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POKER Nem Tudo que reluz é ouro A culpada não é a sorte

David Peters O Jogador do Ano


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SUMÁRIO THIAGO DECANO

10 A CULPADA NÃO É A SORTE Decano revela que você não perde um torneio ao ser derrotado por aqueles três outs no river, mas sim quando perde fichas ao não jogar uma mão corretamente.

PEDRO NOGUEIRA

16 Sobre Jogadores e Blefes

ESPECIAL 22. DAVID PETERs O maior jogador do ano

46. CONRAD VERDE E AMARELO Brasileiros brilham no WSOP Circuit do Uruguai, conquistam cinco anéis e os maiores prêmios da série.

A coluna de Pedro Nogueira conta a história de Jack “Treetop” Straus, e mostra um de seus blefes mais famosos. HAND HISTORY

AND istory FELIPE MOJAVE

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HAND HISTORY

Na estreia da mais nova seção da Card Player, o membro do time de profissionais de Phil Ivey, Aaron Jones, analisa uma mão de pot-limit Omaha.

E MAIS 62. CARD CLUB Clubes de poker

TUDO QUE RELUZ É 40 NEM OURO Contra dois adversários, Felipe Mojave acerta uma mão muito forte na WSOP. Mas, no river, ela já não parece tão boa. O que fazer?

ANDRÉ DEXX

64 O GRANDE VILÃO DA MESA André Dexx apresenta o vilão mais temido da mesa, aquele que deve ser evitado a qualquer custo.

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E T R A SO Deca no por Th iago

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Thiago Decano @TheDecano thedecano.com

Thiago Decano é considerado um dos melhores jogadores do Brasil, live e online. Chegou a duas mesas finais da WSOP e uma do WPT.

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os últimos dois artigos, falei sobre “valor” e “blefe”. O retorno foi gratificante. Recebi muitos elogios, mas muitas questões foram levantadas acerca do tema. E, como eu já disse antes, esse é o princípio fundamental do nosso esporte. Dessa forma, é de suma importância o estudo aprofundado, já que, mesmo em diferentes níveis, os jogadores costumam se perder. Já vi competidores excelentes e bem lucrativos, repentinamente, se deparando com uma situação em que não sabem se estão blefando ou jogando a mão por valor. Portanto, é perfeitamente normal o surgimento das dúvidas. O poker é um jogo tão complexo que só a habilidade, técnica e experiência nas mesas fará um jogador compreendê-lo com mais precisão.

Tanto em meus cursos como nos coachings individuais, percebo claramente que jogadores de torneios têm maior dificuldade em entender o conceito de valor e blefe em relação aos jogadores de cash game. E o motivo disso é simples: o jogador de torneios só joga deep stack no início, quando os blinds estão baixos e as mãos são decididas, principalmente, no flop, turn e river. Do meio para o fim do torneio, geralmente, a média de fichas está entre 25 e 40 big blinds. Assim, na maior parte das vezes, as mãos são decididas pré-flop ou no flop. O ser humano tem a memória seletiva e tende a achar que o motivo de sua queda no torneio foi a mão fatídica ou aquela em que perdeu grande parte do stack. Na verdade, ele não percebe que a mão decisiva foi aquela em que ele deu check depois do seu oponente, em vez de apostar extraindo o valor máximo de sua mão no river quando o pote estava grande, ou então o “hero fold” que deveria ter dado, mas que acabou pagando e perdendo um caminhão de fichas para um adversário que tinha uma mão com mais valor.


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Costumamos culpar a má sorte quando caímos perdendo um AK x AQ, ou aquele flip gigantesco em que ficaríamos entre os primeiros do torneio na reta decisiva. Mas não nos culpamos quando poderíamos ter aproveitado duas ou três situações ótimas para fazer uma 3-bet ou uma 4-bet, mas acabamos optando pelo fold. Jogar bem pós-flop é determinar o range de mãos do adversário, quantificar percentualmente quando ele estará com valor máximo, médio ou blefe, saber qual o range de mãos que você está representando e, aí sim, decidir – observando se você tem ou não posição em relação ao oponente – se você deve apostar, pedir mesa ou dar fold em cada uma das streets. Relembrando o artigo anterior, caso opte por apostar, você sempre deve ter um objetivo: “Ao apostar ou aumentar uma aposta, você deve desejar que seu oponente desista (blefe), pague (mão de valor médio) ou aumente (mão de valor alto)”. O jogador de cash game geralmente terá mais facilidade em jogar pós-flop. Ele já está acostumado a situações deep stack, com ação até o river na maioria das mãos. Assim, compreende melhor o conceito de valor e blefe. Porém, como não está acostumado a jogar short – com algo entre 10 e 30 blinds –, muitas vezes, ele se perde. Ele opta por jogar pós-flop uma mão que, apesar da boa equidade, não terá espaço para jogadas mais elaboradas como o float (pagar uma

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aposta sem uma mão pronta, com o objetivo de tirar o adversário da jogada caso ele demonstre fraquezas nas streets posteriores) ou aumentar com nada (air). Em vez do call pré-flop, ele poderia ter optado pelo resteal, jogando por stacks. Muitos perguntam sobre meus cursos e coaching: se é mais direcionado para o live ou para o online, se é para jogadores de cash ou torneios. Sempre digo que abordo o poker como um jogo único. Em minhas aulas, tenho sempre que me preocupar na evolução do aluno como um todo. Ensinar tanto o jogador de torneios a jogar bem pós-flop como o jogador de cash games a jogar bem por stacks. Desde já, agradeço as mensagens de apoio e torcida para a WSOP 2013. A expectativa é enorme. Agradeço também a confiança dos que já foram meus alunos e que já estão tendo ótimos resultados, assim como o grande interesse para futuras aulas. Vou me desdobrar para atender a todos. Continuem a acompanhar a minha carreira pelo meu site, twitter ou facebook.


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CRÔNICA

Pedro Nogueira

sobre Jogadores e

@pedronogueira87

blefes

Ao narrar uma jogada épica de Jack “Treetop” Straus, o escritor e poeta Al Alvarez conseguiu resumir em poucas linhas a alma do poker

Pedro Nogueira é jornalista, já disputou torneios internacionais de poker, como a WSOP Europe, e é blogueiro da revista Alfa, da Editora Abril.

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E

is que, folheando um livro de poker, deparo-me com a figura de Jack Straus. Ou, como os parceiros de carteado o chamavam, “Treetop”, por seus quase dois metros de altura. Não era um nome desconhecido para mim. Nas memórias de Amarillo Slim – que ganhará uma edição em português pela Editora Raise – e em artigos de Doyle Brunson, há diversas passagens que citam Jack Straus. Nenhuma delas, porém, despertou tanto a minha atenção quanto uma história contada pelo escritor e poeta Al Alvarez em “The Biggest Game in Town” (o livro, não por acaso, foi uma das obras mais influentes da literatura do poker. Publicado em 1983, conta detalhes da WSOP de 1981 e da vida dos jogadores profissionais em Las Vegas.

Foi o primeiro livro relevante sobre o tema). Em “The Biggest Game in Town”, Al Alvarez afirma que a oportunidade de se blefar no poker é “tão ampla quanto as sutilezas da psicologia humana”. Para ilustrar sua tese, pega o exemplo do texano Jack Straus, o “mestre dos blefes zombeteiros” e “um homem com a reputação de ser totalmente destemido, que certa vez apostou US$ 100 mil no resultado de uma partida de basquete universitário”. Numa mesa de high stakes, conta Alvarez, Treetop recebe as cartas sete e dois, de naipes diferentes. A pior combinação inicial do Texas Hold’em. “Mas Straus estava pegando fogo”, diz o escritor inglês, “então decide aumentar a aposta assim mesmo. Só um jogador continua na mão.”


No flop, o dealer abre as cartas 7-3-3. Assim, Straus faz dois pares de setes com três. “Ele aposta novamente”, escreve Alvarez. “Mas, assim que o faz, vê seu adversário pegando as fichas rapidamente e percebe que cometeu um erro”. Com confiança, o homem repica US$ 5 mil em cima de Treetop. Tinha um par alto, Straus deduziu. “Naquele ponto”, continua Alvarez, “a jogada lógica seria largar a mão, uma vez que só um blefe ou um sete milagroso poderiam salvá-lo. Mas Straus decide pagar, semeando a dúvida na mente do adversário”. O turn traz um dois. Mesmo acertando o segundo par de Straus, a carta não o ajuda, pois já havia uma dobra na mesa.

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CRÔNICA

Isso não o impediu, no entanto, de atirar US$ 18 mil – sem hesitação – no oponente. “Enquanto o homem considerava as implicações da aposta”, relata Alvarez, “houve um longo silêncio à mesa. Até que Straus, generosamente, ofereceu ao adversário uma proposta irrecusável: a de ele ver uma de suas cartas – qualquer uma que escolhesse – por modestos US$ 25”. O homem, evidentemente, aceitou. Apontou para umas das cartas de Straus que, por sua vez, abriu um dois. E, depois de alguns momentos de reflexão, o homem larga seu par vencedor. Afinal, a proposta – teoricamente – só faria sentido se as duas cartas de Treetop fossem iguais. Com o 7-3-3-2 do bordo, Straus teria então um full house, com seu suposto par de dois. “É tudo uma simples questão de psicologia”, Straus diria 18

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mais tarde, explicando o movimento. Se o leitor já assistiu ao filme “High Roller – A História de Stu Ungar”, de 2003, talvez tenha experimentado uma sensação de déja vu. Não é uma coincidência. No longa, um dos amigos de Stu, que atende pelo apelido de “DJ”, executa a mesmíssima jogada de Treetop. A barba alta de DJ é outra referência ao jogador texano, que morreu aos 58 anos, vítima de um ataque cardíaco durante um jogo de poker. “No poker, como em tudo na vida, a imaginação começa onde a lógica falha”, conclui Al Alvares. “E, assim, transforma a realidade para seus próprios fins. Como Straus fez em seu blefe”. Resumir melhor a alma do poker do que isso? Impossível. ♠


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David Peters O Jogador do Ano Enquanto o mundo do poker parava para aplaudir os incríveis resultados de Fedor Holz, o norte-americano David Peters iniciou a sua sequência de resultados expressivos. Somente em 2016, o profissional de 29 anos participou de 22 mesas finais, sendo que em cinco delas ele ficou com todas as fichas. No mês de julho, o jogador de Toledo, no estado de Ohio, deu adeus ao incômodo status de melhor jogador do mundo sem um bracelete da Word Series of Poker. A cereja do bolo veio no último mês da temporada.

Após brilhar no EPT Praga, Peters ultrapassou Holz no ranking da Card Player e se tornou o Jogador do Ano. “Essa foi uma temporada incrível. Sempre tive como meta vencer o ranking da Card Player, e fazer isso derrotando Fedor depois que ele conseguiu alguns dos melhores números da história foi inacreditável. Eu não estou pronto para me despedir de 2016”, disse Peters. Além dos cinco triunfos, Peters conquistou US$ 7.370.255 nos eventos ao vivo, mostrando que é um dos competi-

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dores mais consistentes da atualidade. Dono de 8.601 pontos, ele trucidou os números dos últimos campeões Anthony Zinno (2015 - 6.488), Dan Colman (2014 - 5.498), Daniel Negreanu (2013 - 5.140) e Greg Merson (2012 - 5.100). “Eu passei os últimos anos trabalhando muito no meu jogo, participando de inúmeros torneios e discutindo bastante as minhas mãos. Eu uso programas para ajustar as minhas estratégias pós-flop e os shoves pré-flop. Eu também assisto diversos vídeos de sites como o Run It Once”, revelou. O sucesso de Peters nos MTTs ao vivo não é recente. Em 2013, o jogador

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ficou com a quarta colocação no ranking da Card Player, porém na última temporada o seu comprometimento com os estudos trouxe resultados espetaculares. Agora, ele possui um ganho de US$ 14.848.641 em sua carreira, a 13ª melhor marca entre os norte-americanos. Peters precisou de poucos dias para forrar pesado em 2016. Logo na primeira semana, ele deixou o US$ 200.000 High Roller, do WPT Filipinas, com a medalha de prata e US$ 2.309.000 Em seguida, Peters participou da última edição do PokerStars Caribbean Adventure. Nos feltros do Atlantis Resorts, nas Bahamas, ele fez três mesas finais,


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uma delas no US$ 100.000 Super High Roller, onde embolsou US$ 461.340 pela quinta colocação. A próxima premiação de Peters foi em mais um torneio com buy-in de seis dígitos. No AUD$ 250.000 Super High Roller, do Aussie Millions, ele foi derrotado novamente em um heads-up. No total, Peters recebeu US$ 629.614. Finalmente de volta aos EUA, Peters começou a maltratar os seus oponentes nos high rollers do Aria Casino. Foram duas FTs e US$ 230 mil em sua conta. Já em solo europeu, ele aprontou no EPT Grand Final Monte Carlo. Oitavo colocado no € 50.000 Super High Roller, o norte-americano conquistou US$ 147.117. Em sua preparação para a WSOP, Peters conquistou o seu primeiro título na temporada. Após despachar 38 oponentes no US$ 25.000 High Roller do Bellagio Casino, ele embolsou US$ 393.120. Poucos dias depois, Peters derrotou 1.859 adversários no Evento 56: US$ 1.500 NL Hold’em, da WSOP. Pela inédita vitória na série, ele recebeu US$ 412.557.

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Peters encerrou o verão com outro ótimo resultado na Europa. Terceiro de 663 inscritos no Estrellas Poker Tour Barcelona, ele puxou US$ 123.247. Apesar de todos estes resultados, Peters ainda estava distante de Holz, mas isso iria mudar nos últimos dois meses do ano. Foram oito mesas finais e três títulos em menos de 60 dias. Em viagem à Ásia, ele recebeu US$ 215.462 pela oitava colocação no High Roller, da Triton Series. Em outro high roller, dessa vez do Asia Championship of Poker, o profissional ficou com a medalha de ouro e US$ 635.076. Ainda em novembro, Peters fez duas mesas finais consecutivas nos high rollers do Aria. No torneio de US$ 25 mil ele foi o vice-campeão, já no campeonato de US$ 50.000, Peters foi o grande vencedor. Ao todo, ele ganhou US$ 680.370. No último mês de 2016, Peters fez quatro FTs. O seu principal feito foi na etapa derradeira do EPT. Em Praga, Peters ficou a duas eliminações de vencer no concorrido circuito. Pela medalha de bronze, ele rece-

beu US$ 413.339. O excelente resultado lhe deixou a frente de Holz nos rankings da Card Player e do Global Poker Index. Colocando um ponto final na corrida pelo título, Peters soltou o grito de campeão no US$ 25.000 High Roller, do Aria, quando faturou US$ 293.230. Peters nunca parou de grindar em 2016. Ele obteve grandes resultados em cinco continentes, mostrando todo o seu empenho e consistência. “Eu sou muito apaixonado pelo poker. Eu vou sempre estar nas mesas. Eu amo o jogo, eu amo ficar melhor, independentemente de quanto eu ganhe. Eu amo trabalhar e me testar contra essa concorrência brutal”, contou.

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Confira os dez melhores resultados de Peters em 2016:

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Data

TORNEIO

Buy-In (USD)

posição

Payout

POY Points

Jan 04, ’16

WPT Philippines Super High Roller

$196,000

2

$2,309,000

500

Nov 13, ’16

ACOP HKD$250,000 Super High Roller

$32,224

1

$635,076

588

Fev 01, ’16

Aussie Millions AUD$250,000 Super High Roller

$177,043

2

$622,465

500

Nov 19, ’16

Aria Super High Roller 13

$50,000

1

$511,970

510

Jan 08, ’16

EPT PCA $100,000 Super High Roller

$100,000

5

$461,340

250

Dez 19, ’16

EPT Prague €5,300 Main Event

$5,920

3

$413,339

1280

Jul 05, ’16

WSOP $1,500 No-Limit Hold’em

$1,500

1

$412,557

1080

Jul 02, ’16

Bellagio High Roller 8

$24,000

1

$393,120

420

Dez 28, ’16

Aria High Roller 48

$25,000

1

$293,232

420

Nov 06, ’16

Triton Super High Roller Series HKD$500,000

$64,465

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A BATALHA DE 2016:

PETERS VS HOLZ

Peters

Holz

Ganhos:

US$ 7.370.255

US$ 16.288.714

Títulos:

5

6

Mesas finais

22

15

Premiações

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24

Braceletes da WSOP

1

1

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€ 11,00

€ 750,00

€ 1.000,00

14:00

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AND istory AARON JONES E O CONTROLE DE POTE NO POT-LIMIT OMAHA Na edição de aniversário da Card Player, a estreia da seção Hand History. Todos os meses, um profissional renomado analisará as nuances por trás de uma mão específica que aconteceu ao vivo ou online. Você também pode participar. Basta enviar um e-mail, com uma jogada que você julgue interessante, para contato@cardplayerbrasil.com ou para nossa página no facebook.

o profissional Aaron “AEJones” Jones é uma das mentes mais brilhantes do poker moderno. Seu pensamento estrategista o levou a criar o LeggoPoker.com, um site de treinamento em que ele fala sobre as mais diversas variantes do poker. Agora, Jones é um profissional de cash games do Ivey Poker, site fundado por Phil Ivey. Sua especialidade é NLH 6-max, mas ele também alcançou sucesso em outras modalidades do poker. Seus ganhos em torneios, online e ao vivo, chegam a meio milhão de dólares. Nos cash games online, ele já ganhou cerca US$ 1,6 milhão.


AND istory A MÃO

Em um cash game ao vivo de pot-limit Omaha $2-$5, o Herói ($3.200) está no hijack e abre um raise-pote segurando 9♦9♥7♦7♥. O cutoff paga, assim como o jogador no button, ambos com mais fichas que o Herói. O flop vem 10♦7♣5♥, e o Herói aposta $45. O jogador no CO larga, mas o BTN dá reraise para $205. O Herói faz tudo $675 e é pago. O turn é um 8♦, o Herói aposta $1.400 e novamente é pago. O river é um 4♣, o Herói empurra seus últimos $1.100 para o meio. O BTN paga, mas manda suas cartas para o monte ao ver a trinca de Setes do Herói.

Mas mesmo jogando bem pós-flop, é preciso ter cuidado quando estamos deep stack, pois podemos encontrar uma trinca maior do que a nossa. Você não vai querer colocar todo seu dinheiro em jogo em um flop Q-9-X com 9-9-7-7. Mas se você possui um SPR baixo, então pode colocar suas fichas no pano tranquilamente. Neste momento, especificamente, temos que nos preocupar um pouco, já que estamos bastante deep.

E qual o seu range de mãos para abrir raise do hijack?

A ANÁLISE Você gosta de abrir raise com a mão do Herói? Uma mão como 9-9-7-7 double suited deve-se, sim, dar o raise. É uma mão prêmio. Quaisquer mãos com dois pares são boas o bastante para abrir o pote de qualquer posição. Elas jogam muito bem em PLO, especialmente em potes contra apenas um jogador, já que você pode acertar uma trinca e colocar todo o seu stack em jogo se tiver um stack to pot ratio (SPR) baixo. Se o seu oponente acerta top pair em um flop como 10-7-X, segurando K-Q-J-10, ele provavelmente não largará a sua mão, já que terá boas odds contra mãos como A-A-X-X.

É difícil dizer, pois há centenas de combinações em PLO. Acredito que quaisquer quatro cartas maiores do que oito ou nove, quaisquer cartas em sequência (rundown) ou mãos com apenas um gap.

O Herói sai apostando $45, e o Vilão dá raise para $205. Sabemos que ele é um maníaco e que, em muitas situações, enxerga um valor muito maior do que deveria (overvalue) em uma mãos com dois pares. Com essas informações, você daria call, fold ou reraise?

estamos praticamente mortos contra um trinca maior. Nós sempre podemos avaliar o turn. Por exemplo, se o turn for uma Dama, e identificarmos fraqueza, podemos dar check-raise-pote. Se o turn for um Dois, sempre poderemos dar check-raise-pote, mas em qualquer turn podemos dar check-call. Então, contra a maioria dos oponentes, vou apenas pagar o raise. Porém, contra esse supermaníaco, acho que devemos dar reraise para $700, ou o valor que caiba no pote, e ir até o final. Isso já deixa o cenário praticamente armado para um all-in no turn. Obviamente, existem algumas cartas ruins que podem aparecer, mas nenhuma que seja horrível, acredito. Contra esse cara, com a segunda melhor mão no flop, vou simplesmente dar um reraise-pote. Contra qualquer outro jogador, vou apenas pagar. Ele apenas pagou?

Não. Ele ele deu um raise-pote de $675. Bem, realmente não há razão para fazer um aumento menor do que o pote, já que estamos fora de posição. Então, essa é uma boa jogada.

Contra a maioria dos jogadores, eu daria apenas call e esperaria por um turn tranquilo, já que temos reverse implied odds aqui, e

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AND istory

O turn é um 8♦. Essa não é uma carta que gostaríamos de ver, mas agora o Herói tem também um flush draw de ouros. Qual seria sua linha aqui?

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Você daria mesa para controlar o pote? Você poderia fazer uma comparação entre as razões para o controle do pote e as razões para tentar conseguir valor imediato de mãos piores que estão no range do vilão?

Eu daria mesa, mas pagaria até mesmo uma aposta do tamanho do pote. Agora temos também a chance de acertar o flush, o que provavelmente será a melhor mão cerca de 80% das vezes. E, ainda assim, a trinca será boa em alguns cenários. Há também a possibilidade de um full house, que também seria bom, desde que o river não fosse uma carta como um 10 – já que é provável que o Vilão possa ter algo como J-10-9-8. Então, se damos check-call no turn, também daremos check-call em alguns rivers. Se acertarmos um full house, sair apostando por valor é uma boa opção. Essa é uma excelente mão para dar check-call. Dar bet-call é estranho. Se você aposta e o adversário reaumenta, você ficará desconfortável, pois existem três opções diferentes de sequência no bordo.

Há poucas mãos piores com as quais esse cara empurraria. Mesmo um maníaco iria apenas pagar com 6-4, J-8 ou algo do tipo. Eu não vejo ele empurrando com uma trinca de Cincos, por exemplo. Mas, definitivamente, é possível tomar-lhe todo o stack, se ele tem 5-5, caso o turn seja irrelevante, como um Dois. A verdade é que dar check-call em Omaha é bastante comum. Você está fora de posição, mas tem odds gigantes para acertar um carta de ouros ou para o bordo parear. Em no-limit hold’em, você não vai querer fazer isso com frequência, já que sua mão ficará óbvia para o seu oponente, mas em PLO é normal, já que teremos sempre, na pior das hipóteses, odds de 2-para-1.

O Herói acabou apostando o pote ($1.400).

Então você não vê nenhum valor imediato em apostar no turn?

Agora ele tem que ir até o final. É obviamente uma mão que tem muita equidade contra um louco, e não podemos dar fold se ele empurrar. Basicamente, já estamos de all-in.

Não, é estranho apostar no turn. Se o turn fosse uma Q, seria sensato apostar, já que ele pode ter algo como Q-J-10-X. Desde que ele não tenha uma trinca de Dez, é improvável que ele tenha uma de Damas, levando em conta que ele deu raise no flop e pagou a nossa 3-bet. Realmente não gosto de apostar no turn. Você precisa controlar o pote em várias situações em PLO.

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AND istory Bom, o Herói apostou e foi pago. Nós ainda iremos até o fim no river? Ele foi pago? Então estamos bem, não nas nuvens, mas podemos ficar tranquilos. Mas não “atolaremos” em qualquer river. Quero dizer, se o river for um K, vamos dar check-call. Quando ele paga o turn, acredito que tenha um flush draw ou algum overpair com flush draw – o que parece improvável, dado o raise no flop, mas ele pode ter algo com Q-J-10-8, que ficou para o flush no turn. Bem, ele também pode ter dois pares, que nos estamos à frente, ou 9-6, que ele nunca vai dar fold. E qual foi o river?

O river foi um 4♣. O que você faria? Nesse momento, eu daria check e tentaria uma “leitura de alma”. Se ele tem 7-6 e completou o straight, não acredito que ele iria all-in por valor. Ele nunca irá dar fold com 9-6, e há algumas mãos aleatórias, contendo um 10, que ficaram para o flush no turn e que eu espero que ele tente blefar. Há quatros possibilidades de sequência no bordo, então eu pediria mesa e veria a sua reação. Eu olharia para as fichas deles, o que ele faria com elas, quão rápido ele apostaria e se ele conferiria suas cartas mais de uma vez. Acredito que isso me daria mais informações para decidir o que fazer.

ENTENDA O CONCEITO BÁSICO DE STACK TO POT RATIO (SPR) SPR nada mais é que o stack efetivo dividido pelo tamanho do pote no flop. Vamos dizer que em um cash game $1-$2 de NLH, você abre raise para $8, o CO paga e ambos os blinds dão fold. Vocês tem o menor stack ($100), portanto o stack efetivo, então o SPR seria de 4.8 (92/19). Um SPR é considerado baixo quando está entre 0 e 6. Médio quando está entre 7 e 16. Alto quando está acima de 17 (números que variam do Omaha para o Hold’em e dos cash games para os torneios). Um exemplo prático é quando você segura A♦Q♣ em um flop Q♥T♥9♠. Você tem o top pair/top kicker, mas em um bordo extrema-

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mente conectado, com flush draw e chances para sequência. Você irá tranquilamente de all-in caso o pote contenha $10, e os stacks efetivos sejam de $40 (SPR = 4). Contudo, caso o pote tenha os mesmos $10, mas os stack efetivos sejam de $300 (SPR = 30), é preferível não se deparar com uma situação em que haja muita resistência, e é melhor que você possa levar o pote sem se arriscar demais. Em NLH, trincas são ideais para entrar em potes com SPR alto. No entanto, em PLO, elas já se tornam vulneráveis, principalmente as baixas, e você irá preferir entrar em potes com SPR baixo.


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por Felipe Mojave

Felipe Mojave @FelipeMojave

Felipe Mojave é um dos principais jogadores brasileiros da atualidade, especialista em mixed games e profissional do Pokerstars.

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No artigo desta edição, vou analisar uma mão que aconteceu comigo na World Series of Poker (WSOP) que está em andamento, em um evento de no-limit hold’em com buy-in de US$ 1.500. O torneio estava no quarto nível de blind, 150-300 com antes de 25. Dois jogadores entraram de limp. Eram jogadores com idade um pouco mais avançada e que gostavam muito de ver flops, independente do tamanho de seus stacks. Minha estratégia era entrar com um raise forte sempre que isso acontecesse. Até o momento, sucesso. Eles desistiam da mão no flop ou no turn. Dessa vez, não foi diferente. Do button, disparei uma aposta de 1.100, com 4♠-3♠. Sem surpresa, os dois pagaram. O flop veio 3-3-4. Sim, eu tinha acertado um

full. Agora, a decisão era complicada: como extrair valor se, até ali, todas as minhas continuation bets tinham funcionado? Eu estava pensando nisso quando, para minha surpresa, o jogador do meio saiu apostando 2.000. Nesse caso, eu, que tinha 15.000 fichas restantes, tive uma tarefa bem mais simples, e apenas dei call – e minha surpresa foi ainda maior quando o UTG também pagou. O turn foi um 5, e o bordo continuou rainbow. Meus dois oponentes pediram mesa. Agora, eu tinha que analisar qual o range de mãos que apostaria/pagaria


no flop, mas daria fold no turn. Depois de pensar um pouco, cheguei à conclusão que, da maneira como eles jogaram o flop, eles dificilmente desistiriam no turn. Assim, decidi repetir a aposta de 2.000 do meu adversário, esperando ser pago e levar a mão para o river. Acredito que na gama de mãos dos meus oponentes estivessem todos os pares médios e ases fracos do mesmo naipe, como A-2, A-3, A-4 e A-5. O river foi um 6. O UTG deu check novamente, mas o senhor do meio da mesa mandou uma aposta de 4.000, em um pote de 15.750. Eu tinha exatamente 11.000 fichas. Existem diversas linhas de como jogar essa mão até o river, e acho que adotei uma satisfatória. Mas, agora, temos uma decisão mais complicada.

Vejamos o raciocínio: – Quais são as mãos apostando no river? – Quais dão check-call tomam a dianteira no river? – Quais apostam no check-call no turn e saem no river?

que saem no turn e flop, dão apostando

É uma situação complexa. Pelo perfil dos oponentes, ninguém daria fold com uma sequência, e eu, possivelmente, jogaria um par alto da mesma forma. Com isso em mente, a decisão tende ao call ou raise-all-in, – esperando ser pago por algo como 7-7 ou, menos provável, 2-2. E por que não levarmos em conta a opção de dar fold nesse full house? Se, normalmente, os pares baixos e médios são parte predominante do range de mãos dos dois, então, há boas chances de encontrarmos um full maior, com 4-4, 5-5 e 6-6.

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Discutindo a mão com o Akkari Team, Vico e Vitinho disseram que dariam apenas call. Opinião compartilhada por Thiago Decano. Já André Akkari, por acreditar que existe a chance de uma sequência ou pares médios, como 7-7, 8-8, 9-9 e 10-10, na mão dos meus oponentes, empurraria all-in para tentar extrair o máximo de valor. Quanto a mim, acreditei que havia um grande risco de estar perdendo, mas, conforme o pensamento do Akkari, eu acreditava que o UTG também daria call. Então, se eu apenas pagasse, poderia puxar um pote grande, e, caso estivesse errado, ainda teria 23 big blinds para seguir no torneio.

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É uma situação complexa. Pelo perfil dos oponentes, ninguém daria fold com uma sequência e, eu, possivelmente, jogaria um par alto da mesma forma. Acabei dando call, e o pior cenário se confirmou. O jogador que estava no meio da mesa tinha 5-5. O UTG tinha 7-7 e, como previsto, também pagou. Essa é uma mão muito interessante pela questão do Risco x Retorno e por termos a oportunidade de analisar oponentes em um torneio da WSOP. Espero que tenham gostado da mão, e que este artigo agregue bastante ao jogo de vocês.


OS MELHORES BARALHOS DO MUNDO


D A R N CO AMARELO

E E D VER BR ASILEIR

Por Marc

AI U G U R U O D T I I RC U C P O S W O N OS BRILHAM

elo Souza

A segunda parada da World Series of Poker na América Latina foi um sucesso. O local escolhido foi o luxuoso Enjoy Conrad Punta Del Este Resort & Casino, famoso por receber muitos brasileiros durante todo o ano. O Brasil mandou um verdadeiro pelotão de elite para Punta del Este. Foram poucos os grandes profissionais brasileiros que ficaram de fora. O resultado não poderia ser outro, título no principal torneio da grade, com Guilherme “guimoura” Moura, dezenas de ITMs, milhões de dólares em prêmios e cinco anéis dos doze distribuídos.

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O R I E L I S A R B L E N A O R I ] E O M I B R R P U T O D E D N A H 6 H L N 0 0 6 $ EVENTO #9 [ Foi com tons de drama a conquista do primeiro anel brasileiro em solo uruguaio. Marcos “wrawras” Antunes, aquele mesmo que ganhou um Spin&Go de US$ 1 milhão em outubro do ano passado e fez mesa final da WSOP no meio deste ano, foi o dono da festa. Depois de ter apenas seis big blinds no heads-up, ele superou o paraguaio Raul Doutreleau, levou o anel e US$ 7.000. O torneio teve 39 entradas e outros dois brasileiros ITM, Vinicius “vinifenomeno” Teles (5ª posição – US$ 1.620) e Fernando “VC VEM!!” Araújo (3ª posição – US$ 3.100). O fato curioso ficou por conta do paraguaio. Tendo quase 5-para-1 de vantagem no duelo final, Raul ofereceu US$ 3.000 a Marcos para encerrar o torneio e ficar com o anel. “Ele já tinha feito essa proposta no 3-handed, quando o Fernando e eu possuíamos metade das fichas dele. Claro que não aceitamos, afinal, o principal motivo de estarmos aqui é pelo anel”, contou Marcos. “Mesmo no heads-up, quando cheguei a ter seis big blinds e seis vezes menos fichas, eu sabia que poderia vencer. Só tinha que dobrar uma vez”, revelou.

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? L E N A O D N ] U ” G S E E I S T , N M U E O V B Ê 0 C 20 VO $ “ O B R U T H L N 0 0 6 $ [ 2 1 # EVENTO Sim, ele veio. Fernando “VC VEM!!” Araújo precisou superar 72 jogadores e as peças que o destino prega para poder ficar com os US$ 8.700 e o anel de campeão. O capixaba, gremista fanático, quase não foi ao Uruguai devido ao adiamento do segundo jogo da final da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético-MG, cujo ingresso ele já havia comprado. “Eu estava desanimado de ir ao Uruguai, ir para o Brasil e depois voltar para o Uruguai novamente [para jogar o último evento da série, o Torneio Milionário], mas o Jorge Breda disse que me levaria e me buscaria no aeroporto de Montevidéu [o cassino Conrad fica em Punta del Este, a 132 km da capital uruguaia]”, disse Fernando. “Ainda bem que fui jogar. Tenho que agradecer muito ao Breda e, de quebra, vi o Grêmio sendo campeão”, completou.

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t n e v E n i a M i a u g u r U t i u c r i WSOP C Muitas lendas do esporte já caíram, por diversas razões. Nem todas se levantam, é verdade. Mas aquelas que conseguem se reerguer, bem, suas voltas são triunfais. No poker, não seria diferente. Em 2012, o mundo de Fabrizio “SixthSenSe19” González virou de cabeça para baixo. No auge da sua carreira, então com 20 anos, ele teve seu acesso ao PokerStars bloqueado por usar múltiplas contas. Ele ainda voltou a brilhar como “joacowalter”, ganhando dois relógios do SCOOP, série online do PokerStars, e US$ 250 mil dólares. Mas isso lhe custou caro. Ele foi banido indefinidamente de todos os torneios do PokerStars, tanto ao vivo quanto na internet. A punição terminou neste ano, e os resultados foram imediatos, título no SCOOP, Jogador do Ano do WCOOP, principal série de torneios online, e anel do WSOP Circuit. Sim, a estreia do WSOPC no Uruguai teve desfecho hollywoodiano em seu Main Event. Nem o mais entusiasta dos torcedores poderia prever que a fênix renascida ascenderia ao topo. “SixthSenSe19” coroou o ano de sua volta com um título incontestável. Melhor jogador de poker online de 2016, segundo o ranking Pocket Fives, ele dominou todas as mesas em que passou, inclusive a mesa final, que contou com dois brasileiros e outros duas estrelas do poker local.

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OP Circuit vent do WS E in a M : a no ic sort & Casi Ficha Técn Del Este Re ta n u P i) a d u g ra n ru y Co Este – U Local: Enjo (Punta del 6 1 0 mbro de 2 08 de deze Data: 03 a $ 1.500 Buy-in: US 4 97 Entradas: 60 .3 3 US$ 64 Prize pool:


L A N I F O D A T L U S RE

1º Fabrizio “SixthSenSe19” González (Uruguai) – US$ 125.157 2º Alan Mehamed (Argentina) – US$ 78.868 3º Francisco “Tomatee” Benítez (Uruguai – US$ 56.490 4º Marco Túlio (Brasil) – US$ 45.070 5º Fábio Colonese (Brasil) – US$ 34.958 6º Roberto Bianchi (Argentina) – US$ 27.305 7º Matías Carrera (Argentina) – US$ 20.560 8º Joaquín Melogno (Uruguai) – US$ 14.330

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Em pé: Joaquín Melogno, Alan Mehamed, Fábio Colonese e Francisco “Tomatee”. Sentados: Roberto Bianchi, Marco Túlio, Fabrizio “SixthSense19” e Matías Carrera.

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o i r á n o i l i M o i e Torn Na América Latina, poucos torneios têm tanta tradição quanto o famoso Torneio Milionário, a “menina dos olhos” do Enjoy Conrad Punta Del Este Resort & Casino, evento que atrai jogadores de todo o mundo devido ao grande valor destinado ao primeiro colocado, sempre algo entre 500 e 700 mil dólares. A grandiosidade do Torneio Milionário é tamanha que, neste ano, o evento foi incorporado à grade do WSOP Circuit como uma espécie de segundo Main Event — e o Brasil dominou o torneio, com três jogadores no pódio e título para um dos donos e instrutores do Step Team, Guilherme “guimoura” Moura. Ele começou o Dia Final na penúltima colocação entre os 24 sobreviventes, com apenas seis big blinds. Mas não existe ditado mais verdadeiro no poker, para vencer um torneio de poker basta “uma ficha e uma cadeira”. Após uma recuperação impressionante, ele confirmou presença na mesa final, mas novamente em situação complicada, agora como o short stack. Mas aquele era o dia do brasileiro, depois de vencer dois flips contra o uruguaio Alejandro López, o paulista assumiu a liderança e não largou mais. No heads-up, contra o compatriota Josef Soued, com 80% das fichas do torneio, “guimoura” fechou a conta rapidamente. Festa do Brasil, que garantiu quase US$ 1 milhão em prêmios apenas na mesa final.

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Milionário ica: Torneio Ficha Técn & Casino ste Resort E l e D ta n u guai) y Conrad P Este – Uru Local: Enjo (Punta del 16 2 e mbro d 0 11 de deze a 8 0 : 0 ta .5 a D $2 0 Buy-in: US 706 Entradas: .010 US $ 1.875 Prize pool:

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L A N I F O D A T L U S RE 1. Guilherme Moura (Brasil) – US$ 542.683 2. Josef Soued (Brasil) – US$ 223.003 3. Wágner Araújo (Brasil) – US$ 157.809 4. Emmanuel López (Argentina) – US$ 120.578 5. Andrés Read (Argentina) – US$ 95.961 6. Eduardo Santi (Argentina) – US$ 73.418 7. Diego Justo (Argentina) – US$ 53.102 8. Alejandro López (Uruguai) – US$ 35.896

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Em pé: Wagner Araújo, Andres Read, Gui Moura e Eduardo Santi. Sentados: Diego Justo, Josef Soued ,Alejandro Lopez e Emanuel Lopez.

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S I É N A S I O D IS A M E Y R U G A Z CREMA, Thiago Crema

No apagar das luzes, o Brasil ainda conquistou mais dois anéis na parada uruguaia do WSOPC. O sócio proprietário do 4Bet Thiago “KKremate”Crema venceu o Evento #25 [US$ 5.000 NLH High Roller] e embolsou um dos maiores prêmios da série, US$ 73.000. Já no Evento #28 [$600 NLH Turbo – $200 Bounties], o título ficou com José Zagury. Em seu primeiro torneio bounty, a cravada. Anel para o brasuca e quase US$ 10.000 de prêmio

José Zagury

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POKER PICS

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CARD CLUB

A Card Player Brasil acaba de criar o Card Club, um programa com vantagens únicas que levará as principais marcas de clubes de todo o País a você que nos acompanha em todas as nossas plataformas. Através do Card Club, qualquer clube do Brasil pode se tornar um parceiro da Card Player Brasil, tendo sua marca e seus torneios divulgados nas páginas da principal revista de poker da América Latina, edições impressa e digital; e, claro, nas nossas mídias sociais. Em breve, também em nosso site, uma seção exclusiva para os nossos parceiros. Você, dono de clube, que deseja formar uma parceria com a Card Player Brasil, basta enviar um e-mail para contato@cardplayerbrasil.com e ficar pode dentro dos detalhes de como fazer parte do nosso time.


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O GRANDE

~

VILÃO

DA

MESA por André Dexx

A André Dexx @dexx_rj andredexx.com

André “Dexx” é um dos mais respeitados jogadores de cash games online do país.

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o jogar e realizar um exercício de autoanálise bem-feito é fácil notar que, em alguns momentos, por algum motivo, não conseguimos pensar com clareza. Por um instante, é comum ficarmos confusos e aflitos, ou pensando no que não se deve pensar, perdendo a linha de raciocínio. Esses estados de perturbações mentais, em maior ou menor grau, atingem quase 100% dos jogadores – e, a meu ver, é a causa primária dos principais fracassos no poker. Tudo isso tem uma razão. Aos que ainda não a identificaram, eu lhes apresento o grande vilão das mesas, um velho conhecido de quase todo mundo: a ansiedade.


Antes de qualquer coisa, é preciso entender que a ansiedade é um fenômeno que pode ser tanto prejudicial como benéfico. Tudo vai depender da sua intensidade. Explico. Por um lado, ela estimula você a entrar em ação. Por outro, o excesso tem o efeito exatamente oposto, deixando-lhe travado, distorcendo a realidade e, de maneira geral, impedindo reações. Uma de suas principais causas nos jogadores de poker é a falta de controle e de conhecimento sobre o que está acontecendo na mesa. Sabemos que é muito mais fácil e menos estressante abrir um raise pré-flop do que jogar uma mão em que sofremos um reraise de um oponente desconhecido. Quanto mais familiaridade com o poker melhor será a capacidade de reagir às situações não corriqueiras, maior será a confiança e, consequentemente, menor a ansiedade.

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Também é notório que os jogadores, principalmente aqueles que um dia foram grandes vencedores em limites altos, mas hoje estão ganhando menos, estão muito ansiosos para voltar a lucrar como antes. As expectativas são altas, e eles querem os resultados de forma rápida. Isso atrapalha bastante. Eles acabam vivendo intensamente o futuro, deixando o presente de lado. Os que retornam a seus tempos áureos são os que gerenciam melhor as expectativas e, naturalmente, acabam percebendo melhor as nuances do jogo. A segunda dica para controlar a ansiedade e melhorar a qualidade de vida é bem simples: aprenda a respirar da maneira correta. A respiração tem influência direta em nossos estados mentais e emocionais – esse é o motivo que faz você perder o ar quando segura um par de ases. Na verdade, você acabou de contrair a barriga e parou de respirar. Como se não bastasse, agora está respirando de maneira mais curta. Normalmente, a respiração acontece de forma constante e longa. Daí a importância de se praticar atividades que estimulam uma maior consciência aeróbica, como meditação e exercícios físicos, por exemplo. Segundo o Dr. David Frawley, considerado o maior especialista ocidental em

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Nossa energia vem, basicamente, da respiração (...) Se o cérebro não recebe a quantidade certa de oxigênio, não temos a energia vital suficiente para nos desenvolver e mudar. Terapia Ayurvédica, “nossa energia vem, basicamente, da respiração (...) Se o cérebro não recebe a quantidade certa de oxigênio, não temos a energia vital suficiente para nos desenvolver e mudar”. Ele ainda afirma que “aprendendo a controlar a respiração, damos fim a todas as perturbações da mente e dos sentidos”. Se você sofre com a ansiedade e joga poker online, uma das dicas mais interessantes que eu posso dar é jogar em câmera lenta. A definição de jogar em câmera lenta seria teclar, clicar e mexer o mouse lentamente, com pausas para tomar cada ação. Se fizer esse exercício em todas as atividades do dia, você conseguirá diminuir a ansiedade e executar diversas tarefas em pleno potencial.


Agir com rapidez só contribuirá para um estado mental ansioso e compulsivo e lhe colocará a um passo do tilt. Então, em vez de cometer esse erro, observe o tempo de aposta dos seus adversários e identifique quem são os jogadores mais ansiosos da mesa. Detectá-los é simples. Todo hábito compulsivo é rápido e demonstra um estado de ansiedade. Fique atento a quem está fazendo apostas e dando calls muito rápidos, principalmente os ‘’hero calls’’. Estes que, teoricamente, envolveriam situações nas quais os jogadores mais deveriam pensar. Sabendo quem são os ansiosos da mesa, fica fácil explorá-los. Primeiramente, devemos fazer anotações de todos eles. Por exemplo, “fulano deu hero call no river sem pensar”. A partir desta constatação, vale a pena fazer apostas fortes, próximas do valor pote, com mãos de valor, simulando um range em que o volume de blefes é maior do que as mãos de valor. O vilão nos colocará em um range polarizado e pagará mais vezes com mãos marginais. De quebra, vamos extrair mais fichas. Novamente, como já comentei em artigos anteriores, gostaria de enfatizar a importância da autocrítica. Uma pessoa é sempre diferente da outra, logo, o que funciona para um deve ser questionado e adaptado para o outro. Mas uma coisa é certa, trate o jogo com a seriedade de um atleta e será recompensado por isso. Mantenha a postura, respire e curta o presente. O momento é agora. ♠

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