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Alfabile Santana

Edição 242 / Ano XXII / 2020

R$ 50,00

Itajaí chega aos 160 anos construindo um futuro econômico e sustentável

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EDITORIAL

ISSN - 1981 - 6170

Com a nova Bacia de Evolução, Itajaí alcança outro patamar econômico

ANO 22  EDIÇÃO Nº 242 Editora Bittencourt Rua Anita Garibaldi, 425 | Centro | Itajaí Santa Catarina | CEP 88303-020 Fone: 47 3344.8600 Direção: Carlos Bittencourt carlos@bteditora.com.br | 47 9 8405.8777 Presidente do Conselho Editorial: Antonio Ayres dos Santos Júnior Diagramação: Solange Maria Pereira Alves (0005254/SC) solange@bteditora.com.br Capa: Foto - Alfabile Santana Colaboraram nesta edição: Christian Neumann, José Zeferino Pedrozo e Vinicius Lummertz Contato Comercial: Sônia Anversa - 47 9 8405.9681 carlos@bteditora.com.br Para assinar: Valor anual: R$ 600,00 A Revista Portuária não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos assinados, que são de inteira responsabilidade de seus autores. www.revistaportuaria.com.br twitter: @rportuaria

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arece incrível, mas o município de Itajaí está sempre dando passos largos para frente, apesar de algumas tragédias naturais que aconteceram levassem à crer que tudo estaria fadado ao maior fracasso. Quem diria, anos atrás, quando o rio destruiu três dos quatro berços do Porto de Itajaí, que o complexo portuário continuasse operando, mesmo em condições adversas e alguns anos depois estivesse inaugurando uma Bacia de Evolução, que coloca o município na rota internacional dos maiores navios que operam na costa brasileira? Milagre? Não. Trabalho! Desde a tragédia muitas batalhas foram travadas para recuperar, em primeiro lugar, o porto de Itajaí e sua capacidade operacional. Os berços ficaram prontos. Depois a outra batalha travada foi para conseguir recursos para construção da nova bacia de evolução e canal de acesso ao complexo portuário de Itajaí, já que agora não era mais só ter um porto em condições de receber navios, mas sim em condições de receber os maiores navios que estavam atuando na costa brasileira para não perder competividade. Para que isso fosse possível políticos, empresários, trabalhadores portuários, entidades ligadas ao setor portuário e entidades civis foram mobilizadas numa grande luta que culminou com o momento histórico que estamos vivendo neste mês de junto. Quando o primeiro navio, Ever Laureal, fez a primeira manobra para navios de até 350 metros com grande sucesso, podemos perceber que o sonho que foi sonhado por todos e a luta que foi travada por muitos havia se concretizado. A obra está sendo realizada em duas etapas. Na primeira etapa, já concluída, a bacia tem 500 metros de diâmetro e 14 metros de profundidade e habilita o Complexo a receber navios de até 350 metros de comprimento. As obras dessa etapa foram finalizadas em setembro de 2019, após a realização de diversas fases, necessárias para sua conclusão e encaminhamento de documentos para sua homologação: estudos técnicos, dragagem, alteração dos molhes, nova sinalização náutica, aprovação por parte da Autoridade Marítima, treinamento da Praticagem, entre outras frentes de trabalho. De qualquer foram nossos portos já estão inseridos no mapa internacional de navegação. Isso é o que importa, porque gerará mais riqueza, empregos e competividade. 

TRANSPORTE DE CARGAS FRACIONADAS E LOTAÇÕES 30anos anostransportando transportandocom comagilidade agilidadee rapidez e rapidez 32

BRUSQUE/SC (47) 3351-5111 4

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ITAJAÍ/SC (47) 3348-3292

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CURITIBA/PR (41) 3348-7000


Alfabile Santana

Sumário

20. CAPA. Atividades logística, portuária e pesqueira impulsionam a economia da Foz do Rio Itajaí-Açu 06. Entrevista: Ari Rabaiolli “Capacidade de se reinventar” é a meta de Ari Rabaiolli, reconduzido presidente da Fetrancesc 08. Opinião: Christian Neumann A nova bacia de evolução do Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes 10. Opinião: José Zeferino Pedrozo Em busca da pacificação 12. Opinião: Vinicius Lummertz SP e SC: caminhos paralelos na retomada do Turismo

14. Economia: Megaships já são realidade no complexo portuário de Itajaí 25. Indústria: No evento de 70 anos, FIESC defende democracia e harmonia entre poderes 26. Crise/Covid19: Mercado da navegação jamais será o mesmo após a pandemia do Covid-19 28. Crise/Covid19: Apesar de pandemia, saldo de novas empresas cresce 9,8% em Santa Catarina em 2020

29. Covid19: Família Schurmann retorna ao Brasil e permanece em quarentena na Marina Itajaí 30. Crise/Covid19: Consumo de gás natural no Estado teve alta de 21% em maio 32. Portos e terminais: Portonave distribui máscaras e álcool gel para motoristas 33. Portos e terminais: Porto Itapoá: onde os grandes navios se encontram

34. Emprego e renda: Pesquisa mostra que 86% dos pequenos negócios que buscaram crédito não conseguiram ou aguardam empréstimo 38. Estado: Governo do Estado atrai mais de R$ 45 milhões em investimentos privados em 2020 40. Estado: Carne suína ultrapassa frango e se torna maior produto do agronegócio catarinense 42. Evento: ACII completou 91 anos de fundação Economia&Negócios • Edição 242 • 5


Entrevista: Ari Rabaiolli

“Capacidade de se reinventar” é a meta de Ari Rabaiolli, reconduzido presidente da Fetrancesc Quatro anos de muito trabalho. Este é o balanço que o empresário do Transporte Rodoviário de Cargas de Joinville, Ari Rabaiolli, faz de sua gestão à frente da Fetrancesc. Reconduzido ao cargo por mais quatro anos, acredita que a responsabilidade do grupo aumentou, já que será necessário intensificar as metas para os próximos anos. Diante de tudo o que foi feito ao longo da jornada, a missão a partir de agora será dar sequência e potencializar o trabalho, tendo a capacidade de inovar e de se reinventar como aliados do dia a dia.

Quais as principais ações da Fetrancesc nos últimos quatro anos? Ari Rabaiolli: Foram quatro anos de muito trabalho, em que participamos ativamente de algumas reformas, como a Reforma Trabalhista, logo no início da nossa gestão. Nós, como Federação, apresentamos 27 emendas com o apoio de dois deputados federais, Celso Maldaner e Valdir Colatto. Além disso, atuamos nas discussões do Marco Regulatório, juntamente com os treze sindicatos do Sistema Fetrancesc, em que nós criamos uma proposta de Santa Catarina, apresentando 37 emendas, sendo 35 acatadas. Depois nós participamos ativamente das discussões referentes às reformas Trabalhista, da Previdência e Tributária (que ainda está por vir). É imprescindível pontuar, ainda, a representação da Fetrancesc em edições dos Seminários e do CONET&Intersindical, eventos realizados pela NTC&Logística. Neste período, o senhor, enquanto líder do setor, também recebeu premiações. Quais foram e por quais razões? Rabaiolli: O primeiro deles foi a Medalha de Mérito do Transporte, da NTC&Logística, no ano de 2017. Depois, em 2018, fui homenageado com a Medalha JK, da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Em ambos os casos, foi considerada a minha trajetória profissional e empresarial.

No âmbito do Conselho Regional do SEST SENAT de SC, quais as principais conquistas? Rabaiolli: Logo que assumi a presidência do Conselho, nos primeiros meses de minha gestão, levei para Brasília a proposta de concedermos plano de saúde para todos os colaboradores do SEST SENAT. Também investimos no plano de expansão das Unidades, com ampliação do espaço físico de algumas delas e construção de outras – as quais já estão em processo de inauguração. E em nível Estadual, como foi a atuação da Fetrancesc? Rabaiolli: Em Santa Catarina, preciso enaltecer duas grandes conquistas: a Lei que cancela a inscrição estadual do receptador de cargas e a criação da Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas (DFRC) da Deic. Para contribuir com o trabalho dos policiais, doamos duas viaturas para uso exclusivo da DFRC para uso em investigações. Nós também alugamos outro veículo para uso da Divisão de Furtos e Roubos de Cargas da região Norte, que foi usado descaracterizado por 60 dias, e auxiliou para desvendar uma quadrilha de roubo de cargas junto ao Porto Itapoá. O Pró-Cargas pode ser concebido como outra bandeira da gestão? Rabaiolli: Com certeza, até porque participamos ativamente nas dis-

www.multiplaaa.com.br 6

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EXPORTAÇÃO • IMPORTAÇÃO


cussões sobre o Pró-Cargas, em que o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) retirou o crédito presumido das empresas do setor e o Supremo Tribunal Federal (STF) tirou o direito dos créditos de ICMS dos insumos. Desde o final de 2019 estamos trabalhando para substituir o Pró-Cargas por outro benefício, em especial o direito do crédito do ICMS dos insumos. A crise do Covid-19 também é um grande inimigo da sociedade como um todo. De que forma a Fetrancesc atuou e tem atuado para minimizar os impactos nas empresas do setor e na vida dos cidadãos? Rabaiolli: Desde o começo, quando foi decretado o isolamento social em Santa Catarina, a Fetrancesc se uniu à Transpocred e ao SEST SENAT/SC para atuar em prol do setor. A primeira ação foi para dar suporte aos caminhoneiros, que estavam nas estradas e não encontravam estabelecimentos abertos para se alimentar. Começou com a distribuição de marmitas em determinados pontos das rodovias catarinenses e cresceu para ações nacionais, além do desenvolvimento de uma ferramenta por uma empresa do Estado para consulta de onde encontrar estabelecimentos que formam a cadeia do transporte em diversas cidades e Estados do Brasil. Outra iniciativa importante foi a participação ativa de todas as discussões do grupo econômico do Estado de Santa Catarina em discussões para a retomada das atividades econômicas. Quais as principais mudanças nas atividades da Fetrancesc? Rabaiolli: Tivemos aí reuniões mensais de Conselho de Representantes e de Diretoria. Foram discutidos inúmeros assuntos de interesse do setor. Nesses quatro anos nós ainda tivemos o lançamento da Revista

Ajudaremos as empresas a se reinventarem, ajudaremos as entidades sindicais também a se reinventarem.

Fetrancesc, um marco importante para a história da entidade, além do lançamento do Programa de Sócios Mantenedores, que gera receita para a Cetrancesc e dá oportunidade de integração entre os fornecedores e prestadores de serviço. Outra ação bem importante foi a reformulação da identidade visual da Federação e consequente padronização dos treze sindicatos, seguindo as cores da CNT e do SEST SENAT.

Quais as expectativas para a próxima gestão? Rabaiolli: Esperamos dar continuidade a todo esse trabalho nos próximos quatro anos. Continuaremos lutando pelo setor de transportes, principalmente com a crise gerada pelo Covid-19. Ajudaremos as empresas a se reinventarem, ajudaremos as entidades sindicais também a se reinventarem. Esse é o papel fundamental da Fetrancesc Digital, também um grande avanço. Por meio de convênios, ela tem o propósito de ganhar em escala, como é o exame toxicológico, o convênio com a Scherer e outros tantos, agora com a possibilidade de convênio com pneus e compra coletiva de caminhões. Vai ser a chance das entidades do Sistema Fetrancesc se manterem com a queda da obrigatoriedade da contribuição sindical obrigatória. Basicamente, portanto, temos a missão de dar sequência e potencializar o trabalho que fizemos até agora, sempre permitindo que a capacidade de inovar e se reinventar esteja presente em nosso trabalho. 

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Opinião A nova bacia de evolução do Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes

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Por: Christian Neumann O autor é graduado em Comércio Exterior e especializado em Negócios Internacionais. Atua na área de armazenagem, importação, exportação, logística e operações portuárias. É coordenador do Núcleo de Comércio Exterior da Associação Empresarial de Itajaí, professor de graduação e pós-graduação nos cursos de Logística Internacional, Comércio Exterior e Gestão Portuária.

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o artigo de janeiro de 2020, já havia tratado deste tema, mas com uma abordagem mais técnica e histórica. Neste texto, quero mostrar em números, a importância da bacia de evolução e justificar como os recursos públicos são tão necessários na infraestrutura e como desenvolvem a economia local. Somente para equalizar conhecimento, bacia de Evolução é a área reservada para as manobras necessárias às operações de atracação e desatracação e permite o giro dos navios na entrada e saída do porto. Ela faz parte do acesso aquaviário e tem a mesma importância que as vias de acesso terrestre. Que por sua vez precisam de investimentos e melhorias constantes para permitir acesso de navios cada vez maiores, que é exigência do mercado de armadores. Antes da nova bacia de evolução, o limite de manobra era de navios de até 306 metros com até 8 mil TEU´s (medida equivalente a container de 40´ou 12 metros) de capacidade. Após investimentos de R$ 177 milhões, passamos agora a operar a primeira fase, com navios de até 350 metros e capacidade de até 12 mil TEU´s. Após a consolidação deste etapa, temos que superar novamente os obstáculos e partir para a segunda fase, até setembro de 2022. Para tanto, já há projetos aprovados e novas etapas de licitações a cumprir. Serão necessários mais R$ 250 milhões em recursos, para que navios de até 15 mil TEU´s possam operar nos terminais. Estando assim, aptos a atender toda a nova demanda de navios que operam na costa brasileira. E porque se justificam investimentos públicos somados, na primeira e segunda etapa, na ordem de R$ 457 milhões? Resposta: porque todo investimento deve trazer retorno. Com alguns números, podemos comprovar que o retorno é garantido aos cofres públicos através dos recolhimentos dos impostos e geração de emprego e renda à população. O Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes está entre os maiores complexos portuários das Américas, e o segundo maior do Brasil, com 1,232 milhões de TEU´s e participação de 11,8% do total de containers movimentados em 2019. Em um raio de 1.800 km de distância, que atinge Brasília e Buenos Aires, passando por Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e os principais pólos econômicos do país, atingimos uma população de 32 milhões de habitantes e um PIB de US$ 925 bilhões de dólares. Em 2019 a corrente de comércio brasileiro foi de US$ 401,3 bilhões, Santa Catarina US$ 25,7 Bilhões e o Complexo Portuário, foi responsável, por movimentar US$ 14,8 bilhões – 3,68% da movimentação total. Em exportações movimentamos US$ 6,2 bilhões. Segundo a CNI - Confederação Nacional da Indústria (CNI) para cada bilhão exportado, 32 mil empregos são gerados. Assim fomos responsáveis pela geração de 198 mil empregos ou seja 27% do total de trabalhadores do Estado. As operações portuárias do Complexo, foram responsáveis por arrecadar aos cofres do Estado R$ 4,8 Bilhões em ICMS. Geram R$ 4,9 mil empregos diretos e 10 mil indiretos. Fizeram as economias de Itajaí e Navegantes decolarem. Itajaí com PIB de R$ 22 bilhões, ocupando a 37° posição no Brasil e a terceira melhor renda per capita do Estado. Navegantes por sua vez de um PIB passou de R$ 1,4 bilhão em 2010 para R$ 4,1 bilhões em 2017, representando um aumento de mais de 188 %. A renda per capita por sua vez, teve um crescimento de R$ 126% no mesmo período, tendo saltado de R$ 23 milhões para R$ 53 milhões. Somente em investimentos privados nos últimos anos, a duas cidades receberam mais de R$ 10 bilhões, não só na economia portuária mas também em toda a cadeia produtiva. Estes números, mais que comprovam que, a cada real investido pelo poder público, se multiplica e faz com que a economia se torne cada vez mais forte e cresça, gerando melhoria na condição de vida dos moradores da região. Com a nova bacia há expectativa de incremento de 30% na movimentação ou seja mais 360 mil TEU´s por ano. E como a cada container movimentado, deixa na economia local R$ 1.600,00, há expectativa de incremento direto na arrecadação portuária de mais R$ 576 milhões. Que venham os navios “gigantes”! Estamos preparados. 


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Opinião Em busca da pacificação

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Por: José Zeferino Pedrozo O autor é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC).

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á uma dose muita alta de incertezas na sociedade. As pessoas estão inseguras quanto a praticamente tudo – emprego, renda, saúde, futuro do País. A crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus amalgamou-se com a crise econômica e agravou-se com a crise política. Há uma sensação geral de desamparo. Enquanto milhares de famílias choram a perda de entes queridos no seio de uma crise de saúde que ainda está sem controle, outros milhões amargam a perda de emprego e a precarização da qualidade de vida. No mundo inteiro a pandemia impactou a economia e a opção dos países atingidos foi a mais racional possível: cuidar das pessoas em primeiro lugar e, depois ou concomitantemente (quando possível), tentar harmonizar com a funcionalidade da economia. No Brasil, pode-se dizer que, de modo geral, entre erros e acertos tentou-se atingir esse objetivo, obtendo-se diferentes níveis de sucesso nas diversas e multifacetadas regiões brasileiras. O auxílio emergencial e outras medidas governamentais também ajudaram. Enfim, é uma aprendizagem geral para as três esferas da Administração Pública: União, Estados e Municípios. Com a saúde pública e a economia claudicando, é ainda mais revoltante tomar conhecimento de inúmeros casos de corrupção, superfaturamento de materiais, equipamentos médicos e hospitais de campanha – ou seja, a corrupção não cessa nem mesmo em um quadro dramático que estamos vivendo. A sociedade exige que a Polícia, o Ministério Público e a Justiça investiguem, processem, julguem e punam esses abutres que lucram com a infelicidade geral da Nação. No plano econômico, são lúcidas e sensatas as orientações que o ministro Paulo Guedes oferece para estimular investimentos e empreendimentos privados, em um momento em que os desajustes das contas públicas crescem e o déficit fiscal atinge níveis estratosféricos – cujo agravamento vem sendo creditado às ações de combate à Covid-19. Digamos que essa realidade sanitária e econômica seja imperiosa, inevitável e fruto de acontecimentos planetários imprevisíveis e incontroláveis. A agravar esse cenário surge a crise política, expressa pelos excessos de protagonistas de todos os Poderes da República. Não é nosso intuito apontar culpados, pois em diferentes atos, diferentes atores ocuparam a cena sendo, aqui, inútil apontar quem mais contribuiu para esse mal-estar institucional. Cabe lamentar que manifestações exacerbadas, descontextualizadas, inoportunas e infelizes impregnem a cena política gerando nocivas e deletérias consequências em muitas áreas. No mercado internacional, afastam investidores e alarmam compradores de nossos produtos, em um estágio em que é premente aumentar as exportações e melhorar o superávit da balança comercial. No mercado doméstico, criam insegurança e angústia em investidores, trabalhadores e na família brasileira, quando seria vital melhorar a taxa de confiança do empresariado, ampliar os investimentos públicos e privados, estimular a produção e gerar empregos. Colho aqui o exemplo da agricultura nacional que, heroicamente, com os desafios da nossa deficiente infraestrutura logística e a crescente expansão da doença na área rural, não parou de produzir para, assim, assegurar que não faltem alimentos na mesa do brasileiro. O produtor rural não parou um só dia nessa pandemia, porque sem ele não haveria carne, leite, pão, cereais, frutas e hortigranjeiros nos lares. Apesar de vozes alarmistas de diferentes correntes ideológicas e de alguns pequenos grupos, a grande verdade é que todas as instituições da República brasileira funcionam plena e robustamente. Não há, concretamente, nenhuma ameaça da quebra da normalidade constitucional. Governo, Congresso e Judiciário cumprem suas respectivas missões. Entretanto, também é fato que as manifestações retrorreferidas não produzem nenhum benefício e deveriam ser suprimidas do cotidiano do País. É hora da pacificação, de substituir os discursos de incitação ao conflito por gestos de concórdia, cooperação e busca da harmonia. Assim, o Governo e a sociedade poderão se concentrar no que realmente importa e é essencial nesse momento: combater a epidemia e, na medida do possível, não paralisar a economia. É preciso salvar vidas e empregos, preservando o presente e assegurando o futuro. 


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Opinião SP e SC: caminhos paralelos na retomada do Turismo

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Por: Vinicius Lummertz O autor é ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Embratur. Atualmente é secretário de Turismo de São Paulo.

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Turismo, como atividade econômica e fenômeno social, foi o primeiro a entrar na crise da pandemia da Covid-19 e está entre os setores mais afetados. E isso de forma inédita, já que todos os segmentos - agências, operadoras, hotéis, companhias aéreas, locadoras de veículos e, portanto, destinos - foram atingidos. O acompanhamento que temos feito do setor privado indica quedas nunca menores que 50%, sendo que em alguns casos a redução ultrapassou os 90%, como o transporte aéreo de passageiros. Impacto imediato dado, é urgente a construção de cenários ou análises que sinalizem os caminhos da retomada. Como o turismo de Santa Catarina voltará ao curso normal? E São Paulo, ao mesmo tempo principal destino e maior emissor nacional, como irá reagir? Como esses dos vieses de encontram? Primeiro, nada voltará a ser como antes. Nem em Santa Catarina, São Paulo, no Rio de Janeiro ou na Bahia. As relações de consumo, o valor do que é comprado, a segurança e os cuidados dedicados aos visitantes serão alguns dos fatores que forçosamente passarão por mudanças. E terá melhor desempenho o destino que já estiver olhando para sua cadeia de valor, focando nas melhorias que, não nos iludamos, todos teremos que fazer. Santa Catarina tem uma vantagem subliminar nada desprezível: goza de uma boa imagem. Florianópolis, Joinville, Blumenau, Balneário Camboriú e diversos outros destinos tem uma imagem positiva no imaginário nacional, além de reunir dois ativos valorizados: praias e cultura moldada pela presença dos imigrantes, além de um ativo de meio ambiente que não pode ser desconsiderado. Ou seja, componentes importantes para um produto turístico. São Paulo, líder nos grandes eventos, na gastronomia e nas viagens de negócios, tem fora da capital um turismo que busca se diferenciar, mas sem uma imagem cristalizada em outros Estados emissores ou no exterior e enfrentando a concorrência. As tendências indicam que o turismo do pós-pandemia voltará pelas viagens de curta distância em um primeiro momento, trazendo oportunidades, portanto, para as cidades e regiões turísticas de São Paulo, já que o viajante mora no Estado. Depois as viagens nacionais, e por fim o retorno das viagens de longa distância. A se confirmarem essas tendências, Santa Catarina deve se preparar para a captação desse turista paulista, que buscará destinos de menor movimento, de experiência, de convivência cultural e contato com a natureza. Ter qualidade, serviços autênticos e os novos cuidados pós Covid-19 serão os primeiros passos. 


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ECONOMIA

Megaships já são realidade no complexo portuário de Itajaí No dia 1 e 17 de junho, a Superintendência do Porto de Itajaí homenageou autoridades, servidores e entidades que contribuíram para a concretização das manobras da Bacia.

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primeiro navio de classe conhecido por “Megaships”, representados por embarcações com até 350 metros de comprimento e capacidade para transportar até 12.000 TEUS (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), foi o EVER LAUREL, com 334,98 metros de comprimento e 48,80 metros de largura (boca), bndeira de Singapura e capacidade para transportar até 8452 TEUs, veio do Porto de Paranaguá (PR) e atracou no berçoda Portonave no dia 31 de maio. Na segunda-feira (01) foi realizada a manobra de saída da embarcação, que foi o primeiro giro de nova etapa na área da nova Bacia de Evolução. A manobra foi coordenada e monitorada pela Superintendência do Porto de Itajaí, pela Marinha do Brasil (Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí), pela Praticagem, pelos Terminais Portuários (APMT e Portonave) e pela empresa de rebocadores. Antes do início da manobra, a Superintendência do Porto de Itajaí, na condição de Autoridade Portuária, realizou uma cerimônia de entrega de placas, em reconhecimento aos esforços de autoridades e alguns colaboradores que foram fundamentais para a concretização da nova Bacia de Evolução. Para o Prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, a nova Bacia de Evolução coloca o Complexo Portuário de Itajaí na rota dos grandes navios (Megaships) e é fundamental para a operação do complexo e manutenção de sua movimentação: “Hoje é um dia para ficar registrado na memória dos itajaienses e de todos aqueles que labutam na atividade portuária do nosso complexo. Fonte primordial da nossa economia, o Porto de Itajaí e seu complexo, cada vez mais se destaca e prova disso é o que estamos presenciando hoje com a vinda destes gigantes dos mares. Para nós é mais um motivo de orgulho e acima de tudo de satisfação de ver, que agora sim, estamos prontos para realmente fazermos parte das grandes operações do cenário portuário nacional e internacional”, destaca. Foram homenageados na primeira manobra: o Município de Itajaí, representado pelo Sr. Volnei José Morastoni, Prefeito de Itajaí; a Superintendência do Porto de Itajaí, representada pelo Engenheiro Sr. Marcelo Werner Salles, Superintendente do Porto de Itajaí; a Câmara de Vereadores

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de Itajaí, representada pelo seu vice-presidente, Sr. Sérgio Murilo Pereira; a Capitania dos Portos de Santa Catarina, representada pelo Capitão dos Portos de Santa Catarina e Capitão de Mar e Guerra, Sr. Alexandre Lopes Vianna de Souza; a Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí, representada pelo Comandante, Sr. Eduardo Miranda da Fonseca, representando no ato o Capitão de Fragata e Comandante da Capitania dos Portos de Itajaí, Sr. Thales da Silva Barroso Alves; a Portonave (Porto de Navegantes), representada pelo Diretor Superintendente Administrativo, Sr. Osmari de Castilho Ribas; a APM Terminals, representada pelo Diretor Superintendente Administrativo, Sr. Aristides Russi Junior; a Empresa Itajaí e Navegantes Práticos Serviços de Praticagem, representada pelo Sr. Paulo Figueiredo Ferraz Júnior, representando o Presidente da Praticagerm, Sr. Wallace Siqueira Bezerra; os servidores da Superintendência do Porto de Itajaí, representados pelo Diretor Geral de Operações Logísticas, Sr. Heder Cassiano Moritz e pelo Diretor Geral de Engenharia, Sr. André Pimentel. No dia 17, A Superintendência do Porto de Itajaí também fez homenagens à pessoas e entidades que contribuiram para esse importante momento do complexo portuário de Itajaí. Foi na Marina de Itajaí na saíde do navio APL Paris, da CMA CGM, com 350 metros. Nesta oportunidade, foram homenageadas as seguintes entidades e autoridades: Mário César de Aguiar ou representante – Presidente da FIESC – Federação das Indústrias de SC; Jorge Mauricio Froeder - Chefe do Nepom de Itajai/SC; Mário César dos Santos – Presidente ACII; Laerson Batista da Costa – Presidente da CDL; Delegacia da Policia Federal de Itajaí, Oscar Biffi ou representante; Klebs Garcia Peixoto Junior - Delegacia da Receita Federal de Itajaí ou representante; Secretário de Estado da

ARMAZÉM: Rua Blumenau, Nº 2020 - sala 01 – Barra do Rio - Itajaí/SC Economia&Negócios • Edição 242 • 15


ECONOMIA Divulgação Portonave Thiago Caminada - Secom PMI Thiago Caminada - Secom PMI Thiago Caminada - Secom PMI Thiago Caminada - Secom PMI

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Infraestrutura e Mobilidade (Governo do Estado de SC), Sr. Thiago Vieira ou representante; Manuel Carlos Maia de Oliveira – Diretor Geral da Marina Itajaí; Ernando João Alves Júnior e Márcio Guapiano - Intersindical dos Sindicatos dos Trabalhadores Avulsos da Orla Portuária de Itajaí, Navegantes, Florianópolis e Região do Estado de Santa Catarina; UNIVALI – Reitor Valdir Cechinel Filho; Prefeitura Municipal de Navegantes, Prefeito Emilio Vieira; Câmara de Vereadores de Navegantes, Presidente Paulo Rodrigo Melzi; Associação Empresarial de Navegantes, Sr. Verner Dietterle; Antônio Ayres dos Santos Jr – Ex. Superintendente do Porto de Itajaí e Eclésio Silva - Sindicato das Agências de Navegação Marítima e Comissárias de Despachos do Estado de Santa Catarina (SINDASC) O Superintendente do Porto de Itajaí, Eng. Marcelo Werner Salles destacou que a realização dessa obra, demonstra que com a união de todos os envolvidos foi possível superar as adversidades e garantir a movimentação do Complexo Portuário: “Em 2019 tivemos a oportunidade de exportar e importar quase 16 bilhões de dólares por esse Complexo, o que permitiu assegurar em todas as regiões do estado mais de 750 mil empre-


ECONOMIA Thiago Caminada - Secom PMI Thiago Caminada - Secom PMI Thiago Caminada - Secom PMI

gos. Para assegurar a manutenção dessa atividade e a adequação, impostas por esses novos navios, foi feito um investimento pelo Governo do Estado como também cada uma das instituições homenageadas realizou suas ações. Meu agradecimento à Câmara de Vereadores de Itajaí, que em um determinado momento crítico, nos permitiu um aditivo para que concluíssemos a obra; aos nossos parceiros privados, APM Terminals e Portonave, que desde o início dos estudos realizaram investimentos em parceria com a Superintendência do Porto; à Praticagem que em todo esse caminho nos ajudou de forma técnica e eficiente; à Marinha do Brasil que desde o

Financiamento para aquisição de:  Máquinas e Equipamentos  Ferramentas  Estoques e Reformas  Capital de Giro  Empréstimo Pessoal

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Divulgação Portonave

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Thiago Caminada - Secom PMI

início vem nos orientando em como proceder e permitindo que os nossos parâmetros sejam melhorados de uma forma para que possamos dar continuidade à atividade portuária; à municipalidade por esse apoio na busca de recursos e apoio técnico para dar conforto e tranquilidade para que a equipe técnica do porto pudesse realizar o trabalho de implementação, que vem sendo feito diuturnamente; como também à todos que acreditaram e nos ajudaram a superar as adversidades e a Deus, que nos deu saúde para chegar até aqui e continuar, comemora Salles”. Os estudos técnicos e projetos de engenharia para a nova Bacia de Evolução do Complexo Portuário de Itajaí tiveram início em 2012. Por estar localizada entre os berços de atracação do Porto de Itajaí (APM Terminals) e Portonave, a área da antiga da bacia era limitada e não permitia a manobra de navios maiores. A Baia Afonso Wippel foi sugerida por um dos mais antigos práticos de Itajaí, e dentre todos os locais apresentados foi, de acordo com estudos técnicos, o mais adequado para a nova área de manobras. A obra será realizada em duas etapas. Na primeira etapa, já concluída, a bacia tem 500 metros de diâmetro e 14 metros de profundidade e habilita o Complexo a receber navios de até 350 metros de comprimento. As obras dessa etapa foram finalizadas em setembro de 2019, após a realização de diversas fases, necessárias para sua conclusão e encaminhamento de documentos para sua homologação: estudos técnicos, dragagem, alteração dos molhes, nova sinalização náutica, aprovação por parte da Autoridade Marítima, treinamento da Praticagem, entre outras frentes de trabalho. Foram investidos R$ 174,6 milhões para a execução da obra, sendo R$ 129 milhões oriundos do Governo do Estado de Santa Catarina através da Secretaria de Estado da Infraestrutura, R$ 40,1 milhões do Porto de Itajaí e R$ 5,5 milhões da Portonave (Porto de Navegantes). A primeira manobra na área da nova bacia de evolução foi realizada em 16 de janeiro de 2020, com uma manobra de navegação a ré (popa), até então inédita na América do Sul. O navio Valor, de 300 metros de comprimento, foi o primeiro de 12 navios de até 306 metros manobrados na área da Bacia em caráter especial. Com a autorização da Autoridade

Thiago Caminada - Secom PMI

ECONOMIA

Marítima para a realização dessas manobras em caráter normal, foi autorizada a realização de mais uma fase de manobras especiais, agora com navios de até 350 metros. Representantes e autoridades da comunidade portuária e empresarial de Itajaí e Navegantes estiveram reunidos com senadores e deputados federais do Fórum Parlamentar Catarinense para a entrega de uma carta de apoio institucional para o início das obras da segunda etapa de readequação dos acesos aquaviários do Complexo Portuário de Itajaí, essa etapa permitirá ao Complexo receber navios de 366 metros até 400 metros de comprimento.


ECONOMIA

Para Eclésio Silva, do Sindasc, Itajaí está inserida na rota dos grandes navios

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ara o ex-presidente da ACII e atual Diretor Executivo do Sindasc, Eclesio da Silva, Itajaí sempre teve um diferencial quando se trata de assuntos portuários, e mais uma vez se destaca no trato do desenvolvimento da atividade portuária, isso em todos os seguimentos que compõe essa cadeia, passando pelos trabalhadores portuários avulsos, agentes importantes nesse processo, até aos agentes de navegação e os seus armadores representados. Com 43 anos de experiência ligados à atividade portuária, logística e de comércio exterior, Eclésio da Silva, diz que teve oportunidade e o privilégio de acompanhar o desenvolvimento e o crescimento do Porto de Itajaí e conta como foi: "Navios de 150 metros de comprimento com 22 metros de boca, nos idos dos anos 70 eram gingantes, e com eles vieram a era dos containers, em que os primeiros deles, movimentados no porto de Itajaí, não se tinha equipamentos para deslocamento dos mesmos em terra, onde nossa maior empilhadeira, tinha capacidade de até duas toneladas, e foram necessários duas empilhadeiras dessas para movimentar um container de 20 pés, vazio, com 2,2 toneladas de tara. Saímos de 8 metros de profundidade para 14 metros, o que equivale milhares de toneladas e containers carregados ou descarregados a mais a cada atracação. Nesse tempo tivemos também a oportunidade de manter contatos com vários profissionais de várias partes do mundo, de comandantes a planers de navios, de encarregados a diretores de operação de muitos armadores, e destes ouvimos muitos relatos. Uns que acreditavam que o Porto de Itajaí iria crescer, não na proporção que aí está, enquanto outros simplesmente desdenhavam da nossa teimosia em “brigar”, em todas as esferas, por este porto. Eu tive que ouvir, certa ocasião, de um Diretor de Operações, de larga experiencia no trade, fora daqui, numa cerimônia da primeira viagem no Brasil, de uma nova série de navios de um grande armador, navio este de 257 metros de comprimento, em que ele disse: “esse navio gigante jamais irá entrar naquele teu portinho”. Dois erros crassos nesta afirmação, primeiro que o porto não era e não é meu, mas entendi pelo sentido figurado da frase, e segundo, o mais contundente, que jamais deveria ele duvidar da capacidade de trabalho, e da coragem das pessoas que aqui trabalham e da capacidade de união dessas mesmas pessoas em prol de uma causa. Tive que “engolir” a seco, claro que dei mais um gole na taça de vinho que estava degustando, e pensei sem revelar, “essa sua afirmação um dia será desmascarada”. Sem nos alongar, pois daria para escrever vários capítulos de um livro, de tantos os relatos ao longo desses anos, mas aí está, o nosso Pequeno Grande Porto, recebendo navios de 350 metros LOA, deixando os céticos sem palavras e no seu ceticismo. Poderíamos até fazer uma analogia com a era das grandes

navegações, em que Itajaí está inserida na rota dos grandes navios, enchendo de orgulho a sua “gente” e consolidando essa cidade como um polo da economia do estado de Santa Catarina. Coincidentemente o navio de 347 LOA estará operando justamente no aniversário da cidade e Itajaí, abrilhantando esse momento, que pode se cravar como histórico para essa cidade, e para esse povo que sempre acreditou no crescimento do seu porto. Parabéns Itajaí e Parabéns Complexo Portuário do Rio Itajaí." 

Saímos de 8 metros de profundidade para 14 metros, o que equivale milhares de toneladas e containers carregados ou descarregados a mais a cada atracação.

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** ESPECIAL **

Atividades logística, portuária e pesqueira impulsionam a economia da Foz do Rio Itajaí-Açu

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região da Foz do Itajaí, inserida no Vale do Itajaí, comporta 19 municípios e tem Itajaí como um dos principais polos regionais, com grande destaque na economia de Santa Catarina. O município sedia o complexo portuário ranqueado como o segundo maior do país em movimentação de contêineres e que responde pelo escoamento de grande parte das exportações catarinenses. Itajaí é hoje o maior polo pesqueiro do Brasil e a atividade tem importante peso na economia regional. Juntos, os municípios de Itajaí e Navegantes respondem não apenas pela maior fatia da captura do pescado, como também abriga as maiores empresas enlatadoras do Brasil. No entanto, os setores de serviços e o comércio, nos ramos atacadista e varejista, surgem como importantes atividades econômicas, com destaque para a construção civil e o turismo, que também tem protagonismo, tendo em vista os atrativos naturais. O segmento de serviços surge com liderança significativa, compondo cerca de 47% do PIB da região. Outro destaque são os impostos sobre produtos, em que a Foz do Itajaí participa com 23% no montante estadual de PIB gerado pelo segmento em Santa Catarina.

Alfabile Santana

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A indústria do mar [que engloba a construção naval e o segmento náutico] é também forte na região e Itajaí é líder catarinense e brasileiro na produção de lanchas e iates de luxo. Entre as principais marcas nacionais estão a Azimut Yachts [líder mundial no mercado de luxo e que desde 2010 conta com a única planta fabril fora da Itália, em Itajaí]. Entre outros itens da tradicional marca, o armador fabrica na cidade megaiate Azimut Grande 30 Metri, o maior iate de luxo de fabricação em série do Brasil. O grupo Sedna [que fabrica a conceituada marca Cimitarra] também trouxe a produção de São Paulo para a cidade catarinense investiu R$ 25 milhões no ano passado para produzir também na cidade uma linha de pesca esportiva. A Fibrafort [fabricante da marca Focker], também nasceu em Itajaí. A empresa tem 27 anos de mercado e mais de 16 mil barcos na água. Juntos, Itajaí e Navegantes empregam 75% dos trabalhadores do segmento em Santa Catarina. No estado a indústria do mar ocupa a 4ª posição no ranking de produtividade industrial, 13ª posição em exportações, 19ª posição em número de estabelecimentos e 19ª posição na geração de postos de trabalho [Fiesc/2017].


Alfabile Santana

** ESPECIAL **

Itajaí é hoje o maior polo pesqueiro do Brasil e a atividade tem importante peso na economia regional.

Juntos, os municípios de Itajaí e Navegantes respondem não apenas pela maior fatia da captura do pescado, como também abriga as maiores empresas enlatadoras do Brasil.

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município ainda é considerado também o principal polo logístico do estado e um dos principais do Sul do país. Abriga um importante complexo portuário e um completo pool de empresas que respondem por todas as etapas da cadeia logística do comércio exterior. Essa realidade se dá devido ao fato da região comportar o Complexo Portuário de Itajaí, um dos mais importantes do Brasil, e o aeroporto de Navegantes, que suporta a alta movimentação turística. Tudo isso aliado a localização geográfica privilegiada, em um dos principais entroncamentos rodoviários do Sul do Brasil. Ainda segundo o Sebrae, o perfil produtivo e o aquecimento da economia da região Foz do Itajaí tem o protagonismo de diversos setores para a dinamização de bens e serviços e a geração de riqueza na região. O segmento de serviços surge com liderança significativa, compondo cerca de 47% do produto interno bruto da região. Outro destaque são os impostos sobre produtos, em que a Foz do Itajaí participa com 23% no montante estadual de PIB gerado pelo segmento em Santa Catarina. O PIB da Foz do Itajaí, no período entre 2011 e 2016 [incluindo a evolução do índice] apresentou uma evolução de 63,39%. Já a colaboração do índice da atividade econômica e geração de riqueza da Foz do Itajaí para a composição do PIB catarinense também é historicamente expressa manteve uma taxa constante, com colaboração média de 16,2% para o PIB catarinense. Economia&Negócios • Edição 242 • 21


** ESPECIAL **

Conheça as fragatas

Itajaí receberá R$ 9 bilhões em investimentos de alta tecnologia militar para construção de fragatas

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tajaí começa a viver uma nova e histórica fase na sua construção naval, depois da assinatura do contrato entre a Marinha do Brasil e o consórcio Águas Azuis para construção de quatro navios de defesa de alta tecnologia no município. A nossa cidade é a primeira do país a receber um contrato na área militar do atual Governo Federal. Os investimentos somam R$ 9,1 bilhões e o projeto será executado no estaleiro Oceana, em Itajaí, que foi comprado pela empresa alemã Thyssenkrupp Marine Systems, uma das maiores empresas navais do mundo,. A estimativa é que oito mil novos empregos sejam criados, sendo dois mil diretos e mais seis mil indiretos. O projeto da Marinha ganhou força após a mudança da classe de embarcações que serão produzidas. Agora, serão quatro Fragatas: unidades de escolta, vigilância do mar e controle de área com maior peso e dimensão, além de armas mais sofisticadas. O prazo do contrato é de pelo menos 10 anos. A primeira fragata deverá ser

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entregue em 2024 e a última em 2028 pelo consórcio Águas Azuis formado pela Thyssenkrupp Marine Systems, que lidera o projeto, junto com a Embraer Defesa & Segurança e a Atech.alemã Thyssenkrupp Marine System e as brasileiras Atech e Embraer Defesa e Segurança, com os serviços executados no estaleiro em Itajaí. “É histórico para o Brasil e para a nossa Itajaí, porque é um empreendimento da maior importância, porque inaugura um novo período de desenvolvimento e prosperidade para Itajaí com muita transferência de tecnologia, geração de empregos e novas empresas”, avalia Morastoni. O comandante da Marinha, Ilques Barbosa Júnior, classificou o projeto como uma promissora aventura em Itajaí. “Este projeto permite a geração de empregos com muito mais intensidade em nosso país, porque é financiado pelo Estado brasileiro e isso reduz muito os custos. E mais importante ainda é a produção de independência tecnológica que sempre nos faltou”, destaca o almirante.

As fragatas são máquinas de guerra sofisticadas, lançadoras de mísseis e torpedos pesados. Com 107 metros, as embarcações deslocam 3,5 mil toneladas e 136 tripulantes. As fragatas brasileiras da Classe "Tamandaré" terão recursos de redução da visibilidade e serão armadas com canhões, mísseis, torpedos e metralhadoras. As embarcações serão utilizadas para a defesa dos 5,7 milhões de km² da costa brasileira. Hoje, a frota utilizada tem cerca de 40 anos e foram compradas no Reino Unido durante o governo do general Ernesto Geisel, e modernizadas ao menos duas vezes. O envelhecimento do grupo é um problema para a defesa do litoral. Os novos navios terão referência da família de embarcações Meko A100, da Thyssenkrupp, e terão melhores condições de monitorar e defender a costa.


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INDÚSTRIA

'A história da Fiesc faz parte do desenvolvimento de Santa Catarina', diz Aguiar Presidente da Fiesc enalteceu o trabalho da Federação durante solenidade de 70 anos da entidade

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o dia 29 de maio a Federação das Indústrias de SC (Fiesc) realizou uma solenidade para comemorar os seus 70 anos de história. O evento foi realizado na sede da entidade em Florianópolis e contou com o lançamento do livro de 70 anos da Federação, a participação do secretário especial de Previdência e Trabalho do Governo Federal, Bruno Bianco, e uma apresentação cultural do maestro João Carlos Martins. O evento seguiu o tema escolhido para celebrar o aniversário da Federação, "Indústria, estado da Arte", onde a entidade compara a atividade industrial com a de um artista, que busca sempre se reinventar para emocionar seu público. Durante o discurso de abertura, o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, enalteceu a importância da instituição no desenvolvimento econômico e social de Santa Catarina. "A história da Fiesc se confunde com o desenvolvimento do Estado. Uma entidade, que assim como o setor que representa, é agente de transformação. Santa Catarina é destaque em todos os indicadores econômicos, principalmente nos ligados ao emprego", destacou. Segundo Aguiar, a Federação ouviu os industriais e está cumprindo seu papel de articuladora durante a pandemia de Coronavírus. Para ele, isto é fundamental para amenizar os impactos sociais e econômicos causados pela Covid-19. "O industrial catarinense, assim como um artista, sempre se supera e se reinventa. A Fiesc reafirma seu compromisso com o setor e com Santa Catarina. Nossa obra-prima é a capacidade de transformar insumos em bens, impostos, empregos, desenvolvimento, inclusão, mas principalmente, na esperança em dias melhores", ressaltou. O evento também marcou o lançamento do livro de 70 anos da Fiesc. Durante a solenidade, Aguiar entregou exemplares para o 1º vice-presidente da entidade, Gilberto Seleme e para a diretora 2ª tesoureira, Rita Cassia Conti. O livro resgata os principais acontecimentos da indústria de Santa Catarina e das entidades que fazem parte da Fiesc (Sesi, Senai, IEL e Ciesc) e conta com o apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e outras organizações e empresas catarinenses. A publicação é feita pela Editora Expressão, que já produziu livros que registrou as passagens de 50, 60 e 65 anos da entidade.

Integração com o Governo Federal

Diretamente de Brasília, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, participou do evento para comentar as medidas do governo federal para manutenção da atividade econômica, emprego e renda durante a pandemia. O secretário aproveitou a ocasião para elogiar o trabalho da Federação em auxiliar o governo a propor soluções para amenizar os efeitos da crise. "O governo, em poucos dias, estabeleceu em conjunto com os empresários medidas estão nos ajudando a superar esta crise. Nosso objetivo é proteger a saúde, a segurança e a renda do trabalhador. Por isso eu enalteço essa parceria da Fiesc com o Governo Federal, que tem nos auxiliado 24 • Edição 242 • Economia&Negócios

durante esta pandemia", destacou Bianco. O presidente da Fiesc retribuiu os elogios do secretário e disse que a medidas do Governo Federal estão recebendo avaliações positivas no Estado. "A entidade realizou uma pesquisa que mostra que entre os industriais catarinenses houve um grande reconhecimento das ações imediatas no início da pandemia, notadamente com a edição das MPs 927 e 936", comentou.

Apresentação cultural

O encerramento da solenidade foi realizado com a apresentação do maestro João Carlos Martins, que teve a participação do tenor Jean William, bolsista integrante da Bachiana Filarmônica Sesi-SP. Segundo o maestro, a indústria teve um papel fundamental em sua trajetória. "Eu perdi o movimento das mãos e foi graças a um industrial que projetou dedos biônicos para mim que eu pude ter o prazer de poder voltar a tocar piano", afirmou Martins. "Assim como o industrial catarinense, o maestro João Carlos Martins é um artista que se supera a cada dia e um exemplo para todos nós", completou Aguiar. 

O industrial catarinense, assim como um artista, sempre se supera e se reinventa


INDÚSTRIA

No evento de 70 anos, FIESC defende democracia e harmonia entre poderes Presidente Mario Cezar de Aguiar também valorizou as medidas do governo que geram e preservam empregos e desenvolvimento; o evento digital foi transmitido pelo canal da FIESC no YouTube e contou com a participação do secretário de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, e do maestro João Carlos Martins

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presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, reforçou em evento digital que celebrou os 70 anos da Federação, o apoio do setor industrial às medidas que preservam emprego e renda. “O Brasil precisa de foco, alinhamento e conciliação em torno das causas comuns. O industrial catarinense não abre mão da democracia, quer a harmonia entre os poderes e tem coragem para dizer que apoia as medidas do governo que geram e preservam empregos e desenvolvimento. Queremos rever o pacto federativo que centraliza em Brasília os recursos arrecadados”, frisou. Aguiar lembrou os desafios que ainda devem ser enfrentados. “Nossos industriais já superaram incontáveis desafios nas últimas sete décadas. Outros tantos ainda precisam ser enfrentados, como as reformas necessárias para dotar o País de um sistema tributário inteligente e que estimule a produção; a redução da burocracia; a inclusão do estado no Plano Logístico Nacional; e a divisão com o setor público dos custos da atual crise, que por enquanto estão restritos à iniciativa privada”, observou. Em sete décadas de existência, a Federação coleciona grandes feitos. “Só no nosso estado o salário mínimo regional é negociado entre empregadores e trabalhadores. Produzimos um código ambiental que referenciou a legislação nacional”, citou. “Contribuímos de maneira decisiva para o código de defesa do contribuinte, para a modernização da legislação trabalhista e para outras reformas estruturantes, tanto em nível estadual quanto nacional. A FIESC é protagonista na busca de um ambiente melhor para os negócios, sem o qual, não teremos crescimento sustentável”, acrescentou. A celebração dos 70 anos da FIESC leva o conceito “Indústria, estado da arte”. Com ele, a entidade ressalta a beleza de transformar matéria-prima em produtos desejados e valorizados pelas pessoas, pois “estado da arte” é o mais próximo que se pode chegar da perfeição. Santa Catarina é destaque em todos os indicadores econômicos, especialmente nos ligados ao emprego. “Provavelmente, o atual momento é o mais grave pelo qual passamos nos 70 anos de nossa instituição. A FIESC, desde o início da pandemia, mobilizou a indústria e cumpriu seu papel de articuladora. Ouviu os industriais e levou suas propostas ao setor público, apoiando o governo na definição de protocolos de segurança para que a atividade produtiva pudesse retornar, sem abrir mão das garantias necessárias à saúde dos trabalhadores e da população”, lembrou o presidente da FIESC. Foi pensando no pós-crise, que a Federação apresentou há

alguns dias o projeto Travessia, uma proposta que contempla quatro frentes: reinvenção da indústria e da economia; investimento em infraestrutura; atração de capital e pacto institucional. “Juntos reinventaremos a indústria. A FIESC participará ativamente deste processo e reafirma seu compromisso com o setor e com Santa Catarina. Nossa obra-prima é a capacidade de transformar insumos em bens, empregos, impostos, desenvolvimento, inclusão, e, principalmente, em esperança de dias melhores”, finalizou Aguiar. Secretário Bruno Bianco - Ainda durante a live, o secretário de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, destacou que o governo tem elaborado medidas para a preservação dos trabalhadores, dos industriais e do ambiente de negócios no Brasil. “Trazemos aqui um pouco do que o governo federal tem feito e que estamos analisando em conjunto com vocês para que possamos superar esse momento de pandemia. Durante toda a crise, apesar da distância por motivos de saúde, estamos nos aproximando com a tecnologia. E isso fez com que tivéssemos que nos reinventar como humanos e como profissionais”, disse. Bianco salientou o diálogo com a FIESC e destacou que, devido à crise, o governo traçou novas linhas de atuação em conjunto com os empresários. “Sempre tenho dito: não há emprego sem empresário e não há empresário sem empresa”, salientou. O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, destacou a importância da segurança jurídica para a tomada de decisão dos empresários. “Numa pesquisa que fizemos recentemente com industriais do estado, houve grande reconhecimento das ações imediatas tomadas pelo governo federal no início da pandemia, notadamente, com a edição das medidas provisórias (MPs 927 e 936). O industrial catarinense agradece e reconhece essa atuação do governo federal”, declarou.  Economia&Negócios • Edição 242 • 25


CRISE/COVID19

Mercado da navegação jamais será o mesmo após a pandemia do Covid-19 A constatação é dos especialistas que participaram do webinar “Conexão Logistique: Tendências na navegação pós-Covid 19”

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specialistas em transporte marítimo dizem que as mudanças em curso no cenário do transporte marítimo em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) são significativas. Os lockdowns na China, Itália, Espanha e em outros países com grande contaminação impactaram no comportamento da demanda e em mudanças bruscas em diversos setores. Essas mudanças também chegaram na navegação e devem permanecer. Paradigmas foram quebrados, novas práticas vieram para ficar e o setor segue otimista com relação ao pós pandemia. Foi essa realidade que o projeto Conexão Logistique mostrou nesta sexta-feira, 5, por meio de uma conferência online para discutir o cenário da navegação durante a pandemia e as tendência para o setor no pós-Covid 19. A discussão reuniu importantes players do setor, que analisaram a realidade atual e as tendências a curto e nédio prazos para a navegação. Participaram do webinar o diretor comercial para a Costa Leste da América do Sul da Maersk Line Gustavo Paschoa, o diretor executivo da Aliança Navegação e Logística Marcus Voloch e os diretores comerciais das empresas armadoras Log-In e Mercosul Line, Maurício Alvarenga e Alexandre Souza, respectivamente. A mediação foi feita pelos consultores Leandro Carelli Barreto e Robert Grantham, da Solve Shipping Intelligence Specialists, com participação do diretor da Logistique, Leonardo Rinaldi. Para Gustavo Paschoa, da Maersk, o advento da pandemia gerou um novo ambiente de negócios. As plataformas digitais ganharam espaço, empresas se reinventaram para manter a competitividade e 26 • Edição 242 • Economia&Negócios

a melhora nos níveis dos serviços foi significativa. “E não podemos considerar essas mudanças como pontuais. Elas serão contínuas e perpétuas”, destaca Paschoa. Com relação aos volumes operados, o diretor comercial para a Costa Leste da América do Sul da Maersk diz que a pandemia não chegou a impactar nos volumes exportados pelo Brasil [alavancadas pelo agronegócio e pela melhora da competitividade do produto brasileiro no mercado global, em decorrência do câmbio], enquanto as importações sentiram mais o impacto. “Por outro lado, essa perda da competitividade dos produtos importados está fazendo com que as empresas brasileiras deixem de importar partes e peças, o que vai alavancar a indústria nacional”, afirma Marcus Voloch, diretor executivo da Aliança Navegação e Logística. “Isso gera uma oportunidade para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e também vai impactar no aumento da utilização da navegação de cabotagem”, acrescenta. Voloch compartilha da opinião de Paschoa, de que o cenário contribuiu também para a desburocratização e agilização nos processos com a digitalização e acrescenta que o governo vem contribuindo para isso com a edição de leis e medidas provisórias nesse sentido. Em intervenção no chat do webinar, o secretário Nacional de Portos, Diego Pilloni, destacou a importância dessas mudanças no sentido de desburocratizar e agilizar os processos, as intervenções que o governo vem fazendo por meio dos ministérios da Infraestrutura, Economia, Casa Civil e Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) neste sentido. “Mais melhorias nos procedimentos da Agência são


CRISE/COVID19 esperados para breve”, garante Pilloni.

Cabotagem

Pilloni diz ainda que é importante que haja a compreensão de um olhar cuidadoso sobre a continuidade da prestação de serviços essências pelos armadores da cabotagem no País. Opinião que é dividida por Maurício Alvarenga, diretor comercial da Log-In Logística Intermodal. Segundo Alvarenga, a navegação costeira tem condições de operar grandes volumes de cargas e é um modal que vem contribuindo de forma significativa nesse momento de crise gerada pela pandemia. “A cabotagem vem crescendo a mais de dois dígitos nos últimos anos e, embora no momento esteja ocorrendo uma retração nos volumes transportados, acreditamos em uma boa evolução no pós-Covid 19. Motivo pelo qual a Log-In vem mantendo suas rotas e capacidade de transporte, o que agrega credibilidade no modal”, destaca Alvarenga. Incremento que será alavancado também pelo início das operações de mega ships no Complexo Portuário do Itajaí, aumentando a possibilidade dos portos de Itajaí/Navegantes se transformarem em hub ports, segundo o consultor Robert Grantham, da Solve Shipping Intelligence Specialists. Prerrogativa que vale também para o Terminal Porto Itapoá, que na última semana de maio foi autorizado a operar navios de até 350 metros de comprimento.

“Os portos do Uruguai e Argentina não comportam navios desse porte, o que vai alavancar a cabotagem para o Mercosul”, acrescenta o diretor comercial da Mercosul Line, Alexandre Souza. “Sem contar que é um modal sustentável e competitivo. A BR do Mar, programa de fomento a cabotagem lançado pelo Ministério da Infraestrutura, também vai impactar no aumento dos volumes operados. A opinião é do consultor Leandro Barreto, da Solve. O especialista acredita que a medida trará mais competitividade e segurança jurídica para as empresas de navegação que operam cabotagem. O webinar pode ser visto no canal da Logistique no You Tube: https:// www.youtube.com/user/feiralogistique .

Conexão Logistique

O projeto Conexão Logistique prevê uma série de conferencias online e lives abordando os mais diversos assuntos relacionados a cadeia logística e todos os elos que a compõem que antecedem a Logistique – Feira e Congresso de Negócios Multimodais, que será realizado de 5 a 7 de outubro, em Joinville, Santa Catarina. “É um movimento criado para municiar o mercado com informação de qualidade e nortear o empresariado nestes tempos de incertezas”, diz o diretor da Logistique, Leonardo Rinaldi. O próximo webinar da Conexão Logistique vai abordar a infraestrutura dos portos catarinenses.  Mais informações no endereço www.logistique.com.br

Economia&Negócios • Edição 242 • 27


CRISE/COVID19

Foto: Mauricio Vieira / Arquivo / Secom

Apesar de pandemia, saldo de novas empresas cresce 9,8% em Santa Catarina em 2020

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confiança dos empreendedores catarinenses segue alta apesar da pandemia de Covid-19. Dados da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc) mostram um saldo positivo de 41.534 novas empresas no estado, entre 1º de janeiro e 3 de junho de 2020. O resultado é 9,8% superior ao mesmo período do ano passado, quanto o saldo era de 37.833 (62.090 empresas constituídas e 24.257 baixas). Neste ano, o saldo positivo é fruto da diferença das 63.915 empresas constituídas e 22.381 extinções. Outro indicador que mostra o entusiasmo do setor produtivo é que mesmo no período de pandemia, de 17 de março até 3 de junho, o resultado foi de 17.930 novas empresas (27.557 constituições e 9.627 baixas). Na avaliação do governador Carlos Moisés, os dados da Jucesc demonstram que Santa Catarina, assim como em outras oportunidades, deve superar a crise e iniciar a retomada econômica de maneira mais rápida. Ele reafirma que o perfil empreendedor do povo catarinense é uma característica que auxilia nos momentos de dificuldade. “Vivemos uma crise que foi causada por um problema de saúde. É algo sem precedentes, mas tenho plena confiança que sairemos mais fortes dessa pandemia. Esse dado do saldo da criação de empresas nos gera um otimismo em uma retomada mais rápida da economia. Sem esquecer do setor produtivo, nosso foco tem sido em salvar vidas nesse momento. Com a união de esforços de todos, superaremos mais essa adversidade”, diz o governador. 

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CRISE/COVID19

Família Schurmann retorna ao Brasil e permanece em quarentena na Marina Itajaí Além de ser a casa do veleiro Kat, da Família Schurmann, Marina Itajaí recebe navegadores nacionais e internacionais que optaram em passar o período de isolamento social a bordo de suas embarcações

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Família Schurmann está de volta a Itajaí. Após passar quatro meses nas Ilhas Falklands/Malvinas e Georgia do Sul, o veleiro Kat atracou na Marina Itajaí, no litoral de Santa Catarina, no dia 13 de maio. Os velejadores permanecem em isolamento social na marina e ainda não há previsão para uma nova viagem. "É muito bom estar de volta, em poder me comunicar por vídeo com meus filhos, netos, parentes e amigos. Mas o isolamento permanece e é necessário. Agora, estamos todos no Brasil, seguindo as medidas de distanciamento, com a certeza de que esta tempestade vai passar. Ela é mais dura e cruel com muitos, infelizmente. Mas vai passar. Até lá, que a gente faça a nossa parte, dentro do que é possível e nos compete", disse Vilfredo assim que chegou ao Brasil. Além de grandes e renomados velejadores como a Família Schurmann, a Marina Itajaí possui atualmente cerca de 200 barcos atracados, sendo cinco internacionais. O período de quarentena também motivou vários navegadores a realizarem o distanciamento a bordo, sem contar as famílias que moram em suas embarcações. “Com o isolamento social, as famílias ficaram mais conectadas às embarcações. Antes, os barcos eram mais utilizados para lazer, esportes e encontros com amigos em férias, feriados ou finais de semana. Agora, essa percepção tem mudado e muitas pessoas fizeram dos barcos a extensão de suas casas”, analisa o diretor da Marina Itajaí, Carlos Oliveira.

Quarentena a bordo

O veleiro Kat partiu de Itajaí em janeiro de 2020 rumo ao extremo sul da América. A bordo estavam Vilfredo, o filho Wilhelm Schurmann e a nora Erika Cembe-Ternex. A previsão era retornar ao Brasil em meados de março, mas com a pandemia, os velejadores precisaram estender a viagem e se adaptar à nova realidade. “Ficar isolado a bordo fez do mar o local mais seguro naquele momento. Foram raríssimos o contato - mesmo que apenas visual e a distância - com outras pessoas. Lá, nossos companheiros eram pinguins, focas, albatrozes, golfinhos e outros animais”, lembra Vilfredo. A volta para casa começou em 4 de maio e, após nove dias e meio velejando com bom tempo, a Família Schurmann atracou na Marina Itajaí, a casa do veleiro Kat, onde permanece em isolamento social. O capitão Vilfredo segue escrevendo o livro inspirado na Expedição U-513 - Em Busca do Lobo Solitário. Já Heloisa e o filho David estão há mais de 60 dias isolados em São Paulo. A família também planeja a próxima expedição Voz dos Oceanos, que tem o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente como parceiro global, com a intenção de conscientizar a população sobre a necessidade de despoluir os oceanos.  Economia&Negócios • Edição 242 • 29


CRISE/COVID19

O Brasil é o único país do G20 a aumentar exportações no primeiro quadrimestre Enquanto a projeção mundial é de queda no volume do comércio internacional, o Brasil registra alta no primeiro balanço do ano.

Consumo de gás natural no Estado teve alta de 21% em maio Crescimento foi puxado pela alta nos setor industrial, de 23,2%

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pesar da tendência de enfraquecimento da atividade econômica, o mês de maio apresentou importante reação no mercado de gás natural em Santa Catarina: houve um acréscimo de 21,13% no consumo em relação ao mês de abril. Os principais mercados que apresentaram crescimento foram o industrial, com 23,2% de incremento, e o GNV, com 15%. "O gás natural no estado atende mais de 50% do PIB industrial, logo essa reação de maio sinaliza que o mercado catarinense apresenta o início do importante processo de retomada econômica", diz o presidente da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGÁS), Willian Anderson Lehmkuhl A crise sanitária e econômica ocasionada pela pandemia de Covid-19 paralisou um ciclo de crescimento de consumo de gás natural em Santa Catarina. As vendas da SCGÁS vinham apresentando sucessivos recordes nos principais mercados atendidos pela distribuidora em volumes totais: apresentou aumento de 6,4% em 2017, 7,7% em 2018 e pouco mais de 2% em 2019. Os meses de janeiro e fevereiro de 2020 mostraram que o ciclo de crescimento se manteria, pois os dois primeiros meses do ano acumularam alta de 6% em relação a 2019. Mas com a pandemia da Covid-19, a segunda quinzena de março registrou queda acentuada das vendas, com impacto total de -13,5% para o mês no volume consumido pelo mercado catarinense na comparação com o ano anterior. No mês de abril a queda foi ainda mais brusca: o volume de distribuição da SCGÁS retraiu 46,6% em relação a abril de 2019. Os analistas comerciais da SCGÁS avaliam que ainda é cedo para indicar um cenário de constante evolução do consumo e consideram difícil sinalizar quando ele se aproximará aos volumes projetados para 2020 e aos índices históricos dos últimos dois anos. Mas o mês de maio mostra que setores produtivos do estado ensaiam o início de uma reação, que pode ser confirmada devido ao comportamento histórico do mercado catarinense de apresentar a maior e mais rápida resposta às crises econômicas no país. 

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Em um cenário de crise bastante adverso, tem-se uma boa notícia no setor brasileiro do comércio exterior. Do grupo do G20, que é um bloco econômico composto por países ricos como a Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia, e países emergentes como a África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia. O país maior país da América Latina foi o único do grupo das vinte maiores economias do mundo, a expandir seu volume exportado no primeiro quadrimestre de 2020. Os asiáticos não deixaram de importar produtos brasileiros mesmo sendo afetados pelo grave quadro de saúde mundial, e este é um dos principais motivos para que o Brasil apresentasse o bom resultado. A Ásia representa 47, 2% do total de todas as exportações brasileiras, o aumento nos quatro primeiros meses foi de 10,9% em comparação com o mesmo período de 2019. O professor Gilberto Campião da ABRACOMEX, diz que os bons números estão relacionados a exportação de bens primários alimentícios, onde o Brasil é o grande produtor, e esse ano conseguimos lograr um aumento da nossa produção agrícola, com grande superávit e alguns produtos têm demanda garantida, como alimentos e vestuário. Para o futuro, as perspectivas de crescimento são ainda melhores, já que o agronegócio continua sendo o maior colaborador pelos números. O grão da soja, suco de laranja, as carnes de boi, frango e suína, café, açúcar, milho e outros são produtos de demanda pouco elástica, ou seja, são produtos que mesmo depois da pandemia continuarão sendo muito procurados em todos os continentes. Outros setores como o minério de ferro e petróleo exportaram juntos 13,3 milhões de toneladas em maio de 2020, de acordo com a Secex. Gilberto Campião também diz que as perspectivas pós pandemia são de que o Brasil continuará sendo um dos principais exportadores, em função da nossa riqueza mineral e extensão agrícola, associada a tecnologia de produção. Estamos entre as maiores economias do mundo e as nossas exportações ainda não refletiram essa realidade, além disso o Brasil é um país jovem, cheio de energia e seguramente estará em breve, entre as 04 maiores economias mundiais. 


Qual a saída para as microempresas e empresas de pequeno porte com a pandemia COVID-19? CELSO ALMEIDA DA SILVA OAB/SC 23.796-A Sócio-fundador do Silva & Silva Advogados Associados e especialista em crimes empresariais.

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este momento de profunda crise econômica no mundo, o fôlego financeiro é a maior necessidade do empresariado do Brasil (e do mundo!). Usando estratégias de frear o avanço da contaminação pelo vírus, a maioria dos governos optaram por ações de isolamento social, mantendo em funcionamento somente serviços de ordem essencial. Quase tudo parou! Nossa econômica parou, e talvez, não volte jamais a ser como era antes da pandemia. Neste momento duas preocupação dividem a população mundial, a crise da saúde e a crise econômica. As duas maiores preocupações do momento no mundo inteiro: saúde pública x economia. A economia mundial já foi amplamente afetada pelo covid-19. Aqui no Brasil, a situação da grande maioria das empresas é preocupante, pois possuem fluxo de caixa muito reduzido, destacando-se as micro e empresas de pequeno porte. Nossa preocupação nessas breves linhas, é com esse núcleo empresarial que possui finanças muito estreitas. Possuímos aqui no Brasil, em torno de 9 milhões de microempresas e empresas de pequeno porte, que juntas somam 27% do PIB. Esse segmento já enfrentava dificuldades, antes mesmo do covid-19, tomando-se por base os pedidos de recuperação judicial em juízo. Com a paralisação forçada das atividades face a quarentena, algumas empresas acabaram ficando totalmente sem receita, e agora, como saldar todas as obrigações financeiras? O nosso ordenamento jurídico possui várias possibilidades para que se viabilize a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. Algumas possibilidades são de ordem mais simples, enquanto outras, mais complexas. Algumas são as possibilidades jurídicas para às ME e EPP, como a MEDIAÇÃO, a RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL e a RECUPERAÇÃO JUDICIAL (com apresentação de plano especial). Mediação: Essa é uma bandeira que foi levantada a muito tempo, mas vem sendo pouco utilizada. Não tenho dúvidas, que mediar é uma excelente decisão. É uma forma de solução de conflitos financeiros para credores, devedores, empregadores e empregados. O momento é ideal para ponderar interesses e necessidades e, assim, contornar a crise financeira. O empresariado, sem dúvidas, deve lançar mão de ferramentas alternativas ao Judiciário, a fim de, assim, transpor a crise e perpetuar suas atividades. Credores, fornecedores, empregados, locadores: o momento é de diálogo e negociação. Dialogar e negociar para, assim, afastar o risco de encerramento das atividades. Dependendo do volume de negociações, tal movimento poderá ser liderado diretamente pelo representante da empresa, o que poupará os custos operacionais de uma mediação que não são baratos. Dentre diversas medidas, vale destacar a recente publicação do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, a qual prevê orientações, de caráter excepcional, para o uso dos institutos da mediação em conflitos trabalhistas, individuais ou coletivos, durante a pandemia do covid-19. Estimula-se o diálogo como poderosa ferramenta à solução de conflitos. Sem dúvidas, a primeira tentativa de obtenção de fôlego financeiro, principalmente pelas ME e EPP, será a mediação, onde cada lado terá que renunciar uma parte para ganhar, literalmente, no todo. Recuperação Extrajudicial Se de alguma forma, não tiver sido possível negociar todos os compromissos necessários ao restabelecimento da saúde financeira da empresa, a mesma terá que avaliar o seguinte cenário: O percentual de credores dispostos a negociar; Se positivamente tiver 3/5 ou mais, de cada classe, sem duvidas esta poderá ser a solução. A diferença (em relação à Recuperação Judicial), entretanto, é que a empresa recuperanda já inicia a provocação do Judiciário com a apresentação do plano de recuperação e a

respectiva aprovação do mesmo por, pelo menos 3/5, dos credores de cada classe. A recuperação é extrajudicial na medida em que o plano de recuperação é aprovado previamente ao ajuizamento da ação. Com o ajuizamento do pedido de recuperação extrajudicial o Juízo deverá homologar o plano e, todas as condições ali previstas valerão para todos os credores, inclusive aqueles que não o aprovaram. A recuperação extrajudicial é menos onerosa, face que afasta a exigência de Assembleia Geral de Credores, de um Administrador Judicial, bem como a participação do Ministério Público. Menos severa quanto às consequências, tendo em vista que a eventual não homologação do plano de recuperação pelo juízo ou o descumprimento do mesmo não acarretará a convolação em falência. Recuperação Judicial. Por último, teremos a possibilidade da Recuperação Judicial (RJ). Não tendo os conflitos (“credor x devedor”) sido solucionados através de um dos dois institutos tratados anteriormente, poderá a empresa, ainda, se socorrer do Judiciário, apresentando um pedido de RJ. A RJ é uma ferramenta para superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, que permite a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. Com base no princípio constitucional da isonomia, os artigos 70 a 72 desta lei preveem condições específicas para as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Possibilitando a apresentação de plano especial de recuperação judicial (PERJ). Em termos práticos, o que significa optar pela apresentação de um plano especial? Basicamente, pode-se resumir que: 1. Não será realizada Assembleia Geral de Credores para a submissão do plano à aprovação dos credores; 2. O PERJ será apresentado em até 60 dias; 3. O PERJ deverá prever todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos, excetuados os decorrentes de repasse de recursos oficiais, os fiscais e os previstos nos §§ 3º e 4º do art. 49; 4. O PERJ deverá prever parcelamento em até 36 (trinta e seis) parcelas mensais, iguais e sucessivas, acrescidas de juros equivalentes à taxa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, podendo conter, ainda, a proposta de abatimento do valor das dívidas; 5. O PERJ deverá prever o pagamento da 1ª (primeira) parcela no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, a contar da distribuição do pedido de recuperação judicial; 6. Por fim, o PERJ estabelecerá a necessidade de autorização do juiz, após ouvido o administrador judicial e o Comitê de Credores, para o devedor aumentar despesas ou contratar empregados. Como o procedimento em questão dispensa a realização da AGE, haverá abertura de prazo processual para a apresentação de eventuais objeções pelos credores. Não havendo objeção de mais de 50% dos credores, de cada uma das classes, o juiz homologará o PERJ, concedendo o pedido de recuperação judicial. Havendo oposição superior a este limite, será decretada a falência do devedor. Fazendo um contraponto ao procedimento anterior – Recuperação Extrajudicial, a RJ necessita de quórum menor (50% + 1) para a aprovação do PERJ, enquanto que o procedimento de recuperação extrajudicial prevê a necessidade de 3/5 (60%). Entretanto, acaso o plano não seja aprovado pelos credores, a consequência será a decretação da falência. O que não ocorre no procedimento extrajudicial, acaso não se efetive a homologação judicial do plano. Em meio a todo esse caos, certamente os micro e pequenos empresários serão os mais afetados, ante ao pequeno fôlego financeiro que a grande maioria possui. Pensando nesse nicho, o artigo teve por fim destacar, de forma objetiva, as possibilidades de preservação e recuperação financeira das ME e EPP, todas pautadas, precipuamente, na celeridade e redução de custos.

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PORTOS E TERMINAIS

Portonave distribui máscaras e álcool gel para motoristas Nesta quinta-feira, dia 28, a Portonave realizou mais uma ação preventiva no combate ao Coronavírus, dando sequência nas atividades já desenvolvidas pela empresa desde o início da pandemia. Ocorreu a segunda mobilização para os motoristas que acessam o Terminal. Foram distribuídos 1 mil kits com duas máscaras de tecido, 1 álcool gel 70% de 400g cada, além de folder explicativo dos cuidados e uso correto da máscara e orientações gerais sobre a pandemia. A ação teve a parceria do SEST SENAT que ajudou na distribuição e trouxe também materiais preventivos e brindes. Na primeira ação com os motoristas, em março, foram doados 2 mil kits de lanches. Na época havia a determinação do fechamento de restaurantes e lanchonetes e a alimentação foi a prioridade. Desta vez, o Terminal deu ênfase para a prevenção ao contágio do vírus, por isso a distribuição das máscaras e álcool gel. Entre as medidas preventivas adotadas pela Portonave, para acessar a empresa, todas as pessoas devem usar obrigatoriamente máscaras. O Terminal Portuário recebe diariamente cerca de 1,6 mil caminhões. Como é um serviço essencial para que o pais não pare e não faltem insumos na indústria e nos supermercados, as atividades da empresa seguem normalmente, tanto no recebimento e entrega de contêineres,

Divulgação Portonave

quanto na operação dos navios. Todos os processos estão sendo realizados seguindo as orientações das autoridades sanitárias competentes. 

Portonave divulga ações em Relatório de Sustentabilidade

Divulgação Portonave

A Portonave acabou de lançar o seu Relatório de Sustentabilidade 2019. O objetivo é apresentar à sociedade o desempenho em relação a aspectos econômicos, sociais e ambientais da Companhia no ano passado. Embora o Terminal seja uma empresa de capital fechado, portanto sem a obrigação de publicar relatórios anuais, a prática faz parte do planejamento da companhia que busca divulgar com transparência como desenvolve seus negócios e como é seu relacionamento com seus públicos de interesse, incluindo seus profissionais, clientes, parceiros e comunidade. O documento traz informações sobre infraestrutura, número e perfil dos profissionais, projetos desenvolvidos interna e externamente, desempenho ambiental e econômico, enfim, um diagnóstico completo da

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empresa. O relato é feito com base em indicadores da GRI – Global Reporting Initiative – organização internacional que publica diretrizes para o relato de desempenho da sustentabilidade, garantindo a comparabilidade entre empresas de diferentes portes e setores de atuação. Há alguns anos, a empresa deixou de imprimir todo o relatório, com cerca de 70 páginas, pensando em reduzir insumos e preservar o meio ambiente. O documento está disponível em arquivo PDF, no site da empresa. Para acessar, clique aqui. Em tempos de pandemia do Coronavírus, este ano não será realizado o tradicional Café com a Imprensa, para apresentação dos resultados, e também não haverá a impressão da revista com o resumo do relato – que era entregue aos profissionais da empresa, Imprensa, clientes, parceiros e comunidade – foi substituída por um vídeo, para que todos tenham acesso. Clique neste link para assistir à animação que traz um resumo interativo do documento. 


PORTOS E TERMINAIS

Porto Itapoá: onde os grandes navios se encontram

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Terminal Portuário comemorou 9 anos de operações no dia 16 de junho e conceitos como eficiência, produtividade e capacidade para receber grandes navios sempre foram atributos de referência à marca da empresa

esde sua concepção o Porto Itapoá foi projetado para ser um terminal portuário apto a receber as grandes embarcações que operam em águas brasileiras. Passados 9 anos desde o início de suas operações e, ocupando a terceira posição entre os maiores movimentadores de contêineres do Brasil (ANTAQ, 2019), o Porto Itapoá sempre manteve suas características operacionais dedicadas à operação dos grandes navios. Em junho de 2011, quando o Porto Itapoá iniciou suas operações, os maiores navios que chegavam ao Brasil eram os Super-Post-Panamax, com aproximadamente 300 metros de comprimento. Essas embarcações, desde então, contemplam Itapoá dentro de suas escalas prioritárias e, ano após ano, as dimensões dos navios com permissão para operarem no País vem sendo acrescidas chegando, em 2019, às embarcações que superam os 330 metros de comprimento e, por aptidão e características proporcionadas pela Baía da Babitonga, somadas a infraestrutura da empresa, o Porto Itapoá continuou a ser um dos portos presentes na programação dos principais armadores e seus big vessels. Confirmando essa marca conquistada pelo Terminal e, surgindo no horizonte a tendência para que embarcações de até 350 metros entrem em operação no País, a Marinha do Brasil acaba de ratificar a autorização para manobras de navios com essas dimensões para a operação no Porto Itapoá. Navios com dimensões acima de 330 metros já tem sido uma realidade no Porto Itapoá desde 2017 (https://www.youtube.com/watch?v=LuXYRZaziHo). Fator importante para o sucesso do Terminal nesses poucos anos de operação certamente está relacionado a sua localização estratégica na Baía da Babitonga, considerada um dos grandes ativos portuários do País e um dos estuários que menos demanda investimentos públicos para a manutenção de suas condições de navegabilidade. Como referência, vale destacar que a última dragagem de aprofundamento na baía foi realizada em 2010 e, passados dez anos, foi realizada apenas uma dragagem de manutenção do canal de acesso. Em comparações com outros acessos marítimos

aos portos brasileiros, os investimentos públicos são realizados anualmente e, em alguns casos, o uso da embarcação de dragagem precisa atuar diariamente para a manutenção dos parâmetros. A Baía da Babitonga possui uma profundidade natural que, em algumas áreas do canal passam de 21 metros. Atualmente, está em andamento o projeto de adequação do canal de acesso, que prevê o aprofundamento de 14 para 16 metros e a atenuação do grau da referida curva, permitindo o acesso à Baía de forma mais ágil e segura. Complexo Portuário da Baía da Babitonga representa quase 60% das cargas movimentadas em Santa Catarina em tonelagem bruta Um dado importante sobre a representatividade do Complexo Portuário da Baía da Babitonga, revelado pela publicação anual da ANTAQ em fevereiro deste ano, tratando de embarques e desembarques realizados em 2019, foi o volume movimentado pelos portos em tonelagem, incluindo aqui todas as cargas que passam pelos terminais portuários, como grãos, combustíveis, minério, ferro, fertilizantes, veículos, contêineres e carga geral. Em Santa Catarina, o Complexo Portuário da Baía da Babitonga, que incluem os terminais portuários de Itapoá e São Francisco do Sul, representaram 59,3% de toda a carga movimentada pelos portos no Estado. Ao todo Santa Catarina movimentou quase 47 milhões de toneladas. Desse montante os portos da Babitonga movimentaram quase 28 milhões de toneladas. Em relação a cargas conteinerizadas, exclusivamente, a mesma publicação traz o Porto Itapoá na primeira posição entre os portos movimentadores de contêineres do Estado de Santa Catarina no ano de 2019. No Brasil, o Terminal ocupou a terceira posição no último ano. Segundo os dados da ANTAQ, o incremento em Itapoá foi o maior entre os seis maiores portos brasileiros, de 15,92%, com 735 mil TEUS movimentados em 2019. 

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EMPREGO E RENDA

Pesquisa mostra que 86% dos pequenos negócios que buscaram crédito não conseguiram ou aguardam empréstimo Levantamento do Sebrae revela que 90% das empresas de micro e pequeno porte registram queda na receita

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ampliação dos impactos econômicos da crise provocada pelo novo coronavírus tem levado um número maior de donos de pequenas empresas a buscar empréstimo para manter o negócio. De acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, com parceria da Fundação Getúlio Vargas, cresceu em 8 pontos percentuais a proporção de empresários que buscou crédito entre 7 de abril e 5 de maio. Entretanto, o mesmo estudo mostra que 86% dos empreendedores que buscaram tiveram o empréstimo negado ou ainda têm seus pedidos em análise. Desde o início das medidas de isolamento no Brasil, apenas 14% daqueles que solicitaram crédito tiveram sucesso. A pesquisa, realizada entre 30 de abril e 5 de maio, ouviu 10.384 microempreendedores individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas de todo o país. Essa é a 3ªedição de uma série iniciada pelo Sebrae no mês de março, pouco depois do anúncio dos primeiros casos da doença no país. O levantamento do Sebrae confirma uma tendência já identificada em outras pesquisas do Sebrae, de que os donos de pequenos negócios têm – historicamente – uma cultura de evitar a busca de empréstimo. Mesmo com a queda acentuada no faturamento, 62% não buscaram crédito desde o começo da crise. Dos que buscaram, 88% o fizeram em instituições bancárias. Já entre os que procuraram em fontes alternativas, parentes e amigos (43%) são a fonte de empréstimos mais citada, seguidos de instituições de microcrédito (23%) e negociação de dívidas com fornecedores (16%). Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, esse comportamento pode ter diversas razões, entre elas: as elevadas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, o excesso de burocracia ou a falta de garantias por parte das pequenas empresas. “Por essa razão, o Sebrae está trabalhando para ampliar o volume de instituições parceiras para a operação do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe). Já contamos com 12 organizações, entre bancos públicos e privados, cooperativas de crédito e agências de fomento. Queremos estender esse apoio a um número maior de empresários”, comenta Melles. Segundo o presidente do Sebrae, em apenas pouco mais de 10 dias de operação do convênio firmado com a Caixa para a concessão de crédito assistido, com recursos do Fampe, foram realizadas 3.104 operações e concedidos R$ 267,9 milhões em crédito para pequenos negócios.

Agentes financeiros

Analisando particularmente a procura de crédito junto aos agentes financeiros, a 3ª Pesquisa do Impacto do Coronavírus nos Pequenos Negócios mostrou que os mais demandados, desde o início da crise, foram os bancos públicos (63%), seguidos dos bancos privados (57%) e cooperativas de crédito (10%). Entretanto, avaliando a taxa de sucesso desses 34 • Edição 242 • Economia&Negócios

pedidos, o estudo do Sebrae mostrou que as cooperativas de crédito lideram na concessão de empréstimos (31%) e, na sequência, aparecem os bancos privados (12%) e os bancos públicos (9%).

Comportamento dos pequenos negócios

A pesquisa revelou que as medidas de isolamento recomendadas pelas autoridades de saúde atingiram a quase totalidade dos pequenos negócios. 44% interromperam a operação do negócio, pois dependem do funcionamento presencial. Outros 32% mantêm funcionamento com auxílio de ferramentas digitais e 12% mantêm funcionamento, apesar de não contar com estrutura de tecnologia digital. Apenas 11% conseguiram manter a operação sem alterações, por outras razões, entre segmentos listados como serviços essenciais. Com relação ao faturamento do negócio, a maioria dos donos de pequenas empresas (89%) apontou uma queda na receita mensal. 4% não perceberam alteração de faturamento, apenas 2% conseguiram registrar aumento de receita no período e 5% não quiseram responder. Na média, o faturamento dos pequenos negócios foi 60% menor do que no período pré-crise. Apesar de preocupante, esse resultado é melhor do que o identificado nas duas pesquisas anteriores. Em março, a queda havia sido de 64%. No 2º levantamento, no início de abril, a perda média de receita havia sido ainda maior (69%). Para tentar superar esse momento, as empresas estão lan-


EMPREGO E RENDA çando mão de diferentes recursos. Para 29% delas, a alternativa foi passar a realizar vendas online, com o uso das redes sociais. 12% disseram ter começado a gerenciar as contas da empresa por meio de aplicativos e 8% passaram a realizar vendas online por aplicativos de entrega. Quanto à gestão dos recursos humanos das empresas, 12% dos entrevistados revelaram que tiveram de demitir funcionários nos últimos 30 dias, em razão da crise. 29% das empresas com empregados suspenderam o contrato de funcionários; outros 23% deram férias coletivas; 18% reduziram a jornada de trabalho com redução de salários; e 8% reduziram salários com complemento do seguro-desemprego; alternativa permitida pela MP 936.

Análise dos Segmentos

A pesquisa avaliou a perda média de faturamento semanal dos microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, de acordo com o segmento de atuação. Embora todos os setores tenham registrado perdas, elas foram mais sensíveis na atividade da Economia Criativa (eventos, produções etc) (-77%), Turismo (-75%) e Academias de Ginástica (-72%). Já os segmentos com menor perda de faturamento, de acordo com o estudo, foram Pet Shops e Serviços Veterinárias (-35%), Agronegócio (-43%) e Oficinas e Peças Automotivas (-48%). 

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VEÍCULOS

Emplacamentos em Santa Catarina caíram -25,6% em 2020

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Falta de crédito para concessionárias e consumidor final causa preocupação no setor

os cinco primeiros meses de 2020 foram realizados 57,3 mil emplacamentos em Santa Catarina, o que representa uma queda de -25,64% em relação aos 77,1 mil emplacamentos realizados no mesmo período do ano passado. Os dados foram levantados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores de Santa Catarina (Fenabrave-SC) e divulgados nesta quarta-feira (3). A redução mais acentuada foi em abril, que registrou apenas 8,9 mil novos emplacamentos, uma queda de -46,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo o setor, a queda no mês de abril já era esperada, já que as concessionárias começaram a trabalhar apenas no dia 8, e com dois feriados, o mês teve apenas 18 dias úteis. Em maio, com 25 dias úteis, o setor esboçou uma leve relação. Foram 9,8 mil novos emplacamentos, alta de 25,8% na comparação ao mês anterior. Apesar da recuperação, o resultado ainda representou uma queda de -40,17% em relação aos 16,4 mil novos emplacamentos realizados em maio de 2019. "A falta de crédito tanto para as concessionárias e principalmente para o consumidor final, se continuar, será um empecilho à recuperação do segmento. Os bancos diminuíram as aprovações de crédito para o varejo, o que influencia sobremaneira a retomada das vendas", destacou o presidente da Fenabrave-SC, Júlio Schroeder. Atualmente Santa Catarina possui uma frota circulante de 5,3 milhões de veículos. Destes, a maioria são automóveis, com 3 milhões (56,8%) de veículos emplacados. 

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A falta de crédito tanto para as concessionárias e principalmente para o consumidor final, se continuar, será um empecilho à recuperação do segmento


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ESTADO

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Governo do Estado atraiu mais de R$ 45 milhões de investimentos privados neste ano com a habilitação de quatro empresas pelo Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec). Coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE), o Prodec concede incentivos à implantação ou expansão de empreendimentos industriais e comerciais que produzem e geram emprego e renda. Com a iniciativa, devem ser criados cerca de 200 empregos diretos e indiretos. “Estudos já demonstraram a importância dos incentivos do Prodec para o desenvolvimento do Estado, além de proporcionar mais empregos, traz retorno social e econômico e se consolida como instrumento de atração de empresas inovadoras, sustentáveis e de ponta. A expectativa é que, com o retorno das atividades e com o apoio das medidas econômicas, o Estado seja um dos primeiros a retomar o crescimento e a geração de emprego”, avalia o secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Celso Albuquerque. As quatro empresas habilitadas são a Brasil Fabricação de Máquinas e Equipamentos em Garuva; a Confecções Vanelise em Nova Veneza; a Dyx Comércio e Confecções em Brusque, e em Balneário Camboriú a Philozon Indústria e Comércio de Geradores de Ozônio. “Estamos falando de ações concretas que já estão acontecendo em Santa Catarina e irão movimentar a economia, gerando emprego. Além disso, há empresas sendo abertas e empreendedores que acreditam na retomada”, destaca a diretora de Empreendedorismo e Competitividade da SDE, Letícia Duarte Lemos. O programa Juro Zero, carro-chefe de incentivo à formalização do Microempreendedor Individual (MEI), teve sua concessão de crédito ampliada de R$ 3 mil para R$ 5 mil neste ano. A iniciativa concedeu quase R$ 13 milhões em créditos em 4.010 operações de janeiro a abril deste ano. Desde 2011, o programa já emprestou quase R$ 300 milhões.

Saldo positivo

Os dados da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc), vinculada à SDE, também confirmam a confiança dos empreendedores catarinenses. Entre 1º de janeiro e 3 de junho de 2020 houve um saldo positivo de 41.534 novas empresas no estado. O resultado é 9,8% superior ao mesmo período do ano passado, quanto o saldo era de 37.833 (62.090 empresas constituídas e 24.257 baixas). Neste ano, o saldo positivo é fruto da diferença das 63.915 empresas constituídas e 22.381 extinções. Outro indicador que mostra o entusiasmo do setor produtivo é que mesmo no período de pandemia, de 17 de março até 3 de junho, o resultado foi de 17.930 38 • Edição 242 • Economia&Negócios

Foto: Ricardo Wolffenbuttel / Arquivo / Secom

Governo do Estado atrai mais de R$ 45 milhões em investimentos privados em 2020

novas empresas (27.557 constituições e 9.627 baixas). Além disso, o mês de maio apresentou importante reação no mercado de gás natural em Santa Catarina: houve um acréscimo de 21,13% no consumo em relação ao mês de abril. Os principais mercados que apresentaram crescimento foram o industrial, com 23,29% de incremento, e o GNV, com 15,05%. Os dados são da SCGÁS. O economista da SDE, Paulo Zoldan, lembra que a economia estadual fechou 2019, com a geração de 71,4 mil novos postos de trabalho. O número superou os 41,7 mil postos gerados em 2018 e os 29,4 mil em 2017. Neste ano, Santa Catarina manteve a menor taxa de desemprego do país, no primeiro trimestre conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

Novos investimentos

Com a chegada de novas empresas ao estado, a expectativa é que esses números se mantenham positivos. Em maio, a multinacional alemã Thyssenkrupp Marine Systems assinou contrato para adquirir o estaleiro Oceana, em Itajaí. O acordo cria a base inicial para a construção das fragatas da Classe Tamandaré para a Marinha do Brasil e deve gerar 800 empregos diretos na região. A entrega dos navios está prevista para o período entre 2025 e 2028. Com mais de seis mil funcionários, a Thyssenkrupp é uma das principais empresas navais do mundo. Outro investimento significativo é a construção e operação de uma fábrica de biodiesel em Mafra, que será operada pela JBS Biodiesel. Com investimentos de R$ 180 milhões, a unidade utilizará, em larga escala, materiais residuais da cadeia produtiva da Seara, como gorduras de aves e suínos, para a fabricação de biocombustível. Assim que finalizada a fase de obras, em 2021, a operação deve gerar 100 postos de trabalho diretos e cerca de 400 indiretos, contribuindo para a movimentação econômica na região. 


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ESTADO

Carne suína ultrapassa frango e se torna maior produto do agronegócio catarinense

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vicultura perdeu espaço após 19 anos na liderança. Demanda por exportações deve aumentar a diferença entre os produtos em 2020 Segundo dados divulgados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri) nesta terça-feira (9), o faturamento da produção agropecuária catarinense em 2019 foi de R$ 33,56 bilhões, um crescimento de 2,9% em relação ao ano anterior. Pela primeira vez em 19 anos, a carne suína ultrapassou o mercado de frangos como principal produto agrário do Estado. O faturamento com os suínos no ano passado foi de R$ 6,46 bilhões, contra R$ 6,41 bilhões da avicultura. Somando todos os itens, o mercado de proteína animal representa 59% da produção catarinense, o que corresponde a R$ 19,8 bilhões. Segundo o secretário de Agricultura e Pesca de Santa Catarina, Ricardo de Gouvêa, a participação dos suínos em relação ao frango na agropecuária catarinense deve ser ainda maior por conta das tendências do mercado internacional. "É uma tendência do mercado mundial, por contas do aumento das exportações de suínos para a China. Já essa queda do frango é uma consequência da suspensão das exportações para o Mercado Europeu, que já vínhamos observando nos últimos tempos", explicou. Em 2019, a agropecuária representou 68,3% das exportações catarinenses, mesmo índice de 2018. Já nos cinco primeiros meses deste ano, a participação do agronegócio é de 71%. Apesar da maior participação, o setor espera que o faturamento com o mercado internacional seja menor por conta da diminuição do volume das exportações devido à pandemia. 40 • Edição 242 • Economia&Negócios

Grãos

Os dados mostraram que o mercado de grãos correspondeu à 20% do faturamento do agro catarinense em 2019, com destaques para a participação da soja (R$ 2,7 bilhões) e do milho (R$ 1,5 bilhão). "O Estado até diminuiu a sua área plantada, mas isso foi compensado pelo aumento da produtividade nas lavouras", ressaltou o analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa) da Epagri, Luiz Toresan. Para 2020, a expectativa é de aumento na participação dos grãos na produção catarinense, especialmente da soja. "O valor recorde das sacas de soja por conta da taxa de câmbio elevada e o crescimento da demanda chinesa estão aumentando o faturamento com o grão no mercado internacional, que já registra alta de mais de 50% nas exportações desde o início do ano", destacou Toresan. 


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EVENTO

ACII completou 91 anos de fundação A Associação Empresarial de Itajaí (ACII) celebrou 91 anos de fundação no dia 28 de maio, realizando uma live com a participação de convidados especiais.

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articiparam da comemoração, o chefe de Gabinete do Município de Itajaí, Giovani Testoni, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda, Giovani Félix, os vereadores Thiago Morastoni e Fabrício Marinho, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que também é vice-presidente para Assuntos Ambientais e Responsabilidade Social, Laerson Batista, o presidente da Associação Empresarial de Navegantes (ACIN), Verner Dietterle e a presidente da Associação Empresaria de Balneário Camboriú (ACIBALC), Maria Pissaia. A ACII também foi agraciada com a presença dos ex-presidentes, Marco Aurélio Seára Junior (2006-2009), Maria Izabel Pinheiro Sandri (2002-2005- 2010-2013), que atualmente é VP Assuntos FACISC e Sindicatos, e Odemari Miranda Ferrari (1996-2000). Os integrantes da ACII, o primeiro secretário, Nivaldo Cunha, o tesoureiro geral, João Carlos dos Santos, a vice-presidente para Assuntos dos Núcleos, Ândria Passos, a vice-presidente para Assuntos de Relações Institucionais, Gabriela Kelm, o vice-presidente para Assuntos de Novos Negócios e Inovação, João Olindo dos Santos Júnior, o vice-presidente para Assuntos de Marketing, Roger Zen e o vice-presidente para Assuntos de Órgãos de Cooperação, Wolfgang Roedel, o coordenador do Núcleo de Gastronomia, Mário Freitas, o coordenador do Núcleo de Comércio Exterior, Christian Neumann, e a membro do Conselho Deliberativo, Elaine Cristina Andrade, abrilhantaram ainda mais a celebração, que contou com a participação de associados, parceiros e colaboradores. O presidente, Mário Cesar dos Santos, recebeu as manifestações de carinho dos presentes e conduziu a cerimônia, falou sobra a história da entidade, apresentou o vídeo institucional de aniversário, e explanou sobre as ações que a entidade tem feito neste momento delicado de pandemia do coronavírus. Neste momento delicado da história mundial, a ACII tem atuado ativamente nas ações de combate ao COVID-19, tais como:  Engajamento na campanha “Ajude-nos 42 • Edição 242 • Economia&Negócios

na Luta Contra o Coronavírus”, para ajudar o Hospital Maternidade Marieta Konder Bornhausen a adquirir carnes e insumos. Saiba mais em: https://ww.acii.com.br/noticia/50/acii-apoia-ampanha-para-ajudar-a-associacao-madre-teresa-hospital-marieta#page_top  Programa STOP COVID-19: Selo de reconhecimento às boas práticas em locais que comercializam alimentos, estimulando o retorno seguro das atividades. Saiba mais em: https://www. acii.com.br/noticia/101/-stop-covid-19-cuidando-da-sua-seguranca-impulsiona-o-retorno-seguro-aos-estabelecimentos-que-ser#page_top  Doação de cestas básicas para a Paróquia Dom Bosco, tendo doado 110 cestas e segue com a arrecadação. Saiba mais em: https:// www.acii.com.br/noticia/95/covid-19-acii-doa-50-cestas-basicas-para-beneficiados-da-paroquia-dom-bosco#page_top  ACII Solidária: Divulgação gratuita de empresas nas redes sociais da Associação. Saiba mais em: https://www.acii.com.br/noticia/78/ acii-lanca-campanha-para-impulsionar-mercado#page_top  Engajamento junto à BRF para doação de carnes e insumos para hospitais do município e região.  Participação de reuniões online para acompanhar e definir ações de retomada da economia, junto a órgãos FACISC, entre outros;  Encaminhamento ao governo do Estado de um ofício que reconhece os esforços públicos no sentido de contenção da pandemia e para retomada gradativa das atividades econômicas. A ACII também encaminhou ao prefeito de Itajaí a solicitação de medidas de apoio imediato à classe empresarial, incluindo a postergação de impostos, entre outras ações.  Uma linha de crédito emergencial também foi liberada para associados e patrocinadores. 

Saiba mais: A ACII foi fundada em 28 de maio de 1929, num período conturbado da história do Brasil, às vésperas da Revolução de 30 e nasceu com o objetivo de ser um espaço para debates e busca de soluções para os problemas de Itajaí e região, sendo patrimônio do seu quadro associativo e da comunidade itajaiense.


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