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ANO 3 SETEMBRO 2016 EDIÇÃO 4 | www.bteditora.com.br

DE OLHO NO

FUTURO

Atividade física desde a infância melhora a capacidade motora,

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

MINIATURINHAS

Inspire-se com looks iguaizinhos para você e seu filhote

cognitiva e reflete

nas demais fases

Comidinha

NATUREBA

A crescente

preocupação com

alimentos orgânicos e sem conservantes

+

Conheça o método BLW

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A revista que faz brilhar os olhos

Foto: 2 Guma Miranda Modelo: Isabella Costa de Almeida


Editorial Todo pai e mãe já ouviu falar que brincando se aprende muito. A dificuldade está justamente em inserir brincadeiras no dia a dia dos pequeninos que os façam refletir sobre saúde, consumo, consciência e outros aspectos que contribuirão para a formação. Nossa reportagem especial desta edição traz justamente como a prática esportiva pode ser proveitosa se for iniciada com brincadeira. Numa época em que a tecnologia toma conta dos lares, está cada vez mais difícil tirar os filhos da frente da tela, seja do computador, tablet, celular.

ANO 3 SETEMBRO 2016 EDIÇÃO 4 | www.bteditora.com.br

DE OLHO NO

FUTURO

Atividade física desde a infância melhora a capacidade motora,

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

MINIATURINHAS

Inspire-se com looks iguaizinhos para você e seu filhote

cognitiva e reflete

nas demais fases

Mais complicado ainda é fazer com que se interessem por uma atividade física. Assim é que surge a brincadeira e o trabalho de profissionais que conseguem iniciar as crianças nos esportes de forma lúdica. Essa aparente carência de pretensão é que, muitas vezes, acaba por formar crianças bem desenvolvidas cognitiva, motora e emocionalmente. Além de tudo isso, o esporte, segundo trazemos na reportagem, forma adultos concentrados, com disciplina e mais organizados. Outra dica muito bacana desta edição é o método BLW. Uma nova maneira como pais estão inserindo alimentos inteiros na alimentação de bebês, fazendo com que se familiarizem com texturas e sabores de forma natural. Temos ainda dicas sobre as atrações que você não pode perder quando levar seu filho à Disney, delicinhas que lembram as comidas da vovó, mas são super fáceis de fazer e muitas orientações de especialistas sobre saúde e desenvolvimento. Está imperdível!

Comidinha

NATUREBA

A crescente

preocupação com

alimentos orgânicos e sem conservantes

+

Conheça o método BLW

A revista Mundo da Criança não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados, que são de inteira responsabilidade de seus autores. Tampouco pelo crédito e fotos inseridas nas páginas dos nossos anunciantes.

Expediente Diretor Carlos Bittencourt carlos@bteditora.com.br Jornalista responsável Marjorie Basso jornalismo@bteditora.com.br Reportagem Karine Mendonça jornalismo@nightecia.com.br

Projeto gráfico Leandro Francisca Comercial Sônia Bittencourt 47 . 8405.9681 Rose de Souza 47 . 8405.8773 Críticas e sugestões Fone: (47) 3344-8600 direcao@bteditora.com.br

BT Editora Rua Anita Garibaldi, 425 | Centro | Itajaí | SC 47 3344-8600 | bteditora.com.br Impressão Tipotil Indústria Gráfica Tiragem: 10 mil exemplares

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Opinião

Refluxo Gastroesofágio (RGE) X Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

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refluxo gastroesofágico (RGE) é a condição que mais comumente acomete o esôfago, sendo uma das queixas mais frequentes em consultórios de Pediatria e de Gastroenterologia Pediátrica. O RGE consiste na passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, com ou sem regurgitação e/ou vômito. É um processo considerado normal, fisiológico, que ocorre várias vezes ao dia em lactentes, crianças, adolescentes e adultos, quando ocasiona poucos ou nenhum sintoma.

tentes, adolescentes e adultos, torna-se difícil, em algumas situações, diferenciar este processo da condição patológica, a DRGE. Existe um grupo de pacientes pediátricos que possui um maior risco de apresentar doença do refluxo, enfermidade crônica mais grave, e suas complicações, que são os neuropatas, as crianças com sobrepeso e obesidade, os portadores de síndromes genéticas, de atresia de esôfago operada, de doença pulmonar crônica e os prematuros.

Através dos exames complementares, procura-se: documentar a presença de RGE ou de suas complicações, estabelecer uma relação entre o RGE e os sintomas, avaliar a eficácia do tratamento, além de excluir outras condições. Como nenhum método diagnóstico pode responder a todas essas questões, para a adequada avaliação do paciente, o médico deve realizar uma história e exame clínico detalhados, objetivando definir a melhor terapia e/ou exame de investigação para cada paciente.

Por outro lado, pode representar uma doença (doença do refluxo gastroesofágico — DRGE) quando causa sintomas ou complicações, que se associam à morbidade importante. O diagnóstico de DRGE é primariamente clínico. Apesar da ampla gama de exames diagnósticos disponíveis, nenhum deles é considerado padrão-ouro. Em lactentes, com sintomas leves e nenhum sinal de alerta, a terapêutica farmacológica é desnecessária. Esses lactentes são considerados “vomitadores felizes” e, por isso, não necessitam de tratamento medicamentoso. Como o RGE é fisiológico e ocorre diariamente em todas as crianças, lac-

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Fonte do texto acima: Doença do refluxo gastroesofágico: exageros, evidências e a prática clínica- publicado em J. Pediatr. (Rio J.) vol. 90 nº 2 Porto Alegre/Apr.2014

Caroline de Moraes Penno CRM/SC 16792 Pediatra/Gastropediatra Realiza atendimentos junto a CDM (Clínica da Mulher), localizada na Rua Zózimo José Peixoto, 166, bairro Centro, Itajai-SC Marcação de consultas através do telefone (47) 31583100


Opinião

O Ecocardiograma Fetal: indicações, riscos e benefícios

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regular acompanhamento gestacional por médico obstetra é base fundamental da saúde pública nacional. Entre as avaliações disponíveis neste período, encontra-se o ecocardiograma fetal, o qual consiste em ultrassonografia transabdominal especializada do coração do bebê, realizada por médico ecocardiografista, familiarizado com os diferentes aspectos da anatomia cardíaca antes e após o nascimento. O período idealmente preconizado para a realização do exame é entre a 18ª e 24ª semanas de gestação, contudo, é possível realizá-lo posteriormente, com imagens de excelente qualidade por volta da 28ª semana de gestação. Através deste exame, é possível avaliar o tamanho, a posição, a função e o ritmo do coração, assim como detectar possíveis malformações relacionadas a estruturas cardíacas, vasculares e arritmias fetais. Avalia-se também a função do coração estruturalmente normal, quando há ou doença materna ou bebê que apresente doenças extracardíacas, que possam repercutir na hemodinâmica fetal. Historicamente as indicações de realização do ecocardiograma fetal estão relacionadas a gestações de risco, fatores maternos (como história familiar de cardiopatia congênita, diabete melito, lúpus eritematoso sistêmico, uso de medicações com ação no coração fetal) e fatores obstétricos (neste grupo encontram-se as alterações ao ultrassom obstétrico, sendo o grupo de maior risco de cardiopatia congênita, incluindo-se a translucência nucal aumentada, arritmias e hidropisia fetal). Entretanto, algumas sociedades têm recomendado este exame como rotina obstétrica pré-natal, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que publicou em 2004 as Diretrizes para Indicações e Utilização da Ecocardiografia na Prática Médica (Arquivos Bra-

sileiros de Cardiologia, Vol.82 pág. 11-34, 2004), pois há importante porcentagem de cardiopatias diagnosticadas apenas em períodos pós natal, em gestações de baixo risco. A detecção precoce de cardiopatias congênitas é fundamental como instrumento de saúde pública, permitindo o planejamento terapêutico intraútero, quando indicado, assim como o planejamento de suporte para nascimento do bebê em hospital adequado, com suporte avançado intervencionista e cirúrgico cardiológico. O exame não apresenta riscos nem à gestante nem ao feto, pois não é invasivo e é realizado através de ultrassom, sem radiação associada.

Luciano Pereira Bender CRM/SC 23077 Pediatra – RQE 13964 Realiza atendimentos junto a CDM (Clínica da Mulher), localizada na Rua Zózimo José Peixoto, 166, bairro Centro, Itajai-SC Marcação de consultas através do telefone (47) 31583100

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Sumário

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Nos trinques

Com nichos, arquiteta ajuda a manter o quarto dos pequeninos sempre em ordem

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Aprendizado facilitado

Por que investir na educação bilíngue logo nos primeiros anos de vida

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Gerenciamento

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Pelos ares

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Repaginados, balões surgem como protagonistas da decoração

Viagem

Crescimento

Especialistas garantem: esportes auxiliam no desenvolvimento motor, cognitivo e até social

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Lifestyle

Tendência do momento, moda tal mãe, tal filho chega ao seu guarda-roupa

Saiba quais são as atrações imperdíveis nos parques da Disney

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Não se engane, filhos precisam de qualidade e quantidade de tempo junto com os pais

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De peito aberto Os dilemas do aleitamento materno

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Sem agrotóxicos

Pais investem tempo e dinheiro para produzir comidinhas 100% orgânicas


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Cotidiano

Baguncinha em ordem

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ma dúvida recorrente para as mães de primeira viagem é como manter o quarto das crianças sempre bem organizado, sem enlouquecer a cada vez que a criança resolve tirar os brinquedos do lugar. “Pode parecer uma tarefa complicada, mas se cada detalhe for pensado e planejado cuidadosamente, é possível organizar e manter a decoração do ambiente sem muito esforço”, afirma a arquiteta Érica Salguero. É importante que ao planejar os móveis, a circulação no ambiente seja prioridade, para que brinquedos não acabem comprometendo a entrada do quarto. Pensar nas divisões dos armários, bem como sua posição dentro do quarto, são fatores que também colaboram para que seja mais fácil arrumar a bagunça. Confira as dicas da arquiteta Érica:

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Inclua os brinquedos na decoração do ambiente Quando os brinquedos ficam aparentes em nichos vazados, prateleiras e estantes, é muito mais fácil que a criança encontre o que procura, evitando uma bagunça desnecessária. Também é possível planejar quartos como se fossem grandes brinquedos, em que cada espaço é pensado para unir lazer e organização. Por exemplo, faça um escorregador na cama e aproveitando o vão em baixo coloque nichos e gavetas, ou coloque uma escadinha que dê acesso a uma casinha de bonecas acima da cama. A escada pode ter gavetas em seus degraus. Skates e pranchas de surf podem ser transformados em prateleiras para o quarto, deixando a decoração bem divertida.

Melhores escolhas: baús, nichos e prateleiras Com a ajuda de baús, caixas organizadoras transparentes, gavetas, cestos e estantes é possível organizar os brinquedos, materiais de pintura, papéis e livros. O mais importante é sempre escolher materiais de qualidade e com segurança, para que as crianças tenham a liberdade de acesso aos seus brinquedos, sem que haja risco de se machucarem. Existem vários tipos de fechos e amortecedores que impedem, por exemplo, de as crianças prenderem os dedos nas portas.

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Cotidiano

Escolha a Iluminação certa O projeto de luminotécnica pode ser pensado de forma que dê destaque aos brinquedos, utilizando lâmpadas como dicroica e fita de led. Há várias opções como usar pontos com focos de luz ou nichos e prateleiras iluminadas.

Não acumule brinquedos As crianças se desenvolvem muito rápido e com o tempo alguns tipos de brinquedos deixam de ser usados e o perfil vai mudando conforme ela cresce. É importante ficar atendo às fases e não acumular brinquedos velhos. Ao doar os brinquedos não usados e fora da faixa etária de seu filho, além de fazer feliz uma criança carente, você vai ter mais espaço para guardar os brinquedos que realmente são usados.

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Opinião

s o m o C s o n e u peq pela * Por Patrícia Wippel

I

r à Disney com crianças nem sempre é uma tarefa tão fácil. Os pequenos se empolgam tanto com tudo, que é difícil manter o controle! Mas ver tanta emoção transbordando é um dos momentos mais marcantes e mágicos de se viajar com crianças para o lugar mais feliz do mundo. Os parques da Disney possuem atrações que garantem diversão para qualquer idade.

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Paradas e shows noturnos

A entrada de todos os parques tem um display com mapas e horários de atrações em diversos idiomas. Sempre guarde um de cada para se orientar e não perder as paradas, que reúnem os personagens da Disney em uma espécie de trio elétrico, com muita música e animação em diferentes horários do dia. E de noite, tem os shows especiais no Hollywood Studios, Magic Kingdom e Epcot. Vale a pena driblar o cansaço e esperar para se impressionar com os espetáculos que reúnem música, fogos e projeções.


Trem da mina dos Sete Anões

Indicado para crianças pequenas, é um passeio de trem que faz uma espécie de tour pela mina dos sete anões, com bonecos que se movimentam e a música tema do filme ao fundo. Verifique sempre a altura permitida na entrada dos brinquedos.

Musical do Rei Leão

Procurando Nemo

Um lindo e bem produzido espetáculo que relata a história do primeiro filme do Rei Leão. Um show completo com bailarinos e atores que cantam as principais músicas tema do filme, malabarismos e figurino bem colorido, aliado a um cenário incrível e com elementos robotizados que enchem os olhos! E claro, a presença dos principais personagens. O horário está na programação de atrações!

Localizado no Epcot, esta atração lhe permite embarcar num carrinho em formato de concha que leva a uma experiência no fundo do mar. Um aquário enorme e real com a projeção dos personagens e o áudio com falas do filme fascinam as crianças.

Toy Story Mania

Safári

Um passeio de trem que imita os safáris africanos. No trajeto, diversos animais tão bem cuidados que parecem terem saído de um dos filmes Disney! Aliás, dentre os quatro parques temáticos da Disney, este é o que fecha mais cedo, justamente para evitar barulho e incômodos aos bichinhos.

É uma das atrações mais concorridas do Hollywood Studios. Com óculos 3D, a bordo de um carrinho com dois lugares, você passa por vários cenários com a missão de atirar em alvos e ganhar pontos. Você compete com a sua dupla de carrinho. A criançada adora!

* Patrícia Wippel é jornalista e publicitária. Antes de se graduar trabalhou nos parques da Disney, durante um programa de intercâmbio.

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Opinião

“Quando você dança, seu propósito não é chegar a determinado lugar. É aproveitar cada passo do caminho”

Wayne Dyer

*Rafaella Reinert

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prender a curtir cada passo, cada fase, cada conquista, nessa descoberta da maternidade é uma tarefa nada fácil para mulheres que estão imersas em um turbilhão de sentimentos, hormônios aflorados, medos, angustias e incertezas. Quando nasce um bebê, nasce uma mãe, porém, nem sempre ela está pronta para o desafio. Este é um momento em que a mulher, e agora mãe, deve se sentir acolhida, ser escutada e também possa receber apoio. Fazer parte de grupos para compartilhar os desafios, prazeres e conquistas da maternidade é de extrema importância. É nessa troca de experiências, que as mães recebem orientações sobre aspectos físicos e emocionais do puerpério, amamentação e cuidados com o bebê. Na era da Internet, algumas mães acreditam que podem se suprir em grupos on-line, redes sociais e acabam ainda mais fragilizadas com julgamentos que machucam, feedbacks e comentários descontextualizados e falhas de comunicação. O contato corporal é um aliado na

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reunião de mulheres que querem estar rodeadas de pessoas que as fortaleçam, que respeitem suas escolhas e seus desejos, que sejam capazes de ouvi-las sem julgar, de entender a delicadeza da maternidade e seus desafios. A dança, o alongamento e os exercícios de fortalecimento do corpo fazem com que as mães redescubram as mulheres fortes que são e valorizem atividades prazerosas com o bebê. Com suporte de um sling (carregador de pano) elas podem vivenciar a sensação de liberdade sem o peso de “abandonar” o filho nos primeiros meses de vida. Foi neste cenário de acolhimento que surgiu o Sling Dance Kaiorra, uma modalidade criada com base nos princípios e metodologia de dança do Grupo Kaiorra, com 11 anos de experiência e atuação em Camboriú, Gaspar e Balneário Piçarras, nas modalidades de jazz, sapateado, balé, hip hop, entre outras atividades. Pensada especialmente para mães com bebês de um mês a 2 anos de idade, a modalidade envolve uma hora de exercícios divididos em alongamento para as mães, fortalecimento do corpo e dança de estilos variados. Mais do que isso, os encontros proporcionam a descoberta de uma nova mulher, de capacidades inimagináveis, disposta a chance de encarar desafios e satisfazer-se na maternidade.


Sling é vida

Essa prática de transporte do bebê coladinho ao corpo é comum em muitas culturas como africanas, asiáticas e indígenas. O sling permite uma postura fisiológica do corpo do bebê em suas várias possibilidades de posição. Pesquisas recentes revelam que “tanto a coluna como o quadril do bebê são ‘respeitados’ pelo sling, pois a postura na qual o bebê senta com as pernas abertas com 45° em relação ao eixo corporal, quadril flexionado e joelhos ligeiramente superiores ao bumbum, permitem que a cabeça do fêmur tenha um encaixe perfeito no acetábulo do quadril contribuindo até mesmo para o tratamento de displasia leve de quadril”. Para a mãe, o sling diminui o vazio da perda da barriga, para o bebê o aconchego, o conforto da posição intra-uterina e o contato íntimo do toque do corpo da mãe ou pai é indispensável nessa transição para o mundo fora da barriga. Portanto, pode ser usado desde o nascimento até os 2 ou 3 anos, por volta dos 10 a 20 quilos da criança.

facebook.com/slingdancekaiorra @slingdancekaiorra grupokaiorra.com.br

Foto: Fran Negredo

*Rafaella Reinert é jornalista, praticante de sling dance e mãe do Antônio

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Entrevista

I A P PA

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E

sse barbudo de cabelos ruivos é o atual modelo de paternidade para uma nova geração de pais. Com a segunda edição de “Papai é pop”, Marcos Piangers escreve crônicas sobre a paternidade, tendo Anita e Aurora como protagonistas de suas histórias. Chaveirinhos do autor, as meninas lhe ensinam a cada dia como ser um ser humano melhor. Ele aprende muito também com a “Mamãe é rock”, sua esposa Ana Cardoso que escreveu a versão feminina do livro de Piangers.

Paternidade e maternidade.

Como tornar o trabalho árduo da criação dos filhos em uma deliciosa missão de vida? O paizão pop, que aparece nas listas dos livros mais vendidos do Brasil e que também é repórter do programa Encontro com Fátima Bernardes, nos revelou seus segredos. E você vai ver que, na verdade, não tem muito segredo...

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Entrevista Você faz questão de ressaltar em muitos dos seus textos que você não é um pai perfeito. Então, como é ser, pelo menos, um bom pai? PIANGERS: Um bom pai simplesmente participa. Ele tá ali, olhando pro filho. Ele se abaixa, olha pro filho na altura dele, não se prevalece, não bate. Ele é um pai que não dá tudo, é um pai que presta atenção para saber a hora de dizer sim e de dizer não. E isso exige atenção, exige trabalho e pode até parecer cansativo, mas se você consegue achar o prazer no dia a dia, você vai achar tudo isso divertido e engraçado, porque as crianças são divertidas e incrivelmente engraçadas. Elas podem te ajudar a ser mais criativo e inventivo, mais lúdico. Isso faz bem para as pessoas. Quando foi que você se descobriu pai? O encargo da paternidade não pesou nos meus ombros. Na verdade, a gente fica chocado quando

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nasce o bebê, quando o parto acontece e o homem descobre que é pai. A mulher tem nove meses para se acostumar com a ideia e o homem não tem noção até que nasça o primeiro filho. E quando nasce dá um susto e depois vai só melhorando. Eu sempre fui um pai muito participativo desde o início. Nunca foi um peso. Eu sempre dei banho, troquei fralda, acordei de madrugada e não acho que isso mereça nenhum mérito. Acho que é um prazer, uma dádiva, um presente. A minha busca é justamente a celebração desse presente e o entendimento de que isso é algo natural que as mulheres tiram de letra, mas os homens muitas vezes fogem — e isso é muito triste. Triste pra criança, triste pra mulher que tem que fazer tudo sozinha, triste pro cara que perde a oportunidade de participar dessa missão incrível.


Como é a sua rotina enquanto pai de duas meninas? Eu consigo passar quase todas as manhãs e noites com elas. Eventualmente eu viajo para passar pautas para a Fátima ou pra alguma reunião, mas eu tento tomar café da manhã com elas. A Lola [como ele chama a Aurora] gosta de maçã e pêrinha cortadinha. A Anita gosta só de pão com manteiga e, se possível, queijo e presunto enroladinho. A Anita está experimentando de vez em quando café com leite, mas acho que é mais para parecer adulta do que porque ela gosta. A Lola adora suco de laranja e o suco acaba muito rápido lá em casa. A gente gosta de suco integral. Nem a Anita, nem a Aurora tomam refrigerante. A gente não gosta de nada industrializado, não comemos pizza congelada e minha mulher adora cozinhar. À noite ela sempre cozinha. Quando eu fico só com as meninas, a gente tenta fazer panquecas ou cookies ou algum tipo de bolo — daí a gente suja a cozinha toda e depois limpa. A Anita me ajuda sempre a lavar louça. A Aurora adora lavar a louça de plástico. A Anita passa um pano no chão e eu também organizo e seco tudo.

A gente conta historinha antes de dormir. A Lola toma mamadeira ainda, mas na hora do mamá todas as luzes desligadas e a gente combina, depois de tomar mamá, todo mundo brinca de pedra: ou seja, a gente não pode nem se mexer nem falar nada. E assim elas dormem e eu posso voltar pra minha cama pra dormir com a minha mulher. Ou se ela faz todo esse processo, ela pode vir dormir na nossa cama — o que eventualmente ainda é interrompido por uma criança pequenininha de pijama vindo dormir com a gente. Tem muita gente que diz que depois de ter filhos a vida ficou sem graça, pois não se curte tanto. Alguns retardam a paternidade e maternidade por conta disso. O que dizer para quem pensa desta forma? PIANGERS: Pergunta para qualquer pessoa velha, cheia de grana e sem filhos, o que elas acham da vida. Acho que, eventualmente, alguém vai dizer: “ah, a minha vida é muito boa e tal...”, mas acho que várias pessoas vão se arrepender ou ter não ter tido filhos ou de não ter passado mais tempo e curtido mais a criação dos filhos. Nunca ouvi ninguém no fim da vida dizer: “ah, eu não devia ter tido filho”. O arrependimento contrário é mais comum.

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Crescimento

Por que as crianças

chupam o dedo e como acabar com este hábito

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omportamento natural e instintivo da criança, o hábito de chupar o dedo se inicia ainda no útero materno, quando o bebê busca automaticamente fortalecer a musculatura responsável pelos movimentos da sucção. O ato proporciona conforto e acalma os pequenos, que o relacionam a um estado de segurança. O Pediatra Werther Brunow, coordenador de Pediatria do Hospital Santa Catarina, esclarece que, embora este hábito seja natural, é preciso ficar alerta para o tempo de duração. Caso o bebê continue chupando o dedo após completar 1 ano de idade, os riscos que a ação pode trazer a médio e longo prazo são grandes. Alterar a fala, atrasar o desenvolvimento da mastigação e, principalmente, a posição dos lábios, além de interferir na respiração da criança são alguns dos problemas possíveis. Doutor Brunow elenca cinco ações que podem auxiliar os pais a atenuar os problemas e evitar que o hábito, corriqueiro e prejudicial, persista por muito tempo na vida dos pequenos:

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Para crianças de até 4 anos de idade

Após se desfazerem do hábito, alguns pequenos quando entram na escola ou no decorrer do crescimento, voltam a apresentar sinais do “vício de chupar o dedo”. Substituir: troque o dedo por outro objeto que não seja prejudicial à saúde. Lembrando de nunca utilizar nesta etapa alimentos que tragam ardência ao paladar infantil. Imaginação: desenhar personagens favoritos em seus dedos ou utilizar adesivos específicos para a pele com super-heróis para envolver a ponta dos dedos. Isso fará a criança refletir sempre antes de levar a mão à boca. No entanto, vale ressaltar a importância de sempre acompanhar o pequeno para que não introduza o papel à boca. Paciência e busca de distração: quando a criança é muito nova, abaixo dos 2 anos de idade, é preciso ter ainda mais paciência para acabar com este mau hábito. Ofereça mordedores a fim de entreter o pequeno e busque distraí-lo sempre que levar os dedos à boca. Não reprima ou constranja a criança.

Para crianças acima dos 4 anos de idade

Elogie: sim! O simples ato de elogiar a postura da criança quando faz algo correto auxilia muito na correção de rumo. Esta ação pode incentivá-la a abandonar de vez o mau hábito. Conversas e informações precisas: a criança acima dos quatro anos já possui, de certa forma, mais ciência sobre seus hábitos e vícios. Explicar as consequências do que esta ação traz para sua vida, de uma forma lúdica e prazerosa (ao contrário do famoso sermão ou bronca), pode auxiliá-la a corrigir o que esta simples ação pode trazer de ruim a sua própria vida.

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Culinária

Quem disse que criança não pode brincar na cozinha? Transformar a arte de cozinhar em brincadeira é importante para uma boa relação dos pequenos com os alimentos, ensinar sobre desperdício e pesos e medidas, além de o resultado ser delicioso! Separamos algumas receitas fáceis, práticas e gostosas, que lembram as tardes na casa da vovó, para criançada colocar a mão na massa.

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Bolo de caneca

*

ser feito no É simples, prático e delicioso para a. Tamoutr e ira intervalo entre uma brincade stindo assi er com para bem bém combina muito ... inho aquele film

Ingredientes 1 ovo 3 colheres de sopa de óleo 4 colheres de sopa de leite 3 colheres de sopa de açúcar 3 colheres de sopa de chocolate em pó ou achocolatado 4 colheres de sopa de farinha de trigo ½ colher de chá de fermento em pó Como faz Em uma caneca, junte o ovo e o óleo. Em seguida adicione o leite, o açúcar e chocolate em pó. Mexa bem até incorporar todos os ingredientes. Aos poucos vá adicionando a farinha de trigo, sempre mexendo. Por último acrescente o fermento em pó e misture. Leve ao micro-ondas por 3 minutos. Não se assuste se a massa do bolo crescer e começar a passar da caneca, ela não irá transbordar. Retire do micro-ondas, espere esfriar e se desejar sirva com calda de chocolate ou leite condensado.

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*

Cookies americanos

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São deliciosos e agradam tanto as crianças quanto os adultos. Fácil de fazer e fica pronto em menos de 30 minutos. É possível substituir o chocolate por confete, passas, amendoim...

Ingredientes 2 xícaras de farinha de trigo 3/4 de xícara de açúcar mascavo 3/4 de xícara de açúcar cristal 2 ovos grandes 2 colheres de sopa de manteiga 1 colher de chá de fermento em pó 1 colher de chá de essência de baunilha 1 pitada de sal 1 barra de chocolate meio amargo picada (180 g) ou gotas de chocolate

Como faz Numa vasilha, bata a manteiga e os ovos, depois peneire e acrescente os ingredientes secos. Misture bem até ficar uma massa homogênea e adicione a essência de baunilha. Finalize com o chocolate meio amargo, misturando delicadamente. Cubra o fundo de uma forma com papel manteiga e coloque uma colher de massa para cada cookie e leve para assar em forno pré-aquecido em 180°C por cerca de 25 minutos.

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Gelatina mosaico

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A gelatina é uma sobremesa leve e de fácil diges divermais ainda fica da, colori o versã tão. Nessa tido e fácil agradar a criançada!

Ingredientes 4 sabores diferentes de gelatina em pó ½ envelope de gelatina em pó sem sabor (6g) 1 lata de leite condensado 1 medida (da lata) de leite Como faz Em recipientes refratários retangulares ou quadrados, prepare as gelatinas coloridas separadamente, seguindo as instruções da embalagem. Deixe esfriar e leve à geladeira até que fiquem bem consistentes. Retire da geladeira e corte em cubos. Dissolva a gelatina sem sabor em banho-maria e bata no liquidificador junto com o leite condensado e o leite. Despeje os cubos reservados de gelatina em taças, cubra com a mistura de leite condensado e leve à geladeira até ficar consistente. 37


Culinária

*

Torta de frango com requeijao e legumes *

er leguA criançada bate o pé na hora de com pre cai sem ada mes e vegetais? Esta torta salg ! enos pequ dos dar muito bem no pala

Massa 2 xícaras de leite 1 xícara de farinha de trigo 1 xícara de óleo 3 ovos 1 colher de sopa de fermento em pó 1 colher de sopa de queijo parmesão ralado Sal a gosto Recheio 1 copo de requeijão 1 peito de frango desfiado e refogado a gosto 1 cenoura ralada 1 brócolis picado 1 lata de milho verde ½ vidro de palmito em cubos Azeitonas picadas a gosto 1 pacote de batata palha (opcional)

Como faz Bata todos os ingredientes da massa no liquidificador. Despeje metade da massa em forma untada, espalhe o recheio e cubra com o requeijão. Finalize com o restante da massa e polvilhe com queijo ralado. Asse no forno pré aquecido a 200°C durante 30 minutos ou até dourar. Sugestão: cubra a torta com batata palha antes de servir.

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Hamburguer caseiro

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Toda criança gosta de hambúrgueres, mas que tal fugir dos fast foods? O hambúrguer caseiro é uma deliciosa opção para fazer junto com os pequenos! Eles vão adorar colocar a mão na massa e comer cheeseburguers feitos por eles.

Ingredientes 200g de carne moída (opcional: peça para o açougueiro moer juntamente com um pedaço de bacon! Vai dar um sabor especial) 1 cenoura 1 cebola 1 dente de alho 1 fatia pão de forma integral 2 colheres (sopa) de salsinha Sal a gosto Pimenta a gosto

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Como faz Bata no processador a cenoura, a cebola e a salsinha, separadamente. Esfarele a fatia de pão e junte à carne. Misture todos os temperos. Faça bolinhas e amasse-as até conseguir a forma dos hambúrgueres. Leve para uma chapa ou frigideira antiaderente bem quente e deixe dourar dos dois lados. Depois, monte os pães a gosto.


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Especial

Partiutreino

Marjorie Basso

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Tudo de bom que o esporte oferece para o seu pequenino

esenvolvimento motor, cognitivo e afetivo. Tão importante quanto amar, educar e alimentar seu filho, é incentivar a prática de esportes. Sabemos que em tempos atuais, quando os games ganham cada vez mais força, é necessário fazer um esforço sobre-humano para que seu pequenino brinque fora de casa, por exemplo. Mas especialistas alertam que esse esforço é imprescindível para o desenvolvimento. Educador físico, Luiz Fernando Mafra explica que as fases do desenvolvimento motor se estendem até os 14 anos. “Após essa idade fica muito mais difícil aprender um movimento novo, ganhar coordenação motora”, diz. Por isso, mesmo que seu filho não venha a se tornar um atleta futuramente, é importante que desenvolva habilidades. Mas o que fazer se seu filho não se interessa ou simplesmente não parece ter aptidão para esportes? Aí é que entra o trabalho do educador físico, que deve ser especialmente bem realizado na infância. De acordo com Mafra, é importante que o profissional se esforce para conquistar a atenção da criança, seja qual for a idade. Esse primeiro contato com o professor de educação física geralmente

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surge na escola. “Em primeiro lugar as atividades tem que ser prazerosas para as crianças, trazer divertimento, isto fará com que ela mesma busque as atividades físicas, você conhece alguma criança que não gosta de brincar de ‘pic esconde’, ‘pega-pega’ ou até mesmo pular corda?”, questiona. Mafra, aliás, salienta que pular corda é um grande exemplo. Muitas crianças se interessam pela brincadeira quando, nas canções, há o incentivo de ir mais rápido ou permanecer pulando por mais tempo. “É o caso de ‘salada, saladinha, bem temperadinha com sal, pimenta fogo’”. Luiz Mafra é ainda mais enfático quando diz que com o trabalho bem desempenhado pelo professor de educação física não haverá criança que não goste de se exercitar. “Uma criança que tem boas aulas de educação física vai conseguir desenvolver suas valências físicas (coordenação, força, agilidade), bem como aprender a conviver em grupo, conhecendo os seus próprios limites e respeitando as limitações dos outros, sem contar a questão da disciplina”.


Escolhendo uma modalidade

Depois de saber que seu filho pode não gostar de se exercitar por não estar sendo corretamente estimulado, talvez esteja se perguntando se existe uma idade mínima para que ele comece a se dedicar a uma determinada modalidade. Pois bem, especialistas garantem que não há prática esportiva proibida para crianças, tampouco uma idade mínima para iniciar. Agora que seu pequenino já tomou gosto pelo esporte nas séries iniciais na escola, pode estar querendo se aperfeiçoar em uma atividade no contraturno. Médico do esporte, Thiago Guimarães explica que o importe é a criança iniciar em um esporte quando já souber se comportar dentro de uma sala de aula ou academia. “A atividade física na

infância demanda um cuidado maior sim, principalmente porque a criança dispersa muito rapidamente; é nesse momento que acidentes podem acontecer”. “É importante que a criança viva a maior quantidade de movimentos para se desenvolver bem. Ela pode iniciar desde pequenininha, mas não numa única modalidade. O ideal é que transite pelas modalidades, para depois, quando já tiver mais condições físicas e consciência de suas escolhas, seguir por uma única modalidade se assim desejar”, acrescenta Luiz Mafra.

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Especial

Saúde e desenvolvimento

Quanto ao desenvolvimento corporal infantil, por exemplo, existem algumas lendas. Uma delas é a de que crianças e adolescentes não devem fazer exercícios de musculação por terem o corpo em formação. O médico do esporte Thiago Guimarães explica que, quando prescrita na intensidade correta, a atividade física só auxilia o bom desenvolvimento ósseo, muscular e cardiopulmonar. “Inclusive a musculação é muito benéfica para crianças e adolescentes, já que estimula a liberação de alguns hormônios (GH e insulina, por exemplo), que atuam na formação óssea e muscular da criança, evitando doenças e más formações na vida adulta. Crianças com problemas pulmonares se beneficiam muito com exercícios aeróbicos, por exemplo, diminuindo consideravelmente o risco de crises asmáticas”.

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Outro aspecto bastante levado em consideração e para o qual os pais devem se atentar, é que a atividade física libera substâncias como a endorfina e a serotonina, responsáveis por melhorar o humor. “Com atividade física estamos também prevenindo a depressão, que é o mal do século”, lembra Luiz Mafra. Assim, para crianças o mais importante é saber dosar a intensidade e o tempo de realização do exercício. Por esses motivos, a avaliação médica e do educador físico são tão importantes. No mais, o grande segredo é fazer da atividade física uma diversão para a criançada.


Disciplina e interação

Bianca Pahl Soares, 9 anos, sempre gostou de esportes. Apaixonada por futebol, pratica desde os 3 aninhos. Com toda a experiência adquirida é uma craque, dentro e fora de campo. A mãe, Patrícia Soares, conta que o esporte interfere diretamente no desempenho escolar da Bia. “O futebol a ajuda tanto na atenção e concentração na escola, quanto na parte emotiva, pois ela acaba fazendo muitas amizades com facilidade. Vitórias e derrotas também são questões difíceis nessa idade e o esporte acaba fazendo com que ela saiba lidar com ambos”, destaca. Algumas atividades esportivas têm foco especial na disciplina. É o caso das artes marciais. Mestre de jiu-jitsu, Amilton Linhares explica que a prática da modalidade por crianças interfere consideravelmente no rendimento escolar por exemplo. “O atleta de jiu-jitsu precisa estar 100% focado em seus movimentos e nos do oponente. Isso faz com que crianças, até mesmo com algum déficit de atenção, exercitem a concentração e melhorem nos estudos”. O respeito também é bastante trabalhado pela maioria das atividades de luta. No tatame as crianças aprendem que não devem, em hipótese alguma, machucar os companheiros ou se prevalecer sobre os mais fracos. Isso, segundo Linhares, cria um senso de coletividade e respeito levado para a vida toda.

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Educação

A N O D A FACILIT Karine Mendonça

S

im, é verdade: quanto mais cedo o contato com uma segunda língua, melhor a assimilação do idioma. Não é assim que funciona com o português, nossa língua materna? A mestre em neurolinguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretora da Dice Course (primeiro curso para bebês a partir dos seis meses de idade), Eloísa Lima, revela que a inteligência já existe no momento da pré-fala. Embora a criança ainda não fale, ela já estabelece raciocínios antes do primeiro ano de vida. Quanto mais cedo a criança tiver contato com outro idioma, maiores serão as chances de aprendê-lo de forma natural e sem traumas, tornando-se um verdadeiro bilíngue. Estudos revelam que o desenvolvimento cerebral é muito ativo nos primeiros anos de vida, período chamado de “janela do conhecimento”. Para Eloísa, até os 7 anos de vida é a melhor fase para se aprender outro idioma. Ela explica que a aquisição de uma língua não está ligada à fala propriamente, mas às emoções e ao raciocínio. Quando vemos uma imagem, ouvimos uma música ou interagimos com alguém, por exemplo, milhares de conexões estão sendo feitas no nosso cérebro para receber essas informações, interpretá-las e respondê-las. Esse exercício cerebral fortalece as conexões entre os neurônios, fazendo com que o cérebro se aperfeiçoe, especialmente na primeira infância.

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Fotos: Karin e

Mendonça


Criança absorveto

conhecimen

Imersão é a palavra para quem deseja tornar o filho um bilíngue. De acordo com o especialista em neurolinguística e educação, além de coordenador da Wizard Itajaí, Alberto Gassul Streicher, o período de alfabetização da criança já deve iniciar com o segundo idioma inserido nas atividades. Na Wizard, por exemplo, esse procedimento inicia-se a partir dos 5 anos, por meio do curso TOTs, que numa tradução livre significa “criança pequena”. Brincadeiras, jogos e atividades lúdicas fazem parte do processo pedagógico para ensino de idiomas às crianças. Essas metodologias não inibem a espontaneidade do público infantil, que demonstra muita facilidade para se expressar. Como na primeira infância as crianças ainda não tem experiências traumáticas com o idioma, o que poderia travá-las durante a aprendizagem (como costuma acontecer com muitos adultos que tentam aprender outra língua), elas ficam mais receptivas ao novo. Segundo Streicher, na Wizard o segundo idioma é inserido por meio de uma abordagem comparativa. O professor fala em inglês, mostra imagens do assunto e o aluno faz a associação. Além do material didático completo, os alunos levam uma agenda para casa e os pais poderão rever junto com a criança todas as dinâmicas de sala de aula. Segundo Alberto, quando chegar aos 10 anos de idade, a criança será fluente para a sua faixa etária. Ou seja, se expressará normalmente no segundo idioma como faria em português.

Pronúncia

perfeita

Todos nós nascemos com um aparelho fonador capaz de reproduzir com perfeição qualquer som de qualquer idioma. Até os seis anos de idade, o aparelho fonador da criança ainda está em formação, sendo apta para reproduzir qualquer novo som perfeitamente, sem inibição, e sem dificuldade. Depois dessa fase, o sotaque da língua materna já começa a interferir na pronúncia do novo idioma.

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Decoração

Os infalíveis

balões O

s personagens mudam e as tendências em decoração também, mas uma coisa é sempre certa: não existe festa de criança sem balão. Coloridos, metálicos em formatos especiais e até texturas, os balões se reinventaram e podem ser uma das principais atrações da festinha do seu príncipe ou princesa.

Duplo

No entanto, se a ideia é partir para o faça você mesmo, a Internet está cheia de dicas interessantes para dar um up grade nos balões tradicionais. O balão duplo com o de fora sendo transparente está super em alta. Além de fácil de fazer o efeito é lindo. Cenário Balões

Renata Flores Arte com Balões

Cenário

Empresas especializadas conseguem montar praticamente tudo com balões, inclusive casas onde é possível entrar e esquecer-se das horas brincando. Isso sem falar nos bichinhos e inúmeros objetos feitos com balões de diferentes formatos. Optar por um serviço especializado fará com que você acerte em cheio.

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Rabiolas

Quem costuma observar blogs de decoração gringos já deve ter se deparado com os ballons streamers. Tendência no exterior, levam uma aplicação na ponta mais charmosa que o tradicional barbante. Essas aplicações podem ser de fitas, rendas, laços, corações e tudo mais que a criatividade permitir.


Pintados

Aquele balão tradicional que você guardou da última festinha também pode ganhar vida nova. Pinturas metálicas somente na base, ou aplicações de purpurina com cola na base ou no topo, por exemplo, garantem charme gastando pouco.

Glamour

Uma festa mais glamourosa com uma pegada romântica na decoração pode contar com rendas de diferentes estilos e tonalidades envolvendo os balões. A aplicação pode ser feita com cola branca. No caso das cordas naturais é possível estourar o balão após o entorno ter secado e usar somente a armação oca, também fica lindo.

Tule

O tule envolvendo os balões também são um charme e surgem em diferentes cores, combinando sempre com o balão. O arranjo deve ser finalizado deixando uma sobra de tecido na amarração.

Objetos

Confete

Outra variação que está na moda e seus filhos vão adorar são os balões com confetes, lantejoulas ou papel picado dentro. Basta usar um funil para colocar o confete dentro do balão ainda vazio e enchê-lo. Além do efeito super bacana, será um diversão estourar e brincar com o confete que sairá pelos ares.

Os balões também podem ser complementados de forma que virem outros itens na decoração. Um simples cone de papel, por exemplo, fará seu balão colorido virar um sorvete. Redes de frutas e copinhos descartáveis podem fazer surgir uma réplica de um grande balão de passeio.

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Cotidiano

ALEITAMENTO

MATERNO: recomendado, nutritivo e tabu

Marjorie Basso

A amamentação melhorara a imunidade do bebê, cria uma conexão entre mãe e filho além de outras benesses, mas cumprir tal tarefa nem sempre é simples como parece.

Do direito ao tabu

Nunca antes se falou tanto em aleitamento materno no Brasil. Infelizmente, os fatos que trouxeram o assunto à tona nos últimos anos foram críticas e hostilidades sofridas por mulheres de diferentes regiões quando tentavam amamentar seus bebês em locais públicos. A polêmica tomou conta da Internet e, para sorte dessas mulheres, surgiram campanhas em prol da amamentação em público. Tanto que no ano passado São Paulo e Rio de Janeiro sancionaram leis que multam estabelecimentos que tentam de alguma forma proibir o aleitamento materno em público. Um avanço para as mulheres dessas regiões, contudo, não se pode negar que em São Paulo, no Rio e em todo o país há muito que se avançar nesse sentido.

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Consciência é a palavra chave para esses casos. Se de um lado algumas pessoas ainda se sentem incomodadas e criticam mães que amamentam seus filhos em locais públicos, de outro há mulheres com bebês aos prantos de tanta fome. Mas mesmo entre as mães a polêmica é permanente. Há as que defendem o aleitamento em público e aquelas que entendem que deveriam existir locais reservados para tal prática. Algumas não veem problema, mas se constrangem quando necessitam amamentar e usam mantas e fraldas para tentar cobrir o seio e o rosto do bebê. Uma questão de escolha, mas uma escolha que cabe a quem está amamentando e não aos outros. “Acho que quem condena a amamentação em público deveria se privar também de viver em público, assim não precisa ver as crianças se alimentarem. Eu amamento e nunca percebi alguém me olhando feio, mas se fizessem responderia com um sorriso”, comenta Ingrid França, mãe da Bella de dois aninhos.


Quando não é possível amamentar

Mas e quando amamentar não é possível? A atriz Deborah Secco foi mãe recentemente e não conseguiu dar de mamar à filha por conta de sua prótese de silicone, implantada por cima da glândula mamária. Frustradíssima, a atriz tentou recorrer à irmã para amamentar a pequena Maria Flor. Esse tipo de caso é incomum, mas pode ocorrer. Por isso, em várias regiões existem os bancos de leite nas maternidades. A forma de fazer a doação normalmente é bastante facilitada para estimular que mamães lactantes contribuam com os estoque e ajudem recém-nascidos que passam por necessidade de leite materno.

Até quando amamentar

Para os pediatras, o leite materno é imprescindível até o primeiro ano de vida, sendo que até os seis meses deve ser o único alimento dos bebês. A partir disso é possível inserir papinhas e outros alimentos, mas sempre complementando com o leite materno. Mães que precisam retornar ao trabalho após a licença maternidade muitas vezes não conseguem permanecer amamentando até o primeiro ano da criança, mas é importante que se tente ao menos até o sexto mês. “O problema maior está aos quatro meses quando se encerra a licença maternidade. Nós então indicamos alternativas como retirar o leite em casa para quem estiver cuidando do bebê possa dar”, explica a pediatra e presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria, Helena Vieira. Os médicos pediatras também indicam prolongar a amamentação até os mil dias de vida, o equivalente a dois anos, segundo Helena. “Nessa etapa a criança já ingere outros alimentos, mas a alimentação segue podendo ser complementada com o leite materno”.

Amamentação prolongada

Prolongar a amamentação por mais de dois anos, por outro lado, ainda é motivo de controversa. Enquanto existe um grande movimento de mães que apoiam a ideia, a pediatra explica que não existe mais necessidade nutricional de leite materno para crianças maiores, uma vez que estão aptas a receber todos os alimentos. “A criança que fica agarrada no peito da mãe cria um vínculo que não é bom para ela, pois deixa de interagir com outras crianças, por exemplo. A partir dos dois anos a criança se alimenta de leite materno para ficar grudada na mãe e não para ficar bem nutrida”. A Ingrid, mãe da Bella, optou por prolongar a amamentação até quando a pequenininha desejar. A bonequinha completou 2 anos recentemente, mas Ingrid não pensa em “desmamar” Bella tão cedo. “Pretendo deixar até quando ela quiser. É um momento de muito aconchego e carinho. Não acho justo eu escolher quando ela deve parar”, diz. 55


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Novidades

Pequena sereia Que criança nunca sonhou em se transformar nos personagens dos desenhos animados? Uma novidade do Ateliê Círculo é uma manta super estilosa no formato de cauda de sereia. Com fio 100% de acrílico, a composição sintética é muito quentinha e ideal para os dias de baixas temperaturas ou mesmo para uma tarde de brincadeiras. A cauda de tricô para deixar sua princesa parecida com a Ariel custa R$ 350 e pode ser adquirida no site circulo.com.br.

As Meninas

Crianças X Dinheiro É possível reunir as palavras crianças e dinheiro na mesma frase? Sim! Para que cresçam de maneira bastante consciente neste nosso mundinho capitalista, é necessário instruir os pequenos quanto a aplicação dos recursos financeiros. A especialista e professora universitária de Ciências Contábeis, Márcia Marcondes da Silva, oferece dicas para tratar do assunto desde cedo com as crianças. - É importante que as crianças enxerguem o valor dos recursos, começando em casa: sempre apagar as luzes quando não estiver no ambiente, escovar os dentes com a torneira fechada, tomar banhos rápidos e comer tudo o que estiver no prato, evitando desperdícios, é um ótimo começo. - Aproveite as horas de lazer para expor o valor das compras. Por exemplo: comparar o valor de um sorvete com o preço de outros produtos. - Estimule a utilização do cofrinho para que a criança poupe e compre algo que deseja.

A vida secreta dos bebês

Superpoderosas

voltaram

Neste ano o Cartoon Network voltou com um remake da série “As Meninas Superpoderosas” e lançou o APP “Girados”, um jogo de estratégia e ação com Florzinha, Lindinha e Docinho. O aplicativo pode ser baixado em qualquer celular Android ou IOS. Em 2016 o Cartoon Network também foi o canal de TV por assinatura mais visto da América Latina, tanto entre as crianças de 4 a 11 anos como entre o público geral.

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Os cientistas tentam a todo tempo descobrir o que se passa pela cabecinha dos bebês nos primeiros anos de vida. E um case de sucesso é o documentário da BBC, A vida secreta dos bebês. O material riquíssimo de informações e muito fofo explica todo o desenvolvimento do corpinho do bebê a partir do ponto de vista dos pequenos. O documentário está disponível no Netflix.


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Cotidiano

Pai

ausente? Só se

quiser... Marjorie Basso

T

empo escasso é, sem dúvida, um dos principais problemas que as pessoas vêm enfrentando nos últimos anos. Se falta tempo até para o trabalho, que dirá para o lazer. Então como conseguir passar mais tempo com os filhos para que eles não fiquem carentes e você não se sinta um pai ausente? Especialista em administração de tempo e produtividade, Christian Barbosa dá algumas dicas sobre como otimizar o tempo com o seu filho para deixá-lo mais seguro. Uma das formas mais fáceis é partilhar dos mesmos hobbies. Praticar um esporte em conjunto, por exemplo, pode ser a solução. “Posso jogar tênis, levo meu filho mais velho para jogar também, meu filho mais novo, minha esposa também. Não precisa ser apenas um esporte, podemos achar um hobbie que gostamos juntos como andar de bicicleta, pintar... Muitos pais gostam de montar Lego, por exemplo, e as crianças também”.

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Outra maneira importante de passar mais tempo com a família é fazer com que pai e mãe programem as férias para o mesmo período das férias escolares. Assim, podem agendar uma viagem juntos, por exemplo. Mas, segundo Barbosa, além disso os pais devem se atentar muito para a periodicidade do tempo que passam com os filhos. “Para as crianças, quantidade é tão importante quanto qualidade, mas nem sempre essa quantidade é viável para os pais. Então eles devem focar na periodicidade. É mais proveitoso passar 20 minutos dedicado totalmente ao filho todos os dias, que uma hora por semana. A criança terá uma percepção diferente da presença do pai com essa periodicidade”, alerta. Compensar o tempo não passado com o filho em uma semana na semana seguinte pode ser feito, conforme o especialista. Contudo, não é o ideal. Aliás, esse tempo diário, quando não é possível ao vivo, pode ser por telefone, Skype, etc. “Especialmente as crianças menores precisam desse tempo junto aos pais, mesmo que seja por meio de uma ligação. É importante dedicar um tempo para telefonar para os filhos quando não é possível estar junto”.

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Cotidiano Gerenciando o tempo do seu pequenino

Depois de gerenciar seu tempo com a família o desafio é ajudar seu filho a organizar o próprio tempo. Christian Barbosa explica que crianças devem ter uma base sobre gestão de tempo, mas de forma sutil e no momento certo. “Primeiro, é necessário entender e aceitar que os problemas que você tem hoje de produtividade são fruto do seu passado, que criou um modelo mental urgente, no qual tudo é feito na última hora”. “Para começar a estimular a gestão de tempo nas crianças, não precisa usar uma agenda ou ficar neurótico. Estimule aos poucos com atitudes de prevenção, planejamento e tudo como brincadeira. Um exemplo simples é um quadro branco ou um quadro magnético fixado no quarto da criança. Nele, desenhe 31 quadrados (calendário mensal) e deixe um espaço em branco na lateral (para lista de afazeres sem data, de forma que ela não esqueça)”. Pedagogas e psicólogas infantis recomendam que nessa fase sejam implementadas rotinas e disciplina para as crianças. “Você deve introduzir esse quadro como uma história, conte que você também tem seu quadro que é sua agenda e que você usa essa agenda para marcar todos os seus compromissos e tudo mais. Como ela é uma pessoa importante também, precisa ter a sua própria agenda que será o quadro na parede”. Segundo Chirstian Barbosa, as crianças precisam, desde cedo, ter noções de organização e planejamento. “Do contrário, criaremos adultos urgentes e com problemas de tempo. Vale lembrar que um adulto que não consegue se organizar e administrar bem o tempo acaba perdendo vida”, conclui.

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Sobre o especialista

Christian Barbosa é CEO da TriadPS, empresa multinacional especializada em programas e consultoria na área de produtividade, colaboração e administração do tempo. Ministra treinamentos e palestras para as maiores empresas do país e da Fortune 100. Autor dos livros “A Tríade do Tempo”; “Você, Dona do Seu Tempo”; “Estou em Reunião”; co-autor do “Mais Tempo, Mais Dinheiro”; e “Equilíbrio e resultado – Por que as pessoas não fazem o que deveriam fazer?”. Sua mais recente obra: “60 Estratégias práticas para ganhar mais tempo”.


Opinião

DESENVOLVIMENTO

HUMANO E A

CONSTRUÇÃO DO SUJEITO *Marcela de Oliveira Silva

O

ser humano já começa a se desenvolver e a se construir enquanto sujeito antes mesmo da concepção. O desejo dos pais já é a primeira inscrição que se forma psiquicamente no bebê, e que acontece antes mesmo deste existir “materialmente”. Ao longo da gestação o bebê inicia seu processo de desenvolvimento, se transformando dia a dia, crescendo, adquirindo forma e alma humanas. Os pais esperam e imaginam este bebê, imaginam como ele será, como irá agir, a profissão que escolherá no futuro, a cor do quarto, as roupas que usará, entre tantas outras, formam, então, mais uma inscrição psíquica importante para o desenvolvimento e para a construção deste sujeito que ainda nem nasceu. A partir destas primeiras palavras, pergunto, como nos tornamos quem somos? O desenvolvimento humano e a construção do sujeito ocorrem a partir de diversas influências, como a nossa carga genética, a forma como ocorreu o período gestacional e o nascimento, o ambiente no qual crescemos, as pessoas com as quais convivemos, os estímulos que recebemos ao longo da infância e também a forma com que cada um de nós processa e encara todas essas informações. Somos uma soma de fatores, todos eles essenciais para o nosso desenvolvimento. Partindo daí, comento sobre o que de fato

nos interessa, o desenvolvimento infantil. Dentro de tudo o que já se comentou, pontuando que obviamente há muito ainda a ser discutido e fundamentado, a fase essencial para o desenvolvimento humano e a construção do sujeito, é a infância. É na infância que organizamos todas essas informações recebidas, desde a gestação, e formamos a base daquilo que seremos ao longo da vida. Por isso, finalizo dizendo que quanto mais qualificada for a gestação—com todo planejamento anterior e desejo por aquela criança ao longo deste período; o nascimento, ocorrendo de forma saudável para mãe e para o bebê; o ambiente no qual a criança vive, sendo um ambiente tranquilo e facilitador para o seu desenvolvimento; as interações do bebê com seus pais e com as pessoas que convive, que possam suprir e, ao mesmo tempo, possibilitar o surgimento de novas necessidades; assim como tantos outros influenciadores—melhor será o desenvolvimento e, por fim, a construção de sujeito será o mais equilibrado, organizado, satisfeito e saudável psicológica e emocionalmente possível.

*Marcela de Oliveira Silva Psicóloga Clínica Infantil Especialista em Desenvolvimento Infantil CRP 12 / 12886 (47) 9719-2100

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Moda

Conectados até no estilo D

o guarda-roupas das celebridades internacionais para o seu (e do seu filho). A moda tal mãe, tal filho surgiu nos Estados Unidos quando atrizes e cantoras famosas passaram a usar roupas idênticas ou semelhantes às de seus pequerruchos. E não é que essa onda caiu nas graças de todo o mundo? Tanto que atualmente grifes apostaram na ideia e passaram a produzir peças com essa pegada. A novidade passa pelas marcas de alta-costura até as de fast fashion. Assim, ninguém fica de fora na novidade. As redes sociais, especialmente o Instagram, possuem uma enxurrada desses looks. É possível tirar boas ideias para ficar conectado também pela moda com seu filhote. O estilo tal mãe, tal filho permite desde um look completinho e idêntico, para o caso de mães com filhas meninas, até combinações de apenas uma peça, acessório ou estampa igualzinha.

Lojas populares como a Renner, passaram a produzir peças nesse estilo

Natalia Guimarães na festa das filhas gêmes

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Ana Hickmann e seu “ursinho” no aniversário dele

A atriz Bianca Castanho abusa das estampas iguais nos looks dela e da filha. Ela é proprietária da grife MiniBi, especializada em moda tal mãe, tal filho

Glória Maria

Beyoncé foi uma das precursoras do estilo

Camila Pitanga

Tânia Kalil 73


Alimentação

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Orgânico Karine Mendonça

O

rgânico é a palavra da vez. Ela está no cardápio, no supermercado, entre nutricionistas e também no discurso das mamães preocupadas com a alimentação dos filhos. Também não é para menos: segundo o Ministério da Saúde, cada brasileiro consome, em média, cinco quilos de agrotóxicos por ano. O alto consumo do veneno agrícola também está relacionado à incidência de câncer acima de média. A presença de resíduos de agrotóxicos não ocorre apenas em alimentos in natura, mas também em muitos produtos alimentícios processados, como biscoitos, salgadinhos, pães, cereais matinais, lasanhas, pizzas e outros que têm como ingredientes trigo, milho e soja, por exemplo. Ainda podem estar presentes nas carnes e leites de animais que se alimentam de ração com traços de agrotóxicos.

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Alimentação

O desafio

O desafio, então, ajustar os hábitos alimentares. A infância é uma fase determinante no desenvolvimento dos principais traços da personalidade e hábitos de qualquer pessoa. Inserir frutas, legumes e verduras saudáveis no cardápio das crianças é o desafio dos pais. De acordo com a nutricionista funcional e materno-infantil, Carolina Theilacker Sommerfeld, os alimentos orgânicos são mais nutritivos que os convencionais, pois possuem uma biodisponibilidade muito maior de nutrientes facilitando a absorção por nosso organismo. Já são frequentes os mercados e feiras dedicados à venda de produtos orgânicos. Desta forma, Carolina destaca que é possível preparar uma refeição de forma 100% orgânica.

Papinha, sopas, massas... hoje existe uma infinidade de produtos orgânicos para nosso consumo e cada vez mais fáceis de serem encontrados em casas de produtos naturais, mercearias orgânicas, incluindo cortes de carnes orgânicas que você percebe no sabor a diferença. Uma sopa de abóbora com frango orgânico, que tal?

A mamãe Paola Deschamps é uma das adeptas da alimentação orgânica. Desde os seis meses do Gabriel, ela só oferece produtos livres de agrotóxicos. O custo é mais elevado, ela reconhece, mas a longo prazo isso se reverte em investimento. “Eu não estou envenenando meu filho. A gente não sabe ao certo quão graves são os reflexos dos agrotóxicos a longo prazo. Então eu pago um pouco mais caro hoje, mas meu filho vai ter uma saúde muito melhor”, opina.

Armadilhas

Sabe aquele moranguinho orgânico que você comprou outro dia? Ele pode não ser orgânico coisa nenhuma e, como isso tem acontecido com uma frequência cada vez maior, você precisa ficar ligado. Os produtos com garantia de procedência devem ter um selinho de certificado orgânico. Caso as leguminosas não sejam embaladas, mas vendidas a granel, vale a pena conversar com os vendedores e pedir algum certificado que comprove onde e como foram plantadas.

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Aproxime-se cada vez mais desta vida orgânica, descubra alternativas, desenvolva habilidades de ter temperinhos em sua casa plantados em vasos ou floreiras. Viver o consumo orgânico e evoluir, essa postura sai da modinha e adere de fato ao verdadeiro valor destes alimentos.

Pode e não pode

Comida de verdade. Frutas, verduras, raízes e sementes devem fazem parte do cardápio dos pequenos, enquanto os pacotinhos e industrializados devem ser deixados para bem mais tarde. “O ideal é não oferecer esses produtos antes dos 2 anos”, alerta a nutricionista Carolina. Isso porque o valor de nutrientes em alimentos processados é baixo e eles ainda podem provocar problemas no fígado, intestino ressecado, irritabilidade e déficit de atenção.

Conselho

Eliminar o refrigerante da rotina dos seus filhos é uma meta que todo pai deveria tentar alcançar. O líquido gaseificado tem quantidades absurdas de açúcar e aditivos, os quais atrapalham o crescimento e o desenvolvimento da criança. Para os pequenos que já estão habituados à ingestão de refrigerante, Carolina sugere que a redução seja gradativa. Comece oferecendo apenas duas vezes por semana, depois uma vez, até conseguir fazer a troca definitiva por água natural ou saborizada, chás e sucos naturais.

Alimentos para bebês

A introdução de alimentos aos bebês, a partir dos seis meses de idade, deve começar com sorriso no rosto e tranquilidade. A oferta pode começar com frutas, amassadas ou cozidas no vapor, intercaladas com raízes e abóbora cabotiã. Carolina, especialista em nutrição materno-infantil, recomenda sempre amassar e nunca liquidificar os alimentos para oferecer, pois isso fará com que a criança não sinta a diferença das texturas, e acaba atrapalhando todo o desenvolvimento da mastigação e deglutição.

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Alimentação

Método BLW

O método BLW (Baby-led Weaning, que significa “desmame guiado”) vem ganhando cada vez mais adeptos. A técnica parte do princípio de oferecer os alimentos para a criança em pedaços que ele consiga pegar com as mãos e levar a boca de forma espontânea. A mamãe do Breno Henrique que já completou 1 aninho, Márcia Franco, revela que desde a gestação já planejava introduzir o método BLW.

Me interessei pelos benefícios, a criança aprende a mastigar certinho e de forma independente. Desenvolve uma alimentação natural.

Bagunça que traz resultados

A partir dos seis meses, Márcia apresentou a banana e a manga ao filho. O primeiro momento foi de descobertas e brincadeiras com os alimentos. Ele sentia a textura, apertava com as mãozinhas e fazia a maior lambuzeira. Desde as primeiras tentativas, o pequeno sentava com todo mundo à mesa. Uma das premissas do BLW é justamente fortalecer os vínculos durante as refeições. Aos poucos Breno foi descobrindo sozinho como mastigar e engolir os alimentos. Quando completou um aninho, ele já conseguia comer uma refeição completa da família. Agora, com 17 meses, ele utiliza sozinho o próprio garfo e colher. Breno já se acostumou com cada alimento e não recusa nada que colocam no prato. “Os outros bebês são acostumados com papinha, então quando veêm um brócolis na frente, jogam fora porque é algo estranho”, conta Márcia.

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Saúde

Cólicas: desconforto

que faz parte

M

amães e papais de primeira viagem podem ficar meio perdidos e preocupadas com o chorinho constante dos bebês durante o processo digestivo. Esse chorinho, muitas vezes sofrido, pode surgir logo no início da amamentação, momentos depois ou ao longo do dia e se resume em cólicas. O que os pais de primeira viagem também desconhecem é que é mais comum o bebê sentir cólicas do que não tê-las. Alguns recém-nascidos passam pela amamentação sem qualquer desconforto, mas o comum mesmo é sentir as tais cólicas, que podem ter intensidades diferentes, por isso necessitam ser monitoradas. Presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria, Helena Vieira explica que as cólicas são muito comuns entre os três e os seis meses de vida do bebê. Isso em função da imaturidade da mucosa gástrica e intestinal da criança. “A área intestinal está ainda iniciando a colonização de bactérias”, explica. As cólicas, contudo, podem ser mais ou menos intensas. Isso depende do PH do leite materno recebido e do próprio trânsito intestinal, que é diferente em cada criança. Existe também a cólica que ocorre quando a criança começa a receber o leite materno, chamado reflexo gastrocólico, quando o estômago enche e o intestino dói.

Prevenção

Para minimizar as cólicas, alguns alimentos podem ser evitados pela mãe. É o caso de temperos muito fortes ou comidas com muito açúcar, além de bebidas alcoólicas. O leite de vaca também pode aumentar as cólicas do seu pequenino em função de alguma sensibilidade.

Tratamento Choro intenso

O choro do seu bebê pode variar de acordo com a intensidade da cólica. Essa pode ser uma condição esporádica, causada por algum alimento que a mãe ingeriu e transmitiu ao bebê pelo leite materno, mas também pode ter outros indicativos. Relatar ao pediatra é o que trará o diagnóstico. “Em alguns casos a criança chora porque tem algum tipo de alergia alimentar ou hipersensibilidade”, explica a pediatra. Por isso é importante sempre observar o comportamento da criança e reportar ao pediatra qualquer alteração.

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Como as cólicas são uma condição natural dos bebês recém-nascidos, infelizmente os pais terão de passar por esse processo sem recorrer a medicamentos. O tratamento mais indicado para aliviar as cólicas segundo Dr. Helena é a massagem. Papai e mamãe podem fazer movimentos leves na barriguinha do filhote para ajudar a eliminar os gases. Existem, claro, medicamentos que podem auxiliar nessa tarefa e reduzir as dores. Mas todo o medicamento deve ser prescrito pelo pediatra. “Cada criança é diferente, então não se pode usar o remédio que a vizinha indicou porque funcionou para o filho dela. Quem indicará ou não um medicamento eficaz é o pediatra”.


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Revista Mundo da Criança - 2016  

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