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RSB NEWS

2016 | Nº 4 | TRIMESTRAL | OUT. NOV. DEZ.

Editorial

A preparação, o acompanhamento e a avaliação de políticas públicas ao serviço do desenvolvimento económico sustentável e da coesão social exigem uma Administração Pública dinâmica, eficiente, inovadora, motivada e centrada nas reais necessidades dos cidadãos e agentes económicos. Para tanto é fundamental fazer diagnósticos rigorosos, definir prioridades e gerir de forma eficiente os recursos disponíveis, criando sinergias e potenciando a capacidade de transformação existente na sociedade. A gestão otimizada dos recursos disponíveis resulta de uma consciencialização de que o capital intelectual constitui o motor de qualquer organismo público e em cujo investimento resulta a melhoria da prestação de serviços ao cidadão, à sociedade e, por conseguinte, à própria organização pública. Importa por essa razão, no âmbito das políticas públicas, apostar na qualificação dos recursos humanos, através da adoção de sistemas de seleção específicos e de formação contínua e integrada, considerando os perfis funcionais existentes, a missão da organização e as necessidades das comunidades envolventes à própria organização. A consecutiva contenção orçamental e, por conseguinte, a impossibilidade de recrutamento par a rejuvenescimento do RSB conduziu ao aumento da média etária dos recursos humanos disponíveis limitando a disponibilidade destes efetuarem a sua formação contínua de acordo com o determinado pelos diplomas legais sobre a matéria. O tempo é, efetivamente, de mudança, e a inversão de largos anos inicia agora o seu percurso com a admissão de 48 recrutas, estando ainda a decorrer concurso de admissão para ingresso na carreira de Bombeiro Sapador.

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Destaque

PELOTÃO ALFA O que o levou a escolher a profissão de bombeiro sapador? Recruta | Duarte D.M. - O facto de ser uma profissão bastante Mendes gratificante. Antes, fui militar e nadadorNº 4963 salvador, pois tenho grande prazer em salvar vidas. Considero um desafio. Na vida é preciso objetivos e sonhos. E ser bombeiro completa os meus ideais. Quais as suas expetativas iniciais? D.M. - Todos os inícios são difíceis. A adaptação é a melhor forma de sobrevivência. Eu sabia que tinha que dar o melhor. Mas, apesar disso, foi acima das minhas expectativas, foi muito mais exigente. Não sabia que o bombeiro teria que fazer uma imensidão de tarefas. Considera uma profissão de risco? Porquê? D.M. - Sim, porque para salvar vidas coloco-me em risco. Numa situação de mais aperto, acho que esqueço o risco para ajudar os outros. Quero sentir-me útil e pôr em prática os meus conhecimentos. Neste momento, terminaram os primeiros seis meses de um ano de “recruta”, período que antecede ao ingresso na carreira de bombeiro sapado r. Como descreve este período? D.M. - Período bastante importante no desenrolar da minha carreira . Ganhei camaradagem, amizade, interajuda. É aqui que nasce o espírito de grupo. Esta fase é a mais importante da minha vida. Embora duro e exigente, neste período é criado um espírito de união entre colegas. Numa escala de 0 a 10, qual o grau de exigência relativamente aos conhecimentos teóricos necessários ao desempenho da profissão de bombeiro sapador? E quanto à preparação física? D.M. – Penso que 8. Já fui militar e tinha a disciplina e exigência militar. Mas Bombeiro Sapador é mais rígido do que pensava inicialmente, pois como

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Destaque estava habituado ao regime militar julguei que seria mais fácil. O pelotão em que estou integrado, ALFA, já executou tarefas com o outro pelotão, BRAVO, e a cumplicidade desenvolvida é notória, verificando-se uma competitividade saudável e benéfica. Quanto à preparação física, é a necessária e adequada, 2h de manhã. Com base no seu conhecimento até à data, que aspeto positivo salienta na profissão de bombeiro sapador? E que aspeto negativo? D.M. - Não aponto apenas um aspeto. Todo o conhecimento adquirido é uma mais-valia tanto a nível profissional como pessoal. Fico a saber um pouco de tudo para poder ser útil em qualquer ocasião. Aliás, a frase “aprender até morrer” tem lógica na profissão de bombeiro. Todo este conhecimento dá-me uma maior motivação para trabalhar. Estou disposto a aprender cada vez mais. Na minha vida encaro tudo como etapas. Tem que haver objetivos na vida para avançarmos de forma a alcançarmos o que queremos e procurarmos novos objetivos. Não aponto aspetos negativos, mas sim aspetos a melhorar. Talvez mais prática em diferentes tempos.

O trabalho de bombeiro consiste maioritariamente em trabalho de equipa. E nesse trabalho existe o “Comandante de Operações” ou a figura “líder de equipa”. Segundo o seu ponto de vista, como considera que deve ser o líder em trabalho de equipa? D.M. - Como se fosse um exemplo para mim, uma pessoa justa, assertiva, camarada, que saiba colocar-se no lugar dos seus homens. Deve ter conhecimento, ser exigente consigo e com os outros. Não deve precisar de apontar o caminho a seguir, os seus homens segui-lo-ão de qualquer forma. Deve ser amigo, capaz de criar espirito de equipa. Ainda restam mais seis meses em “contexto prático de instrução nas companhias”, no entanto se tivesse que definir neste momento a profissão de bombeiro numa frase apenas, como a definiria? D. M. - Ser bombeiro não é uma profissão é uma maneira de estar na vida. Quais as expetativas profissionais no futuro? D. M. - Tirar uma licenciatura para subir na hierarquia do RSB. Crescer e evoluir para dar o melhor de mim.

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Destaque

PELOTÃO BRAVO O que o levou a escolher a profissão de bombeiro sapador? Recruta | Eduardo E.M. - Entre muitas razões, há uma mais importante, o Moniz querer fazer algo útil na minha vida. Anteriormente, Nº 4954 era controlador aéreo na base de Beja e decidi mudar porque queria algo que fizesse sentido. Em miúdo quando me perguntavam o que queria ser dizia, talvez bombeiro, mas não levei a sério. Quando descobri que havia carreira de Bombeiro Sapador que permitia ser bombeiro como profissão, optei por me candidatar. Tenho uma licenciatura em Educação Física, tentei dar aulas mas não consegui. Por isso, pensei em candidatar-me à Força Aérea como OPSAS (Operador de sistemas de assistência e socorro) o semelhante à atividade de bombeiro com serviço no aeroporto, mas como consideraram que tinha requisitos a mais fui excluído do OPSAS e fui para controlador aéreo. Gosto muito de trabalhar com pessoas e para as pessoas e por isso rescindi com a Força Aérea, paguei indemnização e vim para Bombeiro Sapador. Quais as suas expetativas iniciais? E.M. - Muito boas! Desde que conheço o RSB e que percebi que era possível fazer carreira profissional fui alimentando a ideia até abrir concurso e treinando até chegar o momento. Saía da Base Aérea e ia correr na passadeira e treinava muito, pois sabia que era necessário ter uma grande preparação física. Considera uma profissão de risco? Porquê? E.M. – Sim, é uma profissão de risco pela atividade em si, pelo trabalho desenvolvido na ajuda a pessoas com fragilidades, em perigo, debaixo de escombros, socorrer queimados, entre muitas outras situações dramáticas. Neste momento, terminaram os primeiros seis meses de um ano de “recruta”, período que antecede ao ingresso na carreira de bombeiro sapador. Como descreve este período? E.M. - Enriquecedor em vários aspetos: disciplina, camaradagem, semelhante à minha experiência na Força Aérea, mas um pouco diferente. No RSB os formadores são exigentes na disciplina e no conhecimento, mas é uma exigência com lógica, não ultrapassa o absurdo como em outras profissões/ carreiras. Nestes seis meses aprendi muito mais do que na Força Aérea, porque

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Destaque estamos mais motivados em equipa e tudo é feito com sentido. O meu empenho aqui é maior do que na Força Aérea. Já alcancei os objetivos a que me propus aquando da minha chegada ao RSB. Aqui a minha bitola é o colega Duarte Mendes, nº 1 na classificação do Pelotão Alfa. Numa escala de 0 a 10, qual o grau de exigência relativamente aos conhecimentos teóricos necessários ao desempenho da profissão de bombeiro sapador? E quanto à preparação física? E.M. - Bem, a nível teórico dou um 8, no físico 9, na prática 8 e no global 8,5. Na minha opinião é pela educação que se faz a mudança. Eu sei que somos uma recruta diferente. Fomos aos Açores e todo o investimento feito na nossa formação é uma mais-valia. Acho que temos uma preparação teórica/prática melhor, mais bem preparada do que as anteriores recrutas. Considero que o RSB tem muito ainda para fazer, para se adaptar às mudanças e vingar como corpo de bombeiros profissionais de modo a continuar a ser a bitola de outros corpos de bombeiros. Quanto à preparação física, fazemos todos os dias corrida, barras, abdominais, obstáculos, tubos, paliçadas… O grau de exigência é o adequado para aquisição de agilidade, força e resistência. Com base no seu conhecimento até à data, que aspeto positivo salienta na profissão de bombeiro sapador? E que aspeto negativo? E.M. - Poder fazer algo bom e ajudar os outros a tempo inteiro. Como bombeiros, ao sair do turno, pode haver a necessidade de socorrer alguém e ter que fazer uso das “ferramentas” que possuímos. Não conheço o passado, mas creio que deve haver legislação e preocupação em manter o RSB, dotando-o de meios humanos e materiais. No mínimo deve haver de dois em dois anos uma recruta de 50 elementos. O facto de entrar gente nova permite que haja motivação na progressão da carreira. O trabalho de bombeiro consiste maioritariamente em trabalho de equipa. E nesse trabalho existe o “Comandante de Operações” ou a figura “líder de equipa”. Segundo o seu ponto de vista, como considera que deve ser o líder em trabalho de equipa? E.M. - Deve ser assertivo, capaz de compreender as situações que o rodeiam, perceber os seus homens e parar e falar com eles. Deve conhecer os limites dos colaboradores, conhecer as capacidades de cada um e “conjugar todas as peças do puzzle” de forma a conseguir uma boa equipa. As pessoas são todas diferentes e nem sempre estão bem, logo o chefe ou o líder deve saber avaliar a sua equipa. Ainda restam mais seis meses em “contexto prático de instrução nas companhias”, no entanto se tivesse que definir neste momento a profissão de bombeiro numa frase apenas, como a definiria? E. M. – Ser bombeiro é acima de tudo assumir uma função de valor e ter orgulho da sua casa/organização. Ser bombeiro é estar disponível sempre que é chamado. Quais as expetativas profissionais no futuro? E. M. – Gostaria de evoluir cá dentro do RSB. Bem sei que estamos sujeitos a condicionantes políticas, orçamentais, etc. Mas gostaria de contribuir e participar na história do RSB, poder passar o testemunho aos próximos como estão a fazer agora comigo.

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MRMI

Breves

Decorreu no Colégio dos Jesuítas, no Funchal, entre 27 e 29 de novembro, o Curso Medical Response to Major Incidents (MRMI), com um total de 103 alunos.

O MRMI é uma formação internacional, pós-graduada, diferenciada na área da emergência e catástrofe, certificada por entidades internacionais: ESTES (European Society for Trauma and Emergency Surgery) e Board of MRMI. É constituído por uma parte teórica e dois exercícios de postos de comando. Com esta formação teórico-prática, os formandos adquirem novas competências para atuação, em trabalho de equipa, num cenário de catástrofe. O curso teve origem na Suécia em 2009 e o seu responsável é o Prof. Sten Lennquist. Desde então, vários países têm adotado este modelo dada a facilidade com que a resposta a catástrofe encaixa no modelo MACSIM que suporta a formação. Vários cursos realizaram-se por toda a Europa em países como Portugal, Suécia, Croácia, Eslovénia, Itália, Holanda, Dinamarca, com reconhecido sucess o. O RSB esteve representado pelo TCor Tiago Lopes que desempenhou a função de comandante nos dois incidentes práticos. TCor.

Tiago

Lopes

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Breves Participou no EOS 2016 A Unidade Cinotécnica de Resgate a convite da Associação de Resgate Cinotécnico de Sintra (ARC) participou no EOS 2016 - Exercícios Operacionais de Busca e Salvamento de Sintra. O exercício teve como objetivo testar as capacidades das várias equipas presentes e a coordenação no teatro de operações em conjunto, com binómios operacionais (homem e cão) de busca em grandes áreas. Apesar da especialidade da UCR ser especificamente em situações de buscas urbanas, os métodos de treino aplicados pela UCR permitem colaborar com equipas especializadas em grandes áreas incrementando as capacidades no teatro de operações. A UCR participou com três binómios operacionais em várias buscas, tendo terminado os exercícios com todas as vítimas encontradas. Participou também com três binómios de formação que foram sujeitos a vários testes e ambientes de treino.

Prestes a terminar o ano, foi tempo de festejar uma quadra tão especial como o Natal. Depois de um ano de muito trabalho e dedicação, nada melhor do que o jantar de Natal para proporcionar uma salutar reunião entre todos os que serviram e servem o maior Corpo de Bombeiros do País. No dia 15 de dezembro, pelas 19h30 no Pavilhão Multiusos da Fil Parque das Nações, pela presença de 350 bombeiros e respetivas famílias ficou demonstrado o verdadeiro espírito de corpo. É com orgulho que o RSB prova ser uma grande família!

Inauguração do Gabinete Médico Veterinário no Quartel No passado dia 4 de outubro 2016, dia do animal e do médico veterinário, foi inaugurado o gabinete veterinário no Quartel de Marvila. Este novo espaço permite agora efetuar a assistência veterinária aos canídeos da UCR em condições de higiene e conforto, há muito almejadas. Expressa-se o agradecimento a todos aqueles que contribuíram para a concretização deste projeto, com especial destaque para a médica veterinária Dra. Bárbara Pinto de Araújo, bem como à 6ª Companhia e Escola do RSB, pelo relevante contributo para a execução da obra, através do Subchefe Fonseca.

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Pedro Marques-Quinteiro

Entrevista

Investigador Tema: Liderança e trabalho em equipa

Pedro Marques-Quinteiro Professor | Doutor

Objetivo: Conhecer qual a sua perceção sobre o universo RSB resultante do trabalho de investigação intitulado “Promovendo a eficácia do trabalho em equipa no Regim e nt o de Sapadores Bombeiros de Lisboa”.

Pedro Marques-Quinteiro é investigador pós-doutorado no William James Center for Research do Instituto Universitário (ISPA), onde desenvolve investigação sobre liderança emergente e dinâmicas de coordenação em equipas. É também autor de artigos publicados em revistas científicas internacionais e de livros e capítulos publicados a nível nacional. Nos últimos anos tem colaborado com várias organizações no âmbito do desenvolvimento da liderança e da implementação de sistemas de avaliação de desempenho. Nos últimos meses tem levado a cabo um estudo de investigação no RSB sobre a promoção da eficácia do trabalho em equipa através da aplicação de inquéritos por questionário e da realização de entrevistas com o objetivo de produção de relatório e a publicação de artigos científicos. RSB – Sabemos que o tema “Liderança e trabalho em equipa” tem sido o objeto de estudo na investigação por si desenvolvida. Tendo presente esse tema no estudo de investigação em curso no RSB, considera a liderança um fator de sucesso das organizações? Porquê? PMQ – Se existe uma variável determinante para o sucesso organizacional, essa variável é sem dúvida a liderança. Não é por acaso que a Liderança é um dos temas que mais atenção tem recebido por parte dos investigadores, profissionais, e curiosos das ciências sociais. A liderança é um processo de influência interpessoal, em que um individuo exerce influência sobre outros e os motiva a atingir determinadas metas e objetivos. A investigação dos últimos 30 anos tem vindo a demonstrar que uma parte significativa do sucesso organizacional é determinada pelo perfil (e.g., personalidade; crenças e valores) e comportamentos dos líderes. Com efeito, a investigação e a prática têm demonstrado de forma sistemática que os líderes que a) comunicam de forma clara, b) apostam no desenvolvimento dos seus colaboradores, e c) promovem um clima de suporte e aprendizagem são os que conseguem gerar níveis de satisfação e eficácia mais elevados junto dos indivíduos e equipas dos quais são responsáveis.

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Entrevista RSB – No seu ponto de vista, o que define um líder? PMQ – Esta é das perguntas mais difíceis de se fazer a alguém da minha área de investigação  Se fizermos uma busca rápida pela internet (e.g., usando o Google Scholar), descobrimos que existem mais de 3 milhões de trabalhos publicados sobre o tema. Chegar a uma definição unificadora do que é a liderança torna-se, nestas condições, uma missão quase impossível. Fazendo uso de uma das muitas definições de liderança existentes, uma com a qual mais me identifico e segundo a qual tento trabalhar é a teoria funcional da liderança. Esta teoria define a liderança como um processo de relacionamento interpessoal, em que compete ao líder ajustar a forma como exerce a sua função (de chefia) às necessidades dos indivíduos e equipas. Segundo esta perspetiva, um líder eficaz será aquele que ajuda os seus colaboradores e equipas a atingirem os objetivos traçados. Perante indivíduos menos experientes, espera-se que o líder tenha uma ação mais diretiva (i.e., dá mais ordens ou instruções) e participativa (i.e., o líder ajuda os indivíduos e equipas a atingirem resultados, fazendo também). Da mesma forma, perante indivíduos muito experientes e habituados a trabalhar em conjunto, o líder deve funcionar mais enquanto coach ou facilitador (i.e., interfere pouco na forma como as coisas são feitas, e dá apenas o suporte necessário para que a equipa possa fazer o seu trabalho sem falhas). Nos casos em que este ajustamento entre a liderança e as necessidades da equipa não acontece, é frequente observar-se quebras em fatores chave para as organizações como por exemplo, o desempenho, a satisfação e a coesão. RSB – Liderança e chefia correspondem ao mesmo? Existem diferenças ou semelhanças entre estes dois conceitos? PMQ – A literatura sobre liderança tende a distinguir os dois conceitos, embora me pareça que estes são interdependentes. A figura do Chefe representa a autoridade e a Organização. O Chefe é alguém que é nomeado formalmente para a função e a quem se atribuiu a frequentemente a responsabilidade por definir os objetivos, garantir que os objetivos são atingidos, recompensar ou punir comportamentos, e fazer a avaliação de desempenho dos colaboradores. De forma diferente, o Líder pode ou não desempenhar a função de Chefe. O Líder pode emergir no meio de um grupo, de forma informal (i.e., não formalmente designado para a função), e ter igual ou maior influência sobre os companheiros de equipa que o líder formal ou chefe. Ao Líder (formal ou informal) associa-se a responsabilidade de motivar, dar suporte e direção, e promover o crescimento dos colaborares. Os líderes são frequentemente vistos como figuras de inspiração, que levam os colaboradores a abraçar grandes causas e a irem para além dos seus limites. Daquilo que tenho estudado e observado, acredito que uma liderança eficaz precisa dos Chefes e dos Líderes. Os Chefes existem para dar estrutura ao trabalho. Os Líderes, dentro dos limites estabelecidos pelos Chefes, existem para ajudar os colaboradores a fazerem o seu trabalho e a sentirem-se bem com isso. RSB – No seu entender a liderança é inata ou desenvolvida/aprendida? PMQ – Se a liderança é inata ou aprendida é uma discussão muito antiga. É verdade que existe uma carga genética que é transmitida geracionalmente e que tem influência nos traços de personalidade que desenvolvemos e nos definem. Os argumentos a favor da hereditariedade da capacidade de liderança podem ser encontrados em casos de figuras históricas como D. Afonso Henriques, Winston Churchill, ou Steve Jobs, cujas famílias tinham um histórico de pessoas com funções de liderança. Determinados traços de personalidade como a conscienciosidade e a extroversão (comuns nos líderes ditos carismáticos e transformacionais), e que em parte são uma herança genética, surgem frequentemente associados uma maior capacidade de liderança Revista ás tropas em parada

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Entrevista (e.g., Barack Obama). O mesmo acontece para traços mais “sombrios” (i.e., porque se traduzem em relações de liderança mais manipuladoras e opressivas) como a psicopatia e a sociopatia (e.g., Adolf Hitler). No entanto, a medida em que as características inatas do individuo têm a oportunidade de se tornar manifestas ao longo do nosso ciclo de vida é fortemente influenciada pelo contexto e o percurso de vida do individuo. Um individuo cujo perfil psicológico se adequa à liderança, mas que nunca teve a oportunidade de as aplicar, poderá não chegar a ver o seu potencial de liderança totalmente utilizado ou desenvolvido. Por outro lado, alguém cujo histórico familiar não está associado a funções de liderança, se aproveitadas as oportunidades certas, pode aprender a liderar e tornar-se uma figura de liderança respeitada e admirada. Resumindo, embora a liderança possa ter uma dimensão que é inata porque existe uma herança genética que é transmitida, são o contexto e o processo de aprendizagem e melhoria continua que acontece ao longo da vida pessoal e profissional dos indivíduos que determina a sua capacidade para liderar. Se analisarmos o passado das figuras dadas como exemplo no primeiro parágrafo, rapidamente percebemos que o contexto de onde eram provenientes era altamente favorável a que se tornassem “grandes lideres”. RSB - A liderança é consentida pela equipa ou a chefia impõe a sua liderança à equipa? PMQ – A função de chefia é sempre imposta às equipas porque é definida pela organização. Já a forma como a chefia influencia a equipa e exerce a sua função pode ser imposta se o líder se revela r incapaz de ajustar o seu estilo de liderança às necessidades ou perfil da equipa, e os membros da equipa não se sentirem satisfeitos com a chefia em questão e a organização não fizer nada para alterar essa situação. A função de liderança dentro de uma equipa pode existir independentemente da função de chefe. Os membros da equipa podem considerar que determinada pessoa é o líder porque é essa a pessoa que dá o exemplo, que inspira e motiva a equipa a fazer melhor todos os dias. O chefe pode, ou não, ser esta pessoa. RSB – O que diferencia um líder eficaz de um líder ineficaz? PMQ – O líder eficaz organiza o trabalho, i.e., define prazos, estabelece objetivos, define tarefa s e papéis, monitoriza o comportamento, assegura que a equipa tem os recursos necessários para fazer o seu trabalho, e atribui recompensas e punições. Um líder eficaz deverá ser capaz de realizar estas tarefas de forma relativamente simples, utilizando competências de gestão, aprendida s através da experiência e complementadas com a frequência de cursos especializados. Outro aspeto fundamental de uma liderança eficaz é a capacidade de comunicar de forma clara e assertiva. Um líder também se deve focar em desenvolver e motivar os seus colaboradores. Quando falamos em desenvolver, falamos em criar oportunidades de crescimento e aprendizagem que ajudem o colaborador ou a equipa melhorar a forma como fazem o seu trabalho. A motivação consegue-se quando o líder reconhece os sucessos e oferece consolo nos insucessos, quando o líder dá o exemplo, e quando os colaboradores e equipas sentem que podem contar com o apoio do líder nos bons e nos maus momentos. RSB – Qual a importância da comunicação no papel de líder em trabalho de equipa? PMQ – Usando uma analogia, a comunicação está para o funcionamento das equipas como o oxigénio Facebook.com/Regimento Sapadores Bombeiros - Lisboa | www.cm-lisboa.pt/viver/seguranca/regimento-de-sapadores-bombeiros


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Entrevista está para a sobrevivência dos indivíduos que compõe essas equipas. É através da comunicação que os líderes partilham informação chave sobre a tarefa e o funcionamento da equipa. A comunicação também é o processo através do qual o líder aprende sobre a sua equipa, conhece cada individuo, e percebe a forma mais eficaz de lidar com o coletivo. Comunicar eficazmente significa não só que o líder deve ser capaz de transmitir informação de forma clara e nos momentos chave, mas também ser capaz de comunicar não-verbalmente demonstrando empatia (i.e., que é capaz de reconhecer as emoções que os membros da sua equipa estão a sentir, procurando apoiá-los nessas emoções), e fazendo escuta ativa (i.e., ouvir de forma atenta e consciente o que o outro lhe tenta transmitir, atendendo ao conteúdo e à forma como a informação é veiculada). Ouvir atentamente o que os membros da equipa têm para dizer é uma das “imagens de marca” dos líderes mais bem-sucedidos na gestão das suas equipas. Frequentemente, as equipas falham e sofrem quebras significativas nos níveis de motivação por fraquezas na qualidade da comunicação que acontece entre a equipa e o líder. Por exemplo, quando a equipa regressa de uma missão e se junta para refletir sobre o modo como as coisas correram no teatro de operações, a) a clareza da informação que é veiculada pelo líder, e b) a disponibilidade que o líder tem para falar com a equipa sobre situações mais delicadas que abalaram o grupo, vão ser determinantes para o desenvolvimento da equipa e para a preservação dos níveis de coesão entre os membros. Da mesma forma, quando o líder anuncia a ordem de serviço, a clareza da informação que é partilhada vai influenciar a eficácia e eficiência do trabalho dos indivíduos e equipas. RSB - Durante estes últimos meses de contacto com o RSB, qual foi a sua perceção sobre o trabalho em equipa? PMQ – Trabalhar em equipa faz parte do ADN dos profissionais do RSB de Lisboa, e é graças à capacidade para trabalhar em equipa que os profissionais do RSB de Lisboa são tão eficazes (i.e., satisfeitas, motivadas, e capazes de atingir bons resultados). Naturalmente existem equipas que são “mais equipas” que outras, ou porque os membros da equipa têm mais experiência a trabalhar em conjunto e confiam mais uns nos outros, ou porque o chefe de equipa contribui para a união do grupo. Por outro lado, as equipas em que os membros estão menos habituados a trabalhar juntos, ou em que a chefia não é capaz de construir uma imagem forte do coletivo acabam por ser “menos equipa”. O papel das chefias em determinar o quão eficaz uma equipa pode ser também é determinante no universo do RSB de Lisboa. Existem estilos de liderança muito vincados, com chefias a adotar um estilo de comando mais diretivo e com pouco envolvimento emocional com as equipas. Por outro lado, também existem chefias que se envolvem mais no processo de influência das equipas e que se focam no seu desenvolvimento. Estes últimos conseguem que as Revista tropas em parada suasásequipas sejam “mais equipas”, e que consequentemente se tornem mais eficazes. Facebook.com/Regimento Sapadores Bombeiros - Lisboa | www.cm-lisboa.pt/viver/seguranca/regimento-de-sapadores-bombeiros


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Primeiras Jornadas Nacionais de Mergulho

Breves

do Algarve 2016

“Exercício Nacional de acidente grave LIVEX” O Corpo de Bombeiros de Portimão, no âmbito das comemorações do seu 90° aniversário, realizou nos dias 29 e 30 de outubro de 2016 um exercício nacional de acidente grave a grande escala - “1as Jornadas Nacionais Mergulho do Algarve LIVEX”. Evento organizado no intuito de avaliar e testar os procedimentos operacionais e tempos de resposta das equipas de resgate a um acidente de larga escala, no âmbito das buscas subaquáticas, no que concerne à mobilização, despacho, moviment o, intervenção e sustentação das operações de resposta. Foi tido em consideração a abrangência geográfica da proveniência das equipas de socorro, o exercício teve um carácter nacional. Um exercício onde mergulhadores de resgate de todo o país com a cooperação de várias equipas multidisciplinare s, nomeadamente a Autoridade Nacional de Proteção Civil, a Autoridade Nacional Marítima, os Sapadores Bombeiros de Lisboa com uma equipa de 6 elementos, Sapadores Municipais, Bombeiros Voluntários, GNR, Polícia e outros Agentes de Proteção Civil, em que foram intervenientes num plano de salvamento complexo.

Entre diversas palestras relacionadas com o resgate, no programa também constou uma visita à Unidade de Medicina Hiperbárica, recentemente inaugurada no Hospital Particular de Alvor. Este exercício decorreu no Parque Subaquático Ocean Revival, criado com o objetivo de promover o turismo subaquático na região, possibilitando aos mergulhadores um lugar excecional de treino e simulação. Pela primeira vez, foram afundados num cenário subaquático, o mais fiel à realidade, um conjunto de navios ligados por uma história comum.

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Entrevista

Equipa de Desencarceramento do RSB Como nasceu o gosto por esta área do socorro? Rui Oliveira - Desde que fiz o curso de TAS, tomei conhecimento da área do desencarceramento e fiz também um curso de uma semana. Foi uma área que me despertou logo a atenção. A partir daí procurei sempre conhecer mais. Rui Mexia - O gosto pelo desencarceramento surgiu já depois de estar inserido na equipa. Esse gosto foi crescendo e começou-se a entranhar. Miguel Duarte – Tenho alguma dificuldade de separar o desencarceramento das outras áreas. Gosto muito de ser bombeiro e de todas as suas áreas. Relativamente ao desencarceramento, tive a felicidade de ser convidado para fazer parte desta equipa desde o início, mas no princípio não sabia muito bem ao que ia nem o que era o desencarceramento. Inicialmente era para participar numa prova que iria decorrer no quartel em Marvila organizada pelo RSB. Nunca pensei que passados pouco anos seríamos campões do mundo ou que iríamos ao Brasil ou Inglaterra representar o RSB. Despois de ter começado a trabalhar com esta equipa, percebi que esta área tinha pernas para andar. Neste caso estamos a falar do desencarceramento, mas eu com esta malta nem que fosse trabalhar em aviões ou fazer outra coisa qualquer, eu ia fazê-lo com todo o gosto porque esta malta é espetacular. Fernando Mafra – Fui convidado a participar num encontro de desencarceramento e gostei bastante. Trabalho com ferramentas já há bastante tempo e o desempenho que conseguimos nas ações de desencarceramento com as ferramentas agrada-me bastante. E tal como o Duarte afirmou, trabalhar com estes elementos é espetacular, cativante. Podemos procurar mas o que o RSB faz nesta área é verdadeiramente diferente.

Diogo Lourenço - Em relação à temática do desencarceramento tive algumas influências externas ao RSB que me criaram algum interesse, mas assim que integrei este grupo comecei a trabalhar novas metodologias, novos objetivos, sempre em função da vítima e esse é o meu principal interesse. Vitor Gomes – O interesse no desencarceramento surgiu no mesmo convite que o Duarte referiu. O percurso desta equipa e as vitórias já alcançadas apuraram o meu gosto por este grupo e por esta área. O querer desenvolver mais técnicas e ver que os outros reconheciam o nosso trabalho foram também muito importantes para cimentar o meu gosto pelo desencarceramento. Facebook.com/Regimento Sapadores Bombeiros - Lisboa | www.cm-lisboa.pt/viver/seguranca/regimento-de-sapadores-bombeiros


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Breves De que forma as competições podem ajudar nas situações reais? Relativamente às participações nestas competições são sempre boas porque nos treinos para as competições melhoramos as técnicas que já conhecemos e tentamos criar outras que posteriormente pomos em prática. Nessas competições temos oportunidade de ver outras equipas a trabalhar com técnicas próprias e dessas técnicas tentamos assimilar aquilo que pode ser transportado para a nossa realidade. Um dos aspetos mais importantes das competições é a partilha de conhecimento. O nível das equipas que competem em Portugal é semelhante à dos adversários internacionais? Relativamente ao nível das equipas com quem competimos diretamente em Portugal, o nível já começa a ser bastante aceitável. A forma simples de ver isso é que, apesar de termos ganho sempre todas as competições em território nacional, as outras equipas estão cada vez mais próximas de nós. É sinal que está a haver uma grande evolução a nível nacional. Mas é evidente que quando se vai a um campeonato do mundo, encontramos sempre as melhores equipas de cada país e, por isso, o nível das equipas nas competições internacionais é mais elevado. Outro dado da evolução das equipas portuguesas foi a classificação obtida no último mundial em 36 equipas, Portugal teve 3 nos primeiros 15 lugares. Quantas vezes treinam por semana? Para o nacional treinamos todos os dias durante 2 semanas antes da prova. Para o mundial treinamos todos os dias durante 1 mês antes da prova. No treino fazemos vários exercícios tendo em conta as nossas necessidades, as novas técnicas e a importância em adaptá-las à nossa metodologia de trabalho. Quantos anos passaram desde que começaram as competições até à chegada do título mundial? A equipa foi formada em 2011, e ao terceiro campeonato em que participámos fomos campeões do mundo, isto no ano de 2015. A equipa do RSB é um grupo fechado ou está aberto à entrada de novos elementos? Todos os anos em Ordem de Serviço sai o nosso plano de treinos e em simultâneo um convite a novos elementos que queiram treinar connosco. Apesar de ser um grupo completamente abert o, infelizmente nunca houve novos colegas a quererem juntar-se a nós. De que forma sentem a responsabilidade de representar Lisboa e Portugal? Essa responsabilidade pesa bastante e neste último campeonato do mundo com o facto de sermos campeões do mundo, a responsabilidade pesou mais ainda com evidência no início das provas. Quais são as próximas competições? Em junho deste ano será o campeonato nacional; o local ainda está por determinar. A equipa que ganhar o campeonato nacional fica apurada para o mundial que decorrerá também este ano na Roménia no final de agosto. Chegar ao mundial é o nosso objetivo. Gostaríamos de deixar uma palavra de apreço a um elemento que não pôde estar cá hoje por compromissos inadiáveis, o nosso colega Ricardo Couto que tem o papel de socorrista da Equipa. Facebook.com/Regimento Sapadores Bombeiros - Lisboa | www.cm-lisboa.pt/viver/seguranca/regimento-de-sapadores-bombeiros


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18 de outubro de 2016 3ª feira | O avião aterrou à hora de almoço local depois de alguns atrasos nos aeroportos. Cerca de 20h depois de ter saído de Lisboa, a minha equipa tinha chegado ao destino, cansados pela viagem mas com uma enorme vontade de representar Portugal e a nossa grande instituição RSB em mais um World Rescue Challenge(WRC). No primeiro dia tivemos que nos adaptar ao clima, ao fuso horário e, principalmente, descansar pois alguns de nós estávamos acordados há mais de 24h. 4ª feira | Dia dedicado ao conhecimento do local onde se iriam realizar as provas (Barigui Park) e ao final da tarde teve lugar a sessão de abertura do WRC Curitiba 2016 e a reunião entre organização, chefes de equipa e socorristas. Momento em que entre outras coisas se faz o sorteio dos horários e cenários. A razão da nossa vinda ao Brasil tinha começado. 5ª feira | Finalmente chegou a hora de me juntar à equipa, depois de uma semana negra a nível pessoal devido a uma daquelas rasteiras que a vida nos prega. Hoje começaram as provas e o sorteio ditou que este seria o nosso dia sem provas, aproveitámos para estar todo o dia no Barigui Park a ver outras atuações e ao mesmo tempo observar o tipo de cenários que poderíamos encontrar (e acreditem que valeu a pena, pois aprendemos sempre muito). Daqui para a frente teríamos uma prova por dia, na 6ª, sábado e domingo e a concentração teria de ser total. 6ª feira | Agora sim, estávamos perto de entrar em ação e a primeira prova seria às 17h30. Aproveitámos para falar e acertar os últimos pormenores logo a seguir ao almoço; nestes momentos o apetite já não é o

normal e a comida já custa a entrar; por mais experiência que se tenha antes de uma prova há sempre algum nervosismo. Às 16h15 fomos à apresentação da equipa onde tivemos de comparecer já com o EPI, às 17h00 a preparação das ferramentas e às 17h15 fomos para o confinamento. É nesta altura que começam a “montar” o nosso cenário. Estes timings acontecem sempre antes de qualquer prova. A parte do confinamento é sempre a pior, pois é quando os nervos estão mais à flor da pele, pior ainda foi quando o relógio chegou às 17h30 e nos disseram que tinha havido um atraso e teríamos que aguardar mais 20min, tempo esse que demorou uma eternidade a passar. A prova standard (20min) começou e no nosso cenário havia 2 veículos, um na posição normal e outro tombado na lateral, bastante deformado e com uma vítima no interior. Fizemos o melhor que conseguimos mas no final do tempo a vítima ficou em cima do plano duro ainda no interior do veículo. Ficámos tristes porque apesar da boa prestação a nossa impressão foi que podia ter corrido melhor. Nesta noite houve a swap night que é uma cerimónia informal onde as equipas trocam lembranças entre si. Sábado | A 2ª prova foi a rápida (10min) e depois da 1ª prova feita parecia que a pressão já não era a mesma e a vontade de mostrar serviço era enorme. Entrámos com tudo e ao fim de 8 min a vítima estava fora do veículo em zona segura a receber os cuidados préhospitalares. No final a felicidade era imensa, pois a prova tinha roçado a perfeição e a sensação era de dever cumprido e bem cumprido. Domingo | Último dia, ultima prova, a complexa (30min e 2 vítimas), cenário do outro mundo; veículo capotado, no meio de separadores de cimento sem acesso direto às vítimas nem acesso para o socorrista aceder ao interior. O pensamento foi ”é tempo de mostrar a toda a gente porque somos campeões do mundo”

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Testemunho

World Rescue Challenge Brasil 2016 e foi com esta crença e vontade que ao fim dos 30 min as 2 vítimas estavam fora do veículo. No final da prova estávamos exaustos com a sensação que perante tal cenário era difícil ter feito melhor. Finalmente a pressão terminava e nada mais havia a fazer se não esperar pelos resultados.

Às 20h começou o jantar de encerramento e entrega de prémios e, entre a falta de apetite e o nervosismo, ainda antes de se saber os resultados, aconteceu um dos momentos mais marcantes desta viagem ao Brasil. O Chefe de equipa dos Bombeiros dos EUA dirige-se até à nossa mesa para nos dar os parabéns pessoalmente pela nossa prestação neste mundial e dirige-nos muitos elogios e diz-nos que só naquele momento tinha percebido porque éramos os campeões do Mundo. É certo que todos gostamos que falem bem de nós mas tais elogios vindos de um corpo de Bombeiros que é uma referência mundial tem um sabor diferente. Entre os discursos de agradecimento dos diversos organizadores, finalmente chega a hora da verdade. É feita a divulgação de resultados: nos prémios individuais, vice-campeões do mundo na

equipa médica e na equipa técnica. Nos prémios coletivos, vice-campeões do mundo nas manobras rápida e complexa e na classificação geral, vice-campeões do mundo. Ficámos felizes porque apesar de não termos ganho o primeiro lugar no pódio, estivemos no pódio de novo num campeonato com as melhores equipas do mundiais e demonstrámos mais uma vez que Portugal faz referência como dos melhores do mundo. Agradeço aos meus companheiros de luta Rui Oliveira, Rui Mexia, Fernando Mafra, Vitor Gomes, Ricardo Couto e Diogo Lourenço a forma como mais uma vez dignificaram o nome do RSB Lisboa e dos Bombeiros Portugueses. Em nome da equipa, muito obrigado ao comando do RSB, em especial ao 2º Comandante Tiago Lopes e à CML por nos darem a oportunidade de participar nestas provas, agradecimento este que estendemos a todos os elementos do RSB que de uma maneira ou de outra nos ajudam nos treinos.

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Informação O Comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros reconheceu publicamente o excecional empenho, notável profissionalismo e elevada competência técnica da equipa de desencarceramento que conquistou o título de Vice-campeão mundial na 18.ª edição do Campeonato Internacional de Desencarceramento - WORLD RESCUE CHALLENGE - que decorreu em Curitiba, Brasil.

A ANSD Portugal felicitou o RSB pela participação e resultados obtidos no World Rescue Challenge 2016|Curitiba, Brasil. A ANSD Portugal considerou um privilégio constatar a forma como os elementos do RSB elevaram alto as cores da Bandeira Nacional, deixando todos os portugueses orgulhosos pelos seus operacionais e reforçando a certeza na qualidade do socorro em Portugal.

Junta de Freguesia de Marvila, através dos seus Pelouros da Ação Social, Saúde e Educação e o do Desporto e Juventude agradece ao Regimento de Sapadores Bombeiros – Lisboa a colaboração e envolvimento demonstrados no Polidesportivo Dr. Fernando Amado, no âmbito do evento “Marvila mais saudável”.

Ficha Técnica Periodicidade: Trimestral Propriedade – Regimento de Sapadores Bombeiros - Lisboa Av. D. Carlos I, 1249- 071 Lisboa Redação e Paginação – Gabinete do Comando | Comunicação e Imagens: RSB Enviem-nos as vossas sugestões para os seguintes contactos: carlos.moreira@cm-lisboa.pt ; ana.menezes.loureiro@cm-lisboa.pt ; goncalo.correia@cm-lisboa.pt

Participem com os vossos valiosos contributos! A equipa da RSB|News agradece! Facebook.com/Regimento Sapadores Bombeiros - Lisboa | www.cm-lisboa.pt/viver/seguranca/regimento-de-sapadores-bombeiros


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O Incêndio da rua da Betesga ( Desenho feito na ocasião por J.R. Cristino, O Ocidente, 1º jan. 1887 )

29 dezembro 1886 Rua da Betesga, esquina da travessa da Palha – freguesia de Sta. Justa Deflagrou um violento incêndio, por volta das 11h da manhã, no 1º andar, onde existia o famoso guarda-roupa teatral, a Casa Cohen.

O fogo desenvolveu-se com grande intensidade, todo o edifício foi pasto de chamas e registaram-se cinco mortos. Entre as vítimas a lamentar encontram-se três pessoas da família do sr. Conselheiro António Maria Pimentel Brandão.

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Regimento de Sapadores Bombeiros - Newsletter n.º 4  
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