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As Ruas

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As Ruas

Capítulo

Vendedora de frutas atravessa uma das inúmeras ruas estreitas do centro histórico de Hanoi, onde hoje as pequenas motos e scooters dominam o cenário.

As ruas são o espaço comum da vida cotidiana. É para onde nos deparamos quando abrimos a porta de casa, e entramos em contato com o mundo lá fora. É onde muita coisa acontece, desde apenas nos deslocarmos para lá e para cá, até mesmo participarmos da vida ativa do comércio em lojas, barracas ou ambulantes, e as cidades e vilas crescendo com obras.

É das ruas que, ao caminhar, percebemos como as cidades e vilas se mostram para nós. Percebemos as construções, suas formas, cores e estilos. Vemos os habitantes dessas cidades e vilas. Por alguns instantes conseguimos contemplar as vidas - serenas ou agitadas - desses humanos com quem dividimos alguns instantes de conexão.

As ruas transparecem um pouco da alma de cada lugar. Em grandes centros urbanos, a alma é vertiginosa, pessoas com passos rápidos, muito barulho, muita informação, o tempo passa rápido. Em vilarejos afastados, a alma é tranquila, pessoas sentadas conversam sobre suas vidas, alguns vendedores a passos lentos chegam de suas fazendas, o tempo passa em outro ritmo.

Este é o capítulo da fotografia de rua. É uma categoria muito própria de fotografia, que procura reunir elementos humanos em suas atividades e seus entornos. Embora eu muitas vezes tenha um objetivo claro com uma foto ou outra, a fotografia de rua geralmente não apresenta um tema sólido ou coeso, é uma fotografia como reação ao ambiente, mais do que fotografia formalmente documental e pensada para transmitir uma mensagem.

Fotografar a vida nas ruas parece simples, afinal oportunidades para belas imagens não faltam onde em cada canto conseguimos ver interações entre pessoas e suas construções, mesmo que não haja pessoas!

Mas as ruas são dinâmicas, complexas, e o fotógrafo tem pouco ou quase nenhum controle sobre o que está à sua frente. O desafio é conseguir acertar a composição e o timing para gerar uma imagem forte e que relacione os elementos e evite todas as distrações do resto ao redor.

De certa maneira, este capítulo é como se fosse uma conexão entre todos os outros. É das ruas que nos conectamos com os mercados, com os templos, e também com os pontos de partida e chegada das viagens. Espero que eu consiga transmitir a vocês um pouco da vida dos lugares por onde passei.

Motoqueiros arrancam numa avenida central de Bangkok. Nos países do Sudeste Asiático, as ruas são tomadas por motocicletas e scooters.

Um estacionamento de tuk-tuks em Bangkok.

Um tuk-tuk, o famoso triciclo que se tornou símbolo do transporte de rua na Tailândia, passando em frente a uma parede com arte urbana do artista Vhils. Bangkok é uma cidade que mistura as tradições milenares e tradições recém-adquiridas com muita expressão de arte e design, local e importada.

Além do transporte terrestre, Bangkok também é conhecida por seu grande rio navegável, o Rio Chao Phraya, no qual diariamente circulam centenas de barcos de diversos tamanhos. Fico sempre admirado com a habilidade dos condutores em manejar as embarcações em um rio muito movimentado, com correntezas e ondas.

Uma curiosidade do Japão é o estilo retrô dos taxis, em contraste com a imagem super moderna dos automóveis que eles vendem para o mundo todo. No Japão, modernidade e história estão sempre em constante harmonia, como é o caso deste bairro de Kyoto.

Em diversos países do Sudeste Asiátivo os ônibus são uma atração à parte. Pinturas exóticas, iluminação noturna muito pouco discreta, buzinas musicais. Neste estacionamento em Samut Prakan, na Tailândia, um dono de ônibus faz a lavagem do seu equipamento de trabalho.

Um apressado salaryman (trabalhador de escritório) sobe as escadas numa das saídas do metrô de Kyoto.

Bangkok vista do alto. Alguns distritos ainda preservam um ar de “elegância decadente” de décadas passadas, enquanto outros se modernizam rapidamente com arranha-céus imensos.

Arquitetura é um componente que é determinante na nossa experiência em cada lugar. A arquitetura de prédios enormes com milhares de janelinhas pode dar a impressão de imensiodão rígida, como é o caso deste condomínio em Wenzhou, na China (à esquerda). Por outro lado, formas curvas ou sinuosas misturadas a outras formas geométricas já conferem maior dinâmica na paisagem, como nesta fachada em Singapura (acima).

das

Chuva começa a cair em Wenzhou.
Serenidade
montanhas que acolhem o vale de Ha Giang.
Show de luzes em noite festiva em Singapura.
O Rio Gyonggyecheon tornou-se um marco urbanístico de Seoul após sua revitalização.

As ruas de Kyoto - e também de outras cidades japonesas - possuem um espírito que preserva muitas de suas tradições, como é o caso deste cartaz com o menu de um restaurante (acima), com belos ideogramas manuscritos, também com arte e cultura, e entre todos esses aspectos mais libertários, circulam também executivos sérios, figuras que marcam a rigidez e seriedade pela qual o povo japonês é conhecido (direita).

Um caos organizado com estandartes vermelhos ilustados com ideogramas toma conta dessa viela em Huadu, na China.

Muitas vezes invisibilizamos as pessoas que são realmente a alma dos lugares. Os trabalhadores que dão o sangue - muitas vezes por apenas alguns trocados. Eles estão por aí, seja na condução dos transportes (à esquerda, um condutor de barco prepara os barcos no Rio Chao Phraya em Bangkok), seja na limpeza e zeladoria das cidades e vilas (acima, um faxineiro urbano coletando lixo nas ruas de Ha Giang).

Em geral os trabalhos mais fundamentais para a existência é feita por essas pessoas mais simples. As cidades - bem como a sociedade como conhecemos - dependem do trabalho delas para existirem.

Cozinheiro exausto tira alguns minutos para um descanso em uma rua da Chinatown de Chiang Mai.
Uma travessa da Little India (bairro indiano) de Singapura.

Os parques são ambientes muito frequentados pelos idosos chineses, que se ocupam de várias atividades, entre elas o jogo de Xiangqi, o xadrez chinês. Fato curioso é que, embora seja em princípio uma atividade a dois, raramente há apenas duas pessoas ao redor do tabuleiro. É muito comum pessoas se aproximarem para acompanharem ou até

mesmo darem palpites aos jogadores sobre determinados lances. Este jogo é jogado em muitos países da Ásia, e em todos eles o mesmo espírito. Um jogo barulhento e gritado.

Jovem mecânico ajusta uma motocicleta. Bangkok.

Pintores dando retoques na fachada de um restaurante. Osaka.

Algumas vielas são o refúgio da vida “normal” em cidades grandes e turísticas. Acima, uma viela com produtos de limpeza e de cozinha, nos fundos de algum estabelecimento em Hanoi. À direita, um senhor limpa a sujeira produzida por uma obra em Bangkok.

Uma pequena obra de infraestrutura em um rio na cidade de Wenzhou, China.

O trabalho pode se manifestar de várias formas em diversos lugares.

À esquerda, uma máquina escavadeira faz trabalhos de recolhimento de lixo no canal de um córrego em Chiang Mai, Tailândia. Acima, o apertado espaço de trabalho de um chaveiro no centro de Kuala Lumpur, Malásia.

Um casal trabalha na confecção de palitos de incenso, em uma vila na periferia de Hanoi, Vietnã. A primeira etapa é a coleta e tratamento de bambu, que em seguida será seco, cortado, e banhado com compostos que dão o típico perfume.

Homem passa com scooter sob uma passarela no centro de Wenzhou, China. Atualmente, com o desenvolvimento de scooters elétricas acessíveis, a maior parte da população em algumas cidades chinesas deixou de andar à pé.

A névoa densa invade o pátio aberto de um shopping-center em Brinchang, na região montanhosa de Cameron Highlands, Malásia.

Algumas fotos espontâneas de jovens nas ruas. Acima, em Seoul, Coréia. À direita, em Georgetown, Malásia.

O chapéu cônico é uma peça tradicional em vários países asiáticos, desde a Indonésia ao Japão. Mas é no Vietnã que ele aparece praticamente em todos os cantos de todas as vilas e cidades do país, sendo quase uma marca registrada dali.

Esquerda - Numa viela de Hanoi, muita coisa acontece ao mesmo tempo, incluindo turistas chegando a uma pousada enquanto um homem lava sua scooter.

Vendedora ambulante desafiando o trânsito caótico no centro de Hanoi.

Nas barracas de comida de rua tudo é feito ao ar livre. Até lavar louça.

Muita coisa acontece ao mesmo tempo em uma viela de Hanoi. As pessoas passam o dia no lado de fora, comendo, conversando, jogando algum jogo de cartas ou de tabuleiro. E assim é a vida com ares de interior no meio da capital vietnamita.

Jovens skatistas sob uma ponte em Singapura.

Reunidos, mas cada um em seu próprio universo.

Algodão doce nas mãos de crianças, algo que traduz um sentimento universal de satisfação e alegria. Nas ruas de Dong Van, interior do Vietnã.

No centro histórico de Chiang Mai, Tailândia, algumas das ruas no interior da cidade murada são bastante pacatas.

Este garoto pedala com sua bicicleta tranquilamente por uma viela sem movimento.

Crianças brincando no pátio de um templo no centro de Hanoi, Vietnã.

Uma turista circula com trajes tradicionais japoneses enquanto estudantes brincam ao fundo. Centro histórico de Kyoto, Japão.

Duas estudantes voltando para casa após as aulas, sob o sol forte do meiodia.

Chiang Mai, Tailândia.

Três homens conversam em frente ao uma loja de conveniências (konbini), em Osaka.
Venda de bilhetes de loteria. Bangkok.
Guichê de venda de bilhetes para a balsa de Pak Nam, Tailândia.
Monge saindo de uma loja de conveniência em Bangkok.

Acima, jovem vietnamita posa para fotografias nas margens no lago Hoan Kiem, em Hanoi, aproveitando a bela luz de sol que reflete nas águas.

À direita, turista registra o cenário tradicional, porém fake, em uma das atrações da Ancient City na periferia de Bangkok.

Homem saindo do frescor de uma passagem subterrânea rumo ao sol quente em Huadu, China.

Continua...

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