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ANO 4 SETEMBRO 2017 EDIÇÃO 5 | www.bteditora.com.br

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

A ORDEM É

BRINCAR

A importância do lúdico na formação da criança

O amigo

Fiel

Mais que um brinquedo, o animal de estimação estimula o desenvolvimento infantil e é um agente socializador

Grife também é coisa de criança Confira os looks das grandes marcas para a garotada

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Foto: Dalazen Jr. Modelo: ThĂŠo Bastos Anversa

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Editorial

D

esde o nascimento as crianças buscam se relacionar com o ambiente onde vivem. Em um mundo de sentimentos que se ampliam à medida em que vão crescendo, o qual elas procuram compreender. Ao mesmo tempo, constroem conhecimentos sobre a realidade e se percebem como indivíduos únicos na sociedade, com identidade e autonomia. Na construção dessa identidade entra o lúdico com toda sua multiplicidade. Também é por meio dele que a criança se socializa com os mais diversos atores sociais que a cerca, se expressa e compreende o mundo, pois o ambiente formado pelos objetos contribui para a socialização da criança. Os objetos são fatores importantes no processo de socialização, muito particularmente por meio dos brinquedos, que são artefatos específicos da infância. Ser criança é ter direito à educação, ao brincar, ao socializar. E é essa socialização que a edição 2017 da Revista Mundo da Criança aborda amplamente em sua matéria de capa, porque o brinquedo não é um mero divertimento. Por meio dele a criança mergulha fundo em seu jogo, em um mundo à parte, no qual o mundo do adulto não tem mais lugar, é outro universo. Outra ponto abordado nesta edição da Revista Mundo da Criança é com relação ao papel dos animais de estimação na formação infantil, uma vez que os pets são vistos por estudiosos como agentes socializadores no universo infantil, pois são “brinquedos” com autonomia e capazes de despertar os mais surpreendentes sentimentos no homem, independentemente da idade. E na criança então, os benefícios são muitos. Então a ordem é brincar e possibilitar que a criança brinque, pois segundo o professor e pesquisador Gilson Volpato, “a criança é criança porque ela brinca, se ela não sabe brincar, poderá se tornar um adulto que não sabe pensar, pois a alma e a inteligência crescem na criança por meio do jogo, do brinquedo.”.

ANO 4 SETEMBRO 2017 EDIÇÃO 5 | www.bteditora.com.br

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

A ORDEM É

BRINCAR

A importância do lúdico na formação da criança

O amigo

Fiel

Mais que um brinquedo, o animal de estimação estimula o desenvolvimento infantil e é um agente socializador

Grife também é coisa de criança Confira os looks das grandes marcas para a garotada

A revista Mundo da Criança não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados, que são de inteira responsabilidade de seus autores. Tampouco pelo crédito e fotos inseridas nas páginas dos nossos anunciantes.

Expediente Diretor Carlos Bittencourt carlos@bteditora.com.br Jornalista responsável João Henrique Baggio jornalismo@bteditora.com.br Reportagem João Henrique Baggio e Raffael Prado jornalismo@bteditora.com.br

Capa Dalazen Jr. Projeto gráfico Leandro Francisca Comercial Sônia Bittencourt 47 . 98405.9681 Rose de Souza 47 . 98405.8773 Janaina Moreira 47 . 98405.8775

Críticas e sugestões Fone: (47) 3344-8600 direcao@bteditora.com.br BT Editora Rua Anita Garibaldi, 425 | Centro | Itajaí | SC 47 3344-8600 | bteditora.com.br Impressão Tiragem: 10 mil exemplares

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Sumário

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Comportamento

Respostas às dúvidas que os pais geralmente têm com relação ao comportamento de seus filhos

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Alimentação

A nutrição adequada para cada faixa etária

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Viagem

Crianças pelo mundo

Educação

A importância do lúdico na formação infantil

Mitos e verdades sobre o convívio das crianças com os animais de estimação

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Lifestyle

Os lançamentos das grifes internacionais para a garotada

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Decoração

As tendências no mobiliário para os quartos infantis


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Comportamento

O CASAMENTO ACABOU

– COMO TRABALHAR ISSO JUNTO AOS FILHOS

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Fotos: Divulgação

A

o contrário dos tempos dos nossos avôs, cujos casamentos eram eternos, hoje as ligações matrimoniais estão cada dia mais efêmeras e as separações são uma realidade no cotidiano das famílias. Essa é, sem sombra de dúvidas, a melhor alternativa para o casal, que adquire total liberdade de seguir em frente. E quando há filhos no meio dessa guerra? Existe uma receita para minimizar seus sofrimentos com toda essa situação? Uma coisa é consenso entre pais separados e especialistas da área comportamental: ao se separar, o casal precisa de toda a maturidade possível para encaminhar bem a reação dos filhos à nova fase que se inicia. E, por mais que os pais sejam cuidadosos, a rotina muda. Bebês ficam agitados, crianças pequenas voltam a fazer xixi na cama e crianças crescidas passam a dar problemas na escola, entre outras reações que ocorrem no decorrer do processo de separação. No entanto, são problemas que podem ser melhor administrados com a ajuda de especialistas, pois a criança pode ser preparada para encarar uma separação com maior naturalidade, pois há uma forma de preparar a criança conforme a idade dela. Vai depender da fase do desenvolvimento, da dinâmica da família e, claro, de como isso será conduzido pelos adultos. Por isso, cada faixa etária pede um tipo de cuidado e uma abordagem.

A criança e suas companhias preferidas Faz parte da natureza humana preferir a companhia de uma ou outra pessoa e o ser humano aprende a demonstrar isso logo cedo. Os pais devem se preparar, pois os filhos sempre buscam a companhia de um ou outro por razões que nem sempre ficam claras. Se é para jogar bola, o menino geralmente chamará o pai, mesmo que a mãe adore futebol. Para ir ao cinema, pode preferir ir com a mãe ou a avó. Quando nenê, às vezes adora o colo de uma tia, embora nessa fase o mais comum seja desejar ficar com a mãe. Dessa forma, orientam especialistas, os pais precisam ter maturidade para aceitar essa frustração, pois frequentemente os filhos vão querer estar longe deles, em especial quando crescerem. É difícil, mas eles sabem que criam os filhos para o mundo e um dia serão preteridos.


A timidez infantil Ser introspectivo, mais quieto, com poucos amigos, não é um problema, mas um temperamento, e faz parte da personalidade. A extroversão também pode ser uma fonte de angústia. Portanto, os pais só devem se preocupar se a criança não consegue se relacionar, participar de brincadeiras coletivas ou não gosta de estar com outras pessoas. Nesse caso, é preciso buscar a ajuda de um profissional. Mas, se é apenas timidez, é bom incentivá-la a brincar com outras crianças, chamar os coleguinhas para passar a tarde na sua casa, deixar que ela faça seu pedido no restaurante. Pequenos gestos podem ajudá-la a se comunicar melhor.

Como encarar as mudanças de comportamento

A velha mania de morder Decifrar o comportamento infantil não é tarefa fácil para os pais. A busca por respostas costuma esbarrar na maneira como eles criam os filhos, na quantidade de “nãos” que conseguem dizer a eles, nos limites que são capazes de impor. Muitas vezes, os adultos intuem como devem agir, mas o medo de frustrar as crianças acaba resultando em resignação. “Elas são assim mesmo”, dizem. Realmente, crianças têm atitudes-padrão em cada fase da vida, mas isso não significa que os adultos tenham de acatar ordens e aceitar todos os ataques como naturais no processo de desenvolvimento. Portanto, no momento em que seu filho morder um coleguinha ou qualquer outra pessoa, é aconselhada a boa e velha conversa olhos nos olhos. Os pais devem ficar na mesma altura que a criança e falar firmemente que isso não pode nem deve mais acontecer porque machuca e dói. Os pais têm de deixar claro que não aprovam o comportamento porque, mesmo elas não tendo noções claras de certo e errado, não podem fazer tudo que querem. Isso não significa que o comportamento não vá se repetir, mas todas as vezes em que isso ocorrer é necessário deixar clara sua posição. Agora, se acontecer com frequência, toda semana, por exemplo, significa que a agressão está se tornando um hábito e é preciso buscar a ajuda de um profissional.

Atividades lúdicas são uma das melhores opções para aquelas crianças que estão sofrendo com algum tipo de tristeza ou estão com dificuldade para verbalizar os acontecimentos e sofrimentos. Conversar com o seu filho de maneira carinhosa, demonstrando atenção ao que ele fala, também ajuda a enfrentar as mudanças de comportamento. É recomendado ainda procurar ajuda de um profissional da área de psicologia, para que uma análise mais detalhada possa mapear os reais motivos que levaram à alteração. Levar a criança para fazer exames laboratoriais também é essencial para identificar deficiências minerais devido à má alimentação, por exemplo.

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Alimentação

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A importância da nutrição infantil

s índices de obesidade infantil vêm aumentando consideravelmente com o passar dos anos, na medida em que os alimentos industrializados passaram a ganhar maior espaço na alimentação diária das famílias. Uma criança obesa terá mais probabilidades de desenvolver patologias como hipertensão, diabetes tipo 2 e obesidade mórbida na idade adulta ou até mesmo na adolescência, por isso é tão importante desenvolver bons hábitos alimentares desde cedo, pois os cuidados com a nutrição infantil devem começar ainda antes do nascimento. Uma alimentação saudável e equilibrada da mãe desde o início da gestação, será fundamental para a saúde do bebê ainda no útero, pois a má nutrição de mãe e filho poderá ser responsável pelo aparecimento de várias patologias. Com uma alimentação inadequada durante a gestação, sabe-se que se aumentam as chances de o bebê nascer com baixo peso, ter prejuízos em seu desenvolvimento na fase de crescimento, aumentam as chances de ser obeso, hipertenso e desenvolver Diabetes Mellitus tipo II na idade adulta. Sem falar nos problemas que podem ocorrer durante o desenvolvimento do bebê dentro do útero, com a falta de alguns nutrientes como o ácido fólico, aumentam as chances de o bebê desenvolver doenças no tubo neural, como a espinha bífida e do cérebro, como a anencefalia. Depois do nascimento, recomenda-se que o aleitamento materno seja mantido como

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alimentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida. A amamentação vai fornecer a quantidade certa de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais. Além dos nutrientes, o bebê recebe anticorpos que favorecerão seu sistema imunológico e ajudarão na prevenção de patologias. Com o aleitamento materno exclusivo se evitam também as alergias alimentares. A partir dos seis meses, a dieta da criança precisa ser complementada. A alimentação sólida deverá ser iniciada com pequenas porções diárias, aumentando um pouco a cada dia. É muito importante que a criança comece a receber alimentos ricos em ferro, como carnes, frango, feijões, cereais enriquecidos com ferro, além dos legumes, frutas e tubérculos. A água também deve ser introduzida na dieta infantil a partir dos seis meses. É normal que a criança comece aceitando só pequenas quantidades de alimentos sólidos. A mãe deverá, então, complementar com o peito até que a criança passe a comer melhor. Por volta dos dois anos de idade a criança já pode fazer as refeições junto com a família e comer os mesmos alimentos, desde que não sejam excessivamente temperados, e que sejam amassados ou desfiados em pequenos pedaços. Os sucos devem ser naturais e nunca adoçados com açúcar. Para beber, a preferência deve ser sempre a água pura.

Diversidade alimentar A formação de bons hábitos alimentares deve começar o mais cedo possível, por isso é importante apresentar à criança uma grande variedade de alimentos, sempre dando preferência aos mais nutritivos, como frutas, legumes e verduras, sucos naturais, frango sem pele, carnes magras, peixes, arroz, feijões e produtos integrais. É natural que a criança rejeite alguns deles em um primeiro momento, mas isso não significa que devam ser retirados da dieta. O melhor é voltar a oferecer os alimentos rejeitados depois de alguns dias. O ideal é que se ofereça a maior variedade possível de alimentos, para que o paladar da criança se acostume com diferentes sabores, cores e texturas. Deve-se ainda evitar que a criança conheça o sabor do açúcar, para que ela não dê preferência a alimentos doces, o que não é nada recomendável. Por outro lado, se a criança já aceita uma boa variedade de alimentos saudáveis, os doces passam a ser só um complemento ocasional, e não a parte principal da alimentação.


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Comportamento

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MUNDO

POR TRÁS DAS

LETRAS,

Foto: Dalazen Jr.

TINTASE P INC ÉIS 14

Estudos psicológicos e educacionais revelam que brincar é fundamental para a construção do pensamento e para aquisição de conhecimento pela criança, pois além de contribuir para que ela aprenda a se expressar e a trabalhar suas próprias emoções, a brincadeira contribui para o desenvolvimento da autoestima.


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omente uma participação efetiva no mundo em defende Valeria Silva Ferreira, coordenadora do Programa de que vive vai garantir à criança um desenvolviPós-graduação em educação da Universidade do Vale do Itajaí mento saudável. Essa participação envolve inte(Univali), especialista em educação infantil e doutora em Psiração e não interatividade, pois está associada a cologia da Educação. troca que a criança apenas poderá obter por meio Para Maria Fernanda d´Ávila Coelho, é no brincar que a criando brincar, do lúdico. Brincando a criança desença tem oportunidade de ser criativa e usar todo o seu potenvolve seu senso de companheirismo, suas autoexpressão, cial para o autoconhecimento, conhecer os outros e o mundo autoestima, autoconfiança e autonomia. Brincar estimula a a sua volta. “Atividades lúdicas como brincadeiras de roda, criança a experimentar, descobrir, faz-de-conta, amarelinha, jogos criar e aprender. de tabuleiro e brincadeiras ao ar Estudos ainda apontam que no brinlivre fazem toda a diferença na car a criança aprende a conviver, a formação das crianças”, destaca As relações cognitivas esperar por sua vez, a aceitar regras, Maria Fernanda, que é mestre e afetivas a partir da independente do resultado; e a trabaem educação, coordenadora do lhar as frustrações, sem deixar que projeto de extensão Brincante, ludicidade promovem o isso interfira na sua vida. Além disso consultora de estudos da infânamadurecimento emocional, cia, entre outros programas ligaa criança desenvolve sua linguagem, pensamentos, atenção e concendos às áreas de educação infantil o desenvolvimento da tração, pois as atividades lúdicas na Univali. inteligência e da sensibilidade “É pelo lúdico que a criança excontribuem na formação do homem autônomo, na participação comunitáconceitos abstratos, da criança e garantem que suas periencia ria, em seu desenvolvimento pessoal. isto é, executa na prática operapotencialidades e afetividades ções que envolvem as diversas Sem contar que brincar também é um direito legal da criança: Capítulo linguagens”, acrescenta a prose harmonizem. IV- Do direito à educação, à cultura fessora e doutora em educação e e ao lazer- Artigo 59 do Estatuto da literatura Adair de Aguiar Neitzel, Criança e do Adolescente. da Univali. Segundo Adair, “ao “Este tempo é fundamental. As criancantar e ao dançar a criança está ças precisam de tempo livre para lidando com conceitos matemádecidir o que querem fazer sem o ticos, por exemplo. Ao brincar de direcionamento de um adulto. Nesta teatrinho, ela exercita a linguafase elas decidem o que vão fazer e gem e outros conhecimentos, a como vão fazer, no tempo delas. É o exemplo da história, geografia...”. brincar da forma que elas querem e com o objetivo apenas da diversão”,

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Comportamento

Foto: Divulgação

A liberdade de expressão com a utilização de tintas, lápis de cor, massa de modelar, fantasias, música, instrumentos musicais e livros devem fazer parte do cotidiano das crianças.

As manifestações artísticas na educação infantil As diferentes formas de artes e literatura devem fazer parte do cotidiano das crianças como opção disponível. “Expressar-se livremente utilizando tintas, lápis de cor, massa de modelar, fantasias, música, instrumentos musicais e livros devem fazer parte do cotidiano das crianças. Isto estimula a imaginação, autonomia, criatividade, a expressão do pensamento, da oralidade e corporal dos pequenos”, explica Valéria Ferreira. A professora Adair Neitzel diz que manifestações artísticas a exemplo da literatura, teatro, cinema, música e artes visuais possibilitam a educação estética e por meio dela ele a criança constrói uma relação com os objetos e seres ao seu redor, ampliando seu olhar sobre eles e, principalmente, sobre o mundo que a cerca. Segundo a especialista, por educação estética se compreende a percepção do sujeito sobre o mundo.

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“Viver a arte e experienciá-la nos permite, no mínimo, reconhecer outros eus diferentes de nós, nos impulsionando a dialogar com o outro, a sair das fronteiras que muitas vezes nos limitam. Pela contemplação artística refletimos e ganhamos autonomia, como diz Friedrich Schiller: passamos ao patamar de ‘homens cultivados’. E isto não se dá sem aproximarmos razão e sensibilidade”. E a inserção da criança nas artes se dá de forma simples, quase que natural. Maria Fernanda explica que o processo de iniciação para as artes na infância deve acontecer por meio da brincadeira. “É ai que está a riqueza deste universo. Brincar com as diferentes linguagens da arte é o caminho para o desenvolvimento saudável da criança, tornando-a mais sensível diante do mundo, mais criativa em suas construções, falas, escolhas, desejos”.


A importância do diálogo A pequena Carolina Ferreira Torres do Prado, 04 anos, divide o tempo quem tem para brincar entre cartazes, lápis, bonecas e, claro, um pouco de televisão. Filha de pais separados, ela tem aprendido a conviver em casas diferentes e a manter a mesma dinâmica com pai e mãe. Por sorte, apesar de separados, os pais da Carol se entendem bem e buscam em conjunto uma educação construtiva para a filha. “Ela pouco assiste televisão e quando se concentra na tela, sabe que o tempo será pouco. Tudo com a Carol tem que ser conversado antes, acertado como em um contrato. Temos a sorte de ela ser uma criança tranquila”, diz a mãe, a secretária Janaina Marcela Ferreira Torres.

Estímulo Recentemente os pais optaram por matricular Carol em uma escola particular. Tanto pai quanto mãe moram em Penha e Carol estuda em Navegantes. “Ela andava cabisbaixa na creche que estudava antes e notamos que o faltava mais estímulo à Carol”, conta o pai, o jornalista Raffael do Prado. “Foi uma decisão difícil, já que ela gostava muito da professora e dos coleguinhas, mas a gente sentiu que ela estava sendo pouco estimulada. Ela iniciou o semestre letivo na escola nova e é outra criança”, acrescenta.

Carol estuda no período da tarde e de manhã fica com o pai, que trabalha em casa. Entre um afazer e outro do trabalho, Raffael conversa com a filha, incentiva a criança a criar, a desenhar e, o mais importante, a imaginar. “Ela fica às vezes pensando em coisas inimagináveis, criando brincadeiras. Eu sempre quis que ela buscasse aprender desde pequena. E, por sorte, estamos conseguindo”, comemora o pai.

Foto: Divulgação

As fronteiras que a literatura abre

Oferecer à criança o universo dos livros infantis é proporcionar a ela uma entrada maravilhosa ao mundo em que está inserida.

As crianças se interessam desde cedo por ouvir histórias. Estas fazem-nas sonhar, entrar no mundo da fantasia e viajar por lugares longínquos, acompanhadas pelos seus heróis, príncipes e princesas. Esse hábito dos pais contarem histórias aos filhos, principalmente ao deitar, é uma atividade que proporciona prazer a ambos. Os faz embarcar num mundo diferente da realidade, por vezes cruel, mas que desenvolve a capacidade imaginativa, a criatividade e a curiosidade pelo descobrimento na criança. No entanto, a linha que separa a contação de histórias da literatura infantil é muito tênue. As leituras que os pais fazem para os filhos, ou até mesmo as histórias contadas de forma intuitiva, desenvolvem o gosto pelo imaginário, o fantástico. Isso torna essencial que a criança desde cedo tenha contato com os livros, mesmo sem saber ler. Ela inicia folhando-os de acordo com as imagens e cria as suas próprias histórias. É pelos livros infantis que interage com os mais diversos personagens, o que possibilita e amplia sua compreensão sobre as diferentes formas de se relacionar com o mundo ao seu redor, identificando seu papel à sociedade na qual está inserida. 21


Comportamento

Foto: Divulgação

“Na minha infância havia poucos livros: um de pano, lindíssimo, com a história da Cinderela; uma revista com a história do Gato de Botas, um livro colorido com a história do Patinho Feio - nossa, como chorei ao conhecer essa história! - e mais alguns outros. Penso que eles me abriram o caminho da imaginação, ensinaram a diferenciar o certo do errado, a ter noções fortes de ética”, conta a escritora Urda Alice Klueger, que entre importantes obras publicadas, escreveu o romance infantil A vitória de Vitória (Blumenau: Hemisfério Sul, 1998). Urda defende que a literatura tem tudo a ver com a formação da criança. “Penso que sou produto, hoje, desses livros que leram para mim na primeira infância – logo em

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seguida, quando alfabetizada, passei a ler de tudo e isso influenciou, de uma maneira ou de outra, a minha vida”, acrescenta. Entre as lembranças que guarda da infância, muitas delas estão relacionadas ao seu pai, um grande incentivador de sua paixão pelos livros. No entanto, a escritora questiona o papel da família no despertar das crianças pela literatura. “Venho de uma família de três filhas, criadas na mesma casa, com o mesmo pai e a mesma mãe, penso que com os mesmos estímulos, e saímos três realidades diferentes: eu leio compulsivamente desde a alfabetização, uma das irmãs lê, digamos, um livro a cada mês e a outra lê um livro a cada ano, mais ou menos”, declara. Porém, diz que se não houvesse livros na


A leitura facilita à criança a alfabetização, amplia o vocabulário e aperfeiçoa a ortografia.

Foto: Arquivo pessoal

sua casa, talvez tivesse sido diferente. “Quando meu pai descobriu meu gosto pela leitura me dava coleções inteiras de bons livros”, lembra com certa nostalgia. A poeta e professora Rosângela Borges Wiemes defende a ideia de que a literatura infantil engloba muito mais que a leitura de livros: seu objetivo maior é poder desenvolver a imaginação e as emoções da criança, o que a torna ainda mais importante, porque contribui com o desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança. Para ela, os benefícios vão além do ato de decodificar símbolos ou da compreensão e interpretação com fins simplesmente didáticos. “Permite à criança conhecer valores através de personagens que representam o bem e o mal. Através da literatura infantil, a criança recebe novas informações sobre o mundo e enriquece suas vivências, além de ampliar sua imaginação e criatividade”, complementa. Com base na sua experiência como autora, Rosângela diz ainda que a criança, mesmo que bem pequena, que tem acesso a literatura infantil se familiariza muito mais com a escrita, com o vocabulário e até tem mais facilidade para aprender a ortografia. “Ainda melhora a pronúncia de palavras e sua comunicação e expressividade são mais fluentes”, diz Rosângela, que é autora dos livros A poesia está no ar, está em todo lugar; Viagem ao mundo da poesia, Festa da poesia e Crianças poetas; todos compostos por poemas produzidos por crianças.

“Comecei com alguns clássicos, e dos bons. Mas em seguida passei a ler de tudo. Estava-se no póssegunda guerra e assim acabei lendo muitos livros sobre as terríveis coisas que tinham acontecido. Tudo me chamava a atenção. Creio que foi então que criei gosto por História, Geografia, Política Internacional, coisas que têm me acompanhado pela vida afora”, Urda Alice Klueger.

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Comportamento

Foto: Joca Baggio

Artur leu praticamente todos os tomos das obras Hobbit e Senhor dos Anéis e Harry Potter, entre outras obras divididas que fascinam os literatos de todas as idades.

Artur e seu amor pela leitura Com apenas 11 anos recém completados, Artur Ferreira Leão tem raciocínio rápido, criatividade para dar e vender e uma empatia incomum para sua idade. Características que somente a leitura pode agregar. Aliás, o garoto já era um apaixonado pelos livros antes mesmo de ser alfabetizado. “Eu nem sabia ler e meus pais - a médica pediatra Cíntia Ferreira Leão e o executivo Tiago Brueckheimer Câmara Leão me mostravam livros e liam histórias. Inclusive, sua mãe conta que ainda bebê Artur se fascinava com o barulho do movimento das páginas dos livros, com o colorido das ilustrações, com o toque ao áspero papel das brochuras. Pouco tempo depois a criança já associava os livros às histórias que seus pais liam. Depois, queria ir além das ilustrações, buscava os porquês, procurava as razões. Hoje o pequeno leitor quer extrair conhecimento de tudo, saber das origens, questionar. Com raciocínio rápido e a habilidade com os vocábulos que somente a leitura dá, o garoto conversa como gente grande. Também como um bom leitor, Artur prefere aguçar o sentido do tato ao manusear as páginas do velho e bom papel do que fazer suas leituras em tablets, leitores ou aplicativos para ebooks. “Gosto de segurar o livro, tocar as páginas”. O brilho repentino em seus grandes, castanhos e bem desenhados olhos quando lhe foi perguntado como seria para perambular entre as muitas prateleiras de uma grande livraria, passar agradáveis tardes relaxado em uma boa sala de leitura ou ter acesso a bibliotecas com grandes e completos acervos literários, sem sombra de dúvidas, comprovam a sua paixão pelo livros.

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Seu gosto é eclético. Ele prefere as aventuras e já leu praticamente todos os tomos das obras Hobbit e Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien), Harry Potter (J. K. Rowling), entre outras obras divididas que fascinam os literatos de sua faixa etária. Mas conhece muitos títulos relacionados às mitologias grega e nórdica, história geral, história bíblica. Sem deixar de lado, é claro, as inenarráveis crônicas de Nárnia, Arquimedes, entre outros clássicos. “O interesse dele pela leitura não tem limites. Pode ser livro, revista, obra literária. Ele lê tudo”, acrescenta sua mãe.

Criatividade Além de um ávido leitor, Artur tem no desenho um instrumento para canalizar sua criatividade. Ele cria seus personagens. São heróis, animais, lutadores e o que mais sua imaginação permitir. Seres que hoje repousam em seus blocos de desenho, mas que poderão ganhar vida de uma hora para outra, já que o menino prodígio está começando também a se fascinar pela escrita. O que o menino se tornou por meio da leitura comprova o que muitos estudiosos afirmam. Que por meio da história, das ilustrações e da arte apresentada pelo livro a criança tem a possibilidade de apreender conceitos, descobrir novas palavras e possibilidades, de se divertir e de lidar com os desafios que a ficção coloca para os personagens. Que a leitura de histórias, especialmente de ficção, está associada ao desenvolvimento de várias habilidades sociais, entre elas a empatia, que envolve a capacidade de compreender sentimentos de outras pessoas, imaginando-se nas mesmas circunstâncias.


Foto: Divulgação

“A TV e o computador ensinam muitas coisas boas e não tão boas, como tudo na vida. Também há livros que são péssimos do ponto de vista da qualidade estética assim como do conteúdo. Ler é importante, mas é preciso atentar para o que se lê. Assim, usados de forma adequada, o computador e da TV podem ser altamente benéficos”, Adair de Aguiar Neitzel

Tudo na dose certa É primordial que a família esteja consciente da grande influência que a literatura tem no processo de formação da criança, pois as famílias que dão ênfase à leitura desde cedo, formam adultos com o caráter mais sóbrio, mais analítico, preparados para os desafios da vida diária, sensíveis às necessidades humanas e com uma mente mais ativa. No entanto, tudo tem que ser muito bem dosado, afinal, uma criança não pode crescer, em pleno Século XXI, alheia às inúmeras ferramentas tecnológicas que a cerca. A professora Valéria Ferreira diz que quando uma criança está em frente à TV, não quer dizer que ela está passiva. “Ela está é desenvolvendo mais algumas habilidades ao invés de outras. No computador também. Tudo depende do que ela está assistindo e o tempo em que ela passa”, explica. Inclusive, segundo a especialista, o desenvolvimento corporal mais amplo da criança pode ficar prejudicado ao passar muito tempo sentado. “As habilidades interpessoais podem ser prejudicadas pelo individualismo da atividade. Desta forma, penso que é importante ter experiências diversas. Experimentar novos desafios é importante para um desenvolvimento mais saudável”, complementa.

A opinião de Valéria é compartilhada pela professora Adair de Aguiar Neitzel. O problema, segundo ela, é quando a criança não equilibra as forças: assiste a TV demais e a seleção dos programas não passa pelo crivo dos pais. O mesmo se aplica ao computador. ‘Em síntese: precisamos ter equilíbrio nas nossas escolhas. Brincar, subir em árvores, ir ao parque, ler bons livros, usar o computador, assistir a bons programas na TV, entre outras atividades”. A especialista Maria Fernanda d´Ávila Coelho é enfática ao dizer que as diferenças são claras entre as crianças que crescem em meio aos meios digitais das que têm a infância mais lúdica. “Depois de anos acompanhando crianças nas escolas e com suas famílias é possível identificar com mais clareza as diferenças”, garante a professora. Segundo Maria Fernanda, a criança que lê e ouve histórias, que vai ao teatro, que pinta com tinta quando tem vontade, que dança, canta, enfim, que vive isso em seu cotidiano, demonstra ser uma criança mais segura para fazer escolhas, autônoma diante dos pequenos afazeres diários, crítica diante dos acontecimentos à sua volta e muito, muito mais criativa. “Já a criança que pouco se movimenta e fica horas em frente à TV, tablet, com27


Comportamento

putador e smartphones, apresenta apatia, mau humor, agressividade, impaciência, intolerância em situações simples do convívio social. Demonstra atitudes imediatistas, pressa para realizar tarefas que exigem concentração e dificuldade para focar na ação que precisa realizar”, complementa. Para Valéria Ferreira, o grande desafio é combinar os tempos de uso dos eletrônicos. “É interessante colocar à disposição materiais diversos para a criança brincar e não necessariamente brinquedos industrializados. Dar tempo

para conviver com outras crianças da vizinhança e incentivá-las a terem autonomia para realizarem pequenas tarefas sozinhas. Estimular a leitura, a ouvirem música, histórias das pessoas com quem convivem e promover o diálogo. Levá-las em atividades culturais e não ocupar todo o tempo delas com atividades escolarizadas”. E Maria Fernanda complementa: “Por isso recomendo aos pais o manual de orientação “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital” e muita arte na vida destas crianças”.

“É preciso primeiro reconhecer as especificidades etárias, habilidades e interesses individuais e coletivos das crianças. Perguntar-se todos os dias: Quem é a minha criança? O que ela precisa para se desenvolver de forma saudável? O que ela deseja? O que eu tenho oferecido e promovido a ela? O que eu quero para ela? São perguntas que colocam as famílias em contato direto com a formação que oferecem às crianças e as impulsionam na busca de mais conhecimento e informação para orientá-los”, Maria Fernanda d´Ávila Coelho.

Tudo a seu tempo... A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou em 2016 um manual de orientação “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”. O documento, inspirado em estudos e recomendações internacionais e adaptadas à realidade brasileira, é inédito no Brasil. Os estudos científicos apresentados neste documento comprovam que a tecnologia influencia comportamentos por meio do mundo digital, pela adoção de hábitos, muitos deles inadequados desde os primeiros anos de vida.

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Entre as consequências, estão ainda o aumento da ansiedade, a dificuldade de estabelecer relações em sociedade, o estímulo à sexualização precoce, a adesão ao cyberbullying, o comportamento violento ou agressivo, os transtornos de sono e de alimentação, o baixo rendimento escolar, as lesões por esforço repetitivo e a exposição precoce a drogas, entre outros. Todos com efeitos danosos para a saúde individual e coletiva, com graves reflexos para o ambiente familiar e escolar.


O papel do brinquedo educativo Ao encorajar situações de brincadeira se promove o desenvolvimento afetivo, cognitivo, a autonomia e o pensamento crítico independente da criança. Todos os brinquedos são importantes e estão relacionados com a aprendizagem e ao desenvolvimento humano e devem ser fonte de inspiração para a brincadeira, abrindo a possibilidade da exploração e manipulação. É aí que entra o diferencial do brinquedo educativo, pois um menino pode brincar de carrinho tanto com um pedaço de madeira, quanto com um brinquedo industrializado. O que lhe possibilita esta ação é a imaginação e a fantasia, que na infância são extremamente férteis, por isso as crianças podem criar com sucata brinquedos e objetos incríveis, ou brincar com brinquedos altamente tecnológicos. É nesse sentindo que o brinquedo e outros objetos podem ajudar a organizar as brincadeiras e, no momento em que estão sendo utilizados, adquirem um sentido simbólico. “É por meio do brincar que a criança sistematiza conhecimentos, formula hipóteses, conhece o outro e compreende a cultura. Os momentos de brincadeira contribuem para a

formação, a manutenção e a preservação dos processos cognitivos, afetivo-emocionais e socioculturais”, explica a doutora em educação Sandra Cristina Vanzuita da Silva, professora do Curso de Pedagogia e coordenadora do Projeto de Extensão Brincante da Univali. O professor das áreas de psicomotricidade e aprendizagem motora e mestre em Psicologia, Mauro José da Rosa, defende que a criança tem a necessidade de brincar para se desenvolver, conhecer e se conectar com o mundo que a cerca. Portanto, uma vez que se pensa em dar um brinquedo a ela, é importante que ele seja adequado a sua idade e ao seu desenvolvimento. “E o brinquedo adequado é mais do que um meio de gerar consumo e lazer. Ele é, também, uma forma de estimular a atividade criadora, possibilitando à criança desenvolver a inteligência, o afeto e sua capacidade de se relacionar com as pessoas”.

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Comportamento

Paradoxo Falar sobre a importância do brincar na Educação Infantil já se tornou lugar comum. A brincadeira é, de fato, a maior forma de aprendizado para crianças – seja através da imitação e repetição, ou da construção e exercício de imaginação e raciocínio. No entanto, ao mesmo tempo que os educadores defendem os brinquedos lúdicos e educativos, compreendem a dificuldade de se afastar uma criação da tecnologia em pleno século XXI. “Essa questão nos impõe um paradoxo, não é possível retroceder, as tecnologias estão à disposição de todos. Além disso, desenvolvem outras habilidades necessárias às demandas do mundo atual”, diz Sandra Vanzuita. No entanto, o que lhe preocupa são as atitudes dos adultos. “Os parelhos eletrônicos viram babás eletrônicas, as crianças acordam e vão para frente da TV, tablets, smartfhones, o que gera falta de interação, do estabelecimento de vínculos entre as pessoas. Tenho observado os adultos em restaurantes ou em outros espaços, que a primeira coisa que fazem é sentar a criança e colocá-la entretida com um destes aparelhos”. A opinião é compartilhada pela professora e mestre em Psicologia da Educação Marialva Spengler, da Univali. “A criança que está mais conectada às novas tecnologias tem um desenvolvimento diferenciado. Sabemos que não existe volta, então, precisamos usar essa tecnologia a nosso favor, para melhorar nossas relações e pesquisar novas formas de brincar ou de confeccionar brinquedos”, diz a especialista. “Não podemos negar a tecnologia. Nesse contexto, a alternativa é aliá-la a favor do desenvolvimento das crianças. Exemplo disso são alguns jogos que estimulam os movimentos corporais e outros jogos interessantes e educativos”, acrescenta Mauro José da Rosa. No entanto, o especialista alerta que é importante também estabelecer limites no uso das tecnologias para as crianças e adolescentes. “O ideal é que as duas compartilhem dos brinquedos e das tecnologia”.

O brinquedo para cada idade • De 1 a 4 meses o bebê passa da fase da observação ao agarrar com firmeza qualquer objeto à sua frente, como bichinhos de borracha, chocalho móbiles. • De 5 a 6 meses bolas, argolas e bonecas. • De 7 a 12 meses bichinhos, carrinhos, início de jogos de encaixes, cones, blocos. • Com 1 ano, brincadeiras de abrir e fechar, bater e abrir, brinquedos musicais, brinquedos de praia, balde, balões. • Entre 2 e 3 anos a criança aprecia música e canto, caminhões grandes, balanças e redes, tintas, colas, lápis, quadro-negro, papéis grandes, fantoches, panos, almofadas, pneus, caixas, bijuterias, dominós, quebra-cabeças simples, casas com mobiliário, bonecas com roupas, filmes, desenhos e livrinhos de história. • De 4 a 6 anos a criança evolui para jogos de encaixe, sequência lógica, jogos de praia, modelagem, construções, números e letrinhas, fantasias, jogos geométricos, bandinha, livrinhos, lápis. • De 7 a 12 anos, jogos em grupo, desafios lógicos, bolas de esportes, frescobol, equipamentos aquáticos, quebra-cabeças com muitas peças. Fonte: professor Mauro José da Rosa

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Desenvolvimento Infantil

5 UM JEITO INTELIGENTE 1

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DE BRINCAR

Construir um mundo novo para nossas crianças e ver a família toda brincando junto, deixando um pouco de lado as telas, tablets e smartphones, esse é o propósito dos brinquedos e jogos educativos, que unem a diversão de brincar ao desenvolvimento e aprendizado. Uma nova habilidade em cada brincadeira. Muitas novas aventuras através da imaginação.

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ão há adulto que não sinta saudades dos tempos que andava de carrinho de rolimã, brincava de casinha, pega varetas, pulava corda, montava verdadeiras cidades com os módulos em madeira monocromáticos do Engenheiro ou criava verdadeiras engenhocas com pedaços de madeiras e muita imaginação. É o resgate desses brinquedos e inúmeros outros, e a variedade de brinquedos criativos e diferentes que tornam a Eureka Brinquedos Criativos tão especial. A empresa, que se mudou de Itajaí para Balneário Camboriú há dois anos, completará em novembro deste ano cinco anos de mercado com um universo de brinquedos que encantam todas as idades: de zero a 99 anos. Segundo a proprietária Kariny, cada brinquedo tem o objetivo de desenvolver ou estimular alguma habilidade da criança, podendo ser física, de linguagem, cognitiva, afetiva e social, contribuindo em cada fase da vida. “Esse é o papel da Eureka, proporcionar às crianças um jeito inteligente de brincar”, acrescenta. Terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, pediatras, entre outros profissionais ligados às áreas de desenvolvimento infantil utilizam a linha de brinquedos da Eureka em suas atividades. São brinquedos de madeira, lúdicos, criativos, educativos, pedagógicos, científicos, de robótica, jogos, entre outros, que estimulam o aprender brincando, acrescenta Kariny.

A importância do brincar Para a professora e mestre em Psicologia da Educação Marialva Spengler, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), os brinquedos e brincadeiras são fundamentais no desenvolvimento e aprendizagem. “Ao manipular o brinquedo a criança está aprimorando sua atividade criadora, a percepção, a imaginação, o raciocínio, desenvolvendo assim a inteligência, a capacidade de apreensão e compreensão do mundo que a cerca”. Segundo a especialista, que inclusive já participou de oficinas na Eureka, quanto mais a criança puder interagir com o brinquedo, mais ela vai se desenvolver. O professor das áreas de psicomotricidade e aprendizagem motora e mestre em Psicologia, na Univali, Mauro José da Rosa, diz que brinquedos de montar, encaixar, os quebra- cabeças, auxiliam no desenvolvimento psicomotor da criança e desenvolvem e estimulam a capacidade de percepção, coordenação motora ampla e fina, lateralidade, estruturação espaço-temporal, limites, afetividade e ritmo. “Além de servirem como estruturação básica das capacidades motoras, cognitivas e afetivas-relacionais para o aprendizado da matemática, letramento, geografia”, acrescenta. A professora Marialva Spengler diz ainda que a criança deve agir sobre o brinquedo. “De acordo com Piaget a ação gera desenvolvimento e aprendizagem. Podemos construir os brinquedos com as crianças com materiais reaproveitáveis, as crianças podem brincar sozinhas ou com seus pares. O fundamental é que brinquem, pois brincando ela reflete, constrói, destrói e reconstrói seu mundo...”. 31

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MODERNIDADE E QUALIDADE DE ENSINO om a utilização do método construtivista o Centro Educacional Fazendo Arte elaborou a sua metodologia de ensino que propõe ao aluno a participação efetiva no próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo à dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. “Hoje a proposta do Centro Educacional Fazendo Arte é totalmente voltada para a educação infantil, onde trabalhamos todas as habilidades das crianças com idade entre zero e seis anos, respeitando as devidas faixas etárias, com foco no lúdico”, informa a pedagoga, psicopedagoga e diretora da instituição, Andréa Patricia de Méllo. A especialista defende a integração da criança com o meio no qual está inserida com a adoção de uma ampla programação fora da escola, pois são nessas ocasiões que surgem e se intensificam noções como proporção, quantidade, causalidade, volume, entre outras. O sistema de ensino proposto pela instituição também enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. Condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno. Já as disciplinas estão voltadas para a reflexão e autoavaliação. “É por meio do lúdico, associado ao que ela vivencia, que a criança forma o esquema que lhe possibilita agir sobre a realidade de um modo muito mais complexo do que podia fazer com seus reflexos iniciais, enriquecendo sua conduta dia a dia”, acrescenta Andréa. Assim, a criança constrói um mundo de objetos e de pessoas onde começa a praticar o discernimento. “Tanto é que não entregamos avaliações aos pais e sim um parecer vivencial, pois a criança não está aqui para ser avaliada e sim desenvolver suas habilidades”, completa.

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Foto: Joca Baggio

Qualidade de ensino e o bem estar da criança são diferenciais do Centro Educacional Fazendo Arte, que conta com duas unidades em Itajaí.

O bem estar da criança é prioridade A preocupação da instituição com relação a qualidade de ensino inicia com a adequação de cada espaço a ser utilizado pelas crianças e abrange uma série de quesitos que, mesmo parecendo irrelevantes, pode interferir no aprendizado. Entretanto, este zelo com o bem estar da criança tem seu ápice na escolha dos professores, que após a contratação recebem treinamento constante no sistema de formação continuada. Também são realizadas reuniões mensais para o planejamento para todas as turmas. “Essa preocupação com a qualificação dos nossos professores, monitores e demais profissionais que atuam junto a criança, o zelo com os alunos e a transparência que adotamos em nosso modelo de ensino podem ser vistos como diferenciais de nossa escola”, diz a diretora. O Centro Educacional Fazendo Arte disponibiliza turmas nos turnos matutino, vespertino, de seis horas; e o turno integral, de 12 horas. Além destas opções, a instituição também oferece o horário programado, que é ajustado às necessidades dos pais, desde que não interfira no aprendizado da criança. Hoje a escola conta com duas unidades, uma com 104 alunos matriculados e a segunda unidade, com 32 crianças. No entanto, a expectativa é de o atendimento da segunda unidade seja ampliado para 60 crianças até o final deste ano.


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Guilherme Seta, ator e aluno do Kumon.

UNIDADES: BAL. CAMBORIÚ Centro I (47) 3367-2345 Nações I (47) 3363-2295

ITAPEMA (47) 3267-1818

ITAJAÍ Centro I (47) 3045-1434 36 João I (47) 3349-4941 São Vila Operária I (47) 3311-4466

NAVEGANTES (47) 3065-3152


Matemática . Português . Inglês

www.kumon.com.br

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Pets

A importância dos animais de estimação na formação

Criança

Fotos: Dalazen Jr.

da

Com menos de um ano de vida a pequena Maya Melo de Souza já tira proveito do convívio com a cadela Kyara 38


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ais cedo ou mais tarde toda criança pede um animal de estimação. Essa é uma realidade em 90% das famílias com crianças, que veem do pet mais que um brinquedo que tem vida própria, mas sim uma companhia. E uma coisa é consenso entre pediatras, psicólogos e estudiosos do comportamento infantil: o animal provoca diversos estímulos na criança. O bebê exercita a coordenação motora fina ao ter de controlar sua força para acariciar um cachorro, um gato, um coelho. Treina a marcha ao engatinhar ou tentar andar - ou por vezes, correr - atrás do animal. Olfato, visão e audição também são estimulados pelos sons, cheiros e movimentos dos bichos. Além destes benefícios, o mascote, sobretudo o cachorro, faz ainda com que a criança exercite sua autoridade num mundo de “adultos-juízes”, que arbitram sobre a vida dela o tempo todo. “Já é sabido, há muito tempo, que valores como companheirismo, afeto e hábitos de responsabilidade para com o outro são acentuados no convívio das crianças com os animais de estimação, além do aprendizado quanto às rotinas do dia a dia, como hora de comer, brincar, dormir, necessidades fisiológicas”, explica a médica pediatra Cíntia Ferreira Leão. Segundo a especialista, ninguém nasce social, afetivo e respeitoso. “Torna-se assim se houver, no convívio, o aprendizado com o outro, que é alguém que se dispõe a parar, escutar, olhar e falar conosco, ou demonstra interesse através de gestos”, acrescenta. Para a veterinária e mãe Fernanda Sedrez, da Clínica Veterinária e Pet Shop Espaço Animal, de Itapema, ter um animal de estimação ajuda a estimular o afeto, carinho e a convivência com humanos. “Crianças que cuidam dos seus animais, fazendo trocas de água, colocando alimento e com os cuidados da higiene crescem mais preparadas para as frustrações do mundo”, explica Fernanda. Cíntia acrescenta que, o animal demanda atenção, carinho, respeito, dedicação. “Este convívio é um dos instrumentos que podem ajudar no desenvolvimento da criança, especialmente se ela e os pais gostam de animais de estimação”, diz a pediatra.

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Pets

Foto: Divulgação

A veterinária Fernanda Sedrez com seu filho Lucas e as cadelas Linda e Tuffinha

Crianças e pets, o convívio ideal

ele nunca esquece de falar os nomes delas”, relata Fernanda. Mas certos cuidados são necessários para que haja uma conPesquisa publicada pela Universidade de Nebraska, nos Es- vivência pacífica entre as crianças e os pets. A veterinária extados Unidos, examinou os efeitos da presença de um cão na plica que, em primeiro lugar a criança deve ter conhecimento família com crianças em idade pré-escolar e verificou uma de que todo animal também sente medo, então ao puxar o diminuição da pressão arterial, frequência cardíaca e estres- pelo ou empurrar, o mascote pode tentar se defender e acase comportamental quando comparado às crianças sem a bar machucando a criança. “Alguns animais, por exemplo, não aceitam que mexam em sua comida. companhia do pet. Outra pesquisa americana estudou 643 crianças com idade “As crianças criam laços com “Então respeitar seu espaço é muito importante”. entre quatro e dez anos, formando dois grupos, com e sem cachorro. Das que os pets assim como com seus Fernanda diz ainda que crianças tinham cachorro, 12% foram diagnostifamiliares, e sentem segu- muito pequenas não têm essa consciência e podem ficar traumatizadas cadas com estresse e ansiedade, númerança, pois a troca de carinho e com medo de animais. Para evitar ro bem menor que no grupo sem o cão esse tipo de problema a veterinária de estimação, que apresentou 21% das é mutua, pois os animais diz que o ideal é optar por um filhocrianças com esses problemas. depositam todo o carinho e te, assim a adaptação se torna mais Há ainda estudos que evidenciam os confiança nos seus tutores”, fácil. “No caso de mascotes já adulbenefícios do contato com cães ao sistos, o ideal é conhecer bem o temtema imunológico de bebês, apontando Fernanda Sedrez. peramento do animal para que ele que crianças que tiveram o convívio com não acabe assustando a criança, pois animais teriam menor chance de desenvolver alergias e der- eles se assustam com maior facilidade e podem morder ou matites do que crianças que não tiveram esse contato com o arranhar”. animal. No entanto, com a presença de um animal na casa, as Fernanda ressalta ainda que na hora de escolher o porte e crianças precisam aprender desde cedo que existem regras raça do cão, os pais precisam levar em conta o grau de agresde respeito ao próximo. Um desafio para os pais é o de impor sividade do animal, pois animais de grande porte, mesmo que sejam criados com muito carinho, podem se assustar e, os limites à criança, como o de respeitar o espaço do animal. A veterinária Fernanda Sedrez conta que seus cães são cria- sem intenção acabar machucando a criança. “Mas tudo é um dos como filhos e o convívio de Lucas com Linda e Tuffinha aprendizado. Devemos, em primeiro lugar, ensinar o afeto e é bastante saudável. “Sinto que meu filho tem relação tanto respeito ao animal para que a criança imite os nossos gesde ciúmes, como também aceita todos com uma relação de tos e assim haverá recíproca do animal, pois não é à toa que família, como irmãos que dividem seus brinquedos. Tanto é o cão é conhecido como fiel companheiro”, complementa a que, quando perguntado para ele quem mora em nossa casa, pediatra Cíntia Ferreira Leão.

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA ORIENTA PAIS COM RELAÇÃO AOS PETS Embora existam várias razões que justifiquem a aquisição de um animal de estimação, não se deve esquecer que se trata de um animal irracional domesticado, podendo levar a riscos de mordedura com sérias lesões. Desta forma, a Sociedade Brasileira de Pediatria, há uma série de cuidados que as famílias precisam ter com relação ao convívio com os animais de estimação. São alguns deles:

• Se houver criança pequena em casa, os pais devem analisar bem antes de adquirir um cão, porque criança pequena nunca pode ficar sozinha perto de cão. Portanto, é preciso observar o momento oportuno e seguro para adquirir um cão. • Antes de adquirir um cão, informar-se com um veterinário sobre as raças mais adequadas e mais mansas. Cães de raças reconhecidamente agressivas (Pit bull, Rottweiler, Pastor alemão, Doberman, etc.) não são recomendados. Também deve-se ter atenção aos cruzamentos porque podem gerar animais perigosos. Para crianças maiores, recomenda-se cão de raça dócil. • Observar bem o comportamento do cão antes de levá-lo para casa. • Cão de comportamento agressivo, independentemente da raça, não deve ficar em casa que tenha criança. • Cães castrados geralmente são menos agressivos. • O cão necessita de treinamento, socialização e educação, orientados por pessoa habilitada. Nunca se deve estimular a agressividade do cão e, sim, comportamento submisso. • As brincadeiras entre crianças e cães devem ser supervisionadas por adultos.

• Não se deve importunar o cão, principalmente durante a alimentação, o sono, se tiver filhotes ou se estiver com aparência de doente. • Não se deve puxar as orelhas, as patas e o rabo; nunca colocar o dedo nos olhos do animal; não tomar brinquedo que esteja com o cão. • Manter as vacinas em dia, cuidar da higiene e da saúde do cão. • Orientar as crianças para não se aproximar ou brincar com animal estranho. • Cão pequeno e de raça mansa não são garantia de que não morderá alguém. • As crianças precisam receber orientações sobre as maneiras adequadas para lidar com o animal, como não provocar ou machucar o cão. Se houver provocação ou agressão, mesmo o cão de raça dócil poderá morder. • São sinais sugestivos de ataque iminente por alguns mamíferos: pelo eriçado, dentes à mostra e rosnado, orelhas eretas e para frente, cauda elevada e reta e contato visual prolongado.

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Fisioterapia

PEDIASUIT, UMA

REVOLUÇÃO NAS TERAPIAS

NEUROFUNCIONAIS

Foto: Divulgação

O Protocolo PediaSuit é hoje um método de grande procura pelas famílias de todos os lugares do Brasil e do mundo, devido ao seu excelente desempenho nos resultados obtidos pelos pacientes que participam da terapia com o uso deste método

O tratamento tem indicação para pacientes com paralisia cerebral, autismo, mielomeningocele, síndrome de Down, acidente vascular encefálico, traumatismo crânio encefálico, entre outros.

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s avanços tecnológicos são uma constante e representam um imenso progresso em nosso cotidiano. Estão presentes em praticamente toda a nossa rotina e transcendem as facilidades do nosso dia a dia. No caso das pessoas com deficiências, a tecnologia pode representar uma possibilidade de reabilitação, independência, autonomia, qualidade de vida e inclusão social, como no caso do PediaSuit, um aparelho desenvolvido na Flórida com base na tecnologia empregada na vestimenta dos astronautas e que, no campo

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da neurologia, possibilita potencializar ganhos motores e funcionais em crianças e adultos com sequelas de lesões neurológicas. A fisioterapeuta especialista em fisioterapia neurofuncional com ênfase na criança e no adolescente, Vanessa Ghattás Testoni, explica que o PediaSuit é um protocolo de tratamento intensivo que tem como objetivo principal a recuperação cinética funcional em decorrência dos distúrbios que afetam o movimento, a dinâmica circulatória e a integridade músculo-esquelética, principalmente.


O conceito de órtese de retificação postural foi estudado inicialmente na Polônia, na década de 70, onde astronautas russos, que após passar mais de 300 dias no espaço, perdiam força muscular devido à falta de gravidade. A partir desses dados, notou-se que poderia ser adaptado para reabilitação fisioterapêutica.

Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Vanessa Ghattás Testoni

Indicações e benefícios O protocolo tem indicação para pacientes em tratamento de deficiência motora em consequência de causas neurológicas: paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento neuropscicomotor, ataxia, atetose, autismo, traumatismo cranioencefálico, síndrome de down, síndromes genéticas, mielomeningocele e mal formação congênita. Já os benefícios terapêuticos proporcionados são, segundo a especialista: aumento da densidade mineral óssea, ganho de força muscular, propriocepção, equilíbrio, melhora na coordenação motora, consciência corporal, modulação de tônus postural anormal, alinhamento corporal e reequilíbrio biomecânico. “Resultados que proporcionam melhor qualidade de vida, maior variedade de movimentos seletivos e o desenvolvimento das atividades funcionais”, complementa. Em termos práticos, isso quer dizer que crianças que não seguravam a cabeça e não movimentavam as pernas, passaram a realizar esses movimentos após os protocolos. “Melhoraram a postura, passaram a se adequar a espasticidade e melhoraram a funcionalidade. Consequentemente sentam melhor, comem melhor, melhoram também a autoestima”, relata Vanessa, acrescentando que “o ritmo de estimulação deve ser mantido após a realização do protocolo, a fim de manter os resultados obtidos.

O suit, que é a roupa utilizada no protocolo, contém touca, colete, short, joelheira, tênis e um sistema de elásticos ajustáveis às necessidades de cada paciente, que desempenha o papel de um esqueleto externo, reproduzindo a ação da musculatura e possibilitando uma série de intervenções específicas. Foto: Divulgação

“O protocolo utiliza uma órtese dinâmica, neste caso o suit, que é uma roupa que foi desenvolvida com o objetivo de neutralizar os efeitos nocivos da ausência de gravidade e hipocinesia sobre o corpo, tais como a perda de densidade óssea, a alteração da integração das respostas sensoriais, a atrofia muscular, a alteração da integração das respostas motoras e as alterações cardiovasculares”, explica Vanessa, que também é mestre em saúde e gestão do trabalho e trabalha com o método há dois anos, na Vincere – Centro de Fisioterapia, em Balneário Camboriú. Segundo a especialista, essa roupa - desenvolvida com base na descoberta de cientistas e especialistas em medicina espacial, do programa espacial russo e que consiste em touca, colete, short, joelheira, tênis e um sistema de elásticos ajustáveis às necessidades de cada paciente - cumpre a função de um esqueleto externo (exoesqueleto), reproduzindo a ação da musculatura e possibilitando uma série de intervenções específicas realizadas pelos profissionais, com resultados de desenvolvimento surpreendentes.

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Viagem

BEM VINDOS A BORDO

PASSAGEIROS

MIRINS

“Quando decidimos viajar com um bebê de 10 meses todo mundo dizia: ‘Vocês são loucos, ele é muito pequeno, não vai aproveitar e vocês vão só se incomodar’. Ah se eles pudessem viver um décimo do que vivemos, certamente mudariam de opinião”

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Fotos: Divulgação

mamos viajar, conhecer novos ambientes, culturas diferentes ou simplesmente estar em um avião partindo para algum lugar do mundo. Quando o Antônio nasceu sabíamos que os planos seriam um pouco diferentes, mas que não deixaríamos de seguir viagem. Sempre ouvíamos os casais falando: “Primeiro vamos aproveitar bastante, viajar e depois ter filhos”. É estranho como o filho é visto, por muitos, como um problema, alguém que irá te impedir de aproveitar a vida. Mero engano. As viagens mudam, as hospedagem passam a ser melhores planejadas, os gastos aumentam (um pouco), trocamos os passeios noturnos por diurnos e aprendemos a curtir cada detalhe com o olhar curioso de uma criança.

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einert e Rafaella R rruda Fernando A


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Viagem

Voltando a ser criança Nosso primeiro roteiro a três foi um sonho, um verdadeiro conto de fadas. Disney e seus parques encantadores, e sim, cheios de atrações para todas as idades. Os trâmites da viagem internacional para criança são praticamente os mesmos de um adulto. As taxas do passaporte, que até um ano de idade é válido apenas por 12 meses, custam o mesmo valor e o visto também é necessário, caso a viagem seja para algum destino que exija. Em contrapartida, a maioria das companhias não cobra passagem de crianças até dois anos de idade, nem os hotéis e tão pouco os parques do complexo Disney. O voo, uma das principais preocupações dos pais, não é bicho de sete cabeças. Quanto menor a criança melhor a relação com as horas dentro de um avião, mais tranquilidade para dormir com conforto no berço disponível na aeronave e também com a alimentação, pois geralmente bebês que mamam suprem todas as suas necessidades com o leite materno. No entanto, cada criança é única e pode reagir de forma diferente com a mudança de ambiente, de cidade ou de país. Mas com certeza a forma como os pais encaram essa saída da rotina é o que faz a diferença. E foi dessa forma leve e divertida que vivemos quinze dias mágicos, em que pais e filho mergulharam num mundo de fantasia sem igual. Shows de luzes e fogos, musicais, teatros, personagens, colo, soninhos no carrinho, frutas, compras, risadas, apoio de carregadores ergonômicos, choro (claro que tem), locais adaptados para crianças, amamentação, cansaço, lembranças, muitos registros de cada um desses momentos que agora fazem parte do nosso álbum de família.

Criando filhos no mundo Uma decisão muito difícil de tomar é partir para uma aventura como essa que estamos vivendo nos últimos meses. Agora não são mais 15 dias e sim quatro meses que podem se tornar anos. Criar os filhos longe do seu país de origem é um desafio, mas também uma oportunidade para que a criança cresça conhecendo e vivenciando outra cultura, outro idioma e inúmeras experiências. Quando escolhemos o Canadá, procurávamos um país com histórico de ser receptivo para brasileiros, respeitoso, de pessoas educadas e com baixo índice de violência, ou seja, um lugar tranquilo para se criar filhos. E desde o dia em que chegamos aqui temos recebido muitas mensagens de amigos e da família questionando como está a adaptação do Antônio. Ãhn? Precisamos confessar que ele está mais do que adaptado. Reconhece o parque na esquina, o apartamento, os amigos novos que falam português e até aqueles que vieram lá do outro lado do mundo. Sabe de uma coisa? Quem precisa de adaptação somos nós adultos, cheios de manias, de bloqueios com idioma, clima, trans-

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porte, comidas, vizinhos. Se a gente pudesse aproveitar as viagens como as crianças, certamente seriam passeios muito mais proveitosos e repletos de novidades. Crianças são curiosas, observadoras, carismáticas, inocentes e livres. E o resultado disso é uma vida com mais sentido, com amigos ao redor, mesmo que não falem a mesma língua, mas compartilham da mesma pá e do mesmo baldinho na caixa de areia. A linguagem do sorriso é universal, e funciona super bem.

Carta ao Brasil Querido Brasil, não estamos lhe virando as costas. Pelo contrário, queremos muito o seu bem, pois é neste país que vivem pessoas que amamos muito, e que por sinal, estamos com muitas saudades. Mas percebemos que é preciso respirar novos ares, oxigenar o cérebro, viver experiências diferentes para aprender a valorizar aquilo que nos proporcionas. Chegamos a conclusão que o lugar perfeito não existe, são as pessoas que fazem deste lugar bom ou ruim em diversos aspectos. A única certeza que temos é que o mundo é gigante, que Deus nos criou com pernas e não raízes, e que, portanto, seguiremos nossa caminhada, em busca do novo sempre. Os autores são jornalistas e pais do Antônio, que tem dois anos, e estão vivendo no Canadá. As aventuras da família podem ser acompanhadas nos perfis do instagram @antonionagringa e @niagaraexperience

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Fotos: D&G/Divulgação

odelos vintage que nos remetem à décadas passadas, ao lados de estampas muito divertidas, cores vibrantes e tons pasteis. Isso que prometem os estilistas e designers de moda infantil para as coleções 2017-18. Coleções leves e divertidas com inspirações trazidas de diferentes referências: natureza, culturas distantes, décadas passadas e o universo mágico dos contos de fadas. Criações com pegadas vintage e lúdicas. As cartelas de cores também remetem aos tons nostálgicos e doces. Têm os tons pasteis com suas muitas variações e nuances, ora delicadas, ora em tonalidades mais chamativas. Destaque para o verde, laranja, rosa, cinza, azul, amarelo, chocolate, azul, bege, caramelo, amarelo e roxo. E o preto, claro, é eterno.

A coleção infantil 2018 da dupla de estilistas italianos, Domenico Dolce e Stefano Gabbana, é para todos os gostos. Os florais em fundo preto dão um ar vintage e nostálgico. 58


Fotos: Gucci/Divulgação

Roupas coloridas, com babados, bichinhos, tecidos leves e confortáveis, serão o ponto alto de muitas coleções primavera/verão. Em contrapartida, as releituras de clássicas peças do vestuário adulto em tecidos mais pesados ora coloridos, com estampas vibrantes; ora em tos sóbrios e com estampas clássicas, dominam as criações das coleções outono/inverno. As meninas ainda poderão contar com uma infinidade de opções de peças, que prometem agradar a todos os gostos, desde as meninas mais românticas, às mais descoladas. O que não é diferente para os meninos. As criações conferem a eles muito charme na hora de se vestir, seja para brincar, estudar ou sair na companhia dos pais.

A Italiana Gucci aposta no romantismo contemporâneos com inusitadas combinações de tecidos, bordados e rendas.

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Moda

Massimo Dutti imprimiu o classicismo da grife inglesa Burberry à coleção kids, aliado, é claro, ao inconfundível xadrez que imortalizou a marca.

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Fotos: Burberry/Divulgação


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Fotos: D&G/Divulgação

Moda

Ousados, os designers da Dolce & Gabbana se inspiraram no cotidiano para criar um formalwear adaptados. É o guarda-roupa dos homens é reinterpretado em tamanhos menores para os pequenos senhores e os clássicos da moda feminina em deliciosas releituras para as pequenas senhoras. 68


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CREDITO: Dior/Divulgação

Moda

Foi nada menos que Paris a inspiração da Maison Dior para sua coleção hiver/17, recheada de blazers, trench coats e cardigans que são a cara do inverno francês. 72


CREDITO: D&G/Divulgação

As estampas florais com uma pegada romântica, criadas exclusivamente para a Dolce & Gabbana caem bem em vestidos, jaquetas e também para a coleção bebê. 73


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Decoração

Alie tendência e conforto na hora de planejar o quarto do bebê

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a hora de planejar o quarto do bebê, o conforto e a funcionalidade são essenciais. Mas nada impede que você alie a isso as tendências de decoração do momento, criando assim um ambiente também aconchegante, afinal, o novo morador tem direito a combinações que resultem em um espaço agradável, reconfortante e bonito. E não deixe para a última hora, pois o espaço para a criança precisa ser pensado bem antes dela vir ao mundo. As principais novidades de decor para os anos de 2017-2018 abrem muitas opções, que vão do lúdico ao rústico. No entanto, uma coisa os pais precisam ter em mente: o local pede uma mobília básica e funcional, capaz de deixar o ambiente bonito e também facilitar a rotina de cuidados com o recém-nascido. Os móveis com cores claras e suaves são os mais procurados, mas as peças coloridas estão ganhando destaque no setor de decoração.

Para deixar o quarto do bebê com um visual mais lúdico e personalizado, vale a pena apostar no papel de parede. A escolha da estampa e das cores do material deve ser feita baseada no tema que inspirou a decoração. Outra forte tendência para 2017-2018 é a texturização, assim as paredes não ficam apenas coloridas e desenhadas, mas ganham texturas diferenciadas, inspiradas em camurça e linho, puras ou complementadas adesivos, tecidos, detalhes em gesso e painéis de MDF.

A estética provençal é clássica, leve, sofisticada e a grande vedete da temporada quando o assunto é quarto de bebês. Esse estilo valoriza cores claras e neutras, linhas tradicionais e detalhes elegantes, o que resulta em um layout aconchegante e suave. E a versatilidade do estilo de adequa a espaços que podem ser clean, lúdicos, assim como compor com variados tipos de revestimentos, texturas e complementos. 78


Tão importante quanto a mobília e revestimentos é o projeto de iluminação, pois o excesso de luz pode atrapalhar o sono do bebê e, a falta dela, tirar a funcionalidade do ambiente. Para não errar aposte na iluminação indireta do ambiente pensando em criar um espaço de descanso e também em facilitar as mamadas. Use abajures nas mesas de canto, luzes de LED nos móveis, arandelas, nichos e sancas.

Os artigos de madeira, que já fizeram tanto sucesso na decoração infantil, estão de volta com tudo. O quarto do bebê pode ser decorado com um berço de madeira ou mesmo com brinquedos confeccionados com esse material, que harmoniza muito bem com praticamente todas as cores. A presença das peças têxteis é também indispensável para deixar o quarto do bebê com uma aparência mais aconchegante. Na hora de escolher cortinas e lençóis dê preferência ao algodão natural e outros tecidos orgânicos. As fibras naturais têm uma manutenção mais fácil e não agridem tanto a pele sensível do bebê. Com relação ao acabamento, o momento é ideal para apostar em renda e tafetá. Com relação às cores, o verde, que foi a principal tendência de decoração infantil em 2017, deve continuar em alta no próximo ano. Ele pode aparecer nas estampas da roupa de cama, no papel de parede e até mesmo numa planta colocada no quarto do bebê. Os diferentes tons de verde trazem a natureza para dentro do ambiente. 79


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Revista Mundo da Criança 2017  

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