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MPEs buscam crédito para pagar dívidas Com a redução da taxa Selic, bancos cortam juros e ampliam crédito para o setor. A maior parte da demanda é usada como capital de giro e no pagamento de débitos

Abril de 2010 1 CACB APRIMORA SERVIÇOS DE ESTÍMULO À AUTONOMIA DOS FILIADOS


Federações CACB

DIRETORIA DA CACB BIÊNIO 2011/2013 PRESIDENTE José Paulo Dornelles Cairoli - RS 1º VICE-PRESIDENTE Sérgio Papini de Mendonça Uchoa - AL VICE-PRESIDENTES Djalma Farias Cintra Junior - PE Jésus Mendes Costa - RJ José Sobrinho Barros - DF Luiz Carlos Furtado Neves - SC Rainer Zielasko - PR Reginaldo Ferreira - PA Rogério Pinto Coelho Amato - SP Sérgio Roberto de Medeiros Freire - RN Wander Luis Silva - MG VICE-PRESIDENTE DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS Sérgio Papini de Mendonça Uchoa - AL VICE-PRESIDENTE ESTRATÉGIGO Edson José Ramon - PR DIRETOR-SECRETÁRIO Jarbas Luis Meurer - TO DIRETOR-FINANCEIRO George Teixeira Pinheiro - AC

Paraná – Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná – FACIAP Presidente: Rainer Zielasko Rua: Heitor Stockler de Franca, 356 Bairro: Centro Cidade: Curitiba CEP: 80.030-030

Alagoas – Federação das Associações Comerciais do Estado de Alagoas – FEDERALAGOAS Presidente: José Geminiano Acioli Jurema Rua Sá e Albuquerque, 302 Bairro: Jaraguá Cidade: Maceió CEP: 57.020-050

Pernambuco – Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Pernambuco – FACEP Presidente: Djalma Farias Cintra Junior Rua do Bom Jesus, 215 – 1º andar Bairro: Recife Cidade: Recife CEP: 50.030-170

Amapá – Associação Comercial e Industrial do Amapá – ACIA Presidente: José Arimáteia Araújo Silva Rua General Rondon, 1385 Bairro: Centro Cidade: Macapá CEP: 68.900-182

Piauí – Associação Comercial Piauiense - ACP Presidente: José Elias Tajra Rua Senador Teodoro Pacheco, 988, sala 207. Ed. Palácio do Comércio 2º andar - Bairro: Centro Cidade: Teresina CEP: 64.001-060

Amazonas – Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Amazonas – FACEA Presidente: Valdemar Pinheiro Rua Guilherme Moreira, 281 Bairro: Centro Cidade: Manaus CEP: 69.005-300 Bahia – Federação das Associações Comerciais do Estado da Bahia – FACEB Presidente: Clóves Lopes Cedraz Rua Conselheiro Dantas, 5. Edifício Pernambuco, 9° andar Bairro: Comércio Cidade: Salvador CEP: 40.015-070 Ceará – Federação das Associações Comerciais do Ceará – FACC Presidente: João Porto Guimarães Rua Doutor João Moreira, 207 Bairro: Centro Cidade: Fortaleza CEP: 60.030-000 Distrito Federal – Federação das Associações Comerciais e Industriais do Distrito Federal e Entorno – FACIDF Presidente: José Sobrinho Barros SAI Quadra 5C, Lote 32, sala 101 Cidade: Brasília CEP: 71200-055

CONSELHO FISCAL TITULARES Jonas Alves de Souza - MS Marcito Aparecido Pinto - RO Pedro José Ferreira - TO

Espírito Santo – Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropastoris do Espírito Santo – FACIAPES Presidente: Arthur Avellar Rua Henrique Rosetti, 140 - Bairro Bento Ferreira Vitória ES - CEP 29.050-700

CONSELHO FISCAL SUPLENTES Alexandre Santana Porto - SE Leocir Paulo Montagna - MS Valdemar Pinheiro - AM

Goiás – Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Estado de Goiás – FACIEG Presidente: Ubiratan da Silva Lopes Rua 143 - A - Esquina com rua 148, Quadra 66 Lote 01 Bairro: Setor Marista Cidade: Goiânia CEP: 74.170-110

CONSELHO NACIONAL DA MULHER EMPRESÁRIA Avani Slomp Rodrigues CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO JOVEM EMPRESÁRIO Marduk Duarte COORDENADORA DE ASSUNTOS INSTITUCIONAIS Luzinete Marques COORDENAÇÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL fróes, berlato associadas EQUIPE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Marcelo Melo Neusa Galli Fróes Thaís Margalho COORDENADOR DO EMPREENDER Carlos Alberto Rezende COORDENADOR NACIONAL DA CBMAE Valério Figueiredo COORDENADOR DO PROGERECS Luiz Antonio Bortolin SCS Quadra 3 Bloco A Lote 126 Edifício CACB 61 3321-1311 61 3224-0034 70.313-916 Brasília - DF Site: www.cacb.org.br

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Acre – Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Acre – FEDERACRE Presidente: George Teixeira Pinheiro Avenida Ceará, 2351 Bairro: Centro Cidade: Rio Branco CEP: 69909-460

Empresa BRASIL

Maranhão – Federação das Associações Empresariais do Maranhão – FAEM Presidente: Júlio César Teixeira Noronha Rua Inácio Xavier de Carvalho, 161, sala 05, Edifício Sant Louis. Bairro: São Francisco- São Luís- Maranhão CEP: 65.076-360 Mato Grosso – Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Mato Grosso – FACMAT Presidente: Jonas Alves de Souza Rua Galdino Pimentel, 14 - Edifício Palácio do Comércio 2º Sobreloja – Bairro: Centro Norte Cidade: Cuiabá CEP: 78.005-020 Mato Grosso do Sul – Federação das Associações Empresariais do Mato Grosso do Sul – FAEMS Presidente: Antônio Freire Rua Quinze de Novembro, 390 Bairro: Centro Cidade: Campo Grande CEP: 79.002-917 Minas Gerais – Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Minas Gerais – FEDERAMINAS Presidente: Wander Luís Silva Avenida Afonso Pena, 726, 15º andar Bairro: Centro Cidade: Belo Horizonte CEP: 30.130-002 Pará – Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Pará – FACIAPA Presidente: Reginaldo Ferreira Avenida Presidente Vargas, 158 - 5º andar Bairro: Campina Cidade: Belém CEP: 66.010-000 Paraíba – Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Paraíba – FACEPB Presidente: Alexandre José Beltrão Moura Avenida Marechal Floriano Peixoto, 715, 3º andar Bairro: Bodocongo Cidade: Campina Grande CEP: 58.100-001

Rio de Janeiro – Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Rio de Janeiro – FACERJ Presidente: Jésus Mendes Costa Rua do Ouvidor, 63, 6º andar - Bairro: Centro Cidade: Rio de Janeiro CEP: 20.040-030 Rio Grande do Norte – Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Norte – FACERN Presidente: Sérgio Roberto de Medeiros Freire Avenida Duque de Caxias, 191 Bairro: Ribeira Cidade: Natal CEP: 59.012-200 Rio Grande do Sul – Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul - FEDERASUL Presidente: Ricardo Russowsky Rua Largo Visconde do Cairu, 17, 6º andar Palácio do Comércio - Bairro: Centro Cidade: Porto Alegre CEP: 90.030-110 Rondônia – Federação das Associações Comerciais e Industriais do Estado de Rondônia – FACER Presidente: Marcito Pinto Rua Dom Pedro II, 637 – Bairro: Caiari Cidade: Porto Velho CEP: 76.801-151 Roraima – Federação das Associações Comerciais e Industriais de Roraima – FACIR Presidente: Jadir Correa da Costa Avenida Jaime Brasil, 223, 1º andar Bairro: Centro Cidade: Boa Vista CEP: 69.301-350 Santa Catarina – Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina – FACISC Presidente: Alaor Francisco Tissot Rua Crispim Mira, 319 - Bairro: Centro Cidade: Florianópolis - CEP: 88.020-540 São Paulo – Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo – FACESP Presidente: Rogério Pinto Coelho Amato Rua Boa Vista, 63, 3º andar Bairro: Centro Cidade: São Paulo CEP: 01.014-001 Sergipe – Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropastoris do Estado de Sergipe – FACIASE Presidente: Alexandre Santana Porto Rua Jose do Prado Franco, 557 Bairro: Centro Cidade: Aracaju CEP: 49.010-110 Tocantins – Federação das Associações Comerciais e Industriais do Estado de Tocantins – FACIET Presidente: Pedro José Ferreira 103 Norte Av. LO 2 - 01 - Conj. Lote 22 Prédio da ACIPA Bairro: Centro Cidade: Palmas CEP: 77.001-022

• O conteúdo desta publicação representa o melhor esforço da CACB no sentido de informar aos seus associados sobre suas atividades, bem como fornecer informações relativas a assuntos de interesse do empresariado brasileiro em geral. Contudo, em decorrência da grande dinâmica das informações, bem como sua origem diversificada, a CACB não assume qualquer tipo de responsabilidade relativa às informações aqui divulgadas. Os textos assinados publicados são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.


PALAVRA DO PRESIDENTE José Paulo Dornelles Cairoli

O uso racional do crédito pela microempresa

A

onda de cortes da taxa Selic, além de servir como uma espécie de isca para aquelas pessoas físicas interessadas na compra de algum bem, começa a contribuir igualmente para as empresas retomarem antigos projetos que dependiam de financiamentos sem a carga dos abusivos juros praticados até então. Se bem que o spread cobrado pelos bancos ainda não se reduziu ao patamar idealizado pelo governo, o certo é que estamos diante de um dos momentos de maior concorrência entre as instituições bancárias. E pelo jeito, a guerra de ofertas não tem sido em vão, como mostra a matéria de capa desta edição de Empresa Brasil. Nessa linha, devemos saudar mais esta medida do governo de reduzir juros do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal que, junto com a pressão para que os bancos privados sigam o mesmo exemplo, abre caminho para estimular a cadeia produtiva a investir. Essa lógica também deve contribuir para que o segmento da microempresa retome o passo no sentido de conquistar a sua meta principal, que é crescer. Todos sabem que passar de micro para pequena e de pequena para médio porte, além de uma atitude destemida, impõe muitos riscos, o que implica um planejamento mais seguro. Felizmente, pelas informações que têm sido divulgadas pelos bancos, a grande maioria das pequenas e micro empresas tomadoras de empréstimos está utilizando esses recursos para o pagamento de suas dívidas e somente depois disso, se sobrar, aplicará em investimentos. Esse quadro, se ainda não é o ideal, serve pelo menos para escancarar a realidade do Brasil no que se refere à criação de um ambiente propício para o desenvolvimento que, por sua vez, gera renda e cria empregos. Ocorre que entre as barreiras enfrentadas pelas pequenas e microempresas no momento de crescer estão as questões, entre outras, de ordem tributária e trabalhista. Fora do Simples – sistema unificado de tributos para empreendimentos com faturamento anual até R$ 3,6 milhões –, a empresa tem muito mais guias e regras para declarar e recolher os impostos. Outro dado diz respeito aos custos de criação de um emprego. Segundo o economista José Pastore, para contratar um funcionário, tanto o pequeno empresário quanto a grande companhia gastam, em média, mais que o dobro do que pagam como salário. Isso acontece porque quem oferece o emprego precisa pagar encargos que somam 102% da folha de pagamento. Uma despesa elevada demais para quem, como a microempresa, ainda carece de um cenário mais seguro, em que as reformas tributária e trabalhista façam parte de uma nova agenda de governo.

José Paulo Dornelles Cairoli, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil

Junho de 2012

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ÍNDICE

8 CAPA

3 PALAVRA DO PRESIDENTE A onda de cortes da taxa Selic começa a contribuir para as pequenas e micro empresas retomarem antigos projetos que dependiam de financiamentos.

5 PELO BRASIL Conselho da Mulher Empresária incentiva implantação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa no Paraná.

8 CAPA Comércio varejista e setor de serviço lideram demanda recorde por crédito,no setor da MPE, no primeiro quadrimestre do ano.

12 CASE DE SUCESSO Congresso Amazônico de Óticas fortalece setor no Pará.

24 TRABALHO

14 DESTAQUE CACB Entidade oferece modalidades de negócios capazes de dar autossustentabilidade financeira das instituições filiadas.

17 FEDERAÇÕES Wander Luis Silva, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas), é o entrevistado na edição deste mês.

20 CBMAE CACB e Sebrae realizam Segundo Mutirão de Conciliação Empresarial, entre 6 e 11 de agosto. A meta é atender cerca de 5 mil demandas.

22 FINANÇAS 26 TENDÊNCIAS

Inadimplência avança pela 15ª vez consecutiva. Segundo dados do SPC Brasil, esse índice registrou alta de 4,32% em maio último na comparação com o mesmo mês de 2011.

24 TRABALHO Inovar é o novo desafio do profissional de recursos humanos.

26 TENDÊNCIAS Rio+20 pode beneficiar o ecoturismo brasileiro. Apesar de seu enorme potencial, a atividade no país ainda é inexpressiva.

28 CASE DE SUCESSO

EXPEDIENTE

Núcleo de Pimenta Bueno é referência têxtil em Rondônia.

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Coordenação Editorial: Neusa Galli Fróes fróes, berlato associadas

30 LIVROS Além da Euforia é o novo livro dos economistas Fábio Giambiagi e Armando Castelar Pinheiro.

escritório de comunicação Edição: Milton Wells - mwells@terra.com.br Projeto gráfico: Vinícius Kraskin

31 ARTIGO João Xavier escreve sobre motivação.

Diagramação: Kraskin Comunicação Revisão: Flávio Dotti Cesa Colaboradores: Thaís Margalho e Marcelo Melo Execução: Editora Matita Perê Ltda. Comercialização: Fone: (61) 3321.1311 - comercial@cacb.org.br Impressão: Arte Impressa Editora Gráfica Ltda. EPP

Empresa BRASIL

SUPLEMENTO ESPECIAL

Sebrae, parceiro oficial na realização da Rio+20, estimula a sustentabilidade das micro e pequenas empresas.


PELO BRASIL

Conselho da Mulher Empresária incentiva implantação da Lei Geral da MPE O Conselho Nacional da Mulher Empresária (CNME) reuniu-se com os conselhos estadual e do interior do Paraná, no último dia 25 de maio, para discutir a implantação da Metodologia do Empreender na implantação dos novos Conselhos. Será fechada uma parceria com o Sebrae PR para incentivar a implantação da Lei Geral nos municípios que ainda não estão de acordo com a lei. Hoje, dos 399 municípios do Paraná, apenas 46 não implantaram a lei. O CNME pretende ainda entrar em contato com o Sebrae dos outros estados a fim de estender a parceria e fomentar e incentivar a criação de núcleos setoriais dentro de acordo com a realidade de cada município. Para a presidente do CNME, Avani Rodrigues, “a importância da parceria está em aliar o conhecimento técnico do Sebrae à capilaridade do sistema associativo

Integrantes do Conselho da Mulher em reunião com a equipe do Sebrae-PR na formação de consórcios ou núcleos setoriais para fomentação de negócios”. Ela explica ainda que o CNME, por meio dos conselhos locais, fará uma campanha de divulgação da lei geral, conscientizando os

representantes políticos locais dos benefícios da implantação. “Quando você desonera o setor produtivo, você gera mais emprego, e emprego gera renda; renda gera consumo; consumo gera tributo”, justifica.

A partir da preocupação com o desenvolvimento sustentável, a Associação Comercial do Paraná (ACP) reuniu-se com o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, a fim de estimular a adesão do município ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU). A ACP já é signatária do pacto e espera a inclusão da capital paranaense no Pacto Global das Cidades, de forma que, além do setor empresarial, o poder público também possa reafirmar o compromisso com a sociedade na promoção de uma economia sustentável.

O prefeito Luciano Ducci será um dos participantes da Conferência Rio+20, no Rio de Janeiro, onde irá detalhar o projeto dos ônibus híbridos que serão utilizados na cidade a partir do segundo semestre. Segundo Ducci, os novos ônibus diminuem em 80% a emissão de gases do efeito estufa. Na condição de apoiadora da iniciativa, por sua vez, a ACP encaminhará um documento enfatizando a necessidade de união entre a sociedade e o setor empresarial para um futuro melhor para os seres humanos. Fonte: Com informações da ACP

Foto: Felipe Rosa

Sustentabilidade é preocupação de setores público e empresarial no Paraná

Prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, a professora Ana Narchornik e o presidente da ACP, Edson José Ramon Junho de 2012

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PELO BRASIL

Facmat oferece novos serviços A Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Mato Grosso (Facmat) ofereceu para suas filiadas, no último dia 25 de maio, um treinamento sobre as diferentes oportunidades do Programa de Geração de Receitas e Serviços (Progerecs) da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB). O objetivo foi auxiliar os associados em sua gestão de negócios e ainda garantir a sustentabilidade financeira das entidades. Um dos serviços apresentados foi o NF-e do Brasil, um portal que permite ao empresário emitir as notas fiscais eletrônicas e ainda manter o arquivo XML armazenado pelo período exigido por lei (cinco anos mais o ano vigente), com menos de um real por nota emitida. No período da tarde foi apresentado o MT Fomento, um programa de crédito empresarial que garante acesso ao crédito para fomentar negócios dos micro, pequenos e médio empreendimentos. Podem ser financiados máquinas, equipamentos, ferramentas, matérias-primas e bens destinados a produção, prestação de serviços e comercialização.

Também foi apresentado o cartão ACCrédito, uma parceria com a Federação das Associações Comerciais do estado de São Paulo (Facesp) para a venda de cartões alimentação e educação. Com a utilização dos cartões ACCrédito educação, social, alimentação e convênio pelas empresas através das ACEs haverá, o fortalecimento econômico local, além de trazer receita para a associação. “Estamos ofertando ferramentas para que as associações comerciais e empresariais possam diversificar os seus serviços, oferecendo novos produtos para as empresas, além de garantir a sustentabilidade da associação, para fazer frente aos gastos operacionais mensais”, afirma o presidente em exercício da Facmat, Jonas Alves. Fonte: FACMAT

Certificados com desconto em 11 cidades de Pernambuco Já estão em pleno funcionamento os novos Pontos de Atendimento (PAs) para Certificação Digital (AC-Certisign). Os municípios de Arcoverde, Pesqueira, Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Surubim, Limoeiro, Paudalho, Vitória de Santo Antão, Camaragibe, Gravatá e ACP-Recife já foram beneficiados, e estes PAs deverão também absorver a demanda dos municípios vizinhos. As empresas filiadas das Associações Comerciais serão contempladas com descontos especiais na compra dos certificados digitais AC Certisign. Fonte: Facep

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Empresa BRASIL

Distrito Federal ganha agenda legislativa do comércio A Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF) publicou a Agenda Legislativa 2012, em parceria com o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar) e a Associação dos Supermercados de Brasília (Asbra), e apoio da Federação das Associações Comerciais do Distrito Federal (FACIDF). O objetivo do documento é pautar os interesses do setor de comércio e serviços junto ao poder público e criar um canal de interlucução com as autoridades. O material de 92 páginas contém 15 projetos considerados prioritários, que compõem uma agenda mínima que o setor pretende ver debatida no Legislativo. E também outros 20 projetos destacados, que compreendem temas que apontam alterações no regime tributário e fiscal do Distrito Federal e do Brasil, defesa do consumidor, meio ambiente e segurança.


A Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) divulgou a Carta de Canela, resultado dos debates do seu 10º Congresso das Entidades Filiadas, que ocorreu entre os dias 30 de maio e 1° de junho na cidade gaúcha. O documento salienta que o país vive um cenário de desaceleração da atividade econômica e que as recentes medidas adotadas pelo governo federal não parecem suficientes para uma retomada vigorosa e consistente do crescimento econômico e controle da inflação em patamares mais baixos. Os congressistas consideram que é preciso avançar para chegar a um ci-

clo de desenvolvimento sólido. Na agenda de mudanças necessárias, a Carta de Canela inclui o controle dos gastos públicos e a redução gradual da carga tributária, levando à redução da taxa de juros. O presidente da Federasul, Ricardo Russowsky, afirma que “a Carta de Canela ressalta que é preciso destinar uma parcela maior dos gastos à educação e adotar medidas de estímulo à inovação”. Realizado durante dois dias, o 10º Congresso das Entidades Filiadas à Federasul reuniu cerca de 300 pessoas. Fonte: CACB, com informações da Federasul

Foto: Imprensa Federasul

Carta de Canela, da Federasul, defende a retomada do crescimento da economia

Simone Leite, vice-presidente de Integração, lê Carta de Canela

Conselhos diretor e fiscal da CACB se reúnem em Canela

Associação Comercial e Empresarial de Sergipe completa 140 anos A programação dos 140 anos da Acese foi apresentada aos associados e convidados durante a 4ª edição do Almoço com Negócios promovido no dia 25 de maio. Autoridades locais, associados e imprensa participaram do evento que abriu as comemorações. O presidente da entidade, Alexandre Porto, também reuniu 11 ex-presidentes vivos, em uma audiência especial com o governador Marcelo Déda. Com cerca de 20 eventos especiais, a programação comemorativa envolve atividades institucionais, culturais, históricas, esportivas, de responsabilidade social e ambiental, que serão encerradas com uma grande festa no mês de novembro. A programação completa está disponível pelo www.acese.org.br

Durante o 10° Congresso das Entidades Filiadas à Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) aconteceu ainda a segunda reunião anual dos Conselhos Diretor e Fiscal da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB). Na pauta, assuntos como a agenda política do setor e a participação da entidade em eventos como Rio+20, Congresso da International Chamber of Commerce (ICC) e Conselho de Competitividade do Comércio – Brasil Maior. Também foram apresentados os resultados obtidos no primeiro semestre por cada um dos projetos da entidade: Empreender (Nacional e Internacional), Integra, Programa de Geração de Receitas e Serviços da CACB (Progerecs) e Câmara Brasileira de Mediação e Arbitragem Empresarial (CBMAE). Junho de 2012

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CAPA Foto: divulgação

Redução da taxa de juro intensifica concorrência na oferta de crédito às MPEs Comércio varejista e setor de serviço lideram demanda recorde no primeiro quadrimestre do ano

S

e você é microempresário, é quase certo que nas últimas semanas tenha recebido inúmeros telefonemas do telemarketing do banco onde sua empresa mantém conta corrente. Com a redução da taxa de juro, foi intensificada a concorrência entre as instituições bancárias, o que veio em benefício não somente de pessoas físicas interessadas na compra de algum bem, mas, sobretudo, das pequenas e microempresas, que agora têm a oportunidade de retomar antigos projetos esquecidos em suas gavetas. E, pelo jeito, a guerra de ofertas de crédito não tem sido em vão. Um exemplo é a Caixa Econômica Federal. Somente no primeiro quadrimestre de 2012, a demanda da MPE foi de R$ 17,5 bilhões, com um crescimento de 53% superior em comparação a igual período de 2011, informa o superintendente nacional de micro e pequenas empresas da Caixa, Dário Castro de Araújo.

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Empresa BRASIL

De acordo com Araújo, há uma concentração de MPE no setor de comércio varejista e serviços e isso se reflete na demanda por crédito. Sobre as exigências de acesso a taxas de juros mais favorecidas, ele assegura que tanto os atuais como novos clientes são beneficiados. “Para ter acesso ao crédito, a empresa precisa ser aprovada no modelo de avaliação da Caixa, não sendo necessária a obtenção de taxas do histórico de correntista”, afirma. “Não há burocracia, pois a avaliação para capital de giro e projetos pode ser efetuada na própria agência para a maioria das linhas de crédito voltadas para esse público.” Satisfeito com a demanda, Araújo lembra que no final de 2011 o saldo da carteira de MPE era de R$ 14,9 bilhões e representava 36% da carteira de pessoa jurídica da Caixa. Em 30 de abril deste ano, o saldo da mesma carteira era de R$ 20,4 bilhões, passando a representar 44,5% do das operações de crédito pessoa jurídica da instituição.


Foto: divulgação

Foto: divulgação

BNDES: aposta na geração de emprego e renda

Castro de Araújo, da Caixa: capital de giro sem burocracia Em linha com o mercado e dono de uma relação histórica com o setor – a instituição se autodefine como o “Banco das Micro e Pequenas Empresas” –, o Banco do Brasil criou em maio um conjunto de medidas denominado Bompratodos, que promove a redução de taxas das principais linhas de crédito voltadas para pessoas físicas e micro e pequenas empresas. Além da diminuição dos spreads bancários, o BB elevou os limites de crédito em R$ 27 bilhões para as MPE e R$ 16,3 bilhões para pessoas físicas. A recepção das medidas do Bompratodos, segundo Adilson do Nascimento Anísio, diretor de micro e pequenas empresas do Banco do Brasil, tem sido positiva. “As diversas medidas adotadas pelo banco proporcionaram, desde o lançamento do Bompratodos até 2 de junho, um volume de R$ 12,6 bilhões de desembolsos nas linhas de crédito priorizadas na estratégia, o que representou um crescimento de 21,8% no valor médio diário liberado em relação a março de 2012”, informou. Em sua carteira, o Banco do Brasil detém mais de 2,15 milhões de clientes pertencentes ao segmento da MPE, sendo que desse total quase 95% dos clientes

são classificados de acordo com a Lei Geral do setor, com faturamento de até R$ 3,6 milhões. Já o BNDES reduziu os juros e ampliou a abrangência de seu programa destinado ao financiamento de capital de giro. As alterações foram feitas no Programa BNDES de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (BNDES Progeren), destinado a aumentar a produção, o emprego e a massa salarial. As mudanças, segundo nota da assessoria de imprensa do banco, incluem diminuição dos custos de financiamento para empresas de todos os portes, ampliação dos setores beneficiados e revisão do limite orçamentário. A taxa cobrada pelo BNDES para as micro e pequenas será de apenas 6% ao ano. Anteriormente, era de 9,5%. O programa vai operar apenas na modalidade indireta, e a essas taxas será acrescida a remuneração do agente financeiro, a ser negociada entre o tomador final e o banco repassador. Outra novidade é, que a partir de agora, as médias empresas de toda a indústria de transformação poderão obter financiamento do BNDES Progeren. Junho de 2012

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CAPA

As prioridades devem ser geração de caixa e pagamento de dívidas Foto Bernardo Rebello/ASN

Em um ambiente de incerteza externa e de crescimento anêmico da atividade doméstica, provavelmente as empresas deverão priorizar a geração de caixa e alguma inovação. Investimento só deve deslanchar quando o cenário externo desanuviar e as empresas começarem a vislumbrar um crescimento mais robusto da economia e da demanda. A opinião é do economista Wermerson França, da LCA Consultores, para quem o cenário do setor deve melhorar ao longo do segundo semestre, quando a atividade doméstica reagir mais claramente às recentes medidas de estímulo ao crédito, ao investimento e ao consumo adotadas pelo governo federal. Além disso, segundo França, as taxas de inadimplência e de falências, requeridas e decretas, também devem recuar como reflexo de um cenário de retomada do crescimento econômico interno. “Para 2013, o cenário também é mais positivo, se medirmos pela perspectiva de que a crise financeira global deverá ter um desfecho definitivo”, diz. De acordo com França, o setor tem crescido forte nos últimos anos com acentuada presença no segmento de comércio e serviços. Entretanto, a informalidade e o acesso ao crédito ainda permanecem como grandes desafios. Lembra que a taxa de sobrevivência perto de 70%, ou seja, sete em cada dez empresas sobrevivem no Brasil após dois anos da abertura, segundo dados do Sebrae, vem se aproximando das calculadas pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para países como Itália (68%),

Alvim: “Quem mais gera emprego é o setor de serviços”

Espanha (69%), Canadá (75%) e Luxemburgo (76%). Paulo Alvim, gerente da unidade de acesso a mercados e serviços financeiros, do Sebrae, inclui a melhoria dos procedimentos cadastrais – nível e volume de informações para tomar crédito – como outro desafio do setor. Sobre o uso dos recursos do crédito, em um primeiro momento ele acredita que o setor deve dar prioridade à renegociação de dividas anteriores, havendo possibilidade de serem investidos em uma ampliação, o que pode gerar novos empregos. “Isso depende do tipo de atividade econômica – quem mais gera emprego é o setor de serviços, seguido do comércio, agronegócio e indústria –, entretanto, em cada atividade há segmentos que geram mais que outros, em função do nível de automação”, diz.

O que custa criar um emprego Para contratar um funcionário, tanto o pequeno empresário quanto a grande companhia gastam, em média, o dobro do que pagam como salário. Isso acontece porque quem oferece o emprego precisa pagar encargos que somam 102% da folha de pagamentos, de acordo

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com cálculos do economista José Pastore. Entre esses compromissos há benefícios diretos para o assalariado, como férias remuneradas e 13º salário, benefícios indiretos, como o FGTS, e contribuições com outros fins, como o salário-educação e a manutenção do Sistema S.


Foto: divulgação

Pequenos e micro buscam crédito para aliviar o caixa

Bancos privados ampliam limites das linhas de crédito Foto: divulgação

Com a queda da taxa Selic, assim como ocorreu com os bancos oficiais, o setor privado também passou a adotar uma série de ações com vistas ao fortalecimento da oferta de crédito para as pequenas e microempresas. O Santander, por exemplo, decidiu reduzir as taxas de juros em algumas modalidades de crédito às empresas e implantar no Brasil um modelo de gerente unificado, para sócios de empresas com faturamento anual de até R$ 1 milhão, o que permite a redução em taxas de pacotes de serviços. Isso significa que esses clientes passam a ter o mesmo gerente nas contas Pessoa Física e Pessoa Jurídica. “Com o modelo unificado, o banco passará a ter melhor gestão do risco e oferecerá maior acesso ao crédito e taxas mais competitivas aos empresários”, disse Pedro Coutinho, vice-presidente executivo comercial.

De acordo com ele, o atendimento unificado permite que o gerente conheça melhor o seu cliente e forneça apoio na gestão financeira do seu negócio e da sua vida pessoal. “Com isso, podemos oferecer soluções de forma mais efetiva”, diz. O Bradesco, de sua parte, ampliou o limite de crédito em mais R$ 15 bilhões, sendo R$ 9 bilhões para pessoas físicas e R$ 5 bilhões para pessoas jurídicas. Para as pequenas e microempresas, o Bradesco criou uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para capital de giro e CDC (crédito direto ao consumidor) para aquisição de máquinas e equipamentos. A taxa para essa linha será de 2,90% ao mês, comparada à anterior de 5,56%, segundo o comunicado do banco. Já no caso do Itaú Unibanco, a redução chegou a 66% no cheque especial, de forma que os juros passam a ser de a partir de 1,95% ao mês. Para as peque-

Pedro Coutinho: “É preciso conhecer melhor o cliente” nas e microempresas houve cortes em várias linhas de empréstimos, segundo o banco, que afirma ter volume de crédito superior a R$ 70 bilhões para o segmento. No capital de giro as taxas serão a partir de 1,14% ao mês, e em desconto de duplicatas e cheques, a partir de 1,29% ao mês. Junho de 2012

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CASE DE SUCESSO

Integrantes do Núcleo na festa de premiação da campanha de Natal das óticas

1o Congresso Amazônico de Óticas fortalece setor no Pará Núcleo setorial de Ananindeua, no Pará, empenha-se em potencializar o segmento na região

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m congresso que una e fortaleça o setor óptico. É com este objetivo que o Núcleo de Óticas do Pará realiza em Belém o 1º Congresso Amazônico de Óticas e se torna um dos destaques brasileiros do Empreender, programa da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB). A ideia é discutir temas que auxiliem, aperfeiçoem e potencializem o crescimento do segmento. O evento será realizado durante os dias 4 e 5 de agosto e é uma oportunidade única para a região, o mercado e o empresariado, já que vai trará à tona informações importantes para a empresa que busca mais qualidade e inovação no ramo. Serão três os eixos temáticos de discussão: Tendências para o segmento óptico; Saúde ocular; e Pesquisa de mercado e perfil do consumidor. O congresso terá também workshops sobre técnicas de vendas, pupilometria, medidas óticas, lesômetria, vitri-

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nismo e layout de loja, entre outros assuntos que visam melhorar o desempenho do empresário. A ideia de realização do congresso, de acordo com o Coordenador do Núcleo Setorial de Óticas da Associação Comercial de Ananindeua (Nuso Acia), Ranilson Moraes, se deu em consequência da necessidade de contribuir para o aperfeiçoamento e crescimento dos negócios das empresas filiadas. “Há um ano e meio atrás, com a abertura da chamada de projetos da CACB, o grupo de Empresários do Nuso percebeu a oportunidade de se inserir, por meio do projeto que o grupo já desenvolvia desde a sua fundação, o projeto ‘Desenvolvimento do Núcleo Setorial de Óptica’, que, aprovado, possibilitou a continuidade de suas ações de mercado até então.” O grupo se baseou, então, em pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, que avaliou o potencial do mercado a ser explorado. “A projeção da pesquisa mostra uma relação


de número de habitantes por estabelecimento no país – 7.296 Habitantes/Ótica. Na região Norte essa razão se duplica, o que garante uma grande oportunidade de crescimento dos negócios do segmento óptico em nossa região”, explica o Coordenador. Outros dados revelados pela pesquisa mostram que existem cerca de 24 mil óticas registradas no Brasil, com uma média nacional de faturamento mensal de 27.647,00 reais. Só na região norte são 870 óticas registradas, com um faturamento médio em 21.637,00 reais. Ainda conforme a pesquisa, o Setor Óptico movimentou no ano de 2010 aproximadamente 16 bilhões de reais, apresentando números crescentes. De 2006 a 2010 houve um crescimento de 68%, e no período de 2010 a 2011 o crescimento foi de 25%. O gerente da Óptica Luz, Geelan Sousa, uma das empresas associadas ao Nuso, explica que o congresso traz boas expectativas para toda região. “O mercado de óticas na região é abandonado de conhecimento. Com a realização desse primeiro congresso grandes empresas e marcas já consolidadas vêm de outras regiões nos ensinar muita coisa.” Geelan fala

também sobre a possibilidade de melhorar concretamente a empresa na qual trabalha. “No congresso teremos estandes com equipamentos, softwares que aperfeiçoam a administração de uma óptica. Poderemos fechar negócios que realmente representem algum avanço para a óptica.” Já Luzia Lima de Sousa, proprietária da Luzióptica, participa do Nuso há quatro anos. Ela explica que a expectativa para o congresso “é muito boa, pois é uma novidade no mercado óptico de Belém. Espero ficar mais conhecida no segmento. O que pode ser positivo é o conhecimento que vamos adquirir através das palestras e dos minicursos que irão acontecer durante o congresso”. O 1º Congresso Amazônico de Óticas é uma realização do Núcleo Setorial de Óticas da Associação Comercial de Ananindeua (PA) e será agregada a ideia de uma grande feira de negócios, com a participação de indústrias do segmento óptico, para que o empresariado possa fechar negócios e estabelecer novas parcerias. As inscrições podem ser feitas até o dia 16 de julho.

Núcleo setorial completa cinco anos de existência O Núcleo Setorial de Óticas (Nuso) conta com dez empresas associadas e é fruto de parceria entre a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Sebrae e a Associação Empresarial de Ananindeua (Acia). Fundado em 2007, o núcleo completa cinco anos de existência em junho. O coordenador do núcleo afirma que “na prática, a metodologia do projeto Empreender reproduz o velho provérbio que diz que várias cabeças pensam melhor que uma. Cada empresário repassa a sua experiência e, em troca, recebe várias. Isso faz com que haja um crescimento de todo o setor, que passa a ser mais competitivo, gera mais emprego e provoca uma reação em cadeia em

toda a estrutura produtiva municipal”. De acordo com Geelan Souza, gerente da Óptica Luz, a partir dessa ideia “aceitamos o desafio de se tornar o Núcleo Setorial de Óticas, quebrando paradigmas, nos quais o concorrente passou de adversário para parceiro, e essa parceria só tende a crescer”. Ele ressalta ainda outros benefícios. “Já fizemos compras coletivas, nas quais conseguimos produtos e equipamentos com preço bem mais em conta, e sozinho isso jamais seria possível. Além disso, o núcleo está em constante melhoria e busca sempre cursos de aprimoramento para as empresas.” Luzia Lima de Sousa, dona da Luzióptica, afrima que “o maior benefício é o

maior entrosamento com outros empresários do mesmo segmento. Nós conseguimos ser notados como participantes de um núcleo ligado a uma associação que nos dá respaldo maior. Tive muita melhora na gestão que, graças ao projeto via Nuso, me fez informatizar minha empresa”. A empresária explica ainda que o núcleo sempre contribuiu por meio de cursos. “Fizemos projetos que nos tornaram mais capacitados. Já foi cogitada a ideia de fazermos um planejamento para se montar uma central de compras coletivas. Hoje podemos mensurar melhor a nossa gestão e perceber o que está acontecendo. Esperamos poder participar de outros projetos da CACB.”

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DESTAQUE CACB

Muito além do associativismo Além dos benefícios do trabalho em equipe para a conquista de melhores resultados, a CACB também oferece modalidades de negócios capazes de proporcionar autonomia financeira às instituições filiadas

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sustentabilidade financeira e institucional é uma meta de todas as associações comerciais, especialmente das pequenas. Atrair e fidelizar filiados são trabalhos que vão além do comercial. É preciso dar atenção às reais necessidades do mercado nacional e local, além de oferecer benefícios institucionais e comerciais que reforcem a importância do associativismo. A partir da criação do Programa de Geração de Receitas e Serviços da CACB (Progerecs), em 2006, passaram a ser oferecidas para toda a rede diversas oportunidades de negócios a serem exploradas. São opções em certificação digital e de origem, nota fiscal eletrônica, cartões corporativos, clube de vendas – algumas com modelos de negócios prontos, que podem ser adaptados e gerenciados de acordo com as especificidades locais.

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Antônio Bortolin: “É preciso conhecer os serviços oferecidos pela confederação e federações”


O coordenador do Progerecs, Antônio Bortolin, explica que “quando a entidade não conhece os serviços oferecidos pela federação e pela confederação, acaba procurando parcerias paralelas, que nem sempre são vantajosas. A CACB oferece serviços que só são possíveis a tal preço por causa da escala. Conhecer a potencialidade que a própria entidade tem a oferecer é fundamental”. O empreendedorismo, aliado a um conhecimento das oportunidades já oferecidas, é a chave para não cair nesse tipo de erro. Manter os gestores cientes dos produtos e serviços oferecidos fortalece a rede e beneficia os associados, criando a base para a sustentabilidade financeira da entidade e melhorando os serviços oferecidos à sociedade empresarial. Workshop sai na frente Nos dias 21 e 22 de maio, o Progerecs - Programa de Geração de Receitas e Serviços, da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), realizou o workshop de Certificação Digital em São Paulo, no auditório da sede da Boa Vista Serviços (BVS). O objetivo do evento foi tirar dúvidas, explicar os processos da certificação digital e orientar os gestores e líderes empresariais. O evento, restrito a presidentes de federações e gestores das entidades filiadas, ofereceu também espaço para o debate das várias opções de negócios. Foram apresentadas as possibilidades comerciais e os cases de sucesso da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que desenvolveu um projeto de cartões corporativos para prefeituras do interior e um clube de vendas para ampliar os ganhos com a certificação digital. Também foram discutidos temas como técnicas para o aumento da produtividade, mercado atual e tendências e novas oportunidades de negócios.

Segundo o coordenador do Progerecs, Antônio Bortolin, “este foi um momento muito importante para consolidar o pensamento associativo e aparar algumas arestas”. Já o diretor financeiro da CACB, George Teixeira, explica que “é importante uma reunião só com os gestores e presidentes para pensarmos que o conhecimento dos serviços oferecidos pode dar a nossa entidade liberdade financeira, ou no mínimo uma situação mais tranquila”. Participaram do evento representantes de 25 estados, além dos presidentes das Federações dos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Acre, Goiás e Amazonas. Na ocasião, o responsável pelas Alianças & Parcerias da BVS, José Wagner Simpioni, e outros diretores da empresa estiveram disponíveis para sanar todas as dúvidas a respeito de questões operacionais e comerciais com os presidentes e gestores das federações interessadas.

Evento sobre Certificação Digital orientou gestores e líderes empresariais

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DESTAQUE CACB

Certificação Digital Como carro chefe do Progerecs, a parceria com a Boa Vista Serviços (BVS) permite aos filiados da CACB preços mais acessíveis junto à empresa que detêm 40% do market share nacional em certificação, com seis milhões de emissões por ano. De acordo com presidente da Boa Vista Serviços (BVS), Dorival Dourado, “esse é um momento de desafio. Precisamos reestruturar nossa documentação para um novo modelo, e até certo ponto reestruturar também a cultura brasileira”. A demanda do mercado brasileiro em certificação digital alcança cerca de 5,8 milhões de micro e pequenos empresários em todo o país. O certificado digital funciona como uma assinatura eletrônica que permite a realização de transações online, reduzindo a burocracia e o tempo de atendimento. Segundo o presidente do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), da Presidência da Republica, Renato Martini, “a transferência de modelos colocou o pais em xeque. Precisamos aumentar a segurança dos documentos, pois é a sociedade quem paga a fraude. O certificado digital oferece controle completo de a vida econômica e jurídica de um cidadão ou empresa”. Nota Fiscal Eletrônica Outra parceria que tem dado resultados é com a NFe do Brasil. A empresa permite, a partir de um portal 100% integrado com o portal da CACB e preços mais acessíveis aos filiados, uma emissão mais rápida e segura da nota fiscal eletrônica. O modelo emitido a partir da parceria permite a adequação à obrigatoriedade da Secretaria da Fazenda, redução de custo com papel, digitação e recepção de notas, agilidade nos processos e minimização de erros e aderência a legislação tributária. Além da facilidade e economia diferenciadas para as empresas que fazem transações comerciais internacionais. “Queremos que nosso cliente perceba que a nota que emitimos tem uma duração maior que àquela emitida gratuitamente pelo governo, com possibilidade de suporte técnico 24 horas e a garantia de que a empresa não vai ter problemas com a burocracia que infelizmente temos que lidar em nossas relações comerciais”, explica o presidente da NFe do Brasil, Antônio Gesteira.

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Empresa BRASIL

ACCrédito funciona como cartão de benefício A opção de cartões corporativos na rede CACB começou com a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) – a partir de um plano de negócios voltado para atender os funcionários das prefeituras das cidades do interior e fomentar o comércio local. “O mercado de cartões cresce a 20% ao ano e a oportunidade não pode ser ignorada; no nosso modelo, a gestão fica nas mãos da federação”, explica Giovanni Guerra, coordenador de produtos e serviços da Facesp. O ACCrédito funcional como um cartão de benefícios que o funcionário receber da empresa ou órgão para o qual presta serviços. Aquele cartão só é aceito em uma zona específica, de forma a estimular o beneficiário a usar os produtos e serviços da região e circular a economia local. Para trabalhar com o cartão, o comerciante precisa ser filiado à associação. Guerra explica ainda que “cada federação conhece seu mercado local e precisa olhar em volta e ver as possibilidades de crescimento”. Hoje existem 64 associações utilizando o serviço somente no interior de São Paulo, gerando um repasse de cerca de R$ 18 mil reais por mês para a federação.

Giovanni Guerra apresenta as opções de negócios do ACCrédito


JUNHO/2012 – SEBRAE.COM.BR – 0800 570 0800

INFORME DO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

ESPECIAL DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

CRESCIMENTO CONSCIENTE Sebrae, parceiro oficial na realização da Rio + 20, estimula o investimento em sustentabilidade como fator de competitividade para as micro e pequenas empresas


//D e se nvol v im en t o / /

SEBRAE MAPEIA IDEIAS DE NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS Durante a Rio+20, instituição vai incentivar a abertura de empresas ecologicamente corretas e mostrar como as oportunidades podem ser aproveitadas por novos empreendedores

NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS: ●

Lavanderia

Pousada

Fábrica de Cerâmica

Fábrica de Embalagens Ecológicas

Fábrica de Aquecedor Solar

Restaurante Natural

Lava-Jato

Produção de Biojoias

Hotel Fazenda

Reciclagem de lixo eletrônico

Gráfica

Fábrica de Cosméticos Ecológicos

Indústria de Pavimento Ecológico

Fábrica de Calçados Ecológicos

Retífica Ecológica

Indústria de Reaproveitamento de Resíduos ●

● Coleta e Reciclagem de Resíduos da Construção Civil ●

Carpintaria Verde

Fábrica de Conservas

Organizadora de Eventos Carbono Neutro ●

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EMPREENDER // SEBRAE

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ma academia, um salão de beleza ou uma papelaria? Durante a Rio+20, a conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada de 13 a 22 de junho no Rio de Janeiro, o Sebrae vai apresentar aos participantes iniciativas com foco nesse tema. É o caso das 20 Ideias de Negócios Sustentáveis, que reúne informações, orientações e dicas essenciais para quem pretende abrir uma empresa ecologicamente correta, socialmente justa e economicamente viável. “Hoje, produtos sustentáveis representam um importante nicho de mercado. No futuro próximo, será mais do que um nicho; será padrão exigido pelos consumidores. Há muitas oportunidades de negócios a explorar”, avalia o presidente do Sebrae, Luiz Barretto. Criado em 2007, o espaço que reúne as Ideias de Negócios aparece entre os acessados do Portal Sebrae (www. sebrae.com.br). Com média de duas mil visitas por dia, o endereço virtual traz informações úteis a quem pensa em se dedicar ao empreendedorismo. Com ênfase no desenvolvimento de atividades sustentáveis, as 11 ideias

que já estavam no catálogo foram atualizadas e mais nove, criadas. Sugestões para lavanderia, pousada, indústria de reaproveitamento de resíduos, organizadora de eventos carbono neutro e carpintaria verde fazem parte da lista. “Essas ideias resultam de pesquisas e trazem orientações sobre questões referentes ao espaço físico adequado, número de empregados, equipamentos principais e valor do investimento, dentre outras. Têm a finalidade de estimular os empreendedores brasileiros a considerarem práticas sustentáveis como algo fundamental para que seus negócios se desenvolvam”, destaca o diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos. De acordo com o viés de sustentabilidade da Rio+20, o pacote de informações ficará disponível apenas em formato digital, para evitar consumo e desperdício de papel. Os visitantes da conferência poderão consultar o material por meio de tablets, no espaço da Feira do Empreendedor Rio+20, que será montado no Parque do Flamengo, Zona Sul do Rio. Os conteúdos também serão incorporados ao portal do Sebrae.


//C ri at i v i da d e/ /

ROUPA SUSTENTÁVEL ESTÁ NA MODA Empresa carioca utiliza fibra de garrafas PET para confeccionar coleção

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o Rio de Janeiro, a empresa Ciclo Ambiental veste a sustentabilidade. A moda do empreendimento é feita de roupas e acessórios ecológicos confeccionados com garrafas PET recicladas e misturadas ao algodão. As embalagens PET são feitas de politereflalato de etileno 100% reciclável e a sua composição química não produz nenhum produto tóxico, sendo formada apenas de carbono, hidrogênio e oxigênio. Ao passarem por um processo industrial, as garrafas são derretidas a uma temperatura de 1800ºC e transformadas em fibras de poliéster. Associadas ao algodão, essas fibras podem ser usadas para confeccionar qualquer peça de vestuário. A empresária Isabele Delgado percebeu que, usando essa matériaprima, poderia ajudar a preservar o meio ambiente, além de prosperar profissionalmente. O envolvimento dela com a questão foi tão grande que resolveu apostar no empreendedorismo e montou o negócio. Pediu demissão do emprego e decidiu ser dona da própria vida. Em 2001, ela inaugurou a Ciclo Ambiental, que também tem responsabi-

Foto André Sodre

lidade social com a população de baixa renda. Isabele contrata mão de obra terceirizada. Fez parceria com uma cooperativa de costura e contratou um serigrafista. A equipe dá conta de produzir mensalmente cerca de 3 mil peças. O faturamento anual chega a R$ 30 mil. Na época da inauguração, o rendimento anual atingia R$ 5 mil e a produção mensal rendia cem peças. Segundo Isabele, a carteira de clientes tem aumentado consideravelmente. A coleção da Ciclo Ambiental circula como brindes em empresas públicas e privadas. A expectativa é continuar crescendo e conquistar novos mercados. “Para chegar até aqui, o Sebrae foi fundamental na minha vida. A instituição foi muito importante na formação de empreendedores e não foi diferente comigo”, afirma. //Rio+20 Há 40 anos, o Sebrae promove a competitividade e o desenvolvimento sustentável da micro e pequena empresa. Sustentabilidade é empreendedorismo, eficiência, inovação, gestão, lucro e responsabilidade social e ambiental. Por isso, a instituição é parceira oficial da Rio+20.

Empresária decidiu apostar no negócio que une lucratividade e preservação do meio ambiente

A COLEÇÃO DA CICLO AMBIENTAL CIRCULA COMO BRINDES EM EMPRESAS PÚBLICAS E PRIVADAS. A EXPECTATIVA É CONTINUAR CRESCENDO E CONQUISTAR NOVOS MERCADOS

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//No Am azo n a s / /

ARTESÃOS TRANSFORMAM LIXO E CONQUISTAM MERCADOS Bolsas e calçados de couro de peixe e fibras naturais viram febre no exterior

Foto Divulgação

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OS CALÇADOS ESTÃO NOS PÉS DAS CANADENSES, AMERICANAS E EUROPEIAS. E AS BOLSAS TAMBÉM ESTÃO NAS PRATELEIRAS INTERNACIONAIS

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EMPREENDER // SEBRAE

empresa Green Obsession transforma lixo em luxo pelas mãos de artesãs amazonenses. Calçados e bolsas são confeccionados a partir de couro de peixe, associado a juta e buriti, produtos biodegradáveis típicos da região. O empresário Aidson Ponciano compra a pele de peixe de curtumes de Manaus, onde mora. Os modelos saem da imaginação de sua esposa, a engenheira florestal Rose Dias. O negócio começou em 2000, mesmo ano em que Aidson se aposentou como engenheiro civil. A produção inicial era de 50 peças e a empresa contava com a ajuda de dois funcionários. Só 12 anos mais tarde, o empreendimento conquistou o mercado internacional. Os calçados estão nos pés das canadenses, americanas e europeias. E as bolsas também estão nas prateleiras internacionais. Os produtos da Green Obsession também podem ser encontrados na região Norte do país, em lojas instaladas em hotéis. A produção média atual gira em torno de 50 pares de sapatos. Os preços dos calçados de couro de peixe variam de R$ 110 a R$ 350 e os confeccionados com fibras naturais, de R$ 50 a R$ 80. Já as

bolsas de couro de peixe podem custar entre R$ 350 e R$ 1,5 mil. O acessório em fibra natural é mais acessível, vendido por preços entre R$ 70 a R$ 180. O papel que a Green Obsession exerce é de suma importância, pois 90% do couro do peixe no Brasil são descartados no mar e rios em forma de lixo. Com o aproveitamento dessa pele na fabricação de bolsas e sapatos, o rejeito é reciclado. A empresa é parceira do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), que busca, desde 1993, técnicas de curtimento de pele de peixe com menor impacto ambiental. A Green Obsession conta hoje com seis funcionários. O faturamento mensal atinge R$ 30 mil. “A sustentabilidade é o negócio de futuro, um nicho de mercado que precisa ser explorado, porque, além de rentável, faz um bem danado ao planeta”, ressalta. A trajetória empresarial de Aidson teve a marca do Sebrae. “A instituição exerceu papel fundamental no meu crescimento e no desenvolvimento do meu negócio”, conta. Ele fez cursos relacionados à gestão empresarial e organizacional. E planeja continuar participando de seminários e feiras promovidas pela instituição.


//D e st aq ue/ /

CERÂMICA MINEIRA SE BENEFICIA DOS CRÉDITOS DE CARBONO Foto Vandim Junisse

Empresa é vencedora do Prêmio de Práticas Sustentáveis do Sebrae em Minas

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m Ituiutaba, a 700 km de Belo Horizonte, uma cerâmica está escrevendo uma bem-sucedida história de desenvolvimento sustentável. O proprietário da empresa, Nagib Jacob Iunes, 44 anos, apostou no mercado de carbono, mecanismo internacional pelo qual uma empresa que usa práticas sustentáveis vende créditos a empreendimentos que têm dificuldades para reduzir a emissão de gases no meio ambiente. No caso da cerâmica Ituiutaba, tudo começou pela troca de lenha nativa sem manejo florestal por biomassas de origem comprovadamente renováveis – como serragem, cavaco e resíduos de madeireira – para alimentar os fornos onde são queimados os produtos de cerâmica vermelha, como tijolos e telhas. A troca, além de desestimular a prática do desmatamento, reduziu a emissão de gases como o dióxido de carbono, gás metano e óxido nitroso, responsáveis

Empresa baseia sua atividade no desenvolvimento sustentável

pelo aquecimento do planeta. Segundo Nagib, a venda de crédito de carbono contribuiu para alavancar o crescimento da cerâmica. Ele explica que a empresa monitora a produção e a quantidade de restos de madeira gastos para a queima dos produtos. A partir daí, são calculados os créditos gerados e é feita uma auditoria para verificar a autenticidade dos dados e notas fiscais. Com a quantidade de créditos apurada, a empresa vai para o mercado de venda de carbono. Nagib acrescenta que essa venda é principalmente para empreendimentos de outros países. O processo é terceirizado por uma empresa que atua no mercado de crédito de carbono, a Social Carbon. //Prêmio Sebrae A iniciativa rendeu à empresa o Prêmio Sebrae de Práticas Sustentáveis de Minas Gerais, em novembro de 2011. “Foi um reconhecimento às ações sustentá-

veis que desenvolvi na minha empresa. Fiquei ainda mais motivado a encontrar novos caminhos para proteger o meio ambiente”, ressalta Nagib. Criada em 1973, a cerâmica conta hoje com 46 funcionários e tem um faturamento mensal de R$ 250 mil. A produção de telhas e tijolos gira em torno de 600 mil peças por mês. De acordo com Nagib, a empresa começou a crescer efetivamente há seis anos, após a substituição de lenha por cavaco. Naquela época, o faturamento da cerâmica girava em torno de R$ 200 mil. “Conseguimos com a mudança aumentar consideravelmente o faturamento e ter a mesma qualidade, porém com menos agressão ao meio ambiente. Ter um negócio verde é totalmente rentável”, atesta ele. A cerâmica Ituiutaba vive agora uma fase de expansão. “Com o prêmio, ganhei um ano de consultoria do Sebrae, fundamental para crescer ainda mais e de forma sustentada”, comemora.

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//Sust e nt a b il id a d e/ /

EMPRESÁRIOS CORTAM GASTOS COM MEDIDAS SUSTENTÁVEIS Conscientização ambiental é receita de sucesso de micro e pequenas empresas

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m 2002, a paulista Leonor Funari, de 62 anos, aposentou o giz, o quadro-negro e a sala de aula para virar empresária do ramo da panificação, em Recife (PE). Com R$ 50 mil da rescisão no bolso, resolveu colocar a mão na massa. Ao deixar São Paulo, levou, na empreitada, um padeiro especializado em pães italianos. Assim nasceu a Com. Pão Delicatessen. Na época da inauguração, o desperdício era constante na empresa. Água, energia, farinha e ovos consumiam o lucro do empreendimento. Em 2009, Leonor procurou o Sebrae e aprendeu medidas simples: trocou o freezer por uma câmara fria e reformou o quadro de luz. Com isso, conseguiu reduzir em 25% a conta de energia. Leonor não parou aí. Garrafas PET, alumínio, vidro e papelão passaram a ser doados para cooperativas de catadores de materiais recicláveis e o lixo começou a ser separado e entregue a criadores de suínos. Hoje, a Com.Pão Delicatessen produz diariamente quatro mil lanches e, em média, 200 kg de pão. A atitude de Leonor comprova o resultado de sondagem do Sebrae com proprietários de micro e pequenas empresas (MPE) no Brasil. Segundo o estudo, a maioria deles realiza ações li-

gadas à preservação do meio ambiente. Do outro lado do país, em Rondonópolis (MT), o engenheiro Paulo Gomes estava preocupado em economizar energia na sua lavanderia. O maquinário obsoleto era o grande responsável pela salgada conta de luz, que consumia parte do faturamento da empresa. Quando o empresário abriu a Prillav, no mesmo ano em que a paulista Leonor decidiu mudar de vida, quase todas as máquinas eram manuais, de baixa tecnologia. Consumiam muita energia, água e produtos químicos. Convencido de que precisava inovar, Paulo começou por automatizar a produção, com a compra de maquinário mais moderno. Além de cortar a conta de luz em 20%, também diminuiu o consumo de água e outros insumos essenciais ao funcionamento da empresa. O passo seguinte foi desenvolver um sistema para aproveitar o clima quente de Cuiabá na secagem natural das roupas que tinham prazo de entrega superior a 48 horas. Ele também passou a usar o gás natural para gerar calor nas secadoras utilizadas para roupas com prazo de entrega curto, de até 24 horas. E ainda instalou 12 exaustores para auxiliar a secagem das roupas.

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Empreender – Informe Sebrae. Presidente do Conselho Deliberativo Nacional: Roberto Simões. Diretor-Presidente: Luiz Barretto. Diretor-Técnico: Carlos Alberto dos Santos. Diretor de Administração e Finanças: José Claudio dos Santos. Gerente de Marketing e Comunicação: Cândida Bittencourt. Edição: Ana Canêdo, Antônio Viegas. Endereço: SGAS 605, Conjunto A, Asa Sul, Brasília/DF, CEP: 70.200-645 – Fone: (61) 3348-7494 – Para falar com o Sebrae: 0800 570 0800 Na internet: sebrae.com.br // twitter.com/sebrae // facebook.com/sebrae // youtube.com/tvsebrae

EMPREENDER //

ESTUDO DO SEBRAE MOSTRA QUE A MAIORIA DOS EMPRESÁRIOS REALIZA AÇÕES LIGADAS À PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. O COMPORTAMENTO INCLUI COLETA SELETIVA DE LIXO (70,2%), CONTROLE DE CONSUMO DE PAPEL (72,4%), DE ÁGUA (80,6%) E DE ENERGIA (81,7%)


FEDERAÇÕES

Autonomia financeira é o ponto-chave para o presidente da Federaminas Interiorizar as ações da entidade, com o fortalecimento de sua representatividade em todas as regiões de Minas Gerais, é um dos focos da atual gestão empresariais no estado de Minas Gerais e os rumos do setor em nível nacional. Empresa Brasil – Em sua opinião, quais devem ser as prioridades na agenda empresarial do país? Wander Luis Silva – Em contexto de economia globalizada, é fundamental que o país adote medidas que concorram para reduzir o chamado Custo Brasil, com o objetivo de fortalecer a competitividade das empresas nacionais no comércio internacional. Entre elas, reformas constitucionais, como a trabalhista e a tributária, melhoria das condições da infraestrutura de transporte nos diferentes modais, que hoje figuram como um gargalo nas exportações. Pleitos como esses devem figurar com prioridade na agenda empresarial do país. Wander Luis Silva: “É fundamental que o país adote medidas para reduzir o chamado Custo Brasil”

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m seu mandato, Wander Luis Silva, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas), tem apoiado a interiorização das ações da entidade e o fortalecimento do associativismo, além de estimular o comércio local e internacional, especialmente junto às micro e pequenas empresas. Com uma participação ativa nas ações nacionais da CACB, o mineiro destaca, em entrevista a Empresa Brasil, as ações

Qual o estágio de aplicação da Lei Geral no estado de Minas Gerais? Dos 853 municípios mineiros, 430 já adaptaram a sua legislação à Lei Geral da MPE. Desses, o Sebrae-MG atua neste ano junto a 106 prefeituras, ajudando-as na análise e efetiva implementação dos capítulos da lei. Quais ferramentas podem ser usadas, em sua opinião, para sanar as lacunas ainda existentes na aplicação da Lei Geral? Acreditamos que metodologias utilizadas pelo Sebrae-MG, como oficinas de empreendedor individual, do agente de desenvolvimento e de compras governamentais – esta com duas vertentes, uma para treinar o comprador público e outra capacitando as empresas para vender ao poder público –, podem contribuir com esse objetivo. Junho de 2012

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Missão empresarial à Conton Fair 2012

A Federaminas tem sido uma entidade politicamente presente em diversos aspectos. Qual bandeira o senhor destaca como prioritária para 2012? Desde o nosso primeiro mandato, em 2008, a Federaminas se empenha em interiorizar as suas ações, fortalecendo ainda mais a sua representatividade em todas as regiões do Estado. Em 2012, outro foco prioritário é o desenvolvimento da ação internacional da entidade, buscando induzir as micro e pequenas empresas a ingressarem no comércio exterior. Integram esse projeto missões a outros países, como EUA e, principalmente, a China, tendo como porta de entrada a Canton Fair, em Guangzhou. Neste ano, duas comitivas organizadas pela entidade participam da feira de Cantão. O Empreender em Minas Gerais trabalha com núcleos setoriais bem estruturados, apesar de ainda pouco numerosos em relação ao tamanho do estado. Como ampliar a participação do estado no projeto? Desde 2010, a Federaminas trabalha na divulgação do Empreender junto às ACEs e a sua expectativa é de que aumente consideravelmente o número de núcleos em Minas Gerais. Com esse objetivo, é importante o apoio financeiro da CACB/Sebrae para viabilizar a ampliação.

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Empresa BRASIL

A Federaminas é um dos destaques brasileiros em Conciliação Extraprocessual, com o maior número de PACEs em funcionamento. A que o senhor acredita que estes resultados são devidos? Ao empenho da entidade em disseminar por todo o estado, por intermédio das associações comerciais, essa forma alternativa de resolução de conflitos, em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a CBMAE/CACB e o Sebrae-MG. A crescente adesão das ACEs mineiras ao projeto demonstra o comprometimento das entidades do Sistema Federaminas com os interesses da classe empresarial que representam e com suas comunidades. Como está sendo organizado o planejamento para os treinamentos e formalizações do Integra no estado? A primeira ação de formalização do programa Integra deve ocorrer no dia 28 de julho, no distrito do Barreiro, em Belo Horizonte, enquanto as oficinas do MEI (microempreendedor individual) devem iniciar-se também no mesmo mês. A nossa expectativa é quanto à liberação pela CACB das capacitações gerenciais para micro e pequenas empresas, para as quais a entidade já conta com mais de 150 inscritos.


A Federaminas já está na rede CACB de Certificação Digital, com 18 postos de atendimento para atender o estado. Já é possível observar benefícios institucionais e financeiros desta ação? A receita obtida por meio da certificação digital propiciou diversas ações à Federaminas, entre as quais a aquisição de mais um veículo para o IntegraMinas, projeto itinerante que leva os diversos produtos e serviços da entidade diretamente as suas federadas. Atualmente, encontram-se em implantação neste Estado mais 22 pontos de atendimento em certificação. Como os empresários do interior têm recebido o projeto de internacionalização de MPEs? Quais as metas do projeto? A repercussão ao projeto é a melhor possível. Os empresários do interior vêm se conscientizando da conveniência de alargar as fronteiras de atuação

Entidade reúne mais de 400 associações A Federaminas foi criada em 1954. É uma entidade sem fins lucrativos que surgiu como resposta à necessidade de unir as associações comerciais do estado, em busca de soluções para os problemas comuns das diversas regiões e da integração e desenvolvimento do estado. A Federaminas congrega mais de 400 associações comerciais, representando aproximadamente 180 mil empresários vinculados a todos os segmentos da economia. Um universo de municípios que corresponde a mais de 82% da população do Estado e a mais de 97% do PIB mineiro. A federação oferece serviços em certificação digital, nota fiscal eletrônica, proteção ao crédito, capacitação e cursos profissionalizantes, formalização de micro e pequenos empreendedores, internet e telefonia corporativa, seguro de vida, apoio jurídico e opções em métodos alternativos de solução de conflitos. Com informações da Federaminas

“Induzir as pequenas e microempresas a ingressarem no comércio exterior é uma das principais ações da Federaminas”

de suas empresas, pelo envolvimento no comércio exterior. Para essa mobilização, a Federaminas tem promovido uma série de palestras do consultor Claudio Meirelles, do Grupo Baumann, que lhe dá suporte na organização de missões internacionais, como a nova visita à Canton Fair 2012, na China, em outubro.

Qual deve ser o foco de atuação da CACB daqui para a frente? Trabalhar para que as federações estaduais sejam autossustentáveis.

Minas Gerais em Números ■

9,96 milhões de pessoas

economicamente ativas. ■Éa

3ª maior economia do Brasil.

2º polo automobilístico brasileiro, responsável por 24,6% da ■ Possui o

produção nacional de veículos. ■ É o maior produtor brasileiro de cimento,

com 23,54% da produção nacional, o que representa 11,3 milhões de toneladas anuais. ■ É responsável por

18% de todas as

exportações brasileiras. ■ Produz

44,05% do valor da extração

mineral brasileira. Fonte: Governo de Minas Gerais

Junho de 2012

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CBMAE

Mutirão traz soluções rápidas para o empresário CACB e Sebrae realizam o evento entre 6 e 11 de agosto; meta é atender a cerca de 5 mil demandas, desde casos de inadimplência até rescisões contratuais

Equipe da CBMAE durante o 1° Mutirão da Conciliação Empresarial

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Empresa BRASIL

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CACB, em parceria com o Sebrae, realizará o 2° Mutirão da Conciliação Empresarial. O evento é promovido pela Câmara Brasileira de Mediação e Arbitragem Empresarial (CBMAE), com o objetivo de contribuir para o fortalecimento empresarial, especialmente das micro e pequenas, a partir dos Métodos Extrajudiciais de Solução e Controvérsias (MESCs). O Mutirão da Conciliação Empresarial acontece entre 6 e 11 de agosto, nas câmaras da rede e nos Postos Avançados de Conciliação Extraprocessual (PACEs). O evento visa atender empresários que busquem soluções rápidas, eficientes e de baixo custo para seus conflitos. A meta é atender cerca de 5 mil demandas. Podem ser inscritos casos referentes a rescisão contratual, inadimplência e quaisquer outros conflitos empresariais. Os setores de serviços, comércio em geral e imobiliário deverão estar entre as áreas mais atendidas. A ideia, no entanto, é voltar maior atenção para as micro e pequenas empresas.

De acordo com coordenador nacional da CBMAE, Valério Figueiredo, “o mutirão nasceu para ser um marco do nosso sistema, um movimento coordenado, e embora algumas associações comerciais estejam realizando o mesmo tipo de evento em outra data, em função de atividades locais, não podemos esquecer que o país tem dimensões continentais. O importante é atender as empresas”. Valério Figueiredo explica ainda que “a empresa deve manter contato com a associação comercial e entregar a relação de conflitos, como créditos a receber, inadimplência contratual, entre outros. A associação irá filtrar essas informações e em seguida encaminhará um convite à parte contrária com a data para tentativa de conciliação. O interessante é que o índice de acordo chega aos 90% em algumas associações”, afirma. Os empresários interessados em participar devem procurar a câmara ou Pace da rede CBMAE mais próximos. Para que o atendimento chegue ao maior número possível de pessoas, é importante utilizar todos os meios de comunicação disponíveis no sistema. O coordenador adjunto da CBMAE, Eduardo Vieira, reforça que estão sendo utilizados sites, informativos, revistas da CBMAE, CACB, Sebrae e entidades parceiras e filiadas. “Outro trabalho importante é o da própria associação comercial, pois ela tem mecanismos de fazer a mensagem chegar até as empresas associadas e à comunidade em geral”, explica.

Serviço: Mutirão de Conciliação Empresarial 6 a 11 de agosto Encontre o ponto de atendimento mais perto de você: www.cbmae.org.br


Entenda os MESCs Os Métodos Extrajudiciais de Solução e Controvérsias (MESCs) são utilizados para a solução de impasses decorrentes da interpretação de cláusulas contratuais e inadimplementos contratuais civis e empresariais, em que um terceiro, neutro e imparcial, que não esteja vinculado a qualquer das partes conflitantes, auxiliará as partes na busca por uma solução amigável ou decidirá a controvérsia fundamentando-se nas regras de direito estabelecidas pelas partes ou na equidade. Quatro modelos de procedimentos podem ser considerados MESCs: Conciliação A Conciliação é uma forma de solução extrajudicial de controvérsias em que o terceiro Conciliador (ou conciliadores se mais de um) exerce a tarefa não só de aproximar as partes desavindas, mas SUGERE e PROPÕE soluções, esforça-se para levá-las a um entendimento que ponha fim ao conflito, ou à sua expectativa. É um processo voluntário e pacífico de resolução de controvérsias, que cria um ambiente propício para as partes se concentrarem na procura de soluções criativas, e como na mediação, sua aplicabilidade abrange todo e qualquer contexto de convivência capaz de produzir conflitos. Mediação A Mediação é uma forma de solução extrajudicial de controvérsias em que o terceiro Mediador, ou mediadores, caso seja mais de um, têm a função de aproximar as partes, para que elas negociem diretamente a solução desejada de sua divergência. A Mediação mantém o poder decisório com as próprias partes conflitantes. Ela constitui-se em recurso eficaz na solução de controvérsias originadas de situações que envolvem diversos tipos de interesses. É processo confidencial e vo-

luntário, em que a responsabilidade pela construção das decisões cabe às partes envolvidas. Diferente da arbitragem e da Jurisdição Estatal, em que a decisão caberá sempre a um terceiro. Os recursos técnicos da mediação são utilizados, inclusive, como estratégia preventiva, promovendo ambientes propícios à colaboração recíproca, com o objetivo de evitar a quebra da relação entre as partes. Sua aplicabilidade abrange todo e qualquer contexto de convivência capaz de produzir conflitos. Arbitragem A Arbitragem é regulamentada no Brasil pela lei 9.307/96. No processo arbitral, as partes têm autonomia para definir praticamente todos os detalhes. A quantidade, que deve ser sempre ímpar, o nome dos árbitros, o local em que se dará o processo, os procedimentos e as regras a serem usados no processo, se serão uma arbitragem de direito ou de equidade. O processo arbitral é mais complexo que a mediação e a conciliação, mas ainda assim é bem mais simples que o processo judicial. Por lei, a decisão deve sair em no máximo seis meses do início do processo, e a decisão arbitral tem valor de sentença – deve ser cumprida.

Arbitragem Expedita A Arbitragem Expedita consiste em um procedimento mais simplificado e menos custoso, se comparada à arbitragem ordinária, a qual é utilizada em questões mais complexas, com a atuação, na maioria das vezes, de um corpo de árbitros, denominado Tribunal Arbitral. Diferentemente desta, a arbitragem expedita, também chamada de arbitragem sumária, é recomendada para controvérsias de natureza simples, cuja solução será dada por árbitro único. Nesse tipo de procedimento os prazos serão menores, proporcionando uma celeridade ainda maior do que a verificada na arbitragem ordinária. Além disso, constata-se uma maior economia para as partes, com consequente redução das taxas e dos honorários que serão pagos, uma vez que pode não se fazer necessária uma fase de instrução plena, tendo em vista a menor complexidade da matéria submetida a esse tipo de procedimento. Corroborando com a referida economia, na arbitragem expedita há atuação de apenas um árbitro. Cabe ressaltar que na arbitragem expedita não se pulam fases processuais, o rito é bem parecido com o ordinário. Entretanto, as fases são menos intensas, objetivando maior celeridade no procedimento. Junho de 2012 21


FINANÇAS

Inadimplência avança pela 15ª vez consecutiva A principal causa das dívidas, segundo especialistas, é o elevado comprometimento da renda com os financiamentos, principalmente por parte das famílias das classes mais baixas

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nível de inadimplência do consumidor brasileiro começa a preocupar. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), esse índice registrou alta de 4,32% em maio último na comparação com o mesmo mês de 2011. Foi a 15ª elevação em 16 meses. Com a queda das taxas de juros e a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e outros produtos, os consumidores foram às compras e acabaram comprometendo grande parte da renda com o pagamento de dívidas, que muitos não estão conseguindo pagar. Para o economista José Márcio Camargo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/ RJ), o problema não está na concessão do crédito, que

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Empresa BRASIL

só recentemente está se expandindo na economia brasileira, nem na taxa de endividamento dos brasileiros, que ainda é baixa na comparação internacional. A questão, segundo ele, é o elevado comprometimento da renda com os financiamentos, principalmente por parte das famílias das classes mais baixas. “Quem demanda crédito no Brasil é de renda média e baixa. Como as taxas de juros ainda são elevadas, quem tem poupança usa os recursos guardados para o consumo. Quem não tem se endivida”, observou. Quase um quarto das famílias se endividou mais do que deveria e foi obrigado a reduzir o padrão de vida ou a dar calote. Um estudo da consultoria MB Associados, com base na Pesquisa de Orçamento das Famílias (POF), do IBGE, mostra que 14,1 milhões de


famílias comprometeram mais de 30% da renda mensal com dívidas. Essa marca ultrapassa o limite saudável para o endividamento, pois 70% do orçamento vão para despesas básicas, como comida, habitação ou saúde, conforme mostra a POF. A maior parte dessas famílias superendividadas está na fatia menos favorecida da população: 5,8 milhões na classe C e 6,6 milhões nas classes D e E. Na média, no entanto, o brasileiro comprometeu 26,2% da renda mensal com dívidas, diz o estudo da MB. Esse resultado é superior à média de 22% estimada pelo Banco Central, porque inclui gastos como crediário de loja sem parceria com banco e despesa à vista no cartão de crédito. Para José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB, o próprio efeito do pacote de estímulo ao consumo por meio do crédito, principalmente na compra de carros, será limitado pelo endividamento. “É um número grande de famílias que ultrapassaram o limite, por isso o nó no mercado de crédito.” Nos últimos cinco anos, a expansão do crédito, com a entrada de novos consumidores, garantiu um crescimento robusto da economia. Mas, desde meados de 2011, o ritmo de concessão esfriou, à me-

“Nos últimos cinco anos, a expansão do crédito, com a entrada de novos consumidores, garantiu um crescimento robusto da economia. Mas, desde meados de 2011, o ritmo de concessão esfriou, à medida que a inadimplência crescia” dida que a inadimplência crescia. Em abril, o calote atingiu o recorde de 7,6%. Os consumidores deixaram de pagar as contas, apesar da menor taxa de desemprego da História. O economista da LCA, Wemerson França, diz que isso ocorreu porque eles comprometeram uma fatia maior da renda com dívidas. Com o corte de impostos na crise de 2008, os brasileiros compraram carro, casa, móveis e eletrônicos a prazo. A importância do descontrole de gastos como fator de calote aparece numa pesquisa da Boa Vista Serviços, que administra o serviço de proteção ao crédito da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), feita com 1.100 inadimplentes em março. O desemprego é a principal causa do calote (38,3%), mas a fatia do descontrole de gastos subiu de 15% para 24,6%. Junho de 2012 23


TRABALHO

Inovar é o novo desafio do profissional de recursos humanos Fator-chave que pode representar a diferença entre o sucesso de uma empresa e seu potencial fracasso, a inovação possibilita fazer mais com menos

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novar com responsabilidade e respeito a sua empresa e aos colaboradores. Esse é o novo desafio dos profissionais de recursos humanos no mundo corporativo e presença obrigatória no discurso institucional das empresas. Mas o que é exatamente inovação? “É fazer alguma coisa de uma maneira diferente que traga resultado financeiro para a empresa”, resume o diretor-executivo do Centro para Inovação e Competitividade (CIC), Alain Farès. Ou seja, a introdução de um novo processo que agilize o fluxo de informações na companhia ou uma alteração em um procedimento logístico que traga eficiência também são exemplos de inovação. “Hoje, dificilmente encontramos uma empresa que não coloque a inovação como importante para a sua sustentabilidade. Agora, existe uma diferença razoável entre anunciar essa prioridade e de fato ter a inovação como uma prática”, segundo declarações de Ney Silva, diretor de RH da Natura – eleita pela revista Forbes, em 2011, a 8ª em-

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presa mais inovadora do mundo –, ao site da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Na Natura, segundo Silva, existe um comitê de inovação, uma vice-presidência de inovação e o tema também é discutido pelo conselho de administração da empresa. Recentemente, iniciou a criação de núcleos de inovação que vão atuar em conjunto com diversas áreas da empresa visando aumentar o fluxo de informações entre as equipes. Além disso, a organização mantém uma rede de conhecimento a partir de parcerias com universidades e centros de pesquisa. “Algumas empresas podem pensar que inovação é um tema que deve ser responsabilidade de uma área específica dentro da companhia. Isso é um grande equívoco: inovação precisa ser tratada de forma totalmente transversal”, diz Silva. Para estabelecer a inovação como uma meta constante, a empresa precisa definir claramente que riscos está disposta a correr e ter consciência de que ideias inovadoras não surgem de um dia para o outro. “A


visão de curto prazo deve ser trabalhada pela empresa, principalmente aquela que enfrenta um mercado competitivo e ágil em novos lançamentos, juntamente com a visão de longo prazo que deve observar as tendências futuras que garantirão a longevidade do negócio”, avalia a gerente de inovação do Instituto Nokia de Tecnologia, Ana Sena. “Além disso, as empresas devem definir estrategicamente o nível de risco que podem suportar, pois inovação é risco, incerteza, mudança, não apenas na cultura interna, mas também no contínuo desenvolvimento e na execução de novos produtos, processos e serviços.” Área atrai profissionais cada vez mais qualificados Uma das áreas mais valorizadas nos últimos tempos pelas grandes corporações, o departamento de recursos humanos vem atraindo profissionais cada vez mais qualificados. Hoje, na área, não há somente administradores, psicólogos e pedagogos, mas também economistas e engenheiros, que são atraídos por salários cada vez mais compensadores. Jozete Costa Bezerra, coordenadora de consultoria da filial de Salvador, da Ricardo Xavier Recursos Humanos (SP), ressalta que a profissão está mais valorizada, devido à grande preocupação das empresas em contratar talentos e também a sua importância no processo de desenvolvimento e educação. “O profissional de RH tem que ser eclético e conhecer com minúcias o negócio de sua empresa, porque somente dessa forma conseguirá suprir a empresa com bons talentos e a qualificação necessária”, acrescenta Jozete. De acordo com a executiva, entre as principais atividades do setor, a demanda maior é por gestão de pessoas. “A área cresceu muito, o que resultou numa valorização maior por parte das empresas, sobretudo na função de consultoria interna que participa efetivamente do planejamento estratégico e da busca por talentos”, ressalta. Na área mais específica, a demanda pelo coaching, de acordo com Jozete, está bastante aquecida. “Antes se falava em coaching, mas não da forma como se pratica hoje, que procura dar ênfase aos pontos fortes e aos pontos a desenvolver de cada profissional, além do aumento da consciência de cada profissional”, diz.

Nova ISO valoriza competência das pessoas Desenvolvida pelo ISO/TC 176, comitê técnico responsável pela publicação da série ISO 9000, a ISO 10018, que entrou em vigor em fevereiro último, é uma certificação voltada para a participação e a competência de pessoas nos sistemas de gestão. Esse trabalho teve sua origem a partir de consultas entre organizações certificadas de diversos países, oportunidade em que a ISO constatou importância e o interesse em uma nova norma, a ISO 10018. Segundo especialistas do setor, trata-se de um importante passo para que os profissionais sejam considerados e tratados como seres inteligentes, possuidores de desejos e vontade próprios, que podem e devem ser dirigidos e orientados no sentido de se obter benefícios tanto para a organização como para eles mesmos. A norma ISO 10018 não foi criada para ser usada com fins de certificação. No entanto, nada impede que venha a ser utilizada como forma de induzir as organizações a tratarem seus profissionais em uma dimensão diferente de simples recursos a serem alocados e explorados para obter os resultados organizacionais desejados. “Essa é uma tentativa de colocar os colaboradores das empresas com a sua real e justa dimensão na gestão das organizações, como seres inteligentes e capazes de contribuir não apenas com a sua competência e experiência, mas também, e principalmente, com sua atitude para a obtenção dos objetivos organizacionais”, diz Renato Pedroso Lee, da área de RH da Petrobras.

Pedroso: “ISO 10018 induz organizações a tratarem seus colaboradores em sua justa dimensão”

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TENDÊNCIAS

Desempenho atual do país no segmento está muito aquém de seu potencial

Rio+20 pode beneficiar o ecoturismo brasileiro Além de ser dono de 60% da Amazônia, a mais biodiversa floresta tropical do mundo, Brasil tem tudo para tornar a atividade uma fonte de riqueza e de promissoras perspectivas futuras

A

s florestas brasileiras, onde os vegetais se confundem e se misturam uns com os outros – ao contrário de certas regiões europeias, formadas por florestas de pinheiros que acompanham as montanhas –, se tornaram passagens obrigatórias nas descrições de viagens dos naturalistas europeus que viajaram pelo país nos séculos 18 e 19. Um dos mais conhecidos, o biólogo francês Augustin François César Prouvençal de Saint-Hilaire, maravilhado com o Brasil, relatou em livro “as várias tonalidades de verde e de vegetais de famílias diferentes que misturam seus galhos e confundem suas folhas”. Talvez esses naturalistas como Saint-Hilaire tenham sido os primeiros daquilo que passou a designar-se como ecoturismo, um ramo do turismo que, em busca da natureza, movimentou nos Estados Unidos, somente em 2010, cerca de 230 milhões de pessoas em seus parques nacionais, o que resultou numa receita de US$ 730 bilhões, segundo dados da Associação Norte-Americana de Turismo de Aventura.

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Empresa BRASIL

Nesse mercado, o Brasil, um dos países de maior biodiversidade, qualificado por seus biomas – Amazônia, Mata Atlântica, Campos Sulinos, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Zona Costeira e Marítima e seus diversos ecossistemas –, apresenta-se como potencial destino de grande competitividade internacional que poderia tornar-se uma fonte de riqueza e promissora em perspectivas futuras. “O Brasil está ganhando uma grande projeção mundial no ecoturismo e no turismo de aventura”, destaca o francês radicado no país Jean-Claude Razel, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta). De acordo com Razel, o turista eco e de aventura aumentou em 165% o gasto médio diário no período de 2009 a 2010, o que elevou para cerca de R$ 550 milhões ao ano a estimativa de faturamento do setor. Para ele, trata-se de uma atividade promissora para o país. “A tendência mundial das atividades ao ar livre encontra um espaço aberto como poucos no Brasil”, acredita. Segundo dados oficiais, o ecoturismo foi introdu-


zido no Brasil no final dos anos 1980, seguindo a tendência internacional. Em 1989 foram autorizados pela Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) os primeiros cursos de guia desse tipo de turismo. Mas foi em 1992, com a Rio 92, que o termo ecoturismo passou a ganhar maior visibilidade no mercado. Ainda em estágio de desenvolvimento recente, este é o momento, segundo os especialistas, de incentivar a introdução de uma política de âmbito nacional para o setor. Tal política deveria orientar governos e legislativos para a implantação de suas estratégias de regulamentação e controle, assim como orientar agências de fomento para criar e facilitar o acesso a incentivos fiscais e financiamentos. O certo é que o desempenho do país no segmento do ecoturismo ainda é muito aquém de seu potencial, relata Israel Waligora, dono da empresa Ambiental, especializada em viagens para destinos de natureza preservada, filiada à Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) e ex-presidente da Abeta. Segundo o empresário, não existem sequer dados confiáveis, nem mesmo da Organização Mundial de Turismo (OMT), que possam servir de referência sobre o ecoturismo, cuja atividade ainda carece de uma definição precisa. “O que é ecoturismo?”, indaga. “Qual seria a sua característica fundamental? O contato com a natureza?” Nessa linha, uma das referências do ecoturismo no Brasil, de acordo com Waligora, poderia ser o número de visitantes em parques nacionais, o que é medido pelo CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), segundo a qual, em 2010, cerca de 4 milhões de pessoas visitaram 21 de um total de 66 parques existentes no país. Do total, cerca de 1,2 milhão estiveram no Parque Nacional da Tijuca, mais interessados no Cristo Redentor do que no parque, enquanto outro milhão esteve em Iguaçu, para curtir as cataratas. Os restantes, 1,8 milhão de pessoas, se espalharam pelos demais 19 parques. “Esses números servem para se ter uma ideia de uma parte do chamado ecoturismo no Brasil, em comparação ao movimento registrado no mesmo ano nos Estados Unidos”, ressalta. No Brasil, segundo pesquisa da Abeta divulgada em março deste ano, as atividades mais praticadas daquilo que é considerado ecoturismo pela entidade são: passeios de bugues e cavalgadas (36%) e caminhadas (31%). Em se-

guida, destacam-se, com percentual acima de 20%: tirolesa, observação da vida selvagem, mergulho e canoagem ou caiaque. Entre aquelas com mais de 10% de praticantes foram citados o espeleoturismo (exploração de grutas e cavernas), passeios em veículos 4X4, arvorismo, rafting, flutuação, quadriciclo, boia-cross, cicloturismo e rapel. As atividades de menor percentual são: canionismo/ cachoeirismo, escalada, bungee jump, voo livre, paraquedismo, windsurfe, balonismo e kitesurfe. Uma dos temas da programação prevista pela conferência da ONU (Organização das Nações Unidas Rio+20) – o desenvolvimento sustentável –, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho, poderá contribuir para um novo impulso ao ecoturismo. Dado o debate sobre a necessidade de conservação do meio ambiente por meio de técnicas sustentáveis, uma nova maneira de vivenciar e usufruir as paisagens rurais, as áreas florestadas, as regiões costeiras, entre outros ecossistemas passará a ser vista como um modelo de turismo mais responsável, diz o Ministério do Turismo em sua cartilha preparada para o evento. Na definição do mesmo Ministério, o ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações. Na prática, se essa definição passar a valer mesmo no país, talvez a região amazônica, aquela que sempre despertou a curiosidade dos antigos naturalistas, volte a ser a grande referência do Brasil nesse tipo de turismo, o que não acontece há mais de 20 anos. “Enquanto a quantidade de leitos na hotelaria do Pantanal, que seria um destino típico de ecoturismo, encontra-se estagnada há quase dez anos, nos hotéis de selva amazônica ela recuou no tempo”, relata Israel Waligora.

Para especialistas, ecoturismo ainda se ressente de melhor definição

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TENDÊNCIAS

Brasil lança Passaporte Verde

Durante a Rio+20, visitantes receberão o Passaporte Verde, um guia com orientações sobre como viajar respeitando a natureza

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em associação com o governo brasileiro, lançou, na semana que antecedeu a Rio+20, o “passaporte verde”, uma campanha mundial para conscientizar os turistas sobre proteção do meio ambiente. O objetivo do programa é mostrar aos visitantes que durante suas viagens também podem contribuir para conservação da natureza e melhorar a qualidade de vida do povo da região que visitam, afirmou o Pnuma, em comunicado à imprensa. Durante a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, realizada neste mês no Rio de Janeiro, os turistas receberam nos aeroportos informações sobre políticas de consumo sustentável para estimulá-los a respeitar a natureza, as tradições e os valores socioculturais. O Brasil recebe anualmente 5,5 milhões de turistas estrangeiros, que, segundo o Pnuma, provocam impactos ambientais sobre os serviços e os recursos naturais, por isso o incentivo para que optem por um consumo de baixo impacto.

Turismo mundial gera US$ 2 trilhões em receitas Em 2011, a indústria do turismo foi responsável por mais 98 milhões de empregos diretos e 255 milhões indiretos, superando a indústria automotiva em todo o mundo, segundo dados divulgados em março pelo Conselho Mundial de Turismo e Viagens (WTTC), com sede em Londres. O estudo, elaborado pela Oxford Economics, mostra ainda que o turismo gera US$ 2 trilhões em receita, sendo 2,8% do PIB (Produto Interno Bruto) global. Segundo David Scowsill, presidente e CEO do WTTC, esses números são extremamente significativos e mostram que é hora de os governos prestarem mais atenção nes-

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sa indústria, “principalmente em épocas como esta, na qual se busca a recuperação de algumas economias nacionais e a criação de mais emprego”, completa. Somente na Europa, o setor somou 10 milhões de empregos diretos. O estudo estima que o crescimento da oferta de trabalho nessa indústria deverá ser de 1,2% por ano. Segundo a mesma pesquisa, o Brasil tem 7,6 milhões de empregos (diretos, indiretos e induzidos) no turismo. A pesquisa mostra ainda que em 2011 as viagens e turismo responderam por US$ 213 bilhões no país, com contribuição direta no PIB

duas vezes maior que o setor automotivo. O estudo, que compara o turismo a outros setores econômicos, ressalta que enquanto as viagens e o turismo respondem por 8,6% do PIB brasileiro, a indústria química, por exemplo, representa 7% e a mineração, 6,7%. A entidade projeta para o setor de viagens e turismo brasileiro crescimento médio de 5% ao ano na próxima década. No ano passado, o turismo totalizou US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras, respondendo por 19% do total de exportações do setor de serviços e 2,4% do total das exportações brasileiras.


Horto Florestal de Campos do Jordão possui 8,3 mil hectares de área preservada

Horto Florestal da Serra da Mantiqueira é um dos mais frequentados por aficionados Cidades como Campos do Jordão e Santo Antonio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira (SP), oferecem boas opções para quem quer aproveitar o tempo praticando ecoturismo. Além de boas caminhadas entre cachoeiras e riachos, a região proporciona a oportunidade de ver de perto animais selvagens e belas montanhas. São mais de cem trilhas espalhadas pelas montanhas e rios de Campos do Jordão. Os picos altos convidam para o rapel e as águas para um mergulho de banho frio. O Horto Florestal é cheio de montanhas, picos e cachoeiras, local perfeito para a prática de esportes. Quem não quiser descer a montanha pode subi-la. O montanhismo pode ser praticado em vários pontos de Campos do Jordão, como no Horto e na Pedra do Baú. São diversos picos e montanhas para escalar e sentir o ar esfriando a cada metro. Outra opção é curtir as cachoeiras. O cachoeirismo é muito comum nas quedas frias da cidade. Depois de muito esforço, pode ser recompensado com um mergulho nas piscinas naturais que se formam em Campos do Jordão. Quem aprecia mais passear pode escolher uma das centenas de trilhas para explorar, por terra mesmo, a beleza da flora e fauna de Campos do Jordão. Além disso, diversos passeios de cavalgada podem ser alugados em praticamente todos os pontos de Campos do Jordão.

Criado em 1941, o Horto Florestal de Campos do Jordão possui 8,3 mil hectares de área preservada, com uma vegetação de araucárias e coníferas. É uma ótima opção para quem quer passar o dia fazendo algo diferente das tradicionais atrações do Centro de Campos do Jordão, o Capivari. Tem churrasqueiras, lagos, bosques, área de ginástica, viveiros de plantas, duchas, capela, ciclovia, restaurante, loja de artesanato e muitas trilhas. Seu relevo montanhoso chega a 2.007 metros de altitude. A vista é ainda mais panorâmica do alto dos 12 metros da torre de madeira.

Local tem churrasqueiras, lagos, bosques e muitas trilhas

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LIVROS

Estamos deixando de fazer o que é preciso

O

título desta resenha remete a uma frase do ex-deputado Ulysses Guimarães, para quem “há ocasiões em que não basta fazer o que se pode; tem-se de fazer o que é preciso”. Justamente esse é o sentido do livro Além da Euforia, dos economistas Fábio Giambiagi e Armando Castelar Pinheiro – lançado em maio último pela Campus/Elsevier Editora. Além de uma análise da economia brasileira nos últimos anos, favorecida amplamente pela conjuntura internacional, a obra aponta uma série de deficiências do atual modelo de desenvolvimento. Organizado em 11 capítulos, Além da Euforia analisa o tema, em visão retrospectiva, do que mais de um economista denominou de “volúpia gastadora” de sucessivos governos, expressa na evolução sistematicamente crescente da relação Gasto Público/PIB há quase 30 anos. Sob o título “A fantasia fiscal”, o capítulo 2, que esmiúça o processo de expansão do gasto público, por si só, justifica a obra, a começar por sua epígrafe, onde é utilizada uma frase de Juan Domingo Perón, em que sugere “dar ao povo tudo o que for possível, porque não há nada mais elástico do que a economia”, em carta a Carlos Ibáñez, então presidente do Chile. Foi como se inspirado por essa frase de Perón o governo passasse a esticar cada vez mais o gasto público, mas sempre com o cuidado de manter o superávit primário próximo às metas. Com qual mágica? Pela cada vez maior carga tributária, a qual aumentou cinco pontos percentuais do PIB na última década, chegando a 35% do PIB em 2010, e que deve ter se elevado em 2011 e também em 2012.

Organizada em 11 capítulos, obra dedica especial análise sobre a evolução crescente da relação gasto público/PIB há quase 30 anos 30

Empresa BRASIL

A política econômica atual, segundo os autores do livro, tem mecanismos que impõem a alta contínua dos gastos, como regra de aumento do salário mínimo, mas não é clara sobre até quando (e até quanto) será possível elevar a carga tributária sem comprometer o crescimento. Tal mágica, entretanto, não é capaz de tirar dessa receita com impostos o que o país mais precisa, ou seja, aprimorar a qualidade do gasto público; investir na infraestrutura; melhorar a educação; encarar o desafio demográfico e aprimorar o ambiente de negócios. Para os autores, a taxa de investimento da economia brasileira continua sendo baixa. Os níveis de educação da população brasileira, em média e mesmo entre os mais jovens, são constrangedoramente baixos para poder aspirar a taxas maiores de crescimento, em um mundo cada vez mais competitivo. A demografia, que no Brasil até aqui tem sido uma aliada do crescimento, passará gradualmente a se tornar um entrave para uma maior expansão, devido à combinação de menor crescimento da população economicamente ativa e maior incremento da população idosa. De outra parte, Giambiagi e Pinheiro sustentam que o Brasil continua fazendo política econômica como se o grande problema da economia fosse alguma insuficiência de demanda, o que segue uma concepção keynesiana excessivamente simplificada da realidade. Uma vez ocupados os recursos produtivos existentes, o desenvolvimento de um país se faz a partir da melhoria da produtividade, e, nesse sentido, o Brasil tem tido uma trajetória com crescimento bastante pobre, afirmam os autores. Para os economistas, não tomar medidas polêmicas sobre assuntos que demandam correção pode poupar as autoridades de um ônus político, mas, cedo ou tarde, as consequências aparecerão – se não para elas, certamente para o país. Por isso, é preciso, urgentemente, que o espírito de Juan Domingo Perón, eloquentemente exposto na citada carta ao presidente chileno Carlos Ibáñez, deixe de inspirar Brasília. (Milton Wells)


ARTIGO

Motivação: esta é com você ■ João Xavier*

A motivação é tema frequente nos mais variados meios de comunicação. Artigos e matérias a respeito do assunto estão constantemente em pauta em diversas publicações, em especial nas destinadas à gestão de pessoas, carreiras ou de psicologia organizacional. Do ponto de vista corporativo, o assunto é recorrente, pois as empresas anseiam, cada vez mais, por aprender a motivar suas equipes. Elas procuram fórmulas e receitas que promovam a motivação de seu pessoal, tendo em vista que seus resultados estão intrinsecamente ligados ao desempenho de seus profissionais, principalmente na era do conhecimento. E por falar em conhecimento, pergunto: qual o recipiente do conhecimento? A resposta é simples: ‘gente’. Mesmo que se coloque em prática a automação ou informatização dos processos, temos de lembrar que quem projeta máquinas e sistemas, quem os constrói e quem os mantêm são as pessoas. No que diz respeito à motivação, acredito que aqui resida o problema: quem se preocupa com a questão acaba por assumir a responsabilidade sobre ela. É aquela velha máxima que diz “não pergunte, pois se assim fizer trará o problema para você”. Portanto, as empresas estão chamando para si a responsabilidade pela motivação de seus funcionários – o que, a meu ver, é um grande engano, pois entendo a motivação como responsabilidade do próprio indivíduo. Agora, sim, acredito ter causado um certo desconforto. Certamente o funcionário ou colaborador discordarão do meu ponto de vista, afinal conhecem bem todos os defeitos de sua empresa e sabem qual o estado de satisfação em que se encontram; e o empresário, executivo ou gestor, se por um lado irão aliviar-se por retirar essa responsabilidade dos ombros, por outro se questionarão: mas como transferir e até mesmo cobrar essa responsabilidade? Primeiramente, em relação às empresas sugiro mais objetividade. Recomendo que abordem a questão com o seguinte enfoque: as empresas não têm problemas com a motivação de seus funcionários, mas

sim problemas de prevaricação e procrastinação. E isso sim pode ser gerenciado, medido e cobrado. O funcionário foi contratado para realizar, entregar e cumprir – e tudo isso deve independer do quanto motivado se encontra o profissional. Mesmo que nesse ponto surja a questão: “Mas o funcionário motivado supera as metas!”. Sim, concordo, mas ainda assim o “estar motivado” depende somente dele. O máximo que a empresa pode fazer é atuar na satisfação por meio de estímulos e incentivos. Quem pode garantir que uma pessoa satisfeita é uma pessoa motivada? Concordo que os indivíduos satisfeitos têm maior probabilidade de estar motivados, mas podemos admitir que o contrário é verdadeiro? Ou seja, podemos aceitar como verdade que uma pessoa insatisfeita é, necessariamente, uma pessoa desmotivada? Podemos atribuir uma relação de causalidade (causa e efeito)? Eu entendo que não. Exemplifico: posso não ter votado no candidato eleito para presidente, governador ou prefeito, e não concordar com sua política de governo, mas nem por isso deixo de produzir; 2) Temos muitos problemas relacionados à corrupção em nosso país, mas nem por isso estou desmotivado a ponto de não levantar todas as manhãs e dar o melhor de mim no trabalho, ou mesmo planejando mudar de país; 3) Estamos exaurindo nossos recursos naturais, mas nem por isso me deixo abater. Muito pelo contrário, me orgulho das poucas atitudes que tomei em relação a uma vida ecologicamente correta, buscando um consumo sustentável. Portanto, minha intenção com este artigo é a de devolver a responsabilidade da motivação para o indivíduo. Nenhuma empresa ou mercado são perfeitos; tampouco um país. Todos têm seus problemas e, por pior que sejam, não se justifica deixar desmotivar. Motive-se a mudar o ambiente ou, então, a si mesmo. Encerro este texto com uma frase de Roger Crawford que sintetiza bem a questão e certamente funcionará como um ótimo convite à reflexão: “Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional”.

“ ” “Quem se preocupa com a motivação acaba por assumir a responsabilidade sobre ela”

* Diretor-geral da Ricardo Xavier Recursos Humanos Junho de 2012

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