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SET/OUT 2016 | MENSAL | 2€

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JORNAL ENFERMEIRO c o n t e x to s , c o m p e t ê n c i a s e n e c e s s i da d e s da e n f e r m a g e m

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Exigências dos enfermeiros vão além do emprego entrevista a José Carlos Martins, presidente do SEP

06 em perspetiva

A abordagem do enfermeiro na nutrição oncológica

08 PROFISSÃO

Pós-graduação em cuidados intensivos precisa-se

13 Futuro

O que leva a escolher Enfermagem?



Emancipação das marionetas em resultados económicos (bons) e financeiros (por vezes muito redutores), baseados em famosos indicadores de desempenho. Se algumas profissões rapidamente souberam definir não só os seus indicadores mas aqueles que seriam utilizados para medir em euros o desempenho de cada serviços/instituição, outras emaranharam-se em tais complexidades conceptuais e de aplicação estratosférica que ainda hoje andam à procura de query’s e arquétipos em Marte… Neste contexto, vamos assistindo reiterada e ciclicamente às reivindicações por parte das diferentes organizações socioprofissionais, as quais de forma intencional ocupam o espaço umas das outras, sem se darem conta, ou talvez dando, que dessa forma apenas condicionam a sua efetiva afirmação. No nosso caso em concreto, assistimos à sistemática

“Qualquer pessoa ou profissional da saúde mais míope olha para a digladiação entre profissionais como titãs altamente corporativos, que mais não são do que pigmeus nas mãos do titereiro decisor”

exigência de contratação de mais profissionais… já dissemos que seria necessário contratar 2000 enfermeiros, depois 2500. Mais recentemente foi apresentada uma proposta de contratação de 3000 enfermeiros por ano durante cada ano da próxima década e na greve da semana passada o caderno reivindicativo incluía a exigência de “aumento da contratação pelas Instituições Hospitalares ainda em 2016 e contratação de 4 000 enfermeiros em 2017”. Ora nessa mesma semana foi anunciado, na apresentação do Orçamento do Estado para 2017, um incremento de mais 350 milhões de euros para o Ministério da Saúde, pelo que será interessante vir a saber, depois do respetivo processo negocial, para qual ou quais dos oito pontos do tal caderno reivindicativo será alocada essa verba. Numa sociedade moderna seria expectável que os dirigentes das organizações socioprofissionais fossem de facto obreiros da definição e concretização de políticas de saúde, com inegáveis benefícios para cidadãos e profissionais, ao invés de se eternizarem nos cargos ou serem apenas estrelas cadentes com luminosidade para vídeos e fotografias de circunstância. Também por isso, é cada vez mais emergente renovar com equilíbrio. Seria igualmente relevante, para uma resposta mais adequada às populações, que fosse reconhecido e valorizado, também em termos remuneratórios, o percurso profissional de cada enfermeiro. Como bem se sabe, fruto da experiência, formação contínua e desenvolvimento profissional, vamos progressivamente ficando peritos e/ou especialistas em diversas áreas, gerando obviamente melhores resultados em saúde para as pessoas, famílias, grupos e comunidade.

opinião

Alexandre Tomás Enfermeiro, docente na Universidade Atlântica

A manter-se a bizarra constatação de que enfermeiros que trabalhem desde 2000 ou 2015 sejam de cuidados gerais ou já especialistas têm o mesmo vencimento, iremos continuar a assistir ao anúncio de políticas que se tornam estéreis, como sejam: investir na plataforma contra a obesidade infantil, mas não há enfermeiros dedicados em exclusivo à saúde escolar; a rede de cuidados continuados vai integrar respostas em saúde mental, mas afinal não há enfermeiros especialistas; precisamos de capacitar os cuidadores, mas as equipas de intervenção domiciliária estão descapitalizadas de recursos humanos… É também por isso que, apesar de vivermos sob forte influência da ‘geração pokémon’, dos post e dos likes que nos remetem para a alienação silenciosa, tem de haver esperança na mobilização convergente do coletivo por forma a permitir a emancipação das marionetas.

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Enfermagem em Portugal, na Europa e em vários países do mundo desenvolveu-se na justa medida da evolução do Sistema de Saúde do respetivo país. Os desafios e exigências colocados por progressivas e cada vez mais complexas necessidades em saúde da população influenciaram os planos de estudo de escolas/ /universidades, bem como cursos de formação contínua dos profissionais, com inevitável reconfiguração de conteúdos funcionais. Foi assim na nossa história, provavelmente será assim no nosso futuro. Da análise histórica sobre a relação dos Sistemas de Saúde com as profissões/ocupações da saúde, constatamos que os primeiros determinam a criação, existência, evolução, afirmação e até extinção das segundas. Naturalmente que qualquer pessoa ou profissional da saúde mais míope “olha” para a digladiação entre profissionais como titãs altamente corporativos, que mais não são do que pigmeus nas mãos do titereiro decisor. A evidência económica, social, demográfica e também política permite-nos afirmar que o aumento da esperança média de vida e o incremento da qualidade de vida dos portugueses foi consequência não apenas da melhoria das condições gerais de vida, mas também como resultado das atividades altamente diferenciadas prestadas no Serviço Nacional de Saúde, público, universal e geral. O novo milénio trouxe o bug do ano 2000, não tecnológico, porque esse foi alegadamente controlado pela então designada Task Force do Ministério da Saúde, mas sim organizacional. Assistimos à inexorável implantação de modelos de gestão e organização das unidades prestadoras de cuidados de saúde centrados essencialmente

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José Carlos Martins, presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

Admissão de mais enfermeiros continua a ser uma reivindicação central

Entrevista

No mês em que os enfermeiros voltaram à rua, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins, faz o balanço da greve e admite novas formas de luta se as negociações com o Ministério da Saúde não chegarem a bom porto. A contratação de enfermeiros e o pagamento

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entrevista

das horas extra em atraso mantêm-se como reivindicações centrais.

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Jornal Enfermeiro | Os enfermeiros estiveram mais uma vez em greve, nos dias 13 e 14 de outubro. Porquê? José Carlos Martins | Os objetivos da greve, constantes do pré-aviso de greve, foram, sem qualquer hierarquia de importância: i) Pela reposição do valor integral das horas de qualidade e extraordinárias insertas no Decreto-lei n.º 62/79 de 30 de março; ii) Pela admissão de enfermeiros, designadamente: ii1) Imediata reabertura do concurso nacional para 2.000 enfermeiros, para as administrações regionais de Saúde; ii2) Aumento da contratação pelas instituições hospitalares ainda em 2016 e ii3) contratação de 4.000 enfermeiros em 2017; iii) Pela progressão nas posições remuneratórias e abertura de concurso para enfermeiro principal; iv) Pela negociação do suplemento remuneratório para enfermeiros especialistas e das grelhas salariais das categorias de enfermeiro, enfermeiro chefe e supervisor; v) Pelo pagamento do trabalho extraordinário realizado e dos incentivos financeiros aos enfermeiros que integram Unidades de Saúde Familiar Modelo B, e pela harmonização de condições (salariais e de trabalho) entre trabalhadores que exercem funções nas diferentes Unidades Funcionais

dos Agrupamentos de Centros de Saúde; vi) Pelas 35h semanais para os enfermeiros em “contrato individual de trabalho” que não as detêm; vii) Pela negociação de medidas que minimizem a penosidade e risco inerente à profissão (aposentação, dias de férias). Estes objetivos correspondem a exigências de solução para os principais e mais gravosos problemas com que estamos atualmente confrontados. Bem sabemos o quadro económico-financeiro, social, etc, em que o país “se move”. Por isso, nestes objetivos, há matérias que requerem (é necessária e possível) resposta imediata, outras que requerem a abertura de negociações e outras mais de médio prazo. JE | Quais os números de adesão à greve? JCM | Dia 13 - manhã: 71,6% e tarde: 75,2%. Dia 14 - noite: 81,1% e manhã: 71%. A média geral foi de 74,7%. Foi uma excelente greve. Depois das formas de luta e greve que temos realizado, estes níveis de adesão evidenciam, no essencial, duas coisas: a importância e necessidade de exaltar a nossa insatisfação e descontentamento com as nossas condições de trabalho; a enorme capacidade de resiliência e esforço

dos enfermeiros para conseguirem a melhoria das suas condições. JE | Que resultados concretos esperavam obter? Quais eram as expectativas? JCM | Os processos negociais e as inerentes dinâmicas sindicais são um continuum. Assim, na consideração do processo negocial/ sindical de 2016 e na consideração de outros fatores, onde sobressai a fase de apresentação/discussão e aprovação do Orçamento do Estado para 2017, designadamente a reposição do valor integral das “horas de qualidade”, as 35h semanais para todos os enfermeiros (consagração formal para os enfermeiros com CIT que não as detêm e sua efetivação nos horários para os restantes enfermeiros, via contratação de mais enfermeiros) e o pagamento de dívidas aos enfermeiros são expetativas mais imediatas. Depois, é a negociação sobre as restantes matérias. JE | Tiveram da parte do Ministério da Saúde alguma resposta concreta para os problemas que apresentaram? JCM | O nosso percurso histórico, entre muitas outras coisas e de forma genérica, ensina-nos duas coisas essenciais: a afirmação e desenvolvimento da profissão

e a melhoria das condições de trabalho dos enfermeiros foram sempre conseguidos, entre outros fatores, por “movimento coletivo da profissão” e, neste “movimento”, através de formas de luta dos enfermeiros (foi sempre “a pulso”). Por outro lado, as “conquistas” nem sempre foram, nem são, imediatas aos processos de luta. Nesta greve o Ministério da Saúde reagiu sobre as questões do “emprego”, mas as exigências vão muito além desta questão. Espera-se que o Ministério da Saúde, no quadro do protocolo negocial acordado, apresente a sua proposta de Instrumento Normativo e reinicie as negociações. JE | Qual a articulação entre o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e o Sindicato dos Enfermeiros, quer nas reivindicações, quer nas greves? Há alinhamento entre os dois sindicatos? JCM | No processo negocial da atual Carreira de Enfermagem (DL 247, DL 248/2009 e DL 122/2010) houve alinhamento (várias reuniões) entre sindicatos no que respeita às reivindicações e formas de luta. Este processo correu mal e minou por completo a necessária confiança entre estruturas. O alinhamento do SEP é exclusivamente com as justas aspirações e reivindicações


dos enfermeiros, com a afirmação e desenvolvimento da profissão.

JE | O governo assumiu por escrito, este ano, que todos os enfermeiros passariam a ter um período normal de trabalho de 35 horas, mas voltou atrás com a decisão. Qual foi a justificação apresentada? JCM | A aplicação das 35h semanais tem duas dimensões. Por um lado, é necessário admitir mais enfermeiros para que, quem já as tem legalmente consagradas (enfermeiros com Contrato de Trabalho em Funções Públicas e

JE | As lacunas que identificam (falta de enfermeiros, horas extra a mais...) põem em risco os cuidados de saúde aos doentes? JCM | É óbvio. Há evidência que demonstra a relação entre o reduzido número de enfermeiros nos serviços e o aumento da mortalidade e morbilidade, aumento de erros, não utilização de todas as técnicas e procedimentos exigíveis, dificuldades no acesso a

JE | Se não forem apresentadas, em breve, soluções concretas para todos os problemas dos enfermeiros, ponderam voltar à greve? JCM | Julgamos que para um sindicato digno dessa designação, sempre que o “patrão” não dá resposta aos problemas sentidos pelos trabalhadores, não negoceia soluções (justas, sensatas, equilibradas), as formas de luta, no decurso das negociações ou esgotado o diálogo, têm que estar “em cima de mesa”. Dentro das formas de luta legais, que os trabalhadores e enfermeiros têm à sua disposição, a greve é uma delas. Há-de ser o Ministério da Saúde a decidir se nos levam a ponderar, ou não, novas greves…na exata medida da dimensão da solução que apresente para os problemas. JE | Que outras medidas equacionam, para além da greve? JCM | Todas as legalmente possíveis, que os enfermeiros decidam e estejam disponíveis para fazer. A história demonstra que, em ciclos económicos difíceis e em que é mais difícil obter resultados mais imediatos com as formas de luta desenvolvidas, tende-se a questionar a forma e tipo das formas de luta (muito na lógica da eficácia imediata). E bem, porque a reflexão promove dimensões de inovação. Dado ser a principal arma de quem trabalha, as formas de luta são um bom tema para outra entrevista.

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JE | No primeiro dia de greve, dia 13, o governo anunciou em comunicado que “mantém-se o compromisso de dar prioridade à contratação de profissionais de saúde para o SNS”. Está confiante nessa promessa? JCM | Não temos razões para desconfiar mas também não temos razões para estarmos plenamente confiantes. É certo que o Ministério da Saúde, de janeiro a agosto, autorizou 2.648 contratações de

JE | Relativamente às horas extra, tem noção de quantas horas estão em dívida? JCM | Não temos o apuramento rigoroso em termos nacionais e totais do número de horas de trabalho realizado para além do “horário contratado”. Serão seguramente mais de 300 mil. Há instituições com uma dívida que ultrapassa a 30.000-40.000h. Na restante administração pública, ou no setor da saúde ou em empresas do setor privado, onde ocorre situação semelhante? Não basta apelidar de situação vergonhosa e intolerável. Temos que continuar a exigir a admissão de mais enfermeiros e o pagamento do trabalho realizado.

cuidados de enfermagem (cuidados de saúde primários). Por outro lado, aumenta os acidentes de trabalho, potencia doenças profissionais, eleva brutalmente os níveis de síndrome de burnot, promove o abalroamento das regras (legais e regulamentares) relativas aos horários de trabalho. Como o exigido é manter o normal e regular funcionamento dos serviços, tudo parece ser possível. O que era exceção (fazer turnos seguidos, horários de 12 e mais horas, etc…e tudo isto agrava a penosidade que queremos limitar e exigimos ser compensada) tende a ser regra. A carência é um problema central e a solução (admissão de mais enfermeiros) é estruturante para várias dimensões da profissão.

entrevista

JE | O SEP fala de uma “carência brutal” de enfermeiros nas instituições e a bastonária Ana Rita Cavaco disse recentemente à RTP ser necessário contratar 3.000 enfermeiros por ano nos próximos 10 anos. Atualmente, quantos enfermeiros estão em falta? JCM | Tendo por base indicadores vários (comparação de rácios na OCDE, Sistema de Classificação de Doentes, número de enfermeiros por famílias, áreas de intervenção dos enfermeiros em desenvolvimento), as necessidades apontam para cerca de 25.000 enfermeiros. Por isso, em termos reivindicativos e com esta greve, estamos a exigir o que, sobre esta matéria, consta do pré-aviso.

enfermeiros. Mas, nesse mesmo período, só tivemos mais 531 enfermeiros nas instituições (Portal do SNS), num cenário em que, a 1 de julho, entrou em vigor a aplicação das 35h semanais. O que é que isto significa? Entra 1 mas saem 3, 4 e 5! As degradadas condições de trabalho não viabilizam a fixação de enfermeiros. Por outro lado, é totalmente incompreensível o retardamento da reabertura do concurso nacional para as ARS. Por último, temos conselhos de administração a queixarem-se que o Ministério da Saúde, a partir de setembro, não tem autorizado a totalidade das contratações solicitadas. Portanto, continuar a admitir enfermeiros é uma reivindicação central, a pensar nos cidadãos, nos enfermeiros e no funcionamento das organizações.

cerca de 4.500 enfermeiros com Contrato de Trabalho para Funções Públicas, vulgo CIT), as exerça efetivamente nos horários. Por outro, é necessário consagrar a sua aplicação aos CIT que não as detêm. O argumento utilizado pelo governo para as não consagrar para CIT (nas negociações em julho) foi o processo decisório que estava em curso, na União Europeia, relativamente à aplicação de sanções face ao incumprimento do défice. Ora, “o assunto sanções morreu”. Portanto, não sendo a admissão de mais umas centenas de enfermeiros que coloca em risco a meta do défice, não há qualquer argumento razoável para não harmonizar a duração do tempo de trabalho nas 35h semanais para todos os enfermeiros. O aumento dos tempos de repouso e de descanso, através da diminuição dos tempos e cargas de trabalho, é uma das medidas centrais (de acordo com a evidência científica) para diminuir o nível de penosidade inerente à natureza da função Enfermagem.

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Nutrição oncológica A abordagem do enfermeiro, junto do doente e família, deve-se iniciar pela avaliação do estado nutricional, procurando analisar as condições que comandam a ingestão dos alimentos, a absorção e o aproveitamento dos nutrientes.

Em perspetiva

Bruno Magalhães

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Membro da direção da AEOP, presidente do Conselho Técnico-Científico e coordenador da licenciatura na Escola Superior de Enfermagem de Santa Maria

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A alimentação assume um papel particularmente importante no cancro, podendo constituir um fator protetor ou de risco. Adicionalmente, assume um papel indiscutível no tratamento e acompanhamento das pessoas que padeçam desta doença. A Organização Mundial de Saúde prevê, na próxima década, um aumento de 75% dos casos de cancro, a nível mundial. Este incremento deve-se não só à melhoria dos meios de diagnóstico precoce, mas também à influência de diversos fatores de risco, muitos deles já bem identificados,

dos quais se destacam fatores nutricionais e de estilos de vida. A identificação deste fatores obriga ao desenvolvimento de atividades que vão desde a prevenção e resolução de problemas nutricionais inerentes à população em geral, no sentido da prevenção primária, área muito desenvolvida no âmbito da saúde escolar, que representa o grande referencial do nosso sistema de saúde para o processo de promoção da saúde na escola, desenvolvendo competências na comunidade educativa que lhe permita melhorar o seu nível de bem-estar físico, mental e social e contribuir para a melhoria da sua qualidade de vida. Esta doença, concomitantemente com os tratamentos antineoplásicos que lhe estão associados, pode alterar profundamente diversas funções biológicas e de forma muito marcante o estado nutricional dos doentes. De facto, as alterações na capacidade de saborear, cheirar, deglutir, digerir e eliminar os alimentos de forma independente, tão frequentes na pessoa portadora de doença oncológica, podem conduzir a perda da autoconfiança e da autoestima, ao isolamento social e depressão, conforme já o identificaram alguns autores. Por outro lado, também tem um impacto enorme nos familiares ou pessoas significativas para o doente; a perda de apetite, o emagrecimento, a recusa alimentar ou a presença de sinais e sintomas preditores do mau funcionamento do padrão de alimentação são entendidos pelos familiares como causa de mau prognóstico ou até mesmo a morte. Na nossa prática profissional, é com frequência que nos deparamos com doentes que experienciam mudanças significativas nas suas capacidades de desempenho no

“É fundamental que o estado nutricional seja monitorizado e otimizado o mais precocemente possível, papel que deverá ser assumido, pela natureza do cuidar, pelos enfermeiros” autocuidado, fruto de episódios de doença (aguda ou crónica) ou dos processos de envelhecimento; mudanças essas que os conduzem a quadros de dependência. Estas mudanças configuram transições com relevância para a enfermagem, na medida em que ajudar os doentes a lidarem com os seus défices no autocuidado e a reconstruírem a sua autonomia são dimensões inscritas no âmago da profissão e da disciplina. Assim, a abordagem do enfermeiro, junto do doente e família, deve-se iniciar pela avaliação do estado nutricional, procurando analisar as condições que comandam a ingestão dos alimentos, a absorção e o aproveitamento dos nutrientes, tendo sempre presente que essas condições são influenciadas por fatores sociais, económicos e pela presença da doença, que interferem no desenvolvimento normal ou impedem o organismo de atingir o máximo das suas potencialidades a nível nutricional.

Parece-me, então, evidente que as intervenções de enfermagem relacionadas com o compromisso dos processos corporais relacionados com a alimentação, quando bem identificados, e que advirão dessa primeira abordagem, serão suscetíveis de produzirem ganhos em saúde ao individuo, com melhoria da qualidade de vida de utente e prestador de cuidados. Um bom estado nutricional traduz-se em efeitos positivos na função imunitária, na diminuição da taxa de complicações, na eficácia da resposta ao tratamento e no controlo dos sintomas. Assim, é fundamental que o estado nutricional seja monitorizado e otimizado o mais precocemente possível, papel que deverá ser assumido, pela natureza do cuidar, pelos enfermeiros sempre presentes ao longo do percurso de doença, desde que este se inicia, aquando do diagnóstico. Preferencialmente, o enfermeiro, simultaneamente com a equipa multidisciplinar, privilegiará em todas as suas intervenções, por forma a otimizar e a potencializar, a alimentação per os. No entanto, também se poderá recorrer a outras formas de nutrição artificial, como seja a nutrição entérica ou a parentérica, realizadas de uma forma complementar ou exclusiva, por forma a responder às necessidades nutricionais do doente, aplicadas em contexto hospitalar e que na última década se têm estendido ao contexto domiciliar. Os cuidados que prestamos a estas pessoas, que realizam artificial, entérica ou parentérica, no domicílio, são praticamente os mesmos que se prestam em contexto hospitalar. A grande particularidade é que os cuidados


é contribuir para a melhoria do estado de saúde da população da sua área geográfica de intervenção, garantindo a continuidade e qualidade dos cuidados prestados, concorrendo, assim e de um modo direto, para o cumprimento da missão do ACES em que esta esteja integrada. Como este é um campo de atuação relativamente recente, o fundamental é a existência de canais de comunicação ágeis e de fácil acesso entre as diversas estruturas do sistema nacional de saúde, isto é, hospitais e cuidados de saúde primários, por forma a dar resposta em tempo útil às necessidades associados a este tipo de intervenção e facilitar a resolução das mesmas. A nutrição artificial no domicílio proporciona maior liberdade em relação ao hospital e representa uma oportunidade para a pessoa, continuando a viver a vida na sua plenitude. O testemunho dos doentes salienta o quão importante é estarem em casa e passarem o tempo com a sua família e amigos. Sobre o ponto de vista clínico, revela-se extremamente importante, uma vez que contribui para a melhoria do estado de saúde da pessoa, em que esteja desnutrida ou em risco a desnutrição, prevenindo o agravamento da doença e das suas possíveis complicações. Além disso, permite

“A nutrição artificial no domicílio proporciona maior liberdade em relação ao hospital e representa uma oportunidade para a pessoa, continuando a viver a vida na sua plenitude”

acompanhar e monitorizar pessoas com diversas patologias, evitando o prolongamento desnecessário do internamento, bem como sucessivas e repetidas hospitalizações, para a correção, por exemplo, de desequilíbrios nutricionais, metabólicos ou fisiológicos. Assim, não poderia deixar de falar no facto de que esta modalidade terapêutica contribui significativamente para a redução dos custos inerentes à prestação dos cuidados de saúde, uma vez que diminui os dias de internamento em contexto hospitalar. Quando a pessoa necessita de suporte nutricional, quer transitória, quer definitivamente, não sendo estritamente necessário permanecer numa instituição hospitalar por outras razões clínicas, tal intervenção pode ser feita no domicílio. Neste contexto, é possível intervir com a mesma qualidade e eficácia clínica, melhorando significativamente as expetativas e a qualidade de vida da pessoa. Existem vários indícios que fazem prever o aumento desta prática, os quais vão desde a contínua necessidade na redução do tempo de permanência nos hospitais, que continua a ser um fator determinante para o desenvolvimento da intervenção domiciliária na generalidade, passando pelo avanço da tecnologia disponível que possibilita que os diferentes tipos de suporte nutricional artificial, anteriormente restritos ao ambiente hospitalar, possam ser aplicados no domicílio com segurança. Outro fator de grande preponderância é o envelhecimento gradual da população, que se traduz num aumento progressivo de pessoas a necessitar de cuidados continuados. Estes cuidados, por serem realizados no domicílio e na comunidade, onde o tratamento é mais cómodo, constituem alternativas viáveis e económicas a internamentos prolongados, que são significativamente mais caros. Acredito, assim, que o ambiente domiciliário pode mesmo vir a tornar-se no local primário de cuidados de saúde deste novo milénio.

“Estes cuidados, por serem realizados no domicílio e na comunidade, onde o tratamento é mais cómodo, constituem alternativas viáveis e económicas a internamentos prolongados, que são significativamente mais caros” A quimioterapia, a radioterapia, a cirurgia, a terapias hormonais e imunossupressoras, a imunoterapia e o transplante de medula óssea têm sido as abordagens mais tradicionais no tratamento da pessoa com doença oncológica. No entanto, estas abordagens terapêuticas, apesar de combaterem o tumor, podem ter um impacto muito negativo no indivíduo. É neste contexto que uma boa nutrição, através de uma alimentação adequada e balanceada para o individuo, dependendo do processo a que está submetido, pode auxiliar na prevenção dessas alterações causadas pela doença e pelo seu tratamento. Para terminar, e dado o grande avanço do conhecimento com que temos vindo a ser confrontados nesta área, não queria deixar de referir os saberes de imunonutrição, nutrigenómica e nutrigenética, que enquanto enfermeiros também devemos começar a dominar, para uma abordagem nutricional mais eficiente diante dos nossos clientes. Nunca esquecendo a intervenção multidisciplinar, com intervenção primordial em oncologia, sendo um fator chave para o sucesso do tratamento e recuperação destes doentes.

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passam a ser prestados pelo próprio com recurso a apoio familiar, tendo sempre de retaguarda a equipa multidisciplinar hospitalar. Esta transferência do cuidar, de um ambiente hospitalar para um ambiente familiar, pressupõe a avaliação prévia da capacidade dos familiares, ou daquela figura que muitas vezes denominamos de prestador de cuidados ou cuidador informal, em saber executar os procedimentos necessários à implementação da nutrição artificial. Aqui, refiro-me a conhecimentos e competências que os cuidadores terão de adquirir ao nível de procedimentos, como: a manipulação das fórmulas de nutrição, a manipulação da via de acesso (acesso vascular ou sonda), por onde vai ser administrada a solução nutritiva e a manipulação da própria bomba portátil de administração da nutrição. A estas novas aprendizagens teremos de associar a verificação de condições de higiene e segurança no domicílio assim como a disponibilidade de equipas especializadas de monitorização e suporte, na qual o enfermeiro assume um lugar de destaque, uma vez que é o principal gestor de todo este processo, no domicílio. Pela sua natureza multifatorial, a nutrição artificial e a sua implementação no contexto domiciliário tem vindo a ser encarada numa perspetiva multidisciplinar e holística. A constituição da equipa de apoio domiciliário deverá incluir, no mínimo, para além da pessoa e seus familiares, um médico, um enfermeiro, um nutricionista e um farmacêutico. A cooperação e partilha de responsabilidades entre os membros da equipa, onde cada elemento desempenha a sua função, é a pedra basilar de um programa de intervenção domiciliária. Na minha opinião, este tipo de cuidados deverá, preferencialmente, ficar adstrito às equipas do hospital, criadas para esse efeito, onde o doente esteja a ser tratado pela sua patologia de base, no entanto, as recém-criadas UCC (Unidades de Cuidados na Comunidade) poderão ter uma papel importante no atendimento deste tipo de doentes uma vez que a sua principal missão

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Maria Manuel Varela, especialista em Enfermagem de Reabilitação

profissão

É necessária uma pós-graduação em cuidados intensivos A pretexto das Jornadas Nacionais de Enfermagem Intensiva, que aconteceram em setembro em Évora, a enfermeira Maria Manuel Varela, responsável pela Secção de Enfermagem da SPCI – Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, sustenta que os planos curriculares carecem de uma abordagem ao doente crítico

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e defende a necessidade de uma pós graduação em cuidados intensivos.

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Jornal Enfermeiro | As experiências foram o grande tema desta edição das Jornadas Nacionais de Enfermagem Intensiva. A partilha de conhecimento entre os pares é essencial para a melhoria e aperfeiçoamento no desempenho da profissão? Maria Manuel Varela | Sem dúvida, se tivermos em conta que são aproximadamente 80 Unidades de Cuidados Intensivos em Portugal em que o denominador comum é o doente crítico, então por que não pôr em comum saberes/ experiências de que tantos podem beneficiar? Tendo sido o tema central das jornadas as Intervenções de Enfermagem: Experiências, os distintos participantes foram portadores de excelentes experiências inovadoras e enriquecedoras, que urge serem partilhadas e que contribuirão para disseminar conhecimentos a integrar na nossa prática diária com vista à melhoria e aperfeiçoamento do nosso desempenho. Saliento que os enfermeiros de cuidados intensivos apresentam uma caraterística notável de procurar elevar o seu desempenho a padrões de excelência no exercício da prática, pelo que consideramos que esta partilha

de conhecimento culmina num afirmar de competências que lhe confere um papel relevante nas equipas multidisciplinares nas UCI.

enfermeiros nas áreas respetivas, nomeadamente: Técnicas de substituição da função renal e Tosse mecanicamente assistida.

JE | O evento juntou, durante dois dias, vários especialistas do setor, tanto a nível nacional como internacional. Qual o grande objetivo da secção de enfermagem da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos ao realizar esta iniciativa? MMV | O principal objetivo da secção de enfermagem ao realizar este evento foi proporcionar um espaço de partilha e debate acerca da Enfermagem Intensiva, que está em constante inovação e desenvolvimento e onde o enfermeiro tem um papel preponderante, imprescindível e reconhecido. Pretendemos, de igual forma, proporcionar contactos e interações entre os profissionais de saúde e a indústria farmacêutica, além de que foi, naturalmente, gerador de um ambiente de confraternização global. Por outro lado, e sendo a SPCI a entidade com responsabilidade em proporcionar formação que confira competências aos enfermeiros em determinadas áreas, elegemos dois workshops, que visam temáticas da prática dos cuidados com o objetivo de capacitar os

JE | Quais os grandes destaques do programa elaborado para este ano? MMV | Considero que todo o programa merece destaque, tendo em conta que mesmo em relação àqueles que são os temas base regularmente apresentados nas jornadas de enfermagem intensiva, e que por norma fazem parte do quotidiano das unidades, como técnicas de substituição da função renal, nutrição e ventilação no doente crítico, e segurança e qualidade dos cuidados, houve a preocupação de trazer para as mesas e conferências as últimas evidências científicas, partilhando práticas de intervenção nesses vários domínios. Há temáticas que, pela sua índole inovadora e com uma prática não difundida nas nossas unidades, suscitam particular interesse, sobretudo a utilização dos modelos preditivos do delirium, a utilização da Dexmedetomidina como novo enfoque na prevenção e gestão do delirum, e a utilização do oxigénio de alto fluxo no doente crítico. Saliento que todas as temáticas foram de uma importância ímpar nas jornadas, acrescentando

conhecimento de forma a desenvolvermos uma prática de qualidade profissional cada vez mais complexa, especializada e exigente. JE | Considera que é necessário haver mais formação, mais investimento na área da enfermagem intensiva? O que está ainda por fazer? MMV | Os planos curriculares da licenciatura em enfermagem


“Os enfermeiros de cuidados intensivos apresentam uma caraterística notável de procurar elevar o seu desempenho a padrões de excelência no exercício da prática”

Intensivos, que seria inteiramente direcionada para essa área específica, e assim me parece que podíamos ter enfermeiros especialistas mais capacitados/ /preparados, o que seria uma mais-valia no cuidar do doente crítico.

-licenciatura em Enfermagem Médico-cirúrgica – A pessoa em situação crítica, que vem de alguma forma dar um contributo a nível de aquisição de competências nesta área, possibilitando ao profissional adquirir saberes sobre a abordagem à pessoa em situação crítica ou em risco de vida. Contudo, julgo que há na enfermagem intensiva áreas da prática que devem ser alvo de

formação para que possamos opinar sobre elas de forma sustentada e argumentada e nos possamos afirmar pela competência como um par reconhecido e valorizado demonstrando capacidade de análise, raciocínio clínico e pensamento crítico. Partilhando uma vontade da SPCI, espero ver emergir uma Pós-licenciatura em Cuidados

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carecem de uma abordagem no que concerne ao doente crítico, lacuna há muito identificada. Para colmatar este hiato, os profissionais que iniciam funções nas unidades de cuidados intensivos procuram efetuar formações pontuais que lhes confiram alguma competência em determinadas áreas. Neste contexto, e para retificar esta lacuna, surge a Pós-

JE | Como costuma ser a adesão dos estudantes de enfermagem? Qual a importância deste tipo de iniciativas para a sua formação? MMV | A adesão dos estudantes de enfermagem é boa, parece-me ser uma área que gera muitos adeptos aliciados pela utilização de alta tecnologia, pela inovação, por vivenciar situações limite, o que sem dúvida lhes desperta um interesse particular na área dos Intensivos. Os estudantes são normalmente pessoas sedentas de conhecimento e, neste sentido, este tipo de iniciativa pode proporcionar-lhes um know-how para a sua vida futura na enfermagem ou apropriarem-se de conhecimentos que mobilizem nas diferentes situações com que se vão deparar ao longo da sua formação.

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Controlo da Diabetes e cuidados alimentares, a pessoa com DM2 consegue perder peso e manter a sua DM controlada durante algum tempo. De acordo com a Norma DGS nº002/2011 os critérios para o diagnóstico da DM são: • Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl (ou ≥ 7,0 mmol/l); ou • Sintomas clássicos de descompensação + Glicemia ocasional ≥ 200 mg/dl (ou ≥ 11,1 mmol/l); ou • Glicemia ≥ 200 mg/dl (ou ≥ 11,1 mmol/l) às 2 horas, na prova de tolerância a glicose oral (PTGO) com 75g de glicose; ou • HbA1c ≥ 6,5 %

EDUCAÇÃO

PREVALÊNCIA

Duarte Matos

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Enfermeiro educador e formador na Associação Portuguesa dos Diabéticos de Portugal (APDP), desde setembro de 2010 na área da consulta de diabetes da criança

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Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crónica cada vez mais presente na sociedade, sendo caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue (hiperglicemia). Este aumento anormal dos níveis de glicose pode ser originado pela deficiente produção de insulina, pela insuficiente ação da mesma ou pelas duas em simultâneo. Na Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) ocorre uma destruição seletiva das células beta pancreáticas, pelo que não há produção de insulina pelo corpo. Assim, a única forma de tratamento é a administração de insulina várias vezes ao dia, nomeadamente às refeições, tendo em conta o que a pessoa ingere e a glicemia que tem (permitindo à pessoa adequar a insulina ao valor,

ao que vai ingerir e à atividade física que vai ter). A pessoa com DM1 pode ter uma vida plena e sem limitações desde que faça o tratamento indispensável ao bom controlo glicémico (insulina, alimentação saudável, prática de atividade física e pesquisas de glicemia capilar). Na Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) o pâncreas não produz insulina suficiente, utiliza-a de forma pouco eficaz ou coexistem as duas simultaneamente. A primeira linha de ação prende-se pela adoção de estilos de vida mais saudáveis (prática regular de atividade física e adoção de alimentação mais saudável) e só depois uma abordagem farmacológica (comprimidos, insulina ou outros fármacos injetáveis). Muitas vezes com a prática de atividade física

A prevalência da DM em Portugal dos 20 aos 79 anos, de acordo com os dados do Observatório Anual da Diabetes 2015, situa-se nos 13,1%, sendo que cerca de 5,7% dessas pessoas estão por diagnosticar. No que diz respeito à DM1 existe um n.º total de casos de 1921 na população entre os 0-14 anos e de 3365 dos 0-19 anos. Para além disso, os mesmos autores estimam que a DM represente um gasto em saúde de cerca de 0.7-0.9% do PIB de Portugal e cerca de 8-10% das despesas em saúde.

CONTROLO METABÓLICO Perante estes fatos torna-se importante que a população em geral e os profissionais de saúde em particular tomem consciência e atitude no sentido de melhorar este panorama. A prevenção é sempre a melhor solução, mas, não sendo possível, resta trabalhar junto das pessoas com DM para que estas possam alcançar um melhor controlo metabólico possível. Segundo o Observatório Nacional da Diabetes, o controlo metabólico é entendido como a obtenção de níveis de glicose no sangue dentro

“A prevenção é sempre a melhor solução, mas, não sendo possível, resta trabalhar junto das pessoas com DM para que estas possam alcançar um melhor controlo metabólico possível”

de certos limites, o mais próximo possível da normalidade. Deve-se por isso estabelecer com a pessoa com DM quais são os seus objetivos tendo em conta os seus hábitos de vida, idade, co morbilidades e apoio familiar/social, minimizando os riscos de complicações agudas (hipoglicemia e hiperglicemia) e crónicas. Analisando as tabelas 2 e 3, pode-se observar que os objetivos nas crianças são mais altos que nos adultos, pois deve-se ter em conta que aquelas dependem de forma total ou parcial de supervisão de outra pessoa para o seu tratamento e, em alguns escalões etários, é difícil que uma criança detete e atue quando se suspeita duma hipoglicemia. Para se saber que a DM está controlada, deve realizar-se


glicemias capilares diariamente e várias vezes ao dia, dependendo das necessidades e do tipo de tratamento de cada pessoa. Sempre que se suspeite de uma descida ou subida dos valores é igualmente aconselhável avaliar a glicemia. Durante os períodos de doença, viagem ou atividade física mais intensa, pode ser necessário aumentar o número de glicemias capilares, para se poder controlar melhor os valores face a acontecimentos menos rotineiros. Também deve ser efetuada a avaliação da hemoglobina A1c (HbA1c), que fornece uma perspetiva da evolução dos valores ao longo dos últimos 3 meses. A análise dos registos de glicemia diários e da HbA1c permite à pessoa saber qual a variação dos valores ao longo do dia e discutir com a equipa de saúde como melhorar o seu controlo. A American Diabetes Association (2016) salienta ainda que estudos como o The Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) na DM1 e o UK Prospective Diabetes Study (UKPDS) na DM2 confirmaram que a melhoria do controlo metabólico está associada a uma diminuição significativa do aparecimento de complicações microvasculares como a retinopatia, nefropatia e neuropatia. Gæde, P. et al (2003) evidenciam ainda no estudo Steno-2 que o controlo do tabagismo, lípidos e TA diminui o risco de doença cardiovascular nas pessoas com DM2.

ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR A abordagem à diabetes, não sendo um segredo, torna-se complexa pela necessidade de alterar comportamentos, muitos deles já enraizados. Esta abordagem deve ser idealmente realizada por uma equipa multidisciplinar

Nível de controlo

Ideal

Ótimo

Sub otimo

Grande risco

Sem valores altos

Sem sintomas

Poliuria, polidipsia e enurese

Crescimento e ganho ponderal baixo, complicações agudas (hiperglicemia e hipoglicemia) e crónicas

Sem valores baixos

Sem hipoglicemias graves

Episódios de hipoglicemia graves (inconsciência e/ou convulsões)

Episódios de hipoglicemia graves (inconsciência e/ou convulsões)

Jejum

3.5-5.6mmol/dl (65-100 mg/dl)

4-8mmol/dl (70-145 mg/dl)

>8mmol /dl (>145 mg/dl)

>9 mmol/dl (>162 mg/dl)

Pós prandial

4.5-7.0mmol/dl (80-100 mg/dl)

5-10mmol/dl (90-180 mg/dl)

10-14mmol/dl (180-250 mg/dl)

>14mmol/dl (>250 mg/dl)

Deitar

4.0-5.6mmol/dl (80-100 mg/dl)

6.7-10mmol/dl (120-180 mg/dl)

<4.2 ou >9mmol/dl (<75 e >162 mg/dl)

<4.4 ou >11 mmol/dl (<80 e >200 mg/dl)

Noturno

3.6-5.6mmol/dl (65-100 mg/dl)

4.5-9mmol/dl (80-162 mg/dl)

<4.2 ou >9mmol/dl (<75 e >162 mg/dl)

<4.0 ou >11 mmol/dl (<70 e >200 mg/dl)

HbA1c (%)

<6.5%

<7.5%

7.5-9.0%

>9.0%

Valores altos de Glicemia Capilar

Valores baixs de Glicemia Capilar

Avaliação Bioquímica Glicemias capilares

composta pelo menos por médico, enfermeiro e nutricionista, devendo a pessoa com diabetes e os seus cuidadores ter um papel ativo e importante na decisão. O grande objetivo é fornecer ferramentas para que a pessoa com DM possa tomar as melhores decisões possíveis no seu quotidiano, mantendo a sua DM controlada, mas também potenciando a sua qualidade de vida e bem-estar.

tabela 2 Objetivos terapêuticos nos adultos segundo a ADA

HbA1c

<7.0% (53 mmol/mol)

Glicemia pré prandial

4.4-7.2 mmol/dl 80-130 mg/dl

Glicemia pós prandial

10.0 mmol/dl <180 mg/dl

American Diabetes Association (2016). Standarts of medical care in diabetes – 2016. Diabetes Care, volume 39 (Suplemento 1), p. S39-S46. Direcção-Geral da Saúde (2011). Abordagem Terapêutica Farmacológica na Diabetes Mellitus Tipo 2 no Adulto. Orientação da Direção-Geral da Saúde número 052/2011, data 27/12/2011, atualizada a 27/04/2015. Direcção-Geral da Saúde (2011). Diagnóstico e classificação da Diabetes Mellitus. Norma da Direção-Geral da Saúde número 002/2011, data 14/01/2011. Gæde, P. et al (2003). Multifactorial Intervention and Cardiovascular Disease in Patients with Type 2 Diabetes. New England Journal of Medicine, Volume 348, p. 383-393. Rewers, M.J. et al (2014). ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2014 Compendium: Assessement and monitoring of glycemic control in children and adolescents with diabetes. Pediatric Diabetes, volume 15 (Suplemento 20), P. 102-114. Sociedade Portuguesa de Diabetologia (2015). Diabetes: Factos e Números 2015 – Relatório Anual do Observatório Anual da Diabetes.

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Bibliografia

tabela 1 Objetivos terapêuticos na pediatria segundo o ISPAD

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A importância de envolver a família Um idoso com dificuldades de mobilidade, em consequência do que desenvolveu feridas, é o ponto de partida para este caso clínico que evidencia a importância de uma boa articulação entre o enfermeiro e a família do doente.

CASO CLÍNICO

Ana Rito Enfermeira na USF Monte da Luz, Monte Abraão, ACES Sintra

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Perfil do doente

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António, 79 anos, caucasiano, viúvo, reformado. Vive com a filha, que trabalha cerca de seis horas por dia, período em que fica sozinho em casa. Apresenta alguma dificuldade na marcha, ficando grande parte do tempo sentado no cadeirão. Lúcido, orientado, de fácil comunicação com os profissionais de saúde. Utente cuidado em contexto de visita domiciliária, a pedido da filha, pela dificuldade na deslocação aos serviços de saúde.

Queixas Dor no membro inferior esquerdo e mão direita, onde apresentava

feridas tipo abrasão, após queda, já com uma semana de evolução. Refere ainda desconforto nos calcanhares, acentuado ao toque e à mobilização: “As dores nos pés não me deixam andar”. No exame objetivo observou-se pele seca, com pequenas lesões descamativas, em ambos os membros inferiores, calcâneos com rubor, pele seca e com pequenas fissuras, mais acentuado à esquerda. Tensão arterial 125/76mmHg, frequência cardíaca 89pmn, apirético, ligeiramente desidratado e emagrecido. Como antecedentes pessoais, salienta-se diabetes mellitus tipo II, medicado com antidiabéticos orais, com registo de glicémias controladas. Nega outros episódios de quedas recentes, sendo que o motivo não se tratou de qualquer mal-estar, mas ocorreu acidentalmente quando tentou levantar-se sozinho.

Primeira consulta Na primeira visita domiciliária foram observadas todas as zonas problemáticas, verificando-se sinais inflamatórios na ferida do terço médio da perna esquerda, com exsudado moderado, ferida da palma da mão direita, com pequena solução de continuidade da pele, sem sinais inflamatórios. Verificou-se que as lesões nos calcâneos correspondiam a zonas de pressão provocadas pelas posições adoptadas e pelo estado geral do doente. Iniciou antibioterapia e analgesia e foram feitos ensinos à família e ao utente em relação ao esquema alimentar, hidratação,

posicionamentos, prevenção das quedas e sinais de alerta (sinais de hipoglicemia, febre, observação dos pés, coloração da pele e queixas mais acentuadas do doente).

Tratamento Lavagem dos membros inferiores com sabão neutro e soro fisiológico, observação minuciosa dos pés (calcâneos, dedos e zonas interdigitais). Aplicação de creme gordo do Barral original, massajando especialmente as zonas mais secas e descamativas, bem como em todas as zonas de pressão suscetíveis de ulcerar. Foi dada indicação à família para aplicar à noite uma camada de creme nos pés, especialmente nos calcâneos, e colocar umas meias, para um tratamento mais eficaz. Penso da mão direita, inicialmente realizado com matérias adequados a feridas limpas, com aplicação de creme gordo à volta da ferida e, posteriormente, apenas com aplicação de creme gordo. Na ferida da perna esquerda, após realização de penso com material adequado ao estádio da ferida, verificou-se que o excesso de exsudado era prejudicial, macerando a pele em volta da ferida. Para que ocorra a cicatrização, é necessário o equilíbrio da humidade da ferida e a estimulação da migração das células epiteliais para evitar essa maceração. Foi neste contexto que foi aplicado creme gordo, em toda a zona circundante à ferida, ajudando na regeneração da pele, reduzindo assim o excesso de fluidos.

Resultados Cerca de um mês e meio depois o doente apresentava pele íntegra dos calcâneos, pele hidratada dos membros inferiores, não descamativa. A ferida da mão direita apresenta pele regenerada, embora ainda friável, continuando com aplicação de creme gordo, em método exposto. Ferida da perna esquerda, com boa evolução, tendo reduzido de tamanho e profundidade, sem sinais infamatórios, sem maceração da pele circundante. O doente refere uma melhoria na marcha, com diminuição das dores à mobilização: “Sinto-me mais novo, com mais força. As dores tiravam-me o apetite”.

Comentário A proximidade do enfermeiro com a família deve ser baseada numa relação de confiança, com uma comunicação eficaz, valorizando sempre as competências dos cuidadores, encorajando-os assim para uma boa colaboração no tratamento do utente. Como enfermeira especialista, orientadora de futuros enfermeiros, acredito que cada vez mais devemos ser inovadores e criativos, procurando novas formas de tratamento com o objetivo de proporcionar um estado do melhor bem-estar possível ao utente/ família, sempre na perspetiva de melhorar as nossas competências relacionais, técnicas e científicas, procurando a qualidade e a excelência dos cuidados de enfermagem.


“Mais cedo ou mais tarde, vamos ser reconhecidos” Num contexto em que o número de desempregados é alto e a incapacidade do Sistema Nacional de Saúde para admitir todos os enfermeiros de que necessita é admitida, Sónia Araújo, aluna do 4º ano de Enfermagem, não hesita em afirmar: “Eu tenho confiança no meu país. São precisos mais enfermeiros e, mais cedo ou mais tarde, quero acreditar que vamos ser reconhecidos”.

Enfermagem porque... Até ao 11.º ano não sabia que área iria escolher. A certa altura, necessitei de recorrer ao hospital e, durante o tempo em que lá permaneci, observei o trabalho dos enfermeiros que cuidaram de mim e das restantes pessoas. Talvez tenha tido sorte, fui tão bem cuidada que, quando saí do hospital, pensei: “Também quero ser assim! Quero ser útil e ajudar alguém a sentir-se tão bem como estes profissionais me fizeram sentir”. A partir dessa altura decidi que Enfermagem seria a minha primeira opção na candidatura ao ensino universitário.

Ligação com a área Na altura em que me candidatei, não tinha qualquer ligação com a área. Na verdade, antes de iniciar a licenciatura, não tinha sequer a ideia correta do papel do enfermeiro nos mais diversos contextos de cuidados, mas reconhecia a sua importância.

A escolha da universidade

como pelo facto de ter turmas pequenas. E não poderia ter feito melhor escolha.

O curso O curso superou todas as expectativas! No 2.º ano tive realmente certeza que queria ser enfermeira e, a partir daí, a certeza tornou-se cada vez mais sólida.

Os desafios Penso que o maior desafio é a quantidade de conhecimentos que temos de adquirir em quatro anos, conhecimentos esses que colocamos todos os dias em prática nos estágios. Além disso, um dos maiores desafios deste meu percurso académico tem sido a responsabilidade que nos é depositada diariamente.

Experiência ‘in loco’ Visto que me encontro no quarto ano já realizei vários estágios práticos, nomeadamente no serviço de cirurgia, internamento de medicina, pediatria, obstetrícia, psiquiatria, bem como em contexto de lar e cuidados de

saúde primária. Atualmente, estou a realizar um dos meus últimos estágios num serviço de cuidados intermédios. Os estágios correram, na sua maioria, muito bem, senti-me bem recebida pelas equipas dos diversos serviços. O facto de iniciarmos os estágios no segundo ano da licenciatura é essencial, pois é nesse contexto que conseguimos desenvolver as competências necessárias à profissão: adquiri conhecimentos das mais diversas áreas, apliquei as mais variadas técnicas práticas e de comunicação. Posso dizer que era o que esperava. Antes de iniciar os estágios já tinha noção da realidade de cada serviço, pelo que os professores ou colegas mais velhos nos contavam. Contudo, alguns serviços surpreenderam-me pela positiva, pelo excelente funcionamento e pelos excelentes cuidados que prestam aos utentes.

Preocupações Acredito que as preocupações de muitos estudantes de Enfermagem se centrem no mercado de trabalho que os espera. A minha preocupação é aproveitar a licenciatura para adquirir o máximo de conhecimentos possíveis de forma a conseguir prestar cuidados de excelência aos utentes que irei ter ao meu cuidado quando for profissional. Quanto ao futuro, apesar do que se ouve falar na comunicação social, eu tenho confiança no meu país. São precisos mais enfermeiros e, mais cedo ou mais tarde, quero acreditar que vamos ser reconhecidos.

futuro

Sónia Araújo 21 anos, natural de Santarém, frequenta o 4.º ano de Enfermagem na Escola de Enfermagem de Lisboa, do Instituto de Ciências da Saúde, da Universidade Católica Portuguesa

Depois do curso, Portugal ou estrangeiro? Apesar de ter conhecimento que a remuneração noutros países é bastante superior à nossa, eu quero exercer a profissão no meu país.

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A cidade foi o primeiro aspeto que pesou na minha escolha. Escolhi Lisboa por considerar que é onde estão os principais hospitais, como o de Santa Maria. Considerei que teria mais oportunidade para realizar estágios em hospitais pelos quais tenho maior preferência. Entre todas as universidades, a Universidade Católica Portuguesa foi a que mais me cativou. Não só pelo excelente plano curricular,

“O facto de iniciarmos os estágios no segundo ano da licenciatura é essencial”

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CUIDAR DA PELE SECA COM CERA BRANCA DE ABELHA Com o frio a pele tende a ficar seca e mais sensível, necessitando de nutrição extra. Os calcanhares, os cotovelos e os joelhos são das zonas do corpo que mais se ressentem com a chegada do inverno, mas também o nariz e o contorno dos lábios. Para proteger e devolver

a suavidade a estas zonas mais sensíveis, a Barral propõe o Creme Gordo Original, sem perfume, que hidrata, protege, regenera e suaviza a pele num só gesto. A sua fórmula com cera branca de abelha, parafina e lanolina restaura e reforça a barreira cutânea, ao mesmo tempo

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ELIMINAR PIOLHOS E LÊNDEAS EM CINCO MINUTOS

O regresso às aulas pode ser uma grande dor de cabeça para os pais, não só pela mudança de rotina como pelo aparecimento de piolhos e lêndeas: estima-se, aliás, que cerca de 37% das crianças em idade escolar têm piolhos. Para combater estes parasitas,

por vezes muito resistentes e de rápida reprodução, é fundamental optar por um tratamento igualmente rápido. A Loção Fullmarks, com a sua fórmula altamente eficaz, atua em apenas cinco minutos e não possui inseticidas, sendo um método de

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SOLUÇÃO DISCRETA PARA AS PEQUENAS PERDAS

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Uma em cada quatro mulheres a partir dos 35 anos tem ou teve algum episódio de perdas de urina e nas mulheres de meia idade a prevalência de incontinência urinária atinge os 30% a 40%. Para proteger as mulheres e dar-lhes

Edição

Jornal Enfermeiro é uma publicação multiplataforma de informação entre enfermeiros e as comunidades que com eles interagem // Diretora Fátima de Sousa (fatimasousa@newsengage.pt) // Equipa editorial Ângela dos Vais (angeladosvais@newsengage.pt); Teresa Nunes (teresanunes@newsengage.pt) // Diretor de Arte Cátia Tomé (catiatome@newsengage.pt) // Coordenadora Publicidade Sónia Coutinho (soniacoutinho@newsengage.pt) // Redação Edifício Lisboa Oriente, Av. Infante D. Henrique, 333 H, esc. 45, 1800-282 Lisboa, T. 218 532 916, F. 210 435 935, E-mail: jornalenfermeiro@jornalenfermeiro.pt // Edição multiplataforma impressa e digital enviada para 12.500 profissionais de saúde // Os artigos de opinião são da inteira responsabilidade dos seus autores // Impressão RPO // Depósito legal 392674/15 // Publicação isenta de registo na ERC, ao abrigo do Decreto Regulamentar 8/99, de 9/06, artigo 12º, número 1A


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