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Na Estrada

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6 meses de Ásia

BRUNO SALMONI

CAPÍTULO 1

NA ESTRADA

Capítulo 1

ESTRADA

O songthaew carregado de pessoas, bagagens e produtos do campo chega em Mae Hong Son, partindo de Ban Rak Thai, no norte da Tailândia.

Não existe guichê para comprar passagens de ônibus em Ban Rak Thai, no norte da Tailândia. Ali não existe nem rodoviária. Para percorrer o trecho montanhoso de volta para Mae Hong Son (a capital da província), basta estar na praça central às 7h e falar diretamente com o motorista da única caminhonete (songthaew) que estará lá esperando. Ele talvez não saiba inglês ou outra língua além do tailandês, mas nada como usar mímica, linguagem corporal, sinais, apontar numa foto de celular e até mesmo anotar um número numa folha para negociar ou verificar o valor. Essa situação é típica de quando se está em deslocamento durante uma longa viagem. Viajar significa deslocar-se. Uma vida de viagem significa passar grande parte do tempo se deslocando, e essa ação eu chamo de “estar na estrada”.

Estar na estrada significa mudar, sair de um estado inicial e necessariamente passar por uma transformação. Às vezes, situações inesperadas frente ao desconhecido nos desafiam a elaborar saídas criativas por pura necessidade. Estar na estrada - especialmente em lugares novos - é encarar muitas incertezas e abrir mão de qualquer tipo de sensação de controle, e se deixar ter um pouco de fé nas pessoas e nas situações.

Podemos frequentar a estrada por diversos meios. A minha opção pessoal, por falta de alternativas - seja por não ser habilitado, por falta de recursos ou mesmo o medo de cair de moto -, é sempre pegar o transporte público. Longe de ser uma alternativa desonrosa, eu vejo como uma chance de ter experiências únicas e mais intimistas com a realidade de cada lugar. Afinal, é no transporte público que a gente vê o povo. Como as pessoas se deslocam, o que levam consigo, de onde vão, para onde vão?

Estar na estrada pode significar atravessar lugares remotos e contemplar belezas cênicas através da janela, imaginando como será que vivem as pessoas que estão naquelas casinhas na margem do rio? Para onde estão indo essas pessoas carregando palha nas costas?

Vão-se pessoas, chegam outras. Vão-se lugares, chegam outros. Talvez por alguns minutos, horas, ou por muitos dias.

A estrada é um ambiente amplo e diverso, por onde os viajantes perambulam temporariamente. Mas é acima de tudo dinâmico, vivo e cheio de vida. A vida das pessoas que fazem da estrada, a estrada.

Um dos vários salões de espera por onde passamos nas rodoviárias asiáticas. Aqui, as cadeiras marcadas com “X” sinalizando ainda resquícios das ações preventivas da pandemia de COVID-19.

Os meios de locomoção são diversos, sendo os ônibus os meios de transporte mais acessíveis. Terminais de ônibus podem ser grandes centrais de transporte, como em muitas capitais nacionais, ou até mesmo uma parada sem sinalização na praça central de um vilarejo. À esquerda, um terminal de ônibus de médio porte em Ha Giang, uma capital de província do Vietnã.

China, Japão e Coreia são famosos por sua eficiência de transporte sobre trilhos. No Sudeste Asiático, países como Vietnã e Tailândia possuem bons sistemas de trem. Acima, linhas de trem que atravessam a capital tailandesa.

A elegante plataforma da antiga estação central de trens de Bangkok, Hua Lamphong.

Para muitas gerações, este foi o primeiro contato com a capital tailandesa.

No norte da Tailândia não há serviços formais de transporte público como ônibus de linha ou trens. O trajeto pelas estradas apertadas e sinuosas é feito a bordo de caminhonetes com caçambas adaptadas para o transporte de passageiros, os songthaews

Em algumas cidades tailandesas os songthaews são melhor forma de transporte. Em alguns casos, são a única forma. É possível negociar preços e trajetos com os motoristas, mesmo que isso envolva desvios no caminho dos demais passageiros.

Viagem entre Ha Giang e Dong Van, no norte do Vietnã. Atravessar regiões ermas significa na maioria das vezes fazer viagens muito longas por estradas apertadas e sinuosas, compensado pelas paisagens muitas vezes deslumbrantes.

Os eficientes trens do sistema JR no Japão, correm sobre uma extensa e complexa malha ferroviária.

Movimentação de passageiros ao amanhecer no interior do trem noturno que liga Bangkok a Chiang Mai.

Terminal de ônibus de Ipoh, cidade situada entre Penang e Kuala Lumpur.

O ferry que conecta a península malaia à ilha de Penang é uma maneira rápida e barata de fazer a travessia. Não apenas pedestres, mas também carros e motos sobem ma bordo.

Chegar em um destino desconhecido pode ser assustador e intimidador. Especialmente se é um grande centro urbano, em que tudo é mais caótico e apressado. Mas terminais movimentados são grandes centrais de distribuição de viajantes locais ou turistas. Na foto acima, o terminal de Butterworth, em Penang, pode parecer opressor com suas

enormes estruturas de concreto, mas é dali que partem ônibus e barcos para destinos mais aprazíveis, como a famosa ilha de Penang, ou então sentido à capital Kuala Lumpur, e até mesmo para a Tailândia.

Majestosos picos de calcário saúdam os viajantes que atravessam as sinuosas estradas do norte do Vietnã.

Continua...

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