

6 meses de Ásia
BRUNO SALMONI

Capítulo 3
Mercados

Mercadores preparam frutos do mar recém pescados para venda no mercado de Pak Nam, próximo a Bangkok, na Tailândia.
A definição simples de mercado é: o ambiente propício para torca de bens e serviços. Embora nossa sociedade moderna tenha passado a usar o termo de maneira muito abrengente, eu entendo o mercado como o lugar público onde negociantes expõem e vendem gêneros alimentícios e artigos de uso rotineiro. E como a humanidade sempre precisou de alimentos e outros artigos, mercados são esses lugares que existem desde sempre.
Os mercados asiáticos não são necessariamente únicos em relação ao resto dos mercados do mundo. Todos os elementos que encontramos nos mercados de lá também encontramos por aqui em nossas feiras de rua e mercados municipais, ou em diversos outros lugares. Barracas ou tendas com produtos diversos expostos, prontos para serem comercializados, pessoas circulando, vendedores trabalhando exaustivamente para manter tudo em ordem enquanto buscam chamar a atenção de compradores.
Em alguns mercados é vendido praticamente de tudo - incluindo roupas, obras de arte e até mesmo joias.
O que pode ser um diferencial é que na Ásia alguns mercados acontecem exclusivamente à noite - o que acaba sendo uma maneira de fazer compras e vendas fora de horários de pico de calor (que em alguns lugares pode superar os 40ºC!). E como o período da noite é mais amigável para passear, os mercados noturnos são um centro de socialização, com tendas que vendem principalmente comidas e doces. E estes são tão populares que acabaram se tornando atrações turísticas incluídas em todos os guias de viajantes, onde o estrangeiro tem a oportunidade de saborear quitutes tradicionais locais.
Apesar de toda essa fama dos mercados mais badalados, os mercados mais locais contrastam pelo seu caráter rudimentar, especialmente nos cantos mais remotos do interior, nos quais peças de carne e outros bens ficam expostos sem muito cuidado, e isso pode ser até chocante para quem está acostumado com padrões assépticos de higiene.
É exatamente por causa deste caráter tão cru dos mercados mais simples que eu gosto de perambular entre os corredores com produtos de todos os tipos, vendo aspectos muito puros dos locais - tanto vendedores quanto compradores. Inclusive como se comportam quando passa junto deles um turista estrangeiro.

Chang Chui Night Market, um dos inúmeros mercados noturnos na região de Bangkok. O conceito de mercado noturno é comum no sudeste asiático, e é uma alternativa de compras e socialização aos mercados diurnos que operam sob forte calor (ao redor dos 40ºC).



Venda de produtos vegetais diversos. Mercado municipal de Dong Van.

Agricultores descarregam e preparam os produtos para venda - mercado municipal de Mae Hong Son.



Folhas de chá após secagem. Ban Rak Thai, Tailândia.
Figos desidratados. Dong Van, Vietnã.


Pimenta vermelha. Dong Van, Vietnã.
Arroz. Dong Van, Vietnã.

Açougue do mercado municipal de Dong Van. Com carnes expostas sobre bancadas de madeira, o padrão de higiene de pequenas cidades e vilarejos é praticamente inexistente, e isso pode ser muito chocante.



Especiarias e carnes secas, mercado central de Hanoi.
Joalheria. Chatuchak Weekend Market, Bangkok.


Açougue do mercado municipal de Ha Giang, Vietnã.
Banda de vegetais. Huadu, China.
Açougueira maneja pedaços de carne em um mercado no centro de Hanzhou, China.




Vapores intensos saindo das panelas de preparação de bolinhos cozidos em Seoul, Coreia.

Uma cena típica de um mercado diurno local em Bangkok. Mercados têm essa caracetrística muito parecida em todos os lugares, com barracas, tendas e bancadas apinhadas de produtos diversos à venda, com os vendedores enérgicos e apressados passando para lá e para cá, e compradores que circularm atentamente buscando os produtos mais bonitos e frescos.


Uma cena típica de um mercado noturno, este em Samut Prakan, Tailândia. Os mercados noturnos são tradicionais em toda a Ásia, e apesar de alguns venderem produtos como roupas e utensílios, em geral são ambientes de socialização, com comidas e bebidas típicas, e que pelo caráter de “cultura tradicional” se tornaram atrações turísticas.



Nos mercados é possível ver a ação de pessoas bastante habilidosas em tarefas aparentemente ordinárias. À esquerda, o mercado de Pak Nam, próximo a Bangkok, é conhecido por vender pescados frescos (dizem, mais que na capital). Um peixeiro pega peixes vivos num tanque e os abate com uma paulada no crânio. Acima, nas redondezas do mercado Warorot, em Chiang Mai, estende-se um bairro chinês com diversos mercados e vendas menores especializados em confecções de roupas de todos os tipos, de tradicionais a modernas. Uma costureira trabalha em uma das dezenas de roupas tradicionais com bordados rebuscados.

Alguns mercados se tornaram grandes atrações turísticas. Os locais se misturam aos estrangeiros em uma grande bagunça cultural. Nesses mercados mais hypados, os vendedores não se restringem a comerciantes de tradições locais, também em meio a tudo espalham-se comerciantes de produtos modernos cheios de design arrojado, e também mercadores de culturas dos países vizinhos.

Um exemplo é o mercado Jing Jai, em Chiang Mai. Aberto aos fins de semana, ele atrai turistas de todos os lugares por causa de comidas e roupas descoladas, mas pode-se encontrar também este vendedor de café vietnamita.

Alguns bastidores de grandes mercados. Acima, mulher organiza e cataloga os produtos de dezenas de caixas de roupas no mercado central de Hanoi. À direita, uma família aproveita o espaço pouco movimentado neste corredor para fazer uma pausa durante o passeio pelo Gwangjang Market de Seoul.


Mulher organiza os produtos no balcão de uma tenda do açougue do mercado de Pak Nam, Tailândia.
