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Eduardo Ribeiro

Ambiente

A recolha de equipamentos eléctricos e electrónicos em Portugal iniciou-se em Setembro de 2006, tendo sido atingidas as metas impostas pela directiva no primeiro ano de actividade completo, em 2007. Quem o diz é Ricardo Neto, director-geral da ERP Portugal, empresa gestora deste tipo de resíduos e que faz um balanço muito positivo do processo e elogia a colaboração do sector da distribuição

Ricardo Neto, director-geral da ERP Portugal

Sucesso na reciclagem Store | O que faz a ERP Portugal? Ricardo Neto | A ERP Portugal faz parte da European Recycling Platform, a única plataforma pan-europeia para a gestão de resíduos. A ERP está presente em 13 países, contando com 90 colaboradores e tendo recolhido um milhão e quinhentas mil toneladas de Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE) e 12.000 28

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toneladas de Resíduos de Pilhas e Acumuladores (RP&A) até ao final de 2011. Em Portugal a ERP é uma Entidade Gestora de dois fluxos específicos, REEE e RP&A, devidamente licenciada pelo Estado português para estas actividades. Na realidade os produtores de equipamentos eléctricos e electrónicos e de pilhas (marcas próprias do sector da distribuição, fabrican-

“No que respeita aos produtores encontram-se registados na respectiva entidade (ANREEE) cerca de 1700”

tes e importadores) são responsáveis pela gestão dos resíduos dos equipamentos que comercializam, podendo transferir essa responsabilidade para uma entidade gestora devidamente licenciada como é o caso da ERP Portugal, sendo que esta transferência pressupõe o pagamento de um ecovalor, que servirá para gerir os REEE e RP&A. Ao assumir estas responsabilidaSTORE MAGAZINE


des a ERP Portugal tem obrigações que passam por diversas fases: contratar e organizar uma rede de recolha de REEE e RP&A, tendo por base os ecocentros municipais, os operadores privados e os distribuidores; contratar a logística necessária para efectuar a recolha, o transporte e o encaminhamento a destino adequado dos resíduos recolhidos; contratar os recicladores com capacidade necessária para o tratamento dos resíduos entregues; elaborar campanhas de sensibilização e informação públicas; definir estudos de investigação e desenvolvimento. Store | Que balanço é que faz da actividade em Portugal? RN | Muito positiva. A recolha de REEE iniciou-se em Setembro de 2006, tendo sido atingidas as metas impostas pela directiva no primeiro ano de actividade completo, 2007. Desde então, o objectivo

“Desde de 2007 que temos um protocolo com a APED relativo às condições de recolha de REEE em loja, nomeadamente a logística inversa. A colaboração com os associados da APED tem sido muito intensa, quer ao nível da quantidade de REEE recolhidos, quer ao nível das campanhas que em conjunto com os distribuidores temos vindo a realizar”

de 4kg/habitante /ano tem vindo a ser superado. No que respeita aos produtores encontram-se registados na respectiva entidade (ANREEE) cerca de 1700, sendo este número bastante revelador da forma como os financiadores do sistema assumiram as suas responsabilidades. Store | Das cinco categorias em que a ERP actua, quais são as mais importantes no nosso País? RN | Considerando que todos os objectivos são avalizados em peso, a categoria “grandes electrodomésticos” (máquinas de lavar e secar roupa, louça, por exemplo) é a mais representativa por ser constituída por equipamentos pesados e vendidos em elevada escala. Seguem-se os “equipamentos de arrefecimento” (frigoríficos, ar condicionado, arcas, congeladores),

“A ERP Portugal faz parte da European Recycling Platform, a única plataforma pan-europeia para a gestão de resíduos”

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INICIATIVAS

Todos pela reciclagem As vertentes educacional e pedagógica das acções da ERP e as campanhas têm assumido um papel preponderante na actividade da instituição, dando lugar a diversas iniciativas, tais como: • Geração Depositrão – campanha dirigida às Eco-Escolas nacionais (parceria com a ABAE, programa Eco-Escolas), abrangendo diferentes faixas etárias, desde os Jardins de Infância, até às escolas de Ensino Superior, passando pelas escolas do Ensino Básico. Trata-se de um programa que atinge toda a comunidade escolar e envolvente, quer através da recolha de resíduos (instalação de Depositrões nas escolas), quer através do desenvolvimento de trabalhos criativos segmentados por escalões. Actualmente, está a decorrer a 4ª edição desta campanha que conta com a actividade intensa de mais de 600 escolas. As instituições escolares fazem parte da nossa estratégia de sensibilização desde o primeiro ano completo de actividade, em que distribuímos 5000 kits a Professores das escolas do Ensino Básico, de modo a introduzir o tema nas salas de aula com base em jogos didácticos sobre esta temática. • Verão Depositrão – dinâmicas pedagógicas implementadas na praia (Julho), junto das colónias de férias, Juntas de Freguesia, ou grupos de ATL, em que os grupos participam em jogos lúdicos, tendo como foco a gestão de REEE e RP&A (“Verão Depositrão, joga e aprende a reciclar!”). Esta campanha teve lugar 5 anos consecutivos em diferentes praias de portugal, desde Viana do Castelo até ao Algarve. • Centro de Sensibilização Ambiental da ERP – circuito organi-

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zado para explicar e descrever o fluxo dos resíduos, com diversas actividades e peças didácticas que promovem um conhecimento aprofundado do tema. O Centro pode ser visitado por escolas, sobretudo, do 1º Ciclo do Ensino Básico, sendo uma excelente forma de perceber os principais conceitos associados a esta realidade. • Outras acções/campanhas – a ERP pretende chamar a atenção para o tema, aproveitando momentos “simpáticos” e “agradáveis” para tocar o target. Assim, temos criado eventos/iniciativas com a assinatura “ERP” que se caracterizam por estes factores. A Recycling Party (11 de Novembro de 2010) é um excelente exemplo, em que cada resíduo entregue pelo público se traduzia num bilhete para o concerto de uma banda Portuguesa (Klepht) na Aula Magna, em Lisboa. O mote deste concerto foi a comemoração de um milhão de toneladas de REEE recicladas na Europa, nos diversos países onde a plataforma opera. Em Portugal, conseguimos conquistar uma audiência de 1100 participantes, ou seja, através de uma experiência atingimos o target com a nossa mensagem, marcando-o e alertando-o para a sua responsabilidade (nomeadamente no encaminhamento adequado dos resíduos que produz). No seguimento deste acontecimento, e tirando partido da música como “aliada”, patrocinamos o Festival Revivalista dos anos 80, o ERP Remember Cascais, a ter lugar nos dias 7 e 8 de Setembro, no Hipódromo Municipal de Cascais. Entre as bandas mais emblemáticas, encontramos os Alphaville, a Bonnie Tayler, os Sétima Legião ou os UB40.

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“No que respeita aos produtores encontram-se registados na respectiva entidade (ANREEE) cerca de 1700”

os “tv e monitores”, os “outros” (todos os REEE que não se encontram nas outras quatro categorias – computadores, secadores de cabelo, telemóveis) e por fim as lâmpadas (fluorescentes e economizadoras) que, embora representem um número significativo em unidades (na casa dos milhões), o mesmo não acontece em peso devido às características deste resíduo. No caso das pilhas portáteis, a categoria que mais se destaca são as pilhas alcalinas e no que respeita às baterias industriais são as de tecnologia chumbo ácido. Importa salientar que é importante cumprir os objectivos, mas nenhum tipo de REEE e RP&A pode ser descurado considerando que todos contêm matérias e substâncias perigosas devendo ser sujeitos a tratamento específico, evitando impactes quer ambientais, quer para a saúde pública.

“Considerando que todos os objectivos são avalizados em peso, a categoria “grandes electrodomésticos” (máquinas de lavar e secar roupa, louça, por exemplo) é a mais representativa por ser constituída por equipamentos pesados e vendidos em elevada escala”

Store | Que campanhas é que a ERP tem feito para sensibilizar indústria, retalhistas e consumidores para a reciclagem destes produtos? RN | Junto da indústria contactámos directamente todos os produtores registados na ANREEE no sentido de lhes dar a conhecer a nossa actividade e as vantagens de aderirem aos sistemas integrados de resíduos por nós geridos. Actualmente continuamos com este modelo activo numa base diária.

Números

67 mil toneladas entre 2006 e 2011 Store | É possível fornecer dados sobre a evolução da reciclagem em Portugal nas categorias abrangidas pela ERP? RN | De 2006 a 2011 a ERP recolheu cerca de 67.000 toneladas de REEE, com a seguinte distribuição anual: 515 toneladas em 2006, 9.089 em 2007, 18.639 em 2008, 11.038 em 2009, 10.990 em 2010 e 12.177 em 2011. É importante sublinhar que em 2006 só iniciamos as recolhas em Setembro pelo facto de a licença ter sido publicada em Diário da República apenas em Abril.

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Uma vez que os termos da licença impunham efeitos retroactivos a 01 de Janeiro desse ano, após a consolidação da nossa rede de recolha, em 2008 a ERP recolheu cerca de 19.000 toneladas de REEE, compensado as toneladas em falta no primeiro período. Relativamente à recolha de RP&A a ERP, viu publicada a sua licença em Março de 2010, tendo até ao final de 2011 recolhido 55 toneladas de pilhas portáteis e 150 de baterias industriais, em linha com as metas impostas.

Com os retalhistas temos uma relação muito próxima desenvolvendo diversas campanha de “troca de velho pelo novo”. Analisando o target “consumidores”, optamos por campanhas below the line, campanhas de contacto directo e incisivo com o cidadão, nomeadamente junto das crianças de hoje, futuros adultos de amanhã. Store | Qual o destino dos produtos entregues para reciclagem? RN | Todos os resíduos que tenham unidades de destino final em Portugal são encaminhados para estas unidades. No caso dos REEE existem recicladores e capacidade instalada suficiente para que sejam todos tratados no nosso país. No que respeita às RP&A, e pelo facto de não existirem unidades de tratamento, são enviadas para unidades localizadas em outros países, respeitando-se as regras estabelecidas ao nível dos movimentos transfronteiriços de resíduos. Store | O material que resulta da reciclagem é novamente usado na indústria? RN | Actualmente atingimos taxas de valorização dos resíduos que recolhemos, tratamos e reciclamos acima dos 94 por cento em peso. Todos estes materiais resultantes do processo de reciclagem (cobre, aço, plásticos) são vendidos no mercado local e internacional ou na falta de alternativa são encaminhados para valorização energética. Store | Como é que funciona a recolha dos equipamentos para a reciclagem? RN | Em Portugal temos actualmente cerca de 1700 pontos de recolha distribuídos por quatro principais canais de recolha: a troca do velho pelo novo, em que o consumidor pode entregar o seu velho equipamento na aquisição de um idêntico e com as mesmas funções - esta troca deve ser efectuada no momento da entrega do novo equipamento, quer seja na loja, quer seja em casa, tendo a loja a obrigação de retomar o velho equipamento; os ecocentros municipais onde poderão ser entregues os REEE ou em alternativa pedir à câmara municipal que proceda à recolha em casa, uma vez que STORE MAGAZINE


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