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EDITORIAL

ANO 20  EDIÇÃO Nº 218 MAIO 2018 Editora Bittencourt Rua Anita Garibaldi, 425 | Centro | Itajaí Santa Catarina | CEP 88303-020 Fone: 47 3344.8600

Transformações do comércio exterior

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Capa: Leandro Francisca Foto: Shutterstock Colaboraram nesta edição: Julyan Santos e Leonardo Rinaldi Redação: jornalismo@revistaportuaria.com.br

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inâmico, o comércio exterior está sempre em processo de transformação. No entanto, foi na última década que ocorreram as mudanças mais importantes, quando ocorreu a inversão da liderança exportadora dos produtos manufaturados pelos básicos, impactando diretamente a competitividade industrial. Em 2007, os produtos industrializados representavam 52,3% das exportações brasileiras, frente a 32,1% dos produtos básicos. No entanto, o cenário se inverteu na década seguinte, devido à crescente comercialização de commodities no exterior e a redução da competitividade industrial. Fato gerado pelo elevado custo Brasil. Aliados a isso, entraves burocráticos, econômicos e de estrutura dificultam o desenvolvimento nacional como um todo. E para dificultar ainda mais essa realidade, tem a presença de novos competidores no mercado, o que mudou a configuração do comércio global. A China, atual líder no comércio mundial, ocupa cada vez mais espaço, inclusive, prejudicando são somente as vendas internas da indústria brasileira, mas de muitos países. O cenário persiste em 2018, com os commodities e produtos básicos liderando a pauta das exportações, no Brasil e em Santa Catarina. Inclusive, o Brasil registrou superávit de US$ 6,1 bilhões em abril, com exportações de US$ 19,9 bilhões e importações de US$ 13,8 bilhões. No entanto, as exportações caíram e as importações cresceram 14,5%. Em Santa Catarina as exportações cresceram 9,01% e, as exportações, 37,3%. Só que essa proporção, o que teoricamente parece prejudicial ao Estado, aqui é vista com bons olhos por economistas e especialistas em comércio exterior, pois como as importações catarinenses são basicamente de insumos e matérias primas, esse índice, crescente desde meados do ano passado, representa a reto mada e o crescimento da atividade industrial em SC.•


Sumário

18 Capa SC exporta 9,01% a mais em abril e aumenta importações em 37,3% Entrevista Valdir Cechinel Filho: A real situação econômico-financeira da Universidade do Vale do Itajaí Crônicas da Beira do Cais: O holandês pugilista

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Comex: Os destinos da carne de Santa Catarina

Indústria: Itajaí terá o maior complexo industrial pesqueiro do planeta Varejo: Santa Catarina apresenta desempenho expressivo no e-commerce

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Portos e Terminais: Terminais do primeiro mundo entram na era digital Coluna Mercado: Glauco José Côrte é eleito vice-presidente da CNI para o Sul

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Entrevista: Valdir Cechinel Filho

“Estamos prevendo uma redução da folha de pagamento e trabalhando com a perspectiva da criação de um programa de aposentadoria ou demissão incentivada”

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professor Valdir Cechinel Filho foi empossado no cargo de presidente da Fundação e reitor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) para o quadriênio 2018-2022 em março e tem um mandato nada fácil pela frente. A instituição enfrenta uma das maiores crises econômicas de sua história e Cechinel entrou com o objetivo de promover um choque de gestão e equilibrar receita e despesa. O novo reitor é mestre e doutor em Química Orgânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Foi pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação, Extensão e Cultura da Univali durante 12 anos e, desde, 2014 ocupa o cargo de vice-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura na Instituição, além de ter um currículo irretocável na área de pesquisa. Agora, frente a maior universidade particular de Santa Catarina, ele terá que buscar fórmulas de aumentar a receita e reduzir a despesa, mas sem que isso interfira na qualidade do ensino e na competitividade da instituição no mercado no qual está inserida. A Univali está presente nas cidades de Itajaí, Balneário Camboriú, Biguaçu, Florianópolis, Balneário Piçarras, São José e Tijucas e sua estrutura multicampi possibilita o atendimento a mais de 25 mil alunos. É hoje a 37ª maior organização do Estado e 3ª melhor grande empresa para trabalhar em SC, segundo a Revista Amanhã A instituição de ensino é, também, apontada como a mais sustentável da região Sul, segundo o UI GreenMetric World University Ranking 2017, e melhor universidade não-estatal de SC segundo o Ministério da Educação (MEC), Ranking Universitário da Folha de S. Paulo (RUF) e Guia do Estudante da Editora Abril, que classifica 44 de seus cursos de graduação entre os melhores do País. Em entrevista exclusiva à Revista Portuária – Economia & Negócios, Cechinel abre a real situação da Universidade e detalha as primeiras fases de seu plano de ação.

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Revista Portuária – Economia & Negócios: Reitor, qual é a realidade da Universidade hoje? Valdir Cechinel Filho: Como assumi o comando da instituição há pouco mais de um mês, posso dizer que estamos ainda elaborando um diagnóstico e aguardando um relatório de uma auditoria externa que contratamos no primeiro dia de gestão. No entanto, é possível dizer que, de acordo com o balanço de 2017 aprovado com ressalvas pelo Conselho de Administração Superior da Univali, a situação é bastante delicada, o cenário é bastante negativo. A situação econômico-financeira da Universidade é bastante complicada e, nesse contexto, estamos estudando algumas medidas e ações que deveremos colocar logo em prática, buscando diminuir nossos custos operacionais e aumentar a receita da instituição. RPEN: O que levou a Universidade a esse ponto? VCF: Foram vários fatores, entre eles, algumas ações equivocadas, principalmente devido a questão da concorrência. Acabamos tendo uma redução no número de alunos pagantes e isso impactou muito nas receitas. Houve também uma falta de controle, principalmente nos dois últimos anos da instituição, quando se aproximava o processo eleitoral. Com isso, como evidenciado em reuniões do Conselho, a Universidade veio a aumentar gradativamente a situação negativa, chegando ao colapso financeiro em que hoje se encontra. Finalizamos 2017 com um déficit de R$ 21 milhões e tivemos que fazer um empréstimo no final do ano passado, de R$ 50 milhões, para honrarmos nossos compromissos. A projeção para 2018 é muito pessimista. RPEN: Um antigo problema que a Universidade enfrentava era com relação aos repasses federais, estaduais e municipais, relacionados a bolsas e ajudas de custo aos acadêmicos. Como está isso hoje? VCF: Temos ainda recursos consideráveis para receber, tanto do Programa FIES, quanto do artigo 171, do governo do Estado, mas de forma geral nos últimos anos, temos conseguido receber. Tirando o passivo de muito tempo, os contratos atuais têm sido cumpridos pelos governos, tanto federal como estadual. RPEN: Então a crise pela qual a Universidade passa hoje não pode ser creditada a esse fato, como havia ocorrido em outra época? VCF: Não foi devido a falta dos repasses do governo que chegamos a esse ponto. Inclusive, foi muito criticada a posição da gestão anterior, colocando toda a responsabilidade nos atrasos desses re- 

passes. É claro que isso impacta bastante no nosso caixa, mas não foi o principal motivo de termos chegado a situação que estamos hoje. RPEN: E o Hospital Infantil Pequeno Anjo, não pode ser considerado também um sumidouro dos recursos da Fundação Univali? VCF: O Hospital Pequeno Anjo continua gerando um investimento muito alto para a instituição, em torno de R$ 6 milhões ao ano, e estamos

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Temos cerca de 80 cursos de graduação, mais de 500 laboratórios, 11 mestrados, seis doutorados, cerca de 1,2 mil professores, 1,5 mil funcionários e 25 mil alunos envolvendo desde a educação básica até a pós-graduação stricto sensu. 

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Entrevista: Valdir Cechinel Filho trabalhando no sentido de minimizar esse custo, com parcerias efetivas. Inclusive, conversamos com o prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, que demonstrou grande sensibilidade para nos ajudar a resolver os problemas do hospital. Também estamos mobilizando os prefeitos e vereadores da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí-Açu (Amfri), e os governo estadual e federal, no sentido de minimizarmos cada vez mais o impacto financeiro que temos hoje. Quando implementamos o hospital, ele era considerado filantrópico e com a mudança da legislação, em 2009, a filantropia acabou voltada apenas a área educacional. A partir daí o hospital deixou de ser filantrópico, o que gera a necessidade dos investimentos da Fundação Univali. Continuamos tendo apoio dos órgãos públicos, mas esse apoio precisa ser melhorado. RPEN: O que gera esse déficit anual tão alto para o hospital universitário? VCF: As tabelas do Sistema Único de Saúde (SUS) estão defasadas, reajustes não são considerados, o valor que os municípios deveriam repassar à instituição – uma vez que atendemos a todos os municípios da Amfri – muitas vezes não são reajustados. Precisa ser feita uma nova análise e eu também preciso me apropriar melhor desses dados. RPEN: E quais serão as medidas que devem ser tomadas pela instituição para a solução desses problemas econômicos, que comprometem o desempenho da Univali? VCF: Estamos inicialmente trabalhando com duas frentes, uma para a diminuição dos custos da Universidade e, outra, buscando alternativas para o aumento de receitas. Temos um plano, o qual apresentamos durante nossa campanha, denominado “conectar e inovar”, que prevê inúmeras ações, tanto no aspecto econômico financeiro, quanto acadêmico. No entanto, para colocarmos esse plano de gestão efetivamente em prática, precisaremos, em primeiro lugar, viabilizar uma equação. Teremos que viabilizar a sustentabilidade e buscar o equilíbrio econômico-financeiro. Hoje estamos limitados a pequenas ações em função da necessidade de investimentos. RPEN: O senhor pode nos elencar algumas destas ações? VCF: Estamos hoje reavaliando todos os nossos gastos com empresas terceirizadas, todos os nossos custos operacionais e elencando os que são prioritários. Essa é nossa primeira grande ação no sentido de reduzir custos. Estamos também verificando e adequando toda a nossa estrutura organizacional, extinguindo alguns cargos e criando outros, mas de forma que nossa despesa seja reduzida. Estamos prevendo uma redução da folha de pagamento e trabalhando com a perspectiva da criação de um programa de aposentadoria ou demissão incentivada. Enfim, estamos criando programas de captação de recursos que vejo como muito importantes para o futuro da instituição. RPEN: O senhor pode especificar alguns desses projetos? VCF: Um deles é o programa de doação de fundos para a Universidade, ou seja, é um programa bastante utilizado pelas universidades americanas, principalmente para o desenvolvimento de pesquisa, que no Brasil é ainda insipiente, apesar de algumas universidades já terem iniciado. Hoje, por exemplo, se uma pessoa com muitos recursos quiser fazer uma 8

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Visamos uma maior aproximação da Universidade com a comunidade, com as prefeituras, levando o conhecimento para fora dos muros da instituição e chegando às comunidades necessitadas.

doação para a Universidade – para o desenvolvimento de pesquisa, custear o Hospital Infantil Pequeno Anjo, para bolsas de estudo para alunos carentes, entre outros programas – eu não tenho como aceitar. Não temos um programa instituído, não temos isso regulamentado na instituição. Dessa forma, estamos elaborando estudos com base na legislação para que possamos aprovar o mais breve possível e criar esse programa. Nós já tivemos várias tentativas de pessoas que querem nos fazer doações, mas infelizmente não tivemos como captar esses recursos. RPEN: Seriam doações com dedução no Imposto de Renda? VCF: Não apenas por meio da dedução no Imposto de Renda, mas principalmente por doação mesmo: herança, doação pecuniária, doações de pessoas que passaram pela instituição e hoje estão em uma situação privilegiada, com uma posição destacada; de pessoas que não têm herdeiros e optem por deixar seus bens para a Universidade. Então precisamos criar esse programa e também uma campanha de incentivo para que consigamos continuar investindo na instituição. Isso é uma das ações. RPEN: E quais são as outras ações? VCF: Temos muitas outras ações planejadas. Criamos uma diretoria de assuntos institucionais para gerar uma maior aproximação com a classe política, com o poder público – prefeituras e governos do Estado – no sentido de fazermos parcerias e oferecermos serviços que hoje são, muitas vezes, buscados em outros estados. Então precisamos estar mais atrelados a isso. RPEN: Reitor, diante dessa realidade, dá para desenvolver novos projetos, ou sua gestão será apenas para arrumar a casa? VCF: Estamos trabalhando nas duas frentes. Estamos criando ações e programas que não demandam de muitos investimentos, muitas delas com a parceria de empresas, a exemplo da sala de aula totalmente inovadora implementada na Univali pela Allog, uma empresa 


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Entrevista: Valdir Cechinel Filho de logística de Itajaí. A empresa implementou na Universidade um ambiente moderno para atender alunos de graduação, pós-graduação, e é nesse contexto que vamos seguir. Vamos investir dentro das nossas possibilidades, mas buscando parcerias em todas as áreas, para que consigamos colocar em prática o nosso plano de gestão. RPEN: E dos programas até então desenvolvidos, algum foi extinto? VCF: Até o momento não. Ainda estamos avaliando as premissas e as futuras ações para colocarmos em prática, possivelmente, a partir do segundo semestre. Claro que vamos tentar reduzir o mínimo possível os projetos que estão em prática, mas infelizmente teremos que agir dessa forma, pois não existe mágica. Você tem que aumentar receita e diminuir despesa e é nesse contexto que estamos hoje trabalhando. Constituímos um comitê interno para o acompanhamento do desempenho econômico-financeiro da Universidade, estamos trabalhando com todos os diretores e com os coordenadores de curso, para que possamos então reavaliar toda a nossa parte administrativa e acadêmica, para vermos onde podemos reduzir custos, sem impacto aos nossos alunos, que são os protagonistas da instituição.

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Finalizamos 2017 com um déficit de R$ 21 milhões e tivemos que fazer um empréstimo no final do ano passado, de R$ 50 milhões, para honrarmos nossos compromissos. A projeção para 2018 é muito pessimista.

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RPEN: E com relação as ações prometidas em campanha, alguma já teve início? VCF: Estamos com várias ações em andamento. No sentido acadêmico estamos buscando colocar em prática algo que era o nosso plano de gestão, que é o fortalecimento da internacionalização. Então criamos a Diretoria de Internacionalização e vamos estender as ações aos nossos cursos de graduação, pois estávamos até hoje mais consolidados na pós-graduação no exterior Outro ponto muito importante foi a criação da Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários, que vem a consolidar a nossa natureza comunitária. Com isso visamos uma maior aproximação da Universidade com a comunidade, com as prefeituras, levando o conhecimento para fora dos muros da instituição e chegando às comunidades necessitadas. Já tínhamos várias ações nesse sentido, vários programas de extensão, mas agora a proposta é, com a criação dessa Vice-Reitoria específica, estendermos e ampliarmos cada vez mais as ações nesse sentido. RPEN: Para finalizar, qual a estrutura da Univali hoje? VCF: Temos cerca de 80 cursos de graduação, mais de 500 laboratórios, 11 mestrados, seis doutorados, cerca de 1,2 mil professores, 1,5 mil funcionários e 25 mil alunos envolvendo desde a educação básica até a pós-graduação stricto sensu. Temos campus em Itajaí, Balneário Camboriú, Tijucas, Biguaçu, Balneário Piçarras, São José – no Sertão do Imaruí e Kobrasol –, e em Florianópolis. 


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Opinião

Nova Oportunidade para a Logística Brasileira

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Por: Leonardo Rinaldi * O autor é empresário e diretor da Logistique

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o comprarmos uma maçã em um supermercado, imaginamos que quem as produziu teve muito cuidado em manter a plantação livre de insetos, que utilizou os melhores nutrientes para que elas floresçam em frutas doces e saudáveis. No entanto, prestamos pouca atenção no processo logístico necessário para ela chegar até o supermercado, pois foi classificada, embalada, armazenada e enviada para o local final. Tudo isso tem que acontecer em poucos dias para manter as maçãs frescas e crocantes. Esta é a sua cadeia logística. Se algum elo da sua corrente estiver quebrado ou tiver um problema, isso pode afetar uma remessa inteira de maçãs. Exemplo disso é que, se o caminhão que entrega suas maçãs quebrar sem reposição imediata, a deterioração é uma alta probabilidade. Toda a remessa pode não apenas chegar ao destino, mas precisar ser substituída rapidamente. Estes custos ficam a cargo do proprietário da empresa. Tudo na logística afeta o resultado final. Isso inclui desperdício, custos de combustível, taxas de envio, armazenagem e qualquer outro fator que impacta na entrega do produto ao cliente. Portanto, se você puder reduzir o desperdício ou reduzir os custos de logística, economizará dinheiro, aumentará suas margens de lucro, bem como, aumentará a competitividade do seu produto. Porém, ainda existem grandes desafios que precisamos vencer quando o assunto é logística. É necessária que haja uma forte compreensão pelo empresário de seus sistemas logísticos, para garantir que ele maximize os lucros e ofereça aos clientes a experiência mais positiva possível.

Além da atualização constante com as novas tecnologias que contribuem para redução de custos e a otimização de processos, torna-se imprescindível adotar práticas modernas de gestão que permitem o gerenciamento total destas informações. Trazendo para o lado industrial, o setor ainda precisa de um olhar especial para toda a cadeia produtiva do País e de investimentos substanciais para que se atinjam números satisfatórios. De acordo com um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a produção industrial no Brasil é 38% mais cara que em países emergentes. Números que tornam o País menos competitivo e reforçam a necessidade de repensar os custos com transporte, armazenagem e distribuição. Uma oportunidade crucial para trazer luz sobre estes temas é a Logistique, Feira de Logística e Negócios Multimodal. Em sua edição de 2018 traz a temática otimização logística, com a integração perfeita de todos os modais. Com isso, busca-se apresentar a logística perfeita, reunindo em um único espaço soluções completas para toda a cadeia da logística, intralogística, transporte multimodal de cargas e comércio exterior. O evento ocorre na cidade de Joinville, no período de 23 a 25 de outubro deste ano. Posicionado em uma macrorregião estratégica que compõe um dos principais polos logísticos, industriais e portuários do País, é o local ideal para uma feira que integra todo o setor. Além do público proveniente das empresas ligadas ao setor logístico que é forte na região, a feira atrairá administradores das grandes indústrias, atacadistas, transportadores e demais profissionais ligados ao setor.


Opinião As (boas) ações governamentais para a modernização do comércio exterior do País

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Por: Julyan Santos * O autor é gestor de Inovação da Freitas Inteligência.

m recente Seminário de Comércio Exterior, realizado em Brasília sob a coordenação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) ficou muito claro os esforços de todos os órgãos governamentais para desburocratizar, modernizar e impulsionar os negócios internacionais. Na prática, isto ocorre há cerca de 4 anos, quando foi lançado o Projeto Portal Siscomex - buscando a implementação de soluções para redução da burocracia nos processos envolvendo o comércio exterior para, consequentemente, oferecer uma melhora sensível no ambiente de negócios e apoiar a competitividade das empresas brasileiras no mercado global. Importante destacar que grande parte das iniciativas em curso, são reflexo de debates com todos os envolvidos na cadeia de comércio exterior, o que é bastante positivo, pois as medidas passam a ser implementadas apenas após longas discussões com os efetivamente impactados. Bons exemplos são as práticas de publicação de consultas públicas para manifestação das empresas sobre as mudanças propostas. Ou ainda, os debates sobre o novo mapeamento de processos propostos em conjunto com a Aliança de Empresas Privadas Pró-Modernização do Comercio Exterior Brasileiro (Procomex). Durante o evento em Brasília foram debatidos os impactos das medidas já implementadas e as novidades para oxigenar o setor. Trata-se de uma grata surpresa e demonstra que MDIC, Receita Federal,

Ministério da Agricultura e Agência Nacional de Vigilância Sanitária estão alinhados com o objetivo de facilitar o comércio exterior. Existe uma preocupação no Governo para impulsionar o ganho de escala na fiscalização, pois na mesma medida que crescem os volumes transacionados internacionalmente, os quadros dos órgãos intervenientes, ano a ano, sofrem drástica redução de pessoal. Por esta razão, entendo que a implementação de conceitos como a gestão de riscos nos diferentes órgãos que participam do fluxo dos processos de comércio exterior será preponderante para que ‘a roda continue girando’, na velocidade necessária para acompanhar o crescimento do fluxo de comércio exterior projetado para os próximos anos. Existe um esforço legítimo para aperfeiçoar a legislação (caso da publicação da RDC 208/2018 pela ANVISA ou da IN 29/2017 que institui o Novo Manual Vigiagro do MAPA, proporcionando maior clareza aos intervenientes), na ramificação da gestão de riscos utilizada há anos pela RFB para outros órgãos, entre outras ações. É importante ressaltar o esforço que está sendo feito por todos os órgãos do Governo Federal para mudar radicalmente o cenário do comércio exterior brasileiro até 2020. Até lá, além do poder público, a iniciativa privada precisará repensar a forma como entende, planeja e executa suas ações estratégicas em comércio exterior para adaptar-se as mudanças que já estão ocorrendo nos mercados globais. 

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Crônicas da beira do cais

O Holandês pugilista Por: Robert Grantham Ilustração: Leandro Francisca

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omo de praxe, pela manhã, antes de ir ao escritório, passo pelo cais, para visitar os navios em operação, conferir a programação de trabalho e conversar com o comando da embarcação. Tratava-se, nesse caso, de um pequeno navio de bandeira e tripulação holandesa, atracado no porto de Santos. Ao subir a escada de portaló encontrei com o comandante, que gentilmente convidou-me para um café em sua cabine. Subimos ao camarote e, assim que entramos, encontramos tudo revirado – gavetas abertas, moveis virados, roupas espalhadas, um caos! Conclusão imediata: a cabine havia sido alvo de furto. Enquanto o comandante fazia uma avaliação inicial do que havia sido furtado, eis que passa um vulto em frente à janela do camarote, pelo passadiço externo. Imediatamente suspeitamos tratar-se do ladrão. O comandante, um desses holandeses enormes, altos e largos, levanta-se de supetão e sai corredor à fora atrás do meliante. Encontram-se a certa altura e o comandante começa a esmurra-lo, sem sequer preocupar-se em verificar se o ladrão estava armado ou não. Eles se batem e correm pelos corredores do navio. Entram na acomodação e seguem por um corredor até a porta do refeitório dos oficiais. Entram, a porta se fecha e eles continuam o pugilato. Eu acompanho de longe, pois vivendo em Santos, não posso me expor muito diante da bandidagem. Subitamente o comandante ressurge pela porta do refeitório e nos informa que

o elemento havia se escafedido, saltando por uma vigia em direção ao mar. Nunca ficamos sabendo o que aconteceu com o ladrão. Na época, o porto de Santos estava infestado de ladrões e bandidos. Os roubos e assaltos a navios eram muito frequentes. Noutra ocasião, na época dos navios de carga geral pura, em que os porões vinham cheios de mercadorias de certo valor, provenientes principalmente do Oriente, um ladrão foi descoberto com a mão na massa dentro do porão. Alertado, o oficial de guarda imediatamente determinou o fechamento do porão e das escotilhas de acesso enquanto chamávamos a polícia. Tínhamos a intenção de reter o elemento dentro do porão até a chegada das autoridades. Estávamos, comandante, oficiais e eu, na altura da escada de portaló esperando, quando nos chamam a atenção para uma das bocas de ventilação do porão. Nosso ladrãozinho havia escalado o tubo, saltado para o convés e rumado para o lado de mar, saltando na água. O comandante, um japonês, não conseguia entender direito o que estava acontecendo e me perguntou se eu, como agente do navio, não iria perseguir o ladrão. Mais uma vez tive de mostrar a ele que se tomasse, individualmente, qualquer medida física com relação a um bandido, estaria me expondo e colocando em risco minha segurança pessoal, podendo ficar marcado para vingança futura.•

TRANSPORTE DE CARGAS FRACIONADAS E LOTAÇÕES 30 anos transportando com agilidade e rapidez

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A superação da crise econômica e os reflexos no mercado imobiliário

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chegada do ano de 2018 foi celebrada por profissionais do ramo empresarial, corporativo e negocial – sobretudo no âmbito da construção civil e do mercado imobiliário – ante a alta perspectiva de superação da crise econômica, após uma inflexão de três anos consecutivos de recessão. A expectativa de melhoria na indústria da construção civil foi ressaltada por instituições de renome, como o Instituto Brasileiro de Estudos Financeiros e Imobiliários (IBRAFI) e a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) que se posicionaram otimistas à proliferação das relações negociais imobiliárias. A promessa do desenvolvimento econômico para os próximos anos resguarda-se na ideia de controle da inflação e na manutenção da redução das taxas de juros no país, estimulando-se, assim, a aquisição e o investimento no mercado imobiliário. Por isso, o investimento em imóveis no litoral catarinense revela-se cada vez mais lucrativo. As cidades litorâneas do Vale do Itajaí aproveitaram significativa valorização imobiliária no ano de 2017, sendo que a aposta para 2018, é a sua multiplicação. Nesta esteira, evidencia-se que o mercado imobiliário é o mais atraente para os investidores, tendo em vista que o processo de reestruturação da economia do país deu ensejo ao atual cenário de juros – em patamares mínimos e históricos – favoráveis à acumulação do capital, do sistema de preços e da competitividade de mercado. No que diz respeito a redução da taxa de juros, analisa-se que no ano de 2017 a taxa Selic – taxa básica de juros da economia no Brasil – manteve-se no primeiro trimestre com o seguinte percentual: 13,65%, 12,90% e 12,15%. Por outro lado, no primeiro trimestre do ano de 2018, a taxa Selic considerada a mais baixa desde o início da

série do Banco Central do Brasil firmou-se em 6,90%, 6,65% e 6,40%, ou seja, praticamente a metade do percentual fixado no ano passado, sendo passível nova redução. Além disso, salienta-se o recuo das linhas do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), do Sistema de Financiamento de Habitação (SFH) e a redução dos juros do financiamento imobiliário pela Caixa Federal, principal agente financeira de imóveis no Brasil. Assim, ressalta-se que a redução da taxa Selic repercute na minoração dos juros imobiliários, aquecendo a economia e incentivando ainda mais o consumo. Parte-se deste pressuposto para afirmar que a redução da Selic aliada à queda dos encargos do financiamento, ampliam notadamente a possibilidade de aquisição de bens imóveis. Inclusive, para os que já possuem um empréstimo, a atual dedução dos juros aumenta as chances de negociação para reduzir o custo do crédito, ou ainda, viabiliza a discussão judicial quanto a revisão do contrato, a depender do caso concreto. Diante do otimismo que se lança ao mercado imobiliário, revela-se pertinente mencionar que a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) prevê a expansão do crédito imobiliário com recursos da poupança em 10% em 2018, isto é, R$ 48 bilhões de reais. Em suma, pondera-se que o conjunto de ações voltadas à superação da crise econômica, como a redução dos juros, o recuo nas linhas de financiamento e à ampliação do crédito imobiliário, provocam o estabelecimento de um cenário econômico extremamente favorável para a compra de imóveis. Logo, é inequívoco que o processo do reestabelecimento econômico e a expansão do mercado imobiliário andam juntos a um só tempo.

:: Jéssica Wegmann Bellé OAB/SC 51.533 Bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) – 2017 Pós-graduanda em Direito Imobiliário pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) 2018/2019 Advogada atuante na Área Cível em nível administrativo e contencioso na banca Silva & Silva Advogados Associados

Economia&Negócios Economia&Negócios • • Maio Maio 2018 2018 • • 15 15


COMEX Fiesc/Divulgação

SC aumenta exportações em 9,01% em abril Santa Catarina registrou em abril uma corrente de comércio de mais de US$ 2 bilhões, sendo que as exportações somaram US$ 750 milhões e, as importações, US$ 1,3 bilhão. Os avanços, com relação a abril do ano passado, foram de 9,01% e 37,3%

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s embargos da União Europeia às aves dos frigoríficos catarinenses da BRF e as restrições do mercado russo às carnes suínas não impactaram nos resultados das vendas externa de Santa

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Catarina em abril. O Estado encerrou o quatro mês do ano com o valor de US$ 750 milhões em exportações, o que representa um aumento de 9,01% em relação ao mesmo período de 2017. 


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COMEX Fiesc/Divulgação

O índice registrado em abril deste ano foi também o melhor desde 2014. No comparativo com março, houve retração de 3,26%. No entanto, no primeiro quadrimestre deste ano as exportações catarinenses somaram US$ 2,7 bilhões, com avanço de 3,3% em comparação com os quatro primeiros meses de 2017. No cenário nacional, o Estado respondeu por 3,76% das vendas totais do Brasil. Os embarques de carnes de aves cresceram 19,2%, se comparado ao igual período do ano passado, e foram o principal produto exportado por Santa Catarina em abril, que respondeu por 25% das exportações do item. Em segundo lugar ficou a soja, com queda de 5,01% e 1,8% de participação nacional. Os Estados Unidos (EUA) continuam como principais parceiros comerciais de SC, seguidos por China, Argentina e México. O presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, diz que o desempenho em abril mostra uma boa recuperação das vendas catarinenses. Isso pode ser constatado pelo expressivo crescimento nas vendas externas da carne de ave, que no primeiro trimestre do ano passado tiveram um desempenho muito fraco devido aos embargos de países e notícias ruins sobre a sanidade. Fatos que voltaram a se repetir nos primeiros meses deste ano. “A economia brasileira se encontra em um momento de grandes incertezas, o que retrai os investimentos e a demanda. Pode ser que em tal situação haja um maior esforço para aumentar as exportações, como alternativa à atual situação do mercado interno. Mas é preciso destravar as barreiras dos países importadores”, alerta Côrte. As importações do Estado em abril também tiveram crescimento significativo, de 37,3% em relação a abril de 2017, aproximando-se de US$

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O avanço das importações em Santa Catarina mostra a retomada e até, podemos dizer, o aquecimento da nossa indústria, porque o estado importa basicamente insumos, matérias primas, máquinas e equipamentos

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Maria Tereza Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc.


COMEX 1,3 bilhão. O total é o maior para o mês desde 1997, início da série histórica do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. No comparativo com março, houve ampliação de 3,13%. Com o resultado, Santa Catarina registrou superávit na balança comercial de R$ 524 milhões. O aumento nas importações em Santa Catarina não é visto como problema e sim como um forte indicativo da retomada industrial no estado e também a retomada do mercado externo. A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Tereza Bustamante, diz que, como SC importa basicamente insumos e matérias primas, “isso é um fator muito positivo, porque mostra claramente que a indústria está mantendo a confiança na continuidade do crescimento do mercado, interno e externo.” A especialista diz ainda que no caso de Santa Catarina, particularmente, até agora as estatísticas tem mostrado claramente que as importações são todas vinculadas aos processos de fabricação. “Obviamente que há uma parcela de produtos manufaturados, mas é pequena, porque a atividade industrial mostra claramente sua retomada.”

Realidade brasileira As exportações catarinenses cresceram em abril abaixo da média brasileira, de 12,7% em relação a abril do ano passado, totalizando US$ 19,9 bilhões e gerando um superávit na balança comercial de US$ 6,1 bilhões. As importações tiveram comportamento semelhante ao registrado em SC: avançaram 28,7% no comparativo com abril de 2017, mantendo-se estáveis em relação a março de 2018. A variação com relação ao mês anterior foi de 0,1%.

No entanto, não é otimista a projeção para os próximos meses. Apesar da variação positiva na venda de carnes de aves para o exterior em abril – US$ 131,8 milhões, o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Carne e Derivados em SC (Sindicarne), Ricardo Gouvea, diz que esse cenário não mostra a realidade do setor hoje. “Se for olhar agora, o cenário é de redução. Temos os impactos da suspensão de exportações de plantas da BRF para a União Europeia e tem mais uma redução prevista para maio com uma questão envolvendo a Arábia Saudita”, explica Gouvêa. Atrelado a isso está a retração nas exportações catarinenses de suínos, puxada pelo embargo do mercado russo, que desde o final de 2017 não adquire carnes suínas e bovinas provenientes do Brasil.

Cai exportações de grãos

As vendas da soja brasileira no mercado externo acumuladas de janeiro a abril de 2018, comparadas ao mesmo período de 2017, ficaram em US$ 162,7 milhões, representando uma queda de 41,27%. No entanto, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC diz que houve uma retenção proposital dos produtores à espera de um melhor preço para venda. Para a Federação, agora o valor voltou a ser atrativo e a tendência é de uma sequência positiva até o fim do ano, suficiente para recuperar as perdas registradas até agora. Essa melhora ocorre por dois motivos. O primeiro é a quebra da safra argentina, que inicialmente previa 53 milhões de toneladas, mas não deve passar de 40 milhões em razão da seca no país portenho. A segunda condição é a guerra fiscal e comercial entre EUA e China, o que fará com que os chineses comprem soja catarinense.

Divulgação

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COMEX

Os destinos das carnes catarinenses Santa Catarina amplia exportações de carne suína para China, Chile e Argentina

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á seis meses sem vender carne suína para a Rússia, as agroindústrias de Santa Catarina focam em outros mercados e ampliam as exportações para China, Chile e Argentina. Em abril, os três países foram os principais destinos da carne suína produzida no estado – respondendo por 70,3% do faturamento com as exportações do produto. O incremento nas vendas para outros países têm minimizado os efeitos do embargo russo para as carnes brasileiras. Mesmo assim, os volumes exportados caíram em abril, em comparação com março de 2018. Em abril Santa Catarina respondeu por 52,8% do faturamento brasileiro com as exportações de carne suína. O estado embarcou 20,4 mil toneladas do produto, gerando US$ 49,1 milhões em receita. A quantidade vendida foi 20,2% menor do que em março e o faturamento teve uma pequena queda de 3,7% – justificada pelas compras de produtos com maior valor agregado. Otimista, o secretário da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, prevê a reacomodação dos mercados o que contribui para restabelecer os volumes exportados pelo Brasil e Santa Catarina. “Como o País exporta carnes para mais de 150 países, enquanto algumas portas se fecham outras se abrem. Temos carnes de alta qualidade, com custos competitivos e empresas com sólido relacionamento e tradição no mercado internacional. As expectativas são de continuidade no crescimento das exportações a médio e longo prazo.” No acumulado do ano, o Estado vendeu 91 mil toneladas de carne suína com receitas de US$ 193,2 milhões, o equivalente a fatia de 46,7% do total exportado pelo país em 2018. O principal destino para o produto catarinense é a China, que ampliou o valor das importações em 232,6% em abril – em relação ao mesmo período de 2017. O país 22 • Maio 2018 • Economia&Negócios

adquiriu 8,5 mil toneladas do produto por US$ 22,4 milhões. Inclusive, a China se consolida como o maior comprador de carne suína de Santa Catarina. Em 2018 foram vendidas 81,6 mil toneladas para o país asiático. O Chile e a Argentina também aumentaram as importações da carne suína catarinense. Em abril, as vendas para os dois países geraram faturamento de, respectivamente, US$ 6,5 milhões (aumento de 81,5%) e de US$ 5,6 milhões (aumento de 153,1%).

Frangos

Os embargos do mercado europeu são sentidos pela agroindústria catarinense. Em abril, o Estado exportou 59,8 mil toneladas de carne de frango, gerando US$ 133,3 milhões em receitas. Uma retração de 28,6% na quantidade e de 7,3% no faturamento em relação ao mês anterior. Os principais destinos foram Japão, China e Países Baixos. Em abril, os países europeus compraram 7,3 mil toneladas de carne de frango, o equivalente a US$ 21,2 milhões, com retração de 53% na quantidade e de 37,8% no faturamento em relação a abril de 2017. Airton Spies explica que esses são os primeiros reflexos da suspensão das compras de algumas plantas frigoríficas pela União Europeia. Entre elas, dois frigoríficos da BRF em SC. No acumulado do ano, o Estado já embarcou 279,2 mil toneladas de carne de frango, faturando mais de US$ 514 milhões. Santa Catarina responde por 22,4% das exportações brasileiras do produto. Os números são do Ministério da Indústria e Comércio Exterior Serviços (MDIC) e analisados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).


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INDÚSTRIA

Itajaí receberá o maior complexo industrial de pescado enlatado do mundo Investimento inicial será de R$ 300 milhões

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DIVULGAÇÃO

empresa Gomes da Costa (GDC), controlado pelo Grupo Calvo, gigante espanhol do setor de alimentos, confirmou investimentos de R$ 300 milhões na construção do maior complexo industrial para produção de pescado enlatado do mundo, em Itajaí. Foi assinado um protocolo de intenções para a centralização das unidades operacionais da companhia, que hoje funcionam em diferentes locais da cidade, em um grande complexo no bairro Paciência. O compromisso foi firmado pela empresa com a Prefeitura de Itajaí e Governo de Santa Catarina, que devem apoiar o projeto. O Município se comprometeu a dar suporte ao projeto, além de coordenar a viabilização dos incentivos econômicos e fiscais, enquanto o governo do Estado vai viabilizar a pavimentação do acesso ao novo complexo e disponibilizar os benefícios dos programas estaduais Pró-Emprego e de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec).

Gisele Leal

O terreno já foi comprado pela empresa. “Essa será uma das formas de tirar o trânsito do centro de Itajaí. Já compramos um milhão de metros quadrados no Bairro Paciência para montar a empresa. Já temos o terreno e os recursos para começar imediatamente”, revela o CEO mundial do Grupo Calvo, Manuel Calvo. Há 20 anos instalada em Itajaí, a GDC é a maior empregadora de Itajaí no setor privado, com 2 mil empregos diretos e mais de 10 mil indiretos. “Vivemos um momento histórico para a nossa cidade. Envidamos todos os esforços para que Itajaí não perdesse esse grande investidor e vamos nos tornar o polo mundial de pescado enlatado”, diz o prefeito Volnei Morastoni. “Esse empreendimento mostra a confiança pelo nosso Estado e promove o desenvolvimento dessa região. Seremos parceiros e o que assumimos como compromisso será cumprido para que a empresa se amplie aqui em Santa Catarina”, garante o governador Eduardo Pinho Moreira.

Sustentabilidade

No documento assinado, a GDC assume o compromisso de manter e ampliar suas ativi-

dades em Itajaí, colaborando para o desenvolvimento sustentável, além de atender a todos os requisitos ambientais. Com o novo parque fabril, a expectativa é de ampliar ainda mais os postos de trabalho, além de contribuir com o desenvolvimento econômico e sustentável da região. Hoje a produção na cidade é de 1,5 milhão de latas de sardinha por dia, e 550 mil latas de atum. O novo complexo industrial da Gomes da Costa em Itajaí centralizará todas as operações da empresa, incluindo as indústrias de alimentos, embalagens e a operação logística. Atualmente, as unidades operam em quatro locais distintos da cidade. O terreno comprado, conforme lembrou o CEO, é 10 vezes maior do que a área que a empresa ocupa hoje na cidade e possibilitará a união de todos os segmentos produtivos. O presidente da Gomes da Costa, Enrique Orge Miguez, diz que depois de concluídas as obras de ampliação, o complexo será destaque mundial. “Será um dos maiores projetos da empresa no mundo, no segmento de enlatados, com tecnologia de ponta, incluindo produção de alimentos de alto valor agregado como óleos especiais e Ômega 3. ” 

O protocolo foi assinado pelo prefeito Volnei Morastoni, governador Eduardo Pinho Moreira e pelo CEO mundial do Grupo Calvo, Manuel Calvo. 24 • Maio 2018 • Economia&Negócios


INFRAESTRUTURA

Classe empresarial reforça cobrança da liberação de recursos para o aeroporto de Navegantes A Infraero havia prometido a liberação de R$ 150 milhões para investimento no Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder, há mais de um ano, e até o momento nenhuma parcela foi repassada, nem a do ano passado

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epresentantes do empresariado de Navegantes e bancada catarinense travaram uma luta em Brasília para a liberação de R$ 150 milhões para o aeroporto de Navegantes. Os recursos foram objeto de termo de cooperação firmado entre a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e o poder público de Navegantes, ainda em janeiro do ano passado. O convênio previa o repasse de R$ 150 milhões para a desapropriação da área de mais de 1,09 milhão de metros quadrados, destinada a ampliação da pista de pousos e decolagens. O recurso deveria vir em três parcelas de R$ 40 milhões e uma de R$ 30 milhões e o prazo para conclusão do processo é de cinco anos. O presidente da Associação Empresarial de Navegantes (ACIN), Rinaldo Luiz de Araújo, cobra agilidade no repasse dos recursos, uma vez que fazem parte de um Acordo de Cooperação Técnica, assinado em 27 de janeiro de 2017, pelo então ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Lessa. Segundo Araújo, uma nova reunião será marcada em Brasília – com políticos, Infraero e representantes da classe empresarial da região do Vale – para deliberar sobre o tema. Um dossiê com todas as informações relacionadas ao aeroporto e com detalhes das desapropriações também está sendo elaborado para fundamentar as tratativas.

www.multiplaaa.com.br

Desempenho

Segundo aeroporto do Estado em movimentação de passageiros, durante o primeiro trimestre deste ano, foram registrados 491.208 passageiros no aeroporto de Navegantes. Esse número representa alta de 41,9% em comparação ao mesmo período de 2017 e de 17,3% em relação a 2016. Apenas em janeiro, passaram pelo terminal catarinense 192.546 passageiros, entre embarques e desembarques. O mês representou recorde na história do terminal, com aumento de 14,8% em relação à marca anterior, que havia sido em janeiro de 2016. Em fevereiro, foram registrados 141.215 viajantes e março 157.447. De acordo com a superintendente do terminal, Andreia Nandi, a alta na movimentação de passageiros é reflexo do início das operações da Avianca, em maio de 2017, bem como do início dos voos internacionais para Buenos Aires, em dezembro do ano passado. Ela também explica que “desde maio de 2017 estão sendo registrados aumentos em todos os meses comparados aos anos anteriores, o que levou o terminal a receber em 2017 a quantidade de 1.588.921 passageiros, marca jamais atingida anteriormente.” Os números de abril ainda não foram divulgados. 

EXPORTAÇÃO • IMPORTAÇÃO Economia&Negócios • Maio 2018 • 25


INFRAESTRUTURA

Novo ciclo de aportes no País pode somar R$ 2 tri

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studo encomendado pela Reuters à consultoria Grant Thornton mostra que as condições para o Brasil reverter anos de investimentos deficitários em infraestrutura estão mais favoráveis e que não impossível que o país atinja suas metas de aportes de R$ 2,1 trilhões nos próximos oito anos. O montante representaria um investimento médio em infraestrutura e energia de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano, na hipótese de um aumento médio anual da economia de 3% até 2025. Esse índice de aportes indicado pela Grant Thornton significaria quase o dobro do percentual do PIB investido em infraestrutura entre 2011 e 2015, segundo dados do Banco Mundial. Os investimentos, estimados pela consultoria com base em planos do próprio governo, seriam mais de duas vezes o total aplicado no setor no Brasil de 2001 a 2015 —que somou 1 trilhão de reais. “É fundamental que cheguemos perto desse valor. Apesar de a cifra ser grande, não é infactível, imaginando-se que o Brasil entra em novo ciclo…”, explica Paulo Funchal, sócio de Transações da Grant Thornton. De outra forma, sem investimentos adequados, o país poderia parar e enfrentar até escassez de energia elétrica. Funchal diz que a retomada da economia, influenciada pela taxa Selic no menor nível histórico (6,5%), a inflação sob controle, uma adequada gestão do déficit fiscal e o estabelecimento da Taxa de Longo Prazo (TJP), em substituição à TJLP, são questões que colaboram para os investimentos em infraestrutura. “Isso sem falar que nos últimos anos o setor tem ganhado cada vez mais participação do segmento privado, com quase 70% do total de investimentos em 2017, e maciços aportes estrangeiros, especialmente da China.” Segundo o estudo, dos R$ 2,1 trilhões previstos até 2025, o setor de óleo e gás responderá por quase 50%, seguido por energia elétrica (R$ 361 bilhões); telecomunicações (R$ 338,7

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bilhões); saneamento (R$ 168,2 bilhões) e logística terrestre (R$ 132,6 bilhões) e portuária (R$ 51,3 bilhões). Após o Brasil ter ficado na 114ª posição no mundo em investimentos em infraestrutura em 2017, segundo estudo da companhia de seguros francesa Coface, citado pela Grand Thorton, Funchal demonstra otimismo de que finalmente o Brasil deixe de “perder o bonde” de investimentos em setor tão importante para um país que está entre as dez economias globais, sendo também exportador relevante de commodities. “Para o Brasil não perder esse momento, as condições econômicas nunca foram tão positivas…”, ressalta o sócio da Grant Thornton, que é uma das cinco maiores empresas globais de auditoria e consultoria de investimentos, com atuação em mais de 135 países.

Procedência Em um País fadado a expandir a liderança global na exportação de commodities como soja e carnes nos próximos anos, investimentos em portos, ferrovias e rodovias —em grande parte ainda não pavimentadas no País— são fundamentais. E a aposta é de que os estrangeiros, especialmente chineses, que precisam de matérias-primas a custos competitivos, impulsionem os investimentos no país. Além disso, o sócio da Grant Thornton comenta que há grandes empresas estrangeiras querendo adquirir companhias nacionais para desenvolver projetos de infraestrutura. Ele cita ainda o modelo de parcerias, como o estabelecido entre a chinesa Shandong Kerui Petroleum e a brasileira Método Potencial —em um contrato de quase R$ 2 bilhões para a construção de uma unidade de gás da Petrobras— como alavanca dos investimentos no setor. 


Economia&Negócios • Maio 2018 • 27


AGROBUSINESS

Estado investe R$ 11,5 milhões para manter a competitividade do meio rural e pesqueiro catarinense Epagri/Divulgação

secretário da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, o Programa é fundamental para apoiar os agricultores familiares em investimentos em tecnologias que de fato fazem diferença na produção e rentabilidade. “O produtor rural é estimulado a fazer as mudanças no seu negócio e acompanhar a evolução tecnológica que é imprescindível para se manter na atividade agropecuária. Os financiamentos são direcionados para áreas que contribuam para aproveitar as oportunidades e resolver os problemas das propriedades rurais”, informa Spies.

Epagri/Divulgação

P

or meio do Programa de Fomento à Produção Agropecuária, da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, o governo do Estado vai destinar neste ano R$ 11,5 milhões em crédito para 600 famílias catarinenses. Com o programa, agricultores e pescadores terão acesso a financiamentos para aquisição de equipamentos, para projetos e até mesmo para compra de animais. São disponibilizados até R$ 35 mil para projetos que agreguem valor ao negócio e até R$ 25 mil para aquisição de bens ou serviços. Em caso de cooperativas, associações formais ou informais, o limite é de R$ 200 mil, pra aquisição de bens ou serviços, e de até R$ 280 mil para projetos. O empréstimo pode ser pago em até cinco anos, sem juros. São permitidos projetos para aquisição de máquinas e equipamentos, construção de estruturas e de pequenas agroindústrias, pomares, turismo rural e projetos de irrigação. Segundo o

incentivar o jovem a permanecer no meio rural. Para compra de computadores, notebooks, impressoras e kit internet, os agricultores, com idade entre 16 a 29 anos, podem pegar empréstimo de até R$ 3 mil, com três anos de prazo para pagar, com parcelas anuais e sem juros. O Programa oferece ainda 50% de desconto para cada parcela paga até a data do vencimento. A outra linha de crédito contempla financiamentos para o Projeto de Vida dos Jovens, que propicia investimentos na produção agropecuária, melhorando o processo produtivo, agregação de valor, desenvolvimento da pesca e da aquicultura, com a disponibilização de até R$ 15 mil. Caso, os agricultores formem um grupo, o

Incentivo à agricultura

Dentro do Programa de Fomento, existem duas linhas voltadas para os jovens agricultores catarinenses. A Secretaria da Agricultura concede financiamentos para aquisição de um Kit Informática e também para que os jovens possam investir na sua propriedade rural e, com isso, busca

0800 941 9004 47 3249.9407 28 • Maio 2018 • Economia&Negócios


valor passa para R$ 45 mil. O prazo para pagamento é de até cinco anos, com parcelas anuais, sem juros. A Secretaria da Agricultura concederá desconto de 10% para cada parcela paga até a data do vencimento. Para acessar o Kit Informática ou o Programa Projeto de Vida é necessário que o agricultor tenha idade que se enquadre no programa e participe dos cursos de Liderança, Gestão e Empreendedorismo, da Epagri.

Divulgação

AGROBUSINESS

Pecuária

Para estimular o melhoramento genético do rebanho catarinense, o governo disponibiliza também o Programa de Fomento apoia a aquisição de matrizes leiteiras, bovinos de raças de corte e reprodutores ovinos. Para matrizes leiteiras, o limite é de três animais por família, quando adquiridos em feiras agropecuárias, e de quatro animais, quando adquiridos fora de feiras. Os financiamentos são

Para aquisição de reprodutores de raças de corte, os pecuaristas catarinenses contam com financiamentos de até R$ 10 mil para PO (Puro de Origem); até R$ 8 mil para PC (Puro por Cruza). O limite é de 20 mil por família, com um prazo de até cinco anos para pagamento, sem juros.

Piscicultura

O Programa de Fomento incentiva ainda os piscicultores catarinenses, que podem contrair financiamentos para aquisição de um kit formado por equipamentos necessários para produção de peixes no Estado. O valor por kit não poderá ser superior a R$ 3.750,00 e o pagamento será feito em duas parcelas anuais sem juros. Se o produtor optar em adiantar o pagamento da segunda parcela para a mesma data de vencimento da primeira, ele terá um desconto de 60% sobre o valor da segunda parcela.•

Divulgação

de até R$ 7 mil para matrizes PO (Puro de Origem) de raças leiteiras e de até R$ 5 mil para matrizes PCOC (Puro por Cruza de Origem Conhecida) de raças leiteiras. Os produtores têm um prazo de três anos para pagar o empréstimo, com parcelas semestrais e sem juros. Os produtores rurais que quiserem adquirir reprodutores de ovinos em feiras agropecuárias têm um limite de até R$ 2,1 mil para macho reprodutor PP (Registro de Puro de Pedigree); até R$ 1,8 mil para macho reprodutor PC (Puro por Cruza); até R$ 1.350,00 para macho reprodutor SO (Seleção Ovina); até R$ 1.500,00 para fêmea de reprodução, que comprove ter sido revisada por técnico credenciado pela Associação Catarinense de Criadores de Ovinos. O máximo a ser financiado é de R$ 20 mil por família. O prazo máximo para pagamento dos recursos será de 36 meses, parcelado em até 6 parcelas semestrais, iguais e sem juros.

Economia&Negócios • Maio 2018 • 29


VAREJO

E-commerce avança em Santa Catarina

C

riado em 2007 e eleito pela consultoria Deloitte e revista Exame como uma das 30 pequenas e médias empresas que mais crescem ao ano, o grupo DCG desembarcou em Santa Catarina com a inauguração da sua primeira filial no Estado, em Palhoça, na região da Grande Florianópolis. SC é a unidade da Federação com maior taxa de vendas online e também possui a maior taxa de compras online da região Sul. “Santa Catarina é um Estado importante estrategicamente e um dos principais polos tecnológicos do País. O nosso objetivo com a abertura desta filial é a aproximação com os demais players que atuam neste mercado”, explica Cristiano Braier, executivo comercial do Grupo DCG e responsável pela nova operação. “A ideia é estabelecer novos canais e gerar faturamento. A DCG vem em uma evolução muito boa dentro do mercado e figura entre as principais do setor de e-commerce. Tenho certeza de que conseguiremos ótimos resultados com este novo desafio”, explica Rodrigo Guteress, gerente de vendas do Grupo. Na prática, o Grupo DCG atua com o desenvolvimento e manutenção de plataformas para e-commerce e conta atualmente com mais de 600 clientes. A empresa é ainda desenvolvedora das plataformas Ez Commerce, Core e do hub de marketplaces Octopus. “O setor como um todo está crescendo e não podemos parar de fazer novos investimentos”, explica Mauricio Correa, CEO do Grupo DCG. De acordo com estudo divulgado pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), o setor já representa 5,3% do PIB de SC, com R$11,4 bilhões de faturamento. Além disso, o polo de Florianópolis é o terceiro maior do Brasil em faturamento médio, perdendo apenas para Campinas e Rio de Janeiro.

30 • Maio 2018 • Economia&Negócios

SC é destaque no e-commerce

O setor de vendas online cresceu 12% em 2017, apontando que mesmo em clima de recessão econômica, o brasileiro ainda está consumindo e cada vez mais online, principalmente em Santa Catarina. O estado tem a maior taxa de conversão de vendas online, segundo o relatório “E-commerce Radar”, feito pela Atlas. Esse índice apurado em Santa Catarina pode estar ligado ao elevado acesso da população à internet: 73,3% dos domicílios contam com acesso à rede, segundo o PNAD, mais uma vez acima da média nacional, de aproximadamente 69,3%. Outro ponto interessante a ser mencionado é o aumento de 28% da renda média domiciliar per capita dos catarinenses entre 2014 e 2017, de R$ 1.245 para R$ 1.597, sendo 7 pontos percentuais a mais do que o aumento nacional, deixando o estado em 4º lugar no levantamento do IBGE de renda média residencial per capita.

Mudança de foco

Exemplo do fortalecimento do e-commerce no Estado é o Grupo Koerich, de Florianópolis e uma das maiores e mais tradicionais empresas de Santa Catarina na área de varejo, com mais de 60 anos de atuação no mercado. Com forte presença nos segmentos de eletrodomésticos, eletroportáteis, celulares e móveis, o Koerich avança no Brasil pelo e-commerce. A empresa iniciou no e-commerce foi em 2010, nas cidades onde a tinha lojas físicas. Em 2015, quando fez 60 anos, passou a atender todo o Estado e, no ano passado, expandiu o serviço para o Rio Grande do Sul e Paraná. Entre as metas para este ano está ingressar também na região sudeste. O que levou um grupo tão tradicional a ingressar no e-commerce foi o crescimento das vendas online numa média de dois dígitos por ano. •


LOGÍSTICA

Otimista, mercado aposta desempenho favorável em 2018 Resultados positivos do fim de 2017 e primeiros meses deste ano deixam os empresários confiantes

O

s resultados verificados nos primeiros meses apontam para cenário positivo para a logística em 2018. A expectativa é de melhora em diversos aspectos, novos investimentos em tecnologia e inovação, entre outras formas de desenvolvimento. A perspectiva é de que as empresas continuem adotando sistemas de gestão e outras ferramentas que facilitem a execução dos processos. A economia em recuperação é um dos fatores que impulsionam o setor de logística. A expectativa é de que a volta do crescimento econômico reaqueça a demanda por serviços de logística e de transporte em todo o país. A retomada começou em 2017, depois de dois anos de recessão. A expectativa é de aceleração. Na indústria, a CNI espera uma alta de 3%, o que representaria um desempenho superior ao do Produto Interno Bruto (PIB). O setor de serviços, que representa pouco mais de 70% de toda a atividade econômica também entrou em fase de recuperação, ainda que lenta. De acordo com a consultoria Nielsen, deve crescer 1,5% em 2018. Vale destacar também o potencial de crescimento do e-commerce, um grande cliente do setor logístico, que deve ter uma alta de quase 11% no faturamento em 2018. O PIB do agronegócio, por sua vez, deve apresentar um desempenho inferior ao de 2017, com uma alta de 2,6%. O que não quer dizer que a demanda por serviços logísticos não seja elevada. Apesar de uma redução de 6% na área plantada em 2018, a safra esperada ainda é superior e deve chegar a 224 milhões de toneladas, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA Brasil). Ou seja, não vai faltar carga para os transportadores nesse mercado.

Infraestrutura limitada

O cenário positivo vislumbrado para o ano não quer dizer, no entanto, que os transportadores de carga não tenham desafios a enfrentar. O principal deles é a falta de infraestrutura do País, que prejudica significativamente a eficiência das operações logísticas. Hoje, mais de 60% das cargas no Brasil são transportadas por rodovias. A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) estima que são necessários R$ 51,5 bilhões em investimentos apenas para restauração e manutenção dos 83 mil quilômetros de rodovias existentes no

Brasil. Dotar o país da infraestrutura rodoviária necessária para sua demanda, porém, exige mais de cinco vezes esse valor. As limitações se repetem em outros modais, como as ferrovias e o transporte fluvial e marítimo. Com isso, o custo de transporte e armazenagem de carga no Brasil chega a 12,7% do PIB, enquanto nos Estados Unidos não passa de 7,8%.

Tecnologia x produtividade

Enquanto a infraestrutura ideal não chega, o setor logístico precisa buscar novas alternativas para aumentar sua produtividade. Um dos caminhos é o investimento em tecnologia. Ferramentas como a análise de dados, Inteligência Artificial e a telemetria, entre outras, permitem que os transportadores reduzam custos e aumentem a sua eficiência. A adoção de soluções de gestão de frotas e de cargas permite, por exemplo, que as empresas de logística otimizem suas rotas, reduzam o consumo de combustível e aumentem a velocidade de entrega, entre outros benefícios proporcionados. Além disso, a tecnologia digital é um fator fundamental para a integração do setor logístico nas novas cadeias produtivas do varejo e da indústria, que exigem cada vez mais eficiência dos operadores. • Economia&Negócios • Maio 2018 • 31


PORTOS E TERMINAIS

Comissão Portos cobra implementação do Decreto 9.048/2017 A Associação Brasileira dos Terminais Portuários estima que R$ 25 bilhões em investimentos estejam represados devido ao impasse regulatório

A

Comissão Portos, formada por entidades representantes se segmentos que ligados diretamente às atividades portuárias, cobra que o Decreto dos Portos (9.048/2017) produza imediatamente os efeitos para os quais foi criado. Em nota conjunta expedida em maio, entidades que representam exportadores, importadores, operadores portuários, terminais portuários e empresas de navegação marítima, alertam que a 32 • Maio 2018 • Economia&Negócios

falta de implementação do decreto, promulgado há cerca de um ano, prejudica a solução de problemas de infraestrutura. A Comissão pede que o decreto destrave investimentos de operadoras de terminais portuários fora da área arrendada, porém, identifica obstáculos enfrentados pelo poder público para equacionar problemas na infraestrutura comum do porto. De acordo com a comissão, os investi-


PORTOS E TERMINAIS Abratec/Divulgação

mentos privados nos portos decorrentes da prorrogação dos contratos de arrendamento portuário até o limite de 70 anos, somente ocorrerão mediante a realização de significativos investimentos pelos concessionários nas áreas arrendadas. Os novos investimentos privados no setor estão estimados em R$ 23 bilhões. Segundo a nota, “a falta de dragagem de aprofundamento e de manutenção dos canais marítimos, por inexistência de recursos públicos, por vezes comprometendo a segurança da navegação, é fato lamentavelmente histórico e recorrente que mancha o Brasil no cenário internacional, o que o Decreto possibilita equacionar.” As associações setoriais entendem que, sem sua implementação, o setor portuário brasileiro continua engessado, com sua capacidade instalada comprometida e sem eficiência operacional. A Comissão Portos vê o decreto como uma ferramenta para fomentar a atividade portuária e retirar entraves burocráticos. A entidade reitera que o decreto não oferece privilégios e nem benefícios a empresas ou a qualquer agente privado específico e sim confere segurança jurídica para viabilização de investimentos no setor portuário brasileiro, em benefício do interesse público.

Terminais privados sentem o impacto

Para os representantes dos terminais privados, até agora o Decreto dos Portos (9048/2017) tem causado mais ansiedades que resultados no setor, segundo a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP). Desde a promulgação do marco regulatório do setor, em maio do ano passado, os terminais de uso privado (TUPs), responsáveis por 67% da movimentação de cargas marítimas do país, aguardam a implementação plena dos avanços contidos no decreto para os portos autorizados, sem qualquer vínculo com investimentos públicos. “Estamos há um ano sem mudanças efetivas. O decreto foi feito para flexibilizar e modernizar o setor, com a possibilidade, dentro do interesse público e das diretrizes políticas, adaptar contratos referentes aos terminais arrendados e privados no Brasil, conforme a especificidade. Mas, ao contrário disso, estamos em descompasso em relação às aspirações geradas pela nova regulação”, diz o presidente da ATP, Murillo Barbosa. A associação é integrante da Comissão de Portos, criada para discutir com o governo a revisão do marco regulatório. Participou dos debates com o propósito de aprimorar a legislação e garantir a preservação dos direitos previstos na Lei dos Portos e viabilizar investimentos da iniciativa privada. “Com a nova regulamentação, o setor empresarial esperava avanços para o setor privado, com a expansão de área, exclusão das garantias de execução e desburocratização do processo de anúncio público”, diz Barbosa. Para ele, a liberdade de investir, característica do setor privado, foi afetada devido ao ambiente de insegurança jurídica que se opõe à proposta do decreto. Barbosa acrescenta que, sem a validação da regulação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o Decreto 9.048 não vem sendo aplicado, mantendo o cenário de investimentos

estagnado em um momento de recuperação econômica do país. “A ATP questiona a demora pela avaliação do TCU, mas também a morosidade na discussão e na publicação de todas as normas complementares.” Segundo Barbosa, esse cenário vem obrigando o segmento privado a deter seus investimentos e, consequentemente, sua contribuição para a geração de emprego e renda para o país.

Questionamentos do TCU

Dos pontos questionados pelo TCU, o primeiro é a extensão do prazo de arrendamento para até 70 anos, um pleito da inciativa privada. Os outros dois dizem respeito a pontos incluídos no decreto por vontade do governo: a possibilidade de o arrendatário fazer investimento em área pública do porto, fora de sua área de atuação, como obras de dragagem; e a possibilidade de substituição de área, ou seja, que o arrendatário migre para outra parte do porto sem licitação prévia. O TCU entende que esses três pontos infringem o princípio da isonomia e o rito licitatório que devem prevalecer em área pública. O Ministério dos Transportes, por sua vez, defende que o governo não tem recursos para realizar obras necessárias de infraestrutura nos portos e que, por isso, os investimentos privados são importantes para superar os gargalos, desde que eles beneficiem os usuários do porto. Além da ATP, participam da Comissão de Portos a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC ), Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (ABRATEC), Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA), Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Centronave – Centro Nacional de Navegação Transatlântica, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Nacional das Operações Portuárias (FENOP), Instituto Brasileiro de Mineração; Instituto Aço Brasil (IBRAM) e Sindicato Nacional das Empresas de ATP/Divulgação Navegação Marítima (Syndarma).•

“Estamos em descompasso em relação às aspirações geradas pela nova regulação”, Murillo Barbosa, diz o presidente da ATP. Economia&Negócios • Maio 2018 • 33


PORTOS E TERMINAIS

Mercado ganha ferramenta que agrega agilidade para tomadas de decisões Shipping Analysis Report, uma nova ferramenta para o mercado shipping que deve mexer com os setores de navegação e comex à partir do know how e network dos consultores, oferecer aos clientes informações filtradas e analisadas, examinando os fundamentos do setor, como oferta x demanda, custos, balanços, capacidade ociosa, rupturas, entre outros, além das notícias mais relevantes e informações de bastidores. “O produto oferecerá também a possibilidade de trabalhar análises customizadas por cliente, atendendo alguma demanda específica que possa existir”, acrescenta o consultor e sócio da Solve, Leandro Barreto. A Solve Shipping Intelligence Specialists despontou no mercado há cerca de dois anos, mas seus sócios, Robert Grantham, Henrik Simon e Leandro Barreto, atuam há décadas nesse segmento, tendo ocupado posições importantes em algumas das maiores empresas do setor. A empresa foi criada para suprir um filão de mercado aberto com a profunda transformação pela qual o transporte marítimo está passando no mundo, associado aos gargalos logísticos locais e o famoso custo Brasil, o que exige maior inteligência logística. A empresa atua em todo o Brasil com estudos de mercado – análise da concorrência e viabilidade, mapeamento de custos, benchmarks, tendências e oportunidades, validação de projetos, suporte em licitações, prospecção de mercado, análises de viabilidade, mapeamento e monitoramento de mercado – trei-

namentos para a inserção do profissional no novo perfil do comércio exterior e da navegação na globalização mundial –, inteligência de mercado, palestras ligadas às áreas de comex, transporte marítimo, multimodalidade, marcos regulatórios, due dilligence, pareceres técnicos•

Platão já dizia na antiga Grécia: “A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos”. Vivemos hoje a sociedade do conhecimento e o volume de informações que circulam é muito maior do que conseguimos absorver. Robert Grantham

Ronaldo Silva Jr

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consultoria Solve Shipping Intelligence Specialists, com sede em São Paulo e atuação em todo o Brasil, lança no mercado o serviço Shipping Analysis Report. Trata-se de uma análise mensal do mercado do shipping, elaborada de forma a apresentar de modo sucinto, porém assertivo, uma interpretação do desenvolvimento e das perspectivas para o transporte marítimo no Brasil e no mundo, com foco naquilo que realmente pode impactar no processo decisório do executivo de comércio exterior, logística e de investimentos. “É um produto formatado para atender as necessidades de todos os operadores do comércio exterior – exportadores, importadores, agentes de carga, despachantes, terminais e armadores – e investidores, de forma que o executivo poupe tempo e dinheiro, pois não precisará procurar informações ou decifrar as movimentações do setor”, explica o consultor Robert Grantham, responsável pelo mercado do Sul do País. “Dinheiro porque, além de informações precisas e análises especializadas no suporte às decisões, ele também poderá reduzir custos com assinaturas de jornais, revistas, mídia especializada e, principalmente, na contratação e formação de pessoal para fazer esse acompanhamento do mercado.” Grantham complementa que o produto pretende,

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34 • Maio 2018 • Economia&Negócios


PORTOS E TERMINAIS

Portos digitais, a tendência do futuro As tecnologias digitais permitem aos portos e aos seus parceiros serem mais produtivos, eficientes e mais competitivos Porto f Hamburg/Divulgação

Os portos de Hamburgo, Rotterdam e Singapura lideram a transformação digital no setor.

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ecnologias conectadas e inteligentes agora estão levando a indústria portuária para a era digital na busca por maior produtividade, corte de custos e vantagem competitiva. O impacto disso pode ser substancial. Até 2025, o porto de Hamburgo, na Alemanha, por exemplo, espera que a ampla adoção dessas tecnologias duplique sua capacidade e reduza os custos operacionais sem acrescentar nenhum novo espaço. Estudo apresentado pela consultoria Boston Consulting Group (BCG) mostra que nos dias atuais os investimentos em tecnologia são cruciais. Os portos de Hamburgo, Rotterdam e Singapura lideram a transformação digital no setor, implementando tecnologias que permitem melhorar a produtividade, aprimorar o relacionamento e a experiência de clientes e usuários e ser, de maneira geral, mais competitivos. O trabalho mostra claramente que para maximizar o retorno sobre o investimento é crucial vincular o uso da tecnologia atrelada a uma estratégia geral de negócios, priorizar os problemas, examinar as opções disponíveis e gerenciar os riscos iniciando em pequena escala. “Ao longo do último meio século, a indústria naval se reinventou várias

vezes, abrindo caminho para a conteinerização, embarcações maiores e intercâmbio eletrônico de dados. No entanto, apesar das melhorias, os operadores que buscam manter uma vantagem competitiva precisam adotar uma mentalidade digital e implementar tecnologias para permanecerem produtivos, eficientes e competitivos”, aponta o estudo. O consultor Eduard Pujol, sócio do BCG e especialista em infraestrutura, diz que de maneira geral, a tecnologia tem evoluído muito nos últimos 20 anos, devido, principalmente a uma combinação de fatores: aumento de desempenho das tecnologias disponíveis, preços mais baixos e uma maior conectividade e integração entre equipamentos. “Essa evolução está gerando muitas oportunidades em todas as indústrias, tanto para transformar o core – uso da tecnologia para reconfigurar as funções básicas e melhorar as operações – como para criar novos serviços, produtos e modelos de negócio.” No caso dos portos, como em muitas outras industrias B2B, Pujol diz que essa evolução ainda não tem acontecido de maneira massiva. “Apesar das melhorias tecnológicas existentes e disponíveis no mercado, as operações portuárias têm evoluído pouco e são ainda muito dependentes de processos e sistemas manuais, não automatizados.”  Economia&Negócios • Maio 2018 • 35


PORTOS E TERMINAIS Divulgação

Para o especialista, a implementação de plataformas conectadas, serviços na nuvem, aplicativos móveis, sensores e outras tecnologias de IoT, realidade aumentada, transporte autônomo, blockchain e big data & analytics são alguns exemplos de tecnologias aplicadas.

jornada de maneira errada, pensando em como podem usar uma ou outra tecnologia.” O que elas na realidade precisam fazer é, em primeiro lugar, entender bem o ponto de partida e os principais pontos que precisam ser resolvidos e, a partir daí, identificar quais tecnologias podem ajudar a resolvê-los, gerando um portfólio de iniciativas e possíveis soluções.”

Longo caminho

Pujol diz que muito precisa ser feito ainda no setor portuário para que se atinja um novo patamar de eficiência e competitividade. “São poucos os portos que estão num nível avançado de maturidade digital. Para a maioria deles a jornada de transformação está apenas no início. Alavancar a tecnologia para melhorar a eficiência das operações sem necessidade de grandes investimentos é, sem dúvida, um bom primeiro passo”, acrescenta o especialista. Segundo o consultor, hoje é fundamental para os portos a adoção de gestão de tráfico avançada, sensoriamento e automatização de ativos, uso de algoritmos preditivos para gestão otimizada dos ativos, aprimoramento dos processos de alfândega, melhoria da segurança, ou monitoramento e otimização do consumo energético, entre outros exemplos de ferramentas. No entanto, segundo Pujol, ao mesmo tempo os portos fazem parte de um ecossistema cada vez mais complexo – terminais, autoridades portuárias, transportadoras e operadores logísticos multimodais, armazéns, entre outros elos da cadeia logística – que se beneficiariam muito com uma maior integração. “Para mudar realmente o patamar de competitividade, não é suficiente que cada parte do ecossistema adote as tecnologias e aplique melhorias de maneira individual. O impacto mais significativo será atingido quando os principais atores do ecossistema estiverem realmente integrados em plataformas e serviços que permitam uma maior velocidade e transparência nos fluxos de informação, facilitem o trabalho em conjunto e, como consequência, promovam a eficiência do ecossistema como um tudo”, aponta o estudo.

Realidade brasileira

“Os portos brasileiros estão ainda no início da jornada de transformação digital e podem se beneficiar dessa mudança adotando estratégias digitais inteligentes”, explica Pujol. No entanto, o especialista alerta que cada porto é único. “As necessidades de cada um dependem de vários fatores, como localização, papel nos fluxos de mercadorias, tipo de mercadoria e nível de concorrência.” Ele diz ainda que os novos terminais, ou as ampliações de terminais existentes que es36 • Maio 2018 • Economia&Negócios

Benefícios ultrapassam a área primária

“São poucos os portos que estão num nível avançado de maturidade digital, para a maioria deles a jornada de transformação está apenas no início”, Eduard Pujol, sócio do BCG e especialista em infraestrutura.

tão sendo construídas, têm a grande oportunidade de considerar as tecnologias mais adequadas no momento da construção. O consultor destaca que o foco de um novo porto deve ser atrair carga e, para isso, deve focar em adotar tecnologias que ofereçam uma experiência diferenciada aos clientes e usuários. Por outro lado, os grandes hubs existentes – a maioria deles com infraestruturas mais velhas – devem focar na produtividade e redução de custos e se adaptarem aos novos requisitos da indústria, com navios cada vez maiores e mais eficientes. Na opinião de Pujol, muitas empresas iniciam a APPA/Divulgação

As tecnologias digitais permitem aos portos e aos seus parceiros serem mais produtivos, mais eficientes, aprimorarem o relacionamento e a experiência de clientes e usuários e, de maneira geral, serem mais competitivos. Por outro lado, as tecnologias digitais permitem também gerar novos serviços e novas fontes de receita além do negócio core. Exemplo disso são os operadores de terminais na Austrália. “Geram novas receitas oferecendo serviço digitais para operadoras logísticas rodoviárias, disponibilizando informações e agendamento de janelas de carga e descarga pelo celular, o que permite evitar longos tempos de espera nos terminais”, acrescenta Pujol. Ele defende ainda que a disponibilidade de dados integrados e estruturados também pode ser uma nova fonte de receita. “O porto de Hamburgo está usando uma ampla rede de sensores para monitorar toda a atividade do porto – infraestrutura, tráfego rodoviário e ferroviário, movimentações de navios, movimentações da carga. Essas informações podem ser monetizadas com o uso de plataformas de intercâmbio de dados com parceiros – operadores logísticos, afretadoras de navios, brokers, entre outros elos da cadeia – que usam esses dados para otimizar o seu planejamento.”


Economia&Negócios Economia&Negócios •• Janeiro Maio 2018 • 37


PORTOS E TERMINAIS Divulgação

Utilização média de berços para contêineres no Brasil está em 43%

O aumento nos tamanhos dos navios, aliado ao compartilhamento dos serviços, aumenta a ociosidade dos berços nos portos brasileiros O terminal da Santos Brasil em Imbituba registra a menor taxa de ocupação do Brasil, com apenas duas escalas semanais.

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Brasil opera com menos da metade de sua infraestrutura para contêineres. Levantamento da consultoria Solve Shipping Intelligence, apresentado em maio, mostra que a utilização média dos berços de portos e terminais que movimentam contêineres no País está em 43%. De acordo com o estudo, as médias regionais de uso de berços são de: 42% no Sudeste, 44% no Sul, 46% no Nordeste e 38% no Norte. O País recebe 180 escalas semanais regulares. O terminal com maior utilização de berço é o da Santos Brasil, que em Santos recebe 16 escalas por semana em seus três berços de atracação. A menor utilização também é da Santos Brasil, no terminal que a empresa opera em Imbituba, onde recebe duas escalas semanais. No porto de Itajaí a taxa média de ocupação em abril deste ano foi de 40%, enquanto o terminal de uso privado (TUP) Portonave registrou uma taxa de ocupação de 43,33%. No TUP porto Itapoá a taxa de ocupação ficou em 79% no quarto mês do ano. Leandro Carelli Barreto, da Solve Shipping explica que berço não

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é mais um problema nos portos brasileiros, já que, com o aumento no tamanho dos navios, a quantidade de serviços semanais diminuiu. Em 2010 havia 41 serviços operando na costa brasileira entre longo curso e cabotagem. Em maio deste ano operam na costa 27 serviços, segundo o levantamento. Nesse período, a cabotagem e as operações feeder cresceram de seis para nove serviços, com um incremento de 50% na demanda por janelas de atracação. Em contrapartida, o número de serviços no longo curso na costa brasileira caiu pela metade e diminuiu de 35 para 18 serviços. Nesses oito anos, a capacidade semanal do longo curso caiu 4%, ante o crescimento de 124% da cabotagem.

Navios maiores

Em 2010, o navio com maior capacidade nominal que operava no Brasil tinha capacidade para 5,9 mil TEUs (Twenty-foot Equivalent


PORTOS E TERMINAIS Esse compartilhamento de serviços impactou na redução do número de escalas de longo curso em 35%, caindo de 198, em dezembro de 2010, para 129, em maio deste ano. “A quantidade menor de serviços de longo curso, operando com navios cada vez maiores e que enfrentam restrições operacionais para atracar em muitos portos brasileiros, diminuiu a demanda por berços de atracação. Consequentemente, aumentou a disputa por serviços entre terminais. Esses 43% de utilização dos berços indicam que, na média, os terminais nacionais passam mais da metade da semana com seus berços ociosos”, explica Leandro Carelli Barreto. Em contrapartida, segundo o levantamento, nos últimos oito anos a quantidade de escalas referentes à cabotagem e Mercosul na costa leste sul-americana subiram de 46 para 52, o que representa avanço de 13%. O TUP Porto Itapoá opera com praticamente o dobro da média da ocupação dos portos brasileiros: 79%.

Unit – unidade internacional equivalente a um contêiner de 20 pés), 286 metros de comprimento, 40 metros de largura e calava 13,2 metros. Esse perfil de navio quase dobrou de tamanho em oito anos. Atualmente, já operam no país navios com capacidade nominal para 11,04 mil, 330 metros de comprimento e 48,3 metros de largura. Na cabotagem, há oito anos, o maior navio que trafegava na costa brasileira tinha 208 metros de comprimento, 30 metros de largura e 11,4 metros de calado. Hoje, já operam na navegação costeira cargueiros com 254,7 metros de comprimento, 37,34 metros de largura e calado de 12,5 metros. De acordo com o levantamento da Solve, a média de armadores por serviço subiu de 2,3, em 2010, para 3,4 armadores. Exemplo dessa fusão de armadores é um serviço que une o Brasil à Ásia, que é compartilhado por nove armadores.

Atualmente, o Cape Artemisio, da Happag Lloyd, é um dos maiores navios a operar na costa brasileira. Tem capacidade nominal para 11 mil TEUs e 330 metros de comprimento.

Economia&Negócios • Maio 2018 • 39


PORTOS E TERMINAIS

Indústria pede fim da cobrança de raio X nos portos brasileiros

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Confederação Nacional da Indústria (CNI) e 50 entidades industriais defendem o fim da cobrança da tarifa de escaneamento de contêineres nos terminais portuários brasileiros. Em carta encaminhada à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Fórum de Competitividade das Exportações da CNI se posiciona contrariamente à cobrança do serviço de raio X, que considera ilegal. Segundo estatísticas da CNI, em 2017 os terminais movimentaram 5,7 milhões de contêineres, o que gerou uma arrecadação de aproximadamente R$ 3,13 bilhões. Segundo a CNI, o custo do serviço por contêiner varia de R$ 80 a R$ 1.020, dependendo do terminal portuário.

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Na carta enviada à Antaq, os representantes do setor industrial alertam para o parecer da Advocacia Geral da União (AGU), de 16 de novembro de 2017, em que a Procuradoria Federal concordou não existir “suporte fático para a instituição e cobrança de preço/ tarifa específico para o escaneamento de contêineres”. De acordo com a entidade, a AGU também entende que a Antaq deve suspender a cobrança independente de audiência pública ou outra providência processual. “A CNI já denunciou a ilegalidade da taxa, pois o serviço de raio X já é pago na cesta de serviços, chamada de box rate. A agência, no entanto, não examina o tema nem suspende a exigência de pagamento”, diz a nota da CNI.


PORTOS E TERMINAIS APM Terminals/Divulgação

Movimentação de cargas cresce no Complexo Portuário do Itajaí O valor das importações cresceu 40%, passando de R$ 1,4 bilhão, no primeiro trimestre de 2017, para R$ 2 bilhões neste ano

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epois de duas quedas consecutivas, em janeiro e fevereiro, o Complexo Portuário do Itajaí-Açu teve o primeiro resultado positivo na movimentação de contêineres em 2018, em comparação com o ano passado. Foram movimentados 94 mil TEUs (Twenty-foot Equivalent Unit – unidade internacional equivalente a um contêiner de 20 pés), 7% a mais do que em março de 2017. O crescimento foi puxado pela melhora no comércio exterior, com ênfase para as importações. No entanto, o acumulado do trimestre, segue negativo. Foram 2% menos TEUS, se considerados os três primeiros meses do ano passado. As restrições internacionais à proteína animal brasileira são a principal causa da redução no volume de contêineres, principalmente as restrições do mercado russo à carne suína produzida no Brasil. Situação que tende a piorar a partir de abril, com os embargos da União Europeia aos frigoríficos brasileiros. Desde janeiro as exportações de frango, que é o principal produto movimentado pelos portos de Itajaí e Navegantes, caíram 21%. A carne, ainda sob embargo russo, caiu 26%. E os peixes, que estão com as exportações para a União Europeia suspensas desde janeiro, reduziram 78%. As perdas registradas nos embarques da proteína animal foram compensadas pelos aumentos nas exportações de tabaco, madeira, papel e derivados, que registraram um bom crescimento. As exportações de maçã também registram bons números desde o ano passado e, em março, cresceram 67%, em comparação ao igual período do ano anterior. Os aumentos nas importações também chamam a atenção

para o Complexo Portuário do Itajaí-Açu. O valor cresceu 40%, passando de R$ 1,4 bilhão, no primeiro trimestre de 2017, para R$ 2 bilhões em 2018, no mesmo período. O indicativo, que a princípio não é um bom resultado para a economia como um todo, no caso de Itajaí pode ser visto com bons olhos. Isso pelo fato de Santa Catarina ser um estado que importa basicamente insumos e maquinários para a indústria, o que aponta para a retomada da economia, segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

APM Terminal movimenta o dobro de cargas

Se março foi bom para o Complexo Portuário do Itajaí como um todo, para a margem direita foi bem melhor. A movimentação cresceu 103% no mês. Passou de 16,6 mil TEUs, em março do ano passado, para 33,7 mil TEUs no mesmo mês de 2018. No acumulado o avanço foi de 53%: de 49,27 mil para 75,15 mil TEUs. O bom resultado verificado na margem direita do Rio Itajaí-Açu é decorrente da migração de quatro serviços, da Portonave para a APM Terminals Itajaí. Por outro lado, em Navegantes foi registrada uma retração de 15% no mês. As operações caíram de 71,8 mil TEUs, em março do ano passado, para 60,82 mil TEUs, em março deste ano. No trimestre o recuo foi de 14% no trimestre, passando de 216,8 mil para 186,68 mil TEUs. No entanto, a Portonave continua responsável pela maior fatia da movimentação do complexo portuário: 71,3%. Economia&Negócios • Maio 2018 • 41


PORTOS E TERMINAIS

Porto de Imbituba cresce 12,7% no primeiro trimestre de 2018

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primeiro trimestre do ano terminou em alta e trazendo resultados animadores para a SCPar Porto de Imbituba. A movimentação total de cargas cresceu 12,7% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo as operações de longo curso as que obtiveram o maior desenvolvimento, com um aumento de 16%. Entre as principais cargas transportadas estão o coque e a soja, porém o grande destaque ficou para os contêineres. Confirmando a perspectiva de dobrar sua movimentação anual, a carga conteinerizada apresentou um crescimento de 132,7% já nos primeiros três meses deste ano, comparado ao total movimentado no mesmo período de 2017. A expansão da movimentação de cargas no Porto de Imbituba pode ser atribuída a um conjunto de fatores, dentre eles evidencia-se a linha Ásia (ASIA NGX2), que passou a operar em

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setembro de 2017, investimentos na infraestrutura de acesso e em equipamentos, e a crescente recuperação econômica do mercado global. Excelentes parâmetros operacionais, como a capacidade de receber grandes navios, devido à profundidade de 15m nos berços de atracação, também contribuem fortemente para o desenvolvimento portuário. A expectativa da SCPar Porto de Imbituba é registrar um crescimento total de 6,5% na movimentação do porto em 2018. O então diretor-presidente da empresa, Rogério Pupo, destaca que as perspectivas estão se confirmando a partir desse primeiro trimestre. “Estamos em uma franca recuperação, não só de movimentação, como também financeira. Além disso, o ano de 2018 vai ficar marcado por novidades implícitas na área de contêiner, como novas cargas que estão prospectando Imbituba como solução logística”, ressalta Pupo.


PORTOS E TERMINAIS

Projeto Porto Brasil Sul é apresentado e ganha aval do Ministério dos Transportes Empreendimento greenfield – inteiramente novo – e deve começar as operações, em sua primeira fase, em 2022.

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Porto Brasil Sul (PBS), a ser instalado na região da Ponta do Sumidouro, município de São Francisco do Sul (Norte de SC), foi apresentado em abril para o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro Silveira, que conheceu o projeto acompanhado do senador catarinense Paulo Bauer e destacou a importância do Porto Brasil Sul para o desenvolvimento logístico do País. “O governo federal tem interesse em incentivar investimentos desta natureza, que geram emprego e renda à população local e a todo o Brasil”, comentou. “O Porto Brasil Sul é um projeto maduro, que entra em uma nova fase, impulsionado pelo interesse do mercado em projetos robustos de infraestrutura que farão a diferença no Brasil da próxima década”, comen-

tou Marcus Barbosa, diretor-presidente do Porto. Renato Pavan, diretor técnico do Porto, lembrou ao ministro a excelente localização do terminal e com calado médio de 20 metros. “É uma das melhores regiões do País para a instalação de um moderno porto de águas profundas”, frisou. O empreendimento solucionará o gargalo logístico das regiões Sul e Sudeste, tornando-as ainda mais competitivas nos mercados interno e externo. O PBS será o maior porto da região Sul e o quinto maior multicargas do Brasil, dispondo de sete terminais e oito berços de atracação, com movimentação projetada 20 milhões de toneladas/ ano. A previsão é que quando estiver totalmente em operação gere 3 mil empregos diretos. O projeto foi desenvolvido como um Hub Port – porto concentrador de cargas e de linhas de navegação – do Mercosul, com capacidade para receber, em médio prazo e após as obras de adequação do canal de acesso, os navios da classe Post Panamax, as maiores embarcações de carga do mundo, com até 18 mil TEUs e 220 mil toneladas. O diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Mário Povia, também conheceu o projeto e indicou que está em linha “com os planos do governo federal para o setor de infraestrutura portuária”. O senador Paulo Bauer comentou que Santa Catarina comporta mais um porto, como o Porto Brasil Sul. “Investimentos como este merecem apoio em todos os níveis governamentais”, indicou. Economia&Negócios • Maio 2018 • 43


PORTOS E TERMINAIS

SPI de Itajaí é autorizado a vender área fora do Porto Organizado Os recursos, de R$ 21 milhões, serão aplicados no aumento da área primária

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Marcos Porto

Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil autorizou a Superintendência do Porto de Itajaí a alienar uma área de propriedade da União fora do Porto Organizado, de 26 mil metros quadrados e avaliada em R$ 21 milhões. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 08 de maio, após a edição da Resolução 5923, da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq). No terreno, foi edificado pelo executivo de Itajaí o Centro Integrado de Saúde (CIS), há cerca de dois anos. Agora a área precisa ser transferida para o Município, que deverá adquirir o terreno em parcelas fixas. Os recursos da venda serão aplicados pela Autoridade Portuária em desapropriações de áreas contiguas ao porto, para ampliação da área primária. Hoje a capacidade estática da retroárea do porto de Itajaí é de 100 mil metros quadrados, insuficiente para atender os navios de maior porte que já trafegam pela costa brasileira, com capacidade de 12 mil a 15 mil TEUs (Tweny-foot Equivalent Unit – unidade internacional equivalente a um contêiner de 20 pés) por navio. “Precisaremos de retroárea para receber a carga, prontificá-la, operá-la no navio que estiver realizando sua operação, além de atender aos outros navios que estiverem programados”, explica o superintendente do Porto de Itajaí, engenheiro Marcelo Werner Salles. “Há uma necessidade eminente de ampliação da área de 100 para 300 mil metros quadrados.” Salles explica que a ampliação ocorrerá de acordo com o que prevê o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do porto, que traz todo um planejamento para a ampliação da área primária, dentro do que prevê

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o Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP) e o Plano Mestre. “Há também o planejamento e zoneamento do município, com áreas destinadas à ampliação da área primária, inclusive, toda a parte de procedimentos administrativos, com o decreto de desapropriações das áreas, já estão montados dentro desse planejamento.”•

“Estamos com muitas obras em andamento, a exemplo da nova bacia de evolução, além da dragagem e do realinhamento dos berços 3 e 4. Mas para que essas ações efetivamente tenham eficácia, há necessidade fundamental de ampliação das zonas primárias”, Marcelo Werner Salles, superintendente do Porto de Itajaí.


 ColunaMercado  Divulgação

Demanda por voos domésticos sobe 3,4% no primeiro trimestre

Hélio Dagnoni é o novo vice-presidente de Turismo da Fecomércio-SC

Porto Itajaí/Divulgação

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O empresário Hélio Dagnoni, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Balneário Camboriú (Sindilojas) acaba de ser eleito vice-presidente de Turismo da diretoria da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC). Em 70 anos de história da Fecomércio-SC, esta é a primeira vez que um diretor do Sindilojas é convidado para assumir uma vaga na diretoria da entidade. Hélio chega à diretoria da Fecomércio-SC com o compromisso de fomentar o turismo de Santa Catarina e movimentar toda a cadeia de bens e serviços. Natural de Itajaí, mas residente em Balneário Camboriú, Hélio Dagnoni tem 59 anos. Dono de três empresas, Hélio constituiu seu primeiro negócio em 1983. No associativismo empresarial, o empresário atua há 23 anos, tendo sido presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Balneário Camboriú (CDL-BC) e está no terceiro mandato do Sindilojas. Em 2016, atuou como secretário municipal de turismo de Balneário Camboriú. Na ocasião também foi reeleito como presidente o empresário Bruno Breithaupt. A nova gestão – terceiro mandato consecutivo – começa oficialmente em 10 de agosto.

A demanda por voos domésticos das companhias aéreas brasileiras cresceu 3,4% no primeiro trimestre de 2018, comparada com o mesmo período do ano anterior. A oferta média também cresceu: apresentou alta de 2,2%. Da mesma forma, o número de passageiros pagos transportados entre janeiro e março aumentou 2,2% e chegou a 23 milhões. Os dados constam no relatório Demanda e Oferta do Transporte Aéreo – Empresas Brasileiras Março de 2018, divulgado em maio pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A taxa de aproveitamento nos voos domésticos também aumentou, atingindo 81,9% dos assentos. A variação foi de 1,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No transporte de carga e Correio, as empresas aéreas brasileiras registraram alta acumulada de 11% em relação ao mesmo período de 2017 no mercado doméstico. A ocupação dos voos internacionais das empresas brasileiras, no entanto, retraiu 2,2% no número de assentos. O transporte de carga e o serviço de Correio internacional registraram expansão de 37,8% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Bom momento O porto de Itajaí passa por um bom momento. Depois de encerrar março com avanço de 103% na movimentação de contêineres e o trimestre com avanço de 53% no terminal da APM Terminals Itajaí, a Autoridade Portuária comemora a retomada das operações do Berço 3, após quatro intermináveis anos de obras. A primeira operação ocorreu em maio, com a atracação do navio BBC Switzerland, de bandeira suíça e 120 metros de comprimento. Embora a operação tenha sido pequena, para o embarque do material que compôs a estrutura do Stopover Itajaí da Volvo Ocean Race, realizada em abril, é vista como mais uma alternativa para atracação no porto itajaiense. As obras nos berços 3 e 4 iniciaram em 2014 e receberam investimentos da União de aproximadamente R$ 140 milhões. O Berço 3 foi inaugurado no início do ano, no entanto, até então não havia operado devido a necessidade de adequação na retroárea. O Berço 4 continua em obras e a expectativa, otimista, é que sejam concluídas ainda neste semestre.  Economia&Negócios • Maio 2018 • 45


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Rogério Pupo deixa o comando do Porto de Imbituba Depois de seis anos frente a Presidência do Porto de Imbituba, o arquiteto Rogério Pupo Gonçalves deixou o cargo em maio. O gestor respondeu pelo cargo desde que a administração do Porto de Imbituba foi delegada ao governo do Estado, em 2012. Desde que ele assumiu a Autoridade Portuária, há um crescimento acumulado de 118% na movimentação. Entre as principais ações de Pupo enquanto gestor do porto de Imbituba estão a reestruturação do porto, reativação da Ferrovia Tereza Cristina – que liga Criciúma ao porto – e atração da linha de longo curso para a Ásia. Internamente, o complexo portuário também ganhou uma nova iluminação do cais, novo pavimento e sinalização das vias internas, duas novas balanças, gates reversíveis e um sistema de agendamento eletrônico para recebimento de caminhões. Pupo deixa ainda seu legado na área social. Apoio a 94 projetos culturais e esportivos e, na gestão ambiental, desenvolveu 19 programas de monitoramento. Trabalho já foi reconhecido com oito prêmios ligados à responsabilidade socioambiental. A mudança de diretoria do porto de Imbituba foi ratificada pelo Conselho de Administração da empresa em 10 de maio e o lugar de Rogério Pupo foi ocupado por Osny de Souza Filho. O diretor administrativo, comercial e financeiro, Marcelo Schlichting, foi substituído por Paulo César Dagostin.

46 • Maio 2018 • Economia&Negócios

Antaq quer cinco diretores e 159 novos cargos comissionados A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) reconhece a necessidade de corrigir “distorções históricas” e “acumulações de novas competências” que ocorrem desde 2001, quando a Antaq foi criada, e solicitou ao Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPA) o aumento do quadro de diretores e da recomposição do quadro de cargos comissionados da agência. A proposta do órgão é aumentar de 130 para 289 o número de cargos comissionados e ampliar de três para cinco membros o quadro da diretoria. As mudanças representariam um aumento de 58% na folha de cargos comissionados da agência, que passaria de R$ 674,96 mil para R$ 1,07 milhão. A Antaq justifica o pedido alegando que a Lei dos Portos (12.815/2013) trouxe incremento nas competências da agência, entre as quais: fiscalização de arrendatários e operadores portuários; fiscalização de autoridade portuária, TUPs (terminais privados), ETCs (transbordo de carga), IP4 (pequeno porte) e IPT (passageiros); fiscalização de empresas brasileiras de navegação – EBNs (cabotagem, longo curso, apoio portuário, apoio marítimo e travessias), além da licitação de terminais arrendados e avaliação de prorrogação de contratos de arrendamento. A diretoria acrescenta ainda que a iminente regulação econômica da atividade de praticagem deverá culminar em novas atribuições para agência. Além disso, alega que o decreto 9048/2017 alterou as regras de exploração de portos organizados e instalações portuárias, o que demanda uma série de regulamentações, desde antecipação de receitas tarifárias até transferência de controle societário e estudos de viabilidade simplificados, entre outras atribuições que acabaram passando para a Antaq desde a sua criação.

Logistique 2018 O Porto de Itajaí é um dos apoiadores institucionais da 5ª edição da Logistique – Feira de Logística e Negócios Multimodal. O evento acontece de 23 a 25 de outubro, em Joinville, e vai unir as cadeias de logística, transporte multimodal, comércio exterior e intralogística. É considerada pelo mercado como a segunda mais importante feira do setor no Brasil. O diretor comercial da Superintendência do Porto de Itajaí, Marcelo Petrelli, justifica o apoio ao evento com o fato de que o mesmo tende a abrir a possibilidade do porto atingir um público diferenciado devido aos diferenciais do porto itajaiense e do comércio exterior de Santa Catarina. Até o ano passado a Logistique era realizada em Chapecó.


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Venda de ativo da Brado Logística, em Itajaí, é concluída A venda da operação da Brado Logística, de Itajaí, para a empresa Martini Meat, foi concluída em maio. A transação, que não teve valores divulgados, foi assessorada pela butique de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) Cypress. A venda do ativo faz parte da estratégia da companhia de focar na logística de contêineres.

Economia&Negócios • Maio 2018 • 47


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Glauco José Côrte é eleito vice-presidente da CNI para o Sul Miguel Angelo/CNI/Divulgação

Rejeição da MP do ICMS reduz competitividade da indústria A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) avalia como prejudicial à competitividade do setor a rejeição pela Assembleia Legislativa da Medida Provisória 220, que reduzia de 17% para 12% o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado nas operações de venda da indústria e de atacados para o varejo, nivelando a alíquota àquela cobrada quando o comércio compra produtos de outros estados. Para a entidade, a iniciativa era benéfica à economia catarinense, por fomentar a produção local. A MP 220 foi rejeitada por 24 votos a 12.  48 • Maio 2018 • Economia&Negócios

As previsões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que a energia fotovoltaica deve movimentar R$ 100 bilhões no Brasil até 2030. A expectativa da agência reguladora nacional é de que até 2024, perto de 1,2 milhão de geradores de energia solar deverão ser instalados em casas e empresas brasileiras, movimentando a micro e minigeração distribuída de energias renováveis. Essa expansão equivale a um crescimento de 15% na matriz energética do país, sinaliza estudo da Bloomberg Energy. Indicadores apontam que até 2040, 32% da matriz elétrica brasileira será de fonte fotovoltaica, seguida por 29% da hídrica, 12% da eólica, e as demais na sequência. No leilão de energia nova A-4, promovido pela Aneel em abril, a fonte solar habilitou 620 projetos com entrega em 2022, com uma oferta de 20.021 MW, que representaram 41,4% de toda potência instalada cadastrada pela Empresa de Pesquisa Energética - EPE para o leilão. Foi a segunda maior oferta, atrás da eólica. 

Mercado força Aurora a dar férias coletivas para mais de 2,6 mil trabalhadores Divulgação

O presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina, Glauco José Côrte, foi eleito vice-presidente executivo para a Região Sul da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na chapa liderada pelo empresário Robson Braga de Andrade. A eleição, por unanimidade, foi realizada em maio e a posse será em 31 de outubro. O mandato se estende até 2022. Côrte já integra, como vice-presidente, a diretoria da CNI. Nos últimos anos, a entidade teve atuação destacada em prol da agenda de reformas estruturais, necessárias para se consolidar soluções perenes para os gargalos históricos à competitividade do país. Na área trabalhista, a entidade foi fundamental na defesa da regulamentação da terceirização e da modernização das leis do trabalho, ambas conquistadas em 2017. No campo da infraestrutura, defendeu o fim da participação mínima da Petrobras em blocos do pré-sal, medida aprovada em 2016 e essencial para destravar investimentos no setor de óleo e gás brasileiro. Destaca-se também a implantação da rede de 25 Institutos Senai de Inovação e a consolidação a rede de 57 Institutos Senai de Tecnologia em todo o país. O Senai também foi reconhecido internacionalmente como referência em educação profissional pela Organização das Nações Unidas (ONU) e colocou o Brasil, pela primeira vez na história, em primeiro lugar na maior competição internacional de educação profissional, a WorldSkills, em 2015.

Energia fotovoltaica deverá movimentar R$ 100 bilhões no Brasil até 2030

A grande oferta de carnes no mercado interno, devido às restrições da Comunidade Europeia a 20 frigoríficos brasileiros, força a Cooperativa Central Aurora Alimentos a dar férias coletivas para mais de 2,6 mil trabalhadores. O Frigorífico Aurora Guatambu libera seus trabalhadores no período de 2 a 31 de julho deste ano e, a planta industrial de Aberlado Luz para as linhas de produção a partir de 4 de julho. No entanto, a empresa informa que não está prevista a demissão de trabalhadores e que a interrupção não atingirá, simultaneamente, mais de uma planta. A Aurora Alimentos ainda avaliará e decidirá em julho se haverá necessidade de colocar uma terceira planta industrial em férias coletivas. Enquanto isso espera que o Governo Federal obtenha sucesso na defesa técnica e política do setor da proteína animal, buscando o restabelecimento dos fluxos comerciais internacionais tão duramente conquistados pela indústria brasileira da carne.


30 de outubro a 01 de novembro 2018

Florianópolis - Brasil

Porto de São Francisco do Sul SC - Brasil

ISSN 2447-4894

www.cidesport.com.br

CONGRESSO INTERNACIONAL DE DESEMPENHO PORTUÁRIO  30 de outubro a 01 de novembro de 2018 – Florianópolis – SC - Brasil 

1. APRESENTAÇÃO: O V CIDESPORT possui caráter técnico-científico e tem como principal objetivo fomentar e estimular a discussão sobre o desempenho do setor portuário, a partir da perspectiva da comunidade científica e dos gestores e profissionais que atuam na gestão dos portos.

2. LOCAL: BLUE TREE PREMIUM HOTEL- Florianópolis - SC - Brasil

3. PROGRAMAÇÃO: Contempla: A realização de Palestras e Painéis com renomados dirigentes portuários e pesquisadores nacionais e internacionais. Apresentação de Artigos Científicos e Relatos Técnicos que podem ser submetidos até o dia 22/08/2018. Recomenda-se que os Relatos Técnicos abordem Boas Práticas de Gestão utilizadas pelos portos. Mais informações acesse: www.cidesport.com.br.

4. ORGANIZAÇÃO:

4. PATROCINADORES:

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Revista Portuária - 15 Junho 2016  

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