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HUMANIZAÇÃO DOS AMBIENTES DE NASCER Definição de critérios projetuais para salas de coleta de leite baseados em métodos participativos

Maria Candelaria ryberg

Maria Luiza bratti


Universidade Federal de Santa Catarina Grupo PET Arquitetura e Urbanismo 2016 Luis Carlos Cancellier de Olivo Reitor Sebastião Roberto Soares Pró-reitor de Pesquisa Rogério Cid Bastos Pró-reitor de Extensão Edson Roberto De Pieri Diretor Centro Tecnológico César Floriano dos Santos Chefe de Departamento de Arquitetura e Urbanismo José Ripper Kós Coordenação do Curso de Arquitetura e Urbanismo Vera Helena Moro Bins Ely Professora Tutora Patrícia Biasi Cavalcanti Vera Helena Moro Bins Ely Professoras Orientadoras Maria Candelária Ryberg Maria Luiza Bratti Bolsistas

Referência: RYBERG, Maria Candelária; BRATTI, Maria Luiza; CAVALCANTI, Patrícia Biasi,; BINS ELY, Vera Helena. Humanização de ambientes de nascer: Critérios projetuais para salas de coleta de leite baseados em métodos participativos. Florianópolis: PET/ARQ/UFSC, 2016. 149 p.


HUMANIZAÇÃO DE AMBIENTES DE NASCER: CRITÉRIOS PROJETUAIS PARA SALAS DE COLETA DE LEITE BASEADOS EM MÉTODOS PARTICIPATIVOS Maria Candelária Ryberg Maria Luiza Bratti Patrícia Biasi Cavalcanti Vera Helena Moro Bins Ely

Florianópolis, 2016


Catalogação na fonte pela Biblioteca Universitária da CATALOÇÃO NA FONTE PELA BILBIOTECA UNIVERSITÁRIA DA Universidade Federal de Santa Catarina UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

H918

Humanização de ambientes de nascer: definição de critérios projetuais para salas de coleta de leite baseados em métodos participativos / Ryberg, Maria Candelária...[et. al.]. – Florianópolis : PET/ARQ/UFSC, 2016. 151 p. ; il., tabs. Inclui bibliografia. 1. Arquitetura - Aspectos psicológicos. 2. Humanização dos serviços de saúde. I. Ryberg, Maria Candelária. CDU: 72

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Sumário 1. INTRODUÇÃO

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1.1. APRESENTAÇÃO.................................................................................................................11 1.2. JUSTIFICATIVA..................................................................................................................14 1.3. OBJETIVOS.......................................................................................................................15 1.4. ABORDAGEM DO PROJETO............................................................................................16

2. fundamentação teórica

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2.1. HUMANIZAÇÃO DE AMBIENTES HOSPITALARES...............................................................21 2.2. HUMANIZAÇÃO DE AMBIENTES DE NASCER..................................................................28 2.3. A PARTICIPAÇÃO DO USUÁRIO NO PROCESSO DE PROJETO.......................................31

3. metodologia

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3.1. REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................................38 3.2. VISITAS EXPLORATÓRIAS................................................................................................38 3.3. OBSERVÇÃO SISTEMÁTICA E AEIOU............................................................................. 39 3.4. ANÁLISE SWOT................................................................................................................ 41 3.5. WORKSHOPS PARTICIPATIVOS......................................................................................42 3.5.1. PRIMEIRO WORKSHOP.....................................................................................42 3.5.1.1. BRAINSTORMING............................................................................... 42 3.5.1.2. POEMA DOS DESEJOS........................................................................ 43 3.5.2. SEGUNDO WORKSHOP.....................................................................................44 3.5.2.1. ESCOLHA DINÂMICA DO LAYOUT......................................................44 3.5.2.2. SELEÇÃO VISUAL.................................................................................45

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4. processo participativo de PROJETO

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4.1. PLANEJAMENTO DOS WORKSHOPS..................................................................................50 4.2. PRIMEIRO WORKSHOP......................................................................................................53 4.3. SEGUNDO WORKSHOP................................................................................................... 56

5. RESULTADOS

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5.1. AEIOU................................................................................................................................61 5.2. ANÁLISE SWOT.................................................................................................................63 5.3. WORKSHOPS PARTICIPATIVOS.......................................................................................64 5.3.1. BRAINSTORMING..............................................................................................65 5.3.2. POEMA DOS DESEJOS.......................................................................................68 5.3.3. ESCOLHA DINÂMICA DO LAYOUT....................................................................70 5.3.4. SELEÇÃO VISUAL...............................................................................................72

6. O PROJETO

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6.1. CRITÉRIOS PROJETUAIS PARA SALAS DE COLETA DE LEITE...............................................79 6.1.1. QUANTO AO LAYOUT.........................................................................................79 6.1.2. QUANTO À AMBIENTAÇÃO.............................................................................. 80 6.1.1. QUANTO AO MOBILIÁRIO E EQUIPAMENTOS................................................80 6.2. PROJETO DE INTERIORES................................................................................................82

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7. ANÁLISE DO PROCESSO PARTICIPATIVO

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8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

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Sumário 9. REFERÊNCIAS

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9.1. LISTA DE FIGURAS...........................................................................................................103 9.2. LISTA DE TABELAS......................................................................................................... 106 4.3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................................106

10. APÊNDICES

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10.1. TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARESCIDO................................................. 112 10.2. ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA.............................................................................114 10.3. FICHAS DOS MÉTODOS APLICADOS..........................................................................115 10.3.1. FICHA MÉTODO AEIOU.................................................................................116 10.3.2. FICHA POEMA DOS DESEJOS....................................................................... 120 10.3.3. FICHA SELEÇÃO VISUAL....................................................................................9 10.4. CADERNO DO PROJETO EXECUTIVO..........................................................................122 10.5. PUBLICAÇÕES..............................................................................................................130 10.5.1. ARTIGO PUBLICADO NO XIX ENAPET - 2014 ..............................................131 10.5.2. ARTIGO PUBLICADO NO V ENEAC - 2014....................................................134 10.5.3. ARTIGO PUBLICADO NO XIX SIGRADI - 2015..............................................142 10.5.4. ARTIGO PUBLICADO NO 11º CONGRESSO NACIONAL DE PSICOLOGIA DO AMBIENTE DE SAÚDE - PORTUGAL, 2015................................................................146

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1. INTRODUÇÃO


cap 1.

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introdução


INTRODUÇÃO 1.1. APRESENTAÇÃO Os ambientes hospitalares ligados ao nascimento são vivenciados pelos usuários de forma diferenciada dos demais ambientes de saúde, uma vez que o público alvo em sua grande maioria não se encontra em situações críticas. Ao contrário, as gestantes, as mães, os acompanhantes e os profissionais de saúde que utilizam estes ambientes tendem a experienciar o hospital em condições bem mais amenas e positivas do que nas demais unidades, em circunstâncias ligadas ao nascimento de uma nova vida e tudo que a ele se relaciona. Os espaços relacionados ao nascer geralmente tendem a ser associados a um momento especial e alegre para as famílias. Imagina-se então, que o planejamento de interiores destes ambientes deve criar uma ambiência que responda a especificidade de seu público usuário, que não necessariamente se assemelha com o dos demais setores de um hospital. Para tanto, o planejamento de interiores destes locais deveria basear-se numa investigação aprofundada das necessidades, anseios e expectativas do público usuário, de forma a assegurar que as propostas desenvolvidas sejam realmente humanizadas e responsivas. No entanto, a alta competitividade que caracteriza o mercado de atuação de Arquitetos e Designers de interiores nem sempre favorece que sejam

Figura 1. Lactante amamentando. Fonte: Natalia Deksbakh, ano não informado.

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previstos no orçamento destes profissionais recursos financeiros e tempo para que a prática projetual seja desenvolvida a partir de um estudo aprofundado da percepção e do comportamento dos futuros usuários. Também são raras as experiências de projetos participativos arquitetônicos ou de interiores, os quais possibilitam o envolvimento de representantes dos diferentes grupos usuários em todas as etapas do processo projetual. Imagina-se que deste modo, perde-se a oportunidade de compreender melhor a percepção dos usuários sobre como deveria ser o local e se reduz a chance de que o ambiente projetado seja efetivamente responsivo aos seus anseios. Assim sendo, pretendeu-se nesta pesquisa traçar diretrizes projetuais para o planejamento de interiores de salas de coleta de leite, centradas na compreensão da percepção e do comportamento dos distintos grupos usuários – mães em período de aleitamento, acompanhantes e profissionais de saúde. O trabalho se fundamentou em revisão crítica de literatura baseada nas áreas de Psicologia Ambiental, Arquitetura Hospitalar e Design de Interiores e na in-

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vestigação e avaliação de métodos de projeto participativos, que evidenciaram a percepção dos usuários sobre como deveria ser projetado o local. A pesquisa baseou-se em revisão de literatura e em um estudo de caso realizado na sala de coleta de leite do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, em Florianópolis, no qual foram aplicados e testados alguns métodos de projeto participativos. Afim de buscar uma compreensão das características do ambiente, previamente a aplicação dos métodos de processo participativos, foram utilizados os métodos de observação AEIOU (Atividades, Espaço, Interações, Objetos e Usuários) e de Análise SWOT (Strengths, Weakness, Opportunities e Threats). Em seguida foram realizados dois workshops participativos, nos quais os usuários contribuíram com sua percepção e experiência, citando aspectos relacionados à vivência do lugar, anseios quanto ao ambiente de estudo. Nos workshops foram aplicados os seguintes métodos: Brainstorming, Poema dos Desejos e Seleção Visual.


INTRODUĂ‡ĂƒO

Figura 2 e 3. Sala de Coleta de Leite em estudo. Fonte: autoria nossa, 2014.

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1.2. JUSTIFICATIVA O leite materno é o alimento ideal para crianças nos seis primeiros meses de vida, uma vez que atende as suas necessidades nutricionais e fisiológicas, além de proporcionar benefícios ao sistema imunológico. Ele desempenha papel fundamental no combate à mortalidade infantil, especialmente em países em desenvolvimento, além de fortalecer os laços de relacionamento entre mãe e filho (PORTARIA GM/MS Nº322). Apesar de todas as vantagens oferecidas, a prática do aleitamento materno é dificultada por diversos motivos, tais como, as mudanças nas estruturas sociais, o impacto publicitário dos produtos industrializados e desinformação dos profissionais de saúde. Paralelamente, os Bancos de Leite passaram por uma fase de declínio, a qual tem se buscado reverter, com a retomada de medidas de valorização do aleitamento materno, conforme a Portaria GM/MS Nº322 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006). É imprescindível disponibilizar leite a todos as crianças, que por diferentes razões, são impossibilitadas de recebê-lo diretamente de suas próprias mães. Por esse motivo, é muito importante a valorização dos Bancos de Leite e a qualificação de

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seus ambientes (coleta, processamento, estocagem, distribuição e controle), garantindo os cuidados necessários para que sejam evitados fatores de risco à saúde dos lactentes e mães. O planejamento dessas salas deve assegurar que elas transmitam a imagem de acolhimento às mulheres que farão a coleta de leite materno, seja para seus filhos ou para doação, além de facilitar a dinâmica dos profissionais de saúde que atuam nesse ambiente. O presente estudo teve início com a solicitação de um projeto de reformulação do Banco de Leite no qual se realizou o estudo de caso. Verificou-se a necessidade de realizar uma reforma para a qualificação do lugar, tornando possível ao grupo de pesquisa contribuir com o projeto e ao mesmo tempo avaliar métodos de projeto participativos, tão incomuns na prática projetual brasileira. O interesse da chefia do Banco de Leite no projeto foi decisivo no desenvolvimento do trabalho, visto que eles demonstravam sempre grande disponibilidade para participação nos workshops e para esclarecimento de todas as dúvidas surgidas ao longo do processo.


INTRODUÇÃO 1.3. Objetivos objetivo geral O trabalho teve como objetivo principal investigar quais são os atributos ambientais desejáveis para oplanejamento de salas de coleta de leite, a partir da aplicação de métodos de projeto participativos. O estudo centra-se na compreensão da percepção e do comportamento dos usuários +para traçar recomendações projetuais para propostas futuras de salas de Coleta de Leite. Buscou-se traçar diretrizes projetuais para a qualificação desses ambientes, baseadas nas necessidades e expectativas dos usuários, com a finalidade de atender requisitos de ergonomia, conforto e bem estar e com a expectativa de solucionar as principais problemáticas encontradas na análise do ambiente.

objetivos específicos • Investigar o que são os projetos participativos, quais as vantagens e as desvantagens desta abordagem, e como normalmente são conduzidos, a partir de revisão crítica de literatura; • Compreender a humanização de ambientes de saúde e quais aspectos são desejáveis no planejamento de interiores de forma a assegurá-la; • Compreender o que representaria a humanização especificamente para ambientes relacionados ao nascimento e a maternidade; • Testar e avaliar métodos de planejamento de interiores com processo participativo a partir da experiência de projeto de uma sala de coleta de leite de um edifício hospitalar refletindo a visão dos diferentes grupos envolvido; • Buscar subsídios para o desenvolvimento de propostas projetuais que melhor se adequem às prioridades dos usuários, através da humanização do ambiente hospitalar.

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1.4. O PROCESSO PROJETUAL Desde o século XX o estudo de projeto vem se desenvolvendo e sofrendo mudanças. Hoje, esta área concilia abordagens que compartilham um objetivo comum: guiar, inspirar e informar sobre o processo de desenvolvimento de projeto (SANDERS, 2008). Atualmente tem-se conhecimento de diversas abordagens acerca do estudo sobre o processo projetual. Dentre elas, podemos destacar a perspectiva orientada pela pesquisa (research) em contraposto à perspectiva voltada ao desenho (design). Enquanto a primeira abrange as áreas como a psicologia ambiental, a antropologia e a sociologia, buncando justificar as ecolhas projetuias com base em estudos científicos, a perspectiva voltada ao desenho costuma focar em estudos formais e conceituais. Paralelamente, hoje também evidenciam-se duas correntes projetuais opostas: de um lado, econtra-se a mentalidade dos especialistas. Esses costumam associar as pessoas que irão usufruir do espaço como sendo “usu-

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ários” passivos, “consumidores”, ou “público alvo”. Do outro lado, encontra-se uma cultura caracterizada por uma mentalidade participativa. O estudiosos e projetistas com essa mentalidade veem os usuários como detentoress do verdadeiro conhecimento e experiência. Eles valorizam essas pessoas como co-criadoras no processo de projeto, ao invés colocá-las como meras expectadoras (SANDERS, 2008). Neste trabalho buscou-se unir diferentes abordagens que norteiam a prática de projeto atualmente, para melhor cumprir com os objetivos propostos e orientar o processo. Buscou-se aliar o conhecimento dos pesquisadores à experiência dos usuários, em um processo participativo elaborado de forma a contemplar todas as possíveis soluções para os problemas que fossem levantados. Dessa forma, espera-se que as diretrizes sugeridas ajudem na obtenção da qualidade ambiental no projeto das Salas de Coleta de Leite, onde os usuários atuem ativamente como co-criadores do projeto.


INTRODUÇÃO

USUÁRIOS Profissionais de saúde Acompanhantes Mães

Projeto Centrado na Participação e Qualidade Ambiental

Estudantes

PESQUISA Psicologia Ambiental Ergonomia

EXTENSÃO

PROJETO Arquitetos Contextualização

Projeto Participativo

Figura 4. Esquema mostrando a abordagem do processo projetual adotada. Fonte: autoria nossa, 2014.

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2. fundamentação teórica


cap 2.

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fundamentação teórica


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. HUMANIZAÇÃO DE AMBIENTES HOSPITALARES Durante grande parte do século XX, a arquitetura hospitalar e a própria compreensão do que é saúde centraram-se na busca por condições favoráveis ao tratamento de doenças, com o objetivo final de curá-las, bem como no planejamento de hospitais que reduzissem os riscos de infecção. Desde então, os avanços na medicina ocorreram de forma acelerada e a preocupação em criar hospitais que favorecessem o uso de uma tecnologia de ponta também tem sido determinante no seu planejamento (MOLENAAR, 2006; ULRICH, 2006). Tal ênfase na eficiência, tecnologia e assepsia, muitas vezes produziu hospitais cuja imagem era considerada excessivamente institucional, pouco acolhedora e inadequada às ne-

cessidades emocionais dos pacientes,funcionários e visitantes. Tais projetos com frequência caracterizavam por serem edifícios de grande porte, distantes da escala humana, com layouts utilitários, isolados do contexto urbano e social, tornando-se destituídos de qualidades que criam o sentimento de pertencimento e identificação. Apesar do estresse causado pelo simples fato de se estar doente e utilizando o ambiente hospitalar, pouca atenção era dada à criação de espaços de suporte para os usuários e que contemplassem suas necessidades psicológicas e sociais (COLE, 2006; MARCUS, 2006, MOLENAAR, 2006; ULRICH, 2006). A partir das décadas de 70 e 80, passou-se

Figura 5. Típica ambiência hospitalar com ênfase na assepcia. Fonte: Yuriy Klochan, ano não informado.

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a criticar esse modelo vigente de edificação hospitalar. Também nessa época, as seguradoras de saúde passam a controlar o setor e a pressionar as instituições a reduzir gastos, em busca de uma maior lucratividade. Além disso, a facilidade de acesso a informação criou um público cada vez mais informado e exigente, inclusive em relação à assistência médica e ao ambiente de saúde. Esses fatores levaram a uma competividade entre as instituições de saúde a qual impulsionou o movimento de Humanização, em busca de uma maior qualidade nos edifícios hospitalares (CAVALCANTI, 2009). O estilo funcional foi gradualmente substituído por edifícios projetados para o contexto regional, com interiores acolhedores e confortáveis, remeten-

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do a ambientes mais familiares (MARCUS, 2006). O movimento de Humanização Hospitalar iniciado na década de 70 tem como diretrizes: “[...] o resgate do papel historicamente ocupado pelo lar como um local propício para o nascimento, recuperação de enfermidades e morte, bem como para o exercício da Medicina; a busca pela humanização do hospital existente, principalmente explorando‐se uma imagem menos institucional; e a busca por novos modelos de saúde que reduzam o impacto fisiológico, social e econômico do tratamento sobre o paciente [...] (CAVALCANTI, 2009, p.52).

Figura 6. Quarto individual do hospital Mount Elizabeth Novena - Singapura. Figura 7. Stanford Medicine Outpatient Center - Redwood City, Califórnia, EUA.


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Com a humanização pretende-se qualificar o ambiente de saúde, de forma a desvinculá-lo de imagens negativas e assegurar atributos desejáveis que permitissem a apropriação dos seus usuários, centrando-se o projeto em seu bem-estar. Ambientes humanizados levam em consideração as necessidades, expectativas e diferenças culturais das pessoas e às oferecem conforto físico e psicológico, através de atributos ambientais (VASCONCELOS, 2004; CAVALCANTI, 2009; MALARD, 1993 apud ROCHA, 2010). Diversas pesquisas sobre o tema da humanização apontam que melhorias no projeto de ambientes hospitalares podem desempenhar um papel importante na redução do estresse e podem contribuir efetivamente para a recuperação da saúde. Hoje existe um reconhecimento universal que uma arquitetura de alta qualidade, incorporando arte e paisagismo, pode influir positivamente no processo de tratamento (COLE, 2006). Essas pesquisas mostram que o bem-estar físico e psicológico estão intimamente relacionados às condições ambientais, além de experiências afetivas, sociais, culturais e laborais. Assim como o ambiente hospitalar pode influenciar positivamente no bem-estar dos seus usuários, ou também pode contribuir com o aumento do estresse de várias maneiras. Evidências comprovam que ruídos excessivos provenientes de máquinas, alarmes e vozes incomodam os pacientes e distraem os funcionários. Um estudo realizado por Blomkvist et al. (2005) descobriu que a diminuição dos ruídos

numa unidade de tratamento coronário intensivo reduziu a demanda de atenção de enfermeiros e melhorou a inteligibilidade de diálogos e a qualidade do atendimento aos pacientes. Configurações ambientais e layouts que forçam enfermeiros e médicos a se deslocarem muito para assistir pacientes ou buscar suprimentos contribuem com a fadiga e desgaste desses funcionários (ULRICH, 2006). Ambientes pobremente projetados, como aqueles onde não há senso de orientação, ou onde pacientes acamados apenas disõem de visuais pouco interessantes para o próprio ambiente ou para o exterior podem causar ansiedade entre outros sentimentos negativos. A falta de privacidade e as más condições que impedem a presença de familiares e visitantes também são fatores que causam estresse ambiental. Dentre os efeitos negativos do estresse causado pelo ambiente estão: a ansiedade, a frustação e a depressão (psicológicos); mudança no sistema corporal, como o aumento da pressão cardíaca, o aumento da tensão muscular e da liberação dos hormônios de estresse (fisiológicos); explosão verbal, o isolamento social, a passividade, insônia e a não colaboração com o regime médico (comportamentais) (VASCONCELOS, 2004; ULRICH, 2006). Ulrich e Zimring (200) fizeram uma revisão de literatura que evidenciou 600 estudos significativos e aprofundados sobre a relação do ambiente e sua influência no tratamento da saúde. Com base nisso, Ulrich identificou pesquisas confiáveis o suficiente

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para elaborar sua teoria de Projeto de Suporte (Supportive Design). Essa teoria sugere que o estresse ambiental, decorrente de características do espaço, acentua as condições clínicas negativas e que a redução desse estresse pode ser alcançada através do entendimento do projetista sobre a importância de certos fatores, como suporte social, senso de controle e distrações positivas (HAMILTON, 2006). Suporte social refere-se ao apoio emocional recebido através do contato frequente e prolongado com familiares e amigos. Descobriu-se, por exemplo, que pacientes pós-operatórios de cirurgias cardíacas que têm um forte suporte social durante sua internação sobrevivem por mais tempo que aqueles que não o tiveram (ULRICH, 1991). Essa descoberta implica na importância da capacidade de um edifício hospitalar em acolher visitantes, com acomodações para as famílias em quartos de internação e outros ambientes, sejam eles próximos ao paciente ou em espaços de apoio dentro da instituição. O segundo item da teoria de Projeto de Suporte é o senso de controle que o paciente tem sobre o ambiente, ou a falta dele, que afeta seu nível de estresse. Conseguir controlar pequenos aspectos do ambiente como iluminação, temperatura, ruídos, ter acesso ao telefone, televisão, entretenimento e privacidade é uma forma de fazer o paciente se sentir melhor em sua condição. O controle sobre o ambiente permite ao paciente e acompanhantes realizar pequenos gestos que o adequem as suas necessidades, favorecendo uma

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Inforáfico 1. Teoria de Suporte (Supportive Design) de Roger S. Ulrich. Fonte: autoria nossa, 2015.

experiência mais confortável. Por fim, evidências mostram que distrações positivas, incluindo música, arte e natureza, podem aliviar o estresse do paciente, distraindo-o em relação ao tratamento e a percepção de dor. Recomenda-se fornecer níveis baixos a moderados de distrações positivas, sem chegar ao nível da superestimulação (ULRICH, 1991; HAMILTON, 2006; VASNCONCELOS, 2004). Suporte social

Ex: estar com acompanhantes

Teoria do Projeto de Suporte Elementos que contribuem para evitar o estresse ambiental

Senso de controle

Ex: controlar iluminação, temperatura, ruídos

Distrações Positivas

Ex: natureza, músicas, texturas, aromas

Dentre as possíveis distrações positivas destaca-se o papel terapêutico e restaurador para a saúde da contemplação e contato com a natureza. Importantes pesquisas começaram a ser realizadas nas décadas de 80 e 90 apoiando a ideia que o acesso a paisagens naturais ou jardins pode aprimorar a capacidade das pessoas de lidar com estresse e melhorar sua condição de saúde (MARCUS, 2006). Ulrich (1991) observou que a exposição visual a paisagens naturais durante períodos de cerca de 5 minutos melhora substancialmente o bem-estar emocional e


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA diminui o estresse psicológico. Um estudo realizado por ele com doadores de sangue mostra consideráveis diferenças na pressão cardíaca entre os doadores que foram expostos a programação normal da televisão e aqueles que foram submetidos a um vídeo de diferentes paisagens naturais e urbanas. Os dados analisados foram obtidos através de exames fisiológicos e concluiu-se que o segundo grupo de doadores apresentou pressões cardíacas mais baixas do que o primeiro. Outro estudo de Ulrich (1984) mostrou que pacientes se recuperando de uma cirurgia abdominal que tinham um quarto com vista para natureza quixaram-se menos de dor, precisaram de menos analgésicos, apresentaram menores índices de complicações cirúrgicas e tiveram estadas mais curtas no

hospital do que aqueles que ficaram em quartos com janelas viradas para prédios. Marcus (2006) sugere que os benefícios terapêuticos de jardins incluem: reduzir o estresse de pacientes, ajudando-os a aprimorar o seu sistema imunológico; ajudar pacientes a despertar seus próprios recursos curativos internos; constituir espaços onde funcionários podem conduzir terapias diversas; constituir-se em um local de refúgio e descanso para funcionários; dar suporte ao relaxamento e a socialização entre pacientes e visitantes; e possibilitar ainda a prática de exercícios e esportes. A integração entre interior e exterior, seja através do contato físico ou apenas visual, é considerada um dos aspectos mais importantes na huma-

Figura 8. Jardim interno do Hospital Infantil de Zurique - Zurique, Suíça.

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nização de ambientes hospitalares. A visão do ambiente externo é essencial para aliviar a sensação de enclausuramento causada por longas internações. A natureza, através de suas mudanças constantes, tem a capacidade de despertar o interesse e proporcionar estímulos sensoriais benéficos (VASCONCELOS, 2004). Segundo a Psiconeuroimunologia estímulos sensoriais presentes no ambiente podem influenciar o início e o progresso de doenças, podendo impactar tanto positivamente quanto negativamente na saúde. Seus estudos demonstram que a variação na quantidade de estímulos sensoriais, como a variação da luz natural ao longo do dia, é necessária, pois a condição de monotonia permanente induz a distúrbios patológicos (GAPPELL, 1995). Segundo Gappell

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(1995), o bem-estar físico e emocional é influenciado por seis fatores sendo eles: luz, cor, som, aroma, textura e forma. Esses elementos destacados pela Psiconeuroimunologia estão presentes em qualquer paisagem natural. A iluminação é um estímulo essencial para a qualidade do ambiente. Tanto a luz natural quanto a luz artificial podem oferecer às pessoas benefícios fisiológicos e psicológicos. Biologicamente, a luz solar é importante para a absorção do cálcio e do fósforo, para o crescimento e o fortalecimento dos ossos, para a melhora da capacidade física e para o controle de profilaxia viral e de infecções. Perceber a variação da luz ou a variação climática durante um dia regula o funcionamento do corpo humano, no chamado ritmo

Figura 9. Phoenix Children’s Hospital - Phoenix, Arizona, EUA. Figura 10. Quarto individual do St. Vincent Fishers Hospital - Indianapolis, Indiana, EUA.


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA circadiano, além de ajudar a distrair o indivíduo (GAPPELL, 1991; VACONCELOS, 2004; DA ROCHA, 2010). A cor é uma forma fácil e barata de alterar a atmosfera de um ambiente, capaz de gerar efeitos no comportamento e organismo das pessoas (DIJKSTRA et al., 2008). As cores quentes como o vermelho, o laranja e alguns tons de amarelo e roxo dão uma sensação de proximidade e calor, estimulam o sistema nervoso simpático e a atividade cerebral. As cores frias, que envolvem grande parte dos tons de roxo, o verde e o azul, em contrapartida, parecem distantes e leves e estimulam o sistema nervoso parassimpático, causando um efeito tranquilizante (GAPPELL, 1995). Diferentes texturas dos materiais também constituem estimulação sensorial, assim como a variação das formas no ambiente. Gappell (1995) afirma que o barulho ou sons indesejados causam sentimentos como irritação, frustração, raiva, reduzem a resistência à dor, afetam a percepção visual e diminuem a capacidade de aprendizado. Já o som positivo ou desejado evoca uma resposta emocional favorável, altera o humor positivamente e aguça os outros sentidos. Por exemplo, sons naturais, como água, apresentam efeito calmante e relaxante. As músicas podem ter efeito similar, estimulando o desempenho da endorfina e diminuindo os batimentos cardíacos (GAPPELL, 1995; VASCONCELOS, 2004). O aroma tem uma relação muito íntima com o bem-estar emocional, associando-se e resgatando

memórias. Cheiros desagradáveis aceleram a respiração e o batimento cardíaco, estimulando a ansiedade, o medo e o estresse dos pacientes. Aromas agradáveis podem reduzir a pressão sanguínea e diminuir a percepção de dor. (GAPPELL, 1995; VASCONCELOS, 2004). Confirma-se deste modo a relevância do impacto causado pelo ambiente físico no comportamento, na percepção e na sensação de bem-estar dos usuários, razão pela qual o planejamento de estabelecimentos de saúde deve centrar-se na compreensão e atenção as suas necessidades e anseios. Projetar ambientes que promovam a cura, é mais do que projetar ambientes que atendam estritamente a critérios funcionais ou estéticos. É preciso ter um entendimento de que modo os elementos do espaço afetam os usuários, informações estas que vem sendo amplamente confirmadas e disponibilizadas pelos estudos científicos. O ambiente hospitalar em si não determina a qualidade do serviço de saúde, mas pode ser um estímulo para a atuação dos funcionários e um facilitador para que pacientes despertem seus próprios recursos curativos internos, ajudando no seu tratamento e recuperação. Pode-se portanto concluir que o arquiteto e a equipe de saúde tem uma grande responsabilidade no planejamento do ambiente hospitalar e na busca de proporcionar uma vivência mais positiva para seus usuários.

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2.2. HUMANIZAÇÃO DE AMBIENTES de nascer Durante a Antiguidade e a Idade Média, a rotina do parto se concentrou no deslocamento da parteira até a casa da parturiente, onde o evento ocorria de forma natural, raramente recorrendo à assistência médica ou ao ambiente hospitalar: “Os médicos (ou cirurgiões-barbeiros) eram admitidos para ajudar apenas nos partos difíceis, [...] a fim de salvar as vidas das mães ou, quando isso não era mais possível, fazendo cesáreas para salvar os fetos. (REDE FEMINISTA DE SAÚDE, 2004, p.8).’’

Segundo Bittencourt (2008), a preocupação com as altas taxas de mortalidade materna fez com que os médicos fossem progressivamente se inserindo no ambiente de nascer e neste processo, buscando garantir mais segurança às mães e bebês. Dessa forma, o parto começou a ocorrer dentro do ambiente hospitalar ou até mesmo em edificações exclusivas para este fim. Com isso, modificou-se o paradigma do nascimento, até então entendido como um evento natural e pertencente ao universo feminino. O nascimento passa então a ter um tratamento que se aproxima daquele dado a uma patologia, requerendo cuidados essencialmente médicos dentro do ambiente hospitalar (SILVEIRA, 2006; REDE FEMINISTA DE SAÚDE, 2004). Assim, ao dar entrada em uma maternidade, as gestantes adquirem o status semelhante ao de pacientes. Dar à luz em quartos hospitalares muitas

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vezes caracterizou-se como uma experiência traumática, uma vez que o ambiente hospitalar nem sempre permite que o parto seja percebido como uma experiência familiar e acolhedora (MALKIN, 1992). Nos últimos 30 anos, porém, tem-se presenciado em muitos países uma preocupação com a melhoria da assistência prestada ao parto e do ambiente de nascer. Estas mudanças filosóficas e práticas na abordagem do nascimento são reflexos do Movimento de Humanização do Parto, que tem como base consensual as propostas da Organização Mundial de Saúde difundidas a partir de 1985 (BITTENCOURT, 2008; SILVEIRA, 2006). Diversos fatores favoreceram o surgimento de uma nova abordagem em relação às maternidades e a experiência do nascimento, sendo eles: o movimento feminista, consumidoras de serviços de saúde cada vez mais bem-informadas, um foco maior em saúde e bem-estar, além da competitividade entre hospitais particulares (MALKIN, 1992). Com a humanização do nascimento, vem ocorrendo significativas mudanças nos procedimentos do parto e na atitude em relação à família e ao bebê, bem como em relação ao espaço físico (BITENCOURT, 2008). Atualmente, o termo humanização do parto “expressa uma mudança na compreensão do parto como experiência humana e, para quem o


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA assiste, uma mudança no ‘que fazer’ diante do sofrimento de outro humano” (DINIZ, 2005 apud SILVEIRA, 2006). Já um ambiente humanizado deve levar em conta a percepção do usuário no processo projetual. Para Bitterncourt (2008), “[...] a concepção do desenho é, portanto, iniciada quando além de considerar as necessidades físico-funcionais da edificação e a atenção aos cuidados de saúde, incorpora a necessidade ambiental de seus clientes”. No caso de maternidades, os ambientes devem estar adaptados às necessidades e sensibilidades das mulheres gestantes. Recomenda-se trabalhar através de um processo criativo de planejamento, elementos que desvinculem o espaço da rigidez e do tecnicismo dos

equipamentos médicos, de forma a tornar o ambiente menos opressor. Um exemplo prático desse movimento são os Centros de Nascer Independentes (Freestanding Birthing Centers) surgidos nos anos 80. Centros de Nascer Independentes são “[...] qualquer estabelecimento de saúde, lugar ou instituição que não é um hospital e onde os nascimentos são planejados para ocorrerem longe da residência da mãe” (THE AMERICAN INSTITUTE OF ARCHITECTS, 2006). Apesar de eventualmente instituições hospitalares adotarem erroneamente a nomenclatura Centros de Nascer para suas alas obstétricas, tecnicamente esses são instalações não-hospitalares organizadas para pro-

Figura 11, 12 e 13. Imagens representando o parto como experiência relacionada ao bem-estar e não uma patologia. Fonte (da esq. para a dir.): Stephanie Sunderland, 2013; Jessica Cudzilo, 2009; David Crowford, 2010.

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ver um cuidado centrado na família às gestantes que oferecem baixo risco de complicações obstétricas. Segundo Ernst (1989, apud MALKIN, 1992), diretora da National Association of Childbearing Centers, os benefícios oferecidos por esses Centros de Nascer incluem: menos cesarianas, diminuição do tempo de trabalho de parto, diminuição do uso de medicamentos, aumento do apoio à família e bebês mais alertas. Um estudo publicado por um grande Centro de Nascer norte-americano notou que 37% das mães de “primeira-viagem” - que geralmente ficam em trabalho de parto de 12 a 16 horas em hospitais convencionais - tiveram o tempo o tempo de parto reduzido à 7,5 horas nesse local. A redução no tempo de trabalho de parto foi justificada em função da ambiência mais acolhedora e tranqüila do local, e do total comprometimento da equipe médica em atender as necessidades das mães (ROOKS et all, 1989 apud MALKIN, 1992). Mesmo em maternidades convencionais, hoje vê-se a preocupação em tornar o ambiente mais amigável e acolhedor. Em alguns casos, as Unidades de internação pós-parto são projetadas contendo várias comodidades que melhoram a recuperação da paciente e a experiência no hospital, incluindo: áreas de relaxamento para pacientes e familiares, áreas de

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leitura e salas com computadores. Tem-se buscado cada vez mais romper com a imagem fria e pouco acolhedora dos hospitais antigos, por meio de uma ambiência que contribua para a recuperação do paciente, além de proporcionar relaxamento e tranquilidade (BITTENCOURT, 2008; KOBUS, 2008). As recentes mudanças nas práticas de atendimento às gestantes, levando em conta seus direitos e bem-estar, devem ser vistas como um avanço. Uma vez comprovada a eficácia da humanização, e o quanto o ambiente pode interferir no processo terapêutico, verifica-se a importância do projeto desses estabelecimentos. O edifício ligado ao nascimento deve contemplar características arquitetônicas que possam atender às necessidades específicas e próprias da gestante, bebês, acompanhantes e funcionários. Dentre as diversas experiências vivenciadas nos espaços destinados ao nascer, o encontro da família com o bebê recém-nascido é, talvez, uma das mais importantes. Nesses lugares começam a se formar vínculos afetivos que vão durar por todas as suas vidas, além de poderem afetar sua personalidade e futuras relações interpessoais. A forma que encaramos o evento do nascimento e as atividades a ele relacionadas pode ser vista, portanto, como um reflexo cultural da sociedade.


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.3. A PARTICIPAÇÃO DOS USUÁRIOS NO PROCESSO PROJETO A busca por uma maior eficácia em relação aos ambientes coletivos tem instigado arquitetos a buscarem novas metodologias de projeto. Nas últimas décadas, houve um movimento considerável no sentido de permitir ou incentivar a participação direta dos usuários no planejamento de novas edificações ou ambientes. Este processo inclui-se entre os importantes movimentos sociais da década de 70. Projeto Participativo é uma abordagem metodológica projetual onde o usuário é envolvido diretamente nas diferentes etapas do desenvolvimento da proposta e na tomada de decisões. Baseia-se no princípio de que “(...) pessoas afetadas pelo ambiente devem participar do processo de decisões do mesmo.” (SANOFF, 1985, tradução nossa). Deste modo, o desenvolvimento do projeto se centrará não apenas na visão do arquiteto sobre o tema, mas sim, buscará

ao máximo evidenciar e incluir o olhar dos usuários. Reforça-se a dimensão e responsabilidade social do arquiteto, e obtém-se dados que auxiliam no processo de criação e na tomada de decisões (LUCK, 2003; WULZ, 1987). Os usuários contribuem com sua percepção e experiência, levantando aspectos relacionados à vivência do lugar, problemas, recomendações e anseios. O papel do arquiteto neste processo inclui conduzir e ser um mediador desta participação, procurando extrair imparcialmente a melhor solução a partir de confrontos e análises feitas em conjunto com todos os participantes. O arquiteto contribui ainda com seu conhecimento técnico a respeito de cada alternativa projetual. Por fim, segue cabendo ao arquiteto o desenvolvimento de uma proposta que espacialize os anseios, expectativas e necessidades manifestados pelos usuários ao longo do processo.

Figura 14: Esquema representando a relação entre projetista e usuário dentro do processo de projeto participativo. Fonte: Francesca Morritt, 2015.

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Apesar da busca pelo entendimento das necessidades dos usuários não ser novidade, o diferencial desta abordagem está na utilização de métodos que maximizem a sua participação ao longo de toda a prática projetual e que favoreçam uma maior compreensão de seus anseios (SANOFF, 1988, 1985, 1983). Experiências em projetos participativos mostram que os melhores resultados não estão apenas na qualidade do produto final, mas no processo no qual o usuário desenvolve maior consciência sobre o ambiente, suas necessidades, bem como sobre as necessidades dos demais usuários. É um momento de tomada de consciência coletiva sobre o uso do local e como ele deveria ser para adequar-se não apenas as expectativas individuais, mas de todo o grupo de usuários. Outra vantagem desta abordagem é o “empoderamento” dos usuários que se sentem valorizados e tendem a estar mais satisfeitos com o resultado final, independente de quanto suas percepções individuais foram atendidas. Estudos mostram que o simples fato de terem participado do processo tem contribuído para uma maior satisfação em relação a proposta (SANOFF, 1985). O princípio democrático implícito em um projeto participativo torna necessário que se assegure a participação dos diferentes usuários em condições igualitárias durante as discussões de projeto, cabendo ao arquiteto o papel de facilitar essa participação e evitar que alguns poucos participantes passem a ser dominantes em relação aos demais. A

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diversidade de pontos de vista influencia de maneira positiva o resultado final (LUCK,2003). Ainda segundo Sanoff (1988), deve-se buscar chegar num consenso, evitando ao máximo que sejam feitas votações para a tomada de decisoes. “Votação normalmente inibe o fluxo livre de ideias e com frequência resulta na alienação dos membros da comunidade.” (SANOFF, 1986, p. 11, tradução nossa). Decisões tomadas em consenso encorajam as pessoas a expressarem suas posições e a convencerem umas às outras através de argumentação, permitindo que todos se expressem e sejam ouvidos. Segundo Wrona (1981 apud SANOFF, 1990), o fato de ser um processo participativo não implica em limitações à liberdade criativa dos arquitetos. Os métodos utilizados favorecem, sobretudo, a possibilidade de conhecer mais aprofundadamente as necessidades e anseios dos futuros usuários, porém estes dados obtidos podem desdobrar-se em inúmeras alternativas projetuais. Relatos de experiências têm mostrado que o processo participativo não implica em um “engessamento” da proposta, mas apenas em uma maior compreensão do olhar dos usuários sobre o tema. Entretanto, Sanoff (1985) observa que, se não aplicados de maneira eficiente, o processo participativo pode conduzir a conclusões seguras e óbvias. Este é o caso quando são levantadas apenas informações de conhecimento tácito, ou ainda, quando os dados obtidos se concretizam em propostas arquite-


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA tônicas de baixa qualidade ou muito convencionais. Para evitar esses problemas, recomenda-se ao iniciar o processo, a elaboração de uma análise preliminar do espaço e a definição de objetivos para a participação, a fim de concretizá-los de forma clara e comunicativa. Lawrence (1987) destaca ainda que para melhores resultados, os leigos não devem apenas ser solicitados a escolher entre um número pré-determinado de opções, como plantas baixas e layouts; eles devem ser encorajados a formular recomendações ou esboços de soluções para debaterem com os demais. Outro desafio observado por Lawrence (1987) é a dificuldade dos usuários em compreender desenhos técnicos e a linguagem dos projetistas, bem como de se esclarecer devidamente aos leigos as vantagens ou desvantagens de uma alternativa em relação à outra. Maquetes facilitam a compreensão destas alternativas e facilitam sua manipulação, contribuindo para o diálogo entre arquiteto e usuários. Burns (1979 apud SANOFF, 1988, p.7) classifica o processo participativo em 4 etapas: • Consciência: envolve a descoberta ou redescoberta das realidades do ambiente ou situação, de forma que todos envolvidos no processo falem a mesma linguagem baseados na sua experiência na área onde as mudanças serão propostas. • Percepção: implica ir da consciência da situação para o entendimento dela, e a suas ramifi-

cações físicas, sociais, culturais e econômicas. • Tomada de decisão: é a formulação, através da consciência e do entendimento, de um programa de necessidades para a situação em consideração. Participantes propõe soluções baseados nas suas prioridades para sintetizar plantas alternativas e finais. • Implementação: muitos projetos participativos param na tomada de decisões, muitas vezes com resultados fatais para o projeto. A implementação é a etapa onde se busca resolver questões logísticas para a concretização do projeto, buscando atender todos os quesitos discutidos no processo. O processo de projeto participativo na arquitetura tem se apresentado como uma forma de melhor abarcar a dimensão social e de interesse coletivo, explorando de modo aprofundado a potencialidade dos ambientes projetados. Além de favorecer o atendimento as necessidades dos usuários, a participação proporciona uma maior consciência e responsabilidade dos participantes sobre o ambiente resultante. Apesar dos benefícios trazidos por este tipo de abordagem metodológica, os processos projetuais participativos são raros no âmbito nacional, ainda que sejam muito comuns em diversos outros países. Tem-se, portanto, potencial para contribuir para novas dinâmicas de projeto e para uma maior compreensão dos desejos dos usuários em relação ao ambiente.

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3. METODOLOGIA


cap 3.

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METODOLOGIA


metodologia A pesquisa teve natureza exploratória e qualitativa, com abordagem multi-métodos, sendo que a escolha destes centrou-se na busca por compreender a percepção e o comportamento dos usuários no ambiente. Os resultados aqui apresentados baseiam-se em um estudo de caso, no qual foram aplicados alguns métosdos para a compeensão do trinômio atividades - usuários - ambiente, além de dois workshops com métodos de projeto participativos, de forma a avaliar os métodos e o processo. A pesquisa compreendeu as seguintes etapas e métodos: Revisão de literatura, AEIOU, Análise SWOT, Brainstorming, Poema dos Desejos e Seleção Visual

Revisão de literatura visita exploratória AEIOU Análise SWOT workshopS participativoS Brainstorming | POEMA DOS DESEJOS | ESCOLHA DE LAYOUT | SELEÇÃO VISUAL

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3.2. visitaS exploratóriaS

3.1. revisão de literatura A revisão de literatura foi realizada buscando compreender três temas: o conceito de humanização para ambientes de saúde em geral, tendências para a humanização em ambientes especificamente relacionados ao Nascimento, e o processo projetual participativo. Aprofundaram-se as leituras especialmente no que se refere a este último tópico, buscando compreender o que é projeto participativo, como são conduzidos em outros países, quais as vantagens e desvantagens e que métodos costumam ser utilizados, entre outros aspectos. As leituras foram realizadas a partir de artigos científicos, livros, dissertações e teses, cujas referências podem ser encontradas na bibliografia deste caderno.

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Realizou-se uma visita exploratória a um um Banco de Leite de outro hospital da cidade de Florianópolis. Esta visita teve como objetivo ampliar as referências sobre estes ambientes, observando as atividades desenvolvidas no local, a sua configuração espacial e aspectos positivos e negativos do local. Para esta observação, realizou-se uma entrevista semi-estruturada com a enfermeira responsável pela unidade, e a observação direta do ambiente pelo período de uma tarde.


metodologia 3.3. OBSERVAÇÃO DIRETA E SISTEMÁTICA E AEIOU Previamente à realização dos workshops participativos, sentiu-se a necessidade de aplicar alguns métodos para uma melhor compreensão das características do objeto de estudo. Assim, buscando-se compreender quem são os usuários, quais as suas rotinas de atividades, foi realizada a observação direta e sistemática da Sala de Coleta de Leite do Hospital Universitário. Para tanto, as pesquisadoras permaneceram em diferentes horários e dias da semana observando a vivência dos usuários no local. Para registro e análise das informações constatadas, adotou-se a técnica denominada AEIOU. Esta técnica foi criada em 1991, em Dublin, por Rick Robinson, Ilya Prokopoff, John Cain, e Julie Pokorny (MARTIN; HANINGTON, 2012, P. 10). O nome AEIOU origina-se nos cinco aspectos a serem observados e registrados: Atividades (Activities), Espaço/ambiente (Environment), Interações (Interaction), Objetos (Objects) e Usuários (Users). Nesta técnica utilizam-se cinco fichas distintas para o registro e organização de todos os dados coletados, sendo que cada uma delas correspondente aos itens mencionados acima. As fichas prevêem aspectos específicos a serem observados em relação a cada um dos itens, com espaços para registro por meio de textos, fotos ou desenhos.

São objetivos da aplicação deste método: • Compreender que atividades ocorrem no ambiente, e quais as rotinas de uso; • Que atividades poderiam ocorrer lá, como distrações positivas, e que contribuiriam para uma experiência mais agradável por parte de funcionários, pacientes e acompanhantes; • Qual o perfil de usuários do ambiente (sexo, idade, características fisiológicas e psicológicas que devam ser consideradas no planejamento do local); • Qual a configuração atual do ambiente, incluindo mobiliário, equipamentos e objetos em geral, e de que modo ela atende ou não às atividades realizadas pelos usuários (identificar possíveis constrangimentos na vivência do local);

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Figura 15. Imagem das Fichas de AnĂĄlise do mĂŠtodo AEIOU produzidas e adaptadas pelas pesquisadoras. Fonte: autoria nossa, 2014.


metodologia 3.4. ANÁLISE SWOT numa entrevista semi-estruturada realizada com as enfermeiras responsáveis pelo local (disponível nos Apêndices). Buscou-se com o método ter uma compreensão inicial do ambiente antes mesmo do início da aplicação da metodologia de projeto participativo, permitindo o planejamentodas etapas subseqüentes do processo.

INTERNOS

FAVORÁVEL

EXTERNOS

A Análise SWOT é um método de organização de dados que permite a compação de informações levantadas, permitindo traçar algumas diretrizes de projeto. Consiste em uma listagem das forças (Strenghts), fraquezas (Weaknesses), oportunidades (Opportunities) e ameaças (Threats) de um determinado tema de estudo, dividido em fatores internos e externos, organizados em uma tabela. As iniciais dos quatro aspectos analisados, em ingês, definem o nome do método (SWOT). Entendem-se como fatores internos os pontos fortes e fracos, relacionados diretamente ao espaço e ao projeto, como a morfologia da planta, o tamanho dos ambientes, a posição de pilares ou esquadrias, etc. Entende-se como fatores externos as oportunidades e ameaças relacionadas diretamente com o entorno do ambiente em questão, como a insolação sobre o edifício, ou ainda alguma edificação ou terreno próximos do local. Consideram-se como oportunidades, os elementos do entorno que valorizam o projeto. Pode ser uma ameaça, por exemplo, a especulação imobiliária, cuja pressão do mercado em relação ao local podem transformar-se em empecilho para o planejamento urbano (NUCCI, 2012). A análise SWOT realizada na Sala de Coleta em questão baseou-se nos dados obtidos através das observações por meio da técnica AEIOU, e também

DESFAVORÁVEL

S W O T

PONTOS FORTES

PONTOS FRACOS

OPORTUNIDADES

AMEAÇAS

Figura 16: Esquema da tabela da análise SWOT. Fonte: autoria nossa, 2014.

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3.5. workshops participativos Tendo em vista que com a pesquisa buscou-se traçar diretrizes projetuais para salas de coleta de leite a partir de métodos de processo participativos, foram planejados dois workshops para implementação desta abordagem metodológica, envolvendo representantes dos diferentes grupos usuários do ambiente. Buscou-se com os workshops: compreender necessidades, preferências e anseios dos usuários; estimular sua participação no lançamento de diretrizes, recomendações ou soluções projetuais; estimular sua participação nas tomadas de decisões, na escolha de diferentes alternativas e no ajuste fino da proposta final; e testar esta abordagem metodológica que é consideravelmente inovadora em âmbito nacional, avaliando benefícios e dificuldades. Os quatro métodos utilizados durante esses workshops foram: Brainstorming, Poema dos desejos, Seleção Visual e uma atividade desenvolvida pelos pesquisadores para escolha de layout.

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3.5.1. PRIMEIRO WORKSHOP 3.5.1.1. BRAINSTORMING A palavra Brainstorming é formada pelos termos em inglês, “brain” – cérebro e “storm” – tempestade; e nada mais é do que uma atividade que visa à exploração da capacidade criativa dos indivíduos ou de um grupo específico. Esta técnica tem como objetivo que um determinado grupo de pessoas participe de uma reunião explorando suas ideias e pensamentos até que se chegue a um desígnio comum com o objetivo de gerar sempre ideias inovadoras que possam colocar algum projeto adiante. Todas as ideias são aceitas, ou seja, nenhuma ideia é excluída de uma reunião muito menos julgada, todas elas são anotadas servindo de uma compilação para se observar todo o processo até a sua conclusão final.


metodologia 3.5.1.2. POEMA DOS DESEJOS O Poema dos Desejos (Wish Poems) foi aplicado no mesmo workshop onde se realizou o Brainstorming. Este método tem como objetivo fazer com que usuários do ambiente a ser projetado desenhem ou escrevam algumas características ou soluções mais específicas e pontuais que desejariam que fossem incorporadas à proposta. Neste método, se apresenta um formulário aos possíveis participantes contendo a seguinte frase “Eu gostaria que esse ambiente fosse ou tivesse...” e se disponibiliza um amplo espaço em branco para que todos pudessem se expressar por meio de textos ou desenhos. Assim, o método potencializa uma ampla variedade de respostas, sem induzir a nenhum atributo ambiental específico, permitindo entender que aspectos são mais significativos ou mais relevantes na percepção dos usuários e que deveriam ser considerados em projetos futuros. Através da análise das anotações, é possível interpretar quais são os problemas e sugestões mais recorrentes, e buscar soluções de projeto que correspondam ao que seria um ambiente desejável na percepção dos usuários.

Figura 17: Ficha de aplicação do método Poema dos Desejos. Fonte: autoria nossa, 2014.

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3.5.2. segundo WORKSHOP 3.5.2.1. eSCOLHA dinâmica DO LAYOUT Entre o primeiro e o segundo workshop foram desenvolvidos diversos estudos e alternativas projetuais para a Sala de Coleta de Leite estudada, com vase no conceitos e diretrizes levantados. No segundo workshop, as propostas de layout da Sala de Coleta de Leite foram apresentadas de forma dinâmica, numa atividade desenvolvida pelos prórpios pesquisadores, devido à falta de afinidade dos participantes com o desenho técnico. As três propostas foram impressas em plantas baixas e em vistas isométricas

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humanizadas. Cada intem de mobiliário foi impresso imdividualmente, permitindo alterações por parte dos participantes de forma interativa, como retirar do projeto algum móvel ou propor que este fosse reposicionado. Assim, apresentaram-se aos participantes as propostas e foram discutidos com todos os pontos positivos e negativos de cada uma. A partir da análise, os participantes puderam propor diversos ajustes no layout e optar pela configuração que mais lhe agradava, buncando um consenso nessa escolha.

Figura 18. Exemplo de um layout para a sala de coleta, representado em planta baixa e perspectiva isomêtrica com os mobiliários separados


metodologia 3.5.2.2. SELEÇÃO VISUAL O método de Seleção Visual ou Preferência Visual (Visual Cues / Preferences Survey/ Photo Questionnaires) é uma técnica para a obtenção de um feedback do público usuário de um determinado espaço ou ambiente em relação a diferentes possibilidades ou alternativas de projeto. Esta técnica foi desenvolvida pelo urbanista Anton Tony Nelessen na década de 1970, e cresceu em popularidade durante a década de 1990, obtendo sucesso tanto como ferramenta de pesquisa quanto como processo de participação dos usuários (UNITED STATES DEPARTMENT OF TRANSPORTATION, 2002). Uma forma simples e comprovadamente eficaz para a realização de uma pesquisa de preferência visual envolve a aplicação de um questionário com uma série de imagens, previa-

mente definidas, que os participantes devem marcar de acordo com sua preferência. Em geral, costuma-se apresentar diferentes alternativas para um determinado aspecto do projeto, por meio de desenhos ou fotos, e o participante escolhe a que é de sua preferência e justifica sua escolha. Tem como vantagem o confrontamento de uma série de possibilidades visuais e de arranjos e soluções físico-espaciais, permitindo aprofundar-se na compreensão das preferências dos usuários. Nesta pesquisa foi criado um formulário de quatro páginas onde foram apresentadas imagens de alternativas para a seleção visual referentes a: harmonia de cores a prevalecerem na sala, detalhes do mobiliário e preferência quanto a ambientação do local.

Figura 19. Fichas do método Seleção Visual, entregues aos participantes do workshop.

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4. Processo Participativo de projeto


processo participativo

processo participativo de projeto cap 4.

148


de projeto metodologia A aplicação do processo de projeto participativo na Sala de Coleta de Leite em estudo deu-se a através de 2 workshops com diferentes grupos de usuários do ambiente: Mães, enfermeiras, técnicas em enfermagem, bolsistas, e demais funcionários. O primeiro workshop foi realizado com o objetivo de definir o conceito geral da proposta, compreender as necessidades, expectativas e preferências; O segundo visou discutir opções ou alternativas de layout e ambientação. Este processo foi organizada em 3 fases distintas, sendo elas:

1.

planejamento dos workshops

2.

primeiro workshop

3.

segundo workshop

Encontra-se a seguir uma descrição mais detalhada de cada uma das fases do processo de projeto participativo redigido.

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processo participativo 4.1. planejamento dos workshops A tarefa principal da fase de planejamento consistiu em estudar as atividades e os métodos a serem aplicados nos workshops e que nos ajudariam na coleta das informações para orientar o processo projetual. Além disso, a fase de planejamento também incluiu outras atividades como: • Solicitar a autorização da instituição de saúde na qual o trabalho está sendo desenvolvido, bem como aprovar o projeto de pesquisa no Comitê de Ética da Plataforma Brasil; • Apresentar nossa proposta de trabalho ao arquiteto do Hospital Universitário e buscar uma atuação conjunta que favorecesse o desenvolvimento do trabalho e a posterior execução da proposta; • Fazer o contato com as profissionais de saúde do Banco de Leite do Hospital selecionado para checar qual a melhor data, horário e local para a realização dos workshops. Além disso, foi discutido com estas profissionais de que modo se poderia motivar a maior participação e representatividade possível dos grupos usuários (enfermeiras, médicos, pacientes, acompanhantes) nos workshops; • Realizar convites informais e confeccionar o convite formal para ser entregue pessoalmente a cada um dos participantes de modo impresso e também por email. No convite confeccionado procurou-se estimular e incentivar a vinda e participação de todos nos workshops; • Planejar a realização de coffee breaks como importantes elementos de socialização e descontração, visando estimular a participação dos usuários e deixá-los mais a vontade; • Preparar todo o material a ser utilizado nos workshops como formulários dos métodos, cartazes, resumo da programação das atividades para entregar aos participantes, cartões de agradecimento entregues ao final do evento, etc.

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de projeto metodologia

Fig. 20 e 21: Preparação do painel usado nos workshops

51


processo participativo

152

Fig. 22 e 23: Convites aos workshops. Fig. 24 e 25: CartĂľes de agradecimento entregues ao final de cada workshop.


de projeto metodologia 4.2. primeiro workshop O primeiro workshop foi realizado com o objetivo de definir o conceito geral da proposta a ser desenvolvida e compreender as necessidades, expectativas e preferências dos usuários em relação ao projeto. Também nesse workshop buscou-se conhecer problemas específicos e pontuais do ambiente na percepção de quem os vivencia cotidianamente, bem como sugestões de conceitos, estratégias ou soluções de projeto que possam ser incorporadas no conjunto da proposta de interiores. Primeiramente, fez-se uma apresentação da equipe, da pesquisa realizada e do projeto a ser desenvolvido, introduzindo os objetivos gerais e a contribuição que se buscava com o trabalho para a melhoria do ambiente. Para esta apresentação, elaborou-se um painel, contendo as informações e objetivos da pesquisa, e um diagrama simplificando a linha de trabalho. Em projetos participativos, a contribuição igualitária de todos os usuários é um ponto fundamental (OBERFER, 1990). Com o objetivo de incentivar a participação, foi elaborada uma breve dinâmica de grupo para criar uma atmosfera informal e descontraída, de forma que os participantes se sentissem confortáveis para exporem suas percepções e opiniões sobre o ambiente e o projeto. A dinâmica consistiu em cada participante contar um pequeno

Fig. 26: Painel utilizado para apresentar a proposta do 1º workshop. Fig. 27: Circulo de participantes durante a 1ª dinâmica.

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processo participativo segredo pessoal para o grupo ou, no caso de não se sentir à vontade, responder uma pergunta também de natureza pessoal, a qual foi elaborada previamente pela equipe e disposta em pequenos papéis impressos dentro de uma caixa. Por exemplo, uma das perguntas questionava se o indivíduo teve algum animal de estimação na infância. Após esse momento introdutório, foi aplicado o primeiro método o qual correspondeu a um Brainstorming buscando a definição de alguns conceitos iniciais que descrevessem o caráter que o ambiente e o projeto deveriam ter. Foram distribuídas tiras de papel colorido onde os participantes registravam suas ideias e depois de preenchidos elas foram afixadas a

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um grande painel de papel pardo pendurado em uma das paredes. Deste modo, todos foram estimulados a iniciarem sua participação no processo e todos tem tiveram a oportunidade de conhecer a percepção dos demais sobre o local, constituindo um momento de tomada de consciência sobre os desejos e pontos de vistas da coletividade (SANOFF, 1988). Após a fixação dos papéis com todos os conceitos propostos no painel, sentiu-se a necessidade de agrupar aqueles que eram similares ou afins, de forma a facilitar a leitura e compreensão do resultado do painel. Em seguida, dividiu-se o grupo de participantes em subgrupos de 4 pessoas, que deveriam discutir entre si e chegar a um consenso sobre os 3 concei-

Fig. 28 e 29: Participantes fixando os cartões com os conceitos sugeridos por cada um.


de projeto metodologia tos mais importantes para caracterizar o projeto do ambiente. Os subgrupos foram instruídos a buscar o consenso por meio de argumentação, evitando-se a votação, de forma a novamente estimular a participação de todos e permitir uma maior conscientização sobre o que seria desejável para o local (SANOFF, 1988). Como haviam 3 grupos, ao final foram listados 9 conceitos considerados os mais importantes para nortear o projeto. Depois dessa discussão, o conjunto de todos os participantes do workshop escolheram apenas 3 conceitos como sendo os principais que guiariam o projeto. Esse método foi aplicado com o objetivo de desenvolver uma experiência de aprendizado, e o sentimento de empoderamento mais forte do que quando os participantes apenas escolhem entre opções existentes, além permitir as pessoas “se soltarem”, de forma a incentivar a criatividade. Após o término do Brainstorming, realizou-se um coffee break, constituindo um momento de pausa e confraternização dos integrantes do workshop. Nesse momento, algumas funcionárias elogiaram

pessoalmente a iniciativa do projeto participativo, demonstrando a importância e comprometimento desse para com a comunidade. Após o coffee break foi realizada a última atividade do workshop: a aplicação do método do Poema dos Desejos. Nesse método, solicita-se aos participantes que desenhem ou escrevam algumas características ou soluções específicas de projeto que desejariam que fossem incorporadas ao projeto, completando a frase “eu gostaria que o ambiente físico da sala de coleta de leite, do corredor junto a ela e da sala administrativa (fossem ou tivessem)...”. Diferentemente do Brainstorming, no qual se buscou uma conceituação bem geral e abrangente para o local, com o Poema dos Desejos se buscou compreender detalhes e soluções mais específicas que seriam desejáveis para o ambiente, como por exemplo relativas ao mobiliário, layout, iluminação, materiais de acabamento, fluxos, etc.

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processo participativo 4.3. segundo workshop Após o primeiro workshop a equipe de pesquisadores concentrou-se no tratamento dos dados obtidos e no desenvolvimento e estudo de diferentes alternativas projetuais que pudessem representá-los. Assim, o segundo workshop focou em apresentar aos participantes as diferentes alternativas elaboradas, refletir sobre elas e verificar a necessidade de realizar ajustes, bem como aprofundar-se na compreensão das preferências em relação à ambientação, através do método de Seleção Visual. Primeiramente, a equipe fez a reapresentação do projeto, explicando os resultados obtidos no primeiro workshop através de gráficos e um grande painel exposto na parede. Após o momento introdutório, foram mostradas três principais alternativas de layout definidas para a Sala de Coleta de leite. As propostas de layout foram apresentadas através de um método de autoria própria da equipe de pesquisadores, de forma dinâmica: cada móvel foi impresso individualmente, plastificado e afixado com fita adesiva à planta baixa e a uma vista isométrica. Dessa forma, os participantes puderam mexer na configuração desses layouts manualmente, incluindo, retirando ou trocando de lugar móveis ou equipamentos da proposta. Esse método foi discutido e desenvolvido buscando permitir aos usuário uma maior compreensão de cada layout sugerido, facilitando o entendimento espacial e a função dos objetos dentro do ambiente.

156

Após a escolha e ajustes de uma das alternativais projetuais, através de consenso, foram entregues fichas para a realização da Seleção Visual. Nesta ficha se encontravam itens referentes à ambientação, nas quais os usuários poderiam escolher suas preferências entre paletas de cores, detalhes de móveis e elementos de ambientação. Foi também proposto acrescentar comentários ou sugestões em relação ao projeto e a opiniões pessoais. Com o término dos workshops participativos, a equipe desenvolveu o projeto executivo para a Sala de Coleta de Leite, com todos os aspectos levantados durante o processo. O projeto de interiores foi montado em forma de caderno que incluiu um memorial descritivo da proposta, planta baixa e corte geral, detalhamento de mobiliário de cada mobiliário (com cortes e perspectivas), projeto luminotécnico, projeto de forro de gesso e projeto de desenho de piso. Foram definidos e listados também todos os equipamentos e utensílios de compra necessários para a execução do projeto. O caderno com a proposta foi apresentado em uma reunião com a direção do Hospital a equipe da Sala de Coleta de Leite, e demais participantes dos workshops, onde entragou-se duas cópias físicas do caderno do projeto, anexas a dois CDs com o PDF da proposta. O projeto executivo completo encontra-se disponível nos anexos deste caderno.


de projeto metodologia

Fig. 30 e 31 : Explicação das três propostas de layout criados. Fig. 32 e 33: Participantes interagindo com as popostas de layout.

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5. Resultados


cap 5.

160

RESULTADOS


resultadoS A elaboração das recomendações projetuais para Salas de Coleta de Leite fundamentou-se nos resultados obtidos com cada um dos métodos descritos. O método do AEIOU e a Análise SWOT objetivaram ter uma compreensão inicial por parte das pesquisadoras sobre o ambiente de estudo. A utilização posterior de métodos envolvendo o público usuário, como o Brainstorming, o Poema dos Desejos e Seleção Visual possibilitou aprofundar-se em suas necessidades e anseios, e a Seleção Visual suas preferências estéticas.

5.1. AEIOU A técnica AEIOU permitiu a observação de diferentes aspectos do ambiente e foi aplicada em diferentes horários e dias da semana, selecionados de acordo com os períodos nos quais havia uma expectativa de maior movimento no ambiente. As informações coletadas foram analisadas qualitativamente buscando ter uma descrição completa de cada item:

A. activities/atividades

Quanto às Atividades, nos dias visitados, a sala teve pouco fluxo de pessoas, apesar de a enfermeira-chefe ter salientado que freqüentemente há mais pessoas no ambiente do que o que foi observado. Por esse motivo, nem todas as atividades citadas como recorrentes puderam ser registradas. Pode-se observar dentre as atividades: a ordenha do leite por parte das próprias mães, o auxílio deste processo pelas enfermeiras e alunas bolsistas, e a limpeza da sala pelas funcionárias. Outras atividades citadas, porém não observadas, foram: a transmissão de vídeos educativos do Ministério da Saúde para as novas mães, a amamentação de bebês, e o aconselhamento e orientação das novas mães pelas funcionárias. Foi comentado que estas são as atividades que se repetem rotineiramente no local.

E. Enviroment/espaço

A observação do Espaço evidenciou que o mesmo é pequeno frente as diversas atividades nele realizadas, o mobiliário necessário e a quantidade de usuários. A distribuição do mobiliário e o layout atuais dificultam a circulação de todos no ambiente e o auxílio das funcionárias de saúde às mães no momento da ordenha. A proximidade das cadeiras de ordenha, além da falta de uma barreira visual, criam um ambiente

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onde as mães não dispõem de muita privacidade. Além disso, o ambiente em geral passa uma imagem pouco acolhedora, devido a: utilização de cores sóbrias, a iluminação fluorescente central, a falta de elementos de

ambientação e as más-condições de manutenção de alguns objetos e acabamentos.

I. interactions/interações

As Interações se referem às trocas sociais realizadas entre as pessoas ou a relação dessas com os objetos e o espaço. Foi possível observar que as mães que utilizavam essa sala tinham interações mais fortes entre si do que com as próprias funcionárias ou visitantes. As mães são as pessoas que permanecem por mais tempo no ambiente, com experiências e interesses comuns, e por isso conversam umas com as outras, além de apresentar autonomia e independência na utilização do ambiente e realização de suas atividades. Dessa maneira, constatou-se que as mães são quem vivenciam esse espaço de forma mais intensa.

O. objects/objetos

Na sala estudada, pôde-se notar que muitos Objetos são antigos, deteriorados pelo tempo e pelo uso. Os móveis não se adéquam ao local, uma vez que não foram planejados para sala e foram distribuídos de forma quase aleatória, comprometendo a circulação. Os equipamentos eletrônicos presentes, antigos e desatualizados, ocupam o já escasso espaço em cimas das bancadas. O mobiliário também não foi pensado de forma a atender as necessidades funcionais, faltando espaço para armazenamento e execução das tarefas, além de ser pouco ergonômico. Durante as visitas, foi possível presenciar reclamações por parte dos usuários em relação ao conforto dos equipamentos e móveis.

U. users/usuários

De maneira geral, os Usuários dessa Sala de Coleta de Leite são mulheres jovens e adultas. Dentre elas incluem-se: mulheres que possuem filhos internados na UTI neonatal, mães externas ao hospital com dificuldades de amamentar, doadoras de leite, enfermeiras e técnicas de enfermagem, estudantes e bolsistas da área da saúde, e outras funcionárias. Nos dias visitados, não foi possível presenciar esse evento, mas é comum a presença de visitantes, como familiares das mães ou os pais dos bebês internados, que oferecem suporte social às mães durante a retirada de leite.

162


resultadoS 5.2. Análise swot A tabela 1 mostra a síntese da análise SWOT feita a partir das observações da sala estudada e de uma entrevista pré-estruturada com algumas funcionárias:

FATORES INTERNOS PONTOS FORTES (strengths)

PONTOS FRACOS (weakness)

• A função da sala não se restringe apenas à coleta de leite, realizam-se também atividades educacionais associadas ao aleitamento materno, como orientação às mães; • Dispor de uma sala própria para ordenha e amamentação; • Possui equipamentos como ar condicionado SPLIT, geladeira, televisão;

• Espaço físico insuficiente para realizar todas as atividades necessárias; • Ausência de sala de espera; • Ausência de elementos de distração positiva (DVD, revistas,...); • Mobília em mal estado de conservação, cadeiras pouco confortáveis e ergonômicas; • Acabamentos precários e que não atendem as normas vigentes; • Má distribuição da mobília compromete a circulação e a eficiência do espaço;

FATORES EXTERNOS AMEAÇAS (threats)

OPORTUNIDADES (opportunities)

• A insolação direta é muito forte, a sala fica quente durante o verão; • Falta segurança (coisas somem do local, não há controle do acesso); • Falta de privacidade visual em relação ao ambiente externo; • Possui ruídos constantes externos, como o barulho dos aparelhos de ar condicionado.

• A sala está localizada próxima à Neonatologia, ao Alojamento Conjunto e às futuras instalações da Unidade Método Canguru; • A sala apresenta boa disponibilidade de iluminação natural.

Tab. 1: Resultados obtidos através da Análise SWOT.

63


5.3. WORSHOPS PARTICIPATIVOS Neste trabalho pode-se refletir sobre o processo de projeto participativo em relação aos cuidados necessários ao seu planejamento, desafios e limitações de sua implementação, e benefícios resultantes. Uma preocupação inicial da equipe era o cuidado de se garantir a participação de representantes de todos os grupos usuários nos workshops. O primeiro workshop contou com 14 participantes, sendo destes: 7 enfermeiras, 4 estudantes/bolsitas, 3 usuários com outras atribuições. Já o segundo, contou com 16 participantes, incluindo 3 mães, 6 enfermeiras, 4 estudantes/bolsitas, 3 usuários com outras atribuições. Acredita-se que o fato da chefia da Unidade ter grande interesse no desenvolvimento do projeto e na concretização da obra de melhoria do local, atendendo às recomendações da Rede Cegonha, motivou a participação significativa dos funcionários. Além disso, esses funcionários utilizam continuamente a sala, outro fator estimulante para o seu interesse na elaboração de um projeto de requalificação do ambiente. O uso de métodos variados e dinâmicos e as discussões realizadas com os participantes dispostos em círculo promoveram uma maior interação entre todos, oportunizaram a participação e o aprofundamento das discussões e argumentações. Obteve-se

164

um grande envolvimento dos participantes durante os workshops, que se mostraram dedicados e entusiasmados durante todo o processo, o que conduziu a resultados bastantes satisfatórios. Por outro lado, uma limitação do trabalho foi a presença relativamente baixa de lactantes. Acredita-se que o principal motivo para esta baixa representatividade se deva ao fato de tratar-se de um público variável, que não permanece continuamente no local. Assim, sua presença nos workshops implicara em um esforço maior de deslocamento e de tempo que os funcionários ou bolsistas, os quais já se encontravam no ambiente ou no Hospital para o desempenho de suas atividades laborais. Apesar dessa limitação, o número de participantes nos workshops foi elevado em relação ao tamanho pequeno da sala. Os resultados obtidos durante todo o processo participativo convergiram com as expectativas criadas durante os estudos sobre os benefícios que tal abordagem poderia resultar. Os métodos aplicados foram bem sucedidos, gerando discussões críticas e resultados que iam além do convencional, favorecendo a compreensão aprofundada de anseios e expectativas dos usuários e facilitando o desenvolvimento da proposta, diminuindo a solicitação de ajustes ou de alterações do projeto final pedidas pelos usuários.


resultadoS 5.3.1 BRAINSTORMING O Brainstorming foi aplicado com o intuito de definir atributos ambientais gerais desejáveis para o projeto, definir o conceito ou partido da proposta a ser desenvolvida. Percebe-se que grande parte dos envolvidos sentia necessidades similares, evidenciadas pela repetição ou semelhança de diversos atributos ambientais citados. Dentre os aspectos mais mencionados individualmente por cada participante da atividade estão os adjetivos acolhedor e tranquilo. Outros conceitos mencionados com frequência foram: arejado, segurança, higienização, luminosidade, cuidado e praticipade/funcionalidade. Os conceitos listados individualmente por cada um dos participantes foram agrupados por similaridade. Segue uma tabela de todos os conceitos listados neste momento inicial do Brainstorming, e que foram fixados num painel visível para todos:

Conceito

Vezes que apereceu

Acolhedor, aconchegante, confortável, agradável Silencioso, calmo, tranquilo

6

Segurança Cuidado Higienização, limpo Arejado Claridade, luminosidade Praticidade, funcional Interação Receber Organizado Acessível Planejado Ouvir Sensibilidade Moderno Humanização Espaço Colaboração

5 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

Tab. 2: Conceitos que surgiram durante o 1º workshop participativo.

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Após a listagem inicial de atributos ambientais por cada participante, procedeu-se com a subdivisão dos participantes em pequenos grupos de 5 pessoas.Cada grupo deveria chegar a um consenso sobre três atributos ambientais da lista elaborada que fossem mais significativos na sua percepção e que depois deveriam ser expostos para a totalidade dos participantes do workshop. Após reunirem-se todos os participantes em um grupo único, foi solicitada a definição de 3 atributos mais importantes para o planejamento do local. Por fim, a totalidade do grupo chegou ao consenso de que uma futura Sala de Coleta de Leite deve ser: Privativa, Funcional e Acolhedora. Percebe-se uma grande coerência entre as expectativas e anseios dos usuários do espaço com as premissas trazidas pela humanização de ambientes hospitalares. A privacidade, por exemplo, é um fator fundamental para garantir a apropriação do usuário em relação ao ambiente. Apesar do atendimento de saúde envolver uma supervisão constante, comprometendo inevitavelmente parte da privacidade dos usuários, a organização espacial e a arquitetura podem minimizar este impacto. “Estudos demonstram que a saúde mental e física é afetada negativamente, de acordo com o número de pessoas em um ambiente. Diminuição da motivação e perda de perseverança para resolução dos problemas estão entre os efeitos medidos.(...) (EVANS, 2001 apud CLEMESHA, p. 89, 2003)”. É importante garantir que o paciente consiga conversar com os médicos, enfermeiros ou pessoas

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próximas sem serem ouvidos por terceiros. Prever boxes individuais que acomodassem as poltronas de ordenha foi um dos fatores mais citados pelas mães, enfermeiras e outros profissionais da saúde. Privacidade também foi mencionada no sentido de poder realizar as atividades sem interrupções. Por exemplo, é desejável algum controle de acesso e a transição de áreas mais públicas para mais privadas do ambiente, de forma que a abertura da porta não exponha visualmente as mães que realizam a ordenha aos transeuntes que circulam pelo hospital (ASPECT, 2008). Como as instalações físicas da sala de coleta de leite são pequenas, assegurar a funcionalidade do projeto arquitetônico e de interiores mostrou-se fundamental. O planejamento do layout do ambiente deve ser cuidadoso e coerente com todas as atividades realizadas. Para espaços muito reduzidos, a utilização de divisórias retráteis e armários compactos planejados para acomodar todos os insumos utilizados no local foram apontados como algumas soluções possíveis. O acolhimento, por sua vez, mostra-se fundamental pela natureza do ambiente e perfil dos usuários. Ordenhar o leite e amamentar são atividades delicadas, de grande importância para os bebês e para o funcionamento do Banco de Leite. Ambientes que tenham uma imagem acolhedora e aconchegante, que sejam convidativos, e estimulem uma permanência prolongada no local, são fundamentais para o sucesso desta Unidade Hospitalar. Pesquisas mostram que não apenas as con-


resultadoS dições de conforto e privacidade, mas o controle ambiental é fundamental para reduzir o stress e garantir uma maior apropriação do ambiente (CLEMESHA, 2008. HHS, 2008). Deve-se pensar em espaços em que permitam aos usuários regularem as condições de privacidade, podendo ficar sozinhos, ter conversas particulares ou conviver com outras pessoas. Este controle associa-se também a aspectos de iluminação, acústica, temperatura, etc. A priorização de ambientes individuais, principalmente na área de ordenha, com a utilização de divisórias retráteis possibilita a paciente um maior controle sobre sua privacidade. Verificou-se ainda divergências nas preferências dos usuários quanto a iluminação, temperatura, ruídos, etc. O ideal seria que pacientes e funcionários pudessem controlar estes elementos facilmente, por exem-

plo, através de interruptores individuais em cada box e pela facilidade em abrir e fechar janelas. Outra característica bastante citada durante a argumentação do Braimstorming, apesar de não aparecer entre os três adjetivos finais, foi do fato de que o ambiente deve ser um local tranquilo e silencioso. O conforto ambiental e acústico tem forte influência no bem-estar dos usuários. Nos hospitais, há um incessante ruído que provem dos equipamentos, alarmes, e movimentação de pessoas. A superposição de sons diferentes vindos de ambientes adjacentes é uma das causas mais frequentes de incômodo em pacientes, porém, costuma-se dar pouca atenção para o conforto acústicodurante o processo projetual (CLEMESHA, 2003; URILCH, 2002).

Fig. 34: Conceitos escolhidos por cada grupo através de consenso.

67


5.3.2 Poema dos desejos Com a técnica do Poema dos Desejos buscou-se compreender anseios, recomendações e soluções projetuais mais específicas e pontuais para o ambiente. Na aplicação feita com o grupo de participantes, solicitou-se que eles desenhassem e/ou descrevessem da forma mais detalhada possível tudo que desejavam que estivesse presente no planejamento desse ambiente. Como o método é muito espontâneo e permite uma grande variedade de respostas, foi realizada uma categorização dos resultados, por meio de análise de conteúdo, sintetizando todas as respostas que são afins. Em seguida, foi elaborada uma síntese das recomendações, a fim de descrever quais as características desejáveis, na percepção dos participantes para o projeto de uma sala de coleta de leite. Os resultados são expressos na tabela ao lado, que mostram a frequência em porcentagem que cada item foi citado, considerando-se como 100% a quantidade total dos participantes, e que cada um deles deu opinião sobre um ou mais ítens.

168

Tab. 3: Análise do métod Poema dos Desejos

O aspecto mencionado com maior frequência foi a importância de se prever cadeiras confortáveis para as lactantes que ordenham o leite. Tais cadeiras são fundamentais, visto que a ordenha é principal atividade da sala, e requer um tempo considerável na posição sentada. Outra característica que se destacou foi a utilização das divisórias retráteis para melhorar as condições de privacidade entre as poltronas de amamentação, dando a possibilidade de segregar ou integrar as mesmas com o restante do ambiente. A utilização de tons claros e acolhedores com uma iluminação difusa e individualizada, também foram indicados para proporcionar uma relação mais aconchegante entre os usuários e o ambiente. Juntamente a esses fatores, destacou-se a importância de prever elementos de distrações positivas, como uma televisão moderna, que permita não só o entretenimento, como também a divulgação de documentários educativos na área.


resultadoS ANALISE DO POEMA DOS DESEJOS Características Desejáveis

Frequência com que foi citada

Cadeiras confortáveis

49%

Divisórias retráteis

35%

Tons claros e acolhedores

35%

Televisão “moderna”

28%

Iluminação “moderna” e individualizada Berço confortável, ajustável

28%

Sinalização

14%

Papel de parede/adesivos

14%

Lixeiras práticas

7%

Película nas janelas

7%

DVD/rádio

7%

Bancada de trabalho

7%

21%

69


5.3.3. ESCOLHA DINÂMICA DO LAYOUT Notou-se a necessidade de desenvolver-se um método expositivo para a apresentação das propostas de layout desenvolvidas, de maneira interativa e dinâmica, para facilitar a compreensão dos participantes do workshop, e também lhes dar condições de alterarem o que achassem necessário. As vistas isométricas se mostraram importantes para que detalhes das propostas pudessem ser melhor explicados, uma vez que poucos participantes possuiam facilidade para analisar as plantas-baixas. Assim, eles puderam entender melhor a relação funcional e espacial entre o mibiliário e objetos e se sentiram seguros para sugerir alterações. As três propostas de layouts apresentadas no workshop foram as seguintes: Alternativa 1: A alternativa 1 divide a sala em dois ambientes, um específico para a área de trabalho, e o outro destinado a ordenha, garantindo maior privacidade e ambientação diferenciada para as mães. A sala de trabalho conta com poltronas de amamentação de pequeno porte adaptáveis para acompanhantes. Alternativa 2: A alternativa 2 assemelha-se a primeira opção, em que a sala é dividida em dois ambientes, um para ordenha e outro para trabalho. A sua diferença está na inversão de fluxos, deixando o acesso à area de ordenha

170

Fig. 35: Planta-baixa da proposta nº 1. Fig. 36: Planta-baixa da proposta nº 2. Fig. 37: Planta-baixa da proposta nº 3.

mais longe da porta principal de antrada da sala. Outro aspecto que se diferencia é a área de trabalho, que ao invés de poltronas de amamentação, serve como uma pequena sala de espera. Alternativa 3: A alternativa 3 trata a sala como um ambiente único, apenas com o zoneamento de atividades. A parte em frente das poltronas é uma bancada para uso das mães no processo de ordenha, e a proximo a entrada principal de higienização pessoal e uso de funcionárias.

Foram apresentadas as três alternativas desenvolvidas, com suas principais características, vantagens e desvantagens. Todos tiveram a possibilidade de interagir com as propostas, colocando, reposicionando ou retirando elementos da proposta escolhida. Por fim, solicitou-se a todos os participantes que argumentassem sobre cada uma das propostas, e chegassem a um consenso de qual lhes agradaria mais. Balanceando o número de mães que poderiam ser atendidas, questões funcionais e estéticas, a opção escolhida como a mais adequada foi a opção nº 1. Um dos principais pontos destacados para sua escolha foi a separação da sala em dois ambientes, um para ordenha e outro para atividades mais funcionais


resultadoS e armazenamento, priorizando a privacidade das mães. Outro quesito fundamental para sua escolha foi a quantidade de cadeiras apropriadas pra ordenha, já que essa opção possui duas cadeiras na área funcional que foram pensadas para atender visitantes, mas poderiam ser usadas na ordenha para eventuais ocasiões quando a demanda for muito grande. Dessa forma, os participantes pediram que essas cadeiras fossem também pensadas para a atividade de ordenha, além de terem sugerido um biombo restrátil para dar privacidade quando a porta for aberta.

1. 2. 3. Tab. 4: Preferência dos participantes em relação às paletas de cores.

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5.3.4. Seleção visual Com a seleção visual, buscou-se compreender preferências dos usuários em relação a aspectos específicos do ambiente, favorecendo o detalhamento do projeto executivo. Apresentam-se aqui os resultados obtidos quanto a preferência na Paleta de Cores, Acabamento do Mobiliário, Aspectos de Ambientação e, por último, observações e demais aspectos abordados.

1. Paleta de Cores As paletas de cores apresentadas foram definidas de acordo com o conceito de aconchego definido no primeiro workshop. As opções paresentadas foram:

Em relação à preferência dos usuários, a paleta nº 3 foi a mais votada, com 6 votos. A tabela a baixo mostra a relação dos demais votos:

Preferência de Paleta de Cores

Opção 1

Opção 2

Paleta

Votos

Opção 1

4

Opção 2

4

Opção 3

6

Opção 4

1

A paleta escolhida envolve tons claros de verde, rosa, amarelo e beje, composto junto a cor branca, como estabelecido em todas as paletas. Opção 3

172

Opção 4

Tab. 5: Preferência dos participantes em relação a mobiliário. Tab. 6: Preferência dos participantes em relação a elementos de ambientação.


resultadoS 2. Acabamento do mobiliário Apresentaram-se algumas opções para acabamento de móveis, buscando compreender preferências estéticas. As imagens abaixo mostram estas opções:

Quanto ao acabamento e estilo do mobiliário, a opção nº 4 foi escolhida totalizando 6 votos. A tabela abaixo mostra a relação dos demais votos.

Preferência de Mobiliário

Opção 1

Opção 3

Opção 5

Opção 2

Opção 4

Acabamento

Votos

Opção 1

5

Opção 2

3

Opção 3

0

Opção 4

6

Opção 5

1

Opção 6

2

Portanto, a linguagem do mobiliário escolhida foram desenhos horizontais a partir de composições assimetricas. Sua linguagem caracteríza-se também por ser limpa, sem detalhes ou puxadores visíveis, que se conformam apenas em rasgos no móvel.

Opção 6

73


3. Elementos de ambientação Com este item buscou-se compreender que aspectos decorativos e de ambientação eram preferidos pelos usuários do local. Foram apresentadas na ficha de Seleção Visual doze opções para ambientação e elementos decorativos, representados através de uma figura, na qual osnusuários escolheram os 5 que mais lhe agradavam. A tabela abaixo mostra os elementos que mais se destacaram, por ordem de importância.

O ítem mais citado foi a Iluminação embutida, escolhida por 13 de 15 participantes. Os segundos ítens mais citados foram a foto adesivada na parede, e as gravuras ou quadros, como mostram as imagens abaixo:

ILUMINAÇÃO EMBUTIDA

Preferência de Ambientação

174

Acabamento

Votos

Iluminação embutida

13

Foto adesivada na parede

8

Gravuras ou quadros

8

Papel de parede

6

Imagens da natureza

6

Adesivo de parede

6

Desenho de piso

5

Desenho de forro

4

Vaso com flores

3

Relevo na parede

2

Espelho

2

Vaso com plantas

1

FOTO ADESIVADA NA PAREDE

GRAVURAS OU QUADROS


resultadoS 4. observações Ainda na planilha de Seleção Visual, havia um espaço adicional para comentários. Abaixo estão listadas as principais anotações obtidas neste último ítem. • A porta deve permanecer fechada; • Colocar cartão magnético na porta para garantir segurança; • Alguns armários e gavetas devem ser chaveados; • Usar espaço entre os pilares para um armário; • Ambiente com privacidade e que traga tranquilidade; • Iluminação natural; • Iluminação artificial indireta; • Cadeiras confortáveis e ergonômicas para as mulheres se sentarem; • Ambiente alegre, clean, sem muitas cores pois pode receber pacientes debilitadas; • Móveis práticos e de fácil limpeza, sem muitos detalhes, e de material que não manche.

Os resultados do segundo workshop participativo são coerentes com o resultado do primeiro workshop, e demonstraram o desejo por um ambiente acolhedor, com tons claros e tranquilizantes, além de móveis com detalhes simples, práticos, de fácil limpeza, ou seja, um mobiliário funcional. A importância da privacidade em relação à mãe no momento de ordenha, assim como a segurança dos seus objetos pessoais, volta a ser relembrada, principlamente por meio sujestões. Quanta a escolhas dos elementos de ambientação, também houve uma preferência por aqueles que reforçam esses conceitos, demonstrando como todos os pacientes tomaram conciência das vontades e anseios da coletividade e demais usuários.

75


6. o projeto


cap 6.

178

o projeto


O PROJETO Neste capitulo são apresentadas as diretrizes projetuais para Salas de Coleta de Leite em geral e também o projeto desenvolvido especificamente para a unidade estudada.

6.1. critérios projetuais para salas de coleta de leite As diretrizes projetuais desenvolvidas visam guiar arquitetos e designers no planejamento de Salas de Coleta de Leite. Para facilitar sua compreensão, foram organizadas em 3 diferemtes categorias: Layout, Ambientação e Mobiliários/Equipamentos.

6.1.1 quanto ao layout • Sempre que possível, prever uma área de espera separada da área de ordenha, preservando a privacidade das lactantes que realizam esta atividade. Tal sala de espera permitiria ainda acomodar familiares e acompanhantes de forma mais confortável; • Planejar boxes privativos para cada lactante realizar a ordenha do leite por meio de divisórias fixas ou retráteis entre as cadeiras de ordenha/amamentação. Deste modo, será possível assegurar um maior controle por parte das mães em relação ao grau de privacidade desejado. Caso familiares e acompanhantes possam permanecer nesse local, os boxes devem ser planejados de modo que eles não consigam visualizar as mães que se encontram nos boxes adjacentes; • Prever um sistema de sinalização que também contribua para o controle do acesso e a privacidade das lactantes. Por exemplo, pode-se dispor de uma sinalização junto ao acesso do local que oriente as pessoas a bater antes na porta e aguardar por atendimento;anização especificamente para ambientes relacionados ao nascimento e a maternidade;

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6.1.2. quanto à ambientação • Propiciar um ambiente visualmente agradável, acolhedor, tranqüilo e relaxante através da proposta de interiores como um todo; • Garantir iluminação adequada, preferencialmente difusa no ambiente. Prever, se possível, uma iluminação individualizada para cada box de ordenha, permitindo às lactantes a escolha da iluminação desejada para executar cada atividade; • Planejar acabamentos de fácil limpeza e manuseio, que sejam resistentes e que tenham boa durabilidade. Evitar a utilização de materiais porosos de revestimento.

6.1.3. quanto ao mobiliário e equipamentos • Especificar cadeiras de ordenha e amamentação que sejam confortáveis, considerando que essa é a principal atividade realizada nesta sala. As cadeiras devem ter encosto, apoio para braços, serem estofadas e estarem de acordo com as dimensões antropométricas de seus usuários; • Grantir que os móveis sejam práticos, funcionais e de fácil limpeza, tornando as atividades a serem realizadas na sala mais eficientes, e facilitando que o ambiente esteja sempre limpo e em bom estado de conservação; • Prever um berço confortável e funcional, o qual costuma ser utilizado para que as profissionais de saúde dêem orientações às mães relativas ao cuidado do bebê. Este berço deve permitir regular a inclinação para favorecer a demonstração dos procedimentos para as mães; • Prever distrações positivas como televisão, revisteiro, música, entre outros, para entreter mães, funcionários e eventuais acompanhantes durante as atividades. Sugere-se também prever algumas distrações infantis, como jogos ou leituras, caso alguma mãe esteja acompanhada de outro filho.

180


O PROJETO • É desejável prever algum móvel, como um criado-mudo ao lado da poltrona de aleitamento ou um guarda-volumes, onde a mãe possa apoiar ou guardar objetos pessoais que trouxe consigo; • Devem ser previstos ainda: local para armazenagem de recipientes usados na coleta de leite, local para despejo de lixo, local para armazenar separadamente roupas limpas e roupas sujas utilizadas pelas lactantes (aventais, máscaras, toucas,...), refrigerador para armazenagem temporária do leite, entre outros; • Sugere-se prever trancas nos armários tendo em vista que na unidade estudada as profissionais comentaram serem frequentes os roubos, inclusive de utensílios específicos de ambientes de saúde; • Segundo a RDC 50 (ANVISA, 2002) é necessário prever no local uma pia exclusiva para higienização das mãos, e outra para higienização dos recipientes ou utensílios utilizados durante as atividades

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6.2. projeto de interiores O projeto da Sala de Coleta de Leite em estudo baseou-se nos três conceitos elaborados nos workshops participativos - Privacidade, Aconchego e Funcionalidade - e também foi guiado pelas diretrizes traçadas pela equipe. Buscando conciliar as intenções projetuais com as limitações espaciais da sala, o layout divide-se em dois ambientes:a ante-sala e a sala de ordenha.

SALA DE ORDENHA ORGANIZADA EM BOXES INDIVIDUAIS

182

Fig. 38: Corte perspectivado do projeto de interiores da Sala de Coleta de Leite.

ANTE-SALA PARA ACOMODAR ACOMPANHANTES, ARMAZENAGEM E PREPARO DE UTENSÍLIOS E ORIENTAÇÕES PELO COROPO DE ENFERMAGEM


O PROJETO A ante-sala é onde encontra-se a porta de acesso. Nela, há poltronas para acompanhantes e/ou mães, visando suprir a falta de sala de espera. É nesta sala também que as mães se preparam para as atividades de ordenha, contanto com bancadas de trabalho e duas pias, uma para lavagem das mãos e outra para utensílios, separadas segundo a norma RDC 50 (ANVISA, 2002). As bancadas contam com grande quantidade de armários e gavetas para comportar todos os utensílios, além de um frigobar de tamanho médio para armazernar o leite antes de enviá-lo a sala de armazenamento específica do banco de leite. A ante-sala dispõe, ainda, de um berço reclinável, solicitado pelas funcionárias no workshop, para a execução de exames no bebe, assim como orientação e explicações sobre o aleitamento materno. O ambiente da ordenha é separado da ante-sala por um painel que funciona como divisória retrátil. Ela garante melhores condições de privacidade para as mães, através de boxes individuais para a ordenha. Cada boxe individual conta com iluminação a ser controlada pela lactante, com criado-mudo e cabideiro para que a mãe tenha mais conforto e armazene seus pertences pessoais. Em frente aos boxes há um painel que conta com TV, aparelhos de som, DVDs e revistas, tanto sobre temas educativos quanto de distração positivas para às lactantes usufruírem durante o processo de ordenha. Em baixo do rack há dois puffs que podem ser colocados dentro dos boxes

de ordenha, para acomodar as enfermeiras quando precisem auxiliar as mães, ou para acompanhantes se sentarem. A ambientação geral da sala busca uma imagem acolhedora e aconchegante, que seja convidativa e estimule a permanência dos usuários no local. Para tanto, o projeto inclui o planejamento cuidadoso do mobiliário, piso, forro, iluminação e elementos decorativos, sendo todos eles pensados de modo conjunto de forma a alcançar a ambientação pretendida. Buscou-se conferir ao ambiente uma imagem “clean” com a palheta de cores em tons claros, escolhida pelos próprios usuários. O design do mobiliário segue uma linguagem linear e assimétrica, com cor branca e detalhes em lâmina amadeirada. Como elementos decorativos, a sala ainda conta com piuntura diferenciada e adesivos na parede, quadros, plantas, e iluminação difusa, elementos condizentes com as premissas da humanização hospitalar. O projeto completo encontra-se em um caderno apresentado para a diretoria do Hospital Universitário e todos os usuários da sala e participantes do workshop. Está disponível também nos anexos deste caderno, onde encontra-se o projeto executivo detalhado e memorial descritivo. Destaca-se que todos os elementos do projeto desta sala de coleta foram definidos junto aos usuários, durante todo o processo de projeto participativo.

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PINTURA EM FITAS COLORIDAS, ASSEMELHANDO-SE A UM PAPEL DE PAREDE

DIVISÓRIA ENTRE BOXES DE ORDENHA

CRIADO MUDO PARA BOXE PRIVATIVO DE ORGENHA APOIAR OBJETOS PESSOAIS COM POLTRONA ERGONÔMICA

GRAVURAS PARA DAR AMBIENTAÇÃO

DIVISÓRIA PARA DAR MAIS PRIVACIDADE A ÁREA DE ORDENHA

Fig. 39: Perspectiva do projeto de interiores da Sala de Coleta de Leite.

POLTRONAS PARA ACOMPANHANTES OU ATIVIDADES DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL DE ENFERMENIRAS


O PROJETO ILUMINAÇÃO INDIVIDUALIZADA POR BOX

PAINEL PARA FIXAR APARELHO DE TELEVISÃO

RACK PARA GUARDAR REVISTAS, FILMES E ELEMENTOS DE DISTRAÇÃO. SOB RACK, ECONTRAM-SE PUFFES PARA ACOMPANHANTES

Fig. 40: Pespectiva dos boxes individuais de ordenha. Fig. 41: Pespectiva do painel humanizado do ambiente de ordenha.

85


186


O PROJETO

87


7. Anรกlise do processo participativo


cap 7.

190

anรกlise do processo PARTICIPATIVO


Análise do processo Com a realização deste projeto pode-se refletir sobre o processo de projeto participativo em relação aos cuidados necessários ao seu planejamento, desafios e limitações de sua implementação, e benefícios resultantes. Uma preocupação inicial da equipe era o cuidado de se garantir a participação de representantes de todos os grupos usuários nos workshops, especialmente considerando que se tratam de ambientes de saúde, onde os funcionários costumam estar muito atarefados. Surpreendentemente, houve o espontâneo envolvimento da equipe de saúde em todas as atividades realizadas. Cabe observar que embora o número total de participantes dos workshops possa parecer pequeno, teve-se a presença de quase a totalidade dos funcionários que utilizam o ambiente em seus diferentes turnos. Os funcionários utilizam continuamente o ambiente e isto deve ter estimulado seu interesse na elaboração do projeto e execução da reforma, possivelmente motivando-os para a participação. Por outro lado, uma limitação do trabalho foi a presença de relativamente poucas lactantes. Acredita-se que o principal motivo para esta baixa representatividade se deva ao fato de tratar-se de um público variável, que não permanece continuamente no local. Assim, sua presença nos workshops implicou em um esforço maior de deslocamento e de tempo que os funcionários ou bolsistas, os quais já se encontravam no ambiente ou no Hospital para o

desempenho de suas atividades laborais. Foram tomados alguns cuidados para estimular a participação de todos como: elaboração de convites com forte apelo visual; planejamento de poucos métodos por workshop e cuja implementação não demandasse tempo demais; preparação de um coffee break; e agradecimento ao final de cada workshop. Possivelmente teria sido interessante entregar pessoalmente os convites aos participantes, os quais foram entregues por meio do auxílio da chefia da Unidade. Juntamente com a entrega dos convites pessoalmente, seria desejável explicar previamente do que se tratavam os workshops e a importância da participação de todos. E possivelmente teria sido ainda desejável criar outros estímulos a participação das lactantes, já que a maior dificuldade está em fazer com que todos disponibilizem seu tempo para contribuir nas atividades. Outro cuidado importante é o de se criar um ambiente efetivamente favorável à participação de todos e em condições igualitárias. Nesta experiência buscou-se favorecer a informalidade e a descontração, para que os diferentes grupos usuários se sentissem muito confortáveis e estimulados a exporem suas ideias. Nesse sentido, mostrou-se significativo prever tanto métodos que proporcionassem momentos de expressão e reflexão individual, quanto outros que favorecessem a argumentação, a tomada de consciência coletiva e o consenso. Por isso, acredita-se que foi acertada a escolha dos métodos ado-

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tados. De qualquer modo há uma grande variedade de métodos que poderiam igualmente ter sido aplicados. A revisão de literatura mostrou que não há um modo único ou rígido para a implementação de processos projetuais participativos. Assim a escolha dos métodos deve centrar-se sobretudo na relação entre as informações que se buscam e os objetivos propostos. É também importante o modo como os métodos são aplicados, sendo que os arquitetos passam a desempenhar o papel de mediadores e facilitadores da participação de todos, além de contribuir com seu conhecimento técnico sobre os diferentes temas.

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Fig. 42 Participantes discutindo as propostas apresentadas.

Certamente um dos principais obstáculos a maior difusão deste tipo de abordagem é o fato de efetivamente demandarem mais tempo do que o processo projetual convencional. Isto nem sempre será viável no cronograma de trabalho dos arquitetos, além de possivelmente implicar em custos mais elevados para os seus honorários, o que pode não se viabilizar no competitivo mercado de atuação profissional. Além do tempo de desenvolvimento do projeto, já previsto em uma abordagem convencional, necessita-se de tempo adicional para o planejamento dos instrumentos e métodos a serem empregados na


Análise do processo implementação dos workshops e tratamento de seus resultados. Por outro lado, superados os obstáculos, certamente os benefícios são muitos. Os métodos favorecem a compreensão aprofundada de anseios e expectativas dos usuários, permitem a todos conhecer melhor as necessidades alheias e compreender as razões que motivaram determinadas escolhas e soluções projetuais. Essa maior consciência dos usuários em relação ao processo projetual tende efetivamente a favorecer sua satisfação em relação à proposta, ainda que anseios individuais possam não ter sido plenamente contemplados ao longo do processo. Além disso, à medida que ficam mais claras as necessidades e expectativas dos usuários facilita-se o desenvolvimento da proposta, e possivelmente se

minimiza a necessidade de refazer alguma etapa projetual por solicitação do cliente. Por fim, entende-se que a abordagem participativa por si só não assegura uma maior qualidade do projeto, pois segue sendo crucial neste processo a capacidade dos arquitetos na interpretação das necessidades dos usuários e na proposição das alternativas projetuais mais adequadas. O que esta abordagem faz é potencializar o desenvolvimento de propostas mais responsivas aos seus anseios ao aumentar a participação dos usuários no processo. Aspectos compositivos e simbólicos do projeto, assim como o quão ousado ou inovador ele será, continua sendo responsabilidade dos profissionais de Arquitetura.

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8. consideraçþes finais


cap 8.

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consideraçþes finais


Considerações finais Por conta da relevância do ambiente físico no comportamento e na sensação de bem-estar, deve-se ter como premissa no planejamento de estabelecimentos de saúde a preocupação em compreender e atender as necessidades e anseios dos usuários. O ambiente hospitalar não determina por si só a qualidade do serviço de saúde, mas pode ser um estímulo para a atuação dos funcionários e um elemento de suporte ao conforto e bem-estar dos usuários em geral. Apesar da grande evolução que vem ocorrendo no planejamento dos ambientes de nascer, a humanização ainda é um tema recente e pouco explorado no Brasil, principalmente nos setores públicos da saúde. Sua importância tem sido cada vez mais percebida por arquitetos, designers, funcionários da área da saúde e pacientes. No entanto, ainda constata-se em muitos locais, por exemplo, a ausência de distrações positivas e de uma ambientação acolhedora. Na pesquisa em questão, estudou-se a abordagem de métodos participativos para o projeto de uma Sala de Coleta de Leite para o Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, buscando testar o método e criar diretrizes projetuais que guiem arquitetos e designers em projetos semelhantes, seguindo as premissas da humanização dos ambientes hospitalares. A avaliação da sala de coleta de leite a partir da abordagem participativa permitiu compreender o perfil de seus usuários, as ativi-

dades desenvolvidas, e as características desejáveis para o planejamento do ambiente. Neste local, diferentemente de outros setores do hospital, não são realizadas atividades críticas de atendimento à saúde. Por este motivo, estudou-se os conceitos que um bom projeto humanizado deveria seguir, através de workshops participativos. Dentre os resultados encontrados, destaca-se o desejo dos usuários por um ambiente materno acolhedor, por maior privacidade para as lactantes, e por funcionalidade, permitindo a adequada realização das atividades. No que se refere à ambientação acolhedora, é importante assegurar uma ambiência humanizada e aconchegante, que se distancie da imagem tipicamente fria e institucional dos hospitais em geral. O processo de projeto participativo na Arquitetura tem se apresentado como uma importante forma de abarcar a dimensão de interesse social, enriquecendo o processo projetual com novos olhares sobre a temática e objeto em desenvolvimento. O diferencial da participação não está em apenas compreender as necessidades dos usuários, mas em abordar metodologias que permitam aprofundar-se nesta compreensão e criar intensas relações de apropriação e consciência dos usuários perante o espaço projetado. Outro benefício é a maior afinidade e apropriação dos usuários quanto ao projeto, pela sensação de terem feito parte do projeto e serem responsáveis pelo mesmo. Isto foi confirmado na apresentação do

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projeto de interiores para a Sala de Coleta de Leite em questão, que os usuários mostraram-se muito mais satisfeitos com o resultados e extremamente agradecidos pela experiência. O trabalho mostrou-se uma experiência enriquecedora para as pesquisadoras e que pode ser replicada para o projeto de demais ambientes hospitalares. Projetar ambientes que promovam a cura, é mais do que projetar ambientes que atendam estritamente a critérios funcionais ou estéticos. É preciso ter um entendimento de que modo os elementos do espaço afetam os usuários. O arquiteto e a equipe de saúde tem uma grande responsabilidade no planejamento do ambiente hospitalar e na busca de proporcionar uma vivência mais positiva para seus usuários, através de propostas de projeto inovadoras e responsivas.

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Considerações finais

agradecimentos O desenvolvimento desta pesquisa e projeto, só foi possível com a participação dos usuários da Sala de Coleta de Leite. Para tanto, aproveitamos para agradecer imensamente a ampla disponibilidade e o fácil acesso que contamos ao longo de todo otrabalho por parte da enfermeira Ingrid Elisabete Bohn, da coordenadora do COMATER Ligia Silveira Dutra, do arquiteto Glauber Martins e da direção do Hospital Universitário, Dr. Carlos Alberto Justo da Silva, além de todas as mães e demais funcionárias de saúde que disponibilizaram seu tempo para comparecer aos workshops.

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9. referĂŞncias


cap 9.

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referĂŞncias


referências 9.1. lista de figuras FIG 01. Lactante amamentando FONTE: < http://www.bbtipsmexico.com.mx/sin-categoria/las-ventjas-de-amamantar/>. Acesso em: Março 2014.

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FIG 02. Sala de Coleta de Leite em estudo. FONTE: Acervo próprio..........................................................

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FIG 03. Sala de Coleta de Leite em estudo. FONTE: Acervo próprio............................................................

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FIG 04. Esquema mostrando a abordagem do processo projetual. FONTE: Acervo próprio....................

1

FIG 05. Típica ambiência hospitalar com ênfase na assepcia. FONTE: <http://soropositivo.org/tag/pacientes/>. Acesso em: Junho 2014.

1

FIG 06. Quarto individual do hospital Mount Elizabeth Novena - Singapura. FONTE: <http://www. healthcaredesignmagazine.com/article/mnh-hospital-future-four-seasons-twist>. Acesso em: Dezembro 2013.

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FIG 07. Stanford Medicine Outpatient Center - Califórnia EUA. FONTE: <http://www.shawcontractgroup.com/Html/ShowProjectProfile/PP_stanford_medicine> Acesso em: Dezembro 2013.

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FIG 08. Jardim interno do Hospital Infantil de Zurique – Suiça. FONTE: <http://www.dezeen. com/2012/06/13/childrens-hospital-zurich-by-herzog-de-meuron/> Acesso em: Dezembro 2013

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FIG 09. Phoenix Children’s Hospital - Arizona EUA. FONTE: <http://www.archdaily.com/220749/phoenix-childrens-hospital-hks-architects/10-phoenix-childrens-second-level-clinic-waiting-area/> Acesso em: Dezembro 2013

1

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FIG 10. Quarto individual St. Vincent Fishers Hospital - Indianópolis EUA. FONTE: <http://www.health- 1 caredesignmagazine.com/article/photo-tour-st-vincent-fishers-hospital> Acesso em: Dezembro 2013. FIG 11. Imagens representando o parto como experiência relacionada ao bem-estar e não uma pa- 1 tologia. FONTE: <http://stephaniesunderland.com/blog/2013/11/14/baby-ezra> Acesso em: Março 2014. FIG 12. Imagens representando o parto como experiência relacionada ao bem-estar e não uma pa- 1 tologia.FONTE: <http://thecreativemama.com/jessica-cudzilo-503-photography/> Acesso em: Março 2014. FIG 13. Imagens representando o parto como experiência relacionada ao bem-estar e não uma pato- 1 logia. FONTE <http://funnynews4u.dailygalleryaddiction.me/5378215-14515085> Acesso em: Março 2014. FIG 14. Esquema representando a relação entre projetista e usuário dentro do processo de proje- 1 to participativo. FONTE <http://participateindesign.org/about/participatory-design/> Acesso em: Julho 2014. FIG 15. Imagem das Fichas de Análise do método AEIOU. FONTE: Acervo próprio................................. 1 FIG 16. Esquema da tabela da análise SWOT. FONTE: Acervo próprio..................................................... 1 FIG 17. Ficha de aplicação do método Poema dos Desejos. FONTE: Acervo próprio............................... 1 FIG 18. Exemplo de um layout para a sala de coleta, representado em planta baixa e perspectiva 1 isomêtrica com os mobiliários separados. FONTE: Acervo próprio.

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referências FIG 19. Fichas do método Seleção Visual, entregues aos participantes do workshop. FONTE: Acervo próprio.

1

FIG 20. Preparação do painel usado nos workshops. FONTE: Acervo próprio..........................................

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FIG 21. Preparação do painel usado nos workshops. FONTE: Acervo próprio..........................................

1

FIG 22. Convite primeiro workshop. FONTE: Acervo próprio....................................................................

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FIG 23. Convite segundo workshop. FONTE: Acervo próprio....................................................................

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FIG 24. Cartão de agradecimento primeiro workshop. Acervo próprio......................................................

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FIG 25. Cartão agradecimento segundo workshop. FONTE: Acervo próprio............................................

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FIG 26. Painel para apresentar a proposta do primeiro workshop. FONTE: Acervo próprio......................

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FIG 27. Circulo dos participantes da primeira dinâmica. FONTE: Acervo próprio.....................................

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FIG 28. Participantes fixando os cartões com os conceitos sugeridos por cada um. FONTE: Acervo próprio.

1

FIG 29. Participantes fixando os cartões com os conceitos sugeridos por cada um. FONTE: Acervo próprio.

1

FIG 30. Explicação das três propostas de layout criadas. FONTE: Acervo próprio.....................................

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FIG 31. Explicação das três propostas de layout criadas. FONTE: Acervo próprio....................................

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9.2. lista de tabelas TAB 01. Resultados obtidos através da análise SWOT. FONTE: Acervo próprio...........................................

1

TAB 02. Conceitos que surgiram durante o 1º workshop participativo. FONTE: Acervo próprio...............

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TAB 03. Análise do método Poema dos Desejos. FONTE: Acervo próprio..................................................

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TAB 04. Preferência dos participantes em relação à paleta de cores. FONTE: Acervo próprio.....................

1

tAB 05. Preferência dos participantes em relação ao mobiliário. FONTE: Acervo próprio........................

1

TAB 06. Preferência dos participantes em relação aos elementos de ambientação. FONTE: Acervo próprio. 1

9.3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BITTENCURT, Fábio. Arquitetura ambiente de nascer: Reflexões e recomendações projetuias de arquitetura e conforto ambiental. Rio de Janeiro: Rio Book’s, 2008. 1. ed. P. 128. BLOMKVIST, V. et all. Acoustics and psychosocial environment in coronary intensive care. Occupational and Environmental Medicine, v. 62, e. 1, doi:10.1136/oem, 2004. Disponível em: <http://oem.bmj.com/content/62/3/e1.full>. Acesso em: 22 out 2014. BURNS, J. Connections: Ways to Discover and Realize Community Potentials. Nova York: McGraw-Hill, 1979.

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10. apĂŞndices


10.1. termo de conSentimento livre e esclarecido Termo preenchido por todos os participantes dos Workshops Participativos

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apĂŞndices

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10.2. Entrevista semi-estruturada Tรณpicos abordados durante encontro com as enfermeiras responsรกveis pelo local

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apĂŞndices

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10.3. FICHAS DOS MÃ&#x2030;TODOS APLICADOS

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apêndices 10.3.1. FICHAS MÉTODO AEIOU

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apĂŞndices 10.3.2. FICHA poema dos desejos

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10.3.3.FICHAs seleção visual

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10.4. caderno do projeto executivo O presente caderno foi entregue a direção do Hospital Universitário e a direção do CIAM com o detalhe do projeto de interiores da sala de coleta de leite. No caderno são apresentados os memoriais descritivos do projeto, detalhes de execução de todos os mobiliários e especificações.

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10.5.1. ARTIGO PUBLICADO NO xix ENAPEt - ENCONTRO NACIONAL DE pets

O presente artigo foi selecionado para Apresentação Oral e apresentado pelas bolsistas Amarildo Soares Junior e Marina Klein Freitas. O evento aconteceu na UFSM Santa Maria, Rio Grande do Sul, do dia 27 de julho a 01 de agosto de 2014.

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10.5.2. ARTIGO PUBLICADO NO ENEAC 2014 - V ENCONTRO NACIONAL DE ERGONOMIA DO AMBIENTE CONSTRUIDO O presente artigo foi selecionado para Apresentação Oral e apresentado pelas bolsistas Maria Candelária e Maria Luiza Bratti. O evento aconteceu na PUC - Rio de Janeiro, de 01 a 04 de dezembro de 2014.

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10.5.3. ARTIGO PUBLICADO NO XIX SIGRADI - Sociedade Ibero-amerocana de Gráfica Digital O presente artigo foi selecionado para Apresentação em Poster e apresentado pela bolsista Maria Candelária. O evento aconteceu na UFSC - Florianópolis, de 23 a 30 de novembro de 2015.

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10.5.4. ARTIGO PUBLICADO NO 11º congresso nacional de psicologia do ambiente de saúde O presente artigo foi selecionado para Apresentação Oral no evento que ocorrerá em Lisboa, Portugal, do dia 26 a 29 de janeiro de 2016.

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Humanização dos ambientes de nascer  

HUMANIZAÇÃO DOS Definição de critérios projetuais para salas de coleta de leite baseados em métodos participativos AMBIENTES DE NASCER Maria...

Humanização dos ambientes de nascer  

HUMANIZAÇÃO DOS Definição de critérios projetuais para salas de coleta de leite baseados em métodos participativos AMBIENTES DE NASCER Maria...

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