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ESTAS EMPRESAS ASSOCIAM-SE À LUTA CONTRA A SIDA:

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SAÚDE

Cancro da mama

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Este Jornal é parte integrante da edição do Expresso n.º 2098, de 12 de janeiro de 2013. Venda interdita.

SIDA Portugal

regista 1000 novos casos/ano Todos os anos surgem cerca de mil novos casos de SIDA em Portugal. Esta doença, no passado, era considerada mortal, mas, com toda a evolução clínica e terapêutica, passou a ser encarada “com outros olhos” e os doentes ganharam em termos de qualidade de vida.

Págs. 2/3

O RACIONAMENTO NA SAÚDE EQUIVALE A MAIS DESPESA E MENOS DOENTES TRATADOS Pág. 4

ANEMIA É POUCO VALORIZADA O cansaço é o principal sintoma subjetivo da anemia Pág. 6

Medicamentos biológicos: O que são e quais os seus benefícios? Págs. 14/15

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Págs. 8/12

A esperança tem de prevalecer até ao fim…

partilhamos o gosto pela Vida www.tolife.pt

Queremos desejar-lhe um feliz 2013.

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2 | Jornal de Saúde Pública | 12 de janeiro 2013

Cancro da

mama

A esperança tem de prevalecer até ao fim… O cancro da mama é o tumor maligno com maior incidência no sexo feminino, que em Portugal se manifesta com 5300 novos casos/ano e é responsável por cerca de 1500 mortes/ano. Dado o extenso impacto familiar, social, económico e cultural, é uma doença que desperta e exige um grande empenhamento do ponto de vista clínico e terapêutico. Atualmente, as doentes com cancro da mama dispõem de opções terapêuticas eficazes, que permitem “ajudar a combater a doença”, pelo que podem encarar a sua vida com esperança crescente. A confiança na investigação científica e a crença no desenvolvimento de medicamentos que venham responder às necessidades dos doentes deverão ser contextualizadas na valorização dos benefícios e na discussão dos custos.

A

prevalência do cancro da mama mento requer a intervenção de espeaos cinco anos é superior a cialistas de várias áreas, que atuem de 21.000 casos e a taxa de sobreforma sequencial e coordenada para vivência (no mesmo período) supera os garantir os melhores resultados. “Tratar 85%, apesar de cerca de 5% dos casos doentes com cancro da mama avançado se apresentarem no momento do diagpressupõe um enorme desafio de conóstico com metástases à distância e nhecimento científico e de competência cerca de 10% com tumores localmente técnica e humana, sendo imprescindível avançados. uma abordagem multidisciA maioria dos casos plinar integrada”, frisa. diagnosticados corresponO tratamento do cancro de a tumores em fase inicial da mama avançado está e a taxa de tumores avanpouco padronizado, existe çados tem vindo a dimialguma variabilidade clíninuir de forma consistente ca e falta de consensos. Joanos últimos anos, “graças quim Abreu de Sousa conta ao rastreio organizado, ao que “a SPO tem tido um papapel dos cuidados de saúpel relevante nesta matéde primários e a um maior ria, através da organização alerta social para a doende reuniões científicas/ ça”, explica o Prof. Joaquim Prof. Joaquim Abreu de Sousa /consenso e participando Abreu de Sousa, presidente ativamente na elaboração da Sociedade Portuguesa de Oncologia de normas de orientação clínica, para (SPO). além das atividades de divulgação dos O cancro da mama avançado é uma avanços no conhecimento, estimulandoença muito complexa e o seu tratado a investigação básica, translacional

questão sensível e que normalmente gera muita polémica. O IPO de Coimbra dispõe de critérios de validação dos medicamentos utilizaCORTES NA SAÚDE VERSUS dos no tratamento da doença oncológica TRATAMENTOS DE QUALIDADE e que se consubstanciam nos fundamentos científicos disponíveis. “Para cada inNa fase que o país atravessa, e quandicação, e de acordo com as normas de do ouvimos que tem de haver cortes nas orientação clínica, a Comissão de Farmádespesas da saúde, o que devem esperar cia e Terapêutica valida criteriosamente os portugueses? Perante a questão, o Dr. cada medicamento antineoplásico”, asseManuel António L. Silva, presidente do gura o responsável. Conselho de Administração do InstituManuel António L. Silva aproveita para to Português de Oncologia esclarecer um outro ponto: (IPO) de Coimbra, responde: “Se é verdade que os trata“No Instituto, garantimos mentos inovadores estão asque nenhum doente deixará sociados a um acréscimo de de ser tratado com qualidacustos, também é verdade de.” que nem o custo é, por si só, Sobre o facto de os tratacritério que afaste a possibimentos inovadores estarem lidade de os disponibilizar associados a um acréscimo ao doente, nem o facto de dos custos e se há condições serem inovadores é, por si de poder dar estes medicasó, critério para a sua dispomentos aos portugueses, nibilização.” admite que se trata de uma Dr. Manuel António L. Silva No IPO de Coimbra, exise clínica, promovendo as boas práticas, a formação e a educação médica contínua em Oncologia”.


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tem instâncias internas que “têm um papel fundamental ao nível da gestão do medicamento e dos ensaios clínicos, ao combinarem critérios de avaliação que consideramos fundamentais para a tomada de decisão”. Vivemos num tempo em que é muito difícil prever todas as variáveis que influenciam as decisões, não só ao nível político, mas também ao nível das instituições. Para o futuro, um desejo: “Continuar a tomar medidas que permitam ultrapassar eventuais constrangimentos orçamentais.”

percebeu-se a importância do mediador intracelular mTOR, para o qual existem, hoje em dia, medicamentos inibidores. Ensaios clínicos em doentes com carcinoma da mama que deixaram de responder ao tratamento hormonal demonstraram que “é possível recuperar a sensibilidade do tumor ao tratamento hormonal pela manutenção deste trata- Prof. Luís Costa mento, em conjunto com a administração de um medicamento inibidor do mTOR TRATAMENTO DO CANCRO DA MAMA (chamado everolimus)”. E acrescenta: “A MUITO ESTUDADO atividade clínica foi demonstrada nos estudos TAMRAD e BOLERO-2 em doença “Cerca de 70% dos cancros da mama metastática.” apresentam expressão de recetores horJá o Prof. Luís Costa, oncologista no monais superiores a 1%, sendo, por isso, Hospital de Santa Maria, em Lisboa, diz considerados sensíveis à horque os inibidores da mTOR monoterapia”, informa a Dr.ª têm sido estudados para o Helena Gervásio, oncologistratamento do cancro e, nesta no Instituto Português de te contexto, foram testados Coimbra, em Coimbra. para reverter a resistência à No tratamento hormohormonoterapia. “O everolinal, “o tamoxifeno continua mus apresenta os resultados com indicação absoluta nas mais favoráveis”, refere. Tal doentes pré-menopáusicas, significa que, “para as doenassociado ou não à castrates com cancro da mama ção química ou cirúrgica. que não estavam a responNas mulheres pós-menoder a uma forma de hormopáusicas, mantém-se a sua Dr.ª Helena Gervásio noterapia, quando fizeram a indicação, não obstante os 2.ª linha associada ao everoinibidores da aromatase não esteroides limus, duplicaram a expectativa de con(anastrazole e letrozole) que surgiram trolo da doença”. mais tarde e com eficácia superior e, por isso, são aconselhados como tratamento de 1.ª linha”, indica. Apesar da evolução da qualidade de resposta nestes tratamentos, surge, com alguma frequência, resistência. “Dispomos, para tratamento de 2.ª linha, de outros inibidores da aromatase (esteroides) e os antagonistas dos recetores de estrogéneos (fulvestrant).” O estudo realizado em doentes com cancro da mama com recetores hormonais (RH) positivos que manifestaram resistência à terapêutica endócrina conduziu à identificação de novas estratégias terapêuticas em que “a utilização de um inibidor do mTOR (everolimus), associado à terapêutica endócrina, resulta numa inibição sinérgica da proliferação e induz à apoptose”. Nos últimos 10 anos, segundo o Prof. “O everolimus está aprovado pela Passos Coelho, oncologista no Hospital Agência Europeia do Medicamento da Luz, em Lisboa, “foi demonstrado que (EMA) e será, entretanto, avaliado pelo no tratamento adjuvante a inclusão de Infarmed, no que se refere ao seu valor inibidores da aromatase, em substituição clínico acrescentado e farmacoeconómide ou em sequência com tamoxifeno, co para utilização em Portugal. Até lá, o resulta no prolongamento fármaco só está acessível da sobrevivência sem repor autorização especial de corrência e, possivelmente, introdução, concedida pelo também na sobrevivência Infarmed, após solicitação global, em comparação com para cada caso clínico que o tratamento anteriormente seja proposto pelo médico recomendado de cinco anos assistente e aprovado pela de tamoxifeno”. Comissão de Farmácia e TeResultante da melhor rapêutica da respetiva unicompreensão dos mecadade hospitalar. nismos de desenvolvimenAs vantagens clínicas da to de resistência adquirida utilização deste fármaco em ao tratamento hormonal, Prof. Passos Coelho associação com uma 2.ª linha

O cancro da mama avançado é uma doença muito complexa e o seu tratamento requer a intervenção de especialistas de várias áreas.

de hormonoterapia são, na opinião de Luís Costa, “muito evidentes. Na publicação do estudo, os doentes tratados com a combinação terapêutica everolimus mais exemestano tiveram um tempo médio até progressão da doença de 6,9 meses, enquanto que para o grupo de doentes que só fez o exemestano o mesmo parâmetro foi avaliado em 2,8 meses”. Após a recente atualização de dados deste estudo, já com um seguimento de 18 meses, verificou-se que o grupo de mulheres tratadas com everolimus e exemestano apresentam uma sobrevivência livre de progressão de 11,0 meses, enquanto o grupo tratado com exemestano apresenta 4,1 meses. Os resultados descritos, nas palavras do entrevistado, “constituem uma inegável novidade pelo benefício alcançado e pelo facto de ser possível ultrapassar a barreira da resistência à homonoterapia”. A comunidade científica está empenhada em compreender como será possível selecionar os doentes ideais para este tratamento, através de testes no tumor e de características clínicas que indiquem o grupo ideal de doentes para uma terapêutica que é revolucionária, mas que também tem efeitos adversos e custos. “Esperamos que este seja mais um dos momentos de esperança. Desejamos também que a sensatez impere na permissão a um acesso controlado e criterioso dos doentes para este medicamento e que esta realidade do avanço da medicina não se torne numa (des)ilusão”, salienta. Helena Gervásio lembra também que “os resultados do ensaio clínico BOLERO-2 mostraram um aumento significativo, na sobrevivência livre de progressão, nas doentes com cancro da mama avançado e tratadas com a associação de everolimus e exemestano”. No ensaio clínico TAMRAD, foi comparada a associação do everolimus com tamoxifeno versus tamoxifeno, em doentes com cancro da mama avançado, RH positivo e HER2 negativo, após falência ao tratamento com inibidores da aromatase não esteroide, “mostrando também um aumento significativo na sobrevivência livre de progressão para o grupo de doentes que recebeu a associação”. Todos estes ensaios confirmam uma nova era terapêutica, com a possibilidade de reverter a resistência tumoral ao tratamento hormonal e, de acordo com a oncologista de Coimbra, “estamos crentes que virão a contribuir para melhor controlo desta doença, permitindo a diminuição da resistência ao tratamento hormonal e, deste modo, possibilitarão o prolongamento da hormonoterapia nas doentes com tumores RH positivos, adiando a quimioterapia, que tem maior toxicidade”. Tal como Luís Costa, Helena Gervásio também diz que, “atualmente, e apesar de o everolimus já estar aprovado pela EMA, em Portugal, só pode ser utilizado através do pedido para utilização especial (AUE), quando devidamente justificado”.

LPCC defende rapidez na aplicação dos tratamentos

“O

cancro da mama, assim como outros tipos, pode ser ´transformado` numa doença crónica”, indica o Prof. Carlos Freire de Oliveira, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), sublinhando que, depois de serem conhecidas as características biológicas do tumor, os médicos informam as doentes sobre os tratamentos disponíveis. Os estudos científicos disponíveis mostram que “o everolimus é uma alternativa, até mesmo em associação com a hormonoterapia, para tumores sensíveis ao tratamento hormonal”. Mas existe um problema: “A questão relaciona-se com a disponibilidade deste medicamento.”

Prof. Carlos Freire de Oliveira

Segundo Carlos Freire de Oliveira, os atrasos que se verificam na aprovação dos medicamentos por parte do Infarmed e, sobretudo, por parte do Ministério da Saúde de disponibilizá-los a nível hospitalar são extremamente longos. Toda a interferência burocrática que impede a utilização do medicamento de forma rápida “é uma grande limitação à sua utilização”. A LPCC tem como principal objetivo defender os direitos dos doentes oncológicos, assim como dos sobreviventes. No entanto, “não tem como missão determinar qual o melhor esquema de tratamento a ser utilizado, mas sim ter esperança que as instituições hospitalares e os próprios médicos, de acordo com a ética, prescrevam o melhor tratamento”.

Com o apoio:


4 | Jornal de Saúde Pública | 12 de janeiro 2013

Racionamento na saúde equivale a mais despesa e menos doentes tratados Três meses depois de se tornar público um parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) que considerava existir um fundamento ético para que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) promova medidas para conter custos com medicamentos, que assegurassem uma “justa e equilibrada distribuição dos recursos”, a discussão continua. Quando estão em causa doenças graves, crónicas e incapacitantes, está certo racionar ou devemos racionalizar?

“T

oda a ciência económica é bamento Geral do Estado e quando se faz seada na ideia de que é precio racionamento pelos vários ministérios so tomar decisões, sendo que e setores”. ao economista cabe, sobretudo, avaliar Na sua ótica, não pode simplesmenquais são os critérios mais racionais para te atribuir-se uma verba de 7 milhões de euros e pedir para fazer escolhas. fazer essa escolha”, afirma o Prof. Carlos O responsável não aceita que lhe diGouveia Pinto, professor do Instituto Sugam: “Agora para a saúde vão só 5% do perior de Economia e Gestão, explicando que isso acontece porque os recursos são PIB, enquanto continuar a haver excesso escassos. de deputados e uma frota milionária de Para o economista da saúde, existe automóveis do Estado.” E adverte: “Na alguma “confusão” entre os conceitos Saúde, o racionamento é igual a menos “racionar” e “racionalizar”. No seu encuras, menos doentes tratados, mais tender, “racionamento não é unicamenmortes e mais despesa.” te proibir as pessoas de fazerem algo”, mas também “colocar obstáculos” a que JÁ HÁ DOENTES PREJUDICADOS o façam. Assim, no caso da saúde, as taCOM O RACIONAMENTO xas moderadoras ou as filas de espera são formas de racionamento. Todavia, Enquanto presidente de uma associação de doentes – SOS Hepatites –, Emília mais importante do que os conceitos Rodrigues afirma que tem vindo a depa“é a existência de critérios de eficiência rar-se com alguns casos de e equidade claros”, assim racionamento, provenientes, como de bom senso e anásobretudo, de uma iniciativa lise não só dos custos diretos, mas também indiretos. de 14 administrações hospiSegundo indica, as optalares do Norte que fizeram uma Ata, que, entre outros ções políticas sempre se basearam na premissa de que fármacos, limita a disponibié necessário apostar em lização dos novos inibidores de protease no tratamento determinados programas da hepatite C. em detrimento de outros, A responsável admiou seja, “sempre se estabete existirem, pelo menos, leceram prioridades”. Em Saúde, acontece o mesmo. Prof. Carlos Gouveia Pinto entre 200 a 300 pessoas à “A aposta é feita em deterespera da medicação ademinadas opções, que proquada. E relata o caso de longam mais a vida e lhe dão qualidade um senhor que aguardou pela entrega em detrimento de outras.” dos medicamentos de janeiro até seO bastonário da Ordem dos Médicos, tembro, tendo entrado em descompensação cirrótica e acabado, infelizmente, Prof. José Manuel Silva, reconhece que por falecer. os recursos são finitos e que é necessário José Manuel Silva alerta para o facto de, fazer escolhas. Porém, considera, “estas “no caso da hepatite C, as administrações têm de começar um passo mais atrás”, hospitalares estarem a racionar os dois sobretudo, “quando se define o Orça-

medicamentos mais inovação, para que tenhamos a dores, impedindo que cerca certeza de que estão a ser de 30 a 40% sejam curados, utilizados de acordo com e isso tem implicações em a “mais rigorosa evidência termos de despesa”. científica e sem qualquer Por outro lado, “os hosdesperdício”. pitais que utilizam estes José Manuel Silva adverte antivíricos estão a fazê-lo ainda que há um conceito com base em autorização em Medicina que tem de ser especial, ou seja, caso a equacionado, a “imprevisibicaso, e isso faz com que a lidade terapêutica”. “Quando administramos um fármaco aquisição do medicamennão sabemos como ele vai to seja muito mais cara Emília Rodrigues do que quando este está reagir. Desta forma, não poautorizado e devidamente negociado demos impedir os doentes que iam ter uma boa resposta de a ter”, finaliza. com os laboratórios farmacêuticos que comercializam os dois fármacos. É um racionamento sem qualquer tipo de raRelatório de Bruxelas cionalização, prejudicando os doentes e diz que cortes na Saúde podem o erário público”. aumentar a despesa até 16%. O bastonário admite que estes medicamentos para a hepatite C possam ser incluídos no registo nacional da sua Papa Bento XVI teme utilização para que haja critérios bem que a Saúde se torne um definidos e assumidos para a sua utilização e para a auditoria da sua utilizadireito apenas de alguns.

BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS:

“A ética numa sociedade deve ser definida com a participação de todos”

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ma das questões admitiço para poupanças noutras áredas à discussão pelo paas que não a do medicamento, recer do CNECV é a “permiscomo por exemplo através sibilidade de racionamento da agilização de uma central por idade”, o que, para José nacional de compras ou da Manuel Silva, é “absolutamencriação de centrais regionais. te inaceitável numa sociedade “O Ministério da Saúde podia civilizada”. poupar dezenas de milhões de O bastonário considera haeuros em economia de escala, ver tanto para racionalizar que não só nos medicamentos, mas se “torna ainda mais chocante também nos consumíveis e nos que se vá pela via mais fácil, o dispositivos médicos”, justifica. racionamento, que não obriga Prof. José Manuel Silva Segundo refere, só agora é a reorganizar nem a reestruturar nada”. que se está a fazer um registo dos dispositivos O responsável é da opinião que ninguém médicos no Infarmed. “Até aqui, cada hospital tem o direito de impor o seu conceito ético comprava à sua maneira”, afirma, adiantando à população. “Não é aceitável que um pare- haver hospitais a comprar medicamentos ao cer com esta implicação tenha sido decidido dia. dentro de quatro paredes. A ética numa sociePara o bastonário, é necessário ter uma dade deve ser definida com a participação de visão estratégica e olhar para a Saúde como todos”, refere. um setor de negócio importante, porque conO responsável entende que há ainda espa- tribui também para a economia do País.

Diretora: Paula Pereira (paulapereia@newsfarma.pt) Assessora de Direção: Helena Mourão (helenamourao@newsfarma.pt) Diretor Comercial: Miguel afonso (miguelafonso@newsfarma.pt) Assessora Comercial: Sandra Morais (sandramorais@newsfarma.pt) Diretora de Publicidade: Conceição Pires (conceicaopires@newsfarma.pt) Gestora Comercial: Cláudia Sousa (claudiasousa@newsfarma.pt) Agenda: agenda@newsfarma.pt Editor de Fotografia: Ricardo Gaudêncio (ricardogaudencio@newsfarma.pt) Diretor de Produção: João Carvalho (joaocarvalho@newsfarma.pt) Diretor de Produção Gráfica: José Manuel Soares (jms@newsfarma.pt) Diretora de Marketing: Ana Branquinho (anabranquinho@newsfarma.pt) Redação e Publicidade: Av. Infante D. Henrique, 333 H, 37 1800-282 Lisboa, Tel. 21 850 40 65, Fax 21 043 59 35, newsfarma@newsfarma.pt, www.newsfarma.pt Jornal de Saúde Pública é um projeto da News Farma, de periodicidade mensal e de distribuição conjunta com o Expresso, com a tiragem total do próprio jornal. News Farma é uma marca da Coloquialform, Lda. Pré-press: IMPRESA Publishing Impressão: Lisgráfica. A reprodução total ou parcial de textos ou fotografias é possível, desde que indicada a sua origem (News Farma) e com autorização da Direção. Nota: Os conteúdos publicados no presente dossier não são da responsabilidade da Direção do Expresso ou da IMPRESA Publishing, sendo editorialmente autónomos.

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6 | Jornal de Saúde Pública | 12 de janeiro 2013

CRIADA ASSOCIAÇÃO PARA O ESTUDO DA DOENÇA

Anemia é pouco valorizada Os portugueses já ouviram falar de anemia, mas no fundo não conhecem as causas que podem levar ao aparecimento da mesma. Muitas vezes, o conceito é banalizado e, em determinadas situações, podem surgir consequências graves. Até ao momento, não existem dados efetivos sobre a incidência e prevalência da anemia em Portugal. Mas este cenário vai mudar. O Anemia Working Group (uma associação recém-criada no nosso país que visa aumentar o conhecimento sobre as anemias) vai desenvolver um estudo epidemiológico que pretende obter um retrato nacional concreto da prevalência da doença, para posteriormente ser possível uma melhor definição de estratégias de abordagem. Outro foco importante para este grupo consiste na realização de ações que posicionem a anemia na plataforma de importância que tem, sensibilizando e alertando para este importante problema de saúde pública.

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dos glóbulos vermelhos, por si só, pode ser um sinal muito importante da existência de um problema grave. Atualmente, “é um importante problema de saúde pública porque a prevalência, mesmo nas sociedades civilizadas e industrializadas, é muito elevada”, alerta Robalo Nunes. A Organização Mundial de Saúde revela que “cerca de 25% da população mundial poderá ter algum tipo de anemia, sendo que metade é carenciada”. No entanto, é necessário chamar a atenção para o facto de que “a anemia ferropénica (por deficiência de ferro) é a mais prevalente. Nos dias de hoje, este tipo de anemia já pode ser tratado com eficácia, em tempo útil e com a obtenção de bons resultados”, revela o especialista.

ANEMIA WORKING GROUP: NOVA ASSOCIAÇÃO À DISPOSIÇÃO DE MÉDICOS E DOENTES Para tentar ajudar a “combater este problema de saúde pública”, foi criado no passado dia 5 de dezembro o Anemia Working Group, também denominado Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia. Especificamente, trata-se de um grupo de trabalho constituído por vários médicos de diversas especia-

lidades que partilham o mesmo interesse: a anemia. Segundo Robalo Nunes, “o grande objetivo desta união passa, fundamentalmente, por promover, de uma forma organizada, concertada e cumulativa, a realização de estudos e a formação e, ao mesmo tempo, definir estratégias para melhorar a abordagem ao problema”. E reforça: “O Anemia Working Group pretende colocar a anemia na plataforma de importância que tem e que, lamentavelmente, nem sempre lhe é atribuída.”

Nesta perspetiva, a ideia passa pela criação de um centro de referência de estudos e respetiva divulgação e, por outro lado, por fazer um alerta motivacional dirigido à população em geral, para que esta possa passar a valorizar determinados sintomas.

Estudo epidemiológico sobre a prevalência da anemia em Portugal

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ma das primeiras iniciativas do Anemia Working Group passa pelo desenvolvimento de um estudo epidemiológico sobre a prevalência da anemia em Portugal, relativamente à qual não existem registos nacionais. A avaliação já arrancou, sendo os primeiros resultados divulgados no final do primeiro trimestre deste ano. “Será, assim, possível ter uma noção mais clara e efetiva do problema em Portugal, especialmente junto da população adulta”, possibilitando verificar a existência de eventuais assimetrias na distribuição do problema. “Só

depois de ser efetuado o levantamento é que se podem delinear estratégias para se atuar em conformidade.” Para além da quantificação do problema, o estudo visa ainda fornecer informação acerca dos tipos de anemia mais frequentes. Apesar de existirem outras sociedades científicas que também estão devidamente alertadas para os problemas inerentes à anemia, “a criação deste grupo de trabalho vem assim colmatar uma lacuna, dado que, até ao momento, não havia uma dedicação extrema em termos individuais e públicos”, conclui Robalo Nunes.

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cansaço é o principal sintoma subjetivo da anemia. A população em geral tende sempre a arranjar um motivo para justificar o cansaço e quase nunca admite a possibilidade de poder estar com anemia. No entanto, é imprescindível divulgar que, “para além deste, as alterações de humor, as insónias, a palidez, a queda de cabelo, as unhas frágeis e até a fraca apetência sexual são outros sinais que também devem ser valorizados pela população”, explica o Dr. Robalo Nunes, médico imuno - hemoterapeuta e presidente do Anemia Dr. Robalo Nunes Working Group. A anemia ocorre quando existe uma diminuição dos glóbulos vermelhos e, por conseguinte, “o oxigénio não é transportado até aos tecidos nas melhores condições”. A doença pode ocorrer devido a causas carenciais (falta de aporte de nutrientes) e, em determinadas situações, também surge no contexto de outras patologias, como é o caso, por exemplo, das neoplasias e das doenças crónicas. Neste momento, quando a população fala de anemia banaliza um pouco o conceito, mas, no fundo, não possui a informação necessária sobre os problemas que dela podem advir. Esta diminuição

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12 de janeiro 2013 | Jornal de Saúde Pública | 7

PROF.ª MARIA HELENA CARDOSO, PRESIDENTE DA SPEDM:

“Racionalização das despesas não pode ser obstáculo à inovação” alimentação saudável e estimuladoras de uma vida ativa, promovendo a atividade física. “A participação em qualquer forma de desporto deve ser fortemente estimulada.” Enquanto não for travado o aumento da obesidade, “a incidência da diabetes tipo 2 não diminui, pois, são duas doenças fortemente associadas”, alerta. Estes são alguns dos temas que irão estar em debate no XIV Congresso Português de Endocrinologia e na 64.ª Reunião

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inovação em Portugal, na conjuntura atual, é possível? Ao responder à questão, a Prof.ª Maria Helena Cardoso, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), afirma que “não podemos permitir que a racionalização das despesas seja um obstáculo à inovação”. É cada vez mais importante diminuir o intervalo de tempo entre a descoberta científica e a sua aplicação prática, para que “a comunidade e, neste caso, os doentes possam beneficiar rapidamente da inovação científica, sem tempos de espera, que podem significar mortes e complicações irreversíveis evitáveis”. Relativamente ao facto de a conjuntura económica poder criar limitações no diagnóstico, seguimento e tratamento raciocínio, Maria Helena Cardoso consideda diabetes, a especialista esclarece que ra que “o bom controlo da diabetes é uma há evidência de que “os tratamentos e as medida custo-poupadora e terapêuticas que melhorem devem ser colocados à diso controlo glicémico e reposição dos clínicos todos duzam as complicações da diabetes diminuirão signifios meios necessários para cativamente os gastos com alcançar o objetivo”. a saúde”. Para se tentar “combater” Numa altura de grandes a diabetes no nosso país, de restrições orçamentais, é acordo com a endocrinoloimportante que “as atitudes gista, têm de ser tomadas medidas que contribuam custo/poupadoras e custo/ para a prevenção e o con/efetivas sejam reconhecidas, divulgadas e implementrolo da obesidade e, portadas”. Ao seguir a linha de Prof.ª Maria Helena Cardoso tanto, promotoras de uma

muns aos dois países, reforçando os laços já existentes. “Realizar-se-ão ainda simpósios conjuntos com outras sociedades científicas portuguesas, como é o caso da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução e da Sociedade Portuguesa de Oncologia, com vista a aumentar a cooperação entre as diferentes sociedades, estimulando a realização de projetos científicos, a nível nacional, com maior impacto na comunidade científica, pela sua dimensão e representatividade.”

Curso de Insulinoterapia na Diabetes Tipo 2

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Anual da SPEDM, a decorrer, de 24 a 27 de janeiro, no Porto. Efetivamente, trata-se de um momento em que os endocrinologistas portugueses e sócios das ciências afins se podem reunir, apresentar os seus trabalhos e planear formas de cooperação entre os diversos centros. São esperados cerca de 600 congressistas, que terão oportunidade de assistir à apresentação das últimas novidades e de participar em vários debates, como é o caso, por exemplo, do simpósio “Colaboração Angola Portugal: oportunidades de cooperação”, que tem como objetivo estimular a realização de projetos co-

cerca da realização do Curso de Insulinoterapia na Diabetes Tipo 2, patrocinado pela Sanofi, no âmbito do XIV Congresso Português de Endocrinologia e da 64.ª Reunião Anual da SPEDM, Maria Helena Cardoso conta que a realização do mesmo visa dotar os clínicos das competências que lhes permitam melhorar o uso dos recursos para o controlo da diabetes, com o objetivo de reduzir as suas complicações. “A insulinoterapia representa um meio que, se for bem utilizado, tem um papel importantíssimo no bom controlo da diabetes.” No entanto, “tem de ser aplicado mais precocemente, com mais à vontade, seguindo uma criteriosa seleção do tipo de insulina a usar, nos tempos e doses mais adequadas”. Este curso destina-se a todos os médicos que “lidam com a diabetes, nomeadamente colegas da Medicina Geral e Familiar que têm um papel fundamental na adesão dos doentes à insulinoterapia, uma terapêutica que pode salvar capital de saúde se for iniciada na altura adequada, sem atrasos causadores de danos, na maior parte das vezes, irreversíveis”.

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Com o aproximar da realização do XIV Congresso Português de Endocrinologia e da 64.ª Reunião Anual da SPEDM, a decorrer de 24 a 27 de janeiro, no Porto, a Prof.ª Maria Helena Cardoso, presidente da SPEDM, defende que as limitações económicas não podem “prejudicar” os doentes. Tem de continuar a haver empenhamento na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento eficaz. Embora os mecanismos de controlo das despesas conduzam à diminuição dos custos com a doença, tem de se assegurar que esses mesmos controlos não constituam uma obstrução ao tratamento eficaz.


8 | Jornal de Saúde Pública | 12 de janeiro 2013

SIDA: Portugal regista mil novos casos por ano Prevenção é a palavra-chave no que diz respeito ao controlo do VIH/SIDA em Portugal – patologia que soma ainda cerca de mil novos casos por ano. No âmbito do Dia Mundial de Luta Contra a SIDA, assinalado a 1 de dezembro, profissionais médicos, associações e doentes falam um pouco desta epidemia, que passou de uma infeção grave e mortal para uma doença que reclama agora o estatuto de crónica.

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om uma incidência de mil novos caprimidos. Isto é totalmente errado, porque sos por ano em Portugal, dos quais nem sempre os fármacos resolvem os pro60% são de transmissão heterosblemas”, indica Rui Sarmento e Castro. sexual, o VIH/SIDA continua a ser, apesar do avanço da ciência, uma epidemia que ANTIRRETROVÍRICOS CUSTAM A PORTUGAL deve, acima de tudo, ser prevenida. CERCA DE 200 MILHÕES DE EUROS Em 30 de novembro de 2012 estavam notificados 42.448 casos de infeção por Os números são, de facto, elevados, tendo algum impacto tanto a nível ecoVIH, sendo que 43,5% correspondiam a nómico como social. “Os medicamentos transmissão heterossexual e 13,8% à caantirretrovíricos custam a Portugal mais tegoria de transmissão homo/bissexual, de 200 milhões de euros, representando 37,9% diziam respeito a utilizadores de uma fatia importante dos orçamentos drogas intravenosas e em 0,8% dos casos dos hospitais que tratam estes doentes”, a transmissão foi de mãe para filho. Nesafirma Rui Sarmento e Castro. sa altura, estavam declarados 17.337 caE desenvolve: “No entanto, podemos sos de SIDA, o que representa 40,8% dos dizer que o investimento nesta área é dos casos de infeção por VIH. mais custo-efetivos. Isto porque passáDe acordo com o Prof. Rui Sarmento e mos de uma infeção aguda e mortal para Castro, presidente da Associação Portuguecrónica com outra qualidade de vida e em sa para o Estudo da SIDA, as campanhas de que os doentes sobrevivem educação para a saúde são muito tempo.” muito importantes e devem Do ponto de vista social, realizar-se com alguma freeste investimento permite quência. “Já fizemos muitas e que, ao terem qualidade foram produtivas. Contudo, e de vida, os doentes possam porque a infeção passou a ser continuar a trabalhar. Além crónica, abrandámos um poudisso, estamos também a dico essas ações de informação”, minuir a transmissão, tanto refere. E exclama: “Agora, só por via sexual como por via se fala nos meios de comunida toxicodependência. cação social sobre a doença a “Reduzimos há muitos propósito do Dia Mundial de anos, ou praticamente reLuta Contra a SIDA, porém, é solvemos, o problema das preciso abordá-la mais e aler- Prof. Rui Sarmento e Castro transmissões pelas transfusões de santar para este problema.” gue e diminuímos muito a transmissão Prevenção é, sem dúvida, a palavrade mãe para filho”, explica, defendendo -chave e é importante que todos estejamos ser importante que se insista agora nos informados acerca da doença, das suas rastreios mais generalizados. “Sabemos consequências e das formas de a evitar. que se rastrearmos pelo menos grupos “Muitas pessoas pensam que, por existide pessoas, onde pensamos que possa rem agora medicamentos para a SIDA, pohaver infeção pelo VIH, e começarmos a dem correr riscos, ter um comportamento tratá-las mais cedo, será melhor para os mais promíscuo e depois tomar os com-

infetados e também para reduzir a cadeia de transmissão do vírus.” Quando questionado acerca do benefício da realização de um rastreio generalizado para o VIH em Portugal, o Dr. Eugénio Teófilo, do Serviço de Medicina Interna do tualmente, as pessoas sentem-se mais Hospital dos Capuchos, em Lisboa, afirma confortáveis se o fizerem num local em que é de todo o interesse detetar as pessoas que não sejam conhecidas, sendo os Ceninfetadas o mais cedo possível. tros de Aconselhamento e “Atualmente, preconizaDeteção Precoce VIH (CAD) -se o início mais precoce do uma boa opção para quem tratamento, de modo a que deseja fazer o teste anonios doentes possam benefimamente. ciar de todo o seu potencial”, Segundo o médico, quanexplica, mencionando que, do há infeção por VIH, o or“infelizmente, quando faganismo produz anticorpos zem o teste, muitas pessoas contra o vírus, que não são já estão doentes ou têm as capazes de o eliminar. Os defesas do sistema imunitátestes que se efetuavam inirio muito deterioradas”. cialmente detetavam esses Por outro lado, o especiamesmos anticorpos no sanlista nota que, em termos de Dr. Eugénio Teófilo gue. “Um resultado positivo Saúde Pública, é também imsignificava que a pessoa possuía esses anportante detetar precocemente as pessoas ticorpos e que estava infetada.” infetadas, de forma a reforçar as medidas O problema é que este processo não de prevenção e a impedir novas infeções. ocorre de imediato à infeção, sendo necessárias várias semanas para que os tesMAS COMO SÃO FEITOS OS TESTES VIH/SIDA? tes se tornem positivos. Neste período de tempo, o teste pode ser negativo, apesar Existem vários tipos de testes para o de a pessoa estar infetada”, explica. VIH. A maioria efetua-se com sangue, mas E esclarece: “Os atuais, denominados alguns podem realizar-se com saliva. Setestes de quarta geração, além de detegundo Eugénio Teófilo, qualquer médico tarem os anticorpos no sangue, detetam pode pedir esses testes. Contudo, habi-


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terar a forma como tratamos as pessoas infetadas”. A adesão ao tratamento é fulcral para o seu sucesso. Eugénio Teófilo explica que, se o doente começar a falhar as tomas da medicação, o VIH pode facilmente tornar-se resistente aos fármacos. “Nesta situação, é necessário mudar o tratamento, porém, o vírus torna-se, por vezes, resistente não só aos medicamentos que o doente está a tomar incorretamente, mas também àqueles que nunca experimentou, diminuindo drasticamente as opções de tratamento disponíveis”, menciona. E exclama: “Paradoxalmente, é o próprio Sistema Nacional de Saúde (SNS) que agora promove a má adesão ao tratamento. Tem havido com frequência rotura de stock de antirretrovirais nos hospitais, fornecendo-se medicação para períodos inferiores a um mês (às vezes, só para uma semana), o que dificulta muito a adesão ao tratamento, devido ao custo das deslocações e aos problemas laborais, entre outras razões.” CURA: OBJETIVO PERSEGUIDO, PORÉM, AINDA NÃO ALCANÇADO “O conhecimento científico sobre a infeção VIH conseguido nos últimos 30 anos constitui um dos maiores sucessos da investigação médica.” Quem o afirma é o Prof. Saraiva da Cunha, presidente da Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica, referindo que, neste curto espaço de tempo, conseguimos transformar uma doença letal para quase todos os doentes numa “nova doença”, que reclama agora o estatuto de crónica. “Este feito foi alcançado como resultado da investigação sobre a etiologia da doença, os mecanismos imunopatogénicos do VIH e, mais recentemente, sobretudo pelos enormes sucessos conseguidos no domínio da terapêutica antirretrovírica”, observa. também uma proteína do próprio vírus, A cura da doença é, indubitavelmente, que é produzida em excesso no processo um objetivo perseguido. Contudo, e apesar de multiplicação do VIH e dos enormes avanços, ainda libertada para o sangue. Esnão alcançado. Para Saraiva tes novos testes tornam-se da Cunha, as razões são várias positivos muito mais cedo e devem-se, essencialmente, à (2-3 semanas), após a pescapacidade de latência do vísoa ter sido infetada.” rus em espaços anatómicos de Um resultado positivo difícil esterilização, comumsignifica que a pessoa tem mente denominados “santuo vírus no corpo e pode ários naturais”. “Logo que se transmiti-lo através das reencontre um meio de fazer exlações sexuais e do sangue. purgar estes santuários dos víContudo, não significa que rus aí acantonados estaremos esteja doente. “Para se dizer Prof. Saraiva da Cunha em condições de prenunciar a que uma pessoa tem SIDA é cura da doença”, explica. necessário que tenha determinados tipos de patologias, além de estarem infetadas REDE DE REFERENCIAÇÃO HOSPITALAR com VIH.” DE INFECCIOLOGIA: “UMA ESPÉCIE DE NADO-MORTO” TERAPÊUTICA ANTIRRETROVIRAL: MAIS SIMPLES, MENOS TÓXICA Ao ser questionado acerca do número de profissionais da área, Saraiva da Cunha responde julgar que “atingimos um ponto de Verificaram-se, nos últimos anos, muitos avanços no que toca à terapêuequilíbrio em que o número de profissionais tica, que consiste em administrar vários envolvidos nos cuidados de saúde aos doentipos de medicamentos capazes de imtes infetados por VIH é satisfatório. Haverá, pedir a multiplicação do vírus dentro porventura, algum desequilíbrio na sua disdas células do sistema imunitário e, para tribuição pelo território nacional”. E salienta: Eugénio Teófilo, “com os medicamentos “Estou a referir-me aos cuidados em situaque irão surgir, poderá ser possível alção de doença aguda ou dos prestados ao

Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA

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iretor do Programa Nacional para a Infeção eliminar a transmissão da infeção por VIH da VIH/SIDA, desde o passado dia 9 de março, mãe para o filho até 2016. Em Portugal, os o Dr. António Diniz refere que o dados do Instituto Nacional de mesmo, concluído na altura em Saúde Dr. Ricardo Jorge e do que assumiu a sua direção, tem Grupo Português de Pediatria por base seis objetivos. para o Estudo da Infeção VIH “Em primeiro lugar, na Criança apontam para uma proporção de transmissão própretendemos reduzir em 25% xima de 2%.” o número de novas infeções Questionado acerca das áreas no período de 2012 a 2016. Em de intervenção prioritárias, Ansegundo, reduzir para 35% os tónio Diniz refere que há uma diagnósticos tardios (os dados área transversal, que funcionará atualmente disponíveis indicam como a base sobre a qual as resque, em Portugal, essa percentatantes assentam e que passa por gem é de 65%). Em terceiro lu- Dr. António Diniz conseguir montar um sistema de gar, pretendemos baixar em 50% o número de novos casos de SIDA, tal como das informação e de conhecimento epidemiológico mais alargado, consistente e fiável. mortes associadas”, enumera o responsável. “Para podermos traçar estratégias, definir E continua: “Adicionalmente, queremos aumentar para 95% a proporção de indivíduos objetivos, monitorizar a nossa atuação, avaque, segundo os inquéritos, realizados perio- liar se existem desvios e fazer correções de dicamente, referem usar preservativo em re- forma a conseguir atingir ou mesmo superar lações sexuais ocasionais – os dados de 2010 metas, necessitamos de ter a maior e melhor apontam para 84%. É também nossa intenção informação possível”, conclui.

Congresso Nacional sobre SIDA Realizou-se, de 12 a 15 de dezembro, no Hotel Sheraton Porto, o XI Congresso Nacional de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica e IX Congresso Nacional Sobre SIDA. “De acordo com Rui Sarmento e Castro, o objetivo fundamental foi reunir centenas de profissionais que trabalham com doentes com SIDA. “Juntámos, durante três dias, pessoas que, de alguma forma, se interessam por estas temáticas, difundir conhecimentos e trocar opiniões e experiências, para que se fale mais sobre SIDA e para que todos estejamos mais preparadas para atender os doentes.” do que noutras partes do Mundo. Porém, doente que se encontra com a doença concontinuam a ser muitos os desafios que se trolada sob terapêutica antirretrovírica.” colocam às pessoas que vivem com o VIH O mesmo não se pode, na sua opinião, e que por esta infeção são afetadas, como dizer dos cuidados continuados ou a doé o caso das famílias e dos amigos”, indientes terminais, bem como daqueles com ca Andreia Pinto Ferreira, da Associação problemas socioeconómicos, onde as caSER+, referindo que estes começam logo rências ainda se fazem sentir. pelo processo de aceitação do diagnósti“Necessitamos, com a máxima urgência, co, passando por aprender a de ver clarificado quais os prolidar com as outras pessoas e, fissionais de saúde e as estrupor fim, com o tratamento e turas que precisamos para esta as suas consequências. área”, indica Saraiva da Cunha. “Os medicamentos disSegundo refere, a rede de poníveis e os esquemas tereferenciação hospitalar de rapêuticos recomendados Infecciologia é “uma espécie proporcionam, aos que a de nado-morto”, que nunca eles têm acesso, uma vida foi implementada. “Com a remais longa e com maior quaformulação em curso da carta lidade. Contudo, os efeitos hospitalar nacional, terá obrisecundários e a própria hagatoriamente de ser revista e bituação aos fármacos pode atualizada. Julgo que esta é ser difícil de gerir”, explica. uma oportunidade única para Andreia Pinto Ferreira E acrescenta: “Até agora, o SNS tem asseque seja construída em estreita interação gurado, de forma geral, esse acesso, bem com o Programa Nacional para a Infeção como orientações terapêuticas corretas e VIH/SIDA, que pretende, entre outras mediadequadas. Mas há incertezas quanto ao das, criar uma rede nacional de referenciafuturo.” ção para estes doentes”, comenta. Para Andreia Pinto Ferreira, a população não está ainda devidamente inCONTINUAM A SER MUITOS OS DESAFIOS formada acerca da doença e, nesse senDAS PESSOAS COM VIH/SIDA tido, a SER+ tem previsto o objetivo de promover atitudes e condutas favoráveis “Viver, hoje, com VIH não é como há 20 ou 30 anos e em Portugal é muito diferente à integração e aceitação de pessoas se-


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ropositivas para o VIH em diversos conpor isso, continua a fazer todo o sentido textos, assegurando a defesa dos seus colocar o respeito pelos direitos humanos direitos e contribuindo para no centro da resposta global que a sua inserção nestes ao VIH/SIDA. meios não dependa da sua Relativamente às dificulcondição específica de saúdades sentidas pelas ONG de. Além disso, reforça a imno apoio às pessoas com portância das Organizações VIH/SIDA, Maria Eugénia SaNão Governamentais (ONG) raiva afirma que a atual conensinarem as pessoas que juntura social adversa, muito vivem com a infeção pelo influenciada pelo impacto VIH a saber identificar e a da crise económica, conduagir em situações de discriziu a constrangimentos ao minação. nível do investimento soliA SER+ é uma associação Maria Eugénia Saraiva dário (individual, coletivo e sem fins lucrativos que se deempresarial). dica à infeção pelo VIH. Tem como visão “Estes fatores refletem-se na sustentaque Portugal seja um país que respeite os bilidade das ONG que, além de terem de direitos humanos das pessoas que vivem lidar com o aumento do número de pescom esta infeção, garantindo o acesso à soas que recorrem aos seus serviços, conprevenção, tratamento, apoio e cuidados frontam-se com dificuldades na obtenção de saúde. de donativos”, constata. A LPCS é uma Instituição Particular de CONJUNTURA SOCIAL CONDUZ Solidariedade Social, de utilidade públiA CONSTRANGIMENTOS AO NÍVEL ca, sem fins lucrativos, fundada em 1990 e DO INVESTIMENTO SOLIDÁRIO reconhecida como ONG desde 2006, que tem por objeto o apoio às pessoas infetaMaria Eugénia Saraiva, da Liga Portudas e afetadas pelo VIH/SIDA. guesa Contra a SIDA (LPCS), é da mesma opinião e considera que a infeção pelo VIH/SIDA tem um grande impacto na Contactos: vida da maioria das pessoas, pelo que se torna “imprescindível” não só a promoSER+ ção do bem-estar físico, possibilitando Rua André Homem, Edifício SER+, n.º 60 tratamentos cada vez mais eficazes e 2750-783 Cascais o acesso a cuidados adequados, como Telefone: 21 481 41 30 E-mail: sermais.org@sermais.pt também a promoção do bem-estar psiSite: www.sermais.pt cológico. “Infelizmente, o estigma e o preconLPCS ceito associados ao VIH/SIDA subsistem, Rua do Crucifixo, n.º 40 – 4.º Esq. afetando a vida de muitas pessoas que vi1100-183 Lisboa vem com a infeção e colocando sérios enTelefone/Fax: 21 347 93 76 E-mail: info@ligacontrasida.org traves ao nível da prevenção”, menciona Site: www.ligacontrasida.org Maria Eugénia Saraiva, observando que,

Exposição Solidária “100 Contra a Sida”

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Liga Portuguesa Contra a Sida organizou, entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, a Exposição Solidária “100 Contra a Sida”. Esta iniciativa reuniu obras de 100 artistas portugueses de diversas áreas, como a pintura, a escultura, a fotografia, a música, o cinema e a moda. O grande objetivo passou

por assinalar o Dia Mundial da Luta Contra a Sida e, ao mesmo tempo, os fundos angariados reverteram a favor da Unidade Móvel de Rastreios “Saúde+Perto”. Foram várias as personalidades que fizeram questão de marcar presença no evento, entre as quais se destacaram Maria Cavaco Silva, Maria Eugénia Saraiva e Maria Barroso.

NECESSIDADES PREMENTES

Otimização dos novos re g terapêuticos e prevençã o “Desde que a infeção VIH/SIDA evoluiu para uma doença crónica, o alvo da atenção clínica passou a ser a otimização dos novos regimes terapêuticos, com ênfase na simplificação e numa menor toxicidade e melhor tolerância.”

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sta é uma afirmação da Dr.ª Rosário lares de especialidade, porém, numa Serrão, responsável pelo Hospital população crescente de utentes com pade Dia/Clínica de Ambulatório VIH tologias crónicas e de idade crescente, do Serviço de Infecciologia teremos de estruturar uma do Hospital de São João, no articulação efetiva com os Porto, que referiu ainda que cuidados de saúde primáo acompanhamento destes rios, numa partilha de comdoentes tem, atualmente, petências benéfica para todiversas vertentes, que imdos”, considera. põem ao clínico novas resO diagnóstico precoce, ponsabilidades. a capacidade de retenção “A promoção e o controdos doentes no sistema de lo da adesão ao tratamento, saúde, uma adesão adea monitorização e correção quada ao tratamento e a dos efeitos adversos à terarealização de rastreios à popêutica, o controlo metabópulação e de campanhas de Dr.ª Rosário Serrão lico, a par do virológico, são educação para a saúde são, exigências fundamentais em doentes de forma geral, algumas das mais imporcuja idade média tem vindo a aumentar”, tantes medidas, apontadas por estes três observa. médicos, a colocar em prática com os obPor outro lado, o Dr. Fernando Maljetivos de melhorar a qualidade de vida tez, diretor do Serviço de Infecciologia das pessoas com VIH/SIDA e de controlar do Hospital de Curry Cabral, em Lisboa, esta epidemia. indica que, tendo em conta o elevado grau de eficácia já atingido com os A PRESCRIÇÃO MÉDICA E A antirretrovíricos disponíveis, as atuais SUSTENTABILIDADE DO SNS necessidades passam por “encontrar fármacos cómodos de administrar e Ao serem questionados sobre de que forma pode o clínico contribuir para a gapossíveis de coformular em comprimirantia do acesso universal à terapêutica, dos únicos”. mantendo a sustentabilidade do Serviço Na sua opinião, o grande desafio, agoNacional de Saúde (SNS), Rosário Serrão ra, é apostar na prevenção. “Tendo em salienta que a preocupação fundamenconta a eficácia da medicação, devemos tal dos médicos é a saúde dos doentes, investir no sentido de tentar controlar o estando estes sempre em primeiro lugar. número de novos casos de infeção”, sa“O clínico tem de conhecer lienta, mencionando, tamos esquemas terapêuticos bém, que há sempre melhorecomendados para decidir, rias a efetuar no que confere perante um doente concreao apoio clínico multidiscito, qual é o esquema que plinar aos doentes e, ainda, melhor se adapta a ele”, esno acesso aos cuidados de clarece. saúde e aos apoios sociais. Fernando Maltez menPara a Dr.ª Patrícia Paciona que é da responsacheco, diretora do Serviço bilidade do médico gade Infecciologia do Hospirantir que o doente está a tal Prof. Doutor Fernando ser tratado com a melhor da Fonseca, na Amadora, medicação possível, com um dos grandes desafios base nos conhecimentos para as estruturas de saúde Dr. Fernando Maltez atuais. “O clínico tem de tratar o doente é a capacidade de conseguir disponibicom o melhor medicamento que tem lizar, de forma adequada, a abrangência à disposição. No entanto, entre opções de cuidados de que os doentes necesde eficácia similar, não há razão para sitam. não optar pela mais económica”, nota, “Em Portugal, o acompanhamento acrescentando que, para garantirmos destas pessoas mantém-se quase que que o tratamento antirretroviral vai esexclusivamente em consultas hospita-


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e gimes ã o da doença tar, no futuro, disponível para todos, é fundamental O ETERNO PRECONCEITO investir na prevenção, pois, só assim se vai reduzir o “O estigma nunca irá desaparecer, uma vez que está número de casos. associado ao preconceito e Patrícia Pacheco é da à não aceitação do outro, opinião de que, hoje em que é diferente. Sendo esta dia, “o médico tem de penuma doença ligada a comsar no doente, mas também portamentos socialmente no custo da sua prescrição” não normativos, e sabene, perante dois fármacos do-se que a mesma pode igualmente eficazes, opta conduzir à morte e que é muitas vezes pelo menos Dr.ª Patrícia Pacheco transmissível através de relações sexuais oneroso. (criação de vida), é difícil que este pre“Embora esta consciencialização dos conceito desapareça rapidamente, custos seja importante, pode virtualafirma Amílcar Soares, presidente da mente condicionar a prescrição médica, Associação Positivo e pora qual deveria permanecer tador do vírus há mais de isenta”, nota. E conclui: 25 anos. “Caminharmos para norSegundo menciona, os mas gerais de prescrição problemas atualmente eninstitucionais e/ou naciofrentados pelas pessoas nais talvez seja uma das infetadas são exatamente opções a explorar, porque os mesmos que se apliretira dos médicos, indivicam à população em gedualmente, a pressão adiral, agravados pelo facto cional dos custos e remete de serem portadores de os aspetos financeiros, em VIH/SIDA, que influencia, exclusivo, aos órgãos de Amílcar Soares por exemplo, a escolha de gestão.”

Situação económica coloca obstáculos aos doentes

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ara Luís Mendão, presidente do GAT e portador do vírus, a maior parte dos desafios enfrentados pelas pessoas infetadas “não está relacionada com a dinâmica da infeção pelo VIH, propriamente dita, mas sim com uma série de convenções sociais e constrangimentos económicos que se colocam presentemente”. Estes obstáculos prendem-se, segundo menciona, com o facto da dispensa dos medicamentos ser feita em períodos de tempo cada vez mais curtos Luís Mendão e com a dificuldade que sentem em justificar as inúmeras ausências do emprego, havendo, desta forma, o risco de as pessoas não aderirem convenientemente à terapêutica. “Adicionalmente, os constrangimentos atuais colocam também barreiras à introdução de medicamentos inovadores no mercado português”, refere. Por último, aponta o estigma e a discriminação ainda presentes na nossa sociedade em relação a esta infeção como um dos principais impedimentos para que as pessoas infetadas pelo VIH possam ver respeitados os seus direitos como cidadãos de pleno direito.

No que confere aos avanços da terapêutica, Luís Mendão destaca como um dos principais a capacidade de identificação dos fármacos responsáveis por efeitos metabólicos que conduziam ao aparecimento da lipodistrofia, que, além de provocarem problemas de autoestima, era estigmatizante, já que muitas pessoas associavam determinadas alterações morfológicas à infeção pelo VIH. Quanto ao futuro, o presidente do GAT diz que “uma das certezas que temos neste momento, fruto da evolução dos tratamentos e da qualidade e esperança de vida que estes trazem, é o envelhecimento da comunidade de pessoas infetadas pelo VIH. Esta realidade traz vários desafios, pois, à medida que as pessoas vão envelhecendo naturalmente a sua situação clínica altera-se”. A maior novidade prende-se, na sua opinião, com a investigação da cura que, apesar de a maioria das estratégias experimentadas ser ainda hipotética, traz “muita esperança para o futuro da Humanidade”.

candidatos em resposta a um emprego. Além disso, existe uma enorme dificuldade na obtenção dos medicamen-

tos, tendo os doentes de se deslocar ao hospital mais de uma vez por mês. “Esta situação é grave nos casos em que a pessoa tem de justificar a sua repetida ausência junto da entidade patronal”, indica.

Dr.ª Rosário Serrão: “O clínico tem de conhecer os esquemas terapêuticos recomendados para decidir, perante um doente concreto, qual é o esquema que melhor se adapta a ele.” Para Amílcar Soares, a “ideia falaciosa” de que esta doença já não é mortal levou a população a acreditar que a mesma não é perigosa, uma vez que existe já muita medicação indicada. “Se é verdade para alguns, não o é para outros, tendo em conta que, em Portugal, continuam a morrer pessoas devido à SIDA ou a outras doenças oportunistas correlacionadas.”


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VIH/SIDA: qualidade de vida dos doentes melhorou? Há 30 anos, o mundo viu-se perante uma doença incurável, fatal a curto e médio prazo, que rapidamente criou uma vaga de medo, morte e discriminação. Falamos da SIDA. Com o passar do tempo, o diagnóstico e o tratamento evoluíram de tal forma que a qualidade de vida dos doentes melhorou. A Dr.ª Manuela Doroana, infecciologista do Hospital de Santa Maria, e o Dr. Eugénio Teófilo, internista do Hospital dos Capuchos, falam acerca das mudanças ocorridas. – Nas décadas de 80/90, ouvíamos falar de SIDA como uma doença mortal. O que mudou desde então? Manuela Doroana (MD) – Até 1997, os tratamentos eram escassos, compostos por um ou dois fármacos, e nem sempre utilizados adequadamente, ou seja, os doentes já estavam muito imunodeprimidos e, por esse motivo, a sobrevivência era baixa. A partir de 1997, com a introdução de uma nova classe terapêutica e o início da utilização de três fármacos associados, a resposta ao tratamento passou a ser completamente diferente, fazendo com que os doentes ainda só portadores do vírus não progredissem para doença. Com o aparecimento de novos fármacos, mais convenientes e mais potentes, e a compreensão dos doentes para o cumprimento rigoroso na toma dos fármacos, toda a evolução da doença se modificou, com uma menor mortalidade e, hoje em dia, a sua esperança de vida é semelhante à dos indivíduos não infetados.

Dr. Eugénio Teófilo

– Em que mudou a terapêutica desde que os primeiros casos foram diagnosticados? Eugénio Teófilo (ET) – Quando surgiram os primeiros casos, não havia nada. Tratavam-se os sintomas das doenças oportunistas e era muito complicado tratar estas doenças sem que o sistema imunitário melhorasse. Em 1987, surgiu o primeiro medicamento utilizado numa dose elevada, tomado 4-6 vezes por dia, e os doentes tinham tantos efeitos secundários que houve quem se interrogasse se não es-

tariam a morrer por causa do medicamento e não por causa da SIDA. Depois foram aparecendo mais medicamentos e começaram a fazer-se associações. Em 1995, surgiu outro medicamento da mesma classe terapêutica, que melhorou bastante o estado clínico dos doentes e é em 2006 que são apresentados os primeiros resultados, com a introdução dos inibidores da protease e a capacidade de controlar a replicação viral. Este foi o início da terapêutica antirretroviral moderna.

– Qual a importância da adesão à terapêutica na resposta ao tratamento? ET – É necessária uma boa educação do doente para que entenda a importância do tratamento, bem como a sua correta administração. Mas a terapêutica tem de ser cómoda para que provoque a menor disrupção possível da vida do doente. Além disso, deverá ser o mais isenta de toxicidade possível, sobretudo quando falamos de iniciar o tratamento mais precocemente, numa altura em que as pessoas estão completamente assintomáticas. – As alternativas terapêuticas mais simples podem contribuir para uma melhor adesão à terapêutica? MD – A adesão à terapêutica está diretamente relacionada com a melhor tolerabilidade do tratamento, com o menor número de comprimidos e com a capaci-

Atualmente, há uma tendência para a simplificação do tratamento, de forma a melhorar a adesão e a sua eficácia. Estes fármacos mais antigos provocaram muitos efeitos adversos e surgiram complicações metabólicas e alterações da forma corporal que conduziram à identificação da lipodistrofia. Estas alterações foram muito emblemáticas, pois, permitiam a identificação das pessoas que tomavam os medicamentos e contribuiriam para a estigmatização dos indivíduos infetados pelo VIH.

dade de o médico abordar o tratamento em conjunto com o doente. Em todos os questionários que foram realizados aos doentes sobre terapêutica na nossa consulta a parte da simplificação foi valorizada por estes e quando lhes foi sugerido para mudar a terapêutica de dois comprimidos para um a resposta afirmativa foi unânime.

– Existem novos tratamentos? Qual o seu valor terapêutico acrescentado? MD – Recentemente, foram aprovados novos medicamentos, também disponíveis em apenas um comprimido. Estes novos medicamentos tornam-se, especialmente relevantes em doentes que tenham alterações neuropsiquiátricas, como alterações do sono, pesadelos, alterações do humor ou tendência para depressão. Os novos medicamentos tendem a ser muito melhor tolerados, bem como a possuir um perfil lipídico com menor tendência para aumento dos triglicéridos.

– O que os doentes mais valorizam no seu tratamento? MD – Os doentes valorizam a comodidade do esquema terapêutico e a sua simplificação. As perguntas que mais frequentemente fazem quando lhes é abordada a perspetiva de iniciar medicação são qual o número de comprimidos que irão fazer e os efeitos que os medicamentos lhe irão trazer para a sua vida.

– Atualmente, quais são os fatores críticos de sucesso do tratamento da infeção VIH? MD – Os fatores críticos serão a capacidade para convencer o doente da importância de adesão à terapêutica e a escolha mais correta do tratamento para cada doente mediante as suas características, ou seja, verificar quais as queixas que o doente tem à partida, quais as doenças que tem associadas, o seu modo de vida. O essencial parece-me ser a confiança que o doente tem no seu médico, de modo a que passe a fazer a medicação que se repercutirá na sua saúde e no seu bem-estar.

MD – Terão de existir novas formas de abordagem, nomeadamente na prevenção, pois, todas as semanas surgem novos casos diagnosticados de infeção por VIH na consulta. Existem ainda doentes não diagnosticados, pois, as manifestações de doença podem surgir tardiamente.

– Com o atual tratamento, podemos travar esta epidemia? ET – Este aspeto tem sido debatido desde há dois ou três anos, e o tratamento das pessoas infetadas deve ser encarado como um problema de saúde pública. Se pensarmos que uma pessoa infetada com carga viral elevada tem maior risco de infetar outras pessoas numa relação sexual e que esse risco diminui muito quando o tratamento antirretroviral é eficaz, se tratarmos precocemente as pessoas infetadas podemos diminuir o número de novas infeções na comunidade. Tem de implementar-se novamente um programa de prevenção com enfoque no sexo mais seguro e utilização do preservativo nos contactos sexuais.

Dr.ª Manuela Doroana

– Que avanços terapêuticos podemos esperar no futuro próximo? MD – A eficácia alcançada com os esquemas terapêuticos na atualidade já é bastante elevada, pelo que o que teremos, no futuro, de continuar a trabalhar será a tolerabilidade máxima dos constituintes, mantendo o regime da simplificação para um comprimido por dia ou, quem sabe, no futuro, podermos utilizar novas moléculas, cuja sobrevida seja tão grande e a administração possa ser de uma vez por semana. Até ao momento, a vacina e mesmo a cura não me parecem estar no horizonte, a curto ou médio prazo. ET – Atualmente, há uma tendência para a simplificação do tratamento, de forma a melhorar a adesão e a sua eficácia. Claro que isso só poderá ser possível com fármacos bem tolerados e cuja administração seja cómoda. Nos próximos dois ou três anos, estarão disponíveis cinco regimes terapêuticos num só comprimido, incluindo diversas classes terapêuticas: não nucleósidos, inibidores da integrase e inibidores da protease. Estão também em desenvolvimento formulações de fármacos, alguns já disponíveis com nanomoléculas que permitiriam a administração parentérica mensal. Também em ensaio clínico há um inibidor da fusão com possibilidade de administração trimestral. Há ainda uma série de moléculas em estudo para tentar erradicar os vírus dos santuários e conduzir à eventual cura.


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COM INÚMERAS FORMAS DE MANIFESTAÇÃO

Ansiedade

afeta cerca de 16,5% da população portuguesa A ansiedade é uma reação normal da vida social. No entanto, ao atingir determinados níveis, torna-se patológica e necessita ser tratada. Esta é uma situação com elevada frequência em Portugal e pode manifestar-se de inúmeras formas.

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erca de 16,5% da população portuguesa sofre de patologias do espetro da ansiedade. Quem o afirma é o Prof. António Pacheco Palha, ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), desde 2010, até ao final do ano passado, citando um estudo efetuado, há cerca de dois anos, pela Escola de Ciências Médicas de Lisboa, sob a coordenação do Prof. Caldas de Almeida. “A ansiedade é uma manifestação normal da vida social, sendo persistente ou repetitiva nas pessoas. Contudo,

quando atinge um nível de intensidade grande e afeta o dia-a-dia, altera a qualidade de vida e interfere com a capacidade, eficiência e adaptação de uma pessoa às exigências quer profissionais, quer familiares. Ela está doente e precisa de tratamento, pois está num registo diferente daquele que seria o normal”, refere. Este é um estado que tem inúmeras formas de se manifestar. Segundo refere o psiquiatra, existe a ansiedade que interfere com a rotina diária e que leva a pessoa a sentir inseguranças em relação à

execução das suas tarefas, ou em termos checo Palha alerta para a importância de de manifestação no corpo, afetando a sua se efetuar um diagnóstico precoce que, saúde física, situação em que pensa que segundo informa, é “essencial para travar algo está mal, passando a ter uma focalio progresso de uma doença e melhorar o zação no seu corpo e a ter um comportaprognóstico”. mento hipocondríaco. Para que tal aconteça, o ex-presidente Há, ainda, a ansiedade em resposta a da SPPSM considera também necessário um estímulo em específico formar os especialistas de e, neste caso, trata-se de Medicina Geral e Familiar, uma fobia. António Pacheco que estão mais perto da Palha dá exemplos: o medo população, assim como os de andar de comboio, de enfermeiros, de forma a andar sozinho na estrada, “treinar as suas perícias de a dificuldade em atravessar diagnóstico em relação às pontes ou de estar em locais situações mais comuns”. com muita gente. No estudo Voltando a referir que referido, a prevalência de foeste é “um combate já bias específicas era de 8,6%. quase ganho”, o psiquiatra “Estas fobias fazem com menciona que, para que que as pessoas fujam de de- Prof. António Pacheco Palha haja um melhor conheciterminado estímulo. Elas não mento e aceitação da esestão doentes, não apresentam qualquer pecialidade, assim como respeito pelos doentes psiquiátricos, devem ser realiqueixa se deixarem de enfrentar os estízadas campanhas de educação para a mulos, mas o facto é que têm uma qualidade de vida diminuída, por não serem sociedade em geral, começando pelas livres de fazerem tudo o que querem”, escolas. observa, salientando que estas situações podem tratar-se, e com alguma facilidade, desde que seja seguido um plano. “Estas formas de manifestação são muito prevalentes na população. As pessoas consideram que se trata de ‘manias’, de ‘medos’, e pensam que não se podem tratar, o que é uma pena, porque são situações que podem ser resolvidas”, refere. Além disso, existe outra situação clínica muito ligada às fobias: o pânico. “Esta é uma condição que assusta muito o indivíduo. Caracteriza-se por intensa aflição e por uma instabilidade muito grande, tanto pela componente física, como pela psicológica, que faz com que se sintam em risco e corram para a urgência hospitalar”, indica António Pacheco Palha, mencionando que quanto mais precocemente se tratar estes casos melhor. UMA POPULAÇÃO MAIS INFORMADA SOBRE PSIQUIATRIA Atualmente, ao contrário do que se passava anteriormente, a Psiquiatria já não é vista com maus olhos por parte da população e há cada vez menos problemas em procurar um especialista nesta área. Contudo, embora esteja já “muito popularizada”, existe ainda uma ideia errada sobre esta especialidade médica. “O psiquiatra ainda é visto como o médico que prescreve remédios e não percebe as pessoas, quando o verdadeiro psiquiatra é aquele que conhece o doente, sabe a sua história de vida e tem tempo e espaço para o ouvir. Ou seja, tem grande valia, componente psicológica que é fundamental para se conceber uma estratégia terapêutica”, explica. Apesar de haver menos estigma e dificuldade por parte das pessoas em aceitar que precisam de ajuda psiquiátrica, o certo é que os doentes chegam à consulta, muitas vezes, em estados de doença já avançados. Nesse sentido, António Pa-

Apesar de haver menos estigma e dificuldade por parte das pessoas em aceitar que precisam de ajuda psiquiátrica, o certo é que os doentes chegam à consulta, muitas vezes, em estados de doença já avançados.

Para terminar, António Pacheco Palha não quer deixar de referir a importância que a SPPSM pode ter em termos de esclarecimento destes temas. “Esta é uma Sociedade científico-médica aberta, não só para realizar formações dentro de especialidade, mas também para participar em atividades educativas a nível das comunidades. Para além dos psiquiatras, a SPPSM interessa-se, também, pelo apoio à formação de outros profissionais de saúde e pela informação clara e correta para a população em geral, desejando que tenha uma atividade mais presente junto da comunidade portuguesa”, conclui.


14 | Jornal de Saúde Pública | 12 de janeiro 2013

UTILIZAÇÃO NO TRATAMENTO DE DOENÇAS REUMÁTICAS E GASTRINTESTINAIS

Medicamentos biológicos: o que são e quais os seus benefícios? Medicamentos biológicos – sabe realmente o que são? Sabe o que os distingue dos fármacos convencionais? Em entrevista, especialistas falam sobre os seus benefícios, particularmente no tratamento de doenças do foro da Reumatologia e da Gastrenterologia, e fazem um ponto de situação relativamente ao acesso dos doentes a estas terapêuticas, que já estão disponíveis há mais de 10 anos em Portugal.

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s medicamentos biológicos são produzidos a partir de células vivas, com recurso a métodos de biotecnologia. É um processo complexo, em que estas células devem permanecer sob condições específicas durante semanas ou meses. Este processo produtivo difere substancialmente do utilizado na produção química dos fármacos convencionais. “Os medicamentos biológicos têm uma ocorrem em certas doenças, sendo “muiestrutura que os impede de serem ingerito mais precisos e seletivos do que os medos oralmente, porque seriam destruídos pelo sistema digestivo, necessitando, por dicamentos convencionais”. João Eurico Fonseca adianta que são isso, de administração endovenosa ou “muito eficazes” na artrite subcutânea”, explica o Prof. reumatoide, espondilite João Eurico Fonseca, reumaanquilosante, artrite psotologista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e diretor da riática, artrite idiopática juvenil e lúpus eritematoso Unidade de Investigação em sistémico. Adicionalmente, Reumatologia do Instituto de “são usados em muitas ouMedicina Molecular da Facultras doenças imunomediadade de Medicina da Universidade de Lisboa. das”. De acordo com o especiaNa área da Gastrentelista, estes fármacos estão derologia, os medicamentos senhados para inativar alguns biológicos são utilizados mecanismos específicos que Prof. João Eurico Fonseca no tratamento das doen-

ças inflamatórias intestinais (DII), como a colite ulcerosa (CU) e a doença de Crohn. Na opinião do Dr. Leopoldo Matos, diretor do Serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO)/Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), são a “arma Dr. Leopoldo Matos Dr.ª Raquel Gonçalves que faltava”. melhoria clínica (sinais e sintomas), dos Segundo a Dr.ª Raquel Gonçalves, diparâmetros analíticos (marcadores inretora do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de Braga, “nos doentes com flamatórios) e cicatrização da mucosa (resolução das lesões do intestino), com doença moderada a severa, observa-se resolução a curto prazo e manutenção da remissão a longo prazo num número significativo de casos, sendo possível a alteração do curso natural da doença”. “O infliximab e o adalimumab têm eficácia reconhecida em grande parte dos doentes com DII moderada a seve(Irlanda, Holanda, Noruega, Suécia, Bélgica, Suíça, Áustria, Dinamarca, ra”, refere a gastrenterologista, dizendo haver opções terapêuticas por via enEspanha, França, Finlândia, Reino Unido, Alemanha e Itália). Uma das razões para isto acontecer prende-se, segundo João Eurico dovenosa e subcutânea. Menciona, ainda, “relativamente à CU, Fonseca, com “a possibilidade de existirem doentes que estão fora dos cuidados de saúde das consultas de Reumatologia por não existir uma co- que poderá haver vantagem no uso de bertura nacional adequada desta especialidade”. Por conseguinte, “estes infliximab, nas situações de colite gradoentes poderão não ter acesso ao padrão ideal de tratamento e alguns ve/fulminante, pela rapidez e eficácia do fármaco por via endovenosa, o que evita, deles poderão ter indicação para serem tratados com biológicos”. em larga escala, a necessidade de uma in-

Portugal na cauda da Europa no acesso a biológicos para tratamento da artrite reumatoide

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oi publicado recentemente um estudo que comprovou que Portugal se situa na cauda da Europa no que respeita ao acesso aos medicamentos biológicos para tratamento da artrite reumatoide. Nesta investigação, os autores compararam a prescrição de biológicos em 15 países da Europa (Portugal inclusivé) e concluíram que a percentagem de doentes com artrite reumatoide tratados com biológicos em Portugal é 12 pontos percentuais inferior à média, o que coloca o País na última posição face aos restantes 14 países da Europa analisados


12 de janeiro 2013 | Jornal de Saúde Pública | 15

NOTÍCIAS

Uma vida normal… com um diagnóstico de Crohn

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ecorria o ano 2000, Sandra Dias sentia febre e um desconforto intestinal. O médico pede uma colonoscopia e o diagnóstico é imediato: doença de Crohn. Sandra nunca tinha ouvido falar desta doença, mas foi-lhe explicado que a mesma não tem cura. Trata-se de uma doença crónica. Segue-se uma fase de tratamentos diferenciados: corticoides, imunossupressores, entre outros.

Em 2009, Sandra inicia medicação com biológicos e quase simultaneamente manifesta o desejo de ser mãe. Obstetra e gastrenterologista são unânimes e retiram a Sandra a medicação com imunossupressores, mantendo a medicação com biológico. Na consulta seguinte, chegou grávida de seis semanas. Correu tudo bem e em 2010 Sandra dá á luz uma menina saudável, retomando logo após o parto a medicação biológica, que mantém

até aos dias de hoje. Confessa que a medicação biológica mudou a sua vida, trazendo-lhe mais qualidade. “Senti uma diferença drástica. Aliás, vivo como se não tivesse a doença e no dia-a-dia não tenho qualquer limitação. A única coisa que me faz lembrar que tenho doença de Crohn é o facto de ter que ir de 8 em 8 semanas ao hospital, para que o medicamento me seja administrado por via endovenosa”, conta. “Nunca mais tive uma crise, uma diarreia ou as dores abdominais que me obrigavam a ficar de cama. Iniciei o medicamento biológico após uma oclusão intestinal e hoje sinto claramente uma grande melhoria na minha qualidade de vida”, acrescenta. A decisão de engravidar levantou sérias dúvidas e medos, mas os médicos tranquilizaram-na. Avaliados os riscos de manter a terapêutica biológica e os de a suspender, a Sandra decidiu seguir o conselho dos especialistas e continuar o tratamento até ao terceiro trimestre de gestação. “Naturalmente, pensava nos riscos do bebé, mas, quando temos um filho, não traz garantia pós-venda e, portanto, ninguém pode garantir que tudo correrá bem, quer sejamos saudáveis ou não”, diz. Hoje, Sandra tem uma filha saudável, com quase três anos, um diagnóstico de Crohn e uma vida igual a tantas outras… Perfeitamente normal.

REMODELAÇÃO CORPORAL NÃO-INVASIVA Por ocasião da exposição BODY, que decorreu em Londres, nos dias 3 e 4 de novembro, a Syneron Candela apresentou, durante a conferência de imprensa, os resultados de vários ensaios clínicos que avaliaram a eficácia e a segurança do Ultrashape V3 e do Velashape (dois equipamentos de remodelação corporal não invasiva). Graças a uma tecnologia por ultrassom focalizada, o Ultrashape V3 é capaz de eliminar os depósitos de gordura localizada de forma não invasiva, contrariamente ao que acontece na lipossucção, um procedimento cirúrgico que implica um tempo de recuperação mais prolongado e o recurso a anestesia. Por intermédio da tecnologia por radiofrequência e luz pulsada, o Velashape II (equipamento de segunda geração) aumenta as fibras de colagénio e permite um efeito reafirmante da pele. O Dr. Christopher Inglefield, cirurgião plástico londrino, lembrou que, após os estudos que incluíram a participação de 118 indivíduos do sexo feminino e masculino, foi demonstrada a eficácia do UltraShape na redução da gordura corporal localizada. “O excelente grau de satisfação com o UltraShape, observado nos dois últimos dois anos, confirma a segurança e a eficácia desta tecnologia não-invasiva, que não implica dor ou recobro. É uma intervenção cómoda, em regime de ambulatório, que permite uma redução do volume corporal sem os riscos associados a outras abordagens invasivas, permitindo que os doentes retomem imediatamente a rotina diária”, confirmou o especialista.

Nelson Pires entre os melhores… Nelson Pires, diretor-geral da Jaba Recordati, integra o ranking Melhores Gestores de Pessoas 2012. A atribuição dos galardoados com o prémio dos 20 melhores gestores de pessoas resultou de uma seleção entre mais de 1000 participantes. Os 20 Melhores Gestores de Pessoas 2012 foram anunciados numa cerimónia, no CCB, que decorreu em dezembro. Licenciado em Direito, com um e-MBA em negócios no setor farmacêutico, uma pós-graduação em Marketing e ainda uma especialização em gestão, Nelson Pires é também membro da Direção da Apifarma.

Reunião Monotemática do GEDII 2013 - Fatores de prognóstico na DII Vai decorrer, nos dias 18 e 19 de janeiro, no Hotel Intercontinental, no Porto, a 4.ª edição da Reunião Anual do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal (GEDII), desta feita subordinada ao tema “Fatores de prognóstico na DII”. O objetivo da reunião é, de acordo com o presidente do Grupo, Prof. Fernando Magro, “fomentar a investigação da DII em camadas mais jovens de médicos e cientistas portugueses”. De entre os assuntos que serão abordados durante o evento, o presidente do GEDII destaca, pela importância, o debate sobre “o reconhecimento de grupos de risco, a monitorização clínica e biológica dos doentes Prof. Fernando Magro e a identificação de doença de mau prognóstico”. fármaco, devido às restrições financeiras das farmácias hospitalares. Apesar disso, na área em que trabalha, diz não existirem limitações desse tipo, havendo “um protocolo apertado para os doentes que poderão beneficiar deste tipo de tratamento”.

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tervenção cirúrgica urgente de ressecção cólica”. Leopoldo Matos adverte que a atividade e intensidade da DII têm repercussão sobre a globalidade do organismo. Neste sentido, é importante não deixar passar os timings certos para modificar tratamentos ou iniciar terapêuticas, pois, dessa forma, “podem criar-se situações de muito mais difícil recuperação, o que se torna penoso para o doente e dispendioso para o Sistema Nacional de Saúde”. O vice-presidente da SPG admite que possa haver alguns constrangimentos na prescrição dos medicamentos biológicos que se prendem, por um lado, com a necessidade de demonstrar os critérios de benefício para um doente específico e, por outro, com a disponibilidade do

Syneron Candela apresentou resultados

75% DAS MULHERES SOFREM DE AFRONTAMENTOS Cerca de 75% das mulheres sofrem com as chamadas ondas de calor (afrontamentos) derivadas da deficiência estrogénica. Mais de 25% têm afrontamentos por mais de 5 anos, sendo estes acompanhados por calafrios, suores intensos, palpitações e mal-estar. Nos primeiros cinco anos da pós-menopausa, a mulher pode perder até 5% da massa óssea por ano, perdendo nesse período até 25% da sua massa óssea, o que aumenta o risco de fraturas e pequenos traumas. Para orientar e guiar o ginecologista na sua consulta de menopausa, a Sociedade Portuguesa de Menopausa lançou agora, com o patrocínio do laboratório ISUS, um guia sobre o “Uso dos fitoestrogénios na Ginecologia”, um manual de consulta obrigatória por todos os que diariamente atendem a mulher na peri e pós-menopausa, tentando minorar as consequências desta fase sensível da vida.


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