com J-J. O bordo ainda deu um full house para Carlos, que conquistou a 7ª etapa do SPF 2013.

Resultado Final: 1º

Carlos Camargo

R$ 30.000

Luiz Mello

R$ 19.000

Marcos Mendonça

R$ 14.000

Luciano Helipa

R$ 10.300

Adriano “Monster”

R$ 7.800

Maverick

R$ 6.100

Douglas Pereira

R$ 4.700

Emília

R$ 3.600

JMarcel

R$ 2.650

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OS DONOS DO JOGO Por Marcelo Souza Entrevistas: Marcelo Souza e Diego Scorvo

Uma das profissões mais ingratas do mundo certamente é a de árbitro de futebol. Meu pai sempre me conta histórias curiosas dos apertos que os “senhores do apito” passavam antigamente, na época em que as bolas ainda eram de capotão, as travas da chuteira eram de pregos e os próprios juízes eram enfeites, marionetes controladas pelo público – e garruchas – local. Ainda nos tempos de hoje, os árbitros sofrem. Solitários, condescendência é a última coisa que eles podem esperar de alguém. São alvos diretos dos dois pelotões inimigos no campo de batalha. São, aos olhos do perdedor, como dizia Nelson Rodrigues, “juízes larápios” – eufemismo deste que vos escreve, a realidade é bem pior.

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Foto de capa: Carlos Monti

Mas por que gastar tantas linhas para falar de futebol em uma revista de poker? Bem, existe uma profissão que, às vezes, pode ser tão ingrata – vejam que uso a palavra “ingrata” não de maneira pejorativa, mas no sentido de reconhecimento (ou falta dele) – como a de um árbitro de futebol. Estou falando dos dealers. Isso mesmo, os “donos da mesa de poker”. Ao contrário do árbitro, por melhor que seja o dealer, ele acabará desagradando um ou mais jogadores na mesa. Se o baralho traz um daqueles três outs no river, a culpa é do dealer. Se você não recebe um par de Ases há quase duas horas, a culpa é do dealer. Se você recebe dezenas de pares pequenos, consecutivamente, e não trinca nenhum, adivinhe de quem é a culpa?

Infelizmente, o field dos torneios aos vivos ainda é composto por pessoas que associam a sua “má sorte” a quem está distribuindo as cartas. No último LAPT de São Paulo, após a eliminação perto da bolha, um jogador, visivelmente irritado, se dirigiu ao dealer de sua mesa e lhe deu dois fortes tapas nas costas. Situação que não é comum, mas casos semelhantes acontecem mesmo com profissionais reconhecidos nacionalmente. “Apesar de nunca ter sido agredido fisicamente, já escutei os mais diversos tipos de xingamentos na mesa durante os meus oito anos de profissão. Hoje, são casos mais raros”, conta Nilton Batista Vieira, o “Tininho”, um dos nomes mais conhecidos do Brasil quando o assunto é distribuição de cartas.


Foto: Carlos Monti

Legenda: “Gatão”, “Kika”, Michele e “Tininho” @cardplayerbr


Dealers como Tininho são exceções à regra. Não em questão de qualidade, já que os dealers no Brasil estão entre os melhores do mundo – palavras não minhas, mas de renomados profissionais e amadores estrangeiros que já passaram por aqui –, mas em questão de respeito e reconhecimento nas mesas. Daniel “Gatão” é um desses casos. Com 35 anos, cinco deles dedicados à profissão, sua presença é certa em LAPTs, BSOPs e outros grandes eventos do Bra-

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sil. Sem nunca dizer não para uma oferta de trabalho, “Gatão” tem propriedade para falar sobre os rumos da profissão: “O poker evoluiu muito. Desde a forma do jogador se portar à mesa até à instituição como um todo. Meu sustento vem da distribuição de cartas e acredito que a tendência é só melhorar. Assim como outras profissões, que antes não eram reconhecidas por lei, o profissional, dealer, em breve, também terá amparo legal”. Dar cartas, principalmente em torneios, pode ser tarefa


complicada. A chance de se deparar com um ou mais jogadores inconvenientes é grande. A jornada de trabalho também é exaustiva. Torneios, como o BSOP, duram quase uma semana, com eventos em andamento por até 14 horas. Além disso, não só no Brasil, dealers de torneios, geralmente, têm que arcar com a própria hospedagem, o que pode tornar a vida de profissionais de outros estados ainda mais difícil. Esses são alguns dos motivos pelos quais nomes competentes como o de Marcos “BH” (nome modifi-

cado a pedido do entrevistado) permanecem no anonimato. Marcos dá cartas em jogos privados de cash games em Minas Gerais há quatro anos. “Muitas vezes, o que eu ganharia distribuindo cartas por três ou quatro dias em um torneio, eu ganho em uma única gorjeta em um jogo mais baleado”, conta. Sem revelar nomes, ele diz que não são poucos os figurões apaixonados pelo esporte em Minas. Políticos, empresários e até jogadores de futebol estão entre os que já recebe-

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ram cartas de suas mãos. “Dependendo da turma, os potes chegam facilmente aos seis dígitos. Nesses jogos as gorjetas são bem generosas”, conta Marcos que, mesmo dividindo a “caixinha” com os colegas que fazem o revezamento na mesa, já chegou a receber mais de R$ 10.000 em uma única noite. Graças à profissão, entre outros bens, ele já tem, quitados, carro e apartamento. Mas quando se envolve em jogos como os que Marcos participa, é preciso ter muito cuidado, afinal, quando ego e dinheiro se misturam, as coisas podem sair do controle – principalmente quando as quantias são exorbitantes. “É preciso ter muito jogo de cintura e simpatia, e colocar aquela velha máxima do comércio na cabeça: ‘o cliente tem sempre razão”, adverte. “Certa vez, dois jogadores se envolveram em um pote de quase 40 mil antes do flop. Um tinha par de Reis e o outro, A-K. Não preciso dizer que bati o Ás no turn. O cara do K-K xingou até a 15ª geração da minha família. A vontade era de enfiar um murro nas fuças do sujeito, mas

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sangue frio é essencial nesta profissão”, revela Marcos. Ao contrário de outras profissões, aqui, as mulheres são mais valorizadas. A presença feminina na mesa ajuda a inibir alguns comportamentos inadequados e, nas mesas de cash, pode proporcionar gorjetas ainda maiores para o staff. As brincadeiras acerca da beleza e cantadas são tiradas de letra. “Desde que não atrapalhe o bom andamento do jogo, basta dar um sorriso e continuar agindo normalmente. Em um caso ou outro é necessário chamar o floor, mas não é muito frequente”, disse Sarah Lynn em entrevista à Card Player em 2011. Nos últimos anos, a procura pela profissão tem sido tão grande que centros de formação para dealers foram criados por todo o País. Um dos pioneiros no ramo foi Joubert Camardo, o “Careca”. Por mais de dois anos, ele chefiou a equipe de dealers do BSOP e pode ser considerado um dos


Foto: Carlos Monti

Cristiane Romio

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Foto: Carlos Monti

responsáveis pelo sucesso dos brasileiros no ramo. “Eu me sinto muito orgulhoso pelo nível de excelência que alcançamos hoje. Muitos dos principais dealers do Brasil passaram por minhas mãos. Sou bastante exigente com as equipes que coordeno. Exijo padrão e postura, e o resultado sempre é satisfatório”, revela Joubert. Homens ou mulheres, os dealers são peças fundamentais no poker. Um bom jogo depende de um bom dealer. Por trás do sucesso de grandes torneios está também uma grande equipe. Valorizar e respeitar estes homens do “Assento 0” vai muito além da questão moral. Lembre-se que para que trabalhos sejam bem executados é preciso, antes de tudo, um ambiente harmônico e com as melhores condições possíveis para o profissional – condições, estas, que só serão ideais com a colaboração de cada um dos sete, oito ou nove jogadores da mesa.♠

Julyet Trevisan

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Foto: Arquivo

OS DEALERS NA MAIOR SÉRIE DE TORNEIOS DO MUNDO Nenhum evento no mundo reúne tantos dealers quanto a World Series of Poker (WSOP), realizada anualmente em Las Vegas, no cassino Rio. Segundo Jack Effel, Diretor de Torneios da WSOP, a série começa com um efetivo de cerca de 1.000 dealers. Ele diz que o mais importante é ter funcionários suficientes para quando o Main Event, maior torneio do mundo, começa. “Todo ano, perdemos de 15% a 20% da equipe durante as duas primeiras semanas da WSOP. Então, sempre, antes da série começar, contratamos uns 400 novos dealers. Dos 700 a 800 que terminam a série conosco, quase 600 voltam no próximo ano”, revela. O salário oferecido é de US$ 6.85 por hora trabalhada – mais gorjetas (cash game) e o que eles chamam de “toke”, a porcentagem da prize pool destinada ao staff. Em torneios como o Main Event e o Poker Players Championship, cujos buy-ins

são de US$ 10.000 e US$ 50.000, respectivamente, o “toke” é de 1.8%. Em 2009, por exemplo, a premiação do Main Event chegou a quase US$ 65 milhões, o que rendeu ao staff cerca de US$ 1.1 milhão – um extra de US$ 1.100 para cada um. O processo para entrar na equipe de dealers da WSOP é bem rígido. Obviamente, se eles vão contratar alguém que trabalhe no Belaggio ou no Venetian, por exemplo, não é necessário nenhum tipo de teste. Para os outros, há uma entrevista por telefone (portanto, inglês fluente é essencial), em que são feitas perguntas sobre as modalidades mais complexas da WSOP – pot-limit Omaha, seven-card stud eight-or-better e 2-7 triple draw. Aos entrevistados são dadas notas de 0 a 100. Se a nota é abaixo de 70, eles são dispensados. Entre 70 e 80, é agendada uma entrevista ao vivo. Acima de 80, a contratação é imediata. @cardplayerbr

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DICAS

PARA A

MESA FINAL por Di贸genes Malaquias


Como todos os jogadores de poker sabem, o grosso da prize pool de um torneio está na FT. Ainda assim, o prêmio do último colocado da mesa final chega a ser 10 vezes menor do que o do campeão. Então, o que fazer para que o trabalho duro de horas (online) ou de dias (live) não seja jogado pelo ralo? No artigo desta edição, 13 dicas para jogar a tão sonhada mesa final

Não se envolva em muitas mãos e nem em potes multiway (com mais de um adversário), como em fases anteriores. Aqui, a relação stack e blind é pequena, e não temos espaços para desperdiçar fichas. Lembre-se que o objetivo do torneio é acumular todas as fichas, de todos os adversários, e quando você perde um blind, deixa de ganhar um blind ao dobrar seu stack – e o adversário, que ganhou o seu blind, vai ganhar um blind extra ao dobrar. Portanto, não desperdice suas fichas com calls desnecessários.

Evite ficar pagando aumentos. Aposte mais, seja você o agressor. Tenha sempre a fold equity (FE) ao seu lado. O número de vezes que um adversário dá fold, frente ao seu aumento ou reaumento, pode transformar mãos com expectativa negativa (-EV) em mãos com expectativa positiva (+EV). Ter FE é uma das armas mais importantes em mesas finais.

Já na mesa semifinal, aproveite pra coletar o maior numero de informações e fazer observações sobre os adversários. Pressione os que sentem a pressão da bolha da FT. Estes são os que jogarão de forma mais passiva e com uma porcentagem de blefes muito baixa em seu arsenal. No online, você pode pesquisar sobre cada jogador no OPR ou Sharkscope. Observe quem é regular, recreativo, lucrativo e, principalmente, qual a média de buy-in deles em relação à premiação do torneio. Jogadores de limites mais baixos (low stakes) sentem-se muito mais pressionados em fases finais de torneios mid e high stakes, por exemplo.

Evite jogadas em que as decisões tenham pouco EV. O longo prazo da FT é bem mais difícil de ser alcançado. Assim, uma jogada pode ser +EV em relação às fichas, mas -EV se levarmos em conta a premiação. Isso pode ser calculado usando o ICM (Independent Chip Model). Um bom exemplo é um all-in contra dois oponentes. Além das fichas, quando um deles cai, você salta para a próxima faixa de premiação, o que faz bastante diferença na lucratividade final.

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Jogue potes, preferencialmente, contra os stacks médios. Eles não estão em uma situação que gostariam de envolver todas as fichas em uma mão, e quando sentem que estão atrás, ficam propensos a desistir. E abuse dos jogadores shorts. Na maioria das vezes, eles estarão jogando de formar tight, o que nos proporciona uma boa fold equity.

Comece jogando de forma mais tight. Observe as tendências da mesa e dos jogadores. Isso irá facilitar na tomada de decisões. Nunca se importe com sua atual colocação na FT. Aqui, o mais importante são suas fichas em relação aos mais shorts e à média do torneio.

Caso esteja short, evite ir all-in com mãos fracas contra os jogadores que possuem stacks grandes. A tendência é que eles paguem com um range bem amplo de mãos.

Jogue de forma mais agressiva, como eu já disse, prefira aumentar e reaumentar, em vez de apenas pagar, mas lembre-se: agressividade não é sinônimo de estupidez. Aqui, vale repetir: fold equity, fold equity, fold equity.

Nesta fase, evite tentar achar spots contra mais de um jogador. Há grandes chances de seu blefe não passar ou de você encontrar um adversário com uma mão de valor – já que, na mesa final, o jogo é um pouco mais tight.

Mantenha o foco em uma boa estratégia para roubar blinds. Isso é necessário para mantermos nossa FE alta.

Não jogue fora de posição. Raramente o EV vai compensar o investimento das fichas.

Diógenes Malaquias @diogenes1608 diogenesmalaquias.com.br

Diógenes Malaquias é especialista em cash games online e dá aulas particulares em seu website.

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Jogue sempre para vencer, mas lembre-se que quanto mais você se envolver em situações que há o risco de eliminação, mais difícil será conquistar o título.


O QUE ACONTECE EM VEGAS,

NÃO FICA EM VEGAS! por Diego Scorvo

Veja todos os detalhes da histórica trajetória dos jogadores do BestPoker Team Brasil na 44ª edição da World Series Of Poker, a maior série de torneios do mundo.


Pelo quarto ano consecutivo, o BestPoker Brasil embarcou para Las Vegas rumo à disputa da WSOP (World Series Of Poker). Dessa vez, o site levou 29 jogadores, todos classificados através do CBO (Campeonato Brasileiro Online), competição que contou com a presença de 412 competidores ao longo de 16 etapas. O grupo foi dividido em dois. 24 jogadores participariam do Evento #42 [$1,000 No-Limit Hold’em], e o restante brigaria pelo título do Evento #44 [$3,000 No-Limit Hold’em].

O BESTPOKER TEAM BRASIL No dia 23 de junho, o BestPoker Team Brasil fez a sua estreia na WSOP. A chegada do grupo ao Rio All-Suite Hotel & Casino, sede do torneio, despertou a atenção de muitos que ali estavam. Devidamente uniformizados, os jogadores mostraram a força e a união da equipe. Logo no primeiro dos 11 níveis de blinds no Dia 1, uma bad beat atingiu Luciana “lluciana” Pierino. Após o flop,

K♣6♣8♦, ela anunciou all-in segurando par de Ases. Com 5♣8♣, um jogador pagou. O turn, um 4♣, foi implacável, decretando a eliminação da brasileira. Poucos minutos depois foi à vez de Alê Braga se despedir do campeonato, e também de forma cruel. Com par de Damas, a jogadora de São Paulo adotou uma estratégia agressiva, mas foi o seu concorrente que levou a melhor.

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Após acertar um Valete no flop, o vilão aplica uma donkey bet, e Alê dá reraise. Confiante na sua vitória, o jogador segue na mão. O turn não muda o cenário, entretanto os dois competidores seguem no ataque. Depois de sair apostando novamente, o vilão vê a brasileira empurrar todas as suas fichas para o centro da mesa. Sem pensar muito, ele dá call, e acerta o seu segundo par no river. Estreante na série, o mineiro Cassiano “Farpa” Beuter era um dos jogadores mais empolgados, mas a agressividade dos seus adversários acabou com a sua animação. A mão que culminou em sua eliminação foi um autêntico cooler. Com Q-Q, ele colocou todas as suas fichas em jogo em um bordo contendo apenas cartas baixas, mas encontrou seu adversário com K-K e deu adeus ao torneio. Enquanto André “decoribeiro” Silva, José “Gege” Santos, Cid “pregaovit “Campelo, Edson “Edson1963” Chad e Francisco Flores se despediam do torneio, Rafael “Tchunorys” Mendes, Rubem “RubemRJ” Furtado e Yuri “yukadosantos” Dzivielevski seguiam acumulando muitas fichas. Quan-

Alessandra “Lelecorrea” Braga 40

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Andre “andreosa” SA

do o torneio estava no primeiro break do Dia 1, eles eram os únicos membros da equipe acima da média de fichas. Com o aumento dos blinds, a equipe perdeu muitos nomes em poucos minutos. Além de Bruno “BMoblize” Moblize, derrotado em coinflip, se despediram antes do estouro da bolha Cristiano “CrisFraga” Abranches, Gustavo “Dudu2508” Moura, Luis “mestrefilipe” Filipe, Luiz “El_pirata09” Torres, Ariel “Kabestonei” Cozzi e Ricardo “ricoroz” Queiroz. Short stack durante boa parte do dia, o carioca Zaldo “GamarraFCP” Junior conseguiu sobreviver aos ataques de seus ad-

versários. Com poucos BBs, ele era um dos favoritos a cair na bolha de premiação, mas aguentou a pressão e garantiu o seu lugar entre os premiados, juntamente com Rafael “Tchunorys” Mendes, Rubem “RubemRJ” Furtado e Yuri “yukadosantos” Dzivielevski. Quando o décimo primeiro nível de blinds foi encerrado, três jogadores da equipe estavam entre os 168 classificados. Com 91.000 fichas, Rubem “RubemRJ” Furtado era o dono do maior stack do time, seguido por Yuri “yukadosantos” Dzivielevski (88.300) e Rafael “Tchunorys” Mendes (37.500). Junto com os brasileiros, avançaram jogadores do calibre de Matt Matros, Thiago Decano, Ariel “Bahia”, Victor Ramdin e Jacob Balsinger, um dos finalista do último Main Event da WSOP.

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Rafael “Tchunorys” Mendes

O Dia 2 começou da pior forma possível, já com a eliminação de Rafael “Tchunorys” Mendes. Apesar da forte concorrência, Yuri seguia aumentando o seu stack com certa rapidez. Infelizmente, quando restavam menos de 70 jogadores, Rubem Furtado se envolveu em um all-in triplo que lhe custou todas as suas fichas. Com 5-5, ele foi all-in no bordo 8-9-3, mas bateu de frente com um adversário segurando 8-8, e o outro, 9-9. Com o decorrer da competição, Yuri foi se aproximando dos líderes. Já com 18 jogadores na briga pelo título, ele tinha um dos seis maiores stack. Ainda no field, os brasileiros Thiago Decano e Ariel “Bahia” também seguiam no jogo. Infelizmente, ele acabou eliminado na 12ª posição, embolsando 19 mil dólares, mais que o dobro do que Túlio Sá faturou no Evento #49 em 2010. Esse foi o melhor resultado da história do Team BestPoker na WSOP. Com nove representantes, o BestPoker Team Brasil entrou no Evento #44 com a pressão de igualar o feito obtido no torneio

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YuriCardPlayer.com.br “yukadosantos” Dzivielevski


Diego “Diego Peixe” Almeida

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anterior. Entre os competidores estavam seis jogadores que já haviam defendido a equipe em outras edições da série. Os “veteranos” eram: Ariel “Kabestonei” Cozzi, Marco “MarcoMorais1” Morais, Celso “CelsoA” Adami, Brian “Black.Chipp” Araujo, Bruno “Brunospk” Lira e Roberto “betodalu” Rodrigues – este último, inclusive, chegou a dividir a mesa com jogadores do calibre de Chris Moorman, Stephen Chidwick, Chad Brown e Marvin Rettenmaier. Jogador com excelentes resultados ao vivo, Joel Oliveira era um dos favoritos a avançar, mas caiu cedo, juntamente com o estreante André Sá, que briga pelo título brasileiro neste ano. Por sua vez, Brian “Black.Chipp” Araújo resistiu até o sétimo nível de blinds, quando caiu de A-Q para A-K. Mesmo jogando short durante todo o dia, “betodalu” consegui avançar, assim como o paraibano “Diego Peixe”. No Dia 2, as coisas não deram certo para os dois brasucas, que se despediram do torneio ainda nos primeiros níveis, encerrando assim a participação do time na WSOP 2013.

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CURIOSIDADES Os jogadores do BestPoker mais uma vez conquistaram excelentes resultados fora da WSOP. Zaldo Natzuka Jr. cravou o Evento #45 [$125 No-Limit Hold’em] do Golden Nugget e faturou US$ 3.842. Já Francisco Flores ficou com a segunda posição e 15 mil dólares no Evento #236 da Carnivale of Poker, série que acontece no Rio All-Suite Hotel & Casino. O BestPoker Team Brasil reuniu jogadores de nove estados do Brasil, distribuídos em quatro regiões. Quem teve mais representantes foi São Paulo, 07 no total. Em seguida vieram Rio de Janeiro (06), Minas Gerais (05), Bahia (03), Paraná (03), Rio Grande do Sul (02), e Goiás, Paraíba e Sergipe com um cada. O sergipano Gustavo Mouro aproveitou a viagem para se casar. Nas tradicionais capelas da cidade, ele trocou alianças com a sua noiva Lyna Carla. O Aria Resort and Casino foi à casa do Best Poker Team Brasil em 2013. No luxuoso hotel existem 4.100 quartos, 16 restaurantes, 10 boates e um cassino de 14.000 m². O espaço ainda abriga um teatro com capacidade para receber 1.800 espectadores, onde acontece o show Zarkana, apresentado pelo grupo canadense Cirque du Soleil. Pela primeira vez a equipe teve mulheres no seu elenco: Alessandra “Lelecorrea” Braga e Luciana “lluciana” Pierino.

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Francisco Flores


Ariel “Kabestonei..” Cozzi

Mão da cobertura A

J

A

10

J

9

2

9

Q

Flop

4

2

Q

3

K

4

10

Adversário

Turn

K

Ariel “Kabestonei “ Cozzi

3

Com 10♠J♠, o mineiro Ariel “Kabestonei” Cozzi coloca sua vida em risco no torneio ao empurrar all-in no flop Q♠9♠2♠. Um adversário paga com A♠3♠, deixando Ariel com poucos outs para escapar da eliminação. O turn, um 4♥, não muda a situação, mas um milagroso K♠ no river garante ao brasuca um straight flush e a sua sobrevivência na competição.

River

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TEAM PICS M達oBRASIL da cobertura

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CURTINDO VEGAS M達o daLAS cobertura

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ENTENDA O CBO Na quarta edição do CBO, 16 etapas foram realizadas entre os meses de agosto de 2012 e março de 2013. No campeonato, se classificaram diretamente para a WSOP aqueles que ficaram entre os 20 primeiros colocados do ranking. O líder recebeu um pacote com direito ao buy-in de dois torneios, o Evento #42 e Evento #44 da WSOP. Os competidores que não se classificaram de forma direta participaram de quatro repescagens. Na primeira, 03 vagas para o Evento #44 estavam em jogo. Já na segunda, 03 para o Evento #42. No terceiro evento de repescagem, 01 pacote para o Evento #42 foi oferecido ao campeão. Por fim, no último torneio da repescagem, 03 pacotes para o Evento #42 foram entregues aos jogadores que chegaram ao pódio.

Classificação Direta

É feita através do ranking geral. Os 20 melhores jogadores, após as 16 etapas regulares, ganham o pacote diretamente. O campeão leva uma vaga para o Main Event .

Repescagens (Sit and Go) a) Os jogadores entre as posições 21 e 50 no ranking geral disputam um torneio exclusivo, valendo três vagas. b) Os jogadores entre as posições 51 e 100 no ranking geral disputam um torneio exclusivo, valendo uma vaga. c) Os jogadores que adquiriram o pacote antecipado disputam um torneio exclusivo, valendo três vagas. d) Os jogadores que participaram de pelo menos 12 etapas disputam um torneio exclusivo, valendo três vagas.

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O N A L P R O H L E M O R E V S I O T Ã M M E S U A Q D A I R O I A M A A H GAN

R E K PO LENTE Jogue um

EXCE

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PERGUNTE AO DIRETOR O mais renomado Diretor de Torneios do Brasil tira todas as dĂşvidas dos leitores da Card Player Brasil. Para ter sua pergunta respondida, envie um e-mail para contato@cardplayerbrasil.com ou mande uma mensagem em nosso facebook.

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Renan Teixeira

Estávamos em um home game, duas pessoas envolvidas na mão, e houve um all-in e call. Apenas o flop havia sido aberto, e um deles diz: “O que você tem?” O outro responde: “A-K”. O que havia feito a pergunta diz: “Perdi”, e joga suas cartas em direção ao dealer. Por curiosidade, o turn e river foram abertos. Aí veio o problema. O jogador que tinha dado fold pegou as cartas na mão do dealer e falou: “Ganhei, com dois pares”. É aceitável, caso haja um all-in, o oponente que deu call não mostrar as suas cartas? Como proceder nesse tipo de situação?

Rio de Janeiro, RJ

Olá, Renan. Em primeiro lugar, devemos ter em mente que os home games são, na maioria das vezes, encontros entre bons amigos e com um fim puramente recreativo. Logo, assim como com outros jogos, o mais legal é que os participantes se juntem antes e discutam quais regras existirão no jogo. É quase como jogar futebol na quadra de um prédio: se a quadra for muito estreita, os jogadores combinam que não haverá lateral e passará a valer a “tabelinha” com a parede, mesmo não sendo esta a regra oficial dos campeonatos de futsal. De acordo com as regras mais utilizadas internacionalmente, que aplicamos também no BSOP, quando existe a situação de all-in e call, o showdown das cartas – isto é, os jogadores abrirem as suas mãos – é

obrigatório. Os diretores de torneios levam em conta o seguinte raciocínio, neste caso: Digamos que só existam os dois jogadores envolvidos na mão. Uma vez que um jogador apostou todas as suas fichas e foi pago pelo outro, ele não possui mais ação na mão. Ele não terá mais fichas para apostar ou aumentar, logo, também não faria sentido “pedir mesa” e, por fim, não existirá a opção de desistir da mão (fold), já que ele já agiu na rodada. Portanto, o showdown passa a ser obrigatório e o dealer deve chamar um supervisor (floor) se o jogador se recusar a mostrar as cartas. Então, no caso do seu home game, se aplicarmos as regras oficiais do poker, a mão dos dois jogadores são válidas e, ao final, o melhor jogo ganha.

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PERGUNTE AO DIRETOR

Dagmar Nesi

Francisco Beltrão, PR

Estava jogando poker com alguns amigos e aconteceu algo inusitado. Estávamos em três jogadores na mesa: A, B e C. Os três disputam um pote principal, em que o jogador C está de all-in. Os jogadores A e B disputam um pote secundário, em que o jogador B entrou de all-in. No showdown, o jogador A possui o maior jogo e leva o pote principal e secundário, e vence o torneio. Até aqui, tudo bem. O problema é o seguinte: o jogador C, que disputava somente o pote principal, tem um jogo melhor do que o do jogador B, que estava no pote principal, mas também participava do pote secundário. Então, quem fica em segundo? Por quê?

Olá, Dagmar. Se eu entendi corretamente a sua pergunta, ela se refere puramente à classificação dos jogadores no seu torneio. Afinal, quem ganhou todo o pote da mesa foi o jogador A, certo? Também parto do pressuposto de que A tinha mais fichas do que todo mundo, já que ele eliminou B e C, e vocês precisam saber da classificação. Se formos observar as regras de torneios de poker, vemos que o valor da mão do jogador não influencia em nada a classificação em um torneio. Sobre isso, a regra trata eliminações simultâneas da seguinte forma: o melhor classificado será aquele que tinha a maior quantidade de fichas no início da mão. Digamos que a situação fosse:

Neste caso, C foi o terceiro, porque tinha menos fichas. B foi o segundo e A, o único que restou com fichas, foi o primeiro. Se um torneio estiver em hand-for-hand, a situação será diferente caso haja eliminações simultâneas em mesas diferentes. Neste caso, os jogadores eliminados empatam, independente da quantidade de fichas.

Jogador A – 15.750 fichas Jogador B – 13.000 fichas Jogador C – 11.200 fichas

Devanir “DC” Campos @DC_Brasil

Devanir Campos é um dos fundadores da ADTP (Associação de Diretores de Torneios de Poker do Brasil) e é um dos responsáveis pela direção do BSOP.

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Jogue poker de graça. Este não é um site de apostas. Apenas para maiores de 18 anos. Este é um concurso desportivo e recreativo.

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Daniel Negreanu E O FIM DE UM TABU por Julio Rodriguez

Em pouco mais de quatro anos, ele esteve 43 vezes entre os premiados, alcançou 20 mesas finais e embolsou mais de US$ 5 milhões em prêmios. Números obtidos entre dezembro de 2008 e março de 2013. Números que deixariam qualquer profissional do poker extasiado – principalmente em uma época que manter-se no topo por tanto tempo, enquanto o jogo evolui em velocidade meteórica, tornou-se tão difícil –, mas não o principal representante da marca PokerStars (se não da “marca” poker): Daniel Negreanu. Mesmo com resultados tão sólidos nesse período de pouco mais de quatro anos, ele não conquistou nenhum título importante. Foram várias traves, e o canadense admitiu que foi difícil não deixar que a dúvida apossasse de sua mente.

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Tradução e adaptação: Marcelo Souza

No entanto, no último mês de abril, o homem conhecido como “Kid Poker” finalmente quebrou o jejum. No Main Event da World Series of Poker Asia-Pacific 2013, ele superou 404 adversários, conquistou o seu quinto bracelete da WSOP e o primeiro prêmio de US$ 1.087.160. Agora, já com 38 anos, e pronto para reivindicar o título de melhor jogador de torneios do mundo, que já foi seu em 2004, ele concedeu uma entrevista exclusiva à Card Player.

Você já tem quase 40 anos. Quando vamos parar de chamá-lo de “Kid Poker”? Veja bem, quantos anos tem o “Kid Rock”? 50? Isso não é sobre a minha idade, mas sobre a minha aura. Eu sou um cavalheiro de espírito jovem, e isso sempre será assim [nota do editor: Robert James Ritchie, o Kid Rock, tem 42 anos].


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Depois de muito tempo, você voltou a vencer um grande torneio. É correto dizer que o sentimento é mais de alívio do que de felicidade? Eu definitivamente usaria a palavra alívio. Eu bati tantas vezes na trave, a principal delas foi a derrota para o Barry Shulman na WSOPE 2009. No geral, estive muito bem, ganhei mais de um milhão de dólares nos últimos dois anos, mas a vitória não vinha, era um fardo. Com o título na Ásia, estou confiante novamente. Agora sinto que não há tarefa impossível e que isso acontecerá de novo. Falando de 2009, quando você esteve perto de ganhar dois braceletes, quais os efeito que aqueles dois 64

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resultados tiveram sobre você e sobre a motivação para jogar torneios? Minha motivação para jogar torneios nunca foi afetada. Sou apaixonado por isso. O que houve foi apenas uma frustração. No final dos anos 90, quando comecei a jogar torneios, as 12 vezes em que cheguei entre os cinco finalistas, eu fui o campeão. Sempre que eu chegava longe em um torneio, eu vencia. Não havia segundos ou terceiros lugares. Foram 12 de 12. Quando isso acontece, você se sente confortável. No entanto, quando não acontece, a incerteza toma conta, e você começa a se preocupar. Foi bom colocar essa incerteza “para descansar”.


O que tem sido mais difícil para você nos últimos anos, selar a vitória ou chegar às retas finais dos torneios? Provavelmente selar a vitória. O que nós vemos nos últimos anos são adversários muito mais fortes. Quando eu era jovem e estava apenas começando, os oponentes não eram tão bons em jogar a fase shorthanded [com seis ou menos jogadores] do torneio. Hoje, quando restam cinco jogadores, acabou aquela coisa de “tirar doce de criança”. Já não é possível pressionar esses caras até que eles “me deem o torneio”.

Em 2004, você foi o Jogador do Ano da WSOP e da Card Player. Você venceu quatro torneios, fez 11 mesas finais e ganhou cerca US$ 4,5 milhões. Seu números mostram que você era o melhor jogador da época. Você acredita que o Negreanu de 2013 poderia derrotar o de 2004? Eu olho para o Negreanu daquela época e penso que poderia destruí-lo. O que acontece é que, naquele tempo, a diferença de habilidades entre o resto do mundo e eu era bem grande. Hoje, não mais. Há centenas de bons jogadores por todas as partes. Então, mesmo sendo muito melhor atualmente, minha vantagem já não é tão grande.

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E sobre o seu estilo small ball de hoje? Ela funcionaria em 2004? Sim, funcionaria. Esse meu estilo de jogo não é algo que surgiu recentemente. Tenho feito isso por anos. Eu era uma das poucas pessoas a utilizar o small ball, consequentemente, o poker ficou fácil. Não só por que os jogadores não usavam o small ball, mas também por que eles não sabiam se defender contra esse tipo de estratégia.

Em 2009, quando você se tornou o jogador que mais ganhou dinheiro na história dos torneios de poker, você revelou o quanto isso era importante. Hoje, você é o sexto colocado da lista. Devido ao grande número de high rollers e super high rollers que acontecem atualmente, isso ainda é importante para você? Bem, se você olhar algumas outras listas, você verá que ainda sou o número um. Há rankings por aí, como o Hendonmob.com, que mostra os ganhos em torneios com buy-ins menores do que $50.000. Essa lista não é mais tão importante para mim. Não que haja algo errado com ela, mas, se buscamos por credibilidade, ela fica meio distorcida devido ao número de high rollers jogados a cada ano. Antonio [Esfandiari] venceu o Big One For One Drop, torneio com buy-in de um milhão. Claro, aquilo foi incrível, mas torneios como esse fazem com que a lista seja mais sobre um bom momento do que sobre as realizações de uma carreira. O que impediria dez bilionários de organizarem um sit-and-go com buy-in de $5 milhões, com o vencedor levando tudo? Tecnicamente, quem quer fosse o campeão se tornaria o jogador que mais ganhou dinheiro da história em torneios de poker.

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Se perguntarmos aos fãs do poker para identificarem qual a principal habilidade de Daniel Negreanu nas mesas, eles certamente diriam “a habilidade em ler mãos”. Isso é verdade, ou você tem uma outra habilidade mais importante? Concordo que a leitura de mãos, principalmente pós-flop, é a grande força do meu jogo. Também acredito que a maior fraqueza que as pessoas tendem a apontar em mim é o meu jogo pré-flop. Antes do flop, faço várias coisas que me colocam em algumas situações esquisitas, coisas que deixariam a maior parte dos jogadores com dificuldade, mas eu me sinto bem com isso. Posso jogar com algo como 6♦5♦ em um flop Q-9-5, por exemplo. Eu sei o que estou fazendo lá. Sei como representar certas mãos de acordo com a próxima carta do bordo e sei como conseguir o máximo de fichas quando acerto a minha mão. Isso pode deixar outros jogadores desconfortáveis, mas eu tenho bastante confiança na minha leitura para jogar dessa maneira.

Junto com outros dez, você é o 12º no ranking de braceletes da WSOP, tendo cinco ao todo. É importante para você terminar a sua carreira no topo dessa lista ou você já entregou os pontos a Phil Helmuth, que tem 13 braceletes? Eu não estou satisfeito com o meu número de braceletes. Sinto que eu deveria ter seis ou sete a essa altura. No final da minha carreira, espero ter uns 20 braceletes. Mas se houvesse alguém que eu apontaria para ocupar o topo seria Phil Ivey [09 braceletes]. Hellmuth tem sido fantástico nos últimos anos, mas acredite, o cara que perseguirei na próxima década será Phil Ivey. Ele está a anos-luz do resto do field que disputa os pequenos eventos de mixed-games. Não me espantaria se ele conseguisse, pelo menos, um bracelete por ano. cardplayerbr

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Em algum momento você se cansou de todas as tarefas que cercam um embaixador do poker? Nunca lhe ocorreu de voltar à rotina de grinder, ir ao cassino, ganhar o dinheiro e ir embora para casa? Definitivamente, em alguns momentos da minha vida, tudo que eu queria era jogar poker. É a velha mentalidade de grindar para viver: jogar à noite no Bellagio, nunca ter que viajar e viver um vida normal. Mas acredito que venho me saindo bem. Consigo equilibrar as atribulações de um embaixador, os estudos para melhorar o meu jogo e ainda ter uma vida social. Especialmente depois da Black Friday, meu dever como embaixador se tornou ainda mais importante. A indústria sofreu um duro

golpe em sua imagem. Penso que sempre fiz um bom trabalho guiando o poker pelo caminho certo – e é importante que eu continue assim.

No final da sua carreira, você vai querer ser lembrado pelas suas habilidades nos feltros ou pelos seus esforços para a popularização do jogo? Eu jamais vou querer ser o cara que é bom para o jogo, mas que não sabe jogar. Depois que eu parar, espero que as pessoas se lembrem de mim tanto pelo meu papel fora das mesas quanto pelos meus resultados. Mas se houvesse espaço para apenas um inscrição na minha lápide, eu preferiria ser lembrado como um cara legal que ajudou o poker a se tornar um coisa muito grande.

ASDaniel TRAVES DENegreanu’s DANIEL NEGREANU Close Calls 2009-2012 ENTRE 2009 E 2012

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Ano

Torneio

Buy-in

2012

High Roller do EPT Monte Carlo

€25.000

2012

Colocação

Prêmio

$791.649

Super High Roller do EPT Monte €100.000 Carlo

$409.727

2012

Super High Roller $100.000 PCA

$250.900

2011

High Roller do WPT Five-Star World Poker Classic

$100.000

$448.320

2011

Super High Roller $100.000 PCA

$1.000.000

2010

EPT Viena

€5.000

$244.178

2009

Main Event da WSOPE

€10.000

$783.061

2009

Omaha Championship Hi/Lo da WSOP

$10.000

$130.401

2009

Evento #14 da WSOP [Limit Hold’em, Six Handed]

$2.500

$138.280


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Júnior Rio Preto supera 192 adversários e conquista o Super Terça Especial da Odds Brasil Aconteceu entre os dias 17 e 21 de setembro, no Vegas Hold’em Club, em São Paulo, mais uma edição do Super Terça Especial.

das fichas em disputa concentradas nos stacks de apenas dois jogadores, as eliminações aconteceram de forma rápida.

O torneio semanal — que originalmente oferece 30 mil reais garantidos em prêmios —, para sua edição especial, ganhou dois dias a mais e teve seu garantido aumentado para 50 mil. Como de costume, ele foi jogado no sistema “double chance com delay”, “triple entry”, com “mixed blinds” (30 minutos nos dias classificatórios e 40 minutos nos Dias 2 e final) e buy-in de apenas R$ 250.

A primeira veio quando Vilton venceu um coin-flip contra Getúlio Shimozato. Short, Fábio Vargas caiu em seguida, depois de um all-in triplo. A oitava colocação ficou com Filipe Barros, que viu seu par de Setes perder para o A-Q de Henrique Ondera.

O Dia 1A ocorreu na terça-feira, 17, e recebeu 82 jogadores, que realizaram 12 recompras, totalizando 94 entradas. Osmar Marques terminou o dia na liderança, com 208.200 fichas. RR Cabral (202.000), Spina (200.000) e Felipe Pujol (189.300) também estavam entre os 23 jogadores classificados para o Dia 2. Na quarta-feira, 18, o Dia 1B do Super Terça Especial reuniu 61 jogadores. Doze recompras foram realizadas, totalizando 73 entradas. Ao final do 12º nível de blinds, 18 jogadores ainda tinham fichas em seus stacks. Jerson Souza, com 250.300 fichas, liderava a fila dos classificados, que ainda contava com Getúlio Shimozato (144.600), Caio Mansur (143.400) e João Taketani (127.000) O Dia 1C, último dia classificatório, reuniu o menor field da edição, 57 entradas foram computadas. No final, mais 13 jogadores haviam se classificado, com Felipe Rosa na liderança (280.000 fichas). Júnior Tubarão (225.000) se classificou na vice-liderança. Edson Afonso (133.200), Denise Rebello (118.900) e Rodrigo Vieira (70.600) também estavam entre os classificados. Na sexta-feira, 54 jogadores voltaram para os feltros do clube Vegas para a disputa do segundo do dia de torneio. Com 224 entradas no total, a etapa do Super Terça Especial distribuiu R$ 50 mil, destinando sendo 12 mil reais para o campeão. Com o jogo em hand-for-hand, duas tentativas de acordo para “salvar o bolha” fracassaram, e após momentos com o jogo muito travado, a bolha finalmente estourou. Fábio Santos, com flush draw, se envolveu em um all-in no flop contra Spina, que tinha top pair. Turn e river não trouxeram o flush para Fábio, que amargou a última posição fora da zona de premiação. A mesa final foi formada quando Jerson Souza, com Q-10, foi all-in e viu Fábio Vargas dar call com A-K. O bordo deu um full house para Fábio, e a FT com 10 jogadores foi definida. Os finalistas voltaram a se encontrar no sábado, dia 21. Júnior Rio Preto era o líder disparado, com uma vantagem de mais de 800.000 fichas para Spina, o segundo colocado. Com aproximadamente 60%

Depois de mais quatro eliminações, com o jogo em 3-handed, os jogadores entraram em acordo. O heads-up foi definido quando Diego Sanches, com 9-9, enfrentou Júnior, que segurava 88. O turn foi um Oito cruel. Fim da linha para Diego. Depois de um novo acordo no HU, Júnior Rio Preto finalmente sagrou-se campeão da Super Terça Especial.


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ERT

ORI

AL

Resultado Final: Col.

Jogador

Stack

Júnior Rio Preto

R$ 9.210

Alberto Spina

R$ 8.340

Diego Sanches

R$ 7.500

Felipe Pujol

R$ 4.200

Henrique Onodera

R$ 3.400

Elisabeth Rodrigues

R$ 2.650

Vilton

R$ 2.000

Filipe Barros

R$ 1.400

Fábio Vargas

R$ 1.000

10º

Getúlio Shimozato

R$ 900

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CHEGOU O MOMENTO DE

DESCER? por Fábio Eiji

Saber a hora de descer os limites é uma das habilidades necessárias para uma carreira de sucesso.

C

onstruir um bankroll confortável, desenvolver seu nível técnico e jogar os limites mais caros disponíveis, concorrendo às maiores premiações, recebendo reconhecimento e disputando as primeiras posições nos rankings dos sites especializados. Esses são, sem dúvidas, os primeiros sonhos da maior parte dos aspirantes a jogador profissional. E realmente é muito satisfatório chegar ao nível de jogar, regularmente, os maiores torneios das principais salas de poker. Enfrentar os melhores jogadores do mundo é estimulante – e ser reconhecido por isso, satisfatório. Porém, quero falar aqui sobre um lado que tem menos glamour e, ao mesmo tempo, é realidade na história e cotidiano de quase todos os jogadores profissionais: o momento de descer os limites (move down). Apesar de ser um tema relacionado a qualquer modalidade, pretendo me ater aos torneios. Considerando um cenário ideal, fazer move down nos limites que se joga, geralmente, seria uma grande perda de tempo.

Isso porque, neste caso, o jogador tem um psicológico muito forte e um bankroll grande o suficiente para enfrentar as já previstas variações (swings) em seu gráfico de ganhos. Ou seja, perder um determinado valor já faz parte do planejamento do nosso sóbrio e maduro herói, que confia plenamente em suas habilidades e sabe que tudo isso faz parte de sua vitoriosa história. Mas como a maioria dos jogadores, mesmo os profissionais, não têm um perfil como o do exemplo acima, há três cenários mais comuns em que o move down se mostra necessário:

1) QUANDO O BANKROLL APERTA Este é o cenário mais corriqueiro. Ele acontece quando o jogador subestima o controle de bankroll e o tamanho das swings, que, em MTTs, podem ser assustadoras. Não é raro que jogador passe meses sem lucrar. Existem diversas histórias de profissionais vencedores que já ficaram até um ano inteiro perdendo.

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2) QUANDO O JOGADOR ENTRA EM TILT O segundo cenário geralmente está relacionado ao primeiro. É muito difícil jogar o seu melhor se os resultados não aparecem. Quando as coisas começam a sair dos eixos, muita gente muda o estilo de jogo, chegando a ficar mais tight ou muito mais spewy. Isso faz com que elas sintam-se pressionadas demais em retas finais, deixando de fazer as jogadas necessárias.

3) QUANDO A SUBIDA DE LIMITES (MOVE UP) FOI ERRADA Já o terceiro cenário, também muito comum, dá-se quando o jogador gerencia equivocadamente e de maneira amadora a sua própria carreira, apressando objetivos. Neste caso, inclui-se ainda a falta de maturidade do jogador em diversos aspectos, inclusive em suas habilidades. Aqui, muitas vezes, a variância serve convenientemente de desculpas para os fracassos – quando, na verdade, ela já deveria ter sido considerada no momento do planejamento do move up. Em MTTs, as swings também acontecem pra cima. Então, é comum que jogadores vençam torneios mesmo sem estar devidamente capacitados para tal feito. Isso acaba afetando na avaliação do seu próprio nível de jogo e levando a uma supervalorização de si mesmo. Portanto, meu primeiro conselho é aquele que já é dito aos quatro ventos há muito tempo: uma gestão saudável de bankroll que lhe permita jogar tranquilamente e que aguente as variações às quais todos os jogadores estão sujeitos.

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Geralmente, as variações são normais, mas não significa que deva aceitá-las passivamente – o que nos leva ao segundo conselho: esteja atento à qualidade de seu jogo! Tenha uma rotina de estudos que lhe permita manter a cabeça no lugar e perceber os erros mais básicos. Por último, mas não menos importante: seja honesto, humilde e sincero consigo mesmo. Quanto mais alto o limite que se joga, maior tende a ser a variância, pois lá se encontram os jogadores mais qualificados. Assim, além de considerar o bankroll e se preparar para as oscilações, ainda é necessário uma rigorosa autoavaliação, do seu próprio nível técnico, para que se saiba se está realmente apto para o novo desafio que se apresenta.

Fábio Eiji @fabioeiji

Fábio Eiji já ganhou mais de R$ 3 milhões de reais em prêmios jogando online. Ele possui títulos e mesas finais nas principais séries e torneios regulares do PokerStars.


site anuncia novos embaixadores Por Marcelo Souza Entrevistas: Diego Scorvo

Fotos: Carlos Monti

Em novembro do ano passado, a comunidade do poker mundial vibrava com a reabertura de um dos maiores representantes do poker online. Sob a chancela do PokerStars, o Full Tilt Poker voltava a ativa. Agora, passados pouco mais de seis meses, o objetivo do site é restaurar a imagem arranhada pela administração anterior. Investir em figuras idolatradas pelos amantes do esporte mental, casos de Tom Dwan, Gus Hansen e Viktor “Isildur1” Blom, foi o primeiro passo para voltar aos trilhos do sucesso. Não satisfeito, o FTP foi atrás de astros locais. Jogadores com características únicas, admirados em seus países e com a intensidade necessária para carregar a responsabilidade de representar o site nesta nova fase. Com um mercado em plena expansão, um Campeonato Brasileiro consolidado e jogadores de alto nível técnico, o Brasil atraiu novamente a atenção do gigante do poker online. Quatro jogadores, de quatro regiões distintas, foram selecionados a dedo para correr o BSOP e o País com o símbolo do Full Tilt no peito e os ideais do site no coração. Conheça agora, em entrevista exclusiva concedida à Card Player Brasil, os quatro embaixadores brasileiros do Full Tilt Poker:

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(37 anos, Rio de Janeiro)

Mavca é um dos principais expoentes do poker no Rio de Janeiro. Bicampeão carioca, ele também é autor do livro “Poker – A Essência do Texas Hold’em”. Com bagagem de sobra no poker, juntamente com Nicolau Villa-Lobos, ele criou a primeira escola de poker do Rio. Já com o patch do Full Tilt no peito, ele espera fazer bonito no restante da temporada 2013 do BSOP. Diego Scorvo: Como é ser o terceiro carioca no FTP? CM: Acho legal, mas essa nova fase do FTP é um recomeço, então eu não vejo como continuidade do trabalho que foi feito com o CK e com o Raul. Na época, foi tudo voltado para o lançamento do poker no Brasil, agora é um trabalho para reaver a credibilidade do site. DS: Você gosta de exercer essa função de embaixador? CM: É um trabalho que eu já faço naturalmente. Agora, com um site é ainda melhor. Eu já tenho uma escola de poker, tenho livros. As pessoas sempre entram em contato, então é bem natural.

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@carlosMAVCA

DS: Como você enxerga a volta do FTP? CM: Em um primeiro momento, quando o Full Tilt fechou, muita gente ficou órfã. As pessoas sentiam falta. O monopólio nunca é bom. Apesar de fazer parte do PokerStars, o FTP segue com a mesma cara de antes. Era preciso a volta de outro gigante. DS: Você deu seus primeiros passos no poker juntamente com o BSOP. O que esse circuito representa para você? CM: O BSOP é o maior torneio do Brasil. Ninguém tira isso do circuito. Podem aparecer eventos com estruturas novas, com shows durante o intervalo, mas o BSOP é o BSOP. É um marco para qualquer profissional vencer uma etapa do campeonato brasileiro. É muito gratificante ser embaixador de um torneio que cresceu assustadoramente nos últimos anos.


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(25 anos, Goiás)

@larimetran Linda, inteligente e simpática. Apenas esses três adjetivos já qualificariam a goiana Larissa Metran a conseguir um contrato com qualquer empresa que quisesse seu produto associado à credibilidade e sucesso. Contudo, para um gigante do poker, tudo isso pode ainda não ser o bastante. É preciso saber, como diz um dos jargões do poker, “jogar o joguinho” – e isso ela faz com maestria. Com mais de um milhão de reais em prêmio na internet e três mesas finais de BSOP, Larissa está mais do que pronta para ser a primeira mulher a representar o Full Tilt nesta nova era de reconstrução – dentro e fora das mesas.

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DS: Como você recebeu o convite do FTP? LM: Eu recebi o convite via e-mail, e foi uma surpresa para mim. Fiquei muito feliz. Posso dizer que é um sonho foi realizado. DS: Você vai seguir no Steal Team? LM: Eu continuo sendo sócia, mas agora eu defendo o FTP. Isso é muito importante também, já que eu não estou ligada a uma empresa que atrapalhe o Steal. DS: Como é ser a primeira mulher brasileira no FTP? LM: Para mim, é gratificante ser um exemplo para as mulheres. Isso é muito legal. Eu sempre recebo mensagens dizendo que sou uma inspiração para elas.


DS: Então é possível que mais mulheres comecem a jogar? LM: Acredito que sim. E por eu não ter esse estereótipo do meio, já que sou meiga, tímida, não jogo de óculos e não faço cara de má, isso pode chamar a atenção das outras garotas. DS: Como é para você estar ao lado de dois profissionais de outra geração do poker? LM: A minha geração pensa diferente da geração deles. Nós jogamos mais online, e por isso será interessante estar ao lado dos dois. Acredito que vamos evoluir muito. DS: Como foi guardar segredo? LM: Bem tranquilo. Quando viajamos para tirar as fotos na Argentina, minha irmã foi comigo, e ela comentou que os meninos estavam muito mais empolgados. Nem parecia que eu era a mulher do grupo (risos). Eu percebi que sei guardar segredo muito bem.

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(29 anos, São Paulo)

@Toddasso

O atual campeão brasileiro é um dos jogadores mais queridos do Brasil. Irreverente, Toddasso tem tudo o que é necessário para um embaixador, desde a simpatia até a capacidade de comunicação. Como se não bastasse, nos últimos dois anos, ele tem conseguido resultados impressionantes no poker ao vivo. O mais recente deles, o vice-campeonato no LAPT do Chile, realizado em março deste ano.

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DS: Quando você começou no poker, passou pela sua cabeça ser patrocinado por um grande site? LT: Não, eu comecei sem pretensão. Eu e meus amigos jogávamos com a intenção de evoluir no jogo. É uma honra ser patrocinado. Isso mostra que o meu trabalho vem sendo reconhecido. DS: Alguns jogadores não vêm vantagem em patrocínio. O que você tem a dizer sobre isso? LT: Eu não entendo um jogador não aceitar ser patrocinado. Ele vai ter algumas obrigações extras, sim, mas as vantagens são muito maiores. Em minha opinião, receber um patrocínio é muito rentável. DS: A função de embaixador será um peso? LT: Para mim não será problema. Sou um cara que fala muito. Gosto de interagir com as pessoas. Converso bastante com os jogadores que eu nem conheço pessoalmente. DS: O que você tem a falar dos seus novos companheiros? LT: Se fossem pessoas que eu não conhecesse, eu iria interagir muito bem, mas como são jogadores que conheço, é ainda melhor. Tenho um bom contato com todos. Inclusive, no ano passado briguei com o Caiaffa pelo título até o final. Só tenho coisas boas a falar sobre os três.

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(31 anos, Minas Gerais)

@rcaiaffa O típico “mineiro come-quieto”, Caiaffa é um dos poucos jogadores que se mantém no topo desde que o poker dava os seus primeiros passos no Brasil. Em 2007, foi campeão mineiro, e em 2008, chegou na 55ª posição do Main Event da WSOP – até então, a melhor marca de um brasileiro no principal torneio de poker do mundo. Em 2011, Caiaffa ainda cravou uma etapa do BSOP. Quem melhor do que ele para representar o poker de Minas Gerais sob a bandeira do Full Tilt Poker?

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DS: Como é defender as cores do BSOP, circuito que você acompanha desde o início? RC: Eu sou um dos pioneiros do BSOP. Quando me profissionalizei, em 2006, foi o momento que tudo começou. No primeiro ano, não segui o circuito, mas a partir de 2007 acompanhei praticamente todas as etapas. Estou muito feliz. É bom estar em casa.


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DS: Você acredita que vai se sair bem na função de embaixador? RC: Acho que vou tirar de letra. Conheço muitas pessoas dentro do poker brasileiro, gosto de ter contato com os jogadores, acho importante falar sobre mãos, adversários, situações e tudo que envolve a rotina de um torneio ao vivo.

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DS: Você é o veterano do grupo de embaixadores, o que você pode passar de conselhos e dicas para os mais novos, como o Toddasso e a Larissa? RC: Acho que são eles que vão me ensinar. No poker as relações são sempre de troca. Acredito que vou aprender muito com os dois e que vou ensinar também. Conversando a gente vai evoluir junto.


DS: Como você vem lidando com essa vida de celebridade? RC: Está sendo bem diferente pra mim. Em casa já estão me chamando de estrela de Hollywood (risos). Mas eu tenho que me acostumar, eu preciso trabalhar muito para fazer merecer essa posição.

DS: Você agora tem a chance de viajar por outros países pelo FTP. Como é isso para você? RC: Estou muito ansioso. Quando você viaja para fora, o seu jogo cresce muito, uma vez que nos feltros estão muitos jogadores com bastante conhecimento do jogo. DS: E como foi segurar a notícia? RC: Foi muito difícil. Fiquei sabendo no início do ano e tive que manter segredo por mais de três meses.

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por Thiago Decano

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stá chegando o momento de embarcar para Las Vegas. Já preparei a minha grade de torneios e, em breve, estarei divulgando para todos poderem me acompanhar. Agora, vamos falar da mão que eu deixei em aberto no meu último artigo. Só para recapitular: “Nós temos K-K, no cutoff. Os blinds estão em 100-200, e aumentamos para 500. O big blind paga e o flop vem A♦ 5♠ 10♥. O que fazer? Apostar 700? Apostar 1.300? Pedir mesa?” Como eu disse antes, se apostarmos e o adversário pagar, provavelmente, eu estou perdendo a mão. Ele vai dar call com qualquer Ás, trincas e dois pares. Também deve pagar com um 10, mas as combinações de mãos são menores. Se ele der fold, obviamente, o K-K era a melhor mão. Então, se

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não conseguimos apostar por valor nem por blefe, o que fazer? Essa é a lógica do pôquer. Parece óbvio, mas a maioria dos jogadores não entende isso. Esse exercício de saber se você está blefando ou jogando por valor, ao apostar ou aumentar, é fundamental para entender o nosso jogo. Quando você começa a consolidar esse conceito, vai utilizá-lo em jogadas mais elaboradas, tanto pré-flop como pós-flop, chegando ao turn e ao river. O vício de apostar para “saber onde está” ou “por informação” está presente na mente dos jogadores recreativos – e até na de muitos profissionais – por um motivo simples: o medo da bad beat. Tenho convicção que muitos responderam que apostariam no exemplo anterior, com a justificativa de que gostariam de terminar a mão ali, não dando uma carta grátis ao oponente.


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Ele poderia melhorar sua mão no turn fazendo dois pares ou acertando a broca para uma sequência. Faz parte, mas como temos posição, não precisamos nos preocupar com isso, pois perderemos o mínimo possível. Quando um jogador sem posição (e que não é o agressor pré-flop) acerta um top pair e sai apostando, ele não está fazendo aquilo por valor, mas por medo de que a mão do oponente melhore. É a chamada donk bet. Essa linha de pensamento de apostar com o objetivo de impedir que o seu oponente não melhore a mão é errado. Vimos que ao apostar você deve se perguntar: “Quero que o meu oponente dê fold, pague ou aumente?” No Pot-Limit Omaha, o pensamento de não tomar bad beat e de não dar cartas grátis ao oponente já é mais válido. Quando você aposta no PLO por valor, geralmente, você encontrará oponentes pagando para

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acertar o draw, já que com quatro cartas as chances de melhorar a sua mão são maiores. Ainda assim, o conceito de valor e blefe continua valendo – saber se você quer que o oponente pague, dê fold ou aumente. No entanto, em alguns casos, a melhor opção será a mesma que a do jogador que aposta com medo do draw. Muitas vezes, no Omaha, as duas linhas de pensamento vão optar por apostar, mesmo que por motivos distintos. Esse conceito é importantíssimo e não se aprende do dia para a noite. É fundamental, sempre, exercitar e pensar o jogo dessa maneira lógica. É necessária uma verdadeira revolução na nossa mente. Espero que tenham aprendido bastante. Os interessados em cursos e coachings, podem entrar em conato comigo por e-mail, twitter ou pelo meu website.

Thiago Decano @TheDecano thedecano.com

Thiago Decano é considerado um dos melhores jogadores do Brasil, live e online. Chegou a duas mesas finais da WSOP e uma do WPT.


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